Rosa Baiana – Trilha Sonora Original Da Novela (1981)

No dia 13 de maio de 1967, era inaugurada em São Paulo a TV Bandeirantes, Canal 13, pertencente ao empresário João Jorge Saad, que seria convertida em rede nacional a partir de 1978, mais ou menos.  Desde o início, a emissora investiu em esportes, filmes e jornalismo, tripé que a caracterizou durante anos. Já nos primeiros dias de funcionamento, a emissora, hoje conhecida pela corruptela Band, pôs no ar sua primeira novela: “Os miseráveis”, adaptação do romance homônimo do escritor francês Victor Hugo, feita por Walther Negrão e Chico de Assis, com uma inovação: capítulos com 45 minutos de duração. Nesse período, a Bandeirantes fez outras novelas, tais como “Era preciso voltar” e “O bolha”. Em 1970, um ano após o desastroso incêndio que destruiu as instalações da Bandeirantes, encerrava-se o primeiro período de produção teledramatúrgica da emissora do Morumbi. Em 1979, já convertida em rede nacional, a Band retomou a produção de novelas, com “Cara a cara”. Seguiram-se outros títulos, tais como “Cavalo amarelo”, “Ninho da serpente”, “O meu pé de laranja-lima” (remake de uma produção da extinta Tupi, que a Band refaria novamente em 1998), “Maçã do amor”, “Sabor de mel”, “Os imigrantes” (talvez a novela de maior sucesso da emissora, e a que mais capítulos teve, 459), “Os adolescentes”, “Campeão” etc. Isso até meados da década de 1980. Por volta de 1995, inicia-se o terceiro e último período de produção novelesca da Band, com títulos como “A idade da loba”, “Serras azuis”, “Água na boca” e as infanto-juvenis “Floribela” e “Dance, dance, dance”.  Em 2008, a Band desistiu definitivamente da teledramaturgia de produção própria, e exibiu por algum tempo títulos produzidos na Turquia, tais como “Fatmagul – A força do amor”, “Mil e uma noites” e “Sila, prisioneira do amor”.  Pois hoje o TM oferece a seus amigos cultos e associados o álbum com a trilha sonora de uma novela pertencente à segunda fase teledramatúrgica da Bandeirantes. Trata-se de “Rosa baiana”, escrita por Lauro César Muniz (recém-saído da Globo, onde escrevera“Os gigantes”). Dirigida pelos experientes Waldemar de Moraes, Antonino Seabra e Sérgio Galvão, que substituíram David José, a novela estreou em 9 de fevereiro de 1981, substituindo a tumultuada “Um homem muito especial”,  e ficou em cartaz até 30 de julho do mesmo ano, com um total de 141 capítulos (90 deles totalmente gravados em locações).  A trama tinha como pano de fundo os campos de petróleo da Bahia, e teve até mesmo o patrocínio da Petrobras! Lá, vive a personagem-título,  interpretada por Nancy Wanderley, primeira esposa do comediante Chico Anysio, com os problemas de seus sete filhos: Agenor (Gianfrancesco Guarnieri), Ivan (Edgard Franco), Orestes (Walter Prado), Walter (Raimundo de Souza), Edinho (Taumaturgo Ferreira), Bráulio (Maurício do Valle) e Cláudia (Wanda Stefânia). Rosa espera que, um dia, Edmundo Lua Nova (Rafael de Carvalho), seu companheiro e pai de seus filhos, retorne novamente para casa. Ainda no elenco estavam Maria Luiza Castelli(Neide), João Signorelli  (Roberto), Jofre Soares (Frei Damião) e Ana Maria Magalhães (Natália), entre outros. Em meio às gravações da novela, no dia 3 de maio de 1981. Rafael de Carvalho, o Edmundo Lua Nova, morreu de infarto. Porém, Lauro César Muniz descartou a hipótese de matar o personagem ou substituír o ator. Assim sendo, ele fez Edmundo abandonar sua família, deixando a trama, retornando ao final em um show de circo, gravado antes do falecimento de Rafael (e com a presença dele, é lógico). Pois cá está a trilha sonora de “Rosa baiana”, devidamente editada pela Bandeirantes Discos, sob o selo Clack. Com sonoplastia do “cobra” Salatiel Coelho, e sob a coordenação de produção de Renato Viola, é um trabalho bem cuidado até mesmo graficamente, com uma capa dupla que mostra uma bela vista aérea do litoral soteropolitano. No disco, encontramos preciosidades como “Zanzibar (As cores)”, com  A Cor do Som, que até fez sucesso na época, “A vendinha da feira”, com Zé do Baião, “Hora de ser criança”, com Délcio Carvalho, “Estrela-guia”, com Joanna, “Litetratura de cordel”, com o Grupo Terra, e a faixa-título, “Rosa baiana”, interpretada por Xangai. Encerrando o álbum com chave de ouro, uma versão instrumental da imorredoura “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, pela Banda Bandeirantes. É mais um trabalho de qualidade a integrar, merecidamente, a retrospectiva músico-novelesca de nosso TM. É só conferir…

rosa baiana – xangai
zanzibar – a cor do som
desci ladeira – odair cabeça de poeta
literatura de cordel – grupo terra
zumbi – grupo agreste
maracanã – ponte aerea
estrela guia -joana
hora de ser criança – delcio carvalho
desencontro – barca do sol
jaíba – grupo agreste
a vendinha da feira – zé do baião
asa branca – banda bandeirantes

*Texto de Samuel Machado Filho

Los Fortineros – Canção da América (1981)

Prosseguindo o ciclo que o TM dedica à música popular e folclórica latino-americana, aqui está, para deleite de nossos amigos cultos, ocultos e associados, um álbum dedicado à musica do Uruguai, que partilha suas origens gaúchas com a Argentina, de forma que o tango tem uma importância relevante no país. É “Canção da América”, gravado no Brasil em 1981 pelo grupo Los Fortineros. É mais um álbum cuja produção foi coordenada por Lucas Robles, que, como vocês já sabem, é argentino radicado em território brazuca. O álbum foi lançado pela gravadora Cristal Discos, ex-Bandeirantes, que já não tinha mais vínculo com a rede de televisão homônima. Na verdade, o Grupo Bandeirantes era sócio do músico Cláudio Petraglia na gravadora, e decidiu vender sua parte. Detalhes à parte, o disco é um apanhado interessante, reunindo expressivos trabalhos de compositores uruguaios, tipo Alfredo Zitarrosa (“Doña Soledad”, “El retobao”, “Milonga para uma niña’, “P’al que se va”), Edoardo Mateo (“Tamboriles”), Geronimo Yorio , Carmelo Imperio e Romeo Gavioli (os três assinando o clássico “Baile de los morenos”), Daniel Vigilieti (“Canción para mi América”) e Aníbal Sampayo (“Ki chororo”), com direito até uma obra-prima do venezuelano Eloy Blanco, “Angelitos negros”. Os cinco membros do grupo, apoiados pelo bandoneonista  Hugo Abelo, pelo pianista Roberto Abitante e pelo baixista Ricardo Sorondo, mostram extrema competência, fazendo deste trabalho uma peça de colecionador digna de integrar o ciclo latino de nosso TM. A conferir, sem falta…

doña soledad
ki chororo
siga el baile
el retobao
angelitos negros
baile de los morenos
cancion para mi america
milonga para una niña
candela
p’al que se va
chiquillada
tamboriles

*Texto de Samuel Machado Filho

Nova Canção Do Sul (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, marcando presença, trago para vocês outra boa doação do amigo Fáres. Tenho aqui um disco bem interessante. Um verdadeiro mostruário da música popular brasileira feita no sul do Brasil. Uma série de artistas vindos do Rio Grande, músicos que se despontaram naquele início de década. Repetindo o que está no texto da contracapa, desde Lupicínio Rodrigues não se ouvia falar em personalidades musicais gaúchas inseridas no processo criativo da MPB. Porém, a música no Sul sempre existiu, presente nos bares, boates, festivais e no rádio da região. No início dos anos 80 surgia com muita força uma nova e expressiva geração de artistas que viriam a ganhar espaço não apenas no estado, mas em todo o país. Nomes como Bebeto Alves, Kleiton & Kledir, Carlinhos Hartlieb, José Vicente e muitos outros, como vocês verão aqui, formam essa excelente e rara coletânea. Produzida pela Cristal Discos, com selo Clack. A capa é um trabalho do artista gráfico Elifas Andreato. Não deixem de conferir 😉

pialo de sangue – raul ellwanger
que se passa – bebeto alves
ú zifiu – fernando ribeiro
velhas brancas – mario barbará
ruínas de um sonho – claudio vera cruz
lugarejo – nana chaves
cuña pajé – kleiton e kledir
maria da paz – carlinhos hartlieb
ponta do anzol – josé vicente
águias – nelson coelho de castro
vingado – cao trein
terra vermelha – cenair maicá
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