Festival Da Viola – TV Tupi (1970)

Os festivais de música que assolaram o país nas décadas de 1960/70 tiveram, predominantemente, a participação de compositores urbanos, ou seja, nascidos e criados em cidades de grande porte. Um belo dia, Fernando Faro,  o “Baixo”, produtor de programas musicais que marcaram época na televisão brasileira, e então trabalhando na extinta Tupi de São Paulo, teve a feliz ideia de organizar um festival de música sertaneja (ou de inspiração sertaneja), objetivando colocar esse tipo de música no mesmo nível e importância da MPB urbana, além de despertar o interesse dos compositores dessa faixa para os ritmos ditos caipiras ou sertanejos. Foi assim que nasceu o Festival da Viola, com a devida colaboração de Magno Salerno, outro experiente membro da equipe de produção da Tupi nesses tempos, e do apresentador Geraldo Meirelles, cognominado “o marechal da música sertaneja”. O certame obteve grande repercussão na capital paulista, e a Tupi recebeu muitas cartas e telegramas cumprimentando os organizadores do festival pela iniciativa. As rádios paulistanas executaram bem as finalistas do certame, que eram até cantaroladas pelo povo nas ruas. Sendo assim, o Toque Musical prossegue sua retrospectiva “festivalesca” oferecendo hoje, a seus amigos cultos e associados, o álbum com as doze músicas apresentadas na finalíssima do Festival da Viola da extinta TV Tupi, editado em 1970 pela Copacabana, com o selo Sabiá. Pelo que pude apurar, a música que venceu o certame foi “À minha moda”, de Rolando Boldrin, o atual “Senhor Brasil”, defendida por ele em companhia da então esposa Lurdinha Pereira. Esta música, evidentemente, consta de nosso álbum de hoje, porém na interpretação de Nonô (Basílio) e Naná. O próprio Nonô, como autor, teve outras duas músicas classificadas para a final do festival: “A viola e a carabina” (que ele também canta com Naná neste disco, sendo inclusive a faixa de abertura) e “Devoção”, aqui interpretada pelos sempre afinadíssimos Titulares do Ritmo. Merece destaque também a presença, entre os intérpretes, de nomes queridos do cenário sertanejo de então, como Dino Franco e a dupla Criolo e Seresteiro. Letinho, que assina “Carro velho” em parceria com Criolo e Pedro Sabino de Oliveira, trocou mais tarde seu nome artístico, passando a ser conhecido como Ronaldo Adriano. Os Titulares do Ritmo ainda interpretam, neste álbum, “Da lua, da rua, do violão”, curiosamente assinada por Antônio Marcos, cantor de grande popularidade na época, mas que teve sua carreira destruída pelo alcoolismo, em parceria com o maestro José Briamonte. Outro ídolo popular dessa época, o cantor Paulo Sérgio, assina outras duas músicas, aqui interpretadas pelo mestre Dino Franco: “É hoje que a terra treme” (parceria com Tony Gomide) e “A boiada” (com Alcino de Freitas). Enfim, um esforço que valeu a pena, e hoje é um verdadeiro documento histórico. É também uma oportunidade, para o público de hoje, de conhecer um pouco do que se fazia nessa época em matéria de autêntica música sertaneja, que, como vocês facilmente perceberão, nada tem a ver com o estilo dito “universitário”, que tanto infesta a mídia nos dias que correm. Ê trem bão…

a viola e a carabina – nono e nana

a saudade continua – maracá, dorinho e nardeli

desafio – trio maraya

carro velho – criolo e seresteiro

é hoje que a terra treme – dino franco

da lua, da rua, do violão – titulares do ritmo

a minha moda – nono e nana

o caboclo também tem ética – altemir e altemar

devoção – titulares do ritmo

passarela – itaity e embalo 5

carreteiro da esperança – maracá, dorinho e nardeli

a boiada – dino franco

*Texto de Samuel Machado Filho

Conjuntos Vocais – Seleçao 78 RPM Do Toque Musical Vol. 139 (2015)

E aí vai, para os amigos cultos, ocultos e associados do TM, a edição de número 139 do Grand Record Brasil.  Desta feita, apresentamos gravações de conjuntos vocais  e instrumentais que marcaram época na história de nossa música popular, perfazendo um total de dezessete faixas.

Abrindo a seleção desta quinzena (com atraso, diga-se de passagem)*, temos o grupo Os Namorados, uma continuação dos antigos Namorados da Lua sem Lúcio Alves, que iniciara carreira-solo ainda no final dos anos 1940, e contando inclusive com o cantor Miltinho entre seus componentes. Eles aqui comparecem com as músicas do disco Sinter  00-00.249, lançado em julho de 1953. No lado A, matriz S-532, uma regravação de “Eu quero um samba”, de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida.  E, no verso, matriz S-533, um outro bom samba, “Três Aves-Marias”, de Hanníbal Cruz.
 Encontraremos em seguida os Quatro Ases e um Coringa,  conjunto criado em 1941, no Rio de Janeiro, pelos irmãos cearenses Evenor, José e Permínio Pontes de Medeiros, a eles juntando-se Esdras Falcão Guimarães, o Pijuca,  e André Batista Vieira, o Coringa. A princípio, o grupo chamava-se Bando Cearense, nome com o qual se apresentavam na Ceará Rádio Clube. Por sugestão do poeta e jornalista Demócrito Rocha, o nome foi alterado para Quatro Ases e um Melé. De volta ao Rio de Janeiro, ao serem contratados pela Rádio Mayrink Veiga, adotaram o nome definitivo de Quatro Ases e um Coringa, pois “melé” era um termo desconhecido na então Capital da República. Em cerca de vinte anos de carreira, o grupo deu de fato as cartas, o que comprovam as três faixas aqui reunidas, todas gravadas na Odeon.  Para começar, o “calango mineiro” “Dezessete e setecentos” (conta errada mas sucesso certeiro), de Luiz Gonzaga e Miguel Lima, originalmente lançado por Manezinho Araújo em 1945. Os Quatro Ases e um Coringa registraram sua versão na “marca do templo” em 18 de abril de 1947, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 12784-B, matriz 8213. Em seguida, a marchinha “Feijoada”, de Rubens Soares, gravação de 2 de fevereiro de 1943 lançada em março do mesmo ano, disco 12277-A, matriz 7196. Por fim, outra marchinha, “Lili… Lili”, de Assis Valente, do carnaval de 1944. Foi gravada pouco antes do Natal de 43, no dia 21 de dezembro, com lançamento bem em cima dos festejos de Momo,em 44, disco 12414-A, matriz 7459.
As seis faixas seguintes são com o Bando da Lua, criado no início dos anos 1930, e pioneiro no Brasil em harmonizar as vozes, como estava então na moda nos EUA , criando com isto, uma mania nacional. Sempre acompanhavam Cármen Miranda em suas apresentações, e acabaram indo para os EUA junto com ela, em 1939. O grupo desfez-se após a morte de Cármen, em 1955. Não por acaso, a participação do Bando da Lua neste volume do GRB inicia-se com duas gravações que o grupo fez nos EUA, pela Decca. Primeiramente, o samba “Na aldeia”, de Sílvio Caldas (seu criador em disco, em 1933), Carusinho e De Chocolate, em gravação  feita no dia 4 de julho de 1941 e, ao que parece, só lançada no Brasil em 1974 pela Chantecler (então representante da Decca/MCA entre nós), no LP “Bando da Lua nos EUA”, produzido por João Luiz Ferrete. A segunda é “O passarinho do relógio (Cuco)”, marchinha de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, lançada para o carnaval de 1940 na voz de Aracy de Almeida. Este registro do Bando da Lua não chegou a ser lançado comercialmente, e ficou inédito em disco. Passando para a fase inicial brasileira do grupo, temos um clássico do carnaval: a marchinha “Pegando fogo”, do carnaval de 1939, de autoria de José Maria de Abreu e Francisco Matoso. Foi imortalizada pelo Bando da Lua na Victor em 3 de novembro de 1938, com lançamento ainda em dezembro, disco 34393-B, matriz 80927. Temos em seguida outra marchinha, de meio-de-ano, de autoria do mestre Lamartine Babo, “Menina das lojas”. Também gravação Victor, datada de 8 de abril de 1937, com lançamento em maio do mesmo ano, disco 34161-B, matriz 80358. O samba “Quero  ver”, de Léo Cardoso, Ademar Santana e Vicente Paiva, pertence à época em que Cármen Miranda fez sua última apresentação artística no Brasil, no Cassino da Urca, e obviamente o Bando da Lua a acompanhou. Gravação Columbia de 19 de outubro de 1940, lançada em novembro do mesmo ano sob número  55245-B, matriz 324. De volta aos EUA, o grupo acompanha nada mais nada menos do que Bing Crosby, na gravação que ele fez do clássico samba “Copacabana”, de João “Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro, originalmente lançado em 1946 por Dick Farney. O registro do cantor a ator norte-americano, ao lado do grupo brasileiro, com letra em inglês de Stillman, data de 1950, e foi lançado nos EUA pela Decca sob número  M-33399-A, matriz L-6040. No Brasil, foi lançado pela Odeon sob número 288455-A. Ainda da fase brasileira do Bando da Lua (só que gravado na Victor da Argentina, durante uma excursão que o grupo fez com Cármen Miranda) é o belo samba “Uma voz de longe me chamou”, de Hervê Cordovil e Alberto Ribeiro. Foi registrado em Buenos Aires a primeiro de dezembro de 1935, sendo lançado no Brasil sob número 34010-B, matriz 93019. E, encerrando a participação do Bando da Lua neste volume, a gravação que fizeram nos EUA, pela Decca, para o sambatucada “Nêga do cabelo duro”, de Rubens Soares e David Nasser (cujo registro original, aqui também incluso, é dos Anjos do Inferno). Datada de 26 de maio de 1949, a gravação só chegaria ao Brasil, ao que parece, em 1974, no já citado LP “Bando da Lua nos EUA”.
Logo depois, temos um enigma. O conjunto Emboabas só gravou um disco na Victor, em 1946, com os sambas  “A geada matou” e “Mania dela”.  Aqui, eles comparecem com uma gravação, ao que parece, editada em disco particular, não-comercializado, interpretando o conhecido samba “General da banda”, de Sátiro de Melo, José Alcides e Tancredo Silva, sucesso no carnaval de 1950 nos registros de Linda Batista e Blecaute. Será que este registro foi para as lojas?
Formado por deficientes visuais, o sexteto Titulares do Ritmo surgiu em 1941, em Belo Horizonte, logo conquistando notoriedade pelas harmonizações e vocalizações requintadas  e bastante elaboradas. Eles aqui marcam presença com o samba “Não põe a mão”,  grande sucesso no carnaval de 1951, de autoria de Bucy Moreira, Mutt e Arnô Canegal. Foi gravado na Odeon em 9 de novembro de 1950 e lançado ainda em dezembro, disco 13072-B, matriz 8848.
Cearenses como os Quatro Ases e um Coringa, os Vocalistas Tropicais interpretam neste volume “Irmão do samba”, de Nestor de Holanda e Jorge Tavares, gravação Odeon de 13 de maio de 1949, lançada em  julho do mesmo ano, disco 12934-B, matriz 8492.
Para finalizar, trazemos os Anjos do Inferno, justamente com a gravação original do clássico sambatucada “Nêga do cabelo duro”, já mencionado aqui, de Rubens Soares e David Nasser. O grupo liderado por Léo Vilar imortalizou a composição na Columbia, e o lançamento se deu em janeiro de 1942, sob número de disco 55315-A,matriz 478. “Nêga do cabelo duro” foi absoluto sucesso no carnaval daquele ano, merecendo vários outros registros, inclusive de Elis Regina, sendo até hoje lembrado, e com justiça.  Um fecho realmente de ouro para esta edição do GRB, que reverencia alguns dos melhores e mais famosos conjuntos vocais  que a música popular já teve em toda a história. É ouvir e recordar
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

A Visit To Brazil (1958)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje, sábado, é dia de coletâneas, mas eu, infelizmente não tive tempo de preparar uma daquelas seleções exclusivas que fazem tanto sucesso por aqui. Como os companheiros de outros blogs também não se manifestam, apresentando suas coletâneas, o jeito foi eu improvisar. Aliás, não se trata bem de um improviso, temos aqui uma verdadeira seleção fonográfica. Um disquinho raro e curioso, bem a cara do nosso Toque Musical.

Tenho para vocês um álbum estrangeiro, uma coletânea que segundo seus produtores é de música brasileira. Este disco foi lançado em 1958 nos Estados Unidos pelo pequeno selo Seeco, criado na década de 40 por Sidney Siegel. Siegel era um joalheiro e também um amante da música latina. No início dos anos 40 ele decidiu investir parte de sua renda, na rentosa joalheiria “Casa Siegel” para se dedicar à uma produção fonográfica diferenciada. A Seeco foi um selo pioneiro ao procurar produzir nos Estados Unidos álbuns de música latina (Seeco – For The Finest In Latin-American Recordings). O selo durou um bom tempo e lançou uma diversidade musical até então pouco conhecida nos ‘States’. Música cubana, argentina, caribenha, brasileira, mexicana, ritmos latinos em geral, além de franceses e espanhois, tudo passou pela Seeco.
Este curioso álbum traz uma seleção por onde passam Angela Maria, Elizeth Cardoso, Carmen Costa e o grupo vocal Titulares do Ritmo. Há também nomes como Uccio Gaeta, Carminha Mascarenhas e Heleninha Costa. Uma coisa que me chamou a atenção foram as gravações que parece terem sido feitas para este lp. Acredito que nossos artistas gravaram com exclusividade para a Seeco. Digo isso porque eu não me lembro de já ter ouvido essas versões. Como esta gravadora tinha o hábito de fazer ela mesma os registros, deduzo que sejam então exclusivas. Não foi simplesmente uma coleta de fonogramas ‘comprados’ e prontos. A qualidade da gravação, embora o disco seja ‘made in usa’ e esteja impecável, fica muito a desejar. Vale mesmo pela curiosidade. Confiram e dêem suas opiniões… 🙂
carinhoso – angela maria
bem te vi atrevido – uccio gaeta
coisas de mulher – titulares do ritmo
dora – angela maria
facundo – carmen costa
vem ver – angela maria
espinita – carminha mascarenhas
não devo sonhar – angela maria
contigo en la distancia – uccio gaeta
rio e amor – angela maria
agarrarinha – carminha mascarenhas
fala mangueira – angela maria
o amor é tudo – elizeth cardoso
sinfonia do samba – heleninha costa
terra seca – angela maria

The Playings (1958)

Olá! O dia de hoje está merecendo uma postagem especial. Algo condizente com o espírito deste blog, um disco raro, curioso e que com certeza ainda não foi visto na ‘blogosfera’. Eu o estava guardando para um momento apropriado, mas qual momento é o mais apropriado num blog cuja missão diária é trazer a tona o que tem ficado nas profundezas, esquecidos num velho baú? Este interessantíssimo lp é mais uma das boas colaborações do amigo Sergio Digital. Um disco realmente raro, que vai atrair e aguçar a curiosidade de muitos por aqui.
No final dos anos 50, o ritmo jovem do rock começava a ecoar também por aqui. Figuras como Neil Sedaka, Paul Anka, The Platters e outros, ditavam o estilo que tomava conta do mundo e no Brasil a coisa não podia ser diferente. Embora nosso país tenha música para exportação, também sabemos lidar com as importações, a ponto de muitas vezes recriarmos tão bem o que é produzido lá fora, só para provarmos a nós mesmos o quanto somos bons. Sem modestias…
É por aí que a RGE, em 1958, resolveu lançar, sob a batuta do maestro Simonetti este lp. Trata-se de uma seleção musical recheada de ritmos como o calipso, o mambo, a rumba e o chá chá chá, temperados ao estilo do rock, da música moderna americana daquele tempo. Temos doze temas de sucesso interpretados aqui pelo grupo ‘The Playings’, uma criação especial da gravadora, os quais também podem ser creditados aos Titulares do Ritmo, às cantoras Clélia Simone, Wilma Camargo, Nilza Miranda e às Irmãs Gradilone. São esses os verdadeiros astros deste álbum. Artistas que emprestam não apenas suas vozes, mas também um talento que pode ser conduzido em qualquer idioma. Confiram já antes que jazz 😉

calipso italiano
with all my heart
banana split
you send me
plaything
maybe
love me forever
lollipop
jo-ann
i do, i do
diana
tammy

As Maiorais do Ano (1959)

Para não ficarmos apenas orbitando sobre futebol e festa junina, aqui temos uma boa coletânea do selo Continental, disco este lançado no ano de 1959. Temos nesta seleção musical um leque variado do ‘cast’ da gravadora. Algumas músicas até já foram apresentadas aqui em seus álbuns originais, todavia há outras, raros momentos que irão despertar o interesse. São amostras do que foi produzido pela gravadora naquele ano. Vejam que boa coletânea…

baiano burro nasce morto – gordurinha
ela disse-me assim – jamelão
perfume de gardênia – lauro paiva
eu sei que vou te amar – albertinho fortuna
quero beijar-te as mãos – duo guarujá
fumaça nos teus olhos (smoke gets in your eyes) – tito madi
a felicidade – chiquinho e seu conjunto
luna de miel en puerto rico – titulares do ritmo
estúpido cupido – neide fraga
a filha da lavadeira – risadinha
você – marina barbosa
manhã de carnaval – bil farr

Vinicius de Moraes – Eterno Retorno (1986)

Eis que chegamos ao final de 2009. Apesar de vários pesares, eu não posso reclamar e dizer que foi um ano ruim. Teve chuva e teve sol, alegrias e tristezas. Mas a vida é isso, uma sequência ao acaso num caso sempre sequente. Entre tantas coisas que nos deixam para baixo, tivemos por aqui e diariamente, a música e as boas lembranças para nos por para cima. Um alento em dias tão tumultuados. Estar a frente deste blog tem sido para mim, uma terapia, um exercício de cultura musical, de relacionamento e principalmente um grande prazer. O que eu ganho em contrapartida ao apresentar diariamente uma nova postagem é mesmo a satisfação, alguns bons amigos cultos e outros ocultos. Um relacionamento agradável com pessoas com as mesmas afinidades. Isso é prazer 🙂

Bom, deixemos o resto das considerações finais para amanhã. Vamos com o álbum do dia. Temos aqui esta coletânea dedicada ao poetinha Vinícius de Moraes. Pessoalmente, eu gosto bem de coletâneas. Elas geralmente trazem surpresas, gravações raras ou artistas inesperados. “Eterno Retorno” é um disco assim, com um variado leque de artistas interpretando músicas de Vinícius de Moraes e seus parceiros. A coletânea foi idealizada e produzida pelo radialista e escritor Simon Khoury. Tive a impressão, pelo subtítulo “Homenagem ao autor”, de que este disco faz parte de alguma série. Porém não encontrei nenhum outro nas mesmas condições, embora conste que Simon produziu outros grandes nomes como Johnny Alf, Carmen Costa e Sebastião Tapajós. Pela capa deste lp já podemos saber quem são os intérpretes, o que dispensa a convencional listagem com a relação das músicas. Taí, mais um disco bacana para se ouvir no fim de ano. Boas festas!

Titulares Do Ritmo – Brasílico (1976)

Olá amigos cultos e ocultos! Chegamos enfim às vésperas do Natal. Hoje teremos uma noite de confraternização. Família, amigos, amores… todos se juntam para comemorar o nascimento de Cristo. Um momento importante para que possamos refletir sobre os caminhos e acões que temos tomado ao longo de nossas vidas. Momento para acreditarmos mais na bondade humana. Para pedirmos perdão e também para sermos perdoados. Para mim, nesta data, o que importa mesmo é isso. Natal é alegria, mas também nos leva à tristeza, à melancolia… nos faz lembrar dos nossos entes amados que já não compartilham em vida da nossa ceia e do nosso encontro. É ruim sentir essa falta. A saudade mata a gente. Natal de alegria é com presente. Família, amigos e amores, todos presentes.

Para o dia de hoje, tenho aqui um álbum ótimo para a noite natalina. Vamos com o grupo vocal, os Titulares do Ritmo, em seu disco “Brasílico”, lançado em 1976 pela Chantecler. Nele temos um repertório dos mais agradáveis, como pode ser conferido logo a baixo (e também ouvindo, claro!). Brasílico é um título que não corresponde a uma determinada faixa musical, mas sim ao povo e às coisas do Brasil. Aqui, no disco, o sentido foi o de homenagear os amigos, artistas e autores por quem ele sempre prezaram, oferecendo-lhes suas interpretações. Segundo o texto da contracapa, este foi o disco onde os Titulares do Ritmo tiveram total liberdade de escolha do repertório, sem preocupações comerciais. Um disco feito com prazer. E prazer é também o que sentimos ao ouvi-los cantar. Muito bom! Confiram aí…
gente humilde
guacyra
peixe vivo
minha terra
tambatajá
falua
odeon
quem sabe
modinha
o canto do pagé
chão de estrelas
por quem sonha ana maria

Titulares Do Ritmo – Homenagem Ao Bando Da Lua (1958)

Para esta sexta-feira eu reservei um dos grupos vocais que mais admiro, Os Titulares do Ritmo.
Formado no início dos anos 40 em Belo Horizonte, o grupo se conheceu no Instituto São Rafael para cegos, onde eles eram estudantes. Fizeram suas primeiras apresentações nas rádios da cidade, principalmente na Inconfidência onde estrearam interpretando o samba “Como se faz uma cuíca” de Pedro Caetano. Graças ao requintado trabalho de vocalização e harmonia, os Titulares do Ritmo não demoraram muito para se tornarem conhecidos em todo o Brasil.
Neste lp de 1958 eles prestam uma homenagem a outro grande grupo vocal, o Bando da Lua, regravando alguns de seus maiores sucessos. Um disco muito bacana que vale uma conferida 😉

olha a lua
cansado de sambar
o que que a maria tem
não quero não
maria boa
ora, ora
marchinha do grande galo
menina de lojas
é do barulho
arara
segure na mão
lalá lelé lili

Adoniran Barbosa E Paulo Vanzolini- Nova História Da MPB (1978) 3

Iniciando mais uma semana, vou logo trazendo outro volume da coleção Nova História da Música Popular Brasileira. Como eu já havia informado (e pelo jeito estarei informando sempre a cada novo volume), a apresentação da série é feita por ordem alfabética e não conforme a de lançamento. Mesmo porque, não há uma numeração a ser seguida.
Hoje temos duas figuras excepcionais, dois mestres, Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini. Não há muito o que se possa falar desses dois compositores paulistas que já não tenha sido dito. Aliás, neste disquinho, não há muito o que se possa mostrar tanto de um quanto do outro. Eu sinceramente não entendo até hoje o que levou a Abril Cultural a lançar essa coleção com um disco de 10 polegadas. Será que não dava para ser um ‘long play’ com quatro musiquinhas a mais? Melhor ainda, será que não dava para fazer um álbum duplo? Ou pelo menos dar a cada artista escolhido um volume exclusivo? Esta coleção é muito legal, mas deixa a gente com água na boca, um gostinho de quero mais. Talvez seja essa mesma a intenção. Temos então, de um lado Adoniran e do outro o Vanzolini. Acompanhando, segue o álbum com as informações que o completa. Confiram…

saudosa maloca
samba do arnesto
bom dia tristeza
trem das onze
ronda
volta por cima
praça clóvis
capoeira do arnaldo

Um Feliz Natal (1965)

Enfim, está chegando o natal. Pessoalmente, esta é uma data triste para mim. Acho que no fundo deve ser para todo mundo que já viveu muitos ‘natais’. Depois de algum tempo o brilho se transforma em apenas um ponto de reflexão. A gente ainda sorri, ainda demonstra alegria… mas percebemos que a cada novo natal a única coisa que temos é a esperança. Amigos, parentes, pai, mãe e irmãos vão se reduzindo. A gente fica querendo reviver momentos, mas eles são apenas passageiros, assim como nós. Ah, tristes reflexões… Deixa eu parar… tô começando a ficar deprimido. Acho que é por isso que eu preciso da música. Esse é meu acalento.
Para sinalizar o natal aqui vai, antecipadamente um disquinho para a noite da ceia. Este álbum eu não sei ao certo se é do natal de 65, mas vale para qualquer um. Um disco lançado pela Philips, reunindo alguns de seu artistas numa coletânea com as músicas mais conhecidas de natal. Entre tantas, a faixa que mais me condiz e que destaco é “Natal verde e amarelo” de Wilma Camargo, aqui cantada pelo excelente grupo vocal Os Titulares do Ritmo. Este deveria ser o nosso hino de natal.

é natal – os pequenos cantores da guanabara
quando chega o natal – hebe camargo
noite feliz – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
boas festas – neide fraga
natal das crianças – blecaute
papai noel – leni caldeira
o natal chegou – noite ilustrada
natal da menininha – mariazinha
nasceu jesus – silvinho
o que eu queria de natal – norma suely
natal verde e amarelo – os titulares do ritmo
natal de jesus – os três tons

Titulares do Ritmo – Concerto de Música Popular (1961)

Meio a toque de caixa, vou logo postando outro disco aqui antes que o dia acabe. Não tem jeito mesmo, eu sempre me atraso (mas não faltou!).
Agora vamos com este grupo vocal, formado nos anos 40 por estudantes cegos do Instituto São Rafael em Belo Horizonte, MG. Um sexteto que também fez muito sucesso a partir dos anos 50. Eles foram sempre muito elogiados por suas harmonizações e vocalizações requintadas. Gravaram muitas discos e gêneros diferentes. Mas este lp, para mim, é um dos seus melhores trabalhos. Um repertório fino em um álbum que se divide de um lado inteiramente vocal e do outro acompanhados por orquestração. Simplesmente maravilhoso!

funeral de um rei nagô
cantiga (vela branca)
prenda minha
taí (prá você gostar de mim)
perfil de são paulo
navio negreiro
brasil moreno
na virada da montanha
serra da boa esperança
agora é cinza
samba
coisas de mulher