Grandes Sucessos Da E. S. Portela (1962)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, com a alegria e a satisfação de sempre, um disco lançado pela Copacabana em 1962, pondo em foco sambas de compositores ligados a uma das mais tradicionais e queridas escolas de samba do Rio de Janeiro, a Portela. A escola das cores azul e branco, que tem a águia como símbolo, foi fundada em 11 de abril de 1923, como bloco carnavalesco, com o nome de Conjunto Oswaldo Cruz, pois ficava no bairro de mesmo nome. No mesmo ano, foi criado o bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz, que já continha o embrião da primeira diretoria portelense: Paulo da Portela, Alcides Dias Lopes (o “malandro histórico”), Heitor dos Prazeres, Antônio Caetano, Antônio Rufino, Manuel Bam-Bam-Bam, Natalino José do Nascimento (o “seu Natal”), Candinho e Cláudio Manuel. Mudou duas vezes de nome, Quem Nos Faz é o Capricho e Vai Como Pode, até assumir definitivamente , a partir de 1936, a denominação Portela. Ao longo das primeiras décadas do carnaval carioca, a Portela tornou-se uma das principais escolas de samba cariocas, ao lado de Mangueira, Império Serranoe Acadêmicos do Salgueiro. E é responsávelpor algumas inovações nos desfiles de carnaval, como, por exemplo, a comissão de frente, sendo também a primeira escola a uniformizá-la. A Portela é, também, um dos grandes celeiros de compositores do samba, comprovado por sua ativa e tradicional Velha Guarda.  Além disso, é a maior campeã do carnaval carioca, com 22 títulos conquistados, entre 1935 e 2017. Sua quadra, situada no bairro de Madureira, é um dos grandes pontos culturais do Rio de Janeiro, e recebe, o ano inteiro, visitações e eventos. Neste disco, produzido por um verdadeiro craque, Moacyr Silva, iremos encontrar doze sambas bastante expressivos, interpretados por Zezinho (duas faixas) e Abílio Martins (as demais). E assinados por vários nomes ligados à Portela, como Zé Kéti, Manacéa e seu irmão Aniceto, Waldir 59, Candeia… além, é claro, do lendário Paulo da Portela. Ele aqui comparece com um samba até então inédito em disco, “Cidade-mulher”, cujo título original era “Guanabara”, composto em 1935 para a então Vai Como Pode. Um álbum cheio de autenticidade, produzido com esmero e capricho, e digno de figurar nos acervos de tantos quanto apreciem o melhor de nossa música popular. E agora, ó abre alas, que a Portela quer passar!

piau
sofrer por errar
já sou feliz
cidade mulher
linda natureza
exaltação ao rio
sempre teu amor
nós vamos assim
pode chorar
sofrimento
micróbio do samba
incrível destino

*Texto de Samuel Machado Filho

 

Banda Do Canecão – 100 Anos De Carnaval (1973)

Pois é, amigos cultos e ocultos… Já estamos em clima de carnaval! É hora de esquecer as tristezas e brincar, pular, cantar, ao som de marchinhas e sambasque marcaram época. Esse , por sinal, é o objetivo do álbum que o TM prazeirosamente oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, gravado pela Banda do Canecão. Originalmente, o grupo foi formado em 1967, para a cerimônia de inauguração do Canecão, uma casa de shows do Rio de Janeiro que marcou época, situada no bairro de Botafogo, e onde se apresentaram artistas dos mais variados estilos e tendências musicais, como Elis Regina, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maysa, Elymar Santos, Chico Buarque, Maria Bethânia, Cazuza, Los Hermanos, RPM, Marisa Monte… Infelizmente, em 2010, o Canecão, após algumas retomadas, fechou definitivamente suas portas. Entre 1967 e 1975, a Banda do Canecão lançou cerca de 20 álbuns gravados ao vivo, todos pela Polydor/Philips (depois Phonogram, Polygram e atualmente Universal Music). E o álbum triplo que apresentamos (ou melhor, reapresentamos) hoje é um dos mais expressivos trabalhos da banda, tanto é assim que permaneceu em catálogo por mais de quinze anos: “Cem anos de carnaval”, que o TM já havia postado anteriormente como “Cem anos de samba”. Acontece que esse é o título de um outro álbum da mesma gravadora, com sambas interpretados pelo grupo Os Caretas. Agora, estamos colocando tudo no lugar certo, e trazendo de volta esta autêntica preciosidade. Em três LPs, a Banda do Canecão oferece uma autêntica retrospectiva do que melhor se produziu para embalar a maior festa popular brasileira. E a gravadora não regulou mixaria: preparou até um folheto histórico, ricamente ilustrado, contando uma verdadeira epopeia do carnaval brasileiro, num trabalho de pesquisa iconográfica e de texto caprichadíssimos. Os discos propriamente ditos ficaram sob a batuta de dois autênticos “cobras” em produção fonográfica: Paulinho Tapajós e Jairo Pires. Jairo, inclusive, fez parte do grupo de pesquisa que resultou na seleção musical deste álbum, e do qual também participaram José Ramos Tinhorão, Maurício Quadrio e Sérgio Cabral (autor, inclusive, de um livro sobre as escolas de samba). A direção de estúdio é de Guti e Fernando Adour, com Zezinho na coordenação musical, arranjos do maestro Peruzzi e o aparato técnico de gravação e mixagem impecável, sempre característico dos trabalhos da então Phonogram, a cargo de Ary Carvalhaes, Luís Cláudio Coutinho e Paulo Sérgio. Todo esse timaço nos oferecendo esta beleza que o TM traz de volta, reunindo, em pot-pourris, nada mais nada menos que CENTO E TRINTA E UMA músicas, entre sambas e marchinhas, com títulos jamais esquecidos pelos foliões, tipo “Jardineira”, “Mamãe eu quero”, “Alá-lá-ô”, “A-E-I-O-U”, “O teu cabelo não nega”, “Não tenho lágrimas”, “Confete”, “Sassaricando”, “Aurora”, “Ai, que saudade da Amélia”, “Bigorrilho”, “A lua é dos namorados”, “Cabeleira do Zezé”, “Cidade maravilhosa”, “Máscara negra”…  Músicas que marcaram época, dessas que ninguém esquece. Com direito a alguns sambas-enredo de escolas, tipo “Bahia de todos os deuses”, “Festa para um rei negro’ (“Pega no ganzê, pega no ganzá”)… Um trabalho impecável, que sem dúvida irá proporcionar momentos de pura animação e entretenimento, fazendo a gente cantar, pular e dançar até se acabar. E agora, ó abre alas, que a Banda do Canecão quer passar!

Bom Carnaval a todos!

*Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval 76 – Convocação Geral Vol. 1 (1975)

Boa tarde, amigos foliões, cultos e ocultos! Embora espaçadas as nossas postagens, eu não poderia deixar ficar em branco nossa festa maior, o Carnaval. Para não dizerem que eu não falei de flores, segue aqui alguns buquês. Vamos fazer aqui uma convocação geral e em duas chamadas 🙂
Trago hoje o volume 1 do Carnaval 76, Convocação Geral. Este lp já se tornou um clássico, pois traz em seu conteúdo uma série de marchinhas carnavalescas nas vozes de um variado leque de artistas. Ao contrário de tantas outras coletâneas dessa espécie, esta tem algo de original, pois apresenta gravações únicas, feitas exclusivamente para este projeto da gravadora Som Livre, que começou no ano anterior, quando então lançaram o Carnaval 75 – Convocação Geral, em álbum duplo (disco este já postado aqui). Muitos desses fonogramas são encontrados apenas nesses discos, o que os torna raros. Para o ano de 76 a gravadora decidiu desmembrar o álbum duplo em dois volumes. No primeiro, que postamos hoje temos 12 músicas, sendo quase todas sucessos memoráveis. Vale muito a pena ouvir esses discos, pois eles só costuma aparecer uma vez por ano 😉

a filha da chiquita bacana – caetano veloso
mangueira minha alegria – elza soares
prá lá de bagdá – fevers
carimbó no carnaval – jorge goulard
verde e branco – sonia santos
a tartaruga – blackout
kojak – nelson gonçalves
é nessa onda – conjunto nosso samba
quem for mulher que me siga – quarteto em cy
mexa-se – djalma dias
feliz de quem pode sambar – luiz ayrão
saudade poluída – cesar costa filho
.

Moreira Da Silva – Compacto (1964)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, Fora Temer! Essa é uma abertura que eu já devia ter adotado. Desde que o golpista tomou o Poder, eu ainda não havia me pronunciado. Aliás, eu não estava querendo misturar o que nos uni, que é a música, com o que nos separa, que é a política. Infelizmente, neste (es)quisito não se pode esperar bom senso nem do amigo mais culto. A percepção política do brasileiro ainda se baseia na simpatia e na cumplicidade. Melhor deixarmos esse assunto de lado. Voltemos nossa atenção para a música, para os discos e coisas mais agradáveis…
Hoje eu trago, para variar, um disco de 7 polegadas. Temos aqui o grande Moreira da Silva em um disquinho raro, um compacto simples Odeon lançado em 1964, possivelmente para o Carnaval daquele ano. Aqui encontramos duas marchinhas de sua própria autoria, “Adão sem Eva” e “Cassa o mandato dele”, essa última é bem apropriada para os dias de hoje. Coincidentemente, no ano do Golpe Militar (e se caçava com dois S!)

cassa o mandato dele
adão sem eva

.

Asas Da América (1979), (1980), (1981), (1983) e (1989)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM oferece hoje a vocês os cinco primeiros álbuns do projeto Asas da América, idealizado pelo cantor e compositor Carlos Fernando, lançados entre 1979 e 1989. Nascido em Caruaru, Pernambuco, em 1938, Carlos Fernando se notabilizou por misturar o frevo à MPB, o jazz ao forró e muitas outras inovações, em 40 anos de carreira. Chegou a escrever uma peça de teatro, “A chegada de Lampião no inferno”, baseada em livro de cordel escrito por José Pacheco. A peça inspirou, posteriormente, sua primeira composição musical, “Aquela rosa”, de parceria com Geraldo Azevedo (com quem até apresentou um programa de televisão no Recife), vencedora, em 1967, da Primeira Feira Nordestina de Música Popular, defendida por Teca Calazans, dividindo o prêmio com “Chegança de fim de tarde”, de Marcus Vinícius. Morando no Rio de Janeiro, Carlos Fernando firmou-se como compositor, e teve músicas gravadas pelos maiores nomes da MPB em seu tempo, vários deles presentes nos álbuns que hoje o TM nos oferece. Concebeu trabalhos também para a televisão (“Saramandaia”, “Sítio do Pica-Pau Amarelo”) e cinema (“Pátriamada”, filme dirigido por Tizuka Yamazaki). Entre seus maiores sucessos, ambos gravados por Elba Ramalho, estão “Canta, coração” e “Banho de cheiro” (este último aqui presente). Falecido em primeiro de setembro de 2013, no Recife, aos 75 anos, de câncer na próstata, Carlos Fernando recebeu, um ano mais tarde, um espaço dedicado à sua memória no Museu Memorial de Caruaru, além de uma homenagem na tradicional festa de São João do município. Sem dúvida, a série “Asas da América” foi (e ainda é) o maior legado de Carlos Fernando. Ele deu tratamento pop e futurista ao frevo, acelerando-lhe o andamento e introduzindo arranjos contemporâneos, com guitarra e teclados, fazendo o carnaval pernambucano voltar a ter uma trilha sonora contemporânea. Parcela importante da série nos é oferecida hoje pelo TM, através de seus primeiros cinco álbuns, que apresentam composições não só do próprio Carlos Fernando como também de outros autores.  Entre os intérpretes, nomes de várias tendências e gêneros da MPB: Jackson do Pandeiro, Fagner, Amelinha, Elba Ramalho, Alceu Valença, Chico Buarque, Gilberto Gil, Juarez Araújo, MPB-4, Alceu Valença, o próprio conterrâneo Geraldo Azevedo, Robertinho de Recife, As Frenéticas, Michael Sullivan, Trem da Alegria, Lulu Santos… Os dois primeiros discos foram lançados pela CBS (hoje Sony Music), selo Epic, em 1979-80, o de 1981 pela Ariola, o de 1983 pela Barclay (sucessora da Ariola, que passou a adotar esse nome após sua venda para a Polygram, hoje Universal Music) e o de 1989 pela RCA/BMG, hoje também Sony Music. É no álbum de 1983, inclusive, que está um dos maiores hits autorais de Carlos Fernando, “Banho de cheiro”, na interpretação inesquecível de Elba Ramalho, sucesso absoluto durante o carnaval de 84 e depois do mesmo, e regravada seis anos depois por Alcione em outro disco da série aqui incluído, o de 1989. Outro destaque fica por conta de “Noites olindenses”, que abre esse mesmo volume, na voz de Caetano Veloso. Nele, Zé Ramalho regrava “Frevo mulher” (sucesso na voz de sua ex-esposa, Amelinha), Moraes Moreira revive seu clássico “Festa do interior” e aparece até mesmo uma inacreditável interpretação do roqueiro Lulu Santos para “Atrás do trio elétrico”, de Caetano.  Uma quina primorosa de documentos discográfico-musicais, que representa, sem dúvida, o melhor do precioso legado de Carlos Fernando como compositor e produtor musical. E ainda viriam mais dois LPs, em 1993, e 1995, este último destinado ao público infantil (“Asinhas da América – O pinto da madrugada”). Agora é azeitar as canelas e frevar até se acabar!

* Texto de Samuel Machado Filho

Orquestra E Coro Odeon – Carnaval Odeon (1955)

Uma autêntica preciosidade! É como se pode definir o álbum carnavalesco que o TM possui a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Ele foi lançado pela Odeon, no primitivo formato de dez polegadas,  apresentando músicas para a folia de 1955, na interpretação de seu cast na época. Evidentemente, as músicas também saíram em 78 rpm, uma vez que o LP estava ainda em processo de implantação e poucos tinham o toca-discos adequado para reproduzi-lo. Sempre lembrando que o primeiro LP brasileiro, editado pela Sinter em 1951, era também com músicas de carnaval, para aquele ano, que igualmente saíram em 78 rpm. O diferencial aqui fica por conta da abertura e do encerramento, a cargo da orquestra da “marca do templo”, fazendo o disco ser ouvido como se estivéssemos em um baile de carnaval. Logo no início, ouvimos a introdução do clássico “O teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo, mais os irmãos Raul e João Vítor Valença.  Em seguida, desfilam as oito faixas então inéditas para a folia de 55. No lado A, só marchinhas. De cara, temos um grande sucesso: “Ressaca”, feita e interpretada pela “dupla da harmonia”, Zé e Zilda, novamente voltando ao tema da bebida, por eles abordado um ano antes em outro hit, “Sacarrolha”, com direito até a advertência contra o abuso da mesma: “Ela não é amiga, desce pra barriga e depois sobe pra cabeça”. Zé da Zilda, entretanto, não conheceu o sucesso de “Ressaca”, pois faleceria menos de um mês antes da gravação, em 10 de outubro de 1954, vitimado por um AVC. As outras sete faixas também apareceram, ainda que em menor proporção, constituindo-se em verdadeiras relíquias para os colecionadores. Francisco Ferraz Neto, o Risadinha, responsável por inúmeros hits na folia de Momo, brinda-nos com “Zum zum ba ê”,dele próprio em parceria com Sebastião Gomes. Roberto Paiva, outro grande intérprete, apresenta “O casamento da Rosa”, de Oldemar Teixeira Magalhães e Luiz Costa. Alcides Gerardi vem em seguida com “Água não!”, de Erasmo Silva e Américo Seixas, outra música tendo a bebida em foco, no caso o chope, que sempre desfrutou da preferência dos foliões nos bailes carnavalescos, tornando-se neles imprescindível. E bem geladinho, é claro… No lado B, é o samba que pede passagem. A eterna “rainha da voz”, Dalva de Oliveira, nos oferece “Chama do nosso amor”, de Oswaldo Martins e Dias da Cruz. Roberto Luna, então despontando para a fama, interpreta  “Deus me ajude”, assinado por Vicente Longo e Oswaldo Morigge.  A eterna “rainha da televisão brasileira”, Hebe Camargo, brinda-nos com “Madalena”, de Blecaute (intérprete festejado de carnavais, aqui como compositor) e Oswaldo França. João Dias, “o príncipe da voz”, eleito pelo próprio Francisco Alves para sucedê-lo, por ter voz idêntica à dele, vem com “Meu último reinado”, de Herivelto Martins e Raul Sampaio, este último integrante da terceira formação do Trio de Ouro, junto com Herivelto e Lourdinha Bittencourt. E o disco termina com a Orquestra Odeon executando a introdução da clássica marchinha “Cidade maravilhosa”, de André Filho. Enfim, é um álbum que surpreende pelas verdadeiras raridades nele contidas, que se constituem em agradáveis e surpreendentes descobertas para os colecionadores. E enriquece brilhantemente a discoteca da memória músico-carnavalesca do Brasil. Divirtam-se!
o teu cabelo não nega
ressaca
zum zum ba ba e
o casamento da rosa
agua não
chama do nosso amor
deus me ajude
madalena
meu último reinado
cidade maravilhosa

.
* Texto de Samuel Machado Filho

.

Vários – Carnaval 1972 (1972)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados. Depois de oferecer a vocês o álbum que a Continental lançou com músicas para o carnaval de 1968, o TM apresenta mais um LP carnavalesco da mesma gravadora, editado com o selo Musicolor (braço dito “econômico” da empresa), agora dedicado à folia momesca de 1972. Na verdade, foram dois LPs, e este é o primeiro deles. Alguns dos intérpretes deste disco são conhecidos:  Wilma Bentivegna (cantora de hits românticos, aqui presente com “Carnavais do passado”, marcha-rancho na linha saudosista), Leila Silva (“Falando comigo”, que tem co-autoria do músico Adilson Godoy), Miguel Ângelo, ex-integrante da Dupla Ouro e Prata (aqui com “A marcha do bebum”, explorando temática comum em músicas carnavalescas) e Durval de Souza, comediante e apresentador de TV, então integrante do cast da Record, interpretando aqui “A tonga da mironga”, marchinha que, de certa forma, repercutia o grande sucesso obtido por Toquinho e Vinícius de Moraes com “A tonga da mironga do kabuletê”. Entre os compositores, a curiosidade fica por conta de Nascim Filho, notório apresentador de programas sertanejos no rádio paulistano, parceiro em “É hoje”, faixa de encerramento  deste disco, interpretada pelo Coro Musicolor. Temos ainda a presença de Nélson Silva, com “Dá de pinote” e “Vara verde”.  Completam o programa, os obscuros Arthur Miranda, Dalva Pedrezani e os grupos Imperiais do Ritmo e As Damas. Se você que viveu nesse tempo não conseguir se lembrar de nenhuma das músicas deste disco, não se preocupe. Creio que muitos remanescentes dessa época não se lembram, uma vez que a canção carnavalesca já atravessava um período de grave crise, principalmente pela falta de divulgação, a tempo e hora, das composições então novas. Muitos estudiosos afirmam, inclusive, que o último grande sucesso do carnaval brasileiro foi “Bandeira branca”, lançado por Dalva de Oliveira em 1970. Portanto, dois anos antes deste nosso álbum.  Como já registramos anteriormente, o carnaval de salão passou a ser dominado por sucessos antigos de outros tempos (tipo “Mamãe eu quero”, “Jardineira”, “Cabeleira do Zezé” etc.), e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas passaram a dar as cartas. De maneira que este álbum da Continental para a folia de 1972 acaba se tornando um verdadeiro documento, de uma época em que a canção carnavalesca ainda respirava, ou tentava respirar. E esta é mais uma oportunidade que o TM nos dá, de ouvir músicas que  possivelmente não foram bem-sucedidas na folia momesca, com toda a atenção da qual não desfrutaram quando de seu lançamento. Afinal, todo mundo merece uma segunda chance, não é mesmo?

carnavais do passado – wilma bentivegna

dá pinote – nelson silva

marcha do bebum – miguel angelo

a onda da cafonagem – as damas

doido varrido – arthur miranda

a marcha do corujão – dalva pedrezani

amor – as damas

a tonga da mironga – durval de souza

esquecendo o mal – imperiais do ritmo

falando comigo – leila silva

vara verde – nelson silva

é hoje – côro musicolor

.

  • Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval 68 (1968)

Está chegando mais um carnaval. É hora de esquecer as tristezas e as frustrações da vida e brincar, sambar, fazer tudo a que se tem direito. Mas sem cometer excessos, principalmente na bebida.  Entrando nesse clima, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum lançado pela Continental, com músicas para o carnaval de 1968. Com o advento dos LPs no Brasil, na década de 1950, as gravadoras passaram a lançar, anualmente, álbuns com os contratados de seu cast interpretando músicas feitas para a folia de Momo. Era um tempo em que os artistas se engajavam de corpo e alma na gravação e divulgação de tais músicas, pois, como se dizia, eram também “da fuzarca”.  Nunca é demais lembrar que o primeiro LP editado no Brasil, de 1951, foi o dez polegadas “Carnaval em long playing” (selo Capitol/Sinter).  À medida em que o LP foi se popularizando, e as vendas dos antigos discos de 78 rpm despencando, todas as gravadoras passaram a seguir o exemplo da Sinter, botando praticamente todos os seus contratados para gravar músicas destinadas à grande festa do povo.  E foi justamente o caso da Continental, com o álbum oferecido hoje a vocês pelo TM, com músicas destinadas à folia momesca de 1968. Nessa época, a música de carnaval já estava em acentuado declínio, agravado pela precária e escassa divulgação, e muito poucos tomavam conhecimento das novidades para a folia momesca. Nos salões, repetiam-se hits do passado, e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas, sobretudo do Rio de Janeiro, tomaram o poder. Foi nesse ano, por sinal, que aconteceu o primeiro desfile oficial de escolas de samba de São Paulo, na Avenida São João, com a Nenê de Vila Matilde sagrando-se campeã. Mas os compositores e intérpretes não se apertavam, mostravam que ainda permaneciam vivos na folia. Das dezesseis faixas deste álbum da Continental, pelo menos uma foi êxito espetacular no carnaval de 68: a marcha-rancho “Até quarta-feira”, de Paulo Sette e Umberto Silva, aqui em ritmo mais acelerado, de marchinha, na interpretação do sempre excelente Noite Ilustrada (foi também gravada por Marcos Moran, na Caravelle). Praticamente dominou aquela folia, sendo até hoje relembrada. Os oito intérpretes escalados para este disco, em sua maioria, eram cadeira cativa nos carnavais: Jorge Veiga (”Não tira a máscara”, “Amar não é pecado”), Francisco Egydio (“Vou deixar cair”, “Quem bate”), Risadinha (“Barqueiro de folga”, “Nem Pierrô nem Colombina”), Mário Augusto (“Garota do plá”, que aproveita um termo de gíria então usado para designar bate-papo ou conversa, “”A maior invenção”), a vedete Angelita Martinez, aqui interpretando “A bela Otero” e “Um instante maestro, pare”, esta última uma clara referência a Flávio Cavalcanti, polêmico apresentador de TV que chegava até a quebrar os discos musicais que considerava ruins, diante das câmeras. Francisco Petrônio, “o rei do baile da saudade”, mesmo não tendo lá muita tradição no setor carnavalesco, aqui comparece com “Palhaço” e “Drama de Pierrô”. Entre os compositores, há também nomes de destaque assinando algumas faixas: a dupla Dênis Brean-Oswaldo Guilherme, Newton Teixeira (autor de clássicos como “Malmequer” e “Deusa da minha rua”), o próprio Risadinha (como Francisco Neto), Elzo Augusto, Arnô Provenzano. São detalhes, que por si só, credenciam este álbum da Continental, apesar da crise que, já em 1968, atingia a canção carnavalesca. É a oportunidade de se redescobrir, inclusive, músicas que possivelmente não obtiveram sucesso, e que agora, graças a esta oportunidade proporcionada pelo TM, poderão ser ouvidas com a atenção da qual não desfrutaram quando lançadas. Divirtam-se!

palhaço – francisco petrônio
até quarta feira – noite ilustrada
não tire a máscara – jorge veiga
um instante maestro, pare – angelita martinez
vou deixar cair – francisco egydio
barqueiro de folga – risadinha
amor e falsidade – wilson roberto
garota do plá – mario augusto
vai trabalhar – noite ilustrada
drama de pierrot – francisco petrônio
amar não é pecado – jorge veiga
a bela otero – angelita martinez
quem bate – francisco egydio
nem pierrot, nem colombina – risadinha
vem quente – wilson roberto
a maior invenção – mário augusto

.
* Texto de Samule Machado Filho

Ronald Golias – Carnaval Copacabana 68 (1968)

Amigos foliões, aqui vai mais um disco de carnaval. Para fechar as publicações carnavalescas temos para esta terça feira um compacto. É, um compacto é mais fácil e rápido de se postar. Já tô atrasado para a farra na rua… segue então este curioso compacto lançado pelo selo Copacabana para o Carnaval de 1968. Temos aqui como intérprete o humorista Ronald Golias no auge da sua carreira, na época do popular programa de TV, a impagável, Família Trapo, lembram? No disquinho Golias nos traz duas marchinhas, “Noite de amor”, de Zé Ketti e Randal Juliano e “A Familia Trapo”, composição do próprio humorista e Homero Ferreira.
Dou por encerradas as postagens de Carnaval. Ano que vem tem mais! Boa terça de festa para todos!

noite de amor
família trapo
.

A Lyra De Xopotó – As Favoritas Do Carnaval Carioca (1957)

Olá amigos foliões cultos e ocultos! Para não perdermos o pique, aqui vai um clássico. Ou melhor, vários clássicos em um disco clássico da Lyra de Xopotó: “As Favoritas do Carnaval Carioca”. Pelo título já deu para perceber que se trata daquelas músicas de carnaval que ficaram na memória. E isso ainda lá pelos anos de 1957! Sob o comando do Mestre Filó, desfilam em blocos de três, como um pot-pourri, as músicas que ainda hoje embalam muitos carnavais. Vamos então relembrar

fanzoca de rádio
marcha da fofoca
não faz marola
lero lero
nào pago bonde
cordão dos puxa saco
gafanhoto
mamãe eu quero
maria rosa
jacarepagua
daqui não saio
sassaricando
formosa
linda morena
serpetina
touradas de madrid
tem gato na tuba
china pau
.

Viva O Carnaval – 14 Biggest Brazilian Carnival Hits (1965)

Olá amigos foliões, cultos e ocultos! Entramos no Carnaval e eu, na festa, acabei me esquecendo de vocês. É tanta folia aqui em BH que quando eu chego em casa, eu só quero mesmo tomar um banho e cair na cama. Até no Carnaval eu estou sem tempo para o Toque Musical. Mas não vamos perder o cordão, até quarta feira as marchinhas e sambas vão rolando por aqui.
Trago desta vez o álbum “Viva o Caranval – 14 Biggest Brazilian Carnival Hits”. Uma coletânea carnavalesca lançada pela Fermata para o Carnaval de 1965. Quem viveu esse carnaval há de lembrar de coisa como

garota exportação – waldemar roberto
mata borrão – miguel angelo
mamãe dê um jeitinho – marly marley
cravo no peito – josé augusto
chuva de arroz – sergio reis’
indio de bananal – zeny drumond
trenzinho – arrelia e pimentinha
cai nào cai – coral momo
amor de carnaval – roberto amaral
cara de pau – orlando sales
arlequim – luiz silva
quero morrer quarta feira – minguel angelo
só porque você que – arrelia e pimentinha
eu vou morena – paulo domingos
.

Vários – Um Novo Carnaval (1968)

Olá amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais um disco de Carnaval.desta vez, vamos para o de 1968, lançado pela CBS. Temos aqui uma seleção de marchinhas defendidas por Ary Cordovil, Noel Carlos, Zilda do Zé, Clério Moraes e Paulo Bob. Um novo Carnaval, ou mais um bom disco, coisa que hoje em dia a gente não ouve mais. Por isso é fundamental que revisitemos outros e antigos carnavais. Pra gente lembrar como se brinca de verdade. 😉

tá certo (tá certo meu amor) – ary cordovil
tô com diabo – noel carlos
caí do cavalo – zilda do zé
forrobodó – paulo bob
acorda maria – clerio moraes
vou jogar meu pandeiro fora (é triste brincar sem mulher) – noel carlos
menina de colegio – noel carlos
maré brava – zilda do zé
fim de carnaval – ary cordovil
bang bang no salão – paulo bob
vem me perdoar – clério moraes
coitada… coitada… – ary cordovil
.

Lindo! Lindo! Lindo!… Ninguém Segura O Carnaval 71 (1970)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! Carnaval taí… e a gente aqui já pronto pra cair na folia (ou não?). Seguindo rumo a festa, vamos agora relembrar o Carnaval de 1971. Boa safra essa também e para este lp não há o que reclamar. Tem Lana Bitencourt, Gilberto Milfont, Francisco Carlos, Genival Lacerda e outros mais… Lançado no final de 1970, pelo selo Fontana para anunciar o Carnaval de fevereiro de 71.  Boas marchas, bons interpretes. Lindo! Lindo! Lindo!…

fanfarra – lana bitencourt
adeus amor – gilberto milfont
marcha do anjinho – nadia maria
o lenço e a rosa – eugenio gonzaga
gondoleiro de veneza – gilberto milfont
e nós dois a cantar – lana bitencourt
fundiu a cuca – roberto muniz
não quero demanda – mirian goulart
ninguém segura mais meu boi – genival lacerda
pra cá e pra lá – eugenio gonzaga
ser ou não ser – eddy fontana
sempre um amor – helio chaves
maria – leo vaz
passarada – bolivar
rio é carnaval – francisco carlos
alegria rapaz – helio chaves
.

Rio Carnaval Do Brasil 64 (1964)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! O carnaval continua por aqui. Saímos de 1976 e vamos agora para o ano de 1964. Uma década ainda melhor, na minha opinião, para as fantasias musicais carnavalescas. E neste álbum, lançado pela Rosenblit, através de seu selo Mocambo para o Carnaval de 64, temos uma seleção de 14 sambas e marchas, interpretadas aqui também por grandes artistas como Nora Ney, Jorge Goulart, Aracy de Almeida, Linda Batista e outros. Vamos lá, cair na folia?

a india vai ter nenem – dircinha batista
devo a você – jorge goulart
mulher boa é quem manda – ivete garcia
quis fazer de mim palhaço – orlando corrêa
devagar – aracy de almeida
a hora é essa – gracinha miranda
deus é testemunha – nora ney
quem gosta de passado é museu – linda batista
a bola do maracanã – gilda de barros
cabeleira do zezé – jorge goulard
na hora que você precisou – zilda do zé
eclipse – orlando corrêa
o outro lado da vida – gilda de barros
de copo na mão – ivete garcia
tomara que seja você – nora ney
.

Carnaval 76 (1976)

Amigos cultos e ocultos, seguimos com mais um disco de Carnaval. Desta vez vamos para o Carnaval de 1976. Uma boa safra, com certeza! E aqui, neste lp lançado pela Chantecler, através de seu selo Rosicler, vamos encontrar uma excelente coletânea de marchinhas carnavalescas e sambas, interpretados por figuras de destaque como Jackson do Pandeiro, que aqui aparece em duas faixas exclusivas. Sem dúvida, um dos melhores discos de minha leva. Mas, aguardem, pois ainda tem mais

ela é muito boa – denilson
a hora do adeus – jacinto figueira junior
a marcha do quem é quem – tânia tally
eu vou de caipirinha – jackson do pandeiro
a marcha do pique-pique – milton lopes
o samba do galo – petrônio borges
amor eterno – luiz aguiar
dose pra elefante – jackson do pandeiro
a maré tá cheia – waldemar roberto
eu não volto atrás – milton lopes
a marcha do kung fu – os três moraes
a marcha do trouxa – bobby hilton
largando fogo – gimba
almerinda – adylson godoy
.

 

Sambas Enredos Dos Blocos Carnavalesco Do Estado Da Guanabara ’75 – 1. Grupo (1975)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Seguindo a tradição, fevereiro é mês de Carnaval e por aqui a gente vai dando aqueles pulinhos, trazendo de volta lembranças de outras tantas festas. É incrível como tem discos ligados ao tema. Eu todo ano, nessa época, tenho postado discos de carnaval e parece que eles nunca acabam. Desta vez eu separei uma meia dúzia de títulos, os quais eu irei publicando até antes da quarta feira de cinzas.
Temos aqui um interessante lp lançado pela Tapecar. Produção da Federação (federação?) dos Blocos Carnavalescos da Guanabara, apresentado os sambas enredos dos blocos carnavalescos do antigo Estado para 1975. Dizem que samba enredo é tudo igual. Talvez em sua essência, assim como o blues americano. Mas há algo de diferente em alguns nessa coisa sempre igual.

festa junina em dia de carnaval – bafo do bode
máscaras e plumas – vai se quiser
brasil, cultura e progresso – unidos do cabral
paraná e a dança das fitas – cara de boi
o talismã sagrado – do barriga
camafeu de oxossi – unidos da vila kennedy
revivendo o cassino da urca – flor da mina do andaraí
sua majestade miss brasil – quem quiser pode vir
praça onze, a boa praça do carnaval – leão de iguaçu
o prazer dos prazeres – mocidade de são mateus
o principe do efan – vila rica
o negro de ontem e de hoje – unidos do cantagalo
.

Zaccarias E Sua Orquestra – Aguenta O Passo (1965)

Olá amigos foliões, cultos e ocultos! Para fecharmos o nosso Carnaval eu trago para vocês um outro ritmo que é também tradicional da festa, o contagiante frevo. Para tanto, nada melhor que Zaccarias e Sua Orquestra, um mestre na regência e que muito contribuiu para a divulgação do frevo. Nos anos 50 e início dos 60 ele foi o responsável pelos melhores bailes do Recife. Gravou vários discos de frevo, inclusive este pela RCA Victor, em 1965. Temos aqui um seleção de autênticos frevos, hoje verdadeiros clássicos que não podem faltar em nenhuma festa. Aguenta o passo que o frevo está chegando
pra vocês foliões
mistura, filho
maceió em folia
celso miranda no frevo
revendo bom jardim
aguenta o passo
o vassourinha vem chegando
passarela
recordação de sérgio lisboa
toureiros no frevo
divagando
homenagem a velha guarda
.

Carnaval B – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 92 (2014)

O carnaval continua aqui no Grand Record Brazil. Apresentamos nesta semana mais 14 músicas destinadas à folia de Momo, gravadas na era das 78 rotações por minuto. Várias delas clássicos inesquecíveis. E começamos com o pé direito, apresentando um clássico inesquecível: “Pastorinhas”, de João “Braguinha” de Barro e Noel Rosa. Esta composição havia sido lançada originalmente para o carnaval de 1935, na voz de João Petra de Barros, com o nome de “Linda pequena”, sem no entanto repercutir. Após o falecimento prematuro de Noel, em 1937, Braguinha resolveu relançar esta bela marcha-rancho para a folia do ano seguinte, fazendo uma ou outra alteração na letra e rebatizando-a “Pastorinhas”. Sílvio Caldas a imortalizou na Odeon em 13 de dezembro de 1937, com lançamento em janeiro de 38 sob n.o 11567-A, matriz 5733. E “Pastorinhas”, além de ser um sucesso inesquecível, venceria o concurso oficial de carnaval da prefeitura do Rio de Janeiro. A vencedora na categoria marcha tinha sido “Touradas em Madri”, também de Braguinha com Alberto Ribeiro, mas acabou sendo desclassificada sob a alegação de que se tratava de um passo-doble espanhol. Evidentemente, Braguinha não ficou sem o primeiro lugar entre as marchas, pois “Pastorinhas” subiu do segundo para o primeiro lugar! A faixa seguinte é mais uma clássica marchinha, esta do carnaval de 1932: “Teu cabelo não nega”, adaptação feita por Lamartine Babo para o frevo-canção “Mulata”, dos irmãos Raul e João Valença. Castro Barbosa levou a música a disco, tornado-a um sucesso permanente da folia de Momo, e a regravaria outras vezes. A versão desta edição, também gravada na RCA Victor, é de 17 de outubro de 1952, lançada em dezembro do mesmo ano sob n.o 80-1072-A, matriz SB-093524, e mantém sua famosa introdução instrumental. E tome marchinha clássica! Agora é “Mamãe, eu quero”, de Jararaca e Vicente Paiva, do carnaval de 1937, um sucesso que é lembrado até hoje e ultrapassou as fronteiras do Brasil (tocou até em desenho animado de Tom e Jerry!). O próprio Jararaca imortalizou a marchinha na Odeon em 17 de dezembro de 1936, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 11449-A, matriz 5499. Destaque, na gravação, para o hilariante diálogo inicial, em que o papel da mãe é feito por Almirante. Prosseguindo nosso desfile de clássicos carnavalescos, Orlando Silva, o eterno “cantor das multidões”,  nos brinda com a impecável marcha-rancho “Malmequer”, de Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar, o “amigo velho”, hit inesquecível do carnaval de 1940. Gravação Victor de 4 de novembro de 1939, lançada um mês antes do tríduo momesco, em janeiro, sob n.o 34544-A, matriz 33248. O eterno e sempre bem-humorado Lamartine Babo volta à cena neste retrospecto carnavalesco, agora com a marchinha “Linda morena”, absoluta no carnaval de 1933, que ele próprio interpreta ao lado de Mário Reis. Gravação Victor de 26 de dezembro de 1932, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob n.o 33614-A, matriz 65631. Destaca-se no coro, deste registro, uma voz feminina que parece ser a de Cármen Miranda. E falando em Cármen Miranda, ela aqui comparece com duas faixas. A primeira, da parceria Braguinha-Alberto Ribeiro, muitos conhecem na  interpretação de Gal Costa: é a famosa marchinha “Balancê”, de João “Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro, do carnaval de 1937. Cármen a gravou na Odeon em 19 de novembro de 1936, com lançamento um mês antes do carnaval, em janeiro, sob n.o  11430-A, matriz 5457. Apesar de ter obtido alguma aceitação, “Balancê” ficou esquecida com o passar do tempo, até que Gal Costa,  mais de 40 anos depois, a tirasse do esquecimento no LP “Gal tropical” e a transformasse em hit permanente de todos os carnavais a partir de 1980. A outra marchinha com Cármen Miranda nesta edição é a maliciosa “Eu dei…” (“O que foi que você deu, meu bem?”), do carnaval de 1938. Gravação Odeon de 21 de setembro de 1937, lançada ainda em dezembro com o número 11540-B, matriz 5670. No fim, descobre-se que a personagem havia dado um beijo, e quem canta os versos finais (“guarde para mim unzinho, que mais tarde pagarei com um jurinho”) é o próprio Ary Barroso! Aurora Miranda, irmã de Cármen, aqui comparece com outras duas marchinhas, ambas do carnaval de 1940, e em gravações Victor. A primeira é “Que horas são estas?”, de Antônio Almeida e Oswaldo Santiago, do carnaval de 1940. Foi gravada em 18 de outubro de 1939, e lançada ainda em dezembro sob n.o  34530-A, matriz 33191. Dias antes, a 3 de outubro de 39, Aurora já havia gravado “Não vejo jeito”, de Ismael Silva, lançada em novembro seguinte com o n.o 34519-B, matriz 33170. A carioca Dora Lopes (1922-1983), grande compositora e intérprete de sambas, comparece aqui com a divertida marchinha “Fila do gargarejo”, dela própria em parceria com José Batista e Nilo Viana. É do carnaval de 1958, lançada em fins do ano anterior pela Mocambo, gravadora do Recife que pertencia aos irmãos Rozenblit, sob n.o 15196-A, matriz R-910. As Irmãs Pagãs (Elvira e Rosina, esta falecida recentemente, anos depois de Elvira) apresentam-nos “Água mole em pedra dura”, marchinha do carnaval de 1940, de autoria de Sátiro de Melo e Manoel Moreira. Foi gravada na Columbia em 24 de outubro de 1939, e lançada ainda em dezembro com o número 55181-A, matriz 224. Dois inesquecíveis intérpretes se reúnem na faixa seguinte: Francisco Alves, o Rei da Voz, e Dalva de Oliveira, o Rouxinol do Brasil, interpretam a belíssima marcha-rancho “Andorinha”, de Herivelto Martins (então marido de Dalva) e Haroldo Barbosa, um dos sucessos do carnaval de 1946, conhecido como o “carnaval da vitória” por ter acontecido após o término da Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos países aliados sobre os do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). A dupla a imortalizou na Odeon em 5 de dezembro de 1945, e o lançamento se deu um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 12660-A, matriz 7954. Para finalizar, trazemos a cantora Lolita França, sobre a qual pouquíssima coisa se sabe. Aqui ela revive a “marcha-canção” (como foi editada originalmente)“Taí” (cujo título original era “Pra você gostar de mim”), de Joubert de Carvalho,  com a qual Cármen Miranda despontou para o estrelato em 1930. A regravação de Lolita é de 7 de julho de 1939, lançada pela Victor em setembro do mesmo ano, disco  34486-B, matriz 33116. Lolita França gravou, entre 1939 e 1942, onze discos com vinte e duas músicas, e suas gravações obtiveram algum sucesso na Argentina. Enfim, esta é a segunda e última parte do retrospecto carnavalesco do Grand Record Brazil, por certo expressiva contribuição para a preservação da memória musical do Brasil. Divirtam-se!

* Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval De 56 (1956)

Bom dia, amigos foliões! Espero que todos estejam bem, sem ressaca e prontos para mais um dia de carnaval. Para este domingo, vamos relembrar oque  rolou de sucesso no Carnaval de 1956. Temos aqui um lp de 10 polegadas lançado pela Copacabana, apresentando alguns dos seus artistas exclusivos com músicas feitas para o carnaval daquele ano. Como se pode ver pela ilustração da contracapa, temos aqui alguns dos mais expressivos artistas da época interpretando sambas e marchinhas que se tornaram clássicos. Interessante também notar que este foi o disco número 1 da Continental para o carnaval. E ao contrário dos discos nesse formato que traziam apenas oito faixas, neste vieram dez. Não sei bem ao certo, mas suponho que nesse mesmo carnaval a Copacabana tenha lançado outro disco, o número 2. (Estou com tanta preguiça que nem vou me dar ao trabalho de checar isso) Confiram daí, que eu de cá já vou pra rua. Chapolim me espera!

fala mangueira – angela maria
ressureição – belcaute
turma do funil – vocalistas tropicais
a batucada – jorge veiga
passarinho – joão dias
se eu chorei – gilberto alves
na paz de deus – carmem costa
me dá um cheirinho – jackson do pandeiro
boate de pobre – roberto silva
radio patrulha – heleninha costa
.

G. R. Bloco Carnavalesco Bohêmios De Irajá – Bohêmios De Irajá (1971)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Diante a atuação decepcionante do meu Galão contra o América no primeiro tempo, estou achando melhor eu focar a minha atenção naquilo que sempre me dá alegria, a música e o meu Toque Musical. Já vi que de Autuori aqui, só mesmo o Jorge, que postei anteontem. Não sei onde o Kalil estava com a cabeça, quando resolveu contratar esse fracasso. Decepcionante…
Bom, vamos para outro assunto. Vamos falar sobre o Carnaval que já vem chegando aí. Ontem tivemos em BH a tradicional saída da Banda Mole, anunciando a festa que vem por aí. Este ano BH promete em termos de festa, com muita alegria e seus inúmeros blocos carnavalesco. Vamos aguardar… Enquanto isso, eu aqui vou colocando os meus blocos na rua, quer dizer, vou começando as postagens de discos relacionados ao Carnaval. Eu, na verdade, nem sei o que tenho ainda para postar. Ao longo de tantos anos, creio que já apresentei aqui quase tudo sobre o Carnaval. Temos então para abrir a temporada este raro lp, lançado em 1971 pelo selo Todamerica. Vamos no batuque com o Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Bohêmios de Irajá, um dos mais tradicionais e importantes grupo carnavalesco do Rio de Janeiro, vindos, obviamente, do bairro do Irajá. Atualmente, creio eu, o seu nome derivou para apenas Boêmios do Irajá (sem o H). Este lp foi lançado no ano de 1971. Imagino que tenha sido um bom ano para os Boêmios, não encontrei nada falando a respeito de premiação no Carnaval, mas só de já terem chegado a um disco, podemos considerar uma vitória. E o álbum é sem dúvida muito legal, onde os sambas trazem letras bem criativas e uma bateria de arrasar. Só mesmo ouvindo para vocês se encantarem.
… E enquanto isso, lá no Horto, o Galão vai virando o jogo, fazendo 3 no América para mostrar ao locatário que a casa ainda é nossa! Caiu no Horto, tá morto! E eu, nunca me senti tão bem pagando língua. Vai Autuori, me faz te pedir desculpas! Mas quero o Bi na Libertadores, ok?

vem pros bohêmios
confesso
não adianta
eu sou mesmo da orgia
show de bateria
nêga, nem vem
vai tristeza
modo de pensar
conselho
grande desilusão
bateria
.

Jamelão – Samba Enredo – Sucessos Antológicos (1975)

Boa noite, amigos foliões! Antes de sair para o último dia de festa (aliás, o dia realmente da festa), vou deixando a nossa postagem. Mais uma vez, dentro do clima, o nosso tema é o carnaval. Para hoje eu reservei este álbum da pesada do Jamelão. Temos aqui um lp lançado em 1975 pela gravadora Continental. Estão reunidos dez sambas enredos defendidos pelo grande sambista, um dos maiores puxadores de escolas de samba. As dez faixas, como se pode ver, fazem mesmo valer o disco. Confiram aí, porque eu aqui já estou de saída. A folia me aguarda 🙂

cântico a natureza
o grande presidente
rio antigo
cada grande e senzala
o fabuloso mundo do circo
rio grande do sul na festa do negro fôrro
dona bêja, feiticeira de araxa
exaltação a mangueira
terra de caruaru
apoteose do samba

Banda Os Dragões Do Rei – Antigas Marchas Carnavalescas (1958)

Bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! No pique do carnaval, abrimos a nossa segunda feira ao sons de antigas marchas carnavalescas. Hoje seria um dia dedicado ao GTM, com os sempre brilhantes textos do nosso amigo Samuel Machado Filho. Porém eu não tive tempo de preparar uma seleção de 78 rpm para o Samuca, além do mais, na sequência do GTM, o que teremos é a continuação da série Jacob do Bandolim. Fica assim prometido, ok?
Mas como eu dizia, nosso encontro hoje é com as antigas marchinhas de carnaval, apresentadas aqui pela gravadora Continental, através da banda “Os Dragões do Rei”, nome este dado a uma típica banda, que contou com três grandes regentes arranjadores: Radamés Gnattali, Guido de Morais e Severino Araújo. O disco foi lançado em 1958, trazendo em seu repertório velhas marchas carnavalescas, num estilo bem tradicional, procurando dessa forma relembrar e mostrar que mesmo diante às mudanças que aconteciam na música brasileira naquela época, a verve musical ainda era a mesma. Taí, um lp dos mais interessantes. Para se ouvir durante e depois do carnaval. 🙂

touradas de madrid
hino do carnaval brasileiro
ridi palhaço
tem gato na tuba
linda lourinha
história do brasil
pirata da perna de pau
linda morena
grau 10
pepita de guadalajara
trem blindado
lancha nova

De Chapéu De Sol Aberto (1971)

Olás! No embalo do Carnaval de Belô e já no último tempo do dia, aqui vai um disquinho dos melhores, capaz de levantar o ânimo de qualquer folião bodado. Temos aqui outra seleção, desta vez de frevos, entre os quais se destaca um dos mais tradicionais, “De chapéu de sol aberto”, um clássico do compositor pernambucano Capiba, que também era ligado nas artes plásticas. Ele também pintava e aqui temos na capa uma de suas obras. Vale a pena conferir. Disco muito bom 😉
.
de chapéu de sol aberto
boko moko
meu vestibular
3 pistões de ouro
os direitos são iguais
frevo da saudade
pra que tristeza?
lavanca
a mulher que eu queria
frevo hoje e sempre
tempo quente
frevo sem quarta feira
morrendo de saudade
santos no frevo
.

Alegria (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Para a alegria de vocês, eu estou voltando, no embalo do Carnaval. Ainda não estou totalmente pronto para encarar a tarefa musical diária. Mas acho bom retomar logo as postagens, pois já comecei a ficar mal acostumado e preguiçoso. Por enquanto vamos recomeçar sem muitas promessas e sem a obrigação de sermos diários, ok? Eu ainda não consegui resolver todos os meus `pepinos`, inclusive o conserto do meu computador. Estou fazendo essas novas postagens via Mac, usando outros programas de áudio, coisa que eu ainda não domino totalmente. Era bem mais fácil e rápido pelo Windows, mas tudo bem, logo a gente vai afiando…
Como estamos no Carnaval, Alegria! É isso aí, alegria geral. Este é o nome do disco que abre aqui o nosso carnaval. Eis aqui um raro lp da Bemol, lançado provavelmente em 1980, reunindo 14 sambas de gênero carnavalesco, de sambistas mineiros. Muitos desses artistas fazem parte da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte. Entre os destaques temos o sambista Milton Rodrigues Horta, mais conhecido como “Lagoinha”. O conjunto que acompanha os cantores era também formado por músicos da melhor qualidade, entre eles, o mais famoso, o cavaquinista Waldir Silva. Em resumo, temos aqui um disco de carnaval mineiro. Quem pensa que por aqui não tem carnaval, não se enganou. Porém, não é por falta de samba, músicos e compositores. O que acontece é que quando chega o Carnaval eles todos vão para o Rio de Janeiro, hehehe…
.
querendo aparecer – jurandi silva
tobogã – paulo sobrinho
os guizos da colombina – aquiles junior
não chore não – lagoinha
que que isso – brito
bloco do delegado – edú alves
entra quem pode – terezinha soares
joão mamãe – paulo sobrinho
zé camisolão – enio barbosa
mágoa no carnaval – geraldo tavares
lágrimas – marcio josé
garota bh – francisco carioca
eu mandei cacá na venda – lagoinha
catimba – nilton rocha

Carnaval Rio Quatrocentão (1964)

Acho que hoje eu nem preciso fazer a tradicional saudação, visto que a coisa está mais para ‘salgação’. Sinceramente não entendi a tamanha motivação para tantos comentários. Não consigo acreditar que por causa de um simples chato, tudo virou uma enorme chateação. Não vou negar que fiquei também chateado pelas acusações daqueles que frenquentam este espaço, me culpando por não ter logo tomado as dores da HWR, por uma simples bobagem. Em outras ocasiões por aqui já fizeram pior e até comigo mesmo. Já fui mais que chato, fui chamado filho da puta, ladrão, pirata, viado, babaca, burro e até comunista (como se isso fosse uma ofensa). Em nenhuma das vezes saíram tantos ‘amigos’ em minha defesa. E no fundo, nem precisavam, pois aqueles que me conhecem de verdade, sabem que o meu entendimento de solidariedade é na linha de frente. É literalmente doando sangue. Percebo que a bandeira que tremula neste céu, hoje, não é a do Toque Musical. Além do mais, detesto Twitter…

Hoje me deu vontade de dar um basta nisso tudo, acabar com a seção de comentários em postagem e consequentemente dificultar o acesso aos links. Sei que tem muita gente bacana por aqui, amigos cultos e também ocultos, com um senso maior que o crítico. Em consideração aos verdadeiros segurei o passo, engulo mais saliva e vou em frente…
Tá aqui o disco do dia. Mais carnaval… acho que é disso que vocês estão precisando…
Segue aqui um belo álbum lançado pelo selo Copacabana. Um disco especial para uma data especial, Carnaval e 400 anos de favela. Este disco traz um encarte diferente, singular para os moldes tradicionais. Ele se abre como um livreto, com algumas páginas onde iremos encontrar a ficha técnica, as letras de cada uma das músicas e seus intérpretes. A propósito dos intérpretes, temos como destaque a Miss Guanabara e também Miss Brasil daquele ano, Vera Lúcia Couto dos Santos, cantando “Rosa Dourada”, uma marchinha de Moacyr Silva e David Nasser. É ela a moça da capa 🙂
Agora aqui, não sei se publico o ‘toque’, ou se mando vocês irem procurar ouvir o disco lá na HWR. Continuo subindo tudo com muito carinho 😉
joga a chave, meu amor – jorge goulart
lua cheia – angela maria
burrinha de mola – carequinha
vem cá mulata – gilberto alves
você passou – roberto silva
coração em festa – dina gonçalves
onda da cabeleira – roberto audi
me leva, eu vou – mário augusto
rosa dourada – vera lúcia couto dos santos
genipapo – gilberto alves
carnaval quatrocentão – elizeth cardoso
deu fungum – abilio martins
rainha de sabá e rei salomão – angela maria
dúvida cruel – dora lopes
tiro de feijão – dercy gonçalves
vendedor de ilusões – arrelia e pimentinha
vai zero aí? – walter stuart
me paga um óleo aí (pudim de cachaça) – noel carlos

Carnaval De 1956 (1956)

Bom dia, ou melhor, boa tarde, amigos foliões cultos e ocultos! Não estive na farra do carnaval, mas acordei mesmo tarde. Estava aqui pensado que fosse ainda umas nove horas da manhã, em virtude do silêncio em que está a cidade. É BH, sabe como é… Ontem eu saí na rua para ver o movimento e por incrível que pareça, me deparei com um grupo de quase 200 pessoas na rua, ouvindo e curtindo sabe o que? Funk, mas das antigas, a lá James Brown. Uma coisa super curiosa, quase surreal, considerando estarmos em pleno carnaval. Mas Belô tem dessas coisas, quando a gente menos espera, ao virar uma rua, encontra uma surpresa. Por mais que minha cabeça estivesse no samba, não pude resistir ao balanço daquela moçada. Discotecagem na rua, uma pilha de caixas acústicas e o povo mandando vê… Encontrei até alguns amigos e cheguei a ser reconhecido e fotografado. Tô ficando famoso! Hehehe…

Mas deixando o ‘groove’ de lado, vamos ao que realmente interessa, ao disco do dia e ao nosso Carnaval. Tenho aqui para vocês mais um disquinho clássico, do caraná de 1956. Não há quem não goste de velhas marchinhas, principalmente em sua época de ouro. “Carnaval de 1956”, trás alguns sucessos do ano lançados pelo selo Columbia. É aquele disquinho tradicional, que a cada novo ano era lançado pelas grandes gravadoras. Neste encontraremos…
nem toda flor tem perfume – cauby peixoto
gato preto – lana bittencourt
gente bem – carlos henrique
cinza – ruth amaral
eu chorei – lana bittencourt
cabo frio – cauby peixoto
quebranto de solteirona – ruth amaral
tô caindo – walter damasceno

Carnaval – Festa Do Povo (1978)

Boa noite, amigos foliões cultos e ocultos! Hoje, sábado é dia de coletâneas e também é carnaval. Pensei em fazer aqui uma seleção especial e exclusiva do Toque Musical, mas sinceramente, não tive tempo. Daí, busquei agora uma alternativa. Me lembrei desta obscura coletânea carnavalesca que eu por acaso achei em um sebo, no Rio. Haviam lá uns 30 a 40 discos desse, todos novinhos, possivelmente, restos de estoque ou encalhe de alguma loja. Por 1 real, fui logo pegando uns três, por garantia. Não fosse a minha preguiça em fazer agora uma coletânea, este disco iria passar batido, nem lembrava. Mas, enfim, taí…

“Carnaval, Festa do Povo” foi lançado no final dos anos 70 por um selo que eu nunca ouvi falar, mas distribuído pela extinta gravadora e editora paulista Crazy. Temos aqui reunidas 18 músicas de carnaval, muitas delas bem conhecidas de todos nós, o que já não se pode dizer de seus intérpretes. Só conheço aqui o Germano Mathias, Lila Oliveira (irmã da Dalva) e aquele jurado do Silvio Santos e Rei Momo, Edson Santana. Pelo estilão do disco, acredito que seja uma produção inteiramente paulista. O mais interessante deste álbum é que ele não é datado, quer dizer, não é um disco de um determinado ano de carnaval. Vale para todos os anos, principalmente para este aqui no Toque Musical. Caiam na folia…
hino ao rei momo – edson santana
ele é papo furado – herval lessa
gargalha palhaço – nilton silva
aceite esta rosa – wilson d souza
fantasia de buda – tesourinha
se eu for eleito – paris delfino
quem me dera – francisco ribeiro
até segunda feira – tony ribeiro
você voltou – as vozes
devaneios de um pierrot – g. martins
inter-esquadrão de ouro – germano mathias
japonesa – wilson de souza
agora é samba – jose depaula
eu não sou rei – nilton silva
culpado é o meu coração – as vozes
beijos ardentes – lila oliveira
marcha dos pés de cana – r.c.p.
desarme o seu coração – josé lourenço

A Banda Do Gato – O Baile Do Gato (1969)

Bom dia, amigos foliões cultos e ocultos! Hoje é sexta feira, dia de artista/disco independente, mas é também a sexta feira que antecede ao Carnaval. Em alguns lugares e para muita gente já é carnaval. Assim sendo, dou uma pausa nos independente e caio matando na folia carnavalesca.

Trago aqui para vocês o “Baile do Gato”, um disco carnavalesco lançado no final dos anos 60 (infelizmente não encontrei o ano exato deste lançamento). Patrocinado e promovido pela Secretaria de Turismo do antigo Estado da Guanabara, o álbum foi uma maneira de fixar ao cardápio festivo da cidade um novo baile de salão, realizado no Clube Sírio Libanês, que naquele ano (que eu não sei qual) se fazia pela segunda vez. Não sei também se este baile chegou a ter outras edições nos anos seguintes. Eu suponho que não, pois não encontrei nenhuma referência a respeito disso.
O Baile do Gato é um disco que chama a atenção, principalmente pela capa, uma ilustração muito boa e divertida, criada por Ziraldo. A gravação me parece ter sido feito ao vivo, talvez extraída do baile anterior. A edição musical fica um pouco a desejar com cortes bruscos que nos dão a impressão de termos pulado de faixa. Tentei melhorar um pouco essa situação, separando algumas dessas faixas, em outras, mantive na base do ‘pot-pourri’. Acho que a ideia era essa mesma, um disco sem pausas, para todo mundo pular sem parar. Salve o Carnaval!
até quarta feira
pata pata – garota do ipê
me abraça e me beija
voltei
amor de carnaval
portela querida
dá nela saudade
bom dia
samba do crioulo doido
apareceu a margarida
um instante maestro
oh que delícia de mulata
cidade maravilhosa

Zaccarias E Sua Orquestra – Marchas Em Desfile – Carnaval Em Marcha (1955)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Eu não estava querendo passar a semana toda postando discos de carnaval, mas acho que vai ser quase inevitável. O difícil vai ser eu ter que checar quais já foram postados em outros carnavais, podem acreditar que são muitos.

Continuando o aquecimento aqui vai mais um belo álbum que é pura folia carnavalesca. Temos, mais uma vez o maestro Zaccarias, fazendo o que ele sabia como poucos, comandar uma orquestra num baile de carnaval. Neste álbum, uma autêntica raridade, lançado em 1955, constitui-se em um dos primeiros discos de doze polegadas. Recheado com doze deliciosas e memoráveis marchinhas carnavalescas, criadas nos anos 30 e 40. Vale a pena ouvir 😉
cidade maravilhosa
linda morena
eva querida
marchinha do grande galo
malmequer
allah la ô
o teu cabelo não nega
carolina
pierrot apaixonado
jardineira
touradas de madrid
o passarinho do relógio

Olá foliões cultos e ocultos! Estão todos prontos para enfrentar o Carnaval?
Para aqueles que ainda não sintonizaram, o Toque Musical tem um bom acervo de postagens dedicado à outros carnavais. Não deixem de conferir… AQUI