Plaza Sensacional – 14 Sucessos (1963)

O Toque Musical oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do selo Plaza Discos, gravadora  idealizada e dirigida por Henrique Gandelman, advogado, maestro, violonista e pai do notável saxofonista Léo Gandelman.  Apresentamos , desta vez, um  “the best of” da Plaza, ou seja, uma compilação que foi editada em 1963, reunindo 14 faixas extraídas de LPs lançados anteriormente por essa marca, na execução de seis conjuntos e orquestras de seu cast. O interessante é que, na contracapa, aparecem os LPs de que as gravações foram extraídas, com a relação completa das faixas,  e, em negrito, as que foram escolhidas para esta compilação. Se não, vejamos: do álbum “Beguine solamente beguine”, da Orquestra Serenata Tropical (já postado aqui no TM), escolheram-se as faixas “Nunca aos domingos” e “La violetera”. Outras faixas com essa orquestra (regida pelo idealizador da Plaza, Henrique Gandelman) aqui incluídas são: “El manisero”, “Vereda tropical” (do LP “Rumbas solamente rumbas”) , “El reloj” e “Perfume de gardênia” (de “Boleros solamente boleros”). Os Saxsambistas Brasileiros comparecem aqui com três clássicos: “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, “Na Baixa do Sapateiro”, do mestre Ary Barroso, do álbum “Percussão em festa” (também já postado aqui no TM) e o jobiniano “Samba de uma nota só”, do LP “Saxsambando”. A Orquestra Rio de Janeiro vem com outro samba clássico de Tom Jobim, “A felicidade”, em gravação originalmente lançada no LP “Velhas ideias novas (Trinta anos de samba)”. O Billy Parker Septet nos apresenta sua versão para o clássico “The man I love”, dos irmãos Gershwin, extraída do álbum “It’s latin now”. Os Populares e seu Ritmo aqui interpretam o tema folclórico “Meu limão, meu limoeiro”, originalmente do LP “Dance conosco – As músicas que todo o Brasil canta”. Por último, a Banda Real de Momo revive a divertida marchinha “Touradas em Madri”, que gravou para o álbum “Carnaval em marcha”.  Enfim, uma compilação que reúne alguns dos melhores momentos dos álbuns da Plaza Discos, que então representavam, como dizia seu slogan, “o melhor repertório gravado em alta fidelidade”. E o disco faz jus ao título: é mesmo “Sensacional”!  Ouçam e constatem…

nunca aos domingos – orquestra serenata tropical
na baixa do sapateiro – os saxsambistas brasileiros
el manisero – orquestra serenata tropical
menina moça – os saxsambistas brasileiros
el reloj – orquestra serenata tropical
a felicidade – orquestra rio de janeiro
the man i love – the billy parker septet
la violetera – orquestra serenata tropical
samba de uma nota só – os saxsambistas brasileiros
vereda tropical – orquestra serenata tropical
tico tico no fubá – os saxsambistas brasileiros
perfume de gardênia – orquestra serenata tropical
meu limão, meu limoeiro – os populares e seu ritmo
touradas de madrid – banda real de momo

*Texto de Samuel Machado Filho

Orquestra Serenata Tropical – Beguine Solamente Beguine

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Que calor está por aqui! De suar em bicas. Para piorar, tem também o tal de horário de verão. Olha aí, o tempo passou e já está quase na hora de dormir e eu ainda não fiz a metade das coisas que precisava fazer…

Para dar uma relaxada, eu estou trazendo aqui mais um disco da Orquestra Serenata Tropical. No álbum apresentado anteriormente, eu até então pouco soube informar sobre quem era a orquestra, parti até para suposições. Mas creio que nesta segunda apresentação iremos esclarecer os pontos obscuros. Descobri que a Orquestra Serenata Tropical era comandada por Henrique Gandelman, pai do saxofonista Leo Gandelman. Henrique Gandelman era advogado, maestro, violonista e diretor artístico da gravadora CBS. Foi também o idealizador e diretor do selo Plaza Discos, onde lançou outros dois discos de sua orquestra: “Boleros Solamente Boleros” e “Rumbas Solamente Rumbas”. Completando a trilogia a OST vem na sequência com o “Beguine Solamente Beguine”. Um álbum muito bom. Gostoso mesmo de ouvir e até dançar, porque não? Um repertório internacional, dentro de uma roupagem rítmica muito bem definida e apreciada naquela época. Ao que parece, houve até um segundo volume, mas eu não o conheço.Sem data localizada, volto à suposição, creio que este lp foi lançado no início dos anos 60. Quer conhecer? Dá um toque. Pelo jeito, vão pedir também um novo link para o disco anterior. Vou ficar aguardando alguma manifestação 😉

never on sunday

la novia

béguin the beguine

sonho de amor

lês feuilles mortes

amapola

la violetera

exodus

solamente una vez

concerto nº 1

estrellita

tua

Orquestra Serenata Tropical – O Novo Som Da Orquestra Serenata Tropical (1976)

Depois de uma sexta-feira independente, nada como os embalos de sábado a noite. John Travolta, discoteca, purpurina, Frenéticas, ‘Dancin’ Days’… Foi pensando assim que eu resolvi postar este disco da intitulada Orquestra Serenata Tropical. Conhecem? Por certo, alguns de vocês já devem ter ouvido outros discos com esta orquestra. E pelo que eu pude verificar, superficialmente, ela está em atividade desde os anos 60, talvez até mais. Mas afinal, quem são os músicos dessa orquestra? Pelo que eu pude entender, a Orquestra Serenata Tropical é apenas um nome que veio servindo a indústria fonográfica durante algumas décadas. Me corrijam se eu estiver errado, mas esta é mais um produção de oportunidade, que procura se encaixar no que acontece em um determinado momento. E o momento aqui é a onda discoteca, 1976. Mas o que tem a ver a OST, com seu repertório essencialmente de mpb? A ver pode até não ter nada, tem mesmo é que ouvir. Juntemos Ary Barroso, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Vinícius, Tom Jobim, Braguinha, entre outros… ah, tem também os vivos, as duplas João Bosco e Aldir Blanc, Roberto e Erasmo Carlos. Imaginem essa turma no embalo dos anos 70. Novamente… ‘discotheque’, lança perfume, As Panteras… e vamos nós para a discoteca. Acredito que a turma da velha guarda, principalmente o Sr. Ary Barroso, se tivesse ouvido a versão deste disco, teria se remexido todo dentro da sepultura. Só não saberia dizer se de ódio, execrando ‘a modernidade’ ou de alegria, se deixando levar no embalo do ‘dancin’ days’. Bem, falando assim vocês logo vão achar que o álbum não está com essa bola toda. Os puristas certamente não irão gostar. O que temos aqui é um trabalho, cuja a eminência (semi) oculta é do versátil e internacional Waltel Branco. Este é mais um dos muitos discos onde ele atuou por trás das cortinas, ou na cozinha, no caso aqui como arrajador (e possivelmente também como instrumentista). Waltel foi um músico prolixo, dos mais importantes tanto dentro do Brasil como fora. Não vou render aqui a história que vai ficar para uma próxima oportunidade, num de seus discos solo. Voltemos ao ‘novo som’ da Orquestra Serenata Tropical, mpb com gostinho de discoteca, mas se observamos a música com outros olhos, veremos (e ouviremos) bem mais que uma simples trilha para ‘os travoltas’ se requebrarem. Só mesmo o Waltel Branco para subverter com classe o imaculado. No fundo, um bom disco, podem conferir… 😉

além do horizonte
na baixa do sapateiro
não tenho lágrimas
garota de ipanema
onde o céu azul é mais azul
a felicidade
mamãe eu quero
aquarela do brasil
o que é que a baiana tem?
dois prá lá, dois prá cá
asa branca
primavera

Uma Noite No Bataclan (1975)

Olá amigos cultos e ocultos! Começando a semana, aqui vamos nós para mais uma jornada… As férias se foram e as obrigações se acumularam. Volto à minha rotina, sempre correndo, sempre com pouco tempo. Ontem nem tive como preparar algumas novidades (ou raridades?). Terei que recorrer à minha reserva de gaveta.

Hoje iniciamos com este disco, muito interessante, lançado pela Som Livre em 1975. “Uma Noite No Bataclan” foi uma espécie de continuação musical da trilha da novela Gabriela, escrita por Walter George Durst, numa adaptação do romance “Gabriela, Cravo e Canela” de Jorge Amado. Bataclan era o nome de um famoso cabaré e cassino em Ilhéus, frequentado pelos coronéis na década de 20. Na novela era o ponto de recreação e encontro dos ‘senhores da cidade’, o cabaré e bordel onde todos se encontravam para beber, conversar sobre política, dançar e namorar com ‘as moças’ da casa. Através da novela este famoso e memorável reduto se tornou ainda mais conhecido e seu nome seria adotado em diversas casas noturnas pelo Brasil a fora (eu mesmo conheço uns três). Mas o Bataclan baiano foi inspirado no francês e hoje em Ilhéus é um centro cultural. Devido ao sucesso da novela e seus ícones, a Som Livre lançou esta coletânea boêmia associada ao Bataclan. Embora não corresponda à música da época, me parece, foi o suporte complementar musical que trilhava algumas cenas da novela naquele ambiente. Nesta seleção variada encontraremos as seguintes músicas e intérpretes:
a volta do boemio – nelson gonçalves
malagueña – los indios
vingança – linda batista
siboney – orquestra serenata tropical
bigurrilho – jorge veiga
mano a mano – carlos lombardi
o meu boi morreu – cravo e canela
bar da noite – nora ney
história de un aor – pepe avila y los bronces
castigo – roberto luna
mambo jambo – perez prado
tortura de amor – waldick soriano
perfume de gardenia – bienvenido granada
jura – altamiro carrilho