Som 3 (1966)

É indiscutível a contribuição dada à música popular brasileira por César Camargo Mariano, músico, arranjador, compositor, produtor, diretor musical e empresário de renome internacional. Nascido em São Paulo, a 19 de setembro de 1943, César começou a tocar piano por conta própria, e, aos 14 anos, passaria a ser apresentado como “menino prodígio” em espetáculos no qual acompanhava bandas de jazz. Logo em seguida, fez amizade com Johnny Alf, que o incentivou a estudar harmonia, arranjo e composição. Ao longo de sua vitoriosa carreira, César Camargo Mariano foi agraciado com vários prêmios, como o Sharp e o Grammy Awards, foi jurado de festivais de música, apresentador de TV (comandou o musical “Um toque de classe”, na extinta Rede Manchete), compôs jingles publicitários, foi o primeiro a utilizar teclado sintetizador em arranjos musicais e acompanhou inúmeros astros de nossa música popular, sobretudo Elis Regina, com quem se casou e estabeleceu marcante parceria em shows e discos. Desse enlace matrimonial, vocês sabem, resultaram dois filhos, hoje também cantores, Pedro Mariano e Maria Rita. César reside nos EUA desde 1994, mas continua em contato permanente com os maiores nomes da nossa música popular, dirigindo e produzindo discos e espetáculos.  César Camargo Mariano começou a atuar como músico profissional na orquestra de William Furneaux, e, em 1962, formou o grupo Três Américas, que tocava em festas e bailes. Um ano mais tarde, integra o Quarteto Sabá, com quem grava o primeiro LP. Em seguida, ao lado de Aírto Moreira e Humberto Claiber, forma o Sambalanço Trio, que grava um álbum com o cantor e dançarino Lennie Dale, e ganha prêmios. Contratado pela antiga TV Record de São Paulo, passa a se apresentar com um novo grupo, o Som Três, ao lado de Sabá no contrabaixo e Antoninho Pinheiro na bateria, os dois últimos egressos do Jongo Trio, com o qual grava cinco LPs, sem contar um ao vivo, em que acompanharam o grande e inesquecível Wilson Simonal. E é justamente o primeiríssimo álbum do Som Três, lançado em 1966 pela Som Maior, selo que pertencia ao grupo RGE-Fermata, que o TM oferece hoje, em grande estilo, a seus amigos cultos, ocultos e associados. Nas onze faixas deste trabalho, há trabalhos autorais dos próprios integrantes (“Samblues”, “Tema 3”, “Cristina”, “Margarida B”, de César, e “Um minuto”, de Sabá e Antoninho), sucessos da ocasião (“O morro não tem vez”, “Canto de ossanha”, “O bolo”) e composições de Lula Freire com parceiros (“Cidade vazia”, com Baden Powell, e “Deixa pra lá”, com Sérgio Augusto), além do clássico “Na Baixa do Sapateiro”, do mestre Ary Barroso.  Tudo isso criando, conforme diz a contracapa, uma personalidade musical exatamente como  exigia o gosto do público musical dessa época, com execuções primorosas. Portanto, este primeiro LP do Som Três é mais um trabalho de qualidade que o TM possui a grata satisfação de oferecer, simbolizando uma significativa parcela do melhor da música instrumental brasileira.

samblues
canto de ossanha
na baixa do sapateiro
o bolo
um minuto
cidade vazia
deixa pra lá
tema 3
cristina
o morro não tem vez
margarida b

*Texto de Samuel Machado Filho

Sambalanço Trio – Vol. 2 (1965)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou num aperto só, quase sem tempo para o Toque Musical, mas vamos lá rapidinho… Vamos com um disco que não precisa ficar dando muita explicação. A contra capa já nos dá todas as informações necessárias e além do mais, este é um disco que já foi bem divulgado em outros blogs. Estou postando aqui para aqueles que não tiveram a chance de conhecer, ou querem também conferir o toque aqui do Augusto 😉
Sambalanço foi um dos muitos e excelentes grupos da era Bossa Nova. Formado no início dos anos 60 por três grandes músicos, Cesar Camargo Mariano, Airto Moreira e Clayber. Este disco foi o segundo lançado por eles, pelo selo Som Maior, em 1965. Como se pode ver na contracapa, o repertório é fino! E os caras são foda! Discaço, que mesmo bem manjado merecia estar aqui. 🙂

nana
reza
estamos aí
deus brasileiro
preciso aprender a ser só
cangaceiro
improviso negro
roda de samba
você
canção que veio de dentro do azul
samba de verão
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Conjunto Mafasoli (1967)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Vocês sabem que eu sou um cara que adora ‘invetar moda’ e sempre que é preciso eu estou lá… Eu hoje encasquetei de postar um disco o qual não tinha a capa. Na verdade, a capa estava um lixo e eu até pensei em restaurar, mas diante ao trabalho, achei melhor criar uma outra. Acho que ficou até legal, porém quem vê e não conhece o artista, vai pensar que é algum disco de jazz. Mas, não se enganem, a coisa aqui está mais para Jovem Guarda. Bom, agora já está feito e pronto…
Temos aqui o Conjunto Mafasoli, ou melhor dizendo, Carlinhos Mafasoli. Um nome que indica uma dezena de discos gravados e participação em trabalhos de tantos outros artistas e edições. Porém, se formos procurar a sua biografia, ou mesmo algum dado artístico, vamos ficar na mão… Caramba, não há nada na rede sobre o Carlinhos Mafasoli, apenas seus velhos discos vendidos no Mercado Livre. Bom, do pouco que sei, este artista foi um músico atuante nos anos 50 e 60. Ele aparece em vários discos e dos mais variados gêneros tocando acordeon, sanfona, piano ou orgão. Seus lps não são trabalhos autorais, ao que tudo indica ele era apenas um instrumentista e intérprete. Neste álbum, lançado pelo selo Som Maior em 1967, vamos encontrá-lo pilotando um orgão, dedilhando os temas em voga na época. Um repertório misto, com músicas nacionais e internacionais, feito então para tentar agradar tanto os mais velhos quanto os mais moços. Os arranjos e regência são do maestro Portinho.
penny lane
coração de papel
puppet on a string
bus stop
tell the boys
there’s a kind of hush
never, never
call me
funeral de um lavrador
this is my song
green grass
o bilhetinho
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