Elizeth Cardoso – Elvira Pagã – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 119 (2014)

E chegamos à edição de número 119 do nosso Grand Record Brazil, apresentando duas cantoras de diferentes estilos, mas ainda assim bastante representativas.
 A primeira delas é a também vedete e atriz Elvira Pagã (Elvira Olivieiri Cozzolino,  Itararé,SP, 6/9/1920-Rio de Janeiro, 8/5/2003), uma das personalidades mais ousadas de seu tempo, cuja beleza e sensualidade lhe deram fama e até resultaram em inúmeras prisões, um autêntico “sex symbol”. Já abordada pelo GRB em seu volume de número  59, Elvira volta aqui com seis gravações de sua carreira-solo que não haviam aparecido no mesmo, conseguidas bem depois de sua postagem pelo nosso companheiro, amigo e pesquisador Beto de Oliveira. Em seu segundo disco, o Continental  15251, lançado bem em cima do carnaval de 1945, em fevereiro, Elvira interpreta quatro marchinhas, duas em cada fonograma. No lado A, matriz 973, ela interpreta, de Gadé, Amado Régis e Almanyr Grego, “E o mundo se distrai”e “Meu amor és tu”. No lado B, matriz 974, ela nos traz “Cabelo azul” e “Briga de peru”, ambas de Herivelto e Roberto Martins (que não tinham qualquer parentesco, apesar do sobrenome ser o mesmo). Depois temos as faixas do Todamérica TA-5333, gravado em 14 de julho de1953 e lançado em setembro do mesmo ano, com dois sambas da própria Elvira: no lado A, matriz TA-508, “Reticências”, sem parceria, e, no verso, matriz TA-507, “Sou feliz”, parceria de um certo M. Zamorano. Elvira Pagã encerra sua participação neste volume do GRB com as músicas de seu derradeiro 78 (ela só gravou nesse formato),do extinto selo Marajoara, número MA-10012, com duas composições de sua autoria para o carnaval de 1959. No lado A, matriz M-23, o samba “Vela acesa”, que fez com Orlando Gazzaneo e Orlando Valentim.E no lado B, matriz M-24, a marchinha “Viva los toros”, esta em parceria apenas com Gazzaneo. Enfim, mais seis faixas com Elvira Pagã para enriquecer a coleção de nossos amigos cultos,ocultos e associados (ficou faltando apenas o samba-jongo “Batuca daqui, batuca de lá”, de 1950).
A outra intérprete deste volume do GRB é a eterna “Divina”, “Magnífica” e “Enluarada” Elizeth Cardoso (Rio de Janeiro, 16/7/1920-idem, 7/5/1990). Dela temos cinco faixas marcantes, a maioria de seu início de carreira. De seu primeiro disco,o Star 202, de 1950, provavelmente lançado em março desse ano (e retirado do mercado por “problemas técnicos” jamais esclarecidos), temos, na faixa 10, o lado B, “Mensageiro da saudade”, samba de Ataulfo Alves e José Batista, com acompanhamento de Acyr Alves e sua orquestra. Logo depois, Elizeth foi para a então nascente Todamérica, onde estreou no dia 27 de julho de 1950 gravando dois sambas (estruturalmente sambas-canções)  lançados em outubro seguinte no disco TA-5010. O lado A, matriz TA-19 e oitava faixa desta seleção, é “Complexo”, de Wilson Batista e Magno de Oliveira. Mas o hit maior estava no lado B, matriz TA-20 e faixa 7 de nossa sequência: “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de Paula, que consagrou Elizeth, saudada como grande revelação de 1950, e tornou-se o carro-chefe da cantora para sempre. A penúltima faixa é a clássica toada “Prece ao vento”, de Alcyr Pires Vermelho, Gilvan Chaves e Fernando Luiz Câmara, lançada originalmente em 1954 pelo Trio Nagô. O registro de Elizeth Cardoso aqui incluído é de 1956, extraído do LP de 10 polegadas “Fim de noite”, selo Copacabana, relançado dois anos mais tarde em 12 polegadas e com quatro faixas a mais. Por fim, Elizeth nos apresenta “Venho de longe”, samba-canção de Dermeval Fonseca e Alberto Ribeiro,gravação Todamérica de 25 de janeiro de 1952, lançada em abril seguinte sob número TA-5145-B, matriz TA-238. Enfim, foi o que deu para o amigo Augusto selecionar para o GRB desta semana. Mas seu esforço, com certeza, sempre vale a pena… Divirtam-se!
Texto de Samuel Machado Filho
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Linda Batista, Elizeth Cardoso, Onilda Figueiredo & Carmen Barbosa – Seleçào 78 RPM Do Toque Musical Vol. 118 (2014)

E vai para o ar mais uma edição do Grand Record Brazil, a de número 118. É mais um volume dedicado às cantoras, apresentando quatro grandes intérpretes que fizeram história em nossa música popular.
Para começar, temos Linda Batista (Florinda Grandino de Oliveira, São Paulo, 14/6/1919-Rio de Janeiro,  17/4/1988),que marca presença no GRB desta semana com quatro faixas bastante expressivas, todas em gravações Victor. A primeira é a divertida marchinha “No boteco do José”, sucesso do carnaval de 1946, alusivo à conquista do campeonato carioca de futebol pelo Vasco da Gama (o time era então chamado “expresso da vitória”), no ano anterior, invicto, fazendo menção inclusive ao atacante Lelé (Manuel Pessanha, 1918-2003), artilheiro do certame, de chute fortíssimo.  Flamenguista convicto, Wilson Batista fez a marchinha em parceria com Augusto Garcez, e Linda a gravou em 21 de setembro de 1945, sendo lançada ainda em  novembro com o n.o 80-0348-A, matriz S-078294. Logo depois,ao lado das Três Marias, com acompanhamento da orquestra do maestro Passos,  Linda interpreta o clássico samba-canção “Bom dia”, de Herivelto Martins e Aldo Cabral, em gravação de 2 de julho de 1942, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em setembro do mesmo ano, disco 34962-A, matriz S-052569. “Bom dia” tem inúmeras regravações, destacando-se as de Dalva de Oliveira e Maria Bethânia. Ruço do Pandeiro e Alfeu de Brito assinam o samba “Quem sabe da minha vida sou eu”, que Linda gravou em 13 de agosto de 1941, com lançamento em outubro seguinte sob n.o 34814-A, matriz S-052327. Linda Batista encerra sua participação neste volume com o divertido samba-de-breque “Eu fui à Europa”, de Chiquinho Sales. No enredo, Linda é uma cantora brasileira que vai se apresentar numa rádio europeia, mas é presa, confundida com uma espiã, e levada para a execução. Porém… tudo não passou de um sonho! Gravação de 10 de junho de 1941, lançada em agosto do mesmo ano com o n.o 34785-A, matriz S-052241. Nestas duas últimas faixas,o acompanhamento é creditado aos Diabos do Céu, mas estes não eram mais os integrantes da orquestra formada e dirigida por Pixinguinha, e sim os do regional de Benedito Lacerda, como sempre fazendo maravilhas com sua flauta inconfundível.  Como a denominação era de propriedade da Victor, outros grupos também podiam aparecer nos selos dos discos como Diabos do Céu, caso do regional de Benedito.
 A eterna “Divina”, “Enluarada” e “Magnífica” Elizeth Cardoso, nascida (16/7/1920) e falecida (7/5/1990) no Rio de Janeiro, intérprete de uma longa e vitoriosa carreira, bate ponto aqui com outras quatro faixas,todas gravadas em seu início de carreira. Primeiro, temos seu primeiro  sucesso maiúsculo, “Canção de amor”, samba do comediante Chocolate (Dorival Silva, 1923-1989) em parceria com Elano de Paula, que se tornaria para sempre carro-chefe de Elizeth. Saiu no disco de estreia da cantora na Todamérica, n.o TA-5010-B, gravado em 27 de julho de 1950 e lançado em outubro seguinte, matriz TA-20, do qual também apresentamos logo depois o lado A, “Complexo”, samba de Wilson Batista e Magno de Oliveira, matriz TA-19. Meses antes, porém, Elizeth  havia gravado seu primeiro disco na Star, futura Copacabana, número 202, do qual apresentamos o samba do lado B, “Mensageiro da saudade”, composto por Ataulfo Alves e José Batista, com acompanhamento da orquestra de Acyr Alves. Esse disco, lançado provavelmente em março de 1950, seria logo retirado das lojas pela gravadora, que alegou “problemas técnicos”, jamais esclarecidos devidamente. Por fim, Elizeth canta “Venho de longe”, samba-canção de Dermeval Fonseca e Alberto Ribeiro, gravação Todamérica de 25 de janeiro de 1952, lançada em abril do mesmo ano, disco TA-5145-B, matriz TA-238.
Natural do Recife, a capital pernambucana, Onilda Figueiredo, a cantora que apresentamos a seguir, deixou, segundo consta,  uma escassa discografia. Gravou, em 78 rpm, quatro discos com oito músicas, entre 1956 e 1958, todos pela Mocambo, gravadora que por sinal tinha sede no Recife, e pertencia aos irmãos Rozenblit.  Foi também contratada da Rádio Jornal do Commércio, e era presença constante nos programas de auditório da emissora recifense, cujo slogan era “Pernambuco falando para o mundo”.  Fez ainda uma participação na coletânea “Catorze maiorais em boleros” (Copacabana, 1964), interpretando “Duas cruzes”. Ei-la aqui com as faixas de seu 78 de estreia, o Mocambo 15094, lançado em junho de 1956, com dois boleros. Primeiro, o lado B, matriz R-695, “Desespero”, de autoria de Ângelo Iervolino. E, em seguida, o lado A, o clássico “Nunca! Jamais! (Nunca! Jamás!)”, matriz R-694, de autoria do mexicano Lalo Guerrero, em versão de Nélson Ferreira, também notável compositor e então diretor artístico da Mocambo. Enorme sucesso, “Nunca! Jamais!” seria mais tarde faixa de abertura do único LP da cantora, o 10 polegadas “A voz de Onilda Figueiredo”, sendo também gravado por outros intérpretes (Ivon Cúri, Ângela Maria, Rosa Pardini, Zezé Gonzaga etc.).
Finalmente, lembramos de uma cantora expressiva, que infelizmente partiu muito cedo: Cármen Barbosa. Carioca do bairro do Catumbi, nascida em 4 de setembro de 1912, ela faleceria em 3 de setembro de 1942, um dia antes de fazer trinta anos, vítima de grave doença. Ela aqui comparece com as quatro faixas finais de nossa seleção desta semana. De início tem “Banalidade”, samba de Gilberto Martins (nada banal,apesar do título), gravação Columbia de 19 de junho de 1939, lançada em julho seguinte sob n.o  55073-A, matriz 165. O samba-canção “Carnaval que passou” é do mestre Benedito Lacerda, que muito incentivou Cármen Barbosa em sua carreira e por sinal a acompanha com sua flauta mágica em todas as quatro faixas que ela interpreta aqui, à frente de seu regional.  Gravação Victor de 30 de abril de 1937, lançada em agosto do mesmo ano, disco 34192-A, matriz 80390 (aqui, o regional de Benedito Lacerda aparece com o nome de Boêmios da Cidade). O samba “Depois que ele partiu” é também de Benedito, agora em parceria com Gilberto Martins, e Cármen o gravou na Columbia em 8 de agosto de 1939, com lançamento em setembro sob n.o 55157-B, matriz 187. Por fim, temos outro bom samba, “Adeus, Favela”, de Nélson Trigueiro e Paulo Pinheiro, gravação Columbia de 13 de maio de 1939, lançada em junho seguinte sob n.o  55069-A, matriz 152. Enfim, uma edição em que o GRB revive quatro grandes cantoras da MPB, cujo legado é sempre desfrutável e imperdível. Até a próxima!
* Texto de Samuel Machado Filho
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Elizeth Cardoso – Naturalmente (1959)

Olá amigos cultos e ocultos! Uma boa noite para todos! Hoje eu estou atendendo a um pedido especial do ‘frère’, Chris Rousseau, que lá de Marselha aguarda ansioso por este toque. Esta é na verdade uma recomposição de uma velha postagem feita aqui algum tempo atrás. Creio que irá agradar a todos, num geral.
Temos aqui a grande Elizeth Cardoso, ou Elizete, como aparece escrito as vezes em seus discos. Temos mais uma vez o álbum “Naturalmente”, apresentado agora em seu formato original, lançado em 1959, conforme consta no selo do relançamento. O álbum traz um texto de apresentação assinado pela escritora Eneida de Moraes, um nome, por sinal, pouco lembrado nos dias de hoje. Eneida foi uma jornalista e escritora e aparece aqui na foto de contracapa, ao lado da Elizeth Cardoso. “Naturalmente” é um lp fino, com doze músicas escolhidas a dedo. E a dedo também deve ter sido a escalação dos músicos que compõe o trabalho. Não é por acaso ele que desperta o interesse de tanta gente, não apenas por conta da cantora, mas também pela orquestra e músicos que a acompanham. Vou aqui apenas reproduzir o texto da escalação:Severino Filho é o responsável pelos arranjos, neste elepê. Também foi o irmão moço de Ismael Netto,o regente da orquestra, que contou com a colaboração preciosa dos pistões Laerte Rezende, José Moura, Alberico Moura, Hercule Calastri, dos trombones Edmundo Maciel, Armando Palla, Waldemar Moura e Francisco, dos violinos Nirenberg, Homero, Pascoli, Adolfo, Colaccico, Pinchito, Jorge e Pinheiro, dos violóes Cezar e Flinkas, dos celos Guerra e Oliani. Ao piano este Chaim, o bateria foi Paulinho, o contrabaixo Sebastião Marinho, a harpa foi Fumagália, a guitarra Temistocles de Araújo, Chuca-Chuca no vibrafone, Nicolino Cópia na flauta, o oboé e corningles foi Hans, o violão foi JOÃOZINHO GILBERTO. Os ritmistas foram Alberto de Souza, Bide, Geraldo Barbosa. No côro de Sereverino Filho as vozes são de Hortência, Odaléa e  Ivone, de Altair, badeco Cosme, Quartéra e Waldir.”

é luxo só
suas mãos
olha-me, diga-me
praça 7
onde estará meu amor
sozinha
na cadência do samba
jogada pelo mundo
você voltou
pedestal
fui procurar distração
e nada mais
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Especial De Natal Parte 1 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 82 (2013)

Vem chegando mais um final de ano, e mais um Natal! Tempo de reunir a família, preparar o presépio, a árvore e a ceia, trocar presentes (com direito até ao chamado “amigo oculto”)… sem, é claro, esquecer que é o aniversário de Jesus. Tempo também de cantar músicas alusivas à chamada festa máxima da cristandade. Evidentemente, o Grand Record Brazil  entra nesta semana em clima natalino, apresentando a primeira de duas partes de uma seleção de músicas gravadas na era do 78 rpm para comemorar a data. Ela foi extraída de uma compilação realizada em 2006, por nosso colega e amigo Thiago Mello, para o seu blog Bossa Brasileira (http://bossa-brasileira.blogspot.com). Serão ao todo vinte gravações (algumas já aparecidas em nosso volume 4, agora voltando com melhor qualidade sonora), e aqui apresentamos as primeiras dez.  Abrindo esta seleção, temos a introdução, apenas instrumental,  a cargo do grande Radamés Gnattali, de “Cantigas de Natal”, um pot-pourri  de canções do gênero interpretadas pelos Trios Melodia e Madrigal em disco Continental 20106, de 1951, do qual apresentaremos as duas partes em nosso próximo volume.  Em seguida, Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987) apresenta, de seu terceiro disco, o Elite Special (selo então coligado da Odeon) N-1020-A, editado em 1950, a marchinha “Quando chega o Natal”, de autoria de Sereno (Inácio de Oliveira, São Paulo, 1909-idem, 1978), matriz FB-539, muito bem acompanhada pelos Demônios da Garoa (que, como ela, também eram do cast da Rádio Record de São Paulo, então “a maior”) e pela orquestra e coro do maestro Edmundo Peruzzi (Santos, SP, 1918-idem, 1975). Curiosamente, em outra tiragem desse disco, o número da matriz foi alterado para MIB-1097. Aurora Miranda (Rio de Janeiro, 1915-idem, 2005), irmã de Cármen, comparece com duas faixas que gravou na Odeon:  “Natal divino”, marchinha de Mílton Amaral, do disco 11288-A, gravado em 4 de dezembro de 1935 e lançado logo em seguida, matriz 5173, e o samba “Sinos de Natal”, de Djalma Esteves e Vicente Paiva, do disco 11174-B, gravado em 18 de outubro de 1934 para lançamento, é claro, em dezembro, matriz 4935. Leny Eversong (Hilda Campos Soares da Silva, Santos, SP, 1920-São Paulo, 1984), notável intérprete de hits nacionais e internacionais, nos brinda com a marchinha “Prece de Natal”, de José Saccomani, Lino Tedesco e Walter Mello, lançada em dezembro de 1953 pela Copacabana sob n.o 5172-B, matriz M-559. “Noite de Natal”, interpretada por Dalva de Oliveira com a orquestra de Roberto Inglez, é o famoso “Noite feliz  (Stille nacht, heilige nacht)”, com letra diferente da que costumamos cantar, assinada por Mário Rossi, em gravação feita em 1952, nos estúdios da EMI, em Londres, durante a longa e vitoriosa excursão da cantora pela Europa, e lançada no Brasil pela Odeon com o n.o X-3372-A (série azul internacional), matriz CE-14164. A música nasceu por um capricho de ratos que, em 1818, entraram no órgão de uma igreja da cidade austríaca de Arnsdorf e roeram seus foles. Preocupado com a possibilidade de um Natal sem música nesse ano, o padre Joseph Mohr foi logo procurar um instrumento para substituir o antigo.  Nessas peregrinações, imaginou como teria sido o nascimento de Jesus, em Belém. Fez anotações, levou-as até o músico Franz Gruber para musicar… e pronto! Assim nasceu “Noite feliz”.  Já que falamos em Aurora Miranda, sua irmã Cármen (1909-1955), ainda hoje uma referência em termos de Brasil no exterior, aqui interpreta a marchinha “Dia de Natal”, de Hervê Cordovil, gravação Odeon de 16 de outubro de 1935, lançada  em dezembro seguinte sob n.o  11289-A, matriz 5170. Ângela Maria e João Dias interpretam, em dueto, a singela toada ‘Papai Noel esqueceu”, da parceria Herivelto Martins-David Nasser, lançada pela Copacabana para o Natal de 1955, sob n.o 20022-B (série “de exportação”), matriz M-1412. Um ano depois, em dezembro de 1956, nessa mesma série (20033-A, matriz M-1706), a Copacabana lançou o registro de Elizeth Cardoso para a canção “Cantiga de Natal”, de autoria da compositora e pianista Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale, São Paulo, 1913-idem, 1995), gravada originalmente por Mário Martins, em 1954, no mesmo selo.  Encerrando esta primeira parte, uma marchinha da dupla Alvarenga e Ranchinho, “Presente de Natal”, interpretada por Zelinha do Amaral com doce voz de menina e delicioso sotaque de caipirinha. Foi sua única gravação, feita na Victor em 12 de novembro de 1936 e lançada em dezembro seguinte sob n.o 34116-B, matriz 80250. Semana que vem, apresentaremos a segunda parte desta seleção natalina do GRB. Até lá!
*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

A Música De Nelson Cavaquino – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 69 (2013)

Depois de Cartola, na semana passada, o Grand Record Brazil, em sua sexagésima-nona edição, homenageia mais um nome que faz parte da história da Mangueira, e, por tabela, do samba e da MPB: Nélson Cavaquinho.
Nélson Antônio da Silva, seu nome verdadeiro, nasceu no dia 29 de outubro de 1911, na Rua Mariz e Barros, no bairro carioca da Tijuca. Seu pai, o Sr. Brás Antônio da Silva,  era músico da Banda da Polícia Militar, tocava tuba, e seu tio Elvino era exímio violinista, e também organizava rodas de samba em sua casa. A mãe de Nélson,  a sra. Maria Paula da Silva, foi lavadeira do Convento de Santa Tereza. Por volta de 1919, a família, fugindo do aluguel, muda-se para a Lapa, ocasião em que Nélson  frequenta a escola primária Evaristo da Veiga, abandonando o curso para trabalhar como eletricista. Nesse bairro boêmio carioca, fez amizade com os “valentes” de então, Brancura, Edgar e Camisa Preta.  Na adolescência, transferiu-se para  o subúrbio de Ricardo de Albuquerque, para finalmente se estabelecer em uma vila operária na Gávea.  Ali, frequenta os bailes dos clubes Gravatá, Carioca Musical e Chuveiro de Ouro, conhecendo músicos decisivos em sua formação, alguns deles  empregados de uma fábrica de tecidos local, tais como Edgar Flauta da Gávea, Heitor dos Prazeres, Mazinho do Bandolim e o violonista Juquinha, de quem receberia lições de cavaquinho, .daí nascendo o pseudônimo com que ficaria para a posteridade: Nélson Cavaquinho. Já na maturidade, optaria pelo violão, desenvolvendo um estilo inimitável de tocá-lo, usando apenas dois dedos da mão direita.
Em 1931, com apenas 20 anos de idade, Nélson conhece  Alice Ferreira Neves, com quem se casa meses depois, da união resultando quatro filhos. Em seguida, graças a seu pai, consegue um emprego na Polícia Militar, fazendo rondas noturnas a cavalo. E é durante essas rondas, montado no seu querido “Vovô”, que conhece  e passa a frequentar o morro da Mangueira, travando contato com sambistas como Cartola e Carlos Cachaça. Isso lhe rendeu várias detenções, pois passava dias sem ir ao quartel, em decorrência da boemia. O ambiente da prisão era tranquilo, e ele ficava lá compondo… Em 1938, antes de ser expulso da polícia, consegue dar baixa  e, separado da mulher e afastado dos filhos, ingressa definitivamente na boemia e na música, mudando-se para o morro da Mangueira em 1952. Teve diversos outros relacionamentos até finalmente, no início dos anos 1960,  encontrar Durvalina, 30 anos mais nova que ele, com quem viveria pelo resto de sua existência.  Entre suas mais de 400 composições, várias  em parceria com Guilherme de Brito, destacam-se: “Rugas”, “Degraus da vida”,  “Luz negra”, “A flor e o espinho”, “Pranto de poeta”, “Quando eu me chamar saudade”, “Juízo final”, “Cuidado com a outra” e “Eu e as flores”.  Eram canções feitas com extrema simplicidade, e letras quase sempre remetendo a questões como o violão, botequins, mulheres e, principalmente, a morte. Que, inevitavelmente, aconteceria na madrugada de 18 de fevereiro de 1986, aos 74 anos, de enfisema pulmonar.  Como intérprete, estreou em disco no ano de 1966, gravando algumas faixas em um álbum que a cantora Thelma  Costa dedicou à sua obra. Depois, em 1970, viria seu primeiro LP-solo, “Depoimento do poeta”, pela Castelinho (que não passou desse disco!). O segundo viria dois anos mais tarde, pela RCA, primeiro volume da Série Documento, e o terceiro pela Odeon, em 1973.  Também participou, em 1977, do álbum da RCA ”Quatro grandes do samba”, ao lado de seu mais constante parceiro, Guilherme de Brito, mais Candeia e Elton Medeiros.
Nesta edição do GRB, apresentamos dez gravações originais em 78 rpm, com sambas de Nélson Cavaquinho interpretados por vários cantores e feitos com parceiros diversos. Abrindo a seleção, “Palavras malditas”, feita com seu mais constante parceiro, Guilherme de Brito, gravação de Ary Cordovil na Todamérica em 6 de setembro de 1957, disco TA-5724-B, matriz TA-100091, que seria regravada em 2011 por Beth Carvalho.  Ary também canta “Cheiro de vela”, de Nélson com  José Ribeiro (faixa 3), lançada no extinto selo Vila em 1958 (ou 61, não há certeza), disco 10003-B, matriz V-7801-B. Ruth Amaral, também compositora, interpreta outras duas faixas nesta seleção, ambas em gravações Columbia: “Cinzas”, de Nélson e Guilherme mais Renato Gaetani, lançada em novembro de 1955 sob n.o CB-10210-A, matriz CBO-584, e “Garça”, só de Nélson e Guilherme, lançada pouco antes, em maio desse ano, com o n.o CB-10192-A, matriz CBO-192 (faixa 5). A faixa  4 traz também a regravação de Nerino Silva para “Cinzas’, lançada pela Chantecler em janeiro de 1963, disco 78-0677-B, matriz C8P-1354. “Negaste um cigarro”, parceria de Nélson Cavaquinho com José Batista, foi gravada em fins de 1962 por Orlando Gil em outro selo extinto, o Albatroz, disco A-121-B. A “Divina” Elizeth Cardoso aqui comparece com um samba do carnaval de 1954, de Nélson, Roldão Lima e Gilberto Teixeira, gravação Todamérica de 12 de novembro de 53, lançada ainda em dezembro sob n.o TA-5380-B, matriz TA-591.  Francisco Ferraz Neto, o Risadinha, apresenta  “Minha fama”, de Nélson Cavaquinho com Magno de Oliveira, gravação Odeon de 4 de setembro de 1952, só lançada em junho de 53, disco 13455-B, matriz 9413. O grande Jorge Veiga interpreta “O fruto da maldade”, de Nélson com César Brasil, lançado pela Continental entre julho e setembro de 1951 com o n.o 16434-B, matriz 2632. Por fim, Vítor Bacelar interpreta outro samba de Nélson Cavaquinho em parceria com César Brasil: “Não brigo mais”, gravado na Todamérica em 23 de agosto de 1954 e lançado em setembro seguinte sob n.o TA-5471-B, matriz TA-723. Esta é a homenagem do GRB a mais este poeta da Mangueira e do samba carioca que foi Nélson Cavaquinho!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Elizeth Cardoso – Com Orquestra (1972)

Boa noite, caros amigos cultos e ocultos! Fim de semana puxado, não deu nem para descansar direito e por em dia nossas postagens antigas. Eu estava crente de que conseguiria enviar mais alguns toques lá para o GTM, mas realmente não foi possível.
Mantendo a linha das cantoras, segue aqui mais um disco da Elizeth Cardoso para encerrar o nosso domingão. Taí, não sei dizer se este álbum é de carreira ou uma coletânea. Me parece mais coletânea, mas traz na contracapa uma produção, com direção artística de Arnaldo Schneider. Como o selo é da Todamerica, suponho que sejam gravações de época, com Elizeth acompanhada de orquestra. Confiram aí, pois eu de cá já vou dormir. Amanhã eu levanto bem cedo. Bye, bye…

canção de amor
nem resta a saudade
quem diria?
alguém como tu
maus tratos
complexo
dá-me tuas mãos
nosso amor, nossa comédia
as palavras dizem tudo
teu ciúme
pra que voltar?
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Elizete Cardoso – Magnífica (1959)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Pelo visto eu terei que ficar batendo na mesma tecla até que todos entrem no ritmo do nosso GTM (Grupo do Toque Musical). Alguns visitantes, no desejo aflito de ir logo baixando os discos postados, não se preocupam em ler as informações do blog, principalmente depois dos últimos fatos ocorridos e consequentemente das mudanças que fiz no Toque Musical. Há nesse caso dois pontos fundamentais que devem ser observados. O primeiro diz respeito à associação dos amigos no grupo. Muita gente fica mais perdida que cego em tiroteio, sem saber como se inscrever. A coisa é bem simples, leiam o cabeçalho do blog. As informações estão bem claras. Após fazerem a inscrição, aguardem até que eu os aprovem no grupo. Não estou fazendo restrições a ninguém, nem mesmo aos espíritos de porco, que apesar de serem chatos, sei que no fundo nutrem uma grande admiração por mim. Agindo com educação e respeito, terão os mesmo privilégios dos demais. Os inscritos após aprovados, podem configurar suas contas no site do GTM, escolhendo a maneira que melhor lhes agradarem para o recebimento das mensagens. O segundo ponto importante, diz respeito à utilização do endereço de e-mail do grupo. Este, nunca deve ser usado para mensagens ou solicitação de músicas ou links. Evitem usar esse canal, deixando-o exclusivamente para os ‘toques’ (links) referentes às postagens do Toque Musical. Mensagens e links de terceiros, enviados para lá, serão imediatamente retirados e seu autor, se repetir o erro, será excluído do GTM. Quando quiserem um novo link para uma postagem antiga, basta colocar a mensagem no Comentário referente à ela. Assim que eu tiver tempo, farei a reposição. Infelizmente, a situação tem piorado e o terrorismo passa a ser feito até por bossais, o que me levou a tomar essas medidas.

Tem gente (os bossais) que acha que tudo isso me prejudicou, que o Toque Musical tem perdido o seu ‘tesouro’. Lêdo engano. Eu não perdi nada, absolutamente nada! O blog continua inteiro, sem corte ou censura nas publicações. Estão aqui todas as postagens que fiz desde o início. Faço ‘back up’ diariamente do TM e quanto aos discos… aah… esses continuam na minha estante, no meu toca discos e nos quase 15 terabites já digitalizados. Daí, quando um ‘doente’ pensa que está me sacaneando, está na verdade fazendo mal a ele próprio e aos demais visitantes do blog. O povo aqui, que não é bôbo nada, já sabe o que fazer, deixa o cabra babando sozinho, ignora que ele acaba surtando. Não posso negar que acho tudo isso ótimo. Fale mal, mas fale (sempre) do Toque Musical 😉 Putz, até rimou… hehehe…
Bom, agora falando da postagem do dia, hoje eu estou só respondendo à altura. Como havia dito anteriormente, estou no momento voltado para a produção musical mais recente, mas nem por isso fácil de encontrar. Quero aqui também dar a vez a um público que sempre me prestigia e aos discos e artistas da minha geração. Não necessariamente que sejam todos lá do meu gosto pessoal. Como vocês já sabem, eu escuto música com outros olhos 🙂
Aqui então, o disco escolhido para o domingo. Vejam só que beleza, Elizete Cardoso (ou Elizeth, como queiram), neste ótimo álbum gravado por ela em 1959. “Magnífica” nos traz um repertório especial, exclusivo para as composições de Marino Pinto. Neste lp, Elizeth Cardoso interpreta suas canções, a maioria em parceria com grandes nomes, tais como Vadico, Mario Rossi, Carlos Lyra, Antonio Carlos Jobim e outros mais. Participam deste disco, além do próprio Marino Pinto, Altamiro Carrilho, que tocou e também dirigiu a gravação, o jovem violonista Baden Powell e também os maetros Mozart Brandão e Severino Filho que cuidaram da orquestração e o côro. Com um time desses e os valores agregados, não tem como dizer que este álbum da Elizete Cardoso não é magnífico.
música do céu
que dizer?
reverso
cidade do interior
herança
renúncia
madrugada
velhos tempos
velha praça
aula de matemática
até quando?

Carnaval Rio Quatrocentão (1964)

Acho que hoje eu nem preciso fazer a tradicional saudação, visto que a coisa está mais para ‘salgação’. Sinceramente não entendi a tamanha motivação para tantos comentários. Não consigo acreditar que por causa de um simples chato, tudo virou uma enorme chateação. Não vou negar que fiquei também chateado pelas acusações daqueles que frenquentam este espaço, me culpando por não ter logo tomado as dores da HWR, por uma simples bobagem. Em outras ocasiões por aqui já fizeram pior e até comigo mesmo. Já fui mais que chato, fui chamado filho da puta, ladrão, pirata, viado, babaca, burro e até comunista (como se isso fosse uma ofensa). Em nenhuma das vezes saíram tantos ‘amigos’ em minha defesa. E no fundo, nem precisavam, pois aqueles que me conhecem de verdade, sabem que o meu entendimento de solidariedade é na linha de frente. É literalmente doando sangue. Percebo que a bandeira que tremula neste céu, hoje, não é a do Toque Musical. Além do mais, detesto Twitter…

Hoje me deu vontade de dar um basta nisso tudo, acabar com a seção de comentários em postagem e consequentemente dificultar o acesso aos links. Sei que tem muita gente bacana por aqui, amigos cultos e também ocultos, com um senso maior que o crítico. Em consideração aos verdadeiros segurei o passo, engulo mais saliva e vou em frente…
Tá aqui o disco do dia. Mais carnaval… acho que é disso que vocês estão precisando…
Segue aqui um belo álbum lançado pelo selo Copacabana. Um disco especial para uma data especial, Carnaval e 400 anos de favela. Este disco traz um encarte diferente, singular para os moldes tradicionais. Ele se abre como um livreto, com algumas páginas onde iremos encontrar a ficha técnica, as letras de cada uma das músicas e seus intérpretes. A propósito dos intérpretes, temos como destaque a Miss Guanabara e também Miss Brasil daquele ano, Vera Lúcia Couto dos Santos, cantando “Rosa Dourada”, uma marchinha de Moacyr Silva e David Nasser. É ela a moça da capa 🙂
Agora aqui, não sei se publico o ‘toque’, ou se mando vocês irem procurar ouvir o disco lá na HWR. Continuo subindo tudo com muito carinho 😉
joga a chave, meu amor – jorge goulart
lua cheia – angela maria
burrinha de mola – carequinha
vem cá mulata – gilberto alves
você passou – roberto silva
coração em festa – dina gonçalves
onda da cabeleira – roberto audi
me leva, eu vou – mário augusto
rosa dourada – vera lúcia couto dos santos
genipapo – gilberto alves
carnaval quatrocentão – elizeth cardoso
deu fungum – abilio martins
rainha de sabá e rei salomão – angela maria
dúvida cruel – dora lopes
tiro de feijão – dercy gonçalves
vendedor de ilusões – arrelia e pimentinha
vai zero aí? – walter stuart
me paga um óleo aí (pudim de cachaça) – noel carlos

Meu Brasil – Coletânea De Milan Filipovic

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos em mais um sábado de coletâneas. Vou aproveitar a pausa do almoço para fazer logo a nossa postagem. Hoje temos como convidado o Milan Filipovic, do excelente blog Parallel Realities. Essa ideia de coletâneas, convidando outros blogs parceiros, começou com o sérvio, eu inclusive fui por ele um dos convidados, apresentado uma seleção da Alaide Costa. A minha versão é um pouquinho diferente, se prolonga por um prazo indeterminado. Enquanto houver aqueles que atendam ao meu convite, os colaboradores espontâneos e eu próprio criando novas coletâneas, a programação continua.
Em “Meu Brasil”, Milan reuniu para nós alguns de seus artistas brasileiros, ao que parece, os que ele mais aprecia. Temos aqui o equivalente a um álbum duplo de 10 polegadas, ou seja, dezesseis músicas, extraídas (quase todas) de discos neste formato. A escolha dos artistas e repertório refletem bem o perfil do “Parallel Realities”. Cantoras das décadas de 40, 50 e 60, além de umas pitadas intrumentais de Ribamar, Alberto Mota, Pocho e Moacyr Silva. Gostei, uma bela seleção. Vamos conferir?

ternura antiga – marisa gata mansa
só por amor – odete lara
ô ba la la – norma benguell
com açucar e com afeto – waleska
insensatez – alaide costa
apelo – elizete cardoso
suas mãos – sylvia telles
e a noite chegou – francineth
cantiga de quem está só – neusa maria
brigas de amor – angela maria
ser só – dalva andrade
carinho perdido – isaura garcia
a noite do meu bem – ribamar
canção de amor – alberto mota
mente – pocho
meiga presença – moacyr silva

Jair Amorin – Tudo De Mim – Poemas E Canções (1963)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Está ficando cada vez mais difícil, para mim, encontrar tempo para me dedicar ao blog. Além de uma hora ou duas digitalizando discos, preciso de pelo menos mais uns 15 minutos para finalizar e publicar a postagem. Parece fácil, mas tem dia que o bicho pega por aqui. Daí, nem sempre as postagens saem como eu queria.. Enfim, são os altos e baixos de qualquer atividade, vocês entendem, não é mesmo? 🙂
Vamos hoje com as composições de Jair Amorim, interpretadas por dez grandes cantores do ‘cast’ da gravadora Copacapaba no início dos anos 60. Segundo contam, este álbum foi uma homenagem da gravadora ao compositor. Lançado em 1963, “Tudo de mim” reúne doze composições de sucesso de Jair e seu mais frequente parceiro, Evaldo Gouveia. Cabem também no lp três faixas de sucesso: “Se eu pudesse”, parceria com José Maria de Abreu e interpretada por Elizete Cardoso; “Conceição”, parceria com Dunga, grande sucesso de Cauby Peixoto, aqui na voz de Dolores Duran e “Quando o amor chegar”, feita por ele e Altamiro Carrilho, interpretada pela cantora Silvana. De quebra ainda temos “Noturno de Ouro Preto”, cantada por Agnaldo Rayol, letra e  música de Jair.
Este álbum foi relançado no início dos anos 80 pelo selo Beverly. Acredito que a capa seja a mesma do lançamento original. A contracapa é exemplar, vem com uma ficha técnica bem completa. Se todos os discos fossem assim, que maravilha postar!

serenata da chuva – roberto silva
cantiga de quem está só – marisa
ninguém chora por mim – moacir franco
ave maria dos namorados – eleonora diva
noturno de ouro preto – agnaldo rayol
maldito – morgana
tudo de mim – moacir franco
se eu pudesse – elizete cardoso
e a vida continua – agnaldo rayol
concieção – dolores duran
alguém me disse – maria silva
quando o amor chegar – silvana

Coletânea Do Lindenor – Hipopótamo Zeno (2007)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos. Infelizmente, para alguns ocultos (metidos a cultos), o dia vai ser babando e roncando na cama (e sozinho), recompensando a noite amarga que passaram como raposas desprezando as uvas. É foda, a inveja é mesmo uma merda! Por certo, não há desculpas para erros, pelo menos para aqueles que conseguem ver uma espinha no rosto na Gisele Bundchen. Depois que inventaram um corretor automático de textos, tem nêgo aí se achando… Eu, não tenho nem como negar, sou um analfabeto buscando aprender a escrever. Mas nessa ‘escolinha’, que mais parece a do professor Raimundo Canabrava (digo, Canavieira), o que tem de aluno ‘colando’ os meus exercícios, não é pouco. Outros, invejando o meu progresso, vão jogando pedras. Mas fazem isso de maneira covarde, ocultos em seus anonimatos. Fazem críticas dessa natureza porque não sabem nada além da espinha na Gisele Bundchen. Mesmo sendo ‘crititica’, não deixam de estar me prestando um favor. Vão aí apontando os meus erros, que eu de cá irei corrigindo. No final, quem fica mesmo ‘bem na fita’ sou eu 😉
Mas, mudando de pau para cacete (ou vice versa), eu quero mesmo é chocolate! Levanto, sacudo a poeira e dou a volta por cima…
Hoje, nosso encontro é com as coletâneas e convidados. Como eu já havia informado anteriormente, os sábados por aqui (até segunda ordem) passaram a ser dedicados às coletâneas, minhas e dos meus convidados. Estou, aos poucos, convidando os parceiros de blogs musicais para nos brindarem com suas seleções. Acho essa ideia bem legal, pois abre um diálogo maior com os colegas, uma forma de interação do grupo e compartilhamento das nossas afinidades. Se você, amigo blogueiro, ainda não recebeu o meu convite, aguarde… eu chego já 😉
Estou trazendo para vocês uma seleção musical feita pelo amigo DJ Mandacarú, do site Hipopótamo Zeno. Ao convidá-lo, por sorte, de imediato ele já tinha uma coletânea prontinha, que fez em homenagem ao seu   falecido pai. Ele até já a havia postado no HZ e fez muito sucesso. Pelas circunstâncias e mais ainda pelo repertório, bem ao gosto do Toque Musical, eu não tive a menor dúvida. Tomei a liberdade de criar essa capinha, usando o nome do Seu Lindenor. É esta mesma a postagem do dia. Reproduzo a baixo a lista das músicas relacionadas conforme a maneira bem original feita pelo nosso amigo. 
1 – Coqueiro Velho, mega sucesso de Orlando Silva em 1940.
2 – Camisola do Dia, ouvida em primeira mão uns seis meses antes de ser gravada, com o próprio Nelson Gonçalves no Clube Recreativo Iguatuense.
3 – Aqueles Olhos Verdes, boleraço com o Trio Irakitan.
4 – You’ll Never Know, com o invejadíssimo Dick Haymes – pela voz e por ter sido marido da Rita Hayworth.
5 – September Song e 6 – Days of Wine and Roses, com o preferido acima de todos Frank Sinatra.
7 – Basin Street Blues, com a preferida acima de todas Ella Fitzgerald.
8 – Canção da Mulher Amada, do único disco do rádio-ator Roberto Faissal, acompanhado pelo Evaldo Gouveia.
9 – Eu e o Rio, com o Miltinho acompanhado apenas pelo violão do Baden Powell.
10 – Canção de Amor, da paixão da vida toda, Elizeth Cardoso.
11 – Go Down Moses, com o Louis Armstrong largando o hot jazz e caindo de cabeça em hinos religiosos.
12 – Devagar Com a Louça, com Os Cariocas, dando roupa nova aos sambas da antiga.
13 – Desafinado, com o Tamba Trio entortando mais ainda a bossa nova.
14 – Saudade do Brazil, pela beleza atemporal da música de Tom Jobim.


Elizeth No Bola Preta Com A Banda Do Sodré (1970)

Olá amigos cultos e ocultos! Desculpem a pressa, mas o meu bloco está passando e eu não posso parar. Rapidinho, segue aqui o disco do dia. Para manter o clima de carnaval, vamos com Elizete (ou Elizeth?) Cardoso fazendo a festa no Bola Preta, acompanhada da Banda do Sodré. Um disco gravado ao vivo, sem pausas, feito mais para se sentir o clima, em um dos mais tradicionais espaços do carnaval carioca. Taí… “quem não chora não mama, segura meu bem a chupeta, lugar quente é na cama ou então no Bola Preta”. Um bom carnaval a todos! Fui…

Elizete Cardoso – Canção Do Amor Demais (1958)

Outra vez… estou me servindo do que ficou na ‘gaveta’, pois pelo jeito, a minha semana vai ser corrida. Para não comprometer nosso encontro diário, terei que lançar mão daquilo que tenho pronto e que só não havia sido publicado por já ter sido bastante explorado em outros blogs. Todavia, em se tratando de Elizete Cardoso e mais exatamente deste álbum “Canção do Amor Demais”, não há porquê eu me desculpar. Este disco é um clássico, um marco da música popular brasileira, uma jóia que não tem tempo incerto. Foi lançado em 58, através do selo Festa de Irineu Garcia, antecipando ou anunciando o que viríamos a conhecer como Bossa Nova. Um álbum que na época de seu lançamento não chegou a chamar muita atenção devido a pouca popularidade de seus autores, Vinicius de Moraes e Antonio Carlos Jobim. Somente Elizete, a intérprete, era o nome de peso, uma artista já consagrada. O disco trazia uma outra sonoridade e em duas de suas faixas, “Chega de Saudade” e “Outra Vez’, haviam um ‘quê’ de diferente, a batida do violão de João Gilberto, coisa que até então não se ouvia antes (em termos…). A medida em que a Bossa Nova veio nascendo é que “Canção do Amor Demais” foi adquirindo seu real valor e se tornando um clássico e um marco da nossa música. É um disco que, para o Toque Musical, é bem mais que uma simples postagem de gaveta. É uma necessidade e uma grande honra poder dizer que aqui também tem… E chega de saudade!

chega de saudade
serenata do adeus
as praias desertas
caminho de pedra
luciana
janelas abertas
eu não existo sem você
outra vez
medo de amar
estrada branca
vida bela
modinha
canção do amor demais

Elizete Cardoso – A Meiga Elizete N.4 (1963)

Para alegrar um pouco o nosso dia, hoje iremos de Elizete (ou Elizeth) Cardoso. Uma grande cantora que dispensa comentários (meus, claro! vocês, por favor…). Elizeth é uma das minhas divas favoritas e sempre terá lugar garantido no Toque Musical.
Este disco eu estou postando porque ainda não o vi em outros blogs. Lançado em 1963 pela Copacabana, ele é mais um ótimo álbum da série que se iniciou em 1960. Uma coleção, como escreveu Everardo Guilhon, de cartas de amor, que não envelhecem e ficam eternas. Para não variar este é também mais um álbum produzido e com participação do lendário saxofonista Moacyr Silva. Temos aqui um repertório bacana de compositores como Ribamar, Fernando Lôbo, Billy Blanco, Evaldo Gouveia, Jair Amorim e muito mais… Quem não conhece o disco é bom conferir 😉

seu josé
festa de nós dois
quero ficar só
quado vier o sol
canção de nossa tristeza
desilusão
balada da solidão
nosso cantinho
existe alguém
lado bom de um mal
dei-te tudo, amor
não pense em mim

Elizeth Cardoso – Preciso Aprender A Ser Só (1972)

Com este álbum duplo da grande Elizeth Cardoso, eu dou por encerrada a semana dedicada às cantoras. Não tenho dúvida de que uma semana foi um período muito curto para listarmos o imenso número de ótimas intérpretes que temos por aqui. Mas vamos dar uma pausa, trazer outros artistas e outras propostas musicais. Fecho então a semana com uma da minhas prediletas, Elizeth, num álbum que merece… Este lp, um álbum duplo luxuoso com capa de Augusto Rodrigues – coisa rara na MPB mesmo para uma grande artista como Elizeth – foi produzido por Erlon Chaves e Moacyr Silva. Entre tantas, o disco traz a participação especial de Sérgio Bittencourt na faixa “Naquela mesa”, de sua autoria, cantada em dupla com Elizeth. Confiram mais essa jóia…

elizeth
meiga presença
o pranto deste mundo
preciso aprender a ser só
catimbó
abc da vida
olha quem chega
um pequeno nada
naquela mesa
partido baixo do partido alto
prá enganar solidão
herança
a volta
o amor acontece
preciso aprender a ser só
velho amor
samba da cabrocha bamba
primavera (we could be flying)
amor de carnaval
a agua e a pedra
nova raiz
vou por aí
última forma
preciso aprender a ser só

Elizeth Cardoso & Zimbo Trio – De Manhã (1975)

Escolhi este disco com o maior cuidado, esperando estar trazendo alguma velha novidade… qual nada! Só agora me dei conta de que o mesmo já havia sido postado no Loronix. Tenho que ficar atento a isso para não cair na repetição e nem parecer que ando puxando algumas de suas postagens. Coincidentemente temos algumas coisas em comum. Mas procurarei evitar novo ‘remaker’. Hoje, inevitavelmente, irei então reforçar e reafirmar as qualidades deste álbum.
Este lp foi gravado ao vivo na boate Sucata em 1969, em show dirigido por Hermínio Bello de Carvalho num período em que Elizeth e o Trio estiveram juntos participando de diversas turnês pelo Brasil e países da America Latina.
Se você foi desatendo como eu e só agora se tocou da presença deste disco, aproveita então para conferir aqui, com a mesma qualidade e atenção que você encontra por lá…
de manhã
exaltação à bahia
ilusão atoa
travessia
eu disse adeus
zazueira
o conde
de onde vens
casa forte
faixa de cetim
morro
sei lá mangueira

Elizete Cardoso – Cançôes Á Meia Luz (1955)

Eu estava pronto, quase saíndo para uma festa quando me lembrei do blog. Antes que eu não chegue a tempo ou em condições para esta postagem da dia, vamos a ela rapidinho.
Aos apreciadores da grande Elizeth Cardoso como eu, trago nesta noite um álbum de 1955, com poucas e boas. São oito faixas românticas, num repertório que entre outros tem composições de Dorival Caymmi, Antonio Maria e Radamés Gnattali… Divirtam-se daí que eu irei me divertir do lado de cá. Boa festa para mim! Tchau!

canção da volta
nunca mais
memórias
só você… mais nada
linda flor
se o tempo entendesse
caminha
pra que me iludir

Elizeth Cardoso – Naturalmente (1958)

Na dúvida, realmente, o melhor é manter o charme. E que charme é poder ouvir a Elizeth Cardoso! Acho que todos os discos dela já foram postados pelos amantes da boa música. Eu, mais uma vez, volto com essa magnífica cantora, trazendo um disco de 1958. Este álbum tem uma outra (e original) capa, que infelizmente eu não consegui. Mas o mais importante tá aqui nesse toque, confira…

É luxo só
Suas mãos
Olhe-me, diga-me
Praça Sete
Onde estará meu amor?
Sozinha
Na cadência do samba
Jogada pelo mundo
Você voltou
Pedestal
Fui procurar distração
E nada mais