Luiz Eça & Jerzy Milewski Ensemble – Duas Suítes Instrumentais (1988)

Após os dois volumes de “Piano e cordas”, o TM tem a honra de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um primoroso trabalho de Luiz Eça (1936-1992), músico, arranjador e compositor que deu extraordinárias contribuições para a nossa música. E desta vez ele está muitíssimo bem acompanhado, ao lado do violinista Jerzy Milewski, polonês de Varsóvia, nascido a 17 de setembro de 1946 e naturalizado brasileiro. Milewski começou sua carreira bem cedo, aos seis anos de idade. Graduou-se pela Academia de Música de Varsóvia, onde também fez um mestrado. Foi solista e membro da Orquestra de Câmara da Filarmônica Nacional da Polônia, com a qual tocou, na Europa, América e Ásia. Recebeu do governo polonês a Medalha Henryk Wienawski. Em 1968, conheceu, em sua Polônia natal, a pianista brasileira Aleida Schweitzer, com quem se casou, e ambos residem no Brasil desde 1971. Aqui gravou álbuns diversos interpretando composições de “cobras” da MPB, como Djavan e Mílton Nascimento. Também faz apresentações divulgando obras de compositores poloneses para o público brasileiro, sempre acompanhado ao piano pela esposa, com a qual forma o Milewski Duo. Além disso, faz “Concertos Didáticos” em escolas e universidades, mas também com crianças da mais tenra idade. Às vezes é solicitado para ser jurado em concursos internacionais, e seu currículo ainda inclui turnês pelo Canadá (1998-99) e Escandinávia (1999-2000). Este “Ensemble – Duas suítes instrumentais de Luiz Eça”, no qual o violino de Jerzy Milewski se une ao piano do notável músico brasileiro, é um ponto altíssimo na discografia de ambos. Produzido por Milewski, com a participação do baterista e percussionista  Robertinho Silva, e do contrabaixista Luiz Alves, e editado com o selo JAM, pertencente ao violinista, é um trabalho que contou com o patrocínio da Nestlé, empresa alimentícia de origem suíça, que se instalou no Brasil no início do século passado. O resultado não poderia ser outro: um LP de indiscutível qualidade técnica e artística, muitíssimo bem cuidado.  A parte gráfica também merece destaque, com a capa dupla repleta de informações sobre os intérpretes, os músicos acompanhantes e o álbum em si. É mais um trabalho primoroso que o TM orgulhosamente nos apresenta, digno de figurar no acervo de todos os que apreciam a melhor música instrumental do Brasil.

duro na queda

imagem

alegria de viver

sempre será

daniele

lá vamos nós

tranquilamente

dolphin

três minutos para aviso importante

melancolia

mestre bimba

*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Eça & Jerzy Milewski Ensemble – Duas Suítes Instrumentais (1988)

Após os dois volumes de “Piano e cordas”, o TM tem a honra de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um primoroso trabalho de Luiz Eça (1936-1992), músico, arranjador e compositor que deu extraordinárias contribuições para a nossa música. E desta vez ele está muitíssimo bem acompanhado, ao lado do violinista Jerzy Milewski, polonês de Varsóvia, nascido a 17 de setembro de 1946 e naturalizado brasileiro. Milewski começou sua carreira bem cedo, aos seis anos de idade. Graduou-se pela Academia de Música de Varsóvia, onde também fez um mestrado. Foi solista e membro da Orquestra de Câmara da Filarmônica Nacional da Polônia, com a qual tocou, na Europa, América e Ásia. Recebeu do governo polonês a Medalha Henryk Wienawski. Em 1968, conheceu, em sua Polônia natal, a pianista brasileira Aleida Schweitzer, com quem se casou, e ambos residem no Brasil desde 1971. Aqui gravou álbuns diversos interpretando composições de “cobras” da MPB, como Djavan e Mílton Nascimento. Também faz apresentações divulgando obras de compositores poloneses para o público brasileiro, sempre acompanhado ao piano pela esposa, com a qual forma o Milewski Duo. Além disso, faz “Concertos Didáticos” em escolas e universidades, mas também com crianças da mais tenra idade. Às vezes é solicitado para ser jurado em concursos internacionais, e seu currículo ainda inclui turnês pelo Canadá (1998-99) e Escandinávia (1999-2000). Este “Ensemble – Duas suítes instrumentais de Luiz Eça”, no qual o violino de Jerzy Milewski se une ao piano do notável músico brasileiro, é um ponto altíssimo na discografia de ambos. Produzido por Milewski, com a participação do baterista e percussionista  Robertinho Silva, e do contrabaixista Luiz Alves, e editado com o selo JAM, pertencente ao violinista, é um trabalho que contou com o patrocínio da Nestlé, empresa alimentícia de origem suíça, que se instalou no Brasil no início do século passado. O resultado não poderia ser outro: um LP de indiscutível qualidade técnica e artística, muitíssimo bem cuidado.  A parte gráfica também merece destaque, com a capa dupla repleta de informações sobre os intérpretes, os músicos acompanhantes e o álbum em si. É mais um trabalho primoroso que o TM orgulhosamente nos apresenta, digno de figurar no acervo de todos os que apreciam a melhor música instrumental do Brasil.

duro na queda

imagem

alegria de viver

sempre será

daniele07

lá vamos nós

tranquilamente

dolphin

três minutos para aviso importante

melancolia

mestre bimba

*Texto de Samuel Machado Filho

Galo Preto (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para aqueles que não assistiram a Missa do Galo, não fiquem desolados. Para quem, como eu, não viu o Galão ser campeão, também não se desesperem. Ainda há tempo para um outro galo, o grupo de chorinho “Galo Preto”. Formado nos anos 70, o Galo Preto é um dos mais importantes grupos de choro do país. Em franca atividade ainda hoje, eles já tocaram e gravaram com uma infinidade de bons artistas. Já se apresentaram em diversos países, sempre com muto sucesso.
Neste lp, produção independente, lançada em 1981, o grupo seleciona um repertório com músicas até então inéditas de diversos autores. Confiram em detalhes, a contracapa traz toda a informação sobre essa produção. Para os amantes da boa música instrumental e do choro este lp é imperdível. Confiram…

meu tempo de garoto
choro ligado
eventualmente
gracioso
um presente pro titio
marceneiro paulo
amarelinho
deixa falar
rabo de galo
valsa n.2
vocês me deixam ali e seguem de carro
flor do mato

.

III Festival Bancário De MPB (1980)

Em seu livro “A era dos festivais – Uma parábola”, o pesquisador Zuza Homem de Mello informa que a mesma terminou em 1972, com o sétimo e último FIC (Festival Internacional da Canção), promovido no Rio de Janeiro pela TV Globo, após o quê foram realizados outros eventos esparsos do gênero, relacionados ao final do livro. A verdade, porém, é que festivais de música jamais deixaram de existir. Há, por exemplo,  escolas e colégios que, anualmente, promovem certames internos de música. Eu mesmo sou testemunha disso, pois estudei tecnologia têxtil no SENAI, quando morava em minha São Paulo natal, e os festivais estudantis de música promovidos pela Escola “Francisco Matarazzo”  (que se mudou do Brás para o Cambuci, em 1981) sempre foram bastante animados, com torcida organizada e tudo, a plateia cantando junto as músicas etc.  É assim, por certo, nas escolas, colégios e até mesmo faculdades  que boa parte de nossos amigos cultos, ocultos e associados frequentaram em seus tempos de estudante. Afinal de contas, quem nunca teve pelo menos um pouquinho de música em suas veias? Evidentemente, até sindicatos de trabalhadores promovem festivais internos de música popular. Aqui se enquadra o álbum que o TM nos oferece hoje, lançado em 1980, documentando o III Festival Bancário de MPB, promovido pelo sindicato paulistano da categoria (e, claro, produção independente). Nessa época, com a chamada “abertura lenta e gradual” promovida pelo regime militar, já em seus estertores finais, o sindicalismo brasileiro se revitalizou, a partir das greves de metalúrgicos no ABC paulista, capitaneadas pelo então presidente do sindicato da categoria, Luiz Inácio Lula da Silva. O álbum é dedicado a um certo Nélson C. Santos, falecido em uma terça-feira de carnaval, pouco antes do término dos trabalhos de gravação do disco. E resultou de brilhante iniciativa do departamento cultural do sindicato dos bancários paulistano, que então já acreditava nas atividades artísticas como instrumento de democratização do Brasil. As doze finalistas do certame (não há informação de qual foi a música vencedora, infelizmente) revelam cantores e compositores bastante inspirados, abordando temas diversos: homenagem ao homem do campo (“Imagem sertaneja”), pacifismo (“Nunca penso em guerra”), a luta do trabalhador pela sobrevivência (“O operário”, “Choro de breque”, “Zé carregador”), corrupção (“Uma rosa de cristal”), a saudade do retirante nordestino (“Sonho de voltar”)…  Tudo isso em trabalhos muito bem acabados, dando oportunidade a membros da categoria bancária, de mostrar talento, competência e inspiração no setor musical. Este disco praticamente encerra a retrospectiva dedicada aos festivais de música pelo TM, mas certamente não é um ponto final definitivo. Afinal, festivais de música continuam e continuarão sempre a existir ao redor de nós, ainda que não recebendo divulgação pela maior parte da mídia. E ponto final é uma coisa que o canto de nosso povo nunca teve, nem vai ter.

 rosa de cristal
sonho de voltar
chor de breque
o operário
despedida de um sambista
avesso
terra do sol
pegue o por do sol
pássaro doméstico
imagem sertaneja
zé na marra
nunca penso em guerra

*Texto de Samuel Machado Filho

Diana Pequeno – Mistérios (1989)

O Toque Musical põe hoje em foco uma cantora que, após anos de afastamento, voltou à cena em 2016: Diana Pequeno. Ela nasceu na capital baiana, Salvador, em 25 de janeiro de 1958, e, vinte anos mais tarde, radicou-se em São Paulo. Ainda estudante de Engenharia  Elétrica, começou a aparecer  cantando em shows universitários, passando a se dedicar à música. Gravou seu primeiro LP em 1979, pela RCA, hoje Sony Music. Participou de festivais de MPB e, em mais de 20 anos de carreira, apresentou-se em diversos países, entre os quais o Japão, onde recebeu o prêmio de Originalidade com a música “Papagaio dos cajueiros”.  Sua discografia tem um total de dez álbuns, entre LPs e CDs, e alguns compactos, onde registrou um repertório bastante eclético, com baião, xote, música latina e pop. “Blowin’ in the wind” (versão dela mesma para o clássico de Bob Dylan), “Diverdade”, “Canção de fogo”, “Engenho de flores”, “Facho de fogo” e “Sinal de amor e de perigo” são alguns de seus maiores sucessos. A última aparição pública de Diana Pequeno, ao que se sabe, foi em 2005, em sua Salvador natal, no projeto “Pelourinho dia e noite”.  Desde então, ela nunca mais desempenhou qualquer atividade artística, e passou a residir no Rio de Janeiro. Mas neste 2016 que ora finda, Diana voltou à cena, lançando uma série de álbuns independentes, a maioria contendo gravações recentes de músicas de composição própria. Um deles, “Signo”, é um “disco perdido”, gravado entre o final de 1989 e o início de 90, bem clima deste que comentaremos a seguir. “Mistérios”, que o TM apresenta hoje, é o sexto álbum de Diana Pequeno, também gravado e distribuído de forma independente.  Foi lançado em 1989, após cinco anos de afastamento dos estúdios, e marca o retorno da intérprete baiana aos caminhos originais de sua trajetória, após tentativas de tornar sua música mais comercial, e à parceria com seus velhos colaboradores Papete (falecido em maio deste ano)  e Ruy Saleme. O que resultou em seu trabalho mais intimista e autoral, com arranjos despojados, diferindo, nesse sentido, de seus primeiros discos. A faixa de abertura deste disco, “Tudo que eu quero”, é uma versão da própria Diana para “All I want”, balada folk do norte-americano John Mitchell, presente naquele que é considerado seu melhor álbum, “Blue”, de 1971. Seguem-se composições próprias, com ou sem parceiros, e de outros autores, como Zé Rodrix e Guarabyra (“Os olhos abertos”), Joyce Moreno (“As ilhas”) e a dupla Guilherme Rondon-Paulo Simões (“Mil melodias”). Destaque ainda para a bela adaptação, da própria Diana, para uma cantiga tradicional das ilhas de Cabo Verde, “Ser feliz é melhor do que nada” e para a faixa-título, dela mesma em parceria com Ruy Saleme. Tudo isso faz de “Mistérios” um disco maduro e agradável do começo ao fim, comprovando e reiterando o talento de Diana Pequeno. Confiram…

tudo que eu quero

olhos abertos

as ilhas

mistérios

tudo no olhar

ser feliz é melhor do que nada

mulher rendeira

mil melodias

jeito de viver

analfabetos do amor

imagens e sentimentos

*Texto de Samuel Machado Filho

Ilder Miranda – Nesse Estado De Coisas (1981)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Conforme já disse William Shakespeare, “existem mais mistérios entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia”. Sem contar as incógnitas, que vez por outra nos chegam. É o caso do álbum que o TM oferece hoje, “Nesse estado de coisas”, ao que parece o único trabalho de Ilder Miranda. O LP saiu em 1981 com o selo Mãos e Meios, numa época em que se registrou um verdadeiro “boom” de lançamentos discográficos independentes, a partir do sucesso do primeiro álbum do grupo Boca Livre, editado justamente nesse esquema. É um trabalho até caprichado, tanto técnica quanto graficamente, gravado em São Paulo no estúdio Vice Versa, na época um dos melhores do Brasil. Compõe-se de doze faixas, todas de autoria do próprio Ilder. Em todas as músicas, percebe-se um olhar crítico do cantor-compositor ao panorama do mundo contemporâneo, com todas as suas mazelas, tais como violência e degradação do meio-ambiente. Ouvindo-se este trabalho, pode se concluir que o mesmo continua atualíssimo, apesar de decorridos mais de 35 anos de sua realização. Agora:  o único problema é que não encontrei nenhuma informação biográfica a respeito de Ilder Miranda. O que se pode afirmar com certeza é que, hoje, este disco pertence ao catálogo  da Sonhos & Sons, a maior distribuidora de artistas independentes de Minas Gerais, pertencente ao compositor, músico e produtor Marcus Vianna, mais conhecido pela música-tema da novela “Pantanal”, sucesso da extinta Rede Manchete em 1990, e mais tarde reprisada pelo SBT. No site da Sonhos & Sons, o artista é identificado por seu nome completo, Ilder Miranda Costa. O mesmo de um advogado devidamente registrado na OAB mineira, que tem até livros jurídicos publicados. Seria ele? Pois aqui vai um lembrete a nossos amigos cultos, ocultos e associados: quem tiver informações mais detalhadas a respeito deste nosso Ilder Miranda, favor escrever para: toquelinkmusical@gmail.com. Eu e o Augusto agradecemos desde já a quem puder decifrar este enigma…

madrugada paulista

a porta do cabaré

ciranda

carta pra minas inteira

a volta da filha presa

porque qui oce num pode aguentar

pena apenas

cala a boca

iara

preso por dentro de nada vale o teu gritar

r-evolução

quase louca

*Texto de Samuel Machado Filho

Passa, Passa, Passará – TSO (1986)

Compositor,  tecladista, arranjador e professor de música, Antônio Adolfo (Rio de Janeiro. 10/2/1947) fez, em parceria com Tibério Gaspar, sucessos que ainda hoje estão na memória de muitos, tais como “Sá Marina”, “BR-3”, “Juliana” e “Porque hoje é domingo”.  É irmão de outro cantor-compositor bastante conhecido, Ruy Maurity, e pai da cantora Carol Saboya. Em 1971, no auge da ditadura militar, Antônio Adolfo  resolveu sair do Brasil, indo para os EUA e Europa, a fim de realizar estudos de aperfeiçoamento musical, retornado anos mais tarde para atuar como músico de estúdio. Em 1977, resolveu criar seu próprio selo fonográfico, o Artezanal, passando a produzir ele mesmo seus discos. Nesse ano, lançou seu primeiro álbum nesse novo esquema, “Feito em casa”, que é considerado o primeiro LP independente na história fonográfica brasileira. E, evidentemente, viriam muitos outros. Desde 1985, ele se dedica à sua escola de música, o Centro Musical Antônio Adolfo, além de participar em eventos internacionais como músico e educador, sem deixar de lado a carreira de intérprete. Ganhou dois Prêmios Sharp de Música, pelos álbuns “Antônio Adolfo” (1995) e “Chiquinha com jazz” (1997), este último dedicado á obra de Chiquinha Gonzaga. Em 1986, o selo Artezanal produziu o álbum que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. É a trilha sonora do musical infantil de teatro “Passa passa passará”, com texto de Ana Luiza Job, mulher de Antônio Adolfo (suas filhas, Carol Saboya, então atuando no teatro infantil, e Luísa Maria, sempre adoraram o gênero), e para o qual, além dele, também produtor, arranjador e executante das faixas deste disco, Xico Chaves e Paulinho Tapajós colaboraram na elaboração das canções.  A peça foi encenada com sucesso em teatros cariocas, e vez por outra ressurge em novas montagens. E, deste disco, participaram nomes de peso:  Oswaldo Montenegro, Elza Maria, Zezé Gonzaga, Joyce (atualmente Joyce Moreno), Leci Brandão e, claro, o irmão de Antônio Adolfo, Ruy Maurity, e a filhota, Carol Saboya, esta integrando o coral do Passa Passa Passará, ao lado de Paulinho Tapajós e do maestro Ary Sperling, entre outros. Tudo produzido com elevado padrão técnico e artístico, com músicas bem elaboradas e cativantes. Enfim, mais um trabalho de primeiríssima qualidade que o TM oferece hoje, para o encanto e o deleite de crianças e adultos!

passa passa passará

cacarejando

o menino perdido

samba do macaco

natureza

blues da raposa

bola de cipó

abelhinha

fazendo bolo

caracol

* Texto de Samuel Machado Filho

Comemorações Cívicas (1982)

Didático e ao mesmo tempo obscuro. Assim pode ser classificado o álbum que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. No geral, o disco reúne temas para inúmeras comemorações de cunho cívico e festivo (Dia da Bandeira, da Criança, do Professor, do Bombeiro, Independência, Tiradentes, festas juninas, etc.). Só que não há informação nenhuma a respeito de autores das faixas nem de músicos que participaram do disco, por certo produzido com finalidade educacional. O que se sabe é que a Bolsa Nacional do Livro, responsável por seu lançamento, está aí, firme e forte, até hoje. Fundada em 1957, e “organizada para difundir a cultura”, a BNL tem sede em Curitiba, capital do Paraná, e seus produtos são especialmente direcionados à educação infantil e ao ensino fundamental. E é justamente o caso desse disco, que também não possui ano de lançamento conhecido, mas por certo é posterior a 1981, quando a gravadora Continental, responsável pela prensagem, mudou sua fábrica de São Paulo para o Rio de Janeiro. A indicação “Atlas pedagógico brasileiro”, constante do selo, é outra incógnita. Ao que parece, o disco foi produzido para acompanhar o referido atlas, que, como muita gente deve se lembrar, fornecia noções diversas de língua pátria, conhecimentos gerais, Matemática, Geografia e História brasileiras. Foi publicado durante anos pela extinta EPB (Editora Pedagógica Brasileira), que tinha sede em São Paulo, e, ao que parece, encampado pela BNL. Por certo ajudava bastante na escola, e com alguma sorte ainda pode ser encontrado em sebos. Mistérios à parte, este “Comemorações cívicas”, com catorze faixas, é fiel ao que a BNL se propõe desde sua fundação, reunindo músicas para as mais variadas datas cívico-festivas. Serve também pra gente lembrar o nosso tempo de estudante, naquilo que ele tinha de bom e proveitoso. Verdes anos…

dia do índio

dia de anchieta

princesa izabel e a abolição

tiradentes e a inconfidência

dia da criança

dia do professor

quadrilha para festa junina

dia do folclore

entrada da primavera

dia do transito

hino ao bombeiro

hino nacional do brasil

hino a bandeira

hino da independência

*Texto de Samuel Machado Filho

Ayrton Mugnaini Jr – A Coragem de Ayrton Mugnaini Jr (1992)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje temos mais um lançamento independente, do inicio da década de 90. Apresento, Ayrton Mugnaini Jr, jornalista, pesquisador de MPB, compositor e produtor paulista. Ayrton foi um dos mentores/integrantes da impagável ‘Língua de Trapo’, banda que tinha no humor seu sucesso garantido, lá pelos idos dos anos 80. Também fez parte da banda Magazine, de Kid Vinil. “A coragem de Ayrton Mugnaini Jr” foi seu primeiro trabalho solo e de uma certa forma, inevitavelmente, muito do Língua de Trapo se pode perceber neste disco. O Magazine também tinha essa pegada de humor. E é mais ou menos nessa linha que nosso artista segue, cheio de coragem, nos trazendo um álbum com 14 faixas, em sátiras inteligentes, típicas de um bom virginiano 🙂

tributo a língua presa
imunologia
veterinária
virginiano
gorda
minhas pestinhas
velho amor
prove esta emoção
posso dar uma canja?
conformática
claudinha
acalanto
a garota do quinto andar
rebel dog blues
.

São Quixote (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Entre os tantos discos generosamente cedidos e doados pelo meu amigo Fáres, temos aqui um álbum o qual eu me apaixonei a primeira vista. E isso não é de hoje. Sempre corri atrás deste lp e agora tive o grande prazer de tê-lo na minha coleção. Digo isso porque não pode haver satisfação maior que uma deliciosa e coincidente surpresa. Claro que estamos falando aqui de uma questão de gosto pessoal, o meu gosto. Mas podem acreditar nele, afinal, sou virginiano, hehehe… um filtro crítico que despreza o banal e a mediocridade. Em outras palavras, quero dizer que este disco está acima da média.
Apresentando, esta é a banda paulista São Quixote,  originária de outra, o Moto Perpétuo, banda de onde surgiu o cantor e compositor Guilherme Arantes. O Moto Perpétuo era uma banda com pitadas de rock progressivo, surgida em 1973, da qual faziam parte além de Guilherme, os músicos Egydio Conde, Diogenes Burani, Gerson Tatini e Cláudio Lucci. Guilherme Arantes partiu para uma muito boa carreira solo. Egydio seguiu para o Som Nosso de Cada Dia. Porém, no início da década de 80, três membros da banda, Claudio Lucci, Gerson Tatini e Diógenes Burani voltaram a se reunir, juntamente com a violonista e cantora Mônica Marsola para gravar este lp, o São Quixote, que para muitos é também considerado um disco do Moto Perpétuo. Até porque, neste trabalho há ainda a participação especial de Guilherme Arantes, presente em cinco faixas do disco. Em resumo, trata-se de um disco na mesma linha do primeiro e único do Moto Perpétuo. Uma produção independente, limitada e hoje ainda mais rara. Para mim, musicalmente perfeito. Compartilho com os amigos e espero que gostem 😉

são quixote
buon giorno, boy
só para raros velhos
fumaça
livre demais
mea culpa
mais um longo dia
confraria
cem anos de solidão
soy criatura
buenos dias
america
.

Acidente – Guerra Civil (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Ampliando nossos horizontes pop-brazuca-musicais, trago hoje o primeiro lp da banda carioca Acidente. Formada no final dos anos 70, sem grandes pretensões, por estudantes de Comunicação e Jornalismo, lançaram este lp, “Gerra Civil”, de maneira independente em 1981. Um momento ruim para o rock, principalmente sendo uma banda independente. Mas mesmo assim o Acidente conseguiu emplacar umas duas músicas em rádios do Rio de Janeiro. O trabalho, embora um tanto amador, traz uma característica bem pessoal, talvez porque todas as músicas sejam autorais. Ao que tudo indica, a banda continua na ativa e ao longo de todos esses anos gravaram mais de uma dezena de discos. Numa próxima oportunidade postaremos aqui mais alguma coisa desse quase obscuro grupo.

loucos
tudo vai passar
o assassino de trotsky
e a verdade não é sempre a mesma
seu pai não vem aqui
providência
o vaqueiro e a debutante
eu ainda amo vocês
pingo
canto
não me mate agora
árvore
.

Arco Íris – Coração Coração (1982)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Seguindo nossa jornada musical (ainda estou no embalo de julho) eu hoje trago uma das excelentes produções independentes lançadas na década de 80. Este foi um período onde muita coisas independente começou a pipocar por aí. Uma fase que precisamos passar um pente fino para resgatar trabalhos de altíssima qualidade, como é o caso deste aqui… Quem olha pela capa há de pensar que se trata de uma coletânea de músicas românticas, algo até meio infantil ou feminino, sei lá… Mas quem vê cara e não olha a bunda, perde a chance de um rebolado. E aqui, no caso há bem mais que rebolado. Temos o quarteto vocal Arco-Íris, formado por Marcos Dantas (voz e violão), Fernando Veloso (voz), Ophélio Walvy (voz e violão) e Nelson Wellington (voz e violão). No ano de 1982 eles lançaram este, “Coração, coração”, um lp muito bem produzido, com grande parte das composições autorais, ou em parcerias. Quem escuta pela primeira vez acredita ser este outro grupo vocal, o Boca Livre, ou ainda a dupla Burnier e Cartier. Mas quase não é um engano, a essência é a mesma. Inclusive há músicas e participação desses artistas (Cláudio Nucci e Cláudio Cartier) no disco.  Outro destaque importante é também o Azimuth, presente aqui, com Alex Malheiros e Zé Roberto Bertrami. Duas músicas deste disco tiveram um relativo sucesso, chegando a tocar em rádios, “Maria Clara”, de Cláudio Cartier e Paulo Feital e “Porteira”, de Eduardo Souto Neto e Nelson Wellington. Vale muito a pena conferir…

maria clara
porteira
a um passo
reluzir
veleiro
flor de lilás
cometa
invasão
marujada
coração, coração
.

Bimba – Morena (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje temos aqui um disco independente, álbum solo da cantora Bimba. Bimba? Este talvez seja o questionamento de muitos e foi também o meu no primeiro momento que vi a capa. Quem é essa cantora que atende pela alcunha de Bimba? De Bimba, que eu me lembrasse era apenas o mestre Manoel dos Reis, precursor da Capoeira. Chegou a me causar estranheza esse nome, que irremediavelmente me levou para um lado irônico e malicioso (ups! sem comentários). Mas não demorou muito para que eu caísse na real. Bastou por o disco para tocar e ler a ficha técnica no encarte. Claro, agora me lembrei… Bimba, na verdade é Semíramis, cantora que fez parte do grupo A Brazuka, de Antonio Adolfo e do quinteto Samba S.A., de Mário Castro Neves. Antes disso porém, em 1967, ela fez parte do Quarteto em Cy, passando a assinar Cymiramis. E com este grupo feminino ela excursionou pelos Estados Unidos. A partir da década de 80 ela volta em disco solo, já com o nome de Bimba. Até onde eu sei, ela gravou dois discos, um em 79 e este de 80, todos os dois sendo produção independente. Para este álbum que apresentamos, Bimba contou com a produção, arranjos e regências de Antonio Adolfo. Participam do discos instrumentista importantes, tais como Rick Ferreira, Márcio Montarroyos, Leo Gandelman, Luis Claudio Ramos, Claudio Stevenson e outros…

potes de amor
morena
candelabro
por que sos
abolerado
chuva ee prata
de todas as cores azuis
vela presa
paraiba do sul
merengue remelexo
.

Grupo Zurana – Sorte (1977)


Olá amigos cultos e ocultos! Tenho para hoje um disco especial, do tipo que eu gosto de postar por aqui. Um lp promocional produzido pelo Grupo Zurana, sob a supervisão da MPM Propaganda, apresentando as versões musicais dos jingles usados pela Caixa Economica Federal na divulgação das extrações da Loteria Federal, em 1977. As músicas são interpretadas pelo Grupo Zurana, que nada mais é que um time de músicos e cantores, gente que trabalha em estúdios fazendo música para além do mercado fonográfico. Temos aqui figuras como Sivuca, Gilson Peranzetta, Reginha, Márcio Lotti, Mamão, Altamiro Carrilho, Joel Nascimento e muitos outros. A produção musical e arranjos são de Tavito e Eduardo Souto Neto. As composições são de artistas como Ivan Lins, Mariozinho Rocha, Paulo Sérgio Valle, Ruy Maurity, Eduardo Souto Neto, entre outros…
Eis aí um disco interessante, promocional e certamente uma edição limitada que poucos devem conhecer. Vale a pena resgatar coisas assim. Confiram essa joinha, pois o tempo é limitado 😉

extração da independência
grande premio bento gonçalves
grande premio são paulo
grand prix brasil
extração de carnaval
extração dia das mães
extração da inconfidência
extração de são paulo
extrações normais
grande premio brasil
grande premio paraná
extração de natal
.

Elebra 6 – Memória – Solistas Brasileiros (1989)

O TM tem a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o sexto volume da série “Memórias”, produzida sob encomenda da extinta Elebra pelo pesquisador João Carlos Botezelli, o Pelão, que, como vocês já viram anteriormente, tem a seu credito inúmeros trabalhos importantes da discografia tupiniquim, como o primeiro LP de Cartola e os dois primeiros de Adoniran Barbosa. Este sexto LP da série, editado em 1989 para distribuição gratuita aos clientes da extinta empresa de informática, com incentivo de lei governamental, tem o nome de “Solistas brasileiros”. Como escreveu na contracapa o próprio Pelão, “é mais uma homenagem da Elebra à sensibilidade, ao talento e à competência do músico brasileiro”. Vem, também, a ser uma justíssima homenagem ao pianista e maestro Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 27/1/1906-Rio de Janeiro, 13/2/1988), com faixas executadas por ele mesmo e seus discípulos. Gravado em estúdios do Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Recife e Porto Alegre, já se utilizando da tecnologia digital (o que garante a qualidade técnica), é mais um trabalho impecável de Pelão, reunindo clássicos inesquecíveis e até hoje relembrados. Abrindo o disco, o próprio Radamés sola ao piano o choro “Carinhoso”, do mestre Pixinguinha. Rafael Rabello, violonista prematuramente desaparecido, vem com o samba-canção “Molambo”, de Meira e Augusto Mesquita. Joel do Bandolim sola o antológico bolero “Dois pra lá, dois pra cá”, um dos primeiros hits da dupla João Bosco-Aldir Blanc. Chiquinho do Acordeom executa outro samba-canção célebre, “Balada triste”, de Dalton Vogeler e Esdras Silva. Em seguida uma curiosa interpretação para “Nossos momentos”, da parceria Haroldo Barbosa-Luiz Reis, a cargo do contrabaixista Toinho Alves, que também faz um interessante “vocalize”. “Pois é”, samba de Ataulfo Alves, é executado ao cavaquinho  por um verdadeiro “cobra” do instrumento, Henrique Cazes. A viola caipira de Roberto Corrêa traz a nossos ouvidos a clássica toada “Tristeza do jeca”, de Angelino de Oliveira. O pianista Laércio de Freitas nos traz “Ceú e mar”, obra-prima de Johnny Alf. Zé Gomes, craque da rabeca, executa “Maria”, samba-canção de Ary Barroso e Luiz Peixoto. Rildo Hora sola, com sua gaita, “A noite do meu bem”, de Dolores Duran. O violonista Israel sola depois “Agora é cinza”, samba da parceria Bide-Marçal. Por fim, a não menos antológica “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de Paula, nos floreados da flauta de Plauto Cruz. Tudo isso em um trabalho primoroso, antológico, verdadeiro tributo a Radamés Gnattali  e seus discípulos. Simplesmente irresistível!

carinhoso – radamés gmattali

molambo – rafael rabelo

dois prá lá, dois prá cá – joel do bandolim

balada triste – chiquinho do acordeon

nossos momentos – antonio alves

pois é – henrique cazes

tristeza do jeca – roberto correa

céu e mar – laércio freitas

maria – zé gomes

a noite do meu bem – rildo hora

agora é cinza – bide e marçal

canção de amor – plauto cruz

.

Dick Farney – Momentos (1985)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês mais um disco da série lançada pelo saudoso restaurante Inverno & Verão, que existiu em Sampa na década de 80. Já falamos dessa casa de show aqui no Toque Musical. Por ela passaram grandes nomes da música nacional e até internacional. E para mim, seu grande mérito foi o registrar e lançar em discos os muitos artistas que por lá estiveram. Com o apoio do Credicard/Visa, o I&V promoveu e lançou de forma quase independente uma dezena de títulos, em discos não comerciais. Ao que sei, esses lps eram oferecidos aos clientes e fornecedores da casa de shows. Por aqui eu já publiquei várias dessas produções e na sequencia temos outro artista, que também sempre esteve presente em nossas postagens, o grande Dick Farney. Embora gravado em estúdio, este lp registra alguns bons momentos do repertório da temporada do artista, em março de 1985. Que eu saiba, essas gravações nunca chegaram a ser lançadas comercialmente. Assim sendo, a oportunidade de conhecer e ouvir o disco é essa. Confiram já, pois o tempo do link é uma baforada 🙂

marina
copacabana
somos dois
este seu olhar
saudade mata a gente
se todos fossem iguais a você
the lady is a tramp
uma loira
ponto final
alguém como tu
.

Elebra – Memória 5 (1988)

O TM hoje oferece aos seus amigos cultos e ocultos e associados o quinto volume de uma série denominada “Memórias”, destinada à preservação de nossa memória musical, oferecida como brinde aos clientes da Elebra, uma empresa de informática que não existe mais, e que foi a maior do setor na época em que havia reserva de mercado para o mesmo no Brasil.

A série foi produzida pelo incansável pesquisador João Carlos Botezelli, o popular Pelão, que tem um respeitável currículo no setor fonográfico. Basta dizer, por exemplo,  que ele produziu, em 1974, o primeiro LP do mestre Cartola.  Trabalhos de Nélson Cavaquinho , Adoniran Barbosa, Théo de Barros, Inezita Barroso e Raphael Rabello também estão entre suas mais esmeradas produções discográficas.  E tudo na base da amizade…

Este quinto LP da série “Memórias”, editado em 1988, é dedicado a conjuntos vocais e/ou instrumentais brasileiros de várias épocas e estilos. Para a seleção de repertório, mestre Pelão contou com a colaboração, entre outros, do jornalista Arley Pereira e do autor de novelas Walther Negrão. Seleção esta muito bem feita, com masters cedidos por quatro gravadoras, em que desfilam conjuntos marcantes na história de nossa música popular, interpretando clássicos inesquecíveis. A seleção inclui “Trem das onze”, do mestre Adoniran, com os sempre notáveis Demônios da Garoa, “Gauchinha bem querer”, de Tito Madi, na interpretação impecável e plena de autenticidade do Conjunto Farroupilha, “Forró de Mané Vito”, de Gonzagão e Zé Dantas, com o Quinteto Violado, um raro registro de “Nêga do cabelo duro”, de Rubens Soares e David Nasser, com o Bando da Lua, “Estrada do sol”, de Tom Jobim e Dolores Duran, com o Trio Irakitan, o saltitante “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, com Os Três Morais, “É com esse que eu vou”, de Pedro Caetano, com seus criadores, os Quatro Ases e um Coringa… A bossa nova vem com o Zimbo Trio, executando “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi, o Sambalanço Trio numa releitura de “Pra machucar meu coração”, de mestre Ary Barroso, e o Jongo Trio com “Menino das laranjas”, de Théo de Barros. Os Titulares do Ritmo aqui interpretam “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam. E, para finalizar, “A voz do morro’, de Zé Kéti, com o conjunto de mesmo nome, organizado pelo próprio autor, e no qual despontaram nomes importantes da MPB, como Paulinho da Viola e Élton Medeiros. Repertório de qualidade, conjuntos expressivos, ótimas performances… Que mais se pode querer?

pra machucar meu coração – sambalanço trio

tico tico no fubá – os três morais

balanço zona sul – zimbo trio

o menino das laranjeiras – jongo trio

forró do mané vito – quinteto violado

estrada do sol – trio irakitan

nega do cabelo duro – bando da lua

gauchinha bem querer – conjunto farroupilha

é com esse que eu vou – quatro azes e um coringa

ponteiro – titulares do ritmo

trêm das onze – demônios da garôa

a voz do morro – conjunto a voz do morro

.* Texto de Samuel Machado Filho

William Senna – Canto Do Tempo (1978)

Olá amigos cultos e ocultos! Seguimos aqui, aos trancos e barrancos, mas sem deixar a peteca cair. Na oportunidade (já tô falando assim), trago para vocês, William Senna, músico mineiro da cidade de Rio Casca. Violonista e compositor que mereceu a atenção de Egberto Gismonti. Gravou em 1985 o lp ‘Homem do Madeiro’, disco que contou com a participação da cantora Dulce Bressane e do próprio Egberto Gismonti. Mas antes desse, William Senna já havia gravado ‘Canto do Tempo’, seu primeiro lp, lançado em 1978, de forma independente. Não muito diferente de ‘Homem do Madeiro’, ”Canto do Tempo’ também é um trabalho que chama atenção pela qualidade de suas músicas. São 17 faixas, todas autorais em parceiras diversas, entre essas com Thelma Guedes (hoje autora de novelas e roteirista da TV Globo), que também participa dos vocais e na percussão. Acredito que William Senna tenha gravado mais discos. Infelizmente, não consegui encontrar na rede essas informações. Mas fica aqui o toque inicial. Quem quiser complementar as informações, tem aí área de comentários. fiquem a vontade 🙂

canto do tempo
cotidiano n.3
é assim que está certo
canção para o silêncio
oferenda
desanoitece isabela
aboio
imagem
permissão pra cantar
silêncio
eternidade
descompasso
amiga
crista do boqueirão
rasuras
juca de maria
viola-ação-viola
.

Tukley (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Tenho recebido vários e-mails e mensagens com solicitações de reposição de links, e para esses, a senha para descompactar o arquivo. Vou responder apenas mais uma vez e por aqui, neste post, entendendo que os amigos estejam acompanhando as postagens. Como já disse, os links são postados no grupo GTM (Grupo do Toque Musical), que é como um grupo de discussão, mas funciona de forma passiva, ou seja, o associado tem somente acesso aos links. Não há no grupo outro tipo de interação. O associado não posta nada, apenas colhe links. Esses links, por sua vez tem um prazo de vida, geralmente uns seis meses. Depois que venceu, não há uma reposição imediata. Aqueles que me pedem a senha para descompactar o arquivo, certamente são pessoas que não estão associadas ao grupo, ou são muito desatentas, pois a senha vai sempre acompanhada ao link no grupo. E quem é associado ao grupo já sabe a senha, pois ela não muda. Eventualmente eu coloco um link discreto na última letra do texto da postagem, mas o certo mesmo é irem buscar o link no GTM. Eu sinto muito por aqueles que ainda não entenderam ‘a parada’. Mas quem não lê, não procurar se informar nos textos do próprio Toque Musical, vai continuar voando,..
Segue para hoje este disco, mais uma doação do amigo Fáres, Um artista que eu nem me lembrava.  Aliás, só conhecia pela capa, Tukley. A capa, por sinal, tem um quê de anos 70, lembra bem o estilo pela fotografia e nosso artista representando um mochileiro, coisas da época… Mas o que chama mesmo a atenção é a música de Tukley. Quem escuta o disco pela primeira vez há de pensar que se trata do Raul Seixas. As músicas e o estilo de cantar é todo inspirado no ‘maluco beleza’. Se por um lado essa semelhança é simpática, por outro ela compara e nesse sentido o trabalho de Tukley perde a graça, pois ele acaba se tornando mais que influência. E isso se percebe ao longo da carreira do artista, que em outros discos viria a absorver completamente a personalidade musical de Raul Seixas, se tornando um de seus melhores ‘covers’. Neste álbum de estréia, Tukley segue inspirado dentro da semelhança, mas ainda assim com certa originalidade. O trabalho é bem produzido e os arranjos (não é por acaso) são do maestro Eduardo Souto Neto, um mestre em música incidental no Brasil. Confiram aí essa curiosidade

confusão total
3×4 de um homem
eu nào me importo
anjo dourado
contraste
mãiê
a felicidade espera por você
machucado
depois dos beatles
instantes de prazer
.

Carlão – Liberdade Vadia (1981)

Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Trago hoje para vocês mais um lp da linha ‘nunca ouvi falar, ma que vale a pena ouvir’. Um disco independente e por consequência, um trabalho obscuro dentro do universo fonográfico comercial. Carlão é o nome do artista. algo despretensioso para quem faz uma música de qualidade. Passa-nos a impressão de que foi este seu único disco. “Liberdade Vadia” é um disco autoral dos mais agradáveis, música boa e letras também. Dizem que Carlão foi produtor em discos de Almir Sater e também músico de apoio de Renato Teixeira. Sem dúvida, a música deste compositor tem a mesma atmosfera. Na contracapa podemos ver nomes bem conhecidos, em especial os do pianista Cido Bianchi e do violonista Natan Marques. Por aí já dá para se ter uma ideia do que iremos encontrar pela frente. Não deixem de conferir… Disco muito bom 😉

caminhos
embrião
distância
novo amanhecer
doce delírio
liberdade vadia
lembrança
inconsciente
fazendo as contas
navegar
liberdade vadia / mensagem
.