A Música De Dunga – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 143 (2015)

E aí vai mais uma edição do Grand Record Brazil, o “braço de cera” do TM, com o número 143, para seus amigos, cultos e associados. Desta vez, focalizamos a obra musical do compositor e pianista Waldemar de Abreu, o Dunga.  Nosso focalizado veio ao mundo no dia 16 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Ganhou o apelido de Dunga aos sete anos de idade, de sua professora, que o considerava o mais querido da turma. Fez o curso primário na escola pública do subúrbio de Haddock Lobo, e o ginásio (até o quarto ano) no Instituto Matoso. Em 1928, começou a jogar futebol, em Petrópolis, região serrana fluminense.  Em 1930, ingressou na Leopoldina Railways, trabalhando como conferente, e sempre jogava nos times de futebol e basquete da companhia, sendo campeão da Liga Bancária diversas vezes.  Em janeiro de 1935, sai a primeira música gravada de Dunga, para o carnaval do mesmo ano: o samba “Amar pra quê?”, na voz de Sílvio Pinto. Ainda em 35, acontece o enlace matrimonial de Dunga com Zaíra Moreira, que tiveram dois filhos. Em 1940, entrou para a SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), exercendo a função de cobrador junto aos teatros, e , um ano depois, ingressou na UBC (União Brasileira de Compositores), onde permaneceria durante anos. Em 1960, assumiu a vice-presidência da ADDAF (Associação Defensora de Direitos Autorais e Fonomecânicos), sem no entanto abandonar a atividade musical. Ao longo de sua carreira, teve mais de oitenta músicas gravadas, nas vozes de grandes astros da MPB, tais como Orlando Silva, Jamelão, Dircinha Batista, Cyro Monteiro,  Déo, etc. Basta lembrar, por exemplo, de “Conceição” (1956), eterno sucesso de Cauby Peixoto, cuja melodia é de Dunga, com letra de Jair Amorim. Eles também fizeram juntos “Maria dos meus pecados”, hit de Agostinho dos Santos em 1957. E Dunga continuaria compondo até sua morte, em 5 de outubro de 1991, aos 83 anos, em seu Rio de Janeiro natal.

Para esta edição do GRB, foram escolhidas músicas de exclusiva autoria de Dunga, ou seja, obras que ele compôs sem parceria. São 29 faixas, interpretadas pelos melhores cantores e instrumentistas de sua época, quase todas sambas. (Uma boa lembrança e colaboração do amigo Hélio Mário Alves, quem nos enviou boa parte desse material). Para começar, temos “Antes tarde do que nunca”, do carnaval de 1940, gravado na Victor por Odete Amaral em 23 de outubro de 39 e lançado ainda em dezembro, disco 34537-B, matriz 33187. Em seguida, um sucesso inesquecível de Orlando Silva, “Chora, cavaquinho”, outra gravação Victor, esta de 27 de agosto de 1935, lançada em dezembro do mesmo ano, disco 33998-B, matriz 80011. Edna Cardoso, cantora que só gravou dois discos com quatro músicas, pela Continental, aqui comparece com as três obras de Dunga que constam dos mesmos. Para começar, temos “Confessei meu sofrer”, lado A do disco 15428, o segundo e último de Edna, lançado em setembro de 1945, matriz 1199. Depois desta faixa, Aracy de Almeida comparece com “Dizem por aí”, gravação Victor de 20 de abril de 1938, lançada em junho seguinte sob número 34321-B, matriz 80761. Em seguida, o delicioso arrasta-pé “Espiga de milho”, executado pelo regional do violonista Canhoto (Waldiro Frederico Tramontano), em gravação RCA Victor de 21 de maio de 1954, lançada em agosto do mesmo não, disco 80-1325-B, matriz BE4VB-0462. Depois, mais três imperdíveis faixas com Orlando Silva. “Esquisita” é da safra do Cantor das Multidões na Odeon, por ele gravado em 23 de junho de 1947 e lançado em setembro do mesmo ano, disco 12797-A, matriz 8246. Voltando à Victor, temos um verdadeiro clássico da carreira de Orlando: o samba-canção “Eu sinto vontade de chorar”, que ele canta acompanhado pela Orquestra Carioca Swingtette, sob a direção de Radamés Gnattali. Gravação de 13 de junho de 1938, lançada em setembro seguinte sob número 34354-B, matriz 80826. “Foi você”, outra das melhores gravações de Orlando, foi feita em 17 de setembro de 1936 e lançada pela marca do cachorrinho Nipper em outubro seguinte com o número 34100-A, matriz 80221. O samba-canção “Justiça”, grande sucesso na voz de Dircinha Batista, foi por ela gravado na Odeon  em 20 de junho de 1938, com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 11628-B, matriz 5871. Logo depois, temos “Meu amor”, samba do carnaval de 1949, na interpretação de Jorge Goulart, lançada pela Star em fins de 48 sob número 79-A. Nuno Roland interpreta, em seguida, o samba-canção “Meu destino”, gravação Todamérica de 8 de março de 1951, lançada em abril do mesmo ano, disco TA-5053-A, matriz TA-101. Dircinha Batista volta em seguida com “Moleque de rua”, lançado pela Continental em setembro de 1946, disco 15691-A, matriz 1639. Roberto Paiva interpreta depois “Não sei se voltarei”, em gravação Victor de 13 de julho de 1944, lançada em setembro do mesmo ano, disco 80-0211-A, matriz S-078018. Déo lançou em janeiro de 1945, na Continental, para o carnaval desse ano, o samba “Nunca senti tanto amor”, matriz 912. Em junho do mesmo ano, ele lançou pela mesma marca outro samba de Dunga, “Orgulhosa”, disco 15356-A, matriz 1128. Em seguida, volta Edna Cardoso, desta vez cantando “Pandeiro triste”, lançado em agosto, também de 1945, e pela mesma Continental, abrindo seu disco de estreia, número 15408, matriz 1201. Alcides Gerardi aqui comparece com “Perdoa”, gravado por ele na Odeon em 29 de agosto de 1946, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 12730-A, matriz 8092. “Quando alguém me pergunta”, samba destinado ao carnaval de 1939,  tornou-se um clássico na voz de Castro Barbosa, que o gravou na Columbia em 12 de janeiro desse ano, com lançamento bem em cima da folia, em fevereiro, disco 55015-B, matriz 125. Cyro Monteiro, em seguida, interpreta “Que é isso, Isabel?”, gravação Victor de 3 de junho de 1942, lançada em agosto do mesmo ano, disco 34950-B, matriz S-052544. Poderemos apreciá-lo ainda em “Quem gostar de mim”, que gravou na mesma Victor em 8 de julho de 1940, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34646-B, matriz 33461. Janet de Almeida, irmão de Joel de Almeida, falecido ainda jovem, interpreta depois “Quem sabe da minha vida”, batucada do carnaval de 1946, lançada pela Continental em janeiro desse ano, disco 15582-B, matriz 1397. Em seguida, Aracy de Almeida interpreta “Remorso”, gravação Odeon de 30 de março de 1943, lançada em maio do mesmo ano, disco 12305-B, matriz 7244. Temos depois novamente Edna Cardoso, desta vez interpretando “Se ele me ouvisse”, lado B de seu segundo e último disco, o Continental 15428, lançado em setembro de 1945, matriz 1198. Orlando Silva registrou “Soluço de mulher” na Odeon em 6 de agosto de 1944, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 12503-B, matriz 7645. A bela valsa “Sonho” é executada pelo clarinetista Luiz Americano, acompanhado por Pereira Filho ao violão elétrico, em gravação lançada pela Continental em maio de 1945, disco 15337-B, matriz 1105. O choro “Tic tac do meu relógio” foi lançado pela Continental, na interpretação de Carmélia Alves, ao lado do Quarteto de Bronze, acompanhados por Fats Elpídio e seu Ritmo, em março-abril de 1949, sob número de disco 16048-B, matriz 2067, por sinal marcando o início definitivo da carreira fonográfica de Carmélia, seis anos após sua estreia na Victor. O samba “Trapaças de amor” foi gravado na RCA Victor por Linda Batista em 5 de maio de 1947, com lançamento em junho do mesmo ano, disco 80-0519-A, matriz S-078750. Primeiro ídolo country brasileiro, Bob Nélson aqui comparece com “Vaqueiro apaixonado”, marchinha do carnaval de 1951, devidamente acompanhado de “rancheiros” músicos que, mais competentes, não existiam nem mesmo no Texas ou na Califórnia. Gravação RCA Victor de 12 de outubro de 50, lançada ainda em dezembro, disco 80-0726-A, matriz S-092786. Para encerrar, temos “Zaíra”, valsa cuja musa inspiradora foi certamente a esposa de Dunga. É executada ao saxofone por Luiz Americano, em gravação Continental de 5 de abril de 1948, só lançada em março-abril de 49, disco 16015-A, matriz 1831. Enfim, esta é uma justa homenagem do GRB a um dos maiores compositores que o Brasil já teve: Waldemar “Dunga” de Abreu!

* Texto de Samuel Machado Filho

Rio Carnaval Do Brasil 64 (1964)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! O carnaval continua por aqui. Saímos de 1976 e vamos agora para o ano de 1964. Uma década ainda melhor, na minha opinião, para as fantasias musicais carnavalescas. E neste álbum, lançado pela Rosenblit, através de seu selo Mocambo para o Carnaval de 64, temos uma seleção de 14 sambas e marchas, interpretadas aqui também por grandes artistas como Nora Ney, Jorge Goulart, Aracy de Almeida, Linda Batista e outros. Vamos lá, cair na folia?

a india vai ter nenem – dircinha batista
devo a você – jorge goulart
mulher boa é quem manda – ivete garcia
quis fazer de mim palhaço – orlando corrêa
devagar – aracy de almeida
a hora é essa – gracinha miranda
deus é testemunha – nora ney
quem gosta de passado é museu – linda batista
a bola do maracanã – gilda de barros
cabeleira do zezé – jorge goulard
na hora que você precisou – zilda do zé
eclipse – orlando corrêa
o outro lado da vida – gilda de barros
de copo na mão – ivete garcia
tomara que seja você – nora ney
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Marília Batista – Dircinha Batista – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 129 (2014)

A  edição número 129 do Grand Record Brazil, “braço de cera” do Toque Musical, oferece alguns dos melhores momentos de duas  notáveis cantoras da MPB, que não eram parentes, apesar do sobrenome ser igual:  Marília e Dircinha Batista. São dezesseis gravações raras, sendo chover no molhado falar de seu valor artístico e histórico, absolutamente incontestável.
Marília Monteiro de Barros Batista nasceu no Rio de Janeiro em 13 de abril de 1918, filha do médico do Exército Renato Hugo Batista e da pianista Edith Monteiro de Barros Batista. Seus irmãos, Henrique e Renato, eram também compositores, o que faria nossa Marília (neta do poeta e Barão Luiz Monteiro de Barros) interessar-se desde menina pela música. Seu primeiro violão foi “ganho” por acaso, aos seis anos de idade, quando o barbeiro da família, numa ida à sua casa para cortar os cabelos do pai e de um irmão, esqueceu lá o seu instrumento. O violão seria uma de suas eternas paixões, e ela não o largaria mais, já mostrando talento de compositora aos oito anos. Estudou no Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da Universidade Federal  do Rio de Janeiro), onde se formou em teoria, solfejo e harmonia,apesar de ter abandonado, no quarto ano, o curso de piano. Em 1930, levada pelo jornalista Lauro Sarno Nunes (pai do humorista Max Nunes), fez seu primeiro recital, no Cassino Beira-Mar, interpretando, com sua voz e seu violão, canções sertanejas, sambas e cateretês, além de suas primeiras composições próprias. Aos 12 anos, começou a estudar violão com Josué de Barros, que, após ficar encantado com o recital da menina Marília, fez questão de lhe dar aulas por conta própria. Marília estudou com Josué por seis meses, mas, como pretendia ser concertista, passou a ter aulas de violão clássico com o virtuose José Rebelo. Porém, seu interesse pela música popular sempre foi mais forte. Em 1931, aos 14 anos, convidada para se apresentar no espetáculo “Uma hora de arte”, no Grêmio Esportivo Onze de Junho, ali conheceu Noel Rosa. Ambos logo se tornaram grandes amigos, e Marília é até hoje considerada por historiadores da MPB uma das melhores intérpretes de Noel, ao lado de Aracy de Almeida.  O primeiro disco viria em 1932,apresentando duas músicas suas de parceria com o irmão Henrique Batista: o samba “Pedi, implorei” e a marchinha “Me larga”. Em 1933,a convite de Almirante, participa do Broadway Cocktail, um espetáculo que acontecia no Cine Broadway, antecedendo o filme, ao lado de medalhões da MPB nessa época, tais como Sílvio Caldas e Jorge Fernandes. O sucesso fez com que, a convite de Ademar Casé (avô da humorista e apresentadora de TV Regina Casé),Marília participasse do “Programa Casé”, na PRAX, Rádio Philips. No programa, fazia improvisos e versinhos das propagandas dos patrocinadores, ao lado de Noel Rosa, com quem gravou três discos com seis músicas. Foi para Marília Batista que a mãe de Noel,  Dona Martha, após sua morte(1937),  entregou os manuscritos do filho, que a cantora repassou para Almirante. Foi uma das pioneiras da Rádio Nacional, inaugurada em 1936, e lá faria parte do grupo vocal As Três Marias, com quem gravaria alguns discos e acompanhou os cantores da emissora. Em 1945, ao se casar, interrompeu por alguns anos suas atividades artísticas, mas, no início da década de 1950, retomou-as, gravando inúmeros LPs,  incluindo músicas de seu amigo Noel Rosa, até mesmo inéditas que aprendera com ele (sua discografia também abrange cerca de 30 gravações em 78 rpm). Nos anos 1960, resolveu voltar a estudar e formou-se em Direito. Em 1988, quando participou do projeto “Concerto ao meio-dia”, no Teatro João Teotônio, foi aplaudidíssima pela plateia que superlotava o recinto, chegando a ir às lágrimas. Marília Batista faleceu em seu Rio natal, no dia 9 de julho de 1990. Abrindo esta seleção do GRB, ela interpreta justamente um samba de Noel, “Tipo zero”, composto em 1934, mas só gravado por Marília Batista em 1956, na Musidisc de Nilo Sérgio, integrando o 78 número M-50046-A, matriz MD-10091, e, como faixa de abertura, o LP de 10 polegadas “Samba e outras coisas”, título de um programa que seu irmão Henrique manteve no rádio por muitos anos.  Noel  faria retoques na segunda parte deste samba, e colocaria uma estrofe a mais para encaixá-lo na opereta “A noiva do condutor”, só gravada na íntegra em 1986, em álbum da Eldorado, já oferecido a vocês pelo TM.  Em seguida, temos mais cinco sambas de Noel Rosa, cantados por Marília em dueto com ele,  já no final da curta vida do compositor, e em sua maior parte com acompanhamento do regional de Benedito Lacerda,  e sua inconfundível flauta. “Provei” é da parceria de Noel com Vadico, gravação Odeon de 12 de novembro de 1936, lançada em dezembro do mesmo ano para o carnaval de 37, disco 11422-A, matriz 5445. O lado B, matriz 5446, está na faixa 8: ”Você vai se quiser”, único samba que Noel fez para sua esposa Lindaura, que se dispôs a trabalhar fora, dadas as dificuldades financeiras do casal. Noel, nada feminista, revidou:  “Ela esquece que tem braços,nem cozinhar ela quer”…  “Cem mil-réis” (faixa 3)  é outro produto da parceria Noel-Vadico, gravação Odeon de 5 de março de 1936, lançada em abril do mesmo ano, disco 11337-B, matriz 5275. Em seguida, na faixa  4, matriz 5277, o lado A desse disco:  o divertido e clássico “De babado”,  conhecido e regravado até hoje, como praticamente tudo do Poeta da Vila.  A letra menciona inclusive o cavalo Mossoró, vencedor do Grande Prêmio Brasil de Turfe em 1933. Ironicamente,era “De babado” que estava sendo executado numa casa vizinha a de Noel, no dia de sua morte (4 de maio de 1937), quando ele já agonizava em seu leito, consumido pela tuberculose. Na faixa 5, “Quem ri melhor”, samba de sucesso no carnaval de 1937, o último da vida de Noel, e feito sem parceria. Gravação Victor de 18 de novembro de 36, com acompanhamento dos Reis do Ritmo, lançada em dezembro seguinte sob número 34140-A, matriz 80258. “Silêncio de um minuto”, samba feito por Noel em 1935, só foi gravado pela primeira vez,  por Marília Batista, cinco anos depois, com Noel já falecido, em 20 de março de 1940, com lançamento pela Victor em maio do mesmo ano, disco 34604-B, matriz 33356. É uma versão resumida, pois o samba só foi gravado com a letra completa em 1951, por Aracy de Almeida.  Por fim, uma amostra do trabalho exclusivamente autoral de Marília Batista: o “Samba de 42”, parceria dela com o irmão Henrique Batista, mais Arnaldo Paes. Quem canta é Arnaldo Amaral, também galã de cinema, e o lançamento se deu pela Columbia em janeiro de 1942, é claro, para o carnaval, disco 55320-B, matriz 491.
 Filha do comediante Batista Júnior e irmã da também cantora Linda Batista, Dirce Grandino de Oliveira, aliás Dircinha Batista (São Paulo, 7/4/1922-Rio de Janeiro,  18/6/1999) começou bem cedo sua carreira artística: em 1930, aos oito anos de idade, como Dircinha de Oliveira, gravou seu primeiro disco, na Columbia,futura Continental,  interpretando duas composições do pai, “Dircinha” e “Borboleta azul”. Em mais de 40 anos de estrada, gravou mais de 300 discos em 78 rpm, e alguns LPs  e compactos, com inúmeros hits, especialmente carnavalescos, além de atuar no rádio, no teatro e no cinema (apareceu em 16 filmes). Foi eleita Rainha do Rádio em 1948, substituindo a irmã Linda, que detinha a coroa desde 1937. Parou de cantar em 1972, abalada pela morte de sua mãe, Emília Grandino de Oliveira, e pelo descaso da mídia com os astros do passado.  Nos últimos anos de vida, Dircinha e sua irmã Linda foram amparadas pelo cantor José Ricardo, que as acolheu como membros de sua família. No final dos anos 1980, surgiu o musical “Somos irmãs”, estrelado por Nicete Bruno e Suely Franco, relatando a vida das irmãs-cantoras.

Nesta edição do GRB, um pouco do legado artístico-musical de Dircinha Batista. Para começar, a bem-humorada e divertida “Canção pra broto se espreguiçar”,  que leva a respeitável assinatura de Mário Lago, gravada na RCA Victor por Dircinha em primeiro de julho de 1955 e lançada em setembro do mesmo ano, disco 80-1493-B, matriz BE5VB-0810. Mais tarde, entraria no LP-coletânea de 10 polegadas “Elas cantam assim”. “Chico Brito” é um samba clássico e bastante conhecido, de autoria de Wilson Batista e Afonso Teixeira.  Gravado por Dircinha na Odeon em primeiro de dezembro de 1949, só seria lançado menos de um ano depois (outubro de 50), sob número 13047-B, matriz 8603. O nome Peçanha foi posto na letra da música para substituir “meganha”, gíria da época para policial. Note-se também uma menção à “erva do norte”, possivelmente…   Adivinha! O samba “Icaraí”, de Raimundo Flores e Célio Ferreira, é uma exaltação à famosa praia situada em Niterói, litoral fluminense, imortalizada por Dircinha Batista na Continental em 19 de abril de 1948 e lançada em  julho-setembro do mesmo ano, disco 15923-A, matriz 1851. Mostrando que sabia dar o recado até em inglês, Dircinha interpreta depois, com acompanhamento orquestral de Aristides Zaccarias, o fox “I only have eyes for you”, de Harry Warren e Al Dubin, composto em 1934. Gravação RCA Victor de 1957, do LP de 10 polegadas “Música para o mundo”. “O teu sorriso me prendeu” é uma marchinha de meio-de-ano, assinada pelo pistonista Bomfiglio de Oliveira, com letra de Walfrido Silva. Dircinha a gravou na Victor na plenitude de seus 13 anos, acompanhada pela endiabrada orquestra Diabos do Céu, de Pixinguinha, em 8 de julho de 1935, sendo lançada em agosto do mesmo ano, disco 33961-B, matriz 79969. A batucada “A coroa do rei”, de Haroldo Lobo e David Nasser, foi uma das músicas campeãs do carnaval de 1950, imortalizada por Dircinha na Odeon em 30 de setembro de 49 e lançada ainda em dezembro, disco 12962-B, matriz 8564. Do carnaval de 1946 é o samba “Que papagaio sou eu?”,  de Wilson Batista e Henrique de Almeida, lançado por Dircinha na Continental em janeiro daquele ano, disco 15574-B,matriz 1352. Encerrando este volume,uma curiosidade histórica:  o jingle publicitário gravado por Dircinha para o Auris Sedina, um remédio para dor de ouvido, produzido até hoje pelos Laboratórios Osório de Moraes. Bastante veiculado no rádio durante os anos 1950, ficou na memória de muita gente. E,  se depender de iniciativas como a deste volume do GRB, as Batistas aqui recordadas, Marília e Dircinha, vão ficar para sempre na memória de muitos!

* Texto de Samuel Machado Filho

A Música De Lupicinio Rodrigues – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol.117 (2014)

Esta semana o Grand Record Brazil prossegue a retrospectiva dedicada à obra de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), por certo o maior nome que o Rio Grande do Sul deu à nossa música popular. Depois de apresentarmos o próprio Lupi interpretando suas composições, temos agora catorze preciosas gravações de suas obras nas vozes de intérpretes diversos, a maior parte sambas e sambas-canções.
Para começar, temos o próprio Lupicínio interpretando “Sombras”, faixa que é o lado B do disco Star 353, editado em maio-junho de 1952 no álbum “Roteiro de um boêmio”. Eram quatro discos 78 embalados em capa especial, expediente às vezes comum nessa época, em que o LP estava em processo de implantação, e apenas começava a ser fabricado entre nós. Na faixa seguinte é “Triste história”, parceria de Lupi com Alcides Gonçalves, por este último interpretada,  gravação Victor de 3 de agosto de 1936, lançada em setembro do mesmo ano, disco 34089-B (o primeiro com gravações de músicas de Lupicínio), matriz 80188, samba que, por sinal, venceu, um ano antes, um concurso realizado em Porto Alegre por ocasião do centenário da Revolução Farroupilha (os autores abiscoitaram dois contos de réis).  Em seguida,o samba-canção “Divórcio”, só de Lupicínio,por ele composto numa ocasião em que o assunto estava na pauta das discussões, interpretado por João Dias, cantor que Francisco Alves indicara para sucedê-lo, dada a semelhança vocal. Gravação Odeon de 29 de janeiro de 1952,lançada em agosto do mesmo ano (um mês antes da trágica morte de Chico Viola em desastre automotivo),  sob n.o 13306-A, matriz 9233. O clássico “Vingança”, também só de Lupicínio, é a faixa seguinte, na gravação original do Trio de Ouro, então em sua segunda fase,  com Noemi Cavalcanti no lugar de Dalva de Oliveira, que se separara do fundador do grupo, Herivelto Martins, e mantendo Nilo Chagas (ainda que já tivesse divergências com Herivelto).  Gravado na RCA Victor em 10 de abril de 1951 e lançado em junho seguinte sob n.o 80-0776-B,matriz S-092932, “Vingança”, porém, teve sucesso muito maior posteriormente, na voz de Linda Batista, que fez da música um clássico, deixando este registro original esquecido. Ainda assim, o trazemos aqui para reavaliação.  O “rei do samba de breque”, Moreira da Silva, também mostrava algumas vezes sua faceta sentimental e romântica,como aqui, interpretando “Meu pecado”, parceria de Lupicínio com Felisberto Martins. Gravação Odeon de 3 de outubro de 1944,lançada em novembro do mesmo ano, disco 12516-B, matriz 7572. Na faixa seguinte, o primeiro grande hit nacional de Lupicínio como autor, e outra parceria com Felisberto Martins: o samba “Se acaso você chegasse”,verdadeiro clássico do gênero, que também projetou seu intérprete, o grande Cyro Monteiro.  Ele imortalizou esta obra-prima na Victor em 19 de julho de 1938, com lançamento em setembnro seguinte, sob n.o 34360-A, matriz 80844. Tocou até em um filme americano chamado ”Dançarina loira” e, em 1959, projetaria também a cantora Elza Soares.  A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, aqui comparece com “Eu não sou louco”, samba que Lupicínio fez com Evaldo Ruy, visando o carnaval de 1950. Foi gravado na RCA Victor em 14 de novembro de 49, e saiu um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-0625-B, matriz S-078984. Orlando Silva,o sempre lembrado “cantor das multidões”, vem com outro sucesso: “Brasa”,que Lupi compôs ao testemunhar as brigas domésticas de seu  irmão Francisco com a esposa, na ocasião em que residiu com eles. Novamente com a parceria de Felisberto Martins, foi imortalizado por Orlando na Odeon em  9 de março de 1945, e lançado em abril do mesmo ano,disco 12571-A, matriz 7772. Onofre Pontes é o parceiro do nosso Lupicínio em “Amigo ciúme”, lançado pela Copacabana em março de 1957, na voz da grande Sapoti, Ângela Maria, disco 5739-B, matriz M-1634. Felisberto Martins volta a ser parceiro de Lupicínio em “Feiticeira”. Afinal, Lupi era gastrônomo e cozinheiro de mão cheia, e as mulheres sabiam que o caminho para o seu coração também passava por uma boa mesa. Gravação de Homero Marques, lançada em 1952 pela Elite Special (coligada da Odeon), disco N-1081-A, matriz MIB-1131. “Quem há de dizer”, parceria de Lupicínio com Alcides Gonçalves, é outro clássico do samba-canção e da dor de cotovelo.  Alcides, nessa época, era pianista em casas noturnas portoalegrenses, e,  enquanto tocava, de certa feita observava enciumado o assédio dos fregueses da Boate Marabá à sua namorada,Maria Helena, bailarina da casa, o mesmo acontecendo com Lupicínio em relação à sua escolhida. Era preciso esperá-las cumprir sua obrigação profissional, o cabaré terminar. Francisco Alves imortalizou a música (letra de Lupi, melodia de Alcides) na Odeon em 25 de maio de 1948, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 12863-A, matriz 8369. “Ponta de lança”, de Lupi sem parceiro, foi gravado na mesma Odeon por Dircinha Batista em 7 de fevereiro de 1952, com lançamento em abril seguinte no lado B em que saiu o clássico “Nunca”, também de Lupi, disco 13244, matriz 9249, e obtendo igualmente sucesso, ainda que em menor proporção.  Caco Velho (Mateus Nunes), “o sambista infernal”, e protoalegrense como Lupicínio, assina com ele o samba “Que baixo!”, e o interpreta com toda a bossa que lhe era peculiar nesta gravação Continental de 9 de agosto de 1945, lançada em setembro do mesmo ano, disco 15416-A, matriz 1154.Para finalizar a seleção desta semana, homenageamos o time de futebol de coração do mestre Lupicínio Rodrigues, apresentando o “Hino do Grêmio”, por ele mesmo composto em 1953, em meio a uma greve no transporte público de sua Porto Alegre (daí o verso inicial, “Até a pé nós iremos para o que der e vier”).  Tal obra, porém, só seria gravada efetivamente em 1971, pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (então Estado da Guanabara), para o LP de selo Continental “Hinos do futebol brasileiro”. É este registro que apresentamos nesta edição do GRB, merecendo (e com louvor) figurar como exceção à regra de apresentarmos apenas gravações em 78 rpm. Afinal, o retrato de Lupicínio está  na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube. Divirtam-se e até a próxima!
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Texto de Samuel Machado Filho

A Música De Monsueto – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 88 (2014)

Esta semana, o Grand Record Brazil reverencia a memória de outro grande compositor e sambista brasileiro, com inúmeros sucessos a seu crédito. Estamos falando de Monsueto. Batizado com o nome de Monsueto Campos de Menezes, nosso focalizado era carioca da gema, nascido na então Capital da República no dia 4 de novembro de 1924. Criou-se na favela do Morro do Pinto, entre partideiros, rodas de samba e batucadas, o que por certo contribuiu para sua formação musical. Foi baterista de inúmeros grupos musicais, inclusive da orquestra de Nicolino Cópia, o Copinha, no Copacabana Palace Hotel. Conseguiu seu primeiro sucesso em um carnaval bastante disputado, o de 1952, com o samba “Me deixa em paz”, gravado por Linda Batista e constante deste volume. Depois, teve várias de suas músicas incluídas no espetáculo “Fantasias e fantasia”, também do Copacabana Palace. No cinema, apareceu em filmes como “Treze cadeiras”, “Na corda bamba”, “O cantor e o milionário”, “Quem roubou meu samba?” e “A hora e a vez do samba”.  Monsueto atuou em vários shows ao lado de Herivelto Martins, antes de formar seu próprio grupo, com o qual excursionou pelo Brasil e outros países da América, Europa e África. Era também conhecido pelo apelido de Comandante, com o qual foi muito popular nos anos 1960, quando participava de um programa humorístico da extinta TV Rio, Canal 13, lançando expressões de gíria que se incorporaram à linguagem popular: “castiga”, “ziriguidum”, “vou botar pra jambrar”, “mora” etc. Só gravou como intérprete um único LP, na Odeon, “Mora na filosofia dos sambas de Monsueto”, em 1962, e alguns 78 rpm, além de participações em registros de outros cantores. A partir de 1965, Monsueto começou a se dedicar também  à pintura primitivista, e até recebeu prêmio do Museu Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro. Sem ter se filiado a nenhuma escola de samba carioca, era bem recebido e respeitado em todas elas, desfilando a cada ano em uma diferente. A última escola em que Monsueto desfilou, em 1972, foi a Unidos de Vila Isabel. Pouco depois, quando participava das filmagens de “O forte” (direção de Olney São Paulo), na Bahia, em que fazia o papel de um diretor de harmonia de escola de samba, Monsueto adoeceu e foi hospitalizado em seu Rio de Janeiro natal, onde morreu no dia 17 de março de 1973, vítima de câncer no fígado. Entre seus hits como autor destacam-se ainda: “Eu quero essa mulher assim mesmo”, “Na casa de Antônio Jó”, “O lamento da lavadeira” (“Para lavar a roupa da minha sinhá”…) e outros presentes nesta seleção do GRB, que perfaz  um total de 14 preciosas gravações, todas, claro, sambas. Vamos a elas, portanto. Linda Batista canta as três primeiras faixas, em gravações RCA Victor. A primeira é “Levou fermento” (parceria de Monsueto com Arnaldo Passos), registro de 30 de agosto de 1956, lançado ainda em novembro para o carnaval de 57, disco 80-1690-B, matriz BE6VB-1286, abrindo também o LP coletivo com músicas para essa folia, uma prática da época também adotada  por outras gravadoras, simbolizando uma época de transição de formatos. Na faixa 2, Linda canta exatamente o primeiro grande sucesso de Monsueto como compositor: “Me deixa em paz”, parceria com Ayrton Amorim, por ela imortalizado em 6 de agosto de 1951 e lançado ainda em outubro sob n.o 80-0825-A, matriz S-093017, tornando-se uma das campeãs do carnaval de 52. E essa folia ainda tinha “Sassaricando”, “Confete”, “Lata d’água” e outras mais. “Me deixa em paz” teve anos mais tarde, em 1971, uma ótima regravação com Alaíde Costa em dueto com Mílton Nascimento, lançada em compacto simples e depois no histórico álbum duplo “Clube da Esquina”. Linda Batista ainda interpreta “O gemido da saudade”, parceria de Monsueto com José Batista,  gravação de 2 de outubro de 1957, lançada em janeiro de 58 também para o carnaval, disco 80-1888-A, matriz 13-H2PB-0257, e igualmente aparecendo no primeiro dos dois LPs coletivos da marca do cachorrinho Nipper com músicas para essa folia. Outra expressiva intérprete de Monsueto, a paulistana Marlene, aqui comparece com  quatro faixas. A primeira é “Na casa de Corongondó”, da parceria Monsueto-Arnaldo Passos, lançada pela Sinter em novembro-dezembro de 1955 para o carnaval de 56, sob n.o 00-00.448-B, matriz S-1000. Dos mesmos autores, Marlene nos traz depois “Canta, menina, canta”, lançado pela mesma gravadora em maio-junho de 1955 sob n.o 00-00.395-A, matriz S-893, entrando mais tarde no LP de 10 polegadas “Vamos dançar com Marlene e seus sucessos”. Em seguida, tem “O couro do falecido”, da parceria Monsueto –Jorge de Castro, também lançado pela Sinter em novembro-dezembro de 1955 para o carnaval de 56, disco 00-00.440-B, matriz S-1001, e incluído no LP coletivo de 10 polegadas “Ritmos brasileiros, vol. 1 – Sambas e marchas”. Este samba seria incluído no já citado espetáculo “Fantasias e fantasia”, do Copacabana Palace, mas seu lançamento, em 1954, coincidiu com o suicídio do então presidente Getúlio Vargas, e a música foi retirada , em virtude das interpretações que poderiam surgir, só sendo lançada neste registro de Marlene, mais de um ano depois do trágico acontecimento. Pois no lugar do “Couro do falecido”, foi inserida justamente a faixa seguinte, um verdadeiro clássico: “Mora na filosofia”, da dupla Monsueto-Arnaldo Passos, imortalizada pela mesma Marlene na Continental em 29 de outubro de 1954, com lançamento em janeiro de 55 sob n.o 17047-B, matriz C-3517. Foi uma das campeãs desse carnaval, e teve regravações aos cachos, inclusive por Maria Bethânia e Caetano Veloso.  Dircinha Batista, irmã de Linda, aqui interpreta “Não se sabe a hora”, da parceria Monsueto-José Batista, gravação RCA Victor de 25 de setembro de 1957, lançada em janeiro de 58 para o carnaval, sob n.o 80-1899-B, matriz 13-H2PB-0242, e incluída obviamente em LP coletivo com músicas para essa folia.Na faixa seguinte, um delicioso samba de  Monsueto sem parceria, “Ziriguidum”, que ele interpreta ao lado de outra expressiva sambista, Elza Soares. Gravação Odeon de 27 de abril de 1961, um dos destaques do LP “O samba é Elza Soares”, que só chegou ao 78 rpm em fevereiro de 62 com o n.o  14792-A, matriz 14719. Monsueto e Elza também o interpretaram no filme “Briga, mulher e samba”, da Lupo Filmes, dirigido por Sanin Cherques. Depois, Raul Moreno interpreta dois sambas de Monsueto que gravou para a Todamérica em 8 de outubro de 1953, lançados em dezembro seguinte para o carnaval de 54 no disco TA-5387. No lado A, matriz TA-559, “Mulher de mau pensar”, parceria de Monsueto com Elói Marques. Mas no lado B, matriz TA-558, é que estava o maior sucesso: o clássico “A fonte secou”, no qual o próprio Raul Moreno é parceiro com Monsueto e Marcléo, assinando com seu nome verdadeiro, Tufic Lauar. Um dos campeões da folia de 1954, “A fonte secou” também tem várias regravações e é muito lembrado até hoje. Para o carnaval de 1956, Monsueto lançaria uma sequência, em parceria com Geraldo Queiroz e José Batista, “Eu sou a fonte”, que Walter Levita grava na Odeon em 26 de setembro de 1955, e é lançado bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 13949-A, matriz 10766, aparecendo igualmente no LP coletivo de 10 polegadas “Carnaval, carnaval!”.  O Monsueto intérprete-solo aparece nas duas últimas faixas deste volume, ambas gravadas na Odeon. Primeiramente, “Chica da Silva”, de Noel Rosa de Oliveira e Anescar, samba-enredo com o qual a escola Acadêmicos do Salgueiro foi campeã do carnaval carioca, em 1963. Teve duas gravações: uma pela Albatroz, com um coral da gravadora, e esta de Monsueto pela “marca do templo”, feita logo após o carnaval, em 19 de março de 1963, e lançada em abril seguinte sob n.o 14848-A, matriz 15711. O lado B, matriz 15712, é um samba do próprio Monsueto em parceria com José Batista, “Mané João”, encerrando esta retrospectiva que o GRB dedica à sua obra. Divirtam-se e até a próxima vez!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

A Música De Geraldo Pereira – Parte 1 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 80 (2013)

E chegamos a edição de número 80 do nosso Grand Record Brasil. Em edição anterior, como os amigos cultos, ocultos e associados do TM bem se lembram, apresentamos algumas das melhores gravações de Geraldo Pereira (Juiz de Fora, MG, 1918-Rio de Janeiro, 1955) como intérprete, inclusive, claro, composições próprias. E, como prometemos nessa ocasião, estamos voltando a focalizar a obra deste nome importantíssimo de nossa música popular. Desta vez, apresentamos doze gravações (é até chover no molhado falar de suas qualidades e de sua importância histórica) em que cantoras e conjuntos  contemporâneos do compositor interpretam suas obras.  Abrindo nossa seleção desta semana, os Quatro Ases e um Coringa, originários do Ceará, apresentam uma seleção de sambas que  homenageiam a Bahia de todos os santos, que sempre fascinou inúmeros compositores, sejam eles nascidos ou não na chamada boa terra, gravada na RCA Victor em 18 de julho de 1953 e lançada em outubro do mesmo ano sob n.o 80-1204-B, matriz BE3VB-0210. De Geraldo Pereira, aparece um trecho de seu clássico “Falsa baiana”, e neste pot-pourri também foram incluídos sambas de Vicente Paiva e Chianca de Garcia (“Exaltação à Bahia”), Dorival Caymmi (“O que é que a baiana tem?”)  e Ary Barroso (“Faixa de cetim”, “Na Baixa do Sapateiro”).  Na faixa seguinte, os Quatro Ases, que durante toda a carreira deram de fato as cartas,  nos brindam com “Ai! Que saudade dela”, samba de Geraldo Pereira em parceria com Ari Monteiro, gravação Odeon de primeiro de setembro de 1942, lançada em novembro do mesmo ano sob n.o 12221-B, matriz 7044. Mesmo pouco divulgado, é um samba que merece atenção.  Outro importantíssimo conjunto vocal dessa época, os Anjos do Inferno, liderados por Léo Vilar, aqui comparece com três sambas absolutamente imperdíveis. O primeiro é “Sem compromisso”, de Geraldo Pereira em parceria com Nélson Trigueiro, gravação Continental de 29 de maio de 1944, lançada em junho do mesmo ano com o n.o 15184-A, matriz 823. Nessa época, os salões e dancings eram bastante frequentados por certa camada da população carioca, e Geraldo, atento observador do cotidiano, adorava esse ambiente. Portanto, não deixaria mesmo passar em branco a cena – real ou imaginária – relatada neste samba, por sinal muito bem regravado por Chico Buarque em 1974. Outro hit de Geraldo Pereira  imortalizado pelos Anjos do Inferno é “Bolinha de papel”, gravação Victor de primeiro de fevereiro de 1945, lançada em abril do mesmo ano sob n.o 80-0266-B, matriz S-078125. Samba que, como muitos sabem, seria regravado em 1961 por João Gilberto. Em seguida tem “Vai que depois eu vou”, também de Geraldo sem parceiro, em outra gravação Victor, esta de 28 de novembro de 1945, lançada bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, disco 80-0381-B, matriz S-078402, e uma das músicas mais cantadas nessa folia momesca.  A faixa seguinte é “Pode ser?”, samba em que Geraldo Pereira conta com a parceria de Marino Pinto. E tem uma particularidade: foi incluído no disco de estreia da paulistana Isaurinha Garcia, a eterna “personalíssima”, gravado na Columbia em 23 de junho de 1941 e lançado em agosto do mesmo ano sob n.o 55294-B, matriz 440 (no lado A estava “Chega de tanto amor”, de Mário Lago). Como se vê, Isaurinha já mostrava a que veio, e esse seria o pontapé inicial de uma carreira repleta de sucessos. Na época, ela já era contratada da Rádio Record de São Paulo (então “a maior”), sendo inclusive considerada por seu então proprietário, Paulo Machado de Carvalho (“o marechal da vitória”), autêntico patrimônio da casa, fazendo parte até mesmo de seus móveis e utensílios (!), e Isaurinha lá permaneceu por mais de 40 anos.  Outro inesquecível cartaz do rádio e do disco, Dircinha Batista apresenta o samba-choro “Sinhá Rosinha”, parceria de Geraldo com Célio Ferreira, por ela gravado na Odeon em 7 de abril de 1942 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12167-B, matriz 6937. Aqui, a temática é a do malandro regenerado, presente em outras composições de Geraldo Pereira, bastando lembrar, por exemplo, o samba-canção “Pedro do Pedregulho”, por ele mesmo gravado e que já apresentamos anteriormente no GRB. Dircinha ainda interpreta o samba “Fugindo de mim”, parceria com Geraldo com Arnaldo Passos e Waldir Machado, destinado ao carnaval de 1952. Gravação também da  Odeon, de 8 de novembro de 51, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 13212-B, matriz 9186. “A minha, a sua, a nossa favorita” Emilinha Borba, fenômeno de popularidade como raramente se viu em nosso país, e outro grande nome da fase áurea do rádio brasileiro, comparece aqui com outros dois sambas de Geraldo Pereira, em gravações Continental. O primeiro deles é “Boca rica”, parceria de Geraldo com Arnaldo Passos, lançado em janeiro de 1950 para o carnaval desse ano, disco 16142-B, matriz 2211. Do carnaval seguinte, de 1951, é “Perdi meu lar”, também da parceria Geraldo Pereira-Arnaldo Passos, gravado pela eterna “Favorita” em 25 de outubro de 50 e lançado um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, sob n.o 16340-B, matriz 2478. Logo depois, temos Marlene (Vitória de Martino Bonaiutti), a que foi rival de Emilinha sem nunca ter sido (naquele tempo, como se vê, já tinha marqueteiro), interpretando outro samba de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, “Aquele amor”, destinado ao carnaval de 1952 e lançado pela Continental em janeiro desse ano, tendo a gravação sido feita em 5 de novembro de 51, disco 16513-A, matriz C-2783. Finalizando, temos uma cantora hoje pouco lembrada, mas que teve sua época, Heleninha Costa, interpretando aqui outro samba de Geraldo Pereira em parceria com Arnaldo Passos: “Não consigo esquecer”. Destinado ao carnaval de 1953, foi gravado por Heleninha na RCA Victor em 20 de agosto de 52, sendo lançado ainda em novembro sob n.o 80-1007-A, matriz SB-093410 (no lado B apareceu o clássico “Barracão”, de Luiz Antônio e Oldemar Magalhães). Como se percebe, as músicas destinadas ao carnaval eram então lançadas com antecedência, a fim de serem divulgadas e aprendidas pelos foliões em tempo hábil. Assim, chegando fevereiro, o público poderia escolher suas favoritas e cantá-las nos salões e nas ruas. Na próxima semana, continuaremos a abordar a obra de Geraldo Pereira, apresentando gravações de cantores contemporâneos do autor. Aguardem!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

A Música De Wilson Batista – Parte 3 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 79 (2013)

E aqui estamos mais uma vez na área, com a terceira e última parte da retrospectiva que o Grand Record Brazil dedica à obra musical de Wilson Batista (1913-1968). Desta feita, apresentamos mais treze preciosíssimas gravações, imprescindíveis para colecionadores e apreciadores da melhor música brasileira. Abrindo a seleção desta semana, temos o grande Gilberto Alves (Rio de Janeiro, 1915-Jacareí, SP, 1992). Ele aqui interpreta duas composições de Wilson Batista, ambas gravadas na Odeon. A primeira é  a marchinha “Gaúcho bom”, parceria com Roberto Martins, destinada ao carnaval de 1942. Gravação de 6 de novembro de 1941, lançada ainda em dezembro com o n.o 12082-A, matriz 6834. A outra é o samba “Um pedaço de mim”, que Wilson fez com o “amigo velho” Cristóvão de Alencar, gravado por Gilberto em 31 de maio de 1941 e lançado pela “marca do templo” em julho do mesmo ano, disco 12014-A, matriz 6678. Aurora Miranda (Rio de Janeiro, 1915-idem, 2005), irmã de Cármen, aqui interpreta uma marchinha de meio-de-ano, “Ladrão de corações”, parceria de Wilson Batista com Walfrido Silva. É outra gravação da Odeon, datada de 10 de agosto de 1933 e lançada em setembro do mesmo ano sob n.o 11049-A, matriz 4707. Conhecido como “o cantor que dispensa adjetivos”, Carlos Galhardo (1913-1985) aqui interpreta duas composições de Wilson Batista, por ele gravadas na Victor. Primeiramente, a marchinha “Mariposa” (termo que então designava as mulheres que só saíam de casa à noite, atraídas pela luz artificial, vocês até já devem ter adivinhado o sinônimo), parceria de Wilson com João da Baiana (João Machado Guedes, Rio de Janeiro, 1887-idem, 1974), do carnaval de 1941. A gravação se deu em 8 de outubro de 1940, com lançamento ainda em dezembro sob n.o 34682-B, matriz 52018. Em seguida Galhardo interpreta o bom samba “Deus no céu e ela na terra”, parceria de Wilson Batista com Marino Pinto, gravação de 14 de junho de 1940, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em agosto do mesmo ano, disco 34643-B, matriz 33443, com destaque, no acompanhamento, para a clarineta de Luiz Americano. Zilá Fonseca (Iolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 1929-Rio de Janeiro, 1992) aqui comparece com o samba “Carta verde”, do trio Wilson Batista-Walfrido Silva-Armando Lima, gravado por ela na Columbia em 17 de julho de 1940 e lançado em agosto seguinte com o n.o 55237-B, matriz 304. Edmundo Silva (Rio de Janeiro, c. 1910-idem, 1952), irmão mais velho  de Orlando Silva, teve curta trajetória artística (ao contrário do irmão famoso), e gravou apenas onze discos com vinte e uma músicas, entre 1939 e 1944. Em uma reavaliação, porém, é possível reconhecer-lhe méritos.  Ele aqui comparece com o disco Victor 34560, lançado em janeiro de 1940 visando, obviamente o carnaval. Primeiramente o lado B, o samba “A respeito de amor”, da parceria Wilson Batista-Arnô Canegal, gravação de 17 de novembro de 1939, matriz 33277. Exatamente um dia depois, 18 de novembro de 40, Edmundo gravou o lado A, “Formosa argentina”, marchinha da parceria Wilson Batista-Germano Augusto, matriz 33280. Cármen Miranda (1909-1955), a eterna e sempre lembrada “pequena notável”, abrilhanta nossa retrospectiva  da obra musical de Wilson Batista com o samba “Não durmo em paz”, outra parceria de Wilson com Germano Augusto, por ela gravado na Odeon em 15 de abril de 1936 com lançamento em julho do mesmo ano, disco 11370-B, matriz 5311. Lolita França, cantora sobre a qual pouquíssima coisa se sabe,  gravou apenas oito discos com catorze músicas, entre 1939 e 1942. Aqui, ela comparece com duas gravações Victor para o carnaval de 1940, ambas marchinhas. A primeira é “Casinha pequenina”, da parceria Wilson Batista-Murilo Caldas (irmão de Sílvio), obviamente inspirada na famosa canção de mesmo nome. A gravação é de 11 de novembro de 1939, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 34550-A, matriz 33265. Depois tem “Vale mais”, outra parceria de Wilson Batista com Marino Pinto, gravada em 18 de outubro de 1939 e lançada ainda em dezembro sob n.o 34531-A, matriz 33192. A notável  Dircinha Batista encerra a terceira  e última parte deste retrospecto do GRB sobre Wilson Batista com os dois sambas que gravou no disco Odeon 11834, em 5 de outubro de 1939, mas que só seria lançado em maio de 40.  O do lado A é outra parceria de Wilson com Germano Augusto (uma dupla da pesada na roda da malandragem), “Inimigo do batente”, matriz 6214. O lado B, matriz 6213, é um dueto com Nuno Roland, “Senhor do Bonfim te enganou”, e aqui Wilson conta com a colaboração de Claudionor Cruz e Pedro Caetano, dupla que deixou sua marca na MPB com inúmeros clássicos. Um encerramento com chave de ouro para o retrospecto do nosso GRB sobre Wilson Batista, com toda a certeza. Até a próxima, e obrigado pela atenção!
*Texto de Samuel Machado Filho

Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 28 (2012)

Fratura no joelho é um troço bem complicado… O nosso Augusto TM que o diga! Mas depois de mais um período de ausência forçada (até eu senti saudades), eis aqui a vigésima-oitava edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, apresentando mais dez preciosos fonogramas da era das 78 rotações por minuto para enriquecer os acervos de nossos amigos cultos e associados. E começamos com um sucesso de Patrício Teixeira (1893-1972), carioca da Rua São Leopoldo, na lendária Praça Onze, que começou a gravar ainda pelo processo mecânico e continuou de maneira bem sucedida na fase elétrica, até quando saiu seu último disco, em 1944. (depois disso, ainda gravaria a canção “Azulão”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, para um LP da Sinter).  Foi até professor de violão, e entre suas alunas mais ilustres estão Nara Leão e as irmãs Linda e Dircinha Batista. E Patrício aqui comparece com um clássico: o samba “Gavião calçudo”, do mestre Pixinguinha, com letra de Cícero “Baiano” de Almeida, cujo sucesso desaguaria no carnaval de 1930. Saiu em duas gravações de Patrício: a primeira no selo Parlophon, em março de 1929, e esta segunda, com o selo Odeon, lançada em agosto do mesmo ano com o n.o 10436-A, matriz 2685, na qual o intérprete canta a letra completa, acompanhado de piano e violão (no registro original era com orquestra, e nele só foram apresentados o estribilho e uma das estrofes). “Azulão” também está aqui, mas no registro original do “cantor das noites enluaradas”, Paraguassu (Roque Ricciardi, 1894-1976), lançado pela Columbia em fevereiro de 1930, disco 5141-A, matriz 380474.

Em seguida, um monólogo divertidíssimo interpretado pelo ator Pinto Filho. Trata-se de “Guerra ao mosquito”, de Luiz Peixoto e Marques Porto, lançado pela Parlophon em agosto de 1929 com o n.o 12989-A, matriz 2670. Mais atual impossível, uma vez que o Brasil tem sido, nos últimos tempos, atingido por endemias tropicais como a dengue, especialmente no verão. Não faltam farpas a políticos de prestígio na época, como o então candidato a presidente da República Júlio Prestes.

A próxima faixa vem a ser o primeiro grande sucesso nacional de Ary Barroso como compositor: a marchinha “Dá nela”, interpretada por Francisco Alves com a Orquestra Pan American de Simon Bountman, e um dos hits do carnaval de 1930. Gravação de 9 de janeiro daquele ano, lançada pouco depois sob n.o 10558-A, matriz 3258. No dia 18, a música venceu um concurso promovido no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, e com o dinheiro ganho (cinco contos de réis!), Ary Barroso teve condições de se casar (com Yvonne Belfort Arantes) e ainda recebeu seu diploma de advogado. De letra extremamente machista (característica da época), “Dá nela” também deu nome a uma revista do Teatro Recreio, nela interpretada (de calça comprida!) por Zaíra Cavalcanti.

Um dos clássicos de Ary Barroso em parceria com Luiz Peixoto, o samba-canção “Na batucada da vida” (subintitulado “A canção da enjeitada”) tornou-se inovador na época do lançamento, pelo realismo com que tratava uma temática de cunho social. Originalmente saiu em 1934, na voz de Cármen Miranda, e aqui é apresentada no registro de Dircinha Batista, feito na Odeon em 14 de abril de 1950 e lançado em agosto seguinte, disco 13031-B, matriz 8685, com acompanhamento de piano do próprio mestre de Ubá. Como bem sabem os fãs de Elis Regina, em 1974 ela também fez um registro memorável desta composição.

O inesquecível Kid Morenguera, o grande Moreira da Silva (1902-2000), insubstituível rei do samba de breque, aqui comparece com o raríssimo disco Star 225, datado de 1951, com acompanhamento do conjunto do violonista Claudionor Cruz, destacando-se o saxofone de Portinho (Antônio Porto Filho), também maestro e arranjador de prestígio. De um lado, o samba-choro “Entrevista”, do próprio Moreira, e no verso, nesse mesmo ritmo, a homenagem do GRB aos motoristas na semana do dia deles e de seu santo padroeiro, São Cristóvão: “Sou motorista”!

Humberto Marsicano fez parte da geração de artistas paulistas surgidos no final dos anos 1920. De sua escassa discografia como cantor (apenas 16 fonogramas distribuídos em nove 78 rpm), apresentamos o disco Columbia 5051, lançado em julho de 1929, com acompanhamento da orquestra de Álvaro Ghiraldini. Abrindo-o, matriz 380143, o samba-choro “Mulher sem coração”, composto por um nome que iniciava então sua carreira, José Maria de Abreu (1911-1966), paulista de Jacareí, responsável por sucessos inesquecíveis, tais como “E tome polca”, “Alguém como tu”, “Dançando com você” e muitos outros. No verso, matriz 380144, o delicioso “sambinha-embolada” Tico-tico vuô”, de Juca Paulista e Juvenal de Abreu.

Para encerrar, uma marchinha do carnaval de 1957, lançada pela Continental em janeiro desse mesmo ano, com o n.o 17375-B, matriz C-3912. É “Seu Romeu”, de João Rosa, Arnaldo Moraes e do paulistano Ruy Rey (1915-1995), sendo este último o intérprete. Ruy, que se chamava Domingos Zeminian, foi também exímio “bandleader”, e especializou-se em ritmos hispano-americanos, precursores da atual salsa. Enfim, um belo apanhado com o qual o GRB mata as saudades de todos que estavam aguardando esta retomada. Divirtam-se e recordem!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

1º Semana Nacional Dos Transportes – Música Popular Em Ritmo De Transportes (1969)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Sabadozinho puxado esse meu! Não tive tempo hoje nem para ler e-mails. Só agora, no final do dia é que vou tentar dar o toque de hoje. Digo tentar porque, mal cheguei em casa, tomei um banho e agora já vou para outro compromisso. Estou só esperando o meu filhote acabar de se ajeitar. Vamos sair para jantar e não sei a que horas eu volto aqui. Diante a pressa, melhor é recorrer aos meus infalíveis discos de gaveta.

Hoje é dia de coletâneas e como eu não tive tempo de preparar uma exclusiva, vamos com uma oficial, de gravadora. Escolhi para tal um disco diferente, ou melhor, uma coletânea singular. Temos aqui um álbum promocional, lançado pela RCA em 1969. Este lp foi criado, em edição especial, para o então Ministério dos Transpostes, na 1ª Semana Nacional Dos Transportes (23 a 31 de julho), data essa que nunca mais vi sendo comemorada em anos posteriores. O disco nos apresenta nove músicas cujos os temas se relacionam com transportes. O curioso é que embora o disco tenha sido lançado pela RCA, nem todos os fonogramas são da mesma gravadora. Na verdade há aqui também gravações da Odeon e da Columbia. Um caso interessante de se ver, pois dificilmente iremos encontrar coletâneas oficiais que não sejam fonogramas de um mesmo selo. Por outro lado, já que o Governo conseguiu essa façanha, podia ter incluído outras músicas que também tratam do mesmo tema. No cancioneiro popular o que não falta é referência. Mas está valendo… 😉
peguei um ita no norte – dorival caymmi
chofer de praça – luiz gonzaga
jangada – silvio caldas
o trem atrazou – roberto paiva
upa upa (meu trolinho) – dircinha baptista
trem azul – almirante
carango – erasmo carlos
bonde de são januário – cyro monteiro
fon fon – carmem miranda e silvio caldas

Carnaval RCA Victor – Volume 1 (1957)

Olá foliões cultos e ocultos! Estamos enfim chegando à apoteose com nossa comissão de frente, que como todos viram, também é boa de lado e costa. Desta vez vamos ver as coisas por um outro ângulo. Vamos com este raro lp preparado pela RCA Victor para o Carnaval de 1958. Sem dúvida, outra boa pedida. Nossa bela modelo, aqui, parece não ter conseguido ficar de pé. ‘Chapou’ o melão com o lança perfume, tropeçou na serpentina e quase deixou quebrar a taça de cristal, derramando pelo chão toda a ‘champanhota’. Sorte foi estar cercada de balões que amorteceram a sua queda. Hehehe… brincadeirinha… Disse isso apenas para chamar a atenção dos amigos para a beldade que estampa a capa. Moça bonita, né não? Bonito também é o repertório e a escolha de seus intérpretes. Sob o comando do maestro Zaccarias, temos aqui um elenco de famosos artistas da gravadora, escalados no primeiro de dois lp’s, lançados com antecedência no final de 1957 para o Carnaval do ano seguinte. Temos aqui gravações raras, algumas nunca chegaram a sair em discos além dessa coletânea. Confiram o toque…

lili analfabeta – nelson gonçalves
o gemido da saudade – linda baptista
boêmio de verdade – carlos galhardo
topada – dircinha baptista
sêde de amor – francisco carlos
quando o sol raiar – linda rodrigues
o diabo é esquisito – césar de alencar
fogo na marmita – marlene
qual é o caso – linda baptista
alvorada – coro misto
boemia – nelson gonçalves
quem vive de vento – dircinha baptista
foi por causa dela – francisco carlos
morango com peru – carlos gonzaga
lealdade – orlando correa
s.o.s. – carlos galhardo

Antonio Maria – Nova História Da Música Popular Brasileira (1978) 5

Olá amigos, cada vez mais cultos que ocultos! Espero que tenham relaxado com o disco de ontem. De vez em quanto é bom tê-lo a mão para umas práticazinhas 🙂
Inicialmente quero fazer público os meus sinceros agradecimentos ao amigo Carlos, que mais uma vez contribuiu para com a qualidade da nossa postagem. Valeu demais!
Aqui estamos nós com mais um exemplar da coleção Nova História da Música Popular Brasileira. Seguindo, como foi dito, uma ordem alfabética. O número desta semana é dedicado ao cronista e compositor Antonio Maria. Não vou entrar em detalhes porque estes já estão incluídos. Só tenho a dizer que é um álbum nota 10 da coleção. Embora sempre fique um gostinho de ‘quero mais’.

menino grande – nora ney
ninguém me ama – nora ney
se eu morresse amanhã de manhã – dircinha batista
frevo n.2 do recife – maria bethania
valsa de uma cidade – os cariocas
canão da volta – dolores duran
suas mãos – silvia telles
manhã de carnaval – joão gilberto