Leo Peracchi – Musikantiga (1975)

Os apreciadores da melhor música erudita ou clássica têm um prato cheio neste álbum que o TM oferece no dia de hoje. E não só eles, mas também todos os nossos amigos cultos, ocultos e associados. Estudos médicos têm comprovado, inclusive, que ouvir música clássica faz um bem danado pra nossa saúde…  Aqueles que, em criança, assistiam a desenhos animados na televisão (caso deste vosso resenhista), reconhecem alguns temas clássicos ou eruditos assim que os ouvem. Os “cartoons” de Tom e Jerry, do Pernalonga e do Pica-Pau, por exemplo, estavam recheados de páginas da música clássica, assinadas por “cobras” do gênero.  Portanto, foi com muita felicidade que a extinta Copacabana , selo AMC/Beverly, então sob a direção artística de Paulo Rocco, por certo um dos mais expressivos dirigentes que a indústria fonográfica brasileira já teve, decidiu lançar, em 1975, este “Musikantiga”, reunindo 14 dos mais expressivos temas clássicos de todos os tempos. Peças como a “Serenata”, de Haydn, a “Pastoral” de Cavalli, o “Hino de Ofeu”, de Peri,  e a superconhecida “Jesus, alegria dos homens”, de Bach, ganham execuções bastante expressivas, com arranjos e regências a cargo de outro “cobra”: Léo Peracchi. Nascido em São Paulo, a 30 de setembro de 1911, Peracchi foi, incontestavelmente, um dos mais destacados orquestradores de nossa música popular, e seu estilo caracterizava-se pelo equilíbrio conferido aos instrumentos de palheta, metais e cordas, que manejava com extrema competência. Sua gloriosa carreira profissional começa em 1936, como pianista e maestro na Rádio Kosmos (hoje América), atuando depois em outros prefixos do rádio paulistano, como a Bandeirantes e a Educadora. Em 1941, Peracchi ingressa na lendária PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro, então disputando audiência com a Mayrink Veiga e a Cruzeiro do Sul, participando de vários programas como orquestrador, regente e compositor, entre eles, “A canção antiga”, “Rádio-almanaque Kolynos”, “A canção da lembrança” e“Paisagens de Portugal”. Também na Nacional, criou, juntamente, com Haroldo Barbosa e José Mauro, o programa “Dona música”, que apresentava melodias de todas as partes do mundo. Participou ainda do célebre “Festival GE”, programa da Nacional patrocinado pela General  Electric, no qual ele dirigia uma orquestra sinfônica organizada pela emissora da Praça Mauá, reunindo os maiores músicos da época, e que permaneceu cerca de dez anos no ar. Léo Peracchi ainda tem a seu crédito arranjos e regências para gravações de grandes nomes da MPB, como Orlando Silva, Trio Irakitan, Dorival Caymmi , Sylvia Telles etc. E, evidentemente, também gravou seus próprios álbuns como regente de orquestra, sobretudo na Musidisc (da qual foi diretor musical nos anos 1950) e na Odeon, tais como “Música de champanhe”, “Sambas e violinos” e “Canções de Tom e Jobim”. Léo Peracchi faleceu no Rio, em 16 de janeiro de 1993, aos 81 anos de idade. E sua extensa folha de bons serviços prestados à música, aliada à ótima qualidade técnica e artística, faz deste “Musikantiga” um trabalho digno de ser ouvido e apreciado pelos amigos do TM. Confiram…

largo – verachi
rondo alla turca – mozart
pavana – byrd
gavotta – lully
dido e eneas – purcell
tambourin – gretry
hino de orfeo – peri
serenata – haydn
jesus alegria dos homens – bach
dança dos espíritos bem aventurados – gluck
tambourin – rameau
pastoral – cavalli
la bernadina – des prez
intrada sarabande ball – pezel

*Texto de Samuel Machado Filho

Orquestra América Romântica – El Cha Cha Cha (1970)

Originário de Cuba, o chá-chá-chá é considerado uma variação do mambo. “La engañadora”, do violinista Enrique Jorrin, é considerada a primeira composição desse gênero, lançada em 1951. E o chá-chá-chá foi logo popularizado através de grandes bandas e orquestras, tendo no mambo seu ascendente mais direto.  Relativamente fácil de aprender, o chá-chá-chá pode muito bem ter sido a primeira dança pop de que se tem notícia, dado o seu caráter divertido, alegre e muito dinâmico, servindo de inspiração para muitos astros musicais do passado e do presente, ecoando hoje nos “tops” da música latino-americana, onde constam nomes como o guitarrista mexicano Carlos Santana e o cantor portorriquenho Ricky Martin, ex-integrante do grupo Menudo. É justamente dedicado ao chá-chá-chá o álbum que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Lançado em 1970 perla gravadora Beverly com o selo AMC (iniciais do então proprietário da empresa. Adiel Macedo de Carvalho), faz parte de uma série denominada “Os maiores sucessos da música latino-americana”, que teve ainda títulos dedicados ao bolero, à rumba, ao tango  e ao beguine, todos com execução a cargo de uma certa Orquestra América Romântica, por certo criada na esteira dos Românticos de Cuba, da Musidisc, dos Namorados do Caribe, da RCA, e da Orquestra Serenata Tropical, da Plaza Music.  O disco não traz nenhuma informação sobre quem teriam sido os músicos e o regente de orquestra que participaram da gravação. Incógnitas à parte, porém, o fato é que  o álbum vai de encontro àqueles que apreciam o chá-chá-chá. Em suas doze faixas, mesclam-se clássicos do gênero  (“Cachito” e “El bodeguero”, popularizados no Brasil por Nat King Cole, e “Patrícia”, de Pérez Prado) e outras músicas tradicionais adaptadas para chá-chá-chá. Aqui se incluem “Night and day”, “Stardust”, o tema clássico “Pour Elise”, de Beethoven (que em certa época chegou a ser irritantemente tocado por alto-falantes de caminhões que distribuíam gás de cozinha!), “Arrivederci, Roma”, “Quizas, quizas, quizas”, “Nel blu dipinto di blu” (o famoso “Volare”), “Ojos negros” (tradicional canção folclórica russa) e, surpreendentemente, a brasileira “Mulher rendeira”, mundialmente popularizada graças ao filme “O cangaceiro”, de 1953. Tudo isso apresentado no “caliente” e irresistível ritmo do chá-chá-chá, pra dançarino nenhum botar defeito. E ahora… vamos a bailar!

cachito

mulher rendeira

nel blu, dipinto di blu

el bodeguero

pour elise

patricia

stardust

quizas quizas quizas

ojos negros

arrivederci roma

night and day

canção da índia

*Texto de Samueol Machado Filho

Mané Baião E Seus Cangaceiros – Pagode No Guarani (1977)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Quero, inicialmente, avisar a todos que as solicitações de reposição de links no GTM serão todas atendidas, naturalmente. Porém, como estou sozinho nessa empreitada e além do mais, com o blog em reforma, peço a vocês que tenham paciência. Todo mundo será atendido, de acordo com a ordem de entrada dessas solicitações. Contudo, a prioridade é sempre para a postagem do dia, ok?

Hoje vamos de baião (for all), para espantar a tristeza e outros males. Tenho aqui Mané Baião e Seus Cangaceiros, um grupo de forrozeiros da melhor qualidade. E eu pensando que ninguém conhecia, pelo menos o disco já foi bem rodado na Rede. Mané Baião, segundo as poucas informações que encontrei, veio de Alagoas. Ainda na adolescencia transferiu-se para São Paulo, nos anos 60. Gravou seu primeiro disco pela RCA, em 1967, com texto de apresentação na contracapa de Manezinho Araújo. É considerado um dos primeiros forrozeiros na cidade de São Paulo. “Pagode no Guarani” foi um álbum nascido dez anos depois. Neste temos um repertório bem elaborado, com músicas autorais e até uma pitada de Gonzagão (e Humberto Teixeira, claro!). Não sei se antes disso ele gravou outros discos. Como disse, não encontrei muitas informações. Aliás, o pouco que comentei foi graças aos blog Tati Cabeluda e Forró em Vinil, neste último, inclusive, tem os dois discos do Mané Baião.

minha alencarina
assum preto
lírio verde
duquinha
quem manda é o baião
lamento cearense
pagode no guarani
carnaval em salvador
beata mocinha
puxa e repuxa
sonhei com meu amor
a bahia tem

Nerino Silva (1974)

Olá meus prezados amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu acordei querendo ouvir samba, aliás, acordei pensando em fazer desta próxima semana um festival de sambas. Tá na hora de botar a cuíca e o pandeiro nesse pagode.

Tenho aqui para vocês o Nerino Silva, cantor e compositor carioca, que ficou conhecido principalmente pela interpretação de “Súplica Cearense”, de Gordurinha e Nelinho. Neste lp, lançado em 1974 pelo selo AMC / Beverly, da Copacabana, ele regrava a música e traz também composições suas em parcerias, com o ótimo samba, “Tio Pedro”, que abre o disco. Há outras, entre as quais é bom destacar, “Ela me beijou”, de Herivelto Martins e Arthur Costa, “Alô Bahia”, de Wando e “Retrato de uma cidade”, de J. Costa e Bráulio de Castro. As regências e os arranjos são do maestro Waldemiro Lemke, que dão ao trabalho uma moldada, sem tirar, é claro, a essência de samba. Lamentavelmente a gravação não está muito boa, por conta da qualidade do disco. Literalmente, bem sambado 🙁 Mesmo assim, vale dar uma conferida 😉
tio pedro
pranto é sempre pranto
retrato de uma cidade
súplica cearence
não sambei nada
alô bahia
cada um na sua
até logo meu amor
no balanço da peneira
ela me beijou
surra de amor
hoi – ti

Carlos Poyares – O Som Maravilhos da Flauta de Carlos Poyares (1973)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje o trem tá osso! Parece até uma conspiração para que a semana não seja assim tão especial. Embora eu tenha começado a preparar um mateiral para esses dias, acabei numa tremenda confusão, sem ter como realizá-lo a tempo. Fazer o quê?
O jeito é apelar para os arquivos de gaveta. E para não perdermos tempo, catei o primeiro que vi pronto. Pronto, taí, vamos de Carlos Poyares. Fica mais fácil para mim… Não preciso entrar muito em detalhes.
Carlos Poyares já é uma figura bem divulgada por aqui. Um dos nossos grandes flautistas brasileiros.
Neste álbum, com cheiro de rosas (cheira mesmo!), temos dois momentos clássicos da flauta brasileira, o choro e a valsa. Dois dos gêneros com os quais ele sempre trabalhou maravilhosamente bem. O repertório, não há o que comentar, ou talvez tenhamos muito o que falar. Por isso deixo com vocês. Desculpem, mas o sono e o cansaço estão me roubando a atenção. E hoje ainda falta o compacto!
amoroso
murmurando
saudades do rio
boliçoso
não posso mais
vou vivendo
eu sonhei que tu estavas tão linda
tardes de lindóia
turbilha de beijos
recordar é viver
vânia
por um beijo