Assando Milho – As Melhores Musicas Para Quadrinha (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para não dizerem que o São João passou em branco por aqui, eu hoje vou trazendo um disquinho ótimo para a festa. Embora já estejamos no fim de temporada, ainda cabe um festejo.
LP lançado pelo selo Cid, em 1981. Conforme indica, este é o segundo volume. Na capa não traz nenhuma informação sobre quem toca. Mas aqui isso pouco importa, pois o disco tem antes de tudo a função de oferecer a festa Junina, ou Festa de São João. Como o título mesmo indica, as melhores músicas para quadrilha. Boa festa a todos!

itatuba
festa nordestina
bandinha do amor
veneno de cobra
quadrilha alagoana
forró da véia antonia
tocando com amor
mamolengo
piadinho de pinto
forró do velho inácio
arrastão
cheirinho do povo
assando milho
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Baiano E Os Novos Caetanos (1974)

 Indiscutivelmente, Chico Anysio (Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, Maranguape, CE, 12/4/1931-Rio de Janeiro,  23/3/2012) foi um verdadeiro mestre do humor, um desses talentos múltiplos que não têm substituto.  Na televisão, no rádio, na imprensa, no teatro, no cinema, na literatura e, claro, também na música, Chico mostrou toda a sua criatividade e versatilidade, tornando-se um dos maiores e mais respeitados humoristas do Brasil. E muitos de seus personagens permanecem até hoje na memória popular, como o Professor Raimundo, o locutor de rádio Roberval Taylor (inspirado em Hélio Ribeiro), Pantaleão, Lingote, Véio Zuza, Tavares, Bozó, Painho, Azambuja, a velhinha Salomé, o galã temperamental Alberto Roberto, o político corrupto Justo Veríssimo e tantos outros.  Na época em que fazia o programa “Chico City”, um dos muitos humorísticos que protagonizou na Rede Globo de Televisão em mais de quarenta anos, o genial artista cearense juntou-se a Arnaud Rodrigues, o “Paulinho Boca de Profeta” (Serra Talhada, PE, 6/12/1942-Lajeado, TO, 16/2/2010), e criou um “grupo” que satirizava o tropicalismo e o universo hippie: Baiano e os Novos Caetanos (nome que, evidentemente, parodiava Caetano Veloso e os Novos Baianos).  Suas canções traziam letras divertidas e engajadas, com belos arranjos e uma cobertura instrumental de primeira linha, incluindo, violões, sanfonas, cavaquinhos, etc. O sucesso de Baiano e os Novos Caetanos, evidentemente, chegaria ao disco. Em seu auge, gravariam pela CID, empresa carioca que existe até hoje, dois LPs. E é exatamente o primeiro deles,  lançado em 1974, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, o que, por certo, irá reavivar as lembranças de tantos quantos se divertiram com esse “grupo”.  Com produção de Orlandivo (um dos reis do “sambalanço” nos anos 1960) e do próprio Arnaud Rodrigues, sob a direção artística de outro “cobra”, Durval Ferreira, é um álbum primoroso, bem feito, e hoje um indiscutível clássico da chamada “música de humor”.  A faixa de abertura, o samba-rock “Vô batê pa tu” (em que Chico Anysio também interpreta o personagem Lingote, aquele do bordão “Faloooooooou!”), ganhou de imediato as rádios e o público, e tratava, de maneira disfarçada, das delações acontecidas na ditadura militar. O “milagre econômico” brasileiro também não escapou , e é denunciado na faixa “Urubu tá com raiva do boi”, assinada por Geraldo Nunes e Venâncio.  Entre as dez faixas do disco, destacam-se também  “Véio Zuza” (em que Chico interpreta o dito cujo), “Nêga”, “Ciranda” e a belíssima canção “Folia de Rei”, trabalho primoroso e emocionante, que também alcançou merecido sucesso.  Enfim, este disco é antológico, raro, histórico, e o TM o aqui apresenta com muita alegria e satisfação, matando, por certo, a saudade de muitos fãs desses dois notáveis artistas que foram Chico Anysio e Arnaud Rodrigues (que morreu de forma trágica, durante um naufrágio, dois anos antes de Chico).  Eles ainda gravariam um segundo LP como Baiano e os Novos Caetanos, em 1975, e voltariam a se encontrar nos álbuns “A volta”, de 1982, e “Sudamérica”, de 1985. Ainda são creditados à dupla os LPs “Azambuja & Cia.” e “Chico Anysio ao vivo” (um show de comédia “stand up” do humorista cearense, com textos de Arnaud). Com este primeiro disco de Baiano e os Novos Caetanos, a diversão está garantida!

vô batê pá tú
nêga
cidadão da mata
urubu tá com raiva do boi
aldeia
ciranda
folia de rei
véio zuza
selva de feras
tributo ao regional
dendalei
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* Texto de Samuel Machado Filho

Mestre Geraldo E Sua Bateria – Batucada Genial (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Como já estamos nos aproximando do Carnaval, é hora de começarmos a preparar a batucada. Ao que tudo indica, mais uma vez, Belo Horizonte estará no circuito das festas. O povo por aqui voltou a se animar e o grande barato são os blocos que estarão animando as ruas da cidade. Garanto que a festa por aqui vai ser boa, mesmo se chover, pois de estiagem todos nós já estamos secos. Deixa chover… Deixa a chuva molhar… Já dizia o cantor.
Vamos neste sábado de batucada, para inspirar bem nossos ritmistas e a todo folião. Trago hoje um disco bem bacana. Um lp de batucada como poucos. Tipo de som que encanta, principalmente os gringos e amantes da percussão. Temos aqui o Mestre Geraldo e sua bateria dando um show de percussão em quatro batuques que eu chamaria de progressivos, pois passeia por diferentes ritmos e andamentos de batucadas, mostrando a sua riqueza e uma habilidade naturalmente brasileira. Este lp está ao nível de outros grandes, como o Batucada Fantástica, do Luciano Perrone, também já apresentando aqui. Aliás, sem recorrer a lista, creio que já postei aqui uns bons discos na linha de baterias e batuques. Confiram este que é dos melhores 😉

mistura 1
mistura 2
mistura 3
mistura 4
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Juarez Araújo – Sax Maravilha Samba (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Temos para hoje um disco de samba, com o fabuloso saxofonista Juarez Araújo. Lançado originalmente em 1976 pelo selo CID, o álbum se chamou “Sax Maravilha Samba”. Na década seguinte ele voltou a ser relançado pela mesma gravadora, só que desta vez com um outro nome e uma nova capa, “Sax Sambando”. Coisas de gravadoras. E é isso aí… Um disco cujo o repertório, como todos podem ver é de sambas, cantados em côro e tendo os solos de Juarez como ‘o grande poder transformador’. O repertório é bom (com algumas ressalvas). A produção artística é de Durval Ferreira. Mas quem salva mesmo o disco é o Juarez 🙂
argumento
leonel leonor
mestre sala dos mares
moro onde não mora ninguém
tô chegando, já cheguei
quantas lágrimas
o ouro e a madeira
aquarela brasileira
na beira do mar
o mar serenou
moça
se não for por amor
brasil pandeiro
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Samba Terreiro E Batucada (1973)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje, excepcionalmente, não teremos aqui um novo volume da coletânea Grand Record Brazil. Tive alguns problemas na hora da seleção musical, o que acabou atrasando o nosso escriba, Samuel Machado Filho. Mas não se preocupem, amanhã o GTM vem marcar mais um ponto, trazendo sempre uma boa raridade dos tempos das bolachas de 78 rpm.
Para não ficarmos a ver navios, vou postando aqui um daqueles bons discos produzidos por Harry Zuckermann e seu selo CID. Uma fase boa para a música e a indústria fonográfica, no início dos anos 70. “Samba Terreiro e Batucada” é um álbum autêntico de samba, com produção artística de Durval Ferreira. Nele iremos encontrar nomes mais conhecidos nas rodas de samba carioca. Figuras como Rubens da Mangueira, Teté da Portela, Darcy do Império, Geraldo Cunha e também os conjuntos Embaixadores do Ritmo, Os Kabuletes, Os Naturais e o Conjunto Explosão do Samba. Como se vê, sambistas de verdade num trabalho autêntico. São onze sambas, dos quais, alguns foram grande sucesso, como “Boi da cara preta” e “Camisa 10”. Vale a pena conferir

boi da cara preta – rubens da mangueira
é preciso cantar – explosão do samba
katimbó – teté da portela
dinheiro e mulher – embaixadores do ritmo
até o carnaval chegar – os naturais
caxambu de sá maria – darcy do império
camisa 10 – paulão
pagode de samba – os kabuletes
saravá – índio branco
caminheiro – teté da portela
uma mulher – geraldo cunha e embaixadores do ritmo
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Avena E Primo – Som Ambiente Vol. 3 (1979)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje vai um lp e desta vez trazendo dois importantes instrumentistas, músicos e compositores, o citarista Avena de Castro tocando ao lado do pianista João Peixoto Primo em mais um disco da série “Som Ambiente”, lançada nos anos 70 pela CID. Este é o terceiro volume, lançado em 1979. O volume 2 saiu em 1975. Porém, definitivamente para mim, parace não existir o primeiro volume, pelo menos com os dois artistas. Lembro que em 1972 a CID havia lançado um lp com este título e conforme consta ‘nos altos’, quem toca neste disco são os membros do grupo instrumental Azimuth. Daí, suponho eu que o Volume 1 seja esse, inclusive um disco já postado aqui no Toque Musical.
Neste terceiro volume, a dupla Avena e Primo dá sequência a um repertório de músicas variadas, nacionais e internacionais, sucessos populares que aqui ganhão uma interpretação de toques suaves, bem apropriados a um som ambiente, música para se ouvir em elevador (nos anos 70, claro!)

côco, só côco
romance de amor
tamanco malandrinho
dona flor e seus dois maridos
la chanson pour anna
naquela mesa
de peito aberto
soleando
vô batê pra tu
feelings
toró de lágrimas
the entertainer
eu quero apenas
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Coletânea Compactos Do Toque Musical – Vol. 2 (2013)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Há tempos eu venho querendo ‘desovar’ alguns compactos e continuar a série “Coletânea Compactos”, mas vou sempre adiando. Desta vez consegui preparar o segundo volume e dentro do possível, logo teremos outros… Compacto é em postagem como fazer um lanche rápido, satisfaz no momento, mas depois deixa a gente com fome. Por isso é que dependendo dos disquinhos, prefiro postá-los em blog, como uma coletânea.
Nesta leva, reuni quatro grupos de música pop. Digo pop, porque aqui a coisa fica na base das versões, ou bem influenciado por essas e porque não dizer, a música estrangeira, moderninha da época. Temos aqui o grupo Brazilian Boys em disco de 1974, apresentado duas versões, para “Mrs. Vandebilt”, de Paul MacCartney e “Cecilia”, de Paul Simon. Depois temos o grupo Impacto com a versão para “Dreamin`”, de B. Kinsley e uma autoral, “Conselho de amigo”, bem na mesma linha pop. Este compacto, inclusive, já havia sido postado anteriomente no Toque Musical. Na sequência temos o Lee Jackson, que entre os demais se destaca pela qualidade e aqui vem num compacto duplo com os temas tão variados quanto a prórpia trajetória do conjunto. De “Adelita”, “El Bodeguero”, passando por “Allah lá o”, Hino do Flamengo, dois clássicos do Jorge Ben (“Mais que nada” e “Xica da Silva) e finalizando com “Only You” e “There’s a kind of hush”. Completando a coletânea, temos outro grupo de destaque, o Light Reflections. Este último com dois temas originais (autorais), cantados em inglês, como manda o figurino 🙂
eu pensei – brazilan boys
cecília – brazilian boys
sonho – impacto
conselho de amigo – impacto
adelita – lee jackson
mas que nada – xica da silva – lee jackson
only you – there’s a kind of hush – my pledge of love – lee jackson
el bodeguero – allah la o – hino do flamengo – lee jackson
welcome welcome – light reflections
that love – light reflections
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Emílio Santiago (1975)

Olá amigos cutlos e ocultos! Eu realmente ando sem tempo para as nossas postagens. Ontem mesmo, eu não tive condições. Tô num corre corre que nem paulista. Mas hoje eu não poderia deixar de prestar aqui a minha homenagem ao grande cantor que foi Emílio Santiago. Ele faleceu hoje pela manhã.
Como disse, estou sem condições, daí tive que apelar para um arquivo de gaveta, mas daquelas onde a gente guarda as coisas que as pessoas vão lhe enviando. Para lembrarmos do talento desse cantor, trouxe para vocês um álbum, me parece que foi o primeiro gravado por ele. Neste álbum ele conta com a participação de time de primeiríssima. Só tem feras: Wilson das Neves, Hélio Delmiro, Azimuth, Vitor Assis Brasil, Dori Caymmi. Copinha, Durval Ferreira, Ivan Lins, João Donato e outras estrelas reluzentes.
Um abraço para o Emílio Santiago!

bananeira
quero alegria
por que somos iguais
batendo a porta
depois
brother
la mulata
nêga dina
doa aque doer
sessão dsa dez

Raul De Barros – O Trombone De Ouro (1983)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, correndo contra o tempo e na brecha, vou deixando logo cedo a postagem do dia. O dia hoje vai ser foda, muita coisa para fazer em apenas 18 horas. Mas vamos lá…

Puxando um ‘de gaveta’, o escolhido foi o Raul de Barros e seu trombone nota 10. Temos aqui um disco lançado por ele através do selo CID. Na verdade, uma seleção de seus grandes sucessos. E ao que parece, algumas faixas são regravações. Vão conferindo aí, porque eu já estou de saída.

na glória

pennsylvani 6-5000 – tea for two

copacabana

doce de côco

ave maria

pedacinhos do céu

ela disse-me assim – canção de amor

chattanooga choo choo – the continental

carinhoso

angustia – recuerdos de ipacaray

ginga das palmas

Bezerra Da Silva e Os Partideiros Nota 10 – O Melhor Do Partido Alto Vol. 2 (1983)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Ainda continuo devendo a reposição de alguns links solicitados. Peço a todos que tenha paciência e aguardem. Aos poucos eu vou atendendo os pedidos, ok? Enquanto isso, vão curtindo o meu pagode 🙂 Hoje, sexta feira, na malandragem, tô passando o rôdo nos independentes. Como não tive tempo de procurar e nenhum novo artista veio trazer seu disco para a nossa divulgação, vamos com meus velhos álbuns de gaveta.

Tenho aqui um disquinho de samba bem apropriado para uma sexta feira. Embora já bem divulgado na rede, percebi que no momento, em outros blogs que eu conheço, ele não está assim tão acessível. Temos aqui o sambista Bezerra da Silva e o conjunto Os Partideiros Nota 10 em um álbum lançado pelo selo CID. Este lp, segundo consta, foi lançado originalmente em 1979. Nos anos 80, com a popularidade das músicas do Bezerra, os discos da trilogia ‘Partido Alto’, voltaram à tona. É bom lembrar que esses discos são na verdade uma espécie de ‘meio a meio’, ou seja, cada qual em seu quadrado, ou melhor, em sua faixa. Quem vê pelo título há de pensar que o Bezerra da Silva e Os Partideiros Nota 10 estão tocando juntos, mas não é nada disso. O que há neles em comum é o fato de cantarem samba de Partido Alto e também a boa dose de malandragem. A temática é quase a mesma, a vida na favela, os problemas sociais, malandragem e um pouco de fumaça, que ninguém é de ferro. Taí, um disquinho bacana para fazer a cabeça hoje. Vão daí, que eu de cá, vou apertar… mas não vou acender agora 😉

malandro demais vira bicho – bezerra da silva

samba do trabalhador – darcy da mangueira

malandro não vacila – bezerra da silva

ladrão que entra na casa de pobre só leva susto – zé ventura

o bom sofredor – bezerra da silva

lei da madeira – rey Jordão

acordo de malandro – bezerra da silva

retrato do morro – zé ventura

dedo duro – bezerra da silva

já falei com você – bezerra da silva

são quatro coisas da vida – zé ventura

lugar macabro – bezerra da silva

Orquestra Tabajara De Severino Araújo – Anos Dourados Vol. 3 (1992)

Boa noite! Entre os artistas falecidos recentemente, outro que não posso deixar de prestar uma homenagem é o mestre Severino Araújo, que comandou por mais de 70 anos a Orquestra Tabajara. Um feito extraordinário. É talvez uma das mais antigas orquestras do mundo. E Severino esteve à frente desta orquestra até poucos anos atrás.

Para homenageá-lo, eu estou trazendo aqui um álbum lançado em 1992 pela CID, o “Anos Dourados”, volume 3. Ficarei devendo os volumes anteriores. Este tem um caráter mais simbólico, meus sentimentos ao grande artista!

Amanhã é dia de feira de vinil, lá na Savassi (Pernambuco com Inconfidentes). Vou dormir porque preciso acordar cedo. Apareçam…

 

beguin the beguine

três lágrimas

eu e a brisa

manhatan

unchained melody

a lenda do beijo

café da manhã

dora

el macinero

la negra consentida

Capitão Aza E Martinha – Compacto (1970)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Tem épocas em que eu esqueço a máxima deste blog, que é ‘ouvir com outros olhos’. Criei o Toque Musical no intuito não só de mostrar raridades da música brasileria, como também tudo aquilo relacionado à áudiotapes, fonogramas e curiosidades desse nosso universo sonoro. É certo que eu tenho muito mais discos de música do que propriamente essas tais curiosidades, mas é sempre bom lembrar, até porque eu quero mais é que apareçam essas gravações por aqui. Adoro receber aquelas ‘sobras de estúdio’, de gravações caseiras, ‘bootlegs’, fitas K-7, demos e etc… Quem tiver aí algo que considere relevante, não se acanhe, envie aqui para o nosso TM, ok?

Hoje eu farei da seguinte maneira, vou iniciar postando um compacto. Se ao longo do dia eu tiver tempo, irei postando outros. Separei aqui alguns disquinhos que me dão uma saudade danada, coisas que fizeram parte da minha infância ou serviram de trilha para muitos momentos bons da minha vida. Começo com este do Capitão Aza. Coisa mais curiosa, lá em casa tinha este disquinho, o qual eu, meus primos e amigos custumávamos a ouvir. A gente conhecia o tal Capitão Aza apenas pelo disco, só bem mais tarde é que viemos a saber que aquilo era parte de um seriado de televisão, que por acaso, não era transmitido na minha cidade. Mesmo assim a gente gostava de fantasiar e cantar o “ABC” e “Sideral”, as duas músicas do disco. Aquilo era legal. Acho que eu só vim mesmo a assistir o programa lá por volta de 74, quando então já era colorido.
“Capitão Aza” foi um programa infantil, surgido nos anos 60, no auge da ditadura. O nome era uma homenagem à um antigo aviador brasileiro, herói da FAB, que lutou na Segunda Guerra Mundial, o capitão aviador Adalberto Azambuja, conhecido com “Aza”, entre seus colegas. Quem encarnava o personagem era o ator (e policial civil) Wilson Viana. No programa eram apresentados aqueles desenhos que hoje são verdadeiros clássicos, mas havia também uma preocupação por parte dos produtores em trazer naquele divertimento um conceito de formação moral às crianças, tendenciosamente militar. O programa durou mais de uma década, sempre fazendo muito sucesso e cheio de atrações.
Este compacto, creio eu, já era da segunda fase, anos 70, talvez 1970, quando então o Capitão Aza tem como assitente mirim a garotinha loira chamada Martinha. Não sei bem ao certo, mas existem outros discos, até lps do CA. Neste diquinho, a produção é de Durval Ferreira, que também é co-autor das duas músicas. “Sideral” é uma parceiria com Tibério Gaspar.
Estou vendo aqui na rede que este compacto se tornou objeto de desejo de muitos fãs. Tem gente pagando bem para tê-lo nas mãos. Acho que vou anunciar o meu no Mercado Livre, quem sabe… Aliás, estou mesmo para fazer isso, juntar um monte de discos raros e colocá-los à venda. Quem gosta, fique ligado. Mais do que dinheiro, o que anda me faltando é espaço. Dizem que tudo aquilo que a gente guarda sem usar por mais de um ano é porque já não nos faz falta. Tô precisando entrar esse ano naquela do, DESAPEGA!!!
abc
sideral

Abel Ferreira – No Tempo Do Cabaré (1975)

 
Enquanto faço o meu lanche da tarde, aproveito também para fazer a postagem do dia. Reservei para hoje um disco bacana, que certamente irá agradar à cultos e ocultos. Temos aqui Abel Ferreira e seu conjunto trazendo de volta os bons tempos dos cabarés.
Lançado em 1975, este álbum veio numa onda de ‘revival’, quando os cabarés dos anos 30 e 40 tornaram-se pano de fundo e temas recorrentes para muitas produções, principalmente as televisivas. A CID – Companhia Industrial de Discos não perdeu tempo e logo veio com este excelente álbum. Temos aqui o clarinetista Abel Ferreira com seu grupo, numa formação típica e ao estilo dos conjuntos que tocavam em cabarés. O repertório, cheio de clássicos é bem apropriado, fiel inclusive nos arranjos criados por Abel. Ele toca clarinete, saxofone e também canta. Taí, um disquinho gostoso de ouvir… 
gosto que me enrosco
corta jaca
tatú subiu no pau
polquinha mineira
rato, rato…
brejeiro
seu rafael
limpa banco
cristo nasceu na bahia
o pé de anjo – taí! (pra você gostar de mim)
dá nela – segura esta mulher
pelo telefone
tango da meia noite
PS: Putz! esqueci de publicar…

Ana Rosely – Estou Contigo E Não Abro (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou trazendo aqui um disco, o qual eu espero contar com a colaboração de vocês. Digo isso porque não sei e nem encontrei muita coisa sobre a artista Ana Rosely. Estou me pautando apenas nas informações contidas na capa e nas minhas próprias impressões do disco. Vamos lá…
Temos aqui um autêntico disco de samba produzido pela CID, em 1977. Nossa cantora e sambista, ao que tudo indica, faz seu álbum de estréia. Vem muito bem acompanhada por uma turma de músicos e sambistas renomados, o que dá o maior aval à cantora, principalmente para os que ainda não a conhecem. Não bastasse o suporte musical ‘de primeira’, ela ainda conta com Martinho da Vila, que na contracapa nos apresenta a cantora de uma forma bem original. Seu texto é formado usando, como de brincadeira, os títulos da músicas, dos sambas cantados por Ana Rosely. A propósito, ela também é a compositora, alguns dos sambas contidos no lp são dela. Pelo que eu estive olhando, Ana Rosely gravou mais discos (lp e compacto). Esses por sua vez já devem até ter passado pelas minhas mãos e agulhas, mas não me recordo. Como intérprete ela também é boa, boa de samba :). Canta ao estilo de cantoras como Elza Soares nos anos 60. Uma voz rasgada, típica de sambistas. Não consegui saber é se ela ainda continua na ‘ativa’, mas levando em conta a qualidade do seu trabalho, eu imagino que sim. Nessas horas, só mesmo pedido a ajuda dos amigos para esclarecer mais os fatos, não é mesmo, Samuel? 🙂

linha na pipa
talento vem de berço
estou contigo e não abro
tem que mostrar serviço
gostei de você mulher
calango
batida da lata
rezei
minha plataforma
preta bonita ‘maria da pedreira’
samba black