Continental 30 Anos De Sucessos (1973)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Olha, vou ser sincero com vocês… estamos em total decadência. Sim, o Toque Musical nunca esteve tão em baixa. E isso se deve a uma série de fatores, a começar por essa plataforma que embora seja perfeita, já não atende aos requisitos que hoje pedem mais interação e imediatismo. As redes sociais, mais especificamente o Facebook e o Youtube passaram a ser a bola da vez. Tudo pode ser encontrado nesses dois ambientes de uma maneira muito mais rápida e interativa e de uma certa forma o interesse do público está mudando, se generalizando. Ampliando os horizontes, mas numa profundidade cada vez mais rasa. Daí, ninguém tem mais saco para acompanhar postagens. O que dizer então quando para se ter acesso ao que se publica aqui precisa antes se associar a um grupo? Sem dúvida, isso é desestimulante e só mesmo que está muito interessado é que encara o jogo. E o jogo hoje se faz muito mais rápido. Demorou, dançou… Por isso, se quisermos nos manter ativos por mais 10 anos, o jeito é acompanhar os novos tempos e implementar novas alternativas. Daí, penso em migrar definitivamente o Toque Musical para o Youtube. Há tempos venho pensando nisso, talvez agora seja a nossa hora. Fiquem ligados, logo o nosso canal vai estar na rede com tudo aquilo que já postamos por aqui. Será um trabalho longo, afinal, repor mais de 3 mil postagens não é moleza. Mas vamos tentar 🙂
Marcando esse momento, eu hoje trago para vocês um álbum triplo comemorativo, da gravadora Continental, lançado lá pelos idos de 1973, ano de uma das melhores safras da indústria fonográfica brasileira. 73 foi o ano em que essa gravadora completou seus 30 anos de atividade e lançou este álbum cujo os discos são de 10 polegadas. São três lps percorrendo todas as fases da gravadora, trazendo os mais diferentes artistas em ordem cronológica. Começa em Vicente Celestino, indo até aos Novos Baianos. São trinta músicas que expressam bem os 30 anos desta histórica gravadora.
Confiram já no GTM 😉

Disco 1
noite cheia de estrelas – vicente celestino
positivismo – noel rosa
implorar – moreira da silva
ondas curtas – orlando silva
brasil – francisco alves e dalva de oliveira
cai, cai – joel e gaúcho
brasil pandeiro – anjos do inferno
é doce morrer no mar – dorival caymmi
mágoas de um trovador – silvio caldas
copacabana – dick farney
Disco 2
felicidade – quarteto quitandinha
flamengo – jacob do bandolim
na paz do senhor – lúcio alves
delicado – waldir azevedo
feitiço da vila – araci de almeida
jura – mario reis
risque – aurora miranda
menino grande – nora ney
linda flor – elizete cardoso
dúvida – luiz bonfá e antonio carlos jobim
Disco 3
tristeza do jeca – tonico e tinoco
fechei a porta – jamelão
dor de cotovelo – elis regina
mas que nada – jorge ben e conjunto de zá maria
o baile da saudade – francisco petronio
nhem nhem nhem – martinho da vila
dela – ciro monteiro
adeus batucada – célia
você mudou demais – claudia barroso
o samba da minha terra – novos baianos
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Dorival Caymmi – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 149 (2017)

Para alegria dos amigos cultos, ocultos e associados do TM, o Grand Record Brasil, dedicado à musicografia brasileira em 78 rpm, está de volta. Nesta, que é a edição de número 149, apresentamos um pouco da preciosíssima obra de Dorival Caymmi, o poeta seresteiro da Bahia, interpretada por ele próprio em gravações originais. Caymmi veio ao mundo no dia 30 de abril do ano da graça de 1914, na capital baiana, Salvador. Era descendente de italianos pelo lado paterno, e seu bisavô chegou ao Brasil para trabalhar no reparo do Elevador Lacerda. Ainda criança, iniciou-se na música, ouvindo parentes ao piano. O pai, Durival (assim mesmo, com “u”!) Henrique Caymmi, funcionário público e músico amador, tocava ainda violão e bandolim, e a mãe, Aurelina Soares Caymmi, dona-de-casa, mestiça de portugueses e africanos, cantava apenas no lar. Ainda menino, nosso Caymmi era baixo-cantante em um coro de igreja. Aos 13 anos, interrompeu os estudos e passou a trabalhar como auxiliar na redação do jornal “O Imparcial”. Com o fechamento do periódico, em 1929, passou a vender bebidas. Escreve sua primeira música, “No sertão”, em 1930 e, aos vinte anos, faz suas primeiras apresentações como cantor  e violonista em programas da Rádio Clube da Bahia. Em 1935, passa a ter um programa só seu, “Caymmi e suas canções praieiras”. Aos 22 anos, vence um concurso de músicas de carnaval com o samba “A Bahia também dá”. Incentivado por um diretor da Rádio Clube da Bahia, Gilberto Martins, resolve seguir carreira no Sul do Brasil, e embarca para o Rio de Janeiro, então Capital da República, em abril de 1938, num ita (navio que cruzava o Brasil de sul a norte) , a fim de obter emprego como jornalista e estudar Direito. Com a ajuda de parentes e amigos, fez alguns pequenos trabalhos como repórter em “O Jornal”, periódico dos Diários Associados, ainda assim continuando a compor e cantar. Em seguida, estreou como cantor na PRG-3, Rádio Tupi (“o cacique do ar”), apresentando-se dois dias por semana. Foi no programa “Dragão da Rua Larga” que Caymmi apresentou, pela primeira vez, seu samba “O que é que a baiana tem?”, mais tarde interpretado por Cármen Miranda no filme “Banana da terra”,  e que muito contribuiu para a consagração internacional da “pequena notável”. E foi com ele que Caymmi estreou em disco, em dueto com Cármen, em 1939, tendo no verso “A preta do acarajé” (incluído nesta seleção).  Era o pontapé inicial para inúmeros outros sucessos, gravados por ele próprio e por outros intérpretes, em mais de 50 anos de atividade musical, entre os quais, além dos presentes nesta edição do GRB, podemos citar: “A jangada voltou só”, “Marina”, “Acalanto”, “A vizinha do lado”, “Saudade da Bahia”, “Pescaria (Canoeiro)”, “Tão só”, “Sábado em Copacabana”, “Samba da minha terra”, “Eu não tenho onde morar”, “São Salvador”, “Modinha para Gabriela”, “Das Rosas”, “Eu cheguei lá”, “Vou ver Juliana”, “Maracangalha”, “Adeus”, “Trezentas e sessenta e cinco igrejas”, “Oração de Mãe Menininha”, “O bem do mar” e muitos mais. Uma gloriosa trajetória que também inclui apresentações no exterior.  Possuía um estilo pessoal de compor e cantar, com espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica. Além da música, dedicou-se intensamente à pintura. Em 1986, foi merecidamente homenageado pela Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira com o enredo “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm”, com o qual a “verde-e-rosa” sagrou-se campeã do carnaval carioca. Do casamento de Caymmi com Adelaide Tostes (que, como cantora, usava o pseudônimo de Stella Maris), resultaram três filhos que também seguiram carreira musical, e estão na estrada até hoje:  Nana, Dori e Danilo, além da neta Alice. Dorival Caymmi faleceu em 16 de agosto de 2008, aos 94 anos, no Rio de Janeiro, de insuficiência renal.

Para esta edição do GRB, foram selecionadas doze preciosas gravações de mestre Caymmi, verdadeiras joias da nossa música popular, documentando parcela substancial de sua obra como autor e intérprete. Abrindo o programa, temos “Cantiga”, gravação RCA Victor de 5 de novembro de 1947, lançada em maio de 48 sob número 80-0585-A, matriz S-078820. O samba “Dois de fevereiro”, em homenagem  a Iemanjá, “a rainha do mar”, é gravação Odeon de primeiro de setembro de 1957, com acompanhamento orquestral de Léo Peracchi, lançada em dezembro seguinte com o número 14286-A, matriz 12000, aparecendo também no LP “Caymmi e o mar”, quarto vinil do artista baiano e primeiro no formato-padrão de doze polegadas. Voltando à RCA Victor, temos “Festa de rua”, “cena baiana” gravada em 18 de abril de 1949 e lançada em julho seguinte com o número 80-0596-B, matriz S-078868. Temos em seguida uma amostra do Caymmi apenas intérprete, no samba-jongo “Navio negreiro”, de Alcyr Pires Vermelho, J. Piedade e Sá Roris, gravação Odeon de 5 de março de 1940, com suporte orquestral do palestino Simon Bountman,  lançada em maio do mesmo ano sob número 11850-A, matriz 6311. Uma das obras-primas de Caymmi, o samba-canção “Nem eu”, que o autor já havia interpretado no filme “Terra é sempre terra”, da Vera Cruz, foi por ele gravado na mesma Odeon em 14 de maio de 1952, com lançamento em julho do mesmo ano, com o número 13288-B, matriz 9305. “Nem eu” tem regravações por Ângela Maria, Gal Costa e até mesmo por Hebe Camargo, entre outras. Logo depois, outra obra-prima do mestre baiano: a canção praieira “O mar”, por ele interpretada com acompanhamento orquestral de Radamés Gnattali. A gravação ocupou os dois lados do disco Columbia 55247, registrado em 7 de novembro de 1940 e lançado em dezembro do mesmo ano, matrizes 328 e 329. “Noite de temporal”, outra canção praieira do gênio baiano, é o lado B de “Navio negreiro”, e foi gravado um dia antes, em 4 de março de 1940, matriz 6310. Caymmi a interpreta acompanhado pelos violões de Laurindo de Almeida, Dilermando Reis e Rogério Guimarães. E tome clássico: “Dora”, samba com introdução de frevo, que Caymmi fez no Recife, inspirado numa mulata que dançava o frevo com perfeição, à frente de um bloco que passava em frente a um hotel da capital pernambucana. Antológica gravação Odeon de 18 de junho de 1945, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon , lançada em agosto seguinte sob número 12606-A, matriz 7856. O samba “Lá vem a baiana” foi gravado por seu autor na RCA Victor em 11 de julho de 1947, com lançamento em agosto do mesmo ano, com o número 80-0536-B, matriz S-078763. O samba-canção “João Valentão” foi inspirado em um pescador amigo de Caymmi, Carapeba, e é considerado um dos melhores perfis humanos traçados pelo mestre baiano. Foi por ele imortalizado na Odeon em 28 de maio de 1953, acompanhado pela orquestra de Oswaldo Borba, com lançamento em agosto seguinte sob número 13478-A, matriz 9726, e tem sido bastante regravado, como aliás quase todas as suas obras. “Saudade de Itapoã” é outra obra-prima que o próprio Caymmi imortalizou, desta vez na RCA Victor, em 5 de novembro de 1947, com lançamento em abril de 48, sob número 80-0576-B, matriz S-078823. Para encerrar, uma gravação do início da carreira de Caymmi: a “cena típica baiana” “A preta do acarajé”, que ele interpreta ao lado de Cármen Miranda. Registro Odeon de 27 de fevereiro de 1939, lançado em abril seguinte com o número 11710-B, matriz 6024. Caymmi recolheu o pregão da voz de uma negra vendedora de acarajé , que todas as noites passava por sua rua, em Salvador, e ao servir os fregueses também dizia: “Todo mundo gosta de acarajé, mas o trabalho que dá pra fazer é que é”. Segundo o próprio Caymmi, “em verdade essa canção é muito mais daquela preta que vendia acarajé do que minha”… Enfim, uma pequena-grande amostra do talento, da poesia e da musicalidade de Dorival Caymmi como autor e intérprete, que o GRB tem a grata satisfação de oferecer.

* Texto de Samuel Machado Filho

Dorival Caymmi – Acalanto (1972)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM vem oferecer a vocês hoje um dos melhores trabalhos discográficos deste grande poeta seresteiro da Bahia que foi Dorival Caymmi (Salvador, BA, 30/4/1914-Rio de Janeiro, 16/8/2008). Este foi o sexto LP-solo de Caymmi, originalmente lançado pela Odeon (depois EMI e hoje Universal Music), então com Aloysio de Oliveira, ex-Bando da Lua, em sua direção artística, em 1960, com o título de “Eu não tenho onde morar”, e voltou às lojas em 1972, como “Acalanto – Dorival interpreta Caymmi” (o curioso é que, no selo dessa reedição, o título que aparece é o original), e áudio reprocessado de mono para estéreo. O álbum teve também reedições em CD, uma delas como parte do boxe “Caymmi, amor e mar”. Detalhes à parte, o fato é que o disco apresenta o mestre Caymmi em sua melhor forma, quando já havia sido adotado pela bossa nova, então em plena efervescência, mesmo sem pertencer à sua tribo específica, influenciando autores como Sérgio Ricardo (“Barravento”) e tendo suas composições regravadas por alguns de seus principais intérpretes, inclusive por seu então colega de gravadora (e também conterrâneo), João Gilberto. Muito bem apoiado pelas orquestrações do maestro Lindolfo Gaya, e com o impecável  padrão técnico de gravação da “marca do templo”, Caymmi aqui está, de acordo com o breve texto de contracapa, “mais solto, mais livre e mais espontâneo do que nunca”. Evidentemente, todas as faixas levam a assinatura do mestre soteropolitano, e são verdadeiros clássicos, até hoje presentes na memória e no imaginário popular. A faixa-título, “Eu não tenho onde morar”, e “São Salvador”, para começar, figuraram entre os maiores hits de 1960. Ainda no programa, regravações de músicas lançadas em disco ou pelo próprio Caymmi ou por outros intérpretes, que sempre vale a pena a gente ouvir e reouvir:  “Rosa morena”, “Acontece que eu sou baiano”, “Vestido de bolero”, “O dengo que a nêga tem” (feita para Cármen Miranda apresentar em sua última temporada brasileira, em 1940, no Cassino da Urca), “Dora” (“rainha do frevo  e do maracatu”), “O que é que a baiana tem?”(primeiro hit maiúsculo do mestre baiano, lançado por ele mesmo em dueto com Cármen Miranda, em 1939), “A vizinha do lado”, “Adeus”, “Marina”… E a faixa “Acalanto”, música regravada até mesmo por Roberto Carlos, é revestida de importância por ser a estreia em disco da filha do compositor, Nana Caymmi, na plenitude de seus 19 anos, em comovente dueto com o pai. Tão comovente que, terminada a gravação, pai, filha e a mãe, dona Estela, saíram do estúdio chorando de emoção. Enfim, um trabalho imperdível, para se ouvir do começo ao fim. Confiram!

eu não tenho onde morar
rosa morena
acontece que eu sou baiano
acalanto
vestido de bolero
o dengo que a nega tem
dora
o que que a baiana tem
a vizinha do lado
adeus
são salvador
marina

* Texto de Samuel Machado Filho

Antônio Carlos Jobim, Francisco Mignone, Dorival Caymmi e Radamés Gnattli – Prêmio Shell Para A Música Brasileira (1984)

Amigos cultos e ocultos, como disse anteriormente, nosso canal de comunicação já está aberto, através da seção de comentários da cada postagem. Agora não tem mais desculpas… Mas por favor, não me venham só com pedidos de reposição de links, pois como informamos no texto lateral do site, não há reposição de links. Esses podem até voltar, mas não me comprometo em fazê-lo de imediato. Quem tiver pressa pode pedir, mas mediante a uma contrapartida, fazendo uma doação ao Toque Musical. Em breve estarei colocando um link facilitador para as doações. Daí, pode ser que as coisas por aqui voltem a funcionar com regularidade.
Segue hoje este lp promocional, que foi lançado em edição limitada, em 1984, patrocinado pela multinacional Shell, em seu evento anual “Prêmio Shell da Música Brasileira”. Este evento foi criado em 1981 e inicialmente era um incentivo a música popular e erudita brasileira, depois se focou apenas na popular. Em 1983 a os promotores culturais desse projeto resolveram lançar este lp, comemorando os 70 anos da empresa no Brasil, trazendo quatro grandes nomes da música brasileira, Antônio Carlos Jobim, Francisco Mignone, Dorival Caymmi e Radamés Gnattli, os ganhadores do prêmio em 1982 e 83.

saudades do brasil – antonio carlos jobim
valsas de esquina – francisco mignone
histórias de pescadores – dorival caymmi
sonatina coreográfica – radamé gnattali
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Dorival Caymmi – Eu Vou Prá Maracangalha… (1957)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Sábado bonito, ensolarado… muita coisa boa pra fazer hoje. Sendo assim, nada melhor do que começarmos o dia com uma trilha musical das mais deliciosas. Para alegrar nosso espírito e também porque é um clássico e não poderia faltar em nosso Toque Musical, eu hoje abençoo vocês com o mestre, Dorival Caymmi. Eis aí um disco que todos conhecem, que está sempre na ordem do dia, um autêntico clássico da música popular brasileira. Eu não o teria postado se não fosse o Dorival. Aliás, independente de qualquer coisa, ter os discos originais do Caymmi aqui é mais do que uma grande honra. Blog que se presta a publicar música brasileira, não pode deixar de fora este grande artista. Creio que nem precisamos entrar em detalhes quanto a este disco. Melhor, simplesmente, é ouvir 😉

eu vou pra maracangalha
samba da minha terra
saudade da bahia
acontece que eu sou baiano
fiz uma viagem
vatapá
roda pião
365 igrejas
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Dorival Caymmi – Caymmi (1985)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje, domingo, estou fazendo a minha última postagem antes de entrar de férias. São férias curtas, apenas uns dez dias, mas o suficiente para eu descansar. Depois eu volto para ainda a tempo brindarmos os 6 anos do blog Toque Musical. E para luminar a cavernar e abrilhantar nosso espaço, vou deixar durante esse tempo um presente especial. Aqui, tudo é ao contrário. Eu saio e deixo a luz acessa. Faço aniversário e dou presente. 🙂
Olha aí, depois de tantos pedidos, estou trazendo para vocês este disco de Dorival Caymmi. Uma produção limitada, sob os auspícios da Fundação Emílio Odebrecht. Lançado não comercialmente em 1985 para um seleto grupo, em um luxuoso box contendo além de um álbum dúplo, um livro sobre o artista (Caymmi – Som Imagem Magia). O conteúdo fonográfico ficaria inédito até 1997, quando então recebeu um edição em  cd. Mas podemos dizer que já se trata de um material fora de catálogo e consequentemente, merece a nossa atenção.
Este disco foi uma produção que envolveu o próprio Caymmi. Traz, por certo, algumas das muitas e mais famosas de suas composições. Depoimentos de Caribé, Jorge Amado, Tom Jobim e Caetano Veloso. Para completar o prato, temperos especiais: um time de músicos de primeiríssimas, a começar pelo regente e arranjador principal, Radamés Gnattali. Aliás, um time não, dois ou mais… Não vou nem mencioná-los para não me estender muito. Essas informações vão incluidas no ‘pacote’, ok?

depoimento de jorge amado
é doce morrer no mar
festa na rua
a preta do acarajé
cançào da partida
a lenda do abaeté
o que é que a baiana tem?
depoimento de caetano veloso
depoimento tom jobim
das rosas
dora
eu fim uam viagem
peguei um ita no noirte
maracangalha
acalanto
depoimento carybé
caymmiana
você já foi a bahia?
joão valentão
samba da minha terra
sargaço mar
a mãe dágua e a menina
pescaria
vatapá
marina
dois de fevereiro
oração de mãe menininha
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Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 29 (2012)

Após uma semana de ausência, motivada pelo aniversário do nosso Toque Musical, estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 29. O coquetel da semana tem quinze fonogramas com os mais variados intérpretes, para enriquecer os acervos de muitos colecionadores.

Para começar, apresentamos uma cantora incluída entre as pioneiras na interpretação e gravação de temas folclóricos: Elsie Houston (Rio de Janeiro, 1902-Nova York, EUA, 1943), soprano que era filha de um dentista americano do Tennessee, no Rio desde 1892, e de uma carioca descendente de portugueses da Ilha da Madeira. Estudou canto lírico na Alemanha em 1922 e tomou o gosto por nosso folclore ao conhecer o maestro e compositor Luciano Gallet. Casou-se, em 1927, com o poeta e militante trotskista Benjamin Peret, durante temporada em Paris, e tiveram um filho em 1931. No mesmo ano, hostilizado pelo governo getulista, o casal mudou-se para a França. Em 1936, Peret foi lutar na Guerra Civil Espanhola e se envolveu com uma pintora hispano-americana, motivo que faria Elsie, um ano mais tarde, mudar-se para Nova York. Em 1939-40 apresentou na rede de rádio NBC o programa “Fiesta pan-americana”, onde divulgava nossa música. No dia 20 de fevereiro de 1943, Elsie Houston foi encontrada morta em seu apartamento na Park Avenue, não se sabe até hoje se por assassinato ou suicídio! Aqui, poderemos ouvi-la numa gravação de 26 de setembro de 1933, feita na Gramophone Company de Paris,  na qual interpreta dois temas harmonizados por ela mesma: “Berceuse africano-brasilienne” e Óia o sapo”, disco original K-7055-B, matriz OPG 1017-1. Em seguida, Gastão Formenti (Guaratinguetá, SP, 1894-Rio de Janeiro, 1974) apresenta um de seus mais queridos e conhecidos sucessos: o cateretê (que mais parece rumba) “De papo pro á”, da parceria Joubert de Carvalho-Olegário Mariano, em gravação Victor de 28 de agosto de 1931, lançada em outubro do mesmo ano, disco 33469-A, matriz 65226. Convém lembrar aliás que jereré, citada na letra, não é uma cidade mas sim um tipo de rede de pesca. Pescar de jereré equivale a pescar de anzol. Editado como “canção regional”, “De papo pro á” tem vários registros e é até hoje muito conhecida e lembrada. O contracanto é feito por Castro Barbosa, sem crédito no selo e o acompanhamento por “orquestra típica”. Dilú Mello (Maria de Lourdes Argollo Oliver, Viana, MA, 1913-Rio de Janeiro, 2000) também foi séria pesquisadora de nosso folclore, e deixou mais de cem composições. Aqui, um de seus hits, bastante conhecido: a toada “Fiz a cama na varanda”, dela em parceria com Ovídio Chaves, lançada pela Continental em abril de 1944, disco 15126-A, matriz 724, com acompanhamento do Conjunto Tocantins, que também faz coro. Outra peça que tem inúmeros registros, entre eles os de Stelinha Egg, Inezita Barroso e Nara Leão. De ascendência alemã, o carioca Breno Ferreira Hehl (1907-1966) foi cantor enquanto estudava direito, e abandonou a advocacia depois de se formar. Também foi pioneiro do cooperativismo no Brasil, tendo publicado vários livros técnicos, e foi o descobridor de Dolores Duran. Eis Breno Ferreira em sua obra mais conhecida, por certo: a embolada “Andorinha preta”, por ele composta em 1925, e que gravaria sete anos depois, na Columbia, neste registro lançado em maio de 1932, disco 22136-B, matriz 381255. Foi regravada mais tarde, entre outros, por Nat King Cole, Trio Irakitan e (vejam vocês!) Hebe Camargo. Os Trigêmeos Vocalistas aqui comparecem com um corimá (gênero afro-brasileiro) de João da Baiana, “Ogum Nilê”, por eles gravado na Odeon em 31 de maio de 1950, com lançamento em agosto seguinte com o n.o 13033-A, matriz 8633. No selo original, é dado como co-autor Raul Carrazatto, um dos Trigêmeos, mas em 1957, quando o próprio João da Baiana regravou a música, Raul sumiu da parceria, nem sequer sendo creditado! Por que será? Vamos agora comentar sobre três gravações do GRB desta semana, feitas em 7-8 de agosto de 1940, a bordo do navio “S.S.Uruguai”, então atracado no porto carioca, sob a supervisão do maestro britânico Leopold Stokowski (Londres, 1882-Hampshire, 1977), que então excursionava com sua All American Youth Orchestra. A nata da MPB naqueles tempos foi escalada para fazer uma série de 40 gravações, com plateia formada pelos músicos da orquestra de Stokowski. Destas, dezessete saíram em disco nos EUA pela Columbia, no início de 1942, em dois álbuns de 78 rpm com quatro cada um, intitulados “Native brazilian music”. O GRB apresenta, desta série que só saiu no Brasil em 1987, em LP da Funarte, três registros preciosíssimos: o ponto de macumba “Caboclo do mato”, de Getúlio “Amor” Marinho e João da Baiana, interpretado por ele mesmo em dupla com Janir Martins, sendo a flauta do mestre Pixinguinha (disco 36504-B, matriz CO-30151),  a embolada “Bambo do bambu”, de Donga e Patrício Teixeira, interpretada por Jararaca e Ratinho (disco 36505-B, matriz CO-30156), e o samba, também de Donga, “Passarinho bateu asas” (disco 36508-B, matriz CO-30149), na voz de Zé da Zilda. Histórico! Isaura Garcia, a “personalíssima”, cantora de longa carreira e inúmeros sucessos, vem aqui com um deles, em dueto com o mineiro (de Viçosa) Hervê Cordovil: o baião “Pé de manacá”, de Hervê com Mariza Pinto Coelho, em gravação RCA Victor de 22 de junho de 1950, lançada em setembro do mesmo ano, disco 80-0686-A, matriz S-092695. Eles já cantavam a música em dueto na Rádio Record de São Paulo, e o sucesso se repetiu em disco. Conhecidos como “os reis do riso”, Alvarenga e Ranchinho aqui estão em uma das páginas mais conhecidas e apreciadas de seu repertório: a “valsa fúnebre” “Romance de uma caveira”, deles próprios mais Chiquinho Sales, em gravação Odeon de 2 de fevereiro de 1940, lançada em março seguinte, disco 11831-A, matriz 6301. No acompanhamento, o conjunto do violonista Rogério Guimarães. Quem nunca ouviu que atire a primeira pedra! A seguir, duas gravações lançadas somente em LP: a primeira é a conhecida toada “Chuá, chuá”, de Pedro de Sá Pereira, Ary Pavão e Marques Porto, os três por coincidência gaúchos. Foi lançada na revista teatral “Comidas, meu santo!”, em 1925,  por Roberto Vilmar, sendo depois levada a disco pelo cantor Fernando. Aqui, quem a interpreta, acompanhada pela orquestra de Rafael Puglielli, é a dupla Cascatinha e Inhana, em registro lançado pela Todamérica em 1958 no álbum “Os sabiás do sertão” (LPP-TA-316). A outra é a canção “Azulão”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, cuja primeira gravação, na voz de Paraguassu (1930), apresentamos na edição anterior do GRB. Aqui, a regravação de Patrício Teixeira, feita em 1956 para o LP de dez polegadas da Sinter “Festival da velha guarda” (SLP-1074), o único registro por ele feito após seu último 78 rpm, que saiu em 1944. Stefana de Macedo (Recife, PE, 1903-Rio de Janeiro, 1975) também foi séria pesquisadora do folclore brasileiro. Ela aqui comparece com o coco “Ronca o bisouro na fulô”, recolhido por ela mesma, em gravação lançada pela Columbia em fevereiro de 1930, disco 5147-A, matriz 380432. Pra finalizar esta nossa edição do GRB, duas composições do mestre baiano Dorival Caymmi. A primeira, interpretada por ele mesmo, é a clássica canção praieira “O mar”, em registro Columbia de 7 de novembro de 1940, lançado em dezembro seguinte, disco 55247, matrizes 328-329, ocupando os dois lados do disco. O acompanhamento orquestral foi concebido por Guerra Peixe, conduzido com maestria por Lírio Panicalli. A segunda é uma canção de ninar interpretada pelo Trio de Ouro em sua primeira fase (Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas): “História pra sinhozinho”, gravação Odeon de 15 de março de 1945, lançada em maio seguinte com o n.o 12573-B, matriz 7779, e acompanhamento de conjunto de estúdio da “marca do templo”, faixa esta que encerra com chave de ouro o nosso GRB da semana. Para apreciar e sobretudo guardar!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

**ESTA SELEÇÃO MUSICAL FOI EXTRAÍDA DO SITE GOMA-LACA, RESPONSÁVEL PELA DIGITALIZAÇÃO DOS FONOGRAMAS.

1º Semana Nacional Dos Transportes – Música Popular Em Ritmo De Transportes (1969)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Sabadozinho puxado esse meu! Não tive tempo hoje nem para ler e-mails. Só agora, no final do dia é que vou tentar dar o toque de hoje. Digo tentar porque, mal cheguei em casa, tomei um banho e agora já vou para outro compromisso. Estou só esperando o meu filhote acabar de se ajeitar. Vamos sair para jantar e não sei a que horas eu volto aqui. Diante a pressa, melhor é recorrer aos meus infalíveis discos de gaveta.

Hoje é dia de coletâneas e como eu não tive tempo de preparar uma exclusiva, vamos com uma oficial, de gravadora. Escolhi para tal um disco diferente, ou melhor, uma coletânea singular. Temos aqui um álbum promocional, lançado pela RCA em 1969. Este lp foi criado, em edição especial, para o então Ministério dos Transpostes, na 1ª Semana Nacional Dos Transportes (23 a 31 de julho), data essa que nunca mais vi sendo comemorada em anos posteriores. O disco nos apresenta nove músicas cujos os temas se relacionam com transportes. O curioso é que embora o disco tenha sido lançado pela RCA, nem todos os fonogramas são da mesma gravadora. Na verdade há aqui também gravações da Odeon e da Columbia. Um caso interessante de se ver, pois dificilmente iremos encontrar coletâneas oficiais que não sejam fonogramas de um mesmo selo. Por outro lado, já que o Governo conseguiu essa façanha, podia ter incluído outras músicas que também tratam do mesmo tema. No cancioneiro popular o que não falta é referência. Mas está valendo… 😉
peguei um ita no norte – dorival caymmi
chofer de praça – luiz gonzaga
jangada – silvio caldas
o trem atrazou – roberto paiva
upa upa (meu trolinho) – dircinha baptista
trem azul – almirante
carango – erasmo carlos
bonde de são januário – cyro monteiro
fon fon – carmem miranda e silvio caldas

Brazilian Music Now (1977)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Mais uma vez eu estou chegando no fim do dia, aproveitando a brecha, ou talvez os poucos minutos livres que antecedem ao sono. Escolhi este disco para ser a estampa da próxima semana. Quero dizer, VOU DAR UMA PAUSA por alguns dias. Preciso descansar minha cabeça e me afastar de alguns problemas. Portanto, já fiquem os amigos avisados da minha ausência na próxima semana, ok? Espero voltar antes do Natal, vamos ver…
Segue assim mais um exemplar da série, promocional criada pela Funart para o então Departamento de Cooperação Cultural, Científica e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, a partir de 1978. A ideia era a de propagar a diversidade musical brasileira pelos cinco continentes, em vários países, dando a esses a oportunidade de conhecer melhor o variado leque musical produzido originalmente em nosso país. Ao que tudo indica, esse trabalho teve bons resultados, o que acabou gerando uma segunda versão, a qual passou-se a chamar “Projeto Ary Barroso” e sendo coordenado por Hermínio Bello de Carvalho.
Neste álbum, o número 3, iremos encontrar uma excente e variada coletânea com alguns de nossos melhores artistas, contratados da EMI – Odeon desde a década de 50. As músicas interpretadadas por eles foram sucesso que é muito bom relembrar. Confiram…

marinheiro só – clementina de jesus
foi um rio que passou em minha vida – paulinho da viola
canto de areia – clara nunes
mineira – noão nogueira
estrela madureira – roberto ribeiro
ponto de caboclo desengano – joão de aquino
quadras de roda – ivan lins
gota d’agua – simone
moleque – luiz gonzaga jr
dentro de mim mora um anjo – sueli costa
das rosas – dorival caymmi
1×0 – pixinguinha

Dorival Caymmi – Caymmi E O Mar (1957)

Depois do disco de ontem, eu não resisti a tentação de ouvir do próprio autor suas canções. Me lembrei deste lp do Dorival que eu gosto muito. É difícil de acreditar, mas este disco (o que eu tenho aqui) com seus 53 anos de idade, foi tocado apenas 4 vezes, contando com a que gerou o nosso arquivo. Juro! Ganhei ele de um senhor amigo meu, que durante muitos anos foi vendedor de discos na saudosa Lojas Gomes, em Belo Horizonte. Acho que devo ter sido o último frequentador assíduo daquela loja na av. Afonso Pena. Eu ia lá quase todos os dias, principalmente porque era uma época em que as Lojas Gomes já estava encerrando as atividades. Haviam lá muitas promoções e eu fazia a festa comprando aqueles discos quase de graça. Passados mais de vinte anos, um dia encontro novamente esse moço e comento com ele sobre a minha paixão com os discos. Foi quando ele ofereceu, para a minha coleção, alguns discos que ainda guardava em casa. No dia seguinte lá estava eu batendo em sua porta. Posso dizer que dei muita sorte. Peguei com ele uns 40 discos, entre esses havia o do Dorival Caymmi, o qual ele até comentou só ter tocado uma única vez. De lá pra cá eu também não ouvi ele mais que duas vezes. Daí, pode-se dizer que ainda possui aquele ‘arzinho virginal’. A capa ficou um pouco amarelada, mas continua com todas as qualidades de um exemplar para exposição.
Este álbum, lançado pela Odeon em 1957, foi um dos primeiros 12 polegadas da gravadora. Na época, ainda reinavam os bolachões de 78 e mais ainda, os lps de 10 polegadas em 33rpm. Com a chegada dos disco de 12 polegadas, tornou-se possível álbuns extensos como este de Dorival Caymmi.
No caso de “Caymmi e o mar”, temos mais que apenas um disco de canções. Temos um álbum de histórias. Histórias do mar, de pescadores e de vidas praieiras que ninguém melhor que ele soube cantar. “Caymmi é um pescador que conta histórias do mar”. Na extensa faixa de abertura, Dorival nos apresenta a “História dos pescadores”, dividida em três partes, as quais são apresentadas e interpretadas por ele e também pelas cantoras Silvia Telles, Lenita Bruno, Odaléa Sodré Fernandes e Consuelo Sierra. As demais faixas, não precisa nem dizer, são músicas que fazem parte do nosso cancioneiro popular, clássicas e imortais. Canções que todo brasileiro deveria conhecer de cor. Simplesmente nota 10! Não deixem de conferir…

história de pescadores:
um velho pescador
a noiva
as esposas
promessa de pescador
dois de fevereiro
o vento
saudades de itapoan
noite de temporal
festa de rua
o mar

Dorival Caymmi – Vários (1991)

Olás! Inicialmente eu gostaria de informar aos amigos que, na medida do possível, estou restaurando os ‘toques’ que vocês me apontam como falhos. Nunca deixo de passar mais de uma semana sem corrigir o que me é solicitado, porém alguma coisa sempre acaba ficando para trás. Quando acontecer, basta comentar e insistir… minha cabeça está a cada dia mais confusa.
Hoje iremos de Dorival Caymmi. Ou melhor dizendo, com a música de Dorival Caymmi. Este é um disco que não traz outro título além do nome do grande compositor baiano. Trata-se, por certo, de uma coletânea com diversos intérpretes da música de Caymmi. O lp tem como data em seu selo o ano de 1991, mas com toda certeza ele foi um relançamento. Embora eu não tenha encontrado informações a respeito, ao que tudo indica, ele foi lançado na década de 60. O produtor, Nazareno de Brito, reuniu alguns de seus maiores sucessos gravados por artistas do selo Beverly. Temos assim uma coletânea das mais singulares, com gravações sessentistas raras, que valem a pena serem ouvidas ou relembradas. Confiram…

nem eu – agnaldo rayol
marina – roberto silva
dora – angela maria
a jangada voltou só – trio tropical
eu não tenho onde morar – trio nordestino
peguei um ita no norte – conjunto de orlando pereira
joão valentão – angela maria
só louco – almir ribeiro
saudade de itapoã – wilson ferreira
nunca mais – angela maria
o mar – edy pollo
maracangalha – altamiro carrilho

Jacques Klein – Piano E Ritmo – A Música De Dorival Caymmi (1953)

Bom dia a todos! Para abrilhantar um pouco mais a nossa semana, eu hoje estou trazendo um outro disquinho raro e dos mais interessantes. Vamos fazer hoje um passeio à música de Dorival Caymmi, interpretada por um dos nossos maiores pianistas de todos os tempos, o cearense Jacques Klein. Há algum tempo atrás eu havia postado um álbum dele ao lado de outro grande pianista, Ezequiel Moreira, onde os dois interpretam Zequinha de Abreu. Desta vez vamos com outro disco, onde o instrumentista deixa um pouco de lado o erudito se dedica ao popular, tocando músicas de Dorival Caymmi, algumas até então inéditas. No disquinho de 10 polegadas temos o pianista acompanhado por contrabaixo e bateria. Contudo, prevalece e se destaca, obviamente, o seu piano, e de uma maneira quase erudita. Mesmo com todos os cuidados e tratamentos na hora da digitalização, não devemos esquecer que este disco já tem mais de 50 anos. Embora relativamente bem conservado, a qualidade do som é um tanto precária, o que tira em muito o sabor de ouvir Jacques Klein. Mesmo assim, vale ouvir este que foi considerado um dos maiores pianistas clássicos do mundo. Por garantia, inclui duas versões digitais dessa obra. Na contracapa do disco temos um texto que esclarece bem quem era este instrumentista. Um dos nossos maiores artistas, conhecido mais fora do que dentro do seu próprio país. “O Brasil desconhece o Brazil.”

dora
tão só
não tem solução
valerá a pena?
marina
nem eu
nesta rua tão deserta
joão valentão

Show 1º De Maio (1980)

Bom dia para todos nós! Hoje, 1º de maio, é comemorado o Dia Mundial do Trabalho. Curiosamente, todos nós estamos de folga, é feriado. Será que é feriado no mundo todo? Eu nunca havia me perguntado isso antes. Taí, não sei… mas pelo jeito deve ser apenas no Brasil, ou não? Falou que é feriado tá pra nós. Neste ano temos muitos, para compensar o excesso de trabalho (e mal remunerado) que a população é obrigada a encarar. Dizem que o brasileiro não gosta de trabalho. E quem gosta? Trabalho bom é aquele que nos dá prazer, que nos realiza como pessoa e como profissional. Consequentemente, nos traz dinheiro e prosperidade. Mas para a grande maioria, essa realidade está longe de se concretizar. Trabalho no Brasil é sinônimo de sobrevivência!
Para celebrar a data, eu tenho aqui este álbum que é uma pequena amostra do memorável ‘Show 1º de Maio” de 1980 que aconteceu no pavilhão Rio Centro. Para um público com aproximadamente trinta mil pessoas, participaram um dos maiores blocos de artistas, cantores e compositores, já reunidos num mesmo espetáculo. O show foi promovido pelo Centro Brasil Democrático no sentido de angariar fundos para o Encontro Nacional de Músicos, no CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora). Participaram do espetáculo dezenas de artistas dos mais consagrados. Não vou relacioná-los aqui, pois tudo pode ser conferido na contracapa.
O certo é que foi um tremendo show, começando as 21 horas e só foi terminar nas altas da madrugada. Um espetáculo dessa grandeza levantou as orelhas (e focinhos) dos militares da época. No ano seguinte tivemos o episódio do atentado terrorista, perpetrado por radicais militares que não viam com bons olhos a ‘Abetura’ iniciada naquela década. Esse lance foi de amargar. Pior ainda é saber que o então Capitão Wilson Dias Machado, (in)responsável pelo ataque, vive hoje numa boa, com a patente de Coronel e é educador do Exército no Colégio Militar de Brasília. Pode???
Este disco só tem um grave defeito. Ao pensarmos em quantos e ótimos artistas estiveram se apresentando no show, fica a pergunta: porque não fizeram um álbum duplo, triplo ou coisa assim? Resposta simples: questões contratuais com as gravadoras, limitaram a oito os artistas presentes no lp. Boca Livre, Dorival Caymmi, Sérgio Ricardo e João do Vale eram artistas independentes, os demais foram estrategicamente liberados pela Ariola e WEA.
Nessas horas é que se percebe como nas gravadoras só tem gente sem visão comercial. Ao invés de liberar o artista ou fonograma, que indiretamente promoveria a gravadora, eles preferiram resguardar seus tesouros. É isso aí seus Manés, continuem dando tiro nos pés!

prá não dizer que não falei de flores – o público
toada (na direção do dia) – boca livre
ele disse / assum preto – alceu valença
um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco – milton nascimento
não deixo de pensar / segredo do sertanejo / pisa na fulô – joão do vale
o preto que satisfaz (feijão maravilha) – as frenéticas
vou renovar – sérgio ricardo
lá vem o brasil descendo a ladeira
história de pescadores – dorival caymmi
prá não dizer que não falei de flores – o público

Dorival Caymmi – Caymmi (1967)

Boas… Começo a segunda-feira, já bem no finzinho dela, trazendo para vocês mais uma dose de Caymmi. Um disco maravilhoso, como tudo que este baiano faz. Ouvir Dorival Caymmi é esquecer da vida, é ficar por conta… passar uma tarde em Itapoã…
Neste álbum temos reunidos alguns clássicos, um disco com composições suas e de outros autores. Participam do disco o Quarteto em Cy. Curiosamente, não encontrei muita informação sobre o trabalho, assim como no próprio disco não temos muitas referências. Mas isso pouco importa quando se trata de Caymmi. Este, a gente escuta (letralmente) de olhos fechados!

01 …Das rosas
02 Sábado em Copacabana
03 Berimbau
04 Saudade da Bahia
05 Saudades de Itapuã
06 Maracangalha
07 Marcha dos pescadores
08 Morrer de amor
09 Temporal
10 Praia da Amaralina
11 O vento
12 Samba da minha terra

Caymmi Visita Tom – E Leva Seus Filhos Nana, Dori E Danilo (1964)

Extra! Extra! Olhem só a boa notícia chegando… Comprei hoje este disco pela incrível bagatela de 3 reais! Isso mesmo, 3 reais por um álbum original que nunca havia sido tocado por uma agulha. Não pude nem acreditar na hora que vi o disco naquele sebo, entre outros títulos pouco convidativos. Foi divertido, o dono do ‘topa-tudo’ achou que eu estava mais interessado nos discos surrados de funk que ele tinha por lá. Eu já de olho neste álbum da Elenco, dei uma de raposa com as uvas. No final, pedi a ele que separasse algumas daquelas suas ‘jóias’, com a desculpa de que iria ao banco buscar mais dinheiro para comprá-los. Por garantia e como prova da minha boa fé, paguei de imediato, três reais pelo Caymmi. Na hora, nem eu entendi bem essa minha proposta. Mas funcionou direitinho. Saí de lá vitorioso. Valeu o dia! E… qualquer dia eu volto por lá… Nesta, indiretamente vocês também saíram ganhado, não é mesmo?
Este álbum nasceu de um encontro articulado por Aloysio de Oliveira, entre Dorival Caymmi e Tom Jobim. Um encontro musical despretensioso, de uma rara e singela beleza. Nele participam também toda a família Caymmi, inclusive Stella, esposa de Dorival. O disco ainda conta com o apoio e participação de Sergio Barroso no contrabaixo e dos bateristas Dom Um Romão e Edison Machado. Um lp singular, um álbum histórico!

… das rosas
só tinha de ser com você
inútil paisagem
vai de vez
canção da noiva
saudades da bahia
tristeza de nós dois
berimbau
sem você