Cauby Peixoto – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 148 (2016) Parte 2

O Grand Record Brazil oferece hoje aos amigos cultos, ocultos e associados a segunda parte do retrospecto especial dedicado ao grande e notável Cauby Peixoto, que partiu para a eternidade em 15 de maio último, deixando muitas saudades em todos aqueles que apreciam o que é bom em matéria de música. Oferecemos aqui mais 14 gravações de Cauby, várias delas prensadas simultaneamente em 78 rpm e vinil. Abrindo esta segunda parte, o bolero “Meu amor por você”, de Lourival Faissal e Edson Menezes, que Cauby gravou na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957, com lançamento em abril de 58, sob número 80-1928-B, matriz 13-H2PB-0312. E a faixa seguinte é justamente o lado A, matriz 13-H2PB-0311, e um clássico do repertório dele: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt, retumbante êxito na época, e que o nosso saudoso Cauby também interpretou no filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri. Na quarta faixa, temos o primeiro hit maiúsculo do “professor da MPB”: o fox “Blue gardenia”, dos norte-americanos Bob Russell e Lester Lee, em versão de Antônio Carlos. Foi composto para o filme de mesmo nome, exibido no Brasil como “Gardênia azul”, e nele interpretado por Nat King Cole, tornando a música bem mais lembrada do que a própria película. O registro de Cauby saiu pela Columbia em maio de 1954, sob número CB-10042-A, matriz CBO-215, e, mais tarde, “Blue gardenia” seria faixa-título e de abertura do primeiro LP do cantor, em dez polegadas. Ainda em 54, apareceu outra gravação em português deste fox, por Lúcio Alves, mas o sucesso foi mesmo de Cauby. Aqui também apresentamos o lado B desse 78, matriz CBO-214: o samba-canção “Só desejo você”, assinado pelo então empresário de Cauby, Di Veras, em parceria com Osmar Campos Filho, e, ainda em 1954, também gravado na Copacabana por Ângela Maria. A música entrou mais tarde no segundo LP de Cauby, o dez polegadas “Canção do rouxinol”.  A quinta faixa desta seleção é “Canção de sentir saudade”, samba-canção de Durval Ferreira e Orlando Henriques, que Cauby gravou na RCA Victor em 11 de outubro de 1960, com lançamento em janeiro de 61, sob número 80-2286-A, matriz L2CAB-1132. Mais tarde, seria faixa de encerramento do compacto duplo de 45 rpm número 583-5068. O lado B do 78, matriz L2CAB-1133, que também abriu o compacto em questão e um LP do cantor com o mesmo título, é a faixa seguinte: a balada “Perdão para dois”, de Palmeira e Alfredo Corleto, lançada pouco antes por Leila Silva na Chantecler. Em seguida, temos o beguine “Tentação”, de Edson Borges e Sidney Morais (que integrou o Conjunto Farroupilha e Os Três Morais, e gravou discos de música latina como Santo Morales). Foi lançado pela Columbia, na voz de Cauby, em abril de 1956, sob número CB-10250-B, matriz CBO-727. Logo depois, vem o lado B, matriz CBO-729, o fado “Lisboa antiga”, standard do cancioneiro lusitano, de autoria de Raul Portela, Amadeu do Vale e José Galhardo. Em LP, e de dez polegadas, esta faixa só apareceu na coletânea mista “Meus favoritos – vol.  5”. A faixa 9, “Bibape do Ceará”, é um baião de Catulo de Paula e Carlos Galindo, originalmente gravado pelo próprio Catulo em 1955. O registro de Cauby foi lançado em setembro de 56 pela Columbia, sob número CB-10285-B, matriz CBO-818 (o lado A é o clássico “Conceição”, já oferecido a vocês em nosso volume anterior). Na décima faixa, temos o fox “É tão sublime o amor (Love is a many splendored thing)”, dos norte-americanos Paul Francis e Sammy Fain, em versão de Alberto Almeida.  A música deu título a um filme também de sucesso, estrelado por William Holden e Jennifer Jones, e exibido no Brasil como “Suplício de uma saudade”. O registro de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, sob número CB-11002-A, matriz CO-55565, abrindo também seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”.  Em seguida, outro clássico: o bolero “Espera-me no céu (Esperame em el cielo)”, do portorriquenho Francisco López Vidal (Paquito), em versão do pistonista Araken Peixoto, irmão de nosso Cauby, que a imortalizou na RCA Victor em 30 de janeiro de 1957, com lançamento em julho do mesmo ano, sob número 80-1812-B, matriz 13-H2PB-0044. A gravação entrou mais tarde no LP de dez polegadas “Música e romance”, já oferecido a vocês pelo Toque Musical. A faixa seguinte é o lado B do disco de estreia de Cauby, o Carnaval/Star 013, lançado bem em cima do carnaval de 1951, em fevereiro:  a marchinha “Ai, que carestia”, de Victor Simon e Liz Monteiro (nada mais atual, não é mesmo?).  A penúltima faixa é o clássico “Molambo”, samba-canção do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, em parceria com Augusto Mesquita. Lançado em 1953 por Julinha Silva, tem vários outros registros, e o de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, em seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”, chegando ao 78 rpm em agosto seguinte sob número CB-10267-A, matriz CBO-769. E, encerrando esta seleção, o fox “Tudo lembra você (These foolish things/Remind me of you)”. A música foi feita em 1936 pelos britânicos Jack Strachey e Eric Maschwitz (também conhecido por Holt Marvel), mais o norte-americano Harry Link, e tem vários registros. O de Cauby, com letra brasileira de Mário Donato, tem acompanhamento do conjunto do violonista Ângelo Apolônio, o Poly, e saiu pela Todamérica em março de 1953, com o número TA-5259-A, matriz TA-1153. Um fecho realmente de ouro para este retrospecto especial que o GRB dedica ao agora imortal Cauby Peixoto!

*Texto de Samuel Machado Filho

Cauby Peixoto (parte 1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 147 (2016)

No dia 15 de maio último, um domingo, por volta das 23h50, em São Paulo, o Brasil perdia um de seus mais expressivos cantores, e o último remanescente  da fase áurea do rádio: Cauby Peixoto.  Há tempos ele vinha enfrentando problemas de saúde (em 2000, por exemplo, Cauby implantou seis pontes de safena no coração), mas ainda assim continuou a se apresentar artisticamente, inclusive em um show ao lado de Ângela Maria, grande amiga e colega de profissão, comemorando os 60 anos de carreira de cada um, cuja temporada terminaria no sábado, 21 de maio. E o Grand Record Brazil, “braço de cera” do TM, evidentemente, não poderia deixar de homenagear este notável astro da MPB, apresentando, em duas partes, um retrospecto musical de sua carreira. Com o nome completo de Cauby Peixoto Barros, nosso focalizado veio ao mundo no bairro de Santa Rosa, em Niterói, litoral do estado do Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1931, oriundo de uma família musical: era sobrinho do pianista Romualdo Peixoto, o Nonô, seu pai, Eliziário, era violonista, a mãe, Alice, adorava cantar, e seus cinco irmãos (Cauby era o caçula) também tinham dotes musicais: Moacyr era pianista, Araken, pistonista,  e as irmãs Aracy, Andyara e Iracema também cantavam. Mas seu parente mais famoso era Cyro Monteiro, “o cantor das mil e uma fãs”. Foi ouvindo discos de Orlando Silva e Sílvio Caldas (e também, logicamente,  pelo rádio, então já veículo de massa) que nosso Cauby teve seus primeiros contatos com a música. Aos 14 anos de idade, para ajudar nas finanças da casa, ele começou a trabalhar no comércio, além de estudar à noite. Em 1949, antes de demitir-se de uma perfumaria em que trabalhava, fez suas primeiras apresentações no rádio, através do programa “Hora do comerciário”, da PRG-3, Rádio Tupi, transmitido nos finais de tarde dos sábados. Depois, passou a se apresentar no Teatro Rival, na Cinelândia, além de pedir para dar “canjas” em boates como a Vogue. Em 1951, grava seu primeiro disco, no selo Carnaval, da Star, com duas músicas para a folia daquele ano: o samba “Saia branca” e a marchinha “Ai, que carestia”. No ano seguinte, transferiu-se para São Paulo, cantando nas boates Arpége e Oasis,e na Rádio Excelsior. Suas performances impressionaram o futuro empresário Di Veras, q            ue aos poucos lhe criou uma estratégia de marketing completa: repertório, roupas, atitudes nos palcos etc. Após dois discos na Todamérica, em 1953, Cauby é contratado pela Columbia, hoje Sony Music, e, um ano mais tarde, obtém seu primeiro grande hit: “Blue gardenia”, versão de Antônio Carlos para a música-tema do filme de mesmo nome, que daria título, mais tarde, a seu primeiro LP. Ainda em 54, ingressa na lendária Rádio Nacional do Rio, e consolida sua popularidade, lançando êxitos sobre êxitos em disco, o maior deles, por certo, “Conceição”, seu prefixo pessoal para sempre, além de aparecer cantando em alguns filmes. Foi o primeiro a gravar um rock cem por cento brasileiro, letra e música, em 1957, “Rock and roll em Copacabana”, de Miguel Gustavo. Cauby passou várias temporadas nos EUA, e em uma delas, com o pseudônimo de Ron Coby, gravou em inglês, e em ritmo de calipso, o clássico “Maracangalha”, de Dorival Caymmi, com o título de “I go”. No decorrer dos anos 1960, foi proprietário da boate Drink, do Rio de Janeiro, em sociedade com os irmãos. Encantando gerações com sua voz e interpretação, ao longo da carreira, Cauby recebeu inúmeros prêmios, e sempre foi reconhecido como notável intérprete, que cantava de tudo e em qualquer idioma, sem qualquer embaraço. Em 2015, foi lançado o documentário “Cauby – Começaria tudo outra vez”, de Nélson Hoineff, contando toda a sua trajetória. Nos últimos anos de vida, apresentava-se às segundas-feiras no Bar Brahma, em São Paulo, onde permaneceu por mais de uma década.

Nesta primeira parte da homenagem que o GRB faz a Cauby Peixoto, estão catorze preciosíssimas gravações, várias delas prensadas em 78 rpm e também em LP (nunca esquecendo que foram feitas numa época de transição de formatos).  Abrindo esta seleção, o bolero “A pérola e o rubi (The ruby and the pearl)”, de Jay Livingstone e Ray Evans, em versão de Haroldo Barbosa., composto para o filme “Uma aventura na Índia (Thunder at the East)”, produzido em 1952 pela Paramount. Cauby o gravou em Hollywood, EUA, durante sua primeira temporada naquele país, com a orquestra do maestro Paul Weston, e a Columbia o lançou no Brasil por volta de agosto de 1955, sob número CB-11000-B, matriz RHCO-33427. Curiosamente, o lado A é a última faixa desta seleção, o samba-canção “Final de amor”, de Haroldo Barbosa, Cidinho e Di Veras (o polêmico empresário do cantor), matriz RHCO-33427. Ambas as músicas entraram depois no primeiro LP do cantor, o dez polegadas “Blue gardênia” (cuja faixa-título estará em nosso próximo volume).  A segunda faixa revela o Cauby compositor, no samba-canção “Lealdade”, parceria com Santos Silva, gravação RCA Victor de 20 de julho de 1960, lançada em setembro do mesmo ano, sob número 80-2243-A, matriz L2CAB-1032. Em seguida temos justamente o lado B do 78: o bolero clássico “Ninguém é de ninguém”, de Umberto Silva, Toso Gomes e Luiz Mergulhão, matriz L2CAB-1033, bastante regravado e até hoje conhecido. As duas faixas apareceram depois no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-5062, também chamado “Ninguém é de ninguém”, e a faixa-título ainda entrou no LP “Perdão para dois”. A quarta música é simplesmente o maior sucesso da carreira de Cauby: “Conceição”, samba-canção de Waldemar “Dunga” de Abreu e Jair Amorim, seu eterno prefixo e obrigatório em qualquer show que ele fizesse. Lançado pela Columbia em maio-junho de 1956 no LP de dez polegadas “Você, a música e Cauby”, chegaria ao 78 rpm em setembro do mesmo ano, com o número CB-10285-A, matriz CBO-770. Dircinha Batista também gravou “Conceição” no mesmo ano, mas o sucesso foi mesmo de Cauby, que ainda interpretou a música no filme “Com água na boca”, da Herbert Richers. Originalmente uma balada-fado, “De degrau em degrau”, dos portugueses Jerônimo Bragança e Nóbrega e Souza, é apresentado por Cauby em ritmo de fox, numa gravação Columbia de 1960, editada sob número 3114-A, matriz CBO-2231. O lado carnavalesco de nosso Cauby é mostrado na faixa seguinte, “Mil mulheres”, marchinha da folia de 1955, Assinada por Herivelto Martins, Cyro Monteiro e Salvador Miceli, saiu pela Columbia ainda em dezembro de 54, sob número CB-10109-A, matriz CBO-374. Originalmente gravado em 1938 por Orlando Silva, o fox-canção clássico “Nada além”, de Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, é aqui revivido por Cauby em gravação RCA Victor de 22 de agosto de 1956, lançada em novembro seguinte com o número 80-1691-A, matriz BE6VB-1261, aparecendo ainda no LP de dez polegadas “Ouvindo Cauby” e no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-0031. “Ser triste sozinho (Learning the blues)”, fox de Dolores Vicki Silvers em versão de Lourival Faissal, saiu originalmente no LP de dez polegadas “Você, a música e Cauby”, em 1956, só chegando ao 78 rpm em julho de 57, sob número CB-10353-B, matriz CO-55562. “Prece de amor”, samba-canção de Renê Bittencourt, foi um dos maiores hits de Cauby, lançado originalmente em fins de 1956 pela Columbia no LP de dez polegadas “O show vai começar” e reeditado depois em 78 rpm com o número CB-10337-A, matriz CBO-772. Ainda teve outra gravação, por Dalva de Oliveira. “Enrolando o rock”, de Heitor Carillo e Betinho, foi lançado por este último em 1957, e Cauby aqui o interpreta em gravação que a Columbia editou por volta de março de 58, sob número CB-11008-B, matriz CBO-1299. A balada “A noiva (La novia)”, de origem chilena, é de autoria de Joaquín Prieto, e foi gravada na Argentina por seu irmão, o ator e cantor Antonio Prieto. Com letra brazuca de Fred Jorge, logo recebeu várias gravações, como esta de Cauby, feita na RCA Victor em 15 de março de 1961 e lançada em abril seguinte com o número 80-2321-B, matriz M2CAB-1242, aparecendo depois no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-5068 e no LP “Perdão para dois”. “Muito além” é versão do radialista Júlio Nagib para o fox italiano “Al di la”, de Carlo Donida e Mogol, e é o lado A de “A noiva”, matriz M2CAB-1243, também constando do mesmo compacto duplo dessa faixa. Composto pelo lendário César de Alencar, colega de Cauby na Rádio Nacional, o samba “Se você pensa” foi lançado pela Columbia ainda em dezembro de 54, no lado B de “Mil mulheres”, matriz CBO-375. Enfim, uma homenagem à altura para aquele foi, com justiça, “o professor da MPB”. Aguardem o próximo volume, com mais Cauby pra vocês!

* Texto de Samuel Machado Filho

Cauby Peixoto – Blue Gardenia (1955)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Peço a todos que me desculpe a falta de assiduidade, pelas espaçadas postagens que um dia já chegaram a ser diárias. Infelizmente, os tempos são outros, ainda mais curto, mas mesmo assim, procuro manter o carro funcionando, mesmo em marcha lenta 🙂
Há menos de uma semana perdemos um de nossos maiores cantores, o grande Cauby Peixoto. E eu aqui não poderia deixar de prestar uma homenagem a ele e a todos os seus fãs. Como no dia de seu falecimento eu não tive condições de fazer uma postagem, optei por renovar alguns links de outros discos já apresentados aqui, no Toque Musical. Nessa hora, só mesmo quem frequenta o grupo, o GTM, vai saber desses novos links. Por isso é importante está ligado tanto aqui no TM quanto no GTM, ok?  😉
Muito bem, hoje, finalmente, estou conseguindo prestar essa homenagem e apresento a vocês, “Blue Gardenia”, o primeiro lp gravado por Cauby Peixoto, em 1955. Trata-se de um lp de 10 polegadas reunindo oito músicas, incluindo a que dá nome ao disco. São gravações feitas pelo artista na Columbia, em discos de 78 rpm. A propósito disso, hoje ainda estou encaminhando para no nosso amigo Samuel Machado Filho uma farta seleção de músicas gravadas por Cauby em 78 rpm, para compormos mais uma edição da série Grand Record Brazil. Fiquem ligados aqui no Toque Musical. Os próximos dias prometem!

blue gardenia
triste melodia
um sonho e um olhar
daqui para a eternidade
a pérola e o rubi
sem porém nem porque
nossa rua
final de amor
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Cinema Em 78 RPM – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 137 (2015)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, agora em sua edição de número 137. E a seleção musical desta quinzena foi preparada por uma pessoa muito especial: eu próprio!  Tudo começou quando o Augusto me mandou  diversos áudios extraídos de clipes produzidos para o YouTube, pela Rádio Educativa Mensagem de Santos, aproveitando cenas de filmes diversos, todos em preto e branco. No entanto, apenas quatro músicas, devidamente conservadas aqui , fizeram realmente parte de filmes. Então sugeri que fosse feita uma edição com músicas que foram realmente apresentadas em películas de sucesso, a maior parte nacionais. Com o devido acolhimento da ideia, e com carta branca para sua elaboração,  consegui garimpar dezesseis fonogramas, alguns até raríssimos, extraídos das bolachas de cera velhas de guerra. Uma seleção que resultou inclusive de pesquisas em fontes diversas, particularmente o “Dicionário de filmes brasileiros – longa-metragem”, de Antônio Leão da Silva Neto (Editora Futuro Mundo, 2002). Isto posto,vamos às músicas.Para começar, temos o clássico “O ébrio”, canção de e com Vicente Celestino, “a voz orgulho do Brasil”, por ele gravada na Victor em 7 de agosto de 1936 e lançada em setembro do mesmo ano, disco 34091-A, matriz 80195. O filme viria dez anos depois, produzido pela Cinédia e dirigido pela esposa do cantor, Gilda de Abreu, com grande bilheteria (teria superado até mesmo “Tropa de elite2”, o recordista oficial de bilheteria do cinema brazuca).  Esta gravação é uma montagem que apresenta, primeiramente, o monólogo inicial, extraído da regravação que Celestino fez da música em 1957, e, em seguida, o registro original de 1936, junção esta feita para a coletânea “Sessenta anos de canção”, lançada após a morte do cantor, em 1968. Inezita Barroso, recentemente falecida, aqui comparece com “Maria do mar”, canção do maestro Guerra Peixe em parceria com o escritor José Mauro de Vasconcelos, autor de romances de sucesso como  “Vazante”, “Coração de vidro”, “Banana brava” e “O meu pé de laranja-lima”. Fez parte do filme “O canto do mar”, produção da Kino Filmes dirigida por Alberto Cavalcanti, e Inezita a gravou na RCA Victor em 4 de agosto de 1953,com lançamento em  outubro do mesmo ano, disco 80-1209-B, matriz BE3VB-0222. Temos, em seguida, a única composição de origem estrangeira inclusa nesta seleção. Trata-se de “Natal branco (White Christmas)”, fox de autoria de Irving Berlin, um dos maiores compositores dos EUA, e sucesso em todo o mundo. Seu intérprete mais constante foi o ator e cantor Bing Crosby, que a lançou em um show que fez para os pracinhas norte-americanos que serviam nas Filipinas, durante a Segunda Guerra Munidal. Bing também interpretou este clássico em dois filmes: “Duas semanas de prazer (Holiday inn)”, de 1942, e “Natal branco(White Christmas)”, de 1954. Com letra brasileira de Marino Pinto, foi levado a disco na RCA Victor por Nélson Gonçalves, ao lado do Trio de Ouro, então em sua terceira fase (Lourdinha Bittencourt, então esposa deNélson, Herivelto Martins e Raul Sampaio), no dia 25 de novembro de 1955, mas estranhamente só saiu em janeiro de 56, disco 80-1551-B, matriz BE5VB-0926. Houve uma versão anterior, assinada por Haroldo Barbosa, que Francisco Alves interpretava em programas de rádio, porém não gravada comercialmente. Na quarta faixa, o maior sucesso autoral do compositor pernambucano Nélson Ferreira:  o frevo-de-bloco “Evocação”, primeiro de uma série de sete com o mesmo título, homenageando grandes nomes do carnaval recifense do passado. A interpretação é do Bloco Batutas de São José,lançada pela recifense Mocambo em janeiro de 1957, no 78 rpm n.o 15142-B, matriz R-791, e no LP coletivo de 10 polegadas “Viva o frevo!”.  “Evocação” foi também sucesso no eixo Rio-São Paulo, em ritmo de marchinha, entrando na trilha sonora do filme “Uma certa Lucrécia”, de Fernando de Barros, estrelado por Dercy Gonçalves. Logo depois, outra gravação da Mocambo: é a balada-rock “Sereno”, lançada em 1958 no 78 rpm n.o 15233-A, matriz R-985, e incluída mais tarde no LP “Surpresa”. A música fez parte do filme “Minha sogra é da polícia”, uma comédia dirigida pelo mesmo autor da composição, Aloízio T. de Carvalho, e por sinal bastante cultuada pelos fãs de dois futuros astros da Jovem Guarda, Roberto & Erasmo Carlos, pois marcou a primeiríssima aparição de ambos no cinema.  “Sereno” também foi revivida, em 1976, na novela “Estúpido Cupido”, da TV Globo, cuja trilha sonora foi a de maior vendagem da história da gravadora Som Livre: mais de dois milhões e meio de cópias! Na sexta faixa, uma raridade absoluta: trata-se da toada “Céu sem luar”, do maestro Enrico Simonetti em parceria com o apresentador de rádio e televisão Randal Juliano. Quem a interpreta, com suporte orquestral do mestre Tom Jobim, é Dóris Monteiro, em gravação Continental de 6 de maio de 1955, lançada em outubro do mesmo ano, disco 17171-A, matriz C-3628. Dóris também a interpretou no filme “A carrocinha”, produção de Jaime Prades estrelada por Mazzaropi  sob a direção de Agostinho Martins Pereira, e na qual Dóris também contracenou com outro mestre, Adoniran Barbosa (seu pai, na trama).  Desse mesmo filme, agora com o próprio Mazzaropi, um dos mais queridos comediantes do cinema brazuca, até hoje lembrado com saudade, é nossa sétima faixa, o baião “Cai, sereno (Na rama da mandioquinha)”, baião de Elpídio “Conde” dos Santos (autor do clássico “Você vai gostar”).O eterno jeca registrou “Cai, sereno” na RCA Victor em 2 de agosto de 1955, e o lançamento se deu em outubro do mesmo ano, disco 80-1497-A, matriz BE5VB-0821. Temos também o lado B desse disco,matriz BE5VB-0822, também de Elpídio: a rancheira “Dona do salão”, interpretada por Mazza no filme “Fuzileiro do amor”, dirigido por Eurides Ramos, primeira das três películas que o comediante fez no Rio de Janeiro para a Cinedistri, de Oswaldo Massaini.  Ângela Maria, a querida Sapoti, nos apresenta o expressivo samba-canção “Vida de bailarina”, de Américo Seixas em parceria com o humorista Chocolate (Dorival Silva). Fez parte do filme “Rua sem sol”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por Alex Viany, e a gravação em disco saiu pela Copacabana em  dezembro de 1953, sob n.o 5170-B,matriz M-642. Voltando bem mais longe no tempo, apresentamos “Estrela cadente”, valsa-canção de José Carlos Burle, que fez parte do filme “Sob a luz do meu bairro”, da Atlântida, dirigido por Moacyr Fenelon. Carlos Galhardo,seu intérprete na película, cujos negativos infelizmente se perderam em um incêndio, gravou a música na Victor em 12 de abril de 1946, com lançamento em julho do mesmo ano sob n.o 80-0421-B, matriz S-078474. O eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, apresenta a animadíssima polca “Tô sobrando”, que fez em parceria com Hervê Cordovil, e gravou na RCA Victor em 26 de julho de 1951, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 80-0816-A,matriz S-092995. Gonzagão também a interpretou no filme “O comprador de fazendas”, da Cinematográfica  Maristela, estúdio paulistano que ficava no bairro do Jaçanã, baseado em conto de Monteiro Lobato e dirigido por Alberto Pieralisi, tendo no elenco Procópio Ferreira, Hélio Souto e Henriette Morineau, entre outros (o próprio Pieralisi dirigiu uma refilmagem inferior, em 1974).  O número musical de Luiz Gonzaga, por sinal, foi rodado após o término das filmagens, uma vez que ele sofrera grave acidente automobilístico e quebrara o braço. Outra raridade vem logo em seguida: o samba-exaltação “Parabéns, São Paulo”, de Rutinaldo Silva,em gravação lançada pela Continental em março de 1954 (ano em que a capital bandeirante comemorou seus quatrocentos anos de existência), disco 16912-B, matriz C-3287. Esse foi o número musical de encerramento do filme “O petróleo é nosso”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por um especialista em chanchadas, Watson Macedo. O belo samba-canção “Onde estará meu amor?”, de autoria da compositora e instrumentista Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale), é outra absoluta raridade nesta seleção “cine-musical”. Interpretado por Agnaldo Rayol no filme “Chofer de praça”, o primeiro que Mazzaropi fez como produtor independente, sob a direção de Mílton Amaral, foi lançado em disco pela Copacabana em maio de 1958, no 78 rpm n.o  5891-A, matriz M-2181, entrando mais tarde no primeiro LP de Agnaldo, sem título (CLP-11061). Gravações  posteriores de Dolores Duran e Elizeth Cardoso, também pela Copacabana, reforçariam o êxito de “Onde estará meu amor?”.  Silvinha Chiozzo, irmã da acordeonista e também cantora e atriz Adelaide Chiozzo,  aqui comparece com duas músicas que interpretou no filme “Rico ri à toa”, primeiro trabalho do cineasta Roberto Farias, que mais tarde fez ”Assalto ao trem pagador” e a trilogia cinematográfica estrelada por Roberto Carlos (“Em ritmo de aventura”, “O diamante cor-de-rosa” e “A trezentos quilômetros por hora”), sendo depois diretor de especiais da TV Globo.  Saíram pela Copacabana em 1957, sob número 5795. Primeiro,o lado B, “Zé da Onça”, baião clássico de João do Valle, o acordeonista Abdias Filho (o famoso Abdias dos Oito Baixos) e Adrian Caldeira, matriz M-1990, que Silvinha canta em dueto com Zé Gonzaga, irmão de Luiz Gonzaga. Vem depois o lado A, matriz M-1965, “É samba”, que Silvinha canta solo, concebido por Vicente Paiva, Luiz Iglésias e Walter Pinto, os três ligados ao teatro de revista. Para terminar, um verdadeiro clássico interpretado pelo grande Cauby Peixoto: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt e Raul Sampaio, e que fez parte do filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri,  dirigida por Victor Lima. Cauby imortalizou este sucesso inesquecível na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957,com lançamento em abril de 58 no 78 rpm n.o 80-1928-A, matriz 13-H2PB-0311. Um fecho realmente de ouro para a seleção desta quinzena do GRB, que por certo irá proporcionar grandes momentos de recordação e entretenimento a vocês  que tanto prestigiam o TM. Quero expressar inclusive meus mais sinceros agradecimentos aos colecionadores Gilberto Inácio Gonçalves e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)  pela colaboração, enviando-me alguns dos preciosos fonogramas que compõem esta edição. E agora, luz, câmera, ação… e música!

*Texto e seleção musical de Samuel Machado Filho

Cauby Peixoto – Música E Romance (1957)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! E aí? Vamos ouvir o Cauby? Segue aqui mais um disco do cantor, conforme texto na contracapa, foi seu segundo álbum de 10 polegadas lançado pela RCA Victor. Temos assim, oito faixas internacionais, entre bolero, fox, beguine e samba canção, interpretadas pelo grande Cauby….

não fale de mim
outro dia
onde ela mora
garotas de portugal
espera-me no céu
anastásia
melodia do céu
vocë e eu
.

Meus Favoritos Columbia (1956)

Bom noite, amigos cultos e ocultos! Estou eu aqui passando um mal com minha coluna. Depois que chega na idade do condor, todo dia tem uma enhaca diferente. Esses dias eu não estou nada bem. Mas vou tentar aqui fazer esta postagem para ver se me distraio um pouco.
Segue aqui este lp de 10 polegadas, lançado pela Columbia nos anos 50. Como se pode ver, trata-se de uma coletânea reunindo gravações de cinco cantores do ‘cast’ da gravadora: Cauby Peixoto, Luiz Claudio, Lana Bittencourt, Alcides Gerardi e Zezé Gonzaga. São músicas extraídas de bolachas em 78 rpm desses artistas, sucessos nos anos de 1955 e 56. Vamso conferir?

para que recordar – alcides gerardi
os pobres de paris – luiz claudio
meu benzinho – lana bittencourt
lisboa antiga – cauby peixoto
história de um amor – luiz claudio
arrivedercy roma – zezé gonzaga
é tão sublime o amor – cauby peixoto
tudo foi ilusão – alcides gerardi

Cauby Peixoto – Superstar (1972)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Diante a perda de todos os nossos links pelo Mediafire, nossa lista de reposição triplicou. Se torna ‘augutamente’ impossível repor tudo aquilo que perdemos e sinceramente eu não ando muito motivado a começar tudo de novo. Assim, declarei que de agora em diante, nossos links terão prazo ainda mais limitado. Quem não estiver acompanhando o diário de postagens e o GTM vai comer mosca. A partir de janeiro, novas solicitações de links serão pessoais. Não haverá mais reposição no GTM. Os interessados em qualquer dos discos postados deverão encaminhar um pedido por e-mail. Passo também a cobrar uma ajuda de custo por esse serviço exclusivo. Observem que essa cobrança se faz necessária no sentido da manutenção e sobrevivência do blog. Não tenho interesse algum em ganhar dinheiro com isso. Porém, como todos sabem, manter um blog como o Toque Musical não é fácil. E como dizem, quem trabalha de graça é relógio. Meu tempo tem um valor e anda cada vez mais curto. Meu prazer em compartilhar se faz na medida da participação e interesse de vocês. A partir de janeiro estarei também vendendo os meus discos (os originais, claro). Quem tiver interesse em adquirir vinil e cd, basta enviar um e-mail, ok?

Para a postagem de hoje, eu estou trazendo aqui mais um disco (dos raros) do Cauby Peixoto. Vamos dessa vez com “Superstar”, álbum lançado pela Odeon em 1972. Taí uma boa safra do Cauby, um disco fino, com produção de Milton Miranda, arranjos e direção musical de Lindolfo Gaya que também é o orquestrador e regente ao lado de outro maestro, Orlando Silveira. No repertório temos uma gama variada de sucessos, contemplando músicas de compositores como Chico Buarque e Vinícius de Moraes, Caetano Veloso, Silvio César, Sylvio Caldas e Orestes Barbosa, Roberto e Erasmo Carlos, Tom Jobim, Menescal e Bôscoli e outros… Não demorem para conferir. Depois de um mês eu já não garanto nada… 🙂

os argonautas

foi a vida

maria, maria

mulher

se todos fossem iguais a você

por quem morreu de amor

valsinha

meu filho

detalhes

pra você

chão de estrelas

It’s Rock 1 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 44 (2012)

Esta semana, em sua quadragésima-quarta edição, o Grand Record Brazil apresenta a primeira de duas partes de uma seleção de rock (ou coisa parecida) produzida e digitalizada pelo blog Sintonia Musikal, na pessoa de seu administrador Chico, um autêntico especialista em resgatar o passado de nossa música dita “jovem”, e seguidor de carteirinha do TM. Aquele abraço, Chico!

Permitam-me os amigos cultos, ocultos e associados começar minha resenha desta primeira parte pela faixa 5. Ela foi justamente o começo, o pontapé inicial do rock tupiniquim. Estou falando da gravação feita pela carioca Nora Ney (Iracema de Souza Ferreira, 1922-2003) de “Rock around the clock”, de Jimmy de Knight e Max C. Freedman. A música era sucesso com Bill Haley e seus Cometas, e fazia parte do filme “Sementes da violência (The blackboard jungle)”, da MGM. Em 24 de outubro de 1955, Nora compareceu ao estúdio da Continental, no Edifício Cineac-Trianon (Avenida Rio Branco, esquina com Rua Bittencourt da Silva, em frente ao lendário Café Nice) para gravar sua personalíssima versão deste rock pioneiro, lançada em novembro-dezembro do mesmo ano com o n.o 17217-A, matriz C-3730. Foi assim que o rock and roll começou a balançar a juventude brasileira!

No restante do programa que o Chico nos oferece, outras doze peças raras, curiosas e interessantes do início do rock brasileiro, a chamada “pré-Jovem Guarda”. Nem mesmo a pianista Carolina Cardoso de Menezes (Rio de Janeiro, 1916-idem, 1999) resistiu aos encantos do chamado “ritmo alucinante”, compondo e executando o seu “Brasil rock”, em gravação Odeon de 14 de março de 1957 (14191-B, matriz 11601), lançada em maio daquele ano. Em seguida vem a faixa mais antiga desta seleção do amigo Chico: uma versão em português de “Jambalaya (On the bayou)”, clássico country de Hank Williams, assinada pelo comediante Edair Badaró, então atuando nas Emissoras Unidas (Rádio e TV Record de São Paulo). Na  interpretação, Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987), então também atuando na Record. Gravado pela Odeon em 4 de setembro de 1953 e lançado em novembro do mesmo ano (13527-A, matriz 9873), este é considerado o maior sucesso da cantora. Em seguida, a versão de Aloysio de Oliveira para “In the mood”, clássico da big band de Glenn Miller, de Joe Garland e Andy Razaf, interpretada pelo Bando da Lua, formado e dirigido por Aloysio, com o nome de “Edmundo”. Gravação de 8 de junho de 1954, feita nos EUA pela Decca (hoje Universal Music), mas só lançada no Brasil vinte anos mais tarde, no LP “Bando da Lua nos EUA”, produzido por João Luiz Ferrete para a Chantecler, então representante da Decca/MCA. Depois, o curioso “rock-baião-samba” “Eu sou a tal”, de Murilo Vieira, Edel Ney e O.Vargas, interpretado por Mara Silva (Isabel Gomes da Silva, Campos, RJ, n.1930), em gravação lançada pela RGE em dezembro de 1957 (10076-A, matriz RGO-335). A faixa 6 traz aquele que é considerado o primeiro rock cem por cento brasileiro, letra e música: “Rock and roll em Copacabana”, assinado por esse verdadeiro cronista que foi Miguel Gustavo, e gravado na RCA Victor por Cauby Peixoto em 30 de janeiro de 1957, com lançamento em maio seguinte (80-1774-A, matriz 13-H2PB-0043). Temos depois a versão feita pelo radialista Paulo Rogério para o conhecido mambo-rock “Tequila”, de Chuck Rio, originalmente instrumental. A gravação coube à carioca Araci Costa (1932-1976) e saiu pela Continental em setembro-outubro de 1958, com o número 17595-A, matriz C-4123. “Tequila” era um dos números mais apreciados da orquestra do “bandleader” e vibrafonista Sylvio Mazzucca (São Paulo, 1929-idem, 2003), que curiosamente vem aqui com o chá-chá-chá “Cerveza”, de Boots Brown, em gravação lançada pela Columbia no mesmo ano de 1958 (CB-11079-A, matriz CBO-1767). O cantor Mário Augusto, criador de hits como “O amor de Terezinha” e “Calcutá”, aqui comparece com a versão de Fred Jorge para “Claudette”, de Roy Orbison, extraída de seu segundo disco, o Odeon 14372-B, gravado em 26 de agosto de 1958 e lançado em setembro do mesmo ano, matriz 12848. “A minha, a sua, a nossa favorita” (como César de Alencar a anunciava em seu programa na Rádio Nacional) Emilinha Borba vem aqui com a versão do misterioso A.Bourget para o chá-chá-rock “Patrícia”, de Pérez Prado, lançada pela Columbia também em 1958 (CB-11070-B, matriz CBO-1766). Marita Luizi, um daqueles nomes atualmente relegados ao mais completo esquecimento, apesar de terem tido sua época, aqui comparece com o calipso “Sonho maluco”, de Elzo Augusto e Miranda, lançado pela Copacabana em dezembro de 1959 com o n.o 6086-B, matriz M-2590, o segundo de seus três discos nesse formato. Marita também deixou um LP intitulado “Os grandes momentos” (Alvorada/Chantecler, 1978), ao que parece coletânea, e participou do álbum “Cinco estrelas apresentam Inara” (Copacabana, 1958), reunindo músicas de Inara Simões de Irajá (suas faixas nesse disco são”E ele não vem” e “Boca da noite”). Outro nome da pré-história de nosso rock and roll, Regina Célia, comparece aqui com a divertida “Aula de inglês em rock”, de Canarinho e Kid Sax, gravada na Polydor em 9 de dezembro de 1959 e lançada em janeiro de 60 no 78 rpm n.o 342-B, matriz POL-3774. Encerrando esta primeira seleção do amigo Chico, Cizinha Moura, que deixou apenas dois discos 78 com quatro músicas, aqui interpretando, do segundo e último deles, o Chantecler 78-0134-B, lançado em junho de 1959, o fox “Brotinho Lili”, de Alberto Roy e Domingos Paulo, matriz C8P-268. Enfim, um interessante panorama dos primórdios do rock and roll no Brasil, que continuaremos na próxima semana, sempre agradecendo ao Chico do Sintonia Musikal pela gentileza de permitir o aproveitamento desta seleção no GRB. Até lá!

SAMUEL MACHADO FILHO.

Alfredo Moretti, Blackout, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Francisco Alves – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 17 (2012)

Esta já é a décima-sétima edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Uma trajetória excelente, mas olha, certamente iremos muito além, se Deus quiser. Aqui temos, treze fonogramas raros, a maior parte de cantores bastante conhecidos e que deixaram sua marca na história da música popular brasileira. Exceção feita, claro, ao paulistano Alfredo Moretti (c.1925-?). Com timbre semelhante ao de Francisco Alves (também aqui lembrado), ele ficou esquecido com o passar do tempo, talvez pela escassa discografia que deixou: apenas nove discos 78 com dezoito músicas, entre 1953 e 1957, nos selos Columbia (oito) e Todamérica. (o último). Nesta edição do GRB, eis seu sexto disco, o Columbia CB-10182, lançado em agosto de 1955. No lado A, matriz CBO-543, o samba-canção “Violão amigo”, de Ítalo Moretti, e no verso, matriz CBO-541, o bolero “Porque te quero”, de autoria do acordeonista Mário Gennari Filho em parceria com Joamar (quem seria?), e certamente é o próprio Gennari quem o acompanha com seu acordeão e seu conjunto, ambos não-creditados no selo original.
Já que falamos anteriormente de Francisco Alves, o eterno e eclético Rei da Voz, cuja trágica morte em acidente rodoviário completa 60 anos em setembro próximo, ele aqui comparece com cinco faixas bastante apreciadas. Uma delas é seu eterno carro-chefe, a “canção brasileira” “A voz do violão”, melodia sua e versos de Horácio Campos, feita para uma revista teatral chamada “Não isso é que eu procuro”, encenada no Teatro Carlos Gomes, no Rio. E foi a música que Chico mais gravou de todo o seu repertório: “apenas” quatro vezes, a primeira em 1928 (selo Parlophoin), a segunda em 1929 (feita a pedido do letrista Horácio, que não gostou de ter seu nome omitido na primeira gravação), a terceira em 1939 e esta aqui, a quarta e última, todas pela Odeon. O registro daqui é de 5 de abril de 1951, matriz 8943, lançado em julho seguinte com o número13143-A. No verso, matriz 8941, outra regravação, a da canção “Lua nova”, também com melodia dele próprio e versos de Luiz Iglésias, lançada originalmente por Chico em 1928, e aqui com o subtítulo de “Lua nova”, com versos do homem de teatro Luiz Iglésias, que inclusive foi marido da atriz Eva Todor, estrela de sua companhia teatral. Em seguida, o disco Columbia 55248-B, de 7 de novembro de 1940, lançado em dezembro seguinte, matriz 338, apresentando a lírica marcha-rancho “A flor e o vento”, da parceria João “Braguinha” de Barro-Alberto Ribeiro, com acompanhamento orquestral de Radamés Gnatalli. O lado A, já revivido aqui anteriormente, é “Onde o céu azul é mais azul”, dos mesmos autores mais Alcyr Pires Vermelho. Em seguida temos uma versão, das muitas que Haroldo Barbosa fez para o Rei da Voz, gravação Odeon de 8 de setembro de 1944, lançada em agosto seguinte com o número 12505-B, matriz 7647 (o outro lado de “Para sempre adeus”, também já revivida aqui), com acompanhamento orquestral de Fon-Fon. É o fox “Lagoa adormecida (Sleepy lagoon)”, de Eric Coates e J. Lawrence, do filme “Minha secretária brasileira (Springtime in the rockies)”, da 20th Century Fox, dirigido por Irving Cummings (tendo nada mais nada menos do que Cármen Miranda no elenco!). Nele, a música é executada pela orquestra do bandleader Harry James. Encerrando a participação do Rei da Voz nesta edição, temos a primeiríssima e originalíssima gravação do samba-canção “Marina”, de autoria do mestre baiano Dorival Caymmi. Ela foi feita por Chico na sua Odeon de sempre em 11 de março de 1947, com lançamento em maio seguinte com o número 12773-B, matriz 8191 (é o outro lado do fox-canção “Maria”, que já oferecemos antes também). Um mês mais tarde, Dick Farney também gravou “Marina”, na Continental, acompanhando-se ao piano, com lançamento em junho seguinte, e esse acabou sendo o registro de maior sucesso, fazendo muitos pensarem que foi Dick o lançador do samba-canção de Caymmi (ele regravaria a música outras quatro vezes). Ainda em 1947, Nélson Gonçalves e o próprio Caymmi fizeram seus registros de “Marina”, ambos pela RCA Victor.
Falemos agora de Otávio Henrique de Oliveira. Quem? É nada mais nada menos que Blecaute, o eterno “general da banda” (Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), que recebeu esse apelido do Capitão Furtado, radialista e compositor, sobrinho de Cornélio Pires, por causa dos apagões frequentes na época do pós-guerra. São três gravações relacionadas a datas comemorativas. Pra começar, o baião junino “Santo Antônio não gosta”, da profícua parceria Haroldo Lobo-Mílton de Oliveira (também responsável por muitos hits carnavalescos), gravado na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho desse ano sob número 16556-A, matriz C-2834, com acompanhamento do conjunto do trombonista Astor Silva, o Astor do Trombone. Em seguida o Copacabana 5502, lançado em dezembro de 1955. No lado A, matriz M-1273, um clássico natalino brasileiro: a “valsinha de roda” “Natal das crianças”, de autoria dele mesmo e ainda hoje muito lembrada. No verso, matriz M-1272, Blecaute homenageia as noivas com a marcha “Noiva querida”, de Silvino Neto, também humorista de rádio e autor dos clássicos “Cinco letras que choram” e “Valsa dos namorados”, ambos hits de Francisco Alves.
Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, está de novo presente no GRB, com mais uma homenagem às noivas: é a valsa “Aniversário de casamento (Anniversary waltz)”, do romeno Ian Ivanovici em versão do especialista Lourival Faissal. Gravação RCA Victor de 4 de agosto de 1950, lançada em agosto seguinte com o número 80-0697-B, matriz S-092727. Essa mesma gravação foi reeditada em dezembro de 1952 com o número 80-1060-B, e é mais uma prova que as datas comemorativas (aniversário, Natal, bodas de prata, etc.) foram gfravadas por Galhardo mais que qualquer outro intérprete.

Para encerrar, um intérprete que tem resistido ao tempo, e já octogenário, ainda em franca atividade: é o grande Cauby Peixoto, que aqui comparece com um disco “internacional”, o Columbia CB-11000. Ele foi gravado em Hollywood, Califórnia, EUA, em 1955, quando da primeira temporada do “professor da MPB” naquele país, com acompanhamento orquestral de um dos mais expressivos maestros da época, Paul Weston. No lado A, matriz RHCO-33427, o samba-canção “Final de amor”, composto pelo empresário do cantor, Di Veras, em parceria com Haroldo Barbosa. No verso, matriz RHCO-33426, o bolero “A pérola e o rubi (The ruby and the pearl)”, da dupla Jay Livingstone-Ray Evans, vertida por outro especialista na matéria, Haroldo Barbosa. Ambas as gravações também saíram no primeiro LP de Cauby, o dez polegadas “Blue gardenia”, junto com outras duas também gravadas por ele nessa temporada americana, “Sem porém nem porquê” e “Nossa rua”. Enfim, mais um presente do TM para todos os amigos ocultos e ocultos que apreciam o que é bom. Diversão garantida!

 
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Carnaval De 1956 (1956)

Bom dia, ou melhor, boa tarde, amigos foliões cultos e ocultos! Não estive na farra do carnaval, mas acordei mesmo tarde. Estava aqui pensado que fosse ainda umas nove horas da manhã, em virtude do silêncio em que está a cidade. É BH, sabe como é… Ontem eu saí na rua para ver o movimento e por incrível que pareça, me deparei com um grupo de quase 200 pessoas na rua, ouvindo e curtindo sabe o que? Funk, mas das antigas, a lá James Brown. Uma coisa super curiosa, quase surreal, considerando estarmos em pleno carnaval. Mas Belô tem dessas coisas, quando a gente menos espera, ao virar uma rua, encontra uma surpresa. Por mais que minha cabeça estivesse no samba, não pude resistir ao balanço daquela moçada. Discotecagem na rua, uma pilha de caixas acústicas e o povo mandando vê… Encontrei até alguns amigos e cheguei a ser reconhecido e fotografado. Tô ficando famoso! Hehehe…

Mas deixando o ‘groove’ de lado, vamos ao que realmente interessa, ao disco do dia e ao nosso Carnaval. Tenho aqui para vocês mais um disquinho clássico, do caraná de 1956. Não há quem não goste de velhas marchinhas, principalmente em sua época de ouro. “Carnaval de 1956”, trás alguns sucessos do ano lançados pelo selo Columbia. É aquele disquinho tradicional, que a cada novo ano era lançado pelas grandes gravadoras. Neste encontraremos…
nem toda flor tem perfume – cauby peixoto
gato preto – lana bittencourt
gente bem – carlos henrique
cinza – ruth amaral
eu chorei – lana bittencourt
cabo frio – cauby peixoto
quebranto de solteirona – ruth amaral
tô caindo – walter damasceno

As Doze Mais – Volume 3 (1960)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Custei mas cheguei… e vou confessar uma coisa, mais uma vez eu esqueci do blog. Esqueci de preparar a postagem. Logo hoje que é dia de coletânea, eu não preparei nada e nenhum dos amigos blogueiros, também, não mandaram nada. O jeito foi apelar, mais uma vez, para as coletâneas oficiais, verdadeiramente lançadas no mercado.

Temos assim, uma seleção da gravadora Columbia, um disco trazendo alguns de seus artistas de maior sucesso. E como se pode ver pela capa, não são apenas os artistas nacionais, tem também estrangeiros. Confiram aí…
siete notas de amor – trio panchos
jambalaya – jo stafford
serenata do adeus – silvio caldas
a certain smile – johnny mathis
noite – cauby peixoto
lamento – alexandre gnattali
meu segredo – luiz claudio
chega de saudade – os cariocas
till – precy faith
ontem e hoje – os seresteiros
ave maria lola – sylvio mazzucca
come prima – os trigemeos vocalistas

Adelino Moreira – Encontro com Adelino (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Só para que ninguém fique na dúvida, as reposições de antigas postagens estão sendo feitas aos poucos. Algumas, que parecem demorar mais, são de títulos que pretendo recompor os arquivos totalmente. Por isso peço paciência. Tudo, aos poucos, vai sendo resolvido 😉
Hoje não é sábado, dia de coletâneas, mas mesmo assim vamos ter uma (e oficial). Trago aqui para vocês outro ‘álbum de gaveta’. Estou sendo obrigado a lançar mão do que já estava na reserva e preparado para ganhar tempo, pois ainda nesta semana continuo muito atarefado.
Vamos com esta coletânea da RCA, dedicada à música do compositor Adelino Moreira. Temos aqui cinco dos seus mais frequentes intérpretes, obviamente todos da mesma gravadora, em 14 faixas. São músicas que provavelmente, quase todas, devem constar em outros álbuns já postados aqui no Toque Musical. Mesmo assim, eu acredito, irá agradar à turma da velha guarda.
Apesar de toda a minha pressa, hoje, eu bem que gostaria de postar mais um disco. Se sobrar um tempinho a noite, eu volto, nem que seja com apenas um compacto. 🙂 Vamos ver…

noite da saudade – nelson gonçalves
meu ex amor – angela maria
ciclone – carlos nobre
solidão – núbia lafayette
duelo – cauby peixoto
eu te amo – angela maria
negue – nelson gonçalves
borrasca – nelson gonçalves
devolvi – núbia lafayette
regresso – carlos nobre
não me perguntes – angela maria
fim de estrada – carlos galhardo
seria tão diferente – núbia lafayette
vitrine – nelson gonçalves

Cauby Peixoto – O Sucesso Na Voz De Cauby Peixoto (1960)

Mesmo sem muito tempo para me dedicar ao blog neste sábado, não resisti a tentação de mais uma postagem. Para reforçar o caldo, resolvi trazer um disco de verdade e como sempre prezando pelo inédito e raro.
Ontem eu assisti à reprise de um programa de entrevista recente (acho que foi do Globo News) com Angela Maria e o Cauby Peixoto. Peguei o programa já começado, mas valeu a pena. O Cauby em seus 80 anos continua o mesmo, uma peça rara (no bom sentido!). Com aquela peruca cheia, como ele gosta, estava mais parecendo uma senhora. De relance, quem o vê também acha que é. Mas o Cauby é um tipo que está acima de qualquer critica maldosa. Ele é antes de tudo um grande artista, um cantor excepcional. Fiquei impressionado com a vitalidade e afinação do cantor. A Angela Maria, ao contrário, nesse quesito já começa a dar sinais de cansaço, mas também é outra grande cantora.
Foi meio que movido por esse encontro que eu decidi postar este álbum. Lançado em 1960, quando então o nosso cantor retorna à Victor, depois da temporada nos ‘States’. No lp nós encontramos um repertório variado, entre temas nacionais e internacionais. Cauby canta três músicas da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim, dois sambas bossa, um da dupla Vinicius e Tom e outro de Oscar Castro Neves. Ainda no destaque temos uma interpretação impecável para “Mack the knife”, de Bertold Brecht, Blitzstein e Kurt Weill. Há também o lado criativo de Cauby em duas faixas, “Mama” e “Bixio”, onde ele fez as letras.
Taí, um bom disco para fechar a noite! Amanhã tem mais… 😉

conversa
alguém me disse
só deus
la violetera
mack the knife
romântica
chora tua tristeza
donde estará mi vida
a felicidade
mama
covarde
a vila de santa bernadete

Cauby Peixoto – Cauby Canta Para Ouvir E Dançar (1965)

Este blog está mesmo um sucesso. A cada dia estamos conquistando mais adeptos, tanto brasileiros quanto estrangeiros. O que eu acho muito interessante é saber que até mesmo os artistas estão se descobrindo no Toque Musical. Até eles estão reencontrando aqui um pouco do passado. Acho isso muito legal. Para o artista é sempre bom saber o quanto ele é querido e lembrado. Através de ações como esta, o blog, muitos passaram a ser novamente conhecidos, ou mesmo tiveram a satisfação de rever seus discos publicados, mesmo não sendo mais da forma convencional. Como já foi dito por mim e também por outros blogueiros, o artista vê nos blogs um aliado para divulgar sua arte. Quando a coisa é feita na transparência e com certos critérios que não visam prejudicar ninguém, não há porque ser desaprovado.
Dando sequência à postagem do dia, aqui vai mais um disco do Cauby Peixoto. Gravado em 1965, o presente álbum nos traz onze faixas com um repertório bem variado, com músicas que marcaram uma época. Cauby canta aqui em português, inglês, italiano e espanhol, demonstrando a sua facilidade para cantar em qualquer idioma. Sem sombras de dúvidas, as músicas que se destacam no lp são as ‘bossanovíssimas’ “Samba de verão”, de Marcos e Paulo Sergio Valle e “Garota de Ipanema”, de Tom e Vinícius. Cauby como sempre, impecável. Originalmente Cauby.

samba de verão
call me irresponsible
sabor a mi
senza fine
la puerta – sabra dios – la barca
somos iguais
days of wine and rose
balançafro
amore scusami
hello dolly
garota de ipanema

Cauby Peixoto – Canção Que Inspirou Você (1962)

Aleluia! Salve, salve… Hoje eu estou meio na indecisão. Entre diversos títulos, fiquei na dúvida do que eu poderia postar neste sábado. Ainda na faxina da gaveta, vi que tenho muita coisa pronta esperando a sua vez. Com uma cara de Mr. Bean, o Cauby Peixoto me convenceu. Olha só a semelhança… Vamos então ouví-lo em seu álbum de 1962, “Canção que inspirou você”. Eis aí um lp bem interessante, onde o cantor nos brinda com um repertório cheio de destaques. Temos, por exemplo, sua interpretação para “Samba do Avião” de Tom Jobim. Pessoalmente, acho que a música não lhe caiu bem, virou um samba sem bossa. Por outros lados, ou em outras faixas, ele não deixa por menos. Em “Menino Triste” de Rildo Hora e Gracindo Jr, sua interpretação é impecável e por incrível que pareça, nessa tem bossa e ficou muito boa. Outra música interessante no disco (e que por acaso alguém já havia me pedido) é “Belo Horizonte, Poema de Amor”, de Edson Macedo. Uma prova de que não é de hoje que a capital dos mineiros é vista como uma das cidades onde existem as mulheres mais encantadoras do país (e eu confirmo!). No lp ainda encontramos músicas de Lupicíno Rodrigues, Maria Helena Toledo, da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorin, Ribamar e Lamartine Babo. Confiram aí o toque…

balada do trumpete
vida minha
samba do avião
quem foi?
fim
potpourri: sorri / lembrança / perfídia
belo horizonte, poema de amor
a vida continua
canção que inspirou você
menino triste
vou brigar com ela
poema de luz

Carlos Galhardo / Cauby Peixoto – Compactos

Meus prezados amigos cultos e ocultos, bom dia! Volto a lembrar que o Toque Musical está ativo em dois endereços (http://toque-musicall.blogspot.com e http://toque-musical.blogspot.com).

Por enquanto vai ficando assim, mas pretendo resolver logo essa situação. Fica difícil manter uma matriz e uma filial, daí peço a todos (que ainda não o fizeram) que migrem para o endereço da matriz (http://toque-musicall.blogspot.com). Espero até o fim do mês para essa mudança. A partir de maio, o outro ficará privado (na reserva para as emergências), ok?
O dia de hoje será do compacto, aqueles disquinhos de 7 polegadas, normalmente com uma música de cada lado. Muito comuns nos anos 60 e 70, eram usados pela indústria fonográfica, principalmente para pré-lançamentos de seus álbuns. Uma maneira de testar o interesse do público por um determinado artista/música/disco ou mesmo para reforçar seu lançamento.
Há tempos eu venho querendo postar uns aqui, mas os ‘grandões’ nunca davam chances. Mas hoje vai ser diferente, vou fazer duas sessões musicais para valer um lp 😉
Começo agora cedo trazendo dois compactos muito interessantes e com um leve sabor de bossa. Gravados nos anos 60 (sem data certa), tanto um como o outro trazem o flerte com a Bossa Nova. O primeiro, de Carlos Galhardo, vem com “Das Rosas” de Caymmi e “Senhorita Rio” de Sérgio Malta. Não me lembro dessas duas faixas em outro disco do artista. O segundo compacto é de Cauby Peixoto interpretando duas músicas de João Roberto Kelly e Augusto Mello Pinto, a balada romântica “Ana Lúcia” e a bossa “Menina da Penha”.
Taí, dois disquinhos que valem o dia. Mas não vamos ficar só por aqui. No segundo tempo tem mais dois compactos. Aguardem… 😉
Cauby Peixoto:
ana lúcia
menina da penha
Carlos Galhardo
das rosas
senhorita rio

Quando Os Peixotos Se Encontram – Cauby, Moacyr, Araken e Andyara Peixoto – (1957)

Eu fico impressionado de ver como o Cauby Peixoto dá ‘ibope’ por aqui. Aliás deve ser em qualquer lugar. Ele, sem dúvida, é um dos nossos maiores cantores e ainda hoje tem uma legião de fans, admiradores (literalmente) em todos os cantos.
Diante disso, estou trazendo agora uma dose reforçada de Peixoto, para provar que talento também está no sangue. Temos aqui os irmãos Peixotos – Cauby, Moacyr, Araken e Andyara – neste álbum que é uma jóia rara. (eu tinha este lp da época do relançamento nos anos 80, mas não achei, daí ficamos com o original de 57 e seus estalinhos)

só louco
love is a many splendored thing
valsa de uma cidade
my funny valetine
a voz do morro
si tu partais
only you
anema e cuore
carinhoso
canção do mar
tio nonô
a foggy day

Cauby Peixoto – Você, A Música E Cauby (1956)

Olá! Hoje, sexta-feira quente por aqui. Eu fico meio lento com todo esse calor. Vou aproveitando a folguinha para postar o disco do dia. Não era extamente o que eu havia programado, mas com certeza irá agradar a todos. Temos assim, “Você e a música de Cauby”, álbum de 10 polegadas em 33 rpm lançado em 1956.

Estou postando este disco, atendendo a um pedido urgente de que não dava para ficar pra depois. Cauby precisa cantar neste sábado a famosa “Conceição” de Jair Amorin e Dunga numa festa de um amigo meu.
é tão sublime o amor
sem teu amor
ser triste sozinho
siga
molambo
lamento noturno
conceição
os pobres do brasil

Cauby Peixoto – Ouvindo Cauby (1957)

Ontem postei dois discos do Cauby, mas depois me lembrei que havia um terceiro. Justamente o que mais gosto dos três e por essa mesma razão, ficou especialmente para hoje, numa dobradinha que vem logo em seguida…
Este lp de 10 polegadas foi seu primeiro pela RCA, reunindo clássicos que fizeram sucesso em seus bolachões de 78rpm. Na época do lançamento do disquinho, “A Voz” estava se transferindo da Rádio Nacional para a Tupi. Gravou um 78 com a música “Nono mandamento”, de René Bittencourt e Raul Sampaio que se tornou um novo sucesso em sua carreira. Ainda em 57 ele participou de alguns filmes, interpretando canções que também se tornaram sucesso. Vamos então, mais uma vez, ouvir Cauby Peixoto. … e tá dado o toque! (com a devida correção)
Obrigado Silvio!
nada além
chora cavaquinho
deusa da minha rua
serenata
as três lágrimas
flor do asfalto
na aldeia
pastorinhas

Cauby Peixoto – O Show Vai Começar (1956)

O segundo Cauby da noite é também um lp de 1956. “O show vai começar” é um disquinho bem variado em suas oito faixas. Temos samba, fox, bolero… Herivelton Martins, Haroldo de Almeida, René Bittencourt e até o Ibrain Suede. Quer mais?
Este lp, me parece, foi o primeiro com repertório gravado exclusivamente no modelo 33rpm. A partir dos meados da década de 50 os ‘microgrooves’ de 10 polegadas começaram a tomar conta do pedaço. Estava chegando ao fim a era dos bolações pesados. Entrava em cena um outro valor agregado ao disco, a capa e a arte desta, que se tornou um fator importantíssimo na conquista do ouvinte. Não é atoa que nosso lema aqui no TM é ouvir os discos com outros olhos.
Bom, vamos parar por aqui, pois o show vai começar…

volta ao passado
acaso
abandonado
amor não é brinquedo
se adormeço
piano velho
apenas um sonho
prece de amor