Lyra De Xopotó – Valsa da Saudade (1958)

O Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais um álbum da Lyra de Xopotó, banda que foi criada a partir do programa de mesmo nome, criado e apresentado por Paulo Roberto na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, aos sábados, a partir de 1954, visando incentivar as bandas de música do interior do Brasil. Contava com arranjos do sempre eficiente Lírio Panicalli, e era apresentado através de um diálogo imaginário entre Paulo Roberto e o personagem Mestre Filó, o maestro da banda, interpretado por Jararaca. Com o sucesso do programa, a Lyra passou a existir também em disco, vendendo feito água. Em 1960, o programa saiu do ar, e a Lyra de Xopotó, por tabela, silenciou, ressurgindo apenas em fins dessa década, com dois LPs na Copacabana.  O disco que o TM hoje nos oferece é “Valsas da saudade”, lançado em fins de 1958 pela Sinter, hoje Universal Music. O repertório, muitíssimo bem escolhido, compõe-se de doze das mais belas páginas do gênero, a maior parte de autores nacionais, exceção feita a “Sobre as ondas”, do mexicano Juventino Rosas. Não há quem, pelo menos uma vez na vida, não tenha ouvido as belas valsas que compõem o repertório deste disco, tais como “Saudades de Ouro Preto”, “E o destino desfolhou”, “Rosa”, “Tardes em Lindóia”, “Abismo de rosas” e “Branca”.  E tudo arranjado e dirigido, assim como no programa de rádio, por Lírio Panicalli, que fazia brilhantemente o papel do fictício Mestre Filó. Em suma, um trabalho que nos transporta para um tempo muito feliz, em  que as “furiosas” tocavam todos os domingos nos coretos das pracinhas de cidades interioranas, alegrando e até fazendo dançar as pessoas que passavam. É ouvir, fechar os olhos e recordar…

saudade de ouro preto
primavera
abismo de rosas
sobre as ondas
ave maria
branca
saudade de queluz
rosa
e o destino desfolhou
tarde de lindóia
canta maria
saudade de iguapé

*Texto de Samuel Machado Filho

Lyra Do Xopotó – Mestre Filó Apresenta a Lira De Xopotó (1957)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Só agora estou me dando conta de que já havia enviado este disco para o Samuca resenhar, eu acho… Fiquei meio na dúvida e ao mesmo tempo com preguiça de verificar. Vou eu mesmo fazer a postagem, pesaroso por vocês não terem aqui um texto, sempre muito informativo, do nosso amigo. Prometo que o próximo disco da Lira de Xopotó vai ser apresentado por ele, ok? Para este, não carecemos de muitas apresentações, visto que na contracapa já temos tudo que precisamos, um texto de Paulo Tapajós, em letras bem graúdas que nos permite ler até sem precisar ampliar a imagem. Já falamos da Lira de Xopotó em outros discos postados aqui. Mas é sempre bom esclarecer. A Lira de Xopotó foi idealizada pelo radialista da Rádio Nacional, Paulo Roberto, em seu programa de mesmo nome, em 1954. O programa foi criado com o objetivo de promover o estilo das bandinhas de cidades do interior, aquelas típicas de coreto, ou coisa parecida. O programa contava com o apresentador Paulo Roberto contracenando com o ‘Mestre Filó’, personagem interpretado por Jararaca (da dupla Jararaca e Ratinho). Porém, quem comandava mesmo a banda era outro, o maestro Lírio Panicali, responsável pela regência e arranjos. O programa Lira de Xopotó foi um tremendo sucesso, a ponto de levar a bandinha para além das ondas do rádio, dando origem ao lançamento de uma série de discos. Este, lançado em 1957, foi o primeiro em 12 polegadas e com doze faixas. No repertório, como se pode ver, temos uma série onde predominam os maxixes e dobrados. Um trabalho muito bonito que merece toda a nossa atenção. Não deixem de conferir…

serra negra
mestre filó
flor do mal
baile no galpào
alfredo rotay
tá no ré
alô niteroi
as pastorinhas
ídolo quebrado
aboliçào
pirilampo
.

A Lyra De Xopotó – As Favoritas Do Carnaval Carioca (1957)

Olá amigos foliões cultos e ocultos! Para não perdermos o pique, aqui vai um clássico. Ou melhor, vários clássicos em um disco clássico da Lyra de Xopotó: “As Favoritas do Carnaval Carioca”. Pelo título já deu para perceber que se trata daquelas músicas de carnaval que ficaram na memória. E isso ainda lá pelos anos de 1957! Sob o comando do Mestre Filó, desfilam em blocos de três, como um pot-pourri, as músicas que ainda hoje embalam muitos carnavais. Vamos então relembrar

fanzoca de rádio
marcha da fofoca
não faz marola
lero lero
nào pago bonde
cordão dos puxa saco
gafanhoto
mamãe eu quero
maria rosa
jacarepagua
daqui não saio
sassaricando
formosa
linda morena
serpetina
touradas de madrid
tem gato na tuba
china pau
.

Lyra De Xopotó – Lembranças Do Carnaval Carioca (1958)

Nesta semana de carnaval, o Toque Musical tem o prazer de oferecer aos seus amigos cultos e ocultos um álbum bem no espírito desta que é sem dúvida a maior festa popular do Brasil. Convidamos você a fazer uma viagem maravilhosa pelos velhos e bons carnavais do passado, através deste álbum da Sinter, gravado pela Lyra de Xopotó. Essa banda surgiu a partir um programa de mesmo nome, criado e apresentado aos sábados pelo radialista (e também médico) Paulo Roberto na lendária Rádio Nacional do Rio de Janeiro a partir de 1954. A finalidade da atração era ser um incentivo às bandas de música do interior do Brasil, uma tradição que, lamentavelmente, deixou de existir. Com arranjos do sempre eficiente Lírio Panicalli, o programa era apresentado através de um diálogo entre Paulo Roberto e o Mestre Filó, que na verdade era um personagem interpretado pelo grande Jararaca (da dupla com o saxofonista Severino Rangel, o Ratinho). O sucesso do programa também se repetiu, claro, em disco, e a estréia fonográfica da Lyra deu-se em 1954, na Sinter, com o 78 rpm de número 349, que apresentava duas composições do mestre Lírio: “Dobrado Francisco Sena Sobrinho” e “Sonhador”. Desde então, a Lyra garantiu boa vendagem para seus discos, inclusive para o álbum que o TM lhes oferece, que, conforme consta do site do Instituto Memória Musical Brasileira, data de 1958 (certamente foi lançado visando o carnaval de 59). Em seis belos popurris, desfilam aquelas velhas e boas músicas carnavalescas . Quem não lembra de “Alá-lá-ô” (“Mas que calor, ô õ ô ô ô”), “Cidade maravilhosa” (exaltação a um Rio de Janeiro que não existe mais), “Chiquita Bacana” (lá da Martinica), ‘”Eu brinco” (“com pandeiro ou sem pandeiro, com dinheiro ou sem dinheiro”, não importa, o negócio e brincar), “Ó abre alas” (primeiro sucesso de carnaval brasileiro, composto por Chiquinha Gonzaga em 1899),”A jardineira” (que ainda é muito mais bonita que a camélia que morreu)? Com direito até a “Evocação” (originalmente um frevo, sendo o maior sucesso do grande Nélson Ferreira como autor, iniciando uma série de outros seis frevos com o mesmo título). Aliás, todo o lado A é dedicado a marchinhas. No verso, a animação continua, agora com sambas antológicos: “Arrasta a sandália” (primeiro grande sucesso de Moreira da Silva, em 1932), “É com esse que eu vou” (hit dos Quatro Ases e um Coringa regravado mais tarde por Elis Regina), “Se você jurar”, “Meu consolo é você”, “Foi ela” (que na época do lançamento foi apontada como plágio do tango argentino “Muñequita”, o que jamais foi comprovado), “Não me diga adeus’ (“pense nos sofrimentos meus”), “Até amanhã” (“se Deus quiser”), “Maria boa”, “É bom parar” (na verdade uma parceria de Rubens Soares com Noel Rosa, que aceitou ficar de fora dos créditos na edição e em disco) e a inevitável despedida com ‘”Está chegando a hora”, adaptado por Henricão e Rubens Campos da valsa mexicana “Cielito lindo”. E por falar, em despedida, a Lyra de Xopotó fez a sua em 1960, com o fim do programa da Nacional, mas voltaria à cena no final dos anos 1960, gravando álbuns pela Copacabana. E agora, ó abre alas que a Lyra de Xopotó quer passar!


Marchas:
alá lá ô
jardineira
chiquita bacana
sacarrolha
piriquitinho verde
eu brinco
abre alas
evocação
pierrot apaixonado
cidade maravilhosa
Sambas:
arrasta a sandália
é com esse que eu vou
se você jurar
meu consolo é você
foi ela
não me diga adeus
até amanhã
maria boa
é bom parar
está chegando a hora

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Souvenir Musical (1959)

Olás! Finalmente consegui listar todas as postagens na barra lateral do nosso blog Toque Musical. Há tempos que a janelinha de busca de postagens não funciona corretamente. A gente digita um nome de um determinado artista, mesmo sabendo que ele foi publicado, mas a resposta vem como se não constasse nas postagens. Como não descobri a razão do erro, achei melhor criar a lista, já que muitos não ‘sacaram’ que a pesquisa poderia ser feita pela letra inicial ou datas. Sem dúvida, para a maioria, a nova listagem será mais cômoda. Mas vai chegar um momento em que esta relação se tornará inviável, devido ao número de postagens com marcadores. Enfim, vamos levando até onde for possível…

Para o nosso domingo, estou trazendo um disquinho dos mais interessantes. Por apenas duzentos cruzeiros ou um ‘clic’ no Comentários, vocês terão a oportunidade de ouvir este belo ‘Souvenir Musical’. Este lp, lançado em 1959 pelo selo Fantasia/Philips, segundo o texto da contracapa, foi feito de encomenda para turistas. Em especial para o amigo sueco, compensando a dor da perda na Copa do Mundo para o Brasil em 58. Trata-se de um álbum que reúne um variado leque de músicas do repertório popular brasileiro. São clássicos do nosso cancioneiro, mapeados de norte ao sul. Músicas que se tornaram ainda mais conhecidas e internacionalmente, graças à iniciativas como esta. É um disco bacana, com diferentes ritmos e artistas dos mais competentes, como podemos ver logo a baixo. Confiram essa pérola 😉
luar do sertão – paulo tapajós
boiadeiro – trio nagô
ogun-yara – jorge fernandes
mulher rendeira – maciel e sua orquestra
a lenda do abaeté – vanja orico
quadrilha é bom – marinês e sua gente
cidade maravilhosa – aurora miranda
ai, que saudades da amélia – ataulfo alves e suas pastoras
cristo nasceu na bahia – lyra do xopotó
canta maria – hélio paiva
saudosa maloca – marlene
risque – leal britto e seu conjunto