Lauro Miranda E Seu Conjunto (1959)

O Toque Musical põe hoje em foco mais um músico brasileiro de renome, cujo centenário de nascimento comemoramos neste 2017: o pianista Lauro Miranda. Irmão do também músico Geraldo Miranda, ele veio ao mundo no dia 16 de junho de 1917, na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, com o nome completo de Lauro Osório Miranda. Autodidata, começou a aprender piano aos dez anos de idade. Sua carreira artística tem início aos 18 anos, como pianista profissional da orquestra do Automóvel Clube de Campos, litoral do estado do Rio de Janeiro. Em 1934, venceu o concurso de músicas carnavalescas de Campos com a música “Tá bom, deixa”. Em 1937, acompanhou as irmãs Cármen e Aurora Miranda em show no Teatro Trianon, ocasião em que também foi chefe da Orquestra do Cassino de Campos, onde conheceu o bandolinista uruguaio Miranda. Chegou a estudar na Faculdade de Agronomia, ainda em Campos, mas aos 21 anos largou tudo para dedicar-se apenas à música. É nessa ocasião que se transfere para o Rio de Janeiro, onde, em 1939, acompanhou o trio Gentile-Damian-Miranda em uma temporada no Cassino Atlântico, em Copacabana. Trabalhou ainda no restaurante Lido, também em Copacabana, na Rádio Tupi com o Trio Lalo Marenales e na orquestra do maestro Otaviano Romero Monteiro, o Fon-Fon. Em 1941, fez temporada de seis meses em Buenos Aires, como pianista da Orquestra Amazônia, inaugurando o programa “A hora do Brasil”, na Rádio El Mundo. No ano seguinte, atuou nas orquestras de Napoleão Tavares (Rádio Ipanema) e Guilherme Pereira. Em 1943, participa das orquestras dos maestros Pompeu Nepomuceno e Claude Austin, assumindo a chefia desta última até 1946. Em 1947, nova turnê internacional, agora com a orquestra de Fon-Fon, e percorrendo várias cidades da Europa: Paris, Milão, Barcelona, Madri, Roma, Nápoles e Knock, esta na Bélgica, passando ainda por Bagdá e Beirute, no Oriente Médio. E é em Beirute que fixa residência, entre 1947 e 1956, atuando como pianista da Orquestra Copacabana, que trabalhava na boate Le Grillon. De volta ao Brasil, atuou como pianista na boate Sacha’s, do Rio de Janeiro, e, mais tarde, ingressa no conjunto Sete de Ouros, do maestro Cipó, onde permanece até 1962, ano em que assume a direção artística do Hotel Nacional de Brasília. Nesse mesmo ano, faz nova turnê pela Europa, a convite do cantor Ernâni Filho, com ele percorrendo países como Portugal, França, Itália, Suíça, Alemanha e Inglaterra. De volta ao Brasil, ambos fazem temporada de três meses na boate Oasis, de São Paulo. Entre 1966 e 1974, foi pianista da extinta TV Tupi do Rio de Janeiro. Trabalhou ainda nos restaurantes Vice-Rei  (de 1985 a 1994) e Palhota (1995), transferindo-se depois para o Piano Bar St. Moritz, da Casa da Suíça, onde permanece até 2000, encerrando sua carreira. Como compositor, Lauro Miranda tem mais de 150 músicas gravadas, e foi um dos sócios-fundadores da Sbacem. Acompanhou ao piano, em toda a sua trajetória artística, vários nomes de prestígio na MPB, como Francisco Alves, Orlando Silva, Helena de Lima, Carlos Galhardo, Lana Bittencourt, Agnaldo Rayol, Lucienne Franco, Ellen de Lima, Carlos José, Aracy de Almeida… Com este respeitável currículo, Lauro Miranda bem merece a postagem de hoje do TM, oferecendo a seus amigos cultos, ocultos e associados o único LP que gravou com seu próprio conjunto, lançado em 1959 pela Drink Discos, gravadora que pertencia a outro músico de renome, o organista Djalma Ferreira, então dono da boate carioca de mesmo nome. E com direito até a uma capa dupla, verdadeira ousadia gráfica para a época, como de praxe nos lançamentos da Drink, e a um entusiasmado texto de contracapa de Carlos Machado, o então “rei da noite carioca”, descrevendo minuciosamente a trajetória de Lauro Miranda até então. No repertório, mesclam-se sucessos nacionais e internacionais da ocasião (“Poinciana”, “Fracassos de amor”, “Manhattan”, “O apito no samba”, “Foi o teu olhar”, “All the things you are”, “The ruby and the pearl”) e trabalhos autorais do próprio Lauro (“Cipolândia”, em parceria com o maestro Cipó, “Saudade”, “Recanto de rua” e “Será?’), dentro do padrão que caracterizava os álbuns dançantes da época. Enfim, uma homenagem a altura do TM aos cem anos de nascimento de Lauro Miranda! Em tempo: será que ele ainda vive? Em todo caso, se alguém souber do Lauro, favor enviar email para toquelinkmusical@gmail.com. Eu e o Augusto, desde já, agradecemos…

my funny valetine – where or when – more than you know
manhattan – all the things you are – saturday night
foi o teu olhar – sax cantabile
o apito no saba
cipolandia
the ruby and the pearl – poiciana
saudade – recanto da rua
será – fracassos de amor

*Texto de Samuel Machado Filho

Araken Peixoto – Ontem E Hoje (1962)

Hoje eu serei brevíssimo, estou indo a uma festa e não sei que horas volto. Em compensação, vou deixar vocês muito bem acompanhados com o Araken Peixoto, num disco produzido Djalma Ferreira e seu selo Drink. Lançado em 1962, o álbum nos traz doze faixas saborosas (como diz um amigo meu).  Tenho certeza que vocês vão pedir, assim, já deixo avisado: amanhã, ta lá 😉

zé da calça curta

sukiyaky

around the world

doce amargura

pra seu governo

devaneio

é de briga

smile

ternura antiga

la puerta

ruby

teia da renda negra