Carnaval 76 – Convocação Geral Vol. 2 (1975)

Na sequencia carnavalesca temos então o segundo volume do projeto Carnaval 76 – Convocação Geral. Aqui também encontramos muita coisa boa, com destaque para Sérgio Sampaio, com a música “Cantor de rádio”, que viria no ano seguinte a fazer parte do seu lp “Sinceramente”. Tem Maria Alcina com “Paixão malagueta”, sucesso de vários carnavais, Alceu Valença no frevo “Pitomba pitombeira”. Moraes Moreira também vem de frevo na música “Satisfação”. Na contracapa podemos ver ainda a presença de veteranos com Jorge Veiga e Angela Maria. Tom e Dito também dão o recado na marchinha “Me larga, me solta, me deixa”. E ainda, Os Tincoãs e o maluco Osvaldo Nunes. É bom também lembrar do grande Waltel Branco, responsável pelos arranjos. Em resumo, um disco muito bom, com artistas de diferentes gravadoras. Puro espírito de carnaval.

paixão malagueta – maria alcina
a choradeira – oswaldo nunes
fazendo tudo – trama
quebra quebra guabiraba – os tincoãs
pitomba pitombeira – alceu valença
a roupa do gonça – jorge veiga
prenda minha no carnaval – angela maria
me larga me solta me deixa – tom e dito
satisfação – moraes moreira
cantor de rádio – sérgio sampaio
carnaval bloco do amor – renata lu

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As Cantoras – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 146 (2016)

Em sua edição de número 146, o Grand Record Brazil apresenta mais uma seleção de gravações com cantoras que fazem parte da história de nossa música popular, mesclando nomes consagrados com outros que o passar do tempo foi esquecendo, e perfazendo um total de 16 faixas, autênticas raridades que são reveladas para os amigos cultos, ocultos e associados de nosso TM.  –  Abrindo a seleção musical desta quinzena, temos o samba-canção “Amigos”, de autoria de Paulo Marques e Aylce Chaves, na interpretação de Linda Batista, acompanhada de conjunto no qual o violino, certamente, é de Fafá Lemos. A gravação foi feita na RCA Victor em 27 de janeiro de 1955 e lançada em março do mesmo ano, sob número de disco 80-1429-A, matriz BE5VB-0651. Em seguida, temos Aracy de Almeida, a inesquecível “dama da Central” e “do Encantado”, interpretando outro samba-canção, este clássico e bastante regravado: “Bom dia, tristeza”, lançado pela Continental em maio-junho de 1957 sob número 17437-B, matriz 11947. E a música tem uma história bem interessante: os versos, de autoria do Poetinha Vinícius de Moraes, foram enviados por ele de Paris (ele trabalhava na embaixada brasileira na França), por correio, a Aracy de Almeida, a fim de que ela fizesse o que bem entendesse com eles. Aracy, então colega de Adoniran Barbosa na Rádio e Televisão Record de São Paulo, solicitou então a ele que os musicasse. Mestre Adoniran desincumbiu-se plenamente da tarefa, e o resultado foi mais uma página antológica de seu trabalho autoral, no qual se destacam sambas como “Saudosa maloca” e “Trem das onze”, entre outros. Ângela Maria, a festejada Sapoti, aqui comparece com um tango bastante expressivo e de sucesso: “Mentindo”, de Eduardo Patané e Lourival Faissal. Foi lançado pela Copacabana em setembro-outubro de 1956, com o número 20032-A (dentro da série “de exportação” da companhia), matriz M-1671, mais tarde abrindo o LP de dez polegadas “Sucessos de Ângela Maria, número 2”. A cantora também interpretou “Mentindo” em dois filmes: “Com água na boca”, da Cine TV Filmes (mais tarde Herbert Richers), e “Rio fantasia”, de Watson Macedo. Paulista de Santos, Eladyr Porto iniciou sua carreira interpretando sambas e marchinhas. Mas, após residir na Argentina, passou a cantar tangos. É desta fase a gravação escalada para esta edição do GRB, “Cantando”, um clássico do gênero, escrito por Mercedes Simone, com letra brasileira de Virgínia Amorim. Quem o conhece na interpretação em dueto de Silvana e Rinaldo Calheiros, agora vai poder conferir sua primeira gravação em português, com Eladyr Porto, lançada pela Mocambo em 1956 sob número 15016-A, matriz R-537, aparecendo também no LP de dez polegadas “Tangos em versão”. Logo depois, Norma Ardanuy interpreta “Alma de boêmio (Alma de bohemio)”, outro tango clássico, de autoria de Roberto Firpo e Juan Andrés Caruso, em versão de Vanda Ardanuy, por certo irmã da intérprete. Foi gravado na Polydor em 13 de abril de 1956, e o disco recebeu o número 149-A, matriz POL-1116. Grande destaque do rádio de São Paulo nos anos 1940/50, e também pioneira da televisão no Brasil, Rosa Pardini aqui interpreta o bolero “Nunca, jamais (Nunca, jamás)”, de autoria de Lalo Guerrero, norte-americano do Arizona, mas descendente de mexicanos, em versão de Nélson Ferreira. Gravação Polydor de 31 de agosto de 1956, em disco número 173-B, matriz POL-1215, e que também abriu o LP de dez polegadas n.o LPN-2013, sem título. Em seguida, volta Eladyr Porto, interpretando “Silêncio”, versão dela própria para um tango clássico de Carlos Gardel, Alfredo Le Pera e Horacio Pettarosi. Outra gravação Mocambo , lançada em dezembro de 1956 sob número 15117-A, matriz R-740, sendo também faixa de abertura do já citado LP de dez polegadas “Tangos em versão”. Luely Figueiró interpreta depois “Até (Prière sans espoir)”, versão de Oswaldo Santiago para um fox de origem francesa, de autoria de Charles Danvers e Pierre Benoit Buisson, sucesso em todo o mundo na letra norte-americana de Carl Sigman, com o nome de “Till”. A gravação de Luely saiu pela Continental em setembro-outubro de 1958, sob número 17589-B, matriz 12120, entrando também no primeiro LP da cantora, “Gauchinha bem querer”. No mesmo ano, esta versão foi também gravada por Julie Joy, com o nome de “Até que…”.  A recifense-pernambucana Maria Helena Raposo bate ponto aqui com “Antigamente”, samba-toada de Vadico e Jarbas Mello, faixa de seu único LP, “Encantamento”, lançado em 1958 pela Mocambo, gravadora que inclusive tinha sede em seu Recife natal. Isaura Garcia, a sempre lembrada “Personalíssima”, aqui interpreta “Falaram de você”, samba-canção dos irmãos Hervê e Renê Cordovil, gravação RCA Victor de 13 de novembro de 1953, lançada em março de 54 sob número de disco 80-1258-B, matriz BE4VB-0304. O clássico “Conceição”, de Waldemar “Dunga” de Abreu e Jair Amorim, imortal sucesso de Cauby Peixoto, é aqui apresentado na voz de Dircinha Batista. A gravação dela para esse samba-canção foi feita na RCA Victor em 29 de maio de 1956, e lançada em agosto do mesmo ano sob número 80-1646-B, matriz BE6VB-1178, e, em virtude da enorme repercussão do registro de Cauby, ficou esquecida. Portanto, o GRB agora oferece uma oportunidade de ouvir e reavaliar esta interpretação de Dircinha Batista para “Conceição”. Logo depois, Dóris Monteiro interpreta “Quando tu passas por mim”, samba-canção que, embora tenha sido integralmente composto pelo Poetinha Vinícius de Moraes, letra e música, teve parceria por ele mesmo concedida a Antônio Maria. Originalmente gravado por Aracy de Almeida, em 1953, é oferecido aqui na interpretação da sempre notável  Dóris, lançada pela Continental em março de 1955, sob número 17092-B, matriz C-3555, com orquestração e regência do mestre Tom Jobim, outra importantíssima credencial. “Quantas vezes”, samba-canção de Peterpan, e outro sucesso de Dóris Monteiro (1952), aqui aparece na voz da eterna “Favorita”, Emilinha Borba (por sinal cunhada do compositor), em gravação extraída de acetato da Rádio Nacional carioca, então vivendo seu período áureo. Uma das “cantorinhas” reveladas pelo programa “Clube do Guri”, da Rádio Tamoio, também do Rio de Janeiro, Zaíra Cruz interpreta graciosamente a valsa “Anjo bom”, de Lourival Faissal em parceria com o jornalista Max Gold, em homenagem ao Dia das Mães. Gravação RCA Victor de 15 de março de 1956, lançada em maio do mesmo ano sob número 80-1600-B, matriz BE6VB-1022. Um ano mais tarde, apareceu no LP-coletânea de dez polegadas “Mãezinha querida”.  Entre 1952 e 1961, Zaíra Cruz gravou 21 discos de 78 rpm com 42 músicas, quase todos pela RCA Victor, e o último na Tiger. A também atriz Heloísa Helena (Rio de Janeiro, 28/10/1917-idem, 19/6/1999) bate ponto nesta edição com uma verdadeira raridade: “N’aimez que moi”, canção de Joubert de Carvalho e Maria Eugênia Celso, com letra me francês, originalmente lançada em disco por Marlene Valleé, em 1932. A presente gravação, em que Heloísa Helena é acompanhada ao piano por Benê Nunes, foi  tirada diretamente da trilha sonora do filme “É fogo na roupa”, de 1952, produzido e dirigido por Watson Macedo, verdadeiro craque das chanchadas.  E por último, da escassa discografia da cantora Míriam de Souza, resgatamos “Noite de chuva”, samba-canção do maestro Lindolfo Gaya em parceria com Pascoal Longo. É o lado A de seu segundo disco, o Odeon 13684, gravado em 28 de maio de 1954 e lançado em julho do mesmo ano, matriz 10144. Míriam gravou apenas seis discos 78 com doze músicas, cinco pela Odeon, entre 1953 e 1956, e o último na obscura Ciclone, em 1960. Enfim, esta é mais uma contribuição do GRB e do TM para a preservação da memória musical do Brasil, tarefa árdua porém extremamente gratificante. Divirtam-se!
*Texto de Samuel Machado Filho

Angela Maria E Orquestra (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Há tempos atrás alguém me pediu para postar aqui discos da Angela Maria. Naquele momento eu achei por bem não postar devido ao fato de que a sua discografia havia sido reeditada. Ao que eu entendi, todos os seus discos, ou músicas, foram relançados em cd, mais exatamente os das décadas de 50 e 60. Não creio que tenham sido relançados todos, até porque, comercialmente, para as editoras, um investimento desse lhe traria prejuízo, mesmo sendo a Angela Maria. Há lançamentos musicais que se tornam clássicos os álbuns, em outros, apenas a faixa. Daí é que as gravadoras preferem, nesse último caso, lançar coletâneas. Comercialmente elas tem mais saída.
Neste álbum, lançado pela Copacabana, em 1958, vamos encontrar a Sapoti desfilando sambas, boleros e outros gêneros tão comuns na época, acompanhada pela orquestra da casa. Creio que quase todas as faixas deste disco foram antes lançadas em discos no formato 78 rpm. O álbum, ao que consta teve uma reedição nos anos 70, pelo selo Som.

ontem e hoje
pretexto
flor de madrid
maria do cais
bicha coirana
tédio
voltei
intenção
apaixonada
oração triste
papai mamãe e eu
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Cinema Em 78 RPM – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 137 (2015)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, agora em sua edição de número 137. E a seleção musical desta quinzena foi preparada por uma pessoa muito especial: eu próprio!  Tudo começou quando o Augusto me mandou  diversos áudios extraídos de clipes produzidos para o YouTube, pela Rádio Educativa Mensagem de Santos, aproveitando cenas de filmes diversos, todos em preto e branco. No entanto, apenas quatro músicas, devidamente conservadas aqui , fizeram realmente parte de filmes. Então sugeri que fosse feita uma edição com músicas que foram realmente apresentadas em películas de sucesso, a maior parte nacionais. Com o devido acolhimento da ideia, e com carta branca para sua elaboração,  consegui garimpar dezesseis fonogramas, alguns até raríssimos, extraídos das bolachas de cera velhas de guerra. Uma seleção que resultou inclusive de pesquisas em fontes diversas, particularmente o “Dicionário de filmes brasileiros – longa-metragem”, de Antônio Leão da Silva Neto (Editora Futuro Mundo, 2002). Isto posto,vamos às músicas.Para começar, temos o clássico “O ébrio”, canção de e com Vicente Celestino, “a voz orgulho do Brasil”, por ele gravada na Victor em 7 de agosto de 1936 e lançada em setembro do mesmo ano, disco 34091-A, matriz 80195. O filme viria dez anos depois, produzido pela Cinédia e dirigido pela esposa do cantor, Gilda de Abreu, com grande bilheteria (teria superado até mesmo “Tropa de elite2”, o recordista oficial de bilheteria do cinema brazuca).  Esta gravação é uma montagem que apresenta, primeiramente, o monólogo inicial, extraído da regravação que Celestino fez da música em 1957, e, em seguida, o registro original de 1936, junção esta feita para a coletânea “Sessenta anos de canção”, lançada após a morte do cantor, em 1968. Inezita Barroso, recentemente falecida, aqui comparece com “Maria do mar”, canção do maestro Guerra Peixe em parceria com o escritor José Mauro de Vasconcelos, autor de romances de sucesso como  “Vazante”, “Coração de vidro”, “Banana brava” e “O meu pé de laranja-lima”. Fez parte do filme “O canto do mar”, produção da Kino Filmes dirigida por Alberto Cavalcanti, e Inezita a gravou na RCA Victor em 4 de agosto de 1953,com lançamento em  outubro do mesmo ano, disco 80-1209-B, matriz BE3VB-0222. Temos, em seguida, a única composição de origem estrangeira inclusa nesta seleção. Trata-se de “Natal branco (White Christmas)”, fox de autoria de Irving Berlin, um dos maiores compositores dos EUA, e sucesso em todo o mundo. Seu intérprete mais constante foi o ator e cantor Bing Crosby, que a lançou em um show que fez para os pracinhas norte-americanos que serviam nas Filipinas, durante a Segunda Guerra Munidal. Bing também interpretou este clássico em dois filmes: “Duas semanas de prazer (Holiday inn)”, de 1942, e “Natal branco(White Christmas)”, de 1954. Com letra brasileira de Marino Pinto, foi levado a disco na RCA Victor por Nélson Gonçalves, ao lado do Trio de Ouro, então em sua terceira fase (Lourdinha Bittencourt, então esposa deNélson, Herivelto Martins e Raul Sampaio), no dia 25 de novembro de 1955, mas estranhamente só saiu em janeiro de 56, disco 80-1551-B, matriz BE5VB-0926. Houve uma versão anterior, assinada por Haroldo Barbosa, que Francisco Alves interpretava em programas de rádio, porém não gravada comercialmente. Na quarta faixa, o maior sucesso autoral do compositor pernambucano Nélson Ferreira:  o frevo-de-bloco “Evocação”, primeiro de uma série de sete com o mesmo título, homenageando grandes nomes do carnaval recifense do passado. A interpretação é do Bloco Batutas de São José,lançada pela recifense Mocambo em janeiro de 1957, no 78 rpm n.o 15142-B, matriz R-791, e no LP coletivo de 10 polegadas “Viva o frevo!”.  “Evocação” foi também sucesso no eixo Rio-São Paulo, em ritmo de marchinha, entrando na trilha sonora do filme “Uma certa Lucrécia”, de Fernando de Barros, estrelado por Dercy Gonçalves. Logo depois, outra gravação da Mocambo: é a balada-rock “Sereno”, lançada em 1958 no 78 rpm n.o 15233-A, matriz R-985, e incluída mais tarde no LP “Surpresa”. A música fez parte do filme “Minha sogra é da polícia”, uma comédia dirigida pelo mesmo autor da composição, Aloízio T. de Carvalho, e por sinal bastante cultuada pelos fãs de dois futuros astros da Jovem Guarda, Roberto & Erasmo Carlos, pois marcou a primeiríssima aparição de ambos no cinema.  “Sereno” também foi revivida, em 1976, na novela “Estúpido Cupido”, da TV Globo, cuja trilha sonora foi a de maior vendagem da história da gravadora Som Livre: mais de dois milhões e meio de cópias! Na sexta faixa, uma raridade absoluta: trata-se da toada “Céu sem luar”, do maestro Enrico Simonetti em parceria com o apresentador de rádio e televisão Randal Juliano. Quem a interpreta, com suporte orquestral do mestre Tom Jobim, é Dóris Monteiro, em gravação Continental de 6 de maio de 1955, lançada em outubro do mesmo ano, disco 17171-A, matriz C-3628. Dóris também a interpretou no filme “A carrocinha”, produção de Jaime Prades estrelada por Mazzaropi  sob a direção de Agostinho Martins Pereira, e na qual Dóris também contracenou com outro mestre, Adoniran Barbosa (seu pai, na trama).  Desse mesmo filme, agora com o próprio Mazzaropi, um dos mais queridos comediantes do cinema brazuca, até hoje lembrado com saudade, é nossa sétima faixa, o baião “Cai, sereno (Na rama da mandioquinha)”, baião de Elpídio “Conde” dos Santos (autor do clássico “Você vai gostar”).O eterno jeca registrou “Cai, sereno” na RCA Victor em 2 de agosto de 1955, e o lançamento se deu em outubro do mesmo ano, disco 80-1497-A, matriz BE5VB-0821. Temos também o lado B desse disco,matriz BE5VB-0822, também de Elpídio: a rancheira “Dona do salão”, interpretada por Mazza no filme “Fuzileiro do amor”, dirigido por Eurides Ramos, primeira das três películas que o comediante fez no Rio de Janeiro para a Cinedistri, de Oswaldo Massaini.  Ângela Maria, a querida Sapoti, nos apresenta o expressivo samba-canção “Vida de bailarina”, de Américo Seixas em parceria com o humorista Chocolate (Dorival Silva). Fez parte do filme “Rua sem sol”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por Alex Viany, e a gravação em disco saiu pela Copacabana em  dezembro de 1953, sob n.o 5170-B,matriz M-642. Voltando bem mais longe no tempo, apresentamos “Estrela cadente”, valsa-canção de José Carlos Burle, que fez parte do filme “Sob a luz do meu bairro”, da Atlântida, dirigido por Moacyr Fenelon. Carlos Galhardo,seu intérprete na película, cujos negativos infelizmente se perderam em um incêndio, gravou a música na Victor em 12 de abril de 1946, com lançamento em julho do mesmo ano sob n.o 80-0421-B, matriz S-078474. O eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, apresenta a animadíssima polca “Tô sobrando”, que fez em parceria com Hervê Cordovil, e gravou na RCA Victor em 26 de julho de 1951, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 80-0816-A,matriz S-092995. Gonzagão também a interpretou no filme “O comprador de fazendas”, da Cinematográfica  Maristela, estúdio paulistano que ficava no bairro do Jaçanã, baseado em conto de Monteiro Lobato e dirigido por Alberto Pieralisi, tendo no elenco Procópio Ferreira, Hélio Souto e Henriette Morineau, entre outros (o próprio Pieralisi dirigiu uma refilmagem inferior, em 1974).  O número musical de Luiz Gonzaga, por sinal, foi rodado após o término das filmagens, uma vez que ele sofrera grave acidente automobilístico e quebrara o braço. Outra raridade vem logo em seguida: o samba-exaltação “Parabéns, São Paulo”, de Rutinaldo Silva,em gravação lançada pela Continental em março de 1954 (ano em que a capital bandeirante comemorou seus quatrocentos anos de existência), disco 16912-B, matriz C-3287. Esse foi o número musical de encerramento do filme “O petróleo é nosso”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por um especialista em chanchadas, Watson Macedo. O belo samba-canção “Onde estará meu amor?”, de autoria da compositora e instrumentista Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale), é outra absoluta raridade nesta seleção “cine-musical”. Interpretado por Agnaldo Rayol no filme “Chofer de praça”, o primeiro que Mazzaropi fez como produtor independente, sob a direção de Mílton Amaral, foi lançado em disco pela Copacabana em maio de 1958, no 78 rpm n.o  5891-A, matriz M-2181, entrando mais tarde no primeiro LP de Agnaldo, sem título (CLP-11061). Gravações  posteriores de Dolores Duran e Elizeth Cardoso, também pela Copacabana, reforçariam o êxito de “Onde estará meu amor?”.  Silvinha Chiozzo, irmã da acordeonista e também cantora e atriz Adelaide Chiozzo,  aqui comparece com duas músicas que interpretou no filme “Rico ri à toa”, primeiro trabalho do cineasta Roberto Farias, que mais tarde fez ”Assalto ao trem pagador” e a trilogia cinematográfica estrelada por Roberto Carlos (“Em ritmo de aventura”, “O diamante cor-de-rosa” e “A trezentos quilômetros por hora”), sendo depois diretor de especiais da TV Globo.  Saíram pela Copacabana em 1957, sob número 5795. Primeiro,o lado B, “Zé da Onça”, baião clássico de João do Valle, o acordeonista Abdias Filho (o famoso Abdias dos Oito Baixos) e Adrian Caldeira, matriz M-1990, que Silvinha canta em dueto com Zé Gonzaga, irmão de Luiz Gonzaga. Vem depois o lado A, matriz M-1965, “É samba”, que Silvinha canta solo, concebido por Vicente Paiva, Luiz Iglésias e Walter Pinto, os três ligados ao teatro de revista. Para terminar, um verdadeiro clássico interpretado pelo grande Cauby Peixoto: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt e Raul Sampaio, e que fez parte do filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri,  dirigida por Victor Lima. Cauby imortalizou este sucesso inesquecível na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957,com lançamento em abril de 58 no 78 rpm n.o 80-1928-A, matriz 13-H2PB-0311. Um fecho realmente de ouro para a seleção desta quinzena do GRB, que por certo irá proporcionar grandes momentos de recordação e entretenimento a vocês  que tanto prestigiam o TM. Quero expressar inclusive meus mais sinceros agradecimentos aos colecionadores Gilberto Inácio Gonçalves e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)  pela colaboração, enviando-me alguns dos preciosos fonogramas que compõem esta edição. E agora, luz, câmera, ação… e música!

*Texto e seleção musical de Samuel Machado Filho

Temas Natalinos – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 130 (2014)

Então é Natal… Aquela ocasião em que a gente arma a árvore, o presépio, reúne a família, troca presentes, degusta a ceia… e, por que não, também canta canções típicas da festa máxima da cristandade. Assim sendo, o Grand Record Brazil, em sua edição de número 130,  presenteia os amigos cultos, ocultos e associados do TM com mais esta compilação de músicas natalinas. São, no total, dez gravações.

Abrindo esta seleção natalina muitíssimo especial, temos o gaúcho (de Rio Grande) Alcides Gerardi (1918-1978), criador de sucessos do porte de “Antonico”, “Cabecinha no ombro” , “Marise” e “Chora, Pierrô”, entre outros,  interpretando aqui a valsa “Natal de saudade”,da dupla Raul Sampaio-Ivo Santos. Saiu pela Columbia em dezembro de 1957, sob número CB-10386-A, matriz CBO-1220, entrando também no LP coletivo “Nosso Natal”. Um ano mais tarde, houve uma reedição em 78 rpm com o número CB-11093-B. Ângela Maria, a grande Sapoti, interpreta o samba-canção “Outros Natais”, de autoria de Cláudio Luiz Pinto,impregnado de forte crítica social em sua letra. A Copacabana o lançou em dezembro de 1954, sob número 5351-A, matriz M-1006, sendo mais tarde faixa de encerramento do LP de 10 polegadas “Sucessos de Ângela Maria”, primeiro de uma série de três.  João Dias, que o próprio Francisco Alves escolheria para ser seu sucessor, por ter timbre de voz parecido com o dele, vem com duas faixas, ambas extraídas do disco Odeon  13592, gravado em 30 de novembro de 1953, com acompanhamento orquestral de Osvaldo Borba,  e lançado (detalhe intrigante) em janeiro de 54. O lado A,matriz 9987, é “A doce canção de Natal”, de autoria de Sivan Castelo Neto (psudônimo de Ulysses Lelot Filho), na qual João Dias canta ao lado de Edith Falcão e do então menino Altir Gonçalves.  O lado B, matriz 9988, que João Dias canta em dueto com Edith Falcão, é a conhecida valsa “O velhinho”, de autoria de Otávio Babo Filho, primo do compositor Lamartine Babo, correspondente à última faixa desta seleção. Relançadas mais tarde em LPs e compactos, essas gravações de João Dias permaneceram no catálogo da Odeon por vários anos. Na faixa 4, você tem  o grande João Gilberto interpretando o delicado samba em estilo bossa nova “Presente de Natal”,de autoria de Nelcy Noronha, uma das faixas de maior destaque de seu terceiro LP-solo, sem título, editado pela Odeon em outubro de 1961. Formado por Edda Cardoso, Lolita Koch Freire e Yeda Tavares Gomes da Silva, o Trio Madrigal comparece aqui com as duas músicas do disco Todamérica TA-5359, ambas cânticos, gravado em 15 de setembro de 1953 e lançado em novembro do mesmo ano. Abrindo-o,  a matriz TA-542 apresenta “Oh! Vinde crianças (Ihr Kinderlein, kommet)”, do compositor alemão  Johann Abraham Peter Schulz, sobre versos de seu conterrâneo  Christophe von Schmid, sendo a letra brasileira de Frei Paulo Avelino Assis. No lado B, matriz TA-543, vem “Noite de luz”, outra adaptação de Frei Paulo. Laranjinha e Zequinha, dupla do sertanejo-raiz,  vem aqui com as duas músicas do 78 Odeon número 13553, gravado em 31 de agosto de 1953 e lançado em dezembro do mesmo ano.  No lado A, matriz 9852, o valseado “Natal no sertão”, de Reinaldo Santos e Vicente Lia, e, no lado B, matriz 9862, a valsa “Ano novo”, de  Francisco Lacerda e José Maffei. Filha caçula do compositor Hervê Cordovil, e por tabela irmã de Norman e Ronnie Cord, Maria Regina Cordovil, então com apenas quatro anos de idade, apresenta as duas faixas do 78 RCA Victor 80-2398, gravado em 28 de setembro de 1961, com acompanhamento orquestral de Francisco Moraes, e lançado em outubro do mesmo ano. Primeiro temos o lado B, matriz M2CAB-1479, “Carta a Papai Noel”, de autoria do paizão Hervê e certamente seu maior sucesso. Depois vem o lado A, matriz M2CAB-1478, o clássico “Sinos de Belém  (Jingle bells)”, do norte-americano James S. Pierpont em versão de Evaldo Ruy. Curiosamente, esta canção foi composta em 1857 sem qualquer intenção natalina, com o título de “One  horse open sleigh”. Foi traduzida para inúmeros idiomas. Ambas as faixas também saíram no LP “A menor cantora do mundo”, por sinal o slogan de Maria Regina. O niteroiense Orlando Correia, que se destacou gravando sucessos do porte de “Meu sonho é você”, “Sistema nervoso” e “Serenata suburbana”, interpreta aqui o samba-canção “Natal sem você”, de Bruno Gomes e Jorge de Castro, com a participação do Trio Madrigal. Foi gravado na Todamérica em 15 de setembro de 1953 (a mesma sessão em que o Trio Madrigal registrou outras duas faixas deste volume) e lançado em novembro do mesmo ano, disco TA-5358-A, matriz TA-544. Enfim, é um presente que o GRB  oferece aos amigos cultos, cultos e associados do TM, com os mais sinceros votos de um maravilhoso Natal e um 2015 repleto de alegrias e realizações positivas. E nunca é demais lembrar do verdadeiro dono desta festa. Feliz aniversário, Jesus!

* Texto de Samuel Machado Filho

A Música De Lupicinio Rodrigues – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol.117 (2014)

Esta semana o Grand Record Brazil prossegue a retrospectiva dedicada à obra de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), por certo o maior nome que o Rio Grande do Sul deu à nossa música popular. Depois de apresentarmos o próprio Lupi interpretando suas composições, temos agora catorze preciosas gravações de suas obras nas vozes de intérpretes diversos, a maior parte sambas e sambas-canções.
Para começar, temos o próprio Lupicínio interpretando “Sombras”, faixa que é o lado B do disco Star 353, editado em maio-junho de 1952 no álbum “Roteiro de um boêmio”. Eram quatro discos 78 embalados em capa especial, expediente às vezes comum nessa época, em que o LP estava em processo de implantação, e apenas começava a ser fabricado entre nós. Na faixa seguinte é “Triste história”, parceria de Lupi com Alcides Gonçalves, por este último interpretada,  gravação Victor de 3 de agosto de 1936, lançada em setembro do mesmo ano, disco 34089-B (o primeiro com gravações de músicas de Lupicínio), matriz 80188, samba que, por sinal, venceu, um ano antes, um concurso realizado em Porto Alegre por ocasião do centenário da Revolução Farroupilha (os autores abiscoitaram dois contos de réis).  Em seguida,o samba-canção “Divórcio”, só de Lupicínio,por ele composto numa ocasião em que o assunto estava na pauta das discussões, interpretado por João Dias, cantor que Francisco Alves indicara para sucedê-lo, dada a semelhança vocal. Gravação Odeon de 29 de janeiro de 1952,lançada em agosto do mesmo ano (um mês antes da trágica morte de Chico Viola em desastre automotivo),  sob n.o 13306-A, matriz 9233. O clássico “Vingança”, também só de Lupicínio, é a faixa seguinte, na gravação original do Trio de Ouro, então em sua segunda fase,  com Noemi Cavalcanti no lugar de Dalva de Oliveira, que se separara do fundador do grupo, Herivelto Martins, e mantendo Nilo Chagas (ainda que já tivesse divergências com Herivelto).  Gravado na RCA Victor em 10 de abril de 1951 e lançado em junho seguinte sob n.o 80-0776-B,matriz S-092932, “Vingança”, porém, teve sucesso muito maior posteriormente, na voz de Linda Batista, que fez da música um clássico, deixando este registro original esquecido. Ainda assim, o trazemos aqui para reavaliação.  O “rei do samba de breque”, Moreira da Silva, também mostrava algumas vezes sua faceta sentimental e romântica,como aqui, interpretando “Meu pecado”, parceria de Lupicínio com Felisberto Martins. Gravação Odeon de 3 de outubro de 1944,lançada em novembro do mesmo ano, disco 12516-B, matriz 7572. Na faixa seguinte, o primeiro grande hit nacional de Lupicínio como autor, e outra parceria com Felisberto Martins: o samba “Se acaso você chegasse”,verdadeiro clássico do gênero, que também projetou seu intérprete, o grande Cyro Monteiro.  Ele imortalizou esta obra-prima na Victor em 19 de julho de 1938, com lançamento em setembnro seguinte, sob n.o 34360-A, matriz 80844. Tocou até em um filme americano chamado ”Dançarina loira” e, em 1959, projetaria também a cantora Elza Soares.  A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, aqui comparece com “Eu não sou louco”, samba que Lupicínio fez com Evaldo Ruy, visando o carnaval de 1950. Foi gravado na RCA Victor em 14 de novembro de 49, e saiu um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-0625-B, matriz S-078984. Orlando Silva,o sempre lembrado “cantor das multidões”, vem com outro sucesso: “Brasa”,que Lupi compôs ao testemunhar as brigas domésticas de seu  irmão Francisco com a esposa, na ocasião em que residiu com eles. Novamente com a parceria de Felisberto Martins, foi imortalizado por Orlando na Odeon em  9 de março de 1945, e lançado em abril do mesmo ano,disco 12571-A, matriz 7772. Onofre Pontes é o parceiro do nosso Lupicínio em “Amigo ciúme”, lançado pela Copacabana em março de 1957, na voz da grande Sapoti, Ângela Maria, disco 5739-B, matriz M-1634. Felisberto Martins volta a ser parceiro de Lupicínio em “Feiticeira”. Afinal, Lupi era gastrônomo e cozinheiro de mão cheia, e as mulheres sabiam que o caminho para o seu coração também passava por uma boa mesa. Gravação de Homero Marques, lançada em 1952 pela Elite Special (coligada da Odeon), disco N-1081-A, matriz MIB-1131. “Quem há de dizer”, parceria de Lupicínio com Alcides Gonçalves, é outro clássico do samba-canção e da dor de cotovelo.  Alcides, nessa época, era pianista em casas noturnas portoalegrenses, e,  enquanto tocava, de certa feita observava enciumado o assédio dos fregueses da Boate Marabá à sua namorada,Maria Helena, bailarina da casa, o mesmo acontecendo com Lupicínio em relação à sua escolhida. Era preciso esperá-las cumprir sua obrigação profissional, o cabaré terminar. Francisco Alves imortalizou a música (letra de Lupi, melodia de Alcides) na Odeon em 25 de maio de 1948, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 12863-A, matriz 8369. “Ponta de lança”, de Lupi sem parceiro, foi gravado na mesma Odeon por Dircinha Batista em 7 de fevereiro de 1952, com lançamento em abril seguinte no lado B em que saiu o clássico “Nunca”, também de Lupi, disco 13244, matriz 9249, e obtendo igualmente sucesso, ainda que em menor proporção.  Caco Velho (Mateus Nunes), “o sambista infernal”, e protoalegrense como Lupicínio, assina com ele o samba “Que baixo!”, e o interpreta com toda a bossa que lhe era peculiar nesta gravação Continental de 9 de agosto de 1945, lançada em setembro do mesmo ano, disco 15416-A, matriz 1154.Para finalizar a seleção desta semana, homenageamos o time de futebol de coração do mestre Lupicínio Rodrigues, apresentando o “Hino do Grêmio”, por ele mesmo composto em 1953, em meio a uma greve no transporte público de sua Porto Alegre (daí o verso inicial, “Até a pé nós iremos para o que der e vier”).  Tal obra, porém, só seria gravada efetivamente em 1971, pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (então Estado da Guanabara), para o LP de selo Continental “Hinos do futebol brasileiro”. É este registro que apresentamos nesta edição do GRB, merecendo (e com louvor) figurar como exceção à regra de apresentarmos apenas gravações em 78 rpm. Afinal, o retrato de Lupicínio está  na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube. Divirtam-se e até a próxima!
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Texto de Samuel Machado Filho

Vários – É Sempre O Papai (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu estava mesmo esperando o dia de hoje chegar para postar este lp. Não fosse meu filhote vir logo cedo com um baita sorriso e um presente na mão, eu talvez nem me lembraria que hoje é o Dia dos Pais. Aliás, o que eu não lembraria é deste disco, pois o mesmo ficou na gaveta esperando a sua hora. E comigo, tudo que fica no aguardo, corre sempre o risco de passar batido, passar do tempo… Mas felizmente eu me lembrei 🙂
Segue então o lp “É sempre o papai”, álbum lançado pela gravadora Copacabana em 1960, seguindo a mesma onda da RCA Victor, que no ano anterior havia lançado uma coletânea assim com alguns dos artistas da casa. A Copacabana fez o mesmo e lançou em 1960 este álbum, explorando o tema do Dia dos Pais. Reuniu alguns de seus melhores e mais populares artistas para conceber esta coletânea com onze faixas, todas com referência ao Papai. Como podemos ver logo a baixo, na relação, temos um grupo de artistas dos mais queridos do público e um repertório pontual, do Papai!
Sendo o Toque Musical um espaço onde também se escuta música com outros olhos, eu não poderia deixar de comentar esta curiosa capa. Vejam vocês, isso lá é jeito de segurar uma criança? Ou melhor dizendo, não podiam ter feito uma fotografia um pouquinho diferente? A impressão que passa é a de um homem espremendo a criança. Com aquelas duas mãozonas na frente, parece até que ele está agredindo, ao invés de brincando. Será que ninguém percebeu isso na época? Ou será que naquela época ninguém se ligava nisso? Ah… vai entender… Feliz Dia dos Pais!

apresentação – floriana faissal
o sorriso do papai – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
meu pai – adelaide chiozzo e côro do club do guri
papai resolve – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
papai, mamãe e eu – angela maria
alô papai – jorge veiga
é sempre o papai – carequinha e jorge veiga
deus te abençoe papai – angela maria e joão dias
o presente do papai – sonia delfino e côro do club do guri
papai é o maior – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
dia do papai – zilda martins
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Carnaval De 56 (1956)

Bom dia, amigos foliões! Espero que todos estejam bem, sem ressaca e prontos para mais um dia de carnaval. Para este domingo, vamos relembrar oque  rolou de sucesso no Carnaval de 1956. Temos aqui um lp de 10 polegadas lançado pela Copacabana, apresentando alguns dos seus artistas exclusivos com músicas feitas para o carnaval daquele ano. Como se pode ver pela ilustração da contracapa, temos aqui alguns dos mais expressivos artistas da época interpretando sambas e marchinhas que se tornaram clássicos. Interessante também notar que este foi o disco número 1 da Continental para o carnaval. E ao contrário dos discos nesse formato que traziam apenas oito faixas, neste vieram dez. Não sei bem ao certo, mas suponho que nesse mesmo carnaval a Copacabana tenha lançado outro disco, o número 2. (Estou com tanta preguiça que nem vou me dar ao trabalho de checar isso) Confiram daí, que eu de cá já vou pra rua. Chapolim me espera!

fala mangueira – angela maria
ressureição – belcaute
turma do funil – vocalistas tropicais
a batucada – jorge veiga
passarinho – joão dias
se eu chorei – gilberto alves
na paz de deus – carmem costa
me dá um cheirinho – jackson do pandeiro
boate de pobre – roberto silva
radio patrulha – heleninha costa
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Especial De Natal Parte 1 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 82 (2013)

Vem chegando mais um final de ano, e mais um Natal! Tempo de reunir a família, preparar o presépio, a árvore e a ceia, trocar presentes (com direito até ao chamado “amigo oculto”)… sem, é claro, esquecer que é o aniversário de Jesus. Tempo também de cantar músicas alusivas à chamada festa máxima da cristandade. Evidentemente, o Grand Record Brazil  entra nesta semana em clima natalino, apresentando a primeira de duas partes de uma seleção de músicas gravadas na era do 78 rpm para comemorar a data. Ela foi extraída de uma compilação realizada em 2006, por nosso colega e amigo Thiago Mello, para o seu blog Bossa Brasileira (http://bossa-brasileira.blogspot.com). Serão ao todo vinte gravações (algumas já aparecidas em nosso volume 4, agora voltando com melhor qualidade sonora), e aqui apresentamos as primeiras dez.  Abrindo esta seleção, temos a introdução, apenas instrumental,  a cargo do grande Radamés Gnattali, de “Cantigas de Natal”, um pot-pourri  de canções do gênero interpretadas pelos Trios Melodia e Madrigal em disco Continental 20106, de 1951, do qual apresentaremos as duas partes em nosso próximo volume.  Em seguida, Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987) apresenta, de seu terceiro disco, o Elite Special (selo então coligado da Odeon) N-1020-A, editado em 1950, a marchinha “Quando chega o Natal”, de autoria de Sereno (Inácio de Oliveira, São Paulo, 1909-idem, 1978), matriz FB-539, muito bem acompanhada pelos Demônios da Garoa (que, como ela, também eram do cast da Rádio Record de São Paulo, então “a maior”) e pela orquestra e coro do maestro Edmundo Peruzzi (Santos, SP, 1918-idem, 1975). Curiosamente, em outra tiragem desse disco, o número da matriz foi alterado para MIB-1097. Aurora Miranda (Rio de Janeiro, 1915-idem, 2005), irmã de Cármen, comparece com duas faixas que gravou na Odeon:  “Natal divino”, marchinha de Mílton Amaral, do disco 11288-A, gravado em 4 de dezembro de 1935 e lançado logo em seguida, matriz 5173, e o samba “Sinos de Natal”, de Djalma Esteves e Vicente Paiva, do disco 11174-B, gravado em 18 de outubro de 1934 para lançamento, é claro, em dezembro, matriz 4935. Leny Eversong (Hilda Campos Soares da Silva, Santos, SP, 1920-São Paulo, 1984), notável intérprete de hits nacionais e internacionais, nos brinda com a marchinha “Prece de Natal”, de José Saccomani, Lino Tedesco e Walter Mello, lançada em dezembro de 1953 pela Copacabana sob n.o 5172-B, matriz M-559. “Noite de Natal”, interpretada por Dalva de Oliveira com a orquestra de Roberto Inglez, é o famoso “Noite feliz  (Stille nacht, heilige nacht)”, com letra diferente da que costumamos cantar, assinada por Mário Rossi, em gravação feita em 1952, nos estúdios da EMI, em Londres, durante a longa e vitoriosa excursão da cantora pela Europa, e lançada no Brasil pela Odeon com o n.o X-3372-A (série azul internacional), matriz CE-14164. A música nasceu por um capricho de ratos que, em 1818, entraram no órgão de uma igreja da cidade austríaca de Arnsdorf e roeram seus foles. Preocupado com a possibilidade de um Natal sem música nesse ano, o padre Joseph Mohr foi logo procurar um instrumento para substituir o antigo.  Nessas peregrinações, imaginou como teria sido o nascimento de Jesus, em Belém. Fez anotações, levou-as até o músico Franz Gruber para musicar… e pronto! Assim nasceu “Noite feliz”.  Já que falamos em Aurora Miranda, sua irmã Cármen (1909-1955), ainda hoje uma referência em termos de Brasil no exterior, aqui interpreta a marchinha “Dia de Natal”, de Hervê Cordovil, gravação Odeon de 16 de outubro de 1935, lançada  em dezembro seguinte sob n.o  11289-A, matriz 5170. Ângela Maria e João Dias interpretam, em dueto, a singela toada ‘Papai Noel esqueceu”, da parceria Herivelto Martins-David Nasser, lançada pela Copacabana para o Natal de 1955, sob n.o 20022-B (série “de exportação”), matriz M-1412. Um ano depois, em dezembro de 1956, nessa mesma série (20033-A, matriz M-1706), a Copacabana lançou o registro de Elizeth Cardoso para a canção “Cantiga de Natal”, de autoria da compositora e pianista Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale, São Paulo, 1913-idem, 1995), gravada originalmente por Mário Martins, em 1954, no mesmo selo.  Encerrando esta primeira parte, uma marchinha da dupla Alvarenga e Ranchinho, “Presente de Natal”, interpretada por Zelinha do Amaral com doce voz de menina e delicioso sotaque de caipirinha. Foi sua única gravação, feita na Victor em 12 de novembro de 1936 e lançada em dezembro seguinte sob n.o 34116-B, matriz 80250. Semana que vem, apresentaremos a segunda parte desta seleção natalina do GRB. Até lá!
*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Cast Continental – O Amor Mais Puro (1963)

Olá amigos cultos e ocultos! Acabo de voltar da Feira de Vinil, onde (pra não variar), comprei mais discos do que vendi. Estou empenhado em refazer minha discoteca básica de rock”n’roll, preferencialmente só com discos importados e originais. Hoje, numa baita sorte comprei quatro pérolas da minha adolescência: Nektar, Can, Hard Stuff e Atomic Rooster, tudo importado e praticamente novos. Que beleza! É disco que eu gosto!
E amanhã é o Dias das Mães, não é mesmo? Pensando nisso eu resolvi me antecipar, trazendo um dia antes um disco de celebração, aquele que vai ser a minha homenagem a todos os `filhos da mãe` e a ela própria, sempre viva em nossos corações. Feliz seja esse dia para todos, com ou sem a presença Dela. Deixo aqui para vocês essa coletânea especial, lançada em 1963 pela Continental, com o propósito de homenagear a mamãe. Um disco muito interessante e original, reunindo vários artistas da gravadora e músicas que com certeza marcaram momentos como esse. Salve a mãe! O amor mais puro!

o amor mais puro – francisco petronio
minha mãe é mais bonita – angela maria
ser mãe – josé leão
madre – albertinho fortuna
doce maezinha – nora ney
amor de mãe – jamelão
flor mamãe – josé leão
dorme mamãe – carlos josé
cantiga para ninar mamãe – zezé gonzaga
retrato de amor – orlando correa
a você mamaezinha – francisco petronio
coração de mãe – jorge goulart
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Angela Maria – Quando Os Maestros Se Encontram Com Angela Maria (1957)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Bom dia e boa Páscoa, é claro! O dia não está lá uma beleza, o céu está fechado e São Pedro logo vai mandar aquela ducha para melar de vez o domingo. Mas quem tem em casa um bom chocolate, pode ficar na boa, comendo ovos de Páscoa… naquele laricão… Melhor ainda quando se pode também ouvir uma boa música. Eu como sempre, bem acompanhado, posso me dar ao luxo de escolher a vontade 🙂 Escolher para mim, e para vocês também. Hoje eu vou ficar aqui ouvindo só Jards Macalé e Paulo Vanzolini. Pensei até em postar algum disco de um desses artistas, mas como ainda estou no embalo e promessa de trazer cantoras, vamos dar sequência…
Separei para hoje este raro álbum da cantora Angela Maria, um disco que podemos considerar histórico dentro do mundo fonográfico. Foi um dos primeiros discos de 12 polegas lançado pela gravadora Copacabana. Foi uma superprodução, um dos discos mais caros a ser realizados naquela época. Isso por conta da ousadia de seus produtores em fazer um disco onde foram escalados oito grandes maestros e suas orquestras para acompanharem Angela Maria. O disco se divide em oito faixas, trazendo um repertório fino, que agrada em cheio e para um público além de tietes da cantora. É interessante notar como cada música se torna especial, com características próprias, sob os arranjos e regências dos mestres Gabriel Migliori; Guaraná; Léo Peracchi; Gaya; Lyrio Panicalli; Renato de Oliveria; Severino Araújo e Sylvio Mazzucca. Não deixem de conferir. Comentários também são bem vindos 😉

dora – com severino araújo
aos pés da cruz – com lindolph gaya
adeus – com renato de oliveira
saia do caminho – com léo peracchi
carinhoso – com lyrio panicalli
promessa – com gabriel migliori
caminhemos – com gustavo de carvalho (guaraná)
canta brasil – com sylvio mazzucca

Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 15 (2012)

Luzes, câmera, ação… e música! Sim, esta décima-quinta edição do Gran Record Brazil é dedicada à música de cinema, apresentando temas de filmes nacionais e também de produções hollywoodianas, estas em versões para o idioma tupiniquim.

Começamos com dois temas do filme “Rua sem sol”, dirigido por Alex Viany para a Brasil Vita Filmes, e estrelado por Glauce Rocha, Carlos Cotrim, Dóris Monteiro (ainda de tranças, no papel de uma deficiente visual) e Modesto de Souza. Ambos os sambas-canções são cantados por Ângela Maria, que também participou do filme, claro, interpretando-os, no disco Copacabana 5170, lançado em dezembro de 1953. Abrindo o disco, a faixa-título do filme, “Rua sem sol”, matriz M-641, assinada por Mário Lago e Henrique Gandelmann, e no verso, matriz M-642, o clássico “Vida de bailarina”, de Chocolate (também humorista de rádio e TV) e Américo Seixas. Música muitíssimo gravada (Elis Regina, Zizi Possi, Quarteto em Cy, Agnaldo Timóteo, etc.).

Já que falamos em Adelina Dóris Monteiro (sim, é esse o nome completo dela), ela aqui comparece com o disco Todamérica TA-5220, gravado em 8 de setembro de 1952 e lançado em outubro seguinte, no qual interpreta duas músicas de outro filme de Alex Viany no qual ela também atuou, “Agulha no palheiro”, co-produzido por Moacyr Fenelon (um dos fundadores da lendária Atlântida) e pela Flama Filmes, da família Berardo (em cujos estúdios, situados no bairro carioca das Laranjeiras, instalou-se mais tarde a TV Continental, Canal 9). Primeiro, a música-título do filme, “Agulha no palheiro”, matriz TA-366, de César Cruz e Vargas Jr., e no verso, matriz TA-365, “Perdão”, também de César Cruz, mas sem parceiro.

O eterno Rei da Voz Francisco Alves era um cantor eclético, versátil, e interpretava de tudo que fazia sucesso em sua época em matéria de música. E nesta cinematográfica edição do GRB, ele comparece com três gravações bastante apreciadas: do disco Columbia 55248-A, gravado em 7 de novembro de 1940 e lançado em dezembro seguinte, matriz 339, o samba-exaltação de Braguinha, Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho, “Onde o céu azul é mais azul”, que Chico também cantou no filme “Céu azul”, da Sonofilms, dirigido pelo lusitano Ruy Costa (que como compositor assinava J. Ruy) e tendo no elenco Jaime Costa, Déa Selva, Heloísa Helena (homônima da famosa política), Oscarito e Grande Otelo. Completando a participação do grande intérprete, duas versões gravadas na Odeon, ambas de Haroldo Barbosa, compositor, produtor e redator de programas de rádio (entre eles o de Francisco Alves aos domingos) e TV, jornalista, etc. Do disco 125o5-A, gravado em 8 de agosto de 1944, matriz 7628, o fox “Para sempre adeus (It can’t be wrong)”, de Max Steiner e Kim Gannon, do filme americano “A estranha passageira (Now voyager)”, produzido pela Warner em 1942 sob a direção de Irving Rapper e estrelado por Bette Davis, Paul Henreid, Gladys Cooper e Claude Rains. A película venceu, inclusive, o Oscar de melhor escore de filme não-musical. Do filme francês “Inquietação (Fièvres)”, Chico Viola interpreta o fox-canção “Maria”, de Luchesi e Feline, gravação de 21 de setembro de 1946, porém só lançada em maio de 47 com o número 12773-A, matriz 8098. No selo original, a versão é erroneamente creditada a Haroldo Lobo, mas o Haroldo que a fez é mesmo o Barbosa!

Nesta edição também comparece o grande Jorge Goulart, recentemente falecido, com um disco de seu período áureo na Continental, o de número 16816, lançado em julho-agosto de 1953, no qual igualmente interpreta versões de filmes famosos internacionalmente. No lado A, matriz C-3164, a célebre canção “Luzes da ribalta (Limelight)”, composta por Charles Chaplin para o filme de mesmo nome (só lançado nos EUA em 1972, uma vez que Chaplin estava exilado na Suíça por pressão do Comitê de Atividades Anti-Americanas) e vertido por João “Braguinha” de Barro e Antônio Almeida. Versão muito gravada, inclusive por sua mulher, Nora Ney. No verso, matriz C-3165, a “Canção do Moulin Rouge”, de uma produção britânica de 1952 dirigida por John Huston e distribuída pela United Artists (portanto nada a ver com o “Moulin Rouge” de Baz Luhrman). É um a valsa de Georges Aurick e William Engoick, com letra brasileira de Carlos Alberto.

Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987), hoje esquecida mas que tinha uma bela voz de veludo, comparece aqui com uma faixa do disco Odeon 13562-A, matriz 9920,gravado em 16 de outubro de 1953 e lançado em dezembro seguinte. É o clássico “Lili (Hi´lili, hi´lo)”, de Bronislau Kaper e Helen Deutsch, com letra brasileira do sempre eficiente Haroldo Barbosa. É do clássico musical americano “Lili”, da MGM, protagonizado por uma das mais famosas atrizes do estúdio do leão, a francesa Leslie Caron. Foi regravada até mesmo em versão “disco music”, por Nalva Aguiar, em 1977!

Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, bate ponto com duas músicas do filme “Maria Bonita”, da Sonoarte Filmes, dirigido por Julian Mandel e baseado no romance homônimo de Afrânio Peixoto, por ele gravadas na Odeon em primeiro de junho de 1937, com acompanhamento da Orquestra Copacabana do palestino Simon Bountman, e lançadas em julho seguinte com o número 11487. No lado A, matriz 5587, o conhecido tema folclórico “Meu limão, meu limoeiro”, adaptado para “samba sertanejo” por José Carlos Burle, também cineasta, e com a participação vocal de Gidinho. No final dos anos 1960, este seria um dos carros-chefes de Wilson Simonal, que só aproveitou o estribilho, mas mesmo assim muita gente cantou isso junto com ele. No verso, matriz 5588, também de José Carlos Burle em parceria com o escritor J. G. De Araújo Jorge (tão discutido quanto lido), esta joia de canção, “Confessando que te adoro”.

Para encerrar, músicas do filme “O cangaceiro”, produção da Vera Cruz dirigida por Lima Barreto e vencedora da Palma de Prata no Festival de Cannes, na França, como melhor filme de aventuras (naquele tempo ainda não tinha a Palma de Ouro e sim o Grande Prêmio da Crítica, vencido na ocasião por “O salário do medo”, de Henri Georges-Clouzot). Vanja Orico, que também esteve no elenco do filme, interpreta a lírica toada “Sodade, meu bem sodade”, feita por Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB-1908-idem, 1979) ainda na adolescência. No acompanhamento, o violonista Aymoré e orquestra dirigida por Gabriel Migliori, também responsável pela direção musical do filme, em gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril seguinte com o número 80-1101-B, matriz SB-093597. O Trio Marabá, cujos integrantes eram provavelmente mexicanos (afinal chamavam-se Pancho, Panchito e Cármen Durán) vem com sua versão de “Muié rendera”, o tema principal de “O cangaceiro”, lançada pela Copacabana em março-abril de 1953 com o número 5044-A, matriz M-332. No acompanhamento, a curiosa presença do conjunto de Alberto Borges de Barros, o Betinho, filho de Josué de Barros, descobridor de Cármen Miranda, e intérprete do conhecido fox “Neurastênico” (seu e de Nazareno de Brito) e do rock “Enrolando o rock”(dele e de Heitor Carillo), entre outras. Apesar do sucesso, Betinho deixou a carreira para cumprir missão evangelizadora. O próprio Zé do Norte vem com o lado A de “Sodade, meu bem sodade”, com Vanja Orico, matriz SB-093598, interpretando o coco “Meu pinhão”, ou “Meu pião”, de sua autoria, também cantado por ele próprio em “O cangaceiro”. Apesar do êxito internacional do filme, a maior parte dos lucros ficou com a distribuidora, a multinacional americana Columbia Pictures (mais tarde vendida à Coca-Cola e repassada à nipônica Sony), e a Vera Cruz, que tencionava ser uma Hollywood tupiniquim em São Bernardo do Campo (SP), acabou fechando suas portas em 1954, retomando suas atividades em ocasiões esporádicas. Enfim, esta cinematográfica edição do GRB vai enriquecer as coleções de muitos amigos cultos e ocultos com um pouco do melhor que a música produziu para a chamada sétima arte. É ouvir e colecionar!

 
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
 
 
 

Carnaval Rio Quatrocentão (1964)

Acho que hoje eu nem preciso fazer a tradicional saudação, visto que a coisa está mais para ‘salgação’. Sinceramente não entendi a tamanha motivação para tantos comentários. Não consigo acreditar que por causa de um simples chato, tudo virou uma enorme chateação. Não vou negar que fiquei também chateado pelas acusações daqueles que frenquentam este espaço, me culpando por não ter logo tomado as dores da HWR, por uma simples bobagem. Em outras ocasiões por aqui já fizeram pior e até comigo mesmo. Já fui mais que chato, fui chamado filho da puta, ladrão, pirata, viado, babaca, burro e até comunista (como se isso fosse uma ofensa). Em nenhuma das vezes saíram tantos ‘amigos’ em minha defesa. E no fundo, nem precisavam, pois aqueles que me conhecem de verdade, sabem que o meu entendimento de solidariedade é na linha de frente. É literalmente doando sangue. Percebo que a bandeira que tremula neste céu, hoje, não é a do Toque Musical. Além do mais, detesto Twitter…

Hoje me deu vontade de dar um basta nisso tudo, acabar com a seção de comentários em postagem e consequentemente dificultar o acesso aos links. Sei que tem muita gente bacana por aqui, amigos cultos e também ocultos, com um senso maior que o crítico. Em consideração aos verdadeiros segurei o passo, engulo mais saliva e vou em frente…
Tá aqui o disco do dia. Mais carnaval… acho que é disso que vocês estão precisando…
Segue aqui um belo álbum lançado pelo selo Copacabana. Um disco especial para uma data especial, Carnaval e 400 anos de favela. Este disco traz um encarte diferente, singular para os moldes tradicionais. Ele se abre como um livreto, com algumas páginas onde iremos encontrar a ficha técnica, as letras de cada uma das músicas e seus intérpretes. A propósito dos intérpretes, temos como destaque a Miss Guanabara e também Miss Brasil daquele ano, Vera Lúcia Couto dos Santos, cantando “Rosa Dourada”, uma marchinha de Moacyr Silva e David Nasser. É ela a moça da capa 🙂
Agora aqui, não sei se publico o ‘toque’, ou se mando vocês irem procurar ouvir o disco lá na HWR. Continuo subindo tudo com muito carinho 😉
joga a chave, meu amor – jorge goulart
lua cheia – angela maria
burrinha de mola – carequinha
vem cá mulata – gilberto alves
você passou – roberto silva
coração em festa – dina gonçalves
onda da cabeleira – roberto audi
me leva, eu vou – mário augusto
rosa dourada – vera lúcia couto dos santos
genipapo – gilberto alves
carnaval quatrocentão – elizeth cardoso
deu fungum – abilio martins
rainha de sabá e rei salomão – angela maria
dúvida cruel – dora lopes
tiro de feijão – dercy gonçalves
vendedor de ilusões – arrelia e pimentinha
vai zero aí? – walter stuart
me paga um óleo aí (pudim de cachaça) – noel carlos

A Visit To Brazil (1958)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje, sábado, é dia de coletâneas, mas eu, infelizmente não tive tempo de preparar uma daquelas seleções exclusivas que fazem tanto sucesso por aqui. Como os companheiros de outros blogs também não se manifestam, apresentando suas coletâneas, o jeito foi eu improvisar. Aliás, não se trata bem de um improviso, temos aqui uma verdadeira seleção fonográfica. Um disquinho raro e curioso, bem a cara do nosso Toque Musical.

Tenho para vocês um álbum estrangeiro, uma coletânea que segundo seus produtores é de música brasileira. Este disco foi lançado em 1958 nos Estados Unidos pelo pequeno selo Seeco, criado na década de 40 por Sidney Siegel. Siegel era um joalheiro e também um amante da música latina. No início dos anos 40 ele decidiu investir parte de sua renda, na rentosa joalheiria “Casa Siegel” para se dedicar à uma produção fonográfica diferenciada. A Seeco foi um selo pioneiro ao procurar produzir nos Estados Unidos álbuns de música latina (Seeco – For The Finest In Latin-American Recordings). O selo durou um bom tempo e lançou uma diversidade musical até então pouco conhecida nos ‘States’. Música cubana, argentina, caribenha, brasileira, mexicana, ritmos latinos em geral, além de franceses e espanhois, tudo passou pela Seeco.
Este curioso álbum traz uma seleção por onde passam Angela Maria, Elizeth Cardoso, Carmen Costa e o grupo vocal Titulares do Ritmo. Há também nomes como Uccio Gaeta, Carminha Mascarenhas e Heleninha Costa. Uma coisa que me chamou a atenção foram as gravações que parece terem sido feitas para este lp. Acredito que nossos artistas gravaram com exclusividade para a Seeco. Digo isso porque eu não me lembro de já ter ouvido essas versões. Como esta gravadora tinha o hábito de fazer ela mesma os registros, deduzo que sejam então exclusivas. Não foi simplesmente uma coleta de fonogramas ‘comprados’ e prontos. A qualidade da gravação, embora o disco seja ‘made in usa’ e esteja impecável, fica muito a desejar. Vale mesmo pela curiosidade. Confiram e dêem suas opiniões… 🙂
carinhoso – angela maria
bem te vi atrevido – uccio gaeta
coisas de mulher – titulares do ritmo
dora – angela maria
facundo – carmen costa
vem ver – angela maria
espinita – carminha mascarenhas
não devo sonhar – angela maria
contigo en la distancia – uccio gaeta
rio e amor – angela maria
agarrarinha – carminha mascarenhas
fala mangueira – angela maria
o amor é tudo – elizeth cardoso
sinfonia do samba – heleninha costa
terra seca – angela maria

Adelino Moreira – Encontro com Adelino (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Só para que ninguém fique na dúvida, as reposições de antigas postagens estão sendo feitas aos poucos. Algumas, que parecem demorar mais, são de títulos que pretendo recompor os arquivos totalmente. Por isso peço paciência. Tudo, aos poucos, vai sendo resolvido 😉
Hoje não é sábado, dia de coletâneas, mas mesmo assim vamos ter uma (e oficial). Trago aqui para vocês outro ‘álbum de gaveta’. Estou sendo obrigado a lançar mão do que já estava na reserva e preparado para ganhar tempo, pois ainda nesta semana continuo muito atarefado.
Vamos com esta coletânea da RCA, dedicada à música do compositor Adelino Moreira. Temos aqui cinco dos seus mais frequentes intérpretes, obviamente todos da mesma gravadora, em 14 faixas. São músicas que provavelmente, quase todas, devem constar em outros álbuns já postados aqui no Toque Musical. Mesmo assim, eu acredito, irá agradar à turma da velha guarda.
Apesar de toda a minha pressa, hoje, eu bem que gostaria de postar mais um disco. Se sobrar um tempinho a noite, eu volto, nem que seja com apenas um compacto. 🙂 Vamos ver…

noite da saudade – nelson gonçalves
meu ex amor – angela maria
ciclone – carlos nobre
solidão – núbia lafayette
duelo – cauby peixoto
eu te amo – angela maria
negue – nelson gonçalves
borrasca – nelson gonçalves
devolvi – núbia lafayette
regresso – carlos nobre
não me perguntes – angela maria
fim de estrada – carlos galhardo
seria tão diferente – núbia lafayette
vitrine – nelson gonçalves

Meu Brasil – Coletânea De Milan Filipovic

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos em mais um sábado de coletâneas. Vou aproveitar a pausa do almoço para fazer logo a nossa postagem. Hoje temos como convidado o Milan Filipovic, do excelente blog Parallel Realities. Essa ideia de coletâneas, convidando outros blogs parceiros, começou com o sérvio, eu inclusive fui por ele um dos convidados, apresentado uma seleção da Alaide Costa. A minha versão é um pouquinho diferente, se prolonga por um prazo indeterminado. Enquanto houver aqueles que atendam ao meu convite, os colaboradores espontâneos e eu próprio criando novas coletâneas, a programação continua.
Em “Meu Brasil”, Milan reuniu para nós alguns de seus artistas brasileiros, ao que parece, os que ele mais aprecia. Temos aqui o equivalente a um álbum duplo de 10 polegadas, ou seja, dezesseis músicas, extraídas (quase todas) de discos neste formato. A escolha dos artistas e repertório refletem bem o perfil do “Parallel Realities”. Cantoras das décadas de 40, 50 e 60, além de umas pitadas intrumentais de Ribamar, Alberto Mota, Pocho e Moacyr Silva. Gostei, uma bela seleção. Vamos conferir?

ternura antiga – marisa gata mansa
só por amor – odete lara
ô ba la la – norma benguell
com açucar e com afeto – waleska
insensatez – alaide costa
apelo – elizete cardoso
suas mãos – sylvia telles
e a noite chegou – francineth
cantiga de quem está só – neusa maria
brigas de amor – angela maria
ser só – dalva andrade
carinho perdido – isaura garcia
a noite do meu bem – ribamar
canção de amor – alberto mota
mente – pocho
meiga presença – moacyr silva

Dorival Caymmi – Vários (1991)

Olás! Inicialmente eu gostaria de informar aos amigos que, na medida do possível, estou restaurando os ‘toques’ que vocês me apontam como falhos. Nunca deixo de passar mais de uma semana sem corrigir o que me é solicitado, porém alguma coisa sempre acaba ficando para trás. Quando acontecer, basta comentar e insistir… minha cabeça está a cada dia mais confusa.
Hoje iremos de Dorival Caymmi. Ou melhor dizendo, com a música de Dorival Caymmi. Este é um disco que não traz outro título além do nome do grande compositor baiano. Trata-se, por certo, de uma coletânea com diversos intérpretes da música de Caymmi. O lp tem como data em seu selo o ano de 1991, mas com toda certeza ele foi um relançamento. Embora eu não tenha encontrado informações a respeito, ao que tudo indica, ele foi lançado na década de 60. O produtor, Nazareno de Brito, reuniu alguns de seus maiores sucessos gravados por artistas do selo Beverly. Temos assim uma coletânea das mais singulares, com gravações sessentistas raras, que valem a pena serem ouvidas ou relembradas. Confiram…

nem eu – agnaldo rayol
marina – roberto silva
dora – angela maria
a jangada voltou só – trio tropical
eu não tenho onde morar – trio nordestino
peguei um ita no norte – conjunto de orlando pereira
joão valentão – angela maria
só louco – almir ribeiro
saudade de itapoã – wilson ferreira
nunca mais – angela maria
o mar – edy pollo
maracangalha – altamiro carrilho

Angela Maria – Angela A Maior Maria (1964)

Mais uma vez, marcando presença em nosso Toque Musical, temos a Angela Maria, uma de nossas mais queridas cantoras, dona de uma voz única e de um repertório que agrada gregos e troianos. A “Sapoti” como ficou também conhecida, apelido dado a ela por Getúlio Vargas, foi durante os anos 50 a maior cantora do rádio. De caloura profissional passou a ser a cantora excepcional. Gravou seu primeiro disco em 1951, pela RCA Victor, com as músicas “Sou feliz” de Augusto Mesquita e Ari Monteiro e “Quando alguém vai embora” de Ciro Monteiro e Dias Cruz. Com apenas essas duas músicas gravadas já se tornou um grande sucesso nacional. Durante a década de 50 ela então gravaria dezenas de discos. De ‘princesa do rádio’ passou a ser a rainha. Paralelo ao rádio, ela também atuou no cinema, o que de uma certa forma colaborou em muito para com a sua popularidade. Participou de diversos filmes durante três décadas. Nos anos 60, mesmo com tantas mudanças no cenário musical brasileiro, Angela continuou firme, se destacando como uma cantora essencialmente romântica. Apesar de muitas vezes trazer em seu repertório um certo ‘ar brega’ (talvez pelo romantismo popular), sua arte e qualidades são inegáveis. Entre seus diversos álbuns, um dos que eu mais aprecio é este disco lançado em 1964. O lp é num todo uma beleza, a começar pela capa, pela foto da cantora que aqui nunca esteve antes ou depois tão bonita. Gosto mesmo dessa capa! Mas o disco não fica só na estampa e o meu gosto também. Temos nele diversas músicas bacanas, entre as quais eu destacaria “Estereofonia”, uma das muitas versões de Hélio Justo para este disco. Temos também Ary Barroso em “Canção em tom maior”, “Felicidade virá” de Orlann Divo e “Samba novo” de Newton Chaves e Durval Ferreira. Taí um disco clássico da Sapoti. Vamos ouvir?

a saudade bateu… valeu
esta noite não
estereofonia
poeira do caminho
o amor mais belo
samba novo
canção de tom maior
felicidade virá
loucura
não há mais tempo
as noites de inverno chegam mais cedo
clarinada

Miguel Gustavo – MPM Propaganda (1972)

Olá a todos! Ontem, devido a minha falta de planejamento e também de tempo, acabei por não fazer a postagem do dia. Enganei vocês trazendo apenas mais um volume da coleção Nova História da MPB. Infelizmente, não tive mesmo condições. Mas retomo agora às curiosidades e raridades fonográficas como eu havia prometido. Há muito que eu venho querendo postar essas coisas aqui e acho que é chegado um bom momento.
Hoje temos um disco brinde de natal, criado para a agência MPM Propaganda em 1972, no intuito de presentear aos seus clientes e também homenagear um dos maiores criadores de jingles (música de propaganda), o compositor Miguel Gustavo, falecido naquele ano. No lp encontramos algumas de suas mais conhecidas composições, tanto para o mundo da propaganda como no musical artístico. Suas criações são aqui interpretadas por nomes de peso da música brasileira. Apenas a faixa “A Estrada” não é criação de Miguel. Esta foi feita em sua homenagem. Uma seleção bacana, como muita coisa inédita e rara.
Miguel Gustavo foi um compositor, como ele mesmo se intitulava, primário. Ele não entendia de música e suas composições eram fruto apenas de sua sensibilidade natural. Por certo que a prática acaba levando a perfeição e Miguel foi muito além.
Incluo a baixo (por pura preguiça) um texto de Fábio Dias, extraído do site Clube do Jingle, apresentando este ilustre desconhecido e seus famosos feitos musicais:
Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins, compositor, jornalista, poeta e radialista nasceu no Rio de Janeiro em 24. de março de 1922 e faleceu em 22 de janeiro de 1972 aos 50 anos de idade. Ele era um cronista musical. Retratava em suas músicas o que de mais importante estava acontecendo nos meios sociais da época. Começou como discotecário da Rádio Vera Cruz em 1941. Mais tarde passou a escrever programas de rádio.
Em 1950 começou a compor jingles tendo se notabilizado nesta atividade com vários jingles de grande repercussão podendo ser destacado o que foi composto para as Casas da Banha com aproveitamento da melodia de Jesus, alegria dos homens de Johann Sebastian Bach. Sua primeira música gravada foi Primeiro amor, interpretada por Luiz de Carvalho, Os Tocantins e Dilu Mello em gravação Continental lançada em julho/agosto de 1946.
Em 23 de setembro de 1947, Ataulfo Alves gravou na Victor o samba O que é que eu vou dizer em casa, de sua autoria e Miguel Gustavo. Foi seu primeiro sucesso musical.
Em 1953 voltou a fazer sucesso com É sempre o papai, um baião de sua autoria que Zezé Gonzaga gravou na Sinter.
Mais tarde veio o ciclo dos sambas de breque com Moreira da Silva: O conto do pintor, O rei do gatilho, O último dos Moicanos, O sequestro de Ringo, O rei do cangaço e Morengueira contra 007.
Em 1963 compôs um jingle para o Leite Glória que até hoje é lembrado por muita gente pela forma moderna e criativa que a letra falava sobre as características do produto.
A música A dança da boneca, gravada pelo Chacrinha para o carnaval de 67 foi, depois, transformada no prefixo do Programa do Chacrinha com ligeiras modificações na letra e se popularizou pelo Brasil inteiro.
Para a Copa do Mundo de 1970, no México, ele criou o extraordinário Pra Frente Brasil ao participar de um concurso organizado pelos patrocinadores das transmissões dos jogos. O sucesso foi tanto que no carnaval do ano seguinte a música figurou entre as mais cantadas e até hoje é lembrada com carinho pela torcida brasileira.
Umas das principais características dos jingles de Miguel Gustavo eram as introduções marcantes que muitas vezes se tornavam um prefixo do próprio jingle e podiam ser consideradas melodias independentes dentro da peça, de tão bem estruturadas e fortes.
*Fábio Dias com dados fornecidos pela collectors.com.br

casas da banha – moinho de ouro – radamés gnattali
e daí? e daí? – alaide costa
morengueira contra 007 – moreira da silva
brasil eu adoro você – hino do sesquicentenário – angela maria
per omnia secula seculorum – josé tobias
café soçaite – jorge veiga
tatuzinho – leite gloria – erlon chaves
calma coração – miltinho
canção inútil da paz – severino filho
prá frente brasil – fala manuel gustavo
partido baixo do partido alto
a estrada – luis reis

Angela Maria – Sucessos Com Angela Maria N.2 (1956)

Para esta última noite de abril, escolhi um disco da Angela Maria. Confesso que fui muito pela capa, simplesmente maravilhosa, talvez a mais bonita de toda a sua discografia. Aliás, diga-se de passagem, o trabalho de arte-gráfica (pelo menos é assim que se chamava) dos antigos discos de 10 polegadas são primorosos. No presente álbum temos duas faixas, “Lábios de mel” e “Esquinas da vida” que somadas a arte da capa já valem o disco.
Gostaria de lembrar aos interessados, que esses ‘albinhos’ apresentam alguns chiados que em alguns momentos ficam bem evidentes, mas num todo acabam sendo incorporados à música e ao clima. Devemos entender que os mesmos são discos velhos, que ao longo de seus meio século de existência passaram por muitas agulhas e mão pouco cuidadosas, isso sem levarmos em conta o desgaste próprio a longo do tempo. Tem gente que gosta de dar uma tratada no som, na tentativa de melhorar a qualidade e eliminar chiados e ruidos. Fiquem a vontade…
lábios de mel
estava escrito
esquina da vida
não chore, linda criança
adeus querido
encantamento
só desejo você
abandono