Freelarmonica (1983)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Atendendo a pedidos (nesse sentido a gente ainda atende), estamos trazendo aqui o primeiro trabalho da banda instrumental ‘Freelarmonica’, lançado no início dos anos 80. A banda nasceu a partir de uma peça teatral, quando foram convidados a fazerem uma trilha musical. Músicos instrumentistas, de formação clássica, passaram ali a formatar uma nova proposta de grupo instrumental, se apresentando em vários teatros e casas de shows e parques da cidade de São Paulo. O projeto ganhou força ao lançarem o seu primeiro trabalho em disco pela produtora Lira Paulistana. Daí em diante, conquistaram seu espaço e respeito na excelência da música instrumental brasileira. Infelizmente, há poucas informações na rede sobre o grupo, inclusive ão encontrei referências de outros discos, mas ao que parece, a Freelarmonica ainda continua ativa, fazendo suas apresentações. Não deixem de conferir no GTM.

e um… tem aí?
primeira do lado b
o verdadeiro dom quixote
mr. malo
salada bem temperada
manhã
choro hermético
o velho sapato velho
tem



.

O Espírito Da Coisa (1986)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical traz hoje o único LP do Espírito da Coisa, banda de pop-rock formada em meados da década de 1980, no Rio de Janeiro. Formado pelos vocalistas Cláudio Barreto, Dila Guerra, Katita Moraes e Victor, mais Paulo Corrêa (guitarra, piano, violão, flauta e voz), Guilherme Brício (teclados, saxofone e flauta), Cláudio Matheus (baixo) e Sobral (bateria e percussão), o grupo apareceu pela primeira vez em disco no álbum misto “Indústria do rock”, de 1985, interpretando a faixa “Verônica”. Nesse mesmo ano, O Espírito da Coisa lançou em compacto simples seu único sucesso, “Ligeiramente grávida”, justamente a faixa que abre este único álbum da banda, editado em 1986 pela Top Tape. A proposta deles, como se poderá notar ouvindo este disco, era a mesma da Blitz, ou seja, canções leves com letras bem-humoradas, e até mesmo com pitadas de crítica social, como se percebe nas faixas “Mimi trotskista” e “Salário mínimo”. Enfim, é um disco que vale a pena baixar e ouvir.

ligeiramente gravida
manga com leite
lady newton
benedito
salário mínimo
e agora josé
teresa
zé roberto
nene
mimi trotskista




*Texto de Samuel Machado Filho

Leci Brandão (1985)

Cantora, compositora, atriz e política. Assim é Leci Cristina Brandão da Silva, ou simplesmente Leci Brandão, que o Toque Musical põe em foco no dia de hoje. Ela nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1944, e começou sua carreira no início dos anos 1970, tornando-se a primeira mulher a participar da ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Começou a chamar a atenção do grande público em 1975, ao participar do festival Abertura, da TV Globo, defendendo seu samba “Antes que eu volte a ser nada”, mais tarde faixa-título de seu primeiro LP. Uma das mais importantes intérpretes de samba da MPB, Leci Brandão gravou, ao longo da carreira, 13 LPs, 8 CDs, 2 DVDs e 3 compactos, um total de 26 obras. É também madrinha da Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé, bicampeã do carnaval de São Paulo. Em 2010, elegeu-se deputada estadual por São Paulo, pelo PCdoB, reelegendo-se em 2014 e 2018. Como parlamentar, Leci Brandão dedica-se à promoção da igualdade racial, ao respeito às religiões de matriz africana e à cultura brasileira. Também levanta a questão das populações indígena e quilombola, da juventude, das mulheres e do segmento LGBTQ+. Na televisão, atuou na novela “Xica da Silva”, da extinta TV Manchete (1996/97), como a líder quilombola Severina, e foi ainda comentarista dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo pela Globo.  No cinema, participou dos filmes “Antônia” (2007), “Tropa de elite 2” (2010) e “O samba” (2015). Este álbum que o TM nos oferece hoje é talvez o melhor trabalho da carreira de Leci Brandão. Lançado pela Copacabana em 1985, o disco foi puxado pelo hit “Isso é fundo de quintal”, dela própria em parceria com Zé Maurício. Porém, é óbvio, tem mais a destacar. É o caso de “Zé do Caroço”, uma das músicas mais regravadas de Leci, e de uma versão de Martinho da Vila para “Gracias a la vida”, da chilena Violeta Parra. Martinho ainda assina “Tá quase odara”, parceria com Zé Catimba, e a própria Leci, “Belém meu bem”, “Deixa, deixa”, “Assumindo” e a adaptação de “Saudação ao rei das ervas”. Com direito até a um forró (“Entra no forró”). Tudo isso e muito mais fazem deste disco uma verdadeira joia que o TM oferece com a grata satisfação de sempre. Confiram.

papai vadiou

isso é fundo de quintal

tá quase odara

zé do caroço

belém meu bem

quero eu

agradeço a vida

deixa deixa

entra no forró

maria de um só joão

quebra-queixo

assumindo

saudação ao rei das ervas



*Texto de Samuel Machado Filho

Liverpool – Marcelo Zona Sul TSO (1970)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro da nossa diversidade fonomusical, temos para hoje um compacto triplo, disco da trilha sonora do filme Marcelo Zona Sul, de Xavier de Oliveira. Este filme nacional estreou em 1970 e teve grande sucesso entre os jovens. Trazia, como protagonista da história os então jovens atores Stepan Nercessian e Francoise Forton. A trilha sonora é executada pelo conjunto Liverpool, ou Liverpool Sound, como está escrito nos créditos do filme. Este, por sinal e para nossa felicidade pode ser encontrado na íntegra, no Youtube. O disquinho, um compacto, virou hoje peça rara de colecionador. Vale a pena conferir, tanto o filme quanto as músicas da trilha.

renata
dança da chuva
canção da volta
marcelo
fossa de marcelo
excinting posters


.

Nelson Coelho De Castro – Juntos (1984)

Compositor, cantor e produtor musical, Nelson Coelho de Castro bate ponto hoje aqui no Toque Musical. Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 17 de abril de 1954. Entre 1965 e 1968, fez parte de um grupo de meninos cantores do Colégio São João, em sua cidade natal. Estudou violão clássico e popular com Ivaldo Roque. Em 1974, no festival do Colégio Parobé, ganhou o Prêmio Comunicação. No MusiPUC, importante festival cultural que a Rádio Continental AM, sempre ligada ao movimento cultural de Porto Alegre, transmitia ao vivo, ganhou vários prêmios. Em 1975, fez sua estreia nas “Rodas de som” de Carlinhos Hartlieb, projeto dedicado a promover a música local. Em 1977, formou-se em jornalismo. No mesmo ano, realizou seu primeiro espetáculo, “E o crocodilo chorou”, ao lado do seu grupo Olho da Rua, dirigido por Luciano Albanese. Sua estreia em disco acontece em 1978, participando do álbum misto “Paralelo 30”, produzido pelo jornalista Juarez Fonseca, com as faixas “Rosa calamidade” e “Águias”. Em 1979, lançou seu primeiro compacto simples, com “Faz a cabeça” e “Hei de ver”., Entre 1980 e 81, produziu e lançou o primeiro disco independente feito no Rio Grande do Sul, exatamente este “Juntos”, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos num relançamento feito em 1984. Nelson Coelho de Castro tem uma discografia de dez álbuns lançados, o mais recente, “Lua caiada”, de 2010. É mais uma personalidade que o TM tem o prazer de focalizar, através de seu primeiro LP-solo, documento de um início de carreira bastante promissor.

o beijo
armadilha
juntos
zé aquele tempo do julinho
todos homens
desfilar
vanda bonita
sol
ponto nodal
por favor a
gosto



*Texto de Samuel Machado Filho

Sergio Boré – Tambores Urbanos (1983)

Um verdadeiro autodidata. Assim é o percussionista Sérgio Boré, que bate ponto aqui no TM através de seu primeiro álbum solo, editado em 1983. Gaúcho de Porto Alegre, Sérgio criou ritmos para gigantes da MPB , gravou mais de 150 álbuns com diferentes artistas e se tornou conhecido internacionalmente. É um mestre não só do ritmo mas também do som em geral. Ele evoca todas as cores das vibrações do seu arsenal de instrumentos e finalmente adiciona sua voz. Sua música é intensamente alimentada de espiritualidade. Foi em 1982 que Sérgio Boré criou seu próprio projeto musical, o Tambores Urbanos. A ideia é de sempre convidar músicos amigos para que contribuam com sua criatividade. A música fala de liberdade e improviso e Sérgio não hesita em chama-la de música livre brasileira. Ele ainda colabora extensivamente com grupos de teatro e dança e compõe trilhas sonoras para filmes. O presente álbum, lançado de forma independente, é o início do projeto Tambores Urbanos, e conta com as participações especiais de Geraldo Azevedo , Bebeto Alves e Elba Ramalho. Enfim, um trabalho que nos leva, inevitavelmente, a um mundo de ritmos, intuição e espaços de sons.

adivinhação
tambores urbanos
chamada criolla
el conde
pingentes
lamento africano
ideo logias
luz da lua
 


*Texto de Samuel Machado Filho 

Eduardo Conde – Certas Canções (1987)

Ator, cantor e modelo, Eduardo Conde nasceu em Recife, capital de Pernambuco, a 9 de abril de 1946. Iniciou sua carreira de cantor aos 19 anos, e gravou seu primeiro LP em 1967, com o título de “Minha chegada”.  No decorrer dos anos 1960, também fez participações em shows e festivais de MPB. Sua figura esguia, de longos cabelos lisos, enigmáticos olhos e rosto marcante o levou também às passarelas, mas ele preferiu investir na carreira de ator, destacando-se, nos anos 1970, como protagonista do musical “Jesus Cristo superstar”, versão pop da história bíblica. Foi também por muitos anos, o apresentador da premiação do Festival de Cinema de Brasília. No cinema, participou de produções nacionais – como “O incrível monstro trapalhão” e “Os saltimbancos trapalhões” – e internacionais – como “A floresta de esmeraldas” e “Feitiço do Rio”, de Stanley Donen, atuando ao lado de Michael Caine e Demi Moore. Na televisão, atuou nas novelas “Sinal de alerta” (1978), “Plumas e paetês” (1980), “A idade da loba” (1995), “Razão de viver” (1996), “O beijo do vampiro” (2002) e na minissérie “O quinto dos infernos” (2002).  Faleceu em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 2003, aos 56 anos, de câncer pulmonar decorrente do tabagismo. Paralelamente ao trabalho de ator, Eduardo Conde também se apresentava em shows e gravou LPs como este “Certas canções”, registrado ao vivo em 1987, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. O repertório é da melhor qualidade, incluindo Adelino Moreira (“A volta do boêmio”), Ary Barroso (“Folha morta”), Sueli Costa (“Dentro de mim mora um anjo”) e peças do repertório internacional. É mais um disco que vale a pena conferir.

certas canções
dentro de mim mora um anjo
folha morta
mulher de trinta
retrato cantado
valsa do maracanã
lili marleen
as time goes by
vida de bailarina
paião
a volta do boêmio
demais



*Texto de Samuel Machado Filho 

Paulo Mezzaroma – Um Violino Sentimental (1959)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Intervindo eventualmente nas postagens, vez por outra também estarei dando meus pitacos. Como já foi informado aqui, o Toque Musical agora conta com uma equipe de apoio, pois a cada dia ficava mais difícil eu manter esse blog sozinho. Muda-se um pouco as regras, mas no geral continua tudo na mais perfeita ordem, graças ao GTM.
Trago hoje para vocês um lp que merece a nossa atenção. Temos aqui Paulo Mezzaroma em, Um Violino Sentimental, lp lançado no final dos anos 50. Este disco do maestro e violinista italiano, cujo nome verdadeiro era Paolo Mezzaroma traz um repertório moderno para a época com sucessos internacionais e entre esses quatro músicas nacionais, entre as quais se destaca “Eu não existo sem você”, Antonio Carlos Jobim e Vinícius de |Moraes. Mezzaroma atuou no Brasil nas décadas de 50 e 60. Gravou também pela RGE. Temos outras coisas dele aqui no Toque Musical. Confiram este, no GTM.

summer time in venice
eu não existo sem você
cuando vuela a tu lado
temptation
judeu errante
all the things you are
maria dos meus pecados
aquella melodia
when i fall in love
dó ré mi
que reste-t-il de nos amours
c’est si bon

.

Almondegas (1979)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos uma compilação dos Almôndegas, uma das bandas pioneiras em criar uma linguagem particular para a música popular gaúcha. Oriundos da cidade de Pelotas, os Almôndegas misturavam velhas canções do folclore gaúcho, MPB e rock, e seu trabalho virou referência para artistas posteriores do pop-rock gaúcho. Tudo começou em 1971, quando os irmãos Kleiton e Kledir Ramil, o primo Pery Souza e os amigos Gilnei Silveira e Quico Castro Neves lideravam uma gurizada que se reunia num apartamento no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, para cantar. Músicos de formação eclética, eles só pensavam em se divertir quando venceram o I Festival Universitário da Canção Catarinense com a música “Vento negro”. Em 1974, fizeram sua primeira gravação: a música “Testamento”, com letra de José Fogaça, música que virou trilha sonora do programa “Opinião jovem”, apresentado pelo próprio Fogaça na Rádio Continental AM. Um ano mais tarde, vem o primeiro LP, sem título, e ainda em 1975, o segundo, “Aqui”. Em 1977, mais dois álbuns: “Gaudêncio Sete Luas” e “Alhos com bugalhos”. Em 1978, vem o quinto e último trabalho do grupo, “Circo de marionetes”. Nesta coletânea lançada pela K-Tel (selo Music Master) em 1979, ano da dissolução dos Almôndegas, estão dez faixas extraídas dos três primeiros LPs do grupo, feitos na Continental. Entre as músicas, estão “Sombra fresca e rock no quintal”, “Canção da meia-noite” (incluída na novela “Saramandaia”, da TV Globo),“Vento negro” e “Haragana”, as duas últimas regravadas mais tarde por Fafá de Belém. Enfim, uma amostra preciosa do trabalho dos Almôndegas, com a mescla de regionalismo e musica pop que se constituiu numa espécie de marca registrada do grupo. É o que o TM tem a grata satisfação de nos oferecer hoje.

sombra fresca e rock no quintal
vento negro
amargo
canção da meia noite
elevador
haragana
gaudêncio sete luas
teia de aranha
velha gaita
clô


*Texto de Samuel Machado Filho 

Mestre Pastinha E Sua Academia – Capoeira De Angola (1969)

O Toque Musical põe hoje em foco um dos principais mestres de capoeira da história: Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha, através de seu único LP, lançado pela Philips em 1969. Mestre Pastinha nasceu em 5 de abril de 1889 na Rua do Tijolo, em Salvador, Bahia, filho do comerciante espanhol José Señor Pastinha e da ex-escrava baiana Eugênia Maria de Carvalho. Foi apresentado à capoeira, segundo ele próprio, por pura sorte. Quando tinha em torno de dez anos, em consequência de uma arenga de garotos, da qual sempre saía perdendo, conheceu Benedito, preto africano que se tornaria seu mestre. Tornou-se discípulo de Benedito e passou a frequentar sua casa todos os dias. Além das técnicas de capoeira, aprendeu também a mandinga. Benedito lhe ensinou tudo que sabia. E foi no ensino da capoeira que Mestre Pastinha se distinguiu durante décadas. Foi o maior propagador da Capoeira Angola, modalidade “tradicional” do esporte no Brasil. Em 1902, Pastinha entrou para a escola de aprendizes marinheiros, onde passou oito anos de sua vida. Na Marinha, praticou esgrima e aprendeu a tocar violão. Ao mesmo tempo, ensinava capoeira a seus companheiros. Em 1910, Mestre Pastinha começou a ministrar aulas de capoeira às escondidas na sua própria casa, pois a prática havia sido proibida e quem contrariasse as regras poderia ir para a cadeia. Trabalhou ainda como pintor, pedreiro e entregador de jornais, entre muitas outras ocupações. Em 1941, fundou a segunda escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho, em Salvador, onde hoje é um restaurante do Senac. Entre seus alunos estão mestres como João Grande, João Pequeno, Boca Rica, Curió e Bola Sete, entre muitos outros que ainda estão em plena atividade. Sua escola ganhou notoriedade com o tempo, frequentada por personalidades como Jorge Amado, Mário Cravo e Carybé, e cantada por Caetano Veloso em seu disco “Transa”, de 1972. Em 1966, integrou a comitiva brasileira do primeiro Festival de Arte Negra, no Senegal, onde foi um dos destaques do evento, tendo também recebido a Ordem do Mérito Cultural. Contra a violência, o Mestre Pastinha transformou a capoeira em arte. Apesar da fama, ele terminou seus dias esquecido. Expulso do Pelourinho pela prefeitura, em 1971, sofreu dois AVCs seguidos, que o deixaram cego e indefeso. Embora cego, não deixava de acompanhar seus alunos. O Mestre Pastinha faleceu em 13 de novembro de 1981, aos 92 anos, em sua Salvador natal, mas continua vivo nas cantigas, nas rodas e no jogo de capoeira. É o que comprova o disco que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos.

maior é deus
bahia, nossa bahia
ei, dona alice, não me pegue não
a manteiga derramou
a canoa virou, marinheiro
adeus… adeus
canarinho da alemanha
eu já vivo enjoado
quebra jereba
dona maria o que vem aí?
lapinha
b-a-bá do berimbau
ai, ai aidê
xô xô meu canarinho
la-lain-lai-lai
eu vou ler meu abc
vou me embora pra são paulo
valha-me deus, senhor são bento



*Texto de Samuel Machado Filho 

O Outro Bando Da Lua – Um Palco É Preciso (1981)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical vem trazer para vocês hoje o único álbum do Outro Bando da Lua, uma edição independente de 1981. Quase nada se sabe a respeito deste grupo, mas, ao ouvir o disco, podemos constatar que é um bom trabalho de MPB, com onze faixas. A curiosidade aqui fica por conta da presença, na flauta, de Chiquinho Brandão, também ator de teatro, cinema e televisão, morto prematuramente em acidente automobilístico, aos 39 anos, em 4 de junho de 1991. No mais, um álbum interessante e raro, merecedor de mais esta postagem de nosso TM.

virgem
gare du nord
sentimental
mar do norte
vôo
desarvorado
reguizinho mixuruca
carioquice
um blu sem razão
medida do coração
reticências



*Texto de Samuel Machado Filho 

Banda Paulistana – Luzes Da Noite (1981)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical está trazendo hoje para vocês mais um álbum de música instrumental brasileira da melhor qualidade. Desta vez, apresentamos a Banda Paulistana, com “Luzes da noite”, lançado pela Eldorado em 1984, fruto da união de dois amigos músicos: o guitarrista e compositor Cândido Serra (que assina todas as oito faixas do disco) e o baixista Nico Assumpção. Cândido começou a tocar em 1975, na noite paulistana. Entre 1976 e 1981, foi professor do CLAM, escola de música do Zimbo Trio. Alguns de seus alunos: André Christovam, Ulisses Rocha, Nuno Mindelis e Rui Saleme. Tocou ao lado de nomes importantes como Eliane Elias, Lô Borges, Cláudio Celso, Duda Neves e Michel Freidenson. No final da década de 1970 fundou, juntamente com André Gereissati e Rui Saleme, o lendário Grupo D’Alma, com quem grava seu primeiro álbum, “A quem interessar possa”, apontado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o melhor disco instrumental de 1981. Durante sua trajetória musical, participou de importantes eventos, como os Festivais de Jazz de Montreux, São Paulo e Águas Claras. Passou uma temporada em Nova York, onde trabalhou com vários músicos, entre eles o pianista Robert Damper, e depois formou a Banda Paulistana, com quem gravou o presente álbum, do qual participam, além de Nico Assumpção, o baterista Carlos Bala, os saxofonistas Roberto Sion e Mané Silveira, e os tecladistas Paulo Calazans e Mário Bofa. Gente de primeiro time, como poderemos constatar ouvindo este trabalho que o TM nos oferece.

campo belo 
luzes da cidade
insinuante
olhos fechados
aguas claras
coração aberto
nonita
tempero bravo 



*Texto de Samuel Machado Filho

Jorge Amado – Guia Das Ruas E Dos Mistérios Da Cidade Do Salvador Da Bahia (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje temos uma postagem com toque literário, oferecendo a vocês um LP duplo do escritor Jorge Amado (Itabuna, BA, 10/8/1912-Salvador, BA, 6/8/2001), lançado em 1980 pela Som Livre e intitulado “Guia das ruas e dos mistérios da cidade do Salvador da Bahia”. É um verdadeiro documento histórico, no qual o autor de “Gabriela, cravo e canela”, “Mar morto”, “Tocaia grande”, “Tenda dos milagres”        e “Tieta do Agreste”, entre tantas obras, descreve aspectos diversos da cidade de Salvador, capital da sua querida e amada Bahia. Tudo embalado pelo fundo musical de Egberto Gismonti. Sem dúvida, um trabalho imperdível, no qual transparece o gênio daquele que foi, indiscutivelmente, um dos maiores escritores que o Brasil já teve. É só conferir. 

título, biografia, dedicatória
convite
quem guarda os caminhos da cidade
mãe menininha do gantois
a força do povo
a bahia se leva na cabeça
poeta e cantor das graças da bahia
festa da conceição da praia
capoeira – joão gilberto em nova iorque
para o samba de roda um prato basta
olga do alaketu e stela de oxossi
o forte do mar
dois neto do boca do inferno
pelourinho
os alagados
fil no afoxé – avenidas
ex-voto – caetano veloso – igreja de são francisco
iemanjá
batidas e lambretas – coisinha baiana
dadá viúva de corisco – barba e poesia
carybé e a memória da bahia
camafeu de oxossi
dom carlos bastos, príncipe da bahia

*Texto de Samuel Machado Filho

Mario Bruno E Os Carbonos – As 12 Mais Italianas (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Devido as dificuldades, em todos os aspectos, de manutenção do Toque Musical, estou passando a tarefa para outras pessoas além do amigo Samuca que muito tem nos ajudado com suas resenhas. De agora em diante, conto com mais dois colaboradores que ficarão por conta das publicações. Eu, continuo na produção, mas em especial nas escolhas do que será postado. Encerramos de vez o atendimento para reposição de links. Esses serão repostos a critério dos administradores. Caso, alguém tenha interesse em arquivos/discos que não estão no GTM poderão solicitar, dessa vez, um pacote com até 10 títulos. o envio será exclusivo, sendo enviado diretamente ao e-mail do solicitante. Para tanto, estamos solicitando um pequena ajuda de custos. Creio que assim podemos manter a continuidade de nossos trabalhos. Contamos com a compreensão e colaboração de todos. O Toque Musical não pode parar.
Hoje, temos, mais uma vez, o grupo Os Carbonos. Aqui já postamos outros discos da banda e hoje trazemos o que seria o seu primeiro, lançado em 1967 pela Discos Beverly. Neste lp temos como destaque Mário Bruno, que na verdade, nada mais era que o tecladista da própria banda, mas que aqui aparece como um pretenso cantor de hits italianos. Os Carbonos atuaram nas décadas de 60 e 70. Também, seus membros, gravaram discos com outros nomes. Eram peritos na arte do que internacionalmente é chamado de ‘cover’. Para os amantes da música italiana, eis aí uma boa pedida. Confiram no GTM!

non pensare a me
django
ciao amore ciao
dio come ti amo
ringo dove vai
cuore matto 
fortissimo
quando bico che ti amo
l’ amore se  ne va
al di la
c’era un ragazo che come me amava i beatles e i rolling stones
si fa sera
 
.

Jorge Alfredo – Quem Fica É Quem Traz O Sol (1979)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical traz para vocês hoje o primeiro (e ao que parece único) álbum-solo do baiano Jorge Alfredo, lançado pela Copacabana em 1979. Conforme o pouco que se sabe a seu respeito, ele foi um dos primeiros artistas brasileiros a misturar elementos do reggae jamaicano com os ritmos baianos. É o que transparece nas onze faixas deste disco, feito um ano antes de ele fazer parceria com Chico Evangelista, com muito de pegada rock e batidas sertanejas, trazendo também letras de poesia e sensibilidade extremas. Segundo comentário que li no YouTube, “é um disco tão raro que parece que nem foi lançado”. Portanto, é mais uma raridade que o TM tem a grata satisfação de oferecer. Confiram…

rodapé
menina maluca
jeito de viver
nani nere cohrau
doideira
forró no escuro
de olho na esquina
assim preto – brasa branca
antiga mesma tristeza
parecendo piqui
daqui da lua



*Texto Samuel Machado Filho 

Otacílio Batista Do Pajeú (1982)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos um disco-solo de Otacílio Batista Patriota, cantador, violeiro e poeta repentista, lançado pela CBS em 1982. Otacílio nasceu na Vila Umburanas, em São José do Egito, sertão pernambucano do alto Pajeú, a 26 de setembro de 1923. Filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Guedes Patriota, ambos paraibanos, Otacílio participou pela primeira vez de uma cantoria em 1940, durante uma festa de reis em sua cidade natal. Daquele dia em diante, nunca mais abandonaria a vida de poeta popular. Em mais de meio século de repentes, participou de cantorias com celebridades como o cego Aderaldo e outros. Conquistou vários festivais de cantadores realizados nos estados de Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. Uma de suas músicas de sucesso é “Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor”, composta em parceria com Zé Ramalho (não por acaso, o produtor deste disco), gravada pela cantora Amelinha para o álbum de mesmo nome e depois regravada pelo próprio Zé Ramalho. Conhecido nacionalmente por seus versos impressionantes – sempre feitos de improviso – e pelas inúmeras letras que compôs para vários intérpretes na MPB, Otacílio Batista também era conhecido como “A Voz do Uirapuru” e fez dupla com nomes lendários, como Pinto do Monteiro, Lourival Batista, Oliveira de Panelas e Pedro Bandeira. Publicou inúmeros folhetos de cordel e vários livros, entre os quais destacam-se “Poemas que o povo pede”, “Rir até cair de costas” e “Poema e canções”. Otacílio morreu a 5 de agosto de 2003, em João Pessoa, Paraíba, aos 79 anos de idade, e este disco é um verdadeiro documento da arte do repente. É ouvir e conferir.

a origem do homem

apelo ao papa

martelo alagoano

eu vi brasília de perto

os cabras de lampião

cigarra do meu sertão

o poeta

beira mar dos peixes

doze horas doze dias doze meses doze anos

martelo agalopado

amor de preta

neste brasil de mãe preta e pai joão


*Texto de Samuel Machado Filho

Jessé – Todos Os Palcos (1985)

Este é o terceiro álbum do cantor Jessé (Niterói, RJ, 25/4/1952-Ourinhos, SP, 29/3/1993) que o Toque Musical oferece a seus amigos cultos e ocultos. Desta vez, o disco é “Todos os palcos”, cronologicamente o sexto álbum de carreira do saudoso intérprete, lançado pela RGE de sempre em 1985. Aqui, Jessé mantém a qualidade e a competência que sempre caracterizaram seus trabalhos em disco, apresentando composições dele mesmo (“Colo de serpentes” e “Blues solidão”, ambas em parceria com Elifas Andreato), Renato Teixeira (“Lua, lua, lua”), Piska (“Gaivota dourada” e “Tempo de paz”), Accioly Neto (“Segredos”, “OVNI” e a ecológica “Amar… zônia”) e da dupla César Rossini-Gil Gerson (“Ravinas”). Temos ainda a faixa-título, “Todos os palcos”, de autoria de Miltinho e Magro, do MPB-4, com participação especial do grupo. Agora, é ouvir mais este trabalho de Jessé, e, mais uma vez, lamentar seu trágico e prematuro falecimento em desastre automobilístico.

gaivota dourada
blues solidão
tempo de paz
segredos
amar… zonia
todos os palcos
lua lua lua
ovini
ravinas
colo de serpentes


*Texto de Samuel Machado Filho 

Coral da Casa dos Poveiros – Viras & Bailaricos (1962)

Um pouco da mais autêntica música folclórica portuguesa. É o que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos nesta postagem. Trata-se do álbum “Viras & bailaricos”, na interpretação do coral da Casa dos Poveiros, do Rio de Janeiro. O disco saiu originalmente em 1962, pela Philips, e foi reeditado em 1978. O vira é uma das danças mais antigas de Portugal, e seu nome deriva do verbo virar, uma referência a um de seus movimentos mais característicos. As origens do vira, que alguns situam no ternário da valsa oitocentista e outros buscam mais atrás, no fandango, parecem ser de remota idade, como defendeu o musicólogo e compositor, Sampayo Ribeiro, que as coloca antes do século XVI. Tomaz Ribas considera o vira uma das mais antigas danças populares portuguesas, salientando que o teatrólogo Gil Vicente já fazia referência a ele na peça “Nau d’amores” , onde o dava como uma dança do Minho. São vários os tipos de viras conhecidos, entre eles o “vira antigo”, o “vira das sortes”, o “vira poveiro”, o “vira batido” e o “vira valseado”. Neste disco, estão reunidos os números mais populares do Rancho Folclórico da Casa dos Poveiros, tais como “O mar enrola na areia”, “Póvoa de Varzim”, “Dá cá um beijo” e “Corridinho”. É uma bela amostra do folclore musical português, que o TM põe agora ao nosso alcance.

o mar enrola a areia
vira ao desafio
pôvoa de varzim
dá cá um beijo
corridinho
vira da pôvoa do mar
pula puladinho
o mar e a areia
vira de proa
viva a pândega
bailai moças
sinos da nossa igreja


*Texto de Samuel Machado Filho 

Eumir Deodato – Os Catedráticos (1966)

Pianista, compositor, arranjador e produtor musical, Eumir Deodato de Almeida nasceu no Rio de Janeiro em 22 de junho de 1943. Participou da bossa nova e da efervescência do samba jazz no início da década de 1960, estabelecendo-se como requisitado arranjador. Em 1964, reuniu vários nomes famosos do samba jazz, como Geraldo Vespar, Wilson das Neves, Dom Um Romão e Ivan Conti (o baterista Mamão) para formar o grupo Os Catedráticos, com quem lança quatro LPs, inclusive este que o Toque Musical traz para seus amigos cultos e ocultos, editado pela Equipe em 1966. Em 1967, radicou-se nos EUA, onde trabalharia com diversos nomes de relevo da música mundial, como Aretha Franklin, Wes Montgomery e Frank Sinatra. Na década seguinte, conseguiu gravar e lançar seus discos internacionalmente, obtendo sucesso também como intérprete, com uma versão da introdução do poema sinfônico “Also sprach Zarathustra”, de Richard Strauss. Trabalhou em quase 500 discos, escreveu trilhas sonoras para vários filmes e recebeu diversos prêmios, entre eles 16 discos de platina e um Grammy, sendo considerado uma personalidade internacional no mercado norte-americano de música. Neste quarto álbum dos Catedráticos, temos músicas bastante conhecidas em ritmo de samba jazz, tais como “Ai que saudade da Amélia”, “Samba de verão” e “Tristeza”, grande sucesso de carnaval em 1966. É mais uma raridade que o TM apresenta com a satisfação de sempre.

ai que saudade da amélia
fora de tempo
samba de verão
começou a brincadeira
os grilos
até de cavalinho
ainda mais lindo
gente
mesmo amor
feitinha pro poeta
tristeza
 

*Texto de Samuel Machado Filho 

Serginho Meriti – Bons Momentos (1981)

Sérgio Roberto Serafim, ou Serginho Meriti, que o Toque Musical põe hoje em foco, é sinônimo de samba. É carioca de Madureira, nascido em primeiro de outubro de 1958, mas foi criado em São João do Meriti, na Baixada Fluminense, onde tomou gosto pela música. O pai, gaúcho, era violonista e boêmio, e a mãe era cantora e compositora de hinos religiosos. Como compositor, tem mais de 370 músicas, gravadas por nomes do porte de Alcione, Bebeto, Neguinho da Beija-Flor, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho. Este último é criador de inúmeras composições de Meriti, entre elas “Deixa a vida me levar”, que se tornou o hino do pentacampeonato mundial de futebol conquistado pelo Brasil, em 2002. Pois o TM apresenta hoje para seus amigos cultos e ocultos o primeiro LP de Serginho como intérprete, “Bons momentos”. Lançado pela Polygram em 1981, tem apenas oito faixas, e nessa ocasião ele estava incursionando pelo suingue à maneira de Jorge Ben Jor. Aliás duas músicas que fez em parceria com Bebeto, e também gravadas por ele, estão neste disco:  “Mona Lisa” e “Batalha maravilhosa”. Em suma, um trabalho que documenta o início de uma carreira bastante promissora. Ouçam e confirmem.

bons momentos
madureira
malandro velho
memórias de um neguinho poeta
neguinho poeta
mona lisa
serjane
tipo help
batalha maravilhosa

*Texto de Samuel Machado Filho

Cauby Peixoto – Só Sucessos (1986)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos mais um álbum de Cauby Peixoto (Niterói, RJ, 10/2/1931-São Paulo, 15/5/2016), um dos maiores e mais versáteis cantores de nossa música popular. É “Só sucessos”, gravado ao vivo no extinto restaurante Inverno & Verão, de São Paulo, em janeiro de 1986. Falar das qualidades de Cauby é absolutamente desnecessário, e este disco o apresenta em sua melhor forma, em hits como “Força estranha”, “Sangrando”, “Nunca” e a inevitável “Conceição”.  Sem sombra de dúvida, Cauby ficou para sempre na memória de todos aqueles que apreciam a arte de cantar no que ela tem de melhor e mais expressivo. É ouvir este disco e comprovar.

conceição
tudo lembra você – daqui pra eternidade
nada mais
el dia que me queiras
solidão
memory
sangrando
volver a empezar
folha morta
forças estranha
flor de lys
new york new york – conceição



*Texto de Samuel Machado Filho

ATENÇÃO!

Em destaque

PARA SE ASSOCIAR AO NOSSO GRUPO, O GTM, E PODER ACESSAR OS ARQUIVOS DESSAS POSTAGENS O INTERESSADO DEVE FAZER A SUA SOLICITAÇÃO FORMAL, ATRAVÉS DAS ORIENTAÇÕES QUE SE ENCONTRAM NOS TEXTOS LATERAIS. OS LINKS PARA DOWNLOAD ESTÃO NO GTM E FICAM ATIVOS POR UM TEMPO LIMITADO. NÃO HÁ MAIS REPOSIÇÃO DE LINKS POR SOLICITAÇÃO. POR ISSO, É BOM ACOMPANHAR SEMPRE AS POSTAGENS, POIS O TEMPO PASSA E A FILA ANDA. MAIORES INFORMAÇÕES, ENTRE EM CONTATO: toquelinkmusical@gmail.com

Geraldo Flach – Alma (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos novamente, entre falhas e atrasos, porém sempre vivo. Hoje trago para vocês um disco muito bacana de um dos grandes nomes da música gaúcha. Pianista, maestro, arranjador e compositor, Geraldo Flach é considerado o maior nome da música instrumental no Sul do país. Dono de um estilo muito pessoal, mistura elementos do folclore e da música urbana com uma concepção altamente jazzística, repleta de brasilidade. Geraldo tem músicas gravadas por Elis Regina, Emilio Santiago, Taiguara e Borghettinho, entre outros, somando ao seu currículo trilhas para cinema, ballet e especiais para televisão. Atuou no Brasil e no exterior com o seu quarteto ou em parceria com outros artistas de renome nacional e internacional. Até onde eu sei, gravou uns cinco discos, sendo este, “Alma”, seu primeiro lp, lançado em 1981. Um trabalho realmente envolvente. Confiram no GTM.

choro da alma

reencontro

parceira

fantasma

momento

vilarejo

último adeus

piano baião

solitude

c e b (duas meninas)

.

Jessé – O Sorriso Ao Pé Da Escada (1983)

Cantor dos melhores que nossa música popular já teve, Jessé volta a bater ponto aqui no Toque Musical. Desta vez, apresentamos “O sorriso ao pé da escada”, quarto álbum de carreira do cantor e primeiro dele gravado ao vivo, no Teatro Tuca de Guarulhos, Grande São Paulo, editado em 1983 pela RGE, com capa assinada por Elifas Andreato, também responsável pela criação e direção geral do espetáculo. Neste disco, Jessé está em sua melhor forma, apresentando sucessos de seu repertório (“Porto solidão”, “Voa liberdade”, “Solidão de amigos”) e de outros cantores, com direito até a uma homenagem a Elis Regina, ouvindo-se um pequeno trecho de “O bêbado e a equilibrista”, com ela mesma. Um trabalho primoroso, parte do precioso legado do inesquecível Jessé, tão prematuramente desaparecido, e merecedor de mais esta postagem do TM. 

a deusa da minha rua
moonlight serenade
concerto parta uma só voz
bridge over troubled water
let it be
rock around the clock
sabor a mi
dois pra lá dois pra cá
nos bailes da vida
campo minado
a noite do meu bem
meu mundo caiu
bandeira branca
romaria
onde está você
 


*Texto de Samuel Machado Filho

 

Grupo Acaru – Aqualouco (1981)

Um pouco da melhor música instrumental brasileira é oferecido hoje pelo Toque Musical a seus amigos cultos e ocultos. Trata-se do único LP do Grupo Acaru, intitulado “Aqualouco” e lançado em 1981, de forma independente, com distribuição da Fermata. O grupo era formado por Ruriá Duprat (teclados), Turquinho Alves (bateria), Marco Bosco (percussão) e José Pienasola (baixo elétrico). Este trabalho tem oito faixas, quase todas de Ruriá Duprat e uma de Marco Bosco, “Perdido no seringal”, que encerra o disco, com direito a improvisações sobre tema de Moacyr Santos. Entre os músicos convidados está o trombonista Bocato, sempre notável presença.  Maestro, compositor e tecladista, nascido em 1959, o carioca Ruriá Duprat vem de uma família de musicistas. É sobrinho inclusive do maestro Rogério Duprat e fundador da Banda Sonora Produções Artísticas. Estudou no Berklee College of Music ao ser contemplado com uma bolsa de estudos integral pelo renomado maestro e produtor norte-americano Quincy Jones. Já trabalhou com alguns dos maiores artistas nacionais e internacionais, e teve suas composições e arranjos executados por inúmeras orquestras no Brasil e no exterior. Fez ainda a trilha sonora de 18 filmes de longa metragem, 23 curtas e mais de mil fonogramas publicitários, além de vários trabalhos para CDs e DVDs. Enfim, uma credencial de peso para este disco do Grupo Acaru, mais uma raridade que o TM orgulha-se em oferecer.

aqualouco
morango platônico
sublime caroço
improvisações sobre tema de moacyr santos
havia láctea
alvorada em balda
temarisco
perdido no seringal



*Texto de Samuel Machado Filho 

Perfume Azul Do Sol – Nascimento (1974)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Hoje temos um disco que só viria a ser conhecido graças a internet e em especial aos blogs de compartilhamento musical. Por certo, muita coisa do mundo fonográfico só foi ressuscitado por conta desse resgate e talvez nos dias atuais sejam mais conhecidos do que em sua época. A banda Perfume Azul do Sol é um exemplo clássico do obscurantismo que agora vem a tona. Depois de bem divulgado nos blogs e sites de música nos últimos dez anos, ele finalmente recebeu uma segunda edição, também tímida, que creio eu, não chegou a 500 cópias. Segundo contam, “Nascimento”, embora bem produzido e lançado por uma grande gravadora, não passou de 120 cópias, as quais foram apenas distribuídas entre amigos. A banda também não durou muito, talvez somente o tempo de gravarem esse trabalho. O disco apresenta boas composições, passeando num misto de rock e mpb bem comum às bandas daquele período. Boas pitadas de guitarra para disfarçar um vocal que funcionaria melhor se fosse mpb. A banda ainda conta com a participação de Pedro Baldanza, do Som Nosso de Cada Dia e também Daniel Salinas, dando assistências musical nos metais e flauta. Taí, um disco que embora já bem rodado ainda faltava bater o ponto por aqui. Confira o cheiro no GTM. 😉

20.000 raios de sol
sopro
calça velha
deusa sombria
o abraço do baião
equilíbrio total
nascimento
pé de ingazeira
canto fundo
a ceia
 
 

.

Conjunto Bossa Jeca – Samba Jeca (1963)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Somando nossas fileiras, eu hoje trago para vocês o “Samba Jeca”, um disco muito interessante, lançado no início da década de 60, bem no auge da Bossa Nova. A ideia, concebida pela produção da RCA Victor tinha como figura central o grande Chiquinho do Acordeon que recrutou um excelente grupo de instrumentistas, formando assim o Conjunto Bossa Jeca. Conforme informa o texto da contracapa, trata-se de um trabalho que buscava mesclar o samba a música sertaneja, uma espécie de fusão entre o samba e o calango, misturando ritmos, criando assim um disco com resultados surpreendentes. E não é para menos, afinal, quem está por trás de tudo isso é outro fera, o multi-instrumentista Zé Menezes, quem também tocou e cuidou dos arranjos. As músicas são de autoria de José Messias, sim, aquele mesmo que fazia parte do corpo de jurados do programa do Silvio Santos. Não deixem de conferir, no GTM! Só para associados e agora, mais que nunca, em tempo limitado.

samba jeca
já deu meia noite
vergonha de ficar
canção de sofrer
não diga a ninguém
saudade da saudade
madrugada e amor
dorme
vez de voar
maria do mau fim
sereno 
receita


.

Feira Livre (1982)

Olá, amigos cultos e ocultos! O dia de hoje está bom para se fazer uma feira… Que tal então uma Feira Livre? Claro, estou falando do grupo vocal Feira Livre, formado ainda lá pelos idos dos anos 70. Um grupo acústico vocal que aqui comparece em seu segundo disco, um trabalho lançado em 1982. Pode parecer estranho eu não esclarecer melhor sobre esse conjunto e disco, mas na verdade, achei melhor deixar falar o texto da contra-capa. Tá tudo explicadinho. De cá, eu só posso garantir que se trata de um trabalho muito bacana e vale muito conhecer 😉

vida marvada
canção da seca
incertezas
deus é testemunha
nada
briga de faca
derramaro o gai
rio solitariio
entre os soluços da noite
retrato morto
o cearense
me sempre
 
 

Banco Da Lavoura – Compacto (1962)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Mantendo sempre a tradição de apresentar aqui coisas raras e curiosas, discos para se ouvir com outros olhos, hoje temos esse saudoso compacto do Banco da Lavoura. Certamente, muita gente ainda há de se lembrar, em especial os mineiros, pois o Banco da Lavoura foi criado em Minas Gerais, creio, ainda nos anos 40. Foi, sem dúvida uma das instituições financeiras mais importantes do Brasil. Nos anos 70 se transformou no Banco Real e hoje, ao que parece, pertence ao Santander. A relação do povo mineiro com este banco é muito forte, pois foi por um longo tempo o banco da família e porque não dizer, o banco da criançada. Digo isso porque foi o Banco da Lavoura quem criou a primeira agência infantil, ou seja, uma agencia bancária voltada para a poupança a partir da infância, isso no final dos anos 50. Para tanto, criaram campanhas publicitárias e até mesmo um setor dedicado a criançada, com direito a programas na televisão, suplementos literários, revistinhas, cofrinhos e este disquinho. Havia também na época, em Belo Horizonte, a TV Itacolomi, que ficava no Edifício Acaiaca e era lá que acontecia um programa infantil de muito sucesso, apresentado pela própria gerente do banco, a Dulce, ou como viria a ser conhecida, Tia Dulce, isso já no início dos anos 60. O presente disquinho, um compacto simples, foi lançado, acredito eu, por volta de 1961 ou 62 e traz duas músicas. A primeira e principal é a “Marchinha Banlavoura”, um jingles de autoria de Marina Aparecida Timponi, que era então funcionária recém contratada do banco. Contam que no segundo dia de trabalho ela fez a música, que logo se tornaria conhecida pelo Brasil. A outra faixa é “Na minha casa tem”, música de cunho folclórico-infantil, gravada anteriormente pelo Trio Irakitan nos anos 50. Taí um disquinho que vai fazer muita gente matar a saudade daqueles tempos que não voltam mais 🙂 Confiram no GTM.

na minha casa tem
marchinha do banlavoura


.

Irwin Wiener – Ao Piano – Ray-O-Vac (1968)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez por aqui temos um disco promocional da tradicional pilha Ray-O-Vac. Já postamos aqui alguns outros desses discos com o maestro Tibor Reisner, húngaro naturalizado brasileiro. Agora temos Erwin Wiener, um nome também pouco conhecido entre nós. Segundo a contracapa, “pertenceu au um grupo de pianistas internacionais e criou fama na Europa pelo seu estilo inconfundível, melódico e rítmico. Atuou durante muitos anos nas mais importantes emissoras do velho mundo. Em 1946 radicou-se no Brasil, aqui trabalhando em muitas boates, estações de rádio e televisão. Gravou vários lps pela Odeon, RGE, Fermata e Imperial.”
“Melodias para ouvir e dançar” segue o padrão de outros discos do gênero, uma seleção de temas famosos. nacionais e internacionais. Pessoalmente, achei o disco bem interessante, com arranjos envolventes e um repertório variado, sendo na maioria, duas músicas para cada faixa. Disquinho curioso, que vale uma conferida 😉

colonel bogey
sarie marie
valsa do imperador
amen
dominique
retorna aos meus braços
unchained melody
sukyaki
sonho azul
bolinha de sabão
pandeiro triste
java
kissin cousin
ritmo da chuva
31 sabores
sweet september
roberta
o terceiro homem
ha cha cha
sinos de lisboa
benfica


.