Ruben Blades – Ruben (1979)

Cantor, compositor, ator, músico, advogado, político. Este é o perfil de Ruben Blades, um dos maiores expoentes da música popular caribenha, conhecido como “o poeta da salsa”, que o TM põe em foco no dia de hoje. Com o nome completo de Ruben Blades Bellido de Lima, ele veio ao mundo na Cidade do Panamá, no bairro de San Felipe, em 16 de julho de 1948. Teve a sorte de nascer no seio de uma família onde a arte sempre ocupou um lugar privilegiado: o pai, colombiano, era percussionista, e a mãe, cubana, era pianista e cantora de boleros. Em 1974, aos 26 anos, graduou-se em Direito na Faculdade de Direito e Ciências Políticas da Universidade do Panamá, completando seus estudos profissionais em 1985, na Harvard Law School. Blades desenvolveu a maior parte de sua carreira musical nos EUA. Sua iniciação na música deu-se na Alegre Records e na afamada Fania Records, de Nova York, já mostrando talento como cantor. Realizou pequenas participações nas bandas de Pete Rodriguez , Richard Ray, Bobby Cruz e Ray Barreto. Participou, em 1969, da gravação do álbum “De Panamá a Nueva York”, com Pete Rodriguez, que, curiosamente, Blades não inclui em sua discografia. Mas foi sua parceria com o trombonista nova-iorquino Willie Colón que o celebrizou de vez, em 1977, com o álbum “Metiendo mano!”, que se tornou um clássico da salsa (ambos depois gravariam juntos mais sete discos). Um ano mais tarde, eles lançaram “Siembra”, outro clássico salseiro, o álbum mais vendido da história da Fania Records. Até hoje, Ruben Blades gravou mais de vinte álbuns, e participou de mais de quinze gravações  com artistas dos mais variados gêneros e tendências musicais. Em reconhecimento a seus trabalhos, já recebeu seis prêmios Grammy, e, no cinema,  participou como ator em vários filmes norte-americanos, entre eles “Situação crítica, porém jeitosa” (1987), “Rebelião em Milagro” (1988), “Homeboy – Chance de vencer” (idem ao anterior), “A chave do enigma” (1990), “Inimigo íntimo” (1997) e “Era uma vez no México” (2003).  Ruben Blades é também conhecido como um duro crítico dos regimes ditatoriais da América Latina, uma vez que sempre faz referência aos mesmos nas letras de suas canções. Criticou também o imperialismo norte-americano, na música “Tiburón”. Em 1994, candidatou-se a presidente da República de seu Panamá natal, obtendo o terceiro lugar, com 20% dos votos, dentre mais de uma dezena de candidatos. Em 2004, Blades apoiou a candidatura presidencial de Martin Torrijos (filho de Omar Torrijos) e, mais uma vez, este acabou vencendo as eleições. Blades aceitou e exerceu o posto de ministro do turismo nesse governo, e ficou no cargo até 2009. Nessa ocasião, iniciou uma fase mais interativa, apresentando um programa de rádio em formato “podcast”, no qual faz comentários sobre novas bandas, responde a perguntas de internautas e se mostra como é, sincero e claro com seus pensamentos. De Ruben Blades, o TM apresenta hoje para seus amigos cultos e ocultos o álbum “Bohemio y poeta”, também conhecido como ”Ruben”. Lançado pela Fania Records em 1979 e certamente inédito no Brasil, o disco apresenta, em sete faixas de pura salsa, para ouvir e dançar, uma pequena-grande retrospectiva dos primeiros anos da carreira discográfica de Blades. Há três faixas dele com a orquestra de Willie Colón (“Me recordaras”, “Pablo Pueblo” e ‘La mora”), uma com a orquestra de Louie Ramirez (“Paula C.”), outra com a orquestra de Ray Barretto (“Canto abacua”) e duas com a orquestra Fania All-Stars, as mais recentes do disco: “Juan Pachanga” (1977) e “Sin tu cariño” (1978). Enfim, um disco que serve muito bem de introdução à obra de Ruben Blades, cujo estilo já foi designado de “salsa intelectual”. Deliciem-se…
juan pachanga
si tu cariño
paula c
me recordaras
pablo pueblo
la mora
canto abacua
*Texto de Samuel Machado Filho

Dick Schory’s Percussion And Brass Ensemble – Runnin’ Wild (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Dentro da nossa programação fonomusical internacional, eu hoje trago para vocês mais um disco bacana, feito para se ouvir alto e em bom som estéreo. Temos aqui um lp da série “Stereo Action” produzida pela RCA Victor no início dos anos 60. Essa série foi criada para promover o som HiFi Stereo (alta fidelidade estéreo) que naquela época surgia como a grande inovação da aparelhagem doméstica. Era o máximo quem podia ter em sua sala uma radiola estéreo, ou ainda mais, os modernos aparelhos modulares, tocadiscos, amplificador e caixas, tudo separado. “The sound your eyes can follow” (o som que seus olhos podem seguir), este era o slogan para uma série de discos feitos exclusivamente para esse propósito, demonstração das qualidades do som estéreo. Curiosamente, algumas lojas americanas, davam esses discos de brinde na compra de aparelhagens estereofônicas. Para tanto, RCA Victor recrutou alguns de seus melhores maestros e orquestras impecáveis. A música sempre cristalina e perceptível, quase palpável, trazia elementos inovadores em seus arranjos e sempre recheada de efeitos sonoros. Outro destaque desta série diz respeito as capas. A gravadora investiu também numa bela apresentação, contratando os melhores artistas gráficos e também fotógrafos renomados que criaram imagens memoráveis, muitas delas ‘reaproveitadas’ pela indústria nacional.
Gosto muito dessa série que traz grandes nomes como Esquivel, Ray Martin, Marty Gold, Vic Schoen, Leo Addeo e outros entre os quais apresento o não menos genial, Dick Schory. Um dos maiores percussionistas americano. Maestro, arranjador, produtor, editor, engenheiro de som e muito mais. Aqui no Brasil vários dos seus discos foram lançados e ainda hoje se pode encontrar em sebos e principalmente no Mercado Livre por preços bem atraentes.

brass jokeys
me and my shadow
portrait in jazz
mama’s gone goodbye
but not for me
love for sale
runnin’ wild
lazy bones
down home rag
greensleeves
bully
thou swell

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The Beatles Hits In Brass And Percussion (1982)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Por influência de amigos, entrei numa de colecionar Beatles. Mas ao contrário de outros colecionadores, amantes de Beatles, eu estou colecionando somente discos dedicados ao quarteto de Liverpool. No caso, discos dos mais diversos, com os mais diferentes artistas tocando integralmente Beatles. Essa, sem dúvida, é uma coleção que não tem fim e que sempre irá me surpreender, por isso resolvi encarar esse hobby específico.
Aqui segue um desses discos, “The Beatles Hits In Brass And Percussion”. Lp lançado em 1982 pela Copacabana, através do selo americano Audio Fidelity, o que nos garante ser uma gravação gringa. Porém, este disco originalmente deve ter sido lançado ainda nos anos 60 e aqui em 82. Certamente, de original só tem mesmo as gravações. Discos como esse, geralmente não traz ficha técnica. Neste caso não dá para saber nem mesmo quem foram os intérpretes. Mesmo assim, vale a pena conhecer essa versão orquestral para Beatles. Confiram no GTM.

i feel fine
all my loving
yesterday
a hard day’s night
can’t buy me love
michele
help
and i lover her
we can work it out
8 days a week

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David Carroll – Percussion in Hi Fi (1956)

Olá amigos cultos e ocultos! Esta postagem já era para ter saído, mas depois de ter feito a resenha, houve uma queda de energia por aqui e eu acabei perdendo tudo. Daí fiquei meio sem saco para começar a escrever de novo. Mas vamos lá…  Segue aqui um disco muito interessante que eu tive a felicidade de reencontrar na rede. Me recordo, quando ainda criança, na casa da minha tia havia uma radiola bonitona enfeitando a sala. Nessa radiola havia um compartimento para discos e entre os tantos que tinha, havia este lp que era muito apreciado por todos nós. Trata-se de um disco de excelente qualidade sonora, explorando ao máximo a inovação do Hi-Fi e para tanto, nada melhor que uma orquestra capaz de produzir uma sonoridade rica e exótica, onde se destaca os instrumentos percussivos e um aspecto muitas vezes jazzístico. Tudo sob a regência do renomado maestro americano David Carroll. Disco importado, provavelmente nunca chegou a ser lançado no Brasil.

jell’s bells
bali ma’i
the chimes of swing
malaguena
discussion in percussion
the cricket
jungle drums
spanish symphonique

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The Three Suns – Movin”n’Groovin’ (1962)

Olá, amigos cultos e ocultos! Aqui vai mais um lp internacional, lançado no Brasil, possivelmente, por volta de 1963, pelo selo RCA Victor. Uma garantia de qualidade, com certeza! Mas, para além da qualidade técnica, temos aqui um curioso e excelente grupo chamado The Three Suns. Formado no final dos anos 30 pelos irmãos Al Nevins (guitarra) e Morty Nevins (acordeom) e o primo Artie Dunn (vocal e orgão). O The Three Suns foram muito populares nos anos 40 e 50. Se destacaram pela peculiaridade musical, com efeitos sonoros e arranjos que mais lembravam trilhas para filmes. Aliás, eles fizeram alguns filmes, os percursores do vídeo clip, para aquelas máquinas, tipo junkeboxes, onde se colocava uma moeda e podia assistir o filminho. Uma atração para a época. Um de seus hits mais famosos é “Twilight Time”, numa versão ainda instrumental. O trio durou até os anos 50, quando então surgiu o rock’n’roll. A partir daí eles começaram a fazer uma música ainda mais interessante, usando também de outros instrumentos. Aproveitando a inovação do hi-fi e do estéreo, eles compuseram arranjos elaborados e lançaram discos como este Movin’N’Groovin’, que foi lançado lá fora em 1962. Aqui no Brasil deve ter chegado um ano depois ou mais. Um disco delicioso de se ouvir. Tenho certeza de que se ouvirem, irão gostar 😉

april showers
caravan
autumn leaves
dancing with tears in my eyes
jungle drums
movin’ ‘n’ groovin’
anniversary song
beyond the sea
some of these days
danny’s inferno
the vagabond king waltz
stumbling

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Bill Doggett – Honky Tonk Popcorn (1969)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Como eu já havia dito, a partir de agora, depois de completar a maioridade com 10 anos de atividades, o Toque Musical abre ainda mais o seu leque de variedades passando a postar também discos e artistas internacionais. Na verdade estarei, neste sentido, postando aqui um pouco da minha coleção pessoal, discos os quais fazem parte da minha modesta coleção de jazz, blues, trilhas sonoras e algumas orquestras. Teremos assim publicações diversas esperando também ampliar o nosso quadro de amigos e visitantes.
Abrindo, trago hoje um discaço que há alguns anos atrás voltou a ser relançado no formato vinil. Estamos falando do excelente “Honky Tonk Popcorn” do genial Bill Doggett, músico americano que atuou por mais de 60 anos no jazz e rhythm & blues. Pianista e organista, tocou ao lado de outros grandes nomes da música americana. Sua gravação mais conhecida é Honky Tonk””, um hit de 1956 que vendeu horrores, alcançando a primeira posição da Billboard por mais de dois meses. Em 1969 ele volta a cena com “Honky Tonk Popcorn”, um delicioso álbum recheado de muito funk, rhythm & blues e jazz. Destaque para funkadaço “Honky Tonk”, música de abertura, colocada estrategicamente na primeira faixa para pegar o nêgo no laço pela orelha. Lp altamente recomendável. Não deixem de conferir 😉

honky tonk
twenty five miles
honky tonk popcorn
slippin’in
cozy corner
corner pocket
make your move
after lunch
mad
a dozy
mister pitiful
turnabout

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