Classe A – RCA Victor Coletânea (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se tem uma coisa que eu sempre gostei foi de coletâneas. Eram através delas que a gente  podia degustar diversos artistas de uma determinada gravadora. Uma forma de levar ao público os diferentes artistas, misturando os ‘medalhões’ com aqueles ainda pouco conhecidos. O difícil era achar uma coletânea realmente fina, com artistas e repertório de qualidade. Nesse sentido, a RCA sempre brilhou. Acho que talvez até pela qualidade de seu ‘cast’. Em 1975 a gravadora lançou esta coletânea com alguns de seus mais destacados artistas. Acho que nem preciso falar muito, só pela capa se pode ver que o grupo é seleto, só música bacana, sucessos de uma época onde ainda se fazia boa música. Este é mais dos muitos bons presentes oferecidos pelo amigo Fáres, a quem mais uma vez eu agradeço. E vamos nessa que a coisa é boa. Aguardo vocês no GTM 😉

bodas de prata – joão bosco
diacho de dor – maria creuza e antonio carlos & jocafi
pote de mel – carlos walker
jogo da vida – tamba trio
ligia – lucio alves
chega – ivan lins
disritimia – martinho da vila
meia noite – antonio carlos & jocafi
tristeza chama tristeza – eliana pittman
se alguém telefonar – milton carlos
massa falida – cesar costa filho
flicts – sergio ricardo
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Sergio Ricardo – Arrebentação (1970)

Olá amigos cultos e ocultos! Espero que tenham passado um bom Natal. Agora vamos para as festanças de fogos de fim de ano. Como não choveu por aqui no Natal, com certeza o ‘reveillon’ vai ser molhado. Eu, para não variar, vou ficando mesmo por aqui. Sem muito assanho 🙂 Enquanto esperamos, deixa eu ir fechando as portas com ‘chaves de ouro’. Vão aqui alguns disquinhos especiais. Digamos que foi o Papai Noel quem os deixou aqui para eu passar para vocês 😉
Aqui temos “Arrebentação”, mais um belíssimo trabalho de Sérgio Ricardo. Lançado pelo selo Equipe em 1970. Um álbum ao nível do artista, capa dupla e vinil, originalmente, de 140 gramas. Na ficha técnica, impressa no interior da capa, temos uma produção que contradiz as informações sobre este disco, no site do artista. Acredito que o ‘webmaster’quem cuida do site do Sergio Ricardo trocou as bolas e como ninguém percebeu, ficou. Avisa ao moço lá que “Arrebentação” foi produzido por Oswaldo Cadaxo; os arranjos e direção musical foi de Theo de Barros e regências do maestro Henrique Nuremberg. A capa, também ao contrário do que diz a home page, não é do Cesar Vilella e sim do Luiz Pessanha. Quanto ao conteúdo musical, este é todo autoral e no qual eu destaco minhas preferências: todo! De cabo a rabo! Um discaço que não poderia faltar nas fileiras do Toque Musical. Corram já para o GTM 😉

arrebentação
labirinto
jogo de dados
conversação de paz
canto do amor armado
bezerro de ouro
mundo velho sem porteira
analfaville
juliana rainha do mar
espécie espacial
ausência de você
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Sérgio Ricardo (1975)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Com o início da Copa do Mundo, eu estou pensando aqui em dar uma parada. Uma pausa para desafogar, descansar, ou ainda, parar de vez… Neste mês de junho o Toque Musical estará completando 7 anos de atividades. Ao contrário dos anos anteriores, quando então eu sempre celebrei a data, desta vez ando meio desanimado. Não fiz ainda nenhuma chamada e nem estou pensando em grandes coisas. Este ano eu estou no espírito da Copa, ou seja, totalmente broxado… Devo dar uma pausa logo no fim da semana, ok?
Bom… falando do que é bom, eu hoje estou trazendo aqui para vocês este já bem conhecido, porém sempre bem vindo, álbum do cantor e compositor Sérgio Ricardo. Este lp foi lançado em 1975 pela RCA Victor e traz o artista interpretando, em novas versões, alguns de seus temas para o filme, também de sua autoria, “A Noite do Espantalho”; o clássico “Zelão”; “Dlce Negra”; “Bouquet de Isabel”, “Ausência de você” e também o tema da peça infantil de Maria Clara Machado, “Flicts”, em parceria com Ziraldo.

dulce negra
zelão
1984
ausência de você
bouquet de isabel
pé na estrada
cacumbu
flicts
briga de faca
pena e o penar
canção do espantalho
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Sérgio Ricardo – Eu Não Gosto Mais De Mim (1960)


Bom dia a todos! Acho que estou precisando ir logo postando alguns discos que sempre ficam na boca de espera. Por um motivo ou outro, acabo deixando eles para trás e assim vão ficando esquecidos e vão parar na gaveta. Como voltei a rotina, ao corre corre da vida real, o tempo fica curto. Daí é hora de mandar ver nos que já estão prontos e os arquivos de gaveta.
Temos aqui um artista que eu gosto muito, Sergio Ricardo, embora poucas vezes eu tenha postados discos dele. A verdade é que os seus discos já foram todos apresentados em outros blogs. Este, por exemplo, já vi no Loronix e também no Abracadabra. Mesmo assim, vou novamente trazê-lo a tona, bem porque, este é um disco que caí muito bem aqui no Toque Musical, vocês não acham? Lançado no auge da Era Bossa Nova, este foi mais um álbum que hoje se tornou um clássico. Embora “Eu não gosto mais de mim” tenha aqui todos os requisitos de disco de bossa, a gente percebe nele algo que foge à cartilha da turma do banquinho e violão. Na verdade, o incômodo é do próprio artista, que a gente sabe, aos poucos foi pulando fora do rótulo. Músicas como “Pernas”, “Ausência de você”, “O nosso olhar”, “Puladinho” e outras, são bons exemplos da febre bossanovista, mas “Zelão” é mais, é samba e é também uma das músicas mais expressivas do artista. Mas, independente de qualquer observação, o disco é num todo ótimo. Quem ainda não teve o prazer de ouví-lo, pode agora conferir. Porém, tem que estar associado ao GTM. Quem ainda não o fez, leia com atenção o cabeçalho do blog, tá tudo explicadinho 😉

pernas
não gosto mais de mim
máxima culpa
poema azul
puladinho
ausência de você
o nosso olhar
zelão
bouquet de isabel
relógio da saudade
além do mais
amor ruim

Sergio Ricardo – Estória De João-Joana (1985)

Olá torcedores cultos e ocultos! Hoje é sexta feira, dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo e também dia do disco/artista independente aqui no Toque Musical. Ao contrário dos outros dias de jogos da nossa Seleção, eu hoje não farei nenhuma postagem relacionado ao tema futebol ou Copa do Mundo. Deixarei para fazer uma postagem especial se o Brasil se sagrar o campeão, combinado?
Escolhi este disco por diversas razões, mas principalmente porque daqui a pouco começa o jogo e eu acredito que depois não terei tempo nem cabeça para fazê-lo. Daí, optei por um daqueles de gaveta, sempre prontos para as eventualidades. Eu até pensei que já houvesse postado este disco anteriormente. Felizmente vai ser ele que vai salvar o dia. Para não prolongar e também porque este trabalho merece mais atenção, decidi incluir logo a baixo o sempre providencial texto de Aramis Millarch. Esse é o cara! Leiam…

Meu irmão, o sucedido
Em Lages do Caldeirão
é o caso de muito ensino
Por isso é que me apresento
Fazendo esta relação
Curiosos os caminhos artísticos de Sérgio Ricardo. Paulista de Marília (18/06/1932), filho de um libanês que tocava alaúde, se identificaria extraordinariamente com o Nordeste ao ponto de criar a mais baiana das trilhas sonoras – o clássico escore de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1963). Subindo ainda mais, no cinematográfico espaço da Fazenda Nova, no agreste pernambucano (aonde anualmente acontece a magnífica representação da Paixão de Cristo), Sérgio ali rodaria um filme-cordel (“A Noite do Espantalho”, 1974), obra fascinante, imerecidamente pouco reconhecida na época.
Pianista de boate nos anos 50, sem curtir etilicamente as reuniões da turma da Bossa Nova, faria dois elepês fundamentais do movimento (“Não Gosto Mais de Mim”, 1960; “Depois do Amor”, 1961); para, em seguida, passar a uma fase extremamente social.
Cineasta, compositor, cantor, violonista, pianista, poeta, argumentista, o múltiplo Sérgio Ricardo se afastaria do consumismo industrial-artístico para viver alguns anos num barraco duma das favelas do Rio – mas sem deixar de possuir sua confortável casa na Urca. Sem poder realizar os projetos cinematográficos de longa-metragem desejados, voltou-se, entretanto, para excelentes curtas-metragens e filmes publicitários.
Este múltiplo e sempre genial artista mostra que, aos 53 anos, ainda a aparência jovem de 30 anos passados, continua em vigor de criação. E apresenta uma obra maravilhosa, desenvolvida nada menos do que em parceria com Carlos Drumond de Andrade.
No chão de terra, essa terra
Que a todos nós vai comer,
chorava uma criancinha
acabada de nascer,
e João, de peito desnudo,
acarinhava esse ser
Da leitura atenta de uma experiência que o poeta maior Carlos Drumond de Andrade fez de fato acontecido no Nordeste há alguns anos – “Estória de João-Joana” – Sérgio Ricardo imaginou um grande balé brasileiro. Assim como havia feito há anos, ao musicar a obra-prima de seu amigo Ziraldo, “Flicts” (1), Sérgio colocou sua sensibilidade musical no cordel de Drummond, que fala de João que era Joana – um caso de mulher criada como homem, como outro contador de estórias, o mineiro Guimarães Rosa já havia colocado no personagem de sua obra mais famosa (“Grandes Sertões: Veredas”, 1956).
Nem menino nem menina
era João quando nasceu
A mãe, sem saber ao certo,
o nome de João lhe deu,
dizendo: Vai vestir calça
e não saia que nem eu.
Aos poema-cordel de Drummond, Sérgio acrescentou a música. Pediu ao maior dos arranjadores brasileiros, Radamés Gnattali para fazer a orquestração. Entusiasmado, levou o projeto do balé “Estórias de João-Joana” para uns amigos de muitos embates ideológicos – artísticos, Gianfrancesco Guarnieri, com quem trabalhou em “Ponto de Partida” e que hoje é o secretário da Cultura de São Paulo. Guarnieri gostou do projeto e disse: “Toque em frente”. Sérgio fez: convocou Alexandre Gnattali, irmão de Radamés, para a regência, arregimentou quase 30 dos melhores músicos do Rio e gravou uma belíssima trilha – com ele ao violão, piano e voz – mais ainda, fazendo os arranjos.
Trabalho pronto, a decepção: com mil e uma desculpas (esfarrapadas), Guarnieri tentou tirar o corpo fora. Não havia verba, não tinha condiçòes de bancar o espetáculo. Resultado: Sérgio amargou pesado prejuízo.
Honrando o sangue de libanês de coragem, homem que não leva desaforo para casa – (remember sua máscula atitude em outubro de 1967, quando quebrou o violão no palco da TV-Record, furioso porque o público vaiou “Beto Bom de Bola” no II Festival de MPB), Sérgio não se deu por vencido. Procurou outras fórmulas de terminar o trabalho e, finalmente, “Estória de João-Joana” estreou no Teatro João Caetano, na noite de 2 de maio último, com o grupo Nós da Dança.
Entretanto, um espetáculo desta beleza não poderia ficar apenas no teatro, em poucas apresentações. Seria injusto para com milhares de pessoas que tanto admiram ao multi-talento de Sérgio Ricardo.
Homem é grão de poeira
na estrada sem horizonte;
mulher nem chega a ser isso
e tem de baixar a frente
ante as ruindades da vida,
da altura maior que um monte
“Estória de João-Joana” não poderia ficar sem o disco. E, felizmente, ele aconteceu. De forma independente, numa produção de incrível bom gosto e, seguramente, um álbum para merecer o troféu Chiquinha Gonzaga, o Grammy dos alternativos. Como todo disco independente não é encontrado nas lojas e os interessados devem pedir diretamente a Sérgio: Rua São Salvador, 41/ cob. 01 – Laranjeiras, CEP 22231 – Rio de Janeiro – Fone: 265-6279).
Difícil dizer o que é mais belo neste disco: se o cordel de Drummond, se a música e a voz de Sérgio ou se a orquestração de Radamés Gnattali. Longos momentos instrumentoia intercalando a voz forte e nordestina de [Sérgio], que conhecemos desde o lirismo de “O Nosso Olhar” aos gritos de guerra de “Te entrega corrisco/eu não me entrego não/Eu não sou passarinho/para viver lá na prisão”.
Saibam quantos deste caso
houveram ciência, que a vida
não anda, em favor e graça,
Igualmente repartida,
e que a dor ensombra a falta
de amor de paz e comida
“Estória de João-Joana” é um canto-de-cordel, falando das coisas do povo. Mais do que um disco, é um momento maior de brasilidade, numa embalagem de extremo bom gosto, com ilustrações tão nordestinas de Ciro que fazem do encarte/capa uma obra de arte visual.
A voz de Sérgio Ricardo é única e marcante, de uma força extrema. Drummond, neste poema-cordel, mostra uma face diferente – mas igualmente extraordinária. E arregimentação de tantos bons músicos numa sonorização colorida, faz com que tenhamos um daqueles exemplos de produção artística fora de série, destinados a se tornarem raridades tão logo esgote a edição.
Meu amigo, meu irmão,
eu nada te peço a ti
senão me ouvir com paciência
de Minas ao Piauí;
tendo contado meu conto,
adeus me despeço aqui.

*Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 18 de agosto de 1985 no Jornal Estado do Paraná

Show 1º De Maio (1980)

Bom dia para todos nós! Hoje, 1º de maio, é comemorado o Dia Mundial do Trabalho. Curiosamente, todos nós estamos de folga, é feriado. Será que é feriado no mundo todo? Eu nunca havia me perguntado isso antes. Taí, não sei… mas pelo jeito deve ser apenas no Brasil, ou não? Falou que é feriado tá pra nós. Neste ano temos muitos, para compensar o excesso de trabalho (e mal remunerado) que a população é obrigada a encarar. Dizem que o brasileiro não gosta de trabalho. E quem gosta? Trabalho bom é aquele que nos dá prazer, que nos realiza como pessoa e como profissional. Consequentemente, nos traz dinheiro e prosperidade. Mas para a grande maioria, essa realidade está longe de se concretizar. Trabalho no Brasil é sinônimo de sobrevivência!
Para celebrar a data, eu tenho aqui este álbum que é uma pequena amostra do memorável ‘Show 1º de Maio” de 1980 que aconteceu no pavilhão Rio Centro. Para um público com aproximadamente trinta mil pessoas, participaram um dos maiores blocos de artistas, cantores e compositores, já reunidos num mesmo espetáculo. O show foi promovido pelo Centro Brasil Democrático no sentido de angariar fundos para o Encontro Nacional de Músicos, no CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora). Participaram do espetáculo dezenas de artistas dos mais consagrados. Não vou relacioná-los aqui, pois tudo pode ser conferido na contracapa.
O certo é que foi um tremendo show, começando as 21 horas e só foi terminar nas altas da madrugada. Um espetáculo dessa grandeza levantou as orelhas (e focinhos) dos militares da época. No ano seguinte tivemos o episódio do atentado terrorista, perpetrado por radicais militares que não viam com bons olhos a ‘Abetura’ iniciada naquela década. Esse lance foi de amargar. Pior ainda é saber que o então Capitão Wilson Dias Machado, (in)responsável pelo ataque, vive hoje numa boa, com a patente de Coronel e é educador do Exército no Colégio Militar de Brasília. Pode???
Este disco só tem um grave defeito. Ao pensarmos em quantos e ótimos artistas estiveram se apresentando no show, fica a pergunta: porque não fizeram um álbum duplo, triplo ou coisa assim? Resposta simples: questões contratuais com as gravadoras, limitaram a oito os artistas presentes no lp. Boca Livre, Dorival Caymmi, Sérgio Ricardo e João do Vale eram artistas independentes, os demais foram estrategicamente liberados pela Ariola e WEA.
Nessas horas é que se percebe como nas gravadoras só tem gente sem visão comercial. Ao invés de liberar o artista ou fonograma, que indiretamente promoveria a gravadora, eles preferiram resguardar seus tesouros. É isso aí seus Manés, continuem dando tiro nos pés!

prá não dizer que não falei de flores – o público
toada (na direção do dia) – boca livre
ele disse / assum preto – alceu valença
um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco – milton nascimento
não deixo de pensar / segredo do sertanejo / pisa na fulô – joão do vale
o preto que satisfaz (feijão maravilha) – as frenéticas
vou renovar – sérgio ricardo
lá vem o brasil descendo a ladeira
história de pescadores – dorival caymmi
prá não dizer que não falei de flores – o público

Sergio Ricardo Lindolpho Gaya – Trilha Sonora Original Do Filme Esse Mundo É Meu (1964)

Para quem gosta de cinema e música de qualidade, eis aqui um álbum nota 10. A trilha original do filme de Sérgio Ricardo, “Esse mundo é meu”, de 1964. Não vou entrar em detalhes sobre esse longa, deixando a apresentação para o texto interno, do também cineasta Cacá Diegues. O álbum, em capa dupla, foi produzindo por Roberto Quartin para o selo Forma. A orquestração e os arranjos são do maestro Lindolfo Gaya e as composições de Sérgio Ricardo que, obviamente, participa também cantando e tocando. Um dos raros trabalhos fonográficos da época com ficha completa dos artistas e profissionais envolvidos. Assim é que eu gosto, tudo mastigadinho ;).

Este disco já foi apresentado em outros blogs e não poderia faltar aqui no Toque Musical, que também adora a arte de Sérgio Ricardo. Se você ainda não viu este rodando por aí, aproveita agora… 😉
cabocla jandira
sonho
chorinho da barbearia
nem fome nem eito
tempestade I
pregão
oxalá, meu pai
esse mundo é meu
tempestade II
cabocla jandira

Sergio Ricardo – Do Lago À Cachoeira (1979)

Domingo… vou começar logo cedo, antes que chegue a tarde trazendo a minha depressão. Ainda não caí na real. A postagem de hoje é dedicada ao meu pai que se estivesse vivo estaria hoje completando 82 anos. Dedico também a outro falecido, o meu amigo Igor Lommez, poeta e maluco, com quem compartilhei bons momentos ouvindo este disco do Sergio Ricardo.
Estão vendo? Não há como não ficar melancólico num dia como este, piora ainda mais sendo domingo. Mas eu não vou deixar cair…
Eis mais uma vez, aqui no Toque Musical, o grande Sergio Ricardo. “Do lago à cachoeira” é um álbum essencialmente de samba, resultado de sua experiência morando em uma favela do Rio de Janeiro. Contam que neste período em que ele viveu na comunidade do Vidigal, houve um movimento popular de resistência contra a desocupação de uma parte do terreno da favela onde residiam vários moradores, incluindo o próprio Sergio Ricardo. Daí nasceu o samba “Vidigal” que é a faixa que abre o o disco. Para este trabalho, Sergio contou com um time talentoso de artistas e músicos, entre esses: o grupo Viva Voz, Oscar Castro Neves, Chico Batera, Rafael Rabelo e Antonio Adolfo. Confiram…

vidigal
do lago à cachoeira
cantra a maré
lá vem pedra
toada de ternura
tarja cravada
o nosso olhar
sexta-feira treze
canto vadio
ponto de partida

Sergio Ricardo – Com Piri, Fred, Cassio, Franklin e Paulinho de Camafeu (1973)

“Olho aberto, ouvido atento e a cabeça no lugar…” É por aí que eu começo a falar deste disco e deste grande e injustiçado artista. Falo “artista” num sentido ainda mais amplo, pois Sérgio Ricardo é um homem de muitas artes. Músico, artista plástico, cineasta, ator, poeta… e dono de uma voz única. Não foi por acaso que ele começou sua vida profissional no rádio, como locutor. Estou postando este disco do Sergio por ser, para mim, muito marcante. Ele fazia parte da discoteca lá de casa, e sempre bem ouvido. Eu ainda tenho o álbum, porém os chiados e estalos hoje cantam mais alto que o artista. Felizmente, agora recentemente, volto a encontra-lo na rede. Que felicidade! É neste lp que a gente encontra pérolas como “Calabouço”, “Sina de Lampião”, “Juliana do amor perdido”, “Canto Americano” e “Tocaia”. Sei que tem gente por aí que vai dar pulinhos da alegria ao reencontrar este disco. Toque dado, então pode começar…

lado A
1- Calabouço
2- Deus de Barro
3- Semente
4- Sina de Lampião
5- Juliana do Amor Perdido
lado B
1- Beira do Cais
2- Antônio das Mortes
3- Canto Americano
4- Vou Renovar
5- Tocaia

Deus E O Diabo Na Terra Do Sol – TSO (1963)

Estou postando este disco que é a trilha sonora original do mais importante filme nacional dos anos 60. O filme de Glauber Rocha se tornou um clássico inesquecível e isto se deve muito à trilha sonora criada por Sérgio Ricardo (e letras de Glauber Rocha). Toda a obra de Glauber foi restaurada e relançada no mercado. Estão disponíveis inclusive as trilhas, como esta, em cd. O que me chamou a atenção e o interesse em postá-lo, foi a capa. Esta que apresento é a original. A primeira versão trazia este encarte, uma pintura que eu acredito ser de autoria do próprio Sérgio Ricardo. Me corrijam se eu estiver errado. Taí mais esse toque…

1 Abertura (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
2 Manuel e Rosa (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
3 Sebastião (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
4 Discurso de Sebastião (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
5 A mãe (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
6 Antônio das Mortes (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
7 Corisco (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
8 Lampião (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
9 São Jorge (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
10 Monólogo (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
11 A procura (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
12 Reza de Corisco (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
13 Perseguição (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)
14 Sertão vai virar mar (Glauber Rocha – Sergio Ricardo)