Carnaval 76 – Convocação Geral Vol. 2 (1975)

Na sequencia carnavalesca temos então o segundo volume do projeto Carnaval 76 – Convocação Geral. Aqui também encontramos muita coisa boa, com destaque para Sérgio Sampaio, com a música “Cantor de rádio”, que viria no ano seguinte a fazer parte do seu lp “Sinceramente”. Tem Maria Alcina com “Paixão malagueta”, sucesso de vários carnavais, Alceu Valença no frevo “Pitomba pitombeira”. Moraes Moreira também vem de frevo na música “Satisfação”. Na contracapa podemos ver ainda a presença de veteranos com Jorge Veiga e Angela Maria. Tom e Dito também dão o recado na marchinha “Me larga, me solta, me deixa”. E ainda, Os Tincoãs e o maluco Osvaldo Nunes. É bom também lembrar do grande Waltel Branco, responsável pelos arranjos. Em resumo, um disco muito bom, com artistas de diferentes gravadoras. Puro espírito de carnaval.

paixão malagueta – maria alcina
a choradeira – oswaldo nunes
fazendo tudo – trama
quebra quebra guabiraba – os tincoãs
pitomba pitombeira – alceu valença
a roupa do gonça – jorge veiga
prenda minha no carnaval – angela maria
me larga me solta me deixa – tom e dito
satisfação – moraes moreira
cantor de rádio – sérgio sampaio
carnaval bloco do amor – renata lu

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Jorge Veiga – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 134 (2015)

Em sua edição de número 134, o Grand Record Brazil, agora com periodicidade quinzenal, tem a satisfação de apresentar um dos mais expressivos sambistas que o Brasil já teve. Estamos falando de Jorge Veiga.

Com o nome completo de Jorge de Oliveira Veiga, nosso focalizado veio ao mundo no bairro do Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1910. Teve infância de menino pobre, trabalhando como engraxate, vendedor de frutas e pirulitos. Ao chegar à fase adulta, exerceu o ofício de pintor de paredes.  Um belo dia, ao ouvi-lo cantar durante o serviço, o dono de uma casa comercial que o futuro astro estava pintando percebeu suas qualidades de intérprete. E conseguiu que ele cantasse em um programa da Rádio Educadora do Brasil (PRB-7),  onde fazia imitações de Sílvio Caldas durante o programa “Metrópolis”, pontapé inicial de sua carreira artística, atuando nessa época também em circos e pavilhões. A estreia de Jorge Veiga em disco aconteceu em 1939, participando da gravação da rancheira “Adeus, João”, composta e executada pelo acordeonista Antenógenes Silva, apenas vocalizando o refrão.  Em 1942, quando atuava na Rádio Guanabara, conheceu Paulo Gracindo, figura que teve grande importância na carreira do cantor, estimulando-o a cantar sempre com um sorriso nos lábios, garantindo a leveza de suas interpretações e a diversão dos ouvintes. Seu repertório era composto, basicamente, de sambas malandros e anedóticos, além de sambas de breque. E, no carnaval de 1944, consegue seu primeiro sucesso:  o samba “Iracema”,de  Raul Marques e Otolindo Lopes. No rádio, atuou ainda na Tupi e, mais tarde, na lendária Nacional, onde Floriano Faissal criou o bordão com o qual o cantor sempre iniciava suas apresentações: “Alô, alô, senhores aviadores que cruzam os céus do Brasil! Aqui fala Jorge Veiga, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Estações do interior, queiram dar seus prefixos para guia de nossas aeronaves. Mantendo sua popularidade por cerca de vinte anos, Jorge Veiga lançou sucessos inesquecíveis, tanto no carnaval como no meio de ano, tais como “O que é que eu tenho com isso?”, “Rosalina”, “Vou sambar em Madureira”, “Eu quero é rosetar”, “Bigorrilho”, “O que é que há?”, “Coração também esquece”, “Cinzas”, “O que é que eu dou”, “Senhor comissário”, “Reza por nosso amor”, “Cala a boca Etelvina”, “História da maçã”, “Orora analfabeta”, “Brigitte Bardot” e “Café soçaite (Depois eu conto…)”. Com esta última, um samba de Miguel Gustavo  que satirizava a alta sociedade carioca (e sua sequência, “Boate Trá-lá-lá”), criou,no rádio e na TV, a imagem do malandro grã-fino, apresentando-se sempre de smoking.  Gravou na Odeon, Continental, Copacabana e RCA Victor,ao longo de sua carreira. Jorge Veiga faleceu em seu Rio de Janeiro natal em 29 de maio de 1979, aos 69 anos de idade. Nesse ano, teve lançado seu último álbum, “O eterno Jorge Veiga”, pela CBS.
 Nesta edição do GRB, um pouco da arte, do estilo inconfundível e do bom humor de Jorge Veiga, em doze raras e preciosas gravações. Abrindo esta seleção, temos o samba “A vida tem dessas coisas”, de Raul Marques e Djalma Mafra, lançado pela Continental em junho de 1946 com o número 15639-B, matriz 1411, no qual é acompanhado pela inconfundível flauta do mestre Benedito Lacerda, a frente de seu regional. Em seguida, o cantor mostra que também era bom de baião junino em “Eu fiz uma prece”, de Bucy Moreira, Ary Cordovil e Araguari, lançado pela Copacabana em maio de 1955 sob número 5408-B, matriz M-1160, tendo também aparecido no LP coletivo de 10 polegadas “Baile na roça”. Na terceira faixa, o bom samba “Conversa, Raul”, de Gil Lima e José Batista, em que Jorge Veiga é acompanhado pelo conjunto de outro Raul, o trombonista Raul de Barros. Gravação Continental de 11 de março de 1948, lançada em maio-junho do mesmo ano sob número 15890-B, matriz 1801. “Cabo Laurindo” é um samba dos mestres Haroldo Lobo e Wilson Batista exaltando a figura exemplar do personagem-título, que saiu da favela como soldado para lutar na Segunda Guerra Mundial e voltou trazendo a Cruz da Vitória. Ao mesmo tempo, chamava a atenção para uma contradição da época: se os pracinhas brasileiros haviam ido lutar no exterior contra ditaduras estrangeiras, por que manter uma dentro de seu próprio país, no caso,o Estado Novo getulista?  Gravação Continental de 18 de junho de 1945, lançada em julho do mesmo ano sob número 15381-B, matriz 1172. Logo em seguida temos o lado A, matriz 1171, “Na minha casa mando eu”, samba de outro mestre, Cyro de Souza. A marchinha “Pode ser que não seja”, de João de Barro, o Braguinha, e Antônio Almeida, foi um dos hits do carnaval de 1947.Jorge Veiga a gravou na Continental em 20 de agosto de 46, matriz 1577, e o registro apareceu em disco duas vezes: a primeira em dezembro desse ano com o número 15750-A, e a primeira em fevereiro de 47, já em plena folia, com o número 15762-A. Na primeira edição, apareceu o samba “Martírio”, de Haroldo Lobo e Pery Teixeira, mas, sabe-se lá por que razão, essa tiragem desapareceu do catálogo da Continental, não havendo nenhum exemplar nas mãos de colecionadores. Teria sido de fato comercializada? “Deixa eu viver minha vida” é um samba de Ari Monteiro, lançado pela Continental em maio-junho de 1949 sob número 16076-A, matriz 2062, sendo o acompanhamento do conjunto de Geraldo Medeiros. “Caboclo africano” é um samba-choro de Zé e Zilda, “a dupla da harmonia”, e foi gravado por Jorge Veiga na Continental em 30 de maio de 1946, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 15713-A, matriz 1501. “Medalha dourada”, outro bom samba, é de Otolindo Lopes e Arnô Provenzano, e a Continental o lançou em março-abril de 1950 sob número  16173-B,matriz 2232. “Carne de gato”, samba de Ary dos Santos e Gentill Leal,  é o lado B de “Caboclo africano”, matriz 2063. “Testamento do sambista”, de Raul Marques e Alberto Maia, vem a ser o lado A de ”Conversa, Raul”, matriz 1800. Para encerrar, temos a gravação de estreia de  Jorge Veiga na Continental:  o samba “Morena linda”, de João Martins e Otolindo Lopes, que saiu em junho de 1944 sob número 15160-A, matriz 787. Enfim, uma pequena-grande amostra do legado deixado por aquele que foi cognominado com justiça, “o caricaturista do samba”.Com vocês, o inesquecível Jorge Veiga!
* Texto de Samuel Machado Filho

Vários – É Sempre O Papai (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu estava mesmo esperando o dia de hoje chegar para postar este lp. Não fosse meu filhote vir logo cedo com um baita sorriso e um presente na mão, eu talvez nem me lembraria que hoje é o Dia dos Pais. Aliás, o que eu não lembraria é deste disco, pois o mesmo ficou na gaveta esperando a sua hora. E comigo, tudo que fica no aguardo, corre sempre o risco de passar batido, passar do tempo… Mas felizmente eu me lembrei 🙂
Segue então o lp “É sempre o papai”, álbum lançado pela gravadora Copacabana em 1960, seguindo a mesma onda da RCA Victor, que no ano anterior havia lançado uma coletânea assim com alguns dos artistas da casa. A Copacabana fez o mesmo e lançou em 1960 este álbum, explorando o tema do Dia dos Pais. Reuniu alguns de seus melhores e mais populares artistas para conceber esta coletânea com onze faixas, todas com referência ao Papai. Como podemos ver logo a baixo, na relação, temos um grupo de artistas dos mais queridos do público e um repertório pontual, do Papai!
Sendo o Toque Musical um espaço onde também se escuta música com outros olhos, eu não poderia deixar de comentar esta curiosa capa. Vejam vocês, isso lá é jeito de segurar uma criança? Ou melhor dizendo, não podiam ter feito uma fotografia um pouquinho diferente? A impressão que passa é a de um homem espremendo a criança. Com aquelas duas mãozonas na frente, parece até que ele está agredindo, ao invés de brincando. Será que ninguém percebeu isso na época? Ou será que naquela época ninguém se ligava nisso? Ah… vai entender… Feliz Dia dos Pais!

apresentação – floriana faissal
o sorriso do papai – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
meu pai – adelaide chiozzo e côro do club do guri
papai resolve – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
papai, mamãe e eu – angela maria
alô papai – jorge veiga
é sempre o papai – carequinha e jorge veiga
deus te abençoe papai – angela maria e joão dias
o presente do papai – sonia delfino e côro do club do guri
papai é o maior – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
dia do papai – zilda martins
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Carnaval De 56 (1956)

Bom dia, amigos foliões! Espero que todos estejam bem, sem ressaca e prontos para mais um dia de carnaval. Para este domingo, vamos relembrar oque  rolou de sucesso no Carnaval de 1956. Temos aqui um lp de 10 polegadas lançado pela Copacabana, apresentando alguns dos seus artistas exclusivos com músicas feitas para o carnaval daquele ano. Como se pode ver pela ilustração da contracapa, temos aqui alguns dos mais expressivos artistas da época interpretando sambas e marchinhas que se tornaram clássicos. Interessante também notar que este foi o disco número 1 da Continental para o carnaval. E ao contrário dos discos nesse formato que traziam apenas oito faixas, neste vieram dez. Não sei bem ao certo, mas suponho que nesse mesmo carnaval a Copacabana tenha lançado outro disco, o número 2. (Estou com tanta preguiça que nem vou me dar ao trabalho de checar isso) Confiram daí, que eu de cá já vou pra rua. Chapolim me espera!

fala mangueira – angela maria
ressureição – belcaute
turma do funil – vocalistas tropicais
a batucada – jorge veiga
passarinho – joão dias
se eu chorei – gilberto alves
na paz de deus – carmem costa
me dá um cheirinho – jackson do pandeiro
boate de pobre – roberto silva
radio patrulha – heleninha costa
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Jorge Veiga – A Volta Do Sambista (Obrigado Dr.!) (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! Que sexta feira quente essa, heim? O calor por aqui está demais, só saíndo para tomar uma cerveja. “Vou de taxi, cê sabe…” Quero beber bem à vontade… difícil vai ser achar um taxi para a volta. BH, capital dos butecos, mas sem transporte público nas madrugadas e muitas ‘blits’ para quem se aventura a pegar no volante. Eu não, se preciso, durmo no bar, hehehe…
Bom, deixa o papo e vamos ao toque do dia. Temos aqui o grande sambista Jorge Veiga em um álbum lançado pela Copacabana no ano de 1961. Como o próprio título nos mostra, este foi o lp de retorno do cantor, após ter ficado por um tempo afastado da música e gravações devido a um acidente. O subtítulo,”Obrigado Doutor!) é também o nome de uma das músicas e de sua autoria. Nela, ele agradece ao médico que o assitiu durante durante esse período. Uma outra faixa que me chamou a atenção é o samba “O  caloteiro”, de Bené Machado e Silvio Santos. Seria o mesmo Silvio Santos que todos nós conhecemos? Sei lá… melhor chamarmos os ‘universitários’ para nos responder, não é Lombardi? (tô falando isso, mas nem sei se esse Lombardi ainda existe).

obrigado doutor
a baleia
pra que serve o seu perdão?
tá certo sim
telhado de vidro
aluga-se uma casa
o caloteiro
pernambuco você é meu
desculpe
dinorah
aguentado o velho galho
adeus amor
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Jorge Veiga – O Eterno Jorge Veiga (1979)

Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Para começar bem a nossa quarta feira, aqui vai um discão do cantor e compositor Jorge Veiga. Temos aqui este álbum, lançado pela CBS em 1979, como uma espécie de homenagem no ano em que o artista veio a falecer, aos 69 anos de idade. Trata-se de uma coletânea, reunindo alguns de seus maiores sucessos, como podemos ver logo a baixo. Essas gravações, ao que me parece, não são as originais de época. Parecem regravações feitas por ele em um momento mais recente. Infelizmente, no álbum não há essa informação, mas pela qualidade das gravações e arranjos, tudo me leva a crer nisso. Outra coisa que chama a atenção é esta bela capa com ilustração de Sérgio Giannini. Bacana, não? Taí um disco raro de seu ouvir por aí… 😉

confissão de boêmio

casa que tem cachorro

faustina

fizeram muamba

recado que a maria levou

o intrujão

sambista no céu

café society

coração também esquece

festival de bolachas

almerinda

boi com abóbora

Jorge Veiga – Café Soçaite Em Ritmo De Samba (1956)

Embora sem muitos comentários, acredito que a semana vem agradando, basta verificar o nosso índice de audiência e todas as informações que o Google Analytics me oferece. É gente de várias partes do mundo e principalmente do Brasil. Anônimos e ocultos apenas na intenção (esses recursos são ótimos!). Mas deixemos de lado o ‘big brother’, vamos ao que lhes interessam…
Trago para esta quinta feira fria um disco quente. Vamos como Jorge Veiga interpretando a música de Miguel Gustavo. Este lp de 10 polegadas é ótimo. Uma sátira à alta sociedade, ao ‘café soçaite’ e toda a sua pompa. Música feita por publicitário é sempre bem direta e Miguel Gustavo soube como ninguém caricaturar essa realidade. Jorge Veiga é sem dúvida um de seus melhores intérpretes. Este álbum traz um atrativo a mais que é a contracapa, com as considerações do lendário colunista social Ibrahim Sued. Ele foi chamado, muito a contra gosto, para dar o seu parecer quanto a cada uma das oito faixas do disco. Ele escreve dizendo que aceitou apenas porque lhe prometeram não censurar a sua crítica às músicas. Na verdade o que ele faz é o que sempre fez, defender a sua ‘champanhota’. Mete o pau nas músicas e ainda insinua que o autor na tem ‘crasse’, coisa de plebe… Seu texto é tão divertido quanto a interpretação de Jorge Veiga e a música de Miguel Gustavo. Outra coisa interessante de saber, graças ao Ibrahim, é que Jorge Veiga vem acompanhado por um time de músicos da pesada, entre eles o Irani Pinto, Sivuca e o Zé Menezes. Os arranjos e regência é do maestro Vicente Paiva. Confiram aí essa pérola…

café soçaite
boate trá lá lá
jacinto de thormes, miau miau
o que é café soçaite
menor abandonado
ibrahim piu piu
a fúria louca de jean pouchard
a dança do didú

Uma Noite No Bataclan (1975)

Olá amigos cultos e ocultos! Começando a semana, aqui vamos nós para mais uma jornada… As férias se foram e as obrigações se acumularam. Volto à minha rotina, sempre correndo, sempre com pouco tempo. Ontem nem tive como preparar algumas novidades (ou raridades?). Terei que recorrer à minha reserva de gaveta.

Hoje iniciamos com este disco, muito interessante, lançado pela Som Livre em 1975. “Uma Noite No Bataclan” foi uma espécie de continuação musical da trilha da novela Gabriela, escrita por Walter George Durst, numa adaptação do romance “Gabriela, Cravo e Canela” de Jorge Amado. Bataclan era o nome de um famoso cabaré e cassino em Ilhéus, frequentado pelos coronéis na década de 20. Na novela era o ponto de recreação e encontro dos ‘senhores da cidade’, o cabaré e bordel onde todos se encontravam para beber, conversar sobre política, dançar e namorar com ‘as moças’ da casa. Através da novela este famoso e memorável reduto se tornou ainda mais conhecido e seu nome seria adotado em diversas casas noturnas pelo Brasil a fora (eu mesmo conheço uns três). Mas o Bataclan baiano foi inspirado no francês e hoje em Ilhéus é um centro cultural. Devido ao sucesso da novela e seus ícones, a Som Livre lançou esta coletânea boêmia associada ao Bataclan. Embora não corresponda à música da época, me parece, foi o suporte complementar musical que trilhava algumas cenas da novela naquele ambiente. Nesta seleção variada encontraremos as seguintes músicas e intérpretes:
a volta do boemio – nelson gonçalves
malagueña – los indios
vingança – linda batista
siboney – orquestra serenata tropical
bigurrilho – jorge veiga
mano a mano – carlos lombardi
o meu boi morreu – cravo e canela
bar da noite – nora ney
história de un aor – pepe avila y los bronces
castigo – roberto luna
mambo jambo – perez prado
tortura de amor – waldick soriano
perfume de gardenia – bienvenido granada
jura – altamiro carrilho

Ciro Monteiro E Jorge Veiga – De Leve (1971)

Devido à minha total falta de tempo, fui obrigado a apelar para o ‘gavetão’ e sacar este disco bacana que me foi enviado há algum tempo atrás pelo Maurício (bicho-grilo). É o que melhor expressa este dia para mim. Sem comentários…

“Hoje não é dia primeiro de abril
Com essa cara, outra vez você mentiu
Não sou otário, nasci na Lapa
Você não pode me enganar
Mentira assim é de amargar
Eu não mereço tanta ingratidão assim
Parece até que você quer ver o meu fim
Não faça mais isso comigo
Senão eu lhe darei castigo
Quando me zango sou um perigo
Nunca há de aprender a me enganar
Coloque-se em seu lugar
E deixe de me envergonhar
Por favor não faça isso mais
Se outra vez você mentir
Eu sei do que serei capaz
Hoje não é primeiro de abril…”
*
Nelson Cavaquinho, Paulista e Noel Silva
*
samba é bom assim
pra seu governo
despedida de mangueira
falso amor
não tenho lágrimas
acorda escola de samba
cai cai
disseste
400 anos
poeira
tumba iê
bigú
se você jurar
izaura
maria sambou
não posso mais
rosa maria
agora é cinza
café soçaite
primeiro de abril
boi bumbá

Miguel Gustavo – MPM Propaganda (1972)

Olá a todos! Ontem, devido a minha falta de planejamento e também de tempo, acabei por não fazer a postagem do dia. Enganei vocês trazendo apenas mais um volume da coleção Nova História da MPB. Infelizmente, não tive mesmo condições. Mas retomo agora às curiosidades e raridades fonográficas como eu havia prometido. Há muito que eu venho querendo postar essas coisas aqui e acho que é chegado um bom momento.
Hoje temos um disco brinde de natal, criado para a agência MPM Propaganda em 1972, no intuito de presentear aos seus clientes e também homenagear um dos maiores criadores de jingles (música de propaganda), o compositor Miguel Gustavo, falecido naquele ano. No lp encontramos algumas de suas mais conhecidas composições, tanto para o mundo da propaganda como no musical artístico. Suas criações são aqui interpretadas por nomes de peso da música brasileira. Apenas a faixa “A Estrada” não é criação de Miguel. Esta foi feita em sua homenagem. Uma seleção bacana, como muita coisa inédita e rara.
Miguel Gustavo foi um compositor, como ele mesmo se intitulava, primário. Ele não entendia de música e suas composições eram fruto apenas de sua sensibilidade natural. Por certo que a prática acaba levando a perfeição e Miguel foi muito além.
Incluo a baixo (por pura preguiça) um texto de Fábio Dias, extraído do site Clube do Jingle, apresentando este ilustre desconhecido e seus famosos feitos musicais:
Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins, compositor, jornalista, poeta e radialista nasceu no Rio de Janeiro em 24. de março de 1922 e faleceu em 22 de janeiro de 1972 aos 50 anos de idade. Ele era um cronista musical. Retratava em suas músicas o que de mais importante estava acontecendo nos meios sociais da época. Começou como discotecário da Rádio Vera Cruz em 1941. Mais tarde passou a escrever programas de rádio.
Em 1950 começou a compor jingles tendo se notabilizado nesta atividade com vários jingles de grande repercussão podendo ser destacado o que foi composto para as Casas da Banha com aproveitamento da melodia de Jesus, alegria dos homens de Johann Sebastian Bach. Sua primeira música gravada foi Primeiro amor, interpretada por Luiz de Carvalho, Os Tocantins e Dilu Mello em gravação Continental lançada em julho/agosto de 1946.
Em 23 de setembro de 1947, Ataulfo Alves gravou na Victor o samba O que é que eu vou dizer em casa, de sua autoria e Miguel Gustavo. Foi seu primeiro sucesso musical.
Em 1953 voltou a fazer sucesso com É sempre o papai, um baião de sua autoria que Zezé Gonzaga gravou na Sinter.
Mais tarde veio o ciclo dos sambas de breque com Moreira da Silva: O conto do pintor, O rei do gatilho, O último dos Moicanos, O sequestro de Ringo, O rei do cangaço e Morengueira contra 007.
Em 1963 compôs um jingle para o Leite Glória que até hoje é lembrado por muita gente pela forma moderna e criativa que a letra falava sobre as características do produto.
A música A dança da boneca, gravada pelo Chacrinha para o carnaval de 67 foi, depois, transformada no prefixo do Programa do Chacrinha com ligeiras modificações na letra e se popularizou pelo Brasil inteiro.
Para a Copa do Mundo de 1970, no México, ele criou o extraordinário Pra Frente Brasil ao participar de um concurso organizado pelos patrocinadores das transmissões dos jogos. O sucesso foi tanto que no carnaval do ano seguinte a música figurou entre as mais cantadas e até hoje é lembrada com carinho pela torcida brasileira.
Umas das principais características dos jingles de Miguel Gustavo eram as introduções marcantes que muitas vezes se tornavam um prefixo do próprio jingle e podiam ser consideradas melodias independentes dentro da peça, de tão bem estruturadas e fortes.
*Fábio Dias com dados fornecidos pela collectors.com.br

casas da banha – moinho de ouro – radamés gnattali
e daí? e daí? – alaide costa
morengueira contra 007 – moreira da silva
brasil eu adoro você – hino do sesquicentenário – angela maria
per omnia secula seculorum – josé tobias
café soçaite – jorge veiga
tatuzinho – leite gloria – erlon chaves
calma coração – miltinho
canção inútil da paz – severino filho
prá frente brasil – fala manuel gustavo
partido baixo do partido alto
a estrada – luis reis

Sambistas de Bossa e Samba de Breque (1977)

Eu havia pensado para hoje, postar do Jamelão, mais um disco. Porém percebi que dos outros que tenho, nenhum é disco de carreira. Ou é coletânea ou já estão em outras fontes. Para não caírmos naquela de “já baixei”, resolvi recrutar outros… Coletânea por coletânea, temos aqui outra melhor. Seis sambistas de bossa e samba de breque: Blecaute, Jorge Veiga, Geraldo Pereira, Ciro Monteiro, Moreira da Silva e Luiz Barbosa.. Por certo que Jamelão vai entender.
Este álbum reúne 16 fonogramas da RCA, tratados e reprocessados para estéreo. Não sei bem o quanto esse estéreo faz sentido, mas o resultado ficou muito bom e merece uma conferida.

você está sumindo – ciro monteiro
o guarda e o motorista – jorge veiga
a risoleta – luiz barbosa
esta noite eu tive um sonho – moreira da silva
chegou a bonitona – blecaute
velório no morro – jorge veiga
oh! seu oscar – ciro monteiro
falso patriota – geraldo pereira
dama ideal – geraldo pereira
doutor em futebol – moreira da silva
nêga – jorge veiga
botões de laranjeira – ciro monteiro
bilhete branco
primeiro eu
a coitadinha fracassou
o que se leva dessa vida

Jorge Veiga – Alô! Alô! Canta Jorge Veiga (1959)

Continuando as postagens do domingo, aqui vai mais uma obra rara do samba. Um disco que agrada gregos e troianos. Como diz um amigo meu, “puro filé!” É, hoje o dia é de filé…
Ao contrário do que disse um crítico sobe a capa ser a coisa mais horrorosa – a começar por ela, acho uma maravilha, quase linda e tudo a ver com a época. O conteúdo então nem se fala, puro samba de gafieira e muita malandragem. Longe de comparações com Moreira da Silva ou Germano Matias, Jorge Veiga foi também um dos expoentes do samba com pausas. Um samba com humor, uma caricatura da malandragem e da sociedade carioca daqueles tempos.
Mais um ‘filé’ para se degustar no domingo. Tá dado o toque?

Quem sou eu? (Gordurinha)
Garota de copacabana (Zé da Zilda)
Baile da Piedade (Raul Marques e Jorge Veiga)
Nêga Zura (Zé da Zilda)
Conversa de botequim (Noel Rosa e Vadico)
Perdeu-se uma valise (Daniel Lustoza e Jorge Veiga)
Mulher malandra (Zé da Zilda)
Sambista no céu (Zé Violão e Jorge Veiga)
Acertei no milhar (Wilson Batista e Geraldo Pereira)
Baile de choro (Zé Violão e Alípio Rangel)
Anúncio (Benê Machado)
Noiva da gafieira (Domingos Ludovic, Guimarães Santos e Waldemar Pujol)