Tadeu Franco – Alma Animal (1989)

Uma das maiores revelações da MPB na década de 1980, Tadeu Franco volta a bater ponto aqui no TM. Recebendo na pia batismal o nome de Geraldo Tadeu Pereira Franca, ele nasceu na cidade mineira de Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, em19 de agosto de 1957, filho de Didico de Sousa Franca e Esmeraldina Rodrigues Franca, ambos funcionários dos Correios e Telégrafos. Aos cinco anos de idade, Tadeu muda-se para Teófilo Otoni, onde permanece até 1978. É lá que ele começa sua carreira, cantando em aniversários de amigos, sob protestos do pai, que o considera muito moço para tais apresentações.  Aos dez anos, ganha um acordeom de presente, mas prefere o violão, que o acompanha até hoje. Nos programas de calouros da rádio de Teófilo Otoni, a ZXY7, encanta o auditório com seu precoce romantismo e, nas serenatas noturnas, interpreta músicas de Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Geraldo Vandré e Gonzaguinha. Ao mudar-se para Belo Horizonte, trabalhou como vendedor , mas foi cantando na noite que conheceu Mílton Nascimento. Com ele, mais Simone, Tadeu Franco grava, em 1982, a música “Comunhão”, faixa do álbum “Ânima” (o videoclipe da música, veiculado no “Fantástico”, da TV Globo, é considerado um dos mais belos da história do programa). Atuou no projeto “Fim de Tarde”, da Sala Humberto Mauro, do Palácio das Artes, e viajou no “Expresso melodia”, da Rádio Inconfidência. Apresenta-se também em shows por todo o país, cantando em praças públicas, circos, showmícios, favelas, teatros, ginásios, cinemas, casas paroquiais, feiras agropecuárias… Em 1984, vem seu primeiro álbum-solo, “Cativante”, já oferecido a vocês pelo nosso TM, devidamente produzido pelo mestre Mílton Nascimento, com arranjos de outras “feras”, Wagner Tiso e Túlio Mourão. Depois, vieram “Alma animal” (1990) – que o TM nos traz hoje – e “Orlando” (1995), uma homenagem ao cantor Orlando Silva, apresentando dezesseis de suas músicas mais conhecidas. Recebeu, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o título de Cidadão Honorário, e a Comenda Rômulo Paes, de Mérito Artístico. Casado com Solange Vieira de Faria Franca, com quem tem uma filha, Laura. É torcedor do Cruzeiro. “Alma animal”, que o TM hoje oferece a seus amigos cultos e ocultos, é o segundo álbum de Tadeu Franco, produção independente lançada em 1990. É um trabalho que foi bastante elogiado pela crítica especializada, e é dedicado a Mílton Nascimento (como não poderia deixar de ser), Dona Esmeraldina e Carlos “Pavão” Ernesto. São dez faixas, quase todas de sua autoria com parceiros do porte de Beto Guedes, Sérgio Santos e Heraldo do Monte, além da “Lira IV”, de Tomás Antônio Gonzaga, que Tadeu musicou. Enfim, é mais um trabalho de primeira qualidade que o TM nos apresenta, comprovando o talento e a sensibilidade de Tadeu Franco.

alma animal
as estações do amor
no desafio do mar
meu tamanho
mudança de tempo
dona julia
lira iv
a paixão é sempre passageira
esperando a feijoada
bonito

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Lucena – Pomar Dos Deuses (1992)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Marcando presença mais uma vez em nosso Toque Musical, hoje temos um outro disco do Cacá, Carlos Lucena, um dos grandes nomes da música mineira, artista que aqui está pela terceira vez com este maravilhoso trabalho de 1992, “Pomar dos Deuses”, produção independente e autoral. Um disco que devido a sua tiragem limitada, hoje em dia adquire o status de raridade. Aliás, todos os disco do Carlos Lucena são ‘coisa rara’, vale muito uma conferida em seu trabalho.  🙂

pomar dos deuses
do céu da cabeça
olhos de lua
plataforma dos cristais
diamantes
nada demais
um tom de amor
o canto dos duedes
vi oh…

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Grupo Olá (1980)

Olá! Será que os amigos cultos e ocultos se lembram deste disco? Principalmente aqueles que ainda eram crianças entre o final da década de 70 e início dos 80. Temos aqui o ‘Olá’, mais que um simples disco infanto-juvenil, um projeto realmente interessante criando pela pedagoga Denise Mendonça. Uma ideia que nasceu nos anos 70 quando Denise se encontra com Maria Mazzetti, também professora, escritora e poeta, que dedicou seu trabalho à educação infantil. Mazzetti foi uma incentivadora de Denise, oferecendo a ela seus poemas para serem musicados. Dessa parceria nasceu no início de 80 o bem idealizado lp independente ‘Olá’, um disco muito bem produzido, gravado em Belo Horizonte, na Bemol, com direito a libreto com todas as músicas, recheado de desenhos e ainda um compacto duplo, pois ao que parece, não coube tudo num disco só. Este disco foi lançado em 1980, mesmo ano em que começaram as atividade do Instituto de Arte Tear, criando também por Denise Mendonça, no Rio de Janeiro. A propósito, este trabalho foi relançado em cd, mas me parece que em uma nova gravação. Denise, continua a frente do Tear, tentando manter acessa a chama da educação e cultura, hoje em dia tão golpeada em nosso país. Ouve só… 🙂

dia diferente
elefante elegante
nhoque
tô toque-toque
rua do muito barulho
desencaracolando
correndo, correndo, correndo
parou paradinho
gato xadrex
quem mora
meu boizinho
calhambeque
viagem maluca
cadê meus óculoses
esconde, esconde
um barquinho
o que eu descubro
compacto:
ouve só
plantando flor
cantiga de embalar papai
tesouro do pirata
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Giba Ferreira (1982)

Olá amiguinhos cultos e ocultos! Neste mês de aniversário, eu pretendo estar mais presente, ou seja, mantendo postagens mais regulares, talvez até diárias. Assim, pelo menos, nessa data comemorativa, podemos ter um ‘algo mais’ 😉
Para hoje eu trago esse lp, produção independente lançada no início dos anos 80. Trata-se do primeiro disco do compositor Giba Ferreira. Um nome ainda hoje desconhecido do grande público. Pesquisando no Google, não encontrei nada a seu respeito além, é claro, deste disco sendo vendido no Mercado Livre. No texto da contracapa (parece até ironia) também apresenta o artista de forma vaga. Quem é Giba Ferreira? “Não há referências musicais e nem curriculuns extensos.” E pelo jeito, com o passar do tempo, ele parece ter não ter vingado, apesar de ter aqui um trabalho muito bom, assessorado por nomes de peso como Amilton Godoy, Toquinho, Silvinha, Tetê Espíndola, Eliana Estevão… Tem também o grupo instrumental Medusa que faz a base para todo o trabalho. Vale a pena ouvir e conhecer. Como disse, no Mercado Livre é possível encontrar alguns. Este, eu ganhei do meu amigo Fares e já faz pare da coleção 😉

valsinha pro guy
chegou o tempo
abandono
virada
profissão de fé
travelling
tá na cara
a pessoa que eu amo
meta- morfases
mais cedo ou mais tarde
zombaria
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Juão – Cheiro De Mudança (1982)

Olá amigos cultos e ocultos! Procurando sempre manter os olhos e os ouvidos ligados em coisas raras do nosso universo fonomusical, eu hoje trago para você uma produção independente, um disco que não sei de onde apareceu por aqui. Com diz o Roberto Carlos, são tantas as emoções, fica difícil as vezes saber de onde surgiu. Para piorar, eu não encontrei nenhuma informação sobre o artista e seu disco. Daí, tudo que posso dizer é que se trata de um trabalho bem interessante. Juão, o artista, é aqui um intérprete que traz em seu lp um repertório de primeira, com músicas selecionadas, algumas de sucesso, bem conhecidas do público. Caetano, Fagner, Cátia de França, Chico Buarque e outros fazem parte do seu leque musical. Produção independente lançada no início dos anos 80. Vale a pena conferir 😉

caçada
kukukaia
traduzir-se
caçador de mim
com a mão no ombro
vida vida vida
trampolim
a felicidade bate a sua porta
gente
notícias do brasil
estrela da terra
gera luz

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Antonio Carlos Nóbrega – Compacto (1983)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguimos hoje com este compacto duplo, disquinho bem raro do violinista pernambucano Antonio Carlos Nóbrega. Na verdade, este foi seu primeiro registro fonográfico autoral, lançado de forma independente no ano de 1983, conforme relato na contracapa. Antes disso ele integrava o maravilhoso Quinteto Armorial, grupo precursor na criação de uma música de câmara brasileira e raízes populares. Inclusive, aqui no Toque Musical, já foram postados dois discos do grupo.

desassombro
mateus embaixador
calu
romance do rei d. sebastião

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Aline (1979)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Estou trazendo hoje um disco o qual eu pensava que já tivesse postado aqui. Aliás, este lp passou por várias vezes na minha mão. Recentemente, entre compras e doações, apareceu ele aqui de novo. Um disco realmente muito interessante, um dos primeiros lançamentos independentes surgidos no final dos anos 70. Trabalho de estréia e de altíssima qualidade da cantora mineira, de Montes Claros, Aline Mendonça Luz. Antes deste lp, a cantora já havia gravado um compacto, em 73, mas este nem chegou a ser realmente divulgado. Elogiada pela crítica e por músicos do calibre de João Bosco e Toninho Horta, Aline tinha tudo para ser uma das maiores cantoras brasileiras, mas como sempre, quem dita nomes nem sempre dita qualidade. Não é atoa que chegamos hoje à grande cantora do momento, Pablo Vittar. As coisas são assim… A música popular brasileira a cada hora, piora… Ainda bem que temos espaços como o Toque Musical, onde se pode ouvir, além de curiosidades, raridades. Temos assim este álbum, produção independente, raro e numerado, lançado em 1979. Neste trabalho, Aline conta com um time de músicos de primeiríssima e um repertório muito bem selecionado. Disco super elogiado e hoje ainda mais raro por conta dos japoneses que levaram boa pare da produção.

cavaleiro e os moinhos
perna curta
amo-te muito amo-te mesmo muito
vento de maio
esta é a sua vida
tá lembrado de mim
ponta do seixas
a mulata
a carta
meu amor não sabia
negação
amanheceremos

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Reviat Zikim II – Canto De Paz (1969)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mantendo sempre o lema de ser aqui um lugar para se ouvir música com outros olhos, hoje eu trago para vocês este lp do grupo Reviat Zikim, formado por jovens da comunidade judáica, aqui no Brasil. Trata-se, por certo de um grupo folk e aqui em seu segundo disco. Infelizmente, as informações sobre eles se resumem mesmo ao que consta na contra capa. Nem mesmo o primeiro trabalho eu consegui localizar. Acredito que, como este, deve ter sido uma produção independente, o que o torna ainda mais raro. E nesse sentido é mesmo, um obscuro lp ‘brasileiro’ super bem contado em listagem de colecionadores japoneses. Por sorte, este disco que apresento a vocês está completo, quer dizer, incluindo encartes com as letras também traduzidas. A propósito disso, as mensagens nas músicas são sempre otimistas, de paz, amor e fraternidade (entre judeus, claro). No final do texto de contracapa há uma curiosa frase:”Só quem tem a paz dentro de si, pode trazer a paz ao mundo”. Muito bonita, por sinal. Mas quando lembro da Palestina…
Bom, deixa prá lá. Melhor a utopia musical.

shir hashalom
shuv lo nelech
lu haiti pirat
mot haparfar
leiad hamessilá
ishá chassidá aitá
tzif tzif, meal ratzif
har haguilboa
ma she siprú
zo she adain machaká
shalosh haavotai
machrozet russit

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Revolução de 32 – Uma Visão Através Da Música Popular (1981)

Hoje o TM tem, a grata satisfação de oferecer a seus amigos cultos e ocultos um precioso documento sonoro, focalizando um dos maiores movimentos armados da história do Brasil: a Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrida no estado de São Paulo entre julho e agosto de 1932, com o objetivo de derrubar o governo (então) provisório de Getúlio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. O golpe de estado decorrente de outra Revolução, a de 1930, depôs o então presidente da República, Washington Luiz, impediu a posse de seu sucessor, Júlio Prestes, eleito nas urnas, depôs a maioria dos governadores de estado (então chamados de “presidentes estaduais”), fechou o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas Estaduais e as Câmaras Municipais, e por fim revogou a Constituição então vigente, a de 1891. Getúlio Vargas assumiu a presidência da República, em novembro de 1930, com amplos poderes, porém, sob a promessa de convocar novas eleições e formar nova Assembleia Nacional Constituinte. Entretanto, nos anos subsequentes, essa expectativa deu lugar a um sentimento de frustração, dada a indefinição quanto ao cumprimento de tais promessas e o ressentimento contra o governo provisório, principalmente no estado de São Paulo, pois Getúlio governava de forma discricionária por meio de decretos, sem respaldo de uma Constituição e de um Poder Legislativo. Essa situação também fez diminuir a autonomia que os estados brasileiros possuíam durante a vigência da Constituição de 1891, pois os interventores nomeados por Vargas, em sua maioria tenentes, não correspondiam aos interesses dos grupos políticos locais e frequentemente entravam em atritos.  No dia 23 de maio de 1932, houve um protesto contra o governo federal em São Paulo, e durante os confrontos com as tropas getulistas, quatro jovens foram mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Este foi o estopim do movimento, cujo nome era a sigla das quatro vítimas, MMDC, deflagrado a 9 de julho (data que hoje é feriado estadual em São Paulo). Com a ajuda dos meios de comunicação da época, em especial o jornal “A Gazeta” e a Rádio Record, o movimento ganhou apoio popular e mobilizou 35 mil homens, pelo lado dos lado dos paulistas, contra 100 mil soldados do governo Vargas. Esperava-se apoio de outros estados, mas o movimento ficou isolado, desenvolvendo-se uma série de batalhas. Foram quase três meses de batalhas e conflitos sangrentos em todo o estado paulista. E tudo isso terminou em 2 de outubro de 1932, com a derrota militar dos constitucionalistas. No entanto, em termos de denúncia política, o movimento foi moralmente vencedor, pois logo após o término do conflito, o governo convocou eleições para uma Assembleia Constituinte, que promulgou uma nova Constituição para o Brasil, em 1934. E com a participação das mulheres no processo eleitoral, o que acontecia pela primeira vez no país. É justamente esta importante página da história do Brasil que é contada pelo álbum hoje oferecido pelo TM, lançado em 1981, um ano antes do cinquentenário do movimento, pelo SESC (Serviço Social do Comércio) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, parte de uma série iniciada pouco antes com a Revolução de 30 (o disco não chegou às lojas e só foi vendido nas unidades do SESC). Na capa, reproduz-se o cartaz de convocação dos paulistas à luta, feito pelo MMDC. A pesquisa e a produção musicais ficaram por conta de Jairo Severiano e MiguelÂngelo de Azevedo, o Nirez, que também contribuíram com fonogramas de seus acervos, juntamente com outros pesquisadores de renome, Ary Vasconcelos e José Ramos Tinhorão. O que resultou em um trabalho de inestimável valor histórico, reunindo músicas e trechos de discursos feitos à época pelos constitucionalistas (João Neves da Fontoura, D. Duarte Leopoldo e Silva, então arcebispo da capital paulista, o radialista César Ladeira, o professor José de Alcântara Machado) aos microfones da Rádio Record. A música-símbolo do movimento, a marcha “Paris Belfort”, claro, está aqui presente, numa gravação de 1957, feita na Continental sob a regência do maestro Rafael Puglielli. Francisco Alves, o Rei da Voz, comparece em duas faixas: o “Hino do Partido Constitucionalista”, que gravou em disco particular distribuído gratuitamente, e o samba “Anistia”, do mestre Ary Barroso, feito para o carnaval de 1934. Dessa mesma folia é o samba “Metralhadora”, interpretado por Aurora Miranda. E temos ainda a marchinha “Trem blindado”, grande êxito do carnaval de 1933 na voz de Almirante, acompanhado pelo Grupo da Guarda Velha, de Pixinguinha. Este foi inclusive um dos primeiros sucessosautorais de João de Barro, o Braguinha, compositor que, nos anos seguintes, obteria inúmeros outros êxitos na folia de Momo. A composição faz menção a três símbolos do levante paulista, a matraca, o capacete de aço e o trem blindado do título. Tudo isso, mais o “Hino acadêmico” (gravação particular), “Redenção” (hino marcial das tropas constitucionalistas) e a marchinha “Passo do soldado”, compõem um expressivo e admirável panorama sonoro desse movimento que, mesmo derrotado militarmente,marcou a vocação democrática do povo paulista, para ouvir e guardar.

‘redenção’ (hino das forças constitucionalistas mmdc) – orquestra columbia
trecho de discurso de joão neves da fontoura
passo do soldado – máximo puglisi com orquestra cruzeiro do sul
paris-belford – banda continental
trecho do discurso do professor josé de alcântra machado
hino acadêmico
hino do partido constitucionalista – francisco alves com orquestra
trecho do discurso de dom duarte leopoldo e silva
trem blindado – almirante e grupo da guarda velha
‘exortação’, de guilherme de almeida, lida por césar ladeira
metralhadora – aurora miranda
anistia – francisco alves e orquestra odeon

*Texto de Samuel Machado Filho.

Robinson Borba E O Rabo De Peixe – Peter Pan… K (1984)

Olá amigos cultos e ocultos! Dentro do nosso instável leque de variedades fonomusicais eu trago hoje para vocês este álbum independente do compositor e produtor paranaense, Robinson Borba, lançado em 1984. Robinson foi o produtor do disco Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé, em 1980. Não é por acaso que Peter Pan… K! segue mais ou menos a mesma linha do Clara Crocodilo, inclusive com participações de Arrigo e Paulo Barnabé, além de outros músicos que faziam parte  da chamada Vanguarda Paulista. O confuso neste lp é mesmo as faixas. Algumas músicas se fundem em uma faixa só. Daí, no arquivo do disco teremos a separação conforme as pausas, ok?
Um trabalho bem interessante que merece o nosso toque musical 😉

fairlaine
eleonora
mente mente
blue sertanejo
café caipira
bicho do mato
rita vampiro
lua
tique taque
capitão gancho
wendy
babynete
os meninos perdidos
terra do nunca
bucaneiro caduco
que boa briga

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Francisco Mário – Terra (1979)

Olá, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês o violonista e compositor mineiro, Francisco Mário. Já tivemos aqui a oportunidade de apresentar alguns de seus trabalhos e agora ele volta neste belíssimo trabalho. Aliás, seu primeiro disco, lançado de forma independente, em 1979. Chico Mário, como era também conhecido foi irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho. Todos três hemofílicos, faleceram vítimas de transfusões de sangue contaminado com o vírus da aids. Chico começou a estudar música ainda na infância. Estudou arranjo e harmonia com Roberto Gnattali, responsável pelos arranjos de seu primeiro show, em 78. No ano seguinte lançaria este seu primeiro trabalho. Um disco totalmente autoral, com participações importantes como o Quarteto em Cy, Joyce, Antonio Adolfo e muitos outros… “Terra” foi, na época, lançado também no México. Um disco realmente muito bom e que merece ser relembrado aqui no nosso Toque Musical. Confiram no GTM!

ouro preto
terra
bateia
passarinho preto
quitute mineiro
exílio
moda do tio geraldo
bandeiras ao alto
maria leal
carro de boi
manto
bicho fantasiado
reses tensas
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Grupo Queluz de Minas – Pra Vida (1982)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois de um merecido descanso, 20 dias de férias, retomamos nossas publicações para 2018. Neste ano pretendo ainda colocar funcionando plenamente o nosso canal no Youtube. Minha ideia é publicar em paralelo as postagens feitas aqui. Difícil vai ser postar por lá tudo o que já foi publicado aqui, muito embora outros canais já tenham feito isso. Certamente quase tudo que postamos aqui já está rodando direto no Youtube. Mas vamos direcionar isso. Está na hora de pegar de volta tudo que plantamos, não é certo?
Bom, recomeçando nosso toque musical para 2018, temos aqui uma produção independente, o grupo mineiro Queluz de Minas e seu único álbum “Prá Vida…”, lançado em 1982. Há algum tempo atrás nós chegamos a postar aqui um compacto do grupo, lançado no ano anterior, também produção independente, feito aqui em Belô.
Conforme já apresentamos, o Grupo Queluz de Minas foi formado no final dos anos 70, na cidade mineira de Conselheiro Lafaiete. Surgiram a partir de um show que fizeram em homenagem ao músico da cidade, João Salgado, que vem de uma das famílias de fabricantes da famosa ‘viola de queluz’. Queluz é uma região no município de Conselheiro Lafaiete,onde, entre o final do século XIX e inicio do XX eram fabricadas por duas famílias, Meirelles e Salgado, as violas de pinho que hoje se tornaram raríssimas e cobiçadas por todo bom violeiro. O grupo se dissolveu anos depois, porém alguns de seus integrantes seguiram em carreira individual e em outros grupos. Ao que parece, eventualmente eles se reúnem. Existe inclusive uma página no Facebook mantida por eles.
O disco é realmente muito bom. Música regional e autoral com um time de excelentes músicos. Vale a pena conferir… 😉

rumo ao sol
prá vida
veludo
quebrança
autofagia
to be
tema I
esse meu coração
espelho
pro nada, pra nada

 

Deo Lopes – Voar (1981)

Com o prazer e a satisfação de sempre, o TM traz de volta, em repost, para seus amigos cultos, ocultos e associados, o primeiro álbum do sempre notável Déo Lopes, “Voar”, de 1981. Anteriormente, oferecemos este disco junto com outro expressivo trabalho dele, “Certos caminhos”, que gravou três anos depois, e que já havia sido apresentado pelo TM em separado, exatamente o que fazemos agora com “Voar”. Déo Lopes nasceu em 1952, na cidade de Santo Antônio da Alegria, cidade paulista da região de Ribeirão Preto, na divisa com Minas Gerais, e desde 1994 reside no Vale do Paraíba, também no estado de São Paulo. Profissionalmente, iniciou-se em 1980, na capital bandeirante, apresentando-se em teatros como o Lira Paulistana, o Sesc Pompeia  e o Tuquinha. Percorreu (e percorre até hoje) quase todo o Brasil (Minas, interior e litoral de São Paulo, Bahia, Maranhão, etc.) divulgando seu trabalho, suas composições, e aprendendo com muitos bons músicos de todas essas regiões. Como bem conceituou o amigo Augusto, Déo Lopes  “é um músico com muitas paradas, assimilando um pouco de cada lugar por onde passa”. Tem uma discografia que abrange seis álbuns, entre LPs e CDs, inclusive três que também já foram oferecidos pelo nosso TM: “Canticorda” (com o violonista argentino Juan Falú, 1982), “Relação natural” (1988) e “Noite cheia de estrelas” (1993). Fundou, em 1998, um grupo de música regional, o Trem da Viração, com quem possui outros dois álbuns lançados, produziu concertos e discos de outros artistas, e tem participado da criação e desenvolvimento de inúmeros projetos culturais, tanto na música (em especial o fomento da música regional) quanto em outras artes.  Em suas composições, Déo Lopes busca o que sempre acreditou: seus anseios, suas crenças, seu pensamento sobre a ecologia e o meio-ambiente, sobre o sentimento do amor, no sentido  do entendimento, do encontro e do desencontro. Com todo este respeitável currículo de artista e incentivador cultural, Déo Lopes bem merece a nossa repostagem de hoje. “Voar”, seu primeiro álbum, lançado em meio ao “boom” de discos independentes produzidos nessa época (1981), é o começo de tudo, o pontapé inicial de uma carreira promissora, sempre apresentado um trabalho musical de assimilação bem natural e extremamente agradável. O curioso é que a capa teve duas versões, uma em preto e branco, conforme o desenho original, e a outra em azul e branco, mudança esta que foi solicitada pelo próprio Déo Lopes. São doze faixas, nove delas feitas por ele mesmo com parceiros, e apenas como letrista. É um dos melhores álbuns independentes surgidos nessa época, e dele participam, entre outros, os irmãos Dante e Ná Ozzetti, no coro e na percussão. Portanto, é digno merecedor de um “vale a pena postar de novo”!  Agora, é ir direto para o GTM e desfrutar dessa autêntica preciosidade!

canto de agora
voar
a química e o drama
pés no chão
a lua é de luzia
larissa
dia de festa
herança
nos olhos da serra
um bom partido
tassiana e rafael
retratos

*Texto de Samuel Machado Filho

Paulinho Pedra Azul – Papagaio De Papel (1990)

Quem apreciou o primeiro álbum de Paulinho Pedra Azul, “Jardim de infância”, lançado em 1982 e já oferecido pelo TM, por certo pediu mais. Portanto, é com muita satisfação que hoje oferecemos, a nossos amigos cultos, ocultos e associados, mais um trabalho deste notável artista mineiro, talento múltiplo (cantor, compositor, poeta, artista plástico, escritor…), e perfeito em tudo que faz. Trata-se de “Papagaio de papel”, cronologicamente seu quinto álbum de carreira, editado em 1990, em esquema de produção independente.  O título deste disco é o mesmo da faixa de abertura, composta por Sthel Nogueira, que também assina a faixa “Cantiga pro Gabriel”. E corresponde ainda a uma reminiscência da infância do artista, em sua Pedra Azul natal. Lá, um médico, apelidado de Doutor Moita, construía, e com extrema perfeição,  belos papagaios gigantes e coloridos. Paulinho e seus amigos, então crianças, ficavam ao redor do Doutor Moita, esperando o momento de o papagaio subir ao céu. Tais pipas tinham um tamanho tão grande que eram necessárias cinco pessoas para segurá-las! Algumas horas depois de o papagaio subir, o Doutor Moita cortava a linha. Aí, o Paulinho e seus amigos (mais de trinta crianças) saíam correndo à procura da pipa, e andavam cerca de dez ou quinze quilômetros, até encontrá-la. E voltavam felizes para casa, maravilhados por trazer o papagaio de volta… Das nove faixas deste disco, o próprio Paulinho assina cinco: “Naiara” (parceria com João Evangelista), a instrumental “Uma canção pra Godofredo”, “Pro teu coração”, “Cristalina’ e “Vagas expressões”.  Completam este trabalho composições da dupla Gonzaga Medeiros-Foka (“Sorriso menino”) e de Nilci Martins (“Vagas expressões”).  Perfeito em tudo, artística e tecnicamente, este é mais um álbum que confirma todo o talento que existe em Paulinho Pedra Azul, a ponto de ser, e com justiça, o segundo cantor mais conhecido de Minas Gerais, perdendo apenas para Mílton Nascimento, o carioca que se criou em Três Pontas. É ouvir e conferir!

papagaio de papel
sorriso menino
cantiga pro gabriel
naiara
uma canção para godofredo
pro teu coração
cristalina
valsa matinal
vagas expressões

*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Eça & Jerzy Milewski Ensemble – Duas Suítes Instrumentais (1988)

Após os dois volumes de “Piano e cordas”, o TM tem a honra de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um primoroso trabalho de Luiz Eça (1936-1992), músico, arranjador e compositor que deu extraordinárias contribuições para a nossa música. E desta vez ele está muitíssimo bem acompanhado, ao lado do violinista Jerzy Milewski, polonês de Varsóvia, nascido a 17 de setembro de 1946 e naturalizado brasileiro. Milewski começou sua carreira bem cedo, aos seis anos de idade. Graduou-se pela Academia de Música de Varsóvia, onde também fez um mestrado. Foi solista e membro da Orquestra de Câmara da Filarmônica Nacional da Polônia, com a qual tocou, na Europa, América e Ásia. Recebeu do governo polonês a Medalha Henryk Wienawski. Em 1968, conheceu, em sua Polônia natal, a pianista brasileira Aleida Schweitzer, com quem se casou, e ambos residem no Brasil desde 1971. Aqui gravou álbuns diversos interpretando composições de “cobras” da MPB, como Djavan e Mílton Nascimento. Também faz apresentações divulgando obras de compositores poloneses para o público brasileiro, sempre acompanhado ao piano pela esposa, com a qual forma o Milewski Duo. Além disso, faz “Concertos Didáticos” em escolas e universidades, mas também com crianças da mais tenra idade. Às vezes é solicitado para ser jurado em concursos internacionais, e seu currículo ainda inclui turnês pelo Canadá (1998-99) e Escandinávia (1999-2000). Este “Ensemble – Duas suítes instrumentais de Luiz Eça”, no qual o violino de Jerzy Milewski se une ao piano do notável músico brasileiro, é um ponto altíssimo na discografia de ambos. Produzido por Milewski, com a participação do baterista e percussionista  Robertinho Silva, e do contrabaixista Luiz Alves, e editado com o selo JAM, pertencente ao violinista, é um trabalho que contou com o patrocínio da Nestlé, empresa alimentícia de origem suíça, que se instalou no Brasil no início do século passado. O resultado não poderia ser outro: um LP de indiscutível qualidade técnica e artística, muitíssimo bem cuidado.  A parte gráfica também merece destaque, com a capa dupla repleta de informações sobre os intérpretes, os músicos acompanhantes e o álbum em si. É mais um trabalho primoroso que o TM orgulhosamente nos apresenta, digno de figurar no acervo de todos os que apreciam a melhor música instrumental do Brasil.

duro na queda

imagem

alegria de viver

sempre será

daniele

lá vamos nós

tranquilamente

dolphin

três minutos para aviso importante

melancolia

mestre bimba

*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Eça & Jerzy Milewski Ensemble – Duas Suítes Instrumentais (1988)

Após os dois volumes de “Piano e cordas”, o TM tem a honra de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um primoroso trabalho de Luiz Eça (1936-1992), músico, arranjador e compositor que deu extraordinárias contribuições para a nossa música. E desta vez ele está muitíssimo bem acompanhado, ao lado do violinista Jerzy Milewski, polonês de Varsóvia, nascido a 17 de setembro de 1946 e naturalizado brasileiro. Milewski começou sua carreira bem cedo, aos seis anos de idade. Graduou-se pela Academia de Música de Varsóvia, onde também fez um mestrado. Foi solista e membro da Orquestra de Câmara da Filarmônica Nacional da Polônia, com a qual tocou, na Europa, América e Ásia. Recebeu do governo polonês a Medalha Henryk Wienawski. Em 1968, conheceu, em sua Polônia natal, a pianista brasileira Aleida Schweitzer, com quem se casou, e ambos residem no Brasil desde 1971. Aqui gravou álbuns diversos interpretando composições de “cobras” da MPB, como Djavan e Mílton Nascimento. Também faz apresentações divulgando obras de compositores poloneses para o público brasileiro, sempre acompanhado ao piano pela esposa, com a qual forma o Milewski Duo. Além disso, faz “Concertos Didáticos” em escolas e universidades, mas também com crianças da mais tenra idade. Às vezes é solicitado para ser jurado em concursos internacionais, e seu currículo ainda inclui turnês pelo Canadá (1998-99) e Escandinávia (1999-2000). Este “Ensemble – Duas suítes instrumentais de Luiz Eça”, no qual o violino de Jerzy Milewski se une ao piano do notável músico brasileiro, é um ponto altíssimo na discografia de ambos. Produzido por Milewski, com a participação do baterista e percussionista  Robertinho Silva, e do contrabaixista Luiz Alves, e editado com o selo JAM, pertencente ao violinista, é um trabalho que contou com o patrocínio da Nestlé, empresa alimentícia de origem suíça, que se instalou no Brasil no início do século passado. O resultado não poderia ser outro: um LP de indiscutível qualidade técnica e artística, muitíssimo bem cuidado.  A parte gráfica também merece destaque, com a capa dupla repleta de informações sobre os intérpretes, os músicos acompanhantes e o álbum em si. É mais um trabalho primoroso que o TM orgulhosamente nos apresenta, digno de figurar no acervo de todos os que apreciam a melhor música instrumental do Brasil.

duro na queda

imagem

alegria de viver

sempre será

daniele07

lá vamos nós

tranquilamente

dolphin

três minutos para aviso importante

melancolia

mestre bimba

*Texto de Samuel Machado Filho

Galo Preto (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para aqueles que não assistiram a Missa do Galo, não fiquem desolados. Para quem, como eu, não viu o Galão ser campeão, também não se desesperem. Ainda há tempo para um outro galo, o grupo de chorinho “Galo Preto”. Formado nos anos 70, o Galo Preto é um dos mais importantes grupos de choro do país. Em franca atividade ainda hoje, eles já tocaram e gravaram com uma infinidade de bons artistas. Já se apresentaram em diversos países, sempre com muto sucesso.
Neste lp, produção independente, lançada em 1981, o grupo seleciona um repertório com músicas até então inéditas de diversos autores. Confiram em detalhes, a contracapa traz toda a informação sobre essa produção. Para os amantes da boa música instrumental e do choro este lp é imperdível. Confiram…

meu tempo de garoto
choro ligado
eventualmente
gracioso
um presente pro titio
marceneiro paulo
amarelinho
deixa falar
rabo de galo
valsa n.2
vocês me deixam ali e seguem de carro
flor do mato

.

III Festival Bancário De MPB (1980)

Em seu livro “A era dos festivais – Uma parábola”, o pesquisador Zuza Homem de Mello informa que a mesma terminou em 1972, com o sétimo e último FIC (Festival Internacional da Canção), promovido no Rio de Janeiro pela TV Globo, após o quê foram realizados outros eventos esparsos do gênero, relacionados ao final do livro. A verdade, porém, é que festivais de música jamais deixaram de existir. Há, por exemplo,  escolas e colégios que, anualmente, promovem certames internos de música. Eu mesmo sou testemunha disso, pois estudei tecnologia têxtil no SENAI, quando morava em minha São Paulo natal, e os festivais estudantis de música promovidos pela Escola “Francisco Matarazzo”  (que se mudou do Brás para o Cambuci, em 1981) sempre foram bastante animados, com torcida organizada e tudo, a plateia cantando junto as músicas etc.  É assim, por certo, nas escolas, colégios e até mesmo faculdades  que boa parte de nossos amigos cultos, ocultos e associados frequentaram em seus tempos de estudante. Afinal de contas, quem nunca teve pelo menos um pouquinho de música em suas veias? Evidentemente, até sindicatos de trabalhadores promovem festivais internos de música popular. Aqui se enquadra o álbum que o TM nos oferece hoje, lançado em 1980, documentando o III Festival Bancário de MPB, promovido pelo sindicato paulistano da categoria (e, claro, produção independente). Nessa época, com a chamada “abertura lenta e gradual” promovida pelo regime militar, já em seus estertores finais, o sindicalismo brasileiro se revitalizou, a partir das greves de metalúrgicos no ABC paulista, capitaneadas pelo então presidente do sindicato da categoria, Luiz Inácio Lula da Silva. O álbum é dedicado a um certo Nélson C. Santos, falecido em uma terça-feira de carnaval, pouco antes do término dos trabalhos de gravação do disco. E resultou de brilhante iniciativa do departamento cultural do sindicato dos bancários paulistano, que então já acreditava nas atividades artísticas como instrumento de democratização do Brasil. As doze finalistas do certame (não há informação de qual foi a música vencedora, infelizmente) revelam cantores e compositores bastante inspirados, abordando temas diversos: homenagem ao homem do campo (“Imagem sertaneja”), pacifismo (“Nunca penso em guerra”), a luta do trabalhador pela sobrevivência (“O operário”, “Choro de breque”, “Zé carregador”), corrupção (“Uma rosa de cristal”), a saudade do retirante nordestino (“Sonho de voltar”)…  Tudo isso em trabalhos muito bem acabados, dando oportunidade a membros da categoria bancária, de mostrar talento, competência e inspiração no setor musical. Este disco praticamente encerra a retrospectiva dedicada aos festivais de música pelo TM, mas certamente não é um ponto final definitivo. Afinal, festivais de música continuam e continuarão sempre a existir ao redor de nós, ainda que não recebendo divulgação pela maior parte da mídia. E ponto final é uma coisa que o canto de nosso povo nunca teve, nem vai ter.

 rosa de cristal
sonho de voltar
chor de breque
o operário
despedida de um sambista
avesso
terra do sol
pegue o por do sol
pássaro doméstico
imagem sertaneja
zé na marra
nunca penso em guerra

*Texto de Samuel Machado Filho

Diana Pequeno – Mistérios (1989)

O Toque Musical põe hoje em foco uma cantora que, após anos de afastamento, voltou à cena em 2016: Diana Pequeno. Ela nasceu na capital baiana, Salvador, em 25 de janeiro de 1958, e, vinte anos mais tarde, radicou-se em São Paulo. Ainda estudante de Engenharia  Elétrica, começou a aparecer  cantando em shows universitários, passando a se dedicar à música. Gravou seu primeiro LP em 1979, pela RCA, hoje Sony Music. Participou de festivais de MPB e, em mais de 20 anos de carreira, apresentou-se em diversos países, entre os quais o Japão, onde recebeu o prêmio de Originalidade com a música “Papagaio dos cajueiros”.  Sua discografia tem um total de dez álbuns, entre LPs e CDs, e alguns compactos, onde registrou um repertório bastante eclético, com baião, xote, música latina e pop. “Blowin’ in the wind” (versão dela mesma para o clássico de Bob Dylan), “Diverdade”, “Canção de fogo”, “Engenho de flores”, “Facho de fogo” e “Sinal de amor e de perigo” são alguns de seus maiores sucessos. A última aparição pública de Diana Pequeno, ao que se sabe, foi em 2005, em sua Salvador natal, no projeto “Pelourinho dia e noite”.  Desde então, ela nunca mais desempenhou qualquer atividade artística, e passou a residir no Rio de Janeiro. Mas neste 2016 que ora finda, Diana voltou à cena, lançando uma série de álbuns independentes, a maioria contendo gravações recentes de músicas de composição própria. Um deles, “Signo”, é um “disco perdido”, gravado entre o final de 1989 e o início de 90, bem clima deste que comentaremos a seguir. “Mistérios”, que o TM apresenta hoje, é o sexto álbum de Diana Pequeno, também gravado e distribuído de forma independente.  Foi lançado em 1989, após cinco anos de afastamento dos estúdios, e marca o retorno da intérprete baiana aos caminhos originais de sua trajetória, após tentativas de tornar sua música mais comercial, e à parceria com seus velhos colaboradores Papete (falecido em maio deste ano)  e Ruy Saleme. O que resultou em seu trabalho mais intimista e autoral, com arranjos despojados, diferindo, nesse sentido, de seus primeiros discos. A faixa de abertura deste disco, “Tudo que eu quero”, é uma versão da própria Diana para “All I want”, balada folk do norte-americano John Mitchell, presente naquele que é considerado seu melhor álbum, “Blue”, de 1971. Seguem-se composições próprias, com ou sem parceiros, e de outros autores, como Zé Rodrix e Guarabyra (“Os olhos abertos”), Joyce Moreno (“As ilhas”) e a dupla Guilherme Rondon-Paulo Simões (“Mil melodias”). Destaque ainda para a bela adaptação, da própria Diana, para uma cantiga tradicional das ilhas de Cabo Verde, “Ser feliz é melhor do que nada” e para a faixa-título, dela mesma em parceria com Ruy Saleme. Tudo isso faz de “Mistérios” um disco maduro e agradável do começo ao fim, comprovando e reiterando o talento de Diana Pequeno. Confiram…

tudo que eu quero

olhos abertos

as ilhas

mistérios

tudo no olhar

ser feliz é melhor do que nada

mulher rendeira

mil melodias

jeito de viver

analfabetos do amor

imagens e sentimentos

*Texto de Samuel Machado Filho

Ilder Miranda – Nesse Estado De Coisas (1981)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Conforme já disse William Shakespeare, “existem mais mistérios entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia”. Sem contar as incógnitas, que vez por outra nos chegam. É o caso do álbum que o TM oferece hoje, “Nesse estado de coisas”, ao que parece o único trabalho de Ilder Miranda. O LP saiu em 1981 com o selo Mãos e Meios, numa época em que se registrou um verdadeiro “boom” de lançamentos discográficos independentes, a partir do sucesso do primeiro álbum do grupo Boca Livre, editado justamente nesse esquema. É um trabalho até caprichado, tanto técnica quanto graficamente, gravado em São Paulo no estúdio Vice Versa, na época um dos melhores do Brasil. Compõe-se de doze faixas, todas de autoria do próprio Ilder. Em todas as músicas, percebe-se um olhar crítico do cantor-compositor ao panorama do mundo contemporâneo, com todas as suas mazelas, tais como violência e degradação do meio-ambiente. Ouvindo-se este trabalho, pode se concluir que o mesmo continua atualíssimo, apesar de decorridos mais de 35 anos de sua realização. Agora:  o único problema é que não encontrei nenhuma informação biográfica a respeito de Ilder Miranda. O que se pode afirmar com certeza é que, hoje, este disco pertence ao catálogo  da Sonhos & Sons, a maior distribuidora de artistas independentes de Minas Gerais, pertencente ao compositor, músico e produtor Marcus Vianna, mais conhecido pela música-tema da novela “Pantanal”, sucesso da extinta Rede Manchete em 1990, e mais tarde reprisada pelo SBT. No site da Sonhos & Sons, o artista é identificado por seu nome completo, Ilder Miranda Costa. O mesmo de um advogado devidamente registrado na OAB mineira, que tem até livros jurídicos publicados. Seria ele? Pois aqui vai um lembrete a nossos amigos cultos, ocultos e associados: quem tiver informações mais detalhadas a respeito deste nosso Ilder Miranda, favor escrever para: toquelinkmusical@gmail.com. Eu e o Augusto agradecemos desde já a quem puder decifrar este enigma…

madrugada paulista

a porta do cabaré

ciranda

carta pra minas inteira

a volta da filha presa

porque qui oce num pode aguentar

pena apenas

cala a boca

iara

preso por dentro de nada vale o teu gritar

r-evolução

quase louca

*Texto de Samuel Machado Filho