Cinema Em 78 RPM – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 137 (2015)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, agora em sua edição de número 137. E a seleção musical desta quinzena foi preparada por uma pessoa muito especial: eu próprio!  Tudo começou quando o Augusto me mandou  diversos áudios extraídos de clipes produzidos para o YouTube, pela Rádio Educativa Mensagem de Santos, aproveitando cenas de filmes diversos, todos em preto e branco. No entanto, apenas quatro músicas, devidamente conservadas aqui , fizeram realmente parte de filmes. Então sugeri que fosse feita uma edição com músicas que foram realmente apresentadas em películas de sucesso, a maior parte nacionais. Com o devido acolhimento da ideia, e com carta branca para sua elaboração,  consegui garimpar dezesseis fonogramas, alguns até raríssimos, extraídos das bolachas de cera velhas de guerra. Uma seleção que resultou inclusive de pesquisas em fontes diversas, particularmente o “Dicionário de filmes brasileiros – longa-metragem”, de Antônio Leão da Silva Neto (Editora Futuro Mundo, 2002). Isto posto,vamos às músicas.Para começar, temos o clássico “O ébrio”, canção de e com Vicente Celestino, “a voz orgulho do Brasil”, por ele gravada na Victor em 7 de agosto de 1936 e lançada em setembro do mesmo ano, disco 34091-A, matriz 80195. O filme viria dez anos depois, produzido pela Cinédia e dirigido pela esposa do cantor, Gilda de Abreu, com grande bilheteria (teria superado até mesmo “Tropa de elite2”, o recordista oficial de bilheteria do cinema brazuca).  Esta gravação é uma montagem que apresenta, primeiramente, o monólogo inicial, extraído da regravação que Celestino fez da música em 1957, e, em seguida, o registro original de 1936, junção esta feita para a coletânea “Sessenta anos de canção”, lançada após a morte do cantor, em 1968. Inezita Barroso, recentemente falecida, aqui comparece com “Maria do mar”, canção do maestro Guerra Peixe em parceria com o escritor José Mauro de Vasconcelos, autor de romances de sucesso como  “Vazante”, “Coração de vidro”, “Banana brava” e “O meu pé de laranja-lima”. Fez parte do filme “O canto do mar”, produção da Kino Filmes dirigida por Alberto Cavalcanti, e Inezita a gravou na RCA Victor em 4 de agosto de 1953,com lançamento em  outubro do mesmo ano, disco 80-1209-B, matriz BE3VB-0222. Temos, em seguida, a única composição de origem estrangeira inclusa nesta seleção. Trata-se de “Natal branco (White Christmas)”, fox de autoria de Irving Berlin, um dos maiores compositores dos EUA, e sucesso em todo o mundo. Seu intérprete mais constante foi o ator e cantor Bing Crosby, que a lançou em um show que fez para os pracinhas norte-americanos que serviam nas Filipinas, durante a Segunda Guerra Munidal. Bing também interpretou este clássico em dois filmes: “Duas semanas de prazer (Holiday inn)”, de 1942, e “Natal branco(White Christmas)”, de 1954. Com letra brasileira de Marino Pinto, foi levado a disco na RCA Victor por Nélson Gonçalves, ao lado do Trio de Ouro, então em sua terceira fase (Lourdinha Bittencourt, então esposa deNélson, Herivelto Martins e Raul Sampaio), no dia 25 de novembro de 1955, mas estranhamente só saiu em janeiro de 56, disco 80-1551-B, matriz BE5VB-0926. Houve uma versão anterior, assinada por Haroldo Barbosa, que Francisco Alves interpretava em programas de rádio, porém não gravada comercialmente. Na quarta faixa, o maior sucesso autoral do compositor pernambucano Nélson Ferreira:  o frevo-de-bloco “Evocação”, primeiro de uma série de sete com o mesmo título, homenageando grandes nomes do carnaval recifense do passado. A interpretação é do Bloco Batutas de São José,lançada pela recifense Mocambo em janeiro de 1957, no 78 rpm n.o 15142-B, matriz R-791, e no LP coletivo de 10 polegadas “Viva o frevo!”.  “Evocação” foi também sucesso no eixo Rio-São Paulo, em ritmo de marchinha, entrando na trilha sonora do filme “Uma certa Lucrécia”, de Fernando de Barros, estrelado por Dercy Gonçalves. Logo depois, outra gravação da Mocambo: é a balada-rock “Sereno”, lançada em 1958 no 78 rpm n.o 15233-A, matriz R-985, e incluída mais tarde no LP “Surpresa”. A música fez parte do filme “Minha sogra é da polícia”, uma comédia dirigida pelo mesmo autor da composição, Aloízio T. de Carvalho, e por sinal bastante cultuada pelos fãs de dois futuros astros da Jovem Guarda, Roberto & Erasmo Carlos, pois marcou a primeiríssima aparição de ambos no cinema.  “Sereno” também foi revivida, em 1976, na novela “Estúpido Cupido”, da TV Globo, cuja trilha sonora foi a de maior vendagem da história da gravadora Som Livre: mais de dois milhões e meio de cópias! Na sexta faixa, uma raridade absoluta: trata-se da toada “Céu sem luar”, do maestro Enrico Simonetti em parceria com o apresentador de rádio e televisão Randal Juliano. Quem a interpreta, com suporte orquestral do mestre Tom Jobim, é Dóris Monteiro, em gravação Continental de 6 de maio de 1955, lançada em outubro do mesmo ano, disco 17171-A, matriz C-3628. Dóris também a interpretou no filme “A carrocinha”, produção de Jaime Prades estrelada por Mazzaropi  sob a direção de Agostinho Martins Pereira, e na qual Dóris também contracenou com outro mestre, Adoniran Barbosa (seu pai, na trama).  Desse mesmo filme, agora com o próprio Mazzaropi, um dos mais queridos comediantes do cinema brazuca, até hoje lembrado com saudade, é nossa sétima faixa, o baião “Cai, sereno (Na rama da mandioquinha)”, baião de Elpídio “Conde” dos Santos (autor do clássico “Você vai gostar”).O eterno jeca registrou “Cai, sereno” na RCA Victor em 2 de agosto de 1955, e o lançamento se deu em outubro do mesmo ano, disco 80-1497-A, matriz BE5VB-0821. Temos também o lado B desse disco,matriz BE5VB-0822, também de Elpídio: a rancheira “Dona do salão”, interpretada por Mazza no filme “Fuzileiro do amor”, dirigido por Eurides Ramos, primeira das três películas que o comediante fez no Rio de Janeiro para a Cinedistri, de Oswaldo Massaini.  Ângela Maria, a querida Sapoti, nos apresenta o expressivo samba-canção “Vida de bailarina”, de Américo Seixas em parceria com o humorista Chocolate (Dorival Silva). Fez parte do filme “Rua sem sol”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por Alex Viany, e a gravação em disco saiu pela Copacabana em  dezembro de 1953, sob n.o 5170-B,matriz M-642. Voltando bem mais longe no tempo, apresentamos “Estrela cadente”, valsa-canção de José Carlos Burle, que fez parte do filme “Sob a luz do meu bairro”, da Atlântida, dirigido por Moacyr Fenelon. Carlos Galhardo,seu intérprete na película, cujos negativos infelizmente se perderam em um incêndio, gravou a música na Victor em 12 de abril de 1946, com lançamento em julho do mesmo ano sob n.o 80-0421-B, matriz S-078474. O eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, apresenta a animadíssima polca “Tô sobrando”, que fez em parceria com Hervê Cordovil, e gravou na RCA Victor em 26 de julho de 1951, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 80-0816-A,matriz S-092995. Gonzagão também a interpretou no filme “O comprador de fazendas”, da Cinematográfica  Maristela, estúdio paulistano que ficava no bairro do Jaçanã, baseado em conto de Monteiro Lobato e dirigido por Alberto Pieralisi, tendo no elenco Procópio Ferreira, Hélio Souto e Henriette Morineau, entre outros (o próprio Pieralisi dirigiu uma refilmagem inferior, em 1974).  O número musical de Luiz Gonzaga, por sinal, foi rodado após o término das filmagens, uma vez que ele sofrera grave acidente automobilístico e quebrara o braço. Outra raridade vem logo em seguida: o samba-exaltação “Parabéns, São Paulo”, de Rutinaldo Silva,em gravação lançada pela Continental em março de 1954 (ano em que a capital bandeirante comemorou seus quatrocentos anos de existência), disco 16912-B, matriz C-3287. Esse foi o número musical de encerramento do filme “O petróleo é nosso”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por um especialista em chanchadas, Watson Macedo. O belo samba-canção “Onde estará meu amor?”, de autoria da compositora e instrumentista Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale), é outra absoluta raridade nesta seleção “cine-musical”. Interpretado por Agnaldo Rayol no filme “Chofer de praça”, o primeiro que Mazzaropi fez como produtor independente, sob a direção de Mílton Amaral, foi lançado em disco pela Copacabana em maio de 1958, no 78 rpm n.o  5891-A, matriz M-2181, entrando mais tarde no primeiro LP de Agnaldo, sem título (CLP-11061). Gravações  posteriores de Dolores Duran e Elizeth Cardoso, também pela Copacabana, reforçariam o êxito de “Onde estará meu amor?”.  Silvinha Chiozzo, irmã da acordeonista e também cantora e atriz Adelaide Chiozzo,  aqui comparece com duas músicas que interpretou no filme “Rico ri à toa”, primeiro trabalho do cineasta Roberto Farias, que mais tarde fez ”Assalto ao trem pagador” e a trilogia cinematográfica estrelada por Roberto Carlos (“Em ritmo de aventura”, “O diamante cor-de-rosa” e “A trezentos quilômetros por hora”), sendo depois diretor de especiais da TV Globo.  Saíram pela Copacabana em 1957, sob número 5795. Primeiro,o lado B, “Zé da Onça”, baião clássico de João do Valle, o acordeonista Abdias Filho (o famoso Abdias dos Oito Baixos) e Adrian Caldeira, matriz M-1990, que Silvinha canta em dueto com Zé Gonzaga, irmão de Luiz Gonzaga. Vem depois o lado A, matriz M-1965, “É samba”, que Silvinha canta solo, concebido por Vicente Paiva, Luiz Iglésias e Walter Pinto, os três ligados ao teatro de revista. Para terminar, um verdadeiro clássico interpretado pelo grande Cauby Peixoto: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt e Raul Sampaio, e que fez parte do filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri,  dirigida por Victor Lima. Cauby imortalizou este sucesso inesquecível na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957,com lançamento em abril de 58 no 78 rpm n.o 80-1928-A, matriz 13-H2PB-0311. Um fecho realmente de ouro para a seleção desta quinzena do GRB, que por certo irá proporcionar grandes momentos de recordação e entretenimento a vocês  que tanto prestigiam o TM. Quero expressar inclusive meus mais sinceros agradecimentos aos colecionadores Gilberto Inácio Gonçalves e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)  pela colaboração, enviando-me alguns dos preciosos fonogramas que compõem esta edição. E agora, luz, câmera, ação… e música!

*Texto e seleção musical de Samuel Machado Filho

Cantores – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 124 (2014)

E chegamos à edição de número 124 do Grand Record Brazil. Para esta semana, o amigo Augusto preparou uma seleção variada, interessante e como sempre de grande valor histórico e artístico. Aqui estão catorze gravações, por certo bastante representativas de nosso glorioso passado musical, interpretadas por sete cantores, com duas faixas para cada um.
Para começar, apresentamos Carlos Alberto Ferreira Braga, o João de Barro, também conhecido por Braguinha (Rio de Janeiro,  29/3/1907-idem, 24/12/2006), compositor de inúmeros e expressivos sucessos no carnaval e no meio-de-ano. Nesta edição de GRB, apresentamos duas gravações que ele fez como intérprete, à frente do Bando de Tangarás, na Parlophon, ambas do disco 13173, lançado em junho de 1930. Começamos com o lado B, matriz  3539, uma toada de autoria dele próprio, “A mulher e a carroça”. Depois temos o lado A, matriz 3538, por certo o que mais apareceu. Trata-se do samba “Minha cabrocha”, de autoria de Lamartine Babo, então definindo seu estilo.  Este, aliás, foi o primeiro grande sucesso autoral de Lalá, e, embora samba de meio-de-ano, também alcançaria êxito no carnaval de 1931. “Minha cabrocha” é conhecido até hoje e tem várias regravações. Nélson Gonçalves (Santana do Livramento, RS, 21/6/1919-Rio de Janeiro, 18/4/1998), o sempre querido e lembrado “metralha do gogó de ouro”, cujos álbuns têm sido presença cativa no Toque Musical, está presente nesta edição do GRB com outras duas faixas, que gravou na Victor em princípio de carreira. A primeira é o clássico fox-canção “Dos meus braços tu não sairás”, de autoria de Roberto Roberti. Nélson o imortalizou na marca do cachorrinho Nipper em 27 de abril de 1944,com lançamento em junho do mesmo ano, disco 80-0186-A, matriz S-052950. Depois temos “A valsa de Maria”, de Custódio Mesquita e David Nasser, gravada em 28 de janeiro de 1943 e lançada em abril do mesmo ano, disco 80-0066-A, matriz S-052706. Em ambas as faixas, o acompanhamento é da orquestra do próprio Custódio Mesquita. Temos,  em seguida, as músicas do único 78 rpm de Jonas Corrêa Tinoco (Niterói, RJ, 14/9/1918-Rio de Janeiro, 1/12/1986), o Victor 33639, gravado em 13 de julho de 1932 e lançado somente em abril de 33, quando ele tinha 15 anos incompletos. O lado A, matriz 65543, sem dúvida foi o que se tornou mais conhecido:  a “Canção do jornaleiro”, de autoria de Heitor dos Prazeres, que popularizou Jonas de imediato e motivou a realização de uma campanha de amparo aos pequenos jornaleiros. Êxito permanente, teve regravações por Franquito, Enéas Fontana e até mesmo por Wanderley Cardoso, um dos futuros astros da Jovem Guarda.  No lado B, matriz 65544, Jonas gravou outra pungentíssima canção, “Não tenho mais felicidade”, composta pelo mesmo autor de “Cidade maravilhosa” e “Alô, alô”, André Filho. Entretanto, Jonas Tinoco abandonou de repente sua carreira, que começara bastante promissora, por motivos até hoje desconhecidos. Sylvio Vieira (Jacareí, SP, 28/5/1899-Petrópolis,RJ, 7/2/1970) tinha origem nobre: era Baronete da Pedra Negra. Estudou canto lírico e sua estreia profissional se deu em 23 de abril de 1920, no Teatro São José de São Paulo, interpretando o papel de Valentim na ópera “Fausto”, de Gounod. Atuou em companhias populares e em revistas, nos principais teatros da então capital da República, o Rio de Janeiro (João Caetano, Glória. Cassino, Recreio). Em 23 de novembro de 1935, fez parte da primeira apresentação completa, em português, da ópera “O guarani”, de Carlos Gomes, no Teatro Municipal carioca, sendo figura constante nas temporadas líricas oficiais dessa casa de espetáculos até o início dos anos 1960. Sylvio Vieira comparece nesta edição do GRB com as músicas do disco Victor 33558, gravado em 29 de abril de 1932 e lançado em junho do mesmo ano. O lado A, matriz 65477, apresenta o maior sucesso do cantor na área da música popular: a canção “Frô do ipê”, de autoria do pistonista Bomfiglio de Oliveira, em parceria com Nélson de Abreu. No lado B, matriz 65478, ele nos apresenta outra canção, esta de André Filho, “Como é lindo o teu olhar”. Carlos Galhardo,  o eterno “cantor que dispensa adjetivos”, é aqui apresentado em dois momentos distintos de sua vitoriosa carreira. De início, ele interpreta aqui “Felicidade… é quase nada”, de Joubert de Carvalho e Gilberto de Andrade, em ritmo de samba-canção (no original era rumba). Seu criador, nos palcos e no disco, foi Roberto Vilmar, em  1933.A regravação de Galhardo foi feita na RCA Victor em 24 de maio de 1950, com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 80-0674-B, matriz S-092682. Pulamos em seguida para o início da carreira de Galhardo, apresentando a faixa de abertura de seu primeiro disco, o Victor 33625, gravado em 5 de janeiro de 1933 e lançado em março do mesmo ano, matriz 65658: é o frevo-canção (então chamado de “marcha pernambucana”) “Você não gosta de mim”, de autoria dos irmãos Raul e João Victor Valença. Carlos Galhardo,por sinal, seria o cantor do Sul mais fiel ao frevo, lançando músicas do gênero em vários carnavais, sempre com sucesso certo no Recife e, por tabela, em todo o Nordeste. Autêntico precursor da bossa nova, Mário Reis (Rio de Janeiro, 31/12/1907-idem, 5/10/1981) aqui interpreta dois sambas do mestre de Ubá, Ary Barroso, por sinal seu colega de Faculdade de Direito. Primeiro, “Deixa esta mulher sofrer”, gravação Columbia de 13 de outubro de 1939, lançada em  dezembro do mesmo ano, disco 55189-A, matriz 218. A faixa seguinte vem a ser a primeira composição gravada de Ary, “Vou à Penha”, aludindo a uma festa que acontece no Rio de Janeiro entre os meses de outubro e novembro, no caminho de subida para a Igreja da Penha, ao lado do Parque Shangai, com barraquinhas, venda de artigos religiosos, alimentação típica, etc. O samba saiu no quarto disco de Mário Reis, o Odeon 10298-A, em dezembro de 1928, matriz 2078, e teria uma continuação trinta anos mais tarde, composta pelo próprio Ary, “Eu fui de novo à Penha”, gravada por Lucienne Franco. Por fim, apresentamos Roberto Vidal, cantor que teve sua época, mas foi esquecido com o passar do tempo.  Aqui temos as faixas do disco RCA Victor 80-2159, gravado em 28 de outubro de 1959 e lançado em janeiro de 60. O lado A, matriz 13-K2PB-0805, é um clássico bastante conhecido: “Negue”, samba-canção de Adelino Moreira em parceria com  Enzo de Almeida Passos, criador, no rádio, do “Telefone pedindo bis” e da “Grande parada Brasil”. Teria seu sucesso confirmado e aumentado pelas regravações que recebeu posteriormente:  Carlos Augusto, Linda Rodrigues, Nélson Gonçalves, Cauby Peixoto… e, em 1978,  “Negue” voltaria às paradas de sucesso, na voz de Maria Bethânia.  Este registro original de Roberto Vidal para “Negue”chegaria, em 1961, a seu primeiro LP, sem título (RCA Camden CALB-5038). Entretanto, o lado B do 78, matriz 13-K2PB-0806, estranhamente, não teria a mesma sorte. Trata-se do samba “Triste coração”, de autoria da cantora Linda Rodrigues em parceria com Aldacir Louro. Portanto, é mais uma raridade que o GRB nos apresenta, encerrando a seleção desta semana, apresentando sete cantores e catorze interpretações que têm em comum seu inestimável valor artístico e histórico. Bom divertimento e até a próxima!
*Texto de Samuel Machado Filho

Sambas – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 123 (2014)

E prossegue a gloriosa trajetória do Grand Record Brazil. Já estamos na edição de número 123, e nela estamos apresentando uma seleção especialmente dedicada ao samba. São 15 gravações, com sambas de autores consagrados do gênero, interpretados pelos melhores cantores de sua época.  Abrindo esta edição, temos “Capital do samba”, de José Ramos (1913-2001), fluminense de Campos, que ajudou a fundar a ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na interpretação do sempre notável Gilberto Alves. Gravação Odeon de 9 de setembro de 1942, lançada em outubro do mesmo ano, disco 12214-A, matriz 7053. Dos cariocas João da Baiana (João Machado Guedes, 1887-1974) e Babaú da Mangueira (Waldomiro José da Rocha, 1914-1993) é “Sorris de mim”, a faixa seguinte, interpretada por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”. Ela o gravou na Victor em 9 de julho de 1940,com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34657-B, matriz 33463. De Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975) e do lendário Paulo da Portela  (Paulo Benjamin de Oliveira, 1901-1949), foi escalado “Arma perigosa”, na interpretação de Linda Rodrigues (Sophia Gervasoni, 1919-1995). É o lado A de seu terceiro 78, o Continental 15423, lançado em setembro de 1945, matriz 1136. Na quarta faixa, um clássico indiscutível do mestre Ary Barroso: é “Morena boca de ouro”,  na interpretação de Sílvio Caldas, que o imortalizou na Victor em 4 de julho de 1941, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34793-A, matriz S-052259. Foi várias vezes regravado,inclusive por João Gilberto, que o incluiu em seu primeiro LP, “Chega de saudade”, em 1959. O dito popular “Quem espera sempre alcança” dá título à nossa quinta faixa, mais uma composição do lendário Paulo da Portela. Quem canta este samba é Mário Reis, em gravação lançada pela Odeon em setembro de 1931, disco 10837-B, matriz 4272, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman. “Quem mandou, Iaiá?” é de Benedito Lacerda (também no acompanhamento com sua flauta mágica e inconfundível) e Oswaldo “Baiaco” Vasques, e foi lançado pela Columbia  para o carnaval de 1934, em janeiro desse ano, na voz de Arnaldo Amaral, disco 22262-A, matriz 1005. Também de Baiaco, em parceria com João dos Santos, é nossa sétima faixa, “Conversa puxa conversa”, gravação Victor de Almirante (“a maior patente do rádio”) em 24 de abril de 1934, lançada em julho do mesmo ano com o n.o 33800-A, matriz 79615, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida por Pixinguinha.  Babaú da Mangueira volta em nossa faixa 8, “Ela me abandonou”, samba do carnaval de 1949, em parceria com Taú Silva. Novamente aqui comparece Gilberto Alves, em gravação RCA Victor de 23 de dezembro de 48, lançada um mês antes da folia,em janeiro,disco 80-0591-B, matriz S-078852. Autor de clássicos do samba, Ismael Silva (1905-1978) mostra seu lado de intérprete em “Me deixa sossegado”, que assina junto com Francisco Alves e Nílton Bastos, e foi lançado pela Odeon em dezembro de 1931, disco 10858-B,matriz 4281. De família circense, sobrinho do lendário palhaço Piolim,  o comediante paulista Anchizes Pinto, o Ankito (1924-2009), considerado um dos cinco maiores nomes da era das chanchadas em nosso cinema, bate ponto aqui com “É fogo na jaca”, samba de Raul Marques, Estanislau Silva e Mateus Conde. Destinado ao carnaval de 1954, foi lançado pela Columbia (depois CBS e hoje Sony Music) em janeiro desse ano, sob n.o  CB-10017-B, matriz CBO-152. Paulo da Portela volta na faixa 11, assinando com Heitor dos Prazeres “Cantar pra não chorar”, do carnaval de 1938. Quem canta é Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, em gravação Victor de 15 de dezembro de 37, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 34278-B, matriz 80634. Na faixa 12, volta José Ramos, agora assinando com o irmão, Marcelino Ramos, “Jequitibá”. Gravação de Zé e Zilda (“a dupla da harmonia”), em 1949, na Star, disco 151-B, por certo visando o carnaval de 50. A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, vem com o samba “Mulher de malandro”, de Hervê Cordovil.  Gravado na Victor em 23 de outubro de 1945, seria lançado apenas em  setembro de 46, sob n.o 80-0431-B, matriz S-078380. Ernani Alvarenga, o Alvarenga da Portela, assina “Fica de lá”, samba do carnaval de 1939, em gravação Odeon de Francisco Alves, datada de 16 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia,em fevereiro, disco 11700-A,matriz 5995. Por fim, temos o samba “Não quero mais”, samba de autoria de Zé da Zilda (também conhecido por Zé com Fome e José Gonçalves) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Castro, que apareceu no selo com o sobrenome errado, “da Silva”),  gravado na Victor por Aracy de Almeida  em 9 de setembro de 1936 e lançado em dezembro do mesmo ano, disco 34125-A, matriz 80214, certamente com vistas ao carnaval de 37. Note-se, a respeito deste samba, que Cartola tinha feito duas segundas partes, mas Zé da Zilda fez uma outra segunda parte por conta própria e, assim, eliminou Cartola da co-autoria. Enfim, é uma excelente seleção de sambas que o GRB  nos oferece, para apreciação de todos aqueles que apreciam o melhor de nossa música popular.

* Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Galhardo – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 115 (2014)

Chegando à sua edição de número 115, o Grand Record Brazil apresenta a terceira e última parte da retrospectiva dedicada a Carlos Galhardo (1913-1985), sem dúvida um dos mais queridos e expressivos intérpretes de nossa música popular, um cantor que, de fato, como dizia seu slogan, dispensava adjetivos. Desta feita, estamos oferecendo a nossos amigos cultos, ocultos e associados onze preciosas gravações  de Galhardo, verdadeiras joias de seu repertório.  Abrindo o programa, temos “Vela branca sobre o mar”, ótimo fox de José Maria de Abreu e Oswaldo Santiago, gravação Victor de 18 de junho de 1937, lançada em setembro do mesmo ano, disco 34200-A, matriz 80469. Fiel às raízes italianas da família, Galhardo depois nos oferece “Guaglione”, palavra que em italiano quer dizer “rapazola” ou “garoto”.  É outro fox, este composto lá mesmo na Itália, por Nicola Salerno, o Nisa, e Giuseppe Fanciulli, com letra brazuca do radialista Júlio Nagib. Foi gravado na já então RCA Victor em 3 de dezembro de 1956, indo para as lojas em março de 57 com o n.o 80-1735-B, matriz BE6VB-1396 (curioso é que, um mês antes, a Odeon pôs nas lojas a gravação de Léo Romano, feita porém três dias depois desta de Galhardo, a 6 de dezembro de 56, sendo nosso focalizado, portanto, o primeiro a gravar a versão). Em seguida, a marchinha “Mercador”, de Wilson Batista e Ari Monteiro, do carnaval de 1953. Outra gravação RCA Victor, esta de 7 de agosto de 52, e que chegou às lojas ainda em dezembro sob n.o  80-1047-A, matriz SB-093392. Da safra de Galhardo na Odeon é “Morena faceira”, samba do mestre Ataulfo Alves, gravado em primeiro de junho de 1937 e lançado em  outubro do mesmo ano, disco 11522-B, matriz 5586. “Noite sem luar”, nossa faixa seguinte,  é uma das inúmeras e bem-sucedidas valsas dos  autores de “Boa noite, amor” (prefixo pessoal de Francisco Alves) , José Maria de Abreu e Francisco Matoso.  Abreu já era o “rei da valsa” entre os autores, e Galhardo, “rei da valsa” entre os intérpretes, imortalizando “Noite sem luar” na Victor  em 18 de junho de 1937, mas com lançamento apenas em março de 38 com o n.o 34299-A,matriz 80470. “Notícia de última hora”, de Benedito Lacerda e Darcy de Oliveira, é um samba do tempo da Segunda Guerra Mundial, em que um pracinha avisa que vai lutar com os países aliados na Itália e retornar vitorioso. De fato, os aliados derrotaram as forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), marcando o fim do conflito, em 1945. Destinado ao carnaval de 1943, o samba foi gravado na Victor por Galhardo em 25 de setembro de 42, com lançamento ainda em dezembro, disco 80-0026-A, matriz S-052624. “O homem da valsa”, de Custódio Mesquita e David Nasser, por certo é uma referência ao próprio Galhardo, ele que a registrou na mesmíssima Victor em  11 de fevereiro de 1943, com lançamento em maio do mesmo ano sob n.o 80-0076-B, matriz S-052719. Do início da carreira do cantor é pinçado o samba que vem em seguida, “Para onde irá o Brasil?”, de autoria de Assis Valente, então também iniciante como Galhardo, que o gravou em seu segundo disco, o Victor 33627-A,em 2 de fevereiro de 1933, com lançamento em março do mesmo ano, matriz 65663. Assis havia composto o samba durante a Revolução Constitucionalista de 1932, e  foi intimado a dar explicações às autoridades policiais. Seu conteúdo,  porém, traz uma mensagem antibélica. O mestre Ataulfo Alves novamente aparece com outro de seus inspirados sambas, ‘Receita”, parceria com João Bastos Filho, gravação Victor de Galhardo em 20 de junho de 1938, porém só lançada em abril de 39, disco 34422-A, matriz 80832. O samba seguinte também é de Ataulfo, agora em parceria com o violonista Claudionor Cruz:  o clássico “Sei que é covardia (Mas…)”.  E  é também gravação Victor do nosso Galhardo, datada de 5 de dezembro de 1938, com lançamento em janeiro de 39 para o carnaval,  triunfalmente consagrado como um dos maiores hits dessa folia, disco 34401-A, matriz 80952. Finalizando, a belíssima valsa “Viena do meu coração”, de autoria de dois expoentes do gênero, Paulo Barbosa e Oswaldo Santiago, que nosso “rei da valsa”, Carlos Galhardo, imortalizou na Odeon em 23 de março de 1937, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 11492-A, matriz 5557. De fato, um belo fecho para o retrospecto de Carlos Galhardo feito por nosso GRB.  E nossas duas próximas edições serão dedicadas ao grande compositor Lupicínio Rodrigues, cujo centenário de nascimento comemoramos neste 2014. Até lá!

* Texto de Samuel Machado Filho

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Carlos Galhardo (parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 114 (2014)

E estamos de volta com o Grand Record  Brazil, em sua edição de número 114, apresentando a segunda parte da retrospectiva dedicada a Carlos Galhardo (1913-1985), “o Cantor que dispensa adjetivos”. São mais doze faixas preciosas e imprescindíveis para todos os que apreciam a arte de cantar no que ela tem de mais belo e expressivo.  Abrindo nossa seleção desta semana, Galhardo apresenta “Ai, amor”, samba de dois Robertos, Martins e Roberti, gravado na Victor em 25 de agosto de 1939 e lançado em novembro do mesmo ano sob n.o 34508-B, matriz 33153. Roberto Martins também assina, agora com Ari Monteiro, a faixa seguinte, “Vinte e três de abril”, data consagrada a São Jorge, e inspiradora deste samba que Galhardo imortalizou na já então RCA Victor em 27 de fevereiro de 1948, com lançamento em abril seguinte com o n.o 80-0579-A, matriz S-078829. Do carnaval de 1960 é a marchinha “Cachopa”, de Augusta de Oliveira e Madalena Correia, gravada em 14 de setembro de 59 e lançada ainda em dezembro sob n.o 80-2148-B, matriz 13-K2PB-0759, e no LP coletivo “Carnaval RCA Victor”, isso já numa época, sempre é bom frisar, de transição do 78 rpm para o vinil. Recuando no tempo, temos em seguida o samba “Cantar pra não chorar”, de autoria do lendário Paulo da Portela em parceria com um dos pioneiros do gênero,  Heitor dos Prazeres, que Galhardo grava na então Victor em 15 de dezembro de 1937, com lançamento bem em cima do carnaval de 38, em fevereiro, sob n.o 34278-B,matriz 80634. Mostrando que foi talvez o cantor do Sul do Brasil mais fiel ao frevo,gênero com o qual estreou em disco, Galhardo apresenta “O frevo é assim”. De autoria de Nélson Ferreira, um craque do gênero, em parceria com o também  pernambucano Nestor de Holanda, este frevo-canção do carnaval recifense de 1946 foi gravado na marca do cachorrinho Nipper em 23 de outubro de 45, sendo lançado ainda em dezembro com o número 80-0353-A,matriz S-078302, com acompanhamento da orquestra do maestro paulista Aristides Zaccarias, que também animava os bailes de carnaval pernambucanos.  A faixa seguinte, aliás, é do primeiríssimo disco de Carlos Galhardo, o Victor 33625.  É a “marcha pernambucana” (como então era chamado o frevo-canção) “Que é que há?”, de Nélson Ferreira sem parceiro., lado B desse histórico 78 do cantor, gravado em  26 de janeiro de 1933 e lançado em março seguinte, matriz 65659. Da primeira safra de Galhardo na Odeon (onde gravaria seus derradeiros discos, nos anos 1970) é a marchinha “Serpente do amor”, do carnaval de 1937. De autoria de Benedito Lacerda e Aldo Cabral, foi gravada na “marca do templo” em 31 de outubro de 36, com lançamento ainda em dezembro sob n.o 11421-A, matriz 5433. Retornando à Victor, temos a valsa “Mares da China”, da profícua parceria João de Barro (Braguinha)-Alberto Ribeiro, que Galhardo imortaliza em 20 de junho de 1938, com lançamento em outubro do mesmo não,sob número 34365-A, matriz 80831. “Deus no céu, ela na terra”, samba de Wilson Batista e Marino Pinto, é uma daquelas manifestações à chamada mulher ideal, então comuns. Galhardoo imortalizou na marca do cachorrinho Nipper em 14 de junho de 1940, devidamente acompanhado de regional, com destaque para a expressiva clarineta do mestre Luiz Americano, indo para as lojas em agosto seguinte, sob n.o 34643-B,matriz 33443. “Flor do céu”, de autoria creditada a Rômulo Paes e Henrique de Almeida, é na verdade adaptação, em ritmo de fox, de uma modinha de cunho tradicional, “É a ti, flor do céu”, regravada até mesmo pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.  Esta versão foi gravada por Galhardo na já então RCA Victor em 8 de junho de 1956, sendo lançada em agosto seguinte com o número 80-1654-A, matriz BE6VB-1182. “Cármen”, valsa de Paulo Barbosa e Cristóvão de Alencar, o “amigo velho”, é o lado B do disco de “Cerejeira do Japão” (apresentada em nosso volume anterior), o Victor 34659, gravado em 16 de julho de1940 e lançado em outubro do mesmo ano, matriz 33473. Também de Paulo Barbosa, agora em parceria com Francisco Célio, é a valsa que encerra nossa seleção desta semana, “Quero a teus pés te adorar”, outra preciosidade da rica safra de Galhardo na Victor, gravada em 27 de janeiro de 1940 e lançada em março do mesmo ano, disco 34585-B, matriz 33320. Na próxima semana, encerraremos esta retrospectiva dedicada a Carlos Galhardo, um cantor que, de fato, dispensava qualquer adjetivo. Até lá!

Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Galhardo (parte1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 113 (2014)

Esta semana,o Grand Record Brazil apresenta a primeira de três partes de uma retrospectiva que homenageia um dos mais queridos cantores da música popular brasileira, considerado um dos “quatro grandes” da década de 1930, ao lado de Francisco Alves, Sílvio Caldas e Orlando Silva, e de carreira lôngeva e expressiva. Falamos, evidentemente, de Carlos Galhardo. Na pia batismal, nosso biografado recebeu o nome de Catello Carlos Guagliardi, e era filho de italianos,Pedro Guagliardi e Savéria Novello. Segundo Norma Hauer em seu livro “Uma voz que é um poema”, sua mãe engravidou no Rio de Janeiro, mas ele veio ao mundo na capital argentina, Buenos Aires, para onde toda a sua família se deslocou em busca de melhor sorte, em 24 de abril de 1913. Quando Galhardo tinha apenas dois meses de nascido, ele e seus familiares (também tinha dois irmãos, nascidos na Itália, e uma irmã, nascida no Rio) mudaram-se para São Paulo, onde permaneceriam apenas  outros dois meses, transferindo-se definitivamente para o Rio,  e fixando-se no Estácio de Sá, bairro da primeira escola de samba, a Deixa Falar.  Enquanto fazia o grupo escolar, o pequeno Catello foi encaminhado para a batalha da vida, como aprendiz de alfaiate. Por algum tempo, trabalhou como balconista de charutaria, ali cultivando uma amizade que seria útil para a primeira oportunidade de sua carreira, como veremos a seguir. Voltando à tesoura e à agulha, em seguida, chega a ser oficial de paletó, a ponto de confeccionar um jaquetão para Getúlio Vargas,quando chefe do governo provisório,  logo que assumiu o poder pela primeira vez, em 1930. Aos oito anos, Galhardo perde a mãe, e o pai, que trabalhava no ramo lotérico, casa-se de novo, tendo mais cinco filhos! Galhardo não conheceu dificuldade alguma na carreira artística. Já vinha cantando para os amigos, principalmente músicas italianas, fiel às origens. Numa festa familiar, a que compareceu Francisco Alves, canta exatamente uma página do repertório do Rei da Voz, a canção “Deusa”, de Freire Júnior. Foi devidamente aprovado por Chico Viola, mas precisava de uma oportunidade mais concreta. Aí é que entra em cena Maria Rita de Carvalho, a Mariazinha, manicure que conhecera em um salão de beleza, que funcionava em conjunto com a charutaria em que ele havia trabalhado. Mariazinha, por sua vez, conhecia uma pessoa relacionada com o compositor e violonista Bororó, que então trabalhava na Rádio Educadora do Brasil. Por esse intermédio, Galhardo foi ouvido por Bororó num ambiente inusitado e o mais sossegado naquele momento:  o banheiro da rádio! E foi logo escalado para cantar ao microfone da emissora.  Nessa apresentação, para sua sorte, estava Leslie Robert Evans, o Mister Evans da Victor, então diretor e engenheiro de gravações no selo do cachorrinho Nipper, que logo manda seu assistente, João Martins, em busca do futuro astro. E Galhardo, com apenas 19 anos de idade, é designado pela Victor para cantar no coro das gravações e ganhar alguma experiência. Finalmente, em janeiro de 1933, grava seu primeiro disco-solo, interpretando dois frevos para o carnaval recifense desse ano: “Você não gosta de mim” e “Que é que há?”.  No final desse ano, Galhardo obtém seu primeiro grande hit nacional: a marcha natalina “Boas festas”, de Assis Valente. Grava também na Columbia (futura Continental), e na Odeon, retornando à RCA Victor. Com voz emotiva e bem timbrada, revestida de uma maciez incomum, Galhardo brilhou por décadas em nosso cenário musical, atuando em emissoras de rádio, cassinos, cinema e televisão, percorrendo todo o Brasil, e, em 1952, fez uma vitoriosa excursão a Portugal.  Sem contar os LPs, foram cerca de 580 gravações em 78 rpm, e numerosos sucessos. Como “Rei da Valsa” e “O Cantor que Dispensa Adjetivos”, foi grande em todos os gêneros, na canção romântica, nos sambas e nas marchinhas, tanto no meio-de-ano como no carnaval, além de ter gravado as chamadas datas festivas (Natal, aniversários de nascimento e casamento, Dia dos Pais e das Mães, festas juninas…) mais do que qualquer outro intérprete de seu tempo. Residindo no Estácio, Galhardo era evidentemente torcedor do América Futebol Clube. Também teve cavalos no Jockey Club e um sítio, onde descansava da agitação do meio artístico. Casou-se com Eulália, em 1955, na maturidade dos seus 42 anos, dessa união nascendo três filhos: Carla Maria, Sandra Maria e Eduardo César. Era responsável  e tranquilo, como ser humano, o que só fazia aumentar a simpatia e a admiração de seus milhões de fãs, que até hoje cultuam carinhosamente sua memória.  Foi um dos fundadores, em 1962,  e presidente da Socinpro  (Sociedade Brasileira de Administração e Proteção dos Direitos Intelectuais). Seu último trabalho em disco foi o LP “Parabéns a mim por ter você”, lançado pela EMI-Odeon em 1978. Em 1983, Galhardo faz sua última apresentação artística, no espetáculo “Alá-lá-ô”, de Ricardo Cravo Albim, dedicado ao compositor Nássara (parceiro de Haroldo Lobo na marchinha homônima,  um dos inúmeros sucessos carnavalescos do intérprete, em 1941), realizado na Sala Funarte-Sidney Miller. Carlos Galhardo faleceu em 25 de julho de 1985, no Rio de Janeiro, aos 72 anos. De seu imenso legado na cera, o Grand Record Brazil oferece, para começar, 12 expressivas páginas, a maior parte gravadas na Victor, mais tarde RCA Victor. Abrindo esta seleção, “Linda butterfly”, fox-canção de Georges Moran (russo radicado no Brasil) e Oswaldo Santiago, registro de 26 de janeiro de 1939, que imediatamente vai para as lojas, em fevereiro, sob n.o 34415-A, matriz 80994. Revelando uma postura crítica em relação ao saudosismo de que as épocas sempre padeceram, a valsa ”Antigamente era assim”, de Custódio Mesquita e Ari Monteiro,é levada a disco por Galhardo em 11 de fevereiro de 1943, e a Victor a lança em maio do mesmo ano, disco 80-0076-A, matriz S-052718. Galhardo depois interpreta o fox “Sombras ao luar”, de José Maria de Abreu e Francisco Matoso, em gravação de 9 de abril de 1941, editada em  junho do mesmo ano com o n.o 34752-A, matriz 52174. Um dos maiores violonistas brasileiros, Dilermando Reis assina, em parceria com Jair Amorim, a valsa “Se ela perguntar”, imortalizada por Galhardo na já então RCA Victor em 18 de janeiro de 1952, e lançada em abril do mesmo ano com o número 80-0865-B, matriz S-093172. O disco vendeu cerca de duzentas mil cópias, principalmente porque do lado A estava “Mãezinha querida”, outro clássico do repertório de Galhardo, o que por certo ajudou “Se ela perguntar” a ser igualmente sucesso.  Na quinta faixa, outro fox, “Perfil”, da festejada parceria Roberto Martins-Mário Rossi (responsável também por outra famosa composição do gênero, “Adeus”, na voz de Gilberto Alves), que Galhardo grava em 16 de abril de 1943 e a Victor lança em junho com o número 80-0089-A, matriz S-052756. “Que importa?” é uma valsa do mesmo Mário Lago que deu a Galhardo os hits “Devolve”,  “Não quero saber” e “Será?”, gravação Victor de 13 de julho de 1942, lançada em setembro do mesmo ano, disco 34961-A, matriz S-052580. “Cerejeira do Japão”, fox-canção de Paulo Barbosa e Jorge Ronaldo, é uma nostálgica lembrança da terra do sol nascente bem antes das bombas atômicas que cairiam sobre Hiroshima e Nagasaki, pondo fim (embora trágico) à Segunda Guerra Mundial. Galhardo o imortalizou na Victor em 16 de julho de 1940, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 34659-A,matriz 33472. “Beija-flor”, de Roberto Martins e Torres Homem, é outra das inúmeras valsas que Galhardo tornou clássicas, em gravação Victor de 25 de março de 1940, lançada em maio do mesmo ano, disco 34606-A, matriz 33360. Provando que era também o “Cantor das Efemérides”, Galhardo apresenta a seguir “Bodas de prata”, valsa até hoje lembrada e conhecida, de Roberto Martins e Mário Rossi, gravação de 23 de março de 1945 que a Victor lança em julho do mesmo ano, disco 80-0291-A,matriz S-078140. Tem inúmeras regravações, inclusive do próprio Carlos Galhardo.  “Indiferença” é outra valsa, esta de Georges Moran e J. G. de Araújo Jorge (escritor discutido mas muito lido), imortalizada por Galhardo na marca do cachorrinho Nipper em  4 de maio de 1944 e lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0191-A, matriz S-052956. “Linda borboleta”, de João “Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro,é outra bela e graciosa valsa que Galhardo tornou célebre, em gravação Victor de 9 de agosto de 1938, lançada em outubro do mesmo ano com o n.o 34365-B, matriz 80859. Tão famosa a ponto de certa vez, quando Galhardo estava se apresentando em seu programa de rádio, alguém lembrar a ele:”Se você não cantar ‘Linda borboleta’, os ouvintes vão telefonar aqui pra emissora reclamando!” Por fim, o primeiro grande êxito romântico de Galhardo, a valsa-canção “Cortina de veludo”, de Paulo Barbosa e Oswaldo Santiago, gravada na Columbia em 15 de maio de 1935, sendo lançada com o número 8156-A, matriz 1092, e ganhando mais tarde reedições com os números 55118 (ainda pela Columbia) e 15013 (já pela Continental). Em sua primeira fase na Victor, Carlos Galhardo só podia gravar sambas e marchinhas, e por isso transferiu-se para a Columbia, onde gravaria 20 discos com 19 músicas.  Foi quando teve a oportunidade, negada na marca do cachorrinho Nipper, de se lançar como cantor romântico, lançando justamente “Cortina de veludo”. Galhardo, um ano mais tarde, retornaria à Victor, agora registrando também hits românticos, sem se descuidar do samba e da marchinha. Nas próximas duas semanas, teremos mais páginas do repertório do inesquecível Carlos Galhardo. Aguardem!

* Texto de Samuel Machado Filho

 

A Música De Buci Moreira (parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 97 (2014)

E aí vai para todos os nossos amigos cultos, ocultos e associados, mais uma edição do Grand Record Brasil, a de número 97, apresentando a segunda e última parte da retrospectiva dedicada ao compositor Buci Moreira (1909-1982), oferecendo mais dez gravações históricas com suas músicas. Abrimos esta segunda parte com Carlos Galhardo, interpretando o samba “Loucura”, parceria de Buci com Oswaldo Lira e A. F. Conceição, gravado na RCA Victor em 17 de outubro de 1955 e lançado em janeiro de 56, destinando-se evidentemente ao carnaval, sob n.o 80-1539-B, matriz BE5VB-0896. “O cantor que dispensa adjetivos” também está na faixa 8, “Adoro o samba”, em que Buci Moreira tem como parceiro (aliás, um de seus mais constantes) Arnô Canegal, gravação Victor de 26 de agosto de 1941, lançada em novembro do mesmo ano sob n.o  34830-B, matriz S-052344. Prosseguindo, na faixa 2, temos o grande flautista Benedito Lacerda, à frente de seu grupo Gente do Morro, e também cantando, no samba “Preto d’alma branca”, só de Buci Moreira, que mostra a banalidade do preconceito racial. Foi lançado pela Brunswick (marca americana de curta duração no Brasil) em janeiro de 1931, por certo também visando o carnaval, com o n.o 10128-A, matriz 528. Em seguida  vem o misterioso H. G. Americano, intérprete de curta carreira fonográfica (apenas seis discos com dez gravações, em 1929/30), com o samba “Mulher soberba”, em que Buci tem como parceiro Oswaldo Santiago, lançado pela Odeon em agosto de 1930 com o n.o 10657-B. Depois, Francisco Alves nos traz outro samba, “Em uma linda tarde”, parceria de Buci Moreira com Nasinho (apelido de Norival Reis), gravação Victor de 16 de abril de 1935, lançada em julho seguinte com o n.o 33946-A, matriz 79877, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, do mestre Pixinguinha. O gaúcho Alcides Gerardi vem com “Protesto”, samba em que Buci tem como parceiro Felisberto Martins, então diretor artístico da Odeon, onde o cantor o gravou em 9 de junho de 1952, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 13318-B, matriz 9332. Henricão (Henrique Felipe da Costa, 1908-1984), também compositor de renome, aqui comparece com o samba “Pra que tanto ciúme?”, de Buci Moreira em parceria com Lacy Martins (irmão de Herivelto), gravado na mesma Odeon em 10 de dezembro de 1937 e lançado em janeiro de 38, com vistas ao carnaval, disco 11565-A, matriz 5731. Pioneiro da música country no Brasil, Bob Nélson (Nélson Roberto Perez, Campinas, SP, 1918-Rio de Janeiro, 2009), devidamente acompanhado de seus “rancheiros” (entre eles nada mais nada menos que Luiz Gonzaga à sanfona), apresenta a marchinha “Companheiro de caçada”, em que o parceiro de Buci Moreira é o ator Macedo Neto, que atuou no rádio e na televisão e foi inclusive marido de Dolores Duran. Foi gravada na RCA Victor em 26 de outubro de 1949, e lançada em janeiro de 50 (para o carnaval, claro) sob n.o 80-0634-A, matriz S-078961. O eterno “metralha do gogó de ouro”, Nélson Gonçalves (1919-1998) nos traz o samba “Perfeitamente”, do trio Buci Moreira-Arnô Canegal-Carlos de Souza, gravação Victor de 7 de abril de 1943, lançada em junho seguinte sob n.o 80-0086-B, matriz S-052749. Tem versos algo confusos, mas merece ser ouvido.  E, para encerrar com chave de ouro, volta Francisco Alves, agora junto com o Trio de Ouro em sua primeira formação (Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas), com o samba “Não é assim que se procede”, do quarteto Bucy Moreira-Arnô Canegal-Raul Marques-Henrique de Almeida, do carnaval de 1945, gravação Odeon de 13 de dezembro de 44 lançada bem em cima da folia, em fevereiro, disco 12550-B, matriz 7735. O próprio Herivelto comanda o acompanhamento, a cargo de sua escola de samba, e no final da gravação comete um erro crasso dizendo “Não é assim que se PORCEDE”! Isso, porém, é apenas é um detalhe. E assim apresentamos a segunda e última parte da retrospectiva do GRB dedicada a Buci Moreira. Até a próxima e muito obrigado pela atenção e carinho!
*Texto de Samuel Machado Filho

Francisco Alves, Silvio Caldas, Orlando Silva & Carlos Galhardo – Os Quatro Grandes (1958)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Preenchendo a lacuna da sexta, aqui vai um 10 polegadas da Odeon, trazendo um os quatro grandes cantores de uma época e porque não dizer de todos os tempos: Francisco Alves, Silvio Caldas, Orlando Silva e Carlos Galhardo. Este é um álbum que reune quatro discos de 78 rpm dos respectivos cantores pela gravadora Odeon. Raridades reunidas apenas em outras poucas coleções.
lua nova – francisco alves
meu limão , meu limoeiro – silvio caldas e gidinho
quero beijar-te ainda – orlando silva
assim acaba um grande amor – carlos galhardo
nervos de aço – francisco alves
cigana – silvio caldas
não foi o tempo – orlando silva
e o destino desfolhou – carlos galhardo
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A Música De Príncipe Pretinho – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 93 (2014)

Esta semana, o Grand Record Brazil apresenta a primeira parte de uma retrospectiva dedicada a um compositor com várias músicas gravadas, mas sobre o qual pouquíssima coisa se sabe. Estamos falando de Príncipe Pretinho, cujo nome verdadeiro era José Luiz da Costa, nascido no Rio de Janeiro em data ignorada e ali mesmo falecido em 1946. Um personagem tão misterioso quanto fascinante, que muito incentivou a carreira de outro grande nome  de nossa música popular, Herivelto Martins, ao apresentá-lo a J.B. de Carvalho, fundador e líder do Conjunto Tupi, no qual Herivelto participou. Nesta primeira parte, apresentamos dezoito composições de Príncipe Pretinho, interpretadas por cantores de prestígio em sua época. Abrindo-a, temos sua primeira composição levada a disco, o samba “Gamela quebrada”, sem parceiro, do carnaval de 1931, gravação Victor de Sílvio Caldas em 13 de dezembro de 1930, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 33407-B, matriz 65058. Em seguida, o Conjunto Tupi interpreta a marchinha ”Me dá, me dá”, igualmente de Príncipe Pretinho e ninguém mais, do carnaval de 1933. Outra gravação Victor, esta de25 de outubro de 1932, lançada ainda em dezembro, disco 33599-A, matriz 65569. Francisco Sena (Bahia, c.1900-Rio de Janeiro,1935), primeiro integrante da Dupla Preto e Branco, ao lado de Herivelto Martins, interpreta solo o ponto de macumba “Quem tá de ronda?”, também só de Príncipe Pretinho, gravada na Victor em 25 de maio de 1933 e só lançada em julho de 35 (!), disco 33953-B, matriz 65751. No samba “Tereré não resolve”, do carnaval de 1938, Príncipe Pretinho tem a parceria de Rogério Nascimento. Quem canta é Miguel Baúso (1913-?). em gravação Odeon de 27 de dezembro de 1937, lançada bem em cima dos festejos momescos, em fevereiro, sob n.o 11576-B, matriz 5750. O Trio de Ouro (apresentado inicialmente nos selos “Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco”, isto é, Herivelto Martins e Nilo Chagas) apresenta-nos as duas músicas de seu disco de estreia, o Victor 34206, gravado em primeiro de julho de 1937 e lançado em novembro seguinte com vistas ao carnaval de 38, ambas apenas e tão-somente de Príncipe Pretinho. Na faixa 6, o lado A, a marchinha “Ceci e Pery”, matriz 80513. Nessa ocasião, Dalva e Herivelto combinaram que seu filho, então prestes a nascer, teria o nome de Ceci, caso fosse menina, e o de Pery, se fosse menino. E foi mesmo Pery, o excelente cantor Pery Ribeiro, outro de saudosa memória. Na faixa 5 está o lado B, matriz 80512, o batuque “Itaquari”. O Trio de Ouro interpreta depois o samba “Palavra de rei”, em que Príncipe Pretinho tem a parceria de Waldemar Crespo. Também destinado ao carnaval de 1938, foi gravado na mesmíssima Victor em 28 de julho de 37, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro,sob n.o 34263-A, matriz 80557. Para essa folia, na mesma Victor e no mesmo dia, 28 de julho de 1937, a Dupla Preto e Branco, sem Dalva, ainda gravaria o samba “Bate palmas”, onde o parceiro de Príncipe Pretinho é Boanerges Guedes. Saiu ainda em dezembro de 37, com o n.o 34247-A, matriz 80558, O Trio de Ouro volta a se reunir na faixa seguinte, o batuque “Quem mora na lua”, só de Príncipe Pretinho, gravação Odeon de 27 de junho de 1938, mas só lançada em abril de 39 com o número  11652-A, matriz 5878. No samba “Nosso amor não convém”, do carnaval de 1939, Príncipe Pretinho tem a parceria de Peterpan (José Fernandes de Paula, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983). A gravação ficou por conta de Carlos Galhardo, na Victor, em 16 de dezembro de 1938, com lançamento um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, disco 34401-B, matriz 80970. Na faixa seguinte, volta o Trio de Ouro, desta vez interpretando o belíssimo samba-rumba “Alvorada”, em que Príncipe Pretinho tem a parceria de um certo E. J. Moreira. Marcou a estreia do trio na Columbia, em gravação de 10 de maio de 1939, com lançamento em  junho seguinte, disco 55066-B, matriz 150. Da escassa discografia da cantora Janir Martins, outra cuja biografia é um mistério (dois discos com quatro músicas, ambos pela Columbia), foram pinçadas as duas músicas do primeiro disco, número 55175, gravado em 20 de setembro de 1939 e lançado em novembro do mesmo ano, ambas por ela cantadas em dueto com Jorge Nóbrega, parceiro de Príncipe Pretinho nas duas composições,  destinadas ao carnaval de 1940: a marchinha “Eu me rasgo todo”, matriz 215, por certo inspirada no tango “Por vos yo me rompo todo”, de Francisco Canaro, e o samba “Podes crer”, matriz 216. Para esse mesmo carnaval Príncipe Pretinho fez sozinho a marchinha “Na Turquia”, outra gravação do Trio de Ouro na Columbia, em 15 de dezembro de 1939, lançada um mês antes da folia, em janeiro de 40, sob n.o 55200-B, matriz 248. Nessa ocasião, vez por outra, Dalva de Oliveira, que integrava o Trio de Ouro, tinha oportunidade de gravar como solista. É o que acontece na mazurca “Menina de vestido branco”, de Príncipe Pretinho e mais ninguém, gravação Columbia de 24 de maio de 1940, lançada em junho do mesmo ano sob n.o 55218-B, matriz 286. Cármen Costa e Henricão apresentam em dueto dois sambas de Príncipe Pretinho, ambas do disco Columbia 55239, gravado em 19 de julho de 1940 e lançado em agosto do mesmo ano: “Dance mais um bocado”, parceria do próprio Henricão, matriz 307, e “Não quero conselho”, em que o parceiro é Constantino Silva, o Secundino, matriz 308. Para encerrar, Janir Martins interpreta, de seu segundo e último disco, o Columbia 55241-A, a marchinha “É espeto”, parceria de Príncipe Pretinho com Rogério Nascimento, gravada em 20 de setembro de 1940 e lançada em novembro seguinte, matriz 318, por certo para o carnaval de 41. Enfim, um atraente e histórico apanhado da obra musical de Príncipe Pretinho, que continuaremos a abordar na próxima semana. A gente se vê!
*Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval A – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 91 (2014)

Ó abre alas que o Grand Record Brazil quer passar! E apresenta para os amigos, cultos e associados do Toque Musical a primeira de duas partes de uma seleção dedicada ao carnaval. Vocês por certo irão se deliciar, e muito, com as músicas que o Augusto escolheu para esta seleção, muitas delas verdadeiros clássicos da folia de Momo, cantadas nos bailes até hoje, nas vozes de intérpretes renomados. Nesta primeira parte, oferecemos catorze gravações, todas elas marchas ou marchinhas. Abrindo esta seleção, temos Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira, Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), cantor que recebeu esse apelido do Capitão Furtado, apresentador de programas sertanejos do rádio paulistano, por causa dos apagões que havia na época da Segunda Guerra Mundial, a fim de evitar ataques inimigos, nos quais a orla marítima do Brasil ficava às escuras. Com inúmeros hits carnavalescos no currículo, Blecaute,  de início, nos oferece a deliciosa “Maria Escandalosa”, de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, sucesso absoluto no carnaval de 1955, lançado pela Copacabana em janeiro desse ano sob n.o 5354-B, matriz M-999, e também abrindo o LP coletivo da gravadora com músicas para essa folia, em 10 polegadas. Em 1992, esta marchinha foi revivida na novela “Deus nos acuda”, da TV Globo, na voz de Ney Matogrosso, como tema de uma personagem também chamada Maria Escandalosa, interpretada por Cláudia Raia. Em seguida, o eterno “general da banda” recorda, dos mesmos autores, a “Marcha do gago”, lançada originalmente em 1950 por Oscarito, astro da lendária Atlântida Cinematográfica, que também a interpretou no filme “Carnaval no fogo”. O registro de Blecaute é do LP de 10 polegadas “Carnaval do Rio”, também da Copacabana, lançado em 1955. Bill Farr (Antônio Medeiros Francisco, Sapucaia, RJ, 1925-Rio de Janeiro, 2010), outro intérprete da época áurea do rádio, nos oferece “Maricota Cervejota”, de autoria de João de Barro, o Braguinha, verdadeiro campeão de carnavais. Feita para o carnaval de 1956, a marchinha foi gravada na Continental em 21 de setembro de 55,e lançada ainda em novembro-dezembro sob n.o 17208-A, matriz C-3701, e no LP coletivo de 10 polegadas “Carnaval de 56”. Encontraremos em seguida, na interpretação de Orlando Silva (Rio de Janeiro, 1915-idem, 1978), o eterno “cantor das multidões”, um inesquecível clássico carnavalesco: “A jardineira”, de Benedito Lacerda e Humberto Porto, calcada em motivo popular do final do século XIX, e que dominou a folia de 1939.  Teve quatro gravações por Orlando  (que também a interpretou no filme “Banana da terra”, da Cinédia) na Victor: as duas primeiras em 21 de outubro de 1938 (matrizes 80917-1 e 80917-2), a terceira dez dias depois (matriz 80925-R) e finalmente a quarta e definitiva, que ouvimos nesta seleção, em 6 de dezembro de 38, matriz 80917-3, sendo o disco lançado pouco depois com o número 34386-B (dos quatro registros, o primeiro não teria sido lançado). Ainda hoje está presente nos bailes, e é um sucesso permanente de nosso cancioneiro carnavalesco. Outro campeão de carnavais, Lamartine Babo (Rio de Janeiro, 1904-idem, 1963) aqui nos oferece uma de suas marchinhas clássicas, feita em parceria com Paulo Valença: “Aí, hein?”, um dos hits do carnaval de 1933, por ele interpretado em dueto com Mário Reis. Gravação Victor de 25 de novembro de 32, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 33603-A, matriz 65601. Lalá também está na faixa 13, “Grau dez”, de sua parceria com Ary Barroso, em dueto com Francisco Alves, sucesso do carnaval de 1935, gravado na Victor em 16 de outubro de 34, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, disco 33880-B, matriz 79737. Na faixa 6, Carlos Galhardo (1913-1985) nos oferece outro clássico inesquecível e muito cantado nos bailes até hoje: “Alá-lá-ô”, de autoria de outros dois colecionadores de hits carnavalescos, Haroldo Lobo e Nássara. Sucesso absoluto do carnaval de 1941, também interpretado por Galhardo no filme “Vamos cantar”, da Pan-América Filmes, foi por ele imortalizada na Victor em 21 de novembro de 40, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 34697-A, matriz 52055, e ganhou súbita atualidade neste verão de 2014, no qual têm se registrado altíssimas temperaturas, com os desconfortos de praxe. Destaque também  para a introdução instrumental, obra de gênio do mestre Pixinguinha. Outro clássico momesco vem em seguida: “Pierrô apaixonado”, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, do carnaval  de 1936. Gravação Victor de Joel de Almeida (“o magrinho elétrico”) em dupla com Gaúcho, datada de 26 de dezembro de 35 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 34012-A, matriz 80060. Logo depois, outra divertida e clássica marchinha do mestre Lamartine Babo, “História do Brasil”, do carnaval de 1934. Foi imortalizada na Victor por Almirante (“a maior patente do rádio”) em 15 de dezembro de 1933, com lançamento um mês antes do tríduo momesco de 34, em janeiro, sob n.o 33740-B, matriz 65917. Talento precoce revelado pela Rádio Record de São Paulo, Mário Ramos de Oliveira, o Vassourinha, teve morte prematura, em 1942, aos 19 anos, de doença óssea, deixando gravados seis discos com doze músicas, todos pela Columbia. De seu terceiro disco, n.o 55308-A, lançado em dezembro de 1941 com vistas ao carnaval de 42, matriz 474, é esta marchinha de Antônio Almeida, “Chic chic bum”, interessante crônica do tempo em que o bonde era o principal meio de transporte no Rio de Janeiro. De Herivelto Martins em parceria com o pistonista Bonfiglio de Oliveira é “Mais uma estrela”, do carnaval de 1935, gravada na Victor por Mário Reis em 5 de outubro de 34, com lançamento ainda em novembro sob n.o 33850-A, matriz 79712. O problema da falta de moradia, já crônico naqueles tempos, é glosado por Peterpan (José Fernandes de Almeida) e Afonso Teixeira na “Marcha do caracol”, sucesso do carnaval de 1951, gravado na RCA Victor pelos Quatro Ases e um Coringa em 4 de outubro de 50 e lançado ainda em dezembro, disco 80-0728-A, matriz S-092771. Traduzindo as dificuldades causadas pela Segunda Guerra Mundial, com escassez generalizada de combustíveis e alimentos, vem a marchinha “Eu brinco”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, do carnaval de 1944, imortalizada pelo eterno Rei da Voz Francisco Alves na Odeon em primeiro de dezembro de 43 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 12404-A, matriz 7431. A marchinha mostra a disposição de se brincar o carnaval ainda que em tempo de vacas magras, sem pandeiro ou dinheiro…  Para encerrar esta edição carnavalesca do GRB, Sílvio Caldas (1906?-1998), o eterno “caboclinho querido”, apresenta outro sucesso inesquecível  de João “Braguinha” de Barro, “Linda lourinha”. Foi uma das músicas mais cantadas no carnaval de 1934,  gravada por Sílvio na Victor em 15 de novembro de 33, com lançamento um mês antes do tríduo momesco, em janeiro, sob n.o 33735-A, matriz 65889. E, na próxima segunda-feira, tem mais carnaval pra vocês aqui no GRB. Aguardem

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

A Música De João Da Baiana – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 90 (2014)

Esta semana, o Grand Record Brazil, “braço de cera” do Toque Musical, apresenta a segunda e última parte da retrospectiva dedicada a João da Baiana (1887-1974). Semana passada, vocês tiveram oportunidade de conferir músicas de João da Baiana na interpretação dele próprio. Nesta segunda parte, apresentamos dez faixas, como sempre de grande importância histórica, artística e cultural, com música desse notável sambista carioca, interpretadas por outros cantores de seu tempo. Abrindo nossa seleção desta semana, temos Patrício Teixeira, que, a exemplo de João da Baiana, nasceu (1893) e faleceu (1972) no Rio de Janeiro. Um dos pioneiros do rádio e da gravação sonora no Brasil, Patrício foi cantor, compositor, violonista e até professor de violão e canto. Algumas de suas alunas foram  Aurora Miranda, Linda Batista, as irmãs Danusa e Nara Leão, e a atriz Maria Lúcia Dahl. Neste volume do GRB, Patrício comparece com três sambas de João da Baiana em gravações Odeon, a saber:  “Dona Clara (Não te quero mais)”, parceria de João com Ernesto dos Santos, o Donga  (também co-autor  do pioneiro “Pelo telefone”), lançado em dezembro de 1927,bem nos primórdios da gravação elétrica, sob n.o 10084-B, matriz 1385; “Cabide de molambo”, de João sem parceiro, gravado em 23 de janeiro de 1932 (disco 10883-A, matriz 4402) e “Ai, Zezé”, o lado B desse disco, matriz 4403, tendo como parceiro de João da Baiana o próprio Patrício. Considerada pelo diplomata Pascoal Carlos Magno uma  das maiores cantores negras do mundo, a soprano carioca Zaíra de Oliveira (1891-1952) interpreta, da santíssima trindade Pixinguinha-Donga (marido da cantora)-João da Baiana, a batucada “Já andei”, gravação Victor de 24 de novembro de 1931, lançada em janeiro de 32 para o carnaval, disco 33509-A, matriz 65300, com acompanhamento do Grupo da Guarda Velha, formado justamente por Pixinguinha (Rio de Janeiro, 1897-idem, 1973). Também participa da gravação o cantor baiano Francisco Sena (c-1900-1935) primeiro integrante da Dupla Preto e Branco, ao lado de Herivelto Martins, e substituído, após sua morte prematura, por Nilo Chagas. No lado B, matriz 65299, ele e Zaíra interpretam o ponto de macumba “Qué queré”, do mesmo trio de autores. Em seguida, volta Patrício Teixeira, interpretando o interessante samba “Quem faz a Deus paga ao diabo”, de João da Baiana sem parceiro, do carnaval de 1933, lançado pela Columbia em janeiro desse ano sob n.o  22173-B, matriz 381383, e também com acompanhamento orquestral de “São” Pixinguinha. Patrício ainda canta, em dueto com a eterna “pequena notável”, Cármen Miranda,outro samba de João da Baiana e mais ninguém, o delicioso e divertido “Perdi minha mascote”, gravação Victor de 29 de junho de 1933, lançada em dezembro seguinte com o número 33733-B, matriz 65791, com acompanhamento do grupo do violonista Rogério Guimarães, o Canhoto (Campinas, SP, 1900-Niterói, RJ, 1980), também destacado dirigente da marca do cachorrinho Nipper, tendo sido seu primeiro diretor artístico. Cognominado “a maior patente do rádio”, Almirante (Henrique Foréis Domingues, Rio de Janeiro, 1908-idem, 1980), interpreta “Deixa amanhecer”, gravação Odeon de  30 de agosto de 1935, lançada em novembro seguinte com o número 11282-B, matriz 5132. Neste samba, João da Baiana conta com a parceria de outro importante sambista, Alcebíades Barcelos, o Bide (Niterói, RJ-1902-Rio de Janeiro, 1975), que fez com Armando Marçal inúmeros outros clássicos do samba. Carlos Galhardo (1913-1985), o eterno e sempre lembrado “cantor que dispensa adjetivos”, aqui interpreta uma marchinha da parceria João da Baiana-Wilson Batista, “Mariposa” (referência ás mulheres que, como o animal de mesmo nome, só saíam à noite, sendo o sinônimo bem fácil de adivinhar).  Destinada ao carnaval de 1941, foi gravada na Victor em 8 de outubro de 40, sendo lançada ainda em dezembro com o número 34682-B, matriz 52018. Para finalizar, apresentamos os Trigêmeos Vocalistas, grupo paulistano formado  pelos irmãos Carezzato (ou Carrazatto), Armando, Raul e Humberto, os dois últimos gêmeos. Raul é parceiro de João da Baiana no ponto de macumba (no selo, “afro-brasileiro”) “Ogum Nilé”, gravação Odeon de 31 de maio de 1950, lançada em agosto do mesmo ano sob n.o 13033-A, matriz 8633. Ressalte-se que não há nenhuma semelhança com o “Ogum Nilé” que o próprio João da Baiana gravou em 1957 e que apresentamos na edição anterior, apenas o título é semelhante. Enfim, mais uma edição do GRB que irá enriquecer os acervos dos amigos cultos, ocultos e associados do TM com preciosa e histórica parcela de nossa boa música popular do passado. Até a próxima e divirtam-se!
* Texto de Samuel Machado Filho

Especial De Natal Parte 2 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 83 (2013)

Nesta que é a semana do Natal, o Grand Record Brasil apresenta a segunda parte de sua seleção de músicas do gênero, gravadas na era das 78 rotações por minuto, feita a partir de uma compilação realizada em 2006 por nosso amigo e colega Thiago Mello, para seu blog Bossa Brasileira (http://bossa-brasileira.blogspot.com). São as últimas onze gravações de nosso retrospecto, perfazendo um total de vinte.
Orlando Silva (1915-1978), o sempre querido e lembrado “cantor das multidões”, abre esta segunda parte com o fox-canção “Noite de Natal”, de Maugéri Neto e Maugéri Sobrinho, lançado pela Copacabana em outubro-novembro de 1952 sob n.o 5010-B, matriz M-260. Nessa época, Orlando retornara ao convívio do grande público, após um período marcado por problemas de ordem pessoal, inclusive amorosa, e substituiu Francisco Alves, morto em acidente rodoviário naquele ano, em seu programa de domingo na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.  Em seguida, as duas partes de “Cantigas de Natal”, pot-pourri de conhecidas músicas do gênero (“Noite feliz”, “Tannenbaum”, “Jingle bells”, “Amanhã vem o Papai Noel”, etc.), com arranjo de Radamés Gnattali e Paulo Tapajós, e interpretadas pelos trios Melodia (do qual Tapajós fazia parte, junto com Albertinho Fortuna e Nuno Roland) e Madrigal (Edda Cardoso, Magda Marialba e Lolita Koch Freire). Esta seleção saiu pela Continental em 1951 com o número 20106, matrizes 2720 e 2721. Já que falamos em Francisco Alves (1898-1952), o eterno Rei da Voz aqui comparece com duas faixas. A primeira é a marchinha “Meu Natal”, parceria sua com Ary Barroso, em gravação Victor de 19 de outubro de 1934, lançada em dezembro seguinte sob n.o  33857-A, matriz 79762. No acompanhamento a orquestra Diabos do Céu, do mestre Pixinguinha. A outra é a canção-marcha “Natal”, de Herivelto Martins e Rogério Nascimento, gravação Odeon de 23 de outubro de 1945, lançada em dezembro seguinte com o n.o 12650-B, matriz 7926. Junto com ele está o Trio de Ouro em sua primeira formação, com Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas, todos acompanhados plea orquestra de Fon-Fon  (Otaviano Romero Monteiro).  Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, vem com outras duas faixas, em gravações RCA Victor. A primeira é a singela canção “Feliz Natal”, de Peterpan (cunhado da cantora Emilinha Borba, que regravaria a música um ano mais tarde) e Giuseppe Ghiaroni, gravada por Galhardo em 4 de agosto de 1950 e lançada em outubro do mesmo ano sob n.o  80-0697-A, matriz S-092728 (na verdade a música fora lançada um ano antes, na Star, pelo coral da Rádio Nacional do Rio). O registro de Galhardo, curiosamente, seria reeditado com o n.o 80-1061-A, em dezembro de 1952. A outra faixa dele aqui é exatamente a música que inaugurou entre nós o gênero natalino: a marcha “Boas festas”, de Assis Valente, aqui em seu registro original, de 17 de outubro de 1933, lançado em dezembro seguinte pela então Victor com o n.o 33723-A, matriz 65864. Foi, aliás, o primeiro grande hit nacional do cantor, que a gravaria mais duas vezes. Em seguida, vem o grande Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira, Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), com a conhecidíssima “Natal das crianças”, de sua autoria, lançada pela Copacabana em dezembro de 1955 sob n.o 5502-A, matriz M-1273, Blecaute rotulou a música, modestamente, como “valsinha de roda”, sem ao certo imaginar que seria um dos maiores hits do cancioneiro natalino brasileiro em todos os tempos!  Temos depois outra “Noite de Natal”, desta vez uma valsa de Newton Teixeira em parceria com (Murilo) Alvarenga, que a gravou na Odeon com Ranchinho (Diésis dos Anjos Gaya) em 30 de outubro de 1941 com lançamento em dezembro seguinte, disco 12079-A, matriz 6826. Para encerrar, temos Dick Farney (Farnésio Dutra e Silva, Rio de Janeiro, 1921-São Paulo, 1987), interpretando “Feliz Natal”, singela canção da festejada dupla Armando Cavalcanti-Klécius Caldas, lançada pela Continental entre outubro e dezembro de 1949 sob n.o 16123-A, matriz 2173, com acompanhamento da orquestra do também compositor José Maria de Abreu. Curiosamente, este registro teve reedição em 1955, sob n.o 17230-B. A todos os amigos cultos, ocultos e associados do Toque Musical , os nossos mais sinceros votos de um Natal maravilhoso e um ano novo de 2014 repleto de alegria, paz, saúde e realizações positivas!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

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A Música De Wilson Batista – Parte 3 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 79 (2013)

E aqui estamos mais uma vez na área, com a terceira e última parte da retrospectiva que o Grand Record Brazil dedica à obra musical de Wilson Batista (1913-1968). Desta feita, apresentamos mais treze preciosíssimas gravações, imprescindíveis para colecionadores e apreciadores da melhor música brasileira. Abrindo a seleção desta semana, temos o grande Gilberto Alves (Rio de Janeiro, 1915-Jacareí, SP, 1992). Ele aqui interpreta duas composições de Wilson Batista, ambas gravadas na Odeon. A primeira é  a marchinha “Gaúcho bom”, parceria com Roberto Martins, destinada ao carnaval de 1942. Gravação de 6 de novembro de 1941, lançada ainda em dezembro com o n.o 12082-A, matriz 6834. A outra é o samba “Um pedaço de mim”, que Wilson fez com o “amigo velho” Cristóvão de Alencar, gravado por Gilberto em 31 de maio de 1941 e lançado pela “marca do templo” em julho do mesmo ano, disco 12014-A, matriz 6678. Aurora Miranda (Rio de Janeiro, 1915-idem, 2005), irmã de Cármen, aqui interpreta uma marchinha de meio-de-ano, “Ladrão de corações”, parceria de Wilson Batista com Walfrido Silva. É outra gravação da Odeon, datada de 10 de agosto de 1933 e lançada em setembro do mesmo ano sob n.o 11049-A, matriz 4707. Conhecido como “o cantor que dispensa adjetivos”, Carlos Galhardo (1913-1985) aqui interpreta duas composições de Wilson Batista, por ele gravadas na Victor. Primeiramente, a marchinha “Mariposa” (termo que então designava as mulheres que só saíam de casa à noite, atraídas pela luz artificial, vocês até já devem ter adivinhado o sinônimo), parceria de Wilson com João da Baiana (João Machado Guedes, Rio de Janeiro, 1887-idem, 1974), do carnaval de 1941. A gravação se deu em 8 de outubro de 1940, com lançamento ainda em dezembro sob n.o 34682-B, matriz 52018. Em seguida Galhardo interpreta o bom samba “Deus no céu e ela na terra”, parceria de Wilson Batista com Marino Pinto, gravação de 14 de junho de 1940, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em agosto do mesmo ano, disco 34643-B, matriz 33443, com destaque, no acompanhamento, para a clarineta de Luiz Americano. Zilá Fonseca (Iolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 1929-Rio de Janeiro, 1992) aqui comparece com o samba “Carta verde”, do trio Wilson Batista-Walfrido Silva-Armando Lima, gravado por ela na Columbia em 17 de julho de 1940 e lançado em agosto seguinte com o n.o 55237-B, matriz 304. Edmundo Silva (Rio de Janeiro, c. 1910-idem, 1952), irmão mais velho  de Orlando Silva, teve curta trajetória artística (ao contrário do irmão famoso), e gravou apenas onze discos com vinte e uma músicas, entre 1939 e 1944. Em uma reavaliação, porém, é possível reconhecer-lhe méritos.  Ele aqui comparece com o disco Victor 34560, lançado em janeiro de 1940 visando, obviamente o carnaval. Primeiramente o lado B, o samba “A respeito de amor”, da parceria Wilson Batista-Arnô Canegal, gravação de 17 de novembro de 1939, matriz 33277. Exatamente um dia depois, 18 de novembro de 40, Edmundo gravou o lado A, “Formosa argentina”, marchinha da parceria Wilson Batista-Germano Augusto, matriz 33280. Cármen Miranda (1909-1955), a eterna e sempre lembrada “pequena notável”, abrilhanta nossa retrospectiva  da obra musical de Wilson Batista com o samba “Não durmo em paz”, outra parceria de Wilson com Germano Augusto, por ela gravado na Odeon em 15 de abril de 1936 com lançamento em julho do mesmo ano, disco 11370-B, matriz 5311. Lolita França, cantora sobre a qual pouquíssima coisa se sabe,  gravou apenas oito discos com catorze músicas, entre 1939 e 1942. Aqui, ela comparece com duas gravações Victor para o carnaval de 1940, ambas marchinhas. A primeira é “Casinha pequenina”, da parceria Wilson Batista-Murilo Caldas (irmão de Sílvio), obviamente inspirada na famosa canção de mesmo nome. A gravação é de 11 de novembro de 1939, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 34550-A, matriz 33265. Depois tem “Vale mais”, outra parceria de Wilson Batista com Marino Pinto, gravada em 18 de outubro de 1939 e lançada ainda em dezembro sob n.o 34531-A, matriz 33192. A notável  Dircinha Batista encerra a terceira  e última parte deste retrospecto do GRB sobre Wilson Batista com os dois sambas que gravou no disco Odeon 11834, em 5 de outubro de 1939, mas que só seria lançado em maio de 40.  O do lado A é outra parceria de Wilson com Germano Augusto (uma dupla da pesada na roda da malandragem), “Inimigo do batente”, matriz 6214. O lado B, matriz 6213, é um dueto com Nuno Roland, “Senhor do Bonfim te enganou”, e aqui Wilson conta com a colaboração de Claudionor Cruz e Pedro Caetano, dupla que deixou sua marca na MPB com inúmeros clássicos. Um encerramento com chave de ouro para o retrospecto do nosso GRB sobre Wilson Batista, com toda a certeza. Até a próxima, e obrigado pela atenção!
*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Galhardo – Evocação (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! O ano está acabando e apesar dos atropelos, o Toque Musical cumpriu bem sua tarefa. Estivemos aqui diariamente trazendo sempre um disco ou uma gravação rara e especial. Infelizmente, nem tudo foi flores. Mesmo no Paraíso há sempre um infeliz capaz de transformar tudo num inferno. Perdemos praticamente todos os nossos links por conta de denúncias de um espírito de porco. Com tantas manobras para manter vivo o blog Toque Musical, acabei ficando um pouco desgastado. Sinceramente, estou meio cansado de ficar repetindo coisas, repostando links, refazendo o blog. A partir do ano que vem vou ser mais atencioso comigo mesmo. Tocarei as postagens sem ter mais o compromisso diário. Os links, como já disse anteriormente, não serão mais reativados. Pelo menos da maneira como temos feito. A prioridade é sempre da postagem do dia. Como tudo, os arquivos e links também caducam.

Hoje eu trago para vocês o álbum “Evocação”, de Carlos Galhardo, acompanhado de orquestra. Este disco foi lançado em 1961 pela RCA Victor e traz em seu repertório uma seleção musical muito boa, com composições que são verdadeiros clássicos populares. Vamos encontrar aqui  sambas, canções, valsas e boleros na voz de um dos mais importantes intérpretes dos gêneros…

guacyra

quanta tristeza

esmagando rosas

casa de caboclo

favela

professora

valsa dos namorados

arrependimento

mágoas de caboclo

palavras amigas

menos eu

boa noite

Ivon Curi, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo E Francisco Carlos – Eles Cantam Assim (1957)

Boa tarde, meus prezados! Apesar da ressaca que ainda não me abandonou, vou logo trazendo a postagem do dia. Vai que depois eu fique ainda mais desanimado.

Segue aqui um dez polegadas da RCA Victor, lançado em 1957. Como podemos ver, trata-se de uma coletânea reunindo quatro dos principais cantores da gravadora. Cada um canta duas músicas. A RCA sempre soube vender o seu peixe e aqui é um bom exemplo, um disquinho para adoçar a boca. Nesta onda de reunir e mostrar seus cantores, a gravadora também lançou o “Elas cantam assim” e “Eles tocam assim”. Vou até procurar para ver se consigo esses outros dois discos para postar no nosso Toque Musical. Por hoje é só. Vou curar a minha ressaca assistindo a vitória do Galo, hehehe…

nasci para o samba – nelson gonçalves

romances de caymmi – ivon curi

cherie – carlos galhardo

hino ao samba – francisco carlos

domani – carlos galhardo

dolores sierra – nelson gonçalves

montanha russa – ivon curi

amor brasileiro em punta del leste – francisco carlos

A Era Getúlio Vargas – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol.19 (2012)

Nenhum outro presidente da República no Brasil ficou tanto tempo no poder quanto o gaúcho Getúlio Dornelles Vargas (São Borja, RS-1882-Rio de Janeiro, 1954). Ele chegou à presidência em 1930, após a deposição de Washington Luís, de quem ironicamente havia sido ministro da Fazenda, e consequente fim da “política café com  leite”, em que São Paulo e Minas Gerais se.alternavam no comando da Nação. Daí em diante, ficou quinze anos ininterruptos, até ser deposto em 1945. Em 1951, Getúlio voltou ao poder, desta vez pelo voto direto, mas em virtude de forte oposição a seu governo (no qual inclusive foi criada a Petrobrás), acabou se suicidando no dia 24 de agosto de 1954, provocando comoção geral em todo o país. Somando-se esses dois períodos, Getúlio ficou no poder durante dezoito anos e sete meses, um recorde absoluto.
O Grand Record Brazil começa hoje a nos transportar para esse que foi um dos mais importantes períodos da História brasileira: a era getulista. Tudo começa com a derrota de Getúlio Vargas para Júlio Prestes, na eleição de 1930. A 26 de julho daquele ano, João Pessoa, candidato a vice na chapa derrotada, foi assassinado a tiros na Confeitaria A Glória, do Recife, por seu desafeto João Dantas, por motivos estritamente pessoais. Apesar disso, a oposição transformou o fato em instrumento político, jogando o povo contra o governo. Daí nasce a Aliança Liberal, formada pelos estados do Rio Grande do Sul, da Paraíba e de Minas Gerias, que depõe Washington Luíz e põe Getúlio no poder, a famosa Revolução de 30.
O disco que abre nossa seleção musical desta semana é o Columbia 5117, lançado em dezembro de 1929, com duas marchinhas de Hekel Tavares e Luiz Peixoto (parceiros na clássica canção “Casa de caboclo”) para o carnaval de 30, interpretadas pelo paulistano Jayme Redondo (1890-1952), com acompanhamento de grupo regional, e que refletem muito bem os momentos acirrados da sucessão de Washington Luís.  No lado A, a matriz 380430 apresenta “Harmonia! Harmonia!”, e o verso, matriz 380431, “Comendo bola”. Nessas duas músicas, há todo um rico documentário político de fatos e personagens: Barbado (Washington Luís), Antônio Carlos (então governador mineiro), as cartas turcas, 17 Estados a favor de Prestes e só três contra, etc. “Comendo bola” é nitidamente a favor de Júlio Prestes: “Getúlio, você tá comendo bola/ Não te mete com seu Júlio/ Não te mete com seu Júlio/ que seu Júlio tem escola”.
Evidentemente, por questão de bom senso, mostramos aqui também o outro lado, ou seja, o dos getulistas. Vitoriosa a Revolução de 30, com Getúlio já no poder, Lamartine Babo lança, para o carnaval de 1931, a marchinha “G-E-Gê (Seu Getúlio)”, fazendo velada propaganda do novo chefe da nação, com a exaltação da nova ordem para o povo brasileiro, a mudança custe o que custar. Possivelmente teria sido executada como “jingle” político na construção do apoio ao golpe contra Prestes. Almirante e o Bando de Tangarás ficaram incumbidos de lançá-la, pela Parlophon, em janeiro de 1931, no disco 13274-B, matriz 131057, com acompanhamento da Orquestra Guanabara.
Seis anos mais tarde, durante o chamado “governo provisório” getulista, fala-se na possibilidade de eleições para a escolha do sucessor de Getúlio na presidência, com dois fortes candidatos: o então governador de São Paulo Armando Salles de Oliveira (o seu Manduca), este com a candidatura já lançada, e o ministro Osvaldo Aranha (o seu Vavá), que na verdade nem sequer chegou a se candidatar. A 28 de novembro de 1936, Sílvio Caldas grava na Odeon, para o carnaval de 37, com lançamento em janeiro (11450-A, matriz 5468), a marchinha “A menina presidência”, de Nássara e Cristóvão de Alencar, vencedora de um concurso chamado “Quem será o homem?”, antecipando o desfecho nos versos finais do estribilho: “Na hora H quem vai ficar é seu Gegê”. E, de fato, as eleições não aconteceram, pois a 10 de novembro de 1937, Getúlio implanta no país o Estado Novo, com maior centralização do poder, ficando na presidência até sua deposição, em 1945.
Do Estado Novo já é a faixa seguinte, a marchinha “Glórias do Brasil”, de Zé Pretinho e Antônio Gilberto dos Santos. Foi gravada na Odeon em 16 de agosto de 1938, com lançamento em outubro seguinte com o número 11646-A, matriz 5902, na interpretação de Nuno Roland (Reinold Correia de Oliveira, 1913-1975), catarinense de Joinville, então em princípio de carreira. É uma verdadeira exaltação de cunho patriótico ao então chefe da Nação.
Mais tarde, seguindo o exemplo do governo fascista italiano, Getúlio decreta o aumento do imposto de renda dos solteiros, e incentiva com benefícios as famílias numerosas. Isso inspira o  poeta de Miraí, Ataulfo Alves, a compor com Felisberto Martins o samba “É negócio casar!”, que ele próprio grava na Odeon em 12 de junho de 1941, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro), sendo o disco lançado em outubro seguinte com o número 12047-A, matriz 6686. Uma autêntica e interessante crônica.
Um ano mais tarde, foi lançado um sem número de canções patrióticas, refletindo a tensão provocada pela Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939  e que já preocupava e afetava o Brasil, visando levantar o orgulho e a consciência nacionais. Dessa época é o samba “Brasil brasileiro”, gravado por Carlos Galhardo na Victor com acompanhamento da orquestra do maestro Passos, em 9 de junho de 1942, com lançamento em agosto seguinte, disco 34951-A, matriz S-052546. Pouco tempo antes, em maio de 42, a Columbia lançou, na voz de Déo (Ferjallah Rizkallah, “o ditador de sucessos”), acompanhado por Chiquinho e seu ritmo, o samba “O sorriso do presidente”, de Alcyr Pires Vermelho e Alberto Ribeiro, disco 55336-A, matriz 525. Nesse mesmo ano, por força do torpedeamento de navios mercantes brasileiros, o Brasil declarava guerra aos países do Eixo, Alemanha, Itália e Japão, assim entrando no conflito.
Finalizando esta primeira parte, temos o grande Moreira da Silva, o eterno Kid Morenguera, inimitável rei do samba de breque, interpretando, de Henrique Gonçalez, “Diplomata”, gravado na Odeon em primeiro de outubro de 1942, com a declaração brasileira de guerra já consumada,  e lançamento em janeiro de 43 sob número 12252-A, matriz 7075. Devidamente acompanhado pelo regional do multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955, autor de “Duas contas”, “São Paulo quatrocentão” e “Gente humilde”), Moreira exalta a figura de Getúlio, um “homem de fibra”, e conclama o povo brasileiro à luta.

Enfim, são autênticas crônicas musicais desse período importante de nossa História. E fiquem ligados, pois semana que vem tem mais. Até lá!


TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Alfredo Moretti, Blackout, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Francisco Alves – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 17 (2012)

Esta já é a décima-sétima edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Uma trajetória excelente, mas olha, certamente iremos muito além, se Deus quiser. Aqui temos, treze fonogramas raros, a maior parte de cantores bastante conhecidos e que deixaram sua marca na história da música popular brasileira. Exceção feita, claro, ao paulistano Alfredo Moretti (c.1925-?). Com timbre semelhante ao de Francisco Alves (também aqui lembrado), ele ficou esquecido com o passar do tempo, talvez pela escassa discografia que deixou: apenas nove discos 78 com dezoito músicas, entre 1953 e 1957, nos selos Columbia (oito) e Todamérica. (o último). Nesta edição do GRB, eis seu sexto disco, o Columbia CB-10182, lançado em agosto de 1955. No lado A, matriz CBO-543, o samba-canção “Violão amigo”, de Ítalo Moretti, e no verso, matriz CBO-541, o bolero “Porque te quero”, de autoria do acordeonista Mário Gennari Filho em parceria com Joamar (quem seria?), e certamente é o próprio Gennari quem o acompanha com seu acordeão e seu conjunto, ambos não-creditados no selo original.
Já que falamos anteriormente de Francisco Alves, o eterno e eclético Rei da Voz, cuja trágica morte em acidente rodoviário completa 60 anos em setembro próximo, ele aqui comparece com cinco faixas bastante apreciadas. Uma delas é seu eterno carro-chefe, a “canção brasileira” “A voz do violão”, melodia sua e versos de Horácio Campos, feita para uma revista teatral chamada “Não isso é que eu procuro”, encenada no Teatro Carlos Gomes, no Rio. E foi a música que Chico mais gravou de todo o seu repertório: “apenas” quatro vezes, a primeira em 1928 (selo Parlophoin), a segunda em 1929 (feita a pedido do letrista Horácio, que não gostou de ter seu nome omitido na primeira gravação), a terceira em 1939 e esta aqui, a quarta e última, todas pela Odeon. O registro daqui é de 5 de abril de 1951, matriz 8943, lançado em julho seguinte com o número13143-A. No verso, matriz 8941, outra regravação, a da canção “Lua nova”, também com melodia dele próprio e versos de Luiz Iglésias, lançada originalmente por Chico em 1928, e aqui com o subtítulo de “Lua nova”, com versos do homem de teatro Luiz Iglésias, que inclusive foi marido da atriz Eva Todor, estrela de sua companhia teatral. Em seguida, o disco Columbia 55248-B, de 7 de novembro de 1940, lançado em dezembro seguinte, matriz 338, apresentando a lírica marcha-rancho “A flor e o vento”, da parceria João “Braguinha” de Barro-Alberto Ribeiro, com acompanhamento orquestral de Radamés Gnatalli. O lado A, já revivido aqui anteriormente, é “Onde o céu azul é mais azul”, dos mesmos autores mais Alcyr Pires Vermelho. Em seguida temos uma versão, das muitas que Haroldo Barbosa fez para o Rei da Voz, gravação Odeon de 8 de setembro de 1944, lançada em agosto seguinte com o número 12505-B, matriz 7647 (o outro lado de “Para sempre adeus”, também já revivida aqui), com acompanhamento orquestral de Fon-Fon. É o fox “Lagoa adormecida (Sleepy lagoon)”, de Eric Coates e J. Lawrence, do filme “Minha secretária brasileira (Springtime in the rockies)”, da 20th Century Fox, dirigido por Irving Cummings (tendo nada mais nada menos do que Cármen Miranda no elenco!). Nele, a música é executada pela orquestra do bandleader Harry James. Encerrando a participação do Rei da Voz nesta edição, temos a primeiríssima e originalíssima gravação do samba-canção “Marina”, de autoria do mestre baiano Dorival Caymmi. Ela foi feita por Chico na sua Odeon de sempre em 11 de março de 1947, com lançamento em maio seguinte com o número 12773-B, matriz 8191 (é o outro lado do fox-canção “Maria”, que já oferecemos antes também). Um mês mais tarde, Dick Farney também gravou “Marina”, na Continental, acompanhando-se ao piano, com lançamento em junho seguinte, e esse acabou sendo o registro de maior sucesso, fazendo muitos pensarem que foi Dick o lançador do samba-canção de Caymmi (ele regravaria a música outras quatro vezes). Ainda em 1947, Nélson Gonçalves e o próprio Caymmi fizeram seus registros de “Marina”, ambos pela RCA Victor.
Falemos agora de Otávio Henrique de Oliveira. Quem? É nada mais nada menos que Blecaute, o eterno “general da banda” (Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), que recebeu esse apelido do Capitão Furtado, radialista e compositor, sobrinho de Cornélio Pires, por causa dos apagões frequentes na época do pós-guerra. São três gravações relacionadas a datas comemorativas. Pra começar, o baião junino “Santo Antônio não gosta”, da profícua parceria Haroldo Lobo-Mílton de Oliveira (também responsável por muitos hits carnavalescos), gravado na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho desse ano sob número 16556-A, matriz C-2834, com acompanhamento do conjunto do trombonista Astor Silva, o Astor do Trombone. Em seguida o Copacabana 5502, lançado em dezembro de 1955. No lado A, matriz M-1273, um clássico natalino brasileiro: a “valsinha de roda” “Natal das crianças”, de autoria dele mesmo e ainda hoje muito lembrada. No verso, matriz M-1272, Blecaute homenageia as noivas com a marcha “Noiva querida”, de Silvino Neto, também humorista de rádio e autor dos clássicos “Cinco letras que choram” e “Valsa dos namorados”, ambos hits de Francisco Alves.
Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, está de novo presente no GRB, com mais uma homenagem às noivas: é a valsa “Aniversário de casamento (Anniversary waltz)”, do romeno Ian Ivanovici em versão do especialista Lourival Faissal. Gravação RCA Victor de 4 de agosto de 1950, lançada em agosto seguinte com o número 80-0697-B, matriz S-092727. Essa mesma gravação foi reeditada em dezembro de 1952 com o número 80-1060-B, e é mais uma prova que as datas comemorativas (aniversário, Natal, bodas de prata, etc.) foram gfravadas por Galhardo mais que qualquer outro intérprete.

Para encerrar, um intérprete que tem resistido ao tempo, e já octogenário, ainda em franca atividade: é o grande Cauby Peixoto, que aqui comparece com um disco “internacional”, o Columbia CB-11000. Ele foi gravado em Hollywood, Califórnia, EUA, em 1955, quando da primeira temporada do “professor da MPB” naquele país, com acompanhamento orquestral de um dos mais expressivos maestros da época, Paul Weston. No lado A, matriz RHCO-33427, o samba-canção “Final de amor”, composto pelo empresário do cantor, Di Veras, em parceria com Haroldo Barbosa. No verso, matriz RHCO-33426, o bolero “A pérola e o rubi (The ruby and the pearl)”, da dupla Jay Livingstone-Ray Evans, vertida por outro especialista na matéria, Haroldo Barbosa. Ambas as gravações também saíram no primeiro LP de Cauby, o dez polegadas “Blue gardenia”, junto com outras duas também gravadas por ele nessa temporada americana, “Sem porém nem porquê” e “Nossa rua”. Enfim, mais um presente do TM para todos os amigos ocultos e ocultos que apreciam o que é bom. Diversão garantida!

 
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Branca De Neve E Os Sete Anões – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 10 (2012)

O Grand Record Brazil, em sua décima edição, convida todos os amigos e ocultos do Toque Musical a voltarem a seu feliz tempo de criança! Aqui trazemos um dos mais famosos contos infantis de todos os tempos: “Branca de Neve e os sete anões”, escrito pelos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, e brilhantemente adaptado para desenho animado por Walt Disney, em 1937, tendo sido, aliás, o primeiro cartoon de longa metragem produzido, e ainda em cores! Deu início a uma série memorável de longas animados da Disney: “Pinóquio”, “Dumbo”, “Bambi, “Cinderela”, “A bela adormecida, “Alice no país das maravilhas” e muitos, muitos outros, praticamente com a mesma característica: para serem vistos e também ouvidos.

A dublagem com que o filme foi lançado nos cinemas brasileiros, feita pela Cinelab, foi supervisionada por João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora Columbia, mais tarde Continental. Apesar dos recursos técnicos limitados, o resultado foi tão bom que o próprio Walt Disney, em reconhecimento, presenteou Braguinha com um relógio de ouro, especialmente dedicado a ele. Para dublar “Branca de Neve”, recrutou-se a nata da música popular brasileira daqueles tempos: Dalva de Oliveira (a personagem-título), Carlos Galhardo, (o príncipe), Almirante (a voz do Espelho Mágico), além do comediante Batista Júnior, pai das cantoras Linda e Dircinha Batista (o anão Soneca) e dos atores Túlio de Lemos (o caçador), Cordélia Ferreira (a rainha), Estephana Louro (a bruxa), Edmundo Maia (o anão Atchim) e Aristóteles Pena (o anão Zangado), entre outros. Esta dublagem antiga, infelizmente, se perdeu, tanto que em 1965 teve de ser refeita pela extinta Riosom, sob a supervisão de Aloysio de Oliveira e com outro elenco de vozes (foi com esta última dublagem que o filme foi exibido pela Rede Globo de Televisão, no Natal de 2010).

Em 1945, a Continental, ex-Columbia, decidiu gravar historinhas infantis em disco, e com a supervisão e adaptação do próprio Braguinha. Para isso, ele reuniu nos estúdios da gravadora, situados no Edifício Cineac-Trianon (Avenida Rio Branco esquina com Rua Bethencourt Silva, em frente ao lendário Café Nice, no centro do Rio), praticamente todos os artistas que gravaram a primeira versão dublada brasileira de “Branca de Neve” quando do lançamento em nossos cinemas, em 1938, com o apoio do grupo vocal Os Trovadores. A orquestração e a regência ficaram a cargo do maestro Guerra Peixe (Petrópolis, RJ, 1914-Rio de Janeiro, 1993). Segundo o próprio Braguinha, era impossível naquele tempo gravar uma história completa num único 78 rpm. O jeito então foi gravar “Branca de Neve” em dois discos de selo vermelho especial, números 30103 e 30104, matrizes 1371-2-3-4. Esta versão apresenta todo o escore musical original do cartoon clássico de Disney. A narração, não creditada, parece ser da radialista e também cantora Sõnia Barreto, sendo as canções (oito) escritas por Frank Churchill (melodia) e Larry Morey (letra original). Três delas são lembradas até hoje: “Assobie enquanto trabalha”, “Cavando a mina”(“Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou”…) e a valsa “Quando o meu príncipe vier”, incluída no repertório de vários solistas de jazz. Este lançamento iniciava a série Discoteca Infantil Continental, que seria o embrião, nos anos 1960, do célebre e bem-sucedido selo Disquinho, aquele dos compactos de vinil coloridos, e que seriam entretenimento de gerações seguidas de crianças (inclusive, claro, a minha!). Foram mais de setenta títulos, o primeiro deles agora oferecido pelo GRB na versão original em 78 rpm, o que de certa forma serve de consolo para a possível perda da dublagem brasileira original do longa animado de Disney. Recordemos com muito carinho a bela história de “Branca de Neve e os sete anões”.

TEXTO: Samuel Machado Filho

Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Especial De Natal (2011)

É Natal, e a quarta edição do Grand Record Brazil, como não poderia deixar de ser, entra nesse clima de festa e fraternidade, apresentando mais uma seleção de raríssimas gravações.

Para começar, temos o “cantor que dispensa adjetivos”, Carlos Galhardo. Ele apresenta aqui justamente a música que inaugurou o gênero “musica natalina” entre nós: “Boas festas”, composta pelo baiano Assis Valente. Só que aqui, trata-se da segunda gravação da música, feita na Victor em 21 de novembro de 1941, matriz S-052428, sob número de disco 34865-A. O registro original data de 1933, com acompanhamento dos Diabos do Céu de Pixinguinha (aqui é com a orquestra do maestro Passos) e foi justamente com esta música que Galhardo se projetou nacionalmente. Foram vendidas tantas cópias do disco original que a matriz de cera ficou gasta de tanta prensagem, e isso fez com que Galhardo registrasse a música novamente em 1941, o que faria em outras oportunidades. No lado B, matriz S-052429, uma música então inédita: “Sonho de Natal”, outra marchinha, de autoria de Sanches de Andrade. Detalhe intrigante: registra-se como mês de lançamento desse disco o de janeiro de 1942, já perto do carnaval! Dá pra entender? Enfim… Galhardo encerra sua participação nesta edição natalina do GRB com a singela canção “Feliz Natal”, escrita por Peterpan (José Fernandes de Paula, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983) e pelo jornalista e poeta Giuseppe Artidoro Ghiaroni (Paraíba do Sul, RJ, 1919-Rio de Janeiro, 2008), que trabalhou na Rádio Nacional (onde escreveu “Mãe”, uma das novelas de maior sucesso da emissora da Praça Mauá, que foi até levada ao cinema) e também assessorou Chico Anysio na TV Globo, quando este fazia a clássica “Escolinha do Professor Raimundo”. Galhardo gravou a música na RCA Victor de sempre em 4 de agosto de 1950, matriz S-092728, com lançamento em outubro (por aí se vê que antecedência nesses casos sempre foi fundamental), com o número 80-0697-A. Há também um registro posterior de Emilinha Borba, cantora da qual Peterpan era cunhado, feito um ano depois deste original de Galhardo, e a “favorita da Marinha” cantava a música todo santo Natal em suas apresentações na Nacional. Outra autêntica raridade é o disco da Continental com o número 15947, gravado em 20 de agosto de 1948 e lançado entre outubro e dezembro do mesmo ano. No lado A, matriz 10936-2, o coro Continental, dirigido por Alberto W. Ream, interpreta “Ó pinheirinho de Natal”, versão de Nice do Val para a canção “Tannenbaum”, de origem alemã, cuja versão mais conhecida foi escrita em 1824 pelo organista, professor e compositor Ernst Anschutz. A melodia é de origem folclórica, e sua primeira letra conhecida data de 1550. No lado B, matriz 10937-2, o próprio Alberto W. Ream interpreta a canção “Ó noite santa”, do compositor e crítico musical francês Adolphe Charles Adam (1803-1856), sem indicação do autor da versão. Alberto W. Ream foi missionário metodista, fundador da Escola de Música Sacra do Colégio Bennett e também ministro de música da Union Church (RJ), professor, compositor e escritor, autor de várias obras sobre música sacra.
Em seguida, “o rouxinol do Brasil”, Dalva de Oliveira, comparece com um disco gravado em 1952, nos estúdios londrinos da EMI, durante sua vitoriosa temporada pela Europa, com acompanhamento orquestral, regência e piano de Roberto Inglez, que apesar do nome era escocês de Elgin (seu nome era Robert Inglis, e o sobrenome mais próximo em português e espanhol é Inglês). Lançado pelas Odeon em seu selo azul internacional com o nr. X-3372, o disco traz duas músicas natalinas tradicionais: no lado A, matriz CE-14164, ela interpreta “Noite de Natal”, que nada mais é que a famosa “Noite feliz”, com uma letra de Mário Rossi diferente da que se costuma cantar. Seu título original é “Stille Nacht, heilige Nacht”, e a música surgiu em 1818, vejam vocês, por um capricho de ratos que entraram no órgão da igreja de Arnsdorf, Áustria, e roeram os foles! Aí, o padre Joseph Mohr saiu atrás de um instrumento que pudesse substituir o órgão (perigava de o Natal daquele ano não ter música) e começou a imaginar como teria sido a noite em que nasceu em Jesus, em Belém. Fez anotações, e procurou o maestro Franz Gruber para musicá-las. Deu no que deu: um clássico imortal! No lado B, matriz CE-14165, outra versão de Mário Rossi, “Lindo presente”, para “Adeste fideles”, um dos mais conhecidos hinos natalinos, com melodia atribuída ao britânico John Francis Wade, e cuja letra inglesa mais conhecida é do padre católico Frederic Oakeley, com o título “Oh come all ye faithful”.
Em seguida um bolachão inquebrável da Philips, nr. P61058H, de 1960 (lançado em dezembro, claro), trazendo um cantor português que teve imensa popularidade entre nós: Francisco José (1924-1988), aquele da música “Teus olhos castanhos”. Aqui, acompanhado pelos Pequenos Cantores da Guanabara, ele interpreta duas canções tradicionais do gênero natalino: outra vez “Noite feliz”, agora em versão do cantor e compositor Paulo Tapajós (que integrou o Trio Melodia com Albertinho Fortuna e Nuno Roland), e “É Natal”, outra versão de Tapajós, agora para “Jingle bells”, composta em 1850 pelo americano James Lord Pierpont, e publicada sete anos mais tarde com o título “One horse open sleigh”. A versão brasileira mais conhecida é a de Evaldo Ruy (“Sinos de Belém”), gravada em 1951 por João Dias.
Prosseguindo, duas notáveis cantoras brasileiras. A primeira é Lana Bittencourt, que se faz presente com o disco Columbia CB-10388-B, matriz CBO-1206, lançado ao apagar das luzes de 1957, trazendo o fox “Feliz Natal”, da dupla Klécius Caldas-Armando Cavalcanti, responsável por inúmeros hits de meio-de-ano e carnaval. “Feliz Natal” foi lançada originalmente por Dick Farney, em 1949, e o registro de Lana também saiu no LP-coletânea “Nosso Natal”, igualmente postado no Toque Musical. Zezé Gonzaga (Manhuaçu, MG, 1926-Rio de Janeiro, 2008), por sua vez, interpreta “Um sonho que sonhei (Marcha dos anõezinhos)”, de autoria de dois expressivos compositores: Alcyr Pires Vermelho e José de Sá Roris, este último parceiro de Nássara no clássico carnavalesco “Periquitinho verde”, de 1938. Zezé lançou esta simpática marchinha ao apagar das luzes (mais um!)de 1951, pela Sinter, com orquestração e regência do sempre eficiente Lírio Panicalli, e o número 10.00.114-B, matriz S-245. O último trabalho de Zezé em disco foi o CD “Sou apenas uma senhora que ainda canta”, lançado em 2002 pela Biscoito Fino.
E, para encerrar com chave de ouro, o Rei da Voz, o eterno Francisco Alves, em disco gravado na sua Odeon de sempre em 5 de dezembro de 1950, mas só lançado um ano depois, ou seja, em dezembro de 51. De qualquer forma a espera valeu a pena. No lado A, a “Canção de Natal do Brasil”, matriz 8876, parceria dele com David Nasser (jornalista que inclusive fez uma série de reportagens sobre Chico na revista “O Cruzeiro”, mais tarde publicadas no livro “Chico Viola”) mais Felisberto Martins, então diretor artístico da “marca do templo”, e a matriz 8877, o lado B, tem “Sinos de Natal”, de Victor Simon e Wilson Roberto. Lembrando que Victor Simon fez também a clássica “Bom dia, café”, sucesso de 1958 na voz de Roberto Luna.
Estas são as relíquias natalinas que o GRB, em sua quarta edição, nos oferece. A todos os amigos cultos e ocultos do Toque Musical, os meus mais sinceros votos de um Natal maravilhoso, e um ano novo repleto de alegrias, realizações e conquistas!
*SAMUEL MACHADO FILHO

boas festas – carlos galhardo
canção de natal do brasil – francisco alves
é natal – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
feliz natal – carlos galhardo
feliz natal – lana bittencourt
lindo presente – dalva de oliveira
noite de natal – dalva de oliveira
noite feliz – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
ó noite santa – alberto w. ream e côro continental
ó pinheirinho de natal – côro continental e alberto w ream
sinos de natal – francisco alves
sonho de natal – carlos galhardo
um sonho que eu sonhei – zezé gonzaga


Adelino Moreira – Encontro com Adelino (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Só para que ninguém fique na dúvida, as reposições de antigas postagens estão sendo feitas aos poucos. Algumas, que parecem demorar mais, são de títulos que pretendo recompor os arquivos totalmente. Por isso peço paciência. Tudo, aos poucos, vai sendo resolvido 😉
Hoje não é sábado, dia de coletâneas, mas mesmo assim vamos ter uma (e oficial). Trago aqui para vocês outro ‘álbum de gaveta’. Estou sendo obrigado a lançar mão do que já estava na reserva e preparado para ganhar tempo, pois ainda nesta semana continuo muito atarefado.
Vamos com esta coletânea da RCA, dedicada à música do compositor Adelino Moreira. Temos aqui cinco dos seus mais frequentes intérpretes, obviamente todos da mesma gravadora, em 14 faixas. São músicas que provavelmente, quase todas, devem constar em outros álbuns já postados aqui no Toque Musical. Mesmo assim, eu acredito, irá agradar à turma da velha guarda.
Apesar de toda a minha pressa, hoje, eu bem que gostaria de postar mais um disco. Se sobrar um tempinho a noite, eu volto, nem que seja com apenas um compacto. 🙂 Vamos ver…

noite da saudade – nelson gonçalves
meu ex amor – angela maria
ciclone – carlos nobre
solidão – núbia lafayette
duelo – cauby peixoto
eu te amo – angela maria
negue – nelson gonçalves
borrasca – nelson gonçalves
devolvi – núbia lafayette
regresso – carlos nobre
não me perguntes – angela maria
fim de estrada – carlos galhardo
seria tão diferente – núbia lafayette
vitrine – nelson gonçalves