Eduardo Conde – Certas Canções (1987)

Ator, cantor e modelo, Eduardo Conde nasceu em Recife, capital de Pernambuco, a 9 de abril de 1946. Iniciou sua carreira de cantor aos 19 anos, e gravou seu primeiro LP em 1967, com o título de “Minha chegada”.  No decorrer dos anos 1960, também fez participações em shows e festivais de MPB. Sua figura esguia, de longos cabelos lisos, enigmáticos olhos e rosto marcante o levou também às passarelas, mas ele preferiu investir na carreira de ator, destacando-se, nos anos 1970, como protagonista do musical “Jesus Cristo superstar”, versão pop da história bíblica. Foi também por muitos anos, o apresentador da premiação do Festival de Cinema de Brasília. No cinema, participou de produções nacionais – como “O incrível monstro trapalhão” e “Os saltimbancos trapalhões” – e internacionais – como “A floresta de esmeraldas” e “Feitiço do Rio”, de Stanley Donen, atuando ao lado de Michael Caine e Demi Moore. Na televisão, atuou nas novelas “Sinal de alerta” (1978), “Plumas e paetês” (1980), “A idade da loba” (1995), “Razão de viver” (1996), “O beijo do vampiro” (2002) e na minissérie “O quinto dos infernos” (2002).  Faleceu em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 2003, aos 56 anos, de câncer pulmonar decorrente do tabagismo. Paralelamente ao trabalho de ator, Eduardo Conde também se apresentava em shows e gravou LPs como este “Certas canções”, registrado ao vivo em 1987, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. O repertório é da melhor qualidade, incluindo Adelino Moreira (“A volta do boêmio”), Ary Barroso (“Folha morta”), Sueli Costa (“Dentro de mim mora um anjo”) e peças do repertório internacional. É mais um disco que vale a pena conferir.

certas canções
dentro de mim mora um anjo
folha morta
mulher de trinta
retrato cantado
valsa do maracanã
lili marleen
as time goes by
vida de bailarina
paião
a volta do boêmio
demais



*Texto de Samuel Machado Filho 

O Melhor De O Brasil Canta No Rio (1968)

Encerrando de vez sua retrospectiva dedicada aos festivais, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados , mais um álbum (o oficial já foi postado anteriormente) referente ao certame promovido em 1968 (“o ano que não terminou”) pela extinta TV Excelsior, canal 2, do Rio de Janeiro, oficialmente denominado “O Brasil canta no Rio”, mas também conhecido como III Festival Nacional de Música Popular.  Criado, organizado e realizado por Adonis Karan, o festival aconteceu simultaneamente em oito estados (e sem o apoio da Embratel, então estatal, criada três anos antes):  Rio de Janeiro, Guanabara, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. Isso em uma época em que não havia as facilidades de comunicação de hoje (satélites, internet, redes sociais, etc.). Em cada um deles, houve quatro eliminatórias e uma final regional, cada um classificando cinco músicas. Entretanto, só três músicas classificadas em cada estado concorreram na final nacional, acontecida no ginásio Maracanãzinho (o mesmo do FIC) em 27 de julho de 1968. A música vencedora foi “Modinha”, de Sérgio Bittencourt, interpretada por Taiguara. O curioso é que neste álbum que hoje oferecemos, lançado pela CBS, a Sony Music de hoje,  quatro das primeiras colocadas no festival (“Modinha”, “Paixão segundo o amor”, “Fala moço” e “Você passa, eu acho graça”) nem sequer aparecem. Como seus intérpretes pertenciam a outras gravadoras, a empresa  decidiu oferecer o que tinha, literalmente à mão, apresentando neste disco doze concorrentes do festival da Excelsior, representando seis dos oito estados participantes (Minas Gerais e Paraná ficaram de fora), ficando a produção por conta de Hélcio Milito, então baterista e percussionista do Tamba Trio. Destas, seis participaram da final do certame: “Peccata mundi” (com Cynara e Cybele, ex-integrantes do Quarteto em Cy), “A vez e a voz da paz” (que abre o disco, na voz de Eduardo Conde, sendo que foi originalmente defendida por Taiguara), “Ciranda do amor” (aqui com seu autor, Roberto Lima), “Ultimatum” (a vice-campeã, de autoria dos irmãos Valle, originalmente defendida por Maria Odete com o grupo Momentoquatro, e aqui com a então estreante Glória), “O gaúcho” (na voz do autor, Raul Ellwanger) e “Retirada” (com Rose Valentim, curiosamente de autoria do maestro Eduardo Lages, futuro arranjador de Roberto Carlos em discos e shows). Completam o trabalho outras seis músicas: “Litoral”, dos estreantes Toninho Horta e Ronaldo Bastos, com a também estreante Gilda Horta, por certo irmã de Toninho (que já participara do festival de Juiz de Fora, acontecido pouco antes), “Sem assunto”, de Sidney Miller (vencedora do mesmo festival de Juiz de Fora), com Cynara e Cybele, que ainda interpretam “O jornal”, da dupla Chico Anysio-Arnaud Rodrigues (criadores, mais tarde, do “grupo” Baiano e os Novos Caetanos) e“Bloco do eu sozinho”, dos irmãos Valle,“Homem  do meu mundo”, também dos irmãos Valle e igualmente apresentada antes no festival de Juiz de Fora, com Eduardo Conde, e “Berenice”, com outra estreante de então, Vânia.  Tudo isso num verdadeiro álbum-documento, com o qual o TM encerra com chave de ouro sua retrospectiva dedicada aos festivais da MPB. Esperamos que vocês tenham gostado e apreciado, e desejamos-lhes um fim-de-ano cheio de alegria, e um ano novo repleto de realizações positivas e proveitosas!

a vez e a voz da paz – eduardo conde
ciranda do amor – roberto lima
litiral – gilda horta
sem assunto – cynara e cybele
retirada – rose valentim
homem do meu mundo – eduardo conde
peccata mundi – cynara e cybele
ultimatum – glória
berenice – vania
o jornal – cynara e cybele
o gaúcho – raul ellwanger
bloco do eu sozinho – cynara e cybele

*Texto de Samuel Machado Filho