Jane Duboc (1982)

Olá, meus prezados, amigos cultos e ocultos! Hoje vamos com este disco bacana, de uma cantora também super bacana, a paraense, Jane Duboc. Em sua discografia este álbum consta como sendo seu terceiro disco. Lp independente, lançado em 1982, traz um repertório bem feliz, com músicas de autores variados e da melhor qualidade. Tem músicas de Sérgio Sá, Caetano Veloso e Gilberto Gil, que inclusive participam no disco. Fátima Guedes, as duplas Tunai e Sérgio Natureza, Zé Renato e Ana Terra, Rita Lee e Sonia Buenier, Carlinos Menezes e Sueli Corrêa e Gandula e Casa Branca. Toda essa informação se pode confirmar na contracapa, inclusive esta traz também uma boa apresentação da cantora feita pelo jornalista Sergio Cabral. Confiram o toque

magia deste momento
cor palavra e som
eu no sol
doce mistério (tentação)
som pra mim
delírio
se eu te pego de jeito
mansidão
galo galã
água
quando tudo dá certo
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Tibor E Sua Orquestra (1974)

O Toque Musical já havia oferecido a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum com a orquestra do maestro e arranjador Tibor Reisner (1920-1996), húngaro que se radicou no Brasil, gravado possivelmente em 1966, como brinde de fim-de-ano do fabricante das pilhas Ray-O-Vac  (“as amarelinhas, tá?”).  Nessa resenha, inclusive, são apresentados dados biográficos sobre ele, que preferi não repetir aqui. Pois bem, agora o maestro Tibor e sua orquestra  estão de volta, em mais um álbum promocional gravado por sua empresa PAT (Produções Artísticas Tibor).  A cliente, desta vez, foi a tradicional empresa Capelinha Indústria e Comércio Ltda., fabricante de taxímetros para automóveis, celebrando a produção de sua unidade de número 100.000, em 1974.  É um trabalho que segue a linha dançante desse tipo de disco, afinal era uma ocasião festiva, de comemoração. Como de hábito, temas autorais do maestro se misturam a hits como “Moon over Napoli” (Bert Kaempfert), “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos-Anastácia) e “La morena de mi copla” (Villegas-Castellano), visando agradar a todo tipo de público então existente.  Muitos devem até se lembrar desse taxímetro que aparece na capa, ainda hoje usado em alguns táxis que a gente pega por aí, mas que se tornou monstro pré-histórico diante dos que são atualmente fabricados.  A própria Capelinha, por certo, não existe mais, seriamente atingida pelos vai-e-vens da famigerada economia brasileira. De qualquer forma, o que interessa aqui é ouvirmos e dançarmos ao som da orquestra do saudoso Tibor Reisner. Que comece la fiesta!

*Texto de Samuel Machado Filho
moon over napoli
foreve and ever
balada para o meu amor
eu só quero um xodó
meu amor foi viajar
la trompeta de españa
bluhende rosen
a bier war jetzt recht
wenn engel reisen
wenn der mensch verliebt ist
markgrafen stein landler
la morena de mi copla
.

 

Marion Duarte – Minha Canção Pra Você (2014)

Aos amigos cultos e ocultos e a quem mais interessar… Hoje eu venho trazer para vocês um toque musical novo, mais exatamente um cd. Tenho o prazer de postar aqui o último trabalho da cantora Marion Duarte, que gentilmente e atenciosamente me deu esta honra de apresentá-lo aqui no nosso blog. Fiquei muito feliz por ela ter entrado em contato comigo, me agradecendo pela postagem de um outro disco dela. Conversamos demoradamente ao telefone. Ela me contou um pouco da sua trajetória e das dificuldades de se manter como artista num tempo onde, grandes e antigos nomes quase não são lembrados. De um tempo em que a música se tornou uma caricatura de si mesma e a indústria musical uma fábrica de descartáveis. Difícil se manter artista sem tentar acompanhar os modismos. Mas no caso de Marion podemos dizer que ela conseguiu se manter e até a se superar. Retornou a carreira com o mesmo vigor e até mais refinada. Neste trabalho, produção independente, lançado no ano passado, ela conseguiu reunir talento e bom gosto. “Minha canção prá você” é um cd muito bem feito, com um repertório variado, trazendo suas composições em parcerias e canções de sucesso de Adelino Moreira, Noel Rosa, Pixinguinha, Luiz Vieira e outros. Ela vem acompanhada por músicos de primeira e conta também com a participação do Conjunto Época de Ouro. Um belo disco que vocês precisam conhecer!

facho de luz
carinhoso
minha canção pra você
sou como as estrelas
guarânia da saudade
conversa de botequim
são jorge guerreiro
vai
a lei do retorno
ainda ontem chorei de saudade
grandes mitos
moreno
último desejo
negue
valsa de uma cidade
sonho de natal
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Ely Camargo – Gralha Azul (1965-88)

A quem possa interessar… (e com certeza vai), tenho para o dia de hoje este belíssimo trabalho, lançado originalmente em 1965 pela gravadora Chantecler. Trata-se de um raro lp com a cantora e folclorista goiana Ely Camargo e participação do grupo vocal Os Titulares do Ritmo, apresentado temas folclóricos do Estado do Paraná. A gralha azul é um pássaro, símbolo deste Estado.
Em 1988 este álbum foi reeditado através da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, recebendo um novo tratamento de áudio e desta vez apresentado em alto estilo num álbum de capa dupla e oito páginas com todas as informações sobre o trabalho. Foi produzido em edição limitada e não comercial. O lp original nunca voltou a ser relançado, infelizmente. Mas a versão digital está aqui, no Toque Musical. Confiram no GTM, ok?

gralha azul
lajeana
tiraninha
sabiá
cana verde
jogos infantis – cirandas
barreado
pau de fita
balainha
cena do boi
cena do cavalinho
cena do barão
cena da bernunça
cuá fubá
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Os Cantores De Ébano – E os Anjos Voltam A Cantar (1991)

A quem possa interessar… Os Cantores de Ébano, grupo vocal criado por Nilo Amaro, o ‘Azulão’ no inicio dos anos 60. Gravaram dois lp pela Odeon. O grupo tinha como característica o fato de todos os cantores serem negros. Tinha como destaque o cantor Noriel Vilela que fazia o tom mais grave, o chamado ‘baixo profundo’. Nilo Amaro e seus cantores alcançaram muito sucesso, o que lhes valeram apresentações na Europa, na Argentina e em diversas cidades brasileiras. Seus dois maiores sucessos são “Leva eu sodade” e “O uirapurú”. Na década de 70 falece Noriel e o grupo de desfaz. Várias foram as tentativas de voltar, mas achar um cantor como Noriel Vilela não foi fácil. Parece que Nilo Amaro tentou refazer o coletivo, mas descaracterizado, sem o gogó do Noriel e com vários elementos que não eram negros. Curiosamente, neste lp de 1991, em nenhum momento o nome de Nilo Amaro é citado. Imagino que tenha rolado um ‘racha’ e nessa ele ficou de fora.
Nesta nova versão dos Cantores de Ébano temos uma seleção de repertório que procura resgatar sua própria origem, regravando  entre outras seu dois maiores sucessos. Produção quase independente.

green fields
vaqueiro prevenido
não saberão
negrinho do pastoreiro
o uirapuru
deixa rolar
down by the river side
saudade repartida
vai lá moisés
leva eu sodade
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Nova Estação – Momentos Mágicos (1986)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Não fosse por conta do calor, eu agora já estaria dormindo. Amanhã acordo cedo, vou trabalhar. Mas enquanto me refresco e espero o sono, vou tentar manter em dia o compromisso da postagem. Até porque, eu tenho aqui um disquinho já pronto e uma boa história.
Apresento a vocês a banda mineira Nova Estação. Grupo formado na cidade de Caeté, bem próximo de BH, lá pelos anos 80. Descobri por acaso, através do meu médico de acupuntura, Dr. Carlos Eduardo Guimarães. Conversando sobre música, discos, ele me falou que antes de seguir a carreira médica havia tocado em uma banda, disse que chegaram até a gravar dois discos. Por incrível que pareça, não me lembro deles naquela época, embora tivessem atuado muito em Belo Horizonte. Algumas de suas músicas chegaram a tocar em rádios, inclusive no Rio e Sampa. Mas eram tempos difíceis, principalmente para uma banda nova  e com uma proposta musical que ia além do gênero pop fácil. Na verdade, o Nova Estação, tem exatamente aquele tempero mineiro, um pouco de rock progressivo e as influências da música do pessoal do Clube da Esquina, de Milton e Lô. Não é por acaso que no seu disco de estréia, “Mágicos Momentos” eles tenha gravado “Um girassol da cor do seu cabelo”, de Lô e Márcio Borges. Por sinal, fizeram um arranjo bem original. Eu fiquei muito curioso depois daquele nosso papo, principalmente porque o Carlos era um dos principais componentes do grupo, além de cantor era também compositor. Prometi a ele que iria localizar esses discos, pois pelo que entendi, nem o resto da turma da banda tinha os discos. Impressionante esse povo! E realmente eu acabei localizando através da web todos os dois discos. Ou melhor dizendo, as músicas dos discos. Mas não me dei por contente e fui atrás dos lps. Com muita sorte consegui achar o primeiro álbum, o Momentos Mágicos. A capa estava bem surrada, porém o vinil estava perfeito. Decidi então refazer a capa em seus mínimos detalhes. O resultado foi surpreendente, um álbum novo! Levei de presente o disco para ele, que ficou pra lá de agradecido. Infelizmente o segundo álbum, o “Guerra nas Estrelas, eu não achei e nem sei como é a capa. Daí resolvi criar uma outra, até mesmo para que pudesse apresentar aqui o trabalho. Caso em algum dia apareça a original a gente troca. Ou quem sabe o Carlos passe a adotar a nova numa versãozinha digital, heim? Este segundo  disco também é muito bom e possui uma produção já experimentada e aperfeiçoada. Músicas autorais de muito bom gosto tanto em poesia quando na composição instrumental. Garanto a todos que vale a pena dar uma conferida.

gosto de uva
loucos momentos
ave perdida
nova estação
momentos mágicos
um girassol da cor do seu cabelo
conversando em silêncio
chuva no ar
—————
guerra nas estrelas
telefone
casa dos sonhos
flor de lis
kamikaze
cristal
luar de papel
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Marília Batista – Vai Marília (1989)

Olá amigos cultos e ocultos! Nesta semana que passou fiquei conhecendo um antigo radialista, o Sr Luiz Pedro Rodrigues. Ele foi cantor, apresentador e diretor de várias rádios no Rio de Janeiro, São Paulo e finalmente em Belo Horizonte. Era mais conhecido por Pedro Luiz, uma inversão do nome, que segundo ele, para um artista do rádio, era ‘mais sonoro’. Ele trabalhou ao lado de grandes nomes da música brasileira. Foi também compositor. Para a minha grande surpresa, autor de jingles que eu cantava na minha infância, como o do arroz Paranaíba, da TV Itacolomi e algumas chamadas da Rádio Inconfidência. Ele conheceu de perto pessoas que fizeram parte desse universo, inclusive do lado do público. Figura da mais interessantes e discursivas, me contou alguns fatos interessantes, memórias e coisas ligadas ao rádio. Muitas dessas histórias fazem parte de um de seus livros: “Show do Rádio – Pessoas e Fatos Ligados Ao Rádio de Minas Gerais”, lançado pela editora Armazém de Ideias em 2002. Mais uma fonte de informação que eu até então desconhecia. Fiquei amigo do moço e por conta disso, logo vou postar aqui uma seleção com alguns dos seus trabalhos… Do nosso encontro também surgiu o presente um raro disquinho que eu aqui apresento a vocês. Um compacto da cantora e compositora Marília Batista que ele mesmo recebeu da artista. Segundo consta, este foi o último trabalho realizado por Marília antes de vir falecer, em 1990. Para os desatentos, Marília Batista foi uma das mais importantes intérpretes da obra de Noel Rosa. (Em uma próxima oportunidade postarei aqui as gravações dela com Noel.)
Ao lado do Regional Recordando, de Vadinho do Bandolim, Marília nos traz em um compacto duplo e independente quatro de suas composições, entre elas “Garota Sapeca”, gravada por Aracy de Almeida. Mesmo para um compacto e gravado de maneira independente, o disquinho é encantador, samba e choro com muita qualidade. Taí um disquinho que merece fazer parte do nosso acervo. Falou que é raro e curioso, é aqui mesmo, no Toque Musical ;)

vai marília
noite tão noite
garota sapeca
itajubá
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Beto Saroldi – Metrô (1988)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Quebrando um pouco o ritmo, saindo um pouco do antigo para algo mais próximo da nossa atualidade, tenho hoje para vocês o primeiro disco do compositor e instrumentista Beto Saroldi. Para quem não conhece, Beto Saroldi é um saxofonista, compositor e produtor musical que já tocou com grandes nomes da música brasileira como, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Lulu Santos, Lô Borges e muitos outros. Isso também, sem falar em outros grandes nomes da música instrumental, que é a verdadeira praia deste artista.
“Metrô” é o nome do seu primeiro lp lançado em 1988, uma produção independente que teve a graça de ver incluída uma de suas faixas como tema da novela “Bebê a bordo”, da poderosa Rede Globo. O disco, num geral é bom. Quem curte música instrumental é que vai gostar :)

funk busy
our love
apenas uma noite
aqui e agora
metrô
tony
as bruxas
6l-6
marize
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José Domingos – Exemplo (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês um disco muito bacana e que há tempos venho ensaiando a postagem, mas sempre aparecia outra coisa, me tirando do alvo. Hoje, finalmente, ele sai…
Temos aqui o álbum “Exemplo” do cantor e compositor José Domingos, um artista que pouco se houve falar, embora tenha lá muitos anos de estrada e alguns bons discos gravados. Nascido em Guaxupé, Minas Gerais, logo cedo se mudou com a família para São Paulo. Foi por lá que iniciou sua carreira artística, no início dos anos 60 como cantor da noite, se apresentando em boates ao lado de outros grandes nomes da época. Eu sempre confundi ele com o Noite Ilustrada, talvez pela semelhança física e pelo estilo musical. E pelo que pude verificar, essa não era uma confusão só minha, muita gente pensava assim. Ao que consta, ele gravou até então seis discos. Eu mesmo só conheço este e mesmo sem saber dos demais digo sem medo de errar, este foi seu melhor trabalho. Não se trata de um álbum essencialmente autoral. Há nele suas belas composições e também a de outros como o Lupicínio Rodrigues de quem ele interpreta três clássicos, entre eles a música “Exemplo” que dá nome ao disco. Para acabar de embelezar a coisa, temos um time de músicos de primeiríssima. Não vou aqui listá-los, mas só para se ter uma ideia, Zé Domingos vem acompanhado por Amilson Godoi, que também foi responsável pelos arranjos e regência; Cláudio Henrique Bertrami; Heraldo do Monte; Isidoro Longano (o Bolão); Hector Costita e outra feras mais…
Ao que parece, discos do Zé Domingos nunca chegaram a ser divulgado em blogs musicais. Nunca vi um. Este está sendo o primeiro e o Toque Musical  se sente muito honrado em dar o primeiro toque. Álbum bacana, produção independente que as grandes gravadoras não souberam dar o devido valor. Um grande artista. Vale a pena conhecer!

universo de um copo
exemplo
santa ignorância
 é sempre amor
brasa
vou partir
deusa da minha rua
minha casa
ela disse-me assim
lágrimas
grande ciúme
canção do amor sem fim
são paulo fim do dia

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Brazil By Music – Brazil By Cruzeiro (1972)

Olá amigos cultos e ocultos! Aproveitando o intervalo do jogo dos dois centenários, Atlético X Palmeiras pela Copa do Brasil, vou logo fazendo a postagem do dia antes que esta acabe ficando para amanhã. Na verdade, bem que podia, pois ainda não ‘mapeei’ bem este álbum. Ou seja, ainda não encontrei as informações corretas sobre ele. O que posso dizer é que se trata de um álbum promocional da Linhas Aéreas Cruzeiro do Sul. Um disco cujo o ‘carro chefe’ é o seu famoso jingle, que pelo que sei foi criado pela turma do Azymuth, ainda em sua fase embrionária. Ao que consta em outras fontes, o disco é uma parceria do Azymuth como o Marcos Valle. No álbum não há se quer uma informação a esse respeito. Não há ficha técnica ou qualquer outro sinal além das músicas e arranjos, que para um bom conhecedor apontam para este que (ainda) é um dos melhores grupos instrumental brasileiro. O álbum, de capa dupla, traz um repertório bem elaborado com vários clássicos da MPB em arranjos brilhantes. Por conta de tudo isso e também do número limitado de cópias lançadas, este disco se tornou um objeto de desejo para muitos colecionadores. Se alguém tiver interesse, creio que o disco ainda está disponível para venda. Basta dar um toque, ok?

jingle cruzeiro
está fazendo um ano – aquarela do brasil
zazueira – mas que nada
tristeza
país do futebol
até pensei
zanzibar
nào tem solução – marina – rosas
samba de verão
prenda minha
asa branca
wave
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Emilinha Borba – Força Positiva (1981)

Olá, meus caros amigos cultos e ocultos! Depois de sete anos nessa batalha ‘blogmusical’, eu vou dizer uma coisa: ando num desânimo que vocês não fazem ideia. Sei que uma das razões dessa minha ‘broxada’ tem a ver com a interatividade que por aqui já não existe. Mas no fundo, a culpa é minha mesmo. Sou eu quem deveria estar instigando vocês através de mais postagens, mais envolvimento e conteúdo… porém, está me faltando ânimo (e tempo que anda cada vez mais curto). Mesmo assim, vamos lá, no pingado…
Tenho hoje para vocês este álbum da Emilinha Borba. Um disco lançado por ela própria, de forma independente, no início dos anos 80. Naquela época vários artistas, sem encontrar espaço nas grandes e tradicionais gravadoras, partiram para os lançamentos independentes. Nessa empreitada muitos deles acabavam se enveredando também para o trabalho de produção a ponto de criarem suas próprias empresas. Emilinha foi uma dessas. Investiu na produção criando a Discos EPA (Emilinha Produções Artísticas). Lançou assim, “Força Positiva”, um lp feito na cara e na coragem, somente com músicas então inéditas. Um repertório variado contemplando velhas e novas paixões, ou por outra, antigos e novos compositores. Embora muito bem assistida em todos os aspectos dessa produção, achei meio pobre alguns arranjos. A economia de uma orquestra faz uma falta danada para uma cantora do quilate de Emilinha.

meu cheiro
poema da alma
dona do ar (brinco de ouro)
meu amor não envelhece
voltaste
o herói da noite
amante amigo
eu vou até amanhã
sinuca de bico
o milagre da luz
meu dinheiro não é borracha
ninguém fica pra semente
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Quinteto Agreste – Sol Maior (1982)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Para não passarmos em branco o fim de semana, de última hora, aqui vai um disco bacana, que cura qualquer depressão domingueira. Apresento a vocês o Quinteto Agreste, um grupo cearense de primeiríssima qualidade, surgido lá pelos anos 70, em Fortaleza. Injustamente, foi um conjunto que não recebeu a devida atenção da crítica e de um público a nível nacional. Ficaram meio que restritos ao regional, não conseguindo a merecida projeção. Pelo pouco que sei, o grupo ainda se mantém ativo, apesar de algumas alterações. Gravaram ao longo do tempo dois lps e um compacto. Depois, parece, lançaram um cd nos anos 2000. “Sol Maior” foi o primeiro lp, produção independente lançada em 1982, com o apoio da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura. Um trabalho realmente muito bem produzido e autêntico. São dez faixas entre temas autorais e outros conhecidos como “Na hora do almoço”, de Belchior; “Vaca Estrela, Boi Fubá”, de Patativa do Assaré e “Riacho do Navio”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Não deixem de conferir… O link não fica no blog, não demora no GTM, não espera ninguém:)

quase bom, quase ruim
é assim o meu amor
de sol a sol
todo meu ouro
na hora do almoço
mourão
fortaleza, meu xodó
sertão
vaca estrela, boi fubá
riacho do navio
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Zimbo Trio – Tributo A Tom Jobim Vol. 1 (1988)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Iniciamos esta manhã de terça feira mantendo o alto nível musical. Pois não há nada melhor do que começar o dia ao embalo da boa música, não é mesmo? É certo que aqui, no Toque Musical, não existe música ruim, as vezes temos algo curioso, mas apenas para temperar nosso cardápio sofisticado, hehehe…
Vamos assim com o Zimbo Trio neste álbum lançado em 1988. Um disco que foi originalmente criado para o mercado japonês. Encomenda muito específica, com escolha de repertório e tudo mais que os japoneses podem comprar. O álbum acabou sendo também lançado no Brasil, de maneira meio que independente, por uma entidade chamada CLAM (Clube dos Amigos da Música). Este disco, que eu saiba tem pelo menos outras duas versões de capa e chegou a ser relançado em versão cd. Embora conste como sendo o volume 1, eu mesmo nunca vi o tal volume 2, daí penso que ele não chegou a ser lançado. Ou quem sabe, o pacote completo ficou só no Japão.

felicidade
chega de saudade
wave
garota de ipanema
só danço samba
desafinado
triste
samba de uma nota só

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Tânia Braz – Mistura Pura (1992)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Chegamos aqui a mais uma postagem dedicada aos artistas do meu bairro, quero dizer, da minha cidade de Belo Horizonte :) Trago agora para vocês a cantora e compositora Tânia Braz, uma artista que se estivesse vivendo no Rio ou em São Paulo, certamente estaria por aí fazendo o maior sucesso. De formação acadêmica, iniciou sua jornada artística no renomado coral da UFMG, o Ars Nova. Formada em Arquitetura, acabou se ‘bandeando’ para a música onde também se graduou em composição e orquestração na Escola de Música da UFMG. Estudou canto lírico, teatro e dança, sendo assim uma artista bem completa. Sempre esteve envolvida em projetos culturais da cidade, principalmente na década de 90, quando então teve a oportunidade de gravar este que foi o seu primeiro disco. Tânia Braz é mesmo uma artista e tanto, mostrando sua arte em diversos e diferentes espetáculos. Passou pela música espanhola e latino americana com seu grupo “Agny”, com o qual realizou diversas apresentações em Belo Horizonte. Trabalhou também com o grupo Uakti e foi vocalista e compositora no grupo de rock progressivo “Arion” com quem gravou um cd , voltado principalmente para o mercado internacional. O disco foi distribuído pela gravadora Rock Symphony/Musea e Tânia consagrada como uma das melhores cantoras de progressivo no mundo em 2001.
“Mistura Pura”, seu primeiro disco solo, é um lp muito interessante, onde Tânia nos apresenta suas boas composições e também interpreta com estilo outras, como “Gracias a la vida”, de Violeta Parra; “La vien rose”, de Edith Piaf; “Don’t cry for me Argentina”, da obra “Evita”, de Andrew Lloyd Weber.
Tânia passeia bem por todos os gêneros que se envolve. Ao longo desse tempo ela gravou, pelo menos, mais uns dois cds. Eu não os conheço, mas acredito que sejam tão bons quanto este. ;)

don’t cry for me argentina
cada coisa
juanita
congado do pai
la vien rose
pescador
crisis is over
segue no vazio
a lição
gracias a la vida
.

Geninho Lima – Vida Belvedere Blues (1990)

Amigos cultos e ocultos, boa noite! Continuando a mostra dos artistas e conjuntos mineiros, segue aqui mais um. Desta vez eu apresento a vocês, Geninho Lima, um guitarrista e violonista que foi destaque nos anos 80 na música feita em Minas Gerais. Pelo pouco que eu sei, ele gravou uns três disco solo e esteve presente em gravações de outros artistas. Há tempos ele anda sumido, não sei se ainda continua produzindo. O que se encontra de informação é somente através de suas músicas, publicadas no Youtube. Quem sabe, uma hora dessas alguém, ou ele próprio, apareça por aqui esclarecendo um pouco mais as coisas?
“Vida Belvedere Blues”, creio eu , foi o seu terceiro disco, produção independente de 1990. Um álbum de capa dupla, bem produzido e um repertório autoral acima da média. O disco foi gravado no Estúdio JG, do baterista João Guimarães, que também marca presença no disco ao lado de outras feras como Mário Castelo e Gilberto Diniz (Agência Tass), Reginaldo Silva (Kamikaze), Marcos Gauguin (Sgt. Pepper’s Band), Carlos Ivan e Fernando Chico. Um bom disco, podem conferir

vida
estou longe demais
africa
o novo amor se acabou
belvedere blues
não faz sentido
eu vi
vícios maléficos
a brisa
.

Edição Extra – Tudo Trocado (1987)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Na sequência das postagens dos grupos de Beagá, eu escolhi para hoje um disco que não me desse trabalho. Rápido de digitalizar, pois se trata de um EP, um disco com apenas quatro faixas, porém para contrariar as minhas expectativas, trata-se de uma banda totalmente desconhecida, inclusive em pesquisas no Google. Eu como não tenho tempo a perder, nem vou correr atrás de informação. Esta, por certo, uma hora aparece. Sempre tem alguém que conhece, que sabe alguma coisa… quando não, até mesmo os próprios artistas. Por onde será que anda essa moçada hoje em dia?
A música do Edição Extra reflete bem a atmosfera dos anos 80, porém eu imagino que eles não decolaram por conta da sua música, que ao meu ver (e ouvir) fica numa indecisão entre pop, rock… meio que rebuscado, sei lá… acho que faltou uma pega, um refrão… Talvez ao vivo a música do Edição Extra funcionasse melhor. Independente de qualquer coisa, penso que a banda merece uma segunda chance, por isso é que ela está aqui. Faz parte da história da música jovem feita em Minas. Querem conhecer?

papo furado
tudo trocado
o que é que é isso
já faz tempo
.

Eugênio Brito – Trilha Mineira (1991)

Olá amigos cultos e ocultos! Eu pensei que iria ficar mais folgado a partir deste mês, tendo assim mais tempo para me dedicar às postagens, mas realmente está difícil. Morreu o Jair Rodrigues, teve o Dia das Mães… e eu acabei não prestando as minhas homenagens. Podia até fazê-las agora, porém ainda estou na dívida com a ‘minerada’. Vou continuar nesta semana apresentando a música que vem de Minas.
Para hoje eu trago esta produção independente do compositor Eugênio Brito, lançada em 1991 pela editora Letra & Música e gravado na Bemol. Este álbum é resultado da premiação de Eugênio Brito no 1º Festival de Música da Cidade de Vespasiano, realizado em 1990. Neste festival, produzido também pela Letra & Música, Eugênio faturou o primeiro lugar com a canção “Trilha Mineira” e teve também outra música, “Giramundo”, classificada entre as oito finalistas. O lp saiu no ano seguinte, sendo produzido pelo próprio artista e contando com a participação de outros grandes nomes da música mineira, como Maurício Tizumba, Fernando Rodrigues e outros. André Dequech e Renato Mota, que também tocam nas faixas, são os responsáveis pelos arranjos. Por aí já dá para sentir as qualidades deste trabalho. Confiram!

sangria
doce rio acima
trilha mineira
brincadeira
os miseráveis
daniel
terra/nação
viramundo
neneco
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Serpente (1985)

Olá amigos cultos e ocultos, boa noite! Para esta semana eu resolvi reunir aqui algumas coisas do ‘bairro’. Ou melhor dizendo, alguns discos dos diferentes ‘clubes de esquina’ que temos nessa Belô. As vezes é bom tirar a poeira, ressuscitar os mortos e os esquecidos, assim como dar luz a prata da casa. Tem muita coisa interessante que merece ser lembrada. Vou começando por essa que foi, com certeza a mais ‘descolada’ banda de rock da cidade: Serpente. Um grupo que tinha tudo para decolar, não fosse as montanhas de Minas que os impediam de serem vistos e ouvidos como as diversas bandas que surgiam no país naqueles anos 80. No meu entendimento, faltou a eles um bom produtor, ou mais ainda, uma gravadora. A banda surgiu em 82, formada por Kêta (vocal) e Dida (baixo). O Serpente fazia sucesso por onde passava. Tinham aquela essência do bom rock’n'roll. Para ser mais exato, os caras se incorporavam na melhor banda da Terra, os Rolling Stones, ao lado dos Beatles, claro ;) Traziam aquela atitude da dupla Jagger e Richards, sem serem caricatos. Tocaram muito nas noitadas de Beagá, nas Calouradas da Puc e Ufmg. Outro grande barato do Serpente era que os caras se empenhavam em criar músicas próprias. Seu grande ‘hit’ foi “Poe na roda”, um rock com todos os ingredientes ‘stoneanos’ e uma letra na medida, mensagem simples e direta, como convém ao estilo. Outra música que também merece destaque é “Dia louco”. Esta talvez, seja aquela com maior apelo comercial, uma música que bem produzida e com outros arranjos, estaria agora figurando entre os sucessos da música pop nacional dos anos 80. Em 1985 eles gravaram este EP no estúdio do João Guimarães, baterista de outra saudosa banda, o Kamikaze. O disco foi uma produção independente, o que quer dizer que o número de cópias também não grande. Hoje o lp se tornou uma raridade, peça procuradíssima por colecionadores, inclusive estrangeiros. Este vinil é uma peça importante da história do rock em Belo Horizonte. Ah, eu já ia me esquecendo… O grupo Serpente foi o embrião da banda mais que cover, mais que over dos Stones, a carismática ‘It’s Only Rolling Stones’. Sem bairrismo, a melhor banda de Rolling Stones do Brasil ;)
Para aqueles mais ‘antenados’ no ‘rock tupiniquim’, interessados em saber um pouco mais da história do grupo Serpente e do It’s Only Rolling Stones, eu sugiro assistirem documentário “Vinte Anos na Estrada do Rock”, de Flávia Barbalho. Demorei com este disco, mas agora já estou pondo na roda, valeu? ;)

dia louco
se você dançar
coisa do tipo
poe na roda
.

 

Compositores Brasileiros Contemporâneos – 13. Festival de Inverno da UFMG (1986)

Olá amigos cultos e ocultos! Abril é o mês em que eu mais estou ocupado, quase não tenho tempo para nada. É só trabalho! Preciso achar um momento para a música, para os discos e para o blog. O importante para mim é fazer tudo por prazer e não por obrigação (aliás, que obrigação?)
Segue na postagem de hoje este lp, lançado em 1986 pela Universidade Federal de Minas Gerais para o 13. Festival de Inverno, realizado em São João Del Rey. Época boa, quando ainda a UFMG acreditava em seu festival. Inclusive, o termo “Festival de Inverno” foi criado por eles, mas ao longo do tempo acabaram perdendo até o nome como algo exclusivo. Creio até que alguém já registrou ‘Festival de Inverno’, ou se tornou algo comum. Ainda nos anos 80 o Festival de Inverno da UFMG era o máximo, um evento que todos queriam participar. A produção artística durante o mês de julho, nas áreas de artes plásticas, música e letras eram intensas, a ponto de merecerem publicações. Este disco é um bom exemplo. Gravado ao vivo, possivelmente no Teatro Municipal de São João Del Rey, ele nos apresenta obras de seis compositores brasileiros, da chamada ‘Música Contemporânea’: Michel Philippot, Gilberto Mendes, J. A. de Almeida Prado, Armando Albuquerque, Arthur Nestrovski e Vânia Dantas Leitas. Como na edição anterior do Festival, onde também fora produzido um lp, acredito que este também tenha sido com os alunos que participaram das oficinas. Infelizmente, não encontrei outros dados sobre este disco, mas tenho certeza que logo aparece alguém aqui com a informação necessária. Também, se for do interesse de vocês, poderei em uma próxima ocasião postar o lp do 12. Festival. Deixo aqui também um link, “Música Contemporânea em Minas Gerais“, tese da historiadora Vânia Carvalho Lovaglio, na qual ela pontua também essas passagens dos Festivais de Inverno da UFMG.
piece n. 2 (para violino solo) – michel philippot
retrato – gilberto mendes
epsódio animal – j. a. de almeida prado
sonatinha – armando albuquerque
litania – arthur nestrovski
aju ramô – vania dantas leite
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Vanja Orico E A T. B. Samba – A Passarela Do Samba (1984)

 Boa noite, amigos cultos e ocultos! Quando não estou com pressa, estou atrasado, o que quer dizer quase a mesma coisa. Essa semana tá pegando! Ontem eu até esqueci de publicar a postagem que fiz, só percebi isso agora a pouco. Sorte é que já estava tudo pronto, foi só por à público. Como hoje so me sobrou esses últimos 30 minutos do dia, vou aqui lançando mão de outro que já estava na ”gaveta’. Para ser rápido, escolhi um compacto, por sinal, bem oportuno. No início da semana eu havia postado um disco da Vanja Orico, vi que todos gostaram, decidi então postar este compacto também. Um disco bem apropriado para o momento também pelo fato de que já estamos perto do Carnaval. Embora eu não tenha encontrado, numa rápida pesquisa, qualquer informação descente sobre este compacto, tudo me leva a crer que ele foi lançado  próximo da inauguração do Sambodromo do Rio. O disquinho, inclusive é uma produção da Secretaria de Turismo do Rio e Funarj, voltado para a temática carnavalesca e mais exatamente ao Sambódromo, onde acontecem os desfiles das Escolas de Samba. No disco, apenas duas músicas, Compacto simples, mas já uma raridade que vale conhecer.

a passarela do samba
bandeira da vida
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