Os Seis Em Ponto (1966)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois de chegarmos a mais de 3 mil títulos/discos postados aqui a gente começa a não mais lembrar do que já publicou. Daí, temos antes que verificar no index para não repetirmos a postagem. Hoje, farei diferente. Temos aqui o raro e único exemplar do conjunto de bossa nova do Francis Hime, Os Seis em Ponto. Este foi o disco de estréia de seis ‘garotos’, como definiu Ronaldo Boscoli no texto de contracapa do disco. Todos estreantes no mundo do disco, mas desde cedo focados na ideia de formarem um conjunto musical. E foi em 1966 que eles conseguiram gravar e lançar este álbum pelo selo RGE. Formado por Francis Hime (piano), Alberto Hekel Taveres (flauta), Carlos Alberto Cumarão (trombone), Nelson Motta (violão), Carlos Eduardo Sadock de Sá (contrabaixo) e João Jorge Vargas (bateria), Os Seis em Ponto nos apresenta um repertório fino e moderno para sua época. Músicas de Tom Jobim, Carlos Lyra, Vinícius de Moraes, Théo, Oscar Castro Neves, Edu Lobo, Roberto Menescal e Ronaldo Boscoli e também composições de Francis Hime em parceria com João Vitorio: “Mar Azul”, “Amor A Esmo” e “Se Você Pensar”. Os arranjos são também de Francis Hime. Um disco que conta ainda com texto de Tom Jobim. Tido como uma promessa de sucesso, infelizmente Os Seis em Ponto, mesmo com um repertório de primeiríssima, não chegou a emplacar. Por outro lado, seus membros seguiram cada qual um caminho. Francis e Nelson Motta foram os que mais se destacaram seguindo carreiras de sucessos e reconhecimento de público. Mais uma vez vamos trazê-los para o nosso toque, até porque, desta vez o pacote vem completo, com capa, contracapa e selos. Não deixem de conferir no GTM.

samba carioca
inútil paisagem
mar azul
luciana
borandá
amor a esmo
a paz de um homem só
sem mais adeus
se você pensar
canção da liberdade
só tinha de ser você
o menino das laranjas
 


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A Música Em Pessoa (1985)

Olá! Hoje eu acordei com meus pensamentos na poesia de Fernando Pessoa. Sempre que penso neste poeta me recordo destes versos:
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Diretamente isso não tem nada a ver com as minhas questões como blogueiro ou anunciação de alguma medida radical. Longe disso… Eu apenas recorro ao texto para abrir uma nova temática (ou sair dela) e ornamentar esta postagem que considero especial. Fernando Pessoa é um dos meus poetas prediletos. Sua mensagem me é sempre sinalizadora e aconselhadora.
O presente álbum é foi um projeto criado por Elisa Byington e Olivia Hime no sentido de celebrar o cinquentenário da morte do poeta. A idéia foi convidar alguns dos maiores nomes de nossa música e teatro para musicar e interpretar seus versos. O disco ficou realmente lindo e só pecou pelo fato de não ser um álbum duplo. Temos então os parceiros e os interpretes do grande poeta e seus principais heterônimos (Alvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares e Ricardo Reis) confiram…

o rio da minha aldeia – alberto caeiro e tom jobim – tom jobim
segue o teu destino – ricardo reis e sueli costa – nana caymmi
glosa – fernando pessoa e francis hime – francis e olivia hime
meantime – f. pessoa e ritchie – ritchie
emissário de um rei desconhecido – f. pessoa e milton nascimento – eugênia melo e castro
pasagem das horas – álvaro de campos e francis hime – marcos nanini
meus pensamentos de mágoa – f. pessoa e edu lôbo – edu lôbo
livro do desassossêgo – bernando soares, olivia e edgar duvivier – olivia byington
saudade dada – f. pessoa e arrigo barnabé – arrigo barnabé
na ribeira deste rio – f. pessoa e dori caymmi – dori caymmi
cavaleiro monje – f. pessoa e tom jobim – tom jobim
o menino da sua mãe – música de francis hime e intrepretação de marília pêra
quem bate à minha porta – f. pessoa e arrigo barnabé – vânia bastos
cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da baixa – música de nando carneiro
interpretação de jô soares

Os Seis Em Ponto (1965)

Temos aqui um disco raro, que até então eu não cheguei a vê-lo ‘nas praças’. Foi só eu falar em seguir no blog uma linha mais pessoal para que um amigo me enviasse o arquivo deste disquinho. Disse ele: este aqui tem tudo a ver com o Toque Musical. Acho que ele não entendeu bem o que eu queria dizer, mas tá valendo… Mesmo porque o álbum é realmente muito bom. Instrumental simples, mas perfeito. Primeiro disco do Francis Hime. Nessa época ele ainda estava divido entre a Engenharia e o piano clássico. Outra figura ilustre no conjunto é o Nelson Motta. Curioso, não? Eu mesmo não sabia deste fato. Nelsinho é quem tocava violão. Conforme ele mesmo afirma “foi um suplício gravar aquele disco”. Suplício ou não, terminou num bom trabalho. Melhor mesmo é escutar mais este toque musical.

Samba do Carioca 3:03 Carlos Lyra – Vinicius de Moraes
Inútil Paisagem 3:05 Tom Jobim – Aloysio de Oliveira
Mar Azul 3:16 Francis Hime – João Vitorio
Luciana 2:37 Tom Jobim – Vinicius de Moraes
Borandí 2:52 Edu Lobo
Amor a Êsmo 2:24 Francis Hime – João Vitorio
A Paz de um Homem Só 2:18 Roberto Menescal – Ronaldo Bôscoli
Sem Mais Adeus 3:08 Francis Hime – Vinicius de Moraes
Se Você Pensar 2:53 Francis Hime – João Vitorio
Canção da Liberdade 2:45 Oscar Castro Neves – Luvercy Fiorini
Tinha Que Ser Você 3:24 Tom Jobim – Aloysio de Oliveira
O Menino Das Laranjas 3:18 Théo Barros