Paulo Autran – O Pequeno Príncipe (1957)

Verdadeira obra-prima do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (Lyon, 29/6/1980-litoral sul da França, 31/7/1944), “O Pequeno Príncipe”, último livro publicado em vida do autor, em 1943, está em terceiro lugar entre as obras literárias mais traduzidas no mundo, editada em mais de 220 idiomas e dialetos, só perdendo para o Al-Corão e a Bíblia. E seu enredo possui a capacidade de envolver leitores de todas as idades, despertando o interesse em olhar com mais cuidado para o mundo em que vivemos. É difícil não se emocionar com a história do principezinho loiro e frágil encontrado por um aviador (o próprio Exupéry) no deserto do Saara, após cair com seu avião, e vindo do asteroide B-612. Ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam seus valores e encontram o sentido da vida. E com sérias críticas aos adultos, questionando suas condutas (preguiça, autoritarismo, vaidade, pressa excessiva). Uma história mágica, sensível, comovente, às vezes triste, que, ao cair no domínio público, passou a ser publicada por diferentes editoras, podendo ser encontrada em formatos diversos, até mesmo em edições de luxo e álbuns para colorir! “O Pequeno Príncipe” recebeu inúmeras adaptações, inclusive para o cinema e televisão (quem não se lembra de uma série de desenhos animados que vivia passando no SBT?). E, evidentemente, também chegou ao disco, por iniciativa do incansável Irineu Garcia, dono do selo Festa. E é justamente o LP adaptando a bela e querida história do Pequeno Príncipe, que o Toque Musical oferece com a satisfação de sempre a seus amigos cultos e associados. E esse disco, logicamente, contou com o cuidado de produção habitual da Festa, inclusive com um encarte reproduzindo aquarelas originais que o autor fez para ilustrar sua obra-prima. Lançado em 1957, tem dois autênticos “cobras” envolvidos em sua elaboração: o mestre Tom Jobim, na música, e a narração expressiva de Paulo Autran, sem dúvida um dos maiores expoentes que nossa arte dramática já teve. Tudo feito com a devida autorização da Gallimard, a editora francesa que deteve durante anos os direitos de publicação da obra, até esta cair em domínio público. A voz do Pequeno Príncipe ficou a cargo de Glória Cometh, atriz teatral, e deste disco ainda participam Oswaldo Loureiro Filho (o Acendedor de Lampiões), Margarida Rey (a Serpente), Benedito Corsi e Aury Cahet (a Rosa). Fiel à tradução brasileira de Dom Marcos Barbosa (há outra mais recente, de Frei Betto), o disco repetiu o sucesso do livro, e  teve tantas reprensagens que até desgastaram as madres de impressão! Foi reeditado por doze anos, e chegou ao CD em 1999, sendo um dos títulos mais vendidos em toda a história da Festa. E é agora oferecido pelo TM para alegria de todos aqueles que se comoveram ao ler o livro quando crianças, e também para conhecimento do público que hoje se emociona com esta bela e cativante história, que tanto tem cativado crianças e adultos há pouco mais de setenta anos!

* Texto de Samuel Machado Filho

Vinicius de Moraes e Paulo Mendes Campos – Poesias Vol. 2 (1956)

Hoje, o Toque Musical oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um pouco da melhor poesia brasileira. Trata-se de um disco do selo Festa, de Irineu Garcia, jornalista, sonhador, boêmio e autêntico mecenas, que tantas contribuições deu à nossa cultura, inclusive na área musical, com LPs primorosos, tipo “Canção do amor demais”, obra-prima de Elizeth Cardoso, e “Por toda a minha vida”, de Lenita Bruno, ambos já oferecidos a vocês pelo TM. O álbum de hoje,  gravado em 1956, é o segundo de uma série da Festa  apresentando poetas brasileiros de renome, declamando de viva voz seus poemas. O primeiro volume foi  com Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, e este segundo nos traz outros “cobras” do gênero: Vinícius de Moraes  (Rio de Janeiro, 19/10/1913-idem, 9/7/1980) e Paulo Mendes Campos (Belo Horizonte, MG, 28/2/1922-Rio de Janeiro, 1/7/1991). Ressalte-se que, nessa época, era costume, no Brasil, lançar discos com recitais de poesia, e um deles, com o rádio-ator Floriano Faissal declamando poemas de Olavo Bilac, lançado em 1957 pela Musidisc, chegou a ser campeão absoluto de vendagem, o que fez a Odeon e a RGE também lançarem títulos explorando esse mercado. Nenhum selo, porém, foi  tão dedicado à poesia quanto a Festa, que construiu um catálogo tão impressionante quanto numeroso nessa área.  O poetinha Vinícius, claro, dispensa quaisquer apresentações. Neste trabalho, ele nos oferece sete verdadeiras obras-primas vindas de sua inspiração, entre elas os antológicos “Soneto de fidelidade”, “Pátria minha”, “Poética”  e “Soneto de separação”. Quanto a Paulo Mendes Campos, creio que muitos o conheceram através das crônicas incluídas nos livros da série “Para gostar de ler”, da Editora Ática, verdadeiros “best-sellers” entre estudantes de ensino fundamental e médio nas décadas de 1970/80, e até hoje em catálogo. Paulo também foi poeta, e seus primeiros livros, por sinal, foram de poesias: “A palavra escrita” (1951) e “O domingo azul do mar” (1958). Aqui, ele declama seis poemas, e apenas um, o soneto “Despede teu  pudor”, é de seu livro de estreia, sendo os demais apresentados pela primeira vez.  Tudo isso, aliado ao padrão de qualidade da marca Festa, faz deste trabalho, assim como outros da série, um verdadeiro documento histórico, digno de ser apreciado por quem prestigia tudo que há de bom no rico e variado acervo da poesia brasileira. Pura sensibilidade!

soneto da felicidade

balada da moça do miramar

soneto de amor total

a morte de madrugada

soneto de separação

pátria minha

poética

infância

o homem da cidade

pesquisa

despede teu pudor

poema didático

if

* Texto de Samuel Machado Filho

Vinícius: Poesia E Canção Vol. 2 (1966)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje, dia 13 de dezembro, fazem 50 anos que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo o encontro da poesia e da canção de Vinícius de Moraes. Foi uma noite de gala onde estiveram presentes grandes nomes da música como Baden Powell, Carlos Lyra, Cyro Monteiro, Edu Lobo, Elizeth Cardoso, Francis Hime, Pixinguinha e (claro) Vinicius de Moraes. A apresentação foi feita pela filha do poeta, Suzana de Moraes e contou também com a participação do ator Paulo Autran que recitou alguns de seus poemas. Este show teve um registro a altura, gerando ao final dois lps, produzidos por Roberto Quartin e seu selo Forma. Os discos foram lançados no ano seguinte. Acredito que na época não era muito comum álbuns duplos, daí os dois discos saíram separadamente. Muito por conta disso eu começo pelo segundo volume, que é o que eu tenho. O certo seria postar primeiro o volume 1, mas esse eu vou ficar devendo. Quem sabe no ano que vem, quando então o disco completa 51 anos (uma boa ideia!). Mas antes disso, se for o caso, eu irei postar o que falta, não se preocupem…. Por enquanto, vamos só celebrar e comemorar a poesia e a canção de Vinícius de Moraes.

abertura – guerra peixe
zambi – edu lobo
pedro, meu filho – vinicius de moraes
sem mais adeus – francis hime
soneto da felicidade – suzana de moraes
minha namorada – carlos lyra
lamento – cyro monteiro
eurídice – baden powell
monólogo de orfeu – vinicius de moraes
vinicius do encontro – suzana de moraes e paulo autran
.

Rolando Boldrin – Clássicos Do Poema Caipira (1985)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu acordei com um radio ligado. Algum vizinho, de longe, estava ouvido uma dessas rádios que toca logo cedo música sertaneja. Mas era sertaneja mesmo, não essa bobagem regurgitada que se ouve hoje em dia. Não identifiquei qual era a música, mas me serviu de inspiração para escolher o disco de hoje. Ou por outra, me animou a postar algo assim hoje. E enquanto tomo meu café, entre um gole e uma mordida no pão, vou trazendo para vocês este disco do cantor, compositor e ator, Rolando Boldrin, lançado em 1985 pelo selo Barclay/PolyGram. Como o próprio título já nos indica, trata-se de uma seleção de poesias clássicas do universo caipira, escolhidas pelo próprio Boldrin. Para as trilhas de fundo musical foram escolhidas diferentes temas e artistas. Músicas extraidas de discos de Heraldo do Monte, Baden Powell, Edú da Gaita e outros..

a flor do maracujá
o pedido do caipirinha
sonho de cabôco
o sem rumo
prece do gaúcho
o último presente
esmola pra são josé
a flor do maracujá
a vida do homem
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J G De Araújo – Amo (1964)

Que tal um pouco de poesia? Bem, é o que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos,ocultos e associados. Trata-se um LP da Musidisc, gravadora que encerrou definitivamente suas atividades em 2013, apresentando poemas escritos e declamados por um autor tão discutido quanto lido: J. G. de Araújo Jorge.
Batizado como José  Gulherme de Araújo Jorge, nosso focalizado nasceu na Vila de Tarauacá, Estado do Acre, no dia 20 de maio de 1914, filho de Salvador Augusto de Araújo Jorge (membro de tradicional família acreana) e Zilda Tinoco de Araújo Jorge.  Era também sobrinho-neto do embaixador Artur Guimarães de Araújo Jorge (médico, escritor e orador, presidente perpétuo da Academia Amazonense de Letras) e  do professor Afrânio de Araújo Jorge, fundador do Ginásio Alagoano, de Maceió.  J. G. passou sua infância na capital do Estado, Rio Branco, onde fez o curso primário no Grupo Escolar Sete de Setembro.Em seguida, ao mudar-se para o Rio de Janeiro, fez o curso secundário nos colégios Anglo-Americano e Pedro II.  Colaborando desde menino na imprensa estudantil, foi fundador e presidente da Academia de Letras do Internato Pedro II, que ficava num casarão de São Cristóvão, destruído por um incêndio muitos  anos depois. Ainda ginasiano, teve sua primeira publicação na imprensa adulta: o poema “Ri, palhaço, ri”, de 1931, aparecido no jornal “Correio da Manhã” e depois no “Almanaque Bertrand” para o ano seguinte,mas nunca incluído em seus livros, como outros trabalhos seus dessa época. Colaborou também no jornal “A Nação” , nas revistas ‘Vamos Ler!” e “Carioca”, etc.  Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.  Foi eleito “Príncipe dos Poetas” em 1932, numa memorável cerimônia  acontecida no Externato Pedro II. Saudado na festa pelo também escritor Coelho Neto, recebeu das mãos da poetisa Ana Amélia,então presidente da Casa do Estudante do Brasil, como prêmio e homenagem, um livro ofertado por Adalberto Oliveira, então “Príncipe da Poesia Brasileira”. Ainda estudante, J. G. de Araújo Jorge venceu concursos de oratória, tendo sido orador oficial de entidades universitárias. Recebeu em Coimbra, Portugal, o título de “estudante honorário”, e fez Curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim. Foi casado com Maria Souza de Araújo Jorge. Seu primeiro livro, “Meu céu interior”, foi publicado em 1934, seguido de outros 35. Entre suas obras, destacamos: “Bazar de ritmos” (1935), “Harpa submersa” (1952), “Concerto a quatro mãos” (1959), “De mãos dadas” (1961), “Poemas do amor ardente” (idem),  “Cantigas de menino grande” (1964), “Trevos de quatro versos (idem), “Quatro damas” (1965), “Os mais belos sonetos que o amor inspirou” (1966 e 1970), “Mensagem” (1966), “O poder da flor” (1969), “O poeta na praça” (1981), “Tempo será” (1986) e a coletânea de crônicas “No mundo da poesia” (1969).  Foi conhecido como “o poeta da povo e da mocidade”, por sua mensagem social e política, e por sua obra lírica, de linguagem simples, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes dramático, o que o fez um dos poetas mais lidos e, ao mesmo tempo, o mais combatido do Brasil. Com irrefreável vocação para a política, J.G. candidatou-se a vários cargos públicos. Em 1970, foi eleito deputado federal pela antiga Guanabara, sendo reeleito duas vezes (1974 e 1978). Ocupou a vice-liderança do MDB, hoje PMDB, e a presidência da Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados. J. G. de Araújo Jorge faleceu no Rio, em 27 de janeiro de 1987. E até hoje seus livros continuam bastante procurados nos sebos, uma vez que há tempos não são reeditados.  Mesmo esquecido pela crítica, é um dos poetas cujos textos mais aparecem na internet, e talvez seja um dos mais lembrados, lidos e copiados pelos enamorados.
Neste álbum da Musidisc, lançado originalmente em 1964, um pouco da arte poética de J. G. de Araújo Jorge. O título do  LP é o mesmo de um livro que ele publicou em 1938, “Amo!”, e por certo sua audição irá comprovar a permanência e a força de sua poesia. Depois deste álbum, J. G. ainda lançaria um outro, sem título, pela gravadora Equipe de Oswaldo Cadaxo, provavelmente em 1970.  Ouça este “Amo!” e desperte o poeta que existe em você!
amo
balada da chuva
cena a hora do poente
noiva
trecho de carta inútil
essa
há dias
maldade
carnaval
tédio
ideal de amor
gata angorá
poema para mulher que passou
você
carta cinzenta
a lenda do poente
felicidade
a vida
fim
.

*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Margarida Lopes De Almeida – Recital (1955)

Prezados amigos cultos e ocultos, nosso domingo vai ser mais lírico e poético. Poesia é algo que sempre cai bem por aqui e eu procuro sempre cultivar esse hábito. Hoje eu trago outro álbum produzido pelo selo Festa, do jornalista Irineu Garcia. Como já falamos aqui, o Festa Discos Ltda foi criado com a intenção de promover a poesia, sendo, creio eu, o primeiro selo brasileiro dedicado aos poetas. Eles também lançaram discos de música, álbuns verdadeiramente antológicos. Sua série de discos tem uma importância que vai além da poesia. São registros históricos das vozes, muitas vezes dos próprios poetas. Mas quem melhor, além de seus autores, que os verdadeiros profissionais da interpretação? Como foi o caso, na semana passada, de Paulo Autran. E agora, Margarida Lopes de Almeida, um consagrada artista e declamadora brasileira apresenta aqui dez poetas, dez poemas cujo os estilos vão do Parnasianismo de Olavo Bilac ao Modernismo de Carlos Drummod de Andrade.

via láctea – olavo bilac
serenata – martins fontes
póstuma – raul machado
ciranda – afonso lopes de almeida
a música dos bilros – artur de sales
romance de n. s. da ajuda – cecília meireles
passagem da noite carlos drummond de andrade
canção balet – mário quintana
velocidade – guilherme de almeida
os sinos – manoel bandeira
.

Paulo Autran – Poesia De Sempre (Antologia) (195…)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Hoje o nosso toque vai ser mais poético. Sempre que posso, gosto de postar discos de poesia. Eu curto muito e sei que muitos por aqui também adoram. Para satisfazer um desejo comum, aqui vai um disco do selo Festa, especialista em publicaçoes dessa natureza naqueles tempos, final dos anos 50 e início dos 60. Aliás, este álbum eu não sou precisar a data de seu lançamento. O certo é que temos aqui uma coletânea, uma antologia da poesia brasileira daquele tempo. São dezenove poemas de diferentes autores, sempre interpretados com maestria pelo grande ator Paul Autran. Confiram

gregório de matos – sátira aos vícios
tomas antonio gonzaga – lira primeira
maciel monteiro – soneto
gonçalves dias – a maldição do índio pai
alvares de azevedo – se eu morresse amanhã
casemiro de abreu meus oito anos
fagundes varela – a flor do maracujá
castro alves – último fantasma
raimundo correia – mal secreto
olavo bilac – in extremis
vicente de carvalho – tu moça, eu quase velho
julio salusse – cisnes
guimarães passos – guarda e passa
luiz guimarães junior – visita a casa parterna
cruz e souza – acrobata da dor
alphonsus de guimarães – ismalia
augusto dos anjos – vandalismo
raul eloni – sabedoria
alceu wamosy – duas almas
machado de assis – a carolina
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Rodolfo Mayer & Baden Powel – Meu Cavalo Swasti (1961)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Como uma coisa sempre leva a outra, eu hoje achei por bem de apresentar este álbum que traz a presença do jovem Baden Powell em uma performace livre, criando de improviso os temas de fundo para os textos de “Meu cavalo Swasti”, de Roger François, declamandos pelo ator Rodolfo Mayer. O álbum é mesmo uma maravilha, em se tratando de figuras como Rodolfo Mayer e Baden Powell, pode saber, só pode ser coisa boa. Roger François, por outro lado, é para mim uma novidade. Eu nunca havia antes ouvido este disco. Procurei informações no Google, mas curiosamente não há nada, inclusive sobre este álbum, também não há muito o que contar. Suponho que Roger François seja um escritor francês. Os textos, claros e poéticos, escolhidos e interpretados por Rodolfo Mayer são um espetáculo de sensibilidade. Ficam ainda melhores tendo o talento espontâneo de Baden Powell. O grande pecado deste disco está na gravação, na distribuição dos graves, agudos e enfim, do volume. O som maravilhoso do violão muitas vezes se perde num silêncio ou entres estalos inevitáveis do velho vinil. Mesmo assim, procurei melhorar ao máximo a qualidade, retirando ‘na unha’ os estalos mais evidentes. Vale a pena conferir. E não demorem, pois o tempo é curto, a fila anda e eu não irei repostar novamente o link no GTM, ok?

swasti
cavalgarei swasti
levarei um presente
preparo-me
encontro com meu pai
volto da casa de meu pai
visitarei o mundo
encontrarei as crianças
o milagre do santo
encontro
1. intermezzo
maluco
embriaguez
as duas velhinhas
2. intermezzo
o cristo do devoto
3. intermezzo
a criança que a convidou-a para almoçar
o homem superior
fim de viagem – converso com swasti
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Vinícius De Moraes – Poesias (1959)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Como as nossas postagens não seguem mais aquele obsessivo ritmo diário, posso me desculpar por só estar celebrando os 100 anos de Vinícius agora, um dia depois. Acho que tudo bem, não é mesmo? Afinal, uma figura como Vinícius de Moraes e em seu centenário, merece comemoração por pelo menos uma semana! O Toque Musical não poderia deixar esse momento passar em branco. Como a obra do Poetinha já está prá de bem divulgada, fica difícíl achar alguma coisa diferente, rara, como cabe ao TM. Acabei optando por este álbum de poesias, lançado em 1959, pelo selo Festa, que muito se dedicou a promover a poesia brasileira. Neste pequeno lp de 10 polegadas vamos encontrar cinco de seus mais famosos poemas e, claro, recitado pelo próprio autor.
Parabéns, Vinícius! Que seja eterno por toda a vida 🙂

o mergulhador
soneto n. 2 de meditação
os acrobatas
a hora íntima
receita de mulher
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Maria Fernanda – Barbara Jefford – William Shakespeare – 22 Sonnets (1964)

Olá meus prezados amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou trazendo um disco bem diferente, para a alegria dos amantes da poesia. Quase sempre aparece alguém pedido e hoje, como eu estou um pouco melancólico, resolvi postar este raro lp onde temos 22 sonetos de William Shakespeare. Alguns talvez hão de perguntar porque postar poesia estrangeira, visto que temos tantos poetas brasileiros, além do fato do Toque Musical só postar coisa nacional. Claro, temos aqui um poeta estrangeiro, um escritor inglês. Mas muito mais que isso estamos falando de Shakespeare e o que o faz ainda mais interessante é o fato de termos aqui reunidos/escolhidos 22 de seus sonetos que falam de amor. Alguns, inclusive, nunca me fizeram tão bem ouví-los como agora. O álbum traz os 22 sonetos em sua versão original, falados pela atriz inglesa Barbara Jefford e também pela atriz brasileira Maria Fernanda (filha de Cecília Meirelles) em tradução do poeta e escritor paulista Péricles Eugênio da Silva Ramos. Este álbum foi um lançamento do selo mineiro Galaxia, que editou muita coisa interessante e pouco conhecida. Vamos procurar por outros…

se tudo quanto cresce (eu fico a meditar)
a umdia de verão com hei de comparar-te
de minha idade o espelho não me pode arguir
como o ator imperfeito
senhor do meu apreço
quando para as sessões do quieto pensamento
já vi muita manhã
de mármore não sei
vosso escravo que sou, compete-me servir
é tuas imagem que estas pálpebras pesadas
pecado de amor próprio
ah, não chores por mim
odeia-me portanto
descortinei o inverno ao me afastar de ti
longe de ti passei a primavera
não vejo envelhecerdes
oh! ninguém chame idolatria o meu amor
quando na cronica do tempo  que passou
falso o meu coração?
impedimentos não admito para a união
que porções eu bebi de pranto de sereia
meus dois amores de consolo e de aflição

Cora Coralina (1989)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Depois da SOPA e outras ‘canjas frias’, muita gente por aqui parece que ficou ainda mais oculta. Seria bom se ficassem também cultas, hehehe… brincadeirinha. Até o momento a liberdade está prevalecendo 😉

Hoje eu fiquei na dúvida sem saber o que iria postar. Na incerteza de um independente musical, me lembrei deste disco de poesia de Ana Lins Guimarães Peixoto Bretas, aliás, Cora Coralina. Um escritora que se tornou mais conhecida do público a partir dos anos 80, quando sua obra passa a ser editada e divulgada através de outras mídias. Este álbum, por exemplo, foi lançado alguns anos após a sua morte. Uma produção independente realizada pelo Instituto Alberione (COMEP). O álbum, uma singela homenagem, trás 13 poemas da escritora, alguns declamados por ela mesma, outros pelo ator Hilton Viana e pela filha de Cora, Vicência Brêtas Tahan. A trilha sonora é de Eduardo Assad. Este lp, me parece, chegou a ser reeditado em CD pela Edições Paulinas, mas é difícil de encontrar. Para garantir, vamos pelo menos conhecer o conteúdo.
minha cidade – cora coralina
oração de aninha – hilton viana
oração do milho – cora coralina
estas mãso – vicência brêtas tahan
barco sem rumo – hilton viana
traço de união – vicência brêtas tahan
velho sobrado – cora coralina
humildade – hilton viana
das pedras – hilton viana
o cântico da terra – hilton viana
todas as vidas – vicência brêtas tahan
poema do milho – vicência brêtas tahan
meu epitáfio – vicência brêtas tahan

Canto Ao Brasil Por Poetas Espanhóis (196?)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! No próximo sábado eu estarei viajando sem destino certo. Tô pegando o carro, mulher, filho e empregada. Vamos por aí, seguindo a trilha do sol, fugindo das chuvas, buscando uma semana de paz. Mesmo assim, não deixarei de levar o Toque Musical comigo, pois se tiver jeito eu irei postando minhas reservas. Meus ‘discos de gaveta’.
Fazendo jus a fama de um blog ‘seboso’ e imprevisível, e também porque na sequência vamos de poesia, eu hoje separei para os amigos um disquinho curioso. Temos aqui um lp reunindo quatro poetas espanhóis – Ricardo Couto, Isidro Álvarez Alonso, Antonio Leirós Pérez e Santiago Frias. Todos eles tiveram passagem pelo Brasil e naturalmente, no encanto que é essa nossa terra, não pouparam os seus versos. No disco, a intepretação (declamação) é de outro espanhol, chamado García De Sabadell.
Este álbum faz parte de uma série de LPs lançados pela conceituada livraria e editora paulista dos anos 50 e 60, a Mestre Jou, no centro de Sampa. A livraria fechou as portas no início dos anos 80, com a morte do proprietário, o chileno Felipe Mestre Jou.

brasil-carmem miranda – isidro alvarez
brasil en ritmo de samba – antonio leirós perez
el pescador – santiago frias
suite brasileña – isidro alvarez
verde sinfonia del brasil – santiago frias
canción del negro – ricardo couto
amor brasileño – isidro g. hernandez e garcía de sabadell
emigrante enamorado – isidro g. hernandez e garcía de sabadell
mirando a la cruz del sur – antonio leirós perez
planalto de fé – ricardo couto

Álvaro Moreyra – Olegário Mariano (1956)

Olá! Hoje serei breve. Ainda não são 22 horas e eu já estou babando de sono (atrasado, com certeza). Por essa razão, vamos ao disco do dia… Nossa semana continua como a outra, segue entre poesia e música.

Segue outro álbum da série de discos de poesia lançados pelo selo Festa, do jornalista Irineu Garcia. Temos aqui dois poetas, hoje pouco lembrados, Alvaro Moreyra e Olegario Mariano. Cada um dos poetas tem um lado do disco, onde nos apresentam, eles próprios, os seus poemas.
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olegário mariano:
o homem da noite
a velha estrada
paisagem natal
ao calor da lareira
tu ficarás
alvaro moreyra:
oração
minha mãe
minha dor
canção do realejo
amor
projeto
bem
vantagem
oração de santo antonio
canção
tema

Paulo Gracindo – Poemas E Sonetos De Ghiaroni (1956)

Olá a todos! A partir de amanhã estarei oficialmente de… FÉRIAS!!! Quinze dias de pernas pro ar, êta coisa boa! Havia pensado em fazer uma viagem , mas a chuva está me tirando o tesão. Por enquanto eu ficarei por aqui e o Toque Musical continua a sua jornada diária. Mas, já fiquem os amigos cultos e ocultos avisados, poderemos vir a dar uma pausa de, pelo menos, uma semana, ok?
Continuando nossas postagens alternadas entre poesia e música, reservei para o domingo um encontro com Ghiaroni, na interpretação impecável do grande ator Paulo Gracindo. Temos aqui um lp de dez polegadas lançado pela Sinter em 1953, de sua série dedicada à poesia. Nele, Paulo Gracindo interpreta quinze poemas de um escritor, hoje em dia, pouco lembrado, o jornalista, poeta, cronista e autor de várias e famosas novelas e programas de rádio, Giuzeppe Ghiaroni. Embora seu nome nos soe como um estrangeiro, mais especificamente italiano, o poeta era carioca, da cidade de Paraíba do Sul, na Serra Fluminense. Ghiaroni escreveu várias novelas para o rádio, nas quais Paulo Gracindo era um de seus principais atores. Paulo, antes da TV, do memorável e impagável personagem de Odorico Paraguassú, já era um homem do teatro e do rádio. Começou na Rádio Tupi e depois foi para a Nacional. Trabalhou como produtor, apresentador, locutor e animador de uma série de programas. Esses fatores em comum, além da admiração mútua entre eles, propiciou a gravação deste disco, que nos traz um belíssimo resultado e digno de resgate. Vamos ouví-lo?

a máquina de escrever
homenagem
doce nome de estela
a luz de maria
injustiça
previsão
dia das mães
a palavra querida
beijos
veneração
não me faças sonhar
respeito
tereza
beijo
aquilo
.
PS.: Para engrossar o caldo, estou incluindo um pouco mais de Ghiaroni. Segue aqui alguns registros do programa de humor, “Tancredo e Trancado”, escrito por ele para a Rádio Nacional na década de 40. Muito bom!

Robson Dos Santos – Cinema Falado (S/D)

Olá amigos! Hoje a minha sexta feira está daquele jeito… uma correria só. Eu havia até pensado em deixar a postagem para o fim do dia, pois não tive tempo de preparar (mantendo a sequência) um disco de poesia e que também fosse independente. Vim para o trabalho já com a ideia de fazer tudo a noite, quando eu voltasse. Coincidentemente, deparei com um cd colocado no meu escaninho. Alguém que ainda não sei quem, deixou o presentinho lá para mim. Parece até que estavam lendo o meu pensamento, pois o tal disquinho é também de poesia, creio eu. Ainda não tive tempo de ouví-lo, apenas passei cada faixa para sentir qual é a do nosso artista, chamado Robson dos Santos. De acordo com o encarte, Robson é músico, compositor e restaurador de instrumentos musicais. É mineiro, de Belo Horizonte (Preciso localizar esse cara. Será que ele conserta a minha viola?) . Iniciou seus estudos musicais nos anos 80, na Fundação Clóvis Salgado, sendo aluno do professor Juvenal Dias. Suas composições tem sido apresentadas em diversos e importantes festivais de música contemporânea da cidade. Já tem outro disco gravado e pelo que eu entendi, na mesma linha deste, ou seja, composições eruditas, música contemporânea clássica. Neste cd, que não consta a data, intitulado “Cinema Falado”, temos não apenas música, mas também contos e poesia. Acho que este disco veio mesmo a calhar. Só falta a gente conferir. Vamos lá? 😉

música contemporânea era o dito popular
to be angel tomorrow
cinema falado
alucinações do passado
conteos de guerras
a sereia só canta em tom menor
o homem e o mar
canção invertida
falando do tempo
novamente neste mundo
sonata da alegria
a árvore da vida
fim

Rubens de Falco – Os Detalhes… De Roberto Carlos (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Vocês estão gostando da semana ‘poético musical”? Como se pode observar, estou alternando os dias entre poesia e música, assim a gente não fica preso só em um tema.
Hoje vamos de poesia. Vamos com o ator Rubens de Falco declamando as letras de algumas das mais românticas e famosas músicas de Roberto (e Erasmo) Carlos. É interessante notar como a poesia da música desta dupla ganha uma nova dimensão. Através de uma interpretação impecável, o ator Rubens de Falco consegue nos passar com mais emoção a mensagem do que na própria música. A verdade é que ao ouvirmos as letras em forma de poesia, ela toma um outro sentido, ou melhor ainda, a mensagem se faz mais direta. Todavia, como referência associada, temos para cada poesia a sua música, aqui tocada como um fundo musical por Cido Bianchi.
Para os que gostam de poesia, de Roberto Carlos e tantas emoções, este é o disco! 🙂

olha
desabafo
falando sério
cavalgada
lembranças
você na minha vida
música suave
os seus botões
detalhes
mais uma vez
sinto muito minha amiga
proposta
de tanto amor
a primeira vez

Jograis De São Paulo – Poesia Contemporânea Brasileira (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Para os fãs da poesia, esta vai ser uma semana privilegiada. Vamos ter por aqui mais alguns discos dedicados a ela. Eu, pessoalmente, gosto muito e sempre quero estar mostrando a vocês um pouco desta arte em versões fonográficas.
Para hoje, quero trazer mais um disco do Jograis de São Paulo. Para os que acompanham o Toque Musical, já sabem. Os Jograis foi criado pelo ator e poeta Ruy Affonso nos anos 50. Pelo grupo passaram diversos atores como Alex Ribeiro, Alvim Barbosa, Amilton Monteiro, Armando Bogus, Carlos Vergueiro, Carlos Zara, Clóvis Marcos, Eli Ortega, Felipe Wagner, Fúlvio Stefanini, Gustavo Pinheiro, Homero Cozac, Ítalo Rossi, Jairo Arco e Flexa, Maurício Barroso, Nelson Duarte, Nilson Condé, Raul Cortez, Ronaldo Costa, Rubens de Falco, Ruy Affonso e Wolney de Assis, além das participações especiais de: Caetano Zama, Inezita Barroso e Roberto Ribeiro. Foram mais de 50 anos de atividades, sempre com muito sucesso. Depois da morte de Ruy Affonso os Jograis de São Paulo parecia ter chegado ao fim. Mas o seu legado foi passado ao ator Alex Ribeiro, que tem procurado manter viva a memória do grupo. Alex também é o detentor dos direitos do Jogral e até criou um site exclusivo, contando a bela história do grupo.
O álbum que temos aqui, me parece, foi o último gravado por eles, em 1980. Na época, o quarteto era formado por Ruy, Armando Bogus, Rubens de Falco e Carlos Vergueiro. Em “Poesia Contemporânea Brasileira”, temos uma seleção com algums dos mais expressivos poemas de grandes nomes da nossa poesia moderna. Confiram aí…

evocação ao recife – manuel bandeira
romance do embuçado – cecília meireles
colagem de “na avenida” e “nossa senhora dos cordões – oswald de andrade
a rua da rimas – guilherme de almeida
poemas concretos – haroldo de campos
velha história – mário quintana
jandira – murilo mendes
josé – carlos drummond de andrade
trem de alagoas – ascenio ferreira
a vida particular do jardim público – cassiano ricardo
estudo de concerto – ruy affonso
coco do major – mário de andrade
batismo – menotti del picchia
o dia da criação – vinícius de moraes

Paulo Autran – Melhores Momentos (1979)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando a todos mais uma colher de chá de poesia, eu deixo para a postagem de hoje outra boa opção, Paulo Autran em alguns de seus melhores momentos. Neste disco ele recita Casimiro de Abreu, Castro Alves, Carlos Drummond, Vinicius de Moraes, Millor Fernandes, Mario Quintana, Sergio Porto, Luiz Fernando Veríssimo e Chico Buarque. Puxa, quanta gente boa! Não dá outra, sucesso total. Ótima a interpretação de Paulo, que incorpora como poucos os personagens de tantas histórias e autores. Confiram…

ela – luiz fernando veríssimo
televisão – chico buarque
poesia matemática – millôr fernandes
sonho impossível – chico buarque
‘discurso de marco antonio’ de júlio cesar – millôr fernandes
a valsa – casimiro de abreu
poema de gare de astapovo – mario quintana
poema enjoadinho – vinicius de moraes
divisão – sergo porto
debaixo da ponte – carlos drummond de andrade
final de ‘o navio negreiro’ – castro alves

Paulo Gracindo – Diz… (1975)

Ufa! Finalmente liberado! Cansado, esgotado, mas liberado. Hoje eu ralei demais. Muito trabalho e pouco dinheiro. Mas tudo bem, eu não sou muito ambicioso. Sou como aquele poema do Nhô Bento, “Prá mim, qualquer coisinha dá” 🙂
E por falar em poesia e também em música, que tal este disquinho aqui? Tenho hoje para vocês um grande e saudoso ator, o ‘bem amado’ Paulo Gracindo, recriando em forma de prosa e verso algumas das letras mais belas e conhecidas canções da nossa música popular brasileira. Não me parece muito difícil interpretar de forma recitada uma canção, principalmente quanto ela já nos é familiar. Quando já a temos decorada no canto. Porém, sempre acho que fica uma coisa meio forçada, descontextualizada ou incompleta, sei lá… O certo é que o Paulo Gracindo consegue atenuar isso, mesmo sendo o fundo musical que o acompanha, a música da letra que ele recita. Ele as interpreta sem exageros, sem ser piegas. A propósito, diga-se de passagem, o tal fundo musical não é um mero floreio. São temas instrumentais muito bem arranjados pelo Maestro Gaya, agregando ao disco um lado musical significativo. Com certeza, quem não conhece vai gostar 😉 Confiram…

meiga presença
chão de estrelas
com açucar, com afeto
prá você
por causa desta cabocla
o mais que perfeito
viagem
estrada branca
valsinha
preciso aprender a ser só
maria
suas mãos

Catulo Da Paixão Cearence – Nhô Bento – Coleção Prasa & Poesia (1989)

Olá, meus amigos cultos e ocultos! Nada como as letras, a poesia e as boas composições musicais para fazerem desse espaço um lugar mais para cultos do que ocultos. Por outro lado, entendo que todos por aqui são cultos, independente de estarem ocultos. Seja erudito ou popular, uns falam, uns cantam, outros apenas gostam de ler ou escutar. Não importa, faz parte da natureza de cada um, seja ela inconsequente, inteligente, prepotente, inconsciente ou simplesmente inteligente. Xiii… Começou a rimar… Isso já está virando até poesia, hehehe… Desculpem, mas às vezes influencia, principalmente depois de ouvir Catulo da Paixão Cearence e Nhô Bento. Eis aqui uma oportunidade rara de ouvirmos dois poetas, os quais são mais lembrados pelos nomes do que propriamente pelo que produziram. Catulo talvez seja um artista mais divulgado, sua poesia abrange um universo de coisas que não fica apenas num regionalismo recortado. É brejeiro, é matuto, é nordestino e principalmente brasileiro. Catulo era também um compositor musical e teve excelentes parceiros como Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth e Francisco Braga. Talvez, por isso mesmo, pela música, sua imagem se mantenha ativa. Músicas como “Luar do Sertão” e “Flor Amorosa” se tornaram eternas e consequentemente eternizaram o seu autor. Nhô Bento, José Bento de Oliveira, é outra figura que não fica muito atrás. Um poeta popular, um tanto o quanto esquecido. Nasceu no litoral paulista no início do século XX. Mudou-se para a capital ainda jovem, tornando-se poeta de linguagem cabocla. Sua poesia reflete a figura do caipira. É ainda mais brejeiro, caboclo e matuto. Pelo que eu sei, ele escreveu apenas um livro, “Rosário de Capiá” em 1946, reunindo 58 de suas poesias (o prefácio era de Monteiro Lobato). Para nossa felicidade, temos neste lp o próprio Nhô Bento recitando alguns dos poemas desse livro. Ouvir o próprio autor declamando “Pra mim qualquer coisinha dá” é o máximo. Adoro esse poema caboclo. Já no caso de Catulo, temos no disco a presença do ator Lima Duarte, que como poucos, soube incorporar o espírito sertanejo de sua poesia. O fundo musical é também muito interessante e variado, com interpretações exclusivas de músicos como Oswaldo Sbarro, Muraro, Pedrinho Mattar, Geraldo Ribeiro, Paulinho Nogueira e outros mais.

Taí, mais um disco bacana da série “Prosa & Poesia” lançado no início da década de 60 pela RGE. Foram apenas quatro discos, mas que valeram sua reedição, ainda em vinil, no final dos anos 80 (os outros dois volumes também podem ser encontrados, em postagens anteriores, aqui no Toque Musical)
Catulo da Paixão Cearense:
o violão
a dor e a alegria
alucinação
saudade
o portão
chico beleza
o marrueiro
Nhô Bento:
santa cruz
ribeirãozinho
doce de cidra
pra mim qualquer coisinha dá
coração é uma criança