Claudio Marcelo – Som De Boite (1968)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje ainda estarei indo para o Rio. Viajo logo mais a noite e só devo voltar no início da semana que vem. Nesse meio tempo ficaremos sem novas postagens. Mas para embalar o fim de semana, estou deixando aqui um disquinho especial da Paladium. Há tempos eu não postava nada deste selo. Na verdade tinha planos de criar um blog exclusivo só para falar da Paladium. Criei o blog, mas nunca passei da primeira postagem. Como a coisa não andou para um lado, que ande por outro. Segue aqui mais um disco deste selo mineiro, que publicou uma penca de trabalhos, alguns, produção própria, outros, edições montadas por gêneros e sucessos populares, normalmente sem os créditos musicais, o que permitia gravadoras/selos obscuros lançarem um determinado disco com diferentes nomes e capas. Já falamos sobre isso aqui no Toque Musical. Na época dessas gravadoras o controle do direito autoral e os dribles em contratos eram muito comuns. Vários músicos gravaram com nomes diferentes, assumiram identidades falsas e coisas assim. No caso deste disco não foi diferente. Claudio Marcelo é com certeza um nome fantasia, um psedônimo, embora este nome apareça em dois outros lps, um deles inclusive pelo obscuro selo Itamaraty. Alguns dizem que é o Ed Lincoln, eu achava que fosse o Célio Balona. Sinceramente, não sei afirmar, mas definitivamente, Cláudio Marcelo, não existe. Mas ao final isso pouco importa. O que vale mesmo é o conteúdo musical. Sem dúvida, dos discos lançados pela Paladium, este faz parte do acervo mais interessante, pois ele nos traz um repertório praticamente de música brasileira e para a época, música jovem, em arranjos bem inspirados. Taí um dos excelentes discos que com um pouco de sorte se pode comprar barato no Mercado Livre. Colecionadores, aproveitem

vesti azul
alegria, alegria
carolina
maria bonita
se a gente grande soubesse
maria carnaval e cinzas
travessia
manifesto
eu te amo mesmo assim
meugrito
because of you
só vou gostar de quem gosta de mim
.

The Jungle Cats (1967)

Olhaí, na sequência, resolvi postar este compacto, que é outra raridade e muito bem cotado no Mercado Livre, acho até que vou vender o meu. DESAPEGA!!!

Temos aqui o The Jungle Cats, um dos grupos de ‘iê iê iê’ (como se dizia na época) mais expressivos no rock dos anos 60 aqui em Belo Horizonte. Um grupo pioneiro na cena jovem musical da cidade que teve a chance de gravar seu primeiro disco através do selo mineiro, Paladium. Me lembro bem deste disquinho rodando direto na casa dos meus primos, que não muito por acaso eram amigos do pessoal da banda. Todo mundo morava na Floresta, um bairro tradicional de Belô.
Este compacto eu o coloquei como sendo de 1967, considerando as informações que tenho sobre a produção da Paladium. Na contracapa do disquinho já aparece o nome Bemol como gravadora e isso foi lá pelos ‘meios fins’ dos anos 60. Acho que nem vou falar nada sobre os ‘gatos selvagens’ da Floresta. Vou direcionar a postagem para o texto do Fernando Rosa, o Senhor F. Leiam , muito legal 🙂
sapato novo
vai

Histórias De Bichos E De Gente (1967?)

Olá criançada culta e oculta! Hoje eu estou aqui tentando por a casa em ordem, refazendo alguns velhos toques e criando outros. Hoje, além de ser o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é também o Dia das Crianças. Embora pouquíssimas vezes eu tenha recebido aqui a visita dos pequenos, não vou deixar de pensar neles, em mim mesmo a algumas décadas atrás. Sinceramente, fui, talvez, em busca da minha infância, das boas lembranças e de um tempo que eu não desisto de perseguir. Sim, sou saudosista, até demais. Porém, procuro sempre não deixar que a saudade se torne o meu presente. Viver é mesmo o agora!

Foi pensando na minha infância que eu me lembrei de uma coleção infantil, lançada pelo selo Paladium, naqueles inocentes anos 60 (pelo menos para mim). Me lembrei da casa de minha tia, da radiola e dos diversos discos guardados no compartimento para os álbuns. Havia lá também uma caixa com cinco ou seis lps (não me lembro mais) trazendo uma série de histórinhas que faziam a festa para eu, minha prima e nossos amiguinhos. Ainda hoje me recordo bem de algumas passagens. Aliás, hoje eu passei o dia recordando tudo isso.
Há pouco tempo atrás, caiu nas minhas mãos novamente essa tal coleção. Como os discos estavam demasiadamente ‘sambados’, acabei deixando-os de lado, esperando um momento de coragem para tentar restaurá-los. Infelizmente, os discos estavam sem capa, o que me tirou ainda mais o ânimo de ressuscitá-los. Mas como hoje foi um dia especial e mais folgado para mim, decidi botar a mão na massa, ou melhor, nos discos. Percebi que além da capa, faltava também outro (s) disco (s). Mesmo assim, achei por bem recuperar o que tinha e trazer como a postagem do dia. Apesar das limitações, principalmente no áudio, senti que o momento era esse. Refiz tudo o que pude e ainda dei o toque musical…
Temos então a coleção infantil criada pelo jornalista e desenhista André de Carvalho, chamada “Histórias de bichos e de gente”. Trata-se de uma série de historinhas infantis, algumas até bem conhecidas, adaptadas por André. Ele convidou o maestro e arranjador Aécio Flávio, até então um jovem músico ainda inexperiente, para musicar algumas letras que entrariam na série de contos infantis. Segundo relata o próprio músico, ele foi pego de surpresa e nunca, até então, havia passado pela experiência de compor músicas a partir de letras prontas, ainda mais infantil. Assumiu o trato com o jornalista e só veio mesmo a fazer as tais músicas poucos dias antes de entrarem no estúdio. O trabalho ficou muito bom e nem parece coisa feita às pressas. E olha que não foi uma tarefa pequena, afinal a série era de lps e não compactos, como geralmente conhecemos os discos infantis. No site “Recanto da Letras” temos o relato deste episódio, descrito por Aécio Flávio, que vale a pena conferir. Outra curiosidade é sabermos que foi nessas gravações a estréia do grande Toninho Horta. Foi, de uma certa forma, o mestre Aécio quem levou o jovem para o mundo da música profissional. Toninho não devia ter ainda nem 18 anos. Foi com o mestre pirata que tudo começou. Obviamente não vai ser aqui que iremos reconhecer o talento do Aécio e também do Toninho, mas vale saber que eles fizeram parte dessas histórinhas 🙂
Temos aqui, na minha produção, apenas quatro discos dessa série. A qualidade do som deixa muito a desejar, principalmente pelo estado lastimável dos vinis. Tenho a esperança de ainda conseguir um áudio em melhor estado, quem sabe até outros novos lps (e na caixa, porque não? hehehe…).
Ah! Já ia me esquecendo… No pacote eu incluí, já separadas (e mais tratadas), as músicas de todas as histórinhas. Vale um outro disco. Aliás, ao todo são quatro. Presentão, heim?!
Salve a Criança que ainda vive em todos nós!
cocori, o galo que diminuiu
o cuco fujão
história do passarinho que era uma jóia
a galinha dos ovos de ouro
o burrinho quixadá
o grilhinho desprezado
o passo do elefantinho
a borboleta e a bruxa
o pedido do perú
Aécio Flávio – Músicas
cocori, o galo que diminuiu
o cuco fujão
o cuco fujão II
tema de yasmimim
tema da galinha dos ovos de ouro
o elefantinho
tema do elefantinho
a borboleta e a bruxa
o perú alexandre
pavanito
PS. não resisti… os nomes para os temas musicais são apenas sugestão, uma maneira de identificação, claro 🙂