Luiz Gonzaga – S.Paulo-QG Do Baião (1974)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Começando bem a manhã e antes de sair para o trabalho, vou deixando aqui um ‘disco de gaveta’, ou seja, aquele que está sempre pronto para cobrir um vão. Eu já havia abandonado esse termo, pois afinal, o que não falta aqui no Toque Musical é buraco, furo… Furo do amigo aqui, que nem sempre encontra tempo para manter a tradicional postagem diária. Mas como dizem por aí, é melhor pingar do que faltar.
Seguimos assim, trazendo este lp do Luiz Gonzaga, lançado em 1974 pela gravadora RCA. Aqui temos um disco dedicado aos paulistas e a comunidade nordestina, em São Paulo. Cidade onde o Lua amplificou o seu sucesso, ecoando por todo o Brasil e também fora dele. Trata-se de um lp importante, pois reúne gravações antigas da época dos 78 rpm com uma qualidade de som que só mesmo uma gravadora como a RCA Victor poderia nos dar. Há também o fato de que algumas gravações são raras, como é o caso de “A vida do viajante”, que aqui aparece na versão original. Geralmente quando ouvimos essa música, a versão é sempre em dueto com o filho Gonzaguinha. Na verdade, nem sei se existe essa primeira versão lançada em cd. Embora difícil de se ver e ouvir, acredito que sim, pois a obra do Gonzaga já foi toda rastreada. Confiram aqui essa joinha, é imperdível! 😉

baião da garôa
a vida do viajante
jardim da saudade
marabaixo
catamilho na festa
xaxado
cana só em pernambuco
moda da mula preta
moreninha, moreninha
tô sobrando
relógio do baião
a canção do carteiro
velho pescador
vamos xaxear

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Luiz Gonzaga – Ô Véio Macho (1962)

Boa noite, prezadíssimos amigos cultos e ocultos! Hoje eu acordei com vontade de ouvir Luiz Gonzaga e naturalmente, eu não deixaria esse momento passar em branco aqui no Toque Musical. Embora o Gonzagão já tenha sido exaustivamente publicado aqui, Muitos de seus lps, principalmente os de 12 polegadas ainda continuam inéditos, pelo menos por aqui. Assim sendo, aqui vai mais um.
“Ô véio macho” é um lp de carreira, lançado em 1962 pela RCA Victor. Neste disco vamos encontrar o Luiz Gonzaga intérprete e parceiro. São doze faixas recheadas de xote, baião, forró e toada. Aqui, pela primeira vez, Luiz Gonzaga apresenta em disco um de seus parceiros e fã, José Marcolino, com quem divide seis faixas. Disco bacana, gravação com a qualidade que só mesmo a RCA Victor sabia fazer. Confiram…

ô véio macho
balança a rede
sertão de aço
serrote agudo
de teresina a são luiz
pássaro carão
sanfoneiro zé tatu
matuto aperriado
forró de zé dantas
a dança do nicodemos
no piacó
adeus iracema
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Forró 78 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 138 (2015)

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Ah, a alegria do reencontro…  É o que certamente vocês,  amigos cultos, ocultos e associados do nosso TM, estão sentindo ao ver, após longa ausência, mais um volume do nosso Grand Record Brazil. E eu também,  é claro, estava sentindo saudades deste convívio quinzenal com vocês.  Nesta que é a edição de número 138, estamos apresentando uma seleção de dezessete gravações, como sempre de alto valor histórico e artístico, de um gênero bem brasileiro, o forró. Afinal de contas, estamos em junho, mês de festas juninas, que no Nordeste sempre foram  verdadeiras apoteoses.
Pra começar, trazemos Gordurinha (Waldeck Arthur de Macedo, Salvador, BA, 10/8/1922-Rio de Janeiro, 16/1/1969),apresentando um baião dele mesmo em parceria com Nelinho, “Praça do Ferreira” (alusão a uma praça de Fortaleza, capital do Ceará, um dos pontos turísticos da cidade). Saiu pela Continental em setembro de 1961, sob número 17993-B. Em seguida, uma curiosa gravação de “Maria Chiquinha”,xote-balada humorístico de Guilherme Figueiredo e Geysa Bôscoli. Originalmente lançada por Evaldo Gouveia e Sônia Mamede na RGE, em agosto de 1961,aqui consta na gravação feita mais tarde por Marinês (“a rainha do xaxado”), em dueto com Luiz Cláudio, na RCA Victor.O registro data de 20 de outubro de 1961,editado sob número 80-2413-A,matriz M2CAB-1518, e saiu também no LP “Outra vez Marinês”. Um dos maiores conjuntos vocais da MPB,o Trio Nagô (Evaldo Gouveia, Mário Alves e Epaminondas de Souza) aqui comparece com o baião “O gemedor”, de Gilvan Chaves,originalmente lançado por ele mesmo em 1955. O Trio Nagô fez seu registro na RCA Victor em 20 de dezembro de 1956, e o lançamento deu-se em março de 57 sob número 80-1749-A, matriz BE6VB-1410. Marinês (Inês Caetano de Oliveira, São Vicente Férrer, PE, 16/11/1935-Recife, PE, 14/5/2007) comparece mais uma vez aqui com “Cadê o peba?”, divertido e malicioso coco de autoria de Zé Dantas, parceiro de Luiz Gonzaga em hits como “Vozes da seca”, “Cintura fina” e “O xote das meninas”. Marinês o gravou  na RCA Victor em 25 de janeiro de 1961, com lançamento em março seguinte sob número 80-2301-B, matriz M2CAB-1183, e o registro saiu também no LP “O Nordeste e seu ritmo”.  Manezinho Araújo (Manoel Pereira de Araújo, Cabo, PE, 27/9/1913-São Paulo, 23/5/1993), o eterno “rei da embolada”, aqui nos oferece um clássico do gênero, de autoria dele próprio:  é “Cuma é o nome dele?” (“É Mané Fuloriano”…), lançado pela Sinter em outubro de 1956 sob número 498-A,matriz S-822, figurando também no LP de dez polegadas “Manezinho Araújo cantando no Cabeça Chata” (um restaurante que ele então possuía no Rio de Janeiro, especializado em música e comidas típicas do Nordeste).  O eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga (Exu, PE, 13/12/1912-Recife,PE,2/8/1989), comparece aqui com um de seus primeiros  hits cantados. É o “chamego” “Penerô xerém”, dele e de Miguel Lima, gravação Victor de 13 de junho de 1945,lançada em agosto do mesmo ano, disco 80-0306-A,matriz S-078189. Na faixa seguinte,temos novamente Marinês, agora interpretando o xote “Peba na pimenta”, de João do Valle (antes de estourar nacionalmente com “Carcará”), José Batista e Adelino Rivera, outra divertida e maliciosa página do repertório da “rainha do xaxado”. Saiu pela Sinter em setembro de 1957 sob número 568-A, matriz S-1231, e também figurou no LP de dez polegadas “Vamos xaxar com Marinês e sua Gente”. “Peba na pimenta”  tem várias regravações, como as de Ivon Cúri e do próprio João do Valle. Gilvan (de Assis) Chaves (Olinda, PE, 20/9/1923-São Paulo, 12/8/1986) comparece nesta seleção com o divertido xote “Casamento aprissiguido”,de Ruy de Moraes e Silva. Foi por ele gravado na recém-inaugurada Mocambo, dos irmãos Rozenblit, que tinha sede no Recife,com lançamento por volta de abril de 1955, disco 15029-A,matriz R-545, figurando depois no LP-coletânea de dez polegadas “Oito sucessos”. Depois, Marinês volta, desta vez para interpretar “Xaxado da Paraíba”, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes,lançado pela Sinter por volta de outubro de 1957 sob número 579-A, matriz S-1253, sendo depois faixa de abertura do LP “Aquarela nordestina”. Temos depois a famosa “Mulher rendeira”, que ficou conhecida graças ao filme “O cangaceiro” (1953), produzido pela Vera Cruz e vencedor da Palma de Prata do Festival de Cannes como melhor filme de aventuras.  No entanto, o sucesso internacional do filme não impediu a falência do estúdio, uma vez que  a maior parte dos lucros ficou com sua distribuidora, a norte-americana Columbia Pictures.  De origem folclórica, mas com autoria por vezes atribuída aos cangaceiros do bando de Lampião e até mesmo a ele próprio,”Mulher rendeira” era cantada no filme pelos Demônios da Garoa (em “off”), e aqui apresentamos a gravação comercial, em ritmo de baião,  feita por eles mesmos, ao lado do cantor Homero Marques, em 27 de janeiro de 1953, com lançamento pela Odeon em março do mesmo ano, disco 13403-A, matriz 9594. O paraibano (de Taperoá) Zito Borborema, sobre quem pouco se sabe, a não ser que foi casado com Chiquinha do Acordeon , dessa união resultando um filho, Perpétuo Borborema, integrante do Trio Pé-de-Serra, aqui interpreta, acompanhado de seus “Cabras da Peste”, um clássico assinado por Venâncio e Curumba,o rojão (espécie mais acelerada de baião) “Mata Sete”. Foi lançado pela recém-nascida RGE,  de José Scatena, em dezembro de 1956, sob número 10018-A, matriz RGO-109, entrando depois no LP de dez polegadas “O Nordeste canta”.  Depois,temos novamente a grande Marinês, agora com outro clássico de João do Valle, feito em parceria com Silveira Júnior e Ernesto Pires: o xote “Pisa na fulô”,em gravação lançada pela Sinter em setembro de 1957 no lado B de “Peba na pimenta”, disco 568,matriz S-1232, sendo igualmente incluída no LP de dez polegadas “Vamos xaxar com Marinês e sua Gente” (o curioso é que “Pisa na fulô” também figurou no álbum “Aquarela nordestina”, em doze polegadas, editado posteriormente).  Outro grande nome da música nordestina, Luiz Wanderley (Colônia de Leopoldina, AL, 27/1/1931-Rio Tinto, PB, 19/2/1993) apresenta-se aqui com um xote dele próprio em parceria com Jeová Portela,”Moça véia”, gravação dos primórdios da marca alemã Polydor no Brasil, lançada em 1955 sob número 126-A, matriz POL-1065. Showman completo (cantor,compositor,humorista,etc.), o notável Ivon Cúri  (Caxambu, MG, 5/6/1928-Rio de Janeiro, 24/6/1955) aqui se faz presente com um verdadeiro clássico de seu repertório, o baião “Farinhada” (conhecido como “Tava na peneira”, primeiro verso da letra), assinado pelo mestre Zé Dantas. Ivon o imortalizou na RCA Victor em 8 de junho de 1955, e o lançamento se deu em agosto seguinte sob número de disco 80-1473-A, matriz BE5VB-0763, sendo a faixa mais tarde incluída no LP de dez polegadas “O rei decreta os sucessos” (Ivon era então o “Rei do Rádio”). ”Farinhada” tem várias regravações, inclusive do próprio Ivon Cúri. Luiz Wanderley retorna em seguida, desta vez para interpretar “O boi na cajarana”, motivo popular adaptado por Venâncio e Curumba, e por eles próprios lançado em disco,em 1953. O registro de Luiz Wanderley, em ritmo de baião, saiu pela Chantecler em janeiro de 1959, disco 78-0078-A, matriz C8P-155, e entrou mais tarde em seu primeiro LP, “Baiano burro nasce morto”.  Pernambucano de Amaraji, Ivanildo, conhecido como “o sax de ouro”, marca presença neste volume do GRB com o baião “Crioula”, de Moreira Filho, gravação Mocambo de 1961, lançada sob número 15372-A, matriz R-1263, e também faixa do LP “Uma noite no Comercial”.  Para finalizar, outro grande nome da música regional nordestina, Ary Lobo (Gabriel Euzébio dos Santos Lobo, Belém,  PA, 14/8/1930-Fortaleza, CE, 22/8/1980) apresenta o delicioso xote “Abotoa o paletó, Belizário”, de Geraldo Queiroz e Waldemar Tojal. É gravação RCA Victor de 10 de julho de 1957, lançada em setembro do mesmo ano sob número 80-1844-A, matriz 13-H2PB-0163. Enfim, uma seleção forrozeira de nível, que retoma a bem-sucedida trajetória do GRB, para alegria de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de melhor. Puxa o fole,  maestro!
*Texto de Samuel Machado Filho

 

Cinema Em 78 RPM – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 137 (2015)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, agora em sua edição de número 137. E a seleção musical desta quinzena foi preparada por uma pessoa muito especial: eu próprio!  Tudo começou quando o Augusto me mandou  diversos áudios extraídos de clipes produzidos para o YouTube, pela Rádio Educativa Mensagem de Santos, aproveitando cenas de filmes diversos, todos em preto e branco. No entanto, apenas quatro músicas, devidamente conservadas aqui , fizeram realmente parte de filmes. Então sugeri que fosse feita uma edição com músicas que foram realmente apresentadas em películas de sucesso, a maior parte nacionais. Com o devido acolhimento da ideia, e com carta branca para sua elaboração,  consegui garimpar dezesseis fonogramas, alguns até raríssimos, extraídos das bolachas de cera velhas de guerra. Uma seleção que resultou inclusive de pesquisas em fontes diversas, particularmente o “Dicionário de filmes brasileiros – longa-metragem”, de Antônio Leão da Silva Neto (Editora Futuro Mundo, 2002). Isto posto,vamos às músicas.Para começar, temos o clássico “O ébrio”, canção de e com Vicente Celestino, “a voz orgulho do Brasil”, por ele gravada na Victor em 7 de agosto de 1936 e lançada em setembro do mesmo ano, disco 34091-A, matriz 80195. O filme viria dez anos depois, produzido pela Cinédia e dirigido pela esposa do cantor, Gilda de Abreu, com grande bilheteria (teria superado até mesmo “Tropa de elite2”, o recordista oficial de bilheteria do cinema brazuca).  Esta gravação é uma montagem que apresenta, primeiramente, o monólogo inicial, extraído da regravação que Celestino fez da música em 1957, e, em seguida, o registro original de 1936, junção esta feita para a coletânea “Sessenta anos de canção”, lançada após a morte do cantor, em 1968. Inezita Barroso, recentemente falecida, aqui comparece com “Maria do mar”, canção do maestro Guerra Peixe em parceria com o escritor José Mauro de Vasconcelos, autor de romances de sucesso como  “Vazante”, “Coração de vidro”, “Banana brava” e “O meu pé de laranja-lima”. Fez parte do filme “O canto do mar”, produção da Kino Filmes dirigida por Alberto Cavalcanti, e Inezita a gravou na RCA Victor em 4 de agosto de 1953,com lançamento em  outubro do mesmo ano, disco 80-1209-B, matriz BE3VB-0222. Temos, em seguida, a única composição de origem estrangeira inclusa nesta seleção. Trata-se de “Natal branco (White Christmas)”, fox de autoria de Irving Berlin, um dos maiores compositores dos EUA, e sucesso em todo o mundo. Seu intérprete mais constante foi o ator e cantor Bing Crosby, que a lançou em um show que fez para os pracinhas norte-americanos que serviam nas Filipinas, durante a Segunda Guerra Munidal. Bing também interpretou este clássico em dois filmes: “Duas semanas de prazer (Holiday inn)”, de 1942, e “Natal branco(White Christmas)”, de 1954. Com letra brasileira de Marino Pinto, foi levado a disco na RCA Victor por Nélson Gonçalves, ao lado do Trio de Ouro, então em sua terceira fase (Lourdinha Bittencourt, então esposa deNélson, Herivelto Martins e Raul Sampaio), no dia 25 de novembro de 1955, mas estranhamente só saiu em janeiro de 56, disco 80-1551-B, matriz BE5VB-0926. Houve uma versão anterior, assinada por Haroldo Barbosa, que Francisco Alves interpretava em programas de rádio, porém não gravada comercialmente. Na quarta faixa, o maior sucesso autoral do compositor pernambucano Nélson Ferreira:  o frevo-de-bloco “Evocação”, primeiro de uma série de sete com o mesmo título, homenageando grandes nomes do carnaval recifense do passado. A interpretação é do Bloco Batutas de São José,lançada pela recifense Mocambo em janeiro de 1957, no 78 rpm n.o 15142-B, matriz R-791, e no LP coletivo de 10 polegadas “Viva o frevo!”.  “Evocação” foi também sucesso no eixo Rio-São Paulo, em ritmo de marchinha, entrando na trilha sonora do filme “Uma certa Lucrécia”, de Fernando de Barros, estrelado por Dercy Gonçalves. Logo depois, outra gravação da Mocambo: é a balada-rock “Sereno”, lançada em 1958 no 78 rpm n.o 15233-A, matriz R-985, e incluída mais tarde no LP “Surpresa”. A música fez parte do filme “Minha sogra é da polícia”, uma comédia dirigida pelo mesmo autor da composição, Aloízio T. de Carvalho, e por sinal bastante cultuada pelos fãs de dois futuros astros da Jovem Guarda, Roberto & Erasmo Carlos, pois marcou a primeiríssima aparição de ambos no cinema.  “Sereno” também foi revivida, em 1976, na novela “Estúpido Cupido”, da TV Globo, cuja trilha sonora foi a de maior vendagem da história da gravadora Som Livre: mais de dois milhões e meio de cópias! Na sexta faixa, uma raridade absoluta: trata-se da toada “Céu sem luar”, do maestro Enrico Simonetti em parceria com o apresentador de rádio e televisão Randal Juliano. Quem a interpreta, com suporte orquestral do mestre Tom Jobim, é Dóris Monteiro, em gravação Continental de 6 de maio de 1955, lançada em outubro do mesmo ano, disco 17171-A, matriz C-3628. Dóris também a interpretou no filme “A carrocinha”, produção de Jaime Prades estrelada por Mazzaropi  sob a direção de Agostinho Martins Pereira, e na qual Dóris também contracenou com outro mestre, Adoniran Barbosa (seu pai, na trama).  Desse mesmo filme, agora com o próprio Mazzaropi, um dos mais queridos comediantes do cinema brazuca, até hoje lembrado com saudade, é nossa sétima faixa, o baião “Cai, sereno (Na rama da mandioquinha)”, baião de Elpídio “Conde” dos Santos (autor do clássico “Você vai gostar”).O eterno jeca registrou “Cai, sereno” na RCA Victor em 2 de agosto de 1955, e o lançamento se deu em outubro do mesmo ano, disco 80-1497-A, matriz BE5VB-0821. Temos também o lado B desse disco,matriz BE5VB-0822, também de Elpídio: a rancheira “Dona do salão”, interpretada por Mazza no filme “Fuzileiro do amor”, dirigido por Eurides Ramos, primeira das três películas que o comediante fez no Rio de Janeiro para a Cinedistri, de Oswaldo Massaini.  Ângela Maria, a querida Sapoti, nos apresenta o expressivo samba-canção “Vida de bailarina”, de Américo Seixas em parceria com o humorista Chocolate (Dorival Silva). Fez parte do filme “Rua sem sol”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por Alex Viany, e a gravação em disco saiu pela Copacabana em  dezembro de 1953, sob n.o 5170-B,matriz M-642. Voltando bem mais longe no tempo, apresentamos “Estrela cadente”, valsa-canção de José Carlos Burle, que fez parte do filme “Sob a luz do meu bairro”, da Atlântida, dirigido por Moacyr Fenelon. Carlos Galhardo,seu intérprete na película, cujos negativos infelizmente se perderam em um incêndio, gravou a música na Victor em 12 de abril de 1946, com lançamento em julho do mesmo ano sob n.o 80-0421-B, matriz S-078474. O eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, apresenta a animadíssima polca “Tô sobrando”, que fez em parceria com Hervê Cordovil, e gravou na RCA Victor em 26 de julho de 1951, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 80-0816-A,matriz S-092995. Gonzagão também a interpretou no filme “O comprador de fazendas”, da Cinematográfica  Maristela, estúdio paulistano que ficava no bairro do Jaçanã, baseado em conto de Monteiro Lobato e dirigido por Alberto Pieralisi, tendo no elenco Procópio Ferreira, Hélio Souto e Henriette Morineau, entre outros (o próprio Pieralisi dirigiu uma refilmagem inferior, em 1974).  O número musical de Luiz Gonzaga, por sinal, foi rodado após o término das filmagens, uma vez que ele sofrera grave acidente automobilístico e quebrara o braço. Outra raridade vem logo em seguida: o samba-exaltação “Parabéns, São Paulo”, de Rutinaldo Silva,em gravação lançada pela Continental em março de 1954 (ano em que a capital bandeirante comemorou seus quatrocentos anos de existência), disco 16912-B, matriz C-3287. Esse foi o número musical de encerramento do filme “O petróleo é nosso”, da Brasil Vita Filmes, dirigido por um especialista em chanchadas, Watson Macedo. O belo samba-canção “Onde estará meu amor?”, de autoria da compositora e instrumentista Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale), é outra absoluta raridade nesta seleção “cine-musical”. Interpretado por Agnaldo Rayol no filme “Chofer de praça”, o primeiro que Mazzaropi fez como produtor independente, sob a direção de Mílton Amaral, foi lançado em disco pela Copacabana em maio de 1958, no 78 rpm n.o  5891-A, matriz M-2181, entrando mais tarde no primeiro LP de Agnaldo, sem título (CLP-11061). Gravações  posteriores de Dolores Duran e Elizeth Cardoso, também pela Copacabana, reforçariam o êxito de “Onde estará meu amor?”.  Silvinha Chiozzo, irmã da acordeonista e também cantora e atriz Adelaide Chiozzo,  aqui comparece com duas músicas que interpretou no filme “Rico ri à toa”, primeiro trabalho do cineasta Roberto Farias, que mais tarde fez ”Assalto ao trem pagador” e a trilogia cinematográfica estrelada por Roberto Carlos (“Em ritmo de aventura”, “O diamante cor-de-rosa” e “A trezentos quilômetros por hora”), sendo depois diretor de especiais da TV Globo.  Saíram pela Copacabana em 1957, sob número 5795. Primeiro,o lado B, “Zé da Onça”, baião clássico de João do Valle, o acordeonista Abdias Filho (o famoso Abdias dos Oito Baixos) e Adrian Caldeira, matriz M-1990, que Silvinha canta em dueto com Zé Gonzaga, irmão de Luiz Gonzaga. Vem depois o lado A, matriz M-1965, “É samba”, que Silvinha canta solo, concebido por Vicente Paiva, Luiz Iglésias e Walter Pinto, os três ligados ao teatro de revista. Para terminar, um verdadeiro clássico interpretado pelo grande Cauby Peixoto: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt e Raul Sampaio, e que fez parte do filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri,  dirigida por Victor Lima. Cauby imortalizou este sucesso inesquecível na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957,com lançamento em abril de 58 no 78 rpm n.o 80-1928-A, matriz 13-H2PB-0311. Um fecho realmente de ouro para a seleção desta quinzena do GRB, que por certo irá proporcionar grandes momentos de recordação e entretenimento a vocês  que tanto prestigiam o TM. Quero expressar inclusive meus mais sinceros agradecimentos aos colecionadores Gilberto Inácio Gonçalves e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)  pela colaboração, enviando-me alguns dos preciosos fonogramas que compõem esta edição. E agora, luz, câmera, ação… e música!

*Texto e seleção musical de Samuel Machado Filho

Januário E Luiz Gonzaga – Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2013)

O Grand Record Brazil chega à sua sexagésima edição apresentando uma seleção musical com dois grandes nomes da cultura popular nordestina: Luiz Gonzaga e seu pai Januário.
Lavrador, sanfoneiro e consertador de sanfonas, Januário José dos Santos, autêntico rei dos oito baixos, nasceu em 25 de setembro de 1888, não se sabe se em Flores ou Pajeú das Flores, em Pernambuco. Adolescente, fugindo da seca, ele chegou, em 1905, à Fazenda Caiçara, nascente do Riacho da Brígida, a 12 quilômetros de Exu, na Serra do Araripe, bem na divisa Norte de Pernambuco com o Ceará, ao lado de seu irmão Pedro Anselmo. Era motivo de alegria e admiração para quem escutava a sua sanfona, sendo sempre respeitado por onde quer que passasse. Só falava o necessário e tinha grande entendimento intelectual, apesar de nunca ter sentado em um banco de escola. Além de exímio sanfoneiro, foi durante toda a vida um homem dedicado à família. Ao lado da primeira esposa, Dona Santana, soube muito bem educar seus nove filhos (Gonzagão foi o segundo) na tradição religiosa e no respeito humano.
O “Vovô do Baião” sempre amou seu querido Araripe. Prova disso é que, em 1960, com o falecimento de Dona Santana e já com os nove filhos radicados no Rio de Janeiro, ficou morando sozinho por lá de junho a novembro, quando contraiu segundas núpcias com Dona Maria Raimunda de Jesus. O novo casal adotou, em 1962, um bebê com três dias de nascido, e registrado como filho legítimo com o nome de João Batista Januário, ainda hoje residindo em Exu.
Grande exemplo de pai e bom vizinho, “seu” Januário partiu para a eternidade no dia 11 de junho de 1978, deixando imensa saudade em todos que o conheceram lá em Exu, apreciando suas performances sanfoneiras todo final de tarde. As tradições religiosas do município forma preservadas por muito tempo recebendo a colaboração do “Vovô do Baião”.
Já Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu, a 13 de dezembro de 1912, lá mesmo na Fazneda Caiçara, onde ele e seus irmãos foram criados, e ainda menino se interessou pelos oito baixos do pai, a quem ajudava na animação de forrós e festas. Aos 17 anos, saiu de casa e se alistou como voluntário no Exército, em Fortaleza, Ceará, e em 1930 rumou com seu batalhão de caçdores, o 22, para a Paraíba, agitada com a revolta de Princesa. Com a vitória de Getúlio Vargas, a tropa se desloca para Belém do Pará, Teresina, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a fim de pacificar os resistentes. Corneteiro, recebeu em BH o apelido de “Bico de Aço”. E soprando a corneta seguiu para São Paulo, em 1932, no movimento constitucionalista, e para Mato Grosso, a fim de proteger nossa fronteira da Guerra do Chaco, entre Paraguai e Bolívia. Já em tempos mais clamos, Gonzagão serviu em Juiz de Fora e Ouro Fino, em Minas Gerais, e deu baixa em 1939, após dez anos de Exército (uma nova lei impedia o reengajamento além desse tempo). Em vez de voltar a sua Exu, resolve ficar no Rio de Janeiro, onde desembarcara na companhia de uma sanfona branca comprada em São Paulo pouco antes. Nas ruas, nos bares e no Mangue, passando o pires, apresentava um repertório bem ao gosto dos marinheiros e suas acompanhantes: tangos, boleros, valsas, canções, foxes. Certa noite, um grupo de universitários cearenses pede para ele tocar alguma coisa lá do Nordeste. Aí, Gonzagão tira da memória xaxados, cocos, xotes, xamegos, e é aí que alimenta o ideal de um dia tocar tudo isso para todo o povo do Sul. Inscreve-se no programa de calouros do temível Ary Barroso tocando seu xamego “Vira e mexe”, sendo aplaudidíssimo pela plateia e obtendo nota máxima! Em 1941, é levado à RCA Victor para acompanhar Genésio Arruda na gravação de “A viagem do Genésio”, e tem a oportunidade de tocar seu “Vira e mexe” para o diretor artístico, sendo de pronto escalado para gravar dois discos como acordeonista-solo: “Véspera de São João”/”Numa serenata” e “Saudades de São João del Rey”/”Vira e mexe”. A oportunidade de gravar como cantor só aparece em 1945, com “Dança, Mariquinha”, mazurca sua e de Miguel Lima. Em pouco tempo tornou-se ídolo nacional, de ponta a ponta, também como compositor, tendo parceiros expressívos: Miguel Lima, Humberto Teixeira, Zé Dantas, e sucessos sem conta, seja como autor, seja apenas como intérprete: “Baião”, “Asa branca”, ‘Vozes da seca”, “Chofer de praça”, “Paraíba”, “Macapá”, “Lorota boa”, “Riacho do Navio”, “Boiadeiro”, “Cigarro de páia”, “Xanduzinha” e muitos, muitos mais. Com o aparecimento do rock e da bossa nova, Gonzagão ficou praticamente esquecido no Sul do País, sobretudo no eixo Rio-São Paulo, mas continuou a se apresentar pelo interior do Brasil, onde sempre teve grande público. Em 1968, o espertíssimo Carlos Imperial planta um boato de que o quarteto britânico The Beatles iria gravar “Asa branca”. Isso, claro, não aconteceu, mas chamou a atenção das novas gerações de então para sua obra, sendo então redescoberto e novamente experimentando o sucesso em discos e shows nos grandes centros urbanos, tendo inclusive se apresentado no exterior. O trono de Rei do Baião é e sempre será seu. Gonzagão morreu em 2 de agosto de 1989, no Recife, de osteoporose seguida de pneumonia (sofria também de câncer na próstata), deixando um legado imortal que até hoje influencia a MPB. Seu corpo foi sepultado, conforme seu desejo, ao lado de seus pais, em Exu.
Nesta edição do GRB, apresentamos uma seleção dedicada a Januário e Gonzagão, pai e filho, com oito fonogramas originais RCA Victor. Para começar, quatro gravações do mestre Januário, com participação expressiva dos filhos, inclusive, claro, Luiz Gonzaga: o xote dele mesmo “Januário vai tocar”, gravação de 3 de agosto de 1955, lançada em outubro do mesmo ano com o número 80-1498-A, matriz BE5VB-0823. No verso, matriz BE5VB-0824, o “Calango do Irineu”, também do próprio Januário, que apresentamos logo em seguida. Depois, as faixas do disco 80-1322, gravado em 18 de maio de 1954 e lançado em agosto: o baião “O balaio de Veremundo”, da parceria Luiz Gonzaga-Zé Dantas, espirituosa  alusão a um “coronel” da cidade pernambucana de Salgueiro, famosa por suas carnes de bode salgadas, e inventor da dança do balaio. Da mesma parceria é o lado B, matriz BE4VB-0456, outro baião: “Pronde tu vai. Luí?”, com solo vocal do próprio Gonzagão, “of course”. Completando este pequeno grande programa, quatro expressivas gravações de Gonzagão de seu início como cantor-solo. Na faixa seis, exatamente sua estreia nessa área, após 24 discos como solista de sanfona: a mazurca “Dança, Mariquinha”, gravada em 11 de abril de 1945 e lançada em maio seguinte, matriz S-078152. Luiz Gonzaga chegou a dizer ao então diretor artístico da RCA Victor, Vittorio Lattari, brincando, que a Odeon queria lançá-lo como cantor em disco. Mas Vittorio, claro, decidiu que ele ficaria na Victor, e perguntou: “Como é? Já tem repertório pra cantar?” Isso, claro, não faltava… Na faixa oito, o chamego “Penerô xerem”, chamego da parceria Luiz Gonzaga-Miguel Lima, gravação de 13 de junho de 1945, lançada em agosto do mesmo ano (80-0306-A, matriz S-078189). A 6 de setembro do mesmo ano, Gonzagão grava, de sua autoria mais Miguel Lima e J. Portela (o jota é de Jeová), outra mazurca de sucesso, “Cortando pano”, expressiva homenagem aos alfaiates, que a Victor lançara em novembro seguinte com o número 80-0344-B, matriz S-078283. Nessa época, quase todos os cantores brasileiros costumavam lançar músicas para o carnaval, pois, como então se dizia, eram “da fuzarca”. E mostrando o lado carnavalesco do Rei do Baião, foi escalada a faixa 7 desta nossa edição do GRB, a marcha-tarantela “Festa napolitana”, do compositor Sereno, para a folia de 1946, que a Victor lançou em janeiro desse ano, em gravação de 14 de novembro de 45, disco 80-0374-A, matriz S-078389. Enfim, uma pequena grande amostra que certamente irá agradar aos fãs de Luiz Gonzaga, de seu pai Januário e da boa música nordestina, deixando na boca aquele irresistível gostinho de quero-mais…
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Luiz Gonzaga – 100 Anos!

Boa noite, prezados! O dia foi puxado, mas ainda assim eu precisava achar um tempo para a postagem de hoje. Na presente data, o grande Luiz Gonzaga estaria completando 100 anos. Seria até um pecado o Toque Musical não prestar esta homenagem. Mas aqui estamos… Pensei em postar mais um disco do Lua, porém percebi que não tenho nada de especial que já não tenha sido postado aqui. Achei então, mais interessante, repostar no GTM os links de algumas dos melhores momentos: o box “Luiz Gonzaga – 50 Anos de Chão” e a coletânea exclusiva Toque Musical, “Luiz Gonzaga Instrumental – Gravações Na Década de 40 – Volumes 1 e 2”. Duas ótimas coletâneas que traçam bem a trajetória do artista. Como os nossos ‘toques’ via Mediafire foram todos deletados, o REPOST dessas postagens vem bem a calhar. Aqui tem mais, tem tudo que foi postado dele no Toque Musical. Salve Luiz Gonzaga, o Rei do Baião!

 

1º Semana Nacional Dos Transportes – Música Popular Em Ritmo De Transportes (1969)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Sabadozinho puxado esse meu! Não tive tempo hoje nem para ler e-mails. Só agora, no final do dia é que vou tentar dar o toque de hoje. Digo tentar porque, mal cheguei em casa, tomei um banho e agora já vou para outro compromisso. Estou só esperando o meu filhote acabar de se ajeitar. Vamos sair para jantar e não sei a que horas eu volto aqui. Diante a pressa, melhor é recorrer aos meus infalíveis discos de gaveta.

Hoje é dia de coletâneas e como eu não tive tempo de preparar uma exclusiva, vamos com uma oficial, de gravadora. Escolhi para tal um disco diferente, ou melhor, uma coletânea singular. Temos aqui um álbum promocional, lançado pela RCA em 1969. Este lp foi criado, em edição especial, para o então Ministério dos Transpostes, na 1ª Semana Nacional Dos Transportes (23 a 31 de julho), data essa que nunca mais vi sendo comemorada em anos posteriores. O disco nos apresenta nove músicas cujos os temas se relacionam com transportes. O curioso é que embora o disco tenha sido lançado pela RCA, nem todos os fonogramas são da mesma gravadora. Na verdade há aqui também gravações da Odeon e da Columbia. Um caso interessante de se ver, pois dificilmente iremos encontrar coletâneas oficiais que não sejam fonogramas de um mesmo selo. Por outro lado, já que o Governo conseguiu essa façanha, podia ter incluído outras músicas que também tratam do mesmo tema. No cancioneiro popular o que não falta é referência. Mas está valendo… 😉
peguei um ita no norte – dorival caymmi
chofer de praça – luiz gonzaga
jangada – silvio caldas
o trem atrazou – roberto paiva
upa upa (meu trolinho) – dircinha baptista
trem azul – almirante
carango – erasmo carlos
bonde de são januário – cyro monteiro
fon fon – carmem miranda e silvio caldas

Este É Do Papai (1959)

Bom dia a todos os amigos cultos e ocultos, em especial aos papais que hoje comemoram a sua data.
Todo ano eu ensaio de postar este disco, mas acabo sempre me esquecendo dele na hora ‘h’. Desta vez eu procurei ficar atento e hoje ele está aqui. Taí um álbum muito bacana criado pela RCA Victor, nos tempos em que Dia dos Pais era mais que uma simples jogada comercial. Vejam vocês como é interessante… como a indústria fonográfica se preocupava em pautar essas datas, criando discos bem produzidos e música de qualidade.
Em “Este é do papai” a gravadora recrutou um belo elenco de intérpretes e músicos de seu ‘cast’ para criar um disco em homenagem ao “Dia dos Pais”. Todas as doze músicas do lp fazem referência direta ao papai, sempre enaltecendo a figura daquele bom homem, que era chamado de ‘chefe da família’. Os papais continuam existindo, muitos, inclusive, se mantém na típica caracterização, como nos inspira a foto da capa. Porém, vivemos hoje numa outra época, onde alguns valores e hábitos foram se modificando ou se perdendo. Para mim, o principal deles foi a emoção. Eis aí uma palavra (nesse sentido) que vem, como os velhos artistas e seus discos, se transformando ao longo dos tempos. Talvez, por isso mesmo, é que a gente fica procurando fazer esses ‘playbacks’ da vida. Independente de qualquer coisa, hoje é o Dia do Papai. Viva eu, viva você, viva todos nós que somos pais!

papai do meu coração – carlos galhardo
a cara do pai – ivon curi
meu grande pai – verinha lúcia
papai – zaccarias e seu quarteto excelsior
dia dos pais – luiz gonzaga
se… (poema) – rodolfo mayer
eu sou mais o papai – neusa maria
salve o papai – carlos gonzaga
papai me disse – luzia de castro e gerson filho
viva o nosso papai – zaccarias e seu quarteto excelsior
papai do céu – verinha lúcia
a surpresa do papai – verinha lúcia e mario zan

Luiz Gonzaga Instrumental – Gravações Na Década De 40 Volumes 1 e 2 (2011)

Chegamos, enfim, na sexta feira! Já comecei a fazer as minhas malas. Amanhã eu quero já estar cedinho com o pé na estrada. Levo comigo toda a parafernália necessária para (tentar) manter o ritmo diário das postagens. De qualquer forma, não vou garantir nada. Vamos deixar rolar, ok?
Para a nossa sexta independente eu preparei uma coletânea gorda e especial. Como podemos ver no encarte exclusivo, criado para dar forma a essas gravações, temos um Luiz Gonzaga inteiramente instrumental. Trata-se de gravações diversas feitas por ele na década de 40. Procurei reunir material lançado em discos de 78 rpm e também gravações realizadas por ele em programas de rádio. Temos aqui mais de 50 músicas! O que daria um belo box, com pelo menos uns três discos. Mas para a minha edição, eu preferi criar apenas dois volumes. O primeiro compreende os anos de 41 a 43, o segundo vai de 43 a 45. Ao ouvirmos esses registros fica mais fácil entender o porquê do Baião fazer tanto sucesso. Sem dúvida, é um ritmo contagiante, que se contrasta de forma relevante com a música popular produzida naqueles tempos. Luiz Gonzaga foi mesmo o Rei. Ele está para o Baião assim como João Gilberto para a Bossa Nova. São os donos da bola, os fodas! Entre essas gravações temos coisas de espantar e mesmo com uma qualidade sofrível do registro sonoro, percebemos em muitas músicas e no jeito de tocar de Lua uma contemporaneidade e semelhança com coisas que nem são do universo da música nordestina. É certo que muitas das músicas apresentadas aqui não são, naturalmente, só em ritmo de Baião ou mesmo de autoria de Gonzaga. Elas se tornam Baião ao serem tocadas por ele. Confiram e comentem também. É sempre gratificante um retorno, seja ele para complementar, corrigir ou criticar. Fazer um blog desses e sozinho, só mesmo contanto com os amigos cultos e ocultos 🙂

Volume 1
saudades de são joão del rey
numa serenata
farolito
arrancando caroá
o chamego da guiomar
segura a polca
véspera de são joão
vira e mexe
apitando na curva
calangotango
minha guanabara
pé de serra
pisa de mansinho
sanfonando
santana
saudade de ouro preto
saudades de areal
seu januário
verônica
apanhei-te cavaquinho
araponga
destino
galo garnizé
manoelita
meu passado
Volume 2
bili bilu
caprichos do destino
o carimbó
despedida
escorregando
fazendo intriga
fuga da áfrica
luar do nordeste
subindo ao céu
madrileña
pingo namorando
recordações de alguém
wanda
xodó
última inspiração
aperreado
bolo mimoso
caxangá
sanfona dourada
zinha
dança do macaco
impertinente
mara
na hora h
passeando em paris
provocando as cordas
queixumes

Luiz Gonzaga – Quadrilhas E Marchinhas Juninas (1973)

Bom, já que entramos na quadrilha, vamos dançar! Desta vez trazendo uma autoridade no assunto e assuntos, o grande Lua. Temos para hoje este álbum do Luiz Gonzaga lançado pela RCA, originalmente em 1965 e que em 73 foi relançado com esta capinha. Um disco dedicado às tradições joaninas, aos festejos de São João e às noites estreladas.

Neste exato instante percebo que nosso disco está que nem bolacha (em qualquer blog se acha). Mas como sempre, no Toque Musical há um diferencial. Aqui vem completo e com direito a pé de moleque, quentão e milho cozido. Tá bom ou querem também dançar com a Rosinha? 😉

fim de festa
polca fogueteira
lascando cano
pagode russo
fogueira de são joão
olha pro céu
são joão na roça
fogo sem fuzil
quero chá
matuto de opinião
boi bumbá
o mair tocador
piriri

Luiz Gonzaga – 50 Anos De Chão (1988) REPOST

Hoje é um dia especial. Estamos comemorando o Dia do Pai. Digo pai porque acho que deveria se chamar assim, no singular da singularidade de cada um. Assim como o dia da mãe ou o dia da criança. Quando pluralizamos, tenho a sensação de distância, afastamento deste sentido de celebração, tornando-se apenas uma data gorda no calendário comercial.
Mas independente dessas questões, hoje é um dia marcado para celebrar o amor paternal. Necessariamente o “pai” não precisa ser o progenitor. Ser pai, tanto no céu como na terra, vai além de um simples elo sanguíneo. Pai ou mãe estão acima do ser mundano que somos todos nós. Eu poderia descrever essa condição em apenas duas palavras: amor e proteção. Uma pessoa pode até não ter tido os pais verdadeiros, mas em algum momento, em algum lugar, ela encontrará amor e proteção. Sempre haverá alguém espelhando o sentimento mais nobre, o amor! Meu pai agora está em mim e meu filho já fui eu. Diferentes relações, diferente situações… mas o essencial permanece, sempre vivo, o grande amor.
Em homenagem então ao pai, quero dedicar esta postagem especial, trazendo para vocês o Gonzagão nesta edição comemorativa de seus 50 anos de carreira. Este álbum, na verdade uma caixa com cinco lps, procura fazer um apanhado da produção do Lua na RCA Victor. Temos aqui, praticamente, todos os seus grandes sucessos. Eu espero que vocês gostem. …e viva o papai!

DISCO 1
vira e mexe
dansa mariquinha
no meu pé de serra
vem morena
acauã
baião
asa branca
boiadeiro
cintura fina
foro de mané vito
13 de dezembro
no ceará não tem disso não
DISCO 2
pau de arara
sabiá
juazeiro
a volta da asa branca
baião na garoa
qui nem jiló
o xote das meninas
assum preto
reacho do navio
respeita januario
paraíba
abc do sertão
DISCO 3
a daça da moda
légua tirana
imbalança
estrada de canindé
xandusinha
vozes da seca
olha pro céu
são joão da roça
noites brasileiras
são joão do carneiriho
piriri
forró no escuro
DISCO 4
a feira de caruarú
cacimba nova
apologia ao jumento
sanfona do povo
oia eu aqui de novo
meu araripe
pense n’eu
ovo de codorna
serrote agudo
a morte do vaqueiro
capim novo
a triste partida
DISCO 5
a vida do viajante
danado de bom
súplica cearence
pagode russo
forró n. 1
sanfoneiro macho
luar do sertão
obrigado joão paulo
sanfoninha choradeira
forró de cabo a rabo
nem se despediu de mim
depois da derradeira

Luiz Gonzaga – Meus Sucessos Com Humberto Teixeira (1968)

Outro álbum de 1968, uma safra muito boa. Aqui temos o Gonzagão, numa coletânea que reúne seus grandes sucessos em parceria com Humberto Teixeira. Em gravações originais, este é mais um disco raro, onde temos uma seleção única que nunca veio a ser relançada em cd. Eu não me recordo de um outro disco de Luiz Gonzaga com esses mesmos registro. Disco bão demais!

Mais uma vez, eu não vou nem tomar ao trabalho de listar as faixas. Como no post do Ataulfo, tá na capa!