Martinha (1969)

Mais uma grande estrela da Jovem Guarda é posta em foco pelo TM. Estamos falando de Martha Vieira Figueiredo Cunha. Ou, como ficaria para a posteridade, Martinha. Até hoje conhecida pelo apelido de “queijinho de Minas”, nossa Martinha veio ao mundo exatamente na Capital das Alterosas, Belo Horizonte, a 30 de julho de 1949. Sua mãe, Dona Ruth, era uma das “ghost-writers” da coluna “Mexericos da Candinha”, publicada durante anos na “Revista do Rádio” e, mais tarde, em “Amiga”. Filha única, desde pequena já cantarolava músicas compostas por ela mesma, e aprendeu a tocar piano aos cinco anos de idade. Em 1966, foi trazida de Minas por nada mais nada menos que Roberto Carlos, o então “rei da juventude”, passando, logicamente, a fazer parte da Jovem Guarda e a ser figurinha carimbada do programa de mesmo nome, apresentado aos domingos á tarde pela antiga TV Record de São Paulo. Um ano mais tarde, Roberto gravaria uma balada romântica que se constituiu no primeiro sucesso autoral de Martinha: “Eu daria minha vida”, um clássico relembrado até hoje,  que tem mais de cinquenta gravações ao redor do mundo! Ainda em 1967, Martinha faz sua estreia também como intérprete, lançando pela Artistas Unidos (gravadora vinculada à Record, cujos produtos eram fabricados e distribuídos pela Mocambo/Rozenblit, do Recife) um compacto simples com duas músicas de autoria própria: “Barra limpa” (homenagem ao “rei” Roberto) e “Não brinque assim”. Após mais um single, com “Eu te amo mesmo assim” e ‘Quem disse adeus agora fui eu”, Martinha lançou seu primeiro LP, também intitulado “Eu te amo mesmo assim”.  Era o início de uma carreira fulminante, com vinte álbuns gravados, sendo oito deles no exterior, e apresentações em países como EUA, Espanha (onde residiu por mais de um ano) e em toda a América Latina, inclusive participando de festivais. “Não gosto mais de você”, “Arranje outra namorada”, “Pior pra você, bem pior pra mim”, “Aqui”, “Vestido branco” , “Como antigamente”, “Eu quero a América do Sul e “Que homem é esse?”  são outros sucessos de Martinha como intérprete. Como autora, tem músicas gravadas por intérpretes como Ângela Maria, Paulo Sérgio (“Pelo amor de Deus”, que fez para ele quando era sua namorada), Moacyr Franco, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Agnaldo Rayol (“Água caliente”), Gilliard (“Pouco a pouco”), Leno e a paraguaia Perla, além de duplas sertanejas como Chitãozinho e Xororó (“Vem provar de mim”, “Queixas”), de quem, aliás, ela é grande amiga. O TM hoje oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados, o terceiro LP de estúdio de Martinha. Lançado em 1969, o disco também marcou a estreia da cantora-compositora mineira na Copacabana, após o fechamento da Artistas Unidos. Além de ter, em sua produção, a respeitável assinatura de Paulo Rocco, durante anos um experiente profissional da área artístico-fonográfica, e arranjos a cargo de Antônio Porto Filho, o Portinho, Vicente Salvia e José Paulo Soares.  Na contracapa, inclusive, a própria Martinha faz um agradecimento a todos que participaram deste trabalho, e também à mãe, Dona Ruth. São onze faixas, seis delas assinadas pela própria Martinha, destacando-se “À procura de mim” e “Eu escutei o seu adeus”, também editadas em compacto simples. Temos ainda trabalhos de Antônio Marcos (“Escuta”) e do irmão Mário (“Vou deixar você”), Luiz Fabiano (“Estou arrependida”), da dupla Luiz Wagner-Tom Gomes (“Sou feliz só por te ver”) e até mesmo de Arnaud Rodrigues (“Minha canção e eu”). Um repertório essencialmente romântico, linha essa que muitos cantores vindos da Jovem Guarda passaram a seguir após o fim do movimento. Tudo isso credencia, e muito, este trabalho da notável Martinha, hoje mãe de dois filhos já adultos, e residente em uma granja na região da Grande São Paulo.  E ela continua em franca atividade, como cantora e compositora, apresentando-se em shows por todo o país e recebendo, merecidamente,  os aplausos  e a benquerença do público!

a procura de mim

eu vou

eu escutei o seu adeus

vou deixar você

cansei de conversa

escuta

tarde, muito tarde

estou arrependida

deixe

minha canção e eu

sou feliz só por ter você

*Texto de Samuel Machado Filho

The Angels – 7 Dias Na TV (1964)

Para a alegria de seus amigos cultos, ocultos e associados, o Toque Musical apresenta hoje mais um precioso álbum da pré-Jovem Guarda. E gravado por um conjunto de primeira: The Angels, mais tarde The Youngsters. O grupo , originário do Rio de Janeiro, era formado por Carlos Becker (vocal e guitarra-base), Carlos Roberto (guitarra-solo), Sérgio Becker (sax-tenor e barítono), Jonas (baixo) e Romir (bateria), todos residentes na Zona Sul, mais precisamente em Copacabana. Os Angels começaram em 1961, tocando em bares, boates e shows, e animando bailes nos clubes Monte Líbano e Caiçaras, entre outros. Em 1962, passaram a se apresentar em um programa da extinta TV Continental , canal 9, dedicado à juventude, “Encontro com os anjos”. Com o sucesso alcançado, eles passaram a acompanhar a cantora Célia Vilela, com quem mais tarde Carlos Becker se casou. Assistidos por Nazareno de Brito, então diretor artístico da gravadora Copacabana, assinaram contrato com essa marca, lançando o primeiro LP em junho de 62: “Hully gully “, logo seguido de mais dois álbuns: o que apresentamos hoje e “Happy weekend with The Angels”.  Com o nome mudado para The Youngsters, acompanharam diversos astros da Jovem Guarda, em shows e discos, entre eles o “rei” Roberto Carlos, Wanderléa, Robert Livi (argentino radicado no Brasil), Ronnie Von e Wanderley Cardoso. Lançaram pela CBS os LPs “Twist only twist” (1963), “Os fabulosos Youngsters” (1964) e alguns compactos, além de um LP sem título pela Polydor/Philips, em 1969. Participaram ainda das trilhas sonoras das novelas “Véu de noiva” (1969) e “Pigmalião 70” (1970), ambas da TV Globo. Da discografia dos Angels, depois Youngsters, o TM nos oferece o segundo álbum de estúdio da banda: “Sete dias na TV”, mesmo nome de uma revista sobre televisão que circulava na época (por sinal escolhido em homenagem â mesma, que ainda mantinha uma seção sobre música jovem chamada “Brotolândia”),  lançado pela Copacabana em fevereiro de 1964. Aqui, o grupo nos traz vários  temas de seriados de televisão que faziam sucesso na época: “Os intocáveis”, “Bonanza”, “Dr. Kildare”, “Cidade nua”, “Maverick”, Peter Gunn”, “Rota 66”, “77 Sunset Strip” (esta pouco reprisada no Brasil) etc. E ainda o tema de “Shane” (no Brasil, “Os brutos também amam”), western clássico do cinema que, curiosamente, só virou seriado de TV em 1966, ou seja,  dois anos após a gravação do presente álbum, cujo entusiasmado texto de contracapa é de autoria justamente do mesmo Nazareno de Brito que os levou para a Copacabana. O tipo da coisa que faz a gente torcer para que tais séries estejam logo disponíveis em algum Netflix da vida… Enfim, mais um presente do TM para aqueles que jamais esqueceram a Jovem Guarda, e também para conhecimento de quem só ouviu falar desse que, sem dúvida, foi o primeiro movimento musical de massa acontecido no Brasil. Realmente, uma brasa, mora!

theme from the intoucheables

77 sunset strip

route 66

the deputy

peter gunn

shane

bonanza

riverboat theme

hawaiian eye

theme from dr. kildare

haked city theme

*Texto de Samuel Machado Filho

Wanderley Cardoso – Juventude E Ternura (1966)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum de Wanderley Cardoso, um dos cantores mais expressivos  da Jovem Guarda e que, no Nordeste, chegou a ser até mais popular do que o próprio Roberto Carlos, líder do movimento e apresentador do programa de mesmo nome na antiga TV Record de São Paulo, que ficou no ar entre 1965 e 1968. Trata-se de “Juventude e ternura”, seu terceiro LP de estúdio, lançado pela Copacabana em  agosto de 1966, apenas quatro meses após o segundo, “Perdidamente apaixonado”, que o TM já ofereceu a vocês. É bom lembrar que, nessa ocasião, Wanderley era também contratado da extinta TV Excelsior, e participava do programa “Adoráveis trapalhões”, ao lado de Renato Aragão, Ted Boy Marino e Ivon Cúri. Nesse tempo, Wandeco era o genro que toda sogra, por mais megera que fosse, queria ter… “Juventude e ternura” foi também o título de um programa que Wanderley apresentava na Excelsior, ao lado de Rosemary, mas que durou pouco tempo. Em compensação, o disco foi aquele sucesso, é claro. Dois dos maiores hits de Wandeco nessa época estão nele: “Meu amor brigou comigo”, de  Eliza Moreira, e “Você zangada é feia”, da parceria Roberto & Erasmo Carlos. Sérgio Reis, o “grandão”, antes mesmo de estourar com “Coração de papel”, assina a faixa “Por que chorar, coração?”. “Sozinho na multidão” tem a parceria de Nélson Ned, outro que anos mais tarde obteria sucesso como intérprete. “Showman” de talento incontestável, Moacyr Franco assina, com Mílton Rodrigues, “Do sublime que tu és”. O lado compositor de Wanderley Cardoso manifesta-se na faixa de encerramento do disco, “Meu regresso”, uma parceria com Genival Melo, que durante anos foi conceituado empresário do setor artístico. Genival também assina aqui as versões “Não te amo mais” e “Morrer ou viver”, ambas as músicas de origem francesa, o que também é o caso de “Assim é a vida”, abrasileirada por Carlos Vidal. Trabalhos de Carlos Cézar (“Vivo te esperando”), Hamilton di Giorgio (“Por favor, vai embora”, parceria com o irmão Eduardo Alberto), e da dupla Heitor Mangeon-Roberto Muniz (“Desengano”) completam este terceiro e bem-sucedido álbum de Wanderley Cardoso, sem dúvida um prato cheio para quem viveu aqueles tempos. Mesmo quem ouviu falar da Jovem Guarda e só chegou depois dela poderá apreciar mais este trabalho de Wanderley Cardoso, precioso documento  desse que é considerado o primeiro movimento de massas da história da MPB. É uma brasa, mora!

não te amo mais
meu amor brigou comigo
porque chorar coração
morrer ou viver
desengano
por favor vai embora
você zangada é feia
sozinho na multidào
vivo te esperando
do sublime que tu és
assim é a vida
meu regresso

*Texto de Samuel Machado Filho

 

Orlando Silva (1955)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados uma autêntica raridade, bastante difícil de se encontrar por aí. Trata-se de um LP de dez polegadas que reúne oito gravações feitas por Orlando Silva (Rio de Janeiro, 3/10/1915-idem, 7/8/1978) na Copacabana, gravadora com a qual assinou contrato em 1951 (ano em que também foi eleito Rei do Rádio), e onde permaneceria pelos quatro anos seguintes.  À época destes preciosos registros, o “cantor das multidões” já tinha voltado aos braços emocionados do grande público brasileiro, que sempre o teve como ídolo, depois de haver superado os problemas particulares, inclusive de ordem amorosa, que foram obstaculizando sua carreira. Os anos 1950 foram, para ele, mais tranquilos, mas nem por isso menos importantes. Seu timbre de voz estava um pouco mais grave, porque esse é o curso natural da voz humana e ele havia surgido para a glória na adolescência dos 18 anos. Mas ainda era o mesmo Orlando Silva de recursos técnicos impecáveis, voz prodigiosa e interpretação comovente. É o que vocês poderão comprovar através deste preciosíssimo vinil de dez polegadas, lançado em 1955, ano em que Orlando Silva retornou à Odeon. São oito faixas originalmente lançadas em discos de 78 rpm, que evidenciam o bom gosto musical do intérprete, afinal ninguém como Orlando para escolher tão bem o repertório.  E, como se trata de uma espécie de “edição extraordinária” de nosso Grand Record Brazil, convém relacionar as bolachas de cera em que estas faixas saíram originalmente. Abrindo o disco, o fox -bolero “Aquela mascarada”, de Cyro Monteiro e Dias da Cruz, editado em agosto-setembro de 1953 sob número 5113-A, matriz M-518. O choro “Amanhecendo”, de Cícero Nunes, Arcênio de Carvalho e Rogério Lucas, foi inicialmente lançado em versão instrumental, pelo trombonista Raul de Barros. E coube a Orlando Silva registrar a versão cantada, que a Copacabana lançou em abril de 1954 sob número 5240-B, matriz M-761. A valsa “De que vale a vida sem amor” é dos mesmos J. Cascata e Leonel Azevedo que deram a Orlando, em 1937, os clássicos “Lábios que beijei” e “Juramento falso”, e aqui contam com a parceria de José de Sá Roris. O 78 original saiu por volta de maio de 1954, e levou o número 5254-A, matriz M-814. O samba “Não… e sim”, do flautista Altamiro Carrilho em parceria com Armando Nunes, é o lado B de “Amanhecendo”, matriz M-815. Da parceria Herivelto Martins-Mário Rossi é o samba “Obrigado, Maria”, editado em setembro de 1954 sob número 5302-A, matriz M-914. O ótimo samba “Exaltação à cor”, bem na tradição de seu autor, Ataulfo Alves, aqui em parceria com J. Audi, vem a ser o lado B de “Aquela mascarada”, matriz M-519. “Renúncia”, samba-canção de exclusiva autoria de Marino Pinto, teve lançamento em 78 rpm quase simultâneo a este LP, em março-abril de 1955, sob número 5382-B, matriz M-915. Para encerrar, Orlando Silva homenageia seu grande amigo Francisco Alves, que o lançou em seu programa da Rádio Cajuti, do Rio de Janeiro, em 1934, com a regravação de “Cinco letras que choram (Adeus)”, samba-canção de Silvino Neto, que o Rei da Voz lançou em 1947 e seria a música mais tocada pelas rádios quando do trágico falecimento dele em acidente rodoviário, em 1952. O registro de Orlando foi lançado logo em seguida, em outubro-novembro desse ano, sob número  5010-A, matriz M-261. Enfim, uma seleção primorosa e imperdível, que mostra um Orlando Silva com os pés no presente, com força para trilhar e projetar o momento em que vivia.  É ouvir e confirmar.

aquela máscara

amanhecendo

de que vale a vida sem amor

não é sim

obrigado maria

exaltação a cor

renúnica

adeus

* Texto de Samuel Machado Filho

Grupo Alcano – Paraíso Perdido (1981)

Boa tarde, prezado amigos cultos e ocultos! Acredito que daqui até o fim do ano eu vou ainda estar postando no Toque Musical os discos que me foram doados pelo amigo Fáres. Temos um leque variado de opções com os mais diferentes artistas e gêneros musicais.
Hoje eu trago um disco, o qual eu vivo sempre topando pelos sebos e lojas onde ando. Porém, nunca dei muita bola. Agora, através do Fáres estou tendo a oportunidade de conhecer melhor. E já que eu acabei de digitalizá-lo, que tal postarmos aqui?
Segue assim o Grupo  Alcano, sobre o qual eu ainda não sei muita coisa. Das informações colhidas, sei apenas que se trata de um conjunto nordestino, vindo de Pernambuco, Recife. Eles eram um conjunto de bailes e fizeram muito sucesso no Nordeste e também pelas bandas de cá, em São Paulo. Gravaram além deste, outros discos. Em “Paraíso Perdido” encontraremos um repertório autoral bem trabalhado, com músicas também elaboradas. Os músicos mandam bem e não deixam cair… Vale a pena conhecer

caminhada
soul berg legal
razão
momentos
sem você
mariana
paraíso perdido
vazio
de cara no chão
motivo
realidade incontestavel
sem rumo
.

 

Sivuca E Seu Conjunto – Motivo Para Dançar N.2 (1957)

Olá, olás… meus prezados amigos cultos e ocultos! Espero que todos tenham aproveitado bem o carnaval. O meu foi muito bom. Passei os dias pedalando e vendo a folia do povo. Neste ano eu preferi não postar aquela overdose de discos carnavalescos. Apenas o suficiente para alegrar os foliões. Ano que vem tem mais…
Retomando os toques, tenho para hoje o grande Sivuca, em seu segundo momento em lp, “Motivo para dançar n.2”, lançado pela Copacabana, em 1957. O disco é uma continuação do sucesso do primeiro, lançado no ano anterior, álbum o qual já apresentamos aqui há tempos atrás. Neste segundo volume Sivuca nos apresenta um repertório também misto, com sucessos nacionais e internacionais. Conforme o próprio título indica, trata-se de um lp feito para se dançar. Naquela época esse tipo de disco era muito comum. A música em fonogramas tinha funções bem distintas e definidas além da própria audição. Servia não apenas para se ouvir, mas para se ouvir fazendo alguma coisa e entre essas a mais evidente era a dança. Uma particularidade desses discos era a que geralmente não traziam separação de faixas, quase em ‘pot popurri’, de maneira a não quebrar o andamento dos dançantes, permitindo-lhes uma dança mais demorada. E isso realmente faz sentido, principalmente se consideramos que a dança era a dois. Um prazer conjugado 🙂 Dançar coladinho é bom demais 😉
caravan
feitiçaria
mistura fina
canção do mar
viva meu samba
rancho fundo
nem eu
doce melodia
feitiço da vila
covarde
sonhando contigo
poiciana
frenesi
.

Os Violinistas De Copacabana – Cordas Mágicas (1960)

Hoje o Toque Musical  oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum dos Violinistas de Copacabana, ao que parece o único. Foi lançado em 1960 pela Copacabana, evidentemente, com produção caprichada. O texto de contracapa foi escrito por Irany Pinto, não por acaso um dos melhores violinistas de seu tempo, com vários discos gravados. E os Violinistas de Copacabana têm o apoio de outros instrumentistas de quilate, destacando-se Abel Ferreira ao saxofone, e o pianista Chaim Lewak. O repertório é igualmente muito bem cuidado, apresentando peças clássicas em ritmo popular (como “Olhos negros”, canção popular russa, em ritmo de bolero, assim como “Barqueiros do Volga”, a “Serenata” de Toseli   a “Meditation” de Massenet e a “Rêverie” de Schumann, “Melodia in F”, de Arthur Rubinstein, em ritmo de rumba, e as “Czardas” em ritmo de fox). A famosa modinha “Quem sabe?”, de Carlos Gomes (“Tão longe, de mim distante”…) também virou bolero aqui. Completando o repertório, o clássico “Copacabana”, de Braguinha e Alberto Ribeiro, e um bolero-beguine de autoria de outra notória instrumentista, Lina Pesce, “Canción de mi alma”, não por acaso lançado em 1958 pelo contracapista do álbum, Irany Pinto, claro que em solo de violino. As orquestrações ficaram por conta de Gustavo Carvalho, no lado A, e Leal Brito (creio que seja o pianista e compositor Britinho), no lado B. Mas o destaque fica por conta do regente. É nada mais, nada menos que o maestro Mário Tavares, potiguar de Natal, nascido em 18 de abril de 1928. Para ele, “música boa é música bem feita”, o que define uma carreira que nunca se prendeu a qualquer rótulo, sem barreiras entre o erudito e o popular. Desde cedo, Mário Tavares foi incentivado a ser músico, e aos 8 anos ganhou um violoncelo  de sua avó, Amélia. Aos 12, já integrava a orquestra de salão da Rádio Educadora de Natal, dirigida por dois Carlos, o Lamas e o Faracchi. Em 1944, aos 16 anos, já residindo no Recife, Tavares ingressa na Orquestra Sinfônica da capital pernambucana, criada três anos antes por Vicente Fittipaldi. Ali, foi influenciado pelo frevo, tornando-se amigo de um autêntico mestre do gênero, Nélson Ferreira. Em 1947, Mário Tavares viaja para o Rio de Janeiro, a fim de concorrer a uma vaga de violoncelista na Orquestra Sinfônica Brasileira, sendo devidamente aprovado e contratado,em abril desse ano, permanecendo na OSB até 1960, quando tornou-se maestro titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio. Tavares também fez carreira internacional bem-sucedida, apresentando-se na Alemanha, EUA, Portugal, Porto Rico, Chile, Colômbia, Peru, Romênia e Bulgária. Considerado o melhor intérprete da obra orquestral de Heitor Villa-Lobos, Mário Tavares, atuaria igualmente na televisão, com produções musicais para as redes Globo e Manchete. Ocupou a cadeira número 30 da Academia Brasileira de Música, cujo patrono é o compositor Alberto Nepomuceno. Mário Tavares faleceu em 5 de fevereiro de 2003, no Rio de Janeiro, aos 74 anos, de câncer, e sua presença como regente credencia, e muito, este álbum dos Violinistas de Copacabana, elogiado inclusive pela seção “Esquina sonora”, do jornal carioca “Correio da Manhã”, quando de seu lançamento,por volta de setembro de 1960. Um discão!

copacabana

serenata

meditation

cancion de mi alma

czardas

reverie

quem sabe

olhos negros

melodia in f

os barqueiros do volga

* Texto de Samuel Machado Filho

Luis Vagner – Pelo Amor do Povo Novo (1982)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Seguimos aqui, na fase ‘sempre que possível’, hoje trazendo um artista que até o momento ainda não teve a sua vez no Toque Musical, o gaúcho Luis Vagner. Um artista que está na estrada não é de hoje. Fez parte dos grupos Os Brasas e Os Diagonais no final dos anos 60. Tocou com diversos artistas e participou de muitos discos até chegar nos anos 70 onde seguiu carreira solo gravando uma dezena de discos. Sua música sempre teve uma influência de ritmos como o reggae, samba, rock e soul, ou ainda, black music. Ao lado de Bebeto, Tim Maia, Cassiano, Jorge Benjor e outros, é considerado um dos expoentes do estilo ‘sambarock’.
Neste lp, de 1982, o quinto de sua carreira, ele nos traz onze, sendo dez autorais e apenas uma, “Crioulo glorificado”, de Jorge Ben(jor), música esta, por sinal que ele defendeu no Festival MPB Shell. Coisa curiosa é saber que Luiz Vagner também foi jogador de futebol profissional e internacional! Jogou, já na casa dos 40 anos, em um time da terceira divisão, na França. O cara é fera mesmo 🙂

papai chegou, mamãe
oia iaia o seu ioio
crioulo glorificado
duro, sem love, sem nada
crioular
anjo
vitória de amar
lava a alma
gostosa
minha alma pura
tomazo menino mestiço
.

Wanderley Cardoso (1972)

Hoje, o Toque Musical tem a satisfação de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum gravado por Wanderley Cardoso.  Desta vez, é o LP que ele gravou em 1972, sem título, pela Copacabana, marca onde se consagrou e fez a maior parte de seus trabalhos em disco, muitos deles bem-sucedidos, como este. Mesmo com o término da Jovem Guarda, em 1968, Wanderley Cardoso conseguiu se manter num patamar de grande popularidade, sendo cadeira cativa em praticamente todos os programas de auditório da televisão nos anos 1970/80 (Sílvio Santos, Bolinha, Chacrinha, Raul Gil, “Almoço com as estrelas”, “Clube dos Artistas”…), além de ser maciçamente executado em programas das rádios populares de AM (o FM ainda engatinhava no Brasil).  E ele estava em plena forma quando gravou o álbum que o TM apresenta hoje.  Com produção e seleção musical de Reynaldo Rayol (irmão de Agnaldo Rayol), e a supervisão de outro “cobra”, Léo Peracchi,  este trabalho foi gravado em São Paulo, nos Estúdios Reunidos, que ficavam no Edifício Casper Líbero, na Avenida Paulista.  Abrindo o disco, uma composição de José Augusto, “Quem nega a luz na sombra vai morrer”, mais tarde regravada pelo próprio autor, que  ainda é responsável por outras duas faixas, “A sombra do passado” e “Quero ver um rosto amigo”. Outro compositor de prestígio, Nenéo, assina  “E vou dizer adeus mais uma vez” e “Chove solidão dentro de mim”. O lado compositor de “Wandeco” é mostrado em “Vai embora” e “Minha musa”,  parcerias dele com Beto.  O produtor, Reynaldo Rayol, assina em parceria com Rossini Pinto, fértil compositor e versionista da Jovem Guarda,  “Meu erro”.  Rossini ainda é responsável pelos dois maiores sucessos desse álbum de Wanderley Cardoso, “Vem ficar comigo” (parceria com Antônio Carlos) e a versão “Fale baixinho (Speak softly love)”, tema principal do filme norte-americano “O poderoso chefão (The godfather)”, de Francis Ford Coppola, estrelado por Marlon Brando e grande êxito de bilheteria na época. Roberto Corrêa (dos Golden Boys) e Jon Lemos contribuíram com a música “Haja o que houver”, e, completando este trabalho, temos “Enquanto houver saudade”, concebida por Bebeto e Solange Corrêa.  E a curiosidade fica por conta da presença do maestro Zezinho, que durante anos pertenceu ao estafe de Sílvio Santos, como arranjador em quatro das doze faixas do disco, as oito restantes ficando por conta de Clélio de Britto Ribeiro. Tudo isso fazendo deste álbum de Wanderley Cardoso um dos melhores por ele gravados, fazendo nos voltar a um tempo em que certamente podíamos cantar mais e melhor. Quem viveu essa época terá por certo momentos de feliz reminiscência, e quem só chegou depois poderá conhecer e também desfrutar de momentos agradáveis. Divirtam-se!

quem nega luz na sombra vai morrer

vem ficar comigo

haja o que houver

a sombra do passado

meu erro

fale baixinho

chove solidão dentro de mim

enquanto houver saudade

minha musa

quero ver um rosto amigo

vai embora

e vou dizer adeus mais uma vez

* Texto de Samuel Machado Filho

 

Cyro Monteiro – Meu Samba Minha Vida (1969)

Bom dia, meus prezados amigos cultos e ocultos! Enquanto espero o café, aproveito para ir logo fazendo esta postagem, pois se não o fizer agora, não sei se terei tempo depois. Trago hoje para vocês o grande Cyro Monteiro, figura que aqui já dispensa maiores comentários. Temos aqui um dos seus lps, lançado em 1969, “Meu samba, minha vida”. este disco, conforme nos informa Ismael Corrêa no texto de contracapa, foi produzido em dois momentos e possivelmente teria saído um ano antes. Infelizmente, na época (1968) faleceu o regente e orquestrado do disco, o fenomenal trombonista Astor Silva, deixando as gravações pela metade. O disco até então contava, além do próprio Astor na direção musical e trombone, com Canhoto e seu regional, Orlando Silveira e um bom grupo de ritmistas. Ao ser retomado, no ano seguinte, Cyro Monteiro contou com a participação também de Chiquinho do Acordeon e o côro da turma do Joab, mantendo assim a mesma ‘viber’ do início.
No repertório temos doze sambas na medida do intérprete, incluindo entre esses duas composições de sua autoria. Disco bacana, confiram aí…

saquinho de dinheiro
tristezas não pagam dívidas
decisão
saudade dela
moreninha boa
regra do sei lá
deus me perdoe
são paulo
cara ou corôa
rosa mandou
jambete
como a vida é
.

Compactos – Nerinho Silva (1967) – Noel Carlos (1970) – Rubem Gerardi (1970) – Nilza Pelegrino, Maria Aparecida e Carmem Vilar (1963)

E aí vai, para os amigos cultos, ocultos e associados do nosso Toque Musical, mais um lote de compactos, tipo da postagem sempre bem acolhida por vocês. Hoje temos quatro raríssimos tesouros de sete polegadas, para a alegria dos colecionadores.Pra começar, um compacto duplo do selo Guarani, que pertencia à editora musical Mangione, sem ano exato de lançamento conhecido e de cunho carnavalesco. Aqui, temos intérpretes não lá muito famosas, porém com ótimas qualidades vocais. No lado A, Nilza Pelegrino interpreta duas composições de Moacyr Garrafa, a marcha-rancho “Lembranças do passado” e o samba “Crueldade”, esta de parceria com Roberto Ybraim. No lado B, temos Maria Aparecida interpretando o samba “Pesadelo”, de Talvi Villaró, Vicente Rodrigues e Oswaldo Mendes, e, para encerrar, Cármen Vilar nos traz a marchinha “O embalo”, também de Talvi Villaró, desta vez sem parceiro. Carioca de Vila Isabel, Nerino (Teodoro da) Silva (1920-1979) radicou-se em São Paulo, estreando em disco pela RGE, em 1957, passando depois por várias outras companhias. Aqui o TM oferece um compacto simples da RCA Victor de 1967, no qual ele interpreta dois clássicos de nossa música popular:  de um lado, o samba “Laranja madura”, do mestre Ataulfo Alves, e, de outro, “Súplica cearense”, originalmente toada-baião e aqui samba-canção, de autoria de Gordurinha e Nelinho (no selo aparece como parceiro um certo Manoel Ávila Peixoto). As duas faixas apareceram mais tarde no LP “Deixe comigo”, que encerra justamente com “Súplica cearense” e é considerado o trabalho mais conhecido de Nerino Silva em disco. Em seguida, mais carnaval, agora com Noel Carlos, apresentando um single Copacabana de 1970, para a folia de 71. Ele canta duas marchinhas que fez em parceria com João Roberto Kelly e Elzo Augusto, “Meu bem, sai da fossa (Tobogã)” e “Deixa pro ano que vem (Neném)”. Para encerrar, Rubem Gerardi em mais um single da Copacabana para o carnaval de 1971, interpretando dois sambas, “Os galhos da velha mangueira”, de Djalma da Mangueira e Orlando Gazzaneo, e “Trata da sua vida”, do próprio Gerardi em parceria com F. Conceição e A. Pereira.  Autênticos e raros tesouros musicais que o TM possui a satisfação de oferecer a vocês. Aproveitem

lembrança do passado – nilza pelegrino
crueldade – nilza pelegrino
pesadelo – maria aparecida
o embalo – carmem vilar
súplica cearense – nerino silva
laranja madura – nerino silva
deixa pro ano que vem – noel carlos
meu bem sai da fossa – noel carlos
os galhos da velha mangueira – rubem gerardi
trata da sua vida – rubem gerardi
*Texto de Samuel Machado Filho
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Compactos – Giane (1965) – Silvana (1973)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados!  O TM oferece hoje mais uma seleção de compactos, dessas que tanto têm agradado a vocês. Esses dois tesouros de sete polegadas que hoje lhes oferecemos foram lançados nas décadas de 1960 e 70, e trazem um repertório essencialmente romântico. O mais antigo item de nossa seleção é o compacto simples de Giane (Georgina Morozine dos Santos), uma das precursoras da Jovem Guarda. Paulista de Bebedouro, ela se mudou ainda pequena para Jaboticabal, passando a infância entre essa cidade e Ribeirão Preto, onde começou sua carreira, na TV Tupi, Canal 3, atuando também como crooner da orquestra de Jaboticabal. Seu primeiro disco, em 78 rpm, foi lançado pela Chantecler em fevereiro de 1962, apresentando o samba médio “Quero ver” e o bolero “Por acaso”. É responsável por sucessos inesquecíveis, tais como “Dominique”, “Angelita”, “Não saberás”, “Olhos tristes” (com participação especial de Barros de Alencar), “Saudade que não foi sequer saudade”, etc. Recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua carreira, como o Troféu Chico Viola, em 1964, e, um ano depois, o Roquette Pinto de melhor cantora. O TM oferece um single de Giane lançado pela Chantecler por volta de junho de 1964. De um lado, “Preste atenção (Fais attention)”, versão de Paulo Queiroz para uma balada romântica de origem francesa, que no entanto faria mais sucesso na voz de Wanderley Cardoso, sendo por sinal o primeiro grande hit do cantor. No lado B, o divertido twist “Eu não posso namorar”, de Geraldo Nunes e Roberto Muniz, com um coral à la pato Donald simplesmente hilariante. Ambas as faixas apareceriam depois no segundo LP de Giane, lançado em março de 1965. Por outro, temos o compacto duplo de Silvana (Terezinha Almeida de Oliveira, Campos, RJ, 8/7/1941). Responsável por hits como “Amor, fonte da vida”, “Espinhos da saudade”, “Novilheiro  e “Pombinha branca”, formou uma bem-sucedida dupla com Rinaldo Calheiros interpretando tangos (“Cantando”, “Onde estás, coração?”, “Amor”…). Foi casada com o também cantor Marco Aurélio, já falecido, e igualmente gravaram músicas em dupla. Aqui, um compacto duplo Copacabana de 1973, no qual ela interpreta “Se tem que ser adeus… adeus”, de César e Cirus, lançada no ano anterior por Waldik Soriano, “Nunca mais eu te esqueci”, de Almir Rogério, aquele do “Fuscão preto”, em parceria com Jean Pierre, “Você é muito importante em minha vida”, composição de Cláudio Fontana, e “Avenida do amor”, de Carlos Bonani.  Enfim, uma seleção com repertório flagrantemente popular, apresentando letras simples e diretas, músicas como não se fazem mais atualmente. Confiram…

*Texto de Samuel Machado Filho

preste atenção – giane
eu não posso namorar – giane
se tem que ser adeus… adeus – silvana
nunca mais eu te esqueci – silvana
você é muito importante em minha vida – silvana
avenida do amor – silvana
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Almir Ribeiro – Onde Estou? (1958)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos. Para a minha felicidade e a de vocês também, tenho contado com a colaboração do já conhecido de todos, Samuel Machado Filho, o Samuca, figura que tem ajudado a abrilhantar o Toque Musical com seus preciosos textos, sempre bem detalhados e esclarecedores. Ele estará aqui revezando as postagens comigo nas próximas semanas.
Hoje eu trago Almir Ribeiro, um jovem cantor que teve uma carreira curta. Faleceu vítima de afogamento em Punta Del Este, no Uruguai. Ele era uma revelação e considerado uma grande promessa na música popular. Gravou  algumas coisas em 78 rpm e um 10 polegadas, já publicado aqui no TM. Agora eu volto com este lp de 12 polegas, uma coletânea, um disco póstumo, lançado no mesmo ano de sua morte, 1958, pela Copacabana. Neste lp vamos encontrar um repertório com temas onde podemos destacar duas músicas de Tom Jobim, uma em parceria com Vinicius de Moraes, “Se todos fossem iguais a você” e “Foi a noite”, em parceria com Newton Mendonça. Há por certo outras tantas pérolas, mas deixo que os amigos mesmo as descubram. Divirtam-se

onde estou?
canção do mar
pezinho pra frente
because
laura
pra bem longe de ti
tarde demais para esquecer
foi a noite
contra-senso
amar outra vez
se todos fossem iguais a você
no meio da noite
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Elizeth Cardoso – Elizeth Interpreta Vinícius (1963)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Vamos nesta manhã de sexta feira trazendo um clássico da mpb. Temos aqui a grande Elizeth Cardoso interpretando músicas de Vinícius de Moraes e seus parceiros, em disco original lançado pela Copacabana em 1963. Embora o disco não traga nenhuma informação técnico-artística se sabe que  essas gravações contaram com a regência e arranjos do maestro Moacir Santos, com participações de Baden Powell, Vadico, Nilo Queiroz e o próprio Vinicius de Moraes.
Este lp voltaria (claro!) a ser reeditado no final dos anos 60 com uma outra capa e posteriormente em versão cd, até chegar no mp3, versão a qual os amigos já podem desfrutar não é de hoje, O Toque Musical só veio para colaborar nesse compartilhamento 😉

mulher carioca
pela luz dos olhos teus
sempre a esperar
menino traveso
consolação
triste de quem
se você disser que sim
ai quem ama
lembre-se
valsa sem nome
canção do amor ausente
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Olga Praguer Coelho – Canta (1955)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu tenho para vocês um disco dos mais interessantes e a presença de uma das nossas mais importantes cantoras brasileiras, Olga Praguer Coelho. Certamente, a grande maioria do publico, mesmo hoje em dia, deve desconhecer o nome desta artista, de fama internacional. Como disse bem o nosso colaborador e companheiro, Samuel Machado Filho, Olga pertence a gloriosa dinastia das cantoras-folcloristas. Violonista, soprano e intérprete de canções folclóricas, não apenas brasileiras. Cantora de formação lírica, fez sucesso em salas e palcos pelo mundo. Mudou-se para os Estados Unidos, onde morou por muitos anos. Foi casada com o poeta Gaspar Coelho, de quem herdou o sobrenome, mas sua história de amor foi com o violonista Andrés Segovia, com quem viveu por mais de 20 anos. Ao que consta, ela gravou dezenas de discos em 78 rpm aqui no Brasil e no exterior. Acredito que apenas este lp de 33 rpm (e de 10 polegadas) tenha sido lançado por aqui, pelo selo Copacabana, provavelmente em 1955. Ao que consta, as músicas deste lp foram gravadas nos Estados Unidos e lançadas no disco “Olga Praguer Coelho Sings”, de 1954. É justamente este lp , que apresentamos aqui. Nele encontramos um repertório misto de árias, canções espanholas tradicionais e os nacionais, canções e macumbas.
Eis aí um disco que merece a nossa atenção. Confiram

la nana
la mulita
casinha pequenina
c’est mon ami
eu vou m’embora
estrela do céu
ojos morenicos
se florindo e fedele
frei anton
kyrie eleison
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Caco Velho E Seu Conjunto – Vida Noturna N. 1 (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Este nem parece o mês de aniversário do Toque Musical. Em outros tempos, eu numa hora dessas já estaria aqui enchendo vocês de pérolas e raridades. Mas, infelizmente, este tempo passou. Com dizem por aí, a cada hora piora. Realmente, parece que tudo está piorando nessa nossa vida e consequentemente isso afeta também ao autor aqui das produções. Por favor não me culpem. O Judas da vez é a Dilma. Tudo culpa da Dilma. (quando a gente não encontra um responsável pela merda, o negócio é passar a bola pra Dilma, agora é moda). Porém, antes que culpem a mim, também, vou logo dar um jeito aqui e retomar as postagens…
Em nova postagem, trago para hoje o Caco Velho e seu Conjunto, no seu primeiro lp de 12 polegadas, lançado pela gravadora Copacabana, em 1958. Desta vez, temos o lp integralmente, com capa e selo, conforme manda o figurino do Toque Musical. Este disco, conforme se pode ler no texto da contracapa nos traz dois momentos. O lado A temos o Caco Velho e seu conjunto em gravação de estúdio. O lado B é uma gravação ‘ao vivo’, um registro do artista (com Hervé Cordovil ao piano) em apresentação na boate Delval Bar, uma das famosas casas noturnas de São Paulo nos anos 50. Eis aí um disco raro que vale a pena ver e ouvir de novo.

botinha estranha
não consigo entender
adoro a dora
silêncio
minueto
teu olhar
caco velho
nêga
minha candidatura
mulher infernal
se acaso você chegasse
vegeto sem mulher
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Angela Maria E Orquestra (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Há tempos atrás alguém me pediu para postar aqui discos da Angela Maria. Naquele momento eu achei por bem não postar devido ao fato de que a sua discografia havia sido reeditada. Ao que eu entendi, todos os seus discos, ou músicas, foram relançados em cd, mais exatamente os das décadas de 50 e 60. Não creio que tenham sido relançados todos, até porque, comercialmente, para as editoras, um investimento desse lhe traria prejuízo, mesmo sendo a Angela Maria. Há lançamentos musicais que se tornam clássicos os álbuns, em outros, apenas a faixa. Daí é que as gravadoras preferem, nesse último caso, lançar coletâneas. Comercialmente elas tem mais saída.
Neste álbum, lançado pela Copacabana, em 1958, vamos encontrar a Sapoti desfilando sambas, boleros e outros gêneros tão comuns na época, acompanhada pela orquestra da casa. Creio que quase todas as faixas deste disco foram antes lançadas em discos no formato 78 rpm. O álbum, ao que consta teve uma reedição nos anos 70, pelo selo Som.

ontem e hoje
pretexto
flor de madrid
maria do cais
bicha coirana
tédio
voltei
intenção
apaixonada
oração triste
papai mamãe e eu
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Ronald Golias – Carnaval Copacabana 68 (1968)

Amigos foliões, aqui vai mais um disco de carnaval. Para fechar as publicações carnavalescas temos para esta terça feira um compacto. É, um compacto é mais fácil e rápido de se postar. Já tô atrasado para a farra na rua… segue então este curioso compacto lançado pelo selo Copacabana para o Carnaval de 1968. Temos aqui como intérprete o humorista Ronald Golias no auge da sua carreira, na época do popular programa de TV, a impagável, Família Trapo, lembram? No disquinho Golias nos traz duas marchinhas, “Noite de amor”, de Zé Ketti e Randal Juliano e “A Familia Trapo”, composição do próprio humorista e Homero Ferreira.
Dou por encerradas as postagens de Carnaval. Ano que vem tem mais! Boa terça de festa para todos!

noite de amor
família trapo
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Silvio Brito – Panorama Mundial (1982)

Um artista personalíssimo, dono de um estilo inconfundível. Assim é Sílvio Brito, cujo álbum de 1982 o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Nascido na cidade mineira de Três Pontas (onde, por coincidência, o carioca Mílton Nascimento se criou), no dia 10 de fevereiro de 1952, Sílvio Ferreira de Brito mudou-se com a família para Varginha, outra cidade mineira, seis meses depois de nascido.  Órfão de pai aos dois anos, trabalhou na infância como engraxate, office-boy e balconista. Aos seis anos de idade, bem cedo, começou a cantar, participando do programa “Petizada alegre”, da Rádio Clube de Varginha. Gravou seu primeiro disco aos dez anos de idade, em Belo Horizonte, interpretando o clássico country “Jambalaya”,de Hank Williams. Participou de dezenas de programas de rádio e televisão no Rio de Janeiro e de São Paulo, entre eles os de César de Alencar, Paulo Gracindo e Manoel Barcellos, na Rádio Nacional carioca, e, na TV, os de Ayrton Rodrigues (“Almoço com as estrelas”), Jair de Taumaturgo e Júlio Rosenberg, apresentando-se por todo o Brasil.  Em 1962,foi contratado pela TV Nacional de Brasília (hoje TV Brasil), onde apresentou um programa infantil.  Compôs sua primeira música aos doze anos, quando já tocava trombone e saxofone na banda do colégio em que estudava, logo começando a tocar piano e violão nas festas escolares. Nessa época,  Sílvio Brito amargou o primeiro desemprego, ao ser demitido da TV Nacional por razões políticas. Aos 15 anos, formou seu primeiro conjunto, Os Apaches, que gravou dois LPs interpretando hits da época, tais como “Sonho de amor”, “See you in september”, “E por isso estou aqui”, etc. Ainda adolescente, passou a compor músicas gravadas por cantores como Ronnie Von, Antônio Marcos e Vanusa. Depois de oito anos nos Apaches, Sílvio Brito mudou-se para São Paulo, onde começou sua carreira-solo fazendo arranjos para discos católicos na gravadora das Edições Paulinas, e em seguida passou-se para a Continental,onde grava, em 1971,um compacto simples com as músicas “Vou pra nunca mais te ver” (de sua autoria) e “Eu amei, eu te amo, eu sempre te amarei” (de Silfrancis e Jean Garfunkel). Aos 21 anos, foi residir em Nova York, onde trabalhou como lavador de pratos em uma lanchonete, mas logo voltou ao Brasil. Em 1974,o Brasil inteiro passou a conhecer Sílvio Brito através de seu primeiro grande sucesso: “Tá todo mundo louco”, cujo início (“Esta música foi feita num momento de decisão”…) é uma paródia de “Ouro de tolo”, então hit de Raul Seixas (que inclusive o cita carinhosamente em seu livro autobiográfico como o único que fazia seu estilo musical). Lançada em compacto simples pela Chantecler (já então coligada da Continental), a música foi uma coqueluche em todo o Brasil, dando a Sílvio Brito o Troféu Buzina do Chacrinha de revelação do ano.Um ano mais tarde, veio o primeiro LP, “Vendendo grilo”, que abre com outro sucesso estrondoso: “Espelho mágico” (‘Espelho meu, espelho meu / Diga se no mundo existe alguém /mais louco do que eu”), na mesma linha “louca e inteligente” que passou a ser sua marca registrada. Quando Sílvio foi fazer show em um hospício, por exemplo, os pacientes cantaram a música em coro junto com ele!  Nessa época, apresentou,por pouco tempo, o programa “Hallelujah (Aleluia)”, na  extinta TV Tupi, ao lado de Fábio Júnior, então em princípio de carreira.  Participou de praticamente todos os programas de auditório da televisão brasileira dos anos 1970/80, sempre recebido com carinho por seus apresentadores.  Outros hits conhecidos de Sílvio são “Pare o mundo que eu quero descer” (“Tem que pagar pra nascer, tem que pagar pra viver, tem que pagar pra morrer”), a canção sertaneja “Casinha”, de S. Rodrigues, “Por um beijo seu”, “Tubo maluco” e “Filho da corrente”.  Foi um dos campeões do quadro “Qual é a música?”, do “Programa Sílvio Santos”, tendo o segundo maior número de vitórias consecutivas , só perdendo para Ronnie Von. Também dedicou-se à canção religiosa de cunho católico, produzindo e arranjando diversos álbuns do Padre Zezinho, seu amigo pessoal. Nessa área, fez sucesso com músicas como “Terra dos meus sonhos”, “Uma luz” e uma regravação de “Utopia”, do Padre Zezinho. Em toda a sua carreira, Sílvio Brito teve três milhões e meio de discos vendidos, tendo recebido quatro discos de ouro. Apresentou-se também no exterior, em países como EUA, Espanha, Itália, Alemanha, Uruguai, Argentina,Egito, Israel  e, principalmente, Portugal.  Gravou mais de 30 discos, a maior parte deles independente da mídia e de grandes esquemas promocionais. Seus shows sempre atraíram milhões de pessoas,e sempre foram considerados os mais completos e emocionantes. Apresentou durante anos o primeiro programa musical da Rede Vida de Televisão, “Sílvio Brito Show – Todas as caras”, e hoje tem, na mesma emissora, o “Sílvio Brito em família”, onde recebe convidados num ambiente intimista, ao lado da mulher e das filhas,com a participação do maestro Maurílio Marques Kobel.  Este “Panorama mundial”, que o TM oferece hoje, é o quinto álbum-solo de Sílvio Brito. Lançado em 1982 pela extinta  Copacabana, é um trabalho inovador, em que Sílvio se mostra bastante eclético, expressando seu lado regional, irreverente, romântico e místico.  Com produção de Jorge Gambier, e arranjos de Waldemiro Lemke, Eduardo Assad e do acordeonista Sivuca, teve até mesmo a participação especial de Tonico e Tinoco! Com um repertório impecável (que inclui até mesmo uma canção infantil, “Natal do Tio Patinhas”), é por certo merecedor de toda a atenção. Vale a pena ouvir!

do jeito queo diabo gosta
quem gorverna a dor
quando me olho no espelho
me toque uma canção dos beatles
tudo azul
se você voltasse agora
flores de plástico
zé bento
santa catarina
terra santa
conflitos
natal do tio patinhas

 

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Maysa (1969)

Sem sombra de dúvida, Maysa Figueira Monjardim (1936-1977) foi uma figura singular na história da música popular brasileira. E, como tal, teve uma vida atribulada, como bem frisado na resenha da edição do Grand Record Brazil que lhe dedicamos. Seu estilo singular de composição e interpretação, que a fez um dos maiores nomes da canção intimista,  influenciou ao menos meia dúzia de músicos de sua geração, e principalmente os que surgiram muito depois dela, tais como Ângela Rô Rô, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Simone e até mesmo Cazuza e Renato Russo. Em 1969, após residir por cinco anos na Espanha, Maysa  retornou definitivamente ao Brasil, bem mais magra,animada e alegre. Dizia ter perdido não quilos mas litros, em inúmeras clínicas de emagrecimento. É desse ano o álbum que o Toque Musical apresenta a hoje a seus amigos cultos,ocultos e associados. Mas, como ela mesma escreveu na contracapa, “eu nunca parti. Eu fui ali e já vim. Eu nunca parti. Eu só reparti. Só não reparti partidas. E nem sempre quem reparte fica com a melhor parte. Eu por exemplo fiquei com o pior. Fiquei com as saudades de vocês”. E não gostava da palavra “volta”.  Quem está na foto da capa com ela é o filho Jayme Monjardim, mais tarde talentoso diretor de programas de televisão, em especial novelas e minisséries (como a que focalizou a própria mãe, na Globo, em que Larissa Maciel a encarnou à perfeição). Gravado na extinta Copacabana, este disco, o décimo-quinto álbum de carreira, mostra uma Maysa bastante afinada com as manifestações musicais que ocorriam à sua volta.  Tanto que os acompanhamentos foram entregues a músicos de extrema competência e bastante conceituados, Antônio Adolfo e Egberto Gismonti, além dos então já veteranos Lindolfo Gaya e Severino Filho. São doze músicas de compositores que ainda iniciavam sua trajetória na MPB e eram ainda pouco conhecidos, mas que iriam se consagrar com o tempo. O próprio Antônio Adolfo assina três faixas em parceria com Tibério Gaspar: “Rosa branca”, “Tema triste” e “Você nem viu”.O irmão de Antônio Adolfo, Ruy Maurity (responsável por hits como “Serafim e seus filhos” e “Nem ouro nem prata”) assina,em parceria com José Jorge, “Estranho mundo feliz” (que parece ser obra da própria Maysa, dada sua personalíssima interpretação) e “Quebranto”. Egberto Gismonti  (que mais tarde faria bem-sucedida carreira internacional) vem com “Um dia” e “Indí”, esta em parceria com Arnoldo Medeiros, cujas letras, sensíveis e muito singelas, chegam a abordar elementos da natureza, o que iria caracterizar a obra de Gismonti futuramente. A faixa de abertura, “Pra quem não quiser ouvir meu canto”, é de César Roldão Vieira”, nome que então começava a se destacar em festivais de MPB.  O recém-falecido Nonato Buzar assina “Canto de fé”, em parceria com Willian Prado, Paulinho Tapajós vem com “Catavento”, que fez com Arthur Verocai, e Durval Ferreira comparece com “Eu e o tempo”, parceria com Flávia,que também assina “Imensamente”, junto com Hedya. O resultado disso tudo é um dos trabalhos mais delicados e modernos de toda a carreira de Maysa, verdadeiro achado em sua discografia, com sua sonoridade suave e sofisticada. Um trabalho irretocável de ponta a ponta, da primeira à última faixa, sendo impossível não se encantar. E, como ela mesma escreveu na contracapa, “agora, muito simplesmente, eu quero pedir a vocês que me ouçam”…

pra quem não quiser ouvir meu canto
estranho mundo feliz
catavento
rosa branca
tema triste
eu e o tempo
um dia
imensamente
canto de fé
indi
quebranto
você nem viu

* Texto de Samuel Machado Filho