A Patota – Trilha Sonora Original Da Novela (1972)

Prosseguindo seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de telenovelas, o TM hoje oferece a seus amigos cultos e ocultos uma verdadeira raridade. O folhetim em questão é “A patota”, da TV Globo, única novela escrita pela dramaturga Maria Clara Machado (Belo Horizonte, MG, 3/4/1921-Rio de Janeiro, 30/4/2001), fundadora do Tablado, uma das maiores escolas de teatro do Brasil, e consagrada autora de peças teatrais para crianças, entre elas “O rapto das cebolinhas” (1954), “Pluft, o fantasminha” (1955, aliás verdadeira obra-prima no gênero), “A bruxinha que era boa” (1958), “O cavalinho azul’ (1960), “Maroquinhas Fru Fru” (1961) e “Tribobó City” (1971), só para citar algumas. Produzida em preto e branco, sob a direção de Reynaldo Boury, “A patota” foi exibida pela Globo entre 27 de novembro de 1972 e 29 de março de 1973, perfazendo um total de 101 capítulos, na faixa das 18 horas, tendo sido a terceira “novela das seis” da emissora  (as anteriores foram “Meu pedacinho de chão” e “Bicho do mato”, que ganharam remakes muitos anos depois). Na trama, um grupo de crianças, do qual fazia parte a então estrelinha Rosana Garcia, de futuro bastante promissor, tem um grande sonho:  viajar para a África (eles tinham visto um documentário sobre a vida dos animais selvagens no continente, e queriam ver os bichos de perto). Para ajudar na realização desse sonho, unem-se a professora de ciências Neli (Débora Duarte), seu namorado Jorge (Mário Gomes), e o dublê de professor e caçador de borboletas Adolfo Simões (Marco Nanini). No elenco ainda estavam, entre outros:  Renata Fronzi (dona Cármen), Reynaldo Gonzaga (Mílton), que na novela tinha um romance com Regina (Lúcia Alves), Antônio Carlos Pires (no papel do maltrapilho Manoel Vira-Latas), Flora Geny (Dona Aurélia), e até mesmo Zezé Motta, no papel de Maria José, a Zezinha. Apesar de ter conquistado boa repercussão, “A patota” não teve novela substituta no horário, que passou a ser ocupado pelo seriado “Shazan, Xerife & Cia.”, protagonizado por Paulo José e Flávio Migliaccio (os personagens tinham vindo de outra novela global de sucesso, “O primeiro amor”), com histórias que duravam um mês, em média. Com o término do seriado, em  1974, a Globo passou a exibir enlatados estrangeiros na faixa das 18 horas, e as “novelas das seis” só voltariam à grade da emissora um ano mais tarde, para dela nunca mais saírem, alternando tramas de época e contemporâneas.

A trilha sonora de “A patota” foi também a primeira de uma ”novela das seis” global a ser lançada em LP, obviamente pela Som Livre, com produção musical de Eustáquio Sena e coordenação geral de João Araújo, sócio-fundador da gravadora . Em sua maior parte, as faixas do disco são executadas por uma competentíssima banda de estúdio, The Clowns, ao que parece formada apenas para a gravação desse álbum. Eles apresentam, além dos temas especialmente compostos para a novela (“Professor borboleta”, “A garotada”, “Valsa dos anjos”, “Anjo da manhã”, “Nick e o vita-lata” e a faixa-títuio e de abertura do folhetim, “A patota”), alguns hits internacionais da época: “The pushbike song”, “Ooh-wakka doo, wakka day”, “Meet me on the corner”, o clássico romântico “You are everything” e “Beautiful sunday” (aquela que virou “Domingo feliz”, com Ângelo Máximo, lembram?). E, como atrativo todo especial, três outros sucessos internacionais com os intérpretes que os consagraram: “Echo valley 2-6809” (Wayne Newton), “Silly wasn’t I” (Valerie Simpson) e um verdadeiro clássico dos Temptations, “Papa was a rollin’ stone”. Tudo isso fazendo da trilha sonora de “A patota” uma autêntica viagem no tempo, particularmente ao início dos anos 1970. É só ir para o GTM, fazer o download e pronto… 

pushbike song – the clowns

a garotada – the clowns

echo valley – wayne newton

professor borboleta – the clowns

silly wasn’t i – valerie simpson

papa was a rollin stone – temptations

a patota – the clowns

anjo da manhã – the clowns

nick e o viralata – the clowns

ooh wakka doo wakka day – the clowns

valsa dos anjos – the clowns

beautful sunday – the clowns

you are everything – the clowns

meet me on the corner – the clowns



*Texto de Samuel Machado Filho

O Espigão – Trilha Sonora Original (1974)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu havia prometido postar aqui alguns temas de novelas da TV Tupi, mas verifiquei que alguns discos estavam bem ruins para uma digitalização. Assim, enquanto não aparecem discos mais conservados, vamos com outros temas e outras novelas…
Segue aqui uma trilha da melhor qualidade produzida para uma das boas novelas da Rede Globo, O Espigão, que foi ao ar em 1974. São treze faixas totalmente com músicas nacionais, trazendo um variado cast da gravadora Som Livre.

malandragem dela – tom e dito
botaram tanta fumaça – tom zé
subinod o espigão – betinho
alfazema – walker
você vai ter que me aturar – sonia santos
o espigão – zé rodrix
pela cidade – bertrami e conjunto azimute
retrato 3×4 – alceu valença
na sombra da amendoieira – os lobos
ciladas – pery ribeiro
nonô rei das gringas – djalma dias
berceuse – tuca
último andar

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O Homem Que Deve Morrer – Trilha Sonora Da Novela (1971)

Olha amiguíssimos cultos e ocultos. Ainda não achei um tempo para começarmos a incrementar nosso canal no Youtube. O tempo é sempre o meu grande vilão, a desculpa inevitável. Mas a gente ainda chega lá 🙂
Hoje eu vou mandando um disco de trilha que é impecável. Uma boa safra daquele início dos anos 70, quando as emissoras investiam fundo numa produção musical para seus programas. Indiscutivelmente, a Rede Globo foi a grande investidora, trazendo muitas vezes trilhas originais, ou seja, feitas com exclusividade para um determinado programa, ou no caso aqui, novela.
O Homem Que Deve Morrer foi uma novela exibida entre os anos de 1971 a 72, trazendo como protagonistas o casal Tarcísio Meira e Gloria Menezes. Foi uma novela de grande sucesso e se estendeu por quase um ano. Taí um disco de novela exemplar, que merece uma audição. Confira no GTM 😉

menina do mar – marcos samy
por do sol – vanda e guto
solto no ar – sociedade anônima
um de nós – maria creusa
zambi rei – odylon
navegador – marcos samy
o homem que deve morrer – nonato buzar
wanda vital – o som livre
come to me together- otavio bonfá
um certo dia – ilka soares e o som livre
a lei da terra – luis carlos s
what greater gift could there be – guilherme lamounier
guerreiro jorge  nery
o mesmo sol – tarcísio meira e gloria menezes

Um Dia O Amor – Trilha Sonora Original (1975)

O TM oferece hoje aos seus amigos cultos e ocultos mais um disco apresentando a trilha sonora de uma novela produzida pela finada TV Tupi, em um tempo em que a emissora ainda respirava. O folhetim em questão é “Um dia, o amor”, escrito por Teixeira Filho, o mesmo que fizera sucesso pouco antes com “Ídolo de pano”, protagonizada por Tony Ramos. Estreada em 22 de setembro de 1975, “Um dia, o amor” ficou em cartaz até  29 de maio de 1976, perfazendo um total de 212 capítulos. No elenco, estavam Carlos Zara (então o principal galã da emissora, no papel de Ricardo), Maria Estela (falecida neste 2017, no papel de Marília), Henrique Martins (Amadeu), Rodolfo Mayer (Dr. Maciel), Lélia Abramo (Lucinha), Glauce Graieb (Maria Leonor), Lisa Vieira (Maria Cecília), Nádia Lippi (Maria Isabel), Felipe Carone (Zanata), Flávio Galvão (Valter)… Enfim, o melhor que a Emissora Associada então possuía em seus quadros. Com direito até à entrada de Cleide Yaconis no decorrer da novela, fazendo o papel de Maria Eunice (Fausto Rocha, que era Leonardo, saiu no meio para fazer “Anjo mau”, na Globo). Tudo isso numa trama envolvendo um viúvo (Ricardo) com três filhas (Maria Leonor, Maria Cecília e Maria Isabel) que teve um grande amor no passado (Marília), mas  que se casou com outro (Amadeu). Após residir durante algum tempo na Itália, onde Amadeu fora dirigir a filial da empresa da família, ele e Marília voltaram ao Brasil, e passaram a residir em frente à casa de Ricardo. Ambos redescobrem o amor da juventude e passam a se cortejar da sacada de suas mansões. A volta de Amadeu tinha um propósito: tirar seu velho pai, o dr. Maciel, do comando de suas empresas. Maciel, porém, distribuiu as ações com Ricardo, alto executivo da companhia (Maciel depois faleceria em acidente de carro, forjado pela esposa, Lucinha, causado por violação dos freios).  Um enredo com direito até mesmo a uma filha ilegítima, que, ao final, descobre-se que é Maria Leonor, criada por Ricardo, e cujos pais eram Amadeu e Maria Eunice. “Um dia, o amor” teve duas trilhas sonoras em disco: a nacional e a internacional, ambas lançadas pela Continental com o selo Teletema.  E é justamente o álbum com a trilha nacional desse folhetim que o TM hoje nos apresenta. Com supervisão musical de Cayon Gadia, direção de produção de Sidney Morais (integrante do Conjunto Farroupilha e, anos depois, dos Três Morais), Alberto Ferreira na coordenação de produção, e seleção musical do sonoplasta Pedro Jacinto, é um trabalho até muito bem concebido. Carlos Zara, o galã da novela, abre o disco interpretando “Tanto amor (Aurora)”, de Massimo Guantini em versão de Alexandre Cirus, em dueto com Maria Odette. Esta mesma música aparece também encerrando o álbum, na execução orquestral do sempre eficiente Luiz Arruda Paes, também presente na faixa “Tema triste”, exatamente o tema de Ricardo (Carlos Zara). Há músicas que, percebe-se, foram compostas para a novela: “Maria Isabel”, “Tema de Cecília”, “Leonor”. E também está aqui um grande sucesso da época: o samba “Nada na cuca”, composto e interpretado pelo paulistano Flávio Carvalho. Este, aliás, foi o único hit conhecido dele, que depois nada mais conseguiu emplacar, embora continuasse ligado aos meios musicais como produtor, inclusive do “Especial sertanejo”, que Marcelo Costa apresentou por bastante tempo na Record.  Em suma, este álbum com a trilha de “Um dia, um amor” é uma relíquia que merece ser conhecida e guardada pelos amigos do TM, digna de merecer nossa postagem de hoje. É ir direto para o GTM e conferir…

tanto amor – maria odete e carlos zara

solo pleno de sogni – flavio carvalho

é sempre o mesmo amor – os 3 morais

maria isabel – cleston teixeira

te quero amor – marcio prado

tudo bem – antonio carlos de carvalho

nada na cuca – flávio carvalho

tema triste – luiz arruda paes

brinquei de querer você – angelo antonio

leonor – os 3 morais

aurora (tanto amor) – luiz arruda paes

*Texto de Samuel Machado Filho

Tempo De Viver – Trilha Sonora Da Novela (1972)

Foi a partir do final dos anos 1960 que as telenovelas passaram a ser um novo – e bem-sucedido – canal de divulgação para cantores e compositores de nossa música popular. Pioneira em praticamente tudo que se fez na telinha brazuca, a extinta TV Tupi também iniciou, em fins de 1968, uma nova fase na história da teledramaturgia brasileira, com “Beto Rockfeller”, que até hoje dita o padrão das novelas. Ao contrário dos dramalhões de época ao estilo cubano ou mexicano, então predominantes, “Beto Rockfeller”, escrita por Bráulio Pedroso, e estrelada por Luiz Gustavo, era uma história contemporânea, com diálogos mais coloquiais, e uma forma mais natural de representação dos atores. “Beto” foi, também, a primeira novela a usar, em sua trilha sonora, músicas que faziam sucesso na época, como por exemplo, as internacionais “Nobody but me” (The Human Beinz), “I started a joke”  (Bee Gees), “Here, there and everywhere” (Beatles) e apenas uma nacional, “Sentado à beira do caminho”, com Erasmo Carlos. Nessa ocasião, a Rede Globo, rival da Tupi, e a caminho da liderança absoluta de audiência, abandonou os tais dramalhões de época e passou a produzir tramas mais contemporâneas, ao modo de vida dos brasileiros. A primeira novela global dessa nova fase foi “Véu de noiva” (1969), de Janete Clair (“a novela verdade, uma novela onde tudo acontece como na vida real”), estrelada por Regina Duarte. “Véu de noiva” foi também a primeira novela global a ter sua trilha sonora lançada em LP, pela Philips, por sinal já oferecida a vocês pelo TM. E a multinacional holandesa continuou a lançar em disco as trilhas sonoras das novelas da Globo até 1971, quando a emissora criou sua própria gravadora, a Som Livre, em atividade até os dias de hoje,  Evidentemente, a Tupi não quis ficar atrás, e passou a lançar também em disco as trilhas de seus folhetins. Chegou até a possuir uma gravadora, a GTA (Gravações Tupi Associadas), que acabou falindo junto com a emissora, em 1980. Pois hoje o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos um raríssimo álbum apresentando a trilha sonora de uma novela da pioneira Tupi, lançada em 1972 pela mesma Philips/Phonogram que até o ano anterior editava as trilhas globais, com o selo Intersong (que designava uma das editoras musicais do grupo holandês). A novela em questão é “Tempo de viver”, produzida pela Tupi do Rio de Janeiro e ali exibida entre 7 de agosto e 9 de dezembro de 1972. A Tupi de São Paulo boicotou “Tempo de viver” porque, em 1964/65, a co-irmã carioca não quis exibir o clássico “O direito de nascer”, feito na matriz paulistana (que, no Rio de Janeiro, passou na extinta TV Rio). Como resultado dessa briga toda, “Tempo de viver” acabou sendo exibida em São Paulo, a partir de novembro de 1972, pela TV Gazeta, emissora regional que existe até hoje. O folhetim contava a história de Juca (Reginaldo Faria), um porteiro que trabalhava na Zona Norte do Rio. Ele dividia seu tempo entre a amiga fiel Lúcia (Adriana Prieto) e a noiva Helena (Myriam Pérsia), e vivia sempre sendo seguido por um homem chamado Anjo (Jece Valadão, também diretor do folhetim junto com Marlos Andreucci). Produzido por Roberto Menescal, verdadeiro craque da MPB, este disco vem com treze faixas, três delas clássicos inesquecíveis: “Pérola Negra”, com a qual Gal Costa revelou para o Brasil seu autor, o recém-falecido Luiz Melodia, “Expresso 2222”, de e com Gilberto Gil, faixa-título do álbum que ele lançou após mais de dois anos de exílio em Londres, e “Vida de bailarina”, samba-canção de Chocolate e Américo Seixas, aqui em interpretação “arrasa-quarteirão” da não menos inesquecível Elis Regina. Destaque também para a faixa-título, instrumental, composta por Edu Lobo (então de volta ao Brasil após longo período nos EUA), “Um dia no circo”, com a sempre notável Claudette Soares, “Revendo amigos (Volto pra curtir)”, de Jards Macalé e Waly Salomão, com Lena (mais tarde regravada por outros intérpretes, inclusive o próprio Macalé), “A velha casa”, de Roberto Menescal e Paulinho Tapajós, aqui em gravação instrumental regida pelo próprio Menescal, “Badalação (Bahia volume 2)”, de Nonato Buzar e da dupla Tom e Dito, aqui com o MPB-4, e também gravada pelas cantoras Célia e Wanderléa, e “Pra valer”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, com o próprio Baden.  E ainda tem o grupo vocal feminino Umas & Outras, interpretando o “Tango de Maurício”, personagem que, na novela, era interpretado por Rubens de Falco. Enfim, um disco interessante, um documento de sua época, que vale a pena ter em acervo. Aproveitem…

tempo de viver – instrumental
você amiga – ivan lins
vida de bailarina – elis regina
é natural – paulinho tapajós e dorinha
psicose – eklipse soul
perola negra – gal costa
tango de mauricio – umas e outras
expresso 2222 – gilberto gil
a velha casa – roberto menescal
revendo amigos (volto pra curtir) – lena
badalação (bahia vol. 2) – mpb4
um dia no circo – claudette soares
pra valer – baden powell

*Texto de Samuel Machado Filho

Sol Amarelo – Músicas Da Novela TSO (1972)

Olá, amigos cultos e ocultos! Conforme informei, nossas próximas postagens serão dedicadas as trilhas de novelas. Devo ter umas meia dúzia de discos aqui que ainda não postei. Então vamos a eles…
Hoje tem a trilha de Sol Amarelo, telenovela que foi ao ar nos meses entre 1971 e 72, exibida pela TV Record. A trilha sonora foi especialmente composta por Fernando Lona e Gianfrancesco Guarnieri. Contou também com a participação de Marilene e Vithal como cantores intérpretes em várias faixas. Esse último, creio eu, viria mais tarde a ser conhecido como Vital Farias. Sem dúvida, uma trilha muito interessante, bem melhor que a própria novela que pouco sucesso fez. Confiram no GTM 😉

sol amarelo (tema de abertura) – orquestra
por amor eu me perdi – marilene
letra de ouro – vithal
sol amarelo (tema de amor) – orquestra
cantiga santa – marilene
cândida – fernando lona
sol amarelo (tema dramático) – orquestra
não tenho tempo de amor – vithal
sol amarelo – marilene e fernando lona
vila rosário – vithal
sol amarelo (tema de encerramento) – orquestra

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Salathiel Coelho Apresenta Temas De Novelas (1965)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Na trilha das novelas, aqui vamos nós com mais um raro exemplar: Temas de Novelas, apresentado por Salathiel Coelho, um dos pioneiros da televisão brasileira. Locutor, sonoplasta, produtor musical de rádio e televisão. Figura de um currículo extenso, tendo atuado inclusive em emissoras internacionais, sempre envolvido na produção musical de trilhas para novelas. Ninguém mais certo, por tanto, para apresentar neste disco de 1965 uma sequência de temas que serviram de trilhas para as primeiras tele novelas.

O Sorriso de Helena
pequeno concerto que virou canção
tema de helena (a sonâmbula)
Tereza
tema de tereza (marcha nupcial)
tema do professor (summer love)
tema de aurora e mário (the end of the world)
O Direito de Nascer
tema de albertinho (amor eterno)
Se o Mar Contasse
tema de amor (eterna saudade)
O Cara Suja
se piangi se ridi
tema de amor (l’erba canta)
Quando o Amor é Mais Forte
tema de amor (the war lover)
Alma Cigana
tema de amor (romance de amor)

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The Magnetic Sounds (1979)

Salve, amigos cultos e ocultos! Aqui estamos nós, espaçadamente, mas sempre presente, trazendo sempre uma raridade ou curiosidade fonomusical. Hoje iniciamos uma pequena mostra de trilhas de novelas. Tenho aqui alguns discos e gostaria de compartilha-los com vocês.
Para bem começar estou trazendo um lp que necessariamente não é de trilha, mas que tem algumas pérolas que foram usadas como temas de novelas. Temos aqui o lp The Magnetic Sounds, que segundo informações, trata-se de um projeto paralelo do pessoal dOs Carbonos. Consta que foram pelo menos uns quatro discos lançados com este nome durante os anos 70 e este aqui parece ser uma espécie de ‘best of’, ou, uma coletânea/resumo desse período. O repertório é bem variado, reunindo clássicos do pop internacional em versões caprichadas, geralmente instrumental. Confiram…

wigwam
concerto pour une voix
somewhere in love
song for guy
ready to take a chance again
rain and tears
tragedy
ballade pour adeline
allouete (tema de carina)
it’s all over
mirrors
for a change
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Waltel Branco – Músicas Do Século XVI Ao Século XX (1968)

Olá, amigos cultos e ocultos! O TM oferece a vocês hoje mais um álbum de qualidade produzido no Brasil, enfocando a música erudita. Trata-se de “Músicas do século XVI ao século XX”, lançado em 1969 pela CID (Cia. Industrial de Discos), gravadora independente carioca que existe até hoje, sob o selo Itamaraty, com distribuição da extinta Codil. O repertório, evidentemente, é primoroso, com obras de Villa-Lobos (“Prelúdio n.o 2”), Brahms (“Valsa n.o 15”), Chopin (“Prelúdio n.o 20”), Schumann (“Romanza”), Gluck, Weiss (ambas denominadas “Ballet”) e Poulnac (“Sarabanda”). Tudo isso em notáveis solos de violão a cargo de Waltel Branco, que também assina as faixas “Prelúdio, sarabanda e Bourrée” (que dedicou ao dr. Fernando Paes Leme) e “Moda de viola” (dedicada a meu xará Samuel Babo). Também notável arranjador, maestro e compositor, Waltel Branco nasceu em Paranaguá, litoral paranaense, no dia 22 de novembro de 1929. Oriundo de família musical, iniciou-se bem cedo nessa arte, por meio da bateria, do violão, e posteriormente do cavaquinho e do violoncelo, estudando ainda harpa e órgão. Sua infância e adolescência, alternadas entre Curitiba e Rio de Janeiro, foram marcadas pelo estudo da música e religião. No período em que esteve no seminário, estudou música com o chileno Joaquín Zamacois, e teve ainda outros mestres que contribuíram para sua formação, como Bento Mossurunga, Alceu Bocchino e o padre José Penalva. Em Curitiba, Waltel formou uma jazz-band junto com seu irmão, o baterista Ismael Branco, e o pianista Gebran Sabag, então grande revelação. Em 1949, ainda jovem, foi para o Rio de Janeiro e, em seguida para Cuba, junto com a cantora Lia Ray, a fim de ser violonista, diretor musical e arranjador do conjunto que formaram. Lá, nosso Waltel teve oportunidade de tocar com Perez Prado, Mongo Santamaria e Chico O’Farrel, ajudando a criar a mistura de jazz, música cubana e brasileira que influenciaria a “jazz fusion”, estilo do qual ele é considerado um dos precursores. Seu currículo inclui passagens pelos EUA, Europa, Ásia e até mesmo pela Índia, onde até lecionou música ao lado de maestros renomados. Poucos sabem, mas foi Waltel Branco quem compôs, à época em que trabalhava com o maestro norte-americano Henry Mancini, o famoso tema da “Pantera Cor-de-Rosa”, ouvido e conhecido até hoje. Teve importância fundamental na formatação da bossa nova, morando em uma pensão junto com nada mais nada menos que João Gilberto, com quem desempenhou longa parceria, sendo seu amigo e arranjador desde então. Waltel Blanco também foi, em 1965, um dos pioneiros da TV Globo, onde, a convite do próprio dr. Roberto Marinho, viria a compor um seleto time de músicos da emissora, junto a Radamés Gnattali, Guerra Peixe e Guio de Moraes, ficando lá por mais de vinte anos. Tem mais de 5.000 composições (ao longo da carreira), incontáveis arranjos e participações, além de espetáculos e shows que até hoje realiza no Brasil e no exterior. É difícil, aliás, encontrar artista brasileiro (ou mesmo internacional) com quem Waltel não tenha trabalhado. Tocou com Dorival Caymmi e a filha Nana, além, claro, de João Gilberto, fez arranjos para gente do porte de Roberto Carlos, Mercedes Sosa, Cazuza, Tim Maia, Djavan, Cartola, Astor Piazzola, Zé Kéti, Elis Regina, Vanusa, Gal Costa, Tom Jobim, Maria Creuza e muitos mais. Em 2012, recebeu o título de doutor “honoris causa” pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), aliás o primeiro título da entidade concebido a um músico. Em suma, Waltel Branco é um grande mestre de nossa música, o que por si só credencia este “Músicas do século XVI ao século XX”, oferecido hoje pelo TM com a satisfação e o orgulho de sempre. A conferir, sem falta…

canção do século XVI

ballet – gluck

romanza – schumann

valsa n. 15 – brahms

ballet – weiss

prelúdio n. 20 – chopin

estudos 16 – sor

sarabanda – poulenc

prelúdio n. 2 – villa lobos

andante – p. van der staak

moda de viola

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Continental 30 Anos De Sucessos (1973)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Olha, vou ser sincero com vocês… estamos em total decadência. Sim, o Toque Musical nunca esteve tão em baixa. E isso se deve a uma série de fatores, a começar por essa plataforma que embora seja perfeita, já não atende aos requisitos que hoje pedem mais interação e imediatismo. As redes sociais, mais especificamente o Facebook e o Youtube passaram a ser a bola da vez. Tudo pode ser encontrado nesses dois ambientes de uma maneira muito mais rápida e interativa e de uma certa forma o interesse do público está mudando, se generalizando. Ampliando os horizontes, mas numa profundidade cada vez mais rasa. Daí, ninguém tem mais saco para acompanhar postagens. O que dizer então quando para se ter acesso ao que se publica aqui precisa antes se associar a um grupo? Sem dúvida, isso é desestimulante e só mesmo que está muito interessado é que encara o jogo. E o jogo hoje se faz muito mais rápido. Demorou, dançou… Por isso, se quisermos nos manter ativos por mais 10 anos, o jeito é acompanhar os novos tempos e implementar novas alternativas. Daí, penso em migrar definitivamente o Toque Musical para o Youtube. Há tempos venho pensando nisso, talvez agora seja a nossa hora. Fiquem ligados, logo o nosso canal vai estar na rede com tudo aquilo que já postamos por aqui. Será um trabalho longo, afinal, repor mais de 3 mil postagens não é moleza. Mas vamos tentar 🙂
Marcando esse momento, eu hoje trago para vocês um álbum triplo comemorativo, da gravadora Continental, lançado lá pelos idos de 1973, ano de uma das melhores safras da indústria fonográfica brasileira. 73 foi o ano em que essa gravadora completou seus 30 anos de atividade e lançou este álbum cujo os discos são de 10 polegadas. São três lps percorrendo todas as fases da gravadora, trazendo os mais diferentes artistas em ordem cronológica. Começa em Vicente Celestino, indo até aos Novos Baianos. São trinta músicas que expressam bem os 30 anos desta histórica gravadora.
Confiram já no GTM 😉

Disco 1
noite cheia de estrelas – vicente celestino
positivismo – noel rosa
implorar – moreira da silva
ondas curtas – orlando silva
brasil – francisco alves e dalva de oliveira
cai, cai – joel e gaúcho
brasil pandeiro – anjos do inferno
é doce morrer no mar – dorival caymmi
mágoas de um trovador – silvio caldas
copacabana – dick farney
Disco 2
felicidade – quarteto quitandinha
flamengo – jacob do bandolim
na paz do senhor – lúcio alves
delicado – waldir azevedo
feitiço da vila – araci de almeida
jura – mario reis
risque – aurora miranda
menino grande – nora ney
linda flor – elizete cardoso
dúvida – luiz bonfá e antonio carlos jobim
Disco 3
tristeza do jeca – tonico e tinoco
fechei a porta – jamelão
dor de cotovelo – elis regina
mas que nada – jorge ben e conjunto de zá maria
o baile da saudade – francisco petronio
nhem nhem nhem – martinho da vila
dela – ciro monteiro
adeus batucada – célia
você mudou demais – claudia barroso
o samba da minha terra – novos baianos
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Quarteto Oficial Da Escola Nacional De Música (1966)

Hoje, o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos mais um trabalho de nível abrangendo a música erudita brasileira. Desta vez, apresentamos um álbum com o Quarteto Oficial da Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, hoje também denominada Universidade Federal do Rio de Janeiro, lançado em 1966 pela CBS, hoje Sony Music. O grupo era um dos melhores da época, graças à perfeição técnica e conhecimento musical de seus integrantes, com execuções impecáveis, tendo em seu currículo excursões e recitais em várias partes do mundo, especialmente na América do Norte, Ásia e Europa, difundindo obras de compositores eruditos nacionais e internacionais.  E toda essa perfeição é encontrada justamente neste disco, apresentando obras de Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 27/1/1906-Rio de Janeiro, 13/2/1988) e José Siqueira (Conceição, PB, 24/6/1907-Rio de Janeiro, 22/4/1985). No lado A do disco, são apresentados os “Quatro noturnos para quarteto de cordas e piano”, então obras recentes de Radamés Gnattali, cuja importância na história de nossa música popular e erudita, tanto como compositor,  quanto como pianista, orquestrador e maestro, é inquestionável. Ele dedicou os noturnos ao próprio Quarteto de Cordas Oficial da Escola Nacional de Música, e ainda participa ao piano dos registros dessas obras, até então jamais levadas a disco. Já no lado B, o quarteto executa duas composições do maestro e acadêmico José de Lima Siqueira, o “Tríptico negro número 2” e “Toada”. Formado em Direito, composição e regência,  tendo sido inclusive professor da Escola Nacional de Música, Siqueira foi reconhecido internacionalmente pelo papel de liderança que exerceu no meio musical de sua época e por sua participação na criação de várias entidades de classe (como a Ordem dos Músicos do Brasil, fundada em 1960, da qual foi o primeiro presidente) e culturais, ornando-se uma das grandes figuras da música erudita brasileira no século XX. Regeu orquestras nos EUA, Canadá e na Europa, tendo inclusive frequentado, em 1953, o curso de musicologia da Sorbonne. Fundou ainda a Orquestra Sinfônica Nacional, em 1961, e a Orquestra de Câmara do Brasil, em 1967. Em 1969, José Siqueira foi aposentado pela ditadura militar por defender o comunismo e, proibido de lecionar e exercer qualquer atividade artística no Brasil, encontrou abrigo na antiga União Soviética, onde regeu a Filarmônica de Moscou e participou como jurado de grandes concursos de música internacionais. Foi em Moscou, inclusive, que boa parte da obra de Siqueira foi editorada e preservada, incluindo óperas, cantatas, concertos, oratórios, sinfonias e obras para conjuntos de câmara. Publicou ainda livros didáticos, tais como “Canto dado em catorze lições”, “Música para a juventude” (quatro volumes) e “Curso de instrumentação”.  Com a abertura política, em 1979, José Siqueira voltou a residir no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, onde faleceu. Como se pode perceber, este trabalho oferecido hoje pelo TM apresenta alto padrão técnico e artístico, e merece ser incluído entre os mais expressivos álbuns eruditos já gravados no Brasil. Simplesmente impecável!

quatro noturnos para quarteto de cordas e piano – radamés gnattali

triptico negro n. 2 – josé siqueira

toada – josé siqueira

*Texto de Samuel Machado Filho

As Três Marias Com Leal Brito E Orquestra – Baião Vol. 1 (1953)

Ritmo popular especialmente no Nordeste do Brasil, o baião ou baiano provém de uma das modalidades do lundu – estilo musical gerado pelo retumbar dos batuques africanos produzidos pelos escravos bantos de Angola, trazidos à força para o Brasil. Foi em outubro de 1946 que o Brasil inteiro tomou conhecimento desse ritmo nordestino, quando foi lançada, na interpretação dos Quatro Ases e um Coringa, a primeira música do gênero de que se tem notícia: exatamente intitulada “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Assumindo nova tonalidade, com a incorporação um tanto inconsciente das características do samba e da conga cubana, o baião disseminou-se por todo o país e até alcançou êxito internacional. Além de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, vários outros cantores obtiveram sucesso no gênero, tais como Marlene, Emilinha Borba, Ivon Cúri, Ademilde Fonseca e Dalva de Oliveira (que gravou em Londres o clássico “Kalu”, de Humberto Teixeira).  Carmélia Alves era a “rainha do baião”, Claudette Soares, “a princesinha”, e Luiz Vieira, o “príncipe”.  O sucesso do baião até popularizou o acordeom, um dos instrumentos musicais utilizados em sua execução. Merece também ser lembrado Waldyr Azevedo, mestre do cavaquinho, que em 1950 lançou o baião instrumental “Delicado”, êxito em todo o mundo.  Depois de um período de relativo esquecimento, no decorrer dos anos 1960, o interesse pelo baião renasceu a partir do advento da Tropicália, com Gil e Caetano à frente, e marcante influência nos trabalhos de músicos nordestinos desde então. Até mesmo Raul Seixas, o maior astro do rock brasileiro em toda a sua história, criou o que chamava de “baioque”, mistura de baião e rock. Em 1953, quando o baião ainda estava no auge da popularidade, a Musidisc de Nilo Sérgio decidiu lançar uma série de LPs (naquele tempo, de dez polegadas) dedicados ao ritmo nordestino, com o título de “Baião”. É justamente o primeiro desses álbuns (depois vieram mais três) que o TM oferecer hoje a seus amigos cultos e ocultos. A interpretação coube ao grupo feminino As Três Marias, na época formado por Hedinar Martins (irmã de Herivelto), Consuelo Sierra e Maria Tereza, com acompanhamento da orquestra de Leal Brito, isto é, Britinho. Em suas oito faixas (duas músicas em cada uma delas!), reúnem-se  alguns dos baiões de maior sucesso, tipo “Paraíba”, o já citado “Delicado”, “Esta noite serenou”, “Pé de manacá”, “Saia de bico”, “Baião de dois”, “Ê boi”, “Adeus, adeus, morena”, o pioneiro “Baião”, assinados pelos mais expressivos compositores do gênero, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Hervê Cordovil. Com direito até a uma composição do próprio Britinho, “Marilu”, e outras três músicas transformadas em baião, “Maringá” e o clássico carnavalesco “Taí”, ambas de Joubert de Carvalho, mais o motivo folclórico mineiro “Peixe vivo”, canção predileta do então futuro presidente da República, Juscelino Kubitschek. Tudo isso faz deste “Baião número 1” um verdadeiro documento histórico, merecedor, com todas as honras, da postagem de hoje do TM. Confiram…

paraiba – delicado

baião vai baião vem – maringá

esta noite serenou – chuva miudinha

pé de manacá – ta-hi

eh boi – adeus adeus morena

marilu – macapá

saia de bico – baião

peixe vivo – baião de dois

*Texto de Samuel Machado Filho

Saudosa Minas Gerais (1956)

Hoje, o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos rara e preciosa parcela do rico acervo musical do estado de Minas Gerais. A música, inclusive, está presente em Minas desde o período colonial, mais precisamente desde a segunda metade do século XVI, quando a Companhia de Jesus trouxe para o estado os primeiros instrumentos musicais, com o objetivo de converterem os indígenas aos costumes europeus, difundindo a música barroca. Por décadas, os jesuítas foram responsáveis tanto pelo ensino da gramática e do latim quanto pela alfabetização musical nas escolas. Outro marco de identidade cultural de Minas são as bandas de música, que se desenvolveram a partir do século XIX. Sem esquecer as serestas de Diamantina, verdadeira tradição na cidade, terra natal do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976). Compositores nascidos em Minas, como Ary Barroso (nascido em Ubá), Ataulfo Alves (de Miraí) e Alcyr Pires Vermelho (de Muriaé) deram expressiva contribuição para nossa música popular. Assim como a turma do Clube da Esquina, liderada por um mineiro de coração, Mílton Nascimento, surgida nos anos 1970. Sem esquecer grupos de rock como o Skank e o Jota Quest, ainda hoje em plena atividade. “Saudosa Minas Gerais”, o álbum que o TM nos traz hoje, foi lançado por volta de 1955/56 pela Columbia, hoje Sony Music, num tempo em que o LP estava em fase de implantação entre nós e tinha dez polegadas. Trata-se de uma compilação reunindo alguns intérpretes então contratados da gravadora, evidentemente extraídas de 78 rpm, e suas oito faixas, direta ou indiretamente, possuem elos de ligação com a música e a cultura popular mineira.  A curiosidade fica por conta da presença de Zilá Fonseca (Iolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 12/4/1919-Rio de Janeiro, 30/5/1992) em três faixas, uma em dueto com Cauby Peixoto, então despontando para o estrelato (“Elvira”, que abre o disco, adaptação em ritmo de baião da modinha “Elvira, escuta”),  e outras duas com Carlos Henrique (“Minha zabelê” e “Mineiro apaixonado”, ambas também baiões). Carlos Henrique ainda interpreta outro baião, “Alice”, em dueto com Aracy Costa, outra cantora de sucesso na época.  “Peixe vivo”, a música predileta do já citado ex-presidente JK, motivo folclórico de sua Diamantina natal, é aqui interpretada por Mary Duarte e Paulo Fernandes, e também em ritmo de baião, que nesse tempo ainda tinha força. As Irmãs Cavalcanti (Odemi e Noemi, esta última vocalista do Trio de Ouro em sua segunda fase) vêm com outras duas faixas bastante expressivas: o rasqueado “Terra distante” (parceria de Noemi com Sílvio Pereira de Araújo, o Pereirinha) e a faixa-título, que aliás encerra o disco, a “valsinha” “Saudosa Minas Gerais”, das próprias Cavalcantis. Por fim, temos um verdadeiro clássico da música sertaneja de raiz, a canção “Felicidade de caboclo”, de Gino Alves e Pichincha, no registro original de Caxangá e Sanica, lançado originalmente em bolacha de cera no finalzinho de 1954. Enfim, uma compilação rara e de valor histórico inestimável, que agora o TM possui a grata satisfação de nos oferecer. É ir pro GTM correndo, baixar e conferir…

elvira – cauby peixoto e zilá fonseca
minha zabelê – zilá fonseca e carlos henrique
alice – carlos henrique e aracy costa
mineiro apaixonado – carlos henrique e zilá fonseca
peixa vivo – mary duarte e paulo fernandes
terra distante – irmãs cavalcanti
felicidade de caboclo – caxangá e sanica
saudosa minas gerais – irmãs cavalcanti

*Texto de Samuel Machado Filho

Paulinho Boca De Cantor – Cantor Popular (1984)

Seu nome, na pia batismal, é Paulo Roberto Figueiredo de Oliveira. E é como Paulinho Boca de Cantor que todos o conhecem. Também compositor, é claro, ele veio ao mundo na cidade de Santa Inês, na Bahia, no dia 28 de junho de 1946. Começou sua carreira musical em 1962, como crooner da orquestra de Carlito (mais tarde Orquestra Avanço), que animava bailes em Salvador e no interior da Bahia. Em 1969, funda, juntamente com Pepeu Gomes, Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil), Moraes Moreira e Luiz Galvão, um dos mais importantes grupos da história de nossa música popular: os Novos Baianos, do qual seria um dos principais compositores. O grupo, que revolucionou a MPB nos anos 70 e ainda é referência para novas gerações, lançou dez LPs de estúdio, entre eles o premiadíssimo “Acabou chorare”, de 1972, considerado o melhor álbum brasileiro da história, segundo a revista “Rolling Stone”. Com o fim dos Novos Baianos, em 1979, Paulinho Boca de Cantor partiu para a carreira-solo. Sua carreira no exterior começou em 1983, em Roma, capital da Itália, apresentando-se no show “Bahia de todos os sambas”, ao lado de ilustres  conterrâneos, tais como João Gilberto, Nana e Dorival Caymmi, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil. Em 1988, passa a residir em Nova York, EUA, lá fundando a Bahia Band e com ela fazendo shows em várias cidades norte-americanas. Em 1990, Paulinho voltou a morar em Salvador, participando de inúmeros projetos culturais importantes. Em 1997, reuniu novamente os Novos Baianos, com quem gravou ao vivo o CD “Infinito circular”, e realizou shows históricos por todo o Brasil. Paulinho Boca de Cantor tem em sua discografia-solo onze álbuns, sendo o mais recente deles “Forró do Boca”, lançado em 2013 (o LP “Valeu”, de 1981, que trouxe o hit “Rock Mary”, foi um dos discos independentes mais vendidos no Brasil nessa época). Destaca-se ainda como pesquisador de nossa música popular, e lança, em 2002, em parceria com Edil Pacheco, o CD duplo “Do lundu ao axé – Bahia de todas as músicas”, homenagem aos maiores compositores do século XX (entre 1902 e 2002), com a participação de importantes nomes da MPB, tais como Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Armandinho, Luiz Caldas e Moraes Moreira. Foi também produzido por ele o álbum comemorativo do centenário do Esporte Clube Vitória, lançado em 1999, com participação de artistas-torcedores da agremiação, tipo Daniela Mercury, Durval Lélis, Ivete Sangalo , Tatau (do Araketu) e Gilmelândia (então vocalista da Banda Beijo). Da discografia-solo de Paulinho Boca de Cantor, o TM traz para seus amigos cultos e ocultos “Cantor popular”. Trata-se do terceiro LP-solo do artista, lançado no início de 1984, e o primeiro que fez para a todo-poderosa EMI, incorporada anos mais tarde pela Universal Music. Com produção executiva de Guilherme Maia e Tôni Costa, também responsáveis pelos arranjos, orquestrações e regências, ao lado de Jorginho Gomes, e direção de produção de Renato Corrêa (que integrou os Golden Boys), o disco tem dez faixas, seis delas assinadas pelo próprio Paulinho com parceiros, e dele podemos destacar a autobiográfica faixa-título, “Cantor popular”, que conta inclusive com a participação de Pepeu Gomes, a irreverente “O enviado”, “Salsa morena” (com influência de ritmos caribenhos) e “Voltar ao zero”, de Mauriçola. Tudo isso num trabalho impecável, tanto técnica quanto artisticamente, de um dos maiores nomes de nossa música popular, agora também com credenciais de pesquisador. E que continua na ativa, felizmente.

ecologia astral

quanto mais quente melhor

semente do prazer

cantos de fada

um peixe vivo

volta ao zero

cantor popular

salsa morena

alegria de doido

o enviado

*Texto de Samuel Machado Filho

Trio Patinhas – O Mundo Maravilhoso De Walt Disney (1975)

Outubro, mês das crianças. É também a ocasião de despertar um pouco da criança que sempre existe em cada um de nós, relembrando um tempo feliz e cheio de recordações gratas e agradáveis. As brincadeiras, os tempos de escola, amigos e colegas que ficaram para sempre na memória e no coração… Muita gente, tanto no Brasil como no mundo, teve sua infância embalada pelas imortais criações dos estúdios de Walt Disney (1901-1966), cartunista e produtor cinematográfico norte-americano. Ele e seus auxiliares criaram tipos inesquecíveis, que todos conhecem, tanto das histórias em quadrinhos  (até hoje publicadas entre nós pela Editora Abril) quanto dos desenhos animados: Mickey (o primeiro deles, surgido em 1928), Pluto, Pato Donald e seus sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luizinho, Clarabela, Margarida, Pateta, Mancha Negra, Zé Carioca, Esquálidus, o pato Peninha… Um dos mais expressivos argumentistas e desenhistas da Disney foi Carl Barks, que criou para o velho Walt personagens como Tio Patinhas, Irmãos Metralha, a feiticeira Maga Patalójika e o Professor Pardal, além de ter transformado os sobrinhos de Donald em escoteiros-mirins. Nunca esquecendo que Walt Disney foi o pioneiro dos “cartoons” em longa-metragem, ao lançar, em 1937, o inesquecível “Branca de Neve e os Sete Anões”. Seguiram-se outros sucessos, tais como “Dumbo”, “Bambi”, “Pinóquio”, “Cinderela”, “Música, maestro”, “Alice no país das maravilhas”,  “A dama e o vagabundo”, “A bela adormecida”,  “Cento e um dálmatas”, “A espada era a lei” (em que apareceu outra bruxa famosa do estúdio, Madame Min),  “Mógli, o menino-lobo”, “Aristogatas”, “A pequena sereia” e também produções em “live action”, ou seja, com atores, tais como “Mary Poppins”, “A ilha do tesouro”, “Felpudo, o cão feiticeiro”, “O fantástico super-homem”, “A lenda dos anões mágicos”, “O fantasma do Barba Negra”, “Se meu fusca falasse” (“Cento e um dálmatas” também foi refilmado com atores, inclusive com Glenn Close fazendo uma Cruela de Ville impagável), “A montanha enfeitiçada”…  E como esquecer as séries “Disneylândia” e “Zorro” (baseada no personagem de Johnston McCulley), que a televisão exibiu por décadas, inclusive no Brasil? Ainda hoje, a Disney é um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo, atuando ainda no setor de TV aberta (é dona da rede ABC, ainda hoje uma das maiores dos EUA) e por assinatura, e continuando a produzir filmes animados (agora por computador, tipo “Toy story”, “Carros”, “Monstros S.A.”, “Up – Altas aventuras”, “Bolt – Supercão”, “Frozen”) e de “live action” (“Encantada”, “High School Musical”, “Jamaica abaixo de zero” etc.). Atualmente, a Disney também é proprietária da Marvel, detentora dos direitos de super-heróis como Capitão América, Hulk, Thor, Surfista Prateado, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Homem de Ferro. Pois o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos um álbum lançado em 1975 pela Som Livre (com o selo Disneyland), muito apropriadamente denominado “O mundo maravilhoso de Walt Disney”. O disco foi produzido pelo professor Theotônio Pavão (Pratânia, SP, 27/4/1915-São Paulo, 25/2/1988), o que por si só já o credencia. Ele assina a maior parte das faixas, apresentando cada um dos principais personagens clássicos da Disney, como Tio Patinhas, Donald, Gastão (aquele da sorte infalível), Zé Carioca, Zorro, Mickey, Pluto, Vovó Donalda etc. Abrindo o álbum, um trecho do tema principal do filme “Pinóquio”, de 1940, “When you wish upon a star”, e seguem-se as músicas, na interpretação do Trio Patinhas, do qual Meire Pavão, filha do professor Theotônio e cantora de sucesso na Jovem Guarda, é por certo a vocalista principal. E para fechar com chave de ouro, uma regravação de “Papai Walt Disney”, versão de Sidney Morais (que assina como Espírito Santo, uma vez que seu nome completo é Sidney do Espírito Santo de Morais) que tanto sucesso fez em 1962 com o Conjunto Farroupilha. Enfim, um trabalho que merece ser ouvido por crianças e adultos, e uma justa homenagem ao criador do chamado “mundo da fantasia”, Walt Disney. É ouvir e sonhar…

when you wish upon a star
lobo mau e os três porquinhos
zé carioca
peninha
huguinho, zezinho e luizinho
os sobrinhos
vovó donalda
pateta e mickey nu burgestão
madame min
alô walt disney
pato donald
o grilo falante
professor pardal
zorro
moedinha do tio patinhas
coelho quincas
primo gastão
pluto
papai walt disney

*Texto de Samuel Machado Filho

A Moreninha – Trilha Sonora Da Peça Teatral (1969)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês este compacto bem raro da trilha musical da peça teatral “A Moreninha”, que conforme podemos ver na capa teve a sua estréia em 29 de dezembro de 1968 no Teatro Achieta de São Paulo, trazendo um grande elenco e tendo como protagonistas os atores Perry Sales e Marília Pêra. Essa peça foi uma comédia musical escrita por Miroel Silveira e Cláudio Petraglia adaptada a partir do romance escrito por Joaquim Manuel de Macedo. As músicas são de autoria de Cláudio Petraglia, também produtor da peça e os arranjos e orquestração de Sandino Hohagen. Confiram já este compacto no GTM 😉

paquetá, paquetá – o elenco
cafuné – zezé motta e gésio amadeu
balada ‘a moreninha’- marília pêra
marcarei o seu nome – marília pêra e perry salles
  • Produção original do blog Sintonia Musikal, do amigo Chico.

Eddie Osborn – Baldwin Organ And Bongos (1960)

Olá amigos cultos e ocultos! Mesclando ainda mais a nossa salada mista de músicas e curiosidades fonográficas, aqui vai um disquinho estrangeiro e dos mais interessantes. Gosto muito das produções que surgiram em função e a partir dos sistemas HiFi (alta fidelidade) onde as gravadoras buscavam ao máximo explorar as nuances sonoras para demonstrar as qualidades de um novo som que os olhos acompanham. Para tanto, escolhiam orquestras que provocassem uma sonoridade exótica e nisso há muito dos ritmos latinos incluídos.
Temos aqui um disco da série Doctored For Super Stereo, apresentando o organista americano Eddie Osborn pilotando um tradicional teclado eletrônico da Baldwin, uma empresa que desde o início do século XX já fabricava pianos e posteriormente orgãos eletrônicos. Numa fusão interessante, temos aqui orgão e bongôs para um repertório bem variado de músicas bem conhecidas internacionalmente. Muito legal, vale uma conferida 😉

el cumbachero
barbara polka
buttons and bows
south of the border
frenesi
saints
washington post
tennesse waltz
perfidia
muskrat ramble
sid’s blues
ma, he’s making eyes at me

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Claudio Zoli (1988)

Considerado o príncipe da soul music brasileira, Cláudio Zoli é posto em foco hoje em nosso TM. Zoli veio ao mundo na cidade de São Gonçalo, litoral do estado do Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1964. Desde cedo, interessou-se pela música, e cresceu ouvindo a “soul music” de feras como Tim Maia, Stevie Wonder e Marvin Gaye. Ainda garoto, começou a cantar e a tocar violão, e sua estreia profissional aconteceu aos 17 anos de idade, tocando na banda de Cassiano (criador de hits como “A lua e eu” e “Coleção”), que se tornaria o seu guru. Zoli também aprendeu muito com o mestre Tim Maia. Em 1982, fundou a banda Brylho, que, um ano mais tarde, lançou seu único LP. Nele, está o também único hit do grupo, “A noite do prazer”, relembrado até hoje (“Na madrugada a vitrola rolando um blues, tocando B. B. King sem parar”…) e sempre presente nos shows de Cláudio Zoli.  Após o fim da banda Brylho, em 1986, Cláudio Zoli grava seu primeiro álbum-solo, “Livre pra viver”. Nessa ocasião, obteve sucesso com músicas gravadas por outros intérpretes, caso de Marina Lima (“À francesa”, parceria dele com o irmão da cantora, Antônio Cícero) e Elba Ramalho (“Felicidade urgente”, parceria de Zoli com Ronaldo Lobato Santos, incluída na novela global “Vamp”, de 1991). Em um momento de baixa na carreira-solo de intérprete, Zoli formou, ao lado de Ritchie e Vinícius Cantuária, o grupo Tigres de Bengala, que lançou um único álbum em 1993. Seis anos mais tarde, entretanto, voltou a gravar como solista, lançando o álbum “Férias”, no qual acrescentou elementos do rap e do rhythm and blues ao seu tradicional soul-funk-samba. Casado com  Carol Duarte, também sua empresária, Cláudio Zoli tem três filhos, Lucas, nascido em 1986, Pedro, nascido em 1989, e João, em 1992. Dos três, apenas João optou por não seguir carreira musical, dedicando-se ao bodyboard (variante do surfe) e conquistando inúmeras premiações. Ao todo, Zoli gravou, até o presente momento,  treze álbuns, incluindo os que fez com o Brylho e o Tigres de Bengala, e o mais recente deles é “Amar e amanhecer”, lançado em 2014. Dessa discografia, o TM hoje apresenta o segundo álbum-solo de Cláudio Zoli, editado pela EMI em 1988. Aqui, o destaque fica por conta de “Não foi em vão”, versão de Cláudio Rabello para o clássico “What’s going on?”, de Marvin Gaye. Temos ainda a regravação de outro clássico, ‘’Azul da cor do mar”, eterno hit do “síndico” Tim Maia, e mais oito faixas do próprio Cláudio Zoli, por ele assinadas ao lado de parceiros como Bernardo Vilhena, Ronaldo Lobato Santos e Cassiano. Enfim, um bom trabalho de Zoli, que pode ser incluído entre os melhores já gravados por ele. É só ir pro GTM e conferir…  (A acrescentar que, quando do relançamento deste disco em CD, foram incluídas duas faixas-bônus, a instrumental “Funk house” e “Horizonte”).

criminoso sutil
não dá pra entender
quero te amar
último beijo
sem explicação
não foi em vão
noites de onda
azul da cor do mar
em nome do prazer
sangue negro
*Texto de Samuel Machado Filho

Laurindo Almeida – Virtuoso Guitar (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Embora eu tenha decidido passar a publicar aqui também discos internacionais, com artistas internacionais, sinto ainda um certa resistência na própria tradição do blog. Seria mesmo interessante postarmos discos estrangeiros tendo ainda tanta coisa brasileira a ser mostrada? Acho que vou reavaliar essa ideia, ou por outra, me permitir postar o que quiser, mas preferencialmente coisas ligadas ao Brasil.
E nessa, eu hoje trago um disco estrangeiro. Um interessante lp com o grande violonista Laurindo Almeida, um dos primeiros grandes artistas brasileiros a fazer sucesso e carreira lá fora. Violonista e compositor, Laurindo Almeida mudou-se para os ‘States’ na década de 50, tornando-se um requisitadíssimo músico de jazz. Gravou centenas de discos e tocou ao lado dos maiores nomes da música mundial. Resumir a atuação deste artista aqui neste post é até pecado, mas o que não falta na internet é informações sobre ele. Vale pesquisar e conhecer esse gênio do violão.
“Virtuoso Guitar” é um disco que não consta em sua discografia. Em edição limitada, este lp foi gravado em um processo especial, direto para o vinil e roda em 45 rpm. Nele temos dois momentos, um primeiro jazzístico e o outro mais erudito, trazendo uma sonata de  Radamés Gnattalli. Sem dúvida, um disco raro que merece nossa atenção. Confiram o conteúdo no GTM.

yesterday
jazz-tuno at the mission
late last night
sonata for guitar and cello in three movements:
allegretto comodo
adagio
com espírito

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Cana-Verde/ Ceará – Documentário Sonoro Do Folclore Brasileiro N. 36 (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Por enquanto, nossa mostra da série Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro termina aqui. Como disse, infelizmente, eu não tenho essa coleção completa. Ficaremos aguardando os números que nos falta. Caso alguém tenha algum ou o que falta, por favor, compartilhe aqui com o Toque Musical. 🙂

a minha caninha verde (abetura)
sorri, quá quá
eu não vendo
galo galo
menina tu vai ao baile
caninha verde, adeus adeus (despedida)

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