Acidente – Fim do Mundo (1983)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Por certo os amigos não irão estranhar a diversidade fonomusical. Um dia tem samba, outro tem tango, outro erudito, outro rock… Um verdadeiro drops sortido, onde a cada bala é um sabor. Nosso Toque Musical é assim mesmo, cheio de surpresas.
Hoje tenho para vocês um disco independente da banda carioca, Acidente, lançado em 1983. Há quatro anos atrás eu havia postado aqui um outro disco da banda, o “Guerra Civil”, de 81. Agora eu trago eles de volta neste álbum, “Fim do Mundo”. Um título bem sugestivo para o momento atual pelo qual estamos passando. Aliás, neste lp, muitas das músicas cabem bem nos dias de hoje, títulos e letras que falam de situações trágicas, temas que refletem e serviriam de trilhas para o que estamos vivendo. Contudo, não é algo baixo astral, até porque a banda tem uma pegada divertida e bem rock’n’roll. Na postagem que fiz do outro disco, creio que fui meio injusto com a turma, prá não dizer leviano. Me faltou mais atenção para ouvir o Paulo Malária e sua trupe. Devo admitir, o Acidente é uma banda bem legal. E quando digo isso no presente é porque ainda hoje eles continuam na ativa. Embora não tenham conseguido o reconhecimento que merecem, estão por aí se divertido, tocando e produzindo outros trabalhos. Vale a pena conhecer, ou relembrar…

a lua
melô de miguel pereira
triste sina
sociedade do mal
corpos e pratos
clube 34 blues
a sua mãe morreu
conferência em havana
dança
3. charrão
guerra civil
perdido num mundo de sonhos
baile black
eu vou vazar
diga o nome do senhor
 
 
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Saldanha Rolim – Forró For All (1994)

Olá, amigos cultos e ocultos! O TM destaca hoje o trabalho de um cantor e compositor pertencente a uma segunda geração de cantores e compositores nordestinos que, no início dos anos 1980, se lançaram no sul do Brasil: Saldanha Rolim. Cearense de Panambu, criado em São Luís do Maranhão, já aos dezessete anos de idade ele participava de movimentos culturais no Nordeste, especialmente no Maranhão e Ceará. Foi num seminário de frades franciscanos em Fortaleza que aprendeu as primeiras noções de música e a tocar violão. Daí, talvez, a fórmula de sua música, que tem como ingredientes o amor, a paz, a ternura e sobretudo a alegria, com notória influência de dois mestres do cancioneiro nordestino, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Depois de se apresentar em várias cidades nordestinas, em 1980 Saldanha Rolim foi para São Paulo, e começou a se destacar com seus shows vibrantes, fazendo circuitos universitários e aparecendo em programas de TV. Em pouco tempo, ele criou um estilo próprio ao dar um sotaque novo à rítmica nordestina. Na capital paulista travou contato, entre outros, com Geraldo Vandré, que em 1984 o convidou para participar do show “Das terras de Benvirá”, realizado na cidade de Puerto Stroessner, no Paraguai. Na ocasião, conheceu o cantador mineiro Saulo Laranjeira, de quem se tornou parceiro e passou a conhecer o estado de Minas Gerais, realizando shows em 120 cidades e no qual passou a morar. Gravou seu primeiro álbum, o LP “Rosa miúda”, em 1988. Em 1999, realizou uma turnê pela Itália, apresentando-se como representante do Brasil em nove festivais de verão daquele país ao lado da Família Alcântara, grupo afro-mineiro, com shows nas cidades de Gênova, Milão, Turim e Nápoles, entre outras. Em 2001, apresentou-se em Toronto, no Canadá, e, em 2007, em Portugal, na cidade de Serpa. Um ano depois, novamente em Portugal, apresentou-se nas cidades de Serpa e Caminha com seu espetáculo “Saldanha Rolim e os Tambores de Cantaria”, que já havia percorrido vinte cidades brasileiras em 2005. Em 2011, apresentou-se em dez cidades mineiras com o espetáculo “Saulo Laranjeira e Saldanha Rolim cantam Vandré e Gonzagão”. Este “Forró for all” é o terceiro dos cinco álbuns (até agora) da carreira de Saldanha Rolim, lançado em 1994, já na era do CD.  O título é referência à possível origem inglesa da palavra forró (outras fontes dizem que o termo se originou da corruptela de “forrobodó”, que tanto significa baile popular quanto confusão ou briga).  São onze faixas da mais alta qualidade (houve uma edição para o mercado internacional, com 17 faixas), que mostram por que Saldanha é um dos melhores artistas nordestinos da atualidade. É forró para todos, como quer dizer o título, em mais um trabalho merecedor de nosso Toque Musical. Não deixem de conferir no GTM. 

gosto veneno
pimenta morena
cacimba do meu amor
cana caiana
pot pourri
namoro novo
dendalei
bela menina
lua rei
baton
tô de olho



*Texto de Samuel Machado Filho

Eleny Galvan – Presença (1990)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguindo em nossa saga musical, temos para hoje a cantora Eleny Galvan. Um nome que talvez seja pouco conhecido do grande público e talvez por isso mesmo, aqui no Toque Musical, mereça o nosso destaque. Eleny Galvan é uma excelente cantora e compositora mineira. “Presença” foi seu primeiro disco e este gravado em Belém do Pará, onde morou por um tempo. O álbum foi produzido por Paulo André Barata que também participa do disco no acompanhamento e arranjo. No lp não consta, infelizmente, a data de lançamento, mas tudo leva a crer que foi no início da década de 90 (me corrija, Eleny, se eu estiver errado). No repertório ela canta músicas de sua autoria e também de outros compositores, tanto mineiros como paraenses. É um trabalho bem bacana que nos revela uma grande cantora, tanto assim que traz na contracapa o reconhecimento de quem entende do assunto, gente da música. Ao ouvir “Presença”, logo se percebe as qualidades e potencial dessa cantora. De volta a Minas Gerais, ela continuou seu caminho musical vindo na sequencia a gravar outros discos. Ao que parece, ela gravou mais uns três cds. No Youtube é possível conhecer esses outros trabalhos, que são também muito interessantes. Talvez, numa próxima oportunidade possamos aqui trazer mais coisas dela. Não deixem de conferir no GTM…

toda manhã
o sonhador
azura
presença
caminhos do rei
vamos
desacalanto
don chicote
depois do amor
jeito de viver
 
 
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Francisco Mario – Dança Do Mar (1988)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez marcando presença em nossa praça, trago o compositor mineiro Francisco Mário em um disco póstumo, lançado logo após o seu falecimento, em 1988. Na verdade, Chico Mário deixou antes de sua morte um vasto material inédito que acabou gerando novos discos, que foram editados ao longo dos anos seguintes. “Dança do Mar” foi o primeiro, lançado pela família, de forma independente. Este trabalho foi concebido como um autêntico álbum/livro, uma produção luxuosa cujo o encarte, em forma de libreto, trazia poemas de Dorival Caymmi e ilustrações de pinturas de Lobianco. O disco se divide em sete momentos: Verão, Outono, Inverno, Primavera, Calmaria, Amanhecer e Tempestade. Foi lançado meses depois em um show na Sala Cecília Meireles que contou com a participação de grandes nomes como Antonio Adolfo, Rafael Rabello, Rique Pantoja, Mauro Senise e o grupo Galo Preto. Este disco voltou a ser relançado, creio que em formato digital, alguns anos depois e também foi lançado no exterior. Confiram no GTM esse maravilhoso trabalho…

verão
outono
inverno
primavera
calmaria
amanhecer
tempestade

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Emmanuel – Qual Será O Amanhã Da Nossa Flor (1994)

Boa noite, amiguíssimos cultos e ocultos! Falávamos antes sobre discos de vinil obscuros e isso é o que não falta no campo dos independentes. E entre esses há de tudo e para todos os gostos. De caprichos pessoais a obras de verdadeiro interesse fonográfico. Passeando entre essa obscura e curiosa produção independente mineira encontrei este lp. Pelo nome do artista, Emmanuel, pensei também que fosse mais um disco de temática Espírita. Mas bastou ler a contracapa e evidentemente ouvir o disco para perceber que não tem nada a ver. Trata-se apenas de um trabalho autoral e por certo, amador. Como se pode ver pela contracapa, todas as músicas e arranjos são do próprio artista. Ele conta com a participação do Vermelho, músico integrante do 14 Bis. O disco foi gravado na Bemol, por tanto tem boas referências e já nos convida a escutar. Pessoalmente, achei boas as músicas e as letras, porém os arranjos são um tanto pretensiosos, com muitos teclados eletrônicos, buscando um pop que não se sustenta. Mesmo assim, não deixa de ser curioso para quem como nós escuta música com outros olhos. O importante é assim, variado… 🙂

qual será o amanhã da nossa flor
primavera
espaço nave
ninho de amor
america do sul
sereia
sedução
asa delta
além do além
iracema
pajuçara
aroma



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Emilio Pieroni – Conselhos do Além (1993)

Bom dia a todos os amigos cultos e ocultos. Como todos sabem, nosso Toque Musical é ‘um espaço para quem escuta música com outros olhos’, ou seja, um lugar onde cabem todas as manifestações fonomusicais e em especial aquelas feitas no Brasil. Vez por outra gostamos de ter discos diferenciados, de raro acesso por conta principalmente de serem produções independentes, de pequenas tiragens e até mesmo pela curiosidade de seus conteúdos. Já postamos aqui discos ligados a temática religiosa, mas creio que esta seja a primeira vez que publicamos um disco relacionado ao Espiritismo. “Conselhos do Além” foi um disco gravado pelo violonista e compositor mineiro Emílio Pieroni, em 1993. Trabalho autoral e inspirado na leitura do livro “Nosso Lar”, de André Luiz – psicografado por Chico Xavier. O disco traz belas melodias e mensagens sempre positivas, repertório frequente nos encontros do Grupo da Fraternidade Irmã Ló. Confiram no GTM…

conselhos do além
luz guardiã da noite
pivete não, irmão
amor e busca
será feliz
o homem de bem
renovar
ao cantarmos
eterno almir



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Fogo No Circo (1982)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Voltamos aos mineiros, aos discos regionais, que não foram muito além das montanhas. Assim como em outras regiões do Brasil temos essas edições, por vezes independente ou lançadas por alguma gravadora local. Edições limitadas com pequeno número de cópias. Assim, muitas vezes, algumas coisas ainda passam batidas. Até que alguém ‘levanta a lebre’, descobre aquele disco bacana e obscuro, caí na Rede, nas mídias sociais e se torna uma raridade. Mas isso só rola quando o interesse vem ‘da gringa’, quando algum japonês mais esperto descobre a pérola. E não é de hoje que o foco deles foi ampliando e o interesse por discos de edições independentes e regionais só tem aumentado. Estão levando tudo embora. Aqui, um bom exemplo: “Fogo no Circo”, um obscuro lp lançado em 1982, de forma independente pela banda mineira, de mesmo nome. Este disco é mais um objeto de desejo desses colecionadores que pagam caro para tê-lo em sua coleção. Ainda mais, em se tratando de um trabalho com características de ‘folk-rock’. Há por aí muita gente interessada. O meu ninguém leva e olha que já me ofereceram uma boa grana!
Fogo no Circo foi uma banda surgida em Belo Horizonte no início dos anos 80. Por incrível que pareça não há na Rede nenhuma referência sobre ela. Tudo que podemos saber está no próprio álbum, que embora completo em sua ficha técnica e um quase manifesto artístico, não nos leva muito longe. Achei o Paulo Horta no Facebook, guitarrista da banda. Em seu perfil há algumas referências ao Fogo no Circo. Deixei lá um recado, quem sabe um dia desses ele resolva voltar ao FB e venha aqui nos contar nos Comentários um pouco sobre a banda. De resto, o que posso dizer é que se trata de um disco bacana, bem acima da média com todas as características de mineiridade. Composições inteligentes, harmoniosas com uma boa pitada de humor, rock, pop, xote, frevo e tudo mais… Confiram no GTM.

xote mineiro
talvez um dia desses
pimenta com jiló
la luna
festival
caramelo bill
as maravilhas da cura oriental
aritmética do amor
minas gerais
frevo rasgado

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Geraldo Vianna – Grilos No Campo (1989)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Há alguns anos atrás eu postei este disco do violonista mineiro Geraldo Vianna aqui no Toque Musical, o belíssimo trabalho “Grilos no Campo”, lp lançado em 1989, de maneira independente. Postei, mas de forma bem impessoal e hoje, verificando, achei que ficou mesmo muito incompleta. Este disco foi lançado em 1989, de forma independente. Foi seu primeiro lp, abrindo uma sequencia para mais outros 19 discos, até esta data. Trabalho instrumental de primeiríssima como composições próprias e também músicas de Tavinho Moura, Milton Nascimento e Fernando Brant, Garoto e Gilberto Gil. Ele vem acompanhado por Ivan Corrêa no contrabaixo; Lincoln Cheib na bateria; Márcio Batista e Ricardo Cheib na percussão. A música “Grilos no Campo” foi premiada no Festival de Música Popular de Avaré, SP.
Geraldo Vianna além de violonista e compositor é também arranjador, pesquisador e produtor musical, tendo em seu currículo trabalhos de produção de grandes artistas mineiros, espetáculos musicais para teatro e cinema. Sem dúvida, um grande talento mineiro. Não deixem de conferir no GTM.

baião da volta
choro no beco
de dentro de mim
domingo no parque
grilos no campo
gente que vem de lisboa
carioquinha
san vicente

 

Gauguin – O Outro Lado Do Tempo (1985)

Boa tarde, caríssimos amigos cultos e ocultos! Estou trazendo hoje para vocês este disco, produção independente, primeiro lp do músico e produtor mineiro Marcos Gauguin. Para os que não conhecem, Gauguin faz parte da cena musical belorizontina, hoje um repeitadíssimo produtor. Participou da banda Sagrado Coração da Terra e também do projeto Sargent Peppers, uma das melhores bandas cover dos Beatles. Tem participação em discos de diversos artistas mineiros. Também atuando como produtor, foi responsável por boa parte dos lançamentos das primeira bandas de heavy metal de Minas, através da Cogumelo, lendária loja e editora mineira de onde saíram, entre muitas, as bandas Sarcófago e Sepultura. Gauguin também produziu discos de outros artistas e bandas famosas, como o Skank. Neste seu lp temos um trabalho totalmente autoral, sendo algumas parcerias com Chico Amaral, Paulo Horta e Afonsinho. O disco foi gravado no estúdio do João Guimarães, baterista do Kamikaze, que também participa em quase todas as faixas, juntamente com o Chico Amaral. Confiram este ‘esquecido’ no GTM.

melhor assim
tudo ou nada
uma canção
estação de trânsito
nuvens
telefone
constelação
o outro lado do tempo
quarto crescente
 


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Perinho Santana – Falsamente Suave (1982)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical apresenta hoje o primeiro dos dois únicos álbuns-solo gravados pelo cantor e guitarrista baiano Péricles Bastos de Santana, o Perinho Santana, “Falsamente suave”, lançado em 1982. Também compositor, arranjador e produtor musical, Perinho nasceu em Salvador, Bahia, em 1949, e tocou com artistas de peso da MPB, tais como Raul Seixas, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Gal Costa e Luiz Melodia. Foi este último, aliás, que Perinho acompanhou por mais tempo, estando presente em boa parte da carreira do cantor e compositor. Eles foram parceiros nas músicas “Só” (“Mesmo se tudo juntar por aí/ em nós, o só há de sempre existir”) e “Sonho imaginação”, esta última no presente álbum. O último trabalho de Perinho Santana foi com o grupo O Síndico, com ex-integrantes da banda de apoio de Tim Maia. Perinho faleceu em 30 de novembro de 2012, no Rio de Janeiro, aos 63 anos, de parada cardíaca. Mas estará sempre na lembrança de todos aqueles que apreciam o que é bom. Neste disco, são oito faixas com música da mais alta qualidade. Além da já mencionada “Sonho imaginação”, há ainda parcerias com Caetano Veloso (“Nem sonhar”) e Paulinho Zdanowski (“Forte ilusão”), sendo as demais composições sem parceiros. E Perinho ainda faria mais um disco além deste, o CD “Amor de verdade”. Enfim, este é mais um trabalho de primeiríssima linha, merecedor desta postagem do nosso blog. Confiram!

nem sonhar
coração
o teu olhar
l-5
falsamente suave
sonho imaginação
tema do céu
forte ilusão
 

*Texto de Samuel Machado Filho 

Mário Lúcio de Freitas – Gota Mágica (1981)

Boa noite prezados amigos cultos e ocultos! No último momento, antes de soarem os gongos, aqui estamos com a postagem do dia. Temos um disco independente, “Gota Mágica”, trabalho muito bacana do músico, compositor e arranjador Mário Lúcio de Freitas. Um álbum autoral de cabo a rabo, músicas e letras, arranjos e regências e porque não, também a produção. Acredito que este tenha sido seu único disco antes de partir de vez para a publicidade, criando jingles e trilhas. Ele foi o responsável por vinhetas famosas de programas como o seriado infanto juvenil Chaves, desenhos animados como Cavaleiros do Zodíaco e Sailor Moon. Fez trilhas para novelas do SBT e também dublagem. Antes disso, porém, ele fez parte das bandas The Jet Black’s, The Beatnicks, Os Incríveis, Os Iguais e outros grupos de bailes.. Gota Mágica além de título do seu disco passou também a ser o nome de seu estúdio, onde gravou trilhas e discos para programas infantis como Bananas de Pijamas e Dragon Ball. De tudo, uma coisa eu garanto, este disco é o lado mais artístico de um profissional da publicidade. Boa letra e boa música. Não deixem de conferir no GTM.

gota mágica
confiar é fatal
novo encanto
o sistema
o amanhã não vem
cordel
ai que bom
piada
escorpião
sonhos de autista

 

O Ciclo Vargas – Um Visão Através Da Musica Popular (1983)

Olá, amigos cultos e ocultos! Esta postagem de hoje do Toque Musical é um LP duplo da série “Uma visão através da música popular”, produzida pelo Sesc em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, a mesma da qual apresentamos anteriormente o disco dedicado à Revolução de 1932. Desta vez, é abordado o longo período em que Getúlio Vargas governou o Brasil, tanto que várias de suas faixas já foram apresentadas nos dois volumes da coleção Grand Record Brazil sobre a Era Vargas, cujas resenhas foram de minha responsabilidade, e nas quais vocês poderão encontrar maiores informações sobre esse importantíssimo período da história do Brasil. O disco ainda apresenta duas paródias fazendo referência a Getúlio, das músicas “Taí” e “Gosto que me enrosco”, com o coral da gravadora Eldorado, e o samba-enredo “61 anos de República”, apresentado pela escola Império Serrano em 1951, mas só gravado em 1976. Enfim, um documento histórico que o TM põe à disposição.

harmonia harmonia
comendo bola
g-e-gê (seu getúlio)
gosto que me enrosco
taí
a menina presidência
glórias do brasil
onde o céu é mais azul
é negócio casar
o sorriso do presidente
brasil brasileiro
diplomata
salve 19 de abril
palacete do catete
salada política
ai! gegê
juramento de getúlio vargas na posse de presidente 1951
setenta e um anos de república
ministério da economia
coisa modesta (gegê)
trabalhadores do brasil
se eu fosse o getúlio
ele disse
hino a getúlio vargas



*Texto de Samuel Machado Filho

Grupo Nós – Rasante (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical oferece a vocês o primeiro LP do grupo Nós, formado em Ribeirão Preto, em 1978, com o nome de Nós 4 e descendente direto de outra banda, o Grupo 17, muito conhecido na região nos anos 1960/70. O disco foi lançado em 1980, de forma independente, e tem sonoridade influenciada pelo rock progressivo, folk e MPB. E este foi apenas o início de uma carreira bastante promissora, que dura até hoje, mesmo com o falecimento de dois de seus fundadores, Henrique Bartsch e Johnny Oliveira. Portanto, é mais um produto de qualidade que o TM orgulha-se em oferecer. No arquivo do disco temos incluído mais informações sobre o grupo. Não deixem de conferir!

1968

circulo vicioso

rasante

retrato em 3×4

vozes

montes de minas

trombadinha

ao meu redor

andando nos andes

falo calado

razão blue


*Texto de Samuel Machado Filho

O Santo Sudário – TSO (1980)

O santo sudário é uma relíquia que, segundo alguns acreditam, foi o pano que envolveu Jesus Cristo quando ele morreu. Guardado em Turim, na Itália, o sudário tem a imagem de um corpo ensanguentado, com feridas parecidas com as de Jesus. Foi revelado no século XV e se tornou uma atração entre os fiéis cristãos. Algumas referências mais antigas sugerem que o sudário é mais antigo que isso ou que outros panos com imagens de Jesus já existiam. No entanto, não existe evidência sólida que foi o pano que envolveu o corpo de Jesus. O santo sudário foi tema de diversos documentários. Um deles foi feito em 1980, sob a direção de Paulino Brancato Jr., até então o único jornalista que teve permissão para entrar na Igreja de São João Batista, em Turim, e filmar o santo sudário. E é justamente a trilha sonora desse filme, com arranjos e regência de Eduardo Assad, que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. O lado A tem as músicas do filme acrescidas de narração, com atores interpretando Jesus Cristo, Maria, João Evangelista, Pôncio Pilatos e um jornalista e, no lado B, apenas a execução instrumental. Um trabalho interessante e curioso, que merece uma conferida. 

funk in turin
sarqabandi – 2 mov
judas macabeu – 1 mov
sarabandi – 1 mov
ave maria
judas macabeu  – 2 mov
sarabandi 2 mov
sarabandi – 1 mov
judas macabeu – 2 mov
ave maria
judas macabeu – 1 mov
sarabandi – 2 mov
funk in turin

*Texto de Samuel Machado Filho

Nelson Coelho De Castro – Juntos (1984)

Compositor, cantor e produtor musical, Nelson Coelho de Castro bate ponto hoje aqui no Toque Musical. Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 17 de abril de 1954. Entre 1965 e 1968, fez parte de um grupo de meninos cantores do Colégio São João, em sua cidade natal. Estudou violão clássico e popular com Ivaldo Roque. Em 1974, no festival do Colégio Parobé, ganhou o Prêmio Comunicação. No MusiPUC, importante festival cultural que a Rádio Continental AM, sempre ligada ao movimento cultural de Porto Alegre, transmitia ao vivo, ganhou vários prêmios. Em 1975, fez sua estreia nas “Rodas de som” de Carlinhos Hartlieb, projeto dedicado a promover a música local. Em 1977, formou-se em jornalismo. No mesmo ano, realizou seu primeiro espetáculo, “E o crocodilo chorou”, ao lado do seu grupo Olho da Rua, dirigido por Luciano Albanese. Sua estreia em disco acontece em 1978, participando do álbum misto “Paralelo 30”, produzido pelo jornalista Juarez Fonseca, com as faixas “Rosa calamidade” e “Águias”. Em 1979, lançou seu primeiro compacto simples, com “Faz a cabeça” e “Hei de ver”., Entre 1980 e 81, produziu e lançou o primeiro disco independente feito no Rio Grande do Sul, exatamente este “Juntos”, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos num relançamento feito em 1984. Nelson Coelho de Castro tem uma discografia de dez álbuns lançados, o mais recente, “Lua caiada”, de 2010. É mais uma personalidade que o TM tem o prazer de focalizar, através de seu primeiro LP-solo, documento de um início de carreira bastante promissor.

o beijo
armadilha
juntos
zé aquele tempo do julinho
todos homens
desfilar
vanda bonita
sol
ponto nodal
por favor a
gosto



*Texto de Samuel Machado Filho

Sergio Boré – Tambores Urbanos (1983)

Um verdadeiro autodidata. Assim é o percussionista Sérgio Boré, que bate ponto aqui no TM através de seu primeiro álbum solo, editado em 1983. Gaúcho de Porto Alegre, Sérgio criou ritmos para gigantes da MPB , gravou mais de 150 álbuns com diferentes artistas e se tornou conhecido internacionalmente. É um mestre não só do ritmo mas também do som em geral. Ele evoca todas as cores das vibrações do seu arsenal de instrumentos e finalmente adiciona sua voz. Sua música é intensamente alimentada de espiritualidade. Foi em 1982 que Sérgio Boré criou seu próprio projeto musical, o Tambores Urbanos. A ideia é de sempre convidar músicos amigos para que contribuam com sua criatividade. A música fala de liberdade e improviso e Sérgio não hesita em chama-la de música livre brasileira. Ele ainda colabora extensivamente com grupos de teatro e dança e compõe trilhas sonoras para filmes. O presente álbum, lançado de forma independente, é o início do projeto Tambores Urbanos, e conta com as participações especiais de Geraldo Azevedo , Bebeto Alves e Elba Ramalho. Enfim, um trabalho que nos leva, inevitavelmente, a um mundo de ritmos, intuição e espaços de sons.

adivinhação
tambores urbanos
chamada criolla
el conde
pingentes
lamento africano
ideo logias
luz da lua
 


*Texto de Samuel Machado Filho 

Nova Estação – Guerra Nas Estrelas (1985)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês o que poderia ser um re-postagem. Há pouco mais de uns três anos eu postei aqui o disco Momentos Mágicos, do grupo mineiro Nova Estação. De quebra, também apresentei uma versão deste disco, Guerra Nas Estrelas. Naquela época eu não tinha o disco, apenas as músicas e nem o líder da banda, o doutor Carlos Eduardo, meu acupunturista, tinha um exemplar para me emprestar. Acabei dando a ele o Momentos Mágicos e prometi que se um dia encontrasse o Guerra Nas Estrelas também o presentearia. Eis que ontem, na loja de discos de um amigo, encontro o tal disquinho. Paguei caro por ele, mas infelizmente, ao chegar em casa percebi que o lp estava quebrado. Uma pena, tive que devolver. Mesmo assim, antes de entregar, consegui com muito cuidado digitalizá-lo e assim, pelo menos, publicá-lo dentro dos conformes 🙂 Taí, mais um disquinho bacana, produção independente e mais arrojada. Um trabalho totalmente autoral. O Nova Estação foi um grupo essencialmente mineiro que infelizmente, embora tenham lançado dois discos, ficou só na lembrança. E que fique também na história da musica mineira.

guerra nas estrelas
telefone
casa dos sonhos
flor de lis
kamikaze
luar de papel
cristal
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Paralaxe – Quartzo (2015)

Bom tarde amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou trazendo para vocês o trabalho do meu amigo Rafael Carneiro e sua banda Paralaxe. Na verdade, trata-se de um duo, ou seja, os músicos Rafael Carneiro e Fred HC. Trabalho super bacana e de altíssima qualidade realizado em 2014 e lançado no ano seguinte. Com tanta coisa sendo lançada hoje em dia de forma independente, fica quase impossível separar o joio do trigo, ou até mesmo identificá-los se não for ouvindo.
Incluo aqui, pra facilitar a minha vida, uma resenha já pronta sobre o grupo e sobre este disco, que desde já eu recomendo 😉
A enzima inicial da Paralaxe nasce em 2003, da vontade de fazer experiências musicais pautadas por poesia; vontade que foi se destilando na ideia de criar canções em forma de música eletrônica – ou fazer música eletrônica que tomasse forma de canções. Formada por um dos melhores letristas e vocalistas da cidade, Fred HC, e por um guitarrista que é uma verdadeira usina de estilos, Rafael Carneiro, a Paralaxe tem três discos lançados (“Paralaxe”de 2005, “Under Pop Pulp Fiction”, de 2007 e “Deus Ex Machina”(2011).
O último disco da banda, “Quartzo”, lançado em 2015, é um dos projetos mais interessantes e arrojados da cena independente nacional: um disco de vinil gravado no estúdio no Bunker Analog, incrível iniciativa do músico Anderson Guerra, localizado no bairro Santa Efigênia. Trata-se de um dos poucos estúdios no país especializados em gravações analógicas, ou seja, abrindo mão da infinidade de recursos digitais que ocupam as gravações atuais e voltando ao velho esquema utilizado para a gravação de vinis e cassetes. Assim, a sonoridade eletrônica da banda foi transfigurada em sons orgânicos que pedem bênção ao soul, ao jazz, ao blues. Um trabalho imperdível de uma banda fundamental para BH.

barry allen beri beri
clubber do milharal
magdalena
lázaro
juliano doido
bin laden é bruce wayne
retrato
acho que passei do tempo
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Coral Do Maranhão – As Mais Belas Canções (1963)

Hoje o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos mais um ótimo álbum de música erudita produzido no Brasil. É “As mais belas canções”, com o Coral do Maranhão, lançado de forma independente (o disco não traz o ano de gravação, mas parece ser de 1963, um ano após a criação do grupo). Regido por Bruno Wyzuj, polonês radicado no Brasil, sobre o qual se dispõe apenas das informações constantes da contracapa, o coral é afinadíssimo, e apresenta um repertório selecionado de 13 peças eruditas, compostas pelos melhores autores, inclusive Brahms (“Taublein Weiss”, “In stiller nacht”) e o nosso Heitor Villa-Lobos (“Estrela é lua nova”, “Xangô”). Curiosamente, um dos tenores do coral, Murilo, era membro da família Sarney, de larga tradição na política maranhense! Detalhe à parte, o disco (ao que parece o único gravado pelo Coral do Maranhão) é de ótima qualidade, sendo por isso merecedor da postagem de nosso Toque Musical.

au joly jeu
el grillo
canzona napoletana
madona per voi ardo
je ne fus jamais si ayse
the silver swan
so ben mi cha bon tempo
ave maria
estrêla é lua nova
xangô
meninas vamos ao vira
lonesome valley
taublein weiss
in stiller nacht

*Texto de Samuel Machado Filho

Tadeu Franco – Alma Animal (1989)

Uma das maiores revelações da MPB na década de 1980, Tadeu Franco volta a bater ponto aqui no TM. Recebendo na pia batismal o nome de Geraldo Tadeu Pereira Franca, ele nasceu na cidade mineira de Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, em19 de agosto de 1957, filho de Didico de Sousa Franca e Esmeraldina Rodrigues Franca, ambos funcionários dos Correios e Telégrafos. Aos cinco anos de idade, Tadeu muda-se para Teófilo Otoni, onde permanece até 1978. É lá que ele começa sua carreira, cantando em aniversários de amigos, sob protestos do pai, que o considera muito moço para tais apresentações.  Aos dez anos, ganha um acordeom de presente, mas prefere o violão, que o acompanha até hoje. Nos programas de calouros da rádio de Teófilo Otoni, a ZXY7, encanta o auditório com seu precoce romantismo e, nas serenatas noturnas, interpreta músicas de Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Geraldo Vandré e Gonzaguinha. Ao mudar-se para Belo Horizonte, trabalhou como vendedor , mas foi cantando na noite que conheceu Mílton Nascimento. Com ele, mais Simone, Tadeu Franco grava, em 1982, a música “Comunhão”, faixa do álbum “Ânima” (o videoclipe da música, veiculado no “Fantástico”, da TV Globo, é considerado um dos mais belos da história do programa). Atuou no projeto “Fim de Tarde”, da Sala Humberto Mauro, do Palácio das Artes, e viajou no “Expresso melodia”, da Rádio Inconfidência. Apresenta-se também em shows por todo o país, cantando em praças públicas, circos, showmícios, favelas, teatros, ginásios, cinemas, casas paroquiais, feiras agropecuárias… Em 1984, vem seu primeiro álbum-solo, “Cativante”, já oferecido a vocês pelo nosso TM, devidamente produzido pelo mestre Mílton Nascimento, com arranjos de outras “feras”, Wagner Tiso e Túlio Mourão. Depois, vieram “Alma animal” (1990) – que o TM nos traz hoje – e “Orlando” (1995), uma homenagem ao cantor Orlando Silva, apresentando dezesseis de suas músicas mais conhecidas. Recebeu, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o título de Cidadão Honorário, e a Comenda Rômulo Paes, de Mérito Artístico. Casado com Solange Vieira de Faria Franca, com quem tem uma filha, Laura. É torcedor do Cruzeiro. “Alma animal”, que o TM hoje oferece a seus amigos cultos e ocultos, é o segundo álbum de Tadeu Franco, produção independente lançada em 1990. É um trabalho que foi bastante elogiado pela crítica especializada, e é dedicado a Mílton Nascimento (como não poderia deixar de ser), Dona Esmeraldina e Carlos “Pavão” Ernesto. São dez faixas, quase todas de sua autoria com parceiros do porte de Beto Guedes, Sérgio Santos e Heraldo do Monte, além da “Lira IV”, de Tomás Antônio Gonzaga, que Tadeu musicou. Enfim, é mais um trabalho de primeira qualidade que o TM nos apresenta, comprovando o talento e a sensibilidade de Tadeu Franco.

alma animal
as estações do amor
no desafio do mar
meu tamanho
mudança de tempo
dona julia
lira iv
a paixão é sempre passageira
esperando a feijoada
bonito

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Lucena – Pomar Dos Deuses (1992)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Marcando presença mais uma vez em nosso Toque Musical, hoje temos um outro disco do Cacá, Carlos Lucena, um dos grandes nomes da música mineira, artista que aqui está pela terceira vez com este maravilhoso trabalho de 1992, “Pomar dos Deuses”, produção independente e autoral. Um disco que devido a sua tiragem limitada, hoje em dia adquire o status de raridade. Aliás, todos os disco do Carlos Lucena são ‘coisa rara’, vale muito uma conferida em seu trabalho.  🙂

pomar dos deuses
do céu da cabeça
olhos de lua
plataforma dos cristais
diamantes
nada demais
um tom de amor
o canto dos duedes
vi oh…

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Grupo Olá (1980)

Olá! Será que os amigos cultos e ocultos se lembram deste disco? Principalmente aqueles que ainda eram crianças entre o final da década de 70 e início dos 80. Temos aqui o ‘Olá’, mais que um simples disco infanto-juvenil, um projeto realmente interessante criando pela pedagoga Denise Mendonça. Uma ideia que nasceu nos anos 70 quando Denise se encontra com Maria Mazzetti, também professora, escritora e poeta, que dedicou seu trabalho à educação infantil. Mazzetti foi uma incentivadora de Denise, oferecendo a ela seus poemas para serem musicados. Dessa parceria nasceu no início de 80 o bem idealizado lp independente ‘Olá’, um disco muito bem produzido, gravado em Belo Horizonte, na Bemol, com direito a libreto com todas as músicas, recheado de desenhos e ainda um compacto duplo, pois ao que parece, não coube tudo num disco só. Este disco foi lançado em 1980, mesmo ano em que começaram as atividade do Instituto de Arte Tear, criando também por Denise Mendonça, no Rio de Janeiro. A propósito, este trabalho foi relançado em cd, mas me parece que em uma nova gravação. Denise, continua a frente do Tear, tentando manter acessa a chama da educação e cultura, hoje em dia tão golpeada em nosso país. Ouve só… 🙂

dia diferente
elefante elegante
nhoque
tô toque-toque
rua do muito barulho
desencaracolando
correndo, correndo, correndo
parou paradinho
gato xadrex
quem mora
meu boizinho
calhambeque
viagem maluca
cadê meus óculoses
esconde, esconde
um barquinho
o que eu descubro
compacto:
ouve só
plantando flor
cantiga de embalar papai
tesouro do pirata
.

Giba Ferreira (1982)

Olá amiguinhos cultos e ocultos! Neste mês de aniversário, eu pretendo estar mais presente, ou seja, mantendo postagens mais regulares, talvez até diárias. Assim, pelo menos, nessa data comemorativa, podemos ter um ‘algo mais’ 😉
Para hoje eu trago esse lp, produção independente lançada no início dos anos 80. Trata-se do primeiro disco do compositor Giba Ferreira. Um nome ainda hoje desconhecido do grande público. Pesquisando no Google, não encontrei nada a seu respeito além, é claro, deste disco sendo vendido no Mercado Livre. No texto da contracapa (parece até ironia) também apresenta o artista de forma vaga. Quem é Giba Ferreira? “Não há referências musicais e nem curriculuns extensos.” E pelo jeito, com o passar do tempo, ele parece ter não ter vingado, apesar de ter aqui um trabalho muito bom, assessorado por nomes de peso como Amilton Godoy, Toquinho, Silvinha, Tetê Espíndola, Eliana Estevão… Tem também o grupo instrumental Medusa que faz a base para todo o trabalho. Vale a pena ouvir e conhecer. Como disse, no Mercado Livre é possível encontrar alguns. Este, eu ganhei do meu amigo Fares e já faz pare da coleção 😉

valsinha pro guy
chegou o tempo
abandono
virada
profissão de fé
travelling
tá na cara
a pessoa que eu amo
meta- morfases
mais cedo ou mais tarde
zombaria
.

 

Juão – Cheiro De Mudança (1982)

Olá amigos cultos e ocultos! Procurando sempre manter os olhos e os ouvidos ligados em coisas raras do nosso universo fonomusical, eu hoje trago para você uma produção independente, um disco que não sei de onde apareceu por aqui. Com diz o Roberto Carlos, são tantas as emoções, fica difícil as vezes saber de onde surgiu. Para piorar, eu não encontrei nenhuma informação sobre o artista e seu disco. Daí, tudo que posso dizer é que se trata de um trabalho bem interessante. Juão, o artista, é aqui um intérprete que traz em seu lp um repertório de primeira, com músicas selecionadas, algumas de sucesso, bem conhecidas do público. Caetano, Fagner, Cátia de França, Chico Buarque e outros fazem parte do seu leque musical. Produção independente lançada no início dos anos 80. Vale a pena conferir 😉

caçada
kukukaia
traduzir-se
caçador de mim
com a mão no ombro
vida vida vida
trampolim
a felicidade bate a sua porta
gente
notícias do brasil
estrela da terra
gera luz

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Antonio Carlos Nóbrega – Compacto (1983)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguimos hoje com este compacto duplo, disquinho bem raro do violinista pernambucano Antonio Carlos Nóbrega. Na verdade, este foi seu primeiro registro fonográfico autoral, lançado de forma independente no ano de 1983, conforme relato na contracapa. Antes disso ele integrava o maravilhoso Quinteto Armorial, grupo precursor na criação de uma música de câmara brasileira e raízes populares. Inclusive, aqui no Toque Musical, já foram postados dois discos do grupo.

desassombro
mateus embaixador
calu
romance do rei d. sebastião

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Aline (1979)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Estou trazendo hoje um disco o qual eu pensava que já tivesse postado aqui. Aliás, este lp passou por várias vezes na minha mão. Recentemente, entre compras e doações, apareceu ele aqui de novo. Um disco realmente muito interessante, um dos primeiros lançamentos independentes surgidos no final dos anos 70. Trabalho de estréia e de altíssima qualidade da cantora mineira, de Montes Claros, Aline Mendonça Luz. Antes deste lp, a cantora já havia gravado um compacto, em 73, mas este nem chegou a ser realmente divulgado. Elogiada pela crítica e por músicos do calibre de João Bosco e Toninho Horta, Aline tinha tudo para ser uma das maiores cantoras brasileiras, mas como sempre, quem dita nomes nem sempre dita qualidade. Não é atoa que chegamos hoje à grande cantora do momento, Pablo Vittar. As coisas são assim… A música popular brasileira a cada hora, piora… Ainda bem que temos espaços como o Toque Musical, onde se pode ouvir, além de curiosidades, raridades. Temos assim este álbum, produção independente, raro e numerado, lançado em 1979. Neste trabalho, Aline conta com um time de músicos de primeiríssima e um repertório muito bem selecionado. Disco super elogiado e hoje ainda mais raro por conta dos japoneses que levaram boa pare da produção.

cavaleiro e os moinhos
perna curta
amo-te muito amo-te mesmo muito
vento de maio
esta é a sua vida
tá lembrado de mim
ponta do seixas
a mulata
a carta
meu amor não sabia
negação
amanheceremos

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Reviat Zikim II – Canto De Paz (1969)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mantendo sempre o lema de ser aqui um lugar para se ouvir música com outros olhos, hoje eu trago para vocês este lp do grupo Reviat Zikim, formado por jovens da comunidade judáica, aqui no Brasil. Trata-se, por certo de um grupo folk e aqui em seu segundo disco. Infelizmente, as informações sobre eles se resumem mesmo ao que consta na contra capa. Nem mesmo o primeiro trabalho eu consegui localizar. Acredito que, como este, deve ter sido uma produção independente, o que o torna ainda mais raro. E nesse sentido é mesmo, um obscuro lp ‘brasileiro’ super bem contado em listagem de colecionadores japoneses. Por sorte, este disco que apresento a vocês está completo, quer dizer, incluindo encartes com as letras também traduzidas. A propósito disso, as mensagens nas músicas são sempre otimistas, de paz, amor e fraternidade (entre judeus, claro). No final do texto de contracapa há uma curiosa frase:”Só quem tem a paz dentro de si, pode trazer a paz ao mundo”. Muito bonita, por sinal. Mas quando lembro da Palestina…
Bom, deixa prá lá. Melhor a utopia musical.

shir hashalom
shuv lo nelech
lu haiti pirat
mot haparfar
leiad hamessilá
ishá chassidá aitá
tzif tzif, meal ratzif
har haguilboa
ma she siprú
zo she adain machaká
shalosh haavotai
machrozet russit

.

Revolução de 32 – Uma Visão Através Da Música Popular (1981)

Hoje o TM tem, a grata satisfação de oferecer a seus amigos cultos e ocultos um precioso documento sonoro, focalizando um dos maiores movimentos armados da história do Brasil: a Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrida no estado de São Paulo entre julho e agosto de 1932, com o objetivo de derrubar o governo (então) provisório de Getúlio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. O golpe de estado decorrente de outra Revolução, a de 1930, depôs o então presidente da República, Washington Luiz, impediu a posse de seu sucessor, Júlio Prestes, eleito nas urnas, depôs a maioria dos governadores de estado (então chamados de “presidentes estaduais”), fechou o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas Estaduais e as Câmaras Municipais, e por fim revogou a Constituição então vigente, a de 1891. Getúlio Vargas assumiu a presidência da República, em novembro de 1930, com amplos poderes, porém, sob a promessa de convocar novas eleições e formar nova Assembleia Nacional Constituinte. Entretanto, nos anos subsequentes, essa expectativa deu lugar a um sentimento de frustração, dada a indefinição quanto ao cumprimento de tais promessas e o ressentimento contra o governo provisório, principalmente no estado de São Paulo, pois Getúlio governava de forma discricionária por meio de decretos, sem respaldo de uma Constituição e de um Poder Legislativo. Essa situação também fez diminuir a autonomia que os estados brasileiros possuíam durante a vigência da Constituição de 1891, pois os interventores nomeados por Vargas, em sua maioria tenentes, não correspondiam aos interesses dos grupos políticos locais e frequentemente entravam em atritos.  No dia 23 de maio de 1932, houve um protesto contra o governo federal em São Paulo, e durante os confrontos com as tropas getulistas, quatro jovens foram mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Este foi o estopim do movimento, cujo nome era a sigla das quatro vítimas, MMDC, deflagrado a 9 de julho (data que hoje é feriado estadual em São Paulo). Com a ajuda dos meios de comunicação da época, em especial o jornal “A Gazeta” e a Rádio Record, o movimento ganhou apoio popular e mobilizou 35 mil homens, pelo lado dos lado dos paulistas, contra 100 mil soldados do governo Vargas. Esperava-se apoio de outros estados, mas o movimento ficou isolado, desenvolvendo-se uma série de batalhas. Foram quase três meses de batalhas e conflitos sangrentos em todo o estado paulista. E tudo isso terminou em 2 de outubro de 1932, com a derrota militar dos constitucionalistas. No entanto, em termos de denúncia política, o movimento foi moralmente vencedor, pois logo após o término do conflito, o governo convocou eleições para uma Assembleia Constituinte, que promulgou uma nova Constituição para o Brasil, em 1934. E com a participação das mulheres no processo eleitoral, o que acontecia pela primeira vez no país. É justamente esta importante página da história do Brasil que é contada pelo álbum hoje oferecido pelo TM, lançado em 1981, um ano antes do cinquentenário do movimento, pelo SESC (Serviço Social do Comércio) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, parte de uma série iniciada pouco antes com a Revolução de 30 (o disco não chegou às lojas e só foi vendido nas unidades do SESC). Na capa, reproduz-se o cartaz de convocação dos paulistas à luta, feito pelo MMDC. A pesquisa e a produção musicais ficaram por conta de Jairo Severiano e MiguelÂngelo de Azevedo, o Nirez, que também contribuíram com fonogramas de seus acervos, juntamente com outros pesquisadores de renome, Ary Vasconcelos e José Ramos Tinhorão. O que resultou em um trabalho de inestimável valor histórico, reunindo músicas e trechos de discursos feitos à época pelos constitucionalistas (João Neves da Fontoura, D. Duarte Leopoldo e Silva, então arcebispo da capital paulista, o radialista César Ladeira, o professor José de Alcântara Machado) aos microfones da Rádio Record. A música-símbolo do movimento, a marcha “Paris Belfort”, claro, está aqui presente, numa gravação de 1957, feita na Continental sob a regência do maestro Rafael Puglielli. Francisco Alves, o Rei da Voz, comparece em duas faixas: o “Hino do Partido Constitucionalista”, que gravou em disco particular distribuído gratuitamente, e o samba “Anistia”, do mestre Ary Barroso, feito para o carnaval de 1934. Dessa mesma folia é o samba “Metralhadora”, interpretado por Aurora Miranda. E temos ainda a marchinha “Trem blindado”, grande êxito do carnaval de 1933 na voz de Almirante, acompanhado pelo Grupo da Guarda Velha, de Pixinguinha. Este foi inclusive um dos primeiros sucessosautorais de João de Barro, o Braguinha, compositor que, nos anos seguintes, obteria inúmeros outros êxitos na folia de Momo. A composição faz menção a três símbolos do levante paulista, a matraca, o capacete de aço e o trem blindado do título. Tudo isso, mais o “Hino acadêmico” (gravação particular), “Redenção” (hino marcial das tropas constitucionalistas) e a marchinha “Passo do soldado”, compõem um expressivo e admirável panorama sonoro desse movimento que, mesmo derrotado militarmente,marcou a vocação democrática do povo paulista, para ouvir e guardar.

‘redenção’ (hino das forças constitucionalistas mmdc) – orquestra columbia
trecho de discurso de joão neves da fontoura
passo do soldado – máximo puglisi com orquestra cruzeiro do sul
paris-belford – banda continental
trecho do discurso do professor josé de alcântra machado
hino acadêmico
hino do partido constitucionalista – francisco alves com orquestra
trecho do discurso de dom duarte leopoldo e silva
trem blindado – almirante e grupo da guarda velha
‘exortação’, de guilherme de almeida, lida por césar ladeira
metralhadora – aurora miranda
anistia – francisco alves e orquestra odeon

*Texto de Samuel Machado Filho.

Robinson Borba E O Rabo De Peixe – Peter Pan… K (1984)

Olá amigos cultos e ocultos! Dentro do nosso instável leque de variedades fonomusicais eu trago hoje para vocês este álbum independente do compositor e produtor paranaense, Robinson Borba, lançado em 1984. Robinson foi o produtor do disco Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé, em 1980. Não é por acaso que Peter Pan… K! segue mais ou menos a mesma linha do Clara Crocodilo, inclusive com participações de Arrigo e Paulo Barnabé, além de outros músicos que faziam parte  da chamada Vanguarda Paulista. O confuso neste lp é mesmo as faixas. Algumas músicas se fundem em uma faixa só. Daí, no arquivo do disco teremos a separação conforme as pausas, ok?
Um trabalho bem interessante que merece o nosso toque musical 😉

fairlaine
eleonora
mente mente
blue sertanejo
café caipira
bicho do mato
rita vampiro
lua
tique taque
capitão gancho
wendy
babynete
os meninos perdidos
terra do nunca
bucaneiro caduco
que boa briga

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Francisco Mário – Terra (1979)

Olá, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês o violonista e compositor mineiro, Francisco Mário. Já tivemos aqui a oportunidade de apresentar alguns de seus trabalhos e agora ele volta neste belíssimo trabalho. Aliás, seu primeiro disco, lançado de forma independente, em 1979. Chico Mário, como era também conhecido foi irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho. Todos três hemofílicos, faleceram vítimas de transfusões de sangue contaminado com o vírus da aids. Chico começou a estudar música ainda na infância. Estudou arranjo e harmonia com Roberto Gnattali, responsável pelos arranjos de seu primeiro show, em 78. No ano seguinte lançaria este seu primeiro trabalho. Um disco totalmente autoral, com participações importantes como o Quarteto em Cy, Joyce, Antonio Adolfo e muitos outros… “Terra” foi, na época, lançado também no México. Um disco realmente muito bom e que merece ser relembrado aqui no nosso Toque Musical. Confiram no GTM!

ouro preto
terra
bateia
passarinho preto
quitute mineiro
exílio
moda do tio geraldo
bandeiras ao alto
maria leal
carro de boi
manto
bicho fantasiado
reses tensas
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