Continental 30 Anos De Sucessos (1973)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Olha, vou ser sincero com vocês… estamos em total decadência. Sim, o Toque Musical nunca esteve tão em baixa. E isso se deve a uma série de fatores, a começar por essa plataforma que embora seja perfeita, já não atende aos requisitos que hoje pedem mais interação e imediatismo. As redes sociais, mais especificamente o Facebook e o Youtube passaram a ser a bola da vez. Tudo pode ser encontrado nesses dois ambientes de uma maneira muito mais rápida e interativa e de uma certa forma o interesse do público está mudando, se generalizando. Ampliando os horizontes, mas numa profundidade cada vez mais rasa. Daí, ninguém tem mais saco para acompanhar postagens. O que dizer então quando para se ter acesso ao que se publica aqui precisa antes se associar a um grupo? Sem dúvida, isso é desestimulante e só mesmo que está muito interessado é que encara o jogo. E o jogo hoje se faz muito mais rápido. Demorou, dançou… Por isso, se quisermos nos manter ativos por mais 10 anos, o jeito é acompanhar os novos tempos e implementar novas alternativas. Daí, penso em migrar definitivamente o Toque Musical para o Youtube. Há tempos venho pensando nisso, talvez agora seja a nossa hora. Fiquem ligados, logo o nosso canal vai estar na rede com tudo aquilo que já postamos por aqui. Será um trabalho longo, afinal, repor mais de 3 mil postagens não é moleza. Mas vamos tentar 🙂
Marcando esse momento, eu hoje trago para vocês um álbum triplo comemorativo, da gravadora Continental, lançado lá pelos idos de 1973, ano de uma das melhores safras da indústria fonográfica brasileira. 73 foi o ano em que essa gravadora completou seus 30 anos de atividade e lançou este álbum cujo os discos são de 10 polegadas. São três lps percorrendo todas as fases da gravadora, trazendo os mais diferentes artistas em ordem cronológica. Começa em Vicente Celestino, indo até aos Novos Baianos. São trinta músicas que expressam bem os 30 anos desta histórica gravadora.
Confiram já no GTM 😉

Disco 1
noite cheia de estrelas – vicente celestino
positivismo – noel rosa
implorar – moreira da silva
ondas curtas – orlando silva
brasil – francisco alves e dalva de oliveira
cai, cai – joel e gaúcho
brasil pandeiro – anjos do inferno
é doce morrer no mar – dorival caymmi
mágoas de um trovador – silvio caldas
copacabana – dick farney
Disco 2
felicidade – quarteto quitandinha
flamengo – jacob do bandolim
na paz do senhor – lúcio alves
delicado – waldir azevedo
feitiço da vila – araci de almeida
jura – mario reis
risque – aurora miranda
menino grande – nora ney
linda flor – elizete cardoso
dúvida – luiz bonfá e antonio carlos jobim
Disco 3
tristeza do jeca – tonico e tinoco
fechei a porta – jamelão
dor de cotovelo – elis regina
mas que nada – jorge ben e conjunto de zá maria
o baile da saudade – francisco petronio
nhem nhem nhem – martinho da vila
dela – ciro monteiro
adeus batucada – célia
você mudou demais – claudia barroso
o samba da minha terra – novos baianos
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Jamelão – O Sucesso (1968)

Hoje o TM tem o prazer de oferecer aos seus amigos cultos, ocultos e associados uma coletânea de Jamelão (José Bispo Clementino dos Santos), sem dúvida um dos maiores e mais expressivos cantores que a música popular brasileira já teve. Ela foi lançada em 1968 pela Continental, sob o selo Musicolor, um dos braços ditos “econômicos” da gravadora).
Nosso focalizado veio ao mundo no dia 12 de maio de 1913, no bairro carioca de São Cristóvão, mais precisamente na Rua Fonseca Teles. Ali morou até os nove anos de idade, quando se mudou para o Engenho Novo com sua mãe, Dona Benvinda, que saía numa escola de samba de nome pitoresco:  Deixa Malhar! Aos dez anos, o menino José Bispo ganhou um cavaquinho, mas se identificou mesmo com o tamborim, sendo apelidado de Moleque Saruê. Na lendária Vila Isabel, onde passou a morar, ele fundou com alguns vizinhos o Clube Cajuti, onde cantava. Começou a trabalhar numa  fábrica de artefatos de borracha,onde conheceu o cantor Onéssimo Gomes,  que muito o ajudou em sua carreira. Cantou pela primeira vez em público na gafieira Fogão, lá mesmo na Vila, interpretando “Mentira carioca”, sucesso de Cyro Monteiro.  Por volta de 1940, apresentando-se na gafieira Jardim do Méier, o gerente Euclides pegou o microfone e anunciou: “Vamos ouvir o Jamelão!”, daí surgindo o apelido que o consagraria para a posteridade. Nesse tempo, eleprocurava cantar no estilo dos sambas de Cyro Monteiro e algumas das valsas de Orlando Silva, Sílvio Caldas e Gilberto Alves.  Em 1945, quando trabalhava na Fábrica de Tecidos Confiança participou de um programa de calouros na Rádio Ipanema, sem sucesso.  Novamente nessa emissora, levado por seu amigo Onéssimo Gomes, apresentou-se por algum tempo em um programa dominical produzido por Kid Pepe.  Mais tarde, participou do “Calouros em desfile”, de Ary Barroso, onde foi o primeiro calouro a interpretar o clássico “Ai, que saudades da Amélia” (Ataulfo Alves-Mário Lago)., sendo depois incluído no programa “Escada de Jacó”, do professor Zé Bacurau. A carreira profissional de Jamelão iniciou-se no Dancing El Dorado, substituindo o amigo Onéssimo Gomes, que adoecera. Quando Onéssimo sarou, este conseguiu para Jamelão um lugar de cantor em outro dancing, o Avenida.  Continuou trabalhando durante o dia na fábrica de tecidos, mas só cantou durante oito noites no Avenida, tendo sido convidado em seguida pelo baterista Duduca para ser crooner do Conjunto Brasil Danças, do saxofonista e clarinetista Luiz Americano. Em 1947, venceu um concurso promovido pela Rádio Clube do Brasil,recebndo como prêmio um contrato de um ano com a emissora.  Com o término do mesmo, passou-se para a Rádio Tupi, também se apresentando com frequência nos dancings Brasil e Farolito. Em disco, Jamelão iniciou-se em  1949, na Odeon,  participando de um disco do lendário acordeonista Antenógenes Silva, no qual interpretava as músicas “A jiboia comeu” e “Pensando nela”. Seu primeiro grande sucesso viria em 1951: “Onde vai, Sinhazinha?”, samba-canção do maestro Ivan Paulo, o Carioca. Um ano depois,transfere-se para a Sinter ,onde lança, entre outras, “Mora no assunto”, de Padeirinho e Joaquim Santos, e, em 1954, para a Continental,onde deixou a maior parte de seus sucessos, muitos permanentes em seu repertório: “Leviana”, “Deixa de moda”, “Folha morta”, ‘Ela disse-me assim”, “Exemplo” (neste LP), “Torre de Babel” (idem), “Eu agora sou feliz”, “Fechei a porta”, “Quem samba fica”, “O samba é bom assim”, “Exaltação à Mangueira”, “Matriz ou filial”etc. Em 1952, como crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, participou de uma festa promovida por Assis Chateaubriand, proprietário dos Diários e Emissoras Associados, no castelo do estilista de moda Jacques Fath, em Corbeville, França.  Entre 1952 e 2006, foi puxador de samba-enredo da Mangueira,  sua escola de coração, tendo sido agraciado várias vezes com o prêmio Estandarte de Ouro, do jornal “O Globo”, em sua categoria. Durante seis anos, foi diretor de harmonia do programa de TV “Rio dá samba”,  apresentado pelo compositor João Roberto  Kelly na Tupi e, depois, na Bandeirantes. Lupicínio Rodrigues considerava Jamelão seu melhor intérprete, e ele até gravou dois álbuns com suas composições.  Seu último trabalho em disco foi o CD “Cada vez melhor”,lançado em 2002 pela Obi Music.  Diabético e hipertenso, Jamelão sofreu dois AVCs e teve problemas pulmonares, vindo a falecer no dia 14 de junho de 2008, em seu Rio natal, aos 95 anos,por falência múltipla de órgãos, e seu corpo foi sepultado no Cemitério São Francisco Xavier,no bairro do Caju. Mas seu trabalho musical ficaria para sempre na memória de muitos. Nesta compilação, foram reunidas doze faixas gravadas por Jamelão na primeira metade da década de 1960. Do disco “Jamelão canta para enamorados”, de1962, foram pinçadas: a regravação de “Foi assim” (Lupicínio Rodrigues,lançada dez anos antes por Linda Batista), “Fim de jornada”, “Meu Natal” (outra composição de Lupi, cujo verso inicial, “Eu fui um dos nenéns mais bem ninados deste mundo”, é considerado um achado) e “O amor é você”. Do álbum “O samba é bom assim – A boate e o morro na voz de Jamelão” (1960), são “Solidão” (conhecidíssimo samba-canção de Guaxinim e Floriano Mattos), e outro clássico de Lupicínio Rodrigues, “Exemplo”, que o poeta gaúcho fez por ocasião de seus dez anos de casamento com Dona Cerenita. Do disco “Jamelão e os sambas mais” (1961) são “Mais do que amor” e “Você é gelo”.  Do álbum “Sambas para todo gosto” (1963) é ”Torre de Babel”, mais um clássico samba-canção de Lupicínio Rodrigues, fruto de uma das inúmeras complicações amorosas em que, invariavelmente, o compositor se metia.  Desse mesmo disco é “Retrato do morro”, uma das primeiras composições gravadas de Nonato Buzar, aliás falecido em fevereiro deste 2014. Por fim, do LP “Aqui mora o ritmo” (de 1964 e não de 62, como listado por aí), são “Um minuto de silêncio” e “Flores, estrelas e mulheres”. Enfim, uma amostra bastante expressiva do trabalho de Jamelão, que foi grande em tudo que fez em matéria de samba, tanto alegre quanto romântico. Para ouvir sem falta!
solidão
fim de jornada
foi assim
torre de babel
meu natal
o amor é você
exemplo
mais do que o amor
você é gelo
um minuto de silencio
retrato do morro
flores, estrelas e mulheres
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Texto  de SAMUEL MACHADOFILHO.

A Música De Cartola – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 68 (2013)

Em sua sexagésima-oitava edição, o Grand Record Brazil nos brinda com as primeiras composições gravadas de um grande nome do samba e da MPB. Estamos falando de Cartola. Angenor de Oliveira – que só por ocasião de seu casamento com Zica (Euzébia Silva do Nascimento) descobriria que seu pré-nome era Angenor e não Agenor, como vinha assinando – nasceu em 11 de outubro de 1908, na Rua Ferreira Viana n.o 9, no bairro do Catete, Rio de Janeiro. Era o primeiro dos oito filhos do primeiro casamento de Sebastião, com Aída. Aos oito anos, foi morar na Rua das Laranjeiras e teve despertado seu interesse pela música no contato com ranchos e clubes de operários e, ora, pois, pois, portugueses. Quando ele tinha 11 anos, a situação da família piorou, fazendo com que se mudasse para o morro da Mangueira, então ainda com características rurais e pouquíssimo habitado. Aí conhece Carlos Cachaça (1902-1999), marcando o início de uma estreita e duradoura amizade, inclusive na música, sendo parceiros de grandes sambas. O primeiro emprego de Cartola, primeiro de muitos trabalhos humildes, foi numa modesta tipografia. Na profissão de pedreiro, ele passou a usar um chapéu-coco a fim de proteger o cabelo do reboco, daí nascendo o pseudônimo com que ficou para a posteridade. Com apenas 18 anos, amasia-se com Deolinda (que era casada, tinha uma filha e era sete anos mais velha que ele!). Integrado na roda dos batuqueiros, integra a formação, anos depois, do Bloco dos Arengueiros, cujo maior prazer entre seus componentes era promover arruaças, fazendo jus ao nome. Um dia, porém, seus componentes concluem ser chegada a hora de acalmar os nervos, sem perder a finalidade musical. Assim nasceu, em 1928, a lendária Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, cujas cores, verde e rosa, foram adotadas por sugestão do próprio Cartola (eram as mesmas cores do Rancho dos Arrepiados, por ele frequentado no tempo em que morara na cidade).  Entre 1929 e 1933 teve suas primeiras oito composições gravadas, cinco por Francisco Alves , o maior cantor da época, uma por Cármen Miranda, uma por Sílvio Caldas e uma pelo iniciante Arnaldo Amaral. Essa primeira fase de músicas gravadas seria interrompida, pois os rendimentos eram parcos, e Cartola dedicou-se apenas a compor para sua querida Mangueira, da qual se tornou figura lendária, lançando esporadicamente em disco um ou outro samba, inclusive gravando para o maestro Leopold Stokowski, em 1940, o samba “Quem me vê sorrir” (ou “Quem me vê sorrindo”), parceria com Carlos Cachaça, registro que na época só saiu nos EUA.  Nos anos  40, teve inúmeras dificuldades, tanto financeiras quanto pessoais, abalado pelo falecimento de sua Deolinda e gravemente doente. Nessa ocasião, Cartola se afasta da Mangueira e chega até a ser dado como morto. Em meados da década de 1950, o jornalista e escritor Sérgio Porto o redescobre na penúria, como lavador de carros numa garagem de Ipanema. Sérgio anuncia a boa nova de que Cartola ainda vivia, e lhe arranja um emprego menos árduo. Aos poucos, o mestre mangueirense começa sua reintegração ao meio musical. É quando se casa com sua querida Dona Zica, bela cabrochinha de olhos brilhantes, e também exímia e celebrada cozinheira. Ambos instalam, num antigo casarão da Rua da Carioca, o lendário restaurante Zicartola, que funcionou de 1963 a 1965, tornando-se ponto de encontro de sambistas de morro com nomes ditos elitizados , dando também oportunidade para o surgimentos de novos valores, Cartola comandando o samba e Dona Zica o “rango”. Entre suas composições mais conhecidas destacam-se “O sol nascerá”, “As rosas não falam”, “Acontece”, “O mundo é um moinho”, “Sim” e “Alvorada”. Entre 1974 e 1978, Cartola grava quatro LPs, dois pela Marcus Pereira e outros dois pela RCA, bastante elogiados pela crítica e bem acolhidos pelo público. Cercado do respeito e reconhecimento gerais, faleceu em 30 de novembro de 1980, aos 72 anos, sendo seu corpo velado na sede da Mangueira com todas as homenagens, e sepultado no cemitério do Caju.

Para esta edição do Grand Record Brazil, foram selecionadas nove faixas, gravadas em 78 rpm.  Abrindo esta seleção, temos a primeira composição gravada de Cartola, “Que infeliz sorte!”, lançada pela Odeon em dezembro de 1929, na voz de Francisco Alves, disco 10519-A, matriz 3095. Mário Reis chegou a adquirir os direitos de gravação deste samba por 300 mil-réis, mas preferiu repassá-lo ao Rei da Voz. Em seguida, Cármen Miranda, já então “o maior nome feminino da fonografia nacional”, interpreta “Tenho um novo amor” gravação Victor de 11 de maio de 1932, lançada em julho seguinte sob n.o 33575-B, matriz 65486, com acompanhamento do mestre Pixinguinha, à frente do Grupo da Guarda Velha.  É uma parceria de Cartola com Noel Rosa, não creditado no selo e na edição. Vem também a ser o caso das faixas seguintes, interpretadas por Francisco Alves e por ele gravadas na Odeon: “Não faz, amor”, gravação de 7 de julho de 1932, disco 10927-A, matriz 4481, e “Qual foi o mal que eu te fiz?”, imortalizado pelo Rei da Voz em 30 de dezembro de 32 mas só lançado em maio de 1933 sob n.o 10995-B, matriz 4574. Noel e Cartola, sem dinheiro, procuraram Chico Alves no Largo do Maracanã e lhe pediram algum. Chico concordou, desde que cada um fizesse um samba naquele momento. Foi aí que compuseram “Qual foi o mal que eu te fiz?”, com toda a segunda parte de Noel, que nessa ocasião fez sozinho “Estamos esperando”, gravado por Chico em dupla com Mário Reis. No dia 3 de janeiro de 1933, Francisco Alves retorna aos estúdios da Odeon para gravar outro samba de Cartola, agora sem parceiro: “Divina dama”, que será lançado logo em seguida com o número 10977-B, matriz 4575, constituindo-se no maior sucesso da primeira fase de composições gravadas do poeta mangueirense.  A faixa seguinte, “Na floresta”, foi gravação de Sílvio Caldas, parceiro de Cartola neste samba, em  13 de julho de 1932, matriz 65546, mas a Victor só o lançou em outubro de 33 com o n.o 33712-A. Isso em virtude de atritos entre Sílvio e Francisco Alves. Bucy Moreira compôs um samba chamado ‘Foi um sonho”, do qual Chico Alves gostava da letra, mas não da melodia. Então o Rei da Voz encaixou a de “Na floresta”, deixando a letra de lado. Os versos seriam musicados e gravados por Sílvio Caldas, e Francisco Alves, evidentemente, surtou e quis impedir o lançamento do disco. Mas Sílvio Caldas convenceu o Rei da Voz de que ele tinha comprado apenas a melodia: “Você deixou a letra de lado e o Cartola precisa ganhar dinheiro!” E Chico deixou os atritos também de lado…  A faixa seguinte é “Não posso viver sem ela”, parceria de Cartola com Alcebíades “Bide” Barcelos, gravada na Odeon por Ataulfo Alves, à frente de sua Academia de Samba, em 27 de novembro de 1941, com lançamento bem em cima do carnaval de 42, fevereiro, sob n.o 12106-B, matriz 6870. Entretanto, o hit maior desse disco foi o clássico “Ai, que saudades da Amélia”, de Ataulfo e Mário Lago, que ofuscou esta aqui. O samba-canção “Grande Deus” foi composto por Cartola em 1946, quando contraiu meningite e demorou mais de um ano para se recuperar. Porém, só em agosto de 1958 é que a música foi lançada em disco, na voz do grande Jamelão, pela Continental, sob n.o 17573-A, matriz C-4099. E, para encerrar mais este pequeno-grande programa do GRB, o samba “Festa da Penha”, parceria de Cartola com Asobert (pseudônimo e anagrama de Adalberto Alves de Souza). Foi gravado em 1958 por Ary Cordovil para o extinto selo Vila, em disco de número 10003-A, matriz V-7801-A. A festa em questão acontecia todo ano no mês de outubro, com romaria de fiéis  percorrendo o longo caminho até a igreja (com escadaria e tudo), que até hoje fica bem em cima do morro da Penha, numa demonstração de fé e oportunidade para apresentação de novas músicas, sempre com um olho profano em direção ao carnaval. Esta é a homenagem do GRB ao mestre Cartola, nome que tem seu lugar garantido entre os imortais de nossa música popular.

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Cast Continental – O Amor Mais Puro (1963)

Olá amigos cultos e ocultos! Acabo de voltar da Feira de Vinil, onde (pra não variar), comprei mais discos do que vendi. Estou empenhado em refazer minha discoteca básica de rock”n’roll, preferencialmente só com discos importados e originais. Hoje, numa baita sorte comprei quatro pérolas da minha adolescência: Nektar, Can, Hard Stuff e Atomic Rooster, tudo importado e praticamente novos. Que beleza! É disco que eu gosto!
E amanhã é o Dias das Mães, não é mesmo? Pensando nisso eu resolvi me antecipar, trazendo um dia antes um disco de celebração, aquele que vai ser a minha homenagem a todos os `filhos da mãe` e a ela própria, sempre viva em nossos corações. Feliz seja esse dia para todos, com ou sem a presença Dela. Deixo aqui para vocês essa coletânea especial, lançada em 1963 pela Continental, com o propósito de homenagear a mamãe. Um disco muito interessante e original, reunindo vários artistas da gravadora e músicas que com certeza marcaram momentos como esse. Salve a mãe! O amor mais puro!

o amor mais puro – francisco petronio
minha mãe é mais bonita – angela maria
ser mãe – josé leão
madre – albertinho fortuna
doce maezinha – nora ney
amor de mãe – jamelão
flor mamãe – josé leão
dorme mamãe – carlos josé
cantiga para ninar mamãe – zezé gonzaga
retrato de amor – orlando correa
a você mamaezinha – francisco petronio
coração de mãe – jorge goulart
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Jamelão – Samba Enredo – Sucessos Antológicos (1975)

Boa noite, amigos foliões! Antes de sair para o último dia de festa (aliás, o dia realmente da festa), vou deixando a nossa postagem. Mais uma vez, dentro do clima, o nosso tema é o carnaval. Para hoje eu reservei este álbum da pesada do Jamelão. Temos aqui um lp lançado em 1975 pela gravadora Continental. Estão reunidos dez sambas enredos defendidos pelo grande sambista, um dos maiores puxadores de escolas de samba. As dez faixas, como se pode ver, fazem mesmo valer o disco. Confiram aí, porque eu aqui já estou de saída. A folia me aguarda 🙂

cântico a natureza
o grande presidente
rio antigo
cada grande e senzala
o fabuloso mundo do circo
rio grande do sul na festa do negro fôrro
dona bêja, feiticeira de araxa
exaltação a mangueira
terra de caruaru
apoteose do samba

Vamos Dançar? – Vol. 1 (1957)

Olá a todos! Hoje eu estou trazendo um disco bem interessante, um lp dos mais raros entre os raros postados aqui. Trata-se de uma coletânea da Sinter reunindo oito de seus artistas em gravações originalmente lançadas em 78 rpm. O lp do qual eu extraí as gemas, infelizmente não estava lá grandes coisas, precisei de paciência para limpa-lo, ‘na unha’. Acho que agora está um pouco mais aceitável. Por outra, a qualidade desse microssulco é também questionável. Este é um raro exemplo entre os primeiros lp de 12 polegadas onde podemos encontrar mais do que 12 faixas. Eles aqui aproveitaram ao máximo o espaço do vinil para colocarem 16 músicas, ou seja, 8 bolachas num só lp. Ficou tão apertadinho que mal se percebe a pausa entre uma faixa e outra.. Suponho que entre os sulcos também, o que, no meu entendimento, prejudicou uma melhor captação do som pela agulha. Mesmo apesar disso, achei de posta-lo para que os amigos possam conhecer, ou reconhecer. Há aqui alguns fonogramas raros, como é o caso do primeiro disco gravado por Johnny Alf, trazendo as duas faixas: “De cigarro em cigarro”, de Luiz Bonfá e “Falseta”, de sua própria autoria. No álbum não há muitas informações, inclusive a data de lançamento, que eu acredito que seja de 1957 ou 58. Apenas no selo, de forma confusa, é que podemos identificar música e artista. Entre essas há uma que não consta o intérprete, o choro “Atraente”, de Chiquinha Gonzaga (faixa 7). Suponho que seja a música do outro lado do 78 onde tem a faixa “Zulu”, com Irany Pinto. Nesta, só quem pode nos ajudar é o nosso pesquisador Samuel Machado Filho. Aliás, dar um geral em todas, hehehe… Fala aí Samuca!

fuchico – os copacabana

tenderly – donato e seu conjunto

eu vou partir – jamelão

teus olhos entendem os meus – steve bernardes

maria candela – carioca e sua orquestra

de cigarro em cigarro – johnny alf

atraente – os copacabana

eu quero um samba – os namorados

mambo do turfe – carioca e sua orquestra

falseta – johnny alf

zulú – irany pinto

mora no assunto – Jamelão

invitation – donato e seu conjunto

três ave maria – namorados

blue canary – steve bernardes

perereca – os copacabana

PS.: Através de nosso amigo Salvador identificamos o intérprete da 7ª faixa, “Atraente”. Trata-se do conjunto Os Copacabana. Esta gravação foi relançada no disco “Quincas E Os Copacabana”, em 1958, pelo selo Odeon (e pode ser encontrado no Vinyl Maniac).

Jamelão – Ela Disse-me Assim (1968)

Bom dia a todos! A semana promete, mas meus outros compromissos e a falta de tempo comprometem. Mesmo assim, vou tentar não deixar a peteca cair. Hoje terei que lançar mão de mais uma reserva, notícia pronta para cobrir jornal, os meus ‘discos de gaveta’. Ainda bem que o sorteado foi o Jamelão. Vai combinar com o ritmo das últimas postagens.
Temos aqui um álbum do cantor, lançado no final dos anos 60, cuja a música que dá nome ao disco, de Lupicínio Rodrigues, foi um dos seus grandes sucessos. Aliás, este lp, no geral, foi um grande sucesso. Recheado de excelentes e variados estilos de sambas. Destaco também entre esses, “Folha Morta”, de Ary Barroso e “Timbó”, de Ramon Russo, um afrosamba que foi regravado pelo grupo Farofa Carioca. Confiram aí o Jamelão, que eu já estou de saída…

ela disse-me assim
confiança
pense em mim
como ela é boa
folha morta
esquina da saudade
ela está presente
três amores
há sempre uma que fica
frases de um coração
timbó

As Maiorais do Ano (1959)

Para não ficarmos apenas orbitando sobre futebol e festa junina, aqui temos uma boa coletânea do selo Continental, disco este lançado no ano de 1959. Temos nesta seleção musical um leque variado do ‘cast’ da gravadora. Algumas músicas até já foram apresentadas aqui em seus álbuns originais, todavia há outras, raros momentos que irão despertar o interesse. São amostras do que foi produzido pela gravadora naquele ano. Vejam que boa coletânea…

baiano burro nasce morto – gordurinha
ela disse-me assim – jamelão
perfume de gardênia – lauro paiva
eu sei que vou te amar – albertinho fortuna
quero beijar-te as mãos – duo guarujá
fumaça nos teus olhos (smoke gets in your eyes) – tito madi
a felicidade – chiquinho e seu conjunto
luna de miel en puerto rico – titulares do ritmo
estúpido cupido – neide fraga
a filha da lavadeira – risadinha
você – marina barbosa
manhã de carnaval – bil farr

Rio, Cidade Maravilhosa (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui vou eu me repetido no discurso e na saudação. Fica difícil ser diferente quando, mesmo sem querer, eu fui criando um formato tão pessoal para o meu blog. Isso se deve muito ao fato de que em um determinado momento eu precisei provar a todos que este espaço é estritamente amador, sem prentensões que vão além do meu desejo de trazer até vocês discos raros e que não se ouve mais. Não faz sentido para mim possuir ou ter acesso a riquezas fonográficas que eu não possa compartilhar. Amor como este não se faz sozinho. É preciso levá-lo a quem precisa ou àqueles que estão em mesma sintonia. Isso é diferente de querer sair na frente. De estar em busca de outros propósitos e objetivos. Isso aqui não é feito por jornalistas, estudantes de comunicação, ensaístas ou profissional do ramo de entretenimento pela web. Também não é o blog do ‘Gerson’, pois não penso em levar vantagem em nada. O Toque Musical é apenas um espaço amador e pessoal. Daí, cheio de falhas como deve caber a quem não é profissional. (putz! até rimou!)
Deixando de lado a polêmica (dizem que eu adoro!), vamos ao que interessa… Tenho aqui um álbum maravilhoso cujo o tema é uma cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. Em 1954, o maestro Radamés Gnattali foi chamado para orquestrar a “Sinfonia Popular em Ritmo de Samba”, uma obra criada pelos então jovens compositores Antonio Carlos Jobim e Billy Blanco. O disco, de 10 polegadas, saiu naquele ano contando com a participação de grandes nomes como Dick Farney, Elizete Cardoso, Lúcio Alves, Gilberto Milfont, Os Cariocas, Doris Monteiro, Emilinha Borba, Jorge Goulart e Nora Ney (será que eu esqueci alguém?). Em 1960, Radamés é novamente chamado para uma segunda versão, agora neste álbum de 12 polegadas intitulado, “Rio, Cidade Maravilhosa” que eu apresento a vocês. Diferente do primeiro, neste, também da Continental, temos uma homenagem à cidade carioca, onde desfilam algumas das mais famosas músicas feitas louvando a belíssima capital fluminense. O álbum se divide em dois momentos. No lado A temos a referida segunda versão da Sinfonia do Rio de Janeiro, tão boa ou melhor que a primeira. Pessoalmente gosto mais desta. Nela encontramos um novo grupo de estrelas, algumas até da versão anterior. São eles: Os Cariocas, Risadinha, Luely Figueiró, Albertinho Fortuna, Nelly Martins, Maysa, Jamelão e Ted Moreno. No lado B temos outras sete músicas interpretadas pelo Coral de Severino Filho, Maysa e Albertinho Fortuna. Maravilha total! Este disco voltou a ser relançado com outra capa no início dos anos 80 e até já foi postado no amigo Loronix (aliás, os dois!). Tomei a liberdade de incluir o disquinho de 54, postado pelo Zeca, juntamente com este que eu estou apresentando agora. Assim fica mais fácil entender e com certeza, com esta capa, vai encher a boca de muito colecionador. Taí, uma pura raridade…

sinfonia popular em ritmo de samba – radamés gnattali
cidade maravilhosa – coral de severino filho
copacabana – maysa
valsa de uma cidade – coral de severino filho
fim de semana em paquetá – albertinho fortuna
corcovado – coral de severino filho
primavera no rio – coral de severino filho

Jamelão – O Samba Bom É Assim (1959)

Ontem, extraordináriamente não tivemos nenhuma postagem devido a um problema no Blogger. Não consegui acesso para postagens e só agora a tarde é que parece ter normalizado. Segue então, hoje, a minha homenagem ao grande sambista Jamelão. Espero que este seja um álbum inédito nas ‘bocas’ e nas fontes. Não vou nem me dar ao trabalho de verificar isso. Neste disco Jamelão mostra os dois lados do sambista, no morro com seu partido alto e nas apresentações noturnas em boates, no fim dos anos 50. Correndo contra o tempo, aqui não jás, aqui samba!

o samba é bom assim
solidão
decisão
escravo de um coração
nostalgia
que onda é essa
falta de queda
exemplo
jajá da gambôa
águas passadas
eu sofro também
a saudade já chegou