Paulo Autran – O Pequeno Príncipe (1957)

Verdadeira obra-prima do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (Lyon, 29/6/1980-litoral sul da França, 31/7/1944), “O Pequeno Príncipe”, último livro publicado em vida do autor, em 1943, está em terceiro lugar entre as obras literárias mais traduzidas no mundo, editada em mais de 220 idiomas e dialetos, só perdendo para o Al-Corão e a Bíblia. E seu enredo possui a capacidade de envolver leitores de todas as idades, despertando o interesse em olhar com mais cuidado para o mundo em que vivemos. É difícil não se emocionar com a história do principezinho loiro e frágil encontrado por um aviador (o próprio Exupéry) no deserto do Saara, após cair com seu avião, e vindo do asteroide B-612. Ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam seus valores e encontram o sentido da vida. E com sérias críticas aos adultos, questionando suas condutas (preguiça, autoritarismo, vaidade, pressa excessiva). Uma história mágica, sensível, comovente, às vezes triste, que, ao cair no domínio público, passou a ser publicada por diferentes editoras, podendo ser encontrada em formatos diversos, até mesmo em edições de luxo e álbuns para colorir! “O Pequeno Príncipe” recebeu inúmeras adaptações, inclusive para o cinema e televisão (quem não se lembra de uma série de desenhos animados que vivia passando no SBT?). E, evidentemente, também chegou ao disco, por iniciativa do incansável Irineu Garcia, dono do selo Festa. E é justamente o LP adaptando a bela e querida história do Pequeno Príncipe, que o Toque Musical oferece com a satisfação de sempre a seus amigos cultos e associados. E esse disco, logicamente, contou com o cuidado de produção habitual da Festa, inclusive com um encarte reproduzindo aquarelas originais que o autor fez para ilustrar sua obra-prima. Lançado em 1957, tem dois autênticos “cobras” envolvidos em sua elaboração: o mestre Tom Jobim, na música, e a narração expressiva de Paulo Autran, sem dúvida um dos maiores expoentes que nossa arte dramática já teve. Tudo feito com a devida autorização da Gallimard, a editora francesa que deteve durante anos os direitos de publicação da obra, até esta cair em domínio público. A voz do Pequeno Príncipe ficou a cargo de Glória Cometh, atriz teatral, e deste disco ainda participam Oswaldo Loureiro Filho (o Acendedor de Lampiões), Margarida Rey (a Serpente), Benedito Corsi e Aury Cahet (a Rosa). Fiel à tradução brasileira de Dom Marcos Barbosa (há outra mais recente, de Frei Betto), o disco repetiu o sucesso do livro, e  teve tantas reprensagens que até desgastaram as madres de impressão! Foi reeditado por doze anos, e chegou ao CD em 1999, sendo um dos títulos mais vendidos em toda a história da Festa. E é agora oferecido pelo TM para alegria de todos aqueles que se comoveram ao ler o livro quando crianças, e também para conhecimento do público que hoje se emociona com esta bela e cativante história, que tanto tem cativado crianças e adultos há pouco mais de setenta anos!

* Texto de Samuel Machado Filho

Nara Leão, Paulo Autran, Tereza Rachel e Oduvaldo Vianna Filho – Liberdade, Liberdade (1966)

Olá amigos cultos e ocultos! Não sei se dou bom dia ou meus pêsames. Afinal, a ‘idiotocracia’, tão bem exercida pelo povo brasileiro, ontem nós levou ao golpe e agora é esperar a terra e a cal, pois no fundo do poço nós já estamos. Sinceramente, não vejo luz no fim do túnel, muito pelo contrário. Pressinto que vamos logo entrar num caos, que mais uma vez nos levará a perder nossa liberdade. Diante ao que vem pela frente, achei oportuno repostar este disco, mesmo sabendo que a multidão que nos levou a esse estado não vai ouvir, não sabe do que se trata e nem tem condições para absorver tal interpretação. Mesmo assim, vale trazer a tona, pois muito do que se falava nessa época, cabe direitinho nos dias atuais. Para não perder tempo, replico aqui um texto extraído da internet com algumas outras informações que complementam o texto da contracapa:
No ano seguinte ao golpe militar, o Grupo Opinião estréia uma das obras pioneiras do teatro de resistência. A peça Liberdade, Liberdade, escrita por Millôr Fernandes e Flávio Rangel, reúne textos de diferentes épocas e estilos para falar de um direito que está prestes a ser seqüestrado.
Como lembra, na época, o crítico Décio de Almeida Prado, ninguém clama por liberdade se não se sente ameaçado de perdê-la. Esta premissa é a idéia que permanece nas entrelinhas do espetáculo e que dá sentido e contundência a cada palavra proferida em cena. O texto que Millôr Fernandes escreve no programa do espetáculo aborda com bom humor a dificuldade de falar de uma coisa que falta e que não se pode reivindicar:
“Uma pitadinha de liberdade aqui, uma lasquinha de liberdade ali (…) e a turma vai vivendo que afinal também o pessoal não é tão voraz assim. Já está mais ou menos acostumado. Por isso o texto que escrevemos e selecionamos para Liberdade, Liberdade é bem ameno. Lírico, pungente, uma gracinha leve, uma coisinha, assim, delicadinha. Não é por nada não – só medo. (…) Porque, senão, vão dizer por aí, mais uma vez, que eu sou um cara perigoso. E eu tenho que responder mais um vez, com lágrimas nos olhos: Triste país em que um cara como eu é perigoso. (…)” 1
Em outro texto, o Grupo Opinião assina coletivamente um quase manifesto em que diz:
“Muitos acharão que Liberdade, Liberdade é excessivamente circunstancial. O ato cultural muito submetido ao ato político. Para nós, essa é a sua principal qualidade. (…) Consciente de si, do seu mundo, [o artista brasileiro] marca a sua liberdade, inclusive, realizando obras que são necessárias só por um instante. E que, para serem boas, necessariamente terão que ser feitas para desaparecer; deixando na história não a obra, mas, a posição. (…) muitas vezes a circunstância é tão clara, tão imperiosa, que sobe à realidade (…). Afirmamos que nesse instante a realidade mais profunda é a própria circunstância – e nesse momento não ser circunstancial é não ser real”.2
Os princípios do teatro de resistência encontram no espetáculo do Grupo Opinião talvez a primeira das inúmeras formas que assumirá durante os anos de silêncio para denunciar o esquema opressor que domina o país. Os autores constroem o texto por meio de pesquisa, tradução e síntese de textos de outros autores. Conseguem obter uma coerente e sagaz estrutura dramatúrgica com fragmentos da literatura universal dedicados ao tema da liberdade, costurados com canções sobre o mesmo assunto e com corrosivas piadas. Criam assim uma aproximação entre as tomadas de posição de autores de outros tempos e outros países e a situação brasileira de 1965. Paulo Autran é o ator a quem cabe a condução do espetáculo e os melhores papéis. O crítico Yan Michalski, que dedica quase metade de sua coluna à apreciação do ator, afirma que “a versatilidade demonstrada por Paulo Autran é impressionante: em duas horas de espetáculo ele esboça umas dez ou quinze composições diferentes, sempre adequadas e inteligentes, sempre livres de quaisquer recursos de gosto fácil” – e considera que este virtuosismo é resultado do “domínio dos problemas técnicos” e “de todos os meios de expressão do ofício de ator”. 3 A crítica de um modo geral ressalta também o desempenho de Tereza Raquel e faz algumas observações negativas em relação ao trabalho de Oduvaldo Vianna Filho e à direção do espetáculo.

Embora bastante questionado na época, por ser mais um show do que propriamente uma peça de teatro, Liberdade, Liberdade revela-se uma iniciativa seminal, que influencia fortemente a dramaturgia da década. O espetáculo faz enorme sucesso no Rio de Janeiro e em longa turnê pelo país, tendo tido desde então muitas novas montagens no Brasil e no exterior.

.

Paulo Autran – Poesia De Sempre (Antologia) (195…)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Hoje o nosso toque vai ser mais poético. Sempre que posso, gosto de postar discos de poesia. Eu curto muito e sei que muitos por aqui também adoram. Para satisfazer um desejo comum, aqui vai um disco do selo Festa, especialista em publicaçoes dessa natureza naqueles tempos, final dos anos 50 e início dos 60. Aliás, este álbum eu não sou precisar a data de seu lançamento. O certo é que temos aqui uma coletânea, uma antologia da poesia brasileira daquele tempo. São dezenove poemas de diferentes autores, sempre interpretados com maestria pelo grande ator Paul Autran. Confiram

gregório de matos – sátira aos vícios
tomas antonio gonzaga – lira primeira
maciel monteiro – soneto
gonçalves dias – a maldição do índio pai
alvares de azevedo – se eu morresse amanhã
casemiro de abreu meus oito anos
fagundes varela – a flor do maracujá
castro alves – último fantasma
raimundo correia – mal secreto
olavo bilac – in extremis
vicente de carvalho – tu moça, eu quase velho
julio salusse – cisnes
guimarães passos – guarda e passa
luiz guimarães junior – visita a casa parterna
cruz e souza – acrobata da dor
alphonsus de guimarães – ismalia
augusto dos anjos – vandalismo
raul eloni – sabedoria
alceu wamosy – duas almas
machado de assis – a carolina
.

Paulo Autran – Melhores Momentos (1979)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando a todos mais uma colher de chá de poesia, eu deixo para a postagem de hoje outra boa opção, Paulo Autran em alguns de seus melhores momentos. Neste disco ele recita Casimiro de Abreu, Castro Alves, Carlos Drummond, Vinicius de Moraes, Millor Fernandes, Mario Quintana, Sergio Porto, Luiz Fernando Veríssimo e Chico Buarque. Puxa, quanta gente boa! Não dá outra, sucesso total. Ótima a interpretação de Paulo, que incorpora como poucos os personagens de tantas histórias e autores. Confiram…

ela – luiz fernando veríssimo
televisão – chico buarque
poesia matemática – millôr fernandes
sonho impossível – chico buarque
‘discurso de marco antonio’ de júlio cesar – millôr fernandes
a valsa – casimiro de abreu
poema de gare de astapovo – mario quintana
poema enjoadinho – vinicius de moraes
divisão – sergo porto
debaixo da ponte – carlos drummond de andrade
final de ‘o navio negreiro’ – castro alves

Minha Querida Lady – Bibi Ferreira E Paulo Autran (1962)

Mais um musical de grande sucesso em todo o mundo, “My Fair Lady”. Baseado na novela “Pygmalion” de Bernard Shaw, estreou na Broadway em 1956. Me parece que até hoje ela ainda continua em cartaz. Foi um tremendo sucesso e logo teve versões espalhadas por vários lugares, tendo inclusive sua versão ‘holliwoodiana’ para o cinema.
No Brasil sua estréia aconteceu em 1962 com Bibi Ferreira e Paulo Autran. Considerada uma das melhores versões, “Minha querida lady” foi sucesso também por aqui. A versão é de Henrique Pongetti para o texto e Victor Berbara as canções. A regência ficou por conta do maestro Alexandre Gnattali. No elenco ainda fazem parte Jayme Costa, Estellita Bell, Helio Paiva e Sérgio de Oliveira. Sem dúvida, esta versão foi mais uma que mereceu seu registro em disco. Muito bom, confiram este toque 😉

abertura
porque não podem os ingleses aprender?
tão felizes
bocadinho só
sou um homem bem comum
já verás, mestre higgins
o rei de roma ruma a madrid
eu dançaria assim
gavota de ascot
a rua onde ela mora
valsa da embaixada
vitória
vou me casar em matrimônio
sem você
ao seu olhar me acostumei
final

Liberdade, liberdade… – Espetáculo Cénico-musical (1965)

Aproveitando a onda do “deixa que eu edito”, aqui vai mais um disco sem separação de faixas. Na verdade este é um álbum que não carece necessariamente de tal edição. Isto porque o espetáculo também não tem pausas. Assim, só faz sentido separar as faixas para facilitar a localização imediata de algum trecho. Este disco é o registro ao vivo do espetáculo cénico-musical, apresentado no Teatro de Arena de Copacabana em abril de 1965, com texto de Millôr Fernandes e direção de Flávio Rangel. O elenco era formado por Paulo Autran, Tereza Rachel, Nara Leão e Oduvaldo Vianna Filho, numa produção conjunta do Teatro Opinião e do Teatro de Arena de São Paulo. Em plena ditadura militar o musical, se é que podemos dizer assim, foi sucesso imediato, percorrendo várias cidades do país. No ano seguinte, diante a repercussão, os militares resolvem proibir sua apresentação.

“Muitos acharão que Liberdade, Liberdade é excessivamente circunstancial. O ato cultural muito submetido ao ato político. Para nós, essa é a sua principal qualidade. (…) Consciente de si, do seu mundo, [o artista brasileiro] marca a sua liberdade, inclusive, realizando obras que são necessárias só por um instante. E que, para serem boas, necessariamente terão que ser feitas para desaparecer; deixando na história não a obra, mas, a posição. (…) muitas vezes a circunstância é tão clara, tão imperiosa, que sobe à realidade (…). Afirmamos que nesse instante a realidade mais profunda é a própria circunstância – e nesse momento não ser circunstancial é não ser real”.
Trecho do manifesto do Grupo Opinião



Carlos Drummond de Andrade – Por Paulo Autran

Como diz o mineiro: “trem bão é coisa boa”. E coisa boa sempre deve voltar. Claro que estou falando de Drummond, ele é um dos meus poetas favoritos. A poesia dele fica ainda mais linda na voz e intrepretação de Paulo Autran. Maravilha este disco. Não vou nem entrar em detalhes. Deixo que a curiosidade de vocês assim o faça… 😉

Cecilia Meireles – Ou Isto, Ou Aquilo – Por Paulo Autran Vol.2

Cecília Meireles é considerada pela crítica poeta pertencente à segunda geração do Modernismo. No entanto, Manuel Bandeira afirmou que há em sua obra “as claridades clássicas, as melhores sutilezas do gongorismo, a nitidez dos metros e dos consoantes parnasianos, os esfumados de sintaxe e as toantes dos simbolistas, as aproximações inesperadas dos super-realistas. Tudo bem assimilado e fundido numa técnica pessoal, segura de si e do que quer dizer.” Entendeu? :/ Bom, o que importa é que Cecília Meireles é uma poetisa maravilhosa e neste disco, com interpretação de Paulo Autran, temos o prazer de ouvir seu mais conhecido trabalho para crianças. Em suas poesias, Cecília Meireles brincava com as formas e com a sonoridade, assim quem fosse ler seus versos poderia sonhar, com a “cabeça nas nuvens”.

Colar de Carolina
Pescaria
Moda da menina trombuda
O cavalinho branco
Jogo de bola
Tanta tinta
Bolhas
Leilão de jardim
Rio na sombra
Os carneirinhos
A bailarina
O mosquito escreve
A lua é do Raul
Sonhos da menina
Rômulo rema
O menino azul
As meninas
O último andar
As duas velhinhas
Ou isto ou aquilo
A flor amarela
O vestido de Laura
Uma palmada bem dada
A chácara do Chico Bolacha
A avó do menino
Canção da flor da pimenta
Para ir à lua
Lua depois da chuva
Figurinhas
Passarinho no sapé
A pombinha da mata
O sonho e a fronha
A língua do nhem
O menino dos ff e rr
Canção de Dulce
Na sacada da casa
Cantiga para adormecer
Lúlu
A folha na festa
Cantiga da babá
Enchente
O chão e o pão
Jardim da igreja
Canção
Roda na rua
Procissão de pelúcia
Pregão do vendedor de lima
O tempo do temporal
Sonho de Olga
O violão e o vilão
A égua e a água
Rola a chuva
O lagarto medroso
Uma flor quebrada
O pescador e suas filhas
O eco
O Santo do monte