Carlos Pita – Aguas Do São Francisco (1979)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Temos aqui um disco que há tempos deveria estar constando em nossas fileiras, o “Águas do São Francisco”, disco de estreia do cantor e compositor baiano, de Feira de Santana, Carlos Pita, em 1979, pelo selo Chantecler. Embora tenha gravado seu primeiro disco em 79, já atuava na música, compondo e também produzindo. Para se ter uma ideia, foi Pita o produtor de discos como os de Elomar: “Na Quadrada das Águas Perdidas”, “Fantasia Leiga” e “Auto da Catingueira” e também de destaque, o disco “Interregno”, de Walter Smetak, entre outros… Sua trajetória remonta mais de 30 anos dedicados a música popular brasileira. Artista reconhecido internacionalmente e hoje com uma carreira consolidada, tem dezenas de trabalhos autorais, em vinil e também em cd. O álbum que aqui apresentamos foi um disco de sucesso, um trabalho premiado, feito dentro da linguagem dos livros de cordel, de herança medieval. Lembra muito a música de Elomar. Disco bonito de se ouvir e por certo um dos melhores trabalhos musicais lançados naquele final de anos 70. Vale a pena ouvir…

o reino das águas barrentas e os desafios do amor

a história do cavaleiro enluarado com a donzela do bem amar

a história do cavaleiro de couro e corda com a dama dos rasos de seca

a história do cavaleiro sertanejo com a princesa do clarear

o romance do rei do ensolarar com a bela das rendas de lua

a princesa do agreste e o cantador do elo ao mar

o arco-íris trovejou

a história dos quatro reinos desaparecidos e os guerreiros do mal viver

princesa sertaneja

a rainha do trançar e o violeiro dos esqueces

a história da princesa das candeias de amor com o cego do alumiar

o príncipe das verdejanças e o amor do verdejar

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Toque Musical – 13 Anos Com Você!

E então, eis que chegamos ao décimo terceiro ano de atividades. Cá estamos fazendo hoje 13 anos de Toque Musical. Muita água já rolou e tem rolado por aqui. Ou melhor dizendo, muita música! São mais de três mil discos, sempre escolhidos a dedo. Uma diversidade que contempla todos os gêneros que povoam a nossa música brasileira e cabe até algumas investidas na música internacional. Este é o nosso blog Toque Musical.
Mais uma vez eu quero agradecer aqui a todos os amigos cultos e ocultos por estarem sempre com a gente. Quero agradecer também a minha laboriosa equipe e em especial ao amigo Samuel Machado Filho, que muitas vezes salvou o dia com sua participação voluntária e atenciosa, produzindo excelentes resenhas para nossas postagens. Agradeço também aos amigos Edu Pampani, Fares Darwiche, ao Denys e ao Chico do Sintonia Musikal, todos sempre muito generosos e incentivadores dessa nossa caminhada.
É isso aí, viva o Toque Musical! Parabéns todos nós! Que venham mais 13 anos…  🙂

 

Augusto TM

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Máximo Da Bossa (1967)

Boa tarde a todos os amigos cultos e ocultos! Aqui estamos nós completando hoje 13 anos de atividades, 13 anos de Toque Musical. E para festejar, ou melhor, não deixar passar como apenas mais um dia, eu hoje estou trazendo para nossa postagem especial este box/caixa lançada em 1967 pelo editorial da Seleções, do Readers Digest. Uma produção associada a Aloísio de Oliveira e seu selo Elenco. Aqui temos reunidos dez lps, discos esses lançados pela gravadora na primeira metade dos anos 60 e aqui novamente apresentados nessa rica caixa. Um primor que só peca pela falta de um encarte, um libreto com maiores informações, seja sobre a Bossa Nova, seja sobre os artistas e músicas contidas nessa seleção. Por certo, trata-se de um projeto que se limita aos artistas da Bossa Nova que gravaram  pela Elenco e nem de todo é um disco de Bossa Nova. Tem bossa, mas é samba, samba com batido de bossa. Mas, quem melhor aqui para explicar sobre o que é a Bossa Nova do que o próprio Aloísio de Oliveira? Nesta, ele nos reservou um disco inteiro, o primeiro que abre a coleção e nos apresenta uma definição do que é esse gênero, mostrando vários exemplos e também entrevistando alguns dos artistas que fazem parte desses discos.
Essa coleção é sem dúvida histórica, importantíssima, básica para todo apreciador da música popular brasileira. Curiosamente, não recebeu sua devida importância, tanto por seu conteúdo quanto pela quantidade. Um box raro de se ver e de se ouvir, no sentido de volume e qualidade. Ainda hoje é possível encontrar essa edição por menos de 100 reais, em sebos e pelos mercados livres da vida.
Aí está um presente legal, que não é novidade, mas cabe bem em nossa comemoração.
Por ser uma postagem especial, de aniversário, não vou me dar ao trabalho de listar as faixas. É muita música! Melhor focar no GTM 😉 Abraço a todos e vamos para mais 13 anos 😉

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Ilma Rocha (1982)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro do proposto, aqui temos mais um disco da série sertaneja e desta vez vamos com a cantora Ilma Rocha. Esta artista, para a nossa sorte, traz mais informações em seu currículo. Poderíamos nos salvar apenas com o texto da contracapa. Então vamos lá… Ilma Rocha é uma cantora e compositora mineira. Iniciou sua carreira artística ainda na infância, cantando ao lado de sua irmã com quem formava a dupla Duo Irmãs Graciosas. Na fase adulta, passou a se apresentar sozinha. Em 1980 ela se inscreve no Festival da Música Sertaneja da Rádio Record e sua música obtém o primeiro lugar, o que garante a ela um contrato com a gravadora Chantecler para a qual grava este que foi o seu primeiro disco. Como se pode ver na contracapa, ela nos apresenta doze canções, entre rasqueados, boleros, canções rancheiras e guarânias. Um disco romântico-popular com aquela dosezinha ‘bregueira’ tão comum nesse gênero musical. Quem gosta, não pode poder…

coração de ferro
minha vida é um problema
jogue esta aliança fora
não consigo chorar por amor
nosso filho com quem vai ficar
minha mágoa
meu primeiro beijo
ninguém vai me fazer chorar
ele esqueceu de mim
pranto escondido
triste calado
humilhada

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Grupo Fundo de Quintal – Samba É No Fundo Do Quintal (1980)

Olá amigos cultos e ocultos! Cá estamos com mais um disco de samba. Desta vez temos aqui o Grupo Fundo de Quintal, que já teve aqui um outro de seus discos publicado. O Fundo de Quintal é um grupo de pagode formado no final dos anos 70. Surgiu a partir do bloco carnavalesco Cacique de Ramos. Pelo grupo já passaram uma dezena de sambistas, principalmente da Escola de Samba Imperatriz Leopodinense. Pelo grupo passaram nomes de peso do samba, figuras como  Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Bira Presidente, Arlindo Cruz, Cleber Augusto, Neocy, Walter Sete Cordas e outros feras… O grupo, ao que parece, continua na ativa, hoje com outros integrantes. Gravaram mais de 30 discos ao logo da carreira. E hoje o que apresentamos aqui é o primeiro. Disco de estréia no qual trazia Bira, Ubirany, Jorge Aragão, Sereno, Almir Guineto, Neoci e Nemeato. Neste primeiro disco o Fundo de Quintal emplacou sucessos com “Você quer voltar”, “Sou Flamengo, Cacique de Ramos”, “Gamação danada” e outros. Disco produzido por Durval Ferreira e apresentação da saudosa Beth Carvalho. Não deixem de conferir no nosso GTM.

você quer voltar
sou flamengo, cacique de ramos
prazer da serrinha
olha a intimidade
volta da sorte
marido de madame
bate na viola
gamação danada
lá no morro
bar da esquina
voltar a paz
zé da ralé
 
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Melodias de Terreiro – Pontos e Rituais (1955)

Olá, meus amigos cultos e ocultos, boa noite! Estou trazendo hoje um disco que eu acho muito bacana e também por ser uma edição importantíssima da fonografia nacional. “Melodias de Terreiro – Pontos Rituais” foi o primeiro disco do gênero lançado no Brasil. E para tanto, seus produtores decidiram convidar cinco grandes nomes da música popular, segundo o texto de contracapa, profundos conhecedores, para interpretar as melodias de Terreiro e os Pontos Rituais: Lenita Bruno, Ataúlfo Alves, Jorge Fernandes, Leo Peracchi e Heitor dos Prazeres. Pelas imagens podemos de imediato ter todas as devidas informações. Taí, um disco que merece a nossa atenção. Não é atoa que tem maluco pedido até 900 pilas, no Mercado Livre. Mas aqui vocês conferem no GTM…

aruanda – jorge fernandes e leo peracchi
agô-iê – ataulfo alves
oxum-maré – lenita bruno, jorge fernando e leo peracchi
nêgo véio – heitor dos prazeres
congo – lenita bruno, jorge fernandes e leo peracchi
pai joaquim d’angola – ataulfo alves
ogum-yara – jorge fernandes e leo peracchi
vamos brincar no terreiro – heitor dos prazeres

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Leila Pinheiro (1983)

Boa noite, caros amigos cultos e ocultos! Hoje e pela primeira vez temos um disco da Leila Pinheiro. E não por acaso apresentamos o seu primeiro trabalho, gravado logo no início dos anos 80. O lp é uma produção independente, dirigida por Raymundo Bittencourt. Traz um repertório com doze canções de diversos grandes compositores. Para melhorar ainda mais e mostrar o nível da moça, seu disco conta com a participação de uma dezena de músicos de primeiríssima linha, gente como Tom Jobim, Toninho Horta, Joel Nascimento, Gilson Peranzzetta, Alberto Arantes, Francis Hime, João Donato e muitos outros… Não bastasse, a contracapa vem com um texto de apresentação da cantora feito por Billy Blanco.
Leila Pinheiro é do Pará. Cantora, compositora e pianista. Uma artista de muito talento, com mais de 20 discos gravados. Respeitada mundialmente como um dos grandes nomes da nossa música popular brasileira. Este seu álbum de estréia é ímpar e hoje em dia pouco conhecido. Belíssimo trabalho que vale conferir…

tudo em cima
bons amigos
vai ficar no ar
coração vagabundo
falando de amor
a porta
lua de cetim
espelho das águas
mãos de afeto
passarinha
cão sem dono
nossa rua
 

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História Do Jazz Em São Paulo (1978)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Domingo, mesmo numa quarentena é sempre um domingo, não é mesmo? Mesmo quando todos os dias pareçam hoje em dia domingo, o domingo vai ser sempre aquele dia, o dia de hoje 🙂 E o dia hoje pede jazz… Vamos aqui com este registro raro do Jazz no Brasil, um disco dos mais interessantes lançado em 1978, pelo selo Band. Em “Historia do Jazz Em São Paulo” temos o resgate do que foi um primeiro festival de jazz apresentado ao público brasileiro, realizado em 1956, no Teatro de Cultura Artística de São Paulo. São gravações raras nas quais figuram Dick Farney, Ed Lincoln, Rubinho, Casé, Shoo Viana, Simonetti e muitos outros e que após 22 anos se transformaram neste disco. Sem dúvida, um lp muito bacana, com um áudio de qualidade para um grupo de músicos também da melhor qualidade. Disco que não pode faltar na coleção de um amante do gênero. Na contracapa temos um texto de Roberto Côrte Real que desenha bem toda cena. Vale a pena conhecer… Confiram no GTM.

valsa de uma cidade – dick farney, dinarte e ed lincoln
you don’t know what love is – dick farney, alfredo, ed lincoln e rubinho
love walked in – dick farney, casé, rubinho e shoo viana
rique – dick farney, casé rubinho e shoo viana
you go to my head – simonetti, dorimar, maciel, demetrio, stravinsky e pirituba
a fine romance – simonetti, dorimar, maciel, demetrio, stravinsky e pirituba

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Paulinho Da Viola E O Conjunto A Voz Do Morro (1973)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje eu passei o dia dando uma geral aqui no Toque Musical. Olhando para trás, vejo quanta coisa já fizemos. Mas, o que mais me chamou a atenção foram os meus textos de resenha e por consequência os comentários. Meu Deus, quanto amadorismo! Quanta coisa errada eu escrevi, tanto erros bobos de ortografia quanto erros de abordagem e descrição nas resenhas. É certo que no início eu vivia numa corrida contra o tempo, tudo para manter as postagens diárias e no capricho. E para quem não estava muito acostumado com resenhas, principalmente diárias, falhas e erros foi o que não faltou. E os comentaristas, amigos cultos e ocultos, não perdoavam em suas críticas. E estavam certos. Quer escrever, escreve direito, essa é a verdade. E a gente aprende, podem acreditar…
Então, hoje tempos uma boa pedida musical, Paulinho da Viola e o Conjunto A Voz do Morro. Eu tinha, para mim, que este disco já havia sido postado aqui no Toque Musical. Porém, hoje percebi que não e assim sendo, chegou a sua hora. Por certo, não se trata de uma raridade ou novidade no mundo dos blogs. Muitos já o postaram e talvez tenha sido por isso mesmo que eu o deixei de lado. Mas como deixar de lado um disco tão bacana? Este lp foi lançado originalmente em 1965, mas em 73 ele voltou a ser relançado com essa nova capa. Aqui temos o grande Paulinho da Viola juntamente com o conjunto A Voz do Morro foi um grupo organizado por Zé Kéti, conforme nos conta a lenda, a pedido da gravadora Musidisc. Ele reuniu um time de sambistas da pesada com alguns integrantes do musical Rosa de Ouro. O conjunto era formado por Anescarzinho do Salgueiro, Elton Medeiros
Jair do Cavaquino, Nelson Sargento, Oscar Bigode, José da Cruz, o próprio Zé Kéti e o jovem Paulinho da Viola. O lp é recheado de uma das melhores safras do samba carioca. O disco saiu, originalmente pelo selo Musidisc, em 65, mas em 73 ele foi relançado, desta vez pelo selo RCA, quando então Paulinho da Viola já tinha se tornado uma grande estrela da MPB. E por conta dessas e de outras, apareceu com uma nova capa e o nome de Paulinho em destaque. Creio que não há muito o que se falar deste trabalho, pois todo mundo já o conhece bem. E assim sendo, só me cabe mesmo a postagem. Um lp da melhor qualidade que você não pode perder. Confira no nosso GTM.

peço licença
intriga
mascarada
coração vulgar
conversa de malandro
pecadora
vai saudade
jurar com lágrimas
maria
coração de outro
não sou feliz
injúria
sonho triste
meu viver



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O Samba No Carnaval 1 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 155 (2020)

E o carnaval continua no Grand Record Brazil, em sua edição número 155. Nesta e na próxima edição, apresentaremos sambas que fizeram sucesso na folia de Momo. Abrindo este volume, Linda Batista interpreta “Me deixe em paz”, de Monsueto e Ayrton Amorim, aliás o primeiro sucesso de Monsueto como compositor e um dos campeões do carnaval de 1952. Gravação RCA Victor de 6 de agosto de 51, uma segunda feira, lançada ainda em outubro sob número de disco 80-0825-A, matriz S-093017. Em seguida, Francisco Alves canta “Izaura”, de Herivelto Martins e Roberto Roberti, sucesso do carnaval de 1945. Gravação Odeon de 13 de novembro de 44, outra segunda-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, com o número 12530-A, matriz 7700. O Rei da Voz também interpretou a composição no filme “Pif-paf”, da Cinédia. Na faixa 3, Gilberto Alves canta “Chorar pra quê?”, de Pereira Matos e Oldemar Magalhães, do carnaval de 1948. Gravação RCA Victor de 13 de setembro de 47, um sábado, lançada ainda em novembro com o número 80-0549-B, matriz S-078781. Em seguida, duas faixas com Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”. A primeira é “Você não é…”, de Benedito Lacerda e Darcy de Oliveira, do carnaval de 1937. Gravação Odeon de 31 de outubro de 36, outro sábado, lançada ainda em dezembro com o número 11421-B, matriz 5432. A outra é “Comício em Mangueira”, de Wilson Batista e Germano Augusto, do chamado “carnaval da vitória”, o de 1946, assim chamado por ter sido o primeiro após o fim da Segunda Guerra Mundial. Gravação Victor de 18 de outubro de 45, uma quinta-feira, lançada ainda em dezembro sob número 80-0360-B, matriz S-078321. Na faixa 6, volta Francisco Alves, desta vez cantando “Uma apresentação”, da dupla Paquito-Romeu Gentil, sucesso do carnaval de 1949. Gravação Odeon de 29 de novembro de 48, uma segunda-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 12908-A, matriz 8458. Na faixa 7, Orlando Silva, “o cantor das multidões”, interpreta “Orgia” (o título é uma gíria então corrente para designar baile ou samba), de Waldemar Costa e Valdomiro Braga, do carnaval de 1936, acompanhado pela orquestra Diabos do Céu, de Pixinguinha. Gravação Victor de 18 de dezembro de 35, uma quarta-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 34006-A, matriz 80056. Em seguida, J. B. de Carvalho “o batuqueiro famoso”, canta “Partiu… para onde não sei”, de Henrique Mesquita e Felisberto Martins, do carnaval de 1941. Gravação Odeon de 17 de outubro de 40, uma quinta-feira, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 11946-B, matriz 6481. Na faixa 9, Risadinha interpreta “Meu primeiro amor”, de J. Piedade, Sebastião Gomes e Oswaldo Silva, do carnaval de 1951. Gravação Odeon de 5 de outubro de 50, uma quinta-feira, lançada ainda em dezembro sob número 13068-B, matriz 8809. Na faixa 10, Dircinha Batista canta “Entrego a Deus”, do carnaval de 1949, de autoria da dupla Haroldo Lobo-Mílton de Oliveira, por sinal responsável por muitos êxitos na folia de Momo. Gravação Odeon, feita em pleno dia de Finados de 48 (2 de novembro, uma terça-feira), e lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob número 12911-B, matriz 8462. Para finalizar, Francisco Alves interpreta outro sucesso do carnaval de 1949: “Maior é Deus”, de Felisberto & Fernando Martins. Gravação Odeon, feita na mesma sessão de “Uma apresentação” e lançada no lado B do mesmo disco, matriz 8459. E, no próximo volume, apresentaremos mais sambas de sucesso nos carnavais.

me deixe em paz – linda batista
izaura – francisco alves
chorar pra que – gilberto alves
você não é – carlos galhardo
comício em mangueira – carlos galhardo
uma apresentação – francisco alves
orgia – orlando silva
partiu para onde não sei – jb de carvalho
meu primeiro amor – risadinha
entrego a deus – dircinha batista
maior é deus – francisco alves


*Texto de Samuel Machado Filho 

Marlene – É A Maior! (1970)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Então, finalizando nossas postagens de 2019, trago com prazer este raro lp com a cantora Marlene. Marlene é a maior! (e tenho dito!). Antes, porém, quero deixar aqui os meus votos de um feliz 2020. Desejo a todos um ano menos ruim do que foi este. Pois, sinceramente, não vejo muita luz no fim do túnel, pelo menos nesses próximos anos. Estamos vivendo hoje um momento de castigo, um país assolado pela ignorância, pela intolerância e pela falta de tudo que é básico, educação, saúde e cultura. Estamos tomados por uma onda de obscurantismo, uma regressão social de causar espanto. O brasileiro tem se mostrado um povo de uma tamanha ignorância que dá medo. Nessas horas fico pensando se vale a pena continuar levando cultura a essa gente. Aqui mesmo, entre nossos amigos cultos e ocultos há, com certeza, tipos reacionários retrógrados, pessoas toscas e mal informadas, gente que colaborou e ainda colabora para esse estado político crítico e polarizado. Na verdade, a polarização é uma consequência e essa, hoje, já não me permite sentir bem ao lado da toxidade de algumas pessoas. Acredito ter exorcizado boa parte desses diabos em minha vida e ao meu redor, mas eles continuam presentes, ocultos quase sempre. Toda essa situação é muito desanimadora e se nos últimos tempos nosso Toque Musical andou devagar, quase parando, podem ter certeza, foi mesmo por conta desses desencantos. Mas sei que não devemos parar, não é hora de entregar o jogo. O TM continua em 2020 acreditando no Brasil. Continuaremos nossas postagens, pois esse prazer que nós nos propomos não pode acabar. Ainda há sensibilidade por aqui… Feliz 2020!
Selando então 2019, vamos com este disco “É a maior! com Marlene” que é literalmente um show. Um show criado por  Fauzi Arap e Hermínio Bello de Carvalho, trazendo a extraordinária Marlene, que mesmo já longe dos tempos áureos do rádio continuava a fazer sucesso. Este disco é na verdade uma gravação ao vivo do show de sucesso, realizado em 1970. Neste, temos ainda a participação de gente importante com Arthur Verocai que foi o diretor musical e também fez parte do conjunto que acompanha a cantora formado por nomes de peso, Helvius Vilela (piano), Novelli (baixo) e Gegê (bateria). O álbum tem versões de clássicos da nossa música com composições de Caetano Veloso, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Marcos e Paulo Sérgio Valle, Milton Nascimento e outros… Taí, finalizando a parada com este disco já visto em outros blogs, mas é no Toque Musical que ele encontra seu porto seguro. Confiram no GTM.

inimigo do batente
para o inferno ou para o céu
se é pecado sambar
mustang cor de sangue
lata d’água
cansado de sambar
país tropical
meu pai amarrou meus olhos
tropicália
fez bobagem
recenseamento
uva de caminhão
qui nem jiló
coração vagabundo
a onda
máscara da face
mora na filosofia
vagabundo
quixa
joia falsa
eu fui a europa
trio eletrico
beco do mota
pode ser
irene

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George Kenny – Uma Noite No Beguin (1956)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui, mais um náufrago resgatado, outro disco que merece o nosso toque musical. Hoje vamos com o organista argentino George Kenny, que segundo a contracapa nos informa ser este, na época, um dos grandes mestres dos teclados. Veio ao Brasil para se apresentar na lendária boate Beguin, do também lendário Hotel Glória, no Rio de Janeiro. Embora tenha todo esse mérito no texto de contracapa, George Kenny é hoje um ilustre desconhecido, pois nem mesmo fazendo uma busca no Google conseguimos encontrar mais informações sobre esse artista. Fica então mais essa chance, imortalizado no TM enquanto existir. Confiram no GTM!

holiday for strings
guacyra
laura
apanhei-te cavaquinho
andalucia
chuá chuá
all the things you are
liza

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Ruy Rey E Sua Orquestra – Ritmos Latino Americanos (1957)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Oportunamente, estou trazendo aqui discos que muito nos interessam e que foram postados em outros blogs que hoje já não existem mais. É o caso do Sintonia Musikal e Sanduiche Musical, do amigo Chico, que desanimado com este trabalho sem retorno, acabou abandonando o barco. Como um dos poucos que ainda sobraram nesse mar de afogados, nós do Toque Musical estamos recolhendo os sobreviventes, no caso os seus discos.
Entre tantos, temos um aqui bacana, “Ritmos Latino-Americanos, com Ruy Rey e Sua Orquestra. Este, me parece, foi seu primeiro disco em 33 rpm, lançado em 1957. Por certo, antes disso ele já havia participado de outros discos e gravações, inclusive aqui no Toque Musical temos ele na coletânea Grand Record Brazil e outras lançadas na década de 50. Neste lp de 12 polegadas temos o interprete num repertório para fazer frente a qualquer grande orquestra latino-americana. Apresentando doze temas clássicos entre boleros, sambas, mambos e cha-cha-cha. Sem dúvida, um dos grandes nomes dos anos 40 e 50 da música brasileira e porque não dizer, da latino-americana. Confiram já no GTM, pois esse náufrago, uma hora volta para o porto.

macarena
camino verde
sabiá de mangueira
negra açucarera
todo mundo quer dinheiro
no dejes para mañana
fantasia em mambo
donde quiera que tu vayas
star dust
faz quase um ano
mambo sevilhano
dansa do sabre

 

Rildo Hora – Suave É Noite (1962)

Gaitista, violonista, cantor, compositor, arranjador, maestro e produtor musical, Rildo Alexandre Barreto da Hora completou, em 2019, 80 anos de existência (nasceu em Caruaru, PE, a 20 de abril de 1939). Seu pai, o alagoano Misael Sérgio Pereira da Hora, era dentista, e sua mãe, a pernambucana Cenira Barreto Hora, foi sua primeira professora de teoria musical e piano. Em 1945, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, indo residir no subúrbio de Madureira. Aos seis anos de idade, interessou-se por harmônica de boca (a famosa gaita ou realejo, como é conhecida no Nordeste), e tornou-se autodidata, passando a estudar o instrumento, mesmo sem mestre. Rildo Hora desenvolveu sua técnica tocando frevos e choros que ouvia no rádio. Estudou harmonia, contraponto e composição na Escola de Música Pró-Arte com o maestro Guerra Peixe, e teve aulas de violão com Meira e Oswaldo Soares, tendo ainda frequentado outros cursos no Centro de Estudos Musicais. Aos 11 anos, tocava em festas populares pelos subúrbios do Rio. Apresentou-se na Rádio Mayrink Veiga, no programa “Trem da alegria”, apresentado por Lamartine Babo, Héber de Bôscoli e Iara Sales, o “trio de osso”. Nessa época, conheceu o violonista Manoel da Conceição, o Mão de Vaca, e apresentou-se no programa “A hora do pato”, na Rádio Nacional, passando a frequentar a lendária emissora da Praça Mauá. Aos doze anos, venceu um concurso de gaitas patrocinado pela fábrica Hering, na Rádio Mauá, e foi convidado por Fred Williams a fazer parte do grupo de gaitistas da emissora. Tocou cavaquinho em shows circenses, acompanhando cantores, e neles também atuou como solista de gaita de boca. Ainda faria parte do programa “Festival de gaitas”, na Rádio Nacional. Em 1958, formou, com Sérgio Leite e Luís Guimarães, o trio Malabaristas da Gaita. Na época da bossa nova, passou a tocar violão e cantar. Rildo Hora estreou em disco gravando, em 1960, um 78 rpm na marca Pawal, interpretando as músicas “Anjo” (de sua autoria com Alcino Diniz) e “Nem uma luz brilhou”(de Gilvan Chaves). A partir de 1968, passou a trabalhar como produtor musical, a convite de Geraldo Santos, trabalhando na gravadora RCA. Entre os artistas com quem ele trabalhou como produtor, destacam-se Martinho da Vila, João Bosco, Carlos Galhardo, Vicente Celestino, Clara Nunes, Maria Creuza e Chiquinho do Acordeom. Rildo Hora já marcou presença no Toque Musical com os álbuns “Sanfona e realejo” (com Sivuca) e “O tocador de realejo”.  Agora, nossos amigos cultos e ocultos são brindados com “Suave é a noite”, que vem a ser seu primeiro LP, exclusivamente com solos de gaita, lançado em 1962 pela Som/Copacabana. São 14 faixas com acompanhamento de orquestra, incluindo sua primeira composição “Brigamos com o amor”, de parceria com Gracindo Júnior (que fez também o texto da contracapa, um acróstico com o nome do músico), e sucessos da época, tais como “Suave é a noite”, a faixa-título, “Meu querido lindo”, “E a vida continua” e “Não importa”. Enfim, é uma homenagem à altura que o TM presta a este notável músico que é Rildo Hora, pela passagem de seus oitenta anos de existência.

cravo vermelho
nós e o mar
houvesse um coração
e a vida continua
felicidade
lembrança (un recuredo)
addio addio
tender is the nigth
ten lonely weekends
meu querido lindo
brigamos com amor
no je ne regrette rien
não importa
se ela voltar



*Texto Samuel Machado Filho

Musica Degli Indiani Del Brasile (1979)

A música indígena brasileira é parte do vasto universo cultural e dos povos indígenas que habitaram e sempre habitam o Brasil. Sendo uma das atividades culturais mais importantes na socialização das tribos, a música dos índios brasileiros é uniforme e de grande variedade. E é justamente um pouco dessa manifestação de grande importância histórica e cultural que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. Trata-se da edição italiana, sob o selo Albatros, de um álbum lançado em 1979 pela Folkways norte-americana, fruto do trabalho dos pesquisadores Harold Schultz e Vilma Chiara, de São Paulo. Ao que parece, este disco jamais foi lançado no Brasil. Mas é um documento importantíssimo, em que são apresentadas músicas de oito tribos indígenas brasileiras, que habitam as regiões Norte e Centro-Oeste de nosso território. Dentro da proposta do TM de oferecer o que é raro e curioso, este trabalho nos oferece uma preciosa amostra da música indígena brasileira, e torna-se obrigatório e indispensável para colecionadores e pesquisadores em geral. 

karajá
javahe
kraho
kraho
takuna
takuna
juruna
juruna
suya
suya
trumai
shukarramae
shukarramae
javahe



*Texto de Samuel Machado Filho

Tânia Mara Lopes Cançado – Tributo A Ernesto Nazareth (1988)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Convenhamos. há discos que estarão sempre fadados ao obscurantismos, tanto por sua produção limitada quanto por seu conteúdo. Independente de suas qualidades ou não, serão sempre discos que poucos conhecem. É por essas e outras que existe o Toque Musical, um ponto de referência para aquilo que nem sempre se vê e se ouve por aí.
Aqui temos um disco muito interessante, que merece o nosso ‘toque musical’. Como o título mesmo já anuncia, trata-se de um tributo ao nosso grande Ernesto Nazareth. Uma seleção de suas melhores e mais famosas composições, interpretadas pela excelente pianista mineira, a professora Tânia Mara Cançado, falecida em 2016. Tânia Mara foi professora na Escola de Música da UFMG, idealizadora do Centro de Musicalização Infantil e o Projeto Cariúnas, nesta Universidade. Dois projetos importantes de valorização da música e das artes no Estado de Minas Gerais e porque não dizer, no Brasil. Acredito que este tenha sido seu único registro musical em discos. Mais do que nunca, por suas qualidades como artista, professora e estudiosa da música, precisa ser recordada. E nada mais lindo que ouvi-la interpretando a obra de Ernesto Nazareth.

quebradinha
nenê
mercêdes
famoso
sarambeque
odeon
confidências
tenebroso
improviso
brejeiro


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Sueli (1976)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje apresentamos um álbum da cantora Sueli, que começou sua carreira depois da Jovem Guarda, no início dos anos 1970, mas com características do movimento que encantou os jovens nos anos 60. Seu primeiro grande sucesso foi “Férias na praia”, uma versão da música “Ring ring”, do grupo sueco Abba, gravado em 1973. Neste LP de 1976, Sueli (que mais tarde passaria a interpretar sucessos sertanejos) revive versões que fizeram sucesso nos anos 1960, tais como “Estúpido Cupido”, “Banho de lua”, “Dominique”, “Alguém é sempre bobo de alguém” e “Filme triste”. Curiosamente, o responsável pelos arranjos e regências é o maestro Waldemiro Lemke, o mesmo que fez as orquestrações do álbum “Brotinho encantador”, de Celly Campello, já oferecido a vocês pelo TM. É uma credencial que por si só recomenda este disco, mais uma joia rara que o TM apresenta, e que vale a pena conferir.

estúpido cupido
banho de lua
túnel do amor
lacinhos cor de rosa
muito jovem
oh carol
dominique
se eu tivesse um martelo
jambalaya
marcianita
alguém é sempre bobo de alguém
filme triste



*Texto de Samuel Machado Filho 

Pinga Fogo E Manda Brasa – Convite De Casamento (1971)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical traz para vocês uma autêntica raridade da música sertaneja. É o álbum “Convite de casamento”, ao que parece o único LP da dupla mineira Pinga Fogo e Manda Brasa, lançado pelo selo Madrigal em 1971 (segundo algumas fontes, o disco é de 1974). Como poderemos constatar, ouvindo o disco, a maneira de cantar da dupla é parecida com a de outras que existiam na época, como, por exemplo, Belmonte e Amaraí, ou ainda Mococa e Moraci.  Entre as doze faixas, está a guarânia “Amor com amor se paga”, que se tornaria sucesso nacional na voz de Cármen Silva. Outra curiosidade é que cinco músicas levam a assinatura do compositor, também mineiro, Hilário Barbosa, que até mereceu foto na contracapa. Em suma, uma joia rara do gênero sertanejo, que o TM tem a grata satisfação em oferecer.

convite de casamento
pedras e espinhos
 mulher fingida não entra no céu
adeus sempre adeus
saudades de você
mar de martírio
amor com amor se paga
cinco horas
por amor
velho carreiro
lembrança da minha terra
retrato daquela mulher



*Texto de Samuel Machado Filho

Roberto Leal (1976)

Hoje, o Toque Musical oferece a seus amigos cultos e ocultos um disco de um autêntico embaixador da música portuguesa no Brasil. Estamos falando de Antônio Joaquim Fernandes, ou, como ficou para a posteridade, Roberto Leal, uma das grandes perdas deste 2019. Nascido no Vale da Porca, em Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança, Portugal, em 27 de novembro de 1951, nosso focalizado veio para o Brasil em 1962, com onze anos de idade, juntamente com os pais e nove irmãos, em cinco viagens. Na cidade de São Paulo, após trabalhar como sapateiro e comerciante de doces, iniciou a carreira de cantor de fados e músicas românticas. Em 1971, obteve seu primeiro sucesso com “Arrebita”, e ganhou grande popularidade apresentando-se em diversos programas de auditório da TV brasileira, como os de Chacrinha e Silvio Santos. Além do repertório romântico-popular, seu trabalho também se caracterizava por misturar ritmos lusitanos aos brasileiros, além de ter gravado em estilos tipicamente brasileiros, como o forró e o samba. Roberto Leal viveu entre o Brasil e Portugal, além de se apresentar em países da América do Sul, América Central e Europa divulgando a cultura portuguesa. Em toda a sua carreira, vendeu cerca de dezessete milhões de discos, e teve mais de trezentas músicas gravadas. Foi também apresentador de programas na Rádio Capital de São Paulo, e nas TVs brasileira e portuguesa. Casado durante 45 anos com Márcia Lúcia (também parceira dele em várias músicas), teve três filhos, nascidos no Brasil, e dois netos. Faleceu em 15 de setembro deste ano, aos 67 anos, em São Paulo, vítima de um melanoma maligno, contra o qual lutava havia dois anos, que evoluiu, atingindo o fígado, causando síndrome hepatorrenal. Em merecida homenagem póstuma a Roberto Leal, o TM oferece hoje o seu quarto álbum-solo, editado em 1976. Duas músicas deste disco foram grandes sucessos, “Bate o pé” e “Carimbó português”, com destaque ainda para a regravação de um clássico lusitano, “Só nós dois”. Aqui, Leal está no auge de sua carreira e este é um trabalho primoroso, que vale a pena ser ouvido de ponta a ponta. Não deixem de conferir no GTM.

viagem a lisboa

só nós dois

caninha verde

melro

fim dos tempos

linda gajinha

carimbó português

além da vida

madeira porto dourado

não fique triste

bate o pé

neste natal

 



*Texto de Samuel Machado Filho.

Scott Walker – Maria Bethania – Compacto (1973)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Procurando sempre fazer jus a nossa máxima de que aqui se escuta música com outros olhos, eu hoje estou trazendo um disquinho diferente, um compacto de um artista internacional. Como todos sabem, o Toque Musical está focado na música brasileira, ou por outra, na música feita por brasileiros. Porém, eventualmente, buscamos ir além. Já criei aqui até as semanas temáticas, onde publico também discos estrangeiros, mas sempre relacionados a alguma coisa de Brasil. Desta vez, temos este compacto, lançado pela Philips, em 1973, do emblemático cantor americano Scott Walker, que infelizmente faleceu em março deste ano. Walker era um cantor, compositor e letrista. Iniciou sua carreira nos anos 60. Fez muito sucesso no trio The Walker Brothers, um grupo vocal onde ele era a voz principal. Embora se chamasse Walker Brothers eles não eram irmãos. Fizeram mais sucesso na Inglaterra. Mas ainda nos anos 60 Scott Walker partia para uma bem sucedida carreira solo. Dono de uma voz aveludada e única, influenciou artistas como David Bowie e Brian Ferry. Seus quatro primeiros discos são considerandos verdadeiras obras de arte. Já nos anos 70 passou por uma fase de ostracismo, gravando apenas para cumprir contrato com gravadoras. Foi nesta fase que lançou, em 1973, o disco “Any Day Now”, no qual está a música “Maria Bethania”, de Caetano Veloso. Acredito que o lp nunca tenha saído no Brasil, mas o compacto sim, trazendo a canção de Caetano e a faixa que dá título ao disco. Sua versão para “Maria Bethania” não difere muito da original, principalmente no arranjo. Na verdade, acho que as coisas não se casaram muito bem. Walker nesta época não estava em sua melhor fase como intérprete e aquele vozerão ficou meio apagado. Mesmo assim,  não deixa de ser uma interpretação bacana, curiosa mesmo, para nós brasileiros. Apenas para completar a trajetória deste artista, em sua última fase musical entrou numa outra ‘vibe’, fazendo trabalhos mais experimentais e conceituais, discos realmente para quem escuta música com outros olhos (e ouvidos). Confiram esse toque no GTM. O prazo, como sabem, é limitado 😉

maria bethânia
any day now

 

Giane – Dominique (1976)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Me embalei na onda das cantoras, em especial as da Jovem Guarda, muito por conta de uns amigos que adoram relembrar seus tempos de ‘juventude transviada’. Achando um tempinho aqui, cá estou eu com essa leva de cantoras e hoje trazendo a Georgina Morozini dos Santos, mais conhecida como Giane. Ela já foi apresentada aqui no Toque Musical, através de outros discos, mas em especial, na postagem de um de seus compactos, através do amigo e colaborador Samuel Machado Filho. Conforme escreveu o Samuca, Giane foi uma das primeiras cantoras da Jovem Guarda, tendo antes iniciado sua carreira nos anos 50, ainda na época do 78 rpm. Sem dúvida, uma cantora cheia de sucessos e isso se deu na soma de seu talento com um repertório, geralmente de versões de músicas internacionais consagradas pelo público. Neste lp, lançado pela Chantecler e seu selo Alvorada, em 1976, temos uma coletânea de alguns de seus maiores sucessos, a começar pelo maior, a versão para “Dominique”, do francês Soeur Sourire. Neste lp, apenas uma música não é versão, “O homem do coração de ouro”, música de Alberto Calçada e Antonio Queiroz. Confiram esse toque no GTM, O prazo é limitado, heim!?

dominique
meu deus, como te amo
angelita
eu te darei bem mais
longe do mundo
esta é minha canção
não saberás
preste atenção
o homem do coração de ouro
olhos tristes
johnny guitar
não esqueço jamais
meu bem não vá
o caminho de são josé



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Diana (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje e mais uma vez temos um lp da cantora Diana. Quem acompanha o Toque Musical sabe, há pouco mais de dois anos, postamos aqui seu lp, de 75, “Uma Nova Vida”, com a sempre brilhante apresentação textual do amigo colaborador, Samuel Machado Filho. Desta vez, trago seu disco de 76, também um lp muito bem produzido, com praticamente quase todas as músicas autorais. Chamo a atenção para os arranjos e o time de músicos. Aliás, mais que um time, um batalhão de feras, entre essas algumas mais conhecidas, tal com, Antonio Adolfo, Luiz Carlos Ramos, Arthur Verocai, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro. Deu até vontade de ouvir, né? Pois é, vale a pena… Chega junto lá no GTM. O link tem prazo limitado, ok? 😉

sem barulho
sanguinasis
balanço manuêh
tesouro escondido
hoje que você disse adeus
fato consumado
estado de graça
medo
quebra cabeça
deixe o sol entrar em casa
evolução
tudo vai dar certo



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O Assalto Ao Trem Pagador (1962)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Aqui mais uma trilha de um dos filmes marcantes do cinema nacional, “Assalto Ao Trem Pagador”, de Roberto Farias. A trilha sonora é do maestro Antonio Remo Usai, um dos mais importantes compositores de trilhas, tendo em seu currículo outros grandes filmes como Mandacaru Vermelho (1960) e Boca de Ouro (1962), de Nelson Pereira dos Santos; A Grande Feira (1961) e Tocaia no Asfalto (1962), de Roberto Pires; O Caso Claudia (1979), de Miguel Borges e muitos outros. Aqui no Toque Musical já postamos outra de suas trilhas, a do filme  7 Homes Vivos ou Mortos (1968), editado pela Musidisc. Em Assalto ao Trem Pagador, a produção é do selo San Remo, do próprio autor. Confiram mais essa pérola, que embora não seja novidade, agora faz parte das nossas publicações. 😉

o trem pagador
morre uma criança na favela
assaltantes em fuga
tentação
o fim

Brasil Ano 2000 (1969)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical oferece a vocês mais uma trilha sonora relacionada ao cinema. Desta vez, o filme é “Brasil ano 2000”, produção de 1969 dirigida por Walter Lima Jr., e uma competente incursão do cinema brasileiro na ficção-científica, com toques de comédia, mesmo em tempos de ditadura militar. Na trama, em um Brasil parcialmente devastado pela Terceira Guerra Mundial, uma família de imigrantes chega a uma pequena cidade, a qual dão o nome de Me Esqueci. O trio é recrutado por um indigenista para fingir-se de índios durante a visita de um general. No dilema entre integrar-se ao sistema ou preservar a liberdade individual, a família caminha para a desagregação enquanto a cidade se prepara para o lançamento de um foguete espacial. No elenco, Anecy Rocha, Ênio Gonçalves (que também participa da trilha sonora como cantor), Hélio Fernando, Iracema de Alencar, Ziembinski, Raul Cortez e Manfredo Colasanti. As filmagens aconteceram principalmente na cidade de Paraty, onde a equipe permaneceu por aproximadamente três meses. Algumas cenas foram filmadas no Rio de Janeiro, inclusive no Museu Nacional (esse mesmo que um incêndio destruiu em 2018) e no Arquivo Nacional. “Brasil ano 2000” ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim, tendo ainda recebido o prêmio de melhor filme no Festival de Cartagena, em 1970, e o prêmio de melhor diretor no Festival de Manaus. A música é assinada por dois ícones do Tropicalismo, Gilberto Gil e Rogério Duprat, com direito até a uma canção adicional pelo não menos tropicalista Caetano Veloso. A canção é “Não identificado”, na voz de outra tropicalista, Gal Costa, que encerra este disco e foi grande sucesso na época. Em suma, um filme e uma trilha tropicalistas por excelência. Gal ainda canta “Canção da moça”, “Homem de Neandertal” (com Breno Ferreira) e “Show de Me Esqueci” (com Breno e Ênio Gonçalves). Tudo isso faz deste álbum mais um digno merecedor de nossa postagem aqui no TM. É ir ao GTM e conferir!

introdução

canção da moça

a família no caminhão

a transformação do índio

homem de neandertal

êxtase

retreta

casamento e sedução

cena de amor na praia

fuga

orgia subterrânea

flechas no alvo

show me esqueci

coração

anúncio de luta

duelo de garfo e faca

relógio do tempo

no quartel

escolha da liberdade

não identificado

*Texto de Samuel Machado Filho

Celinho – O Rapaz Do Piston (1968)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! E aqui vamos nós, hoje trazendo um disco que há muito estava para ser postado. Infelizmente, o arquivo do disco o qual eu havia digitalizado se perdeu entre muitos  outros tempos atrás. Mas, por sorte, tinha esse outro vindo de alguma outra fonte blogueira. Na falta do meu, vai no seu, hehehe…
Temos aqui o primeiro e talvez único disco desse incrível instrumentista mineiro, conhecido nas rodas como ‘Celinho do Piston’. Artista de grande talento, teve um currículo exemplar como músico, tatuando em muitos discos dos mais diferentes artistas nacionais. Sua carreira remonta os tempos do Conjunto Sambacana, de Pacífico Mascarenhas e no qual também tocavam Milton Nascimento e Wagner Tiso. Como muitos outros músicos mineiros, fez sua carreira no eixo Rio-São Paulo. Há muito pouca informação sobre ele na rede, o que dificulta a nossa pequena pesquisa. Mas sem dúvida, foi um grande artista e merece aqui o nosso registro. “O Rapaz do Piston” é um disco onde ele nos apresenta um repertório praticamente todo de músicas de sucessos internacionais. Trabalho bem executado, produzido por Toni Vestani para o selo Equipe, de Oswaldo Cadaxo. Não deixem de conferir no GTM 😉

io che non vivo (senza te)
and i love her
tenderly
not so slepy
a volta
my whole world in falling down
les cornichons
nessuno mi puo giudicare
a hard day’s night
que c’est triste venise
all my loving
a shot in the dark
 

Orquestra Serenata Tropical – Cine Solamente Cine (1962)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez temos aqui outro disco relacionado ao cinema e suas trilhas. E mais uma vez temos também a grande Orquestra Serenata Tropical abrilhantando nossas postagens. Sob a batuta do maestro Henrique Gandelman (pai do saxofonista Leo Gandelman), temos em “Cine Solamente Cine” uma seleção de algumas das mais célebres  trilhas de filmes internacionais. E conforme nos confere o texto de contracapa, são 12 melodias que o cinema imortalizou e que nesta versão da Orquestra Serenata Tropical aparecem (literalmente) (H)enriquecidas pelo toque latino, tão do agrado de nossos discófilos 😉 Não deixem de conferir mais essa pérola no GTM.

love is a many splendored thing
three coins in the fountain
moonlight serenade
spellbound
an affair to remember
make believe
aound the world
smile
the song of delilah
noturno
tammy
dança da fada açucarada
 
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Chico Rei – Trilha Sonora do Filme (1985)

Olá amigos cultos e ocultos! Já que postamos nesta semana um disco de trilha de filme, que tal outro? Aqui temos a trilha sonora original do filme ” Chico Rei”, de Walter Lima Jr, lançados em 1985. O filme conta a história de Galanga, rei do Congo, que fora aprisionado e vendido como escravo. Trazido da Africa para o Brasil, passa a se chamar Chico Rei ao conseguir sua alforria e também se tornando o primeiro negro proprietário de uma mina. Sua história é mesmo cinematográfica e para tanto, merecia uma trilha sonora original com gente de peso, como Milton Nascimento. Clementina de Jesus, Grupo Vissungo, Wagner Tiso e outros. Uma trilha realmente muito bonita que merece o nosso toque musical. Confiram no GTM…

santa efigênia – milton nascimento
quilombo do dumbá – clementina de jesus
ulelelé – samuka e coro
andambi – samuka esprito santo e laércio
samba de roda – samuka e coro
chico reina – clementina de jesus
saudade do kongo – espirito santo e coro
kanjonjo – espirito santo e samuka
niangas – grupo vissungo
título – wagner tiso
chegada a ouro preto… wagner tiso
chico rei – milton nascimento
 

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Celio Balona – Alumbramento (2010)

Olá amigos cultos e ocultos! Indo e vindo, aqui estamos nós, atrasados, mas sempre na surpresa, preenchendo as vagas… pois aqui o tempo não passa…
Hoje eu trago para vocês um trabalho, em cd, do queridíssimo Célio Balona, de 2014. Esse merece sempre estar aqui. Músico dos mais importantes da cena da música mineira. Infelizmente, pouco conhecido além das nossas montanhas pelo grande público, mas sem dúvida, figura memorável na história da música brasileira.
Temos aqui “Alumbramento”, um trabalho refinado, gravado em 2010. Uma trilha premiada, para um filme de mesmo nome, “Alumbramento”, de Laine Milan. Em depoimento sobre este trabalho:“Alumbramentos” é o nome de um filme da cineasta Laine Milan, para o qual fiz a trilha sonora. Daí, resolvi colocar esse nome no cd, pois ele representa muito bem todos os alumbramentos que tive durante esses 50 anos dedicados à música. É uma panorâmica de minha trajetória, as influencias que tive e todo o aprendizado ao longo desse tempo. São doze músicas compostas por mim onde tive o grande prazer de gravar com músicos pelos quais tenho a maior admiração e respeito. Além do mais, tive o privilégio da parceria em quatro músicas com o grande poeta e letrista Murilo Antunes e dos cantores Paulinho Pedra Azul e Carla Villar, que me encantam e emocionam! A mídia tem me dado uma resposta muito positiva. As rádios começaram a tocar e a Rede Minas gravou o show de lançamento e vai fazer um “Especial Célio Balona 50 anos de Música.” Confiram no GTM.

marinheiro

alumbramentos

baião blues

só nos resta fazer canções

groove

coração poeta

cantiga para stella

frevendo

quando for

batuque

mistério de amar

mistura fina



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Persona – O Jogo Das Mutações (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Temos para o dia de hoje uma curiosidade fonográfica que por conta de umas e outras, acabou se tornando um ‘disco raro’ e a tal ponto que até mereceu uma reedição ha algum tempo atrás. “Persona – O Jogo das Mutações” era o que a gente chamava nos anos 70 de brinquedo ‘cabeça’. Trata-se de uma ideia antiga, um brinquedo ótico, reeditado/reinventado aqui no Brasil por Roberto Campadello, artista plástico, escritor e tradutor ítalo-brasileiro, que segundo contam, desenvolveu e aprimorou a técnica de fundir os rostos de duas pessoas frente a frente separadas por um vidro espelhado. Quer dizer, ao olhar para o espelho/vidro a pessoa vê pelo reflexo metade de seu rosto fundido a metade do rosto do outro, e vice-versa. Uma brincadeira interessante a qual foi apresentada pelo artista na XII Bienal de Arte de São Paulo. Depois o jogo passou a fazer parte das atrações de seu bar, cujo o nome era Persona. Segundo contam, era um bar da moda frequentado por artistas e coisa e tal… Daí veio a sacada, a criação de um jogo, produzido em escala comercial. Há muita estória nessa história e o fato é que ao montar o jogo Persona, procurou-se também criar uma trilha musical, algo cuja a sonoridade se encaixasse à proposta de uma ‘psycho-art’, a busca do verdadeiro Eu, por trás da máscara da persona… E nessa é que entra o guitarrista Luis Carlini, do então Tutti-Frutti, banda da Rita Lee, responsável pela produção musical deste disquinho de dez polegadas. Muito por conta de Carlini o disco tem uma pegada de rock psicodélico-tardio. Redescoberto junto ao bum das raridades fotográficas do rock brasuca, o disco voltou num relançamento com toda a pompa. Tem maluco aí pagando mais de 500 pilas por um exemplar original. É preciso ter fumado muita maconha (e da boa) para descobrir a importância e o valor psico-intrínseco dessa bolachinha. Bom, pílulas não se douram atoa, né? Então, vamos conferir, no GTM 😉

introdução – monte
céu
terra
fogo
água
vento
lago
trovão


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Salve 100 Anos Gonzagão (2012)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês um trabalho, já na era das edições digitais, um cd lançado em 2012 pelo músico, compositor, produtor e tantas coisas mais, o incansável Téo Azevedo. Há pouco mais de uma semana estive com ele num festival de música, aqui em Belo Horizonte e para manter a moral, comprei este disquinho dele já pensando em postá-lo aqui no nosso Toque Musical. Trata-se de um disco produzido por ele e também em parceria com o ator Jackson Antunes, em 2012, em homenagem ao grande Luiz Gonzaga. Uma seleção que reúne artistas variados do universo da música de forró, nordestina e rural como se pode ver na capa. Boa parte das 17 músicas são de autoria de Teo Azevedo, com destaque para o tema de abertura, “Padroeira da Visão – Santa Luzia”, cuja a letra é de sua autoria e musicada por Luiz Gonzaga, aqui interpretada por Dominguinhos, pouco antes de vir a falecer. Taí um trabalho bem bacana que chegou a concorrer ao Grammy Latino de 2013. Confiram no GTM…

padroeira da visão – santa luzia – dominguinhos
requim a gonzagão – teo azevedo
oxente, cabra da peste – genival lacerda e joão lacerda
causos gozagueanos – mano véio manda véia
o sonho de teo azevedo com gonzagão no parque asa branca – caju e castanha
o buraco – tisiu do araripe
o brasil nunca mais terá um trio como senna, pelé e gonzagão – cantores
maria cangaceira (maria bonita) – jackson antunes
saudade do corneteiro – fatel e luiz wilson
forrozeiro – josé fábio
abecedario catrumano – teo azevedo
voando na branca asa – josé carlos
casa do brás – caju e castanha
puxe o fole sanfoneiro, dominguinhos tocador – teo azevedo
um baiãozinho para o rei do baião – assis angelo
quanto mais mexe mió – teo azevedo
romaria eterna – teo azevedo