Vários – América Latina Canta Vol. 3 (1981)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Prosseguindo o ciclo latino-americano do TM, em comemoração ao décimo aniversário deste nosso blog, oferecemos mais uma expressiva compilação de música popular e folclórica dos países de língua hispânica, localizados sobretudo na América do Sul. É “América Latina canta 3”, lançada em 1981 pela mesma Bandeirantes Discos que produziu “Viva Argentina”, álbum já oferecido a vocês pelo nosso TM, e que faz parte de uma longa e vasta série do gênero, prova de que, mesmo vinculada a uma grande rede de televisão, a empresa ofereceu muito mais do que coletâneas ditas comerciais (ou seja, trilhas de novelas, hits do passado e do presente etc.), e procurava também atingir um nicho de mercado até então pouquíssimo ou nada explorado pelas “majors” do setor fonográfico. Aqui, saliente-se a presença de José Angel Robles Ramalho, argentino de Córdoba que se radicou no Brasil e adotou o pseudônimo de Lucas Robles. Ele fez  versões de músicas do espanhol para o português, e vice-versa, para artistas como Vanessa da Mata, Zezé di Camargo e Luciano, Wando, Julio Iglésias, Trio Los Angeles (que aliás descobriu), etc., e passou por várias outras gravadoras como produtor de discos (hoje é dono de sua própria gravadora, a LR Music). Além de coordenar os trabalhos de gravação deste disco, Lucas também canta dois clássicos indiscutíveis da canção popular latina: “Gracias a la vida”, obra-prima da chilena Violeta Parra, e “Guantanamera”, originária de Cuba (o título refere-se à mulher nascida e/ou residente na cidade cubana de  Guantánamo), com direito a poema declamado pelo próprio Robles. No repertório constam ainda, entre outras,  “El humahuaqueño” (que ficou conhecida no Brasil graças a um registro do “rei” Roberto Carlos), com o grupo Ñancahuasu, que também executa “Alma  llanera” (música originária da Venezuela, feita em 1914 e hoje considerada o segundo hino nacional daquele país), o clássico brasileiro “Asa branca”, de Gonzagão e Humberto Teixeira, aqui em ótima execução do grupo Los Inkamaru, e três faixas gravadas no México, devidamente cedidas por uma gravadora local: “Tierra humeda” (Amparo Ochoa), “Canto por la raza” (de e com Gabino Palomares) e “La maldición di Malinche” (Los Folkloristas). O lendário compositor Atahualpa Yupanqui aqui comparece com duas faixas autorais: “Los ejes de mi carreta”, com Buenos Aires 2, e  o clássico “Los hermanos”, na interpretação de Tono Baz. Este ainda nos oferece “Si  vas para Chile” e o Buenos Aires 2 ainda interpreta “Canción con todos”. Tudo isso compõe o programa de mais este álbum que nos oferece expressivas páginas da música popular latino-americana, e por certo irá agradar em cheio os que apreciam o gênero, além de surpreender agradavelmente quem ainda não conhece as páginas aqui incluídas. É ir para o GTM, baixar e conferir…

gracias a la vida – lucas robles
tierra humeda – amparo ochoa
los hermanos – tono baz
el humahuaqueño – ñancahuasu
canto por la raza – gabino palomares
cancion con todos – buenos aires 2
asa  brnaca – los inkamaru
guantaamera – lucas robles
la maldicion de maliche – los folkloristas
los ejes de mi carreta – buenos aires 2
si vas para chile – tono baz
alma lanera – ñancahuasu

*Texto de Samuel Machado Filho

Vários – Viva Argentina (1979)

Prosseguindo o “ciclo latino-americano” do TM, oferecemos hoje a nossos amigos cultos, ocultos e associados uma compilação reunindo o melhor do melhor em matéria de música argentina. Quando se fala na música produzida pelos nossos “hermanos”, a primeira coisa que vem à cabeça de muitos é o tango. É claro que nem só de tango vivem os argentinos, pois trata-se de música urbana, nascida em Buenos Aires e restrita à capital portenha. Quem se der ao trabalho de percorrer o interior do país, por certo ficará surpreso ao deparar com manifestações musicais populares das mais diversas, singelas, contundentes e repletas de garra,  sempre marcadas pelo amor à terra e ao homem argentino. Pois foi justamente com o objetivo de traçar um painel da música popular e folclórica da Argentina, que a Bandeirantes Discos, selo fonográfico de curta existência, ligado à rede de televisão de mesmo nome, lançou, em 1979, esta primorosa coletânea, com masters cedidos por três gravadoras portenhas e duas “majors”, a Polygram e a EMI, que hoje, ironicamente, são uma só, a Universal Music. Com o título de “Viva Argentina”, este disco reúne compositores e intérpretes consagrados, como Atahualpa Yupanqui (que canta sua “El alazán” e assina “Camino del índio”), Ariel Ramirez (“Alfonsina y el mar”) e Mercedes Sosa (“Cuando tienga la tierra”), além de apresentar outros nomes expressivos da música portenha, até então inéditos no Brasil. É o caso do Cuarteto Zupay (que interpreta “Camino del índio”, de Yupanqui), do quenista Uña Ramos (que interpreta “Mi linda humahuaqueña”, Jaime Torres (“Ireme pues’) e Jorge Cumbo, pesquisador e recriador do folclore argentino (aqui interpretando “Felices dias”).  São músicas de vários gêneros populares argentinos:  o zamba, a canción, a cueca, o ballecito, a cacharpaya etc. As letras dessas canções, sejam elas de cunho amoroso ou social,  possuem algo em comum:  a sensibilidade, seja índia ou “criolla”, abrangendo a paixão pelo pampa, suas colinas e cavalos (‘Mi alazán”, “La tropilla”), o culto à tradição e aos ancestrais (“Camino del índio”) e o clamor por liberdade e justiça social (“Cuando tienga la tierra”, “Chacarera al aire”, “No sé porque piensas tu”). Ou  seja, este “Viva Argentina”, como informa a contracapa, “é um vigoroso testemunho da cultura popular, da essência e do caráter do povo argentino”, autêntica joia que o TM nos oferece hoje. É ir ao GTM e baixar, sem falta!

mi linda humahuaquena – uña ramos
cuando tenga la tierra – mercedes sosa
chacarera al aire – quinteto clave
la tropilla – carlos vega pereda
afonsina y el mar – ariel ramirez
caminho del indio – cuarteto zupay
al alazan – atahualpa yupanqui
romace en taragui – huayra puka
ireme pues – jaime torres
no se porque piensas tu – daniel toro
cacharpaya – maria escudero
felices dias – jorge cumbo

*Texto de Samuel Machado Filho