Orchester Kurt Edelhagen – Olympia Parede (1972)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aproveitando o clima de olimpíadas, vou hoje postando este lp, a título de curiosidade. Trata-se de um lp lançado na Alemanha, em 1972 pelo selo Polydor, promovendo as Olimpíadas de Munique que aconteceu naquele ano. Por sinal uma das edições mais conturbada da história dos Jogos Olímpicos, quando então ocorreu a invasão do grupo terrorista ‘Setembro Negro’ n

Marcos Sabino – Reluz (1982)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje trazemos a vocês o primeiríssimo álbum do cantor e compositor Marcos Sabino. Com o nome completo de Marcos Sabino Braga Ferreira, nosso focalizado veio ao mundo no dia 27 de janeiro de 1950, na cidade de Niterói, litoral fluminense. Tocando e compondo desde criança, integrou, ainda adolescente, um conjunto de rock chamado Os Inocentes. Depois, fez parte dos grupos Antares e O Circo. Em 1978, venceu o Festival de Miracema, interpretando a composição “Esperança”, de Salu (coincidentemente a faixa que encerra o presente álbum). Compôs em parceria com nomes de prestígio da MPB, tais como Dalto, Erasmo, Paulo Sérgio Valle e Sérgio Caetano. Algumas de suas composições fizeram sucesso nas vozes de cantores como Leonardo, Fábio Júnior, Jerry Adriani, Simony, a dupla Pepê e Neném  e ainda as bandas The Fevers, Asa de Águia, Harmonia do Samba e Fat Family. O primeiro e maior hit nacional de Marcos Sabino, ainda hoje na memória de muita gente, foi a balada romântica “Reluz”, dele mesmo sem parceria, em 1982. Lançada em compacto simples, daria título, mais tarde,  a este seu primeiro LP, com direção de produção a cargo de João Augusto, mais tarde proprietário da gravadora Deck Disc e da Polysom, única fábrica de discos de vinil em operação no Brasil, que fica na cidade fluminense de Belford Roxo.  Curiosamente, este disco saiu com apenas oito faixas, quatro de cada lado, como acontecia com os antigos LPs de dez polegadas. É que, na época de seu lançamento, o mercado fonográfico enfrentava, como agora,  uma crise, e, para baratear o custo de produção dos LPs, a Polygram (hoje Universal Music) resolveu lançar alguns títulos dentro do sistema New Disc, caso deste aqui. Evidentemente, a coisa não durou muito tempo. Ainda assim, é um trabalho primoroso e de qualidade, verdadeiro documento de uma estreia promissora.  Marcos Sabino ainda lançaria mais oito álbuns até 2005, e continua em franca atividade, mesmo não aparecendo muito na mídia. Atua, inclusive, como produtor de discos e compositor de jingles publicitários, além de realizar shows por todo o país. Já foi também presidente da FAN (Fundação de Artes de Niterói). Enfim, um artista de respeitável currículo, que o TM apresenta aqui em seu primeiro álbum.

 reluz
remanso
aquela paz
nicty city
correnteza
saindo pelo ladrão
rastro de estrela
esperança
.* Texto de Samuel Machado Filho

Vários – Moby Dick – The Alternative Compilation N. 1 (1987)

Salve, amigos cultos e ocultos! Nesta semana vamos ter por aqui alguns toques musicais diferentes e bem variados. As vezes eu fico um pouco cansado da programação convencional, daí é hora de darmos umas chacoalhadas. Mostrar outras facetas… 🙂
Abrindo, eu tenho aqui este curioso lp que saiu lá da Itália e veio parar aqui na minha mão, no prato do meu tocadiscos. Um disco importado, lançado nos anos 80. Uma coletânea, como se pode ver logo no subtítulo, ‘The alternative compilation N. 1’ reunindo seis grupos pops da cena ‘underground’ italiana da época. A curiosidade e razão desta postagem está por conta de um dos grupos da compilação, um conjunto chamado Belorizonte. Ao que tudo indica, parece ser um trio formado por músicos brasileiros, mais exatamente mineiros, talvez da capital, Beagá. Eles participam da coletânea com duas músicas, um samba e um jazz ‘funkiado’, algo bem diferente dos demais artistas que completam o seleção.

star of my life – eggstime
feeling action – eggstime
hooks of time – cacao
midnight sunsets – cacao
12 o’clock in the night – anytime
when i see you – los gemala
llego tarzan – loas gemala
nova ponte – belorizonte
black – belorizonte
love song – mon-ô
.

 

Xavier Cugat And His Orchestra – Samba With Cugat (1951)

Olá amigos cultos e ocultos! Depois de ouvirmos Bienvenido Granda, na interpretação do fabuloso Waldik Soriano, me deu vontade de trazer aqui um outro cubano. Mas tinha de ser dentro das condições de postagem do Toque Musical, ou seja, música brasileira ou alguma referência a ela. Foi daí que eu encontrei este disco de 10 polegadas do ‘bandleader’ cubano, Xavier Cugat. Lançado em 1951, pela Columbia, o disquinho nos traz um repertório com três clássicos da nossa música: “Brazil” (Aquarela do Brasil), de Ary Barroso; “Copacabana”, de Braguinha e “Tico tico” (Tico-tico no fubá), de Zequinha de Abreu. Há também um samba, “Papa knows” (Papai sabe) cujo o autor, segundo o selo é D. Alfonso, um nome o qual eu não consegui localizar e nem a música. O fato é que esta é a única música totalmente cantada em português. A propósito disso, de quem canta, o selo Columbia também nos informa, se chamar Fernando Alvares, outro nome do qual não existe informações, ma certamente é um cantor brasileiro.
Um fato curioso é que alguns críticos e artistas brasileiros consideravam o músico cubano um ‘amigo da onça da música popular brasileira’. Segundo uma manchete de jornal da época (1950), Xavier Cugat não gostava da música brasileira e dos poucos artistas que gravava, procurava sempre um arranjo puxado para a rumba, boleros e outros chachachás. E isso nos fica bem evidente neste disco. Trabalho competente, mas longe do que fizeram nossos ‘Severinos Araújos’.
A propósito, Xavier Cugat não era cubano. Era espanhol (tinha de ser). Nasceu e morreu na Espanha.

brazil
copabacabana
papa knows
cuanto le gusta
tico tico
in chi-chi-castenango
mary ann
i,yi, yi, yi, yi
.

 

Simonetti – É Disco Que Eu Gosto (1958)

A quem possa interessar… Aos amigos cultos e ocultos. Segue aqui este lp, lançado originalmente em 1958 pelo recém criado selo RGE. “É disco que eu gosto”, um título bem sugestivo, principalmente aqui no Toque Musical. Este era o nome de um programa de rádio na década de 50 e serviu de inspiração para a RGE que o adotou em seu lançamento com o maestro Enrico Simonetti. Não vou nem entrar em detalhes quanto a este maestro italiano que viveu no Brasil por quase 20 anos, pois todos aqui já sabem e se quiserem mais informações, basta ler essa contracapa. Só tenho a dizer que é um disco ótimo, não apenas pela regência e arranjos, mas também pelo repertório, bem variado, contemplando diferentes gêneros, nacionais e internacionais. Eu, em algum tempo atrás, postei aqui um outro disco do Simonetti com este mesmo título. Trata-se, por certo, de uma coletânea, reunindo músicas deste e do segundo volume, o qual eu postarei nos próximos dias. Aguardem

nel blu depinto di blu
cachito
lampião de gas
babalú
divino espírito santo
se alguém telefonar
torrero
peanuts
baião da serra grande
you are my destiny
till
é disco que eu gosto
.

Bibi Ferreira – Gota D’Água (1977)

A quem possa interessar… Tenho para hoje este disco dos mais interessante, trechos da peça “Gota D’Água”, de Chico Buarque e Paulo Pontes, baseado em “Medéia”, de Oduvaldo Vianna Filho, na magistral interpretação da grande dama do teatro, Bibi Ferreira. Um trabalho dirigido por Aloysio de Oliveira, com arranjos musicais de Dori Caymmi. A peça estreou em 1975 sob os olhos da censura que só permitiu a apresentação do trabalho com alguns cortes. Mesmo assim foi um sucesso. O drama adaptado fala de questões sociais e o pano de fundo é a favela, o morro carioca.

flor da idade
entrada de joana
monologo do povo
bemquere
desabafo de joana
joana e as vizinhas
gota d’agua
joana promete
basta um dia
ritual
veneno
morte
.

Nelson Ned – Tudo Passará (1969)

A quem possa interessar… Eis aqui um lp do cantor e compositor romântico Nelson Ned. Lançado em 1969 pelo selo Copacabana. Este foi o seu segundo lp e um dos mais importantes, o qual traz a sua composição de maior sucesso, “Tudo passará”, música que teve inúmeras gravações com diversos artistas. As demais faixas do lp são quase todas autorais, com destaque ainda para sua parceria com Agnaldo Timoteo, “Um recado para meu amor”. Há também uma versão para o hit “To sir, with love”, aqui chamada de “Ao meu amor”. Este disco é hoje uma raridade, disputado por muitos colecionadores, principalmente estrangeiros.

será será
hoje não volto mais pra casa
você não nasceu pra mim
tamanho nào é documento
o riso que eu perdi
camarim
alô, aqui sou eu
vou buscar meu amor
domingo a tarde
um recado para meu amor
ao meu amor
tudo passará
.

Os Saudosistas – Os Bons Carnavais De Ontem (1968)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem eu finalmente inaugurei a nova página do Toque Musical no Facebook. Eu já tinha uma com o perfil do Augusto, mas achei melhor fazer uma outra exclusivamente para replicar as postagens do blog. Agora, toda a vez que eu fizer uma postagem aqui, ela também será publicada lá no Facebook. Convido os amigos aqui a se ligarem neste novo canal. Curtam e passem a segui-lo. O endereço é www.facebook.com/blogtoquemusical.
Como estamos nos aproximando do Carnaval, eu vou logo esquentando os tamborins. Para preparar o espírito carnavalesco, nada melhor que revermos antigos carnavais. Recordar antigas marchinhas e começar a cair na folia.
Tenho para hoje este lp lançado pela Odeon, através de seu selo Imperial. Como de costume, os discos da Imperial nem sempre nos traz informações relevantes sobre o trabalho. Muitas vezes até, parece que buscam mesmo um certo mistério. “Os Saudosistas”, por exemplo, deve ter sido apenas um bom nome criado para dar uma certa identidade ao álbum. Mas aqui pouco interessa quem são, o que vale mesmo é o conteúdo musical. Neste caso, temos um desfile dos mais diferentes clássicos carnavalescos, em sua maioria das décadas de 30 e 40. Marchinhas e sambas arranjadas em forma de ‘pot-pourri’, dando às músicas uma dinâmica apropriada, sem pausa para o folião. O disco se divide em seis longas faixas, mas aqui eu preferi desmembrar uma delas, onde há um corte mal feito na edição, criei assim sete ‘pot-pourris’. Verificando aqui agora, percebo que este disco eu já havia postado. Porém, o original, lançado em 1959, apresenta uma outra capa e com outro nome (Carnaval de Outros Tempos). Seja como for, esta postagem tá valendo. Quem foi que disse que os discos aqui não voltam? Confiram!

madureira chorou
rosa maria
se é pecado sambar
madalena
tumba lê lê
deixa a lua socegada
saca-rolha
china-pau
zum zum
pescador
ai! morena
não me diga adeus
recodar
enlouqueci
vai que depois eu vou
é com esse que eu vou
general da banda
touradas de madrid
a mulher do padeiro
clube dos barrigudos
maria rosa
marcha do gago
império do samba
facão bateu embaixo
despedida de magueira
promessa
grau 10
eva querida
nós os carecas
segura essa mulher
daqui não saio
tomara que chova

 

 

Maria Creuza – Sedução (1981)

Maria Creuza Silva Lima. Este é o nome de batismo da cantora de quem o Toque Musical oferece hoje, aos seus amigos cultos, ocultos e associados, o álbum por ela gravado na RCA em 1981, “Sedução”. Maria Creuza veio ao mundo na cidade de Esplanada, na Bahia, no dia 26 de fevereiro de 1944. Aos dois anos de idade mudou-se com a família para Salvador. Quando cursava o ginásio, no Colégio Ipiranga, passou a se interessar por música, nas aulas de canto orfeônico. Ainda na adolescência, destacou-se como “crooner” do grupo Les Girls, o que lhe valeu convites para apresentações  em emissoras de rádio. Por quatro anos, apresentou na TV Itapoan (hoje Record Bahia) o programa “Encontro com Maria Creuza”, e começou em disco gravando músicas em inglês, contratada por uma gravadora local. Em 1965, conhece o compositor Antônio Carlos Pinto, da dupla Antônio Carlos e Jocafi,ainda iniciante como ela, com quem se casaria três anos mais tarde. Em 1966, participou do festival  O Brasil Canta, da TV Excelsior, defendendo uma composição de Antônio Carlos Pinto, “Se não houvesse Maria”, incluída um ano depois em seu primeiro LP, “Apolo 11”. Em 1967, no festival de MPB da Record, defendeu outra composição do futuro cônjuge, “Festa no terreiro de Alaketu”. Em fins de 1969, através do compositor Chico ‘Fim-de-Noite” Feitosa, conheceu o Poetinha Vinícius de Moraes, com quem,  um ano mais tarde, a convite dele, fez um show do qual também participou Dori Caymmi, em Punta Del Este, no Uruguai, gravado ao vivo e que marcou o início de uma feliz parceria com Vinícius. Sua discografia inclui quase 30 álbuns (em português e espanhol), entre LPs e CDs, e vários compactos, nela se destacando títulos como “Yo… Maria Creuza” (1972, considerado seu melhor trabalho em disco), “Eu disse adeus” (1973),  “Sessão nostalgia” (1974), “Maria Creuza e os grandes mestres do samba”, “Meia-noite” (1977),“Poético” (homenagem a Vinícius de Moraes, 1982), “Todo sentimento” (2003) e “É melhor ser alegre que ser triste” (outra homenagem ao Poetinha, 2007). Entre seus sucessos destacam-se “Maria vai com as outras”, “Desmazelo”, “Diacho de dor”, “Patota de Ipanema”, “Chega pra lá”, “Dom de iludir” e “Feijãozinho com torresmo”. Seu respeitável currículo inclui shows  dentro e fora do Brasil, e a cantora continua em franca atividade, alternando concertos no Vinícius Bar, do Rio de Janeiro, e apresentações pela Europa.
Este “Sedução”, de 1981, é dedicado por Maria Creuza a seus filhos e,por tabela, à família, e também à presença em seu coração do Poetinha Vinícius de Moraes, morto no ano anterior. Com produção de Dori Caymmi e Raymundo Bittencourt (que também assinam os arranjos,ao lado de Lincoln Olivetti e João Luiz Avelar),tem um repertório romântico de bom gosto, como de hábito nos trabalhos da cantora. Regravações de “Me deixa em paz” (Monsueto), “Frenesi”, “A felicidade”, “Alumbramento”, “Caminhos cruzados” e “Dejame ir”, alternam-se com outras páginas então inéditas em disco, inclusive uma composição da própria Maria Creuza, em parceria com Zé do Maranhão, “Regras de um jogo”. Curiosamente, no coro, está nada mais nada menos do que Jane Duboc! Enfim, um trabalho impecável e imperdível da notável Maria Creuza, que o TM hoje nos oferece.
me deixa em paz
tordesilhas
deixe
dejame ir
caminhos cruzados
frenesi
alumbramento
regras de um jogo
assovio
 a felicidade

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

4 Ases & 1 Coringa (parte 1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 120 (2014)

Prosseguindo sua brilhante trajetória, o Grand Record Brazil, em sua edição de número 120, apresenta a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos maiores conjuntos vocais e instrumentais que o Brasil já teve: os Quatro Ases e um Coringa. A história do grupo começa em 1939, quando os irmãos cearenses Evenor, Permínio e José Pontes de Medeiros, que estudavam no Rio de Janeiro, decidiram formar um quarteto vocal e instrumental juntamente com seu amigo Andre Batista Vieira, o Melé. Dois anos mais tarde, após formar-se em Química, eles viajaram para Fortaleza, apresentando-se na Ceará Rádio Clube com o nome de Bando Cearense (Evenor e José aos violões, Permínio na gaita e André ao pandeiro, além, é claro, dos vocais). Foi então que se juntou a eles o violonista e vocalista Esdras Falcão Guimarães, o Pijuca. Por sugestão do poeta e jornalista Demócrito Rocha, eles passaram a se chamar Quatro Ases e um Melé. De volta ao Rio, apresentaram-se por três meses na Rádio Mayrink Veiga, mas não houve contrato. Foram então encaminhados à Rádio Tupi por João Dunmar, diretor da Ceará Rádio Clube, que estava no Rio por acaso, e substituiu o termo “melé” por “coringa”, termo mais conhecido no sul, que, no baralho, significa a mesma coisa. O sucesso foi imediato. No primeiro disco, lançado pela Odeon em setembro de 1941, sem menção no selo, acompanharam Dircinha Batista nos sambas “Ele disse que dá” e “Costela de cera”. Estreia pra valer acontece em novembro do mesmo ano, quando a “marca do templo” lança “Os dois errados”, e, do outro lado do disco, “Dora, meu amor”.  O grupo teve inúmeros sucessos,tais como: “No Ceará é assim”, “Onde estão os tamborins?”, “Baião”, “Terra seca”, “É com esse que eu vou”, “Siridó”, “Cabelos brancos”, “Eu vi um leão”, “Trem de ferro”, “Eu vou até de manhã”, “Chega, chega, chegadinho”, “Marcha do caracol”, “O periquito da madame”,  “Apanhador de papel”.  Em 1945, fizeram uma longa temporada no Prata, principalmente na Argentina, seguida do Chile. No cinema, atuaram nos filmes  “Fogo na canjica”, “Essa é fina”, “Aviso aos navegantes” e “Tudo azul”. Em 1952, o Coringa André desligou-se do conjunto, e outros três o sucederam: Jorginho do Pandeiro, Nilo Falcão e,por último, Miltinho. Nessa ocasião,a carreira do conjunto começa a declinar,até sua dissolução, nos anos 1960. Em cerca de vinte anos de carreira, os Quatro Ases e um Coringa gravaram mais de100 discos em 78 rpm, nos selos Odeon, RCA Victor, Mocambo, Todamérica e Marajoara, além do LP “É com esse que eu vou”, também pela Odeon, com regravações, e alguns compactos. Só lançariam um segundo e último LP em 1975, “Novamente… Quatro Ases e um Coringa”, selo Alvorada/Chantecler, e depois sairiam de cena definitivamente.
Nesta primeira parte, o GRB oferece catorze preciosas gravações dos Quatro Ases e um Coringa, verdadeiras joias da música popular brasileira, a maior parte em gravações Odeon. Abrindo o programa,”Terra seca”, samba que Ary Barroso considerava sua obra-prima, inspirado na triste fase da escravidão dos negros no Brasil. O grupo cearense o imortalizou na “marca do templo”  em 20 de setembro de 1943,com lançamento em novembro do mesmo ano, disco 12375-A, matriz 7387. Da dupla Bide-Marçal, autora de sambas clássicos da MPB, é “Pra que chorar?”, também samba, este do carnaval de 1943, gravação de 27 de outubro de 42, lançada ainda em dezembro, disco 12235-A, matriz 7121. Outro clássico é o balanceio “Eu vou até de manhã”, do cearense (como eles) Lauro Maia, gravado em 8 de fevereiro de 1945 e lançado em abril do mesmo ano sob número 12568-A, matriz 7760. Temos depois a deliciosa marchinha “Pica-pau”, outra composição do mestre Ary Barroso, do carnaval de 1942, gravação de 14 de novembro de 41, lançada um mês antes da folia, em janeiro, com o número 12096-A, matriz 6849. “Barão das cabrochas” é outro samba da grande dupla Bide-Marçal aqui incluído, sucesso do carnaval de 1946. Os Quatro Ases e um Coringa o imortalizaram  em 22 de novembro de 45, e o lançamento se deu um mês antes do carnaval, em janeiro, disco 12655-A, matriz 7939. Depois tem… “Feijoada”! É uma marchinha de Rubens Soares, gravada  em 2 de fevereiro de 1943 e lançada em março seguinte com o número 12277-A, matriz 7196. Torcedor fervoroso do América Futebol Clube, Lamartine Babo compôs os hinos não só desse como também de todos os grandes clubes do futebol carioca. Caso do famoso “Sempre Flamengo” (“Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer”), marcha-hino que os Quatro Ases e um Coringa imortalizaram na “marca do templo” em 2 de dezembro de 1944, com lançamento em janeiro de 45, disco 12541-B, matriz 7719. Do carnaval de 1947 é a marchinha “O periquito da madame”, de Nestor de Holanda, Carvalhinho e Afonso Teixeira, um sucesso que o grupo cearense gravou na Odeon em 9 de julho de 46 (vejam só a antecedência!) com lançamento ainda em novembro, disco 12735-B, matriz 8070. Do carnaval de 1943 é a marchinha “Deixai para mim as cabrochinhas”, de Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano, gravada na “marca do templo” em 21de novembro de 42,lançada um mês antes da folia, me janeiro, disco 12246-A, matriz 7150. “A ribeira do Caxia” é uma “ligeira” de Lauro Maia, gravação de 29 de junho de 1945, lançada em agosto seguinte sob número 12612-A,matriz 7868. Lançado em 1945 por Manezinho Araújo, o “calango mineiro” “Dezessete e setecentos”, motivo folclórico adaptado por Luiz Gonzaga e Miguel Lima, foi regravado pelos Quatro Ases e um Coringa em 18 de abril de 1947, com lançamento em julho seguinte com o número 12784-B, matriz 8213 (conta errada, mas sucesso certeiro). As duas últimas faixas são da safra do grupo cearense na RCA Victor. “Xaxado”, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, é gravação de 14 de maio de 1952, lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0938-B, matriz SB-093346, merecendo logo em seguida registro do próprio Gonzagão. O xaxado é definido como “primo do baião” e foi divulgado pelo Nordeste do Brasil por Lampião e seu bando de cangaceiros. O nome da dança é derivado da onomatopeia xa-xa-xa, que os dançarinos fazem ao arrastar as alpercatas no chão. Por fim,o samba “Boneca de pano”, de Assis Valente, considerado seu último grande sucesso como compositor. Os Quatro Ases e um Coringa o imortalizaram na marca do cachorrinho Nipper em 10 de julho de 1950, com lançamento em setembro do mesmo ano sob número 80-0693-B, matriz S-092712. E na próxima semana traremos mais gravações desse notável conjunto cearense. Aguardem!
*Texto de  SAMUEL MACHADO FILHO.

Maysa (1969)

Sem sombra de dúvida, Maysa Figueira Monjardim (1936-1977) foi uma figura singular na história da música popular brasileira. E, como tal, teve uma vida atribulada, como bem frisado na resenha da edição do Grand Record Brazil que lhe dedicamos. Seu estilo singular de composição e interpretação, que a fez um dos maiores nomes da canção intimista,  influenciou ao menos meia dúzia de músicos de sua geração, e principalmente os que surgiram muito depois dela, tais como Ângela Rô Rô, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Simone e até mesmo Cazuza e Renato Russo. Em 1969, após residir por cinco anos na Espanha, Maysa  retornou definitivamente ao Brasil, bem mais magra,animada e alegre. Dizia ter perdido não quilos mas litros, em inúmeras clínicas de emagrecimento. É desse ano o álbum que o Toque Musical apresenta a hoje a seus amigos cultos,ocultos e associados. Mas, como ela mesma escreveu na contracapa, “eu nunca parti. Eu fui ali e já vim. Eu nunca parti. Eu só reparti. Só não reparti partidas. E nem sempre quem reparte fica com a melhor parte. Eu por exemplo fiquei com o pior. Fiquei com as saudades de vocês”. E não gostava da palavra “volta”.  Quem está na foto da capa com ela é o filho Jayme Monjardim, mais tarde talentoso diretor de programas de televisão, em especial novelas e minisséries (como a que focalizou a própria mãe, na Globo, em que Larissa Maciel a encarnou à perfeição). Gravado na extinta Copacabana, este disco, o décimo-quinto álbum de carreira, mostra uma Maysa bastante afinada com as manifestações musicais que ocorriam à sua volta.  Tanto que os acompanhamentos foram entregues a músicos de extrema competência e bastante conceituados, Antônio Adolfo e Egberto Gismonti, além dos então já veteranos Lindolfo Gaya e Severino Filho. São doze músicas de compositores que ainda iniciavam sua trajetória na MPB e eram ainda pouco conhecidos, mas que iriam se consagrar com o tempo. O próprio Antônio Adolfo assina três faixas em parceria com Tibério Gaspar: “Rosa branca”, “Tema triste” e “Você nem viu”.O irmão de Antônio Adolfo, Ruy Maurity (responsável por hits como “Serafim e seus filhos” e “Nem ouro nem prata”) assina,em parceria com José Jorge, “Estranho mundo feliz” (que parece ser obra da própria Maysa, dada sua personalíssima interpretação) e “Quebranto”. Egberto Gismonti  (que mais tarde faria bem-sucedida carreira internacional) vem com “Um dia” e “Indí”, esta em parceria com Arnoldo Medeiros, cujas letras, sensíveis e muito singelas, chegam a abordar elementos da natureza, o que iria caracterizar a obra de Gismonti futuramente. A faixa de abertura, “Pra quem não quiser ouvir meu canto”, é de César Roldão Vieira”, nome que então começava a se destacar em festivais de MPB.  O recém-falecido Nonato Buzar assina “Canto de fé”, em parceria com Willian Prado, Paulinho Tapajós vem com “Catavento”, que fez com Arthur Verocai, e Durval Ferreira comparece com “Eu e o tempo”, parceria com Flávia,que também assina “Imensamente”, junto com Hedya. O resultado disso tudo é um dos trabalhos mais delicados e modernos de toda a carreira de Maysa, verdadeiro achado em sua discografia, com sua sonoridade suave e sofisticada. Um trabalho irretocável de ponta a ponta, da primeira à última faixa, sendo impossível não se encantar. E, como ela mesma escreveu na contracapa, “agora, muito simplesmente, eu quero pedir a vocês que me ouçam”…

pra quem não quiser ouvir meu canto
estranho mundo feliz
catavento
rosa branca
tema triste
eu e o tempo
um dia
imensamente
canto de fé
indi
quebranto
você nem viu

* Texto de Samuel Machado Filho

Alvarenga & Ranchinho – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 105 (2014)

O Grand Record Brazil está de volta, após uma semana de recesso, desta vez trazendo de volta os “milionários do riso”: Alvarenga e Ranchinho, sem dúvida uma das duplas sertanejas mais famosas e queridas do Brasil. A dupla era formada por Murilo Alvarenga, nascido na cidade mineira de Itaúna, em 22 de maio de 1912, e Diésis dos Anjos Gaia, paulista de Jacareí, nascido em 23 de maio de 1913. Após o falecimento de sua mãe, Murilo passou a residir no Brás, bairro italiano de São Paulo. Trabalhava em circos como trapezista ao lado de seus tios, e ainda cantava tangos. Diésis atuava como cantor na Rádio Clube de Santos, apresentando um repertório romântico, e uma de suas músicas prediletas era “No rancho fundo”, de Ary Barroso e Lamartine Babo, sendo por isso apelidado de “Rancho”. Em 1928, durante uma seresta em Santos, Murilo e Diésis resolveram cantar juntos. Murilo aproveitou o sobrenome Alvarenga, e Diésis, conhecido como “baixinho” em função do porte físico, aproveitou o apelido das serestas e pôs no diminutivo – Ranchinho.  De início apresentavam-se em circos, com um repertório variado (valsas, modinhas, tangos, chorinhos), contando “causos” e piadas entre uma  música e outra, sempre garantindo o riso e a diversão do público.  É em 1933 que a dupla começa efetivamente sua carreira, atuando no Circo Pinheiro, em Santos. Mais tarde, seguem para São Paulo, apresentando-se na Companhia Bataclã. Um ano depois, ingressam na PRA-5, Rádio São Paulo (“a voz amiga”), a convite do maestro da orquestra da emissora, Brenno Rossi.  Em 1935, Alvarenga e Ranchinho venceram o concurso de músicas carnavalescas  da prefeitura de São Paulo com a marchinha “Sai, feia”, gravada por Raul Torres. Mais tarde, conhecem o compositor Silvino Neto e formaram o trio Mosqueteiros da Garoa, de curta duração. Um dia, a dupla passeava pelas ruas de violas na mão, quando foi vista pelo Capitão Furtado e, a convite deste, participou  do primeiro filme falado produzido em São Paulo, “Fazendo fita”, substituindo Mariano e Caçula, que desistiram de atuar no mesmo em virtude do atraso nas filmagens. Em 1936, a dupla chega ao Rio de Janeiro para uma temporada na Casa de Caboclo,uma casa noturna erguida no lugar do antigo Teatro São José,e ingressam na Rádio Tupi, com apresentações no programa “Hora do Guri”. Nesse ano, gravam seu primeiro disco, na Odeon,  com a moda de viola “Itália e Abissínia” e o cateretê “Liga das Nações”.  Em 1937, já consagrados, Alvarenga e Ranchinho são contratados pelo Cassino da Urca, onde permanecem até a proibição do jogo no Brasil, em 1946. Em 1938, obtêm êxito no carnaval com a marchinha “Seu condutor”, deles com Herivelto Martins, e nesse ano Ranchinho se desliga pela primeira vez da dupla. Alvarenga passa a cantar com Bentinho e forma o grupo Alvarenga e sua Gente. Mas, em 1939, Alvarenga e Ranchinho recompõem a dupla, que um ano mais tarde grava um de seus maiores hits, “Romance de uma caveira”. Em suas apresentações, o forte da dupla eram as sátiras políticas, com a diversão do público e o consequente descontentamento de alguns políticos atingidos. Inclusive o então presidente Getúlio Vargas, e a dupla passou a enfrentar problemas com o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão de censura do Estado Novo. Porém, certa vez, no dia do aniversário de Getúlio, 19 de abril, sua filha Alzira Vargas  convidou Alvarenga e Ranchinho para cantar no Palácio do Catete. Após ouvir a dupla, inclusive as sátiras que o atingiam diretamente, Getúlio acabou gostando e decidiu liberar suas músicas. Após uma excursão pelo Rio Grande do Sul, são contratados pela Rádio Mayrink Veiga, onde recebem o título de “Milionários do Riso”, tendo atuado também na lendária Rádio Nacional. Em 1950, apresentaram-se no Cassino Estoril, dePortugal, e, nessa época, são contratados pela Rádio e Televisão Tupi, juntamente com seu descobridor, o Capitão Furtado, “a trinca do bom humor”. Na década de 50, Diésis novamente deixa de cantar com Alvarenga por dois meses, desta vez substituído por Delamare de Abreu,  irmão de Alvarenga por parte de mãe, que mais tarde deixou a carreira artística e virou pastor protestante. Em 1965, Diésis, o primeiro Ranchinho, abandona definitivamente Alvarenga, sendo substituído por Homero de Souza Campos, que já integrara o Trio Mineiro, ao lado de Bolinha (Euclides Pereira Rangel) e Cosmorama. A 18 de janeiro de 1978, em São Paulo, Alvarenga falece, encerrando definitivamente a dupla. Diésis dos Anjos Gaia, o primeiro Ranchinho, continuou a se apresentar solo, inclusive participando, em 1981-82, do programa “Som Brasil”, apresentado por Rolando Boldrin na TV Globo. Diésis faleceu em 5 de julho de 1991. Nesta edição do GRB, apresentamos alguns dos melhores momentos da vitoriosa carreira de Alvarenga e Ranchinho, perfazendo um total de dezesseis faixas, todas em gravações Odeon. Abrindo esta seleção, justamente o lado A do primeiro disco da dupla, a moda de viola “Itália e Abissínia”, deles mesmos mais o Capitão Furtado, abordando o conflito entre os dois países, que precederia a Segunda Guerra Mundial.  Histórica gravação de 16 de março de 1936, lançado em maio do mesmo ano, disco 11342-A, matriz 5286. “O divórcio vem aí”, de Alvarenga, Ranchinho e mais ninguém, reflete uma das muitas ocasiões em que o tema estava na pauta das discussões, em gravação datada de 11 de julho de 1939 e lançada em setembro do mesmo ano sob n.o 11757-A,matriz 6153. Em seguida temos o lado B desse disco, o cateretê “Nóis em Buenos Aires”, também de composição própria, matriz 6154, concebido após uma temporada de sucesso na capital argentina.  A moda de viola “Racionamento de gasolina”, de Palmeira e do Capitão Furtado, retrata uma situação decorrente da Segunda Guerra Mundial, com o uso pelos automóveis de gasogênios (aparelhos que substituíam gasolina por gás).  Alvarenga e Ranchinho a gravaram na ”marca do templo” em 13 de julho de 1942, com lançamento em setembro do mesmo ano sob n.o 12195-B, matriz 7013. Também do Capitão Furtado e Palmeira, agora com a companhia de Piraci (Miguel Lopes Rodrigues), é a moda de viola “Você já viu o cruzeiro?”, outra crônica musical  em que se aborda a implantação do cruzeiro como moeda nacional (após frustrada tentativa no governo de Washington Luís), gravação de 15 de setembro de 1943, lançada em novembro do mesmo ano, disco 12376-B, matriz 7384. Uma das muitas homenagens musicais prestadas à capital paulista, o samba “Eh! São Paulo”, da própria dupla, é conhecido até hoje, e foi gravado em 13 de dezembro de 1943, com lançamento em março de 44, disco 12423-B, matriz 7449. A divertida moda de viola “Liga dos bichos”, dos próprios Alvarenga e Ranchinho mais o Capitão Furtado, foi lançada originalmente  na Victor, em 1936. Aqui,a segunda gravação, feita na Odeon em 27 de fevereiro de1948 e só lançada em maio de 49 sob n.o 12933-A, matriz 8322. Composta e gravada na época do Estado Novo, a moda de viola “História de um soldado”, de Alvarenga  sem parceria,  foi vetada pela censura na época. Mas, em  5 de fevereiro de 1953, Alvarenga e Ranchinho fazem nova gravação, esta sim lançada em disco, em maio do mesmo ano, com o n.o 13437-B, matriz 9615, e com o título alterado para “História de um palhaço’ (!).  “Dança do chegadinho” é uma marchinha do carnaval de 1942. Assinada pelos próprios Alvarenga e Ranchinho, foi por eles gravada em 19 de novembro de 41, com lançamento pela  “marca do templo” um mês antes dos festejos de Momo, em janeiro, sob n.o 12102-A, matriz 6857. A rancheira “As três festas”, também composição própria da dupla, é gravada em 16 de abril de 1941, mas só chega as lojas em março de 42, no disco Odeon 12124-B, matriz 6614. Em seguida, temos o clássico “Tico-tico no fubá”, “choro sapeca” de Zequinha de Abreu, originalmente lançado em 1932 pela Orquestra Colbaz, apenas instrumentalmente. Com o subtítulo de “Vamos dançar, comadre” e com letra de Alvarenga, é por ele gravado com Ranchinho na Odeon em 27 de julho de1942, com lançamento em outubro do mesmo ano sob n.o  12202-A, matriz 7021 (a letra mais conhecida, porém, é a de Eurico Barreiros, gravada no mesmo ano por Ademilde Fonseca). A “Valsa do assobio”, dos próprios Alvarenga e Ranchinho, é por eles gravada em 16 de abril de1941, mas só sai em março de 42 sob n.o 12124-A,matriz 6615. O cateretê “Fogo no canaviar”, outra composição própria da dupla, é gravação de 13 de dezembro de 1943, só lançada em junho de 44, disco 12449-B, matriz 7450. “Vamos arrastar o pé”, de Alvarenga e Chiquinho Sales, é uma marchinha do carnaval de 1943, que os “milionários do riso” gravam na “marca do templo”  em 13 de novembro de 42 com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 12248-B, matriz 7140. As duas últimas faixas mostram a veia romântica de Alvarenga e Ranchinho.   A rancheira “Adeus, Mariazinha”, de Fausto Vasconcelos, é gravada pela dupla em 25 de janeiro de1944,com lançamento em maio do mesmo ano, disco 12442-B, matriz 7480. E, por fim, encerrando esta seleção do GRB, a valsa “Aquela flor”, da própria dupla, gravação de 13 de julho de 1942, lançada somente em outubro de 44, disco 12498-A, matriz 7011. Enfim,uma retrospectiva bastante expressiva da carreira de Alvarenga e Ranchinho, os eternos e insubstituíveis “Milionários do Riso”! 

*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

 

Jorge Autuori Trio (1967)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje vamos com Jorge Autuori Trio. Este é outro dos muitos discos que eu sempre fiquei de postar, mas diante a badalação (merecida) em tantos outros blogs, preferi deixá-lo para um outro momento. E o momento é agora. Jorge Autuori é um desses artistas que a gente só conhece pela fama de seus discos. Vá pesquisar sobre ele no Google e o máximo que irá encontrar são textos sempre baseados nas informações do próprio álbum. O pouco que se sabe é que ele gravou alguns discos na década de 60, todos, por sinal muito bons. Eu só conheço três, dois pela Mocambo e um outro pela RCA. O mais curioso é que esses discos vieram a ser relançados também em cd. Os da Mocambo/Rozenblit, parece, só saiu lá fora, no mercado estrangeiro (sabe-se lá, com autorização de ninguém). O “Ovalô”, da RCA, foi relançado há uns dez anos atrás e ganhou o mundo. Ainda se encontra o cd para compra com certa facilidade. O álbum que aqui eu apresento foi o primeiro. Lançado em 1967, o lp nos traz um repertório interessante, como se pode ver logo a baixo. Coisa bem ao jeito de um disco onde o cabeça é um baterista (vejam o exemplo do Milton Banana). Músicas variadas, mas privilegiando a sonoridade instrumental e melódica. Na contracapa temos um pequeno texto de apresentação feito por Lúcio Alves, que conforme relata, conheceu Jorge Autuori no Rio, na boate Stork Club, “a única boite diurna da America do Sul”. Jorge Autuori e seu conjunto, na década de 60, tocou em várias casas noturnas e restaurantes da cidade. Quem viveu no Rio nessa época e frequentava a ‘night’ deve se lembrar dele.

triste madrugada
there’s a kind of rush
tem mais samba
o caderninho
despedida da mangueira
samba com molho
palmas no portão
never never
fechei a porta
capoeira de oxalá
ilusão demais
tema de nós três
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Arrigo Barnabé – Suspeito (1987)

Olá, amigos cultos e ocultos! A sexta feira já está indo embora e eu ainda nem fiz a postagem do dia. Isso, para não falar que eu ainda tenho compromisso daqui a pouco com uma loira gelada no bar da esquina. Mas  antes, vou deixando aqui o nosso toque musical.
Vamos com o Arrigo Barnabé em seu álbum de 1987, lançado pelo selo 3M. “Suspeito”é um álbum suspeitamente romântico. Uma fase em que o artista devia estar vivendo altas paixões em sua vida. Ou seriam os seus parceiros? Eu imagino que em parcerias o Arrigo se dedica mais à música do que a letra. Mesmo assim, fica clara a sua intenção de fazer um disco em que o foco é o amor, as relações amorosas e coisa e tal… Pessoalmente, eu gosto tanto das músicas, quanto das letras. Porém esse uso de teclados sintentizados, muito comum nos anos 80, mata qualquer música. Já falei disso outras vezes. O jeitão da música nos anos 80 nunca me convenceu, só na época mesmo. Mas independente do meu gosto pessoal, o trabalho tem muita qualidade, como cabe a um artista do calibre do Arrigo. Quando se faz um disco como “Clara Crocodilo”, qualquer outro que não estiver no mesmo nível pode parecer suspeito.

êxtase
amor perverso
suspeito
a serpente
mr. walker e  garota fantasma
uga uga
diabo no corpo
dedo de deus
so cool
já deu pra sentir
tchau touxa
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Guerino Tyrone E Sua Orquestra – Tyrone Apresenta Sua Sensacional Orquestra Em Hi-Fi (196?)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! Me fazendo o dono do tempo, vou agora, num último instante apresentar o toque musical do dia. Olha só, já que estamos numa onda de orquestras, instrumentistas, discos raros e porque não dizer, ‘ocultos’, aqui vai mais um ‘missão impossível’: Tyrone e Sua Orquestra. Alguém aí conhece? Tenho certeza que poucos ou nenhum irá se manifestar. Esse aqui é o ‘cabra’! Informação sobre este artista, só mesmo na contracapa de seu excelente lp. Guerino Tyrone, seguindo o texto da contracapa, foi um saxofonista (multinsturmentista) paulista que atuou em cassinos pelo Brasil e América do Sul na década de 40. Formou também a sua orquestra com a qual ele nos brinda com este trabalho. Segundo ainda informações interessantes da contracapa, o ‘bandleader’ procura prestar uma homenagem aos autores do Sociedeade Independente de Compositores e Autores Musicais””- SICAM. Todas as músicas que compoe o repertório do álbum são de autores desta entidade. E são músicas muito boas. Disco bacana, vale uma conferida 🙂

adeus cantereira
o mais lindo amor
professora
quando amanhece
sam-bar
sonho que sonei
lavadeira
muler
o passado nào importa
irene
um amor assim assim
histórias iguais
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Toque Musical – 6 Anos!

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje, dia 29 de julho, o blog Toque Musical está completando 6 anos de atividades. Ao longo desse tempo muita água boa rolou. A fonte aqui é natural e da melhor qualidade e talvez por isso mesmo é que saímos do ‘badalado’ para o ‘cultuado’, para poucos. Tivemos aqui várias mudanças, inclusive de endereço por conta de algumas perseguições. Quando se chega ao topo ficamos também sujeitos a muita exposição. Percebo também que o Toque Musical fez escola, muitos outros blogs surgiram buscando um mesmo formato, usando uma mesma forma de apresentação e publicando inclusive muito do que já postei aqui. Acho isso muito legal, pois vejo o quanto o TM foi influente.
Mas, se é bom por um lado, por outro nem sempre. Muitas vezes o TM se tornou alvo do despeito, da falta de compreensão e de algumas baixarias. Tivemos momentos que eu realmente fiquei desanimado, mas não vacilei, mantive o blog e as postagens diárias. Por conta dos boicotes, das denúncias infundadas, das perseguições num geral, criei outras versões do blog e as mantive abertas ao público. Hoje temos três versões do Toque Musical, as quais os amigos podem recorrer: “Toque Musical Refinado“, onde são postadas as produções exclusivas do TM; o “Toque Musical Galeria“, que é a versão blogspot da matriz atual, o “TM site“.
Tem muita gente que acha complicado o funcionamento do Toque Musical, mais ainda depois que criei o GTM (Grupo do Toque Musical). Sinceramente, eu não queria complicar, mas diante à perseguição aos meus links, me vi obrigado a criar esse grupo que tem a função única de preserva-los. Limitei o meu público, mas mantive a minha rotina. Por conta também de denúncias, praticamente quase todos os meus arquivos foram perdidos. Até hoje ainda estou fazendo a reposição. Os pedidos não param de chegar e como sou sozinho nessa empreitada, tudo acaba sendo muito devagar. Não tenho como atender a todos de imediato. Além do mais, tem as postagens diárias, essas são prioritárias!
Infelizmente a maioria dos visitantes no blog não tomam o trabalho de ler as postagens e muito menos as orientações para se ingressarem no GTM. Daí, me trazem mais trabalho tendo que explicar repetidas vezes a mesma coisa. De uns tempos pra cá passei a não mais responder perguntas cujas respostas são óbvias e se encontram explícitas no TM.
Continuo a peleja, mas sempre preservando o essencial prazer de fazer o blog como eu gosto e posso. Não mais estou interessado em atingir um grande público e nem peço mais um ‘feedback’ em comentários.
O Toque Musical é apenas um local onde se escuta música com outros olhos. Infelizmente, poucos são aqueles que conseguem ouvir isso. Mas tá valendo…
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Getúlio O Assoviador (1978)

Olá amigos cultos e ocultos! Estou trazendo hoje um disco muito interessante, que com certeza irá agradar.
Na década de 70, quando selos e gravadoras ainda ditavam a música, surgia no Rio Grande do Sul a ISAEC Gravações e Produções e um de seus primeiros lançamentos foi o disco, também de estréia, de Getúlio Rubens dos Santos, mais conhecido como `Getúlio, o assoviador`. O cara é mesmo um fera no trinado. Assovia como poucos, mantendo uma técnica impecável no sopro. Haja fôlego também! O que faz o trabalho ser interessante é o fato de que Getúlio utiliza seu sopro de maneira acertada, como qualquer outro instrumento musical, interpretando um repertório agradável, que passa por gêneros variados, como se pode ver logo a baixo. Aliás, é bom lembrar que o nosso assoviador aqui não se apresenta sozinho e isso  é que faz o disco ser ainda mais legal. As músicas são apresentadas tendo como base e acompanhamento um excelente grupo instrumental. Pelo que vi aqui no Google, Getúlio gravou outros discos e este seu primeiro lp chegou a ser relançado em formato cd há algum tempo atrás. Ainda é possível encontrar seus discos para compra, principalmente no Mercado Livre. Tenho certeza que logo ao começar a primeira faixa vai estar todo mundo fazendo biquinho. Canta passarinho!

o barquinho
além do arco íris
sabora a mi
vê se gosta
gente humilde
nunca
samba de uma nota só
carinhoso
valsa de uma cidade
tico tico no fubá
maria helena
duas contas
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Jacob Do Bandolim 7 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol 54 (2013)

E chegamos à edição número 54 do Grand Record Brazil. Uma trajetória muito boa, mas certamente iremos muito além, graças a vocês, nossos amigos cultos, ocultos e associados que tanto nos prestigiam. Aqui, encerramos a nossa retrospectiva dedicada ao mestre Jacob do Bandolim, apresentando mais preciosos fragmentos extraídos de suas apresentações radiofônicas.
Nas primeiras faixas, apresentamos excertos de uma apresentação feita por Jacob na Rádio Bandeirantes de São Paulo, então conhecida como “a mais popular emissora paulista”, no ano de 1962, quando a emissora funcionava em um prédio da Rua Paula Souza, zona cerealista da capital bandeirante, com apresentação de um importantíssimo nome da radiofonia paulistana, Moraes Sarmento. Abrindo o programa, a clássica valsa “Revendo o passado”, de Freire Júnior, cuja primeira gravação, apenas instrumental, surgiu em 1926, a cargo da Banda da Casa Edison. Em 1933, surgiu o primeiro registro cantado, na voz de Augusto Calheiros (“a patativa do Norte”). Tem várias outras gravações, e é lembrada até hoje. Depois vem o choro “Ingênuo”, que, segundo o próprio Pixinguinha, era, de todas as músicas que compôs, a que mais admirava. Sua primeira gravação surgiu em 1947, num daqueles famosos duetos entre o sax do mestre Pizindim e a flauta de Benedito Lacerda (que entrou como co-autor por conta de um acordo comercial que havia entre ambos). Peça inclusive regravada pelo próprio Jacob, em 1967, no álbum “Vibrações”. Logo depois, Moraes Sarmento lê trechos da resposta de Jacob a uma carta de 19 (!) páginas, enviada a Jacob em 1968 (na qual ele é até chamado de driblador de enfartes), lamentando o descaso das rádios, televisões e gravadoras a seu trabalho e a de outros de sua geração que ainda estavam vivos. Revela, inclusive, que a RCA havia preparado os LPs-coletâneas “Era de ouro” e “Assanhado” na época em que sofreu um enfarte (março de 1967), e pretendia lançá-los tão logo o mago do bandolim falecesse, o que só aconteceria dois anos mais tarde (os álbuns, claro, saíram ainda em vida do mestre). E, claro, agradece a todos os que então o prestigiavam, e que ainda o estimulavam a permanecer na ativa. Lembrava que numa entrevista dada ao jornal “O Tempo”, de São Paulo, em 1953-54, o choro acabaria em 10 anos. Ele parecia ter acertado, pois, de fato, o choro teve momentos de decadência, mas ainda hoje permanece vivíssimo, e felizmente o mago do bandolim errou esta profecia.
Voltaremos em seguida a 1946, mais precisamente aos tempos em que o grande Almirante apresentava o programa “Pessoal da velha guarda”, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro (“o cacique do ar”). Aqui, Jacob interpreta dois choros de sua autoria, muitíssimo bem apoiado pelo regional de Benedito Lacerda mais o sax de Pixinguinha: “Remelexo” e “Treme-treme”, por ele lançados, respectivamente, em 1948 e 1947, na Continental. Jacob, claro, também passou pela lendária Rádio Nacional, e, acompanhado pela orquestra da emissora, apresenta, de Hervê Cordovil (mineiro de Viçosa e autor de clássicos como “Cabeça inchada”, “Sabiá na gaiola” e “Rua Augusta”), a “Valsa simples”, ao que parece jamais levada a disco comercial.
Logo depois, apresentamos participações do bandolim do mestre Jacob em gravações marcantes e expressivas, todas da RCA Victor. A primeira é a que Dorival Caymmi fez para seu clássico samba-canção “Marina”, em 11 de julho de 1947, com lançamento em agosto seguinte sob n.o 80-0536-A, matriz S-078762. “Marina” foi uma coqueluche na época, e recebeu três gravações anteriores nesse mesmo ano: Francisco Alves (Odeon), Dick Farney (Continental, tida como a de maior êxito) e Nélson Gonçalves (também na RCA Victor). O clássico choro “Doce de coco”, lançado pelo próprio Jacob em 1951, aqui aparece cantado por Isaura Garcia, “a personalíssima”, com letra do mestre caipira João Pacífico, gravada na marca do cachorrinho Nipper em 10 de setembro de 1954, com lançamento em dezembro seguinte, disco 80-1389-A, matriz BE4VB-0571. Porém, a letra mais conhecida feita para “Doce de coco” é a de Hermínio Bello de Carvalho, por certo posterior a esta aqui. No outro lado, matriz BE4VB-0572, Isaurinha canta o samba “Sou paulista”, de Jayme Florence (o violonista Meira dos regionais) e Augusto Mesquita, também responsáveis pelo clássico “Molambo”. Depois vem a regravação feita por Luiz Gonzaga para seu primeiro grande sucesso como solista de sanfona: o “xamego” Vira e mexe”, feita em 5 de janeiro de 1950 e lançada em março seguinte. O disco (34748-B) e a matriz (52155) receberam os mesmíssimos números do original, que é datado de 1941. A matriz de cera teve tantas cópias prensadas que ficou totalmente inutilizada, o que obrigou Gonzagão a fazer este novo registro, agora com o reforço do bandolim do grande Jacob. A diferença é que, no original, o lado A tinha a valsa “Saudades de São João del Rei”, e aqui, a faixa que acompanha “Vira e mexe” é o baião “Qui nem jiló”, do próprio Gonzagão e Humberto Teixeira.
Para finalizar, apresentamos trechos do programa “Jacob e seus discos de ouro”, da Rádio Nacional, o último que fez em vida, gravado exatamente um dia antes de seu falecimento, 12 de agosto de 1969, e que seria apresentado no dia 15, o que evidentemente não aconteceu. A apresentação é feita pela Voz da América, emissora sediada na capital dos EUA, Washington, dentro do programa “Galeria musical da América”. É com essa apresentação que encerramos esta retrospectiva do GRB dedicada a Jacob do Bandolim, um mestre das cordas como poucos, e cuja saudade ainda dói na gente!
TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Jacob Do Bandolim – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 51 (2013)

E chegamos à edição número 51 do Grand Record Brazil, apresentando a quarta e última parte desta retrospectiva dedicada a este mestre das cordas que foi Jacob do Bandolim. E neste volume, o acervo do pesquisador Sérgio Terra nos revela 20 gravações que nunca foram lançadas comercialmente, feitas em gravador doméstico durante os antológicos “saraus” que o mestre promovia em sua casa, no bairro carioca de Jacarepaguá, semanalmente. Abrindo esta seleção, a valsa “Quando me lembro”, de outro bandolinista famoso, Luperce Miranda (1904-1977), por ele próprio gravada originalmente em 1932. O choro “Murmurando”, que vem em seguida, não é a famosa composição do maestro Fon-Fon, parece ser um outro choro do próprio Jacob. “O voo da mosca”, também do mestre, é uma réplica ao “Voo do besouro”, de Rinsky e Korsakov, e seria por ele gravada na RCA Victor em 1962, no álbum “Primas e bordões”. “Mariposa da luz” é da pianista e professora de música Neusa França, só gravado comercialmente em 1973, pelo citarista Avena de Castro. Na faixa 6, outro clássico do choro, “Flor do abacate”, de autoria de Álvaro Sandim (1862-1919), surgido em 1913, na fase mecânica de gravação, em registros do Grupo Faceiro e dos Chorosos do Abacate. Jacob do Bandolim o gravou duas vezes pela RCA Victor, em 1949 e 1960. E já que, neste 2013, comemoramos os 150 anos de nascimento do compositor e pianista Ernesto Nazareth (1863-1934), ele comparece nesta seleção de inéditas do mestre Jacob com uma de suas obras mais famosas, a polca-choro “Apanhei-te cavaquinho”, faixa 4, surgida em disco no ano de 1916, na gravação do flautista Passos, e inúmeras vezes regravada, inclusive pelo próprio Nazareth em solo de piano. Temas clássicos também batem ponto nesta seleção: a “Valsa número 7 de Chopin” (temos também a “número 1”) e as “Czardas”, do italiano Vittorio Monti (1868-1922). “Noites cariocas” é outro choro clássico do mestre Jacob, por ele lançado em 1957 e com inúmeras regravações, sendo até hoje peça obrigatória no repertório de qualquer “chorão”. “Receita de samba” e “Vibrações” são outras composições muito apreciadas do mago do bandolim, e foram por ele gravadas na RCA Victor em 1967, no excelente álbum “Vibrações”. Um certo doutor Formiga (quem seria?) recita um “Poema para Jacob”, por ele feito em justa homenagem ao mestre. Chico Buarque comparece aqui com “Carolina”, composição surgida em 1967 no Terceiro Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, defendida por Cynara e Cybele, recém-saídas do Quarteto em Cy. Jacob muito admirava Chico, e previu, acertadamente, que ele “atravessaria os anos”. O mestre também apresenta sua valsa “Santa Morena”, cuja gravação comercial, de 1954, está no volume 3 de nosso retrospecto. A clássica valsa “Velho realejo”, de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, é outro clássico de nosso cancioneiro, e foi lançada em 1940 na voz de Sílvio Caldas, sendo várias vezes regravada. Outro clássico é “Três estrelinhas”, de autoria de Anacleto de Medeiros (1866-1907), músico, compositor, fundador e regente da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Recebeu depois letra de Catulo da Paixão Cearense, sendo rebatizada como “O que tu és”. Antônio d’Áuria (1912-1988) aparece como uma espécie de convidado especial, nas faixas “Poesia e amor”, de Mário Álvares Conceição, só gravada comercialmente em 1976 por outro bandolinista, Déo Rian, e “Helena”, valsa de Albertino Pimentel, surgida ainda no tempo da gravação mecânica, em 1909, em execução da já mencionada Banda do Corpo de Bombeiros carioca. Encerrando esta seleção tempos “Marilene”, choro de Pixinguinha e Benedito Lacerda, por eles próprios lançado em 1950, com o mestre Pizindim ao saxofone e Benedito à flauta (na verdade a música é só de Pixinguinha, e Benedito entrou como parceiro por acordo comercial entre ambos). Enfim, um tesouro raro, de notável importância histórica, que o GRB oferece a tantos quantos apreciem a boa música instrumental brasileira. As 122 fitas cassetes gravadas por Jacob do Bandolim durante seus “saraus” foram doadas ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, e aqui apresentamos uma preciosíssima amostra deste trabalho. Bom divertimento!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.