Vamos Dançar? – Vol. 1 (1957)

Olá a todos! Hoje eu estou trazendo um disco bem interessante, um lp dos mais raros entre os raros postados aqui. Trata-se de uma coletânea da Sinter reunindo oito de seus artistas em gravações originalmente lançadas em 78 rpm. O lp do qual eu extraí as gemas, infelizmente não estava lá grandes coisas, precisei de paciência para limpa-lo, ‘na unha’. Acho que agora está um pouco mais aceitável. Por outra, a qualidade desse microssulco é também questionável. Este é um raro exemplo entre os primeiros lp de 12 polegadas onde podemos encontrar mais do que 12 faixas. Eles aqui aproveitaram ao máximo o espaço do vinil para colocarem 16 músicas, ou seja, 8 bolachas num só lp. Ficou tão apertadinho que mal se percebe a pausa entre uma faixa e outra.. Suponho que entre os sulcos também, o que, no meu entendimento, prejudicou uma melhor captação do som pela agulha. Mesmo apesar disso, achei de posta-lo para que os amigos possam conhecer, ou reconhecer. Há aqui alguns fonogramas raros, como é o caso do primeiro disco gravado por Johnny Alf, trazendo as duas faixas: “De cigarro em cigarro”, de Luiz Bonfá e “Falseta”, de sua própria autoria. No álbum não há muitas informações, inclusive a data de lançamento, que eu acredito que seja de 1957 ou 58. Apenas no selo, de forma confusa, é que podemos identificar música e artista. Entre essas há uma que não consta o intérprete, o choro “Atraente”, de Chiquinha Gonzaga (faixa 7). Suponho que seja a música do outro lado do 78 onde tem a faixa “Zulu”, com Irany Pinto. Nesta, só quem pode nos ajudar é o nosso pesquisador Samuel Machado Filho. Aliás, dar um geral em todas, hehehe… Fala aí Samuca!

fuchico – os copacabana

tenderly – donato e seu conjunto

eu vou partir – jamelão

teus olhos entendem os meus – steve bernardes

maria candela – carioca e sua orquestra

de cigarro em cigarro – johnny alf

atraente – os copacabana

eu quero um samba – os namorados

mambo do turfe – carioca e sua orquestra

falseta – johnny alf

zulú – irany pinto

mora no assunto – Jamelão

invitation – donato e seu conjunto

três ave maria – namorados

blue canary – steve bernardes

perereca – os copacabana

PS.: Através de nosso amigo Salvador identificamos o intérprete da 7ª faixa, “Atraente”. Trata-se do conjunto Os Copacabana. Esta gravação foi relançada no disco “Quincas E Os Copacabana”, em 1958, pelo selo Odeon (e pode ser encontrado no Vinyl Maniac).

Carioca E Sua Orquestra – Chorinhos Brasileiros (1963)

Depois do riso vem o choro. Justo na semana das postagens de humor, alguém pediu discos de chorinho. Eu, no clima, respondi que aquela era semana do riso, o choro viria depois. Acabei esquecendo disso, mas daí me veio às mãos este disco do Maestro Carioca. Ao contrário do que se espera num disco de choro, com um grupo ao estilo de um regional, este, curiosamente é interpretado por uma orquestra de danças. Carioca dá a essa série de clássicos chorinhos uma roupagem mais alegre e dançante. O chorinho vai para o salão, cai na gafieira…
Lançado originalmente no início dos anos 60, como muitos outros títulos da Musidisc, teve seu relançamento, ainda em vinil, nos anos 80 pela Sigla/Som Livre. É, sem dúvida, um excelente disco, que merece relançamentos. Outra curiosidade neste álbum diz respeito ao título, “Chorinhos Brasileiros”. Tô doido para conhecer o chorinho argentino, americano ou italiano… 🙂 será que existe? Tudo bem, a gente entende o pleonasmo. Se é para enaltecer nossa arte musical, está valendo 😉 Para quem não é muito ligado no gênero Choro, ao ouvir este lp irá se surpreender. Confiram…

1 x 0
paraquedista
um passeio a tarde
murmurando
numa seresta
bem te vi atrevido
andré de sapato novo
o xameguinho dela
fica entre nós
sonoroso

Carioca Swings – The Delphin Jr. Orchestra Plays – Dance… Dance… Dance… (1965)

Quase que sem querer, acabei transformando as postagens da semana numa mostra de regentes e orquestradores. Hoje e mais uma vez, marcando presença no Toque Musical, temos o Maestro Carioca, figura importante na música brasileira, mas como outros antigos artistas, esquecida em meio a tanta mediocridade musical. Como no caso do André Penazzi, Maestro Carioca é um nome difícil de encontrar informações, pelo menos através da rede. Sites especializados, que se gabam de serem fomentadores da cultura e história na MPB, a cada nova consulta que faço, me faz perceber o quanto ainda são incompletos. Vamos então ajudar… Segundo a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, o Maestro Carioca foi um trombonista que integrou a geração de músicos que, na década de 40, traçou os caminhos da música popular orquestral brasileira. Chefe de orquestra, compositor, arranjador e instrumentista, nascido em Taubaté, SP, em 1910 (faleceu no Rio de Janeiro em 1991). Seu verdadeiro nome era Ivan Paulo da Silva. É de sua autoria o famoso prefixo do antigo noticiário radiofônico “Repórter Esso”. Durante três décadas ele esteve a frente de diversas orquestras, trabalhou no rádio e na televisão. Gravou dezenas de discos e participou e outros tantos numa diversidade musical que abrange diferentes estilos. No presente lp o maestro vem nos brindar, mais uma vez, como um grande ‘band leader’, à frente de sua orquestra, ele nos traz alguns dos mais famosos ‘standards’ da música americana. Disco muito bacana. Para mim, só faltou “Caravan” de Tizol. Confiram…

love is a many splendored thing
this can’t be love
blue moon
sentimental journey
all the way
love me or leave me
s’ wonderful
night an day
summertime
blues in the night
love letters
flamingo

Carioca & Sua Orquestra – Samba …Oba! (1964)

Olás! No início dos anos 60 o mercado fonográfico ia de vento em polpa, todos os dias trazendo novos lançamentos. Algumas gravadoras começaram a criar selos especiais para uma outra modalidade de vendas, a domicílio. O selo Imperial foi uma criação da Odeon e trazia algumas diferenças que atraíam o público. Além da entrega do produto via correio, os Discos Imperial vinham lacrados, com selos de segurança, que veda o orifício do vinil, garantindo sua ‘virgindade’ (nunca havia sido usado). Outro artifício era mais um lacre na capa interna, garantindo sua integridade. Bacana, né? Uma idéia que deveria ser seguida para os convencionais. Mas os discos desse selo, inicialmente, traziam (ou buscavam) outras novidades como uma qualidade singular de som. Nessa época estavam surgindo novos sistemas melhorados do Hi Fi (alta fidelidade) e estéreo. Eis que a Imperial/Odeon veio com essa, “Percussonic Sound System”, que na verdade não se trata de um sistema inovador de áudio. Esta foi apenas uma jogada comercial, onde o conceito era a ‘Era Espacial da Música’. Através desses diferenciais e de uma capa bonita e arrojada com bolinhas flutuantes, nascia a “Percussonic Series”, uma coleção de música orquestral que explorava os ritmos ‘calientes’ e suingados. Esta série foi criada pela lenda viva, André Midani, um dos maiores nomes da indústria fonográfica brasileira. Não sei dizer quantos álbuns foram lançados, mas para este projeto estiveram envolvidos nomes de peso, como os maestros Cipó, Líro Panicalli, Caricoa e outros…

Temos aqui o “Samba …Oba!, um álbum comandado pelo Maestro Carioca e com arranjos do Cipó. Nele encontramos doze sambas clássicos numa versão orquestrada que poe no chinelo muitas ‘big bands’ do gênero.
boato
cheiro de saudade
samba de uma nota só
nêga
desafinado
não tenho lágrimas
a felicidade
chora cavaquinho
aquarela do brasil
agora é cinza
o orvalho vem caindo
se acaso você chegasse