Feche Os Olhos E Sinta (1989)

Para encerrar com chave de ouro a série de álbuns dedicados à Jovem Guarda, sem dúvida o primeiro movimento de massa da história da MPB, o Toque Musical oferece prazeirosamente a seus amigos cultos, ocultos e associados uma coletânea de primeira, lançada em 1989 pela EMI (gravadora incorporada anos mais tarde pela Universal Music). Intitulado “Feche os olhos e sinta”, este disco reúne 16 faixas, garimpadas nos arquivos da antiga multinacional britânica, e a seleção musical foi feita por Francisco Rodrigues. Uma coletânea, sim, mas repleta de momentos antológicos e inesquecíveis. Abrindo o disco, a antológica “Festa do Bolinha”, de Roberto & Erasmo Carlos, com o Trio Esperança.  É baseada nos personagens de quadrinhos criados em 1935 pela cartunista norte-americana Marge (Marjorie Henderson Buell) – Luluzinha, Bolinha, Aninha, etc. -, e que se tornariam entretenimento de gerações seguidas, inclusive no Brasil, onde foram publicados pelas editoras O Cruzeiro, Abril, Devil e Pixel. Lançada em compacto simples, em maio de 1965, “A festa do Bolinha” deu título, mais tarde, ao terceiro LP do Trio Esperança, marcando a infância de muitos… inclusive a minha! O grupo também bate ponto aqui com seu primeiro grande sucesso, “Filme triste (Sad movies/Make me cry)”, lançado em 1962, ainda em 78 rpm, e incluído, um ano mais tarde, no LP “Nós somos o sucesso”, o primeiro do trio. “Feche os olhos (All my loving)”, versão de um clássico dos Beatles, celebrizada por Renato e seus Blue Caps, é aqui revivida em uma regravação feita pelo ex-vocalista do grupo (e irmão de seu fundador, Renato Barros, também autor da letra brazuca), Paulo Cézar Barros, em 1977. Formada por José Rodrigues da Silva e Décio Scarpelli, ambos paulistas de Santos, a dupla Deny e Dino aqui comparece com duas faixas imperdíveis: a primeira é “Coruja”, seu primeiro e maior sucesso, lançado em 1966 e que batizou o primeiro LP de ambos, e a divertida marcha-rancho “O ciúme”, hit de um ano mais tarde. Sérgio Reis, o “grandão”, vem aqui com seu primeiro e inesquecível sucesso, “Coração de papel”, composição dele mesmo. Lançado em fins de 1966, atravessou quase todo o ano seguinte em primeiro lugar nas paradas de sucesso: QUARENTA E TRÊS semanas! Anos mais tarde, vocês sabem, Sérgio Reis aderiu à música sertaneja, com êxitos sobre êxitos. Eduardo Araújo, outro ícone da música jovem daqueles tempos,  aqui nos apresenta outros dois hits inesquecíveis, até hoje rememorados: “Vem quente que eu estou fervendo”, parceria dele mesmo com Carlos Imperial, também gravado por Erasmo Carlos e mais tarde revivido pelo conjunto Barão Vermelho, e “O bom”, este só de Imperial,  que se tornaria um verdadeiro hino da Jovem Guarda,  e carro-chefe de Eduardo Araújo para todo o sempre. Conhecidos como “os reis dos bailes”, os Fevers nos apresentam outras duas faixas, ambas versões de Rossini Pinto, sem dúvida um especialista na matéria: “Já cansei (It’s too late)”, originalmente sucesso de Johnny Rivers, e “Vem me ajudar (Help, get me some help)”, hit em todo o mundo com o cantor holandês Tony Ronald. O inesquecível “rei da pilantragem”, Wilson Simonal, tem aqui outras duas faixas: a primeira é “Mamãe passou açúcar em mim”, de Carlos Imperial, sem dúvida um clássico na interpretação do eterno Simona. E a segunda é uma bem humorada versão dele para “Se você pensa”, de Roberto & Erasmo Carlos, com aquele toque pessoal que só ele sabia dar. A versão “Escândalo em família (Shame and scandal in the family)”, celebrizada por Renato e seus Blue Caps em 1965, vem aqui numa regravação de 1976, a cargo do grupo Década Romântica, que, como vocês perceberão pelo timbre vocal de seus integrantes, eram, na verdade, os Golden Boys! E eles aparecem em outras três faixas, todas clássicos imperdíveis: “Alguém na multidão”, do já citado Rossini Pinto, que seria o carro-chefe do grupo para sempre,  a “bítlica”“Michelle”, e “Pensando nela (Bus stop)”, hit originalmente do grupo britânico The Hollies, ambas também abrasileiradas por Rossini. Enfim, um disco que irá, por certo, proporcionar momentos de feliz reminiscência a todos aqueles que têm, carinhosamente em suas memórias, estes inesquecíveis sucessos, e também mostrar para as gerações atuais, um pouco do que foi este movimento musical bastante expressivo que foi a Jovem Guarda.  Uma festa de arromba pra ninguém botar defeito!

a festa do bolinha – trio esperança

feche os olhos e sinta – paulo cezar

coruja – deny e dino

coração de papel – sérgio reis

pensando nela – golden boys

vem quente que eu estou fervendo – eduardo araújo

já cansei – the fevers

mamãe passou açucar em mim – wilson simonal

o bom – eduardo araújo

filme triste – trio esperança

o ciúme – deny e dino

escândalo em família – década romântica

alguém na multidão – golden boys

se você pensa – wilson simonal

vem me ajudar – the fevers

michelle – golden boys e the fevers

*Texto de Samuel Machado Filho

Joyce – Feminina (1980)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o álbum de maior sucesso da cantora e compositora Joyce, que mais tarde passou a se assinar Joyce Moreno, por conta do registro civil de seu casamento com o baterista Tutty Moreno. Batizada como Joyce Silveira Palhano de Jesus, ela veio ao mundo no dia 31 de janeiro de 1948, e foi criada na Zona Sul de sua cidade natal, o Rio de Janeiro. Começou a tocar violão aos 14 anos, observando seu irmão, o guitarrista Newton, amigo de músicos da bossa nova como Eumir Deodato e Roberto Menescal.  Mais tarde, estudou com Jodacil Damasceno (violão clássico e técnica) e Wilma Graça (teoria e solfejo). Em 1963, a convite de Roberto Menescal, participou pela primeira vez de uma gravação em estúdio, no álbum “Sambacana”, de Pacífico Mascarenhas. A partir daí, gravou inúmeros jingles publicitários e começou a compor.  Em 1967, classificou sua composição “Me disseram” no II Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo. Um ano depois, veio o primeiro LP-solo, intitulado apenas “Joyce”, com texto de apresentação do Poetinha Vinícius de Moraes. Em 1970-71, fez parte do grupo vocal e instrumental A Tribo, ao lado de Toninho Horta, Naná Vasconcellos, Nélson Ângelo e Novelli, chegando a gravar algumas faixas no LP “Posições”. Entre 1971 e 1975, afastou-se do meio musical, dedicando-se apenas às filhas Clara e Ana, nascidas respectivamente em 1971 e 1972. Em 75, Joyce retoma a carreira, substituindo o violonista Toquinho, ao lado de Vinícius de Moraes, em turnê pela América Latina e depois pela Europa, já com Toquinho de volta ao grupo. Na Itália, gravou o álbum “Passarinho urbano”, com músicas de autores brasileiros então duramente atingidos pela censura do regime militar, como Chico Buarque, Mílton Nascimento, Caetano Veloso e o próprio Vinícius. Em 1977, fez uma temporada de seis meses em Nova York, e gravou, junto com Maurício Maestro, o disco “Natureza”, para o mercado exterior, mas que jamais foi comercializado.  Como compositora, tem músicas gravadas por nomes do porte de Mílton Nascimento, Elis Regina. Maria Bethânia, Fafá de Belém, Quarteto em Cy e Joanna. Sua discografia abrange mais de quarenta álbuns, gravados no Brasil e no exterior, além de inúmeros compactos e dois DVDs. Joyce Moreno tem divulgado nossa música em sucessivas turnês internacionais, fazendo grande sucesso entre o público de drum’n’bass e acid jazz.  Publicou, em 1997, o livro “Fotografei você na minha Rolleyflex”, reunindo crônicas e histórias da MPB. “Feminina”, o álbum que o TM hoje nos oferece, foi o trabalho que marcou a primeira grande exposição de Joyce na mídia. Lançado pela EMI-Odeon em 1980, foi seu quinto álbum-solo, o mais autoral e o de maior repercussão popular, no qual canta as dores e delícias de ser mulher: a descoberta da sensualidade (na faixa-título, “Feminina”), a paixão (”Mistérios”),  o sexo (“Da cor brasileira”) e as dificuldades de conciliar marido, filhos e desejos (“Essa mulher”).  Além, é claro, de incluir sua música de maior sucesso, “Clareana”, que fez em homenagem a suas filhas, e uma das finalistas do festival MPB-80, da TV Globo. Elas, inclusive, fazem pequena participação ao final do registro. Mais tarde, já crescidas, profissionalizaram-se como cantoras, sob os nomes de Clara Moreno e Ana Martins. “Feminina” foi inclusive citado por Charles Gavin, baterista do grupo de rock Titãs, em seu livro “Trezentos discos importantes da música brasileira”, publicado em 2008. Portanto, é mais um trabalho de qualidade orgulhosamente oferecido a vocês pelo TM, e uma valiosa amostra do talento de Joyce (agora Moreno) como autora e intérprete. É só conferir.

feminina

minstérios

clareana

banana

revendo amigos

essa mulher

coração de criança

da cor brasileira

aldeia de ogum

compor

*Texto de Samuel Machado Filho

Momento Universitário II (1979)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Conforme informado e prometido, segue aqui a coletânea EMI – Odeon Momento Universitário. Este segundo disco acompanha a mesma linha, inclusive com alguns mesmos artistas. O volume dois saiu  em 1979 e da mesma forma deu ‘ibope’. Uma seleção também impecável e para uma coletânea, vendeu muito. Confiram mais esse toque…

resíduo – paulo cesar pinheiro
começar de novo – ivan lins
recado – luiz gonzaga jr
companheira – geraldo vandré
onze fitas – fátima guedes
palavras – nana caymmi
hino / mordaça – paulo cesar pinheiro, marcia e eduardo gudin
cordilheira – simone
vai meu povo luiz gonzaga jr
aos nossos filhos – ivan lins
terra plana – geraldo vandré
esse sol – fátima guedes
resíduo – paulo cesar pinheiro
.

Momento Universitário (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Em tempos de incertezas políticas é sempre bom a gente lembrar fatos que muito se assemelham aos atuais. Também, relembrando o que era um momento universitário, quanto essa turma era mais engajada. Se fossem fazer hoje um disco do momento universitário, com certeza, seria um desastre musical, cheio de funk, rap e sertanejo, claro.
Nesta coletânea que eu agora trago, temos um repertório impecável, com músicas e artistas de primeiríssima linha. Sucessos consagrados pelo público e pela crítica. Esta coletânea foi produzida pela EMI Odeon em 1977, reunindo alguns de seus mais representativos artistas. O disco fez tanto sucesso que no ano seguinte ele lançaram um segundo volume. Esse, eu trago no próximo post para não ficarmos incompletos, ok? Divirtam-se

canto brasileiro – paulo cesar pinheiro
pesadelo – paulo cesar pinheiro
arueira – geraldo vandré
viola enluarada – marcos valle e milton nascimento
cabra seca – marlene
galope – luiz gonzaga jr
o que será – simone
cartomante – ivan lins
noção da batalha – carlinhos vergueiro
o trem tá feio – simone
catecismo – paulo cesar pinheiro
quadras de roda – ivan lins
começaria tudo outra vez – luiz gonzaga jr
.

Compactos – Deny e Dino (1973) – Guris E Marcio Lott (1978) – Marcos Moran (1967) – Mauricio Duboc (1979)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais uma leva de compactos simples, esses verdadeiros tesouros de sete polegadas. Os singles aqui reunidos foram lançados entre 1968 e 1979. O mais antigo é o do cantor Marcos Moran, lançado pela Caravelle em 1968. No lado A, temos “A viagem”, composição de João Roberto Kelly, e, no verso, “Bai bai”, de Carlos Imperial e Jorge Roberto. Com onze compactos simples, um duplo, três LPs e um CD como cantor-solo, Moran também participou de álbuns coletivos, sobretudo de sambas-enredos das escolas cariocas para o carnaval. Tanto que um deles, “Sonho de um sonho”, da Unidos de Vila Isabel, lançado para a folia de 1980, é até hoje obrigatório nos shows do cantor. Formada por José Rodrigues da Silva e Décio Scarpelli, ambos paulistas de Santos, a dupla Deny e Dino explodiu no cenário musical brasileiro nos tempos da Jovem Guarda, lançando hits do porte de “Coruja”, “O ciúme”, “Eu só quero ver”, “Eu não me importo” e “Meu pranto a deslizar”. Gravaram mais de 30 compactos e dez LPs, ganhando vários discos de ouro e troféus como Chico Viola e Roquete Pinto. Suas músicas também foram bastante executadas em países da América Latina. Aqui, um single da Top Tape, lançado em 1973, apresentando no lado A “Cantem comigo”, uma composição deles próprios que teve boa aceitação na época. No verso, saiu “Você precisa se acostumar”, de Mickael (produtor desse disco) e Décio Eduardo. Com a morte do Dino original, Décio Scarpelli, em 1994, Deny passou a cantar com outro parceiro, Elliot de Souza Reis, que também assumiu o cognome Dino. Em seguida temos um curioso single da Som Livre, lançado em 1978. De um lado, o grupo Guris interpreta a célebre canção de fim de ano da Rede Globo de Televisão, “Um novo tempo”, composta em 1971 por Nélson Motta e pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, cuja gravação original foi feita naquele ano pelo elenco de artistas globais da época. No verso, o cantor Márcio Lott (Belo Horizonte, MG, 1940) interpreta um grande hit de Roberto Carlos nesse tempo, “Outra vez”, de Isolda. Esta gravação foi, inclusive, tema da novela global “Dancin’ days”, de Gilberto Braga, e só foi lançada depois do LP com a trilha sonora nacional da mesma.  Márcio participou de várias dessas trilhas, e, em 2003, fundou o grupo vocal Nós Quatro, ao lado de Célia Vaz, Fabyola Sendino e Ana Zinger, depois substituída por Clarisse Grova. Autor de várias composições de sucesso, muitas em parceria com Carlos Colla e quinze delas gravadas por Roberto Carlos, Maurício Duboc  também gravou como intérprete. Aqui, um single que lançou em 1979, pela EMI-Odeon. No lado A, uma regravação de “Pai”, de Fábio Júnior, então sucesso na voz do autor. A faixa apareceu depois no LP-coletânea “Meu velho (Pra você, meu pai)”. No lado B, de sua parceria com Carlos Colla, “Senta aí”, também no gênero romântico. Maurício também participou das trilhas das novelas “O todo poderoso”, da Bandeirantes (1980), e “Despedida de solteiro”, da Globo (1992), além do festival MPB-80 (em que apresentou “Tão minha, tão mulher”) e do álbum comemorativo dos 60 anos de carreira do compositor Sivan Castelo Neto (1984). Enfim, mais quatro raridades para a delícia de vocês que tanto prestigiam o TM. Aproveitem…

*Texto de Samuel Machado Filho

pai – maurício duboc
senta aí – maurício duboc
a viagem – marcos moran
bai bai – marcos moran
um novo tempo – guris
outra vez – marcio lott
cantem comigo – deny & dino
você precisa se acostumar – deny & dino
.

Noitada De Samba (1978)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês uma ‘Noitada de Samba’. Vamos hoje com um disco que certamente passou batido  para muita gente. Coisa fina, coisa rara…
Em 1971 nascia a ideia da Noitada de Samba, um projeto musical criado por Jorge Coutinho e Leonides Bayer. Um encontro de grandes artistas da música popular brasileira que aconteceu no Teatro Opinião por mais de uma década! A Noitada de Samba surgiu em plena ditadura, sendo um foco de resistência, onde os artistas buscavam através de suas músicas expressar seus sentimentos de oposição ao regime militar. O Teatro Opinião foi palco de um espetáculo musical de samba, do artista popular, compositor e intérprete carioca. Um espetáculo que acontecia todas as segundas feiras. Pela noitada passaram dezenas de artistas, grandes nomes do samba como Adelzon Alvea, Ademildes Fonseca, Alcione, Aluisio Machado, Arlindo Cruz, Baianinho, Beth Carvalho, Carlos Lyra, Dona Ivone lara, Leci Brandão, Roberto Ribeiro, Monarco, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, João Nogueira, Martinho da Vila e tantos outros que nem dá para listar. Não somente os sambistas, mas artistas em geral, tinham no Teatro Opinião im dos poucos espaços de expressão. Foram 617 espetáculos ao longo de 13 anos. A Noitada de Samba durou até 1984, Recentemente virou um documentário, dirigido por Cely Leal, (preciso assistir!).
Este disco, um álbum histórico, reúne um pouco do que do que foi a Noitada de Samba, trazendo registros de Clara Nunes, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Odete Amaral, Xangô da Mangueira e muitos outros. É uma pena que seja um disco simples. Considerando o tempo que esse projeto durou, a centena de artistas que participaram e certamente as infinitas horas de gravação, poderiam ter gerado, no mínimo um álbum duplo. Mas é compreensível, tem sempre aquela questão dos direitos autorais, contratos de exclusividade e tantos outros obstáculos nesse grande negócio que foi o mundo da música.

seca do nordeste – clara nunes
tom maior – conjunto nosso samba
em cada canto uma esperança – dona ivone lara
tempos idos – odete amaral e cartola
ao amanhecer – cartola
estrela de madureira – roberto ribeiro
folhas caídas – odete amaral
eu e as flores – nelson cavaquinho
jurar com lágrimas – paulinho da viola
moro na roça – clementina de jesus
meu canto de paz – joão nogueira
verdade aparente – gisa nogueira
ah, se ela voltasse – baianinho
isso não são horas – xangô de mangueira
.

 

Nadinho Da Ilha – Aluou, Serenou, Violonou, O Samba Serestou (1974)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje o TM apresenta a vocês o primeiro  LP-solo de um artista completo (cantor, compositor, ator), que interpretava o samba de maneira particular e bem-humorada: Nadinho da Ilha. Com o nome de batismo de Aguinaldo Caldeira, nosso focalizado de hoje veio ao mundo no dia 11 de junho de 1934, no Rio de Janeiro. Seu apelido não era referência à Ilha do Governador, como muitos imaginam, mas à Ilha dos Velhacos, comunidade situada na Muda, subdistrito da Tijuca. Tinha 1,90m de altura, estatura pra lá de alta, e por isso mesmo foi diversas vezes comparado a Monsueto, com quem tinha impressionante semelhança física. Intérprete da linhagem dos cantores negros de voz encorpada, como Jamelão, Abílio Martins e, claro, o próprio Monsueto, ia da nota alta à mais baixa com muita facilidade. Nosso Nadinho começou na música muito cedo, sob influência familiar, uma vez que era sobrinho de nada mais nada menos que Nilo Chagas, que integrou o Trio de Ouro, liderado por Herivelto Martins, nas duas primeiras fases (com Dalva de Oliveira e, mais tarde, com Noemi Cavalcanti). Criado no Morro do Borel, lá mesmo na Tijuca, aos 12 anos foi levado pelo mítico Geraldo Pereira para tocar tamborim em seu programa de rádio. O contato com os sambas sincopados do mestre Geraldo ajudou o pequeno Nadinho a desenvolver um apurado senso rítmico. Ainda jovem , atuou como cantor no grupo de Heitor dos Prazeres, ao lado de outros nomes ilustres do samba, caso de Mestre Marçal, ingressando, logo em seguida, na ala de compositores da Escola Unidos da Tijuca. Antes de viver de música, trabalhava também como soldador elétrico e serralheiro na White Martins. Além do possante vozeirão, Nadinho da Ilha tinha outras qualidades que o tornaram um artista versatilíssimo, como eloquência, marcante presença de palco, elegância e suingue. E logo seria convidado para trabalhar como ator e humorista no teatro e na televisão. Atuou nos espetáculos teatrais “Deus lhe pague”, de Procópio Ferreira, e “´Ópera do malandro”, de Chico Buarque. Na TV , participou da “Buzina do Chacrinha”, na Globo, dos humorísticos “Balança mas não cai” (também na Globo) e “Cabaré do Barata” (Manchete), este último ao lado de Agildo Ribeiro, além do especial infantil “Tem criança no samba”, dirigido por Augusto César Vannucci para a Rede Globo. No cinema, atuou no filme ‘Loucuras cariocas”, de Carlos Imperial. Nadinho da Ilha teve sua primeira oportunidade fonográfica em 1971, quando participou do LP coletivo “Quem samba fica… Adelzon Alves mete bronca e a moçada do samba dá o recado”, interpretando as faixas “Caminhante solitário” e ‘Lapa”. Dois anos mais tarde, vem o primeiro compacto simples, com as músicas “Baianeiro” e “É o mal de muita gente”. Lançou quatro álbuns-solo (entre eles “Cabeça feita”, de 1977, considerado verdadeira obra-prima) e inúmeros compactos, além de participar de inúmeros projetos coletivos. Fez shows também ao lado de outros bambas do sambas, tais como Beth Carvalho, D. Ivone Lara, Monarco e Délcio Carvalho. Pois é justamente o primeiro álbum-solo de Nadinho da Ilha que o TM oferece com a mais grata satisfação a vocês hoje: é “O samba serestou”, lançado pela EMI-Odeon em 1975. Produzido para a Odeon pelo “cracão” Adelzon Alves, e com arranjos dos maestros Nelsinho e Luiz Roberto, este último violonista e contrabaixista, é um trabalho primoroso, com Nadinho mostrando o seu lado intérprete em todas as dez faixas, assinado por nomes respeitáveis, como Mano Décio da Viola (“Obsessão”), as duplas Délcio Carvalho-Avarese (“O maior show da terra”) e Maurício Tapajós-Mauro Duarte (“Sacrifício”) e Zinco (“Neuza”). Da discografia de Nadinho como cantor-solo ainda fazem parte os álbuns “O samba bem-humorado de Nadinho da Ilha (1995) e “Meu amigo Geraldo Pereira” (2009), uma homenagem a seu mestre e mentor, que acabaria sendo seu último trabalho em disco, pois, a 4 de agosto desse ano, ele faleceria, de complicações com diabetes e um câncer no abdômen. Enfim, apresentando este primeiro álbum-solo de Nadinho da Ilha, o TM presta uma merecida homenagem a um dos maiores sambistas que o Brasil já teve.

obsessão
o maior show da terra
ingrata mulher
adeus suspenso
aves de arribação
praia de pedra e pranto
sacrifício
olhos de azeviche
ação de despejo
neusa

*Texto de Samuel Machado Filho

Wanderlea – Mais Que A Paixão (1978)

A quem possa interessar… mas, em especial para o amigo Fáres, eterno fã da Jovem Guarda. Trago aqui um dos discos que eu mais gosto da Wanderléa. Por certo é também um dos seus melhores trabalhos. Disco bem produzido, repertório impecável, time de músicos de primeira e participações especiais de Egberto Gismonti, Djavan e Moraes Moreira. Confiram!

canção de adeus
antes que o mundo acabe
lindo
o canto da lira
segredo
fruto maduro
pingo de leite
guerreiro s. joão
pitanga
bicho medo
mais que paixão
.

Pyska – Livre De Coração Aberto (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Tivemos aqui nas ultimas postagens discos que estão há tempos em meus arquivos, como reservas, ou mesmo para cobrir qualquer buraco. Os já famosos ‘discos de gaveta’. Aos poucos eles vão aparecendo e para a minha surpresa, muito bem aceitos pela maioria.
Depois do Silvio Brito, me lembrei de um artista, quase na mesma linha popular, o compositor e guitarrista Carlos Roberto Piazzolli, o Pyska. Figura que fez parte da primeira formação da banda Casa das Máquinas. Tocou também com artista como Ney Matogrosso, Gal Costa e muitos outros. Nos anos 80 passou a trabalhar com produtor de música sertaneja. Foi arranjador da dupla Leandro e Leonardo e continuou compondo, tendo como parceiro o produtor César Augusto com quem criou diversos sucessos para o gênero pop romântico. Contam que ele era um dos maiores arrecadadores de direito autoral. Fez música para diferentes artistas, mas principalmente para os sertanejos, Morreu no final de 2011, vítimas de problemas hepáticos.
Pelo que apurei, este foi seu primeiro e único lp solo. Um álbum lançado em 1976 pela EMI, muito bem produzido pelo maestro Geraldo Vespar. O trabalho é inteiramente autoral e por aqui ele já nos aponta sua tendência popular a la Roberto Carlos, mas também bem parecida com o Silvio Brito, penso eu..

um amigo meu está ficando cego
que mundo é esse
século xx
ventos do norte
tropeços
livre de coração aberto
apenas um favor
pra falar a verdade
seus motivos minhas razões
eu artista
laços
pode acreditar
.

Fátima Guedes (1979)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Estive ouvindo ontem, coisa que não fazia há tempos, a cantora Fátima Guedes. Há tempos não escuto ela mais pelas rádios. Acho que as rádios de hoje não estão interessadas em música boa. O negócio é negócio, ou seja, música para vender e fazer sucesso e no geral, só lixo! Felizmente ainda existem apresentadores finos e esses trazem para seus programas coisas de seus acervos, pois rádio hoje em dia não tem mais discoteca. Isso me faz lembrar a discoteca da Rádio Inconfidência. Ah, que acervo! Quanta coisa boa, quantas raridades. E isso eu me refiro só aos discos nacionais! Era um tesouro. Mas com a chegada da era digital, da modernização das rádios, uma discoteca física se tornou um problema, um arquivo morto. Acho que mortos estavam aqueles que deixaram tudo se perder. Não tiveram a preocupação de digitalizar obras raríssimas, que foram aos poucos sucateadas, levando o resto para depósitos onde se perderam ou foram para o lixo. Uma pena… Hoje quando se ouve discos, como os que apresentamos no Toque Musical, esses são levados para as rádios por seus próprios apresentadores, de suas coleções particulares. Daí, são raras as chances de se ouvir no rádio artistas como a Fátima Guedes. Aliás, a Fátima Guedes não é apenas uma cantora, ela é uma grande compositora. Expoente da geração do final dos anos 70. Produziu muita coisa boa, música popular brasileira realmente de qualidade. Algumas, grandes sucessos. Gravada por outros tantos artistas, ela é, sem dúvida, uma das nossas melhores compositoras. Continua na ativa, sempre produzindo e pelo que andei vendo, dividindo mais suas criações em parceria com outros artistas.
O disco que apresento a vocês, muitos irão lembrar, foi o lp de estréia. Fátima nos apresenta um trabalho totalmente autoral em dez composições que se de todo não foi um grande sucesso, abriu com certeza mais as portas para o seu talento. Lançado em 1979, este álbum foi produzido por Renato Corrêa e contou com orquestração e regências de Oscar Castro Neves e Gilson Peranzzetta. Por aí já dá para se ter uma ideia do nível do trabalho. Um bom começo 😉

onze fitas
esse sol
previsão
meninas da cidade
cara a máscara
cachorro magro
fulano beltrano e cicrano
passional
madame
notícias de mim
.

Luiz Arruda Paes E Sua Orquestra – Brasil Dia E Noite (1957)

Hoje o Toque Musical oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum com músicas brasileiras clássicas, executadas pela orquestra do maestro Luiz Arruda Paes. Trata-se do primeiro volume de uma série de três, intitulada “Brasil dia e noite”, lançado pela Odeon em 1957 com o número MOCB-3000 (a capa e a contracapa são da reedição feita em 1975, com o selo Coronado, então braço econômico da “marca do templo”). Aqui, desfilam  páginas conhecidas de compositores consagrados: Ary Barroso (“Aquarela do Brasil”, “Maria”, “Risque”, “Na Baixa do Sapateiro”),  a dupla Braguinha-Alberto Ribeiro  (“Copacabana”), Djalma Ferreira (“Samba que eu quero ver”, verdadeiro clássico das gafieiras),  Zé Kéti (“A voz do morro”),  José Maria de Abreu (“Alguém como tu”, parceria de Jair Amorim, aqui com vocal de Norma Avian), Pixinguinha (“Carinhoso”, sucesso de ontem, hoje e sempre), Zequinha de Abreu (“Tico-tico no fubá”) e, completando o programa, o baião “Caruaru” (“a princesinha do Norte és tu”), de Belmiro Barrela, e “Samba fantástico”(do filme de mesmo nome, de 1955,um documentário produzido e dirigido por Jean Manzon).
Instrumentista, arranjador, regente e compositor, Luiz Gonzaga Arruda Paes nasceu em São Paulo, Capital, no dia 8 de maio de 1926. Considerado um dos grandes arranjadores paulistanos, estudou piano com Cármen Strazzeri,  e teoria e harmonia com João Sepe, complementando sua formação com Osvaldo Lacerda e Hans Joachim Kollreuter.  Iniciou sua carreira artística em 1949, atuando como pianista da orquestra da PRG-2, Rádio Tupi (então “a mais poderosa emissora paulista”).  Em seguida, passaria-se, igualmente como “pianeiro”, para a orquestra do maestro Zezinho (aquele que depois trabalharia com Sílvio Santos), que se apresentava na  então nascente TV Tupi (PRF-3). Ainda na Tupi, em 1952, começou a atuar como maestro, passando também a fazer arranjos para orquestra.  Em gravações, acompanhou  e fez arranjos para cantores diversos, tais como Wilma Bentivegna, Léo Romano, Dorival Caymmi , Osny Silva e o espanhol Gregório Barrios.  Em 1955, gravou seu primeiro LP, o 10 polegadas “Encontro com a música”, que dividiu com Osmar Milani (outro maestro que mais tarde faria parte do “staff” de Sílvio Santos). Este “Brasil dia e noite”, que o TM oferece a vocês, foi justamente o primeiro álbum-solo  de Luiz Arruda Paes com sua orquestra, e, na época do lançamento (1956), foi expressivo sucesso artístico e comercial, tendo sido lançado também na Argentina, México, EUA e Japão.  Ainda em 56, compôs a trilha sonora do filme “O sobrado”, de Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes, baseado em um episódio de “O tempo e o vento”, de Érico Verissimo. Luiz Arruda Paes recebeu, em sua carreira, inúmeros prêmios, tendo sido, inclusive, agraciado sete vezes com o Troféu Roquette Pinto, outorgado pelas Emissoras Unidas (Rádio e Televisão Record).  Outros títulos expressivos de sua discografia em LPs (gravou também nove discos 78 rpm com dezesseis músicas, sem contar aqueles em que acompanhou vários intérpretes com sua orquestra) são: “Brasil Norte a Sul” (mais tarde relançado como ”Brasil romântico”),  “Piano romântico”, “Brasil em tempo de dança”, “Itália eterna”, “Brasil é samba” “Brasil dia e noite 2” (lançado nos EUA como “Dawn is approaching”), “Brasil dia e noite 3” e “Convite ao baile”. Arruda Paes permaneceria na TV Tupi como maestro e arranjador até 1980, quando a emissora fechou,  acossada por grave crise financeira. No mesmo ano, passou a residir em Praia Grande, litoral paulista, atuando como autônomo. Entre 1989 e 1992, foi arranjador e regente da orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo.  Foi orientador de diversos outros maestros, entre os quais, Chiquinho de Moraes e José Briamonte.  Luiz Arruda Paes faleceu no dia 10 de março de 1999, na Praia Grande em que morava, aos 72 anos,de edema pulmonar agudo, e seu corpo foi sepultado no Memorial Ecumênico de Santos.  Deixa, porém, um extraordinário legado de arranjador, orquestrador e regente, do qual faz parte o álbum que o TM ora nos oferece.
* Texto de Samuel Machado Filho
aquarela do brasil
copacabana
samba que eu quero ver
maria
caruarú
samba fantástico
tido tico no fubá
alguém como tu
a voz do morro
risque
carinhoso
na baixa do sapateiro
.

Antonio Adolfo & A Brazuca (1985)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou na base da pressa. Sexta feira… já viu, né? A noite promete (não o que não, mas eu vou…) Daí, aproveitando enquanto enrolo o tempo, vou mandando um toque pronto, um ‘disco de gaveta’. Segue aqui para vocês este lp do Antonio Adolfo e a sua Brazuca, disco que me parece foi lançado (ou relançado) em 1985. Trata-se de uma espécie de coletânea de músicas dos dois primeiros discos, de 69 e 71. Disquinho bacana 😉 (tá pronto, deixa eu ir…)
tributo a victor manga
juliana
teletema
panorama
maria aparecida
pelas ruas do meu bairro
pela cidade
que se dante
atenção, atenção
moça
porque hoje é domingo
cortando caminho
.

Cesar Camargo Mariano & Hélio Delmiro – Samambaia (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Estou com vocês há quase 7 anos, um bom tempo, que já deu para provar as minhas reais intenções. Já deu prá ver que o Toque Musical, mesmo na sua formatação descompromissada e relativamente pessoal, segue sempre em seu propósito de levar a todos um de nossos maiores tesouros, a arte musical brasileira e consequentemente resgatar um pouco de histórias e coisas relacionadas ao universo musical e fonográfico. O Toque Musical não é um espaço sério, muito pelo contrário, chega às raias da descontração. Mas é respeitado e adorado por muitos, pois é acima de tudo uma fonte fonomusical inesgotável… Tô falando tudo isso meio que por nada. Talvez, apenas justificando o que as vezes me causa essa sensação, quando me deparo com outros blogs semelhantes ao TM buscando sua legitimidade através do esforço alheio. Me causa estranheza… Foi  por essas e por outras que resolvi mudar nossa política, criando um grupo mais fechado e limitando os prazos para compartilhamento. Penso que, como naturalmente tudo tem um prazo de existência, nossos links e postagens também tem. Desde outubro do ano passado eu adotei esse esquema de não mais repor links. Acho bastante justo, afinal os links ficam válidos por 6 meses! Tempo suficiente para se baixar todo o acervo ativo. Com dizem, a fila anda… E tendo aqui no Toque Musical quase dois mil títulos, fica mesmo muito difícil para mim ficar repondo diariamente o que é solicitado. Muita gente vem mandando mensagens pedindo reposição de links, mas como já informei, só serão repostos os links para as postagens exclusivas, ou seja, aquelas criadas originalmente para o Toque Musical. As demais podem até ser pedidas, mas nesses casos o atendimento é pessoal (via e-mail), direto (via correios) e cobrado uma pequena taxa (via depósito bancário). Creio que estou sendo justo dessa forma e espero que os amigos me compreendam, ok?
Segue hoje o belíssimo álbum “Samambaia”, do tecladista (no melhor sentido do termo) César Camargo Mariano e o violonista e guitarrista Hélio Delmiro. Um disco, obviamente,  instrumental e com apenas os dois músicos. Quando se coloca juntos dois ou três músicos talentosos como no caso, César e Hélio, pode ter certeza, é coisa muito boa! Não bastasse essas qualidades, ainda tem o tal do repertório: impecável! Uma escolha acertada, entre as composições autorais há também músicas de Milton Nascimento e seus parceiros, Ary Barroso com Lamartine Babo e Pixinguinha e João de Barro. Eu talvez seja suspeito para falar deste disco, porque é um dos meus instrumentais favoritos. Um belo trabalho, sensível como cabe a esse dois grandes músicos. Toca aí

samambaia
carinhoso
emotiva n. 4
curumim
das cordas
milagre dos peixes – cais – san vicente
choratta
no rancho fundo
ninhos
maria rita
.

Dick & Claudette – Tudo Isso É Amor (1976)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Hoje foi um dia de sorte. Ou melhor dizendo, uma tarde de sorte. Voltava eu do Centro a pé para casa quando passei por uma pequena lojinha do tipo ‘topa tudo’. Resolvi dar uma entrada (essas coisas me atraem) e por achei uma caixa cheia de discos. De cara eu vi que tinha lá coisas boas. Além de bons discos, estavam perfeitos. Garimpei uns vinte e poucos discos, sei lá… e pelo tanto acabei tendo um belo desconto. Saíram todos por menos de 5 reais. Que maravilha!
Entre os lps comprados havia este aqui do Dick Farney ao lado da Claudette Soares. Um álbum excelente, que com certeza muitos por aqui já devem conhecer, pois já foi publicado em diversos blogs. Mesmo assim e pela alegria de tê-lo entre as minhas últimas aquisições, faço questão de postá-lo.
Este álbum foi lançado em 1976, numa boa fase dos dois artistas, que aqui nos apresentam um repertório fino com onze canções memoráveis, verdadeiros clássicos. E isso inclui também a internacional “Tenderly”, de Jack Lawrence e Walter Gross.

o que é amar
minha namorada
este seu olhar
de você eu gosto
é preciso dizer adeus
castigo
tudo isso é amor
fotografia
tenderly
o nosso olhar
somos dois
.

Paulo Cesar Pinheiro (1974)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Acordei hoje com uma sensação estranha, um misto de decepção e alívio que ao final se resume numa angústia. Bom, não quero falar disso não… O dia mal começou… Por isso mesmo, hoje eu estou postando um disco mais ao gosto do Augusto aqui 🙂 As vezes eu preciso ouvir coisas como a poesia de Paulo Cesar Pinheiro para exorcisar as ‘inhacas’. Como ele mesmo diz: “quando um muro separa, uma ponte une…”
Olhaí, que beleza de álbum! Quem conhece sabe, quem não sabe, precisa ouvir. Mais uma vez, marcando presença no nosso Toque Musical, um dos maiores letristas da MPB, hoje talvez o melhor, Paulo Cesar Pinheiro. Temos aqui este que foi o seu primeiro lp, gravado em 1974. Nessa época ele já era considerando um grande compositor (letrista) e prova disso são as músicas que fazem parte deste álbum. É nele que iremos encontrar alguns de seus grandes êxitos ao lado de parceiros como Eduardo Gudin, Maurício Tapajós, Baden Powell, João de Aquino e Miltinho (do MPB-4). Disco nota 10, recomendadíssimo!

maior é deus
bandoneon
eu não tenho ninguém
sagarana
falei e disse
besouro mangangá
lapinha
viagem
cicatrizes
recado do poeta
pesadelo
maior é deus

Sueli Costa – Louça Fina (1979)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês a cantora e compositora Sueli Costa. Esta é a terceira vez que posto um disco da Sueli. Inclusive, pensando na postagem, me lembrei que já não tenho mais os dois primeiros em lp. Creio que agora só na versão cd ou mp3, que infelizmente não possuem seus respectivos encartes como os dos lps. Se for do interesse dos amigos, logo volto a repostar esses outros dois discos, ok?
“Louça Fina” é outro álbum excelente desta artista, que como eu já disse, é basicamente uma compositora. Suas composições ganham mais brilho nas vozes de outros intérpretes e através desses ela se faz conhecida. É bom aqui também lembrar que Sueli Costa sempre compoe em parcerias, os mais constantes são Abel Silva, Aldir Blanc e Tite Lemos. Neste disco temos como destaque, entre outras, as faixas “Primeiro jornal”, música que foi sucesso na voz de Elis Regina e “Jura Secreta”, outro grande sucesso nas vozes de Fagner e Simone. Outro ponto forte do disco é o instrumental. Neste álbum Sueli conta com a presença de grandes músicos como, Fernando Leporace; Dori Caymmi (que também é o produtor); Oscar Castro Neves; Helio Delmiro; João Palma e outros mais, além de um super côro. Taí, mais um bom disco para se ouvir com outros olhos. 🙂
para os meninos da nicarágua
louça fina
sabe de mim
alegria e a dor
uma vida em segredo
esperar eu não sei
flecha ligeira
segredo quebrado
primeiro jornal
altos e baixos
jura secreta
o inocente

Ribamar – Noites Cariocas (1975)

Olá amigos! Mais uma vez estou eu aqui ‘apertado de costura’, ‘costura natalina’, vamos dizer assim. Totalmente sem tempo para manter a dinâmica do Toque Musical. Daí, só me resta lançar mão dos providenciais ‘discos de gaveta’.

Trago para vocês o pianista Ribamar em um álbum lançado pela EMI-Odeon em 1975. Este álbum comemora os 25 anos de atuação profissional do artista. Uma retrospectiva onde Ribamar nos traz algumas das músicas mais importantes em sua carreira, composições de outros grandes artistas executadas por ele ao longo desse tempo. Aqui, em novas gravações e arranjos, com um grupo de excelentes instrumentistas, como é o caso de Hélio Delmiro, Chiquinho do Acordeom e outros.

castigo – fim de caso – a noite do meu bem – solidão

gauchinha bem querer

duas vidas

meu sonho é você

delicado

pra você – nossos momentos

pedacinho do céu

mulher – tudo cabe num beijo

apanhei-te cavaquinho

esmagando rosas

de tanto amor

dizem por aí

Milton Nascimento – Milton (1976)

Boa noite amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu vou lançar mão de mais um ‘disco de gaveta’. Cheguei em casa agora há pouco e sem condições de ficar muito tempo em frente a tela do computador.. Tô dormindo em pé! Mas antes de correr para cama vou deixando aqui o meu recado.

Vamos como este maravilhoso trabalho de Milton Nascimento, gravado em Los Angeles, nos anos 70. Disco primoroso que conta com feras com Novelli, Toninho Horta, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Hugo Fattoruso, Airto Moreira, Raul de Souza e outros. Na minha opinião, um dos melhores disco do Bituca. Confiram, mas só amanhã, ok? Agora eu vou é dormir! Mais uma vez, boa noite.

race – raça

fairy tale song – cadê

francisco

nothing will be as it was – nada será como antes

clove and cinnamon – cravo e canela

the call – chamada

one coin – tostão

exits and flags – saídas e bandeiras

the people – os povos

Paulo Diniz – Estradas (1976)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Depois de mais um decepcionante empate do Galo, fiquei meio sem tesão para finalizar o dia. E ainda me faltava a postagem que eu descuidado deixei de fazer. Tem dias que eu realmente esqueço…

Felizmente, me lembrei que tinha uma boa carta na manga, um disco do Paulo Diniz. Taí um artista que merece ser lembrado, mais uma vez, aqui no Toque Musical. Temos então este álbum, lançado em 1976 pela EMI. Uma produção caprichada como convém aos discos da gravadora, porém com uma ficha técnica limitada e curiosa. Me chamou a atenção o fato de constar com responsável pela orquestração e regência o Maestro João Donato. Fiquei na dúvida, seria o João Donato? Uai… Procurei alguma informação na rede, mas até onde eu fui, não encontrei nada. Mas deve ser ele mesmo.

Quanto à “Estradas” este é mais um dos excelentes trabalhos de Paulo Diniz. Neste álbum ele nos traz um repertório de parcerias, principalmente com Juhareiz Correya, músicas de Waldir Neves, Paraibinha e Carlos Fernando. Destaque também para o poema de Manuel Bandeira, “Vou me embora pra Pasárgada”, musicado por Paulo. Ele, inclusive, recorreu com freqüência à essa prática de musicar poemas, fazendo outras coisas bem bacana como “E agora José”, de Drummod.

 

vou me embora pra pasárgada

capim da lagoa

a seca de 1932

desejo mudo

junco do serindó

poema pra lea

baião da alagoas

ciranda do mar

peixe vivo

cravo vermelho

ôco do mundo

guarânia morena

Ruban – Vitrine (1986)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! É, agora tem mais um para o meu jargão! Eu hoje, finalmente, retirei todos os links de postagens ativos no blog. Agora o terrorismo fica por conta apenas de algumas ameaças anônimas, que não devemos nem dar bola. Como dizia o Roberto Carlos, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente…” É isso aí, o Toque Musical continua bombando, fazendo a alegria de quem gosta de música brasileira e também daqueles como eu que escutam música com outros olhos.

Dando sequência à nossa semana pop/rock, ou coisa assim, eu tenho hoje para vocês o cantor e compositor Ruban. Lembram dele? Quem nos anos 80 nunca ouviu “Dancing Days”, que foi sucesso nas vozes das Frenéticas? Música esta feita em parceria com Nelson Motta. Tem também, “Eu sou free”, outra música de muito sucesso, dele e Patrícia Travassos, eternizada através do grupo pop Sempre Livre. Ah, já ia me esquecendo, tem outra, “Cinderela”, hit que fez a cabeça de muitas moçoilas naquela década. Pois é, o tempo passa e parece que as coisas acontecidas à vinte anos atrás estão mais esquecidas que as de quarenta. Ruban é um bom exemplo. O cara sumiu. Se procurar na rede vai ser difícil achar o seu rosto estampado na lista do Google. Mas aí eu me lembrei de verificar no Orkut e Facebook e achei. Lá estava ele, um senhor tipo bonachão, pai de família, rodeado por belos filhos e amigos. Já é até avô! Putz, o tempo passa! Embora eu o tenha encontrado, no Orkut ele não faz menção à sua carreira de músico, produtor e compositor. Deixei por lá um recado, quem sabe ele um dia por aqui apareça para nos contar o que anda fazendo. Enquanto isso a gente vai relembrando…
vitrine
só se for você
vem comigo
trinta anos
essa garota
suite de castanhas
dancing days
cinderela
eu sou free
vitrine (remix)