Pixinguinha 70 (1977)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para um mês especial, nada melhor que discos especiais… Fui buscar para esta semana alguns lps bem interessantes. Se tudo correr bem, teremos uma semana sortida.
Seguimos hoje com um disco já bem tocado em muitas fontes. Mas é aqui que ele faz sua estréia e se ‘oficializa’ como mais um ‘toque musical’. Temos hoje, “Pixinguinha 70”, lp que registra o show comemorativo de 70 anos do Mestre Pixinguinha no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1968. Estão presentes no disco como destaque, Jacob do Bandolim, Radamés Gnatalli e os conjuntos Época de Ouro e Os Boêmios. Este lp foi lançado e faz parte do acervo do MIS – Museu da Imagem e do Som. Um registro histórico, com certeza!

carinhoso – jacob do bandolim e radamés gnatalli
uma rosa para pixinguinha – radamés gnatalli
vou para casa – os boêmios
os cinco companheiros – trio de flauta do teatro municipal e conjunto época de ouro
lamento – jacob do bandolim e conjunto época de ouro
ingênuo – jacob do bandolim e conjunto época de ouro
passatempo – os boêmios
gargalhada – os boêmios
rosa – radamés gnatalli
marreco quer água – orquestra radamés gnatalli
pixinguinha – radamés gnatalli e jacob do bandolim
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Pixinguinha 2 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol.133 (2015)

E chegamos à edição de número 133 do Grand Record Brazil, “braço de cera” do Toque Musical. Aqui,apresentamos a segunda e última parte de nossa retrospectiva dedicada a esse grande mestre da MPB que foi Pixinguinha (1897-1973). Desta vez, apresentamos 14 raridades de fazer qualquer colecionador vibrar, gravações essas que, em sua maior parte, foram feitas ainda no processo mecânico ou acústico, correspondendo ao glorioso início da carreira do mestre Pizindim, sendo algumas outras já do processo elétrico, quase todas de sua própria autoria.

Para abrir esta seleção de verdadeiras raridades, foi escalada a primeiríssima gravação do mais popular, o mais difundido e o que recebeu maior número de arranjos  entre todos os sucessos de Pixinguinha: nada mais nada menos que “Carinhoso”, choro que ele compôs em 1917, mas que ficou engavetado por mais de 10 anos, uma vez que o próprio Pixinguinha o considerava extremamente “jazzificado”.  A Orquestra Típica Pixinguinha-Donga fez este histórico registro, que a Parlophon lançou em dezembro de 1928, no início das gravações elétricas brasileiras, com o número de disco 12877-B, matriz 2048. Ressalte-se que, só nove anos mais tarde (1937)  é que “Carinhoso” recebeu  letra, assinada por João de Barro, o Braguinha, e magistralmente gravada por Orlando Silva. Logo depois, outra relíquia imperdível:  a valsa “Rosa”, executada pelo próprio Pixinguinha à flauta, com a maestria habitual, à frente de seu “Choro”. Verdadeira relíquia mecânica da Odeon/Casa Edison, datada de 1917,disco 121365. E outra composição dele que Orlando Silva gravou em 1937, com letra de autoria controvertida, embora a partitura impressa  informe que Pixinguinha também fez os versos. Estes, segundo alguns estudiosos, teriam sido escritos, na verdade, por um mecânico do Engenho de Dentro, muito amigo de Pixinguinha, cujo nome era Otávio de Souza.  Já da fase elétrica de gravação é o choro “Vamos brincar”, em mais uma  magnífica execução de flauta do autor.  Saiu pela Odeon em maio de 1928,sob número 10163-A, matriz 1566. E em seguida ainda tem o lado B, “Ainda existe”, matriz 1567, choro com a qualidade habitual do mestre, em composição e execução de flauta.  O tango (nada a ver como argentino) “Os dois que se gostam” é gravação mecânica de 1919, disco Odeon /Casa Edison 121613. De 1926 é a gravação do choro “Tapa buraco”, disco Odeon/Casa Edison 123067. Em seguida temos a polca “Pretensiosa”, em solos de bandoneon, por executantes  não-identificados no selo original.  A gravação saiu pela Parlophon em outubro de 1928, disco 12848-A, matriz 1962. Voltamos depois a ouvir a flauta do então jovem Pixinguinha no seu samba “Eu também vou”, em registro Odeon/Casa Edison de 1926, disco 122100. O tango (brasileiro, é claro) “Os Oito Batutas” alude ao conjunto que o próprio Pixinguinha fundou, e foi gravado por ele à frente de seu grupo em 1919, disco Odeon/Casa Edison 121610. Logo depois, a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga executa “Os teus beijos”, samba amaxixado de autoria de Felisberto Martins, que foi pianista e dirigente de gravadora.  Registro Parlophon de 24 de outubro de 1928, lançado em dezembro do mesmo ano sob número 12876-B, matriz 2062. A faixa  11 nos traz a gravação original do choro “Recordando”, com o próprio Pixinguinha em outro imperdível solo de flauta. Ele o imortalizou na Odeon em 19 de junho de 1934, mas o disco só saiu em março de 35, sob número 11204-A, matriz 4869. Confira, no volume anterior, a regravação feita por Jacob do Bandolim em 1950, com o título modificado para “Teu aniversário”. Depois temos outro choro clássico do mestre Pizindim na gravação original: o célebre “Lamento” (mais tarde “Lamentos”, no plural) executado pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga.  Saiu pela Parlophon em novembro de 1928 com o número 12867-A, matriz 2046. Teve duas regravações por Jacob do Bandolim (a primeira delas apresentada em nosso volume anterior) e receberia letra posterior de Vinícius de Moraes. A mesma orquestra executa  em seguida o maxixe “Desprezado”, igualmente do mestre Pizindim, em gravação lançada pela mesmíssima Parlophon em janeiro de 1929, disco 12893-A, matriz 2050. Encerrando com chave de ouro este festival de verdadeiras  joias raras, apresentamos o imperdível registro original do tango (depois choro) “Sofres porque queres”, verdadeira obra-prima de Pixinguinha que ele mesmo executa à frente de seu “choro”. Obra-prima que ele imortalizou na Odeon/Casa Edison em 1917, em disco número 121364. Mais tarde ele regravaria a música ao saxofone,em dupla (e com a co-autoria) do flautista Benedito Lacerda.  Enfim, são verdadeiras relíquias que, por certo, enriquecerão as coleções de tantos quantos apreciem nossa melhor música popular, sobretudo por seu inestimável valor artístico e histórico. Simplesmente imperdíveis!
* Texto de Samuel Machado Filho

Pixinguinha 1 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 132 (2015)

Um verdadeiro gênio da música popular brasileira.  Uma perfeição em tudo que fez: flautista, saxofonista, compositor,  arranjador.  Um autêntico mestre.  E é justamente a obra de Alfredo da Rocha Viana Júnior, aliás, Pixinguinha, que o Grand Record Brazil tem a honra de focalizar nesta e na próxima edição.
Esta autêntica legenda de nossa música popular veio ao mundo no bairro do Catumbi, Rio de Janeiro, no dia 23 de abril de 1897. Seu pai, funcionário dos correios e também flautista, possuía uma vasta coleção de partituras de choros antigos.  Nosso focalizado aprendeu música em casa,tendo inclusive aulas de flauta com Irineu “Batina” de Almeida,  fazendo parte de uma família com vários irmãos músicos, entre eles Otávio Viana, o China. Foi ele quem conseguiu para o irmão seu primeiro emprego. Pixinguinha começou a atuar como músico ainda adolescente, em 1912, em cabarés da Lapa, e depois substituiu o flautista titular na orquestra da sala de projeção do Cine Rio Branco.  Continuou atuando, nos anos seguintes, em cinemas, casas noturnas, ranchos carnavalescos e no teatro de revista, e nessa época também fez suas primeiras gravações em disco.  Aos 14 anos, fez sua primeira composição, o choro “Lata de leite”. Integrou, ao lado de Donga e João Pernambuco, o Grupo Caxangá e, a partir deste, em 1919, formou outro conjunto que se tornaria famoso:  Os Oito Batutas, que tocava na sala de espera do Cine Palais.  Um dos mais assíduos frequentadores dessas audições dos Batutas era Ruy Barbosa, que sempre pedia que eles tocassem “Bem-te-vi”, de Catulo da Paixão Cearense.  Os Oito Batutas se apresentaram ainda na França e na Argentina, onde inclusive gravaram uma série de discos na Victor de Buenos Aires.  Mais tarde, formou a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que gravava na Parlophon, subsidiária da Odeon. Outro ilustre fã do mestre do choro era o escritor Mário de Andrade, a quem Pixinguinha forneceu, em 1926, os elementos para a cena de macumba de sua obra-prima, o romance “Macunaíma”.
Contribuindo para que o choro brasileiro encontrasse uma forma musical definitiva, Pixinguinha foi contratado, em 1929, pela recém-instalada filial brasileira da gravadora Victor (depois RCA Victor), como instrumentista, arranjador e maestro. Nessa época dividia com Radamés Gnattali a responsabilidade de reger a Orquestra Victor Brasileira (ou Orquestra Típica Victor). Nessa gravadora também formou o Grupo da Guarda Velha e, mais tarde, a orquestra Diabos do Céu, acompanhando nas gravações os cantores contratados da empresa nessa época, tais como Cármen Miranda, Sílvio Caldas, Gastão Formenti, Francisco Alves, Mário Reis, Patrício Teixeira, Carlos Galhardo,etc.  Também formou a Orquestra Columbia de Pixinguinha, igualmente acompanhando os cantores nas gravações de estúdio dessa marca, futura Continental. Mais tarde, em 1937, formou o conjunto Cinco Companheiros. Em 1940, a convite do maestro americano Leopold Stokowski, então em turnê no  Brasil, a bordo do navio “Uruguai”, Pixinguinha organizou um grupo de músicos e cantores brasileiros para fazer gravações . Estas, feitas no próprio navio, seriam lançadas nos EUA em dois álbuns de 78 rpm, a raríssima série “Native brazilian music”.
Nos anos 1940, talvez por dificuldades de embocadura, Pixinguinha teve de trocar a flauta pelo saxofone, e realizou, ao lado do flautista Benedito Lacerda,uma série de gravações  antológicas, até hoje bastante procuradas por estudiosos e pesquisadores da MPB.  Na década de 1950, formou a Turma da Velha Guarda, ao lado de velhos companheiros, tais como Almirante, Donga, Bide e J. Cascata, com quem inclusive gravou LPs rememorativos na Sinter e participou, em 1954, do Festival da Velha Guarda, promovido pela Rádio Record de São Paulo. Em 1962, fez a trilha sonora do filme “Sol sobre a lama”, e ganhou novos parceiros, tais como Vinícius de Moraes e Hermínio Bello de Carvalho. Com este último, fez a música “Fala baixinho”, escrita no hospital após um enfarte que sofrera, em 1964, e finalista em um festival.  Em 1968, gravou, ao lado de João da Baiana e Clementina de Jesus, o álbum “Gente da antiga”, produzido justamente por Hermínio. Mestre Pixinguinha faleceu em seu Rio de Janeiro natal, a 17 de fevereiro de 1973, de infarto, na sacristia da Igreja da Paz, no bairro de Ipanema, onde assistia a um batizado, ostentando a mesma elegância com que sempre viveu. E deixando um legado precioso e importante para quem estuda e pesquisa nossa música popular. Uma parte dele o GRB começa a oferecer agora, apresentando, neste primeiro volume, 12 gravações preciosíssimas, todas feitas na RCA Victor.  Para começar, Jacob do Bandolim executa o choro “Teu aniversario”, originalmente intitulado “Recordando” e assim gravado pelo próprio Pixinguinha em 1935. O registro de Jacob data de 30 de junho de 1950 e saiu em setembro do mesmo ano, disco 80-0688-B, matriz S-092700. O próprio Pixinguinha, ao saxofone, em dueto com Benedito Lacerda, vem em seguida com outro expressivo choro, “Proezas de Sólon”, em gravação de 4 de junho de 1946, lançada em agosto de 47 sob número 80-0534-B, matriz S-078536. E logo depois, uma raridade: Pixinguinha cantando (!) um lundu que fez com Gastão Viana,“Yaô”, originalmente lançado em 1938 por Patrício Teixeira, com palavras africanas na letra: “akicó” (galo), “pelu adié” (o peru rodopia entre as galinhas), “jacutá” (casa) e “Yaô” (mulher filha de santo). Pixinguinha fez seu registro na RCA Victor em 7 de julho de 1950, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 80-0692-A, matriz S-092707. O duo Pixinguinha (sax)-Benedito Lacerda (flauta) volta em seguida apresentando “Segura ele”, choro  que o próprio mestre gravou pela primeira vez, como solista de flauta, em 1930. Esta regravação Victor  (com Benedito Lacerda na co-autoria, por acordo comercial que havia entre ele e Pixinguinha) data de 20 de maio de 1946, lançada em outubro do mesmo ano, disco 80-0447-B, matriz S-078520. Uma amostra do talento de Pixinguinha como orquestrador e maestro vem em seguida com a polca (de sua autoria, assim como todas as faixas aqui reunidas) “Marreco quer água”, com ele mesmo regendo sua orquestra. Gravação RCA Victor de 16 de abril de 1959, lançada em julho seguinte sob número 80-2081-A,matriz 13-K2PB-0627. Jacob do Bandolim volta em seguida, recordando outra obra-prima de Pixinguinha, o choro “Sofres porque queres”, que mestre Pizindim (apelido que lhe teria sido dado por sua avó, significando,em africano, “menino bom”)  lançou como solista de flauta, em 1917. Jacob o regravou pela RCA Victor em 10 de julho de 1957, com lançamento em  setembro seguinte sob número 80-1845-A, matriz 13-H2PB-0165. Temos depois o lado B desse mesmíssimo 78, matriz 13-H2PB-0166, onde Jacob revive outro choro conhecidíssimo do mestre Pixinguinha: “Cochichando”, que antes se chamava “Cochicho” e teve sua primeira gravação em 1944, na voz do cantor Déo, com letra de Braguinha e Alberto Ribeiro. Depois, vem o clássico “Lamento” (que, mais tarde, teria seu título mudado para “Lamentos”, no plural). Lançado originalmente em 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, é revivido aqui pelo bandolim mágico do mestre Jacob em gravação RCA Victor de 14 de março de1951, lançada em junho do mesmo ano, disco 80-0767-A, matriz S-092905. Jacob do Bandolim faria uma gravação ainda melhor deste choro em 1967, integrando o LP “Vibrações”.  O duo Pixinguinha-Benedito Lacerda retorna depois com outro grande choro, “Pagão”, gravação RCA Victor de 12 de junho de 1946, lançada em março de 47, disco 80-0498-B, matriz S-078662. Eles executam ainda outro choro, “Vagando”, gravação de 26 de dezembro de 1950, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em março de 51,disco 80-0746-B, matriz S-092817. “Paciente”, choro executado pela orquestra do próprio Pixinguinha com ele à frente, foi gravado em 16 de abril de 1959, matriz 13-K2PB-0628, e é o lado B do 78 de “Marreco quer água”. A faixa seguinte, outro choro clássico, é “Um a zero”, que Pixinguinha compôs em 1919, por ocasião da conquista do Campeonato Sul-Americano de Futebol pelo Brasil, frente ao Uruguai,. pela contagem que dá título á composição.  Lançado originalmente pela dupla Pixinguinha-Benedito Lacerda em 1946, é aqui revivido por Jacob do Bandolim em gravação RCA Victor de 13 de junho de 1955, lançada em  agosto seguinte sob número 80-1476-B, matriz BE5VB-0770. Um belo começo para a retrospectiva que o GRB faz, alusiva à obra do mestre Pixinguinha. E teremos ainda muito mais no próximo volume… Aguardem!

 

 * Texto de Samuel Machado Filho

Francisco Alves E Pixinguinha – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 36 (2012)

Neste mês de setembro, mais exatamente no dia 27, estamos comemorando os 60 anos da trágica morte do cantor Francisco Alves, em acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, na cidade paulista de Pindamonhangaba, divisa com Taubaté, no Vale do Paraíba, quando um caminhão que estava na contramão colidiu com seu automóvel, um Buick azul. O cantor tinha 54 anos, e a tragédia enlutou todo o país. Seu corpo, carbonizado, foi enterrado no Cemitério São João Batista, em seu Rio de Janeiro natal, para o qual estava regressando quando houve o acidente fatal, no dia seguinte à sua última apresentação pública, acontecida em São Paulo, no Largo da Concórdia, no Brás. A tumba de Chico, até hoje, atrai inúmeros visitantes e fãs do cantor, mesmo depois de tanto tempo passado de sua morte.
O Grand Record Brazil, evidentemente, não poderia deixar a data passar em branco. Em sua edição de número 35, presta uma homenagem à memória do eterno Francisco Alves, apresentando doze fonogramas por ele registrados na Victor (ou RCA Victor, como queiram), gravadora da qual foi contratado entre 1934 e 1937, lá deixando 49 discos com 96 músicas. Em todos eles, os arranjos e regências são do mestre Pixinguinha, em mais uma contribuição fabulosa que deixou para nossa música popular. Em quase todas as faixas, Pixinguinha acompanha Francisco Alves com sua orquestra Diabos do Céu, considerada uma autêntica “jazz band” de sua época. Vamos às faixas, pela ordem:
Para começar, apresentamos um samba da parceria Bide-Marçal: “Durmo sonhando”, que Chico gravou em 20 de abril de 1934 com lançamento em agosto seguinte sob n.o 33812-A, matriz 79610. Damos depois um salto para o carnaval de 1935, apresentando uma marchinha de Lamartine Babo e Hervê Cordovil: “Moreninha sweepstake”, gravação de 21 de dezembro de 1934 lançada um mês antes da folia, janeiro, sob n.o 33894-A, matriz 79803. A marchinha cita o slogan de propaganda do achocolatado em pó Toddy: “Não tem nem pode ter similares”. O sweepstake do título era um prêmio especial, uma espécie de loteria do turfe, cujo resultado era vinculado a cavalos vencedores, instituído pelo Jockey Clube Brasileiro em 1933, nos moldes europeus. Naquele ano, o bilhete vencedor foi o do cavalo Mossoró, que abiscoitou 500 contos de réis. A terceira faixa é o samba “Reclamando a sorte”, de Nilo Almeida Fonseca, o lado B de “Durmo sonhando”, matriz 79611. Mais um samba vem em seguida: “Você chorou”, subintitulado “Me admiro é você”, de autoria de Sylvio Fernandes, o Brancura, gravado por Chico em 8 de julho de 1935 e lançado em agosto seguinte com o n.o 33959-A, matriz 79968, sendo incluído na burleta “Da Favela ao Catete”, de Freire Júnior, encenada no Teatro Recreio carioca, incluindo músicas de vários autores e da qual Francisco Alves também participou. Malandro histórico, temido por sua valentia, Brancura morreu ainda em 1935, com apenas 27 anos de idade. Temos em seguida a marchinha “Olha pra lua”, de autoria de Nássara e Cristóvão de Alencar, o “amigo velho” (aqui assinando com seu nome verdadeiro, Armando Reis), gravação de 13 de abril de 1934, lançada em julho seguinte com o n.o 33801-A, matriz 79602. Depois tem o samba “Me queimei”, também de Nássara, agora em parceria com Walfrido Silva, gravação de 28 de janeiro de 1936 lançada para o carnaval desse ano, em fevereiro, disco 34038-A, matriz 80100. E tem mais samba: “Linda mulher”, de Erlúcio Godoy, Orlando Machado e Orestes Barbosa (este último sem crédito no selo), que Francisco Alves gravou em 17 de abril de 1934, mas a Victor só lançou em dezembro desse ano, com o n.o 33857-B, matriz 79608. Em seguida, a marcha “aux flambeaux” “A melhor das três”, de Lamartine Babo e Alcyr Pires Vermelho, do carnaval de 1935, correspondente ao lado B de “Moreninha sweepstake”, matriz 79804. A letra faz referência ao processo movido pelos irmãos Raul e João Vítor Valença contra a omissão do nome deles, como parceiros de Lamartine, no disco original da marchinha “Teu cabelo não nega”. Lalá participa deste registro como cantor, não creditado no selo original. Do carnaval seguinte, 1936, é outra marchinha, “Marido da Eva”, de Nássara e Sylvio da Fonseca, gravada por Chico Alves em 7 de janeiro desse ano e lançada bem em cima da folia, em fevereiro, com o n.o 34033-A, matriz 80077. Foi uma das dez músicas que o Rei da Voz lançou para aquele carnaval, todas bem cantadas. Da folia de 1937 é a marchinha “Parei com elas”, do prolífico Nássara agora junto com Alberto Ribeiro, gravação de 18 de novembro de 1936, lançada ainda em dezembro sob n.o 34131-A, matriz 80260. Depois, desse mesmo carnaval, a lírica marchinha, do mestre Ary Barroso, “Uma furtiva lágrima”, que aproveita algo da ária de mesmo nome, da ópera “L’elisir d’amore”, de Caetano Donizetti, publicada em 1832. Chico gravou a marchinha em 17 de novembro de 1936, com lançamento ainda em dezembro com o n.o 34113-A, matriz 80244. E, para encerrar com chave de ouro, um clássico do samba: “É bom parar”, de Rubens Soares e Noel Rosa, sendo que este último aceitou ficar de fora dos créditos na edição e no disco. É a única das faixas desta seleção em que Francisco Alves é acompanhado não pelos Diabos do Céu, mas pelo Conjunto Regional RCA Victor. Sucesso estrondoso do carnaval de 1936, corresponde ao lado B de “Me queimei”, matriz 80101, e cita dois versos da valsa-canção “A mulher que ficou na taça”, de Chico Alves e Orestes Barbosa (“Mais cresce a mulher no sonho/ na taça e no coração”). “É bom parar” seria, inclusive, regravado por Francisco Alves na RCA Victor apenas três dias antes de seu trágico falecimento, em 1952, juntamente com ‘A mulher que ficou na taça”, mais “Serra da Boa Esperança” e “Foi ela”, devidamente autorizado pela Odeon, onde então trabalhava. Enfim, estas doze faixas com o eterno Francisco Alves acompanhado por Pixinguinha são o preito de saudade do GRB à memória do Rei da Voz, que, passados 60 anos de seu trágico passamento, ainda é uma importante referência na história de nossa música popular.
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Pixinguinha – Vida E Obra (1978)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Como primeira postagem dentro dos 5 aninhos do blog, fiz questão de escolher um artista que representasse a grandiosidade (hum…) do momento. Entre os melhores e que mais gosto está o Mestre Pixinguinha. Afoito, ao escolher o disco, eu não percebi que o mesmo era um álbum duplo e estava incompleto, faltando o disco 2. Xiii… essa foi mal. Foi mal porque terei que procurar novamente este álbum e infelizmente não vai ser possível faze-lo de imediato. Inclusive, nos próximos dias, não poderei fazer novas postagens. Acabou as férias, a licença médica e tem um montão de serviço me esperando neste resto de semana. Estou viajando a trabalho e só volto na segunda feira seguinte. Até lá, deixo vocês apreciando o Pixinguinha incompleto, mas prometo que assim que voltar, dou um jeito.

Este álbum é bem bacana, reunindo vários momentos da música do Mestre. Foi lançado pelo selo Som Livre em tiragem limitada, como brinde exclusivo de fim de ano da Rede Globo. O álbum além de ser duplo, traz encadernados 58 páginas com textos e fotos históricas, a discografia completa e seus intérpretes. Realmente um álbum que vale não só pelo conteúdo musical. O texto e seleção musical foram do jornalista Sérgio Cabral. Uma belíssima coletânea que vale a pena conhecer. Fico devendo o outro disco, aguarde…

carinhoso – pixinguinha

urubú – os oito batutas

os cinco companheiros – paulinho da viola

rosa – orlando silva

patrão prenda seu gado – almirante

1 x 0 – pixinguinha e benedito lacerda

vou vivendo – dilermando reis

os oito batutas – conjuto época de ouro

benguelê – conjunto rosa de ouro

ingênuo – jacob dobandolim

 

Orquestra Brasília Pixinguinha (1988)

Olás! Já que falamos em Projeto Pixinguinha e até ouvimos algumas coisas do Mestre, com Abel Ferreira e Ademilde Fonseca, que tal ouvirmos um pouco mais? Me lembrei deste disco, lançado pelo extinto selo Kuarup em 1988. Este disco é muito interessante porque traz uma coleção inédita de arranjos feitos por Pixinguinha, em 1948. Um trabalho concebido para um orquestra de salão, chamada por ele de “Orquestra Brasília”. Esta coleção, segundo nos conta o texto de contracapa do presente lp, foi encontrada por acaso pelo músico e pesquisador Henrique Cazes na Biblioteca Nacional. Uma coleção de 26 arranjos escritos que nunca foram gravados. Para o álbum foram escolhidos apenas 12 músicas, sendo que entre essas, uma inédita, o choro “Sedutor”. O álbum foi produzido e interpretado pelo próprio Henrique Cazes e uma dezena de excelentes músicos.
Acho que esqueci de gravar a última faixa do lado B, “Um a zero”. Aguardem, logo que eu puder vou pegar o disco emprestado novamente.

cheguei
naquele tempo
o gato e o canário
sofres porque queres
descendo a serra
lamentos
yaô
ainda me recordo
sedutor
ele e eu
carinhoso
um a zero

Orlando Silva – Pixinguinha E Sua Orquestra Diabos Do Céu (1985)

Boa tarde amigos cultos e ocultos! Eu não me esqueci das últimas solicitações de alguns de vocês. Não se preocupem, pois assim que eu tiver um tempinho (o que não vai demorar), atenderei a todos, ok? Infelizmente, nesses últimos dias andei meio agarrado de serviço, mas na semana que vem, acho, vai dar uma aliviada.
Apesar da correria, não deixo a peteca cair. Mantendo sempre a tradição, aqui vai mais uma inédita raridade, Orlando Silva e Pixinguinha, em gravações raríssimas, lançadas em 33 rpm pela primeira vez em 1985. São registros da década de 30, de Orlando Silva acompanhado na maioria das vezes pela Orquestra Diabos do Céu, de Pixinguinha. Registros que até então nunca chegaram a ser relançados. Por iniciativa da Rádio América de Belo Horizonte e produtores associados, um grupo de fãs, colecionadores e radialistas resgataram essas músicas, lançando-as em uma produção quase independente e de tiragem limitada. Mesmo após esse ‘relançamento’ essas gravações ainda continuam raras. Tenho quase a certeza de que nunca mais vieram a ser ‘tocadas’, relançadas em formato cd. Só mesmo aqui, num blog como o Toque Musical, isso poderia acontecer. Não deixem de conferir 😉

não pretendo mais amar
primeira mulher
céu moreno
não foi por amor
cancioneiro
tenho amizade a você
quem pela vida passou
cidade do arranha céu
amar uma mulher
mulher fingida
dom quizote
ponto de interrogação

Pixinguinha E Sua Banda (1957)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Antes de retomarmos com o samba, me lembrei de um disquinho que faltou em nossa celebração das festas de São João. Embora já tenhamos entrado em julho, ainda assim há lugares no Brasil onde festas dessa natureza continuam acontecendo. Mesmo assim, independente de qualquer coisa, o que temos aqui é Pixinguinha. Seja no choro, no samba, no carnaval ou festa junina, o importante é que quem está na roda é essa ilustríssima figura e em um de seus discos dos mais raros. Neste álbum encontramos Pixinguinha e a sua banda tocando exclusivamente músicas para festas juninas. Estão reunidos aqui todos os clássicos da festa na roça. A qualidade de som do disco, mesmo sendo um RCA Victor, fica um pouco a desejar, devido ao tempo e ao estado crítico da bolacha. Mesmo assim, fiz um esforço enorme para melhorá-lo e acho que está apresentável. A capa também estava num estado deplorável. Cheguei até a dar um trato ‘de leve’, mas como no som, ainda se pode melhorar mais. Deixo essa para vocês, perfeccionistas de plantão.
Em agosto, mês de aniversário de Pixinguinha, pretendo fazer uma postagem especial dedicada a ele. Já tenho até o disco pronto. Quem gosta, fique ligado no toque. 😉

pula fogueira
fale na orelhinha de cá
tentei fazer mais um balão
baile na roça
cai cai balão
o casamento da filha do thomaz
o delegado quer prender o antonio
chegou a hora da fogueira
dia dos namorados
pedro, antonio e joão
lá vem a rita
isto é la´com santo antonio

Pixinguinha & Sua Banda – 40 Anos De Sucesso (1979)

Bom dia! Deixa eu ir logo fazendo esta postagem, pois o meu tempo hoje é curtíssimo. Como diz aquele velho ditado: “a pressa é inimiga da perfeição”. Foi justamente isso que a conteceu quando pensei numa quinta-feira de chorinho. Catei o primeiro Pixinguinha que apareceu para postar aqui. Sem estar muito antento, o resultado não foi outro… sambas e marchinhas de carnaval. Como tivemos uma ‘overdose’ carnavalesca no mês passado, achei que esta poderia não ser uma boa escolha para o momento. Porém, ao ouvir direito o disco e se tratando do mestre Pixinguinha, acho que não errei tanto assim.
Este disco, lançado pela lendária Musidisc de Nilo Sergio nos anos 60 (e depois relançado pela Sigla em 79), comemora os 40 anos de sucesso do compositor e instrumentista ao lado de sua banda, tocando aqui sambas e marchas de carnaval extraídas de seus discos anteriores, principalmente os das décadas de 40 e 50.
Dia 23 de abril é a data de nascimento de Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha. Nesta data também é comemorada o Dia Nacional do Choro. Sendo assim, ainda neste mês teremos novamente o prazer da companhia do Mestre, desta vez no choro, ok? Por hora, vamos à folia 😉

fala mangueira – sr. comissário
obsessão – rosalina
cala a boca – reza por nosso amor
não tenho lágrimas – o relógio bateu 5 horas
pra seu governo – juro
sabiá laranjeira – quebrei a jura
eva – miau miau
serpentina – índio quer apito
a maria tá – mulher do leiteiro
o passo do canguru – o passarinho do relógio
toureiro – allah lá ô
andorinha – nêga do congo