Momento Universitário (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Em tempos de incertezas políticas é sempre bom a gente lembrar fatos que muito se assemelham aos atuais. Também, relembrando o que era um momento universitário, quanto essa turma era mais engajada. Se fossem fazer hoje um disco do momento universitário, com certeza, seria um desastre musical, cheio de funk, rap e sertanejo, claro.
Nesta coletânea que eu agora trago, temos um repertório impecável, com músicas e artistas de primeiríssima linha. Sucessos consagrados pelo público e pela crítica. Esta coletânea foi produzida pela EMI Odeon em 1977, reunindo alguns de seus mais representativos artistas. O disco fez tanto sucesso que no ano seguinte ele lançaram um segundo volume. Esse, eu trago no próximo post para não ficarmos incompletos, ok? Divirtam-se

canto brasileiro – paulo cesar pinheiro
pesadelo – paulo cesar pinheiro
arueira – geraldo vandré
viola enluarada – marcos valle e milton nascimento
cabra seca – marlene
galope – luiz gonzaga jr
o que será – simone
cartomante – ivan lins
noção da batalha – carlinhos vergueiro
o trem tá feio – simone
catecismo – paulo cesar pinheiro
quadras de roda – ivan lins
começaria tudo outra vez – luiz gonzaga jr
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Quando As Escolas Se Encontram – Carnaval 1973 (1973)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aqui estamos bem animados, dando sequência a festa. O carnaval por aqui já começou. Vamos pela semana relembrando sucessos, marchas, sambas, batuques…
Tenho para hoje um disco bem legal. Boa safra, com certeza, 1973. Uma seleção de sambas enredos e sambas de quadra de algumas das mais tradicionais Escolas do Rio. Vão aqui interpretadas por Alda Perdigão, Marlene, Ataulfo Junior, Joel de Castro, Carlinhos Pandeiro de Ouro e Dominguinho do Estácio. Produção da RCA, dirigida por Wilson Miranda, com arranjos dos maestros Nelsinho, Peruzzi e Pachequinho. Muito bom!

zodiaco no samba – alda perdigão
tem capoeira – carlinhos pandeiro de ouro
viagem encantada pindorama a dentro – marlene
pasárgada, o amigo do rei – ataulfo junior
tra lá lá lamartine babo – joel de castro
lendas do abaeté – carlinhos pandeiro de ouro
mexe mexe – marlene
tra lá lá lamartine babo, um hino ao carnaval brasileiro – alda perdigão
quero ver minha escola passar – ataulfo junior
eneida, amor e fantasia – joel de castro
o abc do carnaval – dominguinho
o saber poético da literatura de cordel – joel de castro
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Marlene – Vamos Dançar Com Marlene E Seus Sucessos (1956)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Atendendo a pedidos (foram cinco!) estou trazendo para hoje o álbum de 10 polegadas, “Vamos dançar com Marlene e seus sucessos”. Um disco lançado pela Sinter em 1956 reunindo alguns de seus muitos sucessos. Gravações que originalmente foram apresentadas em discos de 78 rpm.Temos aqui um disco com sambas, mambos e um baião. Marlene atacando com tudo em “Samba rasgado”, de Zé Ketti e Jaime Silva; “Saudosa maloca”, de Adoniran Barbosa e outros sambas, mambo e até baião. Ah! Não posso me esquecer de outro clássico, “O lamento da lavadeira”, de Monsueto, Nilo Chagas e João Violão. Um samba com muito humor que retrata bem a situação atual de falta de água (mas a chuva está chegando). Enfim, olha o disco aí…

papai é do mambo
samba rasgado
saudosa maloca
dinguilim do baião
canta menina, canta
lamento da lavadeira
mi papá
aperta o cinto
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Marlene – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 110 (2014)

Depois de Emilinha Borba, na semana passada, nada mais justo que o Grand Record Brazil dedique este seu centésimo-décimo volume àquela que foi durante anos apontada como sua rival, sem nunca tê-lo sido. E nossos amigos cultos, ocultos e associados por certo já perceberam que estamos falando de Marlene, aliás uma das inúmeras perdas importantes deste ano de2014, ainda em curso. Batizada como Victoria Bonaiutti de Martino, nossa focalizada veio ao mundo no dia 22 de novembro de 1922, em São Paulo, na Bela Vista (o velho e bom Bixiga), bairro central tipicamente italiano, com características tradicionais ainda conservadas em parte.  Os  pais,claro, eram italianos, e Vitória era a caçula de três filhas, as demais eram Marieta e Geni. Seu nome vem do pai, Victorio, falecido sete dias após seu nascimento. A mãe, Dona Antonieta, não se casaria outra vez, e por isso teve de arcar sozinha com a manutenção e a educação das filhotas. Alfabetizava no Instituto de Surdos e Mudos e trabalhava como costureira. Como pertencesse à Igreja Batista, D. Antonieta conseguiu que Victorinha fosse internada, pagando apenas uma taxa, no Colégio Batista Brasileiro, com mensalidades dispensadas, em troca  de a futura estrela executar  serviços gerais, como a arrumação dos dormitórios.  Nesse colégio, frequentado por meninos e moças da alta sociedade, Victorinha estudou dos 9 aos 15 anos, destacando-se nas equipes esportivas, e no coro juvenil da igreja. Sabia também declamar, e cantava se acompanhando ao violão. Mais tarde, Victoria vai cursar a Faculdade de Comércio, na Praça da Sé, a fim de se tornar contadora. Ao mesmo tempo, necessitando trabalhar, emprega-se, durante o dia, em um escritório comercial, e começa a participar de uma entidade estudantil recém-formada, a qual passa a dispor de um espaço na PRH-9. Rádio Bandeirantes (então “a mais popular emissora paulista”), “A hora do estudante”, onde seria cantora. Nessa ocasião,seus colegas estudantes escolhem o nome artístico que a imortalizou, Marlene, por certo em homenagem à atriz e cantora alemã Marlene Dietrich. Mais tarde, acompanhando a sambista Jeanette Thadeu, “a garota do chapéu-de-palha”, vai conhecer a PRG-2, Rádio Tupi (“a mais poderosa emissora paulista”), sendo admitida com salário de 200 mil-réis mensais.  Cansada da desaprovação e dos temores de sua família (que não podia admitir nenhuma incursão no setor artístico, por razões sociais e religiosas então vigentes), Marlene soube que o empresário e radialista Armando Silva Araújo (Domanar) poderia lhe proporcionar um teste para crooner no Cassino Icaraí, em Niterói. Aí, toma o trem, e vai para o Rio de Janeiro, faz o teste no Icaraí com o maestro Vicente Paiva e é aprovada. Passa depois a ser crooner da orquestra de Carlos Machado, no Cassino da Urca, o mais famoso do Brasil e o preferido dos turistas, pelo qual passavam grandes cartazes internacionais.  E Marlene (“a que canta o samba diferente”) foi logo se constituindo em uma das atrações do cassino. Mas, em abril de 1946, o então presidente Dutra proíbe o jogo no Brasil, com o consequente fechamento dos cassinos e desemprego de artistas. Para Marlene, porém, houve compensação, pois seguiu com a orquestra de Carlos Machado para a boate Casablanca. Vai depois para o sofisticadíssimo Copacabana Palace, hotel dos irmãos Guinle, promovida a estrela da casa. Em 1947, atua na Rádio Mayrink Veiga e, depois, na Rádio Globo. Pouco antes, lançou pela Odeon seu primeiro disco, interpretando “Swing no morro” e “Ginga, ginga, moreno”,obtendo mais tarde seu primerio hit maiúsculo, no carnaval daquele ano, a marchinha “Coitadinho do papai”, premiada no concurso oficial da prefeitura do Rio. Já estreara no cinema, em 1944, atuando na comédia “Corações sem piloto”, e em seguida nos filmes carnavalescos “Pif-paf” (1945), “Caídos do céu” (1946) e “Esta é fina” (1947). Em 1948, assina contrato com a lendária Rádio Nacional, para atuar no programa de César de Alencar, logo tornado-se uma das estrelas da emissora da Praça Mauá. Um ano mais tarde, vence espetacularmente o concurso de Rainha do Rádio, derrotando Emilinha Borba,franca favorita, com o apoio da Antarctica, que então lançava o guaraná Caçula, sendo esse concurso a origem da eterna rivalidade entre seus fãs e os de Emilinha. A partir daí, todos sabem o que acontece: sucessos sem conta no disco (grava também na Star, Continental, RCA Victor, Todamérica, Sinter,  RGE…), e excursões pelo Brasil e no exterior. Vai a Paris (ficou quatro meses e meio em cartaz no famoso teatro Olympia), Nova York , Chicago, Santiago do Chile, Buenos Aires (na Argentina, em 1954, atuou no filme “Adeus, problemas”), e se apresenta em Cannes, na França, a convite do duque e da duquesa de Windsor. Em 1952, casa-se com o também ator Luiz Delfino, que conhecera durante as filmagens de ”Tudo azul”, e o enlace, na Igrejinha do Outeiro da Glória, é um verdadeiro acontecimento. Ao lado dele, dedica-se ao teatro, sua maior e declarada paixão, consagrada pelo público e crítica como atriz, e ambos fazem sucesso no rádio e na TV com o programa “Marlene, meu bem”, escrito por Mário Lago,versão brazuca da sitcom americana “I love Lucy”, satirizando episódios da vida a dois. . Atuou em espetáculos como “Carnavália”, “É a maior”, “Te pego pela palavra”, “Botequim” e “Ópera do malandro”, a maior parte registrados  em disco.  Como compositora, fez o samba-canção ‘A grande verdade” (parceria com Luiz Bittencourt), gravado em 1951 por Dalva de Oliveira. Enfim, uma artista completa. Marlene faleceria em 13 de junho de 2014, no Rio, aos 91 anos, de falência múltipla de órgãos. Ela estava internada no hospital Casa de Portugal, em virtude de uma queda sofrida dias antes, em casa. Para sempre “a maior”, “a incomparável” e “aquela que não perde a majestade”,  Marlene recebe a homenagem do GRB, nesta edição em que apresentamos catorze de suas melhores gravações,  nas quais se mostra uma intérprete versátil e personalíssima. Abrindo esta seleção, que contou inclusive com a preciosa colaboração deste que vos escreve, a marchinha “Vou nas águas”, de Raul Sampaio e Benil dos Santos, para o carnaval de 1959, gravação Odeon de 6 de novembro de 58, lançada ainda em dezembro, disco  14398-B, matriz 13037. Em seguida,o baião “Estrela Miúda”, primeira composição gravada do maranhense (de Pedreiras)  João do Valle, em parceria com Luiz Vieira, gravação Todamérica de 26 de março de 1953, lançada em junho do mesmo ano sob n.o TA-5293-B, matriz TA-432. Nessa ocasião, João do Valle era servente de pedreiro, de dormir na obra e tudo o mais, e uma mulher que morava lá perto tocava esse disco sem parar,o dia todo. João não tinha coragem de dizer que a música era dele. Um dia, não dando mais para segurar a coisa, ele se chegou para seu chefe e perguntou: “Tá ouvindo essa música?” “Sim, é Estrela Miúda”, respondeu ele. “Sabe quem canta?”, perguntou João. “Sei, é a Marlene”. “E quem é o autor?” O chefe não sabia, e ao ouvir de João do Valle que o autor era ele, nem acreditou: “Que é isso, neguinho, tá delirando? Traz massa, neguinho, traz massa!” Depois vem o samba “Gabi morena”, de autoria de outro expressivo compositor nordestino, o pernambucano Luiz Bandeira (também autor de”Na cadência do samba”,o famoso “Que bonito é”), gravado na Continental pela “maior” em 2 de junho de1954, com lançamento em junho-julho desse ano, disco 16991-A, matriz C-3380. Temos em seguida a divertida marchinha-crônica “Ibrahim piu-piu (Marcha do Ibrahim)”, um dos hits do carnaval de 1956, de autoria de Miguel Gustavo, sem dúvida um cronista musical de seu tempo. Lançada pela Sinter ainda em novembro-dezembro de 55 sob n.o 00-00.440-B, matriz S-1002, faz referência ao colunista social Ibrahim Sued, muito popular na imprensa e na televisão, com bordões que marcaram época: “Depois eu conto”, “De leve…”, “Bola branca”, “Bola preta”, “Alô, panteras e panterinhas”, “E ademã que eu vou em frente” etc. O lírico e expressivo samba-canção “Luz de vela”, de Luiz Antônio, é lançado por Marlene, na Continental, em maio-junho de 1952, com o n.o 16563-B,matriz C-2822. Sucesso no carnaval de 1953, a “Marcha do sapinho”, de Humberto Teixeira e Norte Victor, é lançada pela mesma Continental na voz da “incomparável” em janeiro desse ano, com o n.o 16670-B, matriz C-2990, sendo interpretada também por Oscarito e Maria Antonieta Pons no filme “Carnaval Atlântida”.  “Canta, menina, canta”, samba de Monsueto e Arnaldo Passos,é lançado pela Sinter em maio-junho de1955 sob n.o 00-00.395-A, matriz S-893, entrando mais tarde no LP de dez polegadas “Vamos dançar com Marlene e seus sucessos”. João “Braguinha” de Barro, Nássara e Antônio Almeida assinam a marchinha “Sereia da areia”, do carnaval de 1952, que a Continental põe nas lojas um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, disco 16509-B, matriz C-2777, e é também interpretada por Marlene no já citado filme “Tudo azul”, da Flama Filmes, último trabalho do cineasta Moacyr Fenelon.  Do mesmo suplemento Continental de “Luz de vela”, maio-junho de 1952, é o baião junino “Canção das noivas”, de Haroldo Lobo e Rômulo Paes, que é catalogado com o número 16556-B, matriz C-2843. “Quero sambar”, de autoria de Zé Kéti, é gravado na RCA Victor pela nossa Marlene em 30 de agosto de 1957, sendo lançado em novembro seguinte sob n.o 80-1862-A,matriz 13-H2PB-0207. Marlene também o interpreta no filme “O cantor e o milionário”, da Cinematográfica Guarujá”, no qual atua como atriz, interpretando a si mesma, ao lado do marido, Luiz Delfino. Norival Reis,o Vavá, que também era técnico de gravação da Continental, assina com Rutinaldo Silva “Vamos à valsa”, que Marlene lança pela gravadora dos irmãos Byington em maio-junho de 1951, sob n.o 16406-A,matriz 2610. Também na Continental, agora tendo ao lado o então nascente conjunto vocal Os Cariocas, e com acompanhamento impecável da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, Marlene lança, entre outubro e dezembro de 1949, no disco 16125, dois baiões clássicos da parceria Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira, que o próprio Gonzagão só irá gravar posteriormente. No lado A, matriz 2166, “Macapá”, e no verso, matriz 2167, “Qui nem jiló”, originalmente valsa,mas que Humberto Teixeira transforma no então ritmo da moda, alcançando expressivo êxito. Esta faixa encerra nosso retrospecto marleniano, mas, antes dela, iremos encontrar a divertida valsa ‘Marlene, meu bem”, de Mário Lago, em dueto com o entoa marido Luiz Delfino, e inspirada no já citado programa de rádio e TV de mesmo nome, escrito justamente por Mário Lago. Foi lançado pela Sinter em setembro-outubro de 1955, sob n.o 00-00.425-A, matriz S-975.Enfim, esta é a homenagem do GRB àquela que foi, é e será eternamente A MAIOR!
* Texto de Samuel Machado Filho

A Música De Monsueto – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 88 (2014)

Esta semana, o Grand Record Brazil reverencia a memória de outro grande compositor e sambista brasileiro, com inúmeros sucessos a seu crédito. Estamos falando de Monsueto. Batizado com o nome de Monsueto Campos de Menezes, nosso focalizado era carioca da gema, nascido na então Capital da República no dia 4 de novembro de 1924. Criou-se na favela do Morro do Pinto, entre partideiros, rodas de samba e batucadas, o que por certo contribuiu para sua formação musical. Foi baterista de inúmeros grupos musicais, inclusive da orquestra de Nicolino Cópia, o Copinha, no Copacabana Palace Hotel. Conseguiu seu primeiro sucesso em um carnaval bastante disputado, o de 1952, com o samba “Me deixa em paz”, gravado por Linda Batista e constante deste volume. Depois, teve várias de suas músicas incluídas no espetáculo “Fantasias e fantasia”, também do Copacabana Palace. No cinema, apareceu em filmes como “Treze cadeiras”, “Na corda bamba”, “O cantor e o milionário”, “Quem roubou meu samba?” e “A hora e a vez do samba”.  Monsueto atuou em vários shows ao lado de Herivelto Martins, antes de formar seu próprio grupo, com o qual excursionou pelo Brasil e outros países da América, Europa e África. Era também conhecido pelo apelido de Comandante, com o qual foi muito popular nos anos 1960, quando participava de um programa humorístico da extinta TV Rio, Canal 13, lançando expressões de gíria que se incorporaram à linguagem popular: “castiga”, “ziriguidum”, “vou botar pra jambrar”, “mora” etc. Só gravou como intérprete um único LP, na Odeon, “Mora na filosofia dos sambas de Monsueto”, em 1962, e alguns 78 rpm, além de participações em registros de outros cantores. A partir de 1965, Monsueto começou a se dedicar também  à pintura primitivista, e até recebeu prêmio do Museu Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro. Sem ter se filiado a nenhuma escola de samba carioca, era bem recebido e respeitado em todas elas, desfilando a cada ano em uma diferente. A última escola em que Monsueto desfilou, em 1972, foi a Unidos de Vila Isabel. Pouco depois, quando participava das filmagens de “O forte” (direção de Olney São Paulo), na Bahia, em que fazia o papel de um diretor de harmonia de escola de samba, Monsueto adoeceu e foi hospitalizado em seu Rio de Janeiro natal, onde morreu no dia 17 de março de 1973, vítima de câncer no fígado. Entre seus hits como autor destacam-se ainda: “Eu quero essa mulher assim mesmo”, “Na casa de Antônio Jó”, “O lamento da lavadeira” (“Para lavar a roupa da minha sinhá”…) e outros presentes nesta seleção do GRB, que perfaz  um total de 14 preciosas gravações, todas, claro, sambas. Vamos a elas, portanto. Linda Batista canta as três primeiras faixas, em gravações RCA Victor. A primeira é “Levou fermento” (parceria de Monsueto com Arnaldo Passos), registro de 30 de agosto de 1956, lançado ainda em novembro para o carnaval de 57, disco 80-1690-B, matriz BE6VB-1286, abrindo também o LP coletivo com músicas para essa folia, uma prática da época também adotada  por outras gravadoras, simbolizando uma época de transição de formatos. Na faixa 2, Linda canta exatamente o primeiro grande sucesso de Monsueto como compositor: “Me deixa em paz”, parceria com Ayrton Amorim, por ela imortalizado em 6 de agosto de 1951 e lançado ainda em outubro sob n.o 80-0825-A, matriz S-093017, tornando-se uma das campeãs do carnaval de 52. E essa folia ainda tinha “Sassaricando”, “Confete”, “Lata d’água” e outras mais. “Me deixa em paz” teve anos mais tarde, em 1971, uma ótima regravação com Alaíde Costa em dueto com Mílton Nascimento, lançada em compacto simples e depois no histórico álbum duplo “Clube da Esquina”. Linda Batista ainda interpreta “O gemido da saudade”, parceria de Monsueto com José Batista,  gravação de 2 de outubro de 1957, lançada em janeiro de 58 também para o carnaval, disco 80-1888-A, matriz 13-H2PB-0257, e igualmente aparecendo no primeiro dos dois LPs coletivos da marca do cachorrinho Nipper com músicas para essa folia. Outra expressiva intérprete de Monsueto, a paulistana Marlene, aqui comparece com  quatro faixas. A primeira é “Na casa de Corongondó”, da parceria Monsueto-Arnaldo Passos, lançada pela Sinter em novembro-dezembro de 1955 para o carnaval de 56, sob n.o 00-00.448-B, matriz S-1000. Dos mesmos autores, Marlene nos traz depois “Canta, menina, canta”, lançado pela mesma gravadora em maio-junho de 1955 sob n.o 00-00.395-A, matriz S-893, entrando mais tarde no LP de 10 polegadas “Vamos dançar com Marlene e seus sucessos”. Em seguida, tem “O couro do falecido”, da parceria Monsueto –Jorge de Castro, também lançado pela Sinter em novembro-dezembro de 1955 para o carnaval de 56, disco 00-00.440-B, matriz S-1001, e incluído no LP coletivo de 10 polegadas “Ritmos brasileiros, vol. 1 – Sambas e marchas”. Este samba seria incluído no já citado espetáculo “Fantasias e fantasia”, do Copacabana Palace, mas seu lançamento, em 1954, coincidiu com o suicídio do então presidente Getúlio Vargas, e a música foi retirada , em virtude das interpretações que poderiam surgir, só sendo lançada neste registro de Marlene, mais de um ano depois do trágico acontecimento. Pois no lugar do “Couro do falecido”, foi inserida justamente a faixa seguinte, um verdadeiro clássico: “Mora na filosofia”, da dupla Monsueto-Arnaldo Passos, imortalizada pela mesma Marlene na Continental em 29 de outubro de 1954, com lançamento em janeiro de 55 sob n.o 17047-B, matriz C-3517. Foi uma das campeãs desse carnaval, e teve regravações aos cachos, inclusive por Maria Bethânia e Caetano Veloso.  Dircinha Batista, irmã de Linda, aqui interpreta “Não se sabe a hora”, da parceria Monsueto-José Batista, gravação RCA Victor de 25 de setembro de 1957, lançada em janeiro de 58 para o carnaval, sob n.o 80-1899-B, matriz 13-H2PB-0242, e incluída obviamente em LP coletivo com músicas para essa folia.Na faixa seguinte, um delicioso samba de  Monsueto sem parceria, “Ziriguidum”, que ele interpreta ao lado de outra expressiva sambista, Elza Soares. Gravação Odeon de 27 de abril de 1961, um dos destaques do LP “O samba é Elza Soares”, que só chegou ao 78 rpm em fevereiro de 62 com o n.o  14792-A, matriz 14719. Monsueto e Elza também o interpretaram no filme “Briga, mulher e samba”, da Lupo Filmes, dirigido por Sanin Cherques. Depois, Raul Moreno interpreta dois sambas de Monsueto que gravou para a Todamérica em 8 de outubro de 1953, lançados em dezembro seguinte para o carnaval de 54 no disco TA-5387. No lado A, matriz TA-559, “Mulher de mau pensar”, parceria de Monsueto com Elói Marques. Mas no lado B, matriz TA-558, é que estava o maior sucesso: o clássico “A fonte secou”, no qual o próprio Raul Moreno é parceiro com Monsueto e Marcléo, assinando com seu nome verdadeiro, Tufic Lauar. Um dos campeões da folia de 1954, “A fonte secou” também tem várias regravações e é muito lembrado até hoje. Para o carnaval de 1956, Monsueto lançaria uma sequência, em parceria com Geraldo Queiroz e José Batista, “Eu sou a fonte”, que Walter Levita grava na Odeon em 26 de setembro de 1955, e é lançado bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 13949-A, matriz 10766, aparecendo igualmente no LP coletivo de 10 polegadas “Carnaval, carnaval!”.  O Monsueto intérprete-solo aparece nas duas últimas faixas deste volume, ambas gravadas na Odeon. Primeiramente, “Chica da Silva”, de Noel Rosa de Oliveira e Anescar, samba-enredo com o qual a escola Acadêmicos do Salgueiro foi campeã do carnaval carioca, em 1963. Teve duas gravações: uma pela Albatroz, com um coral da gravadora, e esta de Monsueto pela “marca do templo”, feita logo após o carnaval, em 19 de março de 1963, e lançada em abril seguinte sob n.o 14848-A, matriz 15711. O lado B, matriz 15712, é um samba do próprio Monsueto em parceria com José Batista, “Mané João”, encerrando esta retrospectiva que o GRB dedica à sua obra. Divirtam-se e até a próxima vez!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

A Música De Geraldo Pereira – Parte 1 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 80 (2013)

E chegamos a edição de número 80 do nosso Grand Record Brasil. Em edição anterior, como os amigos cultos, ocultos e associados do TM bem se lembram, apresentamos algumas das melhores gravações de Geraldo Pereira (Juiz de Fora, MG, 1918-Rio de Janeiro, 1955) como intérprete, inclusive, claro, composições próprias. E, como prometemos nessa ocasião, estamos voltando a focalizar a obra deste nome importantíssimo de nossa música popular. Desta vez, apresentamos doze gravações (é até chover no molhado falar de suas qualidades e de sua importância histórica) em que cantoras e conjuntos  contemporâneos do compositor interpretam suas obras.  Abrindo nossa seleção desta semana, os Quatro Ases e um Coringa, originários do Ceará, apresentam uma seleção de sambas que  homenageiam a Bahia de todos os santos, que sempre fascinou inúmeros compositores, sejam eles nascidos ou não na chamada boa terra, gravada na RCA Victor em 18 de julho de 1953 e lançada em outubro do mesmo ano sob n.o 80-1204-B, matriz BE3VB-0210. De Geraldo Pereira, aparece um trecho de seu clássico “Falsa baiana”, e neste pot-pourri também foram incluídos sambas de Vicente Paiva e Chianca de Garcia (“Exaltação à Bahia”), Dorival Caymmi (“O que é que a baiana tem?”)  e Ary Barroso (“Faixa de cetim”, “Na Baixa do Sapateiro”).  Na faixa seguinte, os Quatro Ases, que durante toda a carreira deram de fato as cartas,  nos brindam com “Ai! Que saudade dela”, samba de Geraldo Pereira em parceria com Ari Monteiro, gravação Odeon de primeiro de setembro de 1942, lançada em novembro do mesmo ano sob n.o 12221-B, matriz 7044. Mesmo pouco divulgado, é um samba que merece atenção.  Outro importantíssimo conjunto vocal dessa época, os Anjos do Inferno, liderados por Léo Vilar, aqui comparece com três sambas absolutamente imperdíveis. O primeiro é “Sem compromisso”, de Geraldo Pereira em parceria com Nélson Trigueiro, gravação Continental de 29 de maio de 1944, lançada em junho do mesmo ano com o n.o 15184-A, matriz 823. Nessa época, os salões e dancings eram bastante frequentados por certa camada da população carioca, e Geraldo, atento observador do cotidiano, adorava esse ambiente. Portanto, não deixaria mesmo passar em branco a cena – real ou imaginária – relatada neste samba, por sinal muito bem regravado por Chico Buarque em 1974. Outro hit de Geraldo Pereira  imortalizado pelos Anjos do Inferno é “Bolinha de papel”, gravação Victor de primeiro de fevereiro de 1945, lançada em abril do mesmo ano sob n.o 80-0266-B, matriz S-078125. Samba que, como muitos sabem, seria regravado em 1961 por João Gilberto. Em seguida tem “Vai que depois eu vou”, também de Geraldo sem parceiro, em outra gravação Victor, esta de 28 de novembro de 1945, lançada bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, disco 80-0381-B, matriz S-078402, e uma das músicas mais cantadas nessa folia momesca.  A faixa seguinte é “Pode ser?”, samba em que Geraldo Pereira conta com a parceria de Marino Pinto. E tem uma particularidade: foi incluído no disco de estreia da paulistana Isaurinha Garcia, a eterna “personalíssima”, gravado na Columbia em 23 de junho de 1941 e lançado em agosto do mesmo ano sob n.o 55294-B, matriz 440 (no lado A estava “Chega de tanto amor”, de Mário Lago). Como se vê, Isaurinha já mostrava a que veio, e esse seria o pontapé inicial de uma carreira repleta de sucessos. Na época, ela já era contratada da Rádio Record de São Paulo (então “a maior”), sendo inclusive considerada por seu então proprietário, Paulo Machado de Carvalho (“o marechal da vitória”), autêntico patrimônio da casa, fazendo parte até mesmo de seus móveis e utensílios (!), e Isaurinha lá permaneceu por mais de 40 anos.  Outro inesquecível cartaz do rádio e do disco, Dircinha Batista apresenta o samba-choro “Sinhá Rosinha”, parceria de Geraldo com Célio Ferreira, por ela gravado na Odeon em 7 de abril de 1942 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12167-B, matriz 6937. Aqui, a temática é a do malandro regenerado, presente em outras composições de Geraldo Pereira, bastando lembrar, por exemplo, o samba-canção “Pedro do Pedregulho”, por ele mesmo gravado e que já apresentamos anteriormente no GRB. Dircinha ainda interpreta o samba “Fugindo de mim”, parceria com Geraldo com Arnaldo Passos e Waldir Machado, destinado ao carnaval de 1952. Gravação também da  Odeon, de 8 de novembro de 51, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 13212-B, matriz 9186. “A minha, a sua, a nossa favorita” Emilinha Borba, fenômeno de popularidade como raramente se viu em nosso país, e outro grande nome da fase áurea do rádio brasileiro, comparece aqui com outros dois sambas de Geraldo Pereira, em gravações Continental. O primeiro deles é “Boca rica”, parceria de Geraldo com Arnaldo Passos, lançado em janeiro de 1950 para o carnaval desse ano, disco 16142-B, matriz 2211. Do carnaval seguinte, de 1951, é “Perdi meu lar”, também da parceria Geraldo Pereira-Arnaldo Passos, gravado pela eterna “Favorita” em 25 de outubro de 50 e lançado um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, sob n.o 16340-B, matriz 2478. Logo depois, temos Marlene (Vitória de Martino Bonaiutti), a que foi rival de Emilinha sem nunca ter sido (naquele tempo, como se vê, já tinha marqueteiro), interpretando outro samba de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, “Aquele amor”, destinado ao carnaval de 1952 e lançado pela Continental em janeiro desse ano, tendo a gravação sido feita em 5 de novembro de 51, disco 16513-A, matriz C-2783. Finalizando, temos uma cantora hoje pouco lembrada, mas que teve sua época, Heleninha Costa, interpretando aqui outro samba de Geraldo Pereira em parceria com Arnaldo Passos: “Não consigo esquecer”. Destinado ao carnaval de 1953, foi gravado por Heleninha na RCA Victor em 20 de agosto de 52, sendo lançado ainda em novembro sob n.o 80-1007-A, matriz SB-093410 (no lado B apareceu o clássico “Barracão”, de Luiz Antônio e Oldemar Magalhães). Como se percebe, as músicas destinadas ao carnaval eram então lançadas com antecedência, a fim de serem divulgadas e aprendidas pelos foliões em tempo hábil. Assim, chegando fevereiro, o público poderia escolher suas favoritas e cantá-las nos salões e nas ruas. Na próxima semana, continuaremos a abordar a obra de Geraldo Pereira, apresentando gravações de cantores contemporâneos do autor. Aguardem!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

VI Festival Internacional Da Canção Popular – Parte Nacional – As Favoritas (1971)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Aqui vamos nós com mais um albinho da melhor qualidade. Uma seleção musical para quem gosta e se lembra dos grandes festivais de música popular. Aqui temos reunidas algumas das músicas favoritas do público (segundo a Rede Globo), no VI Festival Internacional da Canção Popular, realizado em 1971, pela Secretaria Municipal do então estado da Guanabara. Era um período onde a ditadura militar corria solta e nossos artistas passavam maus bocados, sendo sempre ‘tosados’ em suas criações. Foi também um momento onde grandes nomes da MPB estavam de volta. O cantor e compositor Gutemberg Guarabyra era o diretor musical do festival e sugeriu um plano para minar de vez os abusos da Censura. Convidou grandes artistas, como Chico Buarque, Sérgio Ricardo, Tom Jobim, Edu Lobo, Vinícius e outros para participarem como ‘convidados”, uma espécie de ‘hors concours’ . Mas a ideia era bem outra, na verdade nenhum desses artistas iram se apresentar, o negócio era fazer protesto em forma de desistência na última hora, colocando em sinuca o Governo Militar, frente aos olhos do mundo. Mesmo sem a participação desse time de estrelas, o VI Festival teve lá sua glórias. Foi nessa edição que nasceram músicas como “Desacato”, de Antônio Carlos e Jocafi, defendida por Claudia; “Você não tá com nada”, de Silvio Cesar, com Marlene; “Casa no campo”, de Zé Rodrix e Tavito e outras que vocês podem conferir neste lp. Quem faturou o primeiro lugar foi o Trio Ternura, interpretando “Kiryê”, de Paulinho Soares e Marcelo Silva. Se eu não tiver enganado, muitas dessas músicas aparecem aqui, em suas versões  primárias, exclusivamente lançadas neste álbum da Som Livre. Quer conferir? Então peça que eu mando lá para o GTM. Como eu já havia dito, os ‘toques’ só chegam por e-mail se alguém no grupo pedir 😉
lourinha – marilia pêra
américa do sol – lucinha e osmar milito
kyrie – trio ternura
desacato – claudia
julia – odylon
é proibido pisar na grama – betinho
você não tá com nada – marlene
voltar eu não – golden boys
mêdo – jacks wu
canção prá janaína
palavras perdidas – maysa
casa no campo – zé rodrix

Carmélia Alves, Marlene, Violeta Cavalcante, Zezé Gonzaga E Zilah Fonseca – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 07 (2012)


Amigos cultos e ocultos, já chegamos à sétima edição do Grand Record Brasil. Sete, dizem, é conta de mentiroso, mas a diversão que você vai ter aqui é cem por cento verdadeira! Aqui focalizamos cinco das mais importantes cantoras brasileiras, em fonogramas raros e autênticos itens de colecionador.

Para início de conversa, aqui está Carmélia Alves, a “rainha do baião”. Nascida na Quarta-Feira de Cinzas de 1923 (14 de fevereiro), estreou em disco na Victor, em 1943, interpretando “Deixei de sofrer” (Popeye do Pandeiro e Dino Sete Cordas) e “Quem dorme no ponto é chofer” (Assis Valente), sendo que a própria Carmélia pagou os custos de gravação e prensagem (quatrocentos mil-réis!). O disco fez sucesso, mas Carmélia só voltaria às gravações em 1949, através da Continental. É dessa fase o disco que apresentamos aqui, de número 16413, lançado entre julho e setembro de 1951. “No mundo do baião” é um delicioso popurri que ocupa os dois lados do disco (matrizes 2607-08), no qual foram inseridas músicas dos mais variados autores desse gênero. No lado A, apenas músicas de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, tipo “Asa branca“ e “Paraíba”, e no verso composições de outros autores que se dedicaram ao baião: Hervê Cordovil, Mário Vieira, e Braguinha, o “João de Barro”. Tudo com o reforço do grande acordeonista Sivuca e de seu conjunto. Outra cantora aqui apresentada também era de baião: a paulistana Vitótia de Martino Bonaiutti, aliás Marlene, tida como rival de Emilinha Borba, mas na realidade ambas eram muito, muito amigas (não é de hoje que tem marqueteiro, não é mesmo?).E eis Marlene interpretando um baião do mestre Haroldo Lobo em parceria com Rômulo Paes: a “Canção das noivas”, disco Continental 16556-B, lançado em maio-junho de 1952, matriz C-2843. Em seguida encontramos a amazonense (de Manaus) Violeta Cavalcante. E desta vez em clima de carnaval, apresentando duas músicas para a folia de 1955. Gravado na Odeon em 28 de setembro de 1954, com lançamento ainda em dezembro sob número 13741, o disco traz no lado A, matriz 10309, a “Marcha do cacoete”, de Paulo Menezes e Mílton Legey, e no verso, matriz 10308, o samba “Madrugada”, que tem como parceira a“pianeira” Carolina Cardoso de Menezes, uma das melhores que o Brasil já teve, conhecida por seu jeito brasileiríssimo de dedilhar as notas do piano, e que assina a música ao lado de Jota Leite e Orlando Reis. Bem apropriado para estes dias pré-carnavalescos atuais… Zezé Gonzaga, que já havia aparecido anteriormente na coletânea de Natal do GRB (e com uma faixa de fins de 1951 que também aqui aparece, “Um sonho que sonhei”, Sinter 10.00.114-B,matriz S-245) agora volta com dois discos, aliás dois e meio: o Sinter 265, lançado em setembro de 1953,trazendo no lado A, matriz S-575, um baião muito conhecido de Miguel Gustavo: “É sempre o papai”. Naquele ano, inclusive, o Dia dos Pais foi instituído no Brasil por iniciativa do jornal carioca “O Globo”, visando atrair anunciantes do comércio (em São Paulo só chegaria dois anos mais tarde). “É sempre o papai” foi também gravado por Marlene e Jorge Veiga. O lado B, na verdade, é um relançamento, pois originalmente foi o lado A do 78 de “Um sonho que sonhei”, matriz S-244, de 1951. E a “Valsa de aniversário”, composta por Joubert de Carvalho. Autor de clássicos da MPB como “Taí”, “De papo pro á” e “Minha casa”. Prudentemente, o selo do original de 51 está aqui reproduzido. O outro disco de Zezé aqui apresentado é o Columbia (hoje Sony Music) CB-10273,lançado em agosto de 1956. No lado A, matriz CBO-777, a versão do radialista paulista (de Sorocaba) Júlio Nagib para o beguine italiano “Arrivederci, Roma”, grande hit de Teddy Reno naquele ano. Esta mesma versão foi gravada também por Rogéria (seria o famoso travesti?), Neuza Maria e Wilson Roberto. No verso do disco, matriz CBO-778, uma simpaticíssima toada de Bruno Marnet, “Moreno que desejo”, em ambas as faces acompanhada de conjunto e coro. Finalmente, vem à nossa lembrança o nome de Zilah Fonseca (Yolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 1929-Rio de Janeiro, 1992). Ela aqui comparece, assim como Violeta Cavalcanti, em clima bem carnavalesco, através de um disco que lançou pela Columbia, mais tarde Continental, em janeiro de 1940, número 55197, com duas marchinhas para a folia daquele ano: o lado A, matriz 3776, tem “Pulga maldita”, de Francisco Malfitano sobre tema popular. No verso, matriz 3777, “Pigmalião”, também de Francisco Malfitano em parceria com Eratóstenes Frazão (pra quem não sabe, ele também é co-autor do clássico carnavalesco “Cordão dos puxa-saco”).Este, portanto, é o sétimo e feminino volume do GRB, que certamente irá proporcionar agradáveis momentos de recordação e entretenimento. Divirtam-se!
 
marcha do cacoete – violeta cavalcante
madrugada – violeta cavalcante
é sempre o papai – zezé gonzaga
festa de aniversário – zezé gonzaga
um sonho que eu sonhei – zezé gonzaga
moreno que desejo – zezé gonzaga
arrivederci roma – zezé gonzaga
pulga maldita – zilah fonseca
pigmalião – zilah fonseca
canção das noivas – marlene
no mundo do baião I – carmélia alves e sivuca
no mundo do baião II – carmélia alves e sivuca
 
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Carnaval RCA Victor – Volume 1 (1957)

Olá foliões cultos e ocultos! Estamos enfim chegando à apoteose com nossa comissão de frente, que como todos viram, também é boa de lado e costa. Desta vez vamos ver as coisas por um outro ângulo. Vamos com este raro lp preparado pela RCA Victor para o Carnaval de 1958. Sem dúvida, outra boa pedida. Nossa bela modelo, aqui, parece não ter conseguido ficar de pé. ‘Chapou’ o melão com o lança perfume, tropeçou na serpentina e quase deixou quebrar a taça de cristal, derramando pelo chão toda a ‘champanhota’. Sorte foi estar cercada de balões que amorteceram a sua queda. Hehehe… brincadeirinha… Disse isso apenas para chamar a atenção dos amigos para a beldade que estampa a capa. Moça bonita, né não? Bonito também é o repertório e a escolha de seus intérpretes. Sob o comando do maestro Zaccarias, temos aqui um elenco de famosos artistas da gravadora, escalados no primeiro de dois lp’s, lançados com antecedência no final de 1957 para o Carnaval do ano seguinte. Temos aqui gravações raras, algumas nunca chegaram a sair em discos além dessa coletânea. Confiram o toque…

lili analfabeta – nelson gonçalves
o gemido da saudade – linda baptista
boêmio de verdade – carlos galhardo
topada – dircinha baptista
sêde de amor – francisco carlos
quando o sol raiar – linda rodrigues
o diabo é esquisito – césar de alencar
fogo na marmita – marlene
qual é o caso – linda baptista
alvorada – coro misto
boemia – nelson gonçalves
quem vive de vento – dircinha baptista
foi por causa dela – francisco carlos
morango com peru – carlos gonzaga
lealdade – orlando correa
s.o.s. – carlos galhardo

Marlene – Te Pego Pela Palavra (1974)

Resolvi incluir no dia de hoje um ‘repost’, movido por duas razões. A primeira foi no sentido de complementar o dia com algo mais musical. A segunda razão foi por um erro mesmo, hehehe… Foram tantas as postagens nesses quase três anos que as vezes eu até me esqueço do que já postei. Eu estava certo de que o presente disco ainda era novidade. Fiz uma busca rápida no Google e descobri que eu já o havia postado. Xiii… fazer o quê? Agora vai assim mesmo. Mas com um detalhe: um repost mais caprichado. Na postagem anterior deste disco os arquivos estavam em baixa qualidade e incompletos. Agora ele ficou redondinho, aqui e no primeiro (tem um link novo lá também). Aliás, este é um álbum que merece ser ouvido na íntegra e com tudo que ele tem direito. “Te pego pela palavra” foi um show antológico, dirigido por Hermínio Bello de Carvalho. Estreou no Rio em 1974, na boate Number One, teve também edição em São Paulo. Foi um espetáculo tão bem produzido e com uma qualidade musical tão boa que acabou virando disco. Marlene, a rainha do rádio, supera a si mesma, mostrando sua versatilidade, cantando um repertório variadíssimo, como podemos ver logo a baixo…

lata d’agua
zé marmita
pra quem quiser cantar
se é pecado sambar
canção do medo
primeira bateria
brôco do dodó crioulo
dois pra lá dois pra cá
ronda
cabaré
na subida do morro
pra onde vai valente?
serenô
mané fogueteiro
debaixo do sol
rock’n’roll
beguine dodói
resistindo
o trem chegou
trem de alagoas
ponta de areia
o trem
ponta de areia
cabra cega
o chefão
galope
meu coração é um pandeiro
roupa prateada
catedral do inferno
se é pecado sambar

Souvenir Musical (1959)

Olás! Finalmente consegui listar todas as postagens na barra lateral do nosso blog Toque Musical. Há tempos que a janelinha de busca de postagens não funciona corretamente. A gente digita um nome de um determinado artista, mesmo sabendo que ele foi publicado, mas a resposta vem como se não constasse nas postagens. Como não descobri a razão do erro, achei melhor criar a lista, já que muitos não ‘sacaram’ que a pesquisa poderia ser feita pela letra inicial ou datas. Sem dúvida, para a maioria, a nova listagem será mais cômoda. Mas vai chegar um momento em que esta relação se tornará inviável, devido ao número de postagens com marcadores. Enfim, vamos levando até onde for possível…

Para o nosso domingo, estou trazendo um disquinho dos mais interessantes. Por apenas duzentos cruzeiros ou um ‘clic’ no Comentários, vocês terão a oportunidade de ouvir este belo ‘Souvenir Musical’. Este lp, lançado em 1959 pelo selo Fantasia/Philips, segundo o texto da contracapa, foi feito de encomenda para turistas. Em especial para o amigo sueco, compensando a dor da perda na Copa do Mundo para o Brasil em 58. Trata-se de um álbum que reúne um variado leque de músicas do repertório popular brasileiro. São clássicos do nosso cancioneiro, mapeados de norte ao sul. Músicas que se tornaram ainda mais conhecidas e internacionalmente, graças à iniciativas como esta. É um disco bacana, com diferentes ritmos e artistas dos mais competentes, como podemos ver logo a baixo. Confiram essa pérola 😉
luar do sertão – paulo tapajós
boiadeiro – trio nagô
ogun-yara – jorge fernandes
mulher rendeira – maciel e sua orquestra
a lenda do abaeté – vanja orico
quadrilha é bom – marinês e sua gente
cidade maravilhosa – aurora miranda
ai, que saudades da amélia – ataulfo alves e suas pastoras
cristo nasceu na bahia – lyra do xopotó
canta maria – hélio paiva
saudosa maloca – marlene
risque – leal britto e seu conjunto

Marlene – Te Pego Pela Palavra (1974)

01. Lata d’água – Zé Marmita – Pra quem quiser cantar – Se é pecado sambar – Primeira bateria – Broco do Dodô crioulo
02. Dois pra lá, dois pra cá – Ronda – Cabaré
03. Na subida do morro
04. Pra onde vai valente
05. Serenô – Mané Fogueteiro – Debaixo do sol
06. Rock n’Roll
07. Beguine dodói
08. Resistindo
09. O trem chegou – Trem de Alagoas – Ponta de areia – O trem
10. Cabra cega – O chefão
11. Galope
12. Meu coração é um pandeiro
13. Roupa prateada – Catedral do inferno – Se é pecado sambar

Toquinho & Guarnieri – Botequim (1973)

Este disco reúne as trilhas musicais de três peças escritas por Gianfrancesco Guarnieri. Em parceria com Toquinho, eles compuseram músicas para “Castro Alves Pede Passagem”, “Um Grito No Ar” e “Botiquim”. No álbum há também a participação da cantora Marlene. Um disco altamente recomendável. Toque esse toque.

1 Quem sabe mais
2 Esperando por você
3 Canção do medo
4 Meu tempo e Castro Alves
5 Sou assim
6 Um grito parado no ar
7 Quanto vale uma criança
8 Embolada no carrapato
9 Mesa de bar
10 Dane-se
11 Vem amor, vem vingança
12 Bobeou, não vai entender

Marlene – Apresenta Sucessos de Assis Valente (1956)

Ao procurar um disco da grande Marlene, a Rainha do Rádio, para postar no Toque a alguns dias atrás, fiquei na dúvida entre qual escolher. Acabei optado pelas marchinhas, mas esse outro concorrente ficou na minha cabeça pedindo para entrar. Então, hoje, resolvi trazê-lo também. Foi o primeiro lp de 10 polegadas da cantora. Trata-se de um álbum maravilhoso porque é um homenagem a outro grande compositor popular, o genial Assis Valente. No disco podemos encontrar os sucessos “Recenseamento”, “Camisa listrada”, “Cansado de sambar”, “Maria boa”, “E o muno não se acabou”, “Boas festas”, “Jarro ‘água”, “Uva de caminhão” e “Té já”. Este é mais um disco que nunca foi relançado. Raridade pura!

Marlene – Antologia da Marchinha (1977)

Olha só que disco bacana. Uma seleção de marchinhas de carnaval na voz de uma das mais consagrada cantoras brasileiras, a rainha do rádio, Marlene. Esta antologia reúne composições em pot-pourris de Joubert de Carvalho, João de Barro, Noel Rosa, Tom Jobim, Francisco Mattoso, Chico Buarque, Assis Valente, Lamartine Babo, Ary Barroso e Custódio Mesquita. A marchinha é um genero musical que esteve mais em voga dos anos 20 aos anos 60. Hoje em dia quase não ouvimos esse tipo de música. Mesmo nos bailes carnavalescos, onde são mais comuns, essas músicas vem perdendo lugar para o axé e outros sub-produtos derivados. Uma pena… Alguém se habilita a um comentário?