Orquestra Brasileira De Espetáculos – Italia De Hoje (196…)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos, como já deu para perceber, as resenhas de nossas postagens tem ficado a cargo do nosso amigo/colaborador Samuel Machado Filho. Mas, eventualmente eu também dou as caras por aqui…
Trago hoje para vocês um lp da Orquestra Brasileira de Espetáculos, da gravadora CBS, lançado certamente ainda na primeira metade da década de 60. A data, mesmo pesquisando eu não encontrei. O disco, como pode-se ver pelo título, “Itália de Hoje”, traz um repertório de músicas italianas, sucessos então do momento. Aliás, na década de 60 a música italiana esteve muito em voga, talvez por conta do cinema europeu que ajudou a projetar também a música. Mas o que nos chama mais a atenção aqui é o trabalho dessa magnífica orquestra de estúdio, sob a batuta do mestre Radamés Gnattali. É de dar inveja até às versões originais. Orquestra cristalina… 🙂

amici miei
perché non piango piú
tu non lo sai
devi recordar
el abrazo
ho scolpito il tuo nome
ieri ho incontrato mia madre
quando lo rivedrai
cielo muto
amore scusami
non e facile avere 18 anni
come sinfonia
era d’estate
aria di neve
.

Luiz Carlos Vinhas – O Som Psicodelico De LCV (1968)

Após apresentar o álbum “Os reis do ritmo”, com o conjunto Bossa 3, formado e dirigido pelo pianista Luiz Carlos Vinhas (1940-2001), o TM tem a grata satisfação de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um trabalho com a marca deste notável músico, e considerado até mesmo sua obra-prima: trata-se de “O som psicodélico de Luiz Carlos Vinhas”, seu segundo disco individual (o primeiro foi “Novas estruturas”, em 1964), elaboradíssima produção de Hélcio Milito, então baterista do Tamba Trio, para a CBS, futura Sony Music, e preciosíssimo legado do “ano que não terminou”, 1968. Tendo em seu currículo participações em discos de grandes nomes da MPB, tipo Elis Regina, Quarteto em Cy, Jorge Ben Jor e Maria Bethânia, Luiz Carlos Vinhas iniciou-se na música ainda cedo, quando seu pai lhe deu um violão de presente, e em 1957 já estava nas composições da bossa nova carioca. Ele se supera neste trabalho, riquíssimo em elementos e experimentos, mesclando psicodelia e toques de música brasileira, com cantos folclóricos, caboclos e umbandistas. Abrindo o disco, a instrumental “Amazonas”, de João Donato, que impressiona o ouvinte logo de saída. Vinhas sempre foi experimental, e conhecia bem a cultura brasileira, o que se reflete em trabalhos autorais como “Tanganica”, “Zizê baiô”  e “Ye-melê” (títulos que remetem à cultura afro), esta última um lindo canto para Iemanjá, na mesma época também gravada por Elis Regina e mais tarde êxito mundial com Sérgio Mendes. Outro destaque é “Um jour Christine”, de Bruno Ferreira, uma canção melancólica porém com linda melodia vocal e percussão bem simples ao fundo. A partir da sexta faixa, Vinhas nos oferece fantásticas regravações de sucessos nacionais e internacionais, como “Arrasta a sandália”, “Chatanooga choo-choo”, “Tributo a Martin Luther King”, “Rosa morena”, “Morena boca de outro” e “Can’t take my eyes of you”. Tudo terminando, e muitíssimo bem, com “O diálogo”, uma parceria de Vinhas com Chico “Fim-de-Noite” Feitosa, que também fizeram juntos “Ye-melê” e “Zizê baiô”. Em suma, um trabalho primoroso, de alta qualidade técnica e artística, que o TM orgulhosamente nos oferece. Confiram…

amazonas

tanganica

yê-melê

zizé-melê

un jour christine

song to my father

chatanooga choo-choo

pourquoi

birthday morning

o diálogo

*Texto de Samuel Machado Filho

Vários – Transa Musical Sandsom (1975)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM hoje oferece um álbum-coletânea  raro, e ainda por cima duplo! É o tipo de coisa que, creio eu, pouquíssima gente tem, uma vez que foi produzido em 1975 pela CBS, hoje Sony Music, especialmente para a empresa Sands Exportação, que vendia seus produtos apenas e tão-somente por mala direta (correio), promovendo-os através de catálogos e anúncios em revistas. Quer dizer, um título que não chegou às lojas de discos. Com o nome de “Transa musical Sandsom”, este raro e precioso álbum duplo é um autêntico desfile de sucessos ditos “jovens” da época, interpretados por alguns dos principais artistas que a CBS então mantinha sob contrato, vários deles remanescentes da Jovem Guarda e que, mesmo com o fim do movimento, continuaram marcando presença nas chamadas “paradas de sucesso” e nas rádios AM de cunho popular. Por certo muita gente que viveu na metade dos anos 1970 vai se lembrar de grande parte das músicas que um certo Edson Paulo Cleto selecionou para integrar este LP duplo. Para cada intérprete, foram reservadas duas faixas, sendo uma em cada LP, salvo uma ou outra exceção. Também merece destaque a parte gráfica, realmente impecável, com fotos dos artistas participantes do disco recheando a capa dupla. Roberto Carlos, o “rei” que nunca perde a majestade, aqui comparece com faixas de seu álbum de 1973, ambas compostas por ele em parceria com seu eterno “amigo de fé” Erasmo: “Proposta” (sucesso eterno, realmente um clássico!), escolhida para abrir este LP duplo,  e “Palavras”. Jerry Adriani, outro remanescente das “jovens tardes de domingo”, vem com “Uma vida inteira” e “Não feche os olhos”, ambas também de 1973. Leno, já separado de Lilian, com quem formara uma dupla de sucesso durante a Jovem Guarda, canta apenas uma faixa, porém bastante expressiva: “A festa dos seus quinze anos”, de autoria de Ed Wilson, faixa-título e de abertura  de seu segundo LP-solo, editado em 1969, lembrada até hoje por muitos. Nalva Aguiar, que mais tarde abrigou-se entre os intérpretes sertanejos, aqui comparece com a versão “Quero que volte (Magic woman touch)”, gravação de 1973. O organista Lafayette, cuja sonoridade marcou época na Jovem Guarda, aqui executa, em registros de 1974, “No more troubles”, então sucesso do cantor marroquino Sharif Dean, e “Tema para um samba”, esta só gravada pelo Lafayette mesmo. Baiano de Salvador, e ainda hoje em atividade, José Roberto bate ponto neste LP duplo com as faixas “Lágrimas nos olhos” (grande sucesso em 1973, composto por nada mais nada menos que Raul Seixas) e “Desculpas” (1974). Cantor e compositor bastante expressivo, o mineiro (de Belo Horizonte) Márcio Greyck interpreta aqui duas músicas românticas de sucesso, até hoje lembradas: “Impossível acreditar que perdi você” (sua e do irmão Cobel, de 1970, inclusive regravada por outros artistas) e a versão “O mais importante é o verdadeiro amor (Tanta vogila di lei)”, de 1972. Outras duas faixas foram reservadas para Diana, cantora de expressivo êxito junto às camadas mais populares: a versão “Por que brigamos? (I am… I said)”, hit também de 1972, regravada até por duplas sertanejas, cujo refrão (“Ó meu amado, por que brigamos?”) é cantarolado até hoje por muitos, e “Amor só se paga com amor”, de 1973. Conhecido como “o reizinho da Jovem Guarda”, por ter sido apadrinhado por Roberto Carlos, Oscar Teixeira, ou, como ficou para a posteridade, Ed Carlos, aqui comparece com “Meu aniversário”, de 1974, e a versão “A menina que passa (Conmigo en algun lugar)”, de 1973. Renato e seus Blue Caps, grupo de rock considerado a cara da Jovem Guarda, aqui interpretam “Eu quero dançar contigo (Dancing on a saturday night)” e a romântica e sensível “Eu não aceito o teu adeus”, sucessos em 1974. Cláudio Roberto, outro intérprete de sucesso junto às camadas populares nos anos 70, aqui interpreta duas composições de Cláudio Fontana: “Como é que eu posso ser feliz sem você?” (1971) e “Separados” (1975), esta originalmente lançada por Nélson Ned na Copacabana, em 1973, e que encerra o álbum duplo. O recifense Luiz Carlos Magno entrou com “Ave Maria pro nosso amor” (com direito até a declamação da Ave Maria!), de 1972, e “Sonho de menina”, de 1974. A curiosidade fica por conta do grupo Os Selvagens, interpretando “Eu e você”, versão de Rossini Pinto para “Me and you”, lançada no original por Dave MacLean, um daqueles brasileiros que cantavam e até compunham em inglês. Ídolo eterno e inesquecível, o recifense Reginaldo Rossi vem aqui com uma verdadeira pérola de seu repertório, ainda hoje muito lembrada: “Mon amour, meu bem, ma femme”, composta por Cleide de Lima, e lançada em 1972 com enorme sucesso. Enfim, um raro LP duplo que certamente proporcionará momentos de agradável reminiscência para quem viveu nessa primeira metade dos anos 1970, e desfrutável também para os que só chegaram depois dessa época. Deliciem-se…

proposta – roberto carlos
uma vida inteira – jerry adriani
festa dos seus quinze anos – leno
quero que volte – nalva aguiar
no more troubles – lafayette
lágrimas nos olhos – josé roberto
impossível acreditar que perdi você – marcio greyck
porque brigamos – diana
meu aniversário – ed carlos
eu quero dançar contigo – renato e seus blue caps
como é que eu posso ser feliz sem você – claudio roberto
ave maria pro nosso amor – luiz carlos magno
palavras – roberto carlos
desculpas – josé roberto
amor só se paga com amor – diana
tema para um samba – lafayette
eu e você – os selvagens
sonho de menina – luiz carlos magno
eu não aceito o teu adeus – renato e seus blue caps
não feche os olhos – jerry aderiani
o mais importante é o verdadeiro amor – marcio greyck
a menina que passa – ed carlos
mon amour meu bem ma femme – reginaldo rossi
separados – caludio roberto

*Texto de Samuel Machado Filho

O Melhor De O Brasil Canta No Rio (1968)

Encerrando de vez sua retrospectiva dedicada aos festivais, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados , mais um álbum (o oficial já foi postado anteriormente) referente ao certame promovido em 1968 (“o ano que não terminou”) pela extinta TV Excelsior, canal 2, do Rio de Janeiro, oficialmente denominado “O Brasil canta no Rio”, mas também conhecido como III Festival Nacional de Música Popular.  Criado, organizado e realizado por Adonis Karan, o festival aconteceu simultaneamente em oito estados (e sem o apoio da Embratel, então estatal, criada três anos antes):  Rio de Janeiro, Guanabara, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. Isso em uma época em que não havia as facilidades de comunicação de hoje (satélites, internet, redes sociais, etc.). Em cada um deles, houve quatro eliminatórias e uma final regional, cada um classificando cinco músicas. Entretanto, só três músicas classificadas em cada estado concorreram na final nacional, acontecida no ginásio Maracanãzinho (o mesmo do FIC) em 27 de julho de 1968. A música vencedora foi “Modinha”, de Sérgio Bittencourt, interpretada por Taiguara. O curioso é que neste álbum que hoje oferecemos, lançado pela CBS, a Sony Music de hoje,  quatro das primeiras colocadas no festival (“Modinha”, “Paixão segundo o amor”, “Fala moço” e “Você passa, eu acho graça”) nem sequer aparecem. Como seus intérpretes pertenciam a outras gravadoras, a empresa  decidiu oferecer o que tinha, literalmente à mão, apresentando neste disco doze concorrentes do festival da Excelsior, representando seis dos oito estados participantes (Minas Gerais e Paraná ficaram de fora), ficando a produção por conta de Hélcio Milito, então baterista e percussionista do Tamba Trio. Destas, seis participaram da final do certame: “Peccata mundi” (com Cynara e Cybele, ex-integrantes do Quarteto em Cy), “A vez e a voz da paz” (que abre o disco, na voz de Eduardo Conde, sendo que foi originalmente defendida por Taiguara), “Ciranda do amor” (aqui com seu autor, Roberto Lima), “Ultimatum” (a vice-campeã, de autoria dos irmãos Valle, originalmente defendida por Maria Odete com o grupo Momentoquatro, e aqui com a então estreante Glória), “O gaúcho” (na voz do autor, Raul Ellwanger) e “Retirada” (com Rose Valentim, curiosamente de autoria do maestro Eduardo Lages, futuro arranjador de Roberto Carlos em discos e shows). Completam o trabalho outras seis músicas: “Litoral”, dos estreantes Toninho Horta e Ronaldo Bastos, com a também estreante Gilda Horta, por certo irmã de Toninho (que já participara do festival de Juiz de Fora, acontecido pouco antes), “Sem assunto”, de Sidney Miller (vencedora do mesmo festival de Juiz de Fora), com Cynara e Cybele, que ainda interpretam “O jornal”, da dupla Chico Anysio-Arnaud Rodrigues (criadores, mais tarde, do “grupo” Baiano e os Novos Caetanos) e“Bloco do eu sozinho”, dos irmãos Valle,“Homem  do meu mundo”, também dos irmãos Valle e igualmente apresentada antes no festival de Juiz de Fora, com Eduardo Conde, e “Berenice”, com outra estreante de então, Vânia.  Tudo isso num verdadeiro álbum-documento, com o qual o TM encerra com chave de ouro sua retrospectiva dedicada aos festivais da MPB. Esperamos que vocês tenham gostado e apreciado, e desejamos-lhes um fim-de-ano cheio de alegria, e um ano novo repleto de realizações positivas e proveitosas!

a vez e a voz da paz – eduardo conde
ciranda do amor – roberto lima
litiral – gilda horta
sem assunto – cynara e cybele
retirada – rose valentim
homem do meu mundo – eduardo conde
peccata mundi – cynara e cybele
ultimatum – glória
berenice – vania
o jornal – cynara e cybele
o gaúcho – raul ellwanger
bloco do eu sozinho – cynara e cybele

*Texto de Samuel Machado Filho

I Festival Operário Da Música Popular Brasileira (1975)

Em sua retrospectiva “festivalesca”, o TM ofereceu anteriormente a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum documentando o festival interno de MPB promovido pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1980. Pois bem: hoje apresentamos um precioso compacto duplo, com quatro concorrentes de um outro certame de que participaram trabalhadores. Batizado de I Festival Operário da Música Popular Brasileira, aconteceu em 1975, no estado do Rio Grande do Sul, iniciando-se em 2 de agosto e terminado em 21 de setembro, visando mostrar, conforme a chamada de capa, que “a boa música nasce nas fábricas”.  E foi bancado pelo próprio governo gaúcho,na gestão de Sinval Guazelli,  com a colaboração de empresas privadas (isso numa época em que os militares ainda governavam o Brasil, e os governadores de estado também eram eleitos indiretamente). Outro detalhe é que o compacto duplo com as músicas do festival foi lançado por uma “major” do setor fonográfico, a CBS, atual Sony Music, com a participação, nos arranjos, do então já veterano Alexandre Gnattali, irmão de Radamés. Duas faixas do disco são interpretadas por Waldir Mello, o samba-canção “Teu olhar” e o samba “Nossa guerra é diferente”, de cunho pacifista. O programa deste precioso disquinho se completa com o afro-samba “Cabo da Boa Esperança”, com o coral da CBS, e “Inquinação no samba” (pregando a volta do gênero às origens), com Vítor Ferreira e o grupo Som Kapela 6. Curioso também é o texto de apresentação do disco, escrito pelo então secretário do trabalho e ação social do governo riograndense, Carlos Alberto Gomes Chiarelli, afirmando que “ao lado do desenvolvimento econômico está o oferecimento  do bem-estar social para o trabalhador, incremento do lazer e da recreação”, além do objetivo de revelar novos talentos para nossa música popular. Ao que parece, os autores e intérpretes deste disco não foram lá muito longe, além do quê não há informação sobre qual foi a música vencedora. De qualquer forma, é um precioso documento que o TM nos revela, de um tempo em que nem sequer se imaginava que o Rio Grande do Sul iria enfrentar os graves problemas financeiros por que passa atualmente, e que por certo inviabilizariam iniciativas sócio-culturais como a do Festival Operário de MPB. Confiram…

teu olhar – valdir mello
nossa guerra é diferente – valdir mello
cabo da boa esperança – coral cbs
inquinação no samba – vitor ferreira

*Texto de Samuel Machado Filho

Jacinto – O Donzelo (1973)

O TM oferece hoje, com muita alegria, este álbum  que vai, por certo, divertir seus amigos cultos, ocultos e associados, com garantia de boas risadas. É o primeiro de uma série lançada pela CBS (selo verde Entré) com o personagem Jacinto, o Donzelo, criado e interpretado pelo comediante Murillo de Amorim Corrêa. Paulista de Campinas, nascido em  19 de dezembro de 1926, Murillo iniciou sua carreira como locutor, na Rádio América de São Paulo, PRE-7.  Depois, transferiu-se para as Emissoras Associadas (Rádios Tupi e Difusora), onde tornou-se ator, especializando-se  em comédias. Era imbatível, por exemplo, na imitação de políticos famosos da época, entre eles Jânio Quadros.  Evidentemente, Murillo também seria um dos pioneiros da televisão brasileira. Ao passar-se para a TV Tupi, atuou em programas de  teleteatros, entre eles o famoso “TV de vanguarda”. Atuou também em novelas da Excelsior (“Mãe” e “Uma sombra em minha vida”, 1964, “A indomável”, 1965, e “Alma de pedra”, 1966), da TV Paulista, futura Globo (“Pedaço de mulher”, 1965) e da Record (“As professorinhas”, 1968). Entretanto, foi no humorismo que Murillo de Amorim Corrêa ganhou fama, participando, ao lado da também comediante Maria Tereza, do quadro “Vitório e Marieta”, um casal de italianos desastrados e, por isso mesmo divertidos, no programa “Praça da Alegria” (depois “A praça é nossa”).  Murillo bateu ponto em quase todas as grandes emissoras de TV do Brasil como humorista, e recebeu várias vezes o Troféu Roquette Pinto, entre outros. No cinema, participou dos filmes “Absolutamente certo” (1957) e “Sabendo usar não vai faltar” (1976). Também interpretou Jacinto, o Donzelo, no rádio, nos programas “A turma da maré mansa” e “Haroldo de Andrade”, e apresentou ainda, na Rádio Bandeirantes de São Paulo, o sertanejo “Discojeca do Jacinto”, que era transmitido nas manhãs de domingo. Murillo de Amorim Corrêa faleceu no dia 13 de maio de 1997, em São Paulo, aos 70 anos, de complicações cardiovasculares. Mas o TM traz de volta, para uns recordarem e outros conhecerem, um pouco de sua arte e talento como humorista, através deste disco produzido pelo sanfoneiro Abdias dos Oito Baixos. Como Jacinto, o Donzelo, o matuto solteirão tímido que veio de Jurumim do Ribeirão, ele interpreta sete divertidas histórias, sendo a primeira uma apresentação do personagem, escritas por Irvando Luiz, então roteirista de humorísticos de televisão, provocando gargalhadas (inclusive dos presentes ao auditório, nas sessões de gravação do LP) com seu bom humor, suas tiradas e suas tentativas frustradas de conquistar mulheres, sempre terminando com o bordão “Eu prego fogo!”.  O sucesso de vendagem deste primeiro álbum fez com que Jacinto, o Donzelo, protagonizasse mais cinco LPs até 1977, quatro pela CBS e um pela Copacabana. Portanto, este disco é um senhor remédio para o mau humor, a tristeza e a depressão. Divirtam-se!

jacinto donzelo

jacinto no baile

o pai é assim

a mulata

garota do parque

jacinto é isso aí

nem gorda escapa

*Texto de Samuel Machado Filho

O Sonho De Alice – Trilha Sonora Original (1982)

Olá. amigos cultos, ocultos e associados! Após o disco de “Chapeuzinho Amarelo”, baseado no livro infantil homônimo de Chico Buarque, até hoje best-seller, e que virou bem-sucedido musical teatral, o TM apresenta hoje mais um álbum para crianças de todas as idades, com a trilha sonora de outro grande sucesso do teatro infantil brasileiro no início dos anos 1980. Trata-se de “O sonho de Alice”, concebido por Fred Pinheiro e Thanah Corrêa, adaptando os dois livros do escritor britânico Lewis Carroll protagonizados pela famosa personagem-título, “Alice no País das Maravilhas” e “Alice através do espelho”. No enredo, a menina Alice acorda em um estranho reino e sai à procura da sua gatinha Diná. E é no País das Maravilhas que ela encontra personagens diferentes, como o coelho branco, o Gato Quem, a Lebre de Março, o Chapeleiro Maluco (em uma festa de “desaniversário”),  Tocatim e Tocatum, que lhes ensinam noções de amizade, respeito e liberdade.  Estrelado por Myrian Rios (que afastou-se da vida artística e hoje é membro da comunidade católica Canção Nova),  e produzido por ela juntamente com seu então marido, o “rei” Roberto Carlos, “O sonho de Alice” alcançou grande repercussão, tanto que, segundo depoimento da própria Myrian, “tinha até cambista na porta do teatro, e isso é raro numa peça infantil”.  O espetáculo foi apresentado no Teatro Villa-Lobos, do Rio, e, em São Paulo, no antigo Teatro Zaccaro, encantando crianças e adultos. E, vez por outra, “O sonho de Alice” é remontado, com outros elencos.  Agora, o TM apresenta o álbum com a trilha sonora de “O sonho de Alice”, com seu elenco original, tendo, claro, Myrian Rios à frente, lançado em 1982 pela CBS, a mesma gravadora de seu então cônjuge, Roberto Carlos. Evidentemente, como co-produtor do espetáculo, ele também compôs a maior parte das músicas, tendo a colaboração de nomes como o eterno amigo e parceiro Erasmo Carlos, Paulo Sérgio Valle, e o maestro Eduardo Lages, então figura de proa nos shows e discos de Roberto. O disco reproduz a magia e o encanto da versão teatral, e o encarte dá-se ao trabalho de incluir um roteiro da história, junto com a reprodução das letras das canções. Enfim, uma orientação e tanto para se apreciar melhor este álbum que o TM hoje nos oferece. É ouvir e sonhar…

reino encantado

alice

as flores

marcha soldado

tocatum e tocatim

lagarta oriental

parabéns pelos 364 dias

a ciranda do mosquito

o gordinho

o gato que ri

tema da rainha

professor sabe tudo

a tartaruga

o cavaleiro

oitava casa

valsa real

no reino da felicidade

.*Texto de Samuel Machado Filho

Mário Pereira – Na Praia (1965)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês o clarinetista Mário Pereira, um músico capixaba, que atuou pela CBS nas décadas de 60 e 70. Fez parte do Regional de Canhoto, que foi quem o trouxe para a gravadora. Na CBS, gravou pelo menos uns seis discos, além de participação em discos de outros artistas. Formou na década de 80 seu próprio regional, sendo consagrado com um dos grandes músicos do choro. Também tinha um conjunto de baile e alegrou muita festa, principalmente nos subúrbios do Rio. Este lp foi o segundo disco gravado por ele. Seu último trabalho, pelo menos até onde eu sei, foi o cd independente “Gafierando”, com temas de sua própria autoria. Confiram…

chorinho no morro
o trenzinho
sem você tudo é tristeza
um clarinete triste
deixa-me chorar
gingando
la playa
garota tentação
quando a noite chegar
prazer das morenas
até quando
chorinho na cinelância
.

Madrugada e Seu Conjunto – Só Sucessos Vol. 10 (1970)

O TM já havia oferecido a seus amigos cultos, ocultos e associados o primeiro LP do misterioso Madrugada e seu Conjunto, “Apaixonadamente”, lançado em 1964 pela CBS, selo verde Entré. Segundo depoimento do organista Lafayette Coelho, músico que continua na ativa, para o site www.jovemguarda.com.br, era ele quem fazia as bases para o conjunto de Madrugada, cujo violinista, conforme muito bem frisado por nosso amigo Alceu, era Homero Gelmini, o “velhinho” ao qual Lafayette se refere na mesma entrevista, que inclusive fez parte do grupo Os Boêmios, da Rádio MEC do Rio de Janeiro, além de ter sido spalla da orquestra do Teatro Municipal carioca.  Alguns dos músicos que colaboravam com o Madrugada também participaram dos álbuns da Orquestra Brasileira de Espetáculos, da mesma CBS, vários deles apresentando versões instrumentais dos sucessos do astro número 1 da gravadora, o “rei” Roberto Carlos. Incógnitas e mistérios à parte, o fato é que Madrugada e seu Conjunto  tiveram longa e vitoriosa carreira fonográfica. Logo em seguida ao álbum de estreia,  “Apaixonadamente”, viria o primeiro volume da bem sucedida série “Só sucessos”, sempre com a marca Entré/CBS. E viriam, até 1975, mais 19 volumes. Pois agora, o TM oferece a vocês o décimo volume de “Só sucessos”, editado em 1970. Sempre com o violino de Homero Gelmini se destacando, o grupo nos oferece, em doze faixas, sucessos dessa época em clima dançante, de bailinho mesmo.  Entre eles, “A namorada que sonhei” (“Receba as flores que lhe doooooou”, lembram-se do Nílton César cantando esta pérola?), “Se eu pudesse conversar com Deus” (música de Nélson Ned consagrada por Antônio Marcos e até hoje lembrada), “A festa dos seus quinze anos” (de Ed Wilson, sucesso-solo do cantor Leno, ex-parceiro de Lilian em famosa dupla da Jovem Guarda), “Se ela voltar” (de Rossini Pinto, então hit de Wanderley Cardoso), “O amor é tudo” (aliás, “Love is all”, que Malcolm Roberts imortalizou no Festival Internacional da Canção de 1969, tendo a versão sido gravada por Agnaldo Rayol), “Eu vou sair para buscar você” (outro sucesso de Nélson Ned, este na voz de Agnaldo Timóteo), a clássica modinha “Quem sabe?”, de Carlos Gomes (que o mesmo Agnaldo Timóteo havia então relembrado), e, do repertório de Roberto Carlos, astro maior da CBS, “Não adianta” e “Nada tenho a perder”. “Vivamos o momento” e “Conta-me tua vida” foram hits de Roberto Muller, e “De mãos dadas” foi popularizado por Carlos Alberto, ambos os cantores então também contratados da “marca do olho caminhante”.  Tudo isso em um álbum perfeito para animar qualquer bailinho ou festa de cunho nostálgico. E aí? Dá-me o prazer desta contradança?

não adianta

a namorada que sonhei

a festa dos seus 15 anos

de mãos dadas

conta-me tua vida

eu vou sair para buscar você

nada tenho a perder

se eu pudesse conversar com deus

o amor é tudo

quem sabe

vivamos o momento

se ela voltar

*Texto de Samuel Machado Filho31

 

Asas Da América (1979), (1980), (1981), (1983) e (1989)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM oferece hoje a vocês os cinco primeiros álbuns do projeto Asas da América, idealizado pelo cantor e compositor Carlos Fernando, lançados entre 1979 e 1989. Nascido em Caruaru, Pernambuco, em 1938, Carlos Fernando se notabilizou por misturar o frevo à MPB, o jazz ao forró e muitas outras inovações, em 40 anos de carreira. Chegou a escrever uma peça de teatro, “A chegada de Lampião no inferno”, baseada em livro de cordel escrito por José Pacheco. A peça inspirou, posteriormente, sua primeira composição musical, “Aquela rosa”, de parceria com Geraldo Azevedo (com quem até apresentou um programa de televisão no Recife), vencedora, em 1967, da Primeira Feira Nordestina de Música Popular, defendida por Teca Calazans, dividindo o prêmio com “Chegança de fim de tarde”, de Marcus Vinícius. Morando no Rio de Janeiro, Carlos Fernando firmou-se como compositor, e teve músicas gravadas pelos maiores nomes da MPB em seu tempo, vários deles presentes nos álbuns que hoje o TM nos oferece. Concebeu trabalhos também para a televisão (“Saramandaia”, “Sítio do Pica-Pau Amarelo”) e cinema (“Pátriamada”, filme dirigido por Tizuka Yamazaki). Entre seus maiores sucessos, ambos gravados por Elba Ramalho, estão “Canta, coração” e “Banho de cheiro” (este último aqui presente). Falecido em primeiro de setembro de 2013, no Recife, aos 75 anos, de câncer na próstata, Carlos Fernando recebeu, um ano mais tarde, um espaço dedicado à sua memória no Museu Memorial de Caruaru, além de uma homenagem na tradicional festa de São João do município. Sem dúvida, a série “Asas da América” foi (e ainda é) o maior legado de Carlos Fernando. Ele deu tratamento pop e futurista ao frevo, acelerando-lhe o andamento e introduzindo arranjos contemporâneos, com guitarra e teclados, fazendo o carnaval pernambucano voltar a ter uma trilha sonora contemporânea. Parcela importante da série nos é oferecida hoje pelo TM, através de seus primeiros cinco álbuns, que apresentam composições não só do próprio Carlos Fernando como também de outros autores.  Entre os intérpretes, nomes de várias tendências e gêneros da MPB: Jackson do Pandeiro, Fagner, Amelinha, Elba Ramalho, Alceu Valença, Chico Buarque, Gilberto Gil, Juarez Araújo, MPB-4, Alceu Valença, o próprio conterrâneo Geraldo Azevedo, Robertinho de Recife, As Frenéticas, Michael Sullivan, Trem da Alegria, Lulu Santos… Os dois primeiros discos foram lançados pela CBS (hoje Sony Music), selo Epic, em 1979-80, o de 1981 pela Ariola, o de 1983 pela Barclay (sucessora da Ariola, que passou a adotar esse nome após sua venda para a Polygram, hoje Universal Music) e o de 1989 pela RCA/BMG, hoje também Sony Music. É no álbum de 1983, inclusive, que está um dos maiores hits autorais de Carlos Fernando, “Banho de cheiro”, na interpretação inesquecível de Elba Ramalho, sucesso absoluto durante o carnaval de 84 e depois do mesmo, e regravada seis anos depois por Alcione em outro disco da série aqui incluído, o de 1989. Outro destaque fica por conta de “Noites olindenses”, que abre esse mesmo volume, na voz de Caetano Veloso. Nele, Zé Ramalho regrava “Frevo mulher” (sucesso na voz de sua ex-esposa, Amelinha), Moraes Moreira revive seu clássico “Festa do interior” e aparece até mesmo uma inacreditável interpretação do roqueiro Lulu Santos para “Atrás do trio elétrico”, de Caetano.  Uma quina primorosa de documentos discográfico-musicais, que representa, sem dúvida, o melhor do precioso legado de Carlos Fernando como compositor e produtor musical. E ainda viriam mais dois LPs, em 1993, e 1995, este último destinado ao público infantil (“Asinhas da América – O pinto da madrugada”). Agora é azeitar as canelas e frevar até se acabar!

* Texto de Samuel Machado Filho

Vários – Um Novo Carnaval (1968)

Olá amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais um disco de Carnaval.desta vez, vamos para o de 1968, lançado pela CBS. Temos aqui uma seleção de marchinhas defendidas por Ary Cordovil, Noel Carlos, Zilda do Zé, Clério Moraes e Paulo Bob. Um novo Carnaval, ou mais um bom disco, coisa que hoje em dia a gente não ouve mais. Por isso é fundamental que revisitemos outros e antigos carnavais. Pra gente lembrar como se brinca de verdade. 😉

tá certo (tá certo meu amor) – ary cordovil
tô com diabo – noel carlos
caí do cavalo – zilda do zé
forrobodó – paulo bob
acorda maria – clerio moraes
vou jogar meu pandeiro fora (é triste brincar sem mulher) – noel carlos
menina de colegio – noel carlos
maré brava – zilda do zé
fim de carnaval – ary cordovil
bang bang no salão – paulo bob
vem me perdoar – clério moraes
coitada… coitada… – ary cordovil
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Núbia Lafaette (1977)

Verdadeiro ídolo popular, Núbia Lafayette volta a bater ponto aqui no Toque Musical, desta vez com seu álbum de 1977, selo Entré/CBS, gravado no outono daquele ano. Nossa Núbia chamava-se, na pia batismal, Idenilde Araújo Alves da Costa. Veio ao mundo na cidade de Assu (ou Açú, na grafia atual), Rio Grande do Norte, no dia 21 de janeiro de 1937. Ali morou até os três anos de idade, quando aconteceu a mudança da família para o Rio de Janeiro. Mais um talento precoce entre muitos que despontaram para a cena artística, a pequena Idenilde apresentou-se em programas infantis do rádio, entre eles o famoso “Clube do Guri”, da PRG-3, Rádio Tupi, desde os 8 anos de idade, evidentemente demonstrando talento para a música.  Quando exercia o humilde ofício de vendedoras nas famosas Casas Pernambucanas (“onde todos compram”), resolveu participar do programa de calouros “A voz de ouro”, da TV Tupi, Canal 6. Um dos jurados era o proprietário da Boate Cave, Jordão Magalhães, e, a convite deste, foi “crooner” daquela casa noturna, e estreou interpretando músicas do repertório de Dalva de Oliveira, de quem era fã e muito a influenciou. Em 1959, exatamente no dia 25 de maio, com o pseudônimo de Nilde Araújo, gravou seu primeiro disco, na Polydor, com o devido apoio de seu então diretor artístico, o cantor Joel de Almeida. O 78 rpm apresentava os sambas-canções “Vai de vez” (Ricardo Galeno e Paulo Tito) e “Sou eu” (Waldir & Rubens Machado, regravado mais tarde por Orlando Dias). Cantou também na Boate Michel de São Paulo. Em 1960, no Cave, ela conheceu o compositor Adelino Moreira, que mudou seu nome artístico para Núbia Lafayette,com o qual ficaria para a posteridade. Com o apoio de Nélson Gonçalves, principal intérprete de Adelino, o compositor a levou para a RCA. Em agosto de 60, com o selo econômico RCA Camden, era lançado o primeiro 78 da cantora como Núbia Lafayette, apresentando duas músicas de Adelino Moreira que logo obtiveram êxito,marcando sua definitiva projeção: “Devolvi” e “Nosso amargor”, logo se firmando também como expressiva intérprete das obras do autor de “A volta do boêmio”.  Em 1961, vem o primeiro LP, “Solidão”, com a faixa-título também assinada por Adelino. A partir daí, conseguiu sucessos sobre sucessos (“Seria tão diferente”, “Minha história”, “Figuras de jornal”, “Samba do adeus”, “Casa e comida” – talvez o maior deles, de autoria de Rossini Pinto, grande nome da Jovem Guarda  -, “Jamais estive tão segura de mim mesma” – este, composto por Raulzito, aliás, Raul Seixas -, “Coração condenado” etc.).  Vários cantores foram influenciados por Núbia Lafayette, e a lista inclui Alcione, Fafá de Belém, Elymar Santos, Tânia Alves e a alagoana  Rose d’Paula. A discografia de Núbia inclui dezessete discos 78 com trinta e quatro músicas, mais de 20 álbuns, entre LPs e CDs,  e alguns compactos.  Seu último trabalho em disco foi o CD “Núbia Lafayette canta Dalva de Oliveira”, lançado em 1998 pela Polydisc, dentro de sua longa série “Vinte super-sucessos”, e no qual homenageia aquela que mais a influenciou em sua trajetória musical. Na década de 1990, Núbia passou a morar em Maricá, litoral norte fluminense, de lá saindo apenas para atuar esporadicamente em shows especiais, e como convidada de programas de rádio e televisão. Faleceu em Niterói, RJ, no dia 18 de junho de 2007, aos 70 anos, de complicações causadas por um AVC que sofrera pouco antes. Aqui no TM, mais um encontro de nossos amigos cultos,ocultos e associados com Núbia Lafayette, em impecável trabalho com produção do cantor Luís Carlos Ismail e arranjos dos “experts” Waltel Blanco e Lincoln Olivetti, sob a direção artística de outro “cobra” do setor fonográfico,  Jairo Pires. Aqui, ela regrava seu primeiro grande hit, “Devolvi”, e hits que outros intérpretes consagraram: “Espinita”,  “Pra não morrer de tristeza”, “Conformada”, “Uno” e “Migalhas”.  Trabalhos até então inéditos em disco, caso de “À maneira antiga” , “Eu morrendo por você” e “Coisa à toa”, completam o cardápio deste álbum, um prato cheio para os fãs da dor-de-cotovelo e, por tabela, de Núbia Lafayette.  Ouçamos
não te esquecerei
coisa atoa
uno
a maneira antiga
e eu morrendo por você
conformada
migalhas
devolvi
espinita
sem você
prá não morrer de tristeza
noite de amor
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* Texto de Samuel Machado Filho

A Bossa De Ontem É De Sempre (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Finalmente é sexta feira e aqui estou eu, de novo ao ‘volante’. É muito bom poder contar com o amigo Samuel, seus textos são ótimos, bem informativos, mas isso aqui precisa também ter um lado pessoal, passional e até tendencioso, porque não? 🙂 Daí, o Augusto aqui volta para que o Toque Musical não perca essas características (tem que ter o lado irritante, kkk…)
Para esta sexta feira ficar mais feliz eu estou trazendo outra boa doação, feita pelo nosso amigo Fáres. Vamos de bossa nova, nesse lp lançado pela CBS em 1975. Trata-se de uma coletânea reunindo alguns dos artistas do seu ‘cast’, da década de 60: Tito Madi, Conjunto Farroupilha, Thelma Soares, Maysa e a Elis Regina (do tempo que ela assinava o nome com dois L). Esta era uma boa maneira das gravadoras reapresentarem artistas, que muitas vezes já nem faziam parte do seu elenco, mas que tinha deixado ali um legado de sucesso. E a Bossa Nova, que nunca morreu, vez por outra acendendo paixões, estava naquele 75 em alta. Daí talvez um bom motivo para acionar alguns de seus artistas ‘bossanovistas’. O repertório é, sem dúvida, muito bom e bem conhecido de todos. Um deguste sempre necessário que acaba fazendo a gente revisitar velhos álbuns.

o barquinho – maysa
carinho e amor – tito madi
o pato – conjunto farroupilha
samba de uma nota só – thelma
amor e paz – tito madi
1, 2, 3, balançou… – ellis regina
menina moça – tito madi
depois do amor -maysa
a mesma rosa amarela – conjunto farroupilha
garota de ipanema – thelma
silêncio – ellis regina
manhã de carnaval – thelma
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Luiz Eça E Radamés Gnatalli – Os 6 Mais Numa Imagem Barroca (1968)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu marcando o ponto, que é para não perder o costume. Ultimamente eu tenho andado muito preguiçoso até mesmo para ir mantendo as postagens do Toque Musical com textos preparados pelo nosso amigo Samuca. Enviei para ele uma dúzia de discos para serem ‘resenhados’ e mais que de pressa já recebi tudo pronto. Só falta agora eu achar um tempinho e sair dessa ‘lomba’. Infelizmente, eu não tenho conseguido manter regular e diária as nossas postagens. Tá tardando… mas não falha 😉
Hoje eu resolvi `tomar o volante` e fazer a postagem deste sábado. Estou trazendo um lp que ganhei de presente do amigo Fáres. Aliás, foram vários discos que ele me deu, mas este, em especial, está valendo o dia. Trata-se de um lp lançado pela CBS em 1968. Uma produção de Helcio Milito para dois grande artistas, Luiz Eça e Radamés Gnattali. Este é mais um daqueles lps maravilhoso da CBS, que nasciam por acaso, como foi o disco “Krishnanda”, do Pedro (Sorongo) Santos, onde os artistas tiveram total liberdade de criação, aproveitando quem sabe os momentos de folga, ou horas que sobravam em fitas do estúdio. Essa descontração sempre faz gerar bons frutos. E o resultado é um disco surpreendente, pois traz a música de seis grandes compositores: Milton Nascimento, Sidney Miller, Dori Caymmi, Chico Buarque, Johnny Alf e o próprio Luiz Eça em uma faceta musical barroca. Quer dizer, são doze composições desses artistas arranjadas e interpretadas por Radamés e Luiz Eça, num clima de música barroca, caraterizada, principalmente, pelo cravo e a flauta. É bom lembrar que arranjos com esses, naqueles anos 60, estavam muito em voga. Basta lembrarmos do Lalo Schfrin que em vários de seus discos explorou essa sonoridade. Pela própria CBS teve o Roberto Carlos em “É por isso que eu estou aqui”, que tem essa mesma atmosfera ‘barroca’. E também naquela mesma década a gravadora lançou o álbum “Música Barroca Francesa” com o cravista Roberto de Régina. Os anos 60 foi bem sortido de música clássica e a barroca foi a que mais se destacou em popularidade. Lembram do conjunto Musikantiga? Acho que foi nessa onda que Radamés e Luiz Eça resolveram surfar e se deram muito bem. Boa música popular brasileira interpretada e arranjada por dois dos maiores músicos deste nosso Brasil. Um disco que agrada em cheio! Eu tô adorando 🙂

carolina
eu e a brisa
morena do olhos d’agua
rialejo
travessia
oferenda
o circo
com açucar e com afeto
o cantador
imagem
lua cheia
a praça
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Silvio Caldas – Serestas, Só Serestas (1973)

O carioca Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas (1906?-1998) foi sem dúvida fiel à seresta, mais do que qualquer outro intérprete de seu tempo. O eterno “caboclinho querido” lançou,ao longo da carreira,páginas notáveis da seresta, compostas pelos melhores autores, inclusive ele mesmo.  Como esquecer, por exemplo, do s clássicos que compôs com Orestes Barbosa (“Serenata”, “Chão de estrelas”, “Arranha-céu”  etc.)?  Por isso mesmo é que Sílvio Caldas é considerado, com justiça, o mais seresteiro de todos os intérpretes de nossa música popular.
Hoje, o Toque Musical tem a grata satisfação de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados  mais um álbum de Sílvio Caldas (a quem já tivemos o prazer de dedicar algumas edições do Grand Record Brazil). Trata-se de uma compilação, editada pela CBS (selo verde Entré, um dos braços “econômicos” da gravadora, ao lado do Tropicana) em 1973, reunindo gravações extraídas de dois LPs rememorativos que fez na empresa, com músicas de grandes autores, tipo Gastão Lamounier, Joubert de Carvalho,  Custódio Mesquita etc.  Se não, vejamos: do álbum “O grande seresteiro” (1968), foram extraídas “Assim acaba um grande amor” (gravação original de Carlos Galhardo, em 1937), “Não me abandones nunca” (criação do próprio Sílvio, em 1938),o fox-canção “Mulher” (também criação original de Sílvio, em 1940), o samba-canção “Prece” (de Vadico e Marino Pinto, originalmente lançado por Helena de Lima em 1956), “Se tu soubesses” (outra criação original de Sílvio, em 1941) e “Perdoa, meu amor” (original de Orlando Silva, em 1947). Um ano mais tarde, 1969, Sílvio lançou mais um LP rememorativo, “E o destino desfolhou”, do qual aqui estão as faixas “Último desejo”(eterno clássico de Noel Rosa, só lançado após sua morte por Aracy de Almeida, em 1938), “Que importa para nós dois a despedida?” (lançada por Orlando Silva em 1939), o sucesso de sempre “Eu sonhei que tu estavas tão linda” (registro original de Francisco Alves em 1941, com várias interpretações em disco, até mesmo do “tremendão” Erasmo Carlos),  “Cinco letras que choram – Adeus” (clássico do repertório de Francisco Alves, lançado em 1947), “O nome dela não digo” (da parceria de Sílvio com Orestes Barbosa, originalmente lançada por ele mesmo em 1936) e, claro,a faixa-título do LP original, “E o destino desfolhou”(criação de Carlos Galhardo, em 1937). Mesmo  na casa dos 60 anos, na época em que fez estas regravações, Sílvio Caldas está bastante motivado, nos oferecendo, como sempre, interpretações soberbas e imperdíveis. Bons autores, sucessos inesquecíveis, um intérprete seresteiro por natureza… Que mais se pode querer?  É ouvir e recordar
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assim acaba um grande amor
não me abandones
último desejo
mulher
prece
se tu soubesses
que importa para nós dois a despedida
eu sonhei que tu estavas tão linda
cinco estrelas que choram
o nome dela eu não digo
perdoa meu amor
e o destino desfolhou
*SAMUEL MACHADO FILHO.

Adilson Ramos / Leno / Martinha / Roberto Carlos – Compactos Anos 60

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Vai me dando um desespero esse negócio de postar compactos. Um por dia, talvez por só ter duas ou quatro músicas, fico com a sensação de que está faltando alguma coisa. Daí eu apelo e vou logo  postando mais alguns. Hoje não vai ser diferente, ou por outra, dentro das diferenças, aqui vão quatro compactos lançados nos anos 60. Buscando manter uma certa uniformidade, escolhi quatro disquinhos que tem em comum a Jovem Guarda. Por incrível que pareça, o compacto que não tem nada de Jovem Guarda é o do Roberto Carlos, que traz na verdade dois sambas em gravações de 1967. Os demais, Adilson Ramos, Leno e Martinha, todos da geração JG, aparecem individualmente em seus respectivos compactos fazendo uma mostra do que era o tal movimento. Acredito que todos esses quatro disquinhos, ou músicas, já tenham sido apresentados em outros blogs. Mas como eu já deixei há tempos de ser um garimpeiro de músicas na Internet, ando meio por fora do que tem rolado nas outras praças. Segue assim este bloco com quatro discos diferentes, ok?

meu karmann ghia – adilson ramos
feliz por te amar – adilson ramos
a pobreza – leno
me deixe em paz – leno
barra limpa – martinha
não brinque assim – martinha
maria, carnaval e cinzas – roberto carlos
ai que saudades da amélia – roberto carlos
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Claudia Telles – Claudia (1977)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ultimamente todas as minhas publicações tem sido de discos que eu chamo de ‘discos de gaveta’, aqueles sempre prontos, como as ‘notícias de gaveta’, que aguardam a sua hora para entrar no jornal. Tenho feito assim, catando aquilo que está mais próximo, sem ficar escolhendo muito. Felizmente, o que tenho deixado para essas horas são coisas que valem também a conferida. Hoje, por exemplo, vamos com este lp da cantora Claudia Telles, o primeiro lp gravado por ela. Antes disso a moça só tinha participado em discos de outros artistas, fazendo côro e alguns ‘backvocals’. Em 1976 ela gravou num compacto a música “Fim de tarde”, de Walter Davila Filho e Mauro Motta, que fez muito sucesso nas rádios e lhe abriu as portas para este lp, que sairia no ano seguinte. A música acabou entrando no repertório do disco, impulsionando-o . E mais uma vez ela fez sucesso com outra música de Mauro Motta, desta vez em parceria com Robson Jorge, “Preciso te esquecer”, tema de uma novela da Rede Globo. O álbum trouxe também outros destaques como “And I love her”, dos Beatles e “Dindi”, música de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, também interpretada por sua mãe, a cantora Sylvia Telles.
Já ouvi outros discos da Claudia Telles, mas este é para mim o preferido, não apenas pelo repertório tão agradável, mas também pelos arranjos de Lincoln Olivetti e regências de Alexandre Gnatalli. Isso, sem dúvida, faz a diferença 🙂
eu preciso te esquecer
eu nao posso mudar
dindi
você pensa
aprenda a amar
caminhos iguais
um dia tudo vai passar
não aguento mais você
and i love her
sem ter você
a vida sem você
fim de tarde
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Márcio Montarroyos – Carioca (1983)

Olá amigos cultos e ocultos! Na brecha do meu tempo, aqui vai o disco do dia (ou da noite, se preferirem). Vamos com o saudoso trumpetista Márcio Montarroyos, em disco lançado em 1983. Um álbum nota dez para quem gosta de música moderna instrumental. Fazendo juz à sua ilustre e talentosa figura, Márcio vem acompanhado pela nata do momento, músicos renomados, time de primeiríssima! Djalma Corrêa, Leo Gandelman, Jamil Jones, Victor Biglione, Ivan Conti, Ricardo Silveira, Arthur Maia, Lincoln Olivetti, Celso Fonceca… putz, a turma é grande, tem mais uns tantos… mas por aí já dá para sentir o clima. O disco foi gravado no Rio de Janeiro e finalizado em Nova York.

introduction – quilombo dos palmares
aruanda
ocean dance
skydive
samba solstice
christina
carioca
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Waltel Branco – Meu Balanço (1975)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Entre os muitos discos que recebi de doação, eis aqui um pouco do ‘filé’, que eu só estou postando para incrementar o Toque Musical, pois afinal, trata-se de um disco já bem divulgado em muitos blogs, a tal ponto que se transformou em objeto de desejo de colecionadores inclusive internacionais. “Meu Balanço”, de Waltel Branco tornou-se um disco badalado e possivelmente mais vendido em sua reedição estrangeira do que na época de seu lançamento. Tornou-se um álbum ‘cult’, apreciado por nove entre dez dj’s do momento. As novas gerações de ‘antenados’ se ligaram de imediato no balanço desse incrível músico chamado Waltel Branco. Sem dúvida, um discaço e merece estar aqui no Toque Musical, não é mesmo?

luar do sertão
sonho no céu
meu balanço
lady samba
apenas um coração solitário
jael
walking
satiricon
carmen
meiguice
petit fils
zoraia
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Carlos José – Uma Noite De Sereta Vol. 5 (1970)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Tem dias, como hoje, em que eu estou bem disposto e com tempo para nossas postagens. Porém, como um pinto no lixo, me afogando em discos e músicas, fico aqui perdido, sem saber o que melhor postar. Nessas horas, o melhor a fazer é partir para um sorteio. Enfio a mão no meu baú digital, ou melhor dizendo, no HD dos últimos mil discos digitalizados e escolho à sorte o primeiro que o cursor me apontar. Esse processo é bem parecido, ou quase a mesma coisa que os meus já habituais ‘discos de gaveta’. E nessa escolha aleatória, o disco sorteado para hoje é “Uma noite de seresta”, com o cantor Carlos José. Para contrariar a ordem, este é o volume 5. Mas não se preocupem, outros dias virão e por certo os quatro primeiros volumes logo serão também disponibilizados.
Temos então este lp, trazendo na interpretação de Carlos José doze temas bem conhecidos do público seresteiro. Músicas, algumas que até se repetem através de outros artistas e discos postados aqui. Mas o que vale é também a interpretação, os arranjos e preferências. Carlos José vem acompanhado pelo regional de Canhoto, o que garante ainda mais a qualidade dessa produção. Que tal ouvirmos…

mimi
falsa felicidade
se ela perguntar
cigana
você
modinha
há um segredo em teus cabelos
chão de estrelas
dona da minha vontade
talento e formosura
estella
rapaziada do braz
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