A Música De Caxiné – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 127 (2014)

Esta semana comemoramos o Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro. Entrando no clima, a edição de número 127 do nosso Grand Record Brazil vem com toda a ginga e espontaneidade, apresentando uma amostra do trabalho de um dos maiores compositores do gênero: Eden Silva, popularmente conhecido como Caxiné. Poucos são os dados biográficos a seu respeito. Entretanto, Eden “Caxiné” Silva foi um verdadeiro gênio de nossa música popular. Participou da Escola de Samba Depois eu Digo, e também fundou a Independentes do Leblon, a Unidos do Humaitá, e a Acadêmicos do Salgueiro (que surgiu da fusão da Depois eu Digo com a Azul e Branco, ambas as escolas situadas no Morro da Tijuca). Caxiné é considerado inclusive um dos maiores compositores que o Salgueiro já teve em todos os tempos, tendo também feito bons trabalhos para blocos carnavalescos. Foi eleito Cidadão Samba em 1946, e era também carnavalesco. Caxiné  e Aníbal da Silva, conhecido como o “seresteiro da Praia do Pinto” (situada no Leblon, Zona Sul carioca)formaram uma dupla de compositores de muito sucesso nos anos 1940/50, tendo composto quase todos os sambas-enredo da Depois eu Digo na década de 40. “Brasil, fonte das artes”, que fez em parceria com Djalma “Sabiá” Costa e Nilo Moreira, foi um dos primeiros sambas-enredo a ser gravados comercialmente (inclusive está nesta edição).  Caxiné faleceu em 1963, deixando várias músicas que fazem parte da história do samba: sambas-canções, de terreiro, de enredo…
Nesta edição do GRB, apresentamos dez gravações que montam um pequeno-grande panorama da obra musical de Caxiné, seleção esta idealizada pelo Blog Coisa da Antiga.  Abrindo o programa, temos “Tudo é ilusão”, parceria dele com Aníbal da Silva e Tufic Lauar (mais tarde cantor de sucesso com o pseudônimo  de Raul Moreno). Destinado ao carnaval de 1945, foi gravado na Odeon por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”, em 5 de outubro de 44, com lançamento ainda em dezembro, sob número  12519-B, matriz 7676. Voltaria a fazer sucesso vinte anos mais tarde, numa gravação de Clara Nunes.  A faixa seguinte é talvez o trabalho mais famoso de Caxiné: “Rosa Maria”, outra parceria dele com Aníbal, até hoje cantado em rodas de samba. Um dos campeões do carnaval de 1948, foi imortalizado na RCA Victor por Gilberto Alves em 9 de outubro de 47, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, disco 80-0564-A,matriz S-078792. Caxiné e Aníbal assinam também nossa terceira faixa, “Vem me consolar”, samba do carnaval de 1949, interpretado por Zé e Zilda, “a dupla da harmonia”.  Gravação Continental de 13 de outubro de 48, lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, sob n.o 15984-A,matriz 1980. Em seguida, uma homenagem de Caxiné e Aníbal a outro grande sambista: “Paulo da Portela”,aliás, Paulo Benjamin de Oliveira, falecido prematuramente, aos 47 anos, em 31 de janeiro de 1949. Zé e Zilda também gravaram este samba, na Star (futura Copacabana), disco 151-A. para a folia de 1950. A dupla ainda nos apresenta  outro samba de rara beleza de Caxiné e Aníbal, aqui em parceria com Noel Rosa de Oliveira, “Falam de mim”, lado B do disco Continental de “Vem me consolar”, matriz 1981, e outro sucesso do carnaval de 1949. Completando este trabalho, cinco faixas de um precioso LP de 10 polegadas da Todamérica, gravado por integrantes da escola de coração de Caxiné, o Salgueiro, lançado em maio de 1957 e intitulado apenas “Samba!” (LPP-TA-12).  “Brasil, fonte das artes”, já mencionado acima, parceria de Caxiné com Djalma “Sabiá” Costa e Nilo Moreira, havia aparecido em 1957, em versão resumida, na voz de Emilinha Borba, que também apresentou a música no filme “Garotas e samba”, da Atlântida. Aqui, neste registro de integrantes do Salgueiro, este samba-enredo de 56 é apresentado com a letra completa. Caxiné e Djalma, agora na companhia de Oldemar Magalhães, assinam o samba “Novo dia”, até agora só com esta gravação. Não podia faltar uma “Exaltação ao Salgueiro”, que Caxiné assina com seu parceiro mais constante, Aníbal da Silva, e mais uma vez Nilo Moreira. E – por que não? – uma “Exaltação à Tijuca”, em cujo morro o Salgueiro surgiu, novamente com Caxiné e Nilo Moreira na parceria, e aqui junto com Luís Silva. Para encerrar, uma regravação de “Tudo é ilusão” (ouça, na faixa 1, o registro original de Odete Amaral). Enfim,  uma homenagem que o Grand Record Brazil presta,com muita justiça, a Eden Silva, o Caxiné, sem dúvida um gênio do samba carioca e brasileiro.
* Texto de Samuel Machado Filho

Sambas – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 123 (2014)

E prossegue a gloriosa trajetória do Grand Record Brazil. Já estamos na edição de número 123, e nela estamos apresentando uma seleção especialmente dedicada ao samba. São 15 gravações, com sambas de autores consagrados do gênero, interpretados pelos melhores cantores de sua época.  Abrindo esta edição, temos “Capital do samba”, de José Ramos (1913-2001), fluminense de Campos, que ajudou a fundar a ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na interpretação do sempre notável Gilberto Alves. Gravação Odeon de 9 de setembro de 1942, lançada em outubro do mesmo ano, disco 12214-A, matriz 7053. Dos cariocas João da Baiana (João Machado Guedes, 1887-1974) e Babaú da Mangueira (Waldomiro José da Rocha, 1914-1993) é “Sorris de mim”, a faixa seguinte, interpretada por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”. Ela o gravou na Victor em 9 de julho de 1940,com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34657-B, matriz 33463. De Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975) e do lendário Paulo da Portela  (Paulo Benjamin de Oliveira, 1901-1949), foi escalado “Arma perigosa”, na interpretação de Linda Rodrigues (Sophia Gervasoni, 1919-1995). É o lado A de seu terceiro 78, o Continental 15423, lançado em setembro de 1945, matriz 1136. Na quarta faixa, um clássico indiscutível do mestre Ary Barroso: é “Morena boca de ouro”,  na interpretação de Sílvio Caldas, que o imortalizou na Victor em 4 de julho de 1941, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34793-A, matriz S-052259. Foi várias vezes regravado,inclusive por João Gilberto, que o incluiu em seu primeiro LP, “Chega de saudade”, em 1959. O dito popular “Quem espera sempre alcança” dá título à nossa quinta faixa, mais uma composição do lendário Paulo da Portela. Quem canta este samba é Mário Reis, em gravação lançada pela Odeon em setembro de 1931, disco 10837-B, matriz 4272, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman. “Quem mandou, Iaiá?” é de Benedito Lacerda (também no acompanhamento com sua flauta mágica e inconfundível) e Oswaldo “Baiaco” Vasques, e foi lançado pela Columbia  para o carnaval de 1934, em janeiro desse ano, na voz de Arnaldo Amaral, disco 22262-A, matriz 1005. Também de Baiaco, em parceria com João dos Santos, é nossa sétima faixa, “Conversa puxa conversa”, gravação Victor de Almirante (“a maior patente do rádio”) em 24 de abril de 1934, lançada em julho do mesmo ano com o n.o 33800-A, matriz 79615, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida por Pixinguinha.  Babaú da Mangueira volta em nossa faixa 8, “Ela me abandonou”, samba do carnaval de 1949, em parceria com Taú Silva. Novamente aqui comparece Gilberto Alves, em gravação RCA Victor de 23 de dezembro de 48, lançada um mês antes da folia,em janeiro,disco 80-0591-B, matriz S-078852. Autor de clássicos do samba, Ismael Silva (1905-1978) mostra seu lado de intérprete em “Me deixa sossegado”, que assina junto com Francisco Alves e Nílton Bastos, e foi lançado pela Odeon em dezembro de 1931, disco 10858-B,matriz 4281. De família circense, sobrinho do lendário palhaço Piolim,  o comediante paulista Anchizes Pinto, o Ankito (1924-2009), considerado um dos cinco maiores nomes da era das chanchadas em nosso cinema, bate ponto aqui com “É fogo na jaca”, samba de Raul Marques, Estanislau Silva e Mateus Conde. Destinado ao carnaval de 1954, foi lançado pela Columbia (depois CBS e hoje Sony Music) em janeiro desse ano, sob n.o  CB-10017-B, matriz CBO-152. Paulo da Portela volta na faixa 11, assinando com Heitor dos Prazeres “Cantar pra não chorar”, do carnaval de 1938. Quem canta é Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, em gravação Victor de 15 de dezembro de 37, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 34278-B, matriz 80634. Na faixa 12, volta José Ramos, agora assinando com o irmão, Marcelino Ramos, “Jequitibá”. Gravação de Zé e Zilda (“a dupla da harmonia”), em 1949, na Star, disco 151-B, por certo visando o carnaval de 50. A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, vem com o samba “Mulher de malandro”, de Hervê Cordovil.  Gravado na Victor em 23 de outubro de 1945, seria lançado apenas em  setembro de 46, sob n.o 80-0431-B, matriz S-078380. Ernani Alvarenga, o Alvarenga da Portela, assina “Fica de lá”, samba do carnaval de 1939, em gravação Odeon de Francisco Alves, datada de 16 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia,em fevereiro, disco 11700-A,matriz 5995. Por fim, temos o samba “Não quero mais”, samba de autoria de Zé da Zilda (também conhecido por Zé com Fome e José Gonçalves) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Castro, que apareceu no selo com o sobrenome errado, “da Silva”),  gravado na Victor por Aracy de Almeida  em 9 de setembro de 1936 e lançado em dezembro do mesmo ano, disco 34125-A, matriz 80214, certamente com vistas ao carnaval de 37. Note-se, a respeito deste samba, que Cartola tinha feito duas segundas partes, mas Zé da Zilda fez uma outra segunda parte por conta própria e, assim, eliminou Cartola da co-autoria. Enfim, é uma excelente seleção de sambas que o GRB  nos oferece, para apreciação de todos aqueles que apreciam o melhor de nossa música popular.

* Texto de Samuel Machado Filho

Gilberto Alves – É Só… Samba (1966)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos novamente em toques musicais descompassados, pausando mais que samba de breque. Mas estamos aí… sempre!
E por falar em samba, eu hoje vou brindar vocês um disco muito bom do cantor Gilberto Alves. Este álbum, ao que consta, foi lançado em 1966 pela selo Copacabana. “É só… Samba” já diz tudo, um disco cujo o repertório é todo de samba. O cantor nos traz aqui uma seleção muito boa com vinte sambas, alguns, verdadeiros clássicos. Com vocês poderão perceber, em algumas faixas temos até quatro músicas, formando uma espécie de pot pourri. Este é. sem dúvida, um álbum raro de Gilberto Alves, pois nem mesmo uma menção a ele a gente encontra nos canais de informação. E eu diria, sem pensar duas vezes, para mim, este é um de seus melhores discos 🙂

é só
meu consolo é você
eu não posso ver mulher
diálogo
abre a janela
o trem atrasou
é bom parar
enredo do meu samba
izaura
sei que é corvadia
o homem sem mulher não vale nada
solteiro é melhor (vida de casado)
poleiro de pato é no chão
diz a ela pra voltar
quando eu passo
casadinho com você
quem é o dono do baile
sou o fiscal do salão
direito de sambar
melancolia
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Carnaval De 56 (1956)

Bom dia, amigos foliões! Espero que todos estejam bem, sem ressaca e prontos para mais um dia de carnaval. Para este domingo, vamos relembrar oque  rolou de sucesso no Carnaval de 1956. Temos aqui um lp de 10 polegadas lançado pela Copacabana, apresentando alguns dos seus artistas exclusivos com músicas feitas para o carnaval daquele ano. Como se pode ver pela ilustração da contracapa, temos aqui alguns dos mais expressivos artistas da época interpretando sambas e marchinhas que se tornaram clássicos. Interessante também notar que este foi o disco número 1 da Continental para o carnaval. E ao contrário dos discos nesse formato que traziam apenas oito faixas, neste vieram dez. Não sei bem ao certo, mas suponho que nesse mesmo carnaval a Copacabana tenha lançado outro disco, o número 2. (Estou com tanta preguiça que nem vou me dar ao trabalho de checar isso) Confiram daí, que eu de cá já vou pra rua. Chapolim me espera!

fala mangueira – angela maria
ressureição – belcaute
turma do funil – vocalistas tropicais
a batucada – jorge veiga
passarinho – joão dias
se eu chorei – gilberto alves
na paz de deus – carmem costa
me dá um cheirinho – jackson do pandeiro
boate de pobre – roberto silva
radio patrulha – heleninha costa
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A Música de Ismael Silva Na Voz De… – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 86 (2014)

Chegamos à edição de número 86 do Grand Record Brazil, apresentando a terceira parte de nossa retrospectiva da obra do compositor Ismael Silva (1905-1978). São mais dezessete composições deste notável mestre do samba, cantadas por intérpretes diversos, inclusive ele mesmo. Para começar, temos um dos mais expressivos intérpretes da obra de Ismael, Mário Reis.  Ele interpreta aqui, como solista, as quatro primeiras faixas deste volume do GRB,  todas elas sambas e em gravações Odeon, a saber: “Novo amor”, de Ismael sem parceiro, gravação de 27 de fevereiro de 1929, lançada em abril do mesmo ano com o n.o 10357-A, matriz 2400; “Sofrer é da vida”, parceria de Ismael com Francisco Alves e Nílton Bastos, gravado em 28 de novembro de 1931 com vistas ao carnaval, mas só lançado em julho de 32 (deveria, pela lógica, ter saído em janeiro) com o n.o 10872-A, matriz 4375; “Ao romper da aurora”, parceria de Ismael e Francisco Alves com outro mestre, Lamartine Babo,  também do carnaval de 1932, disco 10881-A, matriz 4398; e “Uma jura que fiz”, da parceria de Ismael Silva com Noel Rosa e Francisco Alves, que Mário gravou em 12 de julho de 1932, disco 10928-A, matriz 4482. Na faixa seguinte, volta a dupla Francisco Alves-Mário Reis, de quem apresentamos alguns registros  na edição anterior, agora interpretando uma obra-prima do samba, “Arrependido”, da santíssima trindade Ismael Silva-Chico Viola-Nílton Bastos, gravação Odeon de 28 de fevereiro de 1931, lançada em abril do mesmo ano sob n.o 10780-A, matriz 4163 (em nosso volume anterior apareceu o outro lado, “O que será de mim?”).  Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, aqui comparece com duas faixas assinadas exclusivamente por Ismael Silva, que gravou na Odeon em  14 de dezembro de 1934 com lançamento em fevereiro de 35 (claro que para o carnaval) sob n.o 11194, o samba ‘Agradeças a mim” (lado B, matriz 4974) e a marchinha “Cara feia é fome” (lado A, matriz 4972). Jonjoca (João de Freitas Ferreira) vem em seguida com outro samba só de Ismael, ‘Não te dou perdão”, lançado pela Odeon em fevereiro de 1930 para o carnaval, disco 10579-A, matriz 3366. J. B. de Carvalho,  que se converteu à umbanda e gravou por toda a carreira a música de sua religião (teve até terreiro e programa de rádio do gênero), aqui comparece com outro samba de Ismael Silva sem parceiro, “Com a vida que pediste a Deus”, gravação Odeon de 26 de outubro de 1939, lançada em janeiro de 40 para o carnaval, “of course”, sob n.o 11803-B, matriz 6237. “Fã”, outro samba de Ismael sem parceria, foi gravado na mesmíssima Odeon por Gilberto Alves em  14 de julho de 1942, com lançamento em setembro do mesmo ano sob n.o 12189-B, matriz 7015. Compositor e humorista de rádio, Silvino Neto, pai do comediante Paulo Silvino, aqui interpreta uma marchinha de Ismael Silva sem parceiro, “Boa boca”, gravada na Victor em 18 de fevereiro de 1941 e lançada bem em cima do carnaval de 42, em fevereiro, disco  34873-B, matriz S-052447. Nélson Gonçalves, o eterno “metralha do gogó de ouro”, vem com o samba “Não tenho queixa”, parceria de Ismael Silva com David Raw, gravação também da Victor, datada de  15 de dezembro de 1942 com lançamento bem cima do carnaval de 43, em fevereiro, disco  80-0050-A, matriz S-052678. Orlando Silva, o sempre lembrado “cantor das multidões”, comparece com um samba que Ismael fez com Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr.,  “Se eu tiver que escolher”, gravação Odeon de 12 de dezembro de 1945, editada bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, sob n.o 12672-B, matriz 7958. A faixa seguinte é “Antonico”, samba com o qual Ismael Silva retornou às paradas de sucesso, depois de anos no ostracismo. Foi imortalizado na Odeon por Alcides Gerardi em 19 de janeiro de 1950, com lançamento em  abril do mesmo ano sob n.o 12993-B, matriz 8625. É um samba pungente que foge à linha tradicional do autor, pelo andamento um pouco mais lento (o personagem Nestor, de que fala a letra, é o próprio Ismael Silva, na época enfrentando problemas financeiros). Clássico inúmeras vezes regravado. Cyro “Formigão” Monteiro, “o cantor das mil e uma fãs”, comparece aqui com a marchinha “Eu sou um”, também de Ismael sem parceiro, do carnaval de 1940. Gravação Victor de 11 de outubro de 39, lançada ainda em dezembro sob n.o 34529-A, matriz 33184. O Ismael Silva intérprete dá as caras nesta seleção com seu samba “Me diga o teu nome”, lançado pela Odeon em dezembro de 31 (lógico, para o carnaval de 32) sob n.o 10858-A, matriz 4280. No selo original, Francisco Alves e Nílton Bastos aparecem como co-autores, mas, em regravações posteriores, só Ismael  aparece como autor deste samba. Conhecido como “a voz de dezoito quilates”, João Petra de Barros aqui interpreta outro samba só de Ismael, “Não é tanto assim”, gravação Odeon de 18 de dezembro de 1933, lançada em janeiro de 34 para o carnaval, disco 11089-B, matriz 4771, finalizando a terceira parte de nossa retrospectiva.   Enfim, mais uma contribuição do GRB à preservação de nossa memória musical. Até a semana que vem!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

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Rio Carnaval 1565-1965 – Rio De Janeiro A Janeiro – Carnaval De 400 Janeiros (1965)

Muito boa noite, amigos cultos e ocultos! Para comemorar os 6 anos do Toque Musical eu estou trazendo aqui uma preciosa raridade, com certeza, nunca antes apresentado em outros blogs. Eu estava guardando esta jóia para os dias de Carnaval, mas acabei esquecendo. Foi bom, pois sendo um álbum tão especial, merecia mesmo uma data também especial. Até porque este não é um trabalho que fala apenas do Carnaval, mas principalmente do Rio de Janeiro. E o que tem ele em comum como o aniversário do Toque Musical? Bom, este álbum celebra o aniversário da cidade. Em 1965 o Rio de Janeiro completava 400 anos. Tudo a ver… e ouvir 🙂 Como disse, disco especial para um dia especial. E aqui no Toque Musical tudo é festa, tudo é carnaval 🙂
Como podemos ver pelas ilustrações, trata-se de um livro, um autêntico álbum duplo produzido, em conjunto pela revista O Cruzeiro e a gravadora Copacabana, comemorando os quatro séculos de Rio de Janeiro. E como Rio é sinônimo de Carnaval, o trabalho fonográfico é todo pautado nessa relação. O ‘livro lp’ apresenta mais de 30 páginas ricamente ilustradas com belíssimas fotografias e textos do escritor Nelson Costa, extraídos de seu livro “O Rio Através Dos Séculos”, editado pela “O Cruzeiro” naquele mesmo ano de 65. Os lps que compoe do álbum são duas jóias. O primeiro, Rio de Janeiro a Janeiro””, é uma seleção de músicas que enalteceram a cidade maravilhosa. Produzido pelo grande Moacyr Silva, traz a cada faixa um diferente artista, maestro e orquestra, todos evidentemente do ‘cast’ da Copacabana. O repertório, não precisa nem dizer, é do conhecimento de todos. Para quem ama o Rio como eu, este disco é o que há. O segundo lp também não fica atrás (só na ordem de apresentação). “Carnaval de 400 Janeiros” trás uma seleção em ‘pot pourri’ de algumas das melhores músicas de carnaval. De um lado temos os sambas e do outro as marchinhas, tudo interpretado pelo Coral e Orquestra Copacabana, sob direção musical de Altamiro Carrilho. Como podemos ver e também ouvir este é um daqueles trabalhos que merece toda a nossa atenção. Já imaginaram se não fossem os blogs, assim como o Toque Musical, o que seria desta e de tantas outras jóias, esquecidas em algum canto, mofando, se perdendo…? Ainda bem que a gente está por aqui 😉

Disco 1
cidade maravilhosa – coral e orquestra copacabana
quatrocentas velinhas – jorge goulart
valsa de uma cidade – roberto silva
rio – jorge henrique
cidade brinquedo – os rouxinóis
fantasia carioca – jairo aguiar
o rio é mais rio – gilberto alves
samba do avião – francineth
eterna capital – roberto audi
rio dos vice-reis – gilberto alves
hip-hurra quatrocentão – jorge goulart
rio, praia e sol – jorge eduardo
guanabara quatrocentão – jairo aguiar
rio – coral e orquestra copacabana
baia da guanabara – rinaldo calheiros
rio – abilio martins
rio de janeiro a janeiro – fernando barreto
primavera no rio – altamiro carrilho
Disco 2
praça onze
madureira chorou
vai que depois eu vou
pra seu governo
cai, cai…
nêga do cabelo duro
recordar
é bom parar
implorar
não tenho lágrimas
despedida da mangueira
meu consolo é você
que rei sou eu
até amanhã
agora é cinza
o orvalho vem caindo
não me diga adeus
nêga maluca
de lanterna na mão
o teu cabelo não nega
marchinha do grande galo
maria candelária
aurora
nós os carecas
quem sabe, sabe
touradas em madrid
se a lua contasse
eu brinco
lig lig lê
mamãe eu quero
allah lá ô
confete
sassaricando
cachaça
a jardineira
me dá um dinheiro aí
cabeleira do zezé
pastorinhas
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Carnaval Rio Quatrocentão (1964)

Acho que hoje eu nem preciso fazer a tradicional saudação, visto que a coisa está mais para ‘salgação’. Sinceramente não entendi a tamanha motivação para tantos comentários. Não consigo acreditar que por causa de um simples chato, tudo virou uma enorme chateação. Não vou negar que fiquei também chateado pelas acusações daqueles que frenquentam este espaço, me culpando por não ter logo tomado as dores da HWR, por uma simples bobagem. Em outras ocasiões por aqui já fizeram pior e até comigo mesmo. Já fui mais que chato, fui chamado filho da puta, ladrão, pirata, viado, babaca, burro e até comunista (como se isso fosse uma ofensa). Em nenhuma das vezes saíram tantos ‘amigos’ em minha defesa. E no fundo, nem precisavam, pois aqueles que me conhecem de verdade, sabem que o meu entendimento de solidariedade é na linha de frente. É literalmente doando sangue. Percebo que a bandeira que tremula neste céu, hoje, não é a do Toque Musical. Além do mais, detesto Twitter…

Hoje me deu vontade de dar um basta nisso tudo, acabar com a seção de comentários em postagem e consequentemente dificultar o acesso aos links. Sei que tem muita gente bacana por aqui, amigos cultos e também ocultos, com um senso maior que o crítico. Em consideração aos verdadeiros segurei o passo, engulo mais saliva e vou em frente…
Tá aqui o disco do dia. Mais carnaval… acho que é disso que vocês estão precisando…
Segue aqui um belo álbum lançado pelo selo Copacabana. Um disco especial para uma data especial, Carnaval e 400 anos de favela. Este disco traz um encarte diferente, singular para os moldes tradicionais. Ele se abre como um livreto, com algumas páginas onde iremos encontrar a ficha técnica, as letras de cada uma das músicas e seus intérpretes. A propósito dos intérpretes, temos como destaque a Miss Guanabara e também Miss Brasil daquele ano, Vera Lúcia Couto dos Santos, cantando “Rosa Dourada”, uma marchinha de Moacyr Silva e David Nasser. É ela a moça da capa 🙂
Agora aqui, não sei se publico o ‘toque’, ou se mando vocês irem procurar ouvir o disco lá na HWR. Continuo subindo tudo com muito carinho 😉
joga a chave, meu amor – jorge goulart
lua cheia – angela maria
burrinha de mola – carequinha
vem cá mulata – gilberto alves
você passou – roberto silva
coração em festa – dina gonçalves
onda da cabeleira – roberto audi
me leva, eu vou – mário augusto
rosa dourada – vera lúcia couto dos santos
genipapo – gilberto alves
carnaval quatrocentão – elizeth cardoso
deu fungum – abilio martins
rainha de sabá e rei salomão – angela maria
dúvida cruel – dora lopes
tiro de feijão – dercy gonçalves
vendedor de ilusões – arrelia e pimentinha
vai zero aí? – walter stuart
me paga um óleo aí (pudim de cachaça) – noel carlos

Compactos Diversos

Bom dia a todos! Inicialmente eu gostaria de explicar a situação de duas postagens que fiz nas últimas semanas. Me refiro aos discos de Orlando Silva e Francisco Alves pela Collector’s Editora. Recebi uma solicitação desta editora pedindo para retirar os links dos dois discos. Eu até então não sabia que os referidos discos ainda se encontram em catálogo. Os discos ainda estão em catálogo e podem ser adquiridos através do site da Collector’s. Foi uma surpresa saber disso, inclusive porque eu tenho interesse em completar a minha coleção. Os arquivos digitalizados são uma mão na roda, mas nada substitui ao fetiche do objeto disco de vinil. Vou logo comprar os que faltam em minha coleção e aconselho a todos que façam o mesmo. Sei que muitos irão dizer a vitrola já não faz mais parte de suas vidas e que o melhor mesmo é o mp3 ou semelhante. Para esses, eu aconselho também entrar no site ou enviar um e-mail aos donos da editora. Acredito que eles, além dos discos, devem estar vendendo as gravações digitalizada como fazem as gravadoras atualmente. Os preços não devem ser uma coisa muito absurda, mesmo considerando se tratar de um material tão precioso. Diante a tudo isso, não faz sentido e eu nem quero manter as tais postagens com links. Peço publicamente desculpas ao Ricardo Manzo, responsável pela Collector’s Editora, pelo inconveniente e só espero que esse fato tenha também um lado positivo, despertando a atenção e o interesse das pessoas pelo trabalho de resgate musical da editora. Para compensar, em breve teremos uma outra série, tão rara e interessante quanto a da Collector’s Editora.

Hoje estamos chegando ao final de nossa mostra de compactos. Sei que muita gente tem gostado e eu também, mas o Toque Musical não fica só numa faixa. Há tempos venho recebendo e-mails da moçada mais jovem e roqueira pedindo a vez. Tá na hora de virar o disco. Assim, na próxima semana, a temática vai ser o rock’n’roll ou coisa parecida.
Vamos seguindo em frente com mais seis compactos raros, todos da primeira geração dos disquinhos lançados no Brasil. Temos aqui um Altamiro Carrilho e Sua Bandinha, interpretando um repertório com clássico de toda banda típica de coretos, tradição que hoje em dia só comum em cidades do interior. Seguindo, temos um compacto do selo Cantagalo trazendo uma marchinha carnavalesca, cantada por Alventino Cavalcante e um samba também carnavalesco na voz de Luizito. Eu não conheço esses artistas, mas achei o disco interessante 🙂 Temos em outro disco a presença de Gilberto Alves interpretando o pioneiro Donga (e mais), num momento raro. Para dançar, seguimos com Paulinho e seu conjunto num quase ‘pot-pourri’ dançante com três temas de sucesso de cada lado. Uma autêntica dupla de música sertaneja, Torres e Florencio, em um raro compacto lançado pela Chantecler, possivelmente no final dos anos 50. Finalizando, vamos com o Trio Surdina, ainda com Fafá Lemos, interpretando quatro clássicos do mestre Ary Barroso pelo selo Musidisc. Uma maravilha. Momentos raros que não voltam mais 😉
Altamiro Carrilho e Sua Bandinha
saudades de matão
saudades de ouro preto
saudades de pádua
última inspiração
+
Alventino Calvalcante
casamento bossa nova
Luizito
amor, porque me faz sofrer
+
Gilberto Alves
pelo telefone
saudades de tatuí
+
Paulinho e Seu Conjunto
samba de teleco-teco
lobo bobo
a felicidade
petite fleur
quem é
tom thumb’s tune
+
Torres & Florencio
campo grande
cavalo zaino
moda da mula preta
pingo d’agua
+
Trio Surdina
rio de janeiro
bahia (na baixa do sapateiro)
aquarela do brasil
risque

A Grande Seresta – Ao Vivo No Bar Da Ilha Dos Pescadores (1970)

Falando em seresta… temos aqui este disco raro que com certeza vocês irão gostar. Trata-se de um álbum ao vivo no tradicional Bar da Ilha dos Pescadores, reduto de seresteiros. Foi na noite de 17 de julho de 1970 que se reuniram nomes como Gilberto Alves, Mário Alves, Washington Garcia, João Froes, Mauro Guimarães e Roberto Silva para gravarem este disco. Apesar de um pouco precária a qualidade de som, este registro tem todo um clima de um encontro musical ao vivo numa noite de grande seresta. Vejo na contracapa o nome de Moacyr Silva como coordenador geral do projeto. Seria o Bob Silva?

jura de caboclo
grande é o teu amor
(gilberto alves)
boêmio
quase que eu disse
(washington garcia)
gente humilde
chão de estrelas
(joão froes)
chuá, chuá…
maringá
(mário alves)
capricho do destino
lábios que beijei
(roberto silva)
se elea perguntar
canção do nada
(mauro guimarães)

Gilberto Alves – E As Valsas Voltaram Vol. 3 (1968)

Boa tarde, meus caros! Hoje eu adiantei o expediente porque estou com a noite ocupadíssima.
E mais uma vez tenho que recorrer a gaveta, pela total falta de tempo… Achei lá no fundão este disco do Gilberto Alves. O cantor já foi apresentado aqui no TM, em janeiro deste ano. Um álbum, como podemos ver, cheio de valsas. Um gênero um tanto envelhecido, mas que também tem sua história e suas qualidades. Eu, infelizmente, só tenho o volume 3. Mas vale a degustação.

a dama de vermelho
por um beijo (terna saudade)
a vida continua
tudo inútil
feliz trovador
mágoa
é sempre hora de amar
meu último luar
valsa para você
falsa felicidade
um sonho para dois
prelúdios de sonatas