Festival Villa-Lobos – II Concurso Internacional De Violão (1980)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Mantendo a nossa velha e boa tradição, aqui vai mais uma raridade para o deleite de todos, ou, em especial, os amantes do violão. Por aqui sempre aparece algum violonista pedindo discos onde o violão é o instrumento de destaque. Então, aqui temos mais um, disco não-comercial, o que, por certo o faz ser quase um inédito. Sai dos limitados para a vitrine do nosso Toque Musical. Como podemos ver, trata-se do Festival Villa-Lobos, de 1980, onde aconteceu o II Concurso Internacional de Violão. A música brasileira, de grandes mestres desse instrumento, na interpretação de vários instrumentistas, nacionais e internacionais. Na contracapa vocês encontrarão mais informações sobre este disco, que realmente é uma joia. Confiram no GTM…

francisco mignone – estudo nº 8 – eduardo castañera

francisco mignone – estudos nº 6 e 12 – mara portela

edino krieger – ritmata – jungen shollman

marlos nobre – momentos nº 1 – marcelo jehá kayath

marlos nobre – homenagem a villa-lobos – rodolfo m. lahoz

guerra peixe – prelúdios nº 4 e 5 – roland dyens

nestor de hollanda cavalcanti – suite quadrada – roland dyens

aldo taranto – modulando – istván adrovicz

pedro cameron – repentes – istván adrovicz

arthur bosmans – brasileiras: modinha – willem brioen

marcelo de camargo fernandes – sonatinha – eduardo elias isaac

heitor villa-lobos – valsa choro – roland dyens

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2º Festival MPB Carrefour (1992)

Amigos cultos e ocultos, como vão, tudo bem? Olha aí o que temos para hoje… Um disco de festival. Faz tempo que não postamos nada por aqui. Desta vez temos a segunda edição do Festival de MPB Carrefour. Este festival aconteceu em 1992 promovido pelo grupo multinacional Carrefour, tendo como organizador e diretor artístico, o jornalista Zuza Homem de Mello. O Festival selecionou 84 concorrentes, teve uma fase semi-final em várias cidades do país, sendo que a final aconteceu no Rio de Janeiro. Este lp é o resultado, traz as dez músicas que foram as finalíssimas. Por certo já não se fazem músicas para festivais como antigamente, ou por outra, as músicas já não encantam como as de antigamente. Porque será? Claro que não me refiro especificamente a este disco, aqui tem até umas músicas bacanas e vocês poderão conferir no Grupo do Toque Musical. 

bombonière – josias damasceno e júlio cesar moschen
a meia luz – jorge vercillo e altay veloso
espinha dorsal do mim – chico cesar
o vento – dedé mendoça
portal – jerônimo jardim
sonhando com a felicidade – jocelino peres
dor de calundu – luiz dillah
meias partes – irinéia maria e sueli correa
reviravolta – juraides da cruz
senhores condôminos – paulo de castro
 
 
 
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Alcides Neves – Des-trambelhar Ou Não (1983)

Boa noite, caros amigos cultos e ocultos! No ritmo do imprevisível dessa nossa salada mista musical, temos aqui um disco, no mínimo curioso do artista cearense, radicado em São Paulo, Alcides Neves. “Des-trambelhar ou não” foi seu segundo disco, lançado de forma independente, em 1983. Antes deste ele havia gravado outro, o “Tempo de fratura”, de 79, um disco tão anti-comercial quanto o que temos aqui. Aliás, o trabalho musical de Alcides Neves parece refletir um pouco da sua realidade como psiquiatra. Sua música é um trabalho muito pessoal, de difícil digestão para o consumidor comum de musica popular. Quebra com conceitos e desafia o senso comum. É talvez o discurso do louco que ele conhece tão bem. Me lembrou um Damião Experiença num delírio controlado, ou também outro mais recente, Rogério Skylab. Tudo isso temperado com alguma essência nordestina.
Alcides não faz disco para vender e talvez por isso mesmo seja pouco conhecido. Seus lps, hoje fazem parte daquelas raridades que passaram a ser vendidas a preço de ouro no Mercado Livre e Discogs. Seu trabalho musical permeia o experimentalismo, um trabalho de vanguarda talvez, embora ele mesmo não goste de assumir esse termo para definir sua música. Segundo o artista esses dois discos e mais um terceiro que eu nunca vi, “Dr. Louk’Américas”, formam uma trilogia.
Infelizmente, não há muito o que se encontrar sobre este artista, as referencias são poucas e se repetem. Mas para quem não conhece, vale a pena buscá-lo no GTM.

recuerdos ‘tempo de fratura’
tetéu
abutre-abate-amorfo (de como compositores da mpb perderam seu cavalo-estético e continuaram a culpar a censura)
alegres stravinsky
de ‘tempo de fratura’ a ‘destrambelhar ou não
cidade-país-cidade
estrutura jazz (morta)
descampado
re(ligare)
maracatu martelado



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Pegando Fogo – Sambas & Pagodes (198…)

Boas noites, amiguíssimos cultos e ocultos! Meio que no acaso fui buscar este disco entre tantos que aguardam pela triagem. Achei interessante a capa e mais ainda o conteúdo, o que se confirmou quando coloquei o escurinho para rodar. Caramba, que disco bom! Um grupo de sambistas, por certo cariocas, se alternando em doze faixas, com arranjos do maestro Agostinho Silva, da Orquestra Commander. Como podemos ver logo pela capa, temos Léo Costa, Paulo Oliveira, Tito Reis, Carlinhos do Império, Lays de Oliveira e Samuel Coragem, nossos artistas intérpretes numa seleção de sambas ‘de primeira’. Infelizmente, não há informações sobre a data de lançamento. Mas com certeza deve ser do início dos anos 80, ou mantes.. não importa… o que importa está no GTM, confiram…

pegando fogo – léo costa
que sorriso – paulo oliveira
senti firmeza – léo costa
não diga nada – tito reis
vou esperar – lays de oliveira
cadê o verde – samuel coragem
o pássaro – carlinhos do império
mulher perere – carlinhos do império
vida de cachorro – léo costa
a dúvida – paulo oliveira
realista – tito reis
ao meu lado – lays de oliveira

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Laercio de Freitas – Terna Saudade (1988)

Pianista, tecladista, maestro, compositor e ator. Assim é Laércio de Freitas, que o Toque Musical põe em foco no dia de hoje. Laércio nasceu em Campinas, interior de São Paulo, em 20 de junho de 1941. Estudou piano no Conservatório Carlos Gomes, graduando-se em 1957. A partir de 1966, deu início a sua carreira internacional, apresentando-se na Europa, Ásia e México. No final dos anos 1960, substituiu Luiz Eça no grupo Tamba 4, oriundo do Tamba Trio. Em 1971, regressando ao Brasil, fez parte do grupo de Luiz Carlos Vinhas, gravando em compacto simples da Tapecar as músicas “Capim gordura”, do próprio Laércio, e “Chovendo na roseira”, de Tom Jobim. “Capim gordura” estourou nas paradas de sucesso da época e seria regravada por Laércio um ano mais tarde, em seu primeiro LP como solista, “Laércio de Freitas e o som roceiro”. Laércio acompanhou artistas como Maria Bethânia, Ângela Maria, Marcos Valle, Wilson Simonal, Nancy Wilson, The Supremes, Quarteto em Cy, Martinho da Vila, Ivan Lins, César Costa Filho, Emílio Santiago e muitos outros. Integrou a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, e do sexteto de Radamés Gnattali. Em 1980, lançou pela Eldorado o álbum “São Paulo no balanço do choro”, totalmente autoral, e participou de alguns discos da série “Um piano ao cair da tarde”, da mesma gravadora. Dois anos mais tarde, passou a se dedicar cada vez mais à orquestração e à regência, além de elaborar arranjos para o pianista Arthur Moreira Lima. Na televisão, participou de programas como “Um toque de classe”, da extinta Rede Manchete, “Alegria do choro” e “Café Concerto”, ambos na TV Cultura de São Paulo. Na Rede Globo, foi ator nas novelas “Mulheres apaixonadas” e “Viver a vida”. No cinema, ganhou o Kikito de Ouro, prêmio do Festival de Gramado, em 1999, pela trilha sonora do filme “Amassa que elas gostam”, de Fernando Coster, e ainda participou de outros dois filmes como ator: “Jardim Beleléu” (2009) e “Chibata” (2015), neste último fazendo o papel  de João Cândido, o líder dos marinheiros em 1910 depondo para a posteridade em 1968. Enfim, um artista completo, também pai da atriz e cantora Thalma de Freitas. Em “Terna saudade”, álbum de 1988 que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, Laércio de Freitas interpreta, em solo de piano, onze clássicos de nosso cancioneiro, como a faixa-título, “Lábios que beijei”, “Maringá”, “Carinhoso” e “Casinha pequenina”. Como escreve Nina Rosa na contracapa, Laércio tem um modo jeitoso e peculiar de tocar seu instrumento, como os pianeiros do cinema mudo, também revivendo os saraus de antigamente. Enfim, é um disco que faz a gente voltar no tempo, mais uma produção digna de nosso Toque Musical. Não deixem de conferir no GTM.

flor amorosa
subindo ao céu
casinha pequenina
chuá chuá
jovial
lua branca
carinhoso
maringá
talento e formosura
terna saudade
lábios que beijei
 
 

*Texto de Samuel Machado Filho 

Ponta De Rama (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Vez por outra, recebo mensagens por e-mail de pessoas falando sobre o nosso Toque Musical. Recentemente alguém escreveu: “gosto do TM por conta da variedade, de coisas tão diversas, das coisas que descubro nele. Nunca pensei que a música no Brasil tivesse tantas variantes. O Toque Musical é sempre uma caixinha de surpresas.” Esse definiu bem nossa proposta. É mais ou menos por aí…
E hoje o que temos é o grupo paulista Ponta de Rama em seu primeiro e único disco, lançado de forma independente, em 1980. Descobri este grupo/disco há pouco mais de um ano. Agradei logo de cara, pela capa. Uma capa muitas vezes já define tudo e nesse caso não foi diferente. Incrível como um disco como este não ganhou repercussão, ficou esquecido, restrito ao público orbital. E curiosamente, desde então, nunca foi redescoberto por esses ‘entendidos em discos’. Por sorte, ainda hoje é possível encontrar exemplares sendo vendidos a preço de banana no Mercado Livre e Discogs. Por garantia, comprei logo uns três, pois certamente, depois dessa postagem a galera vai começar a inflacionar e o Ponta de Rama vai virar raridade. E sinceramente, acho que merece, pois é um disco único de um grupo que não existe mais, independente e um trabalho de qualidade acima da média. Por certo é também de edição limitada. Ao que parece, chegou a ser relançado em formato cd, no início dos anos 2000.
Achar informações sobre este grupo não é fácil. Aliás, sobre o grupo não há nada, além de algumas músicas postadas no Youtube de forma aleatória. O pouco que sei é que era formado por estudantes da USP (Alex Antonelli, Chico Ribas, Flávio Pacheco de Castro, Jorge Cordeiro, Klecius Albuquerque, Luiz Milan, Oscar Torales e Paulo Bafile), hoje em dia acadêmicos, profissionais liberais. Alguns até seguiram na música ou tem ela como atividade paralela, como é o caso do Klecius Albuquerque e o Luiz Milan. A música do Ponta de Rama tem as qualidades que condizem ao seu elenco, música boa sim e acima da média. Há neste trabalho pitadas de rock rural, folk, samba… mas essencialmente é um belo disco de música popular brasileira. Vale a pena conhecer.

igrejas
luiza luiza
viva a vida
indigesto
precisavas
carta pra ontem
corta essa
amigo hermano
thais
o rio é uma rua
bossa sul realista

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Canto & Dança Do Povo De Uberaba (1984)

Boa noite a todos, amigos cultos e ocultos! Aqui temos para hoje um disco de caráter folclórico e dos  mais interessantes. Trata-se, como se pode ver nas ilustrações da capa, de um lp que reúne quatro diferentes manifestações populares de música e dança da região do Triangulo Mineiro, ou mais especificamente da cidade de Uberaba, Minas Gerais. Lançado em 1984 pela Fundação Cultural de Uberaba, temos aqui um disco de Catira, Congado, Moçambique N. S. do Rosário e Folia de Reis. Um registro valioso e importante da nossa cultura que vale a pena ter e conhecer. Confiram no GTM…

congado – minas brasil
folia de reis – paulo curi
folia de são sebastião – sebastião mapuaba
moçambique – nossa senhora do rosário
catira dos borges – moda e recortado
catira dos borges – recortado
 


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Juarez Moreira – Bom Dia (1989)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! E para ser mesmo um ‘bom dia’, só mesmo com este maravilhoso disco de um dos grandes mestres das cordas, o mineiro de Guanhães, Juarez Moreira. Temos aqui o primeiro disco solo deste compositor, violonista, guitarrista, produtor e arranjador, o álbum “Bom dia”, lançado de forma independente em 1989. Um disco onde ele conta com a participação de outros feras como Toninho Horta, Zeca Assumpção, Paulo Moura, Nenen e André Dequech. Por aí já dá para se ter uma ideia do nível da ‘coisa’. Depois deste lp, relançado em 97 em cd, Juarez já gravou mais uma dezena de discos e cada vez mais respeitado como um dos nossos grandes talentos nacionais. Vale a pena a conferida…

bom dia
depois do amor
samba pra toninho
pas de deux
baião barroco
chora jazz
valsa pra maria
diamantina
chaplin
 
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Aline c/ Toninho Horta Beto Lopes Helvius Vilela Bernard Aygaoux – Mares De Minas (1988)

Boa tarde, companheiros e amigos cultos e ocultos! Cá estamos novamente, sempre com alguns atrasos, mas sempre procurando não pular dias.
Hoje temos um disco da cantora e compositora mineira, Aline, de Montes Claros. Há algum tempo atrás nós chegamos a postar o primeiro disco dela lançado também de forma independente em 1979. Agora trazemos um outro trabalho dela, na verdade o seu terceiro disco, lançado em 1988 de forma independente. “Mares de Minas” é um disco que reúne gravações de 1985 a 87. Como se pode ver logo pela capa, Aline vem muito bem acompanhada por Toninho Horta no violão e guitarra, Bernard Aygadoux nos teclados, Helvius Vilela no piano e Beto Lopes no violão. A produção ficou por conta de Adriano Martins. No repertório há um certo regionalismo, mas no conjunto da obra o que temos um trabalho sensível e de muita qualidade. Não deixem de conferir no GTM

mar de espanha
oi no colo dele
papel maché
dois mil e indio
primeiras bicicletas
vida consagrada
infância
noite no sertão
era só começo o nosso fim
o bardo
yo digo que las estrellas
na rama da alegria
amo-te muito



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Darcy De Paulo – Na Memória (1985)

Bom dia, caríssimos amigos cultos e ocultos! Uma das coisas boas nesse nosso Toque Musical é a variedade e diversidade e porque não dizer a surpresa. Pois aqui temos um pouco de tudo e se as vezes seguimos postagens por tema, outras, somos um verdadeiro ‘samba do crioulo doido’. Nesses dias estou surtado e sortido, nunca se sabe o que vem por aí. E se ontem foi estorinhas infantis, hoje vamos de música instrumental.
Trago hoje para vocês o músico e tecladista Darcy de Paulo em seu único disco, “Na memória”, gravado em 1983 e lançado, segundo o Dicionário Cravo Albin em 1985. Este disco foi lançado pelo selo PPA e deu ao seu autor o premio de melhor disco instrumental independente pela Associação dos Produtores Independentes de Discos e Fitas. Sem dúvida, este trabalho é realmente muito bom e Darcy conta com a participação de um time bacana como o trombonista Sylvio Barbosa e o grupo vocal Arcos Íris, além de outros grande músicos, como consta na ficha da contracapa.
Darcy de Paulo, infelizmente veio a falecer em 2000 vítima de um tumor, como apenas 47 anos. Sua trajetória começa no início doa anos 70 onde participou do MAU (Movimento Artístico Universitário), no qual estiveram presentes dezenas de outros artistas da música popular. Seu momento mais ativo foi nos anos 80 onde produziu o seu disco e também compôs várias músicas e em parcerias.
Confesso que não entendi bem o ‘layout’ dessa capa. Considerando que este lp foi lançado em 85 e Darcy veio a falecer em 2000, chego a pensar que se trata de uma premonição, um presságio. A capa mais parece antigos cartões de falecimento, as cores, a margem preta e para completar o título do disco. “Na memória”. Chego quase a acreditar que se trata na verdade de um disco póstumo. Ou não?

ano novo
vai trabalhar
estudo chorado
bahia
uma balada
relembrando
chor pra elenice
na memória
olhando pra cima
afeto
um tema em cinco por quatro

Harry Crowl – Concerto Para Violino, 12 Instrumentistas E Soprano (1991)

Bom dia, meus amigos cultos e ocultos! Começando bem a semana, com pensamento positivo e mantendo o máximo de cuidado nessa pandemia. E enquanto ela não passa, vamos passar o nosso tempo fazendo coisas boas como ouvir e descobrir músicas e esse vasto campo fonomusical que um dia existiu.
Hoje vamos de música erudita. Mais um daqueles discos que vocês só irão encontrar por aqui: “Concerto para violino, 12 instrumentistas e soprano Memento Mori”, de Harry Crowl. Este é mais um lp de produção independente, lançado no início dos anos 90. Trata-se, como o texto de contracapa já define muito bem, de um concerto para violino, 12 instrumentistas e soprano, concebido como um concerto de câmara onde o solista dialoga ora com o soprano, ora com o concertino, na concepção do concerto grosso barroco, que é constituída de flauta, violão, violoncelo, cravo e piano. São seis seções tocadas sem pausa de faixa. O disco foi todo gravado ao vivo e em diferentes momentos, no Rio de Janeiro.
Achei interessante postar este disco pois ele cairia, para mim, como uma perfeita trilha sonora para um filme sobre essa quarentena infinita.
Sobre Harry Crowl, ele mineiro, de Belo Horizonte, é professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Segundo fontes, desenvolveu um estilo muito pessoal de composição com obras concebidas com  um painel musical em que a maior parte das ideias nunca é repetida. Dentre suas obras destacam-se  os Concertos para oboé e cordas e concerto para piano e orquestra. Um trabalho bem bacana que merece atenção.

concerto para violino, 12 instrumentistas e soprano
introdução com cadência
ária (in memoriam carlos drummond de andrade)
solo soprano
antífonas
tempo de minueto
cadência II
conclusão
memento mori
introdução
recitativo a 3
ária a 5
recitativo
ária a duo
recitativo
a due cori
postludium

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Helvius Vilela – Planalto Dos Cristais (1983)

Boa noite meus queridos amigos cultos e ocultos! Quero agradecer as dezenas, talvez porque não dizer, centena de mensagens e e-mails recebidos por conta dos 13 anos do nosso Toque Musical. Valeu demais, meus caros! Agradeço a todos, em especial aqueles que sempre colaboraram de uma forma ou de outra para que nosso projeto se mantivesse vivo até hoje. Valeu e continua valendo! 🙂
Abrindo mais ano temos, para começar, um disco nota dez. Nada como um trabalho autoral onde o artista atua em todas as frentes desde a concepção, interpretação e produção. E nesse caso não se trata de qualquer um não. Estamos falando aqui de um dos grandes músicos mineiros, o pianista, compositor e produtor Helvius Vilela, figura importante na história da música mineira e que alcançou projeção nacional graças ao seu talento. Tocou com grandes nomes da música popular brasileira. Nos anos 60 fez parte do Tempo Trio, grupo de bossa cujo disco hoje é uma raridade. Nos anos 60 ele esteve na bossa, nos 70 nos discos de muita gente da mpb em geral e nos anos 80 passa a se dedicar a música instrumental. “Planalto dos Cristais” foi seu único disco solo, realizado em 1983 numa produção independente. Acompanhado por um time de músicos também de primeiríssima ele nos apresenta um trabalho instrumental, influencias jazzísticas, eruditas e populares. Um disco muito agradável e com o inconfundível sabor mineiro. Não deixem de conferir…

soledade
fruto generoso
o coronel e o lobisomem
rua java
nove de fevereiro
planalto dos cristais
diminuto
choro
companheira


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Assis Cabral – No Samba (1980)

Boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Nadando na onda dos discos compactos, os de 7 polegadas, temos hoje mais um disquinho bacana. Quem não conhece e vê apenas pela capa há de pensar que este é mais um capricho de algum artista amador, uma produção independente sem  grandes atrativos. Mas é aí que mora o engano. Nunca devemos julgar só pela aparência, ou no caso pela capa (que por sinal eu achei bem apropriada). Nosso artista é Assis Cabral, cantor e compositor que eu também, ainda há pouco não conhecia. Fui checar no Google, mas sobre ele quase nada se pode saber além de que já havia gravado outros discos, sempre na linha do samba, forró e frevo. Não deu para certificar, mas o cabra parece ser pernambucano. Digo isso porque seus discos foram gravados de maneira independente no estúdio da gravadora pernambucana Rozenblit. Achei também uns vídeos dele no Youtube e pelo jeitão ele deve ser mesmo um nordestino da gema.
Neste compacto duplo temos dele quatro músicas, sendo que de samba mesmo são só as duas da face B e por sinal dois sambas arretados que bem nos lembra os sambas dos anos 50 e 60, tipo samba de gafieira, muito legal. Na face A, para não variar, é só forró. Quer conhecer, chega junto… Confira no GTM…

garoto do sertão
pode balançar
fiquei na mão
não sofro mais

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Grupo Pausa – Cantiga De Um Caboclo Acabrunhado (1986)

Caros amigos cultos e ocultos, boa noite! Eis que hoje temos aqui um disco com o Grupo Pausa, vencedor do Festival Itabirano da Canção. Um evento que aconteceu ao longo de três dias de julho de 1986 na cidade de Itabira, Minas Gerais. Neste festival o Grupo Pausa levou o primeiro lugar com a música “Cantiga de um caboclo acabrunhado”. Como parte da premiação ganhou a chance de gravar este disco, o qual embora seja um vinil de 12 polegadas, tem apenas duas canções. (Nos anos 80 o compacto foi gradativamente dando lugar o disco no formato lp, foi quando apareceram os discos mix, EPs)…

cantiga de um caboclo acabrunhado
boi balaio


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Júlio E Zéfeliciano (1987)

Olá, meus amiguinhos cultos e ocultos, boa noite! Aqui voltamos a normalidade de nossas postagens, trazendo a cada dia uma novidade. Outros sertanejos em breve voltarão, não se preocupem…
Hoje eu tenho para vocês um lp independente, produção mineira lançada nos anos 80. Temos aqui a dupla Júlio e Zéfeliciano, mineiros de Teófilo Otoni. Lançaram em 1987 este lp de forma independente. O disco chegou até a ser tocado em algumas rádios de Belo Horizonte. Depois eles sumiram, parece não terem dado continuidade ao trabalho em dupla. Nos anos 2000 eles voltaram a gravar, lançando um cd. Contudo, hoje em dia, não sei se ainda estão na ativa. Mesmo assim, não vamos deixar de prestigiar aqui este trabalho autoral que é bem bacana. Confiram no GTM…

vice-versa
asa delta
coisa maluca
criaturas abissais
ponte de arco-íris
iluminação
pena natureza
sócio beócio capadócio
terceiro mundo
filho da terra
 

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4º Encontro De Corais Mineiros (1986)

Boa noite prezados amigos cultos e ocultos! Eis que em meio, ou já nos ‘finalmentes’ apareceu mais um disco da série de Encontro de Corais Mineiros. Aqui temos o quarto volume, lançado em 1986. Conforme nos fala o texto de contracapa, “o quarto álbum da série documenta a atuação dos grupos participantes do 4. Encontro Mineiro de Corais, realizado em setembro/outubro de 1985. Esse evento envolveu apresentações, oficinas e laboratórios onde participaram centenas coralistas e regentes. E como não poderia deixar de ser, produziram também o lp, este também um álbum duplo com os vários corais de Minas Gerais. O repertório, como podemos ver, traz como destaque o canto coral do Barroco Mineiro, mas também cabe a música popular em seus diversos clássicos. Um disco gravado ao vivo e bem bacana. Vale conferir…

te deum – coral vivace – belo horozinte
donine jesu – coral lorenzo fernandez – montes claros
hodie per totum mundum – coral waldemar baptista – sabará
popule meus – coral waldemar baptista – sabará
miserere – coral julia pardini – belo horizonte
pange lingua – coral pró-música – juiz de fora
vexila regis – coral pró-música – juiz de fora
popule meus – corpo coral da copasa – belo horizonte
stabat mater – coral  soremi – belo horizonte
pange lingua e tantum ergo – coral fafi-bh – belo horizonte
venite adoremus – madrigal schola cantorum – uberlandia
conceptionem – coral cantamor – juiz de fora
crux fidelis – coral instituto newton paiva – belo horizonte
bajulans – coral professor guilherme lage – belo horizonte
surrexit dominus – coral monlevade – joão monlevade
tantum ergo II – coral sociedade mineira dos engenheiros – belo horizonte
ó quam tristis – coral ars nova – belo horizonte
pé de vento – coral infantil waldemar baptista – sabará
gago apaixonado – coral vivace – belo horizonte
romaria – coral lorenzo fernandez – montes claros
verde mar coral waldemar baptista – sabará
arca de noé – coral julia pardini – belo horizonte
galo preto – coral pró musica – juiz de fora
três cantos nativos dos índios kraó – corpo coral da copasa – belo horizonte
cio da terra – coral soremi – belo horizonte
sertaneja – corpo coral fafi-bh – belo horizonte
caçador de mim – coral cantovivo – belo horizonte
as pastorinhas – madrigal schola cantorum – uberlandia
anima – coral cantamor – juiz de fora
nobreza – coral do instituto newton paiva – belo horizonte
canção da américa – coral monlevade – joão monlevade
ave maria – coral da sociedade mineira de engenheiros
jubiabá – coral ars nova – belo horizonte



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3º Encontro de Corais Mineiros (1984)

Bom dia meus amigos cultos e ocultos! Dando sequencia ao nosso encontro com os grupos corais, hoje eu tenho para vocês este disco, o “3. Encontro de Corais Mineiros”, um álbum duplo no qual iremos encontrar um variado leque musical. Trata-se, como se pode ver logo pelo título de um encontro, uma espécie de festival de corais no qual se apresentam vários grupos. O disco foi gravado ao vivo no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em um acontecimento promovido pela Federação Mineira de Canto Coral, que durou quase uma semana, de 14 a 17 de junho de 1984. Se apresentaram dezenas de grupos e dos mais variados estilos, um bom exemplo da diversidade e possibilidades do que chamamos canto coral no Estado de Minas Gerais. Como vemos também, este foi o terceiro encontro, o que nos leva a entender que já houve dois outros eventos em anos anteriores, mas infelizmente eu não achei os discos para que pudesse postá-los na ordem. Assim sendo, vamos apreciar o que temos, não é mesmo? Não deixem de conferir no GTM…

potpurri de sambas – coral dos pequenos cantores do colégio santo agostinho, de belo horizonte
bandinha – coral vivavoz, de contagem
itamarandiba – coral da face, de belo horizonte
hodie nobis caekorum rex – coral waldemar baptista, de sabará
minha namorada – coral do mai, de belo horizonte
acalanto – coral da a. e. copasa, de belo horizonte
valsinha – coral do gremig, de belo horizonte
pequena marcha – coral da puc-mg, de belo horizonte
luar do sertão – coral estrela de belém, de acesita
yemanjá – coral julia bardini, de belo horizonte
cantiga de viúvo – coral da feta, de alfenas
nos bailes da vida – grupo cantotivo da aef-mg, de belo horizonte
rock do cachorro – coral do instituto newton paiva, de belo horizonte
toada de gabinete e descontraído – coral prof. guilherme lage, de belo horizonte
fim do dia – coral da sociedade mineira de engenheiros, de belo horizonte
lua lua lua – coral do cepa, de pouso alegre
paz do meu amor – coral vozes de euterpe, de brasópolis
heus domine salvator noster – coral da ufv, de viçosa
boca de forno – coral lorenzo fernandes, de montes claros
mantiqueira – madrigal ad libitum, de juiz de fora
antiphona de nossa senhora – coral da ufop, de ouro preto
berimbau – coral da coagri, de são joão evangelista
asa branca – coral camargo guarnieri, de poços de caldas
suite dos pescadores – coral da fepi, de itajubá
receita para fazer um herói – coral da pró-música, de juiz de fora
trem de ferro – coral monlevade – de monlevade
amanhã é domingo – todos os corais reunidos

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Coral Santa Clara – Canta Serestas Vol. 4 (1986)

E aí, meus amigos cultos e ocultos… Como disse, aqui temos mais um disco do Coral Santa Clara, este, o volume 4, sem dada, mas certamente de 1986. Nesta volume já não contamos mais com a participação de Waldir Silva, mas o nível continua apuradíssimo e o coral vem acompanhado por músicos bambas, do Clube do Choro de Belo Horizonte. E mais uma vez temos um repertório seresteiro, sob o comando de Irmã Betânia. Confiram o disco, vocês vão gostar 🙂
 
sertaneja
gente humilde
rosa
as pastorinhas
gotas de lágrimas
cadeira vazia
malandrinha
guacira
as rosas não falam
a pequena cruz do teu rosário
 
 

Coral da UCMG (1975)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Fazendo jus ao nosso lema, “música para se ouvir com outros olhos”, vamos trazendo discos que só caberiam mesmo a esse sítio. Só mesmo no Toque Musical é possível encontrar o inimaginável. Então, vamos fazer valer esta semana.
Hoje temos aqui o Coral da Universidade Católica de Minas Gerais, sob a direção musical do Padre Nereu de Castro Teixeira. Este lp foi lançado em 1975 por ocasião de aniversário de 20 anos dessa universidade, criada em Belo Horizonte em 1955 e que a partir dos anos 80 passou a se chamar PUC – Pontifícia Universidade Católica. O repertório do Coral da UCMG é montado num leque variado que vai da seresta ao erudito, do popular à música sacra e por aí vai…. Muito bem gravado, por sinal. Vale a pena conferir…

noite alta céu risonho
opa opa
o inefável rosa
chi la gagliarda, donne vo’imparare
pavane
exodus
luciana
tutu marambaia
é tão tarde
fiz a cama na varanda

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Coral Santa Clara – Canta Serestas Vol 2 (1984)

Bom dia, minha gente, amigos cultos e ocultos! Hoje nosso encontro é com o Coral Santa Clara, um grupo vocal formado em Belo Horizonte por religiosos católicos, possivelmente nos anos 70. Achar informações sobre este coral não é nada fácil, pois para começar existem outros corais com o mesmo nome. O pouco que temos falar deste coral é o que podemos encontrar na contracapa deste disco que aqui apresentamos. O Coral Santa Clara, nos anos 80, se apresentava aos domingos no programa “A Santa Missa em Seu Lar” pela Rede Globo de BH. Tinha como regente a religiosa Irmã Betânia e um contingente de até vinte elementos, incluindo os músicos e no qual destacamos também a presença do cavaquinista Waldir Silva. O coral gravou inicialmente um compacto duplo com quatro músicas de serestas: “Linda flor”, de Cândido Costa e Henrique Vogeler; “Felicidade de caboclo”, de Pexincha e Gino Alves; “Tardes de Lindóia”, de Zequinha de Abreu e “Velho realejo”, de Sady Cabral e Custódio Mesquita. Essas mesmas músicas foram incluídas neste lp, lançado posteriormente em 1984. E como podemos ver trata-se de um repertório essencialmente  de serestas, como nos indica o título. Na sequencia de nossas postagens vou trazer também um outro volume que tenho aqui, pois o Coral Santa Clara chegou a gravar mais discos. Vamos conferir aqui e aguardar o próximo, ok?

carinhoso
bodas de prata
abismo de rosas
ave maria do morro
velho realejo
tardes de lindóia
felicidade de caboclo
linda flor
amor de mãe
minha terra
a deusa da minha rua


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Orquestra Brasileira De Câmara E Coro De Belo Horizonte – Concerto De Mariana (1984)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Enfim chegamos a mais um começo de mês e a programação por aqui não pára. Nesta semana vamos nos dedicar aos discos de corais, música de câmara e outros quitutes do gênero. Taí uma série que creio, nunca postamos por aqui. Ou já? São tantas emoções  que as vezes, só checando no index. Mas por certo, os discos que irei postando são novidades por aqui.
Começo então trazendo o ‘Concerto de Mariana’, um disco muito especial, pois celebra a restauração e o retorno do antigo órgão da Catedral de Mariana (MG). Obra prima do barroco alemão, esse órgão é um dos poucos que ainda existem no mundo. Foi construído por volta de 1700, possivelmente pelo mestre organeiro Arp Schnitger. Chegou ao Brasil e foi instalado na catedral em 1753. Acompanhou durante quase dois séculos a evolução da música sacra no Brasil. Ao logo do tempo ele foi se desgastando e acabou não tendo as devidas manutenções de preservação. Foi ouvido pela última vez em 8 de dezembro de 1937. Somente no final dos anos 70, através de financiamento de empresas alemãs aqui no Brasil que este órgão começou a ser restaurado. Sua máquina foi levada para a Alemanha onde foi totalmente reparada. 47 anos depois, no mesmo dia 8 de dezembro, no ano de 1984, o órgão voltaria a ser ouvido, dia glorioso da Conceição de Nossa Senhora. Nesta data memorável, o órgão de Mariana, foi apresentado sob os acordes da “Missa em Fá Maior’, de José Emérico Lobo de Mesquita e o “Concerto n. 4 em Fá para Órgão e Orquestra”, de Haendel, também peças de Bach e Vivaldi executadas pelo organista francês, François Chapelet, que foi acompanhado pela Orquestra Brasileira de Câmara e Coro, sob regência do maestro Michel Cordoz. Confiram este disco no GTM…

missa em fá maior, de joaquim emérico lobo de mesquita
concerto n. 4 em fá maior, opus 4 para órgão e orquestra, de georg friedrich haendel
ladainha in honorem beatae mariae viginis, de joaquim emérico lobo de mesquita
beatus vir (salmo III) para solistas, dois coros e duas orquestras, de antonio vivaldi
concerto duplo em ré menor para violino, oboé e orquestra, de johann sebastian bach

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Sandra Rozados (1989)

Olá, amigos cultos e ocultos! Nesta semana que passou eu me deparei com este disco. Me chamou a atenção pela capa, a frente é em alto relevo, coisa que nunca tinha visto num lp. Diferente, quis ouvir. Infelizmente o exemplar que eu tinha não trazia encarte, o que limitou as informações sobre a cantora. Sandra Rozados é o nome dela, mas difícil foi achar algo sobre ela. Ao que parece, gravou apenas este disco. Projetos independentes tem disso. Descobri apenas que ela é uma cantora baiana e que fez parte de grupos de artistas como Geronimo, Luiz Caldas e Carlinhos Brown. Se tivesse essa informação antes de ouvir o disco pensaria que se trata de mais uma cantora de Axé ou coisa baiana parecida, mas Sandra Rozados passa longe, ou talvez não lembre em nada essas coisas. Com um tom de voz que lembra muito outra cantora dessa mesma época, a Marina, traz um repertório bacana, arranjos e instrumental também de surpreender. Vale a pena conhecer…

navio e navegante
chave
quero porque quero
trem doido
vai a luta
mais amor
asa delta
régia vitória
tipo navalha
sangue e som

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Solange Kafuri – O Canto Que Trago (1983)

E aí, amigos cultos e ocultos, como vamos? Nossa mostra musical feminina está rendendo e ainda temos muito a apresentar. Basta para tanto que vocês fiquem ligados, pois nossos links tem um prazo curto e não temos reposição dos mesmos no Grupo Toque Musical.
Continuando com as cantoras, desta vez temos Solange Kafuri em seu único disco, “O canto que trago”, produção independente , de 1983. E como se pode ver logo na contracapa, temos neste disco um repertório curto, mas da melhor qualidade, com músicas de grandes compositores. Não bastasse, ela vem apoiada por uma dezena de músicos instrumentistas de primeiríssima linha, o que garante de vez alto nível deste trabalho. Embora tendo uma formação musical e durante os anos 80 tenha sem apresentado em shows, Solange Kafuri preferiu atuar na área de produção artística, se tornando uma das mais importantes produtoras, tendo em sua trajetória profissional uma lista enorme dos melhores espetáculos de música popular brasileira.

capataz
doce ilusão
o canto que trago
fotos e risos
resgate
luanda
trilha sonora
mariana
homenagem ao mestre cartola

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Leila Pinheiro (1983)

Boa noite, caros amigos cultos e ocultos! Hoje e pela primeira vez temos um disco da Leila Pinheiro. E não por acaso apresentamos o seu primeiro trabalho, gravado logo no início dos anos 80. O lp é uma produção independente, dirigida por Raymundo Bittencourt. Traz um repertório com doze canções de diversos grandes compositores. Para melhorar ainda mais e mostrar o nível da moça, seu disco conta com a participação de uma dezena de músicos de primeiríssima linha, gente como Tom Jobim, Toninho Horta, Joel Nascimento, Gilson Peranzzetta, Alberto Arantes, Francis Hime, João Donato e muitos outros… Não bastasse, a contracapa vem com um texto de apresentação da cantora feito por Billy Blanco.
Leila Pinheiro é do Pará. Cantora, compositora e pianista. Uma artista de muito talento, com mais de 20 discos gravados. Respeitada mundialmente como um dos grandes nomes da nossa música popular brasileira. Este seu álbum de estréia é ímpar e hoje em dia pouco conhecido. Belíssimo trabalho que vale conferir…

tudo em cima
bons amigos
vai ficar no ar
coração vagabundo
falando de amor
a porta
lua de cetim
espelho das águas
mãos de afeto
passarinha
cão sem dono
nossa rua
 

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Fátima Regina – Ventos A Favor (1990)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Dando sequência em nossa mostra vocal feminino, temos para hoje a cantora e compositora Fátima Regina. Ela nasceu em Niterói, mas iniciou sua carreira musical nos anos 70, quando então residia no sul do país. Seu primeiro trabalho fonográfico surgiu num compacto gravado em 1974 e trazendo composições sua e em parceria com Kedir Ramil. Mas foi só em 1978 que ela resolve assumir profissionalmente a carreira artística, participando de diversos espetáculos e também gravando em estúdio. Foi ‘backing vocal’ na banda que acompanhava Roberto Carlos, trabalhou na área de publicidade e também apresentou programa musical na TV Educativa. Seu primeiro lp veio em 1988, o “Velas ao vento”, com músicas do compositor Marco Aurélio. Acompanhou o cantor americano, Billy Paul quando este esteve se apresentando no Brasil e teve sua composição, em parceria com Aécio Flávio, “My great emotion”, gravada por ele. Essa música, inclusive, está presente neste disco, “Ventos a favor”, lançado por ela em 1990. Este álbum foi produzido por Roberto Menescal e traz também composições próprias e parcerias, além de canções de Tom Jobim, Ivan Lins, Cláudio Cartier e outros. De lá pra cá tem feito muitos outros trabalhos e também continua gravando. Uma bela voz que vale a pena o nosso toque musical. Não deixem de conferir no GTM…

fim de festa
lembrança
suave feitiço
my great emotion
dindi
ventos a favor
zigzagueou
nova viagem
sete chaves
mel poejo

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Elizeth Cardoso – Ary Amoroso (1989)

Muito boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje estou trazendo para vocês um disco bem bacana no qual temos em destaque duas grandes figuras: a cantora Elizeth Cardoso e o compositor Ary Barroso. Trata-se de um álbum não comercial, de tiragem limitada, feito de encomenda para uma fábrica de móveis presentear os seus clientes.(época das vacas gordas, lembram?). A produção deste lp ficou a cargo de Hermínio Bello de Carvalho, o que faz este trabalho ser ainda mais especial. Elizeth mais uma vez brilha como nunca. Discão imperdível. Confiram no GTM..

inquietação
faixa de cetim
na batucada da vida
camisa amarela
folhas mortas
trapo de gente
ocutei
tu
pra machucar meu coração
por causa desta cabôca
no rancho fundo
caco velho
as três lágrimas
inquietação
 

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Ester Mazzi – Explicação (1989)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Fazendo jus às nossas tradições de ter sempre aqui o que não se vê muito por aí, temos para hoje a cantora e compositora Ester Mazzi, artista de que teve sua formação e base no Espírito Santo, ou mais exatamente Vitória, onde vivia e era reconhecida como a ‘musa do jazz capixaba’. Ela nasceu em Nova Friburgo, RJ, mas ainda na infância mudou-se para o Espírito Santo, o que a faz ser uma autêntica artista capixaba. Ao longo de sua carreira gravou uns cinco discos. “Explicação”, lp gravado de forma independente, foi seu primeiro trabalho lançado em 1989. É um disco muito intimista com músicas curtas, onde ela canta e toca acompanhada de apenas outro artista, Chrysio Rocha. Ester era dona de uma voz singular. Segundo contam, o João Gilberto dizia que ela era ‘a voz mais caliente do Brasil’. Infelizmente faleceu, aos 71 anos, em 2016.
Não percam a chance de conhecer o trabalho desta artista, pois vale a pena. Confira no GTM…

body & soul
i’ll remember april
caso banal
recifes harmoniais
etc.
ilhas do sul
laura
lover
amar você
explicação

Paraguay Brasil – Guarânia A Canção Sem Fronteiras (1979)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Temos hoje um disco especial, produção não comercial e limitada, lançada no final dos anos 70. Um álbum promocional criado como brinde comemorativo para a Itaipu Binacional, em seus cinco anos de atividades. Como podemos ver logo pelo título e capa, o disco nos apresenta um gênero musical que está presente tanto no Brasil quanto no Paraguai, de onde se originou, a guarânia. É um trabalho caprichado, traz um encarte em forma de livreto com textos de Maurício Cardoso Ocampo e José Ramos Tinhorão, este último, um dos mais importantes pesquisadores da música brasileira, responsável pela produção deste álbum. Taí, mais um disco que vale a pena conhecer. Confiram no GTM…
 
lejanía (meu primeiro amor) – ramon cáceres
recuerdos de ypacaraí – los indolatinos
ña ne arambojha – magno soler y su conjunto
mi dicha lejana – jorge cácere e quinteto victoria
regalo de amor – los troveros de america
índia – los hermanos perez
moreninha de itaipu – carlos césar e ramon cáceres
se for pra medir saudade – emílio escobar
felicidade – raul torres e florêncio
quero beijar-te as mãos – irmãs galvão
guarânia da lua nova – cascatinha e inhana
saudade – neneco norton
 
 
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EMB – Enciclopedia Da Música Brasileira – Erudita Folclórica Popular (1978)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Espero que estejam todos seguindo a linha do bom senso, FIQUE EM CASA! Aproveitem o tempo para ler, ouvir música, colocar em dia aquilo que tem sempre sido adiado. Certamente não há de falta coisas boas para se fazer.
E falando em coisas boas, uma boa dica pode ser a EMB – Enciclopédia da Música Brasileira – Erudita, Folclórica, Popular. Como leitura vocês poderão encontrar para comprar o livro do pesquisador Marco Antônio Marcondes, lançado em 1977. É dele este importante trabalho que nos serve de guia, assim como outros, quando buscamos informações precisas sobre um determinado item histórico sobre a música brasileira. E como parte dessa sua produção tem também este box com dois lps, lançados em 1978, que já é mais difícil de achar e por isso mesmo está aqui, no Toque Musical. Nele temos dois lps nos quais são apresentados, no primeiro, de 77, um pouco da nossa música folclórica, de raízes regionais/sertaneja e no segundo disco, de 78, temos o grande violonista Toquinho (com violão de emprestado por Tom Jobim, segundo nota na ficha técnica) interpretando obras de Villa Lobos e também chorinhos diversos, que representaria aqui o popular. Sem dúvida um trabalho fonográfico interessantíssimo e raro de se ter e ouvir. Creio que talvez poucos o conheçam. Eis aqui a oportunidade. Não deixem de conferir no nosso GTM.

astúcia de negro velho – cornélio pires
jorginho do sertão – cornélio pires
no mourão da porteira – raul torres e florêncio
horóscopo – alvarenga e ranchinho
canoeiro – tonico e tinoco
guarânia da lua nova – cascatinha e inhana
ciriema – irmãs castro
cochilou cachimbo cai – tião carreiro e pardinho
cavalo preto – palmeira e luizinho
sarita – pedro bento e zé da estrada
chitãozinho e xororó – nonô e naná
nova flor – bia e dino franco
caminho do céu – caçula e marinheiro
suite popular brasileira, de villa lobos – toquinho:
mazurca
schottich
valsa
gavotta
chorinho
gracioso, de garoto
interrogando, de joão pernambuco
brasilliance, de laurindo de almeida
choro da saudade, de agustin barrios

 

Acidente – Fim do Mundo (1983)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Por certo os amigos não irão estranhar a diversidade fonomusical. Um dia tem samba, outro tem tango, outro erudito, outro rock… Um verdadeiro drops sortido, onde a cada bala é um sabor. Nosso Toque Musical é assim mesmo, cheio de surpresas.
Hoje tenho para vocês um disco independente da banda carioca, Acidente, lançado em 1983. Há quatro anos atrás eu havia postado aqui um outro disco da banda, o “Guerra Civil”, de 81. Agora eu trago eles de volta neste álbum, “Fim do Mundo”. Um título bem sugestivo para o momento atual pelo qual estamos passando. Aliás, neste lp, muitas das músicas cabem bem nos dias de hoje, títulos e letras que falam de situações trágicas, temas que refletem e serviriam de trilhas para o que estamos vivendo. Contudo, não é algo baixo astral, até porque a banda tem uma pegada divertida e bem rock’n’roll. Na postagem que fiz do outro disco, creio que fui meio injusto com a turma, prá não dizer leviano. Me faltou mais atenção para ouvir o Paulo Malária e sua trupe. Devo admitir, o Acidente é uma banda bem legal. E quando digo isso no presente é porque ainda hoje eles continuam na ativa. Embora não tenham conseguido o reconhecimento que merecem, estão por aí se divertido, tocando e produzindo outros trabalhos. Vale a pena conhecer, ou relembrar…

a lua
melô de miguel pereira
triste sina
sociedade do mal
corpos e pratos
clube 34 blues
a sua mãe morreu
conferência em havana
dança
3. charrão
guerra civil
perdido num mundo de sonhos
baile black
eu vou vazar
diga o nome do senhor
 
 
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