Beijos – Coletânea 24 Beijos Do Toque Musical (2014)

Olá amigos cultos e ocultos! Há tempos eu não apresento aqui uma produção exclusiva do Toque Musical, além da já tradicional série Grand Record Brazil. Como ‘bola da vez’, o assunto do momento é o beijo. O beijo de um casal gay na novela da Globo. Polêmicas a parte e em partes, achei bem oportuno criar aqui uma coletânea dedicada ao ‘beijo’. Selecionei 24 músicas cujos os títulos e a temática é o tal ‘toque labial’, o beijo, sempre celebrado nas mais diferentes épocas e músicas do cancioneiro popular. Por certo existem milhares de músicas que falam de beijos e devo admitr que não foi fácil escolher essas 24 músicas. Só com títulos onde aparece a palavra ‘beijo’ (e no singular) eu achei mais 200! Mas, selecionei aqui aquelas que me pareceram mais evidentes e também num sentido de ser o mais variável possível. Coincidentemente e por acaso, separei 24 músicas. Um número mais do que expressivo, considerando também o fato de que o beijo celebrado nessa história foi um ato gay. Calma, não estou com isso querendo tirar sarro preconceituoso de ninguém, muito pelo contrário… Pensei mais foi na ideia de um álbum duplo, fosse esse um lançamento fonográfico. E mais ainda, dedico esta coletânea ao Amor, na sua forma mais pura, sem conceito ou preconceito. Beijar e ser beijado é muito bom. É um sinal de carinho. Beijo na boca então é mais… Só love
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me dê um beijo, meu bem – eduardo araújo
a dança do beijo – moacyr franco e the jordans
história de um beijo – vera regina
um beijo e nada mais – zezé gonzaga
beijo exagerado – os mutantes
beijo quente – cleide alves
um beijo é um tiro – erasmo carlos
beijo molhado – belchior
beijo bombom – claymara borges e heuríco fidelis
beijo na boca – cyro monteiro
beijo de amor – moreira da silva
tudo cabe num beijo – seu jorge e almaz
beijo na boca – itamar assumpção e banda isca de polícia
beijo baiano (boca de caqui) – cravo e canela
eu beijo sim – carlos careqa
por um beijo – maria martha
beijo frio – isaura garcia
me dá um beijo – alceu valença e geraldo azevedo
beijo clandestino – lucina
o primeiro beijo – alda perdigão
preso por um beijo – cyro aguiar
aquele beijo que te dei – roberto carlos
beijo roubado – zenildo
último beijo – os cariocas
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Meus Favoritos Columbia (1956)

Bom noite, amigos cultos e ocultos! Estou eu aqui passando um mal com minha coluna. Depois que chega na idade do condor, todo dia tem uma enhaca diferente. Esses dias eu não estou nada bem. Mas vou tentar aqui fazer esta postagem para ver se me distraio um pouco.
Segue aqui este lp de 10 polegadas, lançado pela Columbia nos anos 50. Como se pode ver, trata-se de uma coletânea reunindo gravações de cinco cantores do ‘cast’ da gravadora: Cauby Peixoto, Luiz Claudio, Lana Bittencourt, Alcides Gerardi e Zezé Gonzaga. São músicas extraídas de bolachas em 78 rpm desses artistas, sucessos nos anos de 1955 e 56. Vamso conferir?

para que recordar – alcides gerardi
os pobres de paris – luiz claudio
meu benzinho – lana bittencourt
lisboa antiga – cauby peixoto
história de um amor – luiz claudio
arrivedercy roma – zezé gonzaga
é tão sublime o amor – cauby peixoto
tudo foi ilusão – alcides gerardi

Carmélia Alves, Marlene, Violeta Cavalcante, Zezé Gonzaga E Zilah Fonseca – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 07 (2012)


Amigos cultos e ocultos, já chegamos à sétima edição do Grand Record Brasil. Sete, dizem, é conta de mentiroso, mas a diversão que você vai ter aqui é cem por cento verdadeira! Aqui focalizamos cinco das mais importantes cantoras brasileiras, em fonogramas raros e autênticos itens de colecionador.

Para início de conversa, aqui está Carmélia Alves, a “rainha do baião”. Nascida na Quarta-Feira de Cinzas de 1923 (14 de fevereiro), estreou em disco na Victor, em 1943, interpretando “Deixei de sofrer” (Popeye do Pandeiro e Dino Sete Cordas) e “Quem dorme no ponto é chofer” (Assis Valente), sendo que a própria Carmélia pagou os custos de gravação e prensagem (quatrocentos mil-réis!). O disco fez sucesso, mas Carmélia só voltaria às gravações em 1949, através da Continental. É dessa fase o disco que apresentamos aqui, de número 16413, lançado entre julho e setembro de 1951. “No mundo do baião” é um delicioso popurri que ocupa os dois lados do disco (matrizes 2607-08), no qual foram inseridas músicas dos mais variados autores desse gênero. No lado A, apenas músicas de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, tipo “Asa branca“ e “Paraíba”, e no verso composições de outros autores que se dedicaram ao baião: Hervê Cordovil, Mário Vieira, e Braguinha, o “João de Barro”. Tudo com o reforço do grande acordeonista Sivuca e de seu conjunto. Outra cantora aqui apresentada também era de baião: a paulistana Vitótia de Martino Bonaiutti, aliás Marlene, tida como rival de Emilinha Borba, mas na realidade ambas eram muito, muito amigas (não é de hoje que tem marqueteiro, não é mesmo?).E eis Marlene interpretando um baião do mestre Haroldo Lobo em parceria com Rômulo Paes: a “Canção das noivas”, disco Continental 16556-B, lançado em maio-junho de 1952, matriz C-2843. Em seguida encontramos a amazonense (de Manaus) Violeta Cavalcante. E desta vez em clima de carnaval, apresentando duas músicas para a folia de 1955. Gravado na Odeon em 28 de setembro de 1954, com lançamento ainda em dezembro sob número 13741, o disco traz no lado A, matriz 10309, a “Marcha do cacoete”, de Paulo Menezes e Mílton Legey, e no verso, matriz 10308, o samba “Madrugada”, que tem como parceira a“pianeira” Carolina Cardoso de Menezes, uma das melhores que o Brasil já teve, conhecida por seu jeito brasileiríssimo de dedilhar as notas do piano, e que assina a música ao lado de Jota Leite e Orlando Reis. Bem apropriado para estes dias pré-carnavalescos atuais… Zezé Gonzaga, que já havia aparecido anteriormente na coletânea de Natal do GRB (e com uma faixa de fins de 1951 que também aqui aparece, “Um sonho que sonhei”, Sinter 10.00.114-B,matriz S-245) agora volta com dois discos, aliás dois e meio: o Sinter 265, lançado em setembro de 1953,trazendo no lado A, matriz S-575, um baião muito conhecido de Miguel Gustavo: “É sempre o papai”. Naquele ano, inclusive, o Dia dos Pais foi instituído no Brasil por iniciativa do jornal carioca “O Globo”, visando atrair anunciantes do comércio (em São Paulo só chegaria dois anos mais tarde). “É sempre o papai” foi também gravado por Marlene e Jorge Veiga. O lado B, na verdade, é um relançamento, pois originalmente foi o lado A do 78 de “Um sonho que sonhei”, matriz S-244, de 1951. E a “Valsa de aniversário”, composta por Joubert de Carvalho. Autor de clássicos da MPB como “Taí”, “De papo pro á” e “Minha casa”. Prudentemente, o selo do original de 51 está aqui reproduzido. O outro disco de Zezé aqui apresentado é o Columbia (hoje Sony Music) CB-10273,lançado em agosto de 1956. No lado A, matriz CBO-777, a versão do radialista paulista (de Sorocaba) Júlio Nagib para o beguine italiano “Arrivederci, Roma”, grande hit de Teddy Reno naquele ano. Esta mesma versão foi gravada também por Rogéria (seria o famoso travesti?), Neuza Maria e Wilson Roberto. No verso do disco, matriz CBO-778, uma simpaticíssima toada de Bruno Marnet, “Moreno que desejo”, em ambas as faces acompanhada de conjunto e coro. Finalmente, vem à nossa lembrança o nome de Zilah Fonseca (Yolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 1929-Rio de Janeiro, 1992). Ela aqui comparece, assim como Violeta Cavalcanti, em clima bem carnavalesco, através de um disco que lançou pela Columbia, mais tarde Continental, em janeiro de 1940, número 55197, com duas marchinhas para a folia daquele ano: o lado A, matriz 3776, tem “Pulga maldita”, de Francisco Malfitano sobre tema popular. No verso, matriz 3777, “Pigmalião”, também de Francisco Malfitano em parceria com Eratóstenes Frazão (pra quem não sabe, ele também é co-autor do clássico carnavalesco “Cordão dos puxa-saco”).Este, portanto, é o sétimo e feminino volume do GRB, que certamente irá proporcionar agradáveis momentos de recordação e entretenimento. Divirtam-se!
 
marcha do cacoete – violeta cavalcante
madrugada – violeta cavalcante
é sempre o papai – zezé gonzaga
festa de aniversário – zezé gonzaga
um sonho que eu sonhei – zezé gonzaga
moreno que desejo – zezé gonzaga
arrivederci roma – zezé gonzaga
pulga maldita – zilah fonseca
pigmalião – zilah fonseca
canção das noivas – marlene
no mundo do baião I – carmélia alves e sivuca
no mundo do baião II – carmélia alves e sivuca
 
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Especial De Natal (2011)

É Natal, e a quarta edição do Grand Record Brazil, como não poderia deixar de ser, entra nesse clima de festa e fraternidade, apresentando mais uma seleção de raríssimas gravações.

Para começar, temos o “cantor que dispensa adjetivos”, Carlos Galhardo. Ele apresenta aqui justamente a música que inaugurou o gênero “musica natalina” entre nós: “Boas festas”, composta pelo baiano Assis Valente. Só que aqui, trata-se da segunda gravação da música, feita na Victor em 21 de novembro de 1941, matriz S-052428, sob número de disco 34865-A. O registro original data de 1933, com acompanhamento dos Diabos do Céu de Pixinguinha (aqui é com a orquestra do maestro Passos) e foi justamente com esta música que Galhardo se projetou nacionalmente. Foram vendidas tantas cópias do disco original que a matriz de cera ficou gasta de tanta prensagem, e isso fez com que Galhardo registrasse a música novamente em 1941, o que faria em outras oportunidades. No lado B, matriz S-052429, uma música então inédita: “Sonho de Natal”, outra marchinha, de autoria de Sanches de Andrade. Detalhe intrigante: registra-se como mês de lançamento desse disco o de janeiro de 1942, já perto do carnaval! Dá pra entender? Enfim… Galhardo encerra sua participação nesta edição natalina do GRB com a singela canção “Feliz Natal”, escrita por Peterpan (José Fernandes de Paula, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983) e pelo jornalista e poeta Giuseppe Artidoro Ghiaroni (Paraíba do Sul, RJ, 1919-Rio de Janeiro, 2008), que trabalhou na Rádio Nacional (onde escreveu “Mãe”, uma das novelas de maior sucesso da emissora da Praça Mauá, que foi até levada ao cinema) e também assessorou Chico Anysio na TV Globo, quando este fazia a clássica “Escolinha do Professor Raimundo”. Galhardo gravou a música na RCA Victor de sempre em 4 de agosto de 1950, matriz S-092728, com lançamento em outubro (por aí se vê que antecedência nesses casos sempre foi fundamental), com o número 80-0697-A. Há também um registro posterior de Emilinha Borba, cantora da qual Peterpan era cunhado, feito um ano depois deste original de Galhardo, e a “favorita da Marinha” cantava a música todo santo Natal em suas apresentações na Nacional. Outra autêntica raridade é o disco da Continental com o número 15947, gravado em 20 de agosto de 1948 e lançado entre outubro e dezembro do mesmo ano. No lado A, matriz 10936-2, o coro Continental, dirigido por Alberto W. Ream, interpreta “Ó pinheirinho de Natal”, versão de Nice do Val para a canção “Tannenbaum”, de origem alemã, cuja versão mais conhecida foi escrita em 1824 pelo organista, professor e compositor Ernst Anschutz. A melodia é de origem folclórica, e sua primeira letra conhecida data de 1550. No lado B, matriz 10937-2, o próprio Alberto W. Ream interpreta a canção “Ó noite santa”, do compositor e crítico musical francês Adolphe Charles Adam (1803-1856), sem indicação do autor da versão. Alberto W. Ream foi missionário metodista, fundador da Escola de Música Sacra do Colégio Bennett e também ministro de música da Union Church (RJ), professor, compositor e escritor, autor de várias obras sobre música sacra.
Em seguida, “o rouxinol do Brasil”, Dalva de Oliveira, comparece com um disco gravado em 1952, nos estúdios londrinos da EMI, durante sua vitoriosa temporada pela Europa, com acompanhamento orquestral, regência e piano de Roberto Inglez, que apesar do nome era escocês de Elgin (seu nome era Robert Inglis, e o sobrenome mais próximo em português e espanhol é Inglês). Lançado pelas Odeon em seu selo azul internacional com o nr. X-3372, o disco traz duas músicas natalinas tradicionais: no lado A, matriz CE-14164, ela interpreta “Noite de Natal”, que nada mais é que a famosa “Noite feliz”, com uma letra de Mário Rossi diferente da que se costuma cantar. Seu título original é “Stille Nacht, heilige Nacht”, e a música surgiu em 1818, vejam vocês, por um capricho de ratos que entraram no órgão da igreja de Arnsdorf, Áustria, e roeram os foles! Aí, o padre Joseph Mohr saiu atrás de um instrumento que pudesse substituir o órgão (perigava de o Natal daquele ano não ter música) e começou a imaginar como teria sido a noite em que nasceu em Jesus, em Belém. Fez anotações, e procurou o maestro Franz Gruber para musicá-las. Deu no que deu: um clássico imortal! No lado B, matriz CE-14165, outra versão de Mário Rossi, “Lindo presente”, para “Adeste fideles”, um dos mais conhecidos hinos natalinos, com melodia atribuída ao britânico John Francis Wade, e cuja letra inglesa mais conhecida é do padre católico Frederic Oakeley, com o título “Oh come all ye faithful”.
Em seguida um bolachão inquebrável da Philips, nr. P61058H, de 1960 (lançado em dezembro, claro), trazendo um cantor português que teve imensa popularidade entre nós: Francisco José (1924-1988), aquele da música “Teus olhos castanhos”. Aqui, acompanhado pelos Pequenos Cantores da Guanabara, ele interpreta duas canções tradicionais do gênero natalino: outra vez “Noite feliz”, agora em versão do cantor e compositor Paulo Tapajós (que integrou o Trio Melodia com Albertinho Fortuna e Nuno Roland), e “É Natal”, outra versão de Tapajós, agora para “Jingle bells”, composta em 1850 pelo americano James Lord Pierpont, e publicada sete anos mais tarde com o título “One horse open sleigh”. A versão brasileira mais conhecida é a de Evaldo Ruy (“Sinos de Belém”), gravada em 1951 por João Dias.
Prosseguindo, duas notáveis cantoras brasileiras. A primeira é Lana Bittencourt, que se faz presente com o disco Columbia CB-10388-B, matriz CBO-1206, lançado ao apagar das luzes de 1957, trazendo o fox “Feliz Natal”, da dupla Klécius Caldas-Armando Cavalcanti, responsável por inúmeros hits de meio-de-ano e carnaval. “Feliz Natal” foi lançada originalmente por Dick Farney, em 1949, e o registro de Lana também saiu no LP-coletânea “Nosso Natal”, igualmente postado no Toque Musical. Zezé Gonzaga (Manhuaçu, MG, 1926-Rio de Janeiro, 2008), por sua vez, interpreta “Um sonho que sonhei (Marcha dos anõezinhos)”, de autoria de dois expressivos compositores: Alcyr Pires Vermelho e José de Sá Roris, este último parceiro de Nássara no clássico carnavalesco “Periquitinho verde”, de 1938. Zezé lançou esta simpática marchinha ao apagar das luzes (mais um!)de 1951, pela Sinter, com orquestração e regência do sempre eficiente Lírio Panicalli, e o número 10.00.114-B, matriz S-245. O último trabalho de Zezé em disco foi o CD “Sou apenas uma senhora que ainda canta”, lançado em 2002 pela Biscoito Fino.
E, para encerrar com chave de ouro, o Rei da Voz, o eterno Francisco Alves, em disco gravado na sua Odeon de sempre em 5 de dezembro de 1950, mas só lançado um ano depois, ou seja, em dezembro de 51. De qualquer forma a espera valeu a pena. No lado A, a “Canção de Natal do Brasil”, matriz 8876, parceria dele com David Nasser (jornalista que inclusive fez uma série de reportagens sobre Chico na revista “O Cruzeiro”, mais tarde publicadas no livro “Chico Viola”) mais Felisberto Martins, então diretor artístico da “marca do templo”, e a matriz 8877, o lado B, tem “Sinos de Natal”, de Victor Simon e Wilson Roberto. Lembrando que Victor Simon fez também a clássica “Bom dia, café”, sucesso de 1958 na voz de Roberto Luna.
Estas são as relíquias natalinas que o GRB, em sua quarta edição, nos oferece. A todos os amigos cultos e ocultos do Toque Musical, os meus mais sinceros votos de um Natal maravilhoso, e um ano novo repleto de alegrias, realizações e conquistas!
*SAMUEL MACHADO FILHO

boas festas – carlos galhardo
canção de natal do brasil – francisco alves
é natal – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
feliz natal – carlos galhardo
feliz natal – lana bittencourt
lindo presente – dalva de oliveira
noite de natal – dalva de oliveira
noite feliz – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
ó noite santa – alberto w. ream e côro continental
ó pinheirinho de natal – côro continental e alberto w ream
sinos de natal – francisco alves
sonho de natal – carlos galhardo
um sonho que eu sonhei – zezé gonzaga


Nosso Natal (1957)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje talvez não seja um bom dia para uma postagem, como também não foi ontem, para mim. Como vocês já sabem, estou vivendo um momento de luto. Hoje, às 15 horas será o sepultamento da minha tia. Estou aqui aguardando este encerramento. Logo estarei indo ao velório e a minha noite de Natal vai ser ainda mais melancólica. A cada ano percebo e agora mais ainda, que o Natal realmente não é uma data alegre. Também não a chamaria de triste. É um momento de reflexão, concentração e emoção. É aquela hora em que deixamos de pensar somente em nós, quando nos deparamos com o outro e quando vemos nele o nosso próprio reflexo. Neste momento eu sinto que o todo é um só e que eu sou parte desse todo. É por isso que me sinto tão bem quando faço algo que alegra as outras pessoas. Sinto que estou fazendo também por mim. Trazer a alegria, mesmo que num momento de tristeza, vai me fazer bem. Estar aqui preparando este disco para vocês, me afasta de pensamentos ruins, me dá esperanças e resignação. Preciso ocupar a minha cabeça com outros pensamentos. O duro disso tudo é a história que vem por trás. Mas isso eu vou poupar aos amigos, pois mesmo na passionalidade, este assunto não é nada musical.
Bom, para celebrarmos o nosso Natal, estou trazendo um disco bem bacana, um típico exemplar do Toque Musical. Temos aqui um disco de Natal, do ano de 1957, onde a gravadora Columbia reuniu alguns de seus melhores artistas, cantando doze temas originais. São músicas natalinas nacionais, criadas por compositores brasileiros. Este álbum é raro em todos os sentidos, mas principalmente pelo time de artistas, em gravações que só foram ouvidas neste lp. São onze nomes de peso: Doris Monteiro, Alcides Gerardi, Luiz Claudio, Lana Bittencourt, Zezé Gonzaga, Silvio Caldas, Zilá Fonseca, Paulo Marquez, Dircinha Costa, Ellen de Lima e Gilvan Chaves. Apenas a última faixa, “Papai Noel”, foi gravada em côro e ‘a cappela’ pelo Coral da Columbia. Segundo me contaram, o coral foi formado pelo próprio elenco (será?).
Taí o meu toque musical de Natal. Desejo a todos uma boa noite. Muitas felicidades, paz e amor.

canção de natal – silvio caldas
a caminho de belém – zezé gonzaga
é natal – paulo marques
quando chega o natal – ellen de lima
blom blem blão – luiz claudio
jerusalem – zilah fonseca
boas festas – doris monteiro
natal da saudade – alcides gerardi
feliz natal – lana bitencourt
cantiga de natal – gilvan chaves
canção de natal do brasil – dircinha costa
papai noel – coral columbia

Velhos Sambas, Velhos Bambas (1985)

Olá amigos cultos e ocultos! Vocês não podem imaginar, recuperei o meu carro! Após haver passado quase 70 horas, recebi um telefonema da Polícia Militar avisando que o haviam encontrado. Corri imediatamente para o local. O carro foi abandonado em um bairro afastado de classe média alta, longe de favelas ou oficinas de desmanche, o que nos levou a acreditar que o ladrão o pegou apenas para dar umas voltas. Só sei que nessas voltas, me levou tudo que havia dentro do carro. Levaram o meu Ray Ban original, uma blusa daquelas que a gente adora, meu IPod com a coleção completa da série História da Música Popular Brasileira e uma pasta com alguns cheques e documentos. Fora isso, levaram também os quatro pneus, o estepe e ferramentas. Bacana…, me deixaram o carro todo depenado. Mesmo assim, fiquei mais feliz ao reencontrá-lo do que quando eu o comprei. Passei o dia de ontem e hoje recuperando um pouco os estragos. Pelo menos agora não fico a pé. Vou aproveitar meus dias de férias e dar uma boa recuperada nesse carro, que cada vez me convenço mais ter nascido para ser meu 🙂 Quero mais uma vez agradecer a todos o apoio e o carinho. Tenho certeza que meu carro apareceu graças à soma de todos esses pensamentos positivos. Muito obrigado! Os outros problemas permanecem e até se agravam, mas há momentos em que quando não se é possível remediar, remediado está. Portanto, apenas rezo e observo. Viver é sofrer. A felicidade é um estado imaginário.
Como eu fiquei ontem sem postar o disco do dia e este deveria ser um álbum/artista independente, farei hoje uma postagem especial. Temos aqui um álbum triplo independente, lançado pela FENAB – Federação Nacional de Associações Atléticas Banco do Brasil. A FENAB vinha desde 1979 produzindo discos como este, os quais eram oferecidos aos seus parceiros e associados. O grande barato desses discos é a edição de material inédito e raro, coisa que não se encontra facilmente por aí. No caso de “Velhos sambas, velhos bambas”, encontramos em seus três lps dois momentos distintos. Fonogramas raros e inéditos datados a partir de 1919 e regravações feitas em 1985, reunindo um destacado grupo de artistas e músicos. Como intérpretes temos Violeta Cavalcante, Roberto Paiva, Ademilde Fonseca, Roberto Silva, Zezé Gonzaga e Gilberto Milfont. Para acompanhar essa turma temos o Conjunto Época de Ouro, o Quarteto de Cordas da UFRJ, Altamiro Carrilho, Déo Rian, Orlando Silveira, Zé Bodega, Wilson das Neves e mais uma dezena de outros músicos talentosos, que poderão ser conferidos no encarte que vem anexo. É sem dúvida, um álbum especial e imperdível. Não deixem de conferir…

confessa meu bem – eduardo das neves
tatú subiu no pau – bahiano
quando a mulher não quer – francisco alves
o destino deus é quem dá – mário reis
nego bamba – otília amorim
meiga flor – francisco alves
quem espera sempre alcança – mário reis
patrão prenda seu gado – grupo da velha guarda
sonhei que era feliz – carmen miranda e zaira de oliveira
apanhando papel -francisco alves
meu consolo – mário reis
mentirosa – orlando silva
não dou liberdade a mulher – joão petra de barros
cansei – roberto silva
novo amor – filberto milfont
não diga minha residência – gilberto milfont
me deixa viver – roberto silva
agora é cinza – ademilde fonseca
comigo não – violeta cavalcante
quem há de dizer – roberto paiva
saia do caminho – zezé gonzaga
camisa amarela – ary barroso
mulher de malandro – vileta cavalcante
favela – roberto paiva
adeus batuca -ademilde fonseca
vai cavar a nota – roberto silva
meu barração – zezé gonzaga
segredo – zezé gonzaga
cansei de pedir – violeta cavalcante
disse me disse – gilberto milfont
camisa listrada – ademilde fonseca
já passava das onze – roberto silva
resiguinação – zezé gonzaga
falsa baiana – roberto silva
se você sair chorando – roberto paiva
as mariposas – adoniran barbosa
depoimento de klécius caldas
cinema mudo – ademilde fonseca
notícia – gilberto milfont
não quero mais amar ninguém – roberto paiva
castigo – gilberto milfont
ó seu oscar – roberto paiva
emília – roberto silva
rosalina – gilberto milfont

Alaide Costa Zezé Gonzaga E Zéluiz – Sidney Miller (1982)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Mais uma vez estamos sendo censurados a pedidos do Tio Sam. Desta vez foi um disco do Eumir Deodato, que pode ser encontrado às pencas na rede para ‘download’. Mas eles resolveram que seria o Toque Musical a bola da vez. Tudo bem, a gente segue a cartilha, voltamos com a postagem, sem indicação para o arquivo (pelo menos da minha parte). Repliquei numa postagem extra a tal notificação, a título de noticiar a todos o ocorrido e também com uma forma de desabafo. Contudo, não posso criticar a postura do Blogger, que agiu de maneira clara e educada. A indicação para baixarem o disco já foi retirada. Só espero que não insistam na exclusão da postagem, essa permanece.
Seguindo em nossas postagens, vamos hoje com um disco homenagem. Dois anos após a morte de Sidney Miller, Hermínio Bello de Carvalho e Antonio Adolfo produziram este disco, aproveitando a deixa do Projeto Almirante da Funart. No álbum temos reunidas algumas das melhores e mais conhecidas composições de Sidney Miller, interpretadas por três grandes cantores: Alaíde Costa, Zéluiz e Zezé Gonzaga. Os arranjos são de Antonio Adolfo que também toca no disco. Somando a esses, temos também o próprio autor em duas faixas, “O circo”, extraída de um de seus discos e a emblemática “A estrada e o violeiro” com Nara Leão. Não há como negar a importância desse artista, o que faltou foi mesmo um álbum duplo, o cara merecia. Mesmo assim, “Sidney Miller” é um disco encantador, tanto pelas composições, quanto pelos seus intérpretes e interpretações. Acompanha o disco um encarte com textos de Hermínio, Tárik de Souza e Nelson Motta.
Memória é isso… que seja curta, mas seja culta e nunca oculta 😉

maria joana / alô fevereiro – zéluiz e zezé gonzaga
nós os foliões – zéluiz
alma minha – zezé gonzaga
casinha do arraial – zéluiz
o circo – sidney miller
menina da agulha – zéluiz e alaíde costa
o bonde – zéluiz
pois é, prá quê? – zezé gonzaga, alaíde costa e zéluiz
a estrada e o violeiro – sidney miller e nara leão

As Eternas Cantoras Do Rádio – Vol. 2 (1992)

Olá, amigos cultos e ocultos. Acabei adiando a postagem do segundo volume das Eternas Cantoras do Rádio. Era para ontem e ficou pra hoje 🙂 Bom, antes tarde do que nunca, né?
Segue então o volume dois, uma prova de que o talento e o carisma de continuam a toda prova. Quando nas décadas de 70 e 80 as cantoras de rádio viviam um momento de ostracismo, esquecidas pela mídia e mal apresentadas às novas gerações, Nora Ney, Rosita Gonzales, Carmélia Alves, Hellen de Lima, Violeta Cavalcante e Zezé Gonzaga se uniram para juntas se apresentarem. Desse encontro, com shows em várias cidades do Brasil, nasceu a idéia de também gravarem discos. Lançaram além desses dois primeiros álbuns pela CID, outros já em formato cd e também com outras formações. Nora Ney, Zezé Gonzaga e Violeta Cavalcante deram lugar a outras divas do rádio como Carminha Mascarenhas e Ademilde Fonseca. Mas essa é uma outra história. Este segundo lp é extamente uma sequência do primeiro. Quem gostou não poderá perder o volume dois.

o que é o que é – hellen de lima
de cigarro em cigarro – nora ney
o amor e a rosa / rosa morena / rosas de abril /
estão voltando as flores – rosita gonzales
estrada do canindé – carmélia alves
todo o sentimento – zezé gonzaga
o samba e o tango – violeta cavalcante
franqueza – nora ney
besame mucho / solamente una vez /
perfidia – rosita gonzales
samba em prelúdio – hellen de lima
baião da garôa – carmélia alves
pressentimento – zezé gonzaga
adeus batucada – violeta cavalcante

As Eternas Cantoras Do Rádio (1991)

Olá amigos cultos e ocultos! Aproveito a minha hora de almoço para fazer esta postagem. O tempo está curtíssimo por aqui. Por isso, entre um garfada e outra, vamos trazendo mais um disco dedicado às cantoras e ao dia da mulher.
Para hoje eu escolhi este álbum que é um encontro entre algumas das eternas cantoras do rádio. Artista que se destacaram no mundo musical do rádio em sua fase de ouro. Como podemos ver, participam do lp as figuras de Carmélia Alves, Ellen de Lima, Nora Ney, Violeta Calvacante, Rosita Gonzales e Zézé Gonzaga. Cada uma delas cantam duas músicas e juntas o famoso tema “As cantoras do rádio”. Apesar de já serem aqui senhoras sexagenárias ou mais, continuam mantendo o vigor. Cantam afinadíssimas e mesmo interpretando saudosos sucessos não se deixam levar pela decadência, mostrando muito talento e carisma. Este disco foi uma espécie de homenagem a um tempo onde elas, as cantoras, eram as grandes rainhas. Se hoje ainda me sobrar um tempo, farei no dia uma postagem dupla, trazendo também o volume 2. Caso o contrário, fica para amanhã 😉
Agora deixa eu acabar de bater o rango, que nessa altura até já esfriou. Estou me sentido o autêntico bóia fria 🙂 Mas vamos nessa?

as cantoras do rádio – todas juntas
fascinação – rosita gonzales
camisa listrada – violeta calvacante
qui nem jiló – carmélia alves
sangrando – ellen de lima
preconceito – bar da noite – nora ney
estrada do sertão – zezé gonzaga
ninguém me ama – ronda – nora ney
olhos verdes – zezé gonzaga
noche de ronda – rosita gonzales
camisa amarela violeta cavalcante
vício – ellen de lima
pau de arara – carmélia alves
as cantoras do rádio – todas juntas

Festival Do Rio – As Dez Mais Lindas Canções De Amor (1960)

Olá a todos! Minha postagem de hoje é uma homenagem à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Festejando seus 444 anos, a Cidade Maravilhosa continua linda e a cada dia mais jovem. Parabenizo a cidade e a todos os seus felizardos habitantes! Salve o Rio!
A primeira vez que fui ao Rio levei um ‘tapa’ de deslumbramento. Fiquei encantado com sua geografia, suas praias, arquitetura e todo esse jeito malandro (no melhor dos bons sentidos) do carioca. O Rio é demais. Não fosse hoje o grau da violência uma coisa tão visível, era lá uma das cidades que eu gostaria de viver. Salve o Rio!
Para comemorar, temos aqui o “Festival do Rio”, álbum lançado pelo selo Copacabana em1960. Nele encontramos, conforme o subtítulo, “As dez mais lindas canções de amor”. São composições românticas de autores consagrados como Lamartine Babo, Ary Barroso, Dolores Duran e outros. Para este repertório foram convocados dez intérpretes, cantores não apenas da Copacabana, mas também da Continental, RGE e Sideral. As orquestrações e regência ficam a cargo dos maestros Pachequinho e Guaraná, além do côro de Joab Teixeira e participação da Orquestra Copacabana.

poema do adeus – miltinho
ternura antiga – luciene franco
será tarde – ernani filho
procura sonhar comigo esta noite – carlos josé
eu não tenho para onde ir – agnaldo rayol
ressurreição dos velhos carnavais – roberto silva
seu amor, você – lenita bruno
canção em tom maior – ted moreno
afinal, chegaste – zezé gonzaga
o céu virá depois – jorge goulart