Toque Musical 12 Anos

Hoje é aniversário do Toque Musical. Juro, eu havia me esquecido… Isso é uma prova do quanto estou desligado, ou melhor ainda, desmotivado com essa coisa de blog musical. A começar pela minha própria falta de tempo, ou pelo tempo que isso aqui ocupa da gente. É certo de que quando gostamos do que fazemos temos para isso todo tempo do mundo. Mas o mundo dá voltas e se transforma e aquilo que antes dava prazer torna-se uma obrigação. Acredito que os últimos anos a coisa aqui tem sido assim. Confesso que venho perdendo o interesse e a graça por tudo isso, mesmo assim, ao olhar para trás, ver tudo o que foi feito, penso que não posso abandoar o projeto de vez. Daí, ele segue, agora sem compromisso. Penso que se antes o Toque Musical era feito para todos, agora eu o faço para mim.
Preguiçosamente (falta de tempo), deixei muitos dias se passarem sem postagem, mas para não ficar muito espaçado entre os dias, estive voltando no tempo, num retardo, preenchendo os dias vazios. Estou agora só há um mês atrasado e hoje é dia de aniversário. Fui obrigado a voltar ao presente para registrar mais uma passagem. Inacreditavelmente, completamos 12 anos!
Quero agradecer a participação de todos os amigos cultos e ocultos que sempre estiveram por aqui, aos mais de 3 mil associados no GTM (Grupo do Toque Musical), aos colaboradores e em especial ao amigo Samuel Machado Filho, grande parceiro, responsável por dividir comigo tantas postagens através de seus textos sempre esclarecedores.
Não prometo, mas pretendo manter o Toque Musical sempre na ativa. Conto com a presença e mais ainda, a colaboração de todos. Grande abraço!

Augusto TM

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Entre Amigos (1985)

Olá, amigos cultos e ocultos! Aqui vai mais uma seleção que é bem mais que uma simples coletânea. Na verdade é uma seleção de clássicos da nossa MPB, reunindo grande nomes, num projeto que recebeu o título de “Entre Amigos”. Sim, é um encontro de amigos cantando, tocando, regendo e produzindo. Um trabalho sobe a direção musical, arranjos e regências do maestro Francisco de Moraes, o Chiquinho de Moraes. Aqui estão reunidos figuras como Gal Costa, Alcione, Joyce, Angela Roro, Lucinha Lins, Emílio Santiago, Leny Andrade, Zéluiz, Rosa Maria, Ruy Maurity e Filó. Não bastasse isso, ou por conta disso, temos também um timão de outros músicos instrumentistas e a participação internacional do francês Michel Legrand. Eis aqui um lp interessante no qual temos interpretações únicas, gravadas com exclusividade para esse projeto, lançado em 1985 pelo selo Pointer. Não deixem de conferir…

canção da américa – gal costa
casa no campo – leny andrade
pai e mãe – emilio santiago
recado – alcione
chuva de verão – joyce
aos nossos filhos – angela roro
o surdo – lucinha lins
meu silêncio – zéluiz
meu amigo meu herói – rosa maria
meu caro amigo – ruy maurity
universo no seu corpo – filó



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As 13 De Sorte Vol. 2 (1969)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Na sequência das coletâneas, hoje temos “As 13 de Sorte 2”, lançada pelo selo Caravelle, em 1969. Temos aqui uma seleção popular romântica, com nomes de destaque: Paulo Sérgio, Marcos Moran, Tony Damito, Fredson, Parada 5 e outros do cast da gravadora. Acredito que boa parte do que temos aqui se limitou a essa edição. Portanto, trata-se de um lp de coisas raras que por certo irá agradar ao fiel público do TM, que também curti escutar música com outros ouvidos. Confiram lá no GTM 😉

um amor nascendo e outro morrendo – paulo sergio
vou casar – marcos moran
pra ver se ela para na minha – tony damito
você não vai encontrar um amor igual ao meu – fredson
quando eu disser adeus – arturzinho
strasera – josé ricardo
pra não dar na pinta – fredson
reverb beat (queremos pernas de fora) – bossa e música
flamengo e portela – as certinhas
sonnando – parada 5
prefiro então morrer – josé ricardo
sou gamado nela – artuzinho
eu bem sabia – paulo sergio



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As 14 Favoritas – Som Maior (1968)

Olá amigos cultos cultos e ocultos! Ainda tentando fechar os 12 anos, aqui vai mais uma coletânea, também com 14 sucessos. Dessa vez temos as 14 favoritas do selo Som Maior, apresentando apenas artistas nacionais que na época estavam nessa gravadora. Como podemos ver já pela capa, temos um ‘cast’ de alto nível e um repertório a altura. Esta é a primeira vez que o link chega primeiro que a sua postagem. Já havia publicando o link no GTM, mas me esqueci da postagem. Pronto, está na mão…

margarida – os 3 morais
minha roda gigante – tito madi
maria carnaval e cinzas – pop 5
with a girl like you – the ghosts
meus amigos – embalo r
domingo no parque – titulares do ritmo
puppet on a string – conjunto mafasoli
alegria alegrua – titulares do ritmo
there’s a kind of hush -conjunto mafasoli
roda viva – pop 5
a whiter shade of pale – the ghosts
travessia – os 3 morais
chove outra vez – tito madi
the shadow of your smile – embalo r


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14 Sucessos RCA Victor Vol. 2 (1966)

Olha aí, amigos cultos e ocultos! Hoje sem delongas, segue aqui outra boa seleção, desta vez da RCA Victor, que é sinônimo de qualidade e variedade. 14 Sucessos, Volume 2 nos traz uma coletânea de sucessos e em sua maioria artistas nacionais e de um período marcante da gravadora. Não deixem de conferir, pois aqui vocês encontram…

tristeza – maysa
a taste of honey – living brass
ternura – demetrius
michelle – expósito e sua orquestra
dio come ti amo – laredo brass
dá-me – dorothy
aline – orquestra namorados do caribe
ontem – sergio murilo
si fa sera – gianni morandi
maria elena – carlos gonzaga
thunderball – ray martin e sua orquestra
o homem que não sabia amar – josé ricardo
o canto de ossanha – wilson miranda
família buscape – meire pavão



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14 Sucessos De Ouro Vol. 4 (1965)

Olá, amigos cultos e ocultos! Seguimos neste mês com algumas coletâneas, alguns daqueles discos que se não fosse aqui, vocês nunca teriam escutado. Nesta, eu confesso, até mesmo eu. E taí um bom motivo para apreciarmos, por exemplo, essa seleção da RGE, reunindo 14 músicas extraídas de discos de seus artistas. Temos assim um variado leque para promover seus lançamentos e artistas e atender ao seu mais diverso público. Um misto de sucessos nacionais e internacionais. Não deixem de conferir no GTM, pois temos aqui…

distância – miltinho
sukiyaki – the andrews sisters
garota de ipanema – paulinho nogueira
sabe deus – oslain galvão
blame it on the bossa nova – lawrence welk 
tudo de mim – rosana toledo
eu hei de seguir – george freedman
doce amargura – alda perdigão
soñar contigo – bienvenido granda
bonaza – billy vaughn
prova de amor – miguel angelo
apache – the bells
o tempo te dirá – raul sampaio
el relicario – ubirajara



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Sergio Ricardo – Depois Do Amor (1961)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Hoje estou trazendo para vocês um disco que há muito eu queria ter postado aqui, mas como vocês sabem, eu gosto de um serviço completo, ou melhor dizendo, gosto de apresentar arquivos completos. Tenho preguiça até de ouvir quando o arquivo não traz capa, contracapa, selo e encartes. Por essa razão o “Depois do Amor”, de Sérgio Ricardo ficou na gaveta, esperando por uma capa, contracapa e selo. Mas, finalmente apareceu, o meu amigo Fares me presenteou com essa pérola e agora então posso compartilhar a alegria com vocês.
Temos aqui um Sergio Ricardo intérprete, bem ao estilo do artista que se apresentava na noite com seu piano. “Depois do Amor” é um disco onde ele seleciona 12 canções de outros autores, algumas, ou quase todas, verdadeiros clássicos da nossa canção popular. Sem dúvida, um disco bem bacana, hoje também um clássico, indispensável em qualquer discoteca de Bossa Nova. E aqui também 😉

depois do amor
errinho atoa
maria dos olhos grandes
foi a noite
serenata branca
duas contas
poema dos olhos da amada
passarinho
dorme dorme menininha
eu sonhei que tu estavas tão linda
ilusão atoa
quem quiser encontrar o amor


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O Ciclo Vargas – Um Visão Através Da Musica Popular (1983)

Olá, amigos cultos e ocultos! Esta postagem de hoje do Toque Musical é um LP duplo da série “Uma visão através da música popular”, produzida pelo Sesc em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, a mesma da qual apresentamos anteriormente o disco dedicado à Revolução de 1932. Desta vez, é abordado o longo período em que Getúlio Vargas governou o Brasil, tanto que várias de suas faixas já foram apresentadas nos dois volumes da coleção Grand Record Brazil sobre a Era Vargas, cujas resenhas foram de minha responsabilidade, e nas quais vocês poderão encontrar maiores informações sobre esse importantíssimo período da história do Brasil. O disco ainda apresenta duas paródias fazendo referência a Getúlio, das músicas “Taí” e “Gosto que me enrosco”, com o coral da gravadora Eldorado, e o samba-enredo “61 anos de República”, apresentado pela escola Império Serrano em 1951, mas só gravado em 1976. Enfim, um documento histórico que o TM põe à disposição.

harmonia harmonia
comendo bola
g-e-gê (seu getúlio)
gosto que me enrosco
taí
a menina presidência
glórias do brasil
onde o céu é mais azul
é negócio casar
o sorriso do presidente
brasil brasileiro
diplomata
salve 19 de abril
palacete do catete
salada política
ai! gegê
juramento de getúlio vargas na posse de presidente 1951
setenta e um anos de república
ministério da economia
coisa modesta (gegê)
trabalhadores do brasil
se eu fosse o getúlio
ele disse
hino a getúlio vargas



*Texto de Samuel Machado Filho

Grupo Nós – Rasante (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical oferece a vocês o primeiro LP do grupo Nós, formado em Ribeirão Preto, em 1978, com o nome de Nós 4 e descendente direto de outra banda, o Grupo 17, muito conhecido na região nos anos 1960/70. O disco foi lançado em 1980, de forma independente, e tem sonoridade influenciada pelo rock progressivo, folk e MPB. E este foi apenas o início de uma carreira bastante promissora, que dura até hoje, mesmo com o falecimento de dois de seus fundadores, Henrique Bartsch e Johnny Oliveira. Portanto, é mais um produto de qualidade que o TM orgulha-se em oferecer. No arquivo do disco temos incluído mais informações sobre o grupo. Não deixem de conferir!

1968

circulo vicioso

rasante

retrato em 3×4

vozes

montes de minas

trombadinha

ao meu redor

andando nos andes

falo calado

razão blue


*Texto de Samuel Machado Filho

O Santo Sudário – TSO (1980)

O santo sudário é uma relíquia que, segundo alguns acreditam, foi o pano que envolveu Jesus Cristo quando ele morreu. Guardado em Turim, na Itália, o sudário tem a imagem de um corpo ensanguentado, com feridas parecidas com as de Jesus. Foi revelado no século XV e se tornou uma atração entre os fiéis cristãos. Algumas referências mais antigas sugerem que o sudário é mais antigo que isso ou que outros panos com imagens de Jesus já existiam. No entanto, não existe evidência sólida que foi o pano que envolveu o corpo de Jesus. O santo sudário foi tema de diversos documentários. Um deles foi feito em 1980, sob a direção de Paulino Brancato Jr., até então o único jornalista que teve permissão para entrar na Igreja de São João Batista, em Turim, e filmar o santo sudário. E é justamente a trilha sonora desse filme, com arranjos e regência de Eduardo Assad, que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. O lado A tem as músicas do filme acrescidas de narração, com atores interpretando Jesus Cristo, Maria, João Evangelista, Pôncio Pilatos e um jornalista e, no lado B, apenas a execução instrumental. Um trabalho interessante e curioso, que merece uma conferida. 

funk in turin
sarqabandi – 2 mov
judas macabeu – 1 mov
sarabandi – 1 mov
ave maria
judas macabeu  – 2 mov
sarabandi 2 mov
sarabandi – 1 mov
judas macabeu – 2 mov
ave maria
judas macabeu – 1 mov
sarabandi – 2 mov
funk in turin

*Texto de Samuel Machado Filho

Leny Andrade – No Inverno & Verão (1985)

Leny de Andrade Lima, ou simplesmente Leny Andrade, está presente mais uma vez no Toque Musical. Nasceu no Rio de Janeiro em 26 de janeiro de 1943, e aos seis anos de idade começou a estudar piano. Aos nove anos, participou do programa “Clube do Guri”, da PRG-3, Rádio Tupi (“o cacique do ar”), apresentando-se depois nos programas de Silveira Lima e César de Alencar. Ingressou, em seguida, no Conservatório Brasileiro de Música. Estreou profissionalmente em 1958, atuando como “crooner” da orquestra de Permínio Gonçalves, passando mais tarde a cantar nas boates Bacará (com o trio de Sérgio Mendes) e Bottle’s Bar, no Beco das Garrafas, reduto de boêmios e músicos da bossa nova. Gravou seu primeiro LP em 1961, “A sensação”, e daí por diante não parou mais. De 1966 a 1970, morou no México, apresentando-se várias vezes com Pery Ribeiro. Com ele, inclusive, fez um memorável show na boate carioca Porão 73, “Gemini V”, aliás o disco ao vivo está disponível aqui no TM, junto com outros trabalhos de Leny, todos excelentes. Este aqui, gravado em estúdio, foi lançado pelo selo Pointer,  teve sua capa alterada para ser vendido no restaurante Inverno & Verão, de São Paulo, onde Leny se apresentou na época (1985), e como sempre, tem um repertório de ótima qualidade, assinado por compositores diversos. Como cantora, ela dispensa qualquer comentário, e este disco é mais um produto de qualidade que o TM orgulha-se em oferecer. Confiram. 

clichet
samba de ré
bêbado
contigo aprendi – esta tarde vi llover
chico hipocondria
não dá
uau
dindi
sessão passa tempo
enredo do meu samba
vai passar
 


*Texto de Samuel Machado Filho

Jair Rodrigues – Menino Rei Da Alegria (1968)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical apresenta hoje mais um disco desse notável cantor que foi Jair Rodrigues, por sinal dos mais raros. É “Menino rei da alegria”, lançado em 1968. O repertório mantém a qualidade habitual de Jair nessa época, apresentando músicas de Nonato Buzar, Roberto Menescal, Sílvio César, Rildo Hora, Luiz Vieira, Monsueto, Carlos Imperial, da dupla Edu Lobo-Ruy Guerra e dos irmãos Valle. A surpresa, aqui, fica por conta da inclusão de “Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando)”, a então polêmica composição de Geraldo Vandré que tanto mal-estar causou nos militares que então governavam o Brasil, e acabou proibida pela censura, sendo liberada apenas onze anos depois, em 1979 (provavelmente este álbum de Jair também foi recolhido). Encerrando o álbum, um popurri de sambas antigos, no qual a música de encerramento é “Se é pecado sambar”, e não “É com esse que eu vou”, como erroneamente consta da contracapa. Enfim, mais um primoroso trabalho de Jair Rodrigues, para enriquecer os acervos de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de melhor.

pra todo mundo riar

felicidade

festa

repente

dia da vitoria

samba da rosa

regra trÊs

maré morta

escrete do samba

pra não dizer que não falei de flores

nascimento vida e morte de um samba

timidez

partido alto

pot pourri


*Texto de Samuel Machado Filho

Vicente Barreto – Nação Brasileira (1985)


Vicente Barreto, cantor e compositor que o Toque Musical põe em foco no dia de hoje, é o legítimo “tabaréu”, caipira do Nordeste. Nasceu em Salgadália, distrito de Conceição do Coité, no interior da Bahia, em 5 de abril de 1950, mas foi criado no município de Serrinha. Autodidata na arte de tocar violão, é parceiro de diversos artistas da MPB, tais como Alceu Valença (“Morena tropicana”, “Cabelo no pente”, “Pelas ruas que andei”), Tom Zé (“Hein!”, “Esteticar”, “Vaia de bêbado não vale”), Vinícius de Moraes (“Eterno retorno”), Celso Viáfora (“A cara do Brasil”, “A notícia”, “Por um fio”) e Paulo César Pinheiro (“Na volta que o mundo dá”), e tem dez álbuns lançados, o mais recente, “Cambaco”, de 2015. Suas músicas também foram gravadas por intérpretes do porte de Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Alaíde Costa e Mônica Salmaso, entre outros. “Nação brasileira”, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, é o quarto disco de Vicente Barreto, e foi lançado em 1985. Aqui, o destaque fica por conta de “Amor de papel”, uma parceria com Raul Ellwanger, que foi tema da primeira versão da novela global “Sinhá Moça”. Ambos também assinam “Moça do Leblon” e “Cangaíba”. Há ainda parcerias com Jaguar (“Beijo de lua” e “Teias do coração”), Hermínio Bello de Carvalho (“Gaiola”), Alceu Valença (“Pirapora”) e Zé Rocha (“Mudança do tempo” e “Maracatu, nação brasileira”).  Tudo resultando em mais um disco que vale a pena conferir. 

moça do leblon
gaiola
beijo de lua
o sanfoneiro
teias do coração
pirapora
amor de papel
mudança de tempo
cangaíba
maracatu nação brasileira


*Texto de Samuel Machado Filho

 

Bendengó – La Nave Va (1986)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje apresentamos para vocês o quinto e último álbum do grupo Bendegó, lançado em 1986 pela extinta 3M. O Bendegó, que fazia uma mistura de rock com ritmos regionais,  foi criado na Bahia pelo cantor, compositor e violonista Winston Geraldo Guimarães Barreto, o Gereba, e gravou seu primeiro LP em 1973. Além de Gereba, faziam parte do grupo o baixista Kapenga, o tecladista Vermelho, o baterista Hely Rodrigues e, curiosamente, João Santana, o Patinhas, mais tarde marqueteiro do PT e condenado pela Operação Lava Jato a oito anos e quatro meses de prisão, acusado de lavagem de dinheiro. Ele foi o principal letrista do Bendegó e teve músicas gravadas por Pepeu Gomes (“Voz do coração”) e Diana Pequeno (“Sinal de amor e de perigo”), além de ter sido parceiro de Moraes Moreira em “Forró do ABC”. Neste disco, João é parceiro de Kapenga em duas faixas: “A fonte é viver você” e “A hora H do agora”. Gereba, que também colaborou nos arranjos, assina outras dez faixas, algumas com letra de Capinam. Em suma, um disco agradável de ouvir, e que merece ser conferido.

santa menina sensual do metrô
cores do rio
arrasou, minha coisinha
a fonte é viver você
xô xô patacho
la nave va
cuba nagô
brilho do amor
dia de mar azul
a hora h do agora
big valley
pimentinha no forró



*Texto de Samuel Machado Filho

 

Freelarmonica (1983)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Atendendo a pedidos (nesse sentido a gente ainda atende), estamos trazendo aqui o primeiro trabalho da banda instrumental ‘Freelarmonica’, lançado no início dos anos 80. A banda nasceu a partir de uma peça teatral, quando foram convidados a fazerem uma trilha musical. Músicos instrumentistas, de formação clássica, passaram ali a formatar uma nova proposta de grupo instrumental, se apresentando em vários teatros e casas de shows e parques da cidade de São Paulo. O projeto ganhou força ao lançarem o seu primeiro trabalho em disco pela produtora Lira Paulistana. Daí em diante, conquistaram seu espaço e respeito na excelência da música instrumental brasileira. Infelizmente, há poucas informações na rede sobre o grupo, inclusive ão encontrei referências de outros discos, mas ao que parece, a Freelarmonica ainda continua ativa, fazendo suas apresentações. Não deixem de conferir no GTM.

e um… tem aí?
primeira do lado b
o verdadeiro dom quixote
mr. malo
salada bem temperada
manhã
choro hermético
o velho sapato velho
tem



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O Espírito Da Coisa (1986)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical traz hoje o único LP do Espírito da Coisa, banda de pop-rock formada em meados da década de 1980, no Rio de Janeiro. Formado pelos vocalistas Cláudio Barreto, Dila Guerra, Katita Moraes e Victor, mais Paulo Corrêa (guitarra, piano, violão, flauta e voz), Guilherme Brício (teclados, saxofone e flauta), Cláudio Matheus (baixo) e Sobral (bateria e percussão), o grupo apareceu pela primeira vez em disco no álbum misto “Indústria do rock”, de 1985, interpretando a faixa “Verônica”. Nesse mesmo ano, O Espírito da Coisa lançou em compacto simples seu único sucesso, “Ligeiramente grávida”, justamente a faixa que abre este único álbum da banda, editado em 1986 pela Top Tape. A proposta deles, como se poderá notar ouvindo este disco, era a mesma da Blitz, ou seja, canções leves com letras bem-humoradas, e até mesmo com pitadas de crítica social, como se percebe nas faixas “Mimi trotskista” e “Salário mínimo”. Enfim, é um disco que vale a pena baixar e ouvir.

ligeiramente gravida
manga com leite
lady newton
benedito
salário mínimo
e agora josé
teresa
zé roberto
nene
mimi trotskista




*Texto de Samuel Machado Filho

Leci Brandão (1985)

Cantora, compositora, atriz e política. Assim é Leci Cristina Brandão da Silva, ou simplesmente Leci Brandão, que o Toque Musical põe em foco no dia de hoje. Ela nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1944, e começou sua carreira no início dos anos 1970, tornando-se a primeira mulher a participar da ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Começou a chamar a atenção do grande público em 1975, ao participar do festival Abertura, da TV Globo, defendendo seu samba “Antes que eu volte a ser nada”, mais tarde faixa-título de seu primeiro LP. Uma das mais importantes intérpretes de samba da MPB, Leci Brandão gravou, ao longo da carreira, 13 LPs, 8 CDs, 2 DVDs e 3 compactos, um total de 26 obras. É também madrinha da Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé, bicampeã do carnaval de São Paulo. Em 2010, elegeu-se deputada estadual por São Paulo, pelo PCdoB, reelegendo-se em 2014 e 2018. Como parlamentar, Leci Brandão dedica-se à promoção da igualdade racial, ao respeito às religiões de matriz africana e à cultura brasileira. Também levanta a questão das populações indígena e quilombola, da juventude, das mulheres e do segmento LGBTQ+. Na televisão, atuou na novela “Xica da Silva”, da extinta TV Manchete (1996/97), como a líder quilombola Severina, e foi ainda comentarista dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo pela Globo.  No cinema, participou dos filmes “Antônia” (2007), “Tropa de elite 2” (2010) e “O samba” (2015). Este álbum que o TM nos oferece hoje é talvez o melhor trabalho da carreira de Leci Brandão. Lançado pela Copacabana em 1985, o disco foi puxado pelo hit “Isso é fundo de quintal”, dela própria em parceria com Zé Maurício. Porém, é óbvio, tem mais a destacar. É o caso de “Zé do Caroço”, uma das músicas mais regravadas de Leci, e de uma versão de Martinho da Vila para “Gracias a la vida”, da chilena Violeta Parra. Martinho ainda assina “Tá quase odara”, parceria com Zé Catimba, e a própria Leci, “Belém meu bem”, “Deixa, deixa”, “Assumindo” e a adaptação de “Saudação ao rei das ervas”. Com direito até a um forró (“Entra no forró”). Tudo isso e muito mais fazem deste disco uma verdadeira joia que o TM oferece com a grata satisfação de sempre. Confiram.

papai vadiou

isso é fundo de quintal

tá quase odara

zé do caroço

belém meu bem

quero eu

agradeço a vida

deixa deixa

entra no forró

maria de um só joão

quebra-queixo

assumindo

saudação ao rei das ervas



*Texto de Samuel Machado Filho

Liverpool – Marcelo Zona Sul TSO (1970)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro da nossa diversidade fonomusical, temos para hoje um compacto triplo, disco da trilha sonora do filme Marcelo Zona Sul, de Xavier de Oliveira. Este filme nacional estreou em 1970 e teve grande sucesso entre os jovens. Trazia, como protagonista da história os então jovens atores Stepan Nercessian e Francoise Forton. A trilha sonora é executada pelo conjunto Liverpool, ou Liverpool Sound, como está escrito nos créditos do filme. Este, por sinal e para nossa felicidade pode ser encontrado na íntegra, no Youtube. O disquinho, um compacto, virou hoje peça rara de colecionador. Vale a pena conferir, tanto o filme quanto as músicas da trilha.

renata
dança da chuva
canção da volta
marcelo
fossa de marcelo
excinting posters


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Nelson Coelho De Castro – Juntos (1984)

Compositor, cantor e produtor musical, Nelson Coelho de Castro bate ponto hoje aqui no Toque Musical. Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 17 de abril de 1954. Entre 1965 e 1968, fez parte de um grupo de meninos cantores do Colégio São João, em sua cidade natal. Estudou violão clássico e popular com Ivaldo Roque. Em 1974, no festival do Colégio Parobé, ganhou o Prêmio Comunicação. No MusiPUC, importante festival cultural que a Rádio Continental AM, sempre ligada ao movimento cultural de Porto Alegre, transmitia ao vivo, ganhou vários prêmios. Em 1975, fez sua estreia nas “Rodas de som” de Carlinhos Hartlieb, projeto dedicado a promover a música local. Em 1977, formou-se em jornalismo. No mesmo ano, realizou seu primeiro espetáculo, “E o crocodilo chorou”, ao lado do seu grupo Olho da Rua, dirigido por Luciano Albanese. Sua estreia em disco acontece em 1978, participando do álbum misto “Paralelo 30”, produzido pelo jornalista Juarez Fonseca, com as faixas “Rosa calamidade” e “Águias”. Em 1979, lançou seu primeiro compacto simples, com “Faz a cabeça” e “Hei de ver”., Entre 1980 e 81, produziu e lançou o primeiro disco independente feito no Rio Grande do Sul, exatamente este “Juntos”, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos num relançamento feito em 1984. Nelson Coelho de Castro tem uma discografia de dez álbuns lançados, o mais recente, “Lua caiada”, de 2010. É mais uma personalidade que o TM tem o prazer de focalizar, através de seu primeiro LP-solo, documento de um início de carreira bastante promissor.

o beijo
armadilha
juntos
zé aquele tempo do julinho
todos homens
desfilar
vanda bonita
sol
ponto nodal
por favor a
gosto



*Texto de Samuel Machado Filho

Sergio Boré – Tambores Urbanos (1983)

Um verdadeiro autodidata. Assim é o percussionista Sérgio Boré, que bate ponto aqui no TM através de seu primeiro álbum solo, editado em 1983. Gaúcho de Porto Alegre, Sérgio criou ritmos para gigantes da MPB , gravou mais de 150 álbuns com diferentes artistas e se tornou conhecido internacionalmente. É um mestre não só do ritmo mas também do som em geral. Ele evoca todas as cores das vibrações do seu arsenal de instrumentos e finalmente adiciona sua voz. Sua música é intensamente alimentada de espiritualidade. Foi em 1982 que Sérgio Boré criou seu próprio projeto musical, o Tambores Urbanos. A ideia é de sempre convidar músicos amigos para que contribuam com sua criatividade. A música fala de liberdade e improviso e Sérgio não hesita em chama-la de música livre brasileira. Ele ainda colabora extensivamente com grupos de teatro e dança e compõe trilhas sonoras para filmes. O presente álbum, lançado de forma independente, é o início do projeto Tambores Urbanos, e conta com as participações especiais de Geraldo Azevedo , Bebeto Alves e Elba Ramalho. Enfim, um trabalho que nos leva, inevitavelmente, a um mundo de ritmos, intuição e espaços de sons.

adivinhação
tambores urbanos
chamada criolla
el conde
pingentes
lamento africano
ideo logias
luz da lua
 


*Texto de Samuel Machado Filho 

Eduardo Conde – Certas Canções (1987)

Ator, cantor e modelo, Eduardo Conde nasceu em Recife, capital de Pernambuco, a 9 de abril de 1946. Iniciou sua carreira de cantor aos 19 anos, e gravou seu primeiro LP em 1967, com o título de “Minha chegada”.  No decorrer dos anos 1960, também fez participações em shows e festivais de MPB. Sua figura esguia, de longos cabelos lisos, enigmáticos olhos e rosto marcante o levou também às passarelas, mas ele preferiu investir na carreira de ator, destacando-se, nos anos 1970, como protagonista do musical “Jesus Cristo superstar”, versão pop da história bíblica. Foi também por muitos anos, o apresentador da premiação do Festival de Cinema de Brasília. No cinema, participou de produções nacionais – como “O incrível monstro trapalhão” e “Os saltimbancos trapalhões” – e internacionais – como “A floresta de esmeraldas” e “Feitiço do Rio”, de Stanley Donen, atuando ao lado de Michael Caine e Demi Moore. Na televisão, atuou nas novelas “Sinal de alerta” (1978), “Plumas e paetês” (1980), “A idade da loba” (1995), “Razão de viver” (1996), “O beijo do vampiro” (2002) e na minissérie “O quinto dos infernos” (2002).  Faleceu em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 2003, aos 56 anos, de câncer pulmonar decorrente do tabagismo. Paralelamente ao trabalho de ator, Eduardo Conde também se apresentava em shows e gravou LPs como este “Certas canções”, registrado ao vivo em 1987, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. O repertório é da melhor qualidade, incluindo Adelino Moreira (“A volta do boêmio”), Ary Barroso (“Folha morta”), Sueli Costa (“Dentro de mim mora um anjo”) e peças do repertório internacional. É mais um disco que vale a pena conferir.

certas canções
dentro de mim mora um anjo
folha morta
mulher de trinta
retrato cantado
valsa do maracanã
lili marleen
as time goes by
vida de bailarina
paião
a volta do boêmio
demais



*Texto de Samuel Machado Filho 

Paulo Mezzaroma – Um Violino Sentimental (1959)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Intervindo eventualmente nas postagens, vez por outra também estarei dando meus pitacos. Como já foi informado aqui, o Toque Musical agora conta com uma equipe de apoio, pois a cada dia ficava mais difícil eu manter esse blog sozinho. Muda-se um pouco as regras, mas no geral continua tudo na mais perfeita ordem, graças ao GTM.
Trago hoje para vocês um lp que merece a nossa atenção. Temos aqui Paulo Mezzaroma em, Um Violino Sentimental, lp lançado no final dos anos 50. Este disco do maestro e violinista italiano, cujo nome verdadeiro era Paolo Mezzaroma traz um repertório moderno para a época com sucessos internacionais e entre esses quatro músicas nacionais, entre as quais se destaca “Eu não existo sem você”, Antonio Carlos Jobim e Vinícius de |Moraes. Mezzaroma atuou no Brasil nas décadas de 50 e 60. Gravou também pela RGE. Temos outras coisas dele aqui no Toque Musical. Confiram este, no GTM.

summer time in venice
eu não existo sem você
cuando vuela a tu lado
temptation
judeu errante
all the things you are
maria dos meus pecados
aquella melodia
when i fall in love
dó ré mi
que reste-t-il de nos amours
c’est si bon

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Almondegas (1979)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos uma compilação dos Almôndegas, uma das bandas pioneiras em criar uma linguagem particular para a música popular gaúcha. Oriundos da cidade de Pelotas, os Almôndegas misturavam velhas canções do folclore gaúcho, MPB e rock, e seu trabalho virou referência para artistas posteriores do pop-rock gaúcho. Tudo começou em 1971, quando os irmãos Kleiton e Kledir Ramil, o primo Pery Souza e os amigos Gilnei Silveira e Quico Castro Neves lideravam uma gurizada que se reunia num apartamento no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, para cantar. Músicos de formação eclética, eles só pensavam em se divertir quando venceram o I Festival Universitário da Canção Catarinense com a música “Vento negro”. Em 1974, fizeram sua primeira gravação: a música “Testamento”, com letra de José Fogaça, música que virou trilha sonora do programa “Opinião jovem”, apresentado pelo próprio Fogaça na Rádio Continental AM. Um ano mais tarde, vem o primeiro LP, sem título, e ainda em 1975, o segundo, “Aqui”. Em 1977, mais dois álbuns: “Gaudêncio Sete Luas” e “Alhos com bugalhos”. Em 1978, vem o quinto e último trabalho do grupo, “Circo de marionetes”. Nesta coletânea lançada pela K-Tel (selo Music Master) em 1979, ano da dissolução dos Almôndegas, estão dez faixas extraídas dos três primeiros LPs do grupo, feitos na Continental. Entre as músicas, estão “Sombra fresca e rock no quintal”, “Canção da meia-noite” (incluída na novela “Saramandaia”, da TV Globo),“Vento negro” e “Haragana”, as duas últimas regravadas mais tarde por Fafá de Belém. Enfim, uma amostra preciosa do trabalho dos Almôndegas, com a mescla de regionalismo e musica pop que se constituiu numa espécie de marca registrada do grupo. É o que o TM tem a grata satisfação de nos oferecer hoje.

sombra fresca e rock no quintal
vento negro
amargo
canção da meia noite
elevador
haragana
gaudêncio sete luas
teia de aranha
velha gaita
clô


*Texto de Samuel Machado Filho 

Mestre Pastinha E Sua Academia – Capoeira De Angola (1969)

O Toque Musical põe hoje em foco um dos principais mestres de capoeira da história: Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha, através de seu único LP, lançado pela Philips em 1969. Mestre Pastinha nasceu em 5 de abril de 1889 na Rua do Tijolo, em Salvador, Bahia, filho do comerciante espanhol José Señor Pastinha e da ex-escrava baiana Eugênia Maria de Carvalho. Foi apresentado à capoeira, segundo ele próprio, por pura sorte. Quando tinha em torno de dez anos, em consequência de uma arenga de garotos, da qual sempre saía perdendo, conheceu Benedito, preto africano que se tornaria seu mestre. Tornou-se discípulo de Benedito e passou a frequentar sua casa todos os dias. Além das técnicas de capoeira, aprendeu também a mandinga. Benedito lhe ensinou tudo que sabia. E foi no ensino da capoeira que Mestre Pastinha se distinguiu durante décadas. Foi o maior propagador da Capoeira Angola, modalidade “tradicional” do esporte no Brasil. Em 1902, Pastinha entrou para a escola de aprendizes marinheiros, onde passou oito anos de sua vida. Na Marinha, praticou esgrima e aprendeu a tocar violão. Ao mesmo tempo, ensinava capoeira a seus companheiros. Em 1910, Mestre Pastinha começou a ministrar aulas de capoeira às escondidas na sua própria casa, pois a prática havia sido proibida e quem contrariasse as regras poderia ir para a cadeia. Trabalhou ainda como pintor, pedreiro e entregador de jornais, entre muitas outras ocupações. Em 1941, fundou a segunda escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho, em Salvador, onde hoje é um restaurante do Senac. Entre seus alunos estão mestres como João Grande, João Pequeno, Boca Rica, Curió e Bola Sete, entre muitos outros que ainda estão em plena atividade. Sua escola ganhou notoriedade com o tempo, frequentada por personalidades como Jorge Amado, Mário Cravo e Carybé, e cantada por Caetano Veloso em seu disco “Transa”, de 1972. Em 1966, integrou a comitiva brasileira do primeiro Festival de Arte Negra, no Senegal, onde foi um dos destaques do evento, tendo também recebido a Ordem do Mérito Cultural. Contra a violência, o Mestre Pastinha transformou a capoeira em arte. Apesar da fama, ele terminou seus dias esquecido. Expulso do Pelourinho pela prefeitura, em 1971, sofreu dois AVCs seguidos, que o deixaram cego e indefeso. Embora cego, não deixava de acompanhar seus alunos. O Mestre Pastinha faleceu em 13 de novembro de 1981, aos 92 anos, em sua Salvador natal, mas continua vivo nas cantigas, nas rodas e no jogo de capoeira. É o que comprova o disco que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos.

maior é deus
bahia, nossa bahia
ei, dona alice, não me pegue não
a manteiga derramou
a canoa virou, marinheiro
adeus… adeus
canarinho da alemanha
eu já vivo enjoado
quebra jereba
dona maria o que vem aí?
lapinha
b-a-bá do berimbau
ai, ai aidê
xô xô meu canarinho
la-lain-lai-lai
eu vou ler meu abc
vou me embora pra são paulo
valha-me deus, senhor são bento



*Texto de Samuel Machado Filho 

O Outro Bando Da Lua – Um Palco É Preciso (1981)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical vem trazer para vocês hoje o único álbum do Outro Bando da Lua, uma edição independente de 1981. Quase nada se sabe a respeito deste grupo, mas, ao ouvir o disco, podemos constatar que é um bom trabalho de MPB, com onze faixas. A curiosidade aqui fica por conta da presença, na flauta, de Chiquinho Brandão, também ator de teatro, cinema e televisão, morto prematuramente em acidente automobilístico, aos 39 anos, em 4 de junho de 1991. No mais, um álbum interessante e raro, merecedor de mais esta postagem de nosso TM.

virgem
gare du nord
sentimental
mar do norte
vôo
desarvorado
reguizinho mixuruca
carioquice
um blu sem razão
medida do coração
reticências



*Texto de Samuel Machado Filho 

Banda Paulistana – Luzes Da Noite (1981)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical está trazendo hoje para vocês mais um álbum de música instrumental brasileira da melhor qualidade. Desta vez, apresentamos a Banda Paulistana, com “Luzes da noite”, lançado pela Eldorado em 1984, fruto da união de dois amigos músicos: o guitarrista e compositor Cândido Serra (que assina todas as oito faixas do disco) e o baixista Nico Assumpção. Cândido começou a tocar em 1975, na noite paulistana. Entre 1976 e 1981, foi professor do CLAM, escola de música do Zimbo Trio. Alguns de seus alunos: André Christovam, Ulisses Rocha, Nuno Mindelis e Rui Saleme. Tocou ao lado de nomes importantes como Eliane Elias, Lô Borges, Cláudio Celso, Duda Neves e Michel Freidenson. No final da década de 1970 fundou, juntamente com André Gereissati e Rui Saleme, o lendário Grupo D’Alma, com quem grava seu primeiro álbum, “A quem interessar possa”, apontado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o melhor disco instrumental de 1981. Durante sua trajetória musical, participou de importantes eventos, como os Festivais de Jazz de Montreux, São Paulo e Águas Claras. Passou uma temporada em Nova York, onde trabalhou com vários músicos, entre eles o pianista Robert Damper, e depois formou a Banda Paulistana, com quem gravou o presente álbum, do qual participam, além de Nico Assumpção, o baterista Carlos Bala, os saxofonistas Roberto Sion e Mané Silveira, e os tecladistas Paulo Calazans e Mário Bofa. Gente de primeiro time, como poderemos constatar ouvindo este trabalho que o TM nos oferece.

campo belo 
luzes da cidade
insinuante
olhos fechados
aguas claras
coração aberto
nonita
tempero bravo 



*Texto de Samuel Machado Filho

Jorge Amado – Guia Das Ruas E Dos Mistérios Da Cidade Do Salvador Da Bahia (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje temos uma postagem com toque literário, oferecendo a vocês um LP duplo do escritor Jorge Amado (Itabuna, BA, 10/8/1912-Salvador, BA, 6/8/2001), lançado em 1980 pela Som Livre e intitulado “Guia das ruas e dos mistérios da cidade do Salvador da Bahia”. É um verdadeiro documento histórico, no qual o autor de “Gabriela, cravo e canela”, “Mar morto”, “Tocaia grande”, “Tenda dos milagres”        e “Tieta do Agreste”, entre tantas obras, descreve aspectos diversos da cidade de Salvador, capital da sua querida e amada Bahia. Tudo embalado pelo fundo musical de Egberto Gismonti. Sem dúvida, um trabalho imperdível, no qual transparece o gênio daquele que foi, indiscutivelmente, um dos maiores escritores que o Brasil já teve. É só conferir. 

título, biografia, dedicatória
convite
quem guarda os caminhos da cidade
mãe menininha do gantois
a força do povo
a bahia se leva na cabeça
poeta e cantor das graças da bahia
festa da conceição da praia
capoeira – joão gilberto em nova iorque
para o samba de roda um prato basta
olga do alaketu e stela de oxossi
o forte do mar
dois neto do boca do inferno
pelourinho
os alagados
fil no afoxé – avenidas
ex-voto – caetano veloso – igreja de são francisco
iemanjá
batidas e lambretas – coisinha baiana
dadá viúva de corisco – barba e poesia
carybé e a memória da bahia
camafeu de oxossi
dom carlos bastos, príncipe da bahia

*Texto de Samuel Machado Filho

Mario Bruno E Os Carbonos – As 12 Mais Italianas (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Devido as dificuldades, em todos os aspectos, de manutenção do Toque Musical, estou passando a tarefa para outras pessoas além do amigo Samuca que muito tem nos ajudado com suas resenhas. De agora em diante, conto com mais dois colaboradores que ficarão por conta das publicações. Eu, continuo na produção, mas em especial nas escolhas do que será postado. Encerramos de vez o atendimento para reposição de links. Esses serão repostos a critério dos administradores. Caso, alguém tenha interesse em arquivos/discos que não estão no GTM poderão solicitar, dessa vez, um pacote com até 10 títulos. o envio será exclusivo, sendo enviado diretamente ao e-mail do solicitante. Para tanto, estamos solicitando um pequena ajuda de custos. Creio que assim podemos manter a continuidade de nossos trabalhos. Contamos com a compreensão e colaboração de todos. O Toque Musical não pode parar.
Hoje, temos, mais uma vez, o grupo Os Carbonos. Aqui já postamos outros discos da banda e hoje trazemos o que seria o seu primeiro, lançado em 1967 pela Discos Beverly. Neste lp temos como destaque Mário Bruno, que na verdade, nada mais era que o tecladista da própria banda, mas que aqui aparece como um pretenso cantor de hits italianos. Os Carbonos atuaram nas décadas de 60 e 70. Também, seus membros, gravaram discos com outros nomes. Eram peritos na arte do que internacionalmente é chamado de ‘cover’. Para os amantes da música italiana, eis aí uma boa pedida. Confiram no GTM!

non pensare a me
django
ciao amore ciao
dio come ti amo
ringo dove vai
cuore matto 
fortissimo
quando bico che ti amo
l’ amore se  ne va
al di la
c’era un ragazo che come me amava i beatles e i rolling stones
si fa sera
 
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