Arco Íris – Coração Coração (1982)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Seguindo nossa jornada musical (ainda estou no embalo de julho) eu hoje trago uma das excelentes produções independentes lançadas na década de 80. Este foi um período onde muita coisas independente começou a pipocar por aí. Uma fase que precisamos passar um pente fino para resgatar trabalhos de altíssima qualidade, como é o caso deste aqui… Quem olha pela capa há de pensar que se trata de uma coletânea de músicas românticas, algo até meio infantil ou feminino, sei lá… Mas quem vê cara e não olha a bunda, perde a chance de um rebolado. E aqui, no caso há bem mais que rebolado. Temos o quarteto vocal Arco-Íris, formado por Marcos Dantas (voz e violão), Fernando Veloso (voz), Ophélio Walvy (voz e violão) e Nelson Wellington (voz e violão). No ano de 1982 eles lançaram este, “Coração, coração”, um lp muito bem produzido, com grande parte das composições autorais, ou em parcerias. Quem escuta pela primeira vez acredita ser este outro grupo vocal, o Boca Livre, ou ainda a dupla Burnier e Cartier. Mas quase não é um engano, a essência é a mesma. Inclusive há músicas e participação desses artistas (Cláudio Nucci e Cláudio Cartier) no disco.  Outro destaque importante é também o Azimuth, presente aqui, com Alex Malheiros e Zé Roberto Bertrami. Duas músicas deste disco tiveram um relativo sucesso, chegando a tocar em rádios, “Maria Clara”, de Cláudio Cartier e Paulo Feital e “Porteira”, de Eduardo Souto Neto e Nelson Wellington. Vale muito a pena conferir…

maria clara
porteira
a um passo
reluzir
veleiro
flor de lilás
cometa
invasão
marujada
coração, coração
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Bimba – Morena (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje temos aqui um disco independente, álbum solo da cantora Bimba. Bimba? Este talvez seja o questionamento de muitos e foi também o meu no primeiro momento que vi a capa. Quem é essa cantora que atende pela alcunha de Bimba? De Bimba, que eu me lembrasse era apenas o mestre Manoel dos Reis, precursor da Capoeira. Chegou a me causar estranheza esse nome, que irremediavelmente me levou para um lado irônico e malicioso (ups! sem comentários). Mas não demorou muito para que eu caísse na real. Bastou por o disco para tocar e ler a ficha técnica no encarte. Claro, agora me lembrei… Bimba, na verdade é Semíramis, cantora que fez parte do grupo A Brazuka, de Antonio Adolfo e do quinteto Samba S.A., de Mário Castro Neves. Antes disso porém, em 1967, ela fez parte do Quarteto em Cy, passando a assinar Cymiramis. E com este grupo feminino ela excursionou pelos Estados Unidos. A partir da década de 80 ela volta em disco solo, já com o nome de Bimba. Até onde eu sei, ela gravou dois discos, um em 79 e este de 80, todos os dois sendo produção independente. Para este álbum que apresentamos, Bimba contou com a produção, arranjos e regências de Antonio Adolfo. Participam do discos instrumentista importantes, tais como Rick Ferreira, Márcio Montarroyos, Leo Gandelman, Luis Claudio Ramos, Claudio Stevenson e outros…

potes de amor
morena
candelabro
por que sos
abolerado
chuva ee prata
de todas as cores azuis
vela presa
paraiba do sul
merengue remelexo
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Grupo Zurana – Sorte (1977)


Olá amigos cultos e ocultos! Tenho para hoje um disco especial, do tipo que eu gosto de postar por aqui. Um lp promocional produzido pelo Grupo Zurana, sob a supervisão da MPM Propaganda, apresentando as versões musicais dos jingles usados pela Caixa Economica Federal na divulgação das extrações da Loteria Federal, em 1977. As músicas são interpretadas pelo Grupo Zurana, que nada mais é que um time de músicos e cantores, gente que trabalha em estúdios fazendo música para além do mercado fonográfico. Temos aqui figuras como Sivuca, Gilson Peranzetta, Reginha, Márcio Lotti, Mamão, Altamiro Carrilho, Joel Nascimento e muitos outros. A produção musical e arranjos são de Tavito e Eduardo Souto Neto. As composições são de artistas como Ivan Lins, Mariozinho Rocha, Paulo Sérgio Valle, Ruy Maurity, Eduardo Souto Neto, entre outros…
Eis aí um disco interessante, promocional e certamente uma edição limitada que poucos devem conhecer. Vale a pena resgatar coisas assim. Confiram essa joinha, pois o tempo é limitado 😉

extração da independência
grande premio bento gonçalves
grande premio são paulo
grand prix brasil
extração de carnaval
extração dia das mães
extração da inconfidência
extração de são paulo
extrações normais
grande premio brasil
grande premio paraná
extração de natal
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Elebra 6 – Memória – Solistas Brasileiros (1989)

O TM tem a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o sexto volume da série “Memórias”, produzida sob encomenda da extinta Elebra pelo pesquisador João Carlos Botezelli, o Pelão, que, como vocês já viram anteriormente, tem a seu credito inúmeros trabalhos importantes da discografia tupiniquim, como o primeiro LP de Cartola e os dois primeiros de Adoniran Barbosa. Este sexto LP da série, editado em 1989 para distribuição gratuita aos clientes da extinta empresa de informática, com incentivo de lei governamental, tem o nome de “Solistas brasileiros”. Como escreveu na contracapa o próprio Pelão, “é mais uma homenagem da Elebra à sensibilidade, ao talento e à competência do músico brasileiro”. Vem, também, a ser uma justíssima homenagem ao pianista e maestro Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 27/1/1906-Rio de Janeiro, 13/2/1988), com faixas executadas por ele mesmo e seus discípulos. Gravado em estúdios do Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Recife e Porto Alegre, já se utilizando da tecnologia digital (o que garante a qualidade técnica), é mais um trabalho impecável de Pelão, reunindo clássicos inesquecíveis e até hoje relembrados. Abrindo o disco, o próprio Radamés sola ao piano o choro “Carinhoso”, do mestre Pixinguinha. Rafael Rabello, violonista prematuramente desaparecido, vem com o samba-canção “Molambo”, de Meira e Augusto Mesquita. Joel do Bandolim sola o antológico bolero “Dois pra lá, dois pra cá”, um dos primeiros hits da dupla João Bosco-Aldir Blanc. Chiquinho do Acordeom executa outro samba-canção célebre, “Balada triste”, de Dalton Vogeler e Esdras Silva. Em seguida uma curiosa interpretação para “Nossos momentos”, da parceria Haroldo Barbosa-Luiz Reis, a cargo do contrabaixista Toinho Alves, que também faz um interessante “vocalize”. “Pois é”, samba de Ataulfo Alves, é executado ao cavaquinho  por um verdadeiro “cobra” do instrumento, Henrique Cazes. A viola caipira de Roberto Corrêa traz a nossos ouvidos a clássica toada “Tristeza do jeca”, de Angelino de Oliveira. O pianista Laércio de Freitas nos traz “Ceú e mar”, obra-prima de Johnny Alf. Zé Gomes, craque da rabeca, executa “Maria”, samba-canção de Ary Barroso e Luiz Peixoto. Rildo Hora sola, com sua gaita, “A noite do meu bem”, de Dolores Duran. O violonista Israel sola depois “Agora é cinza”, samba da parceria Bide-Marçal. Por fim, a não menos antológica “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de Paula, nos floreados da flauta de Plauto Cruz. Tudo isso em um trabalho primoroso, antológico, verdadeiro tributo a Radamés Gnattali  e seus discípulos. Simplesmente irresistível!

carinhoso – radamés gmattali

molambo – rafael rabelo

dois prá lá, dois prá cá – joel do bandolim

balada triste – chiquinho do acordeon

nossos momentos – antonio alves

pois é – henrique cazes

tristeza do jeca – roberto correa

céu e mar – laércio freitas

maria – zé gomes

a noite do meu bem – rildo hora

agora é cinza – bide e marçal

canção de amor – plauto cruz

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Dick Farney – Momentos (1985)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês mais um disco da série lançada pelo saudoso restaurante Inverno & Verão, que existiu em Sampa na década de 80. Já falamos dessa casa de show aqui no Toque Musical. Por ela passaram grandes nomes da música nacional e até internacional. E para mim, seu grande mérito foi o registrar e lançar em discos os muitos artistas que por lá estiveram. Com o apoio do Credicard/Visa, o I&V promoveu e lançou de forma quase independente uma dezena de títulos, em discos não comerciais. Ao que sei, esses lps eram oferecidos aos clientes e fornecedores da casa de shows. Por aqui eu já publiquei várias dessas produções e na sequencia temos outro artista, que também sempre esteve presente em nossas postagens, o grande Dick Farney. Embora gravado em estúdio, este lp registra alguns bons momentos do repertório da temporada do artista, em março de 1985. Que eu saiba, essas gravações nunca chegaram a ser lançadas comercialmente. Assim sendo, a oportunidade de conhecer e ouvir o disco é essa. Confiram já, pois o tempo do link é uma baforada 🙂

marina
copacabana
somos dois
este seu olhar
saudade mata a gente
se todos fossem iguais a você
the lady is a tramp
uma loira
ponto final
alguém como tu
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Elebra – Memória 5 (1988)

O TM hoje oferece aos seus amigos cultos e ocultos e associados o quinto volume de uma série denominada “Memórias”, destinada à preservação de nossa memória musical, oferecida como brinde aos clientes da Elebra, uma empresa de informática que não existe mais, e que foi a maior do setor na época em que havia reserva de mercado para o mesmo no Brasil.

A série foi produzida pelo incansável pesquisador João Carlos Botezelli, o popular Pelão, que tem um respeitável currículo no setor fonográfico. Basta dizer, por exemplo,  que ele produziu, em 1974, o primeiro LP do mestre Cartola.  Trabalhos de Nélson Cavaquinho , Adoniran Barbosa, Théo de Barros, Inezita Barroso e Raphael Rabello também estão entre suas mais esmeradas produções discográficas.  E tudo na base da amizade…

Este quinto LP da série “Memórias”, editado em 1988, é dedicado a conjuntos vocais e/ou instrumentais brasileiros de várias épocas e estilos. Para a seleção de repertório, mestre Pelão contou com a colaboração, entre outros, do jornalista Arley Pereira e do autor de novelas Walther Negrão. Seleção esta muito bem feita, com masters cedidos por quatro gravadoras, em que desfilam conjuntos marcantes na história de nossa música popular, interpretando clássicos inesquecíveis. A seleção inclui “Trem das onze”, do mestre Adoniran, com os sempre notáveis Demônios da Garoa, “Gauchinha bem querer”, de Tito Madi, na interpretação impecável e plena de autenticidade do Conjunto Farroupilha, “Forró de Mané Vito”, de Gonzagão e Zé Dantas, com o Quinteto Violado, um raro registro de “Nêga do cabelo duro”, de Rubens Soares e David Nasser, com o Bando da Lua, “Estrada do sol”, de Tom Jobim e Dolores Duran, com o Trio Irakitan, o saltitante “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, com Os Três Morais, “É com esse que eu vou”, de Pedro Caetano, com seus criadores, os Quatro Ases e um Coringa… A bossa nova vem com o Zimbo Trio, executando “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi, o Sambalanço Trio numa releitura de “Pra machucar meu coração”, de mestre Ary Barroso, e o Jongo Trio com “Menino das laranjas”, de Théo de Barros. Os Titulares do Ritmo aqui interpretam “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam. E, para finalizar, “A voz do morro’, de Zé Kéti, com o conjunto de mesmo nome, organizado pelo próprio autor, e no qual despontaram nomes importantes da MPB, como Paulinho da Viola e Élton Medeiros. Repertório de qualidade, conjuntos expressivos, ótimas performances… Que mais se pode querer?

pra machucar meu coração – sambalanço trio

tico tico no fubá – os três morais

balanço zona sul – zimbo trio

o menino das laranjeiras – jongo trio

forró do mané vito – quinteto violado

estrada do sol – trio irakitan

nega do cabelo duro – bando da lua

gauchinha bem querer – conjunto farroupilha

é com esse que eu vou – quatro azes e um coringa

ponteiro – titulares do ritmo

trêm das onze – demônios da garôa

a voz do morro – conjunto a voz do morro

.* Texto de Samuel Machado Filho

William Senna – Canto Do Tempo (1978)

Olá amigos cultos e ocultos! Seguimos aqui, aos trancos e barrancos, mas sem deixar a peteca cair. Na oportunidade (já tô falando assim), trago para vocês, William Senna, músico mineiro da cidade de Rio Casca. Violonista e compositor que mereceu a atenção de Egberto Gismonti. Gravou em 1985 o lp ‘Homem do Madeiro’, disco que contou com a participação da cantora Dulce Bressane e do próprio Egberto Gismonti. Mas antes desse, William Senna já havia gravado ‘Canto do Tempo’, seu primeiro lp, lançado em 1978, de forma independente. Não muito diferente de ‘Homem do Madeiro’, ”Canto do Tempo’ também é um trabalho que chama atenção pela qualidade de suas músicas. São 17 faixas, todas autorais em parceiras diversas, entre essas com Thelma Guedes (hoje autora de novelas e roteirista da TV Globo), que também participa dos vocais e na percussão. Acredito que William Senna tenha gravado mais discos. Infelizmente, não consegui encontrar na rede essas informações. Mas fica aqui o toque inicial. Quem quiser complementar as informações, tem aí área de comentários. fiquem a vontade 🙂

canto do tempo
cotidiano n.3
é assim que está certo
canção para o silêncio
oferenda
desanoitece isabela
aboio
imagem
permissão pra cantar
silêncio
eternidade
descompasso
amiga
crista do boqueirão
rasuras
juca de maria
viola-ação-viola
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Tukley (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Tenho recebido vários e-mails e mensagens com solicitações de reposição de links, e para esses, a senha para descompactar o arquivo. Vou responder apenas mais uma vez e por aqui, neste post, entendendo que os amigos estejam acompanhando as postagens. Como já disse, os links são postados no grupo GTM (Grupo do Toque Musical), que é como um grupo de discussão, mas funciona de forma passiva, ou seja, o associado tem somente acesso aos links. Não há no grupo outro tipo de interação. O associado não posta nada, apenas colhe links. Esses links, por sua vez tem um prazo de vida, geralmente uns seis meses. Depois que venceu, não há uma reposição imediata. Aqueles que me pedem a senha para descompactar o arquivo, certamente são pessoas que não estão associadas ao grupo, ou são muito desatentas, pois a senha vai sempre acompanhada ao link no grupo. E quem é associado ao grupo já sabe a senha, pois ela não muda. Eventualmente eu coloco um link discreto na última letra do texto da postagem, mas o certo mesmo é irem buscar o link no GTM. Eu sinto muito por aqueles que ainda não entenderam ‘a parada’. Mas quem não lê, não procurar se informar nos textos do próprio Toque Musical, vai continuar voando,..
Segue para hoje este disco, mais uma doação do amigo Fáres, Um artista que eu nem me lembrava.  Aliás, só conhecia pela capa, Tukley. A capa, por sinal, tem um quê de anos 70, lembra bem o estilo pela fotografia e nosso artista representando um mochileiro, coisas da época… Mas o que chama mesmo a atenção é a música de Tukley. Quem escuta o disco pela primeira vez há de pensar que se trata do Raul Seixas. As músicas e o estilo de cantar é todo inspirado no ‘maluco beleza’. Se por um lado essa semelhança é simpática, por outro ela compara e nesse sentido o trabalho de Tukley perde a graça, pois ele acaba se tornando mais que influência. E isso se percebe ao longo da carreira do artista, que em outros discos viria a absorver completamente a personalidade musical de Raul Seixas, se tornando um de seus melhores ‘covers’. Neste álbum de estréia, Tukley segue inspirado dentro da semelhança, mas ainda assim com certa originalidade. O trabalho é bem produzido e os arranjos (não é por acaso) são do maestro Eduardo Souto Neto, um mestre em música incidental no Brasil. Confiram aí essa curiosidade

confusão total
3×4 de um homem
eu nào me importo
anjo dourado
contraste
mãiê
a felicidade espera por você
machucado
depois dos beatles
instantes de prazer
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Carlão – Liberdade Vadia (1981)

Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Trago hoje para vocês mais um lp da linha ‘nunca ouvi falar, ma que vale a pena ouvir’. Um disco independente e por consequência, um trabalho obscuro dentro do universo fonográfico comercial. Carlão é o nome do artista. algo despretensioso para quem faz uma música de qualidade. Passa-nos a impressão de que foi este seu único disco. “Liberdade Vadia” é um disco autoral dos mais agradáveis, música boa e letras também. Dizem que Carlão foi produtor em discos de Almir Sater e também músico de apoio de Renato Teixeira. Sem dúvida, a música deste compositor tem a mesma atmosfera. Na contracapa podemos ver nomes bem conhecidos, em especial os do pianista Cido Bianchi e do violonista Natan Marques. Por aí já dá para se ter uma ideia do que iremos encontrar pela frente. Não deixem de conferir… Disco muito bom 😉

caminhos
embrião
distância
novo amanhecer
doce delírio
liberdade vadia
lembrança
inconsciente
fazendo as contas
navegar
liberdade vadia / mensagem
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Clube Do Choro Wilson Duarte – Choros & Serestas (1994)

Hoje o TM oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um raro álbum dedicado ao choro e à seresta.  Ele foi lançado em 1994 pelo selo Gravam – Gravadora da Amizade, vinculada ao Clube da Amizade Padre Antônio Gonçalves. Tendo por slogan “Ser amigos e fazer amigos”, o clube é uma associação civil sem fins lucrativos, de caráter educacional, assistencial, desportivo, religioso e de lazer, fundada no dia 20 de outubro de 1980. Atualmente localizado no Edifício Pio XII, na Rua Espírito Santo, centro de Belo Horizonte, o clube tem atividades das mais diversas, sobretudo para a terceira idade, administrando inclusive cursos de línguas e música. Tem ainda aulas de dança, ginástica, ioga, postura e alongamento, palestras, tardes de convivência e o tradicional “cafezinho da amizade”. Tem atualmente mais de 133.000 associados. O padre Antônio, falecido em 19 de outubro de 2014, foi um grande evangelizador da Arquidiocese belorizontina, tendo sido o primeiro diretor da Rádio América (onde apresentava diariamente o programa “Bom dia, amizade”), além de, claro, ter presidido a missa dominical da Rede Minas de Televisão. É justamente o padre Antônio Gonçalves quem assina a contracapa do álbum que o TM oferece a vocês hoje, com a mais grata satisfação. São dez faixas imperdíveis, seis delas choros (nesse ritmo, inclusive, está a “Oração de São Francisco”, que encerra o disco). Temos ainda duas valsas (“Guarapari”, “Mais uma valsa, mais uma saudade”) e dois sambas-canções, ambos originalmente sucessos de Francisco Alves, “Esses moços (Pobres moços)” e “Cinco letras que choram (Adeus)”. A interpretação ficou a cargo do regional do Clube do Choro, mais o cantor Wilson Duarte, “o seresteiro de Minas”, tornando o álbum imperdível para apreciadores de boa música brasileira. Uma pena que a gravadora do Clube da Amizade não tenha ido muito longe, por certo em virtude dos vai-e-vens do mercado fonográfico, tanto no Brasil como no mundo. De qualquer forma, é um imperdível e primoroso trabalho que merece ser conferido.

Texto de Samuel Machado Filho

 

Luiz Gonzaga Jr – Luizinho De Gonzagão Gonzaga Gonzaguinha (1990)

Boa noite, meus prezados cultos e ocultos amigos do Toque Musical. Vamos hoje com uma postagem que ficou pelo meio. E eu nem me lembrava… Temos aqui o saudoso Gonzaguinha em um de seus últimos discos, lançado em 1990. O lp foi gravado em 1989, mas só viria a ser lançado em 90. através de seu selo Moleque, que não chegou a ediar dois álbuns. Luiz Gonzaga Jr viria a falecer em acidente de automóvel em 1991. O disco traz onze faixas autorais, sendo que pelo menos quatro delas são clássicos do pai Gonzagão, em parceria com Humberto Teixeira e Herve Cordovil. Há também uma faixa especial, “Olha pro céu”, uma espécie de pot pourri temático das festas de São João, com músicas do velho Gonzaga, interpretadas por Gonzaguinha e seus filhos, quando ainda crianças. Confiram este disco que entre tantos outros do autor anda esquecido.

baião
guarda
humaos
respeita januário
asa branca
gonzaga
uma vez por semana
borboleta prateada
avassaladora
olha pro céu
vida do viajante
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Rui Motta – Mundos Paralelos (1992)

Olá, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Aqui estamos novamente. Depois de uma pausa forçada, encontro uma brecha para continuar o nosso toque musical. Fiquei alguns dias sem postar, mas em compensação, andei repondo alguns links vencidos, para a alegria dos retardatários.
Voltando em ritmo instrumental, tenho para vocês este lançamento independente, de 1992, do grande batera Rui Motta. Um disco totalmente autoral, com apenas seis músicas, provando que qualidade não é quantidade. A capa é bem instigante, lembrando algum disco de rock progressivo. Mas, o que temos é música instrumental, no sentido mais característico do termo. Mundos Paralelos foi indicado para o Prêmio Sharp, de 1992. Acompanham o nosso artista neste lp outros grandes nomes como Sérgio Dias, Luciano Alves, Leo Gandelman, Pedro Baldanza e outros músicos do mesmo naipe.
Apenas para esclarecer um pouco mais… Rui Motta é um baterista que já tocou com os mais diferentes artistas, nacionais e internacionais. Integrou a fase progressiva dos Mutantes (sem Rita Lee e Arnaldo), onde gravou três discos. Ingressou outras bandas nos anos 80, mas seu grande mérito está no trabalho de ensino e técnica de bateria. Ele criou métodos exclusivos e publicou já diversos livros sobre bateria. Possui, no Rio, uma escola de bateria, pela qual já passaram outros tantos grandes talentos. Vamos conferir este trabalho?

mundos paralelos
almas ao vento
bye bye baião
fandango
o azul da lua
cinema
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Astro Venga – Explodiram A Perimetral (2014)

Boa noite, meus prezados roqueiros cultos e ocultos! É, hoje ainda é dia de rock! Na verdade, nem começamos. temos ainda mais alguns trabalhos que eu pretendo apresentar ao longo dos próximos dias. Como sempre, uma boa salada mista, que afinal é a verdadeira cara do nosso Toque Musical.
Ano passado eu estive algumas vezes no Rio e por essas idas, tive a felicidade de trombar na praia e no centro da cidade com dois trios que me surpreenderam desde a primeira vez que os ouvi: Beach Combers e o Astro Venga. O Beach Combers eu já conhecia de outras rodadas. Tive o prazer de apresentá-los aqui ha algum tempo atrás. Agora  é a vez do Astro Venga. Um autêntico power trio, mandando ver, apenas com guitarra, baixo e bateria. Os caras detonam em apresentações feitas no meio da rua, em praça pública e beira de praia. Aliás, pelo que soube, a banda foi criada com esse propósito, levar o som pras ruas. E um som da melhor qualidade, diga-se de passagem, considerando as circunstâncias e um aspecto assim meio mambembão. O Astro Venga surpreende, chama a atenção dos que passam, não apenas pelo inusitado, mas também pela provocante batida de um rock’n’roll instrumental, cheio de garra e atitude por parte dos músicos. Eles fazem uma verdadeira ‘jam session’ misturando MIlton Nascimento, Jimi Hendrix, Gilberto Gil, Roberto Carlos… e vai por aí a fora. Conforme disse um dos integrantes da banda, eles já transcenderam a questão de autoria e cover, bem como de estilos. Mas a pegada é sempre o velho e bom rock’n’roll. A guitarra sempre grita mais alto. Formado por Antonio Paoli, no baixo, Dony Escobar, na guitarra e Zozio, na bateria. o Astro Venga lançou no ano passado este cd, que nada mais é que um registro ao vivo. Gravado em uma apresentação na Praça XV, debaixo do extinto viaduto da Perimetral, bem precário, diga-se de passagem, mas impecável enquanto registro de um grupo que acima de tudo curte o que faz. Isso é muito legal, é autêntico e é disso que o rock precisa. Por conta de fazerem de sua música uma colagem de diversas outras músicas, as vezes improvisada, o disquinho acaba não trazendo uma lista do que é tocado. Mesmo assim, para facilitar o entendimento e identificação, estou dando nome as jam’. Ah, de quebra, inclui o áudio de um vídeo que fiz (está no Youtube) do trio numa apresentação no Largo da Carioca. Para a minha surpresa, fiquei sabendo ainda a pouco que houve mudanças na escalação do trio. Saíram o guitarrista e o baterista. Em seus lugares entraram Tutuka, na bateria e Christian Dias, na guitarra. A proposta continua sendo a mesma e certamente a nova formação deve mandar tão bem quando foi a primeira. Confiram aqui...

back in bahia-gil
não há dinheiro que pague-roberto carlos
não vou ficar-roberto carlos
se você pensa-roberto carlos
jam
jam crosstown traffic-hendrix
fé cega faca amolada-milton
ao vivo na carioca
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Boas Festas – Compacto (196…)

Prezados amigos cultos e ocultos, vamos nos aproximando do Natal e da festa de Ano Novo. Naturalmente, eu não iria deixar as datas passarem em branco, embora o branco seja a cor que mais precisamos, pois ela nos remete a pureza, a paz, ao inicio de tudo. Para este ano, e não muito encima da hora, postarei aqui apenas dois discos, afinal, repertório de Natal é quase sempre a mesma coisa e aqui o que nos interessa é também conhecer esses fonogramas e os velhos e esquecidos discos de Natal. Sendo assim, para hoje eu trago este compacto duplo, com quatro faixas. Um disquinho o qual eu suponho, seja apenas promocional, um brinde de alguma empresa para um fim de ano da década de 60. Infelizmente o disquinho não traz informações dos intérpretes, mas nos deixa algumas pistas e eu me arrisco em dizer que seja o Ed Lincoln, pelo estilo e proximidade com o repertório. Disquinho muito interessante, vale a pena dar uma conferida. Vai nessa que ainda dá tempo de tocar esse som nas suas festas de Natal. 🙂
jingle bells
e nasceu jesus
noite silenciosa
boas festas
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Grupo Mambembe – Mambembe (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês um disco muito bacana, produção independente feita aqui nas Geraes. Trata-se do primeiro e único disco do grupo Mambembe, formado em Belo Horizonte, em 1974. Durante os anos 70 o Mambembe participou dos mais importantes eventos, festivais e projetos musicais de Minas, entre eles o “Travessia – O canto dos mineiros”, que foi um trabalho coletivo reunindo vários artistas da terra em um disco e show no Palácio das Artes. Este lp, por sinal, já foi postado aqui no Toque Musical. O grupo era formado por Cadinho Faria, Murilo Albernaz, Toninho Camargos, Miguel Queiroz, Cláudia Sampaio, Rogério Leonel, Lina Amaral, Aldo Fernandes, Edson Aquino, Antônio Martins e Ana Iris Teixeira. Essa última viria mais tarde seguir em carreira solo com o nome de Titane. Em 1981 eles finalmente tiveram a chance de produzir e lançar este lp independente. Um disco muito bem elaborado, tanto na parte musical, quanto na parte gráfica.  Quando gravaram este lp o grupo já estava reduzido a cinco membros. Este disco hoje se tornou objeto de desejo de muitos colecionadores, principalmente europeus e japoneses. Só neste ano eu vendi 4 dos seis que eu arrematei de um estoque de loja, ainda nos anos 90. Se soubesse quanto valeria este disco hoje, teria levado os que sobraram.

charada nacional
natureza morta
bilhete mofado
contracanto
gabiroba
nobre almirante
lampião
melhor de três
decotado
pó de madeira
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A História De 1975 – Música E Informação (1976)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Chegamos ao fim de mais um ano e aproveitando o ensejo, vou fazer aqui uma retrospectiva a la Rubinho Barrichello, ou seja, vamos retroceder ao ano de 1975. Pode parecer meio idiota ou sem sentido, mas se pensarmos bem, vale a pena rever alguns acontecimentos ocorridos há 40 anos atrás. A Rádio Jornal do Brasil produziu por vários anos esses discos, que podemos chamar de série anual. Uma retrospectiva de fatos relevantes que foram notícias nesta rádio. Música e informação. O Toque Musical, em outra ocasião, já publicou um outro disco da série, a retrospectiva de 1967. Espero um dia conseguir os outros discos, Seria muito interessante ter todos eles aqui, não acham? Aceito colaborações, mas tem que ser completo, com capa, contracapa, selo e o que vier, ok? Confiram então o que rolou de importante naquele ano de 75.
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Doroty Marques – Criança Faz Arte (1984)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Em nosso show de variedades fonográficas eu hoje trago para vocês um trabalho dedicado as crianças. Disco lançado nos anos 80 pela musicista e e arte educadora Doroty Marques, irmã do também músico, Dércio Marques. O álbum, uma produção independente, traz de um lado o registro de um show realizado em praça pública, na cidade de Penápolis (SP), apresentando temas infantins, músicas folclóricas, adaptações e composições de Dércio Marques. No outro lado, temos uma gravação de estúdio. Uma espécie de opereta popular infantil, intitulada “O vaqueiro e o bicho frôxo”, de autoria da própria artista. Um belo trabalho que dificilmente vocês irão encontrar publicado em outro lugar. Aproveitem a ocasião. O tempo não para no porto e os links do TM são por tempo limitado.

era uma vez…
fundo da mata
taparary
cantigas de brincar
pega pega
largatixa
o vaqueiro e o bicho frôxo
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Déo Lopes & Juan Falú – Canticorda (1982)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje levo para vocês um trabalho independente, colaboração do amigo Carlos Moraes, que foi o responsável pela arte da capa deste disco do músico paulista Déo Lopes e seus convidados, o violonista argentino Juan Falú e o grupo Quintaessência. Lançando em 1982, este lp regista o encontro de Déo Lopes com o violonista Juan Falú, Um trabalho realmente interessante, cujo o repertório, embora com músicas cantadas, procura valorizar principalmente o instrumental e o acústico. Muito lindo, vale uma audição!

chorada
beija-flor
milonga
oficina (a primeira lição)
manhã de carnaval
eterno menino
na trilha dos chorões
olha maria
la tenebrosa
julia
aquela estrela
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Lueli Figueiró – Nova Era (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Da minha viagem ao Sul, como disse anteriormente, achei muita coisa interessante que geralmente não se vê pelas bandas da cá. Eis aqui um outro exemplo, um disco da cantora, compositora e atriz gaúcha, Lueli Figueiró. Uma produção independe lançada no início dos anos 80. Disco bacana, que eu não conhecia. Estou adorando. “Nova Era” traz 10 faixas autorais, músicas de cunho mistico e espiritual da cantora, que a partir dos anos 70 passou a se dedicar ao Espiritismo e Astrologia. O álbum é uma produção independente, porém muito bem feita. Lueli vem acompanhada por um bom time de músicos, com participação do violonista Celso Machado. O trabalho agrada pela qualidade e pela voz na medida da cantora.
Vamos falar um pouco mais sobre Lueli (ou Luely) Figueiró numa próxima oportunidade através da sempre completa resenha de nosso amigo Samuel Machado Filho. Em breve ele estará aqui nos apresentando Luely Figueiró em sua fase de estrela do cinema e do rádio nacional, a fase das gravações em 78 rpm, reunidas em mais um número da nossa coleção Grand Record Brazil. Por enquanto, vamos apreciando este trabalho que merece toda a nossa atenção. Confiram!

a caravana  da cigarra
tres cruces
debandado de leque
canto de oxum
o cesto do nego
humaitá
angola de alumbará
ladainha de iaô
lamento de praieira
maculelê
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Mario Avellar – Nasceu (1980)

Diz aí você, amigo culto e oculto! A saudação é no singular, porém o entendimento é no plural, ok? Pulando daqui pra lá, de lá pra cá, hoje vamos com um disco que eu particularmente gosto muito, Mário Avellar, em seu álbum de estréia, ‘Nasceu’, produção independente lançada em 1980. Mário Avellar é um cantor, compositor e produtor. Pelo jeitão de sua música e até mesmo nas letras, eu chego a acreditar que ele vem aqui das Minas Gerais. Há na rede muito pouca informação sobre ele. Penso até que este tenha sido o seu único disco. Mário foi parceiro em diversas músicas da dupla Luli & Lucinha (Lucina) e também participou de seus discos. Agora é a vez delas darem também uma ajuda ao amigo, participando em várias faixas. O disco surpreende pela qualidade e simplicidade. Agrada de maneira bem pessoal. Participam também outros grandes músicos que dão ao trabalho a dignidade que ele merece. Vale a pena ouvir e conhecer

basta abrir a boca e cantar
cachoeira água
rio doce
alma viajante
ondas e risos
lua de mel
tema de lua de mel
casa pequenina
energia louca
bem te vi
chico bento
rita e miguel
frágil
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