Luiz Loy Quinteto (1966)

Uma das grandes perdas da música popular brasileira neste ano de 2017 foi a do pianista e acordeonista Luiz Loy. Ele faleceu no dia 24 de maio passado, aos 78 anos, fato que poucos órgãos de imprensa noticiaram. Uma pena, porque Luiz Loy foi um músico notável, com larga folha de serviços prestados à nossa música. Ele nasceu em São Paulo, em julho de 1938, tendo na pia batismal o nome de Luiz Machado Pereira, e a música sempre existiu em sua vida. Aos 13 anos de idade, já participava de audições cantando músicas de Luiz Gonzaga, evidentemente acompanhando-se ao acordeom. Profissionalmente, começou sua carreira como integrante do regional do clarinetista Siles, contratado pela PRF-3, TV Tupi. Atuava na extensa programação musical da emissora e também em shows, que aconteciam a cada inauguração de retransmissoras da Tupi em cidades do interior de São Paulo (Batatais, Ribeirão Preto, Franca), e ainda na capital paranaense, Curitiba. Luiz Loy trabalhou ainda na noite paulistana, como músico free-lancer de grupos como o de Mário Augusto e do maestro Francisco Dorce. Isso o afastou da televisão por algum tempo e, em 1960, quando foi novamente contratado pela Tupi, Luiz Loy já tinha seu próprio conjunto. Em 1962/63 atuou na TV Excelsior e no Jardim de Inverno Fasano. Em 1964, fez temporada artística na Argentina, apresentando-se no Cassino  Internacional, de Mar del Plata, e no Canal 13 de Buenos Aires.  De volta ao Brasil, em 1965, Luiz Loy é contratado pela TV Record de São Paulo, então a emissora dos grandes programas musicais, onde permaneceria até 1970. Lá, estreou seu famoso quinteto, formado por ele mesmo ao piano, Papudinho ao pistom, Mazzola ao saxofone, Bandeira ao contrabaixo e Zinho à bateria. O grupo participou, em 1966, da gravação ao vivo do segundo LP da série “Dois na bossa”, com Elis Regina e Jair Rodrigues. Luiz Loy ainda apresentou-se, como free-lancer,  novamente na TV Excelsior, na TUPRO Artel de Buenos Aires, na TV Rio, Canal 13, no evento Profissionais do Ano, promovido pela TV Globo para premiar os melhores da publicidade, e na Teleonce Universidad, de Santiago do Chile. Fez cursos de arranjo e regência na Academia Paulista de Música, ampliando cada vez mais sua atuação.  Nos últimos anos de sua vida, apresentou-se com seu grupo, já como trio, em bailes e eventos nos principais grandes clubes da capital paulista, sempre conquistando, merecidamente, o aplauso e o carinho do público. Luiz Loy deixou ainda, com seu conjunto, quatro LPs gravados, dois deles com seu quinteto. E é justamente o primeiro deles, “Luiz Loy Quinteto”, lançado em 1966 pela RGE, que o TM oferece com a grata satisfação de sempre a seus amigos cultos e ocultos. Produzido por um verdadeiro “cobra”, Manoel Barembeim, sob a direção artística de Júlio Nagib, o disco é credenciado principalmente por sua contracapa, na qual é recomendado por grandes nomes da MPB na época, todos então colegas de Luiz Loy na TV Record:  Elis Regina, Agnaldo Rayol, Elza Soares, Wilson Simonal e Elizeth Cardoso. No repertório, figuram basicamente sucessos da MPB na época, a começar pela primeira faixa, “Upa, neguinho”, então uma coqueluche na voz de Elis Regina. Temos ainda “Tristeza que se foi”, “Tem mais samba”, “Flor da manhã”, ‘Estamos aí”, entre outras, assinadas por grandes compositores da época, tipo Edu Lobo, Chico Buarque, Durval Ferreira, Gilberto Gil, Adílson Godoy… Com direito até a uma faixa no estilo jequibau, ritmo criado pelos maestros Mário Albanese e Cyro Pereira, e a  apenas uma música de origem internacional, o standard norte-americano “Fly me to the moon”. Tudo isso com a competência e o balanço do Quinteto de Luiz Loy, um músico para se ouvir e dançar, cuja performance, tanto dele quanto a dos demais integrantes de seu conjunto, eram sempre bastante apreciados. A presente postagem é, também, uma merecida homenagem póstuma do TM àquele que foi um dos maiores músicos que o Brasil já teve. A conferir, sem falta…

upa negrinho

nosso amor existe

clichê

tristeza que se foi

mais samba

deixa prá lá

estamos aí

brinquedo sim

fly me to the moon

flor da manhã

no balanço do jequibau

chora céu

*Texto de Samuel Machado Filho

George Freedman – Multiplication (1962)

O TM traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados mais uma preciosidade da fase pré-Jovem Guarda: o primeiro LP do cantor George Freedman, que mais tarde integrou-se ao movimento. Ele nasceu em Berlim, na Alemanha, em 7 de agosto de 1940, filho de pai alemão e mãe brasileira. Iniciou sua carreira no final dos anos 1950, interpretando rocks, a maior parte versões de hits internacionais do gênero. Em 1959 lançou seu primeiro disco, pela Califórnia, gravadora que pertencia ao cantor e compositor Mário Vieira, um 78 rpm interpretando “Leninha”, de sua autoria, e “Hey, little baby”, de Steve Rowlands em versão de Fred Jorge. Um ano mais tarde, em seu segundo 78, lançado pela Polydor em junho de 1960, consegue seus primeiros grandes sucessos, “O tempo e o mar” e “Olhos cor do céu (Pretty blue eyes)”. Nessa época, apresentava-se com frequência nos programas de televisão destinados ao público jovem, como o “Ritmos para a juventude”, de Antônio  Aguillar, na TV Paulista, hoje Globo, e cantava na boate Lancaster, de São Paulo, acompanhado pelo conjunto The Rebels. Entre seus maiores sucessos estão: “Adivinhão”, “O madison”, “Um grande amor”, “Tudo que sinto por você”, “Coisinha estúpida” (talvez o maior deles), “Quando me enamoro”, “Meu tipo de garota”, “Eu hei de seguir”, “Correio sentimental” e “Eu te amo, tu me amas”, esta última em dueto com Waldirene. Em 1972, George Freedman abandonou os meios musicais, passando a trabalhar no setor imobiliário. Mas, em 1995, voltou a se apresentar artisticamente, participando das comemorações dos trinta anos da Jovem Guarda, e em 2013 lançou nas redes sociais a música “Século 21”. Após sofrer cinco AVCs, o cantor passou a residir no Guarujá, litoral paulista. George Freedman tem, em sua discografia, vários compactos e apenas dois LPs. E é justamente o primeiro deles, “Multiplication”, lançado pela RGE em dezembro de 1962, que o TM está oferecendo a vocês, com a satisfação e a alegria de sempre. Muito bem apoiado por arranjos e regências do uruguaio Rúben Pérez, o Pocho, e com eficiente produção do já citado Antônio Aguillar, o cantor nos oferece  doze faixas do mais puro rock and roll daqueles tempos, seja em versões (“O jato”, “Não brinque, Sally”, “Meu carrinho”, “Um beijinho só”, “O meu anjo”, “Canção do casamento”) ou cantando na língua original (a própria faixa-título e de abertura, “Multiplication”, então hit de Bobby Darin, o clássico country “Jambalaya”, “Good luck charm”, “Town without pity”, “When the saints come twistin”). Completando o programa, um trabalho original de Baby Santiago e Nat Santos, “Lurdinha”.  Enfim, um disco bem “pra cima”, que vai agradar não só aos que viveram esse tempo como também aos que só chegaram depois. Preparem a cuba libre, tirem os móveis da sala e divirtam-se!

multiplication

não brinque sally

good luck charm

meu anjo

jambalaya

o jato

meu carrinho

um beijinho só

lurdinha

town without pity

canção do casamento

when the saints come twistin’

*Texto de Samuel Machado Filho

Zimbo Trio + Cordas – É Tempo De Samba (1967)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM hoje oferece a vocês mais um álbum da extensa discografia do Zimbo Trio. Formado em março de 1964, em São Paulo, era originalmente formado por Luís Chaves Oliveira da Paz (contrabaixo) – que curiosamente iniciou sua carreira na Belém do Pará de origem, como violonista de um regional -, Rubens Alberto Barsotti, o Rubinho (bateria), e Amíton Godoy (piano). O nome do grupo vem do termo afro “zimbo”, que significa boa sorte, felicidade e sucesso, além de designar uma das tantas moedas que circulavam no Brasil colonial. Em 17 de março de 1964, o trio faz sua primeira aparição em público, na boate paulistana Oásis, em show produzido por Aloysio de Oliveira, acompanhando a cantora e atriz Norma Bengell. Ainda nesse ano, seriam intérpretes da trilha musical de Rogério Duprat para o filme “Noite vazia”, de Walter Hugo Khouri, que tinha Norma Bengell no elenco. Em 1965, passam a ser acompanhadores fixos do programa “O fino da bossa”, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues na TV Record, e que marcou época na telinha brasileira. Em 1968, o Zimbo Trio participa de um histórico recital no Teatro João Caetano do Rio de Janeiro, ao lado de Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim, que resulta em dois LPs gravados ao vivo pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) carioca. Em 1973, o trio fundou, em parceria com o baterista Chumbinho (João Rodrigues Ariza), o CLAM (Centro Livre de Aprendizagem Musical), voltado para a formação musical ampla, sem barreiras entre erudito e popular. A escola formou gerações de músicos. Com a morte do contrabaixista Luís Chaves, em 2007, este é substituído por Itamar Collaço, que introduziu o baixo elétrico no Zimbo Trio. Porém, em 2010, o contrabaixo acústico volta ao trio, com a substituição de Collaço por Mário Andreotti. Nos últimos tempos, o Zimbo Trio, às vezes atuando como um quarteto , com Pércio Sápia dividindo a bateria com Rubinho Barsotti, vem apresentando um repertório autoral baseado em composições do pianista Amílton Godoy. Com 51 discos gravados em mais de meio século de carreira, o Zimbo Trio conquistou reconhecimento mundial, excursionando por países dos cinco continentes, e assim divulgando nossa melhor música instrumental. Este “´É tempo de samba”, editado pela RGE em 1967 nas versões mono e estéreo, e hoje oferecido a vocês pelo TM, vem a ser o quarto álbum de estúdio do Zimbo Trio. Desta vez, é um trabalho que vem acrescido de uma orquestra de cordas, com arranjos cuidadosamente elaborados pelo contrabaixista Luiz Chaves. No repertório, composições de autores brasileiros então em evidência, tipo Chico Buarque (“Quem te viu, quem te vê”. “Tereza tristeza”, “Tem mais samba”), Baden Powell (“Cidade vazia”, com Lula Freire, e “Olô pandeiro”, com o Poetinha Vinícius), Tom Jobim (“O amor em paz”, também com Vinícius de Moraes), Geraldo Vandré (“Arueira” e o clássico “Disparada”, imortal produto de sua parceria com Théo de Barros) e Luiz Bonfá, este com duas composições de filmes norte-americanos (ele então residia nos EUA) que ainda não estavam sendo exibidos em nossos cinemas. E tudo isso apresentado na contracapa por um entusiasmadíssimo Sérgio Porto, esse mesmo que marcou época na imprensa brasileira com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, criando tipos inesquecíveis como 0707Tia Zulmira, Rosamundo e Primo Altamirando. A boa aceitação deste trabalho motivaria, em 1969, o lançamento de um segundo volume de “Zimbo Trio + cordas”. E este primeiro comprova a qualidade artística e a versatilidade do Zimbo Trio, que fizeram do grupo uma autêntica referência na música instrumental brasileira.

anoiteceu

disparada

non stop to brazil

arueira

é tempo de samba

quem te viu e quem te vê

cidade vazia

tereza tristeza

o amor em paz

olô pandeiro

tem mais samba

the gentle rain

* Texto de Samuel Machado Filho.

Zimbo Trio + Cordas Vol. 2 (1968)

Boa tarde, meus prezados amigos cultos e ocultos! Enfim, chegamos no mês de julho. Mês de aniversário do blog Toque Musical. Neste ano estamos completando 9 anos de atividades. Por conta disso e também por outras coisas, vou fazer o possível para neste mês termos postagens diárias, como sempre foi por aqui. Para a sorte de vocês, neste mês eu estou de férias e não pretendo viajar. Consequentemente, terei todo o tempo do mundo para incrementar nossas postagens. Vamos ver se rola tudo certo.
Começando as postagens de aniversário, eu trago hoje e mais uma vez, o excelente Zimbo Trio. Aliás, é bom dizer, acho que agora tenho todos os disco do Zimbo, graças ao bom amigo Fáres, que muito tem contribuído para a nossa sobrevivência. Ao longo do tempo irei postando todos os que faltam, ok? Segue aqui o Zimbo Trio + Cordas Vol. 2, disco que deu sequência ao sucesso do primeiro, onde o trio, fornado por Luiz Chaves, Amilton Godoy e Rubinho é acompanhado por violinos, violas e celos. Eu ainda não postei o primeiro volume, mas em breve ele também estará aqui. O repertório do disco que apresento aqui é dos mais interessantes, com um bocado de músicas do Chico Buarque e de quebra ainda tem a música de Milton Nascimento, Gilberto Gil e do Adylson Godoy, irmão do Amilton. Confiram…

roda viva
até segunda feira
amor de carnaval
manhã de primavera
travessia
domingo no parque
carolina
januária
até pensei
amanhã, ninguém sabe
.

Sandra Sá – Demônio Colorido (1980)

Bom dia, meus amigos cultos e ocultos! De mais um lote de discos enviado pelo amigo Fares, eu hoje selecionei este disco da cantora e compositora Sandra Sá, hoje em dia , Sandra de Sá. Como até hoje eu nunca postei nada dela, acho bom começar pelo começo, ou seja, pelo seu primeiro disco, “Demônio Colorido”, lançado em 1980, pelo selo RGE. O nome do disco é também o nome da letra de música que ficou entre as finalistas do festival MPB 80. Uma boa estréia da artista que traz, além dessa, uma seleção de outras boas composições, tanto autorais quanto de outros artistas. Confiram

pé de meia
cavalo ferro
na mira dos seus olhos
receio de errar
bandeira
é
vinte e poucos anos
saudade vadia
essa figura
mucama
cantar
demônio colorido
.

Manfredo Fest Trio (1965)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Para fugir um pouco do programado, eu, as vezes, gosto de ter a mão alguma alternativa que venha do inesperado. Em outras palavras, embora eu já tenha uma seleção de discos predeterminados para a semana, as vezes é bom quando surge um outro, fora do contexto, fora do esperado, que dá uma bagunçada na lógica, na minha lógica de postar. Hoje eu trago algo assim. Uma colaboração dos amigos Célio e Márcio, da loja Acervos Lps, que vem conquistando espaço em Belo Horizonte para os amantes do vinil. Lojinha bacana na Savassi, com muitas variedades e preços imbatíveis (eis o segredo dos caras).
Temos aqui o excelente Manfredo Fest em trio, também formado por Heitor Gay de Faria Maris, na bateria e Mathias Mattos, no contrabaixo. O Manfredo Fest Trio foi lançado pelo selo RGE. Disco este que não consta em discografias do músico. Uma pérola da bossa jazz brasileiro, que passou meio batido, afinal era 1965, um ano sem grandes manifestações fonográficas. Não por falta de material, mas pela própria contingência da situação política no Brasil. A tomada do Poder pelos militares em 64 gerou uma espécie de paralisação cultural no ano seguinte. 1965 foi mesmo um ano inexpressivo em termos de publicações musicais. Basta ver que ao longo de todo esse tempo de Toque Musical, poucos foram os discos do ano de 65. Aliás, eu ainda não tinha visto este disco em outras fontes. Creio que aqui ele está fazendo a sua estréia 🙂
reza
quem é homem não chora
samba de verão
“m.e.” vestida de amarelo
estamos aí
você
consolação
impulso
só você
enquanto a tristeza não vem
samba de negro
o menino das laranjeiras
.

Jessé – Volume 3 (1982)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o terceiro álbum gravado por um cantor talentoso e de voz potente, que por certo deixou muitas saudades: Jessé Florentino Santos, na pia batismal. Ou simplesmente Jessé. Nosso focalizado nasceu na cidade de Niterói, litoral do Rio de Janeiro, em 25 de abril de 1952, criando-se na capital do país, Brasília. De lá, mudou-se para São Paulo, já adulto, atuando como crooner em boates. Depois, integrou os grupos Corrente de Força e Placa Luminosa (é dele o solo vocal em “Velho demais”, sucesso do Placa Luminosa em 1977), animando bailes por todo o Brasil. Chegou inclusive a gravar em inglês com o pseudônimo de Tony Stevens, obtendo sucesso com “If you could remember”. Mas foi em 1980 que Jessé revelou-se para  o grande público, ao apresentar, no festival MPB-80, da TV Globo, a música “Porto Solidão”, de Zeca Bahia e Gincko. Este foi o primeiro e maior sucesso de sua carreira, que lhe deu o prêmio de melhor intérprete do festival e tornou-se o compacto simples mais vendido daquele ano. No festival MPB Shell, de 1981, voltou a vencer como melhor intérprete, desta vez com “Estrela reticente”, também de Zeca Bahia, em parceria com Fernando Coelho Teixeira. Em 1983, venceu outro festival, desta vez internacional, o da OTI (Organización de la Televisión Ibero-Americana),realizado em Washington, capital dos EUA,  interpretando “Estrela de papel”, de sua autoria e do artista gráfico Elifas Andreato, que também abiscoitou os prêmios de melhor arranjo e melhor canção. Jessé possuía um repertório bastante diversificado, interpretando músicas próprias e de outros compositores (Chico Buarque, Guilherme Arantes, Belchior, Pablo Milanez, Mílton Nascimento, etc.). Sua discografia abrange um total de doze álbuns, entre os quais se destacam os duplos “Sobre todas as coisas” e “Um sorriso ao pé da escada”.  Mesmo não obtendo o reconhecimento da crítica especializada, Jessé prosseguiu sua carreira com muita competência e sucesso, até falecer de forma trágica e prematura, aos 40 anos, no dia 29 de março de 1993, vítima de traumatismo craniano sofrido em acidente automobilístico quando se dirigia para a cidade de Terra Rica, no Paraná, a fim de realizar um show. O álbum de Jessé que o TM oferece a vocês hoje com muita satisfação é o terceiro de sua carreira, editado em 1982 pela RGE. Um trabalho primoroso em tudo, tanto no repertório quanto no aspecto técnico e na parte gráfica, que registra um senhor trabalho de Elifas Andreato. Aqui, o saudoso cantor recorda “Chão de estrelas” (Sílvio Caldas e Orestes Barbosa) e o clássico bossanovista “Onde está você?” (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini). Também batem ponto aqui a dupla Sá e Guarabyra (“Sina de cantador”), Guilherme Arantes (“Óleo e alegria”), Chico Buarque e Francis Hime (“Canção de Pedroca”), entre outros. Destaque também para “Solidão de amigos”, de Mário Maranhão e Eunice Barbosa, pór certo o maior sucesso do disco.  Enfim, um trabalho de qualidade do inesquecível Jessé, que faz a gente sentir pena de ele ter partido tão cedo, e de forma tão trágica. Ouçam e recordem

o ilusionista

vento forte

solidão de amigos

canção de pedroca

laço apertado

óleo e alegria

um grito pelos ares

paraíso das hienas

sina de cantador

chão de estrelas

a hora é essa

onde está você

.

Paulinho Nogueira – Mais Sambas De Ontem E De Hoje (1963)

Olá amigos cultos e ocultos! A postagem de hoje estava reservada para o “Boleros em desfile N. 2”, do Altamiro Carrilho, conforme eu havia anunciado. Porém, nosso resenhista colaborador está de férias e eu é que não vou tirar o sossego do rapaz. Vamos aguardar o seu retorno. Logo ele vem com o Altamiro, ‘bolerando’ um pouco mais. 🙂
Aproveitando então a ‘deixa’, vamos para um outro disco. Saímos do bolero e caímos nos samba. No samba e na bossa do samba. Temos aqui o quarto lp de sambas do violinista Paulinho Nogueira, lançado pelo selo RGE. Este talvez seja um dos melhores lps da série, trazendo um repertório totalmente escolhido pelo artista, dando a ele total liberdade de interpretação. O álbum traz, como diz o próprio título, ‘mais sambas de ontem e de hoje’, ou seja, uma continuação de um repertório de sambas antigos e sambas modernos, na época, o novo samba bossa. Há ainda espaço para suas composições autorais. Hoje, todos são clássicos. E este disco é também um clássico. Não deixem de conferir

na cadência do samba
o coelho
o pato
foi ela
quando o menino crescer
favela
contracanto
samba em prelúdio
a mesma rosa amarela
garota de ipanema
desafinado
violão chamando
.

Simonetti – É Disco Que Eu Gosto N. 2 (1959)

A quem possa interessar… Segue aqui o prometido, o volume 2 do “É disco que eu gosto”, do maestro Enrico Simonetti com a Orquestra da RGE. Sem dúvida, um disco tão bom quanto o primeiro volume. Aliás, quando a coisa dá certo, o negócio é repetir a dose. Fizeram para este segundo volume uma seleção de repertório no mesmo nível, mesclando temas nacionais e internacionais, com ênfase no bolero. Muito bom! Se você ainda não viu esse em outras fontes, aproveita pois o tempo é limitado!

na baixa do sapateiro
piove
all the way
smoke gets in your eyes
swedish rhapsody
cai cai
madureira chorou
i’ve got you under my skin
danse avec moi
carioca
at the end
en el mar
.

Trio Cristal – Canta O Trio Cristal (1961)

O Trio Cristal surgiu em São Paulo, por volta de 1955, e seus integrantes eram paraguaios radicados em território brazuca: o maestro, arranjador e compositor Alberto Máximo Casanova, seu fundador, mais Tito Salinas e Ángel Quintana. Seu primeiro disco saiu em setembro de 1960 pela RGE de José Scatena, um 78 rpm com o bolero “Nuestro juramento” (Benito de Jesus) e a guarânia “Curuzu verá” (Américo Cabrera e Rubem de Oliveira), logo alcançando êxito, e a eles garantindo o Troféu Chico Viola, das Emissoras Unidas (Rádio e Televisão Record). As duas músicas também estão neste primeiro LP do trio. Graças à sua qualidade vocal e interpretativa, o Trio Cristal logo conquistou a simpatia,o carinho e a admiração dos brasileiros, sendo até comparado ao Trio Los Panchos (de origem mexicana). Com este álbum, que inclui até um merengue (“La pachanga”, que exigiu o reforço de um naipe de metais), um chá-chá-chá (“Botecito de vela”) e, claro, outros grandes boleros (“Encadenados”, do mexicano Agustín Lara, e “Amargo retorno”, de Julio Jaramillo,por exemplo), o grupo ficou um bom tempo nas paradas de sucesso, firmando-se como autênticos embaixadores da música paraguaia no Brasil. Depois deste primeiro álbum, claro, viria muito mais, e, ao longo dos anos, no anseio de perdurar no tempo, o Trio Cristal se caracterizou pela constante inovação de sua capacidade musical e vocal, contratando de tempos em tempos os melhores músicos e intérpretes do gênero romântico para adaptação ao tempo e renovação de repertório, tendo portanto inúmeras outras formações. Os derradeiros registros do grupo aconteceram por volta de 1980, incluindo algumas composições inéditas de seu fundador, Alberto Máximo Casanova, que registrou em seu nome a marca Trio Cristal. Mas, para o próprio Alberto, esse fato não tem lá muita importância, pois seu nome está mais do que registrado no estilo, introduções e arranjos vocais presentes em todas as gravações históricas do grupo. Portanto, eis aqui o primeiro LP do Trio Cristal, para alegria de todos os adeptos da boa música latino-americana. Ouçam e se emocionem

la pachanga
amargo retorno
interrogacion
malvada
mi loucura
nuestro juramento
en un bote de vela
encadenados
buenas noches
en mi delirio
ensueño de claro lunar
curuzu vera
*Texto de Samuel Machado Filho

 

Vários – Levanta A Poeira (1977)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Unindo o útil ao agradável (ou coisa assim), aqui venho eu trazendo para vocês a postagem desta sexta feira. Digo isso, poque estou postando hoje um disco de doação, feito pelo amigo Fáres, que gentilmente nos ofertou e eu, como prometido, fiquei de digitalizar o lp para ele. Nessas horas, todos saem ganhado. Até porque, o disco de hoje é uma interessante coletânea, com algumas faixas que vale a pena relembrar. “Levanta a poeira” foi lançado em 1977, trata-se de uma coletânea daquelas tipo ‘salada mista’, onde a gravadora junta um pouco de tudo aquilo que tem de sucesso e faz isso, um mexidão. Como podemos ver aqui, temos uma relação de músicas e artistas bem diferentes entre si, embora todos rezem da mesma missa, a música popular brasileira. Temos Geraldo Vandré, Helena de Lima, Toquinho & Vinícius, Maria Creuza e entre esses, outros nomes como Mutinho, Luiz Carlos, Clovis de Lima, Beto Scala, Diomedes e Mauro Silva, artistas que com seus fonogramas complementam esta curiosa produção. Gosto de coletâneas como esta, confusas e mal trabalhadas. Sempre rola algo que estava me faltando ouvir.
No mesmo ano de 1977 a Som Livre também lançou um disco (de samba) como título bem parecido, “Levanta Poeira”, o qual, também já foi postado aqui no Toque Musical. Pensei até que fosse continuação da saga

levanta a poeira – mauro silva e sua banda
sabendo usar, não vai faltar – luiz carlos
oi lá – mutinho e toquinho
mas que doidice – maria creuza
porta estandarte – geraldo vandré
ri – barracão – chorou, chorou – helena de lima
recado ao samba – diomedes
meu panamá – mutinho
marcha da quarta feira de cinzas – toquinho e vinícius
rosa flor – geraldo vandré
moça do cabelo cacheado – beto scala
volta por cima – clovis de lima
.

Dick Farney – Dick Farney Show (1961)

Olá vocês, amigos cultos e ocultos! Ainda hoje eu me surpreendo com pessoas que até então não conheciam o Toque Musical. Me surpreendo com a própria surpresa das pessoas, admiradas com tanta coisa boa que rola por aqui. Pois é, dizem que o que é bom dura pouco. Sei não… ou talvez, quem sabe, o TM não seja lá tão boa coisa assim. Seja como for, eu tô aqui me esforçando…
Hoje, por exemplo, vamos de Dick Farney em um belíssimo álbum lançado pela RGE em 1961. Neste lp temos o artista acompanhado pelo maestro italiano Enrico Simonetti, que foi o responsável pelos arranjos e orquestração. Um disco bem dosado e uma escolha de repertório muito equilibrada. De um lado, abrindo o disco temos seis pérolas nacionais, verdadeiros clássicos, como se pode ver logo na contracapa. Do outro lado a coisa se repete, agora com outros clássicos, ‘standard’ da música americana. Um belo trabalho e de nível internacional, não só pelos clássicos, mas pelo talento de Dick Farney somado ao trabalho primoroso desse maestro italiano, que viveu um bom tempo no Brasil, contratado pela RGE. Confiram essa pérola 😉

somos dois
uma loira
este teu olhar
perdido de amor
sem esse céu
a fonte e o teu nome
the lady is a tramp
it’s all right with me
the song is you
i concentrate on you
just one of those things
speak low
.

Germano Mathias – Em Continência Ao Samba (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Ainda temos mais dois dias para queimar até o início do próximo ano. Vou então nesta oportunidade trazendo um disco que comprei na minha última ida ao Rio de Janeiro. Com grande satisfação eu anuncio aqui este lp do sambista Germano Mathias, álbum lançado em 1958 pela RGE. Álbum bancana e traz uma capa deliciosa com o nosso artista bem a vontade em meio a uma roda de samba. Uma foto colorida que é um convite irrecusável a uma audição. Este foi o seu segundo lp e contou com o acompanhamento de Esmeraldinho e Seu Regional. Boa parte da músicas são de autoria do próprio Germano.
Eu confesso que me sinto um pouco incomodado em apresentar este álbum se deixar de citar aqui um livro dos mais interessantes sobre a vida de Germano Mathias, que eu ganhei do próprio autor há uns três anos atrás. Por outro lado está sendo uma oportunidade de reafirma-lo, uma recomendação literária musical que eu há tempos estou devendo. Me refiro  ao “Sambexplícito – As Vidas Desvairadas de Germano Mathias”, do escritor e advogado Caio Silveira Ramos. Um livro que é bem mais que uma simples biografia. Seu texto, sincopado como o samba de Germano, pega o leitor pelo pé e o leva a uma viagem quase sem pausa (por conta do leitor, claro, é difícil parar de ler).
Para melhor entender este disco e também o próprio sambista, eu recomendo a leitura deste livro. Tenho certeza que vocês irão gostar. Por conta desta postagem, acho que vou passando o ano relendo as aventuras dessa peculiar figura do samba paulista. Quer forma melhor de começar o ano novo? 🙂 Boa música e boa leitura 😉

guarde a sandália dela
tem que ter mulata
lata de graxa
braço a torcer
chavecada na pavuna
derrocada do salgueiro
audiência ao prefeito
figurão
maria antonieta
feitiço fracassado
pedra dura
o mandamento do amor
.

Zimbo Trio – Vol. 2 (1966)

Olá, amigos cultos e ocultos! Nesta semana nós acabamos por não publicar aqui o volume 123 da coleção exclusiva Grand Record Brazil. Sei que tem muita gente que nos acompanha e os e-mails não param de chegar. Calma, a coleção ainda não acabou. Só termina no dia em que não tivermos mais nada em 78 rpm para apresentar. Amanhã tem mais um volume, garantido!
Para a noite de domingo ficar ainda mais gostosa, eu trago para enriquecer nossa lista um disco que há muito já devia ter entrado: Zimbo Trio Vol. 2. Aliás, eu também já deveria ter postado o volume 1 e outros mais, afinal o que é bom a gente deve sempre manter. Mas o Zimbo Trio, embora acima da média, é figurinha fácil e repetida. Muitos outros blogs já postaram ele por aí e por certo, deste não há muito o que dizer além do que já foi dito. Um super trio que teve em seu elenco original Luiz Chaves, Rubens Barsotti e Hamilton de Godoy.
Este lp foi o terceiro gravado por eles. Lançado em 1966 pelo selo RGE, o álbum traz um repertório fino, com doze temas impecáveis e hoje clássicos, alguns autorais. Música instrumental de alto padrão, que agrada cultos e ocultos.

arrastão
balanço zona sul
zomba
insolação
zimba
reza
samba 40 graus
garota de charme
vai de vez
balada de um sonho meu
o rei triste
aleluia
.

Capitão Gay (1982)

Olá amigos cultos e ocultos! Nesta semana vou recorrer aos meus ‘discos de gaveta’ para salvar o dia, ou os dias. Tenho aqui alguns compactos e acho que já é hora de colocá-los na roda. Começo com este divertido disquinho lançado nos anos 80, época em que o humorista Jô Soares encarnava em seus programas na tv o bizarro ‘Capitão Gay’, ao lado de seu parceiro ‘Carlos Suely’, interpretado pelo ator Eliser Motta. No programa de tv, a dupla entrava em ação sempre cantando a  música tema, ‘Capitão Gay’ e de brinde ainda tinha o tal ‘Um Croquete’. Vai encarar?
Estou postando este disco em homenagem ao time do Cruzeiro, que até o momento continua como lider absoluto no Campeonato Nacional. Estou fazendo esta homenagem para rebater as críticas que as vezes recebo por conta de postar só discos do meu Galo Doido. Qual o quê? Aqui não tem disso, no Toque Musical todos recebem a sua devida atenção. Segura este croquete aí que ele ainda está quentinho 😉

capitão gay
um croquete
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Internacional Super Som T. A. – Dança Que Eu Quero Ver (1991)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos de volta, faltando mais político no Congresso, mas sempre que possível, dando aquele toque musical. E hoje, por ser sábado, dia de festas e bailes, aqui vamos nós nos ensaiando para a dança. Trago hoje para vocês a Internacional Super Som T. A., um super conjunto de bailes, tradicional, principalmente para os paulistas. Criando no final dos anos 60 pelo músico Nilo de Souza Mello, este conjunto que é quase uma orquestra, já fez muita gente dançar em bailes memoráveis pelo Brasil. Me lembro que lá em casa tínhamos um disco deste conjunto, nunca mais vi e nem ouvi. Ontem, fuçando no Youtube, descobri que tinha este outro disco deles, e nem me lembrava. “Dança Que Eu Quero Ver” é um álbum muito interessante e eu nem me toquei, nem tive antes a curiosidade de ouvir. Mas hoje, ouvido no meu Diatone o disco ainda novinho, aprovei inteiramente. Muito boa esta orquestra-banda-conjunto. Músicos de qualidade, arranjos impecáveis e um repertório bem sortido que faz a cabeça e os pés de qualquer um num baile.
Olha aí, se por acaso vocês forem a um baile e o conjunto estiver meio fraco, saquem do bolso o arquivo deste disco e salvem a noite. 😉

o conde
tristeza
na gloria
baubles, bangles and beads
mambo n. 5
mambo jambo
para vigo me voy
besame mucho
la barca
sentimiento gaucho
por una cabeza
string of pearls
s’wonderful
new york, new york
unchained melody
rock around the clock
jogo de cintura
preta
belle of the ball
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Chico Buarque De Hollanda (1966)

Salve, amigos cultos e ocultos! Aqui estou de volta. Este é um mês especial e eu não poderia deixá-lo passar assim com tantas falhas, com postagens picadas e coisa e tal… Assim sendo, vamos tratar de por a casa em ordem, apresentando títulos realmente interessantes para se ouvir com outros olhos.
Como disse, este é um mês especial. O Toque Musical está fazendo aniversário. Coincidentemente o Chico Buarque também. São 7 do TM e 70 do Chico. Parabéns aos dois! Parabéns ao grande compositor Chico Buarque de Holanda, figura que indiscutivelmente é um dos maiores artistas brasileiros. Considero-o como o Noel Rosa contemporâneo. Artista do mesmo quilate do Poeta da Vila, cujas criações são eternas. Não tenho nada que possa acrescentar ao que já foi dito sobre ele. Amo o Chico de paixão e é por isso, pelo seu aniversário que estou postando hoje o seu primeiro lp. Disco este, por sinal, que me acompanha desde o seu lançamento. Foi comprado na época por alguém lá de casa e eu ao final acabei herdando toda a discoteca. Eu sempre fui muito cuidadoso e aprendi cedo a zelar pelos vinis. Este, continua intacto, perfeito, sendo um dos meus prediletos. Tem história, tem momentos e…, porra, é um puta disco!
Lançado pelo selo RGE em 1966, este foi o primeiro lp de Chico Buarque. Um álbum magnífico onde iremos encontras algumas de suas mais célebres canções. No disco ele conta com a participação de Toquinho, que o acompanha em várias faixas. Também o acompanha o quinteto de Luiz Loy e em algumas faixas os arranjos são do maestro Francisco de Moraes. Sem discussão, um disco nota 10! Básico em qualquer discoteca que se preze. 😉

a banda
tem mais samba
a rita
ela e sua janela
madalena foi pro mar
pedro pedreiro
amanhã ninguém sbe
você não ouviu
juca
olê olá
meu refrão
sonho de um carnaval
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Toquinho, Vinícius & Amigos (1973)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Contrariando as expectativas, por aqui, realmente, não vai ter Copa! Não adianta nem pedir ajuda à Fifa, ao Lula ou à Dilma. Adoro futebol, mas aqui ninguém é idiota. Vai que o Joseph Blatter e sua gang resolvem começar a fazer exigências… querer deixar isso aqui parecido com o Loronix, tudo em inglês, texto perfeito padrão Fifa… sem chance! Aqui, faço eu!
Vamos então rodando o nosso disco do dia. Vamos com este célebre lp de Toquinho & Vinícius lançado pela RGE/Fermata em 1973. Um álbum cheio de convidados, como se pode ver logo pela capa: Chico Buarque, Maria Bethania, Maria Creuza, o italiano Sergio Endrigo e Ciro Monteiro, que aparece aqui em suas últimas gravações.

apelo – toquinho, vinincius e maria bethania
que martírio – toquinho, vinícius e ciro monteiro
tomara – toquinho, vinícius e maria creuza
poema degli occhi – toquinho e sergio endrigo
samba da rosa – toquinho e vinicius
você errou – toquinho, vinícius e ciro monteiro
e se esqueça de mim – toquinho
la cada – toquinho, vinícius e sergio endrigo
viramundo – toquinho e maria bethania
lamento no morro – toquinho, vinícius e maria creuza
desencontro – toquinho e chico buarque
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Agência Tass – Vida Clip (1989)

Olá amigos cultos e ocultos! Conforme eu havia dito, nesta semana, irei postando um pouco da produção feita aqui na cidade. Até à década de oitenta a produção musical em Belo Horizonte era muito própria e característica, o que talvez dificultasse sua penetração no mercado fonográfico nacional. Poucos eram aqueles que se destacavam e isso não é por falta de competência, pois qualidade musical e talento, aqui nunca faltou. Faltou talvez uma produção mais afinada com o cenário comercial da época e um vôo mais dedicado por conta dos artistas. O problema é que mineiro quer ser antes de artista, músico e nem sempre está disposto a entrar no ‘esquemão’, ou abrir mão do seu pão de queijo e suas montanhas. Um bom exemplo é o Agência Tass, formado na década de 80 por um grupo de jovens talentosos, músicos que também tocavam com os ‘peixes grandes’ como Milton Nascimento e a turma do Clube da Esquina. O Agência Tass trazia em sua formação os músicos Alexandre Lopes e Eduardo Guimarães na guitarra, Gilberto Diniz (Giló) no baixo e Mário Castelo na bateria. Curiosamente, neste que foi o único disco da banda, o nome de Eduardo Guimarães, ou Eduardo Toledo, como passou a se chamar em carreira solo, só aparece neste disco como participante. Nos destaques e na foto da capa só aparecem os outros três músicos. Creio que quando este disco foi gravado, em 1986, Eduardo ainda não era efetivo da banda, embora conste em outras fontes que ele foi um dos fundadores do grupo e algumas das músicas deste lp são de sua autoria. “Vida Clip” foi outro disco gravado no estúdio do baterista João Guimarães (do Kamikaze) e lançado pelo selo RGE. O álbum, mesmo com a chancela de uma grande gravadora, não decolou para além da montanhas de Minas. As músicas eram boas, mas faltava um pouco mais de fermento e aquele velho refrão que sempre faz a coisa grudar no ouvido. Nem “Proibido Proibir”, de Caetano Veloso conseguiu segurar. Pessoalmente e como bom mineiro, só tenho elogios para essa turma. Gostava mais das apresentações ao vivo. Bons tempos, apesar dos pesares

hipócrita
vida clip
mentira
v.i.p.
proibido proibir
tudo que eu queria
chinatown
bandida
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Wanderly Regina – Compacto (1963) e (1966)

Muito boa tarde, amigos cultos e ocultos! ‘Desovando’ mais um compacto raro por aqui (na verdade dois), vamos desta vez com a cantora Wanderly Regina. Alguém aí se lembra dela? Eu confesso que, para mim, ela passou meio que despercebida. Creio que para muitos. Foi uma cantora que atuou durante os anos 60, embora tenha gravado seu primeiro disco, um 78 rotaçoes, ainda nos anos 50. Está certamente vinculada à Jovem Guarda, ou ao seu início. Como eu pouco sabia da carreira desta cantora, fui consultar o ‘Mr. Google’ e por sorte, além de informações, encontrei também outro disquinho gravado por ela, no blog do amigo Chico, o Sintonia Musikal. Assim, temos aqui uma postagem para dois compactos. O primeiro é de 1963 e foi lançado pela Musidisc, o outro (do Sintonia Musikal) é de 1966. E eu para facilitar a vida, vou replicar também o texto de apresentação da cantora feito pelo Chico. Vamos lá:

Wanderly Regina é uma cantora obscura da Jovem Guarda que iniciou a carreira em Santo André, no Grande ABC (SP), onde cantava nas rádios locais. Neste disco, lançado pela RGE em 1966, é acompanhada pela banda The Bells. A cantora começou como Wander Lee, e com esse nome gravou em 1959 o primeiro disco, um 78 rpm com “Não Sou Estúpida” e “Dinamite” pela Chantecler. Em 1962 lançou um single com “Norman” e “Um Amor Só Meu”, na Musidisc. Mais tarde passou a assinar Wanderly Regina. Na sequência lançou ainda um compacto simples: “Escuta-me” e “Feminilidade” e um duplo com as composições: “Meu Mundo”, Você Ri de Mim”, Não Vou Àquela Festa” e “Idade do Amor” ainda pelo selo Musidisc. Depois transferiu-se para a RGE e gravou este single. Wanderly teve como empresário o Marcos Lázaro que a conduziu para o Programa Jovem Guarda. Na década de 1970 Wanderly afastou-se da carreira artística.
escuta-me
feminilidade
broto já tem vez
não sei achar
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