Marino Cafundó De Moraes – Missa Do Violeiro Do Brasil (1980)

Caros amigos cultos e ocultos, como vão?  Seguindo aqui em nossas variedades ‘fonomusicais’, temos para hoje este raro compacto produzido pela Edições Paulinas, em 1980. Trata-se da Missa do Violeiro do Brasil, um evento litúrgico-musical coordenado por Marino Cafundó de Moraes e sua “Orquestra de Violas Sertanejas”. Marino era paulista, tenente da militar, músico e maestro que se dedicou a música folclórica, criando em Osasco, nos anos 70, a Casa dos Violeiros do Brasil. Com sua orquestra de violeiros, com até 60 instrumentistas fez várias apresentações e também foi responsável pelas “Missa Sertaneja” e “Missa do Violeiro do Brasil”, as quais foram registradas em disco através de O Domingo, um editorial da Edições Paulinas. Aqui temos apenas a Missa do Violeiro do Brasil, que por sinal, me parece, também teve um lançamento em lp, no caso, mais completo. O mesmo vale para a Missa Sertaneja. Porém, contudo, temos neste um compacto triplo e inclui encartes.
 
canto de entrada
canto de meditação
canto de aclamação
canto de ofertas
canto da comunhão
canto da despedida
 
 
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Voo Livre (1981)

Boa hora, amigos cultos e ocultos! Entramos neste mês ainda mais na diversificação fonomusical, misturando gêneros, época e artistas dos mais variados. É o balaião de fim de ano! Hehehe…
Aqui temos um raro exemplar do único disco gravado pelo grupo gaúcho Vôo Livre, uma edição independente, produzido pelo selo gaúcho Pialo, em 1981. O Vôo Livre foi um trio de rock, com influencias de hard e progue, surgido em Pelotas no final dos anos 70. Na época do lançamento fizeram um relativo sucesso em rádios especializadas em rock, mas a pegada daquele momento já era outra e a banda ficou limitada. Tinham até um projeto para um segundo disco ainda mais completo, porém o desgaste de shows e a decadência do rock progressivo, frente ao pop, punk e new wave, levaram o Vôo Livre a uma aterrisagem forçada. O trio se desfez e não mais voltou. Em 2011 este disco foi relançado e nele incluído mais três faixas, músicas essas que fariam parte do projeto do segundo disco. O álbum relançado em cd foi totalmente restaurado e remasterizado pelo músico e produtor paulista Lelo Nazário. Embora já enterrado, o Vôo Livre faz hoje parte e se destaca entre os grande nomes do rock gaúcho. Sem dúvida, um disco legal, que vale uma conferida…
 
hey
visão
viagem
chuva forte
pz4429
pôr do sol
 
 
 

Novena Do Senhor Bom Jesus Do Bomfim (1982)

Olá, meus caros amigos cultos e ocultos! Estou trazendo hoje este disco que por certo irá agradar, em especial aos amigos baianos. Temos aqui um registro ao vivo da Novena do Senhor Bom Jesus do Bomfim, evento de devoção e festividades que acontece todo início de ano na Basílica do Senhor do Bonfim, em Salvador. Aqui temos um registro no dia da Lavagem do Bomfim. Sob a regência do maestro Walter Boaventura, a Orquestra e Coro da Festa do Bomfim executam a obra sacra do compositor baiano João Manoel Dantas. Um evento tradicionalíssimo da cultura baiana que, em 1982, mereceu essas gravações publicadas em disco. Vamos conferir?
 
hino sacro
introdução do reitor
regem confessorem
veni
padre nosso
ave maria
gloria pater
terceira jaculatória
kirie
pater
spirictus
sancta maria
ladainha
consolatrix
regina
agnus dei
christus factum
primeira jaculatória
segunda jaculatória
quarta jaculatória
tantum ergo
hino popular
 
 
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Halley Flamarion – Piano E Cordas (1985)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Há alguns meses atrás eu postei aqui um raro disco do pianista mineiro Halley Flamarion, no caso, seu primeiro lp, o “Encontro com Halley”, de 1968. Para a minha surpresa, recebi vários e-mails de colecionadores interessados no lp, inclusive gente de fora do Brasil. Como já disse, os discos postados aqui não estão necessariamente ofertados para venda. Eventualmente alguns acabam sendo vendidos, mas isso não é regra. No caso do Halley Flamarion, acabei cedendo as cifras, pois tinha outro de reserva. Por certo, não há nada de errado em perguntar. Peço desculpas aos que eu não pude atender. Como dizem, quem não chora, não mama…
Enfim, hoje estou trazendo um outro disco deste excepcional músico, um lp instrumental onde ele também se mostra como compositor e arranjador. Entre os nove temas apresentados, três são de sua autoria. Vale destacar também a presença familiar, no caso, Toninho Horta, que participa nas mixagens e também na faixa “Todo o azul de Luiza”, composição dele com Márcio Borges. A capa é um trabalho da artista plástica Niura (Horta) Belavinha. Vamos conferir?
 
une chanson pour leila
nadia’s theme
beatriz
reminiscence
reflexos de minas
somewher in time
todo o azul de luiza
theme from summer of 42
halley’s theme
 
 
 

Grupo Engenho – Vou Botá Meu Boi Na Rua (1980)

Boa hora a todos, amigos cultos e ocultos! Em abril deste ano eu havia postado aqui o segundo disco do Grupo Engenho. Passado esse tempo, acho que já podemos postar mais um e no caso, aqui temos o primeiro disco gravado por eles. 
O Grupo Engenho foi conjunto instrumental e vocal formado nos anos 70, na efervescência dos circuitos universitários, dos festivais e eventos. Gravaram três lps, sendo este o segundo. Param as atividades pouco tempo depois de lançarem o terceiro disco. Depois de mais de uma década o Grupo Engenho retoma os trabalhos com uma nova formação. Gravaram mais dois discos, sendo um cd e depois um dvd. Ao que parece, eles continuam atuantes. Infelizmente, não conseguiram um destaque nacional, mas bem que mereciam, pois sua música, embora muito atrelada ao regional, parece falar a todo o Brasil. Composições de qualidade e músicos também.
Em “Vou botá meu boi na rua” (uma alusão ao Sérgio Sampaio ou só uma inspiração?) temos um trabalho autoral de qualidade, música autêntica brasileira pautada no regionalismo catarinense. Um disco independente que hoje em dia atraí muita gente. Então, vamos conferir…
 
baião de milhões
barra da lagoa
lua mansa
puleiro dos anjos
boitatá
pescadores
recuerdo
nó cego
calabouço
pedra do moinho
feijão com caviar
vou botá meu boi na rua
 
 
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Fogo Fátuo (1981)

Olá, meus prezados amigos cultos e ocultos! Aqui estamos nós em mais uma postagem diária, mantendo a linha e a forma… E desta vez temos este interessante disco do grupo Fogo Fátuo. Este é mais um daqueles discos que a gente tem que sair procurando as informações como detetive, de forma picada e juntando as peças. Isso geralmente acontece para produções obscuras e independente. O grupo Fogo Fátuo segue por aí, pois foi o primeiro e único disco lançado por este grupo surgido em Franca (SP) no final dos anos 70. Ao que se sabe, o Fogo Fátuo era a sensação da cidade, um conjunto com uma pegada na linha do rock rural, com músicas próprias, bem comum naqueles tempos. Batalhando daqui e dali, a moçada da banda conseguiu realizar a difícil façanha de gravar um disco. Segundo contam, alugaram um estúdio em São Paulo onde, durante três meses, nos fins de semana, conseguiram fazer as gravações. Devido aos recursos um tanto escassos, só conseguiram gravar e lançar em disco quatro músicas. Uma pena, pois o Fogo Fátuo era mesmo um conjunto muito bom, com músicas boas e letras também. Até a capa é também muito boa, chama logo a atenção. Contudo, mesmo assim, o grupo não deslanchou e por motivos que eu não faço ideia, acabou. Porém, a chama do Fogo Fátuo, vez por outra se acende. Em 2006 eles se reuniram novamente para apresentações na cidade natal. Beto Eliezer, um dos componentes do grupo continua ativo na música e já lançou vários cds, É através de sua página no Facebook que podemos ter uma ideia de sua produção. Muito interessante, vale a pena conhecer. E quanto ao disco, vocês já sabem, confiram no GTM…
 
lágrimas de saudade dos beatles
lusco fusco
abra um sorriso
pé na estrada
 
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Zé Beto – Muito Prazer (1986)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Agora sim, de verdade, estamos no mês de aniversário do Toque Musical e apesar dos pesares, quero manter as postagens deste mês como sempre foram, diárias e se possível fazendo deste um mês mais que especial, trazendo sempre discos, músicas e curiosidades desse universo. Vamos lá…
Hoje eu estou trazendo para vocês e mais uma vez marcando presença aqui o cantor e compositor mineiro Zé Beto Correa, ou Zé Beto, ou ainda Zebeto, como passou a assinar. Ontem, vendo vídeos no Youtube, acabei caindo no Zebeto e foi muito bom ver seus vídeos e apresentações. Zébeto foi integrante da banda mineira Fogo no Circo, raridade em disco que hoje em dia é super cobiçada por colecionadores. Eis aí um autêntico músico mineiro, que trabalha muito, mas que infelizmente não tem a merecida divulgação e reconhecimento. Na verdade, hoje em dia, qualquer bom artista que não se enquadre nos padrões do modismo, da ‘ordem geral’, acabam sempre correndo pelas marginais. Mas quando o cabra é artista de verdade e tem o que contar, esse não larga o osso, segue em sua arte, levando para aqueles que são o seu verdadeiro público. Gostei muito das apresentações dele no canal a ponto de procurar aqui este trabalho, este disco para postarmos hoje. Aqui temos o seu disco de estreia, lp gravado em Belo Horizonte, no estúdio do baterista João Guimarães (do grupo Kamikaze), com produção de outro fera, também pouco lembrado, Marcos Gauguin que também é parceiro de Zebeto em várias faixas e também tocou e fez os arranjos. Como primeiro trabalho e “contando com uma pequena ajuda dos amigos”, como  é comum entre músicos mineiros, Zebeto lançou este disco independente que é mesmo um belíssimo trabalho e que merece ser revisitado e conhecido por mais gente. Então, vamos conferir? 
 
muito prazer
eternamente
pequenas certezas
lições de vida
de repente
sonata
diamante bruto
paixão
prá te ver sonhar
moda do busum
valeu
 
 

Tetê Espíndola – Ouvir (1991)

Muito bom novo dia a todos, amigos cultos e ocultos! Para começarmos bem, trago aqui a maravilhosa Tetê Espíndola em seu álbum “Ouvir”, de 1991. Um disco lindo, como todas as coisas feitas por essa artista. Resultado da Expedição Macauã, uma viagem de cinco dias pelas matas amazônicas feitas pela cantora juntamente com pesquisadores da Unicamp. Nessa oportunidade de vivência e criação ela afinou ainda mais o seu canto, ou por outra, cantou com os pássaros da Amazônia. Acompanhando a expedição do pesquisador francês Jacques Vielliard, especialistas em cantos de pássaros da região neo-tropical. Dessa experiência ela reúne material para compor este álbum em parceria com seu companheiro, o também compositor, Arnaldo Black. O disco fica ainda mais bonito com a participação especial da irmã Alzira Espíndola, do Duofel e de Itamar Assumpção. Trabalho muito bacana que não poderia faltar por aqui. Confiram no GTM…
 
colagem da mata I
migração
quero-quero
jaó & cia
tinguaçu
garrincha da chuva
colagem da mata II
bico de brasa
siriema
sabiá verdadeiro
urú
festa da curicãca
 
 
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Eliana Estevão – Bailarina (1981)

Boa noite a todos, amigos cultos e ocultos! Estão vendo só como o Toque Musical é cheio de surpresas? Agora, saímos de rap e entramos em outra onda, numa espécie de movimento, também ocorrido em São Paulo, onde surgem uma nova leva de artistas com uma nova proposta, a chamada “Vanguarda Paulista”, na qual se destacam artistas como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Banda Isca de Polícia, Grupo Rumo, Premeditando o Breque e outros… É nesta cena que também está a cantora Eliana Estevão. Aliás, que cantora! Uma das mais belas vozes e em um disco também sensacional, realmente de grande sensibilidade e beleza. Lançado em 1981, de maneira independente, o disco traz a participação de vários artistas desse momento. Os arranjos são também de várias mãos, entre essas de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Eliana Estevão é também lembrada na versão em português do desenho animado “O Rei Leão”, da Disney, onde ela canta o tema “Ciclo sem fim”. Hoje, uma cantora com uma carreira internacional. Vale a pena ouvir e conhecer…
 
flor da nostalgia
estrelas em revista
bailarina
vai
amor de verão
com a perna no mundo
nêgo dito (beleleu)
profunda solidão
será que a nossa tribo está no fim
segredo
corre corre
 
 
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Kengo – Op. I (1993)

Bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês um raríssimo exemplar do grupo Kengo. Por certo, poucos aqui conhecem este projeto musical que nasceu na cidade de Campinas (SP), no início dos anos 90. O Kengo foi um trio formado por três amigos músicos (Petô no violão, voz e percussão, Thebano Emílio no violão e voz e Helton Barros no contrabaixo acústico). Interessante notar também que eles vieram da área das ciências exatas, dois engenheiros e um físico. Acho que, talvez, por aí se explica o som deles. Era um trio essencialmente acústico e segundo o próprio Thebano um grupo não profissional que atuava para um público ainda restrito. Sentiram a necessidade de registarem em disco suas produções musicais, um trabalho intrigante, com harmonias simples, dissonantes e uma poesia forte e atual. Gravaram então este disco, em 1993, em uma edição independente e limitada. Difícil hoje em dia achar um exemplar. “Op. I” foi lançado na Rádio Nacional, no programa de Luiz Vieira. Teriam conseguido mais divulgação e destaque se logo de início o trio, por contingências outras profissionais, não tivesse sido desfeito. O projeto acabou engavetado e somente agora, a partir de  2020, Thebano Emílio retoma a divulgação de suas criações musicais. Criou um canal no Youtube onde podemos conhecer um pouco mais da história do Kengo e principalmente de sua produção musical autoral. Não deixem de conferir…
 
mãos
normalmente
arautos
pessoas
latrocínio
dias e sonhos
opressão
construtores
tarde de chuva
piratas
 
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Grupo Engenho – Engenho (1981)

Muito boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Entre os muitos discos enviados pelo meu amigo Fáres, tenho aqui mais um que eu mesmo pouco conhecia, talvez uma ou outra música. Estamos falando do grupo catarinense Engenho, conjunto instrumental e vocal formado nos anos 70, na efervescência dos circuitos universitários, dos festivais e eventos. Gravaram três lps, sendo este o segundo. Param as atividades pouco tempo depois de lançarem o terceiro disco. Depois de mais de uma década o Grupo Engenho retoma os trabalhos com uma nova formação. Gravaram mais dois discos, sendo um cd e depois um dvd. Ao que parece, eles continuam atuantes. Infelizmente, não conseguiram um destaque nacional, mas bem que mereciam, pois sua música, embora muito atrelada ao regional, parece falar a todo o Brasil. Composições de qualidade e músicos também. Nessa leva veio também o primeiro lp, mas vamos deixar para uma próxima oportunidade, ok? Confiram este no GTM…
 
engenho
menina rendeira
fandango
carro de boi
exilio
gerações
braço forte
homem do planalto
tropeadas
aquela da baratinha
causas e consequências
vaquejada
 
 
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Barulho – Poeira Cósmica Distribuída Pela Vastidão Do Espaço (2017)

Boa noite, meus nobres amigos cultos e ocultos! Depois de postar aquele disco “objeto de arte” do Cildo Meireles, volto agora com outro disco, também do campo das artes visuais. Disco este também raro, em edição limitada, O ‘lp’ objeto, muito bonito, por sinal, vem neste álbum super elegante, com encartes e informações que registram o lado sonoro deste evento.
Produzido para o Festival Multiciplidade que é um evento de cunho internacional de performances audiovisuais e que acontece desde de 2005 no Rio de Janeiro, trazendo ao público um leque de atrações no Oi Futuro Flamengo e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O seu principal conceito é unir em um mesmo palco arte visual e sonoridade experimental.
Segue aqui um pouco mais do texto sobre este festival e o vinil Barulho:
 

O Multiplicidade sempre fez jus ao nome. Ao longo dos seus 14 anos de vida, o festival de imagens e sons inusitados, dirigido por Batman Zavareze, já se transformou em livro de arte (foram dez), teses de mestrado (em três estados do país) e até em uma série de televisão (no Canal Brasil). Agora, ele se desdobra em um novo formato: o vinil, com o lançamento de um disco com sons registrados na sua mais recente edição. A peça, com edição limitada, vem assinada pelos DJs e produtores Nado Leal e Calbuque. “Sendo um festival que traz no seu nome imagens e sons inusitados, confesso que tinha sempre em meu radar o sonho de um dia produzir um vinil” – explica Zavareze. –  “Um objeto de arte que tivesse a mesma importância do livro em nossa história, ser uma obra artística que resgate em nossa memória a experiência do festival.” A oportunidade de transformar esse sonho em acetato surgiu em 2017, quando o barulho foi o tema central do festival. O evento teve a participação de artistas da França, Itália, Canadá, Espanha, Sri Lanka e, claro, do Brasil, incluindo dez representantes da comunidade Kuikuro, no Xingu, como resultado de um intercâmbio promovido pelo festival, em parceria com o People’s Palace Projects, dirigido pelo britânico radicado no Brasil, Paul Heritage, com o centro de pesquisa britânico da Queen Mary University of London, com a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (AIKAX) e com o Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura (NECCULT/UFRGS). Foram dias e noites intensos, com experimentações musicais e visuais inesquecíveis.  Tivemos a videoarte de Tarik Barri (Holanda) na performance “Continuum AV”; o espetáculo de ruídos e luzes “Field”, de Martin Messier (Canadá); o minimalismo digital de Alex Augier (França) em “_nybble_” e a performance arrebatadora da Quasi-Orquestra. Presenciamos o cinema sensorial de Carlos Casas (Espanha), ao lado do Chelpa Ferro, com intervenções de Neil Leonard e Nikhil Uday Singh; uma instalação do coletivo Manifestação Pacífica e o virulento show do Ninos du Brasil (Itália). Curtimos também o desfile coletivo do Looping: Bahia Overdub, a música desafiadora do DJ Coni (França) e as obras de DMTR, Fabiano Mixo e Gabriela Mureb. “Pudemos explorar e investigar o som com especial atenção como jamais havíamos pensado. Tivemos dez diferentes línguas de países que representaram a multiplicidade e riqueza de nosso line up” – conta o curador. –“ Coletamos sons com gravações de campo do Xingu e com os barulhos do público na abertura. Registramos também todas as performances durante o festival.”  Depois de organizar todos esses sons e registros, o festival convidou Nado Leal e Calbuque, com suas vivências como DJs, para criar um remix livre e pessoal do que aconteceu na temporada 2017 do Multiplicidade. O resultado é uma peça nova, única, (re)criando camadas hipnóticas e poéticas com um novo corpo sonoro. Lado A (Nado), lado B (Calbuque). “Poder trabalhar e reorganizar artistas como Carlos Casas, Chelpa Ferro , Alex Augier, Dmtr, entre outros, foi provocador”  – admite Nado. – “Mas aos poucos foi nascendo essa faixa ininterrupta, às vezes lúdica, em outras brutal e incômoda.” “Foi um desafio que me pegou de surpresa e me estimulou muito” – conta Calbuque. – “Vi todas as apresentações do festival e sabia o contexto exato de cada som que tinha nas mãos. O que busquei foi re-contextualizar aquelas células musicais e tentar criar algo novo, sem perder o sentido de experimentação que marcou o festival. Foi um meticuloso trabalho de arquitetura sonora.” Com o trabalho finalizado, o design recebeu um cuidado todo especial, com a direção de arte da Bold°_a design company, comandado por Leo Eyer. O resultado foi uma edição luxuosa com capa dupla, com encarte gráfico especial, com fotos em páginas duplas e uma bolacha em acrílico vermelha. “É mais um registro e um documento histórico de uma longa caminhada. Regando a arvore que não para de crescer e gerar novos frutos.” – resume Batman Zavareze (Idealizador e curador do festival Multiplicidade)

barulho…

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Torquato Neto – Um Poeta Desfolha A Bandeira… (1985)

Boa tarde a todos, amigos cultos e ocultos! Nesta semana recebi dezenas de lps, enviados pelo meu amigo Fáres. Três pacotões recheados de disco de música brasileira. Nesses eu ainda não mexi, mas olhando por alto, não pude resistir a este lp, “Torquato Neto – Um poeta desfolha a bandeira…”. Uma edição produzida pelo Centro de Cultura Alternativa, do Rio de Janeiro em parceria com a Secretaria de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí que já havia dado o pontapé inicial criando o Projeto Torquato Neto. Lembrando que nosso poeta nasceu no Maranhão, daí a parceria entre duas secretarias de cultura de dois estados. Este disco procura homenagear e pontuar a figura do poeta, letrista, jornalista e ator maranhense que foi uma das importantes figuras do movimento da Tropicália. Parceiro de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo, Jards Macalé e outros. Aqui neste lp temos uma seleção de suas parcerias mais conhecidas. Uma compilação, em boa parte, de músicas que se tornaram grandes sucessos nas vozes de Elis Regina, Nara Leão, Gal Costa e os próprios Caetano e Gil. Este disco, por não ser comercial foi produzido em apenas dois mil exemplares, assim, considerando ter sido lançado em 1985, hoje talvez, já não existam tantos por aí.
 
louvação – elis regina e jair rodrigues
pra dizer adeus – elis regina
a rua gilberto gil
vento de maio – nara leão
zabelê – caetano veloso e gal costa
marginália II
geléia geral – gilberto gil
ai de mim copacabana – caetano veloso
mamãe coragem – gal costa
deus vos salve a casa santa – nara leão
let’s play that – jards macalé
três da madrugada – gal costa
 
 
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Banda Azul – Espelho Nos Olhos (1988)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro das escolhas aleatórias, do nosso ‘drops misto’ de janeiro, hoje o nosso encontro é com a Banda Azul, um grupo musical evangélico formado em Belo Horizonte nos anos 80. A Banda Azul em seu disco “Espelho dos Olhos” é considerado um dos clássicos do chamado ‘rock cristão’. Liderada pelo cantor, compositor Janires Magalhães Manso. Gravaram este lp, com produção do próprio Janires que infelizmente veio a falecer em um acidente de automóvel, alguns meses antes do lançamento do lp. Eis aí um trabalho interessante que agrada não apenas ao público evangélico. Confiram no GTM…
 
canção das estrelas
espelho nos olhos
foi por você
amigo amiga
veleiro
baião eletrônico
amigo poeta
meninos da rua
coração azul
trem da amizade
 
 
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Maricenne – Correntes Alternadas (1992)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! A música brasileira e seus artistas tem histórias realmente surpreendentes. A cada dia descobrimos coisas que nem imaginávamos. Há pouco tempo atrás encontrei este disco em um sebo. Me chamou a atenção logo pela capa, me pareceu logo de cara um disco de alguma artista alternativa, coisas obscuras da produção independente paulista. Mal sabia eu quem era Maricenne até ler com atenção o encarte do disco. Fiquei realmente surpreso, primeiro pelo trabalho, este lp chamado “Correntes Alternadas”, disco produzido por Paulo Barnabé, com participações inusitadas que vão da banda punk Inocentes ao violonista Paulinho Nogueira e mais… Tem espaço para Tom Zé e Richie, Paulo Vanzollini, Haroldo Barbosa… É, sem dúvida, um trabalho diferente, de vanguarda e isso se vê também no repertório. Maricenne parece não ter um público certo, mas nesse conjunto musical ela demonstra um ecletismo dos mais saudáveis que não soa feio ou pretencioso, mito pelo contrário, ela passeia bem por diferentes gêneros e o disco, no geral é realmente muito bom. Porém, as surpresas não param por aí. A coisa fica ainda mais interessante quando descobrimos que Maricenne não é uma novidade, muito pelo contrário, tem uma trajetória artística de chamar a atenção. Sua carreira começa ainda nos anos 50. Quando adolescente já fazia parte de um grupo musical em sua cidade natal, Cruzeiro (SP). Ficou famosa da noite para o dia quando venceu o concurso “Voz de Ouro ABC” da TV Tupi. Teve nesta emissora um programa em horário nobre, gravou seu primeiro disco, ainda em 78 rpm. Trabalhou também na TV Record e já no início dos anos 60 passou a se apresentar em casas noturnas ao lado grandes músicos como Pedrinho Mattar, Manfredo Fest e Walter Wanderley. Viajou e se apresentou em temporadas na Espanha e Portugal. Em 1964 gravou num compacto, a “Marcha para um dia de sol”, primeiro registro gravado de uma música de Chico Buarque de Holanda. Participou de vários dos grandes festivais de música dos anos 60. Trabalhou com Walter Wanderley nos Estados Unidos, participando de diversos shows por lá, o que lhe rendeu um contrato com uma grande gravadora, mas infelizmente teve problemas como seu empresário e acabou voltando para o Brasil. Na década de 70 passou a trabalhar também como atriz, retomando as atividades de cantora no final desta década, quando então gravou seu primeiro lp, em 1980. “Correntes Alternadas” foi assim o seu segundo disco, um registro fonográfico que merece muito a nossa atenção. Com um pouco de sorte, quem se liga em vinil, pode ser que encontre um exemplar ainda dando sopa no Mercado Livre. Pura raridade que vale a pena conhecer. ..
 
muito prazer
wild life
dor de dente
angelitos negros
garotos do subúrbio
valsa das três da manhã
céu cor de rosa
foot prints in the sand
eterno enlevo
 
 
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Gilberto De Abreu & A Cia. – João, Gilberto E Clarisse (2001)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Em nosso ‘drops sortido’ de janeiro, eu hoje quero apresentar a vocês um cd, ao invés do tradicional vinil/lp. Não me recordo mais onde foi que achei este trabalho, mas há tempos venho querendo trazer aqui para o nosso Toque Musical. Trata-se do genial artista plástico mineiro, nascido na cidade de Espinosa, Minas Gerais. Um talento, que sempre passeou também pelos campos da música. Este cd foi lançado em 2001, aqui em Belo Horizonte e para mim, é uma das coisas mais bonita de se ouvir, dentro da produção musical mineira. É um trabalho excepcional, pois ultrapassa os limites de uma simples produção musical. Convido os amigos aqui para essa audição. E para clarear um pouco mais esta postagem, incluo uma resenha que veio incluída nos arquivos. Segue… 
O trabalho, fruto de três anos, tempo dedicado à criação, ensaios, apresentações e gravações, está em sintonia com a proposta da poesia sonora, que trata o poema não como letra numa música nem como texto a ser recitado, mas como célula expressiva em diálogo com o som, provocando imagens e reflexões. O cd é composto de dez faixas e sete poemas, todos colhidos na safra da poesia contemporânea mineira: Murilo Antunes, Ronaldo Brandão, Luciana Tonelli, Maria José Bretas, Joana Guimarães, além do próprio Gilberto, responsável pela concepção musical e arranjos finais de todas as faixas. Tocando um cavaquinho em outra afinação, acrescida de efeitos sonoro/tecnológicos, dá o tom pra percussão de João Carlos e a rebeca de Clarisse Alvarenga, formando o trio que desembocou no título do trabalho e remete a João Gilberto e Clarice Lispector, dois gigantes da música e das letras. Das três faixas que não trazem poemas, duas são instrumentais, entre elas uma releitura de “Carinhoso”, de Pixinguinha e João de Barro, clássico inquestionável da música brasileira. Há também uma curiosa regravação de “O Tempo vai Apagar”, canção de Paulo César Barros e Getúlio Côrtes, conhecida na voz de Roberto Carlos. João Carlos, percussionista, parceiro e amigo de Gilberto tem uma participação fundamental nesse trabalho, dividindo com ele a concepção minimalista do cd, que conta também com as participações especiais dos músicos; Tattá Spalla e Fernando Lopes e o ator e músico Kimura Schetino. Clarisse Alvarenga, também jornalista deixou gravada a sua participação com a rabeca em “Gente”, e Gabriela Ruas emprestou sua voz infantil ao “O Monstro”. Gravado e mixado no estúdio Audio-Digital por Sérgio Murilo entre setembro de 1999 e dezembro de 2000, o cd teve edição esgotada, houve ainda uma segunda edição distribuída no “mano a mano”. Com o traço indelevelmente associado à história de um dos mais importantes movimentos musicais do Estado, além de capas de discos de Beto Guedes, ele tem desenhos em discos de Toninho Horta e Lô Borges, para os quais também fez cenários de shows – Gilberto de Abreu não poderia negar a relação que mantêm com a música desde que, ainda na adolescência, se tornou vizinho dos Borges no edifício Levy, no Centro de Belo Horizonte, onde foi morar quando se transferiu de Montes Claros, oriundo de Espinosa, norte de Minas, para a capital. Na estréia fonográfica marcada pela independência, o CD que foi inteiramente bancado pelo artista, à base de permuta com seus quadros, reúne a sua produção poética e a de amigos. O artista plástico, performer e poeta admite ter encontrado no disco o formato ideal para expor parte de sua irrequieta produção artística que, além de desenhos e pinturas, inclui poemas e composições feitas no cavaquinho que toca desde a década de 70, quando entrava em cena em companhia do instrumento no espetáculo teatral “Risos e Facadas”, de Eid Ribeiro e Ronaldo Brandão, inspirados em textos de Samuel Becket. Sobrinho do flautista Oswaldo Lagoeiro, que fez carreira em emissoras de rádio da cidade quando o veículo ainda cultivava performances ao vivo de profissionais da música, e primo do baixista e compositor Yuri Popoff, Gilberto diz que não precisou freqüentar escola de música depois da intensa convivência com os integrantes do então nascente Clube da Esquina. “Enquanto aprendia música com eles, alguns como o Beto Guedes se enveredavam na pintura comigo” recorda das incursões dos dois no ateliê do chorão e pintor Godofredo Guedes, pai de Beto. Na linha inversa dos que fazem da música um mero fundo musical para a poesia, no disco ele promove a interação total das duas manifestações, dando origem a um novo formato do gênero. 
“Quando ele dedilha o cavaquinho, parece estar sintonizado a uma época de questionamento e inconformismo, a mesma que viu surgir grande parte de sua produção artística, que hoje ultrapassa 30 anos de vida”. (Textos de Alécio Cunha, Ailton Magioli e Alexandra Martins)
 
clarice lispector, joão gilberto (instrumental)
gente
quadra 76
o carinhoso 
lapso
o mostro
só o tempo vai apagar
velhocyclo
joão gilberto
vida (mix)
 
 
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Grupo Gralha Azul (1981)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Há algum tempo atrás, estava eu em Sampa passeando pelos sebos da periferia, quando num desses deparei com um colecionador, um sujeito japonês, que estava enchendo a sacola de discos, numa voracidade que me chamou a atenção. Entre os discos que levou havia um lote com talvez uma dúzia de um mesmo lp, no caso, este aqui do Grupo Gralha Azul. Os discos estavam novinhos e pelo jeito era sobra de estoque. O cara catou tudo, pagou e foi embora. Por curiosidade, perguntei ao vendedor que discos eram aqueles e daí foi que fiquei sabendo que o comprador tinha mesmo vindo do Japão, era um colecionador que eventualmente aparecia por lá e comprava, segundo ele, todo estoque de discos independentes. Quando perguntei ao vendedor que disco era aquele que o japa comprou em lote, ele disse que era de um conjunto musical lá do Paraná. Tirou de trás do balcão um outro exemplar, me mostrou e perguntou: “quer levar um? este é o último”. Evidentemente, acabei comprando, mais pela curiosidade. Ao final o vendedor ainda me disse: “aproveita porque agora este disco vai valorizar, esse moço que saiu tem loja no Japão e vende lá esses discos bem caro”. E realmente, tempos depois vi este lp sendo vendido no e-Bay por umas 100 ‘doletas’. No Mercado Livre tinha um, mas logo foi vendido. Hoje, voltando a esse site de vendas, vi que apareceram outros e com preços muito bons. Acho até que vou comprar outro para garantir o momento especulativo, hehehe… Mas, convenhamos, faz sentido este lp entrar para o hall dos disco raro, afinal os poucos que tinha por aqui já foram embora e certamente, uma produção independente como essa não deve ter passado de mil cópias. Contudo, isso ainda não é nada, não fosse também a qualidade do produto. O Grupo Gralha Azul surgiu na cidade de Paranavaí, dentro do Teatro Estudantil da cidade. Foi fundado pelo professor Huany França, em 1969, porém, somente em 1977 o grupo assume mesmo uma forma ao participar, em Maringá, do 1º Femucic, um festival regional que lhes serviram de impulso para novas aventuras. Desde então, o Gralha Azul passou a se apresentar em público e também em outros festivais, ultrapassaram as fronteiras e chegaram até São Paulo, onde então ganharam mais destaque. Em 1981 o grupo então grava este que seria o seu primeiro disco, um lp independente e como o próprio texto interno nos fala, sem grandes pretensões. Sem dúvida, é um disco com muita simplicidade, mas também com identidade própria, explorando temas rurais, regionais, em composições próprias. Muito interessante, vale uma conferida no GTM…
 
girassol
a hora da bóia
pequena história
geração
saudades da gralha azul
navio de sonhos
américa
ciranda paranaense
pé de meia
viola cor de sangue
remanso
martin pescador
 
 
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Yukiaki Taguchi – Enka Em São Paulo (1977)

Boa noite a todos os amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, vão aqui os nossos votos de um feliz ano novo, que superemos toda essa crise e que nos venha a vacina! Como dizia a música do Belchior: “ano passado eu morri, mas este ano eu não morro…” Viva a vida!
Para começar o ano temos aqui um disco diferente, um lp, como se pode ver, de um artista estrangeiro. Na verdade um artista japonês, olha só que interessante… Como todos devem saber, eventualmente publicamos também artistas/discos estrangeiros, numa forma de ampliar nossas sensações e nossa curiosidade fonomusical. Melhor ainda quando de alguma forma há uma relação com o Brasil, ou a brasilidade. Temos aqui um disco de produção independente, apresentando o cantor japonês Yukiaki Taguchi. Este lp, ao que parece, foi gravado em São Paulo, uma produção não comercial e certamente uma edição limitada, voltada para a comunidade nipônica no Brasil. Pelo texto em português, do próprio artista, este é um disco onde ele nos apresenta o “Enka” que é o estilo tradicional da música popular japonesa, algo que lembra bem a música pós Jovem Guarda, aquele jeitão romântico, um tanto brega, diga-se de passagem. Yukiaki Taguchi, conforme texto veio para o Brasil em 1968. Embora o texto de contracapa seja em japonês, entende-se que ele já tinha no Japão uma carreira artística.
Como temos um grupo grande de amigos ocultos japoneses sempre por aqui, creio que este lp pode ser, também para eles, interessante, não é mesmo? Começamos então 2021! 
 
kuchinashi no hana
shinobi goi
kamomemach minatomachi
toshiue no hito
kita kôro
sakariba blues
onna no yume
minatomachi namidamachi wakareemachi
onna ho iji
kiri no defune
sassoriza no onna
kushiro no yoru
 
 
 
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Henrique Cazes (1988)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! E aqui vai mais um discaço de choro, um choro moderno, ou mais próximo da nossa contemporaneidade, embora já tenha se passado mais de 30 anos do seu lançamento e também, como não poderia faltar a um disco de choro, tem também alguns clássicos para engrossar mais o caldo. Em resumo, temos aqui e mais uma vez o cavaquinista, pesquisador, compositor e arranjador Henrique Cazes. Já publicamos, em outra ocasião, um outro disco dele. E artista que faz ‘discos para se ouvir com outros olhos’ merece sempre a nossa atenção. Aqui encontramos uma produção independente lançada por ele em 1988. Um trabalho bem bacana cujo o repertório com onze faixas é de primeira linha, entre clássicos do choro e composições próprias. Henrique Cazes vem acompanhado por um time de feras, músicos como Rafael Rabello, Marcos Suzano, Luiz Otávio Braga, Zeca Assumpção e outros que podem ser conferidos log aqui na contracapa. Enfim, um belo disco para abrilhantar a nossa quarta-feira. Confiram…

vê se gostas

vocês me deixam ali e seguem de carro

lingua de preto

modulando

estudo nº1 em mi menor

os oito batutas

valsa para radamés

coisa de garoto

mitsuru no cavaco

eu quero é sossego

desengomando

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Dito E Feito – Choro Novo (1992)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Procurando sempre trazer para vocês aquilo que não se vê e não se ouve em qualquer esquina, embora em cada esquina possamos encontrar muitas surpresas, hoje vamos com um disco independente lançado em 1992 pelo grupo niteroiense de choro Dito e Feito que trazia como seus integrantes músicos tarimbados da cena musical carioca, figuras como o bandolinista Cleber Castro, o percussionista Paulão Meneses e Lula Espírito Santo, violonista e cavaquinista, este responsável pela formação do grupo e deste que foi infelizmente o único disco do grupo. O lp traz apenas seis músicas, composições feitas de 1976 a 92, sendo duas dessas músicas, choros, feitos por artistas uruguaios, Jorge Larrosa e Ricardo Laquan. Taí um dos poucos discos de chorinho que não tem nenhum clássico, se firma apenas por um trabalho autoral e de qualidade, diga-se de passagem. Vale a pena conhecer. Confiram no GTM…

filhote
choro noturno
princesinha
flauteando
segunda feira
com o meu na reta
 
 
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Coral Das Missionárias De Jesus Crucificado – Hosana Ao Filho De Davi (196…)

Boa noite meus queridos amigos cultos e ocultos! Há tempos eu deixei de ficar aqui atendendo solicitações de postagens por inúmeros motivos. Porém, depois de receber coincidentemente  uma meia dúzia de pedidos para (se possível) postar este lp do Coral das Missionárias de Jesus Crucificado e por acaso eu o ter encontrado, seria um pecado da minha parte não publicá-lo agora. Então, está aí, mais um disco de cunho religioso, este no caso, católico. “Hosana ao filho de Davi”, um disco sem data, mas certamente dos anos 60.  Confiram…
 
hosana ao filho de davi
os filhos dos hebreus
gloria louvor
entrando o senhor
quinta feira santa
cristo
novo mandamento
ode o amor e a caridade
eis o lenho da cruz
nós te adoramos
vigília pascal
cantemos ao senhor
ladainha dos santos
 
 
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Minas Ao Luar (1988)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Um dos eventos musicais mais tradicional em Minas Gerais, que creio eu, ainda existe é o “Minas ao Luar”, promovido pelo Sesc/MG. Trata-se de um projeto musical itinerante, que periodicamente percorria várias cidades mineiras levando grupos de artistas seresteiros para apresentações em praças públicas. Em Belo Horizonte eu tive a oportunidade de assistir vários e são realmente muito animados. Em 1988 os produtores lançaram este lp, reunindo alguns de seus mais expressivos artistas e apresentando um repertório tradicional, bem conhecido do grande público. Quem gosta de seresta e serenatas, não pode perder esse toque musical. Confiram no GTM….

apresentação de carlos felipe

elvira escuta

noite tristonha

gondoleiro do amor

sereno da madrugada

guitarra de prata

hino de minas gerais

ave maria

última estrofe

vivo a cantar

o bardo

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Irineu – Eu (1991)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Temos hoje para o nosso toque musical mais um artista mineiro, o qual merece nosso destaque. Estou falando do Irineu, ou como hoje em dia assume, Irineu de Palmira. Músico nascido em Belo Horizonte, também cantor e compositor. Iniciou sua carreira nos anos 70 participando de eventos culturais e em diversos festivais de música, onde sempre se destacou como compositor, arranjador ou intérprete. Ganhou vários festivais, o que acabou levando-o para trabalhar em São Paulo, onde então a sua carreira ganhou força. Trabalhou como instrumentista e cantor na banda da casa noturna de Oswaldo Sargentelli. Aliás, foi tocando na noite que ele ganhou prestigio, ao lado de grandes nomes como Cauby Peixoto, Pery Ribeiro, Hector Costita, Carmen Costa, Wilson Simonal e muitos outros. Fez trilhas para teatro e tv. Também como compositor tem músicas gravadas por grandes nomes da MPB. Continua sempre muito ativo e recentemente vi ele numa live, no Facebook. Acredito que tenha lançado novos trabalhos, pois este foi o seu disco de estreia, um trabalho que começou a se gravado em 1988 e finalizado em 91, quando então foi lançado, em produção independente. Um disco praticamente todo autoral, mas tendo também o clássico de nosso cancioneiro, “Maringá”, de Joubert de Carvalho. O disco tem a produção musical de Kapenga, do grupo Bendegó, que também participa do trabalho juntamente com grandes nomes como Gereba, Papete, Duda Neves e outros… Não deixem de conferir no GTM…

descaminhos

eu não vou dizer mais nada

marias gerais

emoção só

maringá

bolero qualquer

tudo nada

lume

saudade (belo horizonte)

em nossas mãos

samba da metade

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Luizinho Lopes – Nem Tudo Que Nasce É Novo (1990)

Boa noite, meus amigos cultos e ocultos! Nesta semana estive separando e selecionando uns discos para nossas próximas postagens. Entre esses estava este disco do cantor e compositor mineiro Luizinho Lopes. Confesso que só conhecia este artista apenas pelo nome, nunca tinha ouvido nada dele. Mas que grata surpresa tive eu ao ouvi-lo. Sinceramente, superou as minhas expectativas. Belíssimo disco. Composições de uma beleza singular, ou por outra, muito original. É bom descobrir artistas assim, cuja a obra tem uma identidade própria. Boas letras, boas composições, bons arranjos, enfim, um trabalho exemplar. “Nem tudo que nasce é novo” foi o primeiro disco deste artista, que até onde sei é da cidade de Pirapora (MG), mas reside em Juiz de Fora. O álbum foi gravado em São Paulo e lançado em 1990, uma produção independente na qual o nosso artista vem acompanhado por um time de excelentes músicos, mineiros e paulistas. Sua produção seguiu aquele esquema que hoje em dia chamam de ‘crowfunding’, ou seja, as pessoas compram antecipada a obra ainda a ser produzida e lançada. Isso também é um indicativo de que se trata de uma edição limitada e como todo disco independente e de boa qualidade, hoje já se tornou item raro e caro para colecionadores de vinil. Luizinho Lopes, como disse, foi uma grande surpresa e já estou antenado para outros trabalhos que lançou. Aí está um artista que vale a pena a gente conhecer. Que tal começar por este lá no GTM? 
 
nem tudo que nasce é novo
quando o sol foi para o japão
til
do futuro
dossiê
alimento
vide gula
contando estrelas
ponto
em mim
agora é tarde
 
 
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Geraldo Espindola (1991)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aproveitando as heranças blogueiras, aqui temos um disco, entre muitos que nos foi enviados, discos que já tiveram o seu momento em outros blogs e agora aqui se completam e perpetuam enquanto este toque durar. Temos aqui um disco do cantor e compositor Geraldo Espíndola, irmão das cantoras Tetê e Alzira Espíndola. Neste lp ele marca seus então vinte anos de carreira apresentando algumas de suas obras mais conhecidas. Sem dúvida, um disco especial que merece ser ouvido de cabo a rabo. Produção independente da melhor qualidade. Não deixem de conferir no GTM…

cunataiporã

pequenos aliados

amarga solidão

divindade

raça das matas

forasteiro

fala bonito

quyquyho

deixei meu matão

Júlio Costa (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Entre os muitos ‘discos de gaveta’, aqueles que já estão prontos, esperando a vez, tenho este do músico, compositor e instrumentista Júlio Costa que sempre esteve a um passo de ser publicado aqui no Toque Musical. O que faltou, ou que ainda falta são informações sobre o artista. Caramba, tem discos/artistas que até hoje você não encontra nada sobre eles na rede! Incrível isso, visto que não se trata de algo tão antigo ou tão oculto assim. Parece que nosso artista não fez muita questão de divulgar melhor esse seu trabalho. Oque é uma pena, pois o disco é muito bonito, praticamente, quase todo pautado no instrumental e trazendo um time de músicos de primeira linha. O disco é uma produção independente, o que justifica talvez uma divulgação limitada. Seja como for, acho que vale a pena conhecer e ouvir. Confiram no GTM…

samba torto II

sirius

a idade exigida

a coisa

vega

o trapezista

antares

quebra-cabeças

paisagem marinha

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Flávio Carvalho (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje o nosso encontro é com Flávio Carvalho. Cantor e compositor paulista, conhecido também como ‘Flávio Chão de Estrelas’, por conta do programa de TV, no qual foi (ou é ainda) o apresentador. Aliás, Flávio Carvalho também apresentava um programa na TV Gazeta, ao lado de Helô Pinheiro. Flávio começou sua carreira a partir da década de 70. Teve sua música “Nada na cuca” como tema da novela “Um dia, o amor”, da antiga TV Tupi, em 1975 e que lhe rendeu o prémio Globo de Ouro. Trabalhou também na criação de trilhas sonoras e jingles. O artista, ao longo de sua carreira já gravou uns dez discos, sendo os primeiros na fase do vinil. O disco que apresentamos foi seu primeiro lp, lançado de forma independente, em 1980. Sem dúvida, um disco muito bonito e bem produzido e pelo fato de ser independente torna-se raro, difícil de se ver e ouvir por aí. Vale a pena conferir…

na varanda
fuga nº1
prá são paulo
deixa prá lá
noite de são joão
do jeito que você é
dom de me encantar
vou brincar de envelhecer
conto de fada
bye bye
 
 
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Irmãs Missionárias De Jesus Crucificado – Quando Canta O Coração (1964)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! O TM apresenta mais um disco de música religiosa, mais precisamente de música católica. É “Quando canta o coração”, gravado pelo coral das Missionárias de Jesus Crucificado em 1964. Ao ouvirmos as doze faixas deste disco, percebemos que as Missionárias já faziam um trabalho musical precursor ao dos padres cantores, tipo Marcelo Rossi, Fábio de Melo e Reginaldo Mazzotti. E podemos ouvir louvores a Deus em ritmos variados, como samba-canção, twist, bolero e bossa nova.  Tudo devidamente abrilhantado pelos arranjos de Pachequinho, que não é outro senão o maestro Diogo Pacheco. Só este detalhe credencia o disco, repleto de belas mensagens musicais, para católicos ou não. É mais um trabalho bastante interessante, merecedor de nosso Toque Musical. É ir ao GTM e conferir. 

não se deixe vencer pelo mal
toda gente sabe
sorrir
bairrismo
a amizade é um bem
se você já sabe cismar
um pouco de perfume
juventude
vida porque corres
a verdadeira alegria
fumaça
o sol continua a brilhar
 
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho
 

Festival Villa-Lobos – II Concurso Internacional De Violão (1980)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Mantendo a nossa velha e boa tradição, aqui vai mais uma raridade para o deleite de todos, ou, em especial, os amantes do violão. Por aqui sempre aparece algum violonista pedindo discos onde o violão é o instrumento de destaque. Então, aqui temos mais um, disco não-comercial, o que, por certo o faz ser quase um inédito. Sai dos limitados para a vitrine do nosso Toque Musical. Como podemos ver, trata-se do Festival Villa-Lobos, de 1980, onde aconteceu o II Concurso Internacional de Violão. A música brasileira, de grandes mestres desse instrumento, na interpretação de vários instrumentistas, nacionais e internacionais. Na contracapa vocês encontrarão mais informações sobre este disco, que realmente é uma joia. Confiram no GTM…

francisco mignone – estudo nº 8 – eduardo castañera

francisco mignone – estudos nº 6 e 12 – mara portela

edino krieger – ritmata – jungen shollman

marlos nobre – momentos nº 1 – marcelo jehá kayath

marlos nobre – homenagem a villa-lobos – rodolfo m. lahoz

guerra peixe – prelúdios nº 4 e 5 – roland dyens

nestor de hollanda cavalcanti – suite quadrada – roland dyens

aldo taranto – modulando – istván adrovicz

pedro cameron – repentes – istván adrovicz

arthur bosmans – brasileiras: modinha – willem brioen

marcelo de camargo fernandes – sonatinha – eduardo elias isaac

heitor villa-lobos – valsa choro – roland dyens

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2º Festival MPB Carrefour (1992)

Amigos cultos e ocultos, como vão, tudo bem? Olha aí o que temos para hoje… Um disco de festival. Faz tempo que não postamos nada por aqui. Desta vez temos a segunda edição do Festival de MPB Carrefour. Este festival aconteceu em 1992 promovido pelo grupo multinacional Carrefour, tendo como organizador e diretor artístico, o jornalista Zuza Homem de Mello. O Festival selecionou 84 concorrentes, teve uma fase semi-final em várias cidades do país, sendo que a final aconteceu no Rio de Janeiro. Este lp é o resultado, traz as dez músicas que foram as finalíssimas. Por certo já não se fazem músicas para festivais como antigamente, ou por outra, as músicas já não encantam como as de antigamente. Porque será? Claro que não me refiro especificamente a este disco, aqui tem até umas músicas bacanas e vocês poderão conferir no Grupo do Toque Musical. 

bombonière – josias damasceno e júlio cesar moschen
a meia luz – jorge vercillo e altay veloso
espinha dorsal do mim – chico cesar
o vento – dedé mendoça
portal – jerônimo jardim
sonhando com a felicidade – jocelino peres
dor de calundu – luiz dillah
meias partes – irinéia maria e sueli correa
reviravolta – juraides da cruz
senhores condôminos – paulo de castro
 
 
 
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