Demônios Da Garôa – Saudosa Maloca (1957)

Olá, amigos cultos e ocultos! Rapidinho… Hoje eu tenho para vocês os Demônios da Garoa, grupo vocal paulista que, acredito, dispensa maiores apresentações. Temos aqui um lp de 1957. Na verdade o primeiro lp gravado por eles, interpretando, como nenhum outro, a música de Adoniran Barbosa. São oito sambas clássicos e gravações que até já vimos (e ouvimos) por aqui. Mas nada como apresentar o trabalho original, não é mesmo? 😉

saudosa maloca
apaga o fogo mané
iracema
um samba do bixigqa
o samba do arnesto
quem bate sou eu
as mariposas
pogressio (conselho de mulher)
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Forró 78 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 138 (2015)

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Ah, a alegria do reencontro…  É o que certamente vocês,  amigos cultos, ocultos e associados do nosso TM, estão sentindo ao ver, após longa ausência, mais um volume do nosso Grand Record Brazil. E eu também,  é claro, estava sentindo saudades deste convívio quinzenal com vocês.  Nesta que é a edição de número 138, estamos apresentando uma seleção de dezessete gravações, como sempre de alto valor histórico e artístico, de um gênero bem brasileiro, o forró. Afinal de contas, estamos em junho, mês de festas juninas, que no Nordeste sempre foram  verdadeiras apoteoses.
Pra começar, trazemos Gordurinha (Waldeck Arthur de Macedo, Salvador, BA, 10/8/1922-Rio de Janeiro, 16/1/1969),apresentando um baião dele mesmo em parceria com Nelinho, “Praça do Ferreira” (alusão a uma praça de Fortaleza, capital do Ceará, um dos pontos turísticos da cidade). Saiu pela Continental em setembro de 1961, sob número 17993-B. Em seguida, uma curiosa gravação de “Maria Chiquinha”,xote-balada humorístico de Guilherme Figueiredo e Geysa Bôscoli. Originalmente lançada por Evaldo Gouveia e Sônia Mamede na RGE, em agosto de 1961,aqui consta na gravação feita mais tarde por Marinês (“a rainha do xaxado”), em dueto com Luiz Cláudio, na RCA Victor.O registro data de 20 de outubro de 1961,editado sob número 80-2413-A,matriz M2CAB-1518, e saiu também no LP “Outra vez Marinês”. Um dos maiores conjuntos vocais da MPB,o Trio Nagô (Evaldo Gouveia, Mário Alves e Epaminondas de Souza) aqui comparece com o baião “O gemedor”, de Gilvan Chaves,originalmente lançado por ele mesmo em 1955. O Trio Nagô fez seu registro na RCA Victor em 20 de dezembro de 1956, e o lançamento deu-se em março de 57 sob número 80-1749-A, matriz BE6VB-1410. Marinês (Inês Caetano de Oliveira, São Vicente Férrer, PE, 16/11/1935-Recife, PE, 14/5/2007) comparece mais uma vez aqui com “Cadê o peba?”, divertido e malicioso coco de autoria de Zé Dantas, parceiro de Luiz Gonzaga em hits como “Vozes da seca”, “Cintura fina” e “O xote das meninas”. Marinês o gravou  na RCA Victor em 25 de janeiro de 1961, com lançamento em março seguinte sob número 80-2301-B, matriz M2CAB-1183, e o registro saiu também no LP “O Nordeste e seu ritmo”.  Manezinho Araújo (Manoel Pereira de Araújo, Cabo, PE, 27/9/1913-São Paulo, 23/5/1993), o eterno “rei da embolada”, aqui nos oferece um clássico do gênero, de autoria dele próprio:  é “Cuma é o nome dele?” (“É Mané Fuloriano”…), lançado pela Sinter em outubro de 1956 sob número 498-A,matriz S-822, figurando também no LP de dez polegadas “Manezinho Araújo cantando no Cabeça Chata” (um restaurante que ele então possuía no Rio de Janeiro, especializado em música e comidas típicas do Nordeste).  O eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga (Exu, PE, 13/12/1912-Recife,PE,2/8/1989), comparece aqui com um de seus primeiros  hits cantados. É o “chamego” “Penerô xerém”, dele e de Miguel Lima, gravação Victor de 13 de junho de 1945,lançada em agosto do mesmo ano, disco 80-0306-A,matriz S-078189. Na faixa seguinte,temos novamente Marinês, agora interpretando o xote “Peba na pimenta”, de João do Valle (antes de estourar nacionalmente com “Carcará”), José Batista e Adelino Rivera, outra divertida e maliciosa página do repertório da “rainha do xaxado”. Saiu pela Sinter em setembro de 1957 sob número 568-A, matriz S-1231, e também figurou no LP de dez polegadas “Vamos xaxar com Marinês e sua Gente”. “Peba na pimenta”  tem várias regravações, como as de Ivon Cúri e do próprio João do Valle. Gilvan (de Assis) Chaves (Olinda, PE, 20/9/1923-São Paulo, 12/8/1986) comparece nesta seleção com o divertido xote “Casamento aprissiguido”,de Ruy de Moraes e Silva. Foi por ele gravado na recém-inaugurada Mocambo, dos irmãos Rozenblit, que tinha sede no Recife,com lançamento por volta de abril de 1955, disco 15029-A,matriz R-545, figurando depois no LP-coletânea de dez polegadas “Oito sucessos”. Depois, Marinês volta, desta vez para interpretar “Xaxado da Paraíba”, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes,lançado pela Sinter por volta de outubro de 1957 sob número 579-A, matriz S-1253, sendo depois faixa de abertura do LP “Aquarela nordestina”. Temos depois a famosa “Mulher rendeira”, que ficou conhecida graças ao filme “O cangaceiro” (1953), produzido pela Vera Cruz e vencedor da Palma de Prata do Festival de Cannes como melhor filme de aventuras.  No entanto, o sucesso internacional do filme não impediu a falência do estúdio, uma vez que  a maior parte dos lucros ficou com sua distribuidora, a norte-americana Columbia Pictures.  De origem folclórica, mas com autoria por vezes atribuída aos cangaceiros do bando de Lampião e até mesmo a ele próprio,”Mulher rendeira” era cantada no filme pelos Demônios da Garoa (em “off”), e aqui apresentamos a gravação comercial, em ritmo de baião,  feita por eles mesmos, ao lado do cantor Homero Marques, em 27 de janeiro de 1953, com lançamento pela Odeon em março do mesmo ano, disco 13403-A, matriz 9594. O paraibano (de Taperoá) Zito Borborema, sobre quem pouco se sabe, a não ser que foi casado com Chiquinha do Acordeon , dessa união resultando um filho, Perpétuo Borborema, integrante do Trio Pé-de-Serra, aqui interpreta, acompanhado de seus “Cabras da Peste”, um clássico assinado por Venâncio e Curumba,o rojão (espécie mais acelerada de baião) “Mata Sete”. Foi lançado pela recém-nascida RGE,  de José Scatena, em dezembro de 1956, sob número 10018-A, matriz RGO-109, entrando depois no LP de dez polegadas “O Nordeste canta”.  Depois,temos novamente a grande Marinês, agora com outro clássico de João do Valle, feito em parceria com Silveira Júnior e Ernesto Pires: o xote “Pisa na fulô”,em gravação lançada pela Sinter em setembro de 1957 no lado B de “Peba na pimenta”, disco 568,matriz S-1232, sendo igualmente incluída no LP de dez polegadas “Vamos xaxar com Marinês e sua Gente” (o curioso é que “Pisa na fulô” também figurou no álbum “Aquarela nordestina”, em doze polegadas, editado posteriormente).  Outro grande nome da música nordestina, Luiz Wanderley (Colônia de Leopoldina, AL, 27/1/1931-Rio Tinto, PB, 19/2/1993) apresenta-se aqui com um xote dele próprio em parceria com Jeová Portela,”Moça véia”, gravação dos primórdios da marca alemã Polydor no Brasil, lançada em 1955 sob número 126-A, matriz POL-1065. Showman completo (cantor,compositor,humorista,etc.), o notável Ivon Cúri  (Caxambu, MG, 5/6/1928-Rio de Janeiro, 24/6/1955) aqui se faz presente com um verdadeiro clássico de seu repertório, o baião “Farinhada” (conhecido como “Tava na peneira”, primeiro verso da letra), assinado pelo mestre Zé Dantas. Ivon o imortalizou na RCA Victor em 8 de junho de 1955, e o lançamento se deu em agosto seguinte sob número de disco 80-1473-A, matriz BE5VB-0763, sendo a faixa mais tarde incluída no LP de dez polegadas “O rei decreta os sucessos” (Ivon era então o “Rei do Rádio”). ”Farinhada” tem várias regravações, inclusive do próprio Ivon Cúri. Luiz Wanderley retorna em seguida, desta vez para interpretar “O boi na cajarana”, motivo popular adaptado por Venâncio e Curumba, e por eles próprios lançado em disco,em 1953. O registro de Luiz Wanderley, em ritmo de baião, saiu pela Chantecler em janeiro de 1959, disco 78-0078-A, matriz C8P-155, e entrou mais tarde em seu primeiro LP, “Baiano burro nasce morto”.  Pernambucano de Amaraji, Ivanildo, conhecido como “o sax de ouro”, marca presença neste volume do GRB com o baião “Crioula”, de Moreira Filho, gravação Mocambo de 1961, lançada sob número 15372-A, matriz R-1263, e também faixa do LP “Uma noite no Comercial”.  Para finalizar, outro grande nome da música regional nordestina, Ary Lobo (Gabriel Euzébio dos Santos Lobo, Belém,  PA, 14/8/1930-Fortaleza, CE, 22/8/1980) apresenta o delicioso xote “Abotoa o paletó, Belizário”, de Geraldo Queiroz e Waldemar Tojal. É gravação RCA Victor de 10 de julho de 1957, lançada em setembro do mesmo ano sob número 80-1844-A, matriz 13-H2PB-0163. Enfim, uma seleção forrozeira de nível, que retoma a bem-sucedida trajetória do GRB, para alegria de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de melhor. Puxa o fole,  maestro!
*Texto de Samuel Machado Filho

 

Os Demônios Da Garoa – Ói Nóis Aqui Tra Veis (1969)

Eu sei que ninguém pediu, ‘mas óia eles aqui tra veis’. Claro que estamos falando desse maravilhoso grupo vocal, Os Demônios da Garoa. Com este álbum vamos para o terceiro do grupo postado no Toque Musical. E como sempre buscando os mais raros, tendo eles custado um ou mil reais. O importante aqui é como eu sempre digo, ouvir com outros olhos. É dentro dessa teoria aparentemente absurda que eu procuro demonstrar que tudo pode ter um lado interessante. Tem gente que não pensa assim, mas à essas pessoas, quando se manifestam com suas ‘crititicas’ e insultos, eu incorporo o personagem mais lembrado dos sete mares, coloco o tapa olho e ponho elas para andar na prancha. Pega tubarão! hehehe… Sei que a maioria não deve estar entendendo nada dessa conversa e nem precisa, afinal ela já tem um endereço certo. Melhor voltarmos à música, aos Demônios da Garoa.
Temos aqui um álbum lançado em 1969. Um disco com todos os ingredientes que fizeram deste grupo um dos mais queridos e alegres do Brasil. Tem Noel e Adoniran, outros paulistas e também sambistas. Um lp que contempla humor, alegria, samba e futebol. Podemos quase dizer que se trata de uma homenagem ao Corinthians. A música que dá nome ao disco foi criada por um corintiano, Geraldo Blota, em parceria com Joseval Peixoto. Em 2008 a música foi usada exatamente para isso, homenagear o Corinthians pelo seu retorno triunfal. “Timão” também é outra a qual está mais do que na cara, feita por Samuel Andrade e Paulo Gallo. Agora, aqui para mim, acho que “Time perna de pau”, de Vicente Amar, foi feita para outra equipe da massa, o meu velho e surrado Galo. Êta que essa música vem servindo de trilha perfeita para o Atlético Mineiro! Mas nóis aqui também num disisti… Sofremos, mas não desistimos! Há de chegar o dia em que também cantaremos “Ói nóis aqui tra veis”, uai! (e por favor, sem gozação!) Como sempre digo, perco a noção, mas não perco a piada (ou algo assim).
Deixemos os partidarismo esportivo e partamos ao comunismo musical (ou algo assim). Ups!

felicidade
time perna de pau
ói nóis aqui tra veis
mulher, patrão e cachaça
vim te ver
maxi mini saia
vila esperança
não quero entrar
você passa eu acho graça
timão
estou ficando louco
seleção de sambas

Adoniran Barbosa E Paulo Vanzolini- Nova História Da MPB (1978) 3

Iniciando mais uma semana, vou logo trazendo outro volume da coleção Nova História da Música Popular Brasileira. Como eu já havia informado (e pelo jeito estarei informando sempre a cada novo volume), a apresentação da série é feita por ordem alfabética e não conforme a de lançamento. Mesmo porque, não há uma numeração a ser seguida.
Hoje temos duas figuras excepcionais, dois mestres, Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini. Não há muito o que se possa falar desses dois compositores paulistas que já não tenha sido dito. Aliás, neste disquinho, não há muito o que se possa mostrar tanto de um quanto do outro. Eu sinceramente não entendo até hoje o que levou a Abril Cultural a lançar essa coleção com um disco de 10 polegadas. Será que não dava para ser um ‘long play’ com quatro musiquinhas a mais? Melhor ainda, será que não dava para fazer um álbum duplo? Ou pelo menos dar a cada artista escolhido um volume exclusivo? Esta coleção é muito legal, mas deixa a gente com água na boca, um gostinho de quero mais. Talvez seja essa mesma a intenção. Temos então, de um lado Adoniran e do outro o Vanzolini. Acompanhando, segue o álbum com as informações que o completa. Confiram…

saudosa maloca
samba do arnesto
bom dia tristeza
trem das onze
ronda
volta por cima
praça clóvis
capoeira do arnaldo

Os Demônios Da Garoa – Leva Este (1968)

Aqui temos a segunda contribuição (valeu Edú!), também pela segunda vez no Toque Musical, Os Demônios da Garoa. Este grupo instrumental e vocal é bem na linha dOs Três do Rio. “Leva este” foi lançado em 1968 pela Chantecler e traz, como diz na contra-capa, “doze sugestivas páginas”, assinadas por nomes como Adoniran Barbosa, Geraldo Filme, Hervé Cordovil, Sérgio Porto e outros. Confiram aí mais esta raridade musical.

benedita lavadeira
mimoso colobri
samba do crioulo doido
já fui uma brasa
são paulo, menino grande
hora do adeus
leva este
cabeça de prego
casamento do moacir
quem é vivo sempre aparece
aprenda a sambar
último sambista

Os Demônios Da Garoa – Interpretam Adoniran Barbosa (1974)

Para a segunda parte do dia estou trazendo aqui este disco bacanão dOs Demônios da Garoa. Se já não bastasse ser um disco deste excelente grupo paulista, ele ainda nos vem com o saudoso Adoniran Barbosa. Não é preciso dizer muito sobre o álbum que como vemos tem o melhor do João Rubinato. Este disco foi uma das muitas colaborações que nosso amigo “D” nos enviou e que eu agora tenho a oportunidade de postar aqui no Toque Musical. “Vamô ôvi?”

Saudosa Maloca
Iracema
Samba Do Arnesto
Malvina
Luz Da Light
Quem Bate?
Por Onde Andará Maria?
Trem Das Onze
As Mariposas
Um Samba No Bixiga
Pafunça
Samba Italiano
O Casamento Do Moacir
Saudosa Maloca