Manduka (1979)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Aqui vamos nós nessa ‘dobradinha alternada’, de lps e de compactos. Hoje eu trago para vocês um disco que há muito eu estava para postar. Não entrou antes por falta de oportunidade e porque eu acabei me esquecendo mesmo. Mas, acabei ganhando o vinil do amigo Fáres e daí pude fazer uma digitalização dentro dos meus padrões e do jeito que todos gostam, completo! Temos assim, Manduka, um artista que já apresentamos aqui algumas vezes, através de seus ótimos e raros discos. Na verdade, eu já postei aqui suas primeiras gravações, discos que foram lançados no exterior, onde o artista viveu por muito anos. Este lp marca o retorno de Manduka ao Brasil, sendo ele o primeiro que ele gravou por aqui, em 1979. Para quem pegou o bonde andando, Manduka, ou Alexandre Manuel Thiago de Mello, foi um artista brasileiro, filho do poeta Thiago de Mello. Cantor, compositor e artista plástico. Foi parceiro de artistas como Geraldo Vandré e Dominguinhos. Com Dominguinhos compôs a belíssima “Quem me levará sou eu”, com interpretação marcante de Fagner. Neste lp vamos encontrar nove canções, todas de sua autoria. algumas, inclusive, regravações de trabalhos editados no exterior. Um trabalho muito bonito, mas que poucos chegaram a conhecer. Este lp ganhou força depois que começou a ‘pipocar’ nos blogs. Se depender do Toque Musical, vai continuar ‘pipocando’, pois aqui o lema é: um lugar para quem escuta música com outros olhos.

vitória régia
o que aconteceu na china?
asa pra falsa estação
jandira
esmeraldas
sonho do navio dourado
a desejada
maldigo  del alto cielo
somos quem somos.
.

Thiago De Mello – Estatutos Do Homem & Poemas Inéditos (1989)

Enfim chegou a sexta-feira! Mais uma vez vai ser ela o dia do artista/disco independente. Escolhi a dedo o disquinho para hoje, com todo o carinho para os amigos cultos e ocultos. O dia já está quase no fim, mas a intenção e a postagem permanecerão eternamente enquanto durarmos.

Hoje eu quero poesia, daquelas que atinge a sensibilidade e percepção de qualquer um. Coisa bonita de se ouvir. Que emociona até um coração de pedra. Foi por isso que escolhi um poeta dos meus favoritos, o grande Thiago de Mello. Sua poesia é direta, definida, feita para ser lida e cantada, assim como fez Drummond, Vinícius e como faz Paulo César Pinheiro. Não se trata de comparações, são apenas alguns dos meus poetas mais queridos, daqueles que nunca me canso de ouvir. Tenho certeza que muitos aqui compartilham do meu gosto e é mesmo para esses que eu trago este lp. Lançado no final dos anos 80, o disco do poeta reúne poemas, até então inédito, juntamente com um dos seus mais famosos, “Estatutos do Homem”, escrito em 1964, no Chile, quando foi adido cultural da embaixada brasileira naquele país. Tornou-se logo uma das mais consagradas poesias brasileiras, sendo conhecida e divulgada em vários países. No presente álbum podemos ter o prazer de ouví-las declamadas pelo seu autor, tendo ao lado a companhia de seu filho, o também poeta e músico, o saudoso Manduka. É dele a trilha sonora musical que embeleza ainda mais os “Estatutos do Homem & Poemas Inéditos”. Eis aí um disco para fechar com chave de ouro a semana. Confiram…
os estatutos do homem
a vida verdadeira
para repartir com todos
é natural mas fede
andirá – cantiga de caboclo
o silêncio da floresta
amazonas, pátria da água
tercetos de amor
linda vida
feliz insuportavelmente
num campo de margaridas
ontem sonhei com três rinocerontes
cantiga de natal quase de roda
***
Estatuto do Homem

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Manduka Y Los Jaivas – Los Sueños De América (1974)

Bom dia gente! Com o feriado de ontem, fiquei com a sensação de que a segunda-feira estaria começando hoje. Vamos ter uma semana curta. Então vamos curtir direito. Vou dedicar esses dias que virão a postar algumas versões em cd. Isso irá me facilitar a vida e também é a oportunidade de postar aqui alguns presentinhos que venho ganhando ao longo do tempo.

Começo com este cd do Manduka e o conjunto Los Jaivas, vindo diretamente do Chile. Um presente de quase 1 ano, enviado atenciosamente pelo ‘hermano’ Luis Carrido (gracias!) e que só agora estou tendo a oportunidade de postar. Não o fiz antes por achar um tanto que desnecessário, pois este disco, embora raro em nosso país, já foi bem divulgado em outros blogs. Mas acho que agora é um bom momento e por certo ele para muitos passou batido…
“Los Sueños de America” é um dos muitos álbuns de Manduka lançados fora do Brasil. Aliás pouquíssima coisa deste saudoso artista foi publicada no país. No presente álbum temos ele ao lado de um dos mais tradicionais e duradouros grupos chilenos, Los Jaivas. O disco sintetiza um momento ainda muito forte da chamada Nueva Canción, a música de protesto latino americana. Há também neste disco uma áurea jovem que reflete a influência experimental e internacional do jovem Manduka. Um disco curto e grosso (no melhor dos bons sentidos). Foi lançado no Chile em 1974, reeditado na Europa e novamente relançado em versão cd, mas nunca chegou por aqui, pelo menos que eu saiba…
don juan de la suerte
la centinela
date una vuelta en el aire
tá bom tá quetá
traguito de ron
los sueños de américa
primer encontro latinoamericano de la soledad

Manduka – Caravana (1978)

Se tem um disco que falta na minha coleção é este do Manduka. Gravado na França em 1978, o álbum nunca chegou a ser lançado no Brasil. Já havia procurado por ele em diversos canais da rede, mas nunca achei nada. Aliás, discos do cara é a coisa mais difícil de achar, seja em lojas ou pela Internet. Por pura sorte, um dia desses, procurando informações sobre um outro assunto, fui cair em uma página de fórum de discussão. Lá alguém comentava sobre o Manduka e este disco. Vocês não podem avaliar a minha satisfação ao deparar com um link para o disco. Juro que pensei em vocês, meus caros amigos-visitantes-ocultos. Se fez a minha felicidade, com certeza fará a de vocês também. Agora temos no Toque Musical três discos desse saudoso artista. Vamos ouvir?

Saidação
Terra dos homens
ClaraKatatay
Caravana
Raças
A catimba não gorou
Fábula
Somos quem somos

Manduka (1976)

Um álbum que eu mesmo não conhecia. Me parece, foi gravado na França.
Nasceu irremediavelmente poeta. Aos quatro anos de idade, uma tia levava-o em passeio por Copacabana quando ele saltou de sua inocência e perguntou a queima roupa, para o terno espanto dela, se o mar ficava ali de noite, e como a resposta fosse afirmativa tornou a indagar “e fazendo o quê, esperando o sol para se esquentar?”. Era assim Manduka, falecido na semana que passou, ainda na força e na inspiração de seus cinqüenta e três anos bem vividos, deixando inconsoláveis seu pai o poeta Thiago de Mello, de quem herdara a veia lírica e a alma de artista, e a mãe, a jornalista Pomona Politis, que lhe passou o ardente sangue grego. Manduka era carinhoso apelido de família. Na verdade, chamava-se Manuel, em homenagem ao padrinho, o vate nacional Manuel Bandeira, íntimo amigo de Thiago, que celebrizou o menino logo ao nascer com um poema em seu Mafuá de Malungo.
01.- Tenochtitlan
02.- Emarema
03.- O farol dos encontros
04.- Calipso
05.- Assis Valente
06.- Mané Garrincha
07.- Jandira

Manduka – Brasil 1500 (1972)

Chegamos a fim de nossa jornada musical através da música latino-americana. Havia dito, logo ao iniciar essas postagens, que pretendia apresentar os latinos e também artistas de língua portuguesa. Confesso que fiquei tão envolvido com a ‘nueva canción’ que acabei me esquecendo dos portugueses. Mas em breve voltarei dando enfanse a esses artistas. Finalizando a semana, vamos com o Manduka. Talento precoce, aos 18 anos já fazia parceria com Geraldo Vandré no Chile. Também teve parceiros chilenos como Los Jaivas. Correu de cabo a rabo essa América Latina, mostrando sua arte. Filho (de peixe) do poeta Thiago de Mello e afilhado de Manoel Bandeira, o cara tinha tudo para ser genial, e foi! Paralelo a música, tinha nas artes plásticas sua outra paixão. Morreu em 2004 aos 52 anos… Este disco foi seu primeiro álbum, gravado no Chile.

01. Brasil 1500
02. Entra Y Sale
03. Naranjita
04. De La Tierra
05. Patria Amada Idolatrada Salve Salve
06. Oiticumana
07. De Un Extranjero
08. Qué Dirá El Santo Padre