Los Latinos – Cha Cha Cha Boleros (1956)

Muito bom dia, meus caros amigos cultos e ocultos! Nos anos 50 a música cubana e os ritmos latinos estavam em alta pelo mundo. Era sucesso nos Estados Unidos e por conseguinte, ecoava pelo mundo e aqui no Brasil não seria diferente. Muito se investiu nesse gênero musical as nossas gravadoras, as rádios e seus artistas. A Musidisc, de Nilo Sérgio, foi uma das gravadoras/selo que muito explorou e com requintes o que vinha de fora, sempre lançando discos que de imediato conquistava o público já pelas capas. Primeiro com os discos de 10 polegadas, como este que aqui apresento. Depois vieram as produções em 12′ bem diferenciada, requintada para ser mais exato, em álbuns de capas duplas e algumas até um tanto conceituais. Eita, como era bom aquele início da nova indústria fonográfica! Momento de ouro, com certeza, que durou até os anos 60. Logo depois a indústria fonográfica se moderniza durante os anos 70 até entrar em declínio no início dos 90. Daí pra frente qualquer tentativa de retorno é puramente passional, nostálgica… reverberação do que realmente foi a música e essa indústria fonográfica, hoje inexistente. Mas ainda assim é um alento para pessoas como nós, que vivemos esse passado e temos hoje essa sensação de que tudo está de volta. Vamos nos enganando, colocando nossos discos para rodar, pois ainda somos muitos e essa onda é mesmo uma cachaça.
Então, temos aqui este lp de 10 polegadas, lançado pela Musidisc, em 1956. Eis aí um albinho que chama a atenção, logo pela capa, um trabalho de arte gráfica de primeiríssima. Não duvido nada que tenha sido inspirada em algum lançamento estrangeiro, mas ainda assim é belíssima. Capa bacana, mas ainda assim, pecando pela falta de informações, que se limitam a frente e aos selos. A contracapa, como podemos ver é somente um mostruário das dezenas de discos publicados por esse selo. Porém, não deixa de ser também um informativo do catálogo da gravadora. O fato é que sem as informações sobre a produção deste lp fica mesmo difícil encontrar dados sobre quem realmente eram  “Los Latinos”, pois nesse período, outros discos também aparecem com essa nomenclatura, inclusive discos de artistas estrangeiros. Mas creio que não é o caso aqui. Por certo, “Los Latinos” era um grupo de estúdio, com músicos do ‘cast’ da Musidisc. Inclusive, quando surge os discos de 12 polegadas, Nilo Sérgio, através de seu outro selo Nilser, lança nos final dos anos 50 sua série de álbuns com capas luxuosas e conceituais e entre esses “Latino Fantástico”, com Rubens Bassini Y Los Latinos (discaço, por sinal). Mas acredito que não seja o mesmo time de músicos e nem a participação do genial percussionista Rubens Bassini. Infelizmente, pela internet e como sempre, não há muito o que encontrar, além de anúncios de vendas, referências incompletas em sites que não passam de  indexadores de títulos fonográficos. Quanto ao repertório, esse, embora com apenas oito faixas, nos traz de um lado quatro mambos e do outro quatro cha-cha-cha, todos deliciosamente cubanos, ou inspirados no momento como é o caso da faixa, “Blue Cha-cha-cha”, de autoria do próprio Nilo Sérgio. Disquinho bacana, imperdível e que primeiramente vocês só encontrarão aqui e no GTM 😉
 
sweet and gentle
esto es cha cha cha
blue cha chac cha
cubanacan
malagueña
el cuco
andalucia
mambo nº5
 
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Trio Surdina – Aquarela Do Brasil (1955)

Boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Um dos artistas/grupos mais presentes em nosso Toque Musical é, sem dúvida, o Trio Surdina. Não é só por questão de gosto ou preferência, é mesmo o bom acaso. Sempre aparece um no meu prato. Daí, porque não postar, não é mesmo? 🙂
Então, em seu oitavo disco publicado por aqui, desta vez temos um dos mais cobiçados de sua discografia, lp de polegadas lançado em 1955 pelo selo Musidisc, o “Aquarela do Brasil”. Neste pequeno lp temos como destaque a música de Ary Barroso, presente em três das oito faixas do disquinho e também é uma delas que dá nome ao lp. Dentro do repertório, tem ainda outros grandes clássicos, músicas de Bororó, Zequinha de Abreu, Hekel Tavares…  Confiram no GTM…
 
aquarela do brasil
curare
tico tico no fubá
guacyra
meu limão meu limoeiro
rio
favela
terra seca
 
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Don Pablo De Havana (1960)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! E então, eis que descubro que ainda não havia postado este disco aqui no Toque Musical. E eu jurava que já o tinha aqui. Creio que deixei passar por conta de que em outras épocas ele estava em todas as ‘praças’, daí, nem fazia sentido ficar replicando. Mas agora, passado o vendaval e muito embora hoje se possa encontrar em outros sites para ouvir e baixar, aqui vai ser sempre mais gostoso, afinal nosso toque é completo e só para os associados, né? 😉
Temos assim o celebrado “Don Pablo de Havana”, um pseudônimo para Ed Lincoln, em lançamento original da Musidisc, em 1960. Aqui, um exemplar de relançamento, possivelmente do início dos anos 70, sem muitas diferenças do original, apenas a contracapa. Este lp é mesmo o máximo, um repertório misto com temas nacionais e internacionais, todos muito bem arranjados ao ritmo do ‘cha-cha-cha’. Gravado no melhor padrão da época, em hi-fi estéreo, seguindo a linha de orquestras exóticas tipo Perez Prado e Esquivel. Simplesmente genial. Confiram no GTM…
 
alguém me disse
el choclo
andalucia (the breeze and i)
bahia (na baixa do sapateiro)
together wherever we go
adios
mustapha
aquarela do brasil
la cumparsita
climb ev’ry mountain
quero beijar-te as mãos
delicado
 
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Os Violinos Mágicos (1959)

Olá, amigos cultos e ocultos! Então, aqui temos hoje uma das boas produções da Musidisc, um selo que se notabilizou pela qualidade de sua produção. E a isso eu me refiro não apenas ao conteúdo musical, mas também tudo que envolve a elaboração de um disco. Nesse sentido a Musidisc era exemplar, criando álbuns maravilhosos, a começar pelas capas, sempre um trabalho refinado, discos para audiófilos, ou coisa parecida. Também primava pela qualidade técnica de suas gravações e este é um disco com essa preocupação. Um álbum orquestral bem aos moldes do repertório da época, mas com esse diferencial que se expressava inclusive na contracapa, com informações técnicas, tal qual algumas gravadoras estrangeiras também faziam. E a propósito, já postamos aqui dois outros lps dOs Violinos Mágicos. Inclusive, estou postando este agora que foi o volume 1 que estava faltando. Ah, sim…o repertório… olha ele aqui…
 
september song
na madrugada
dream
ontem e hoje
dó ré mi
se todos fossem iguais a você
you’ll never know
ninguém me ama
tua
castigo
 
 
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As Três Marias, Leal Brito e Catulo de Paula – Baião Nº2 (1953)

Olá, amigos cultos e ocultos! Percebendo o meu enorme interesse por ‘discos velhos’, meu vizinho me presenteou com mais uma caixa. Cheio de disquinhos de 10 polegadas e muitos nacionais. Olha só este Baião Nº2, com Leal Brito, As Três Marias e Catulo de Paula. Disco lançado pela Musidisc em 1953. Há algum tempo atrás postamos aqui o Nº1 e agora finalmente temos o segundo, desta vez apresentando, além do pianista Leal Brito e do trio vocal As Três Marias, o cantor e compositor Catulo de Paula, que aqui aparece pela primeira vez em um lp. O baião foi um ritmo que fez muito sucesso, principalmente nos anos 40 e 50. A Musidisc, como muitas outras gravadoras também investiu no ritmo nordestino e este foi o seu segundo lp de 10 polegadas, em 33 rpm. Confiram no GTM…
 
onda do mar
choveu tô vortando
celeste no baião
concerto no baião
tico tico de campina
mania do mané
baião moreno
 
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Dilermando Pinheiro E Seu Famoso Chapéu De Paula – Sambas Do Passado Vol. 2 (1956)

E aí, meus amigos cultos e ocultos, estão gostando da nossa seleção fonomusical de janeiro? Eu acredito que sim, claro! Nossa missão é agradar aos gregos e aos troianos, aos meus amados esquerdistas e também aos meus odiosos golpistas que acabaram virando gado. Sim, “o importante é que a nossa emoção sobreviva” e não há nada melhor que a música para acalmar os bichos… hehehe…
Então… nosso encontro hoje é com o lendário Dilermando Pinheiro. Carioca da gema e um autêntico boêmio. Sua carreira começa nos anos 30, um precursor do chamado ‘samba de breque’. Uma de suas marcas era o batuque no chapéu de palha e aqui neste lp vamos poder presenciar isso ao longo das oito faixas deste lp de 10 polegadas, lançado pela Musidisc em 1956. Na verdade, este foi o segundo volume, lançado também no mesmo ano do primeiro. Como o nome mesmo diz, trata-se de uma seleção de sambas do passado, clássicos dos anos 30 e 40. Uma delícia de disquinho que só mesmo quem conhece pode dizer. Se alguém aqui ainda não ouviu, a oportunidade é esta. Confiram no nosso GTM. E qualquer hora dessas e publico aqui o volume 1 para completar, ok?
 
vai cavar a nota
mágoas de um vagabundo
velhos tempos
faceira
vai haver barulho no chateau
até amanhã
retratinho
nega risoleta
 
 
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Turma Da Bossa – Sambas De Brasília (1961)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje nosso encontro é com a Turma da Bossa e os “Sambas de Brasília”, um disco do luxuoso selo Musidisc. Há algum tempo atrás nós postamos aqui um outro disco dessa ‘suposta’ orquestra, Turma da Bossa, disco lançado em 1959. Este, acreditamos que tenha sido editado em 1961 ou 62, não há registro de datas em nossa pesquisa. Turma da Bossa é, por certo, uma orquestra de estúdio, pois em nenhum momento dos textos de contracapa há referencia aos seus artistas. Mas, enfim, isso pouco faz diferença. O importante aqui é mesmo a música, uma série de sambas cheios de bossa e suas nuances, um bom repertório e uma qualidade técnica inquestionável. Neste sentido, Sambas de Brasília é um disco perfeito. Confiram no GTM…
 
lamento
vai mas vai mesmo
chega de saudade
mocinho bonito
lá vem a baiana
que é que é
é luxo só
se acaso você chegasse
recado
barracão
com que roupa
brigas nunca mais
 
 
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El Gaucho E Seu Conjunto – Ao Compasso Do Baião (1956)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical apresenta um álbum dedicado ao baião. O LP, de dez polegadas, foi lançado em 1956 pela Musidisc de Nilo Sérgio e tem o título de “Ao compasso do baião”, contando com a participação vocal do grupo Os Quatro Amigos. No repertório executado por El Gaúcho e seu Conjunto, oito músicas conhecidas em ritmo de baião, como por exemplo “Sertaneja”, “Cantiga da rua”, “Canta Maria” e “Velho realejo”. O tal Gaúcho líder do conjunto, por certo, é o sanfoneiro. A dúvida que se tem é:  será que esse Gaúcho que gravou nosso álbum de hoje é o mesmo que deixou outros nove títulos, lançados entre 1957 e 1962, conforme registra o portal do Instituto Memória Musical Brasileira? Bem, o fato é que não encontrei nenhum dado biográfico disponível a respeito dele, verdadeira incógnita. Mas o que interessa é ouvir este disco, e recordar bons momentos ao som do baião, que na época, 1956, ainda estava na crista da onda. É ir ao GTM e conferir.
 
cantiga de rua
beliscada
velho realejo
bauru
sertão
canta maria
amor verdadeiro
sertaneja
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho
 

Bandinha Musidisc – A Bandinha No Cinema (1963)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Começando bem a semana, temos aqui um disco muito interessante, “A Bandinha no Cinema”. Uma curiosa interpretação de músicas de cinema ao estilo e por conta de uma bandinha, dessas que tocam em coreto de praça pública. Essa é a proposta da Musidisc naquele ano de 1963. Como podemos ver, são músicas de filmes de sucesso internacional. Vale a pena conhecer essas versões…
 
sempre no meu coração
lolita ya ya
sete homens e um destino
an affair to remember
que sera sera
exodus
luzes da ribalta
love is a many splendored thing
moon river
lili
tonight
smile
 
 
 
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Kuntz Negle – Midnight Dance (1957)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje apresentamos o álbum “Midnight dance”, ao que parece o único trabalho-solo do clarinetista e saxofonista Kuntz Negle à frente de sua orquestra, lançado pela Musidisc de Nilo Sérgio em 1957, já no formato-padrão de doze polegadas. Quase nada se sabe a respeito desse músico, a não ser que ele fez parte dos grupos Os Copacabana, Sambossa 5 e Copa Combo, além de ter possuído conjunto próprio. No repertório deste disco, por sinal muito bem gravado para os padrões da época, uma seleção de clássicos da música popular norte-americana, com exceção de duas faixas, a mexicana “Caramelito” e a espanhola “La macareña“. É um trabalho muito interessante e de qualidade, que, embora já tenha feito parte do blog Parallel Realities, merece também o nosso Toque Musical. A conferir no GTM sem falta.

somenthing gotta give

the night has a thousand eyes

tenderly

ebb tide

caramelito

dancing in the dark

la macareña

i’ll see you in my dreams

luluby of birdland

love me or leave me

because of you

artistry in rhythm

 

*Texto de Samuel Machado Filho

 

 

Ed Lincoln – Aquarela (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! Para variar, estou novamente atrasado… Aqui temos para hoje mais um disco do grande Ed Lincoln. Este lp foi lançado originalmente em 1961, pela Musidisc, de Nilo Sérgio. Nos anos 80 ele voltou a ser relançado pelo selo Sigla. “Aquarela” é um disco de muitas cores, cujo o repertório mescla diferentes ritmos, nacionais e internacionais. Disco bem agradável que vale a pena buscar no GTM. Confiram…

aquarela do brasil

locomotion

seleção de can can

ai mourrir pour toi

mulher de trinta

sentimental jorney

arrasta a sandália – não poe a mão

teleco teco nº2

hey there

o amor e a rosa

that old black magic

vivendo e aprendendo

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Nestor Campos E Seu Conjunto – Musica Da Noite (1956)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical apresenta o primeiro LP, em dez polegadas, de um dos maiores guitarristas que o Brasil já teve. Estamos falando de Nestor Campos. Batizado com o nome completo de Nestor Pereira Campos, ele nasceu em São Luiz do Paraitinga, no bairro dos Caetanos, em 6 de março de 1920, portanto há exatos cem anos. Em 1934, aos catorze anos de idade, mudou-se com a família para São Paulo, em busca de melhores oportunidades, e foi líder de um conjunto que fazia constantes apresentações em emissoras de rádio paulistas. Em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital da República, onde profissionalizou-se como músico, sendo contratado pela lendária PRE-8, Rádio Nacional. Nos anos 1960, atuou como músico e arranjador de orquestras em Paris, capital da França. Gravou vários discos na Europa e compôs diversas músicas para o cinema francês. Em meados da década de 1970, mudou-se para Portugal, dando continuidade à carreira de músico. Casou-se e deixou três filhas, vindo a falecer no dia 22 de fevereiro de 1993, em Lisboa. Neste disco, lançado pela Musidisc em 1956 e apresentado como o primeiro de uma série, Nestor Campos mostra todo o seu virtuosismo como guitarrista, em faixas como “Arrivederci Roma”, “C’est la vie” e “Morena boca de ouro”, com direito até a uma composição própria, o samba “Dance e não se canse”. Nestor ainda gravaria mais dois álbuns pela Musidisc, “Boate”, ainda em dez polegadas, e “Bolero-mambo”. Este “Música da noite” é uma rara oportunidade de se apreciar o trabalho de um dos maiores e excepcionais talentos que o Brasil conheceu e esqueceu. É só ir até o GTM e conferir.
 
agora é cinza
arrivederci roma
madeira
the rose tatoo
dance e não se canse
c’est la vie
molly-o
morena boca de ouro
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho 

Marilia Baptista – Samba E Outras Coisas (1956)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Não sei se vocês perceberam, mas estamos agora com duas opções para download, pelo Depositfiles e pelo Mediafire. Isso, por certo, irá facilitar a vida de muitos por aqui que as vezes encontram dificuldades em baixar pelo Depositfiles.

Temos hoje a presença de Marília Baptista, um dos grandes nomes da nossa música popular nos anos 30, 40 e 50. Foi uma das melhores amigas de Noel Rosa e também uma das preferidas intérpretes de suas canções. Era chamada de “Princesinha do Samba”. Tinha apenas 13 anos quando se apresentou em público pela primeira vez. Cantora e compositora, violonista de formação clássica, dona de uma voz grossa, o que lhe destacava em relação a tantas outras cantoras de sua época. Entre suas composições fez muitas marchinhas carnavalescas, interpretadas também por outros artistas. Se afastou das rádios e dos palcos por uns 10 anos quando então se casou. Mas voltaria novamente a gravar a partir da segunda metade dos anos 50. Foi quanto lançou este disco “Samba e outras coisas”, com composições suas em parceria com seu irmão, Henrique Baptista. Há, porém, dois sambas nesse disco que são de Noel Rosa, uma prova maior da admiração da cantora pelo poeta da Vila. Um belo disco que vale a pena ouvir. Confiram no GTM…
 
tipo zero
nunca mais
você não é feliz porque não quer
imitação
remorso
vai, eu te dou liberdade
praia da gávea
vila dos meus amores
 
 
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Trio Surdina – Em Bossa Nova (1963)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Vocês que acompanham as postagens sabem o quanto gostamos do Trio Surdina por aqui. Já postamos vários discos desse trio, que ao longo de sua existência teve em sua formação diferentes instrumentistas. Neste disco de 63, após um hiato, eles marcam um retorno com uma tremenda escalação: Waltel Branco no violão, Patané no violino e Chiquinho do Acordeon, membro da formação original (que antes era Fafá Lemos, Chiquinho e Garoto). Desta vez o Trio Surdina vai de Bossa Nova e para engrossar o caldo contam ainda com Rubens Bassini, na percussão, Plínio, na bateria e Ary Carvalhaes, no contrabaixo. O repertório é fino, com arranjos sofisticados do mestre Waltel Branco. Não bastasse, trata-se de uma produção da Musidisc. Gravação impecável em um dos primeiros discos estéreo fabricados no Brasil. Confiram essa joinha no GTM.

corcovado
história
depois do carnaval
chega de sofrer
preciso dar um jeito
lindos olhos azuis
que saudade
deixa a nega gingar
samba em prelúdio
menino desce daí
de mais amor
o amor em paz
 
 
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Os Melhores Do Ano (1962)

Olá, amigos cultos e ocultos! Que tal este lp, do selo Musidisc, trazendo os seus melhores do ano? Do ano de 1963! Que fique claro, hehehe… Pois é isso mesmo… Aqui uma seleção promocional do selo/gravadora comandado por Nilo Sérgio, a Musidisc. Nessa época, uma das melhores etiquetas fonográficas, cujo os lançamentos eram de altíssima qualidade a começar logo pela capa, sempre material e arte de primeira, coisa que nem todas as outras gravadoras se preocupavam. Neste disco, cujo sentido é mais promover seus artistas e lançamentos, temos três grandes nomes: Ed Lincoln, Marília Batista e Pedrinho Rodrigues numa seleção musical extraída de seus discos originais. Confiram essa amostragem no GTM.

miss balanço – ed lincoln
véspera do amanhã – marília batista
o morro não tem vez – pedrinho rodrigues
nunca mais – ed lincoln
morena sereia – marília batista
baiana das quatro saias – pedrinho rodrigues
tem que balançar – pedrinho rodrigues
estamos aí – ed lincoln
consciência – marília batista
o amor e a canção – pedrinho rodrigues
quero amar – ed lincoln
joão teimoso – marília batista

 

Larry Guest – Alegria… É Som Embalo Vol. 1 (1971)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Como vocês já devem saber, eu, eventualmente, tenho postado aqui discos de artistas internacionais. Obviamente, procuro trazer aquilo que está fora de circulação e também que seja algo curioso e diferente. No caso de hoje, temos um disco lançado em 1971 pela Musidisc, do Nilo Sérgio, “Alegria… É Som Embalo Vol. 1”. Trata-se na verdade de uma produção italiana, original de 1970 e tem como artistas Larry Guest, Orquestra e Vozes, nome este obscuro que parece ter sido até inventado. O disco apresenta aquele velho conceito ‘no pause’, ou seja, um disco sem divisão de faixas entre as músicas. E como vocês podem ver, são ao todo 29 músicas! Um drops misto com um leque variado de estilos, mariachi, schlager, easy listening, tudo bem aos moldes de um Paul Mauriat. Confiram…

what now my love
something stupid
puppet on a string
love is blue
what a wonderful word
this guy’s in love with you
delilah
congratulation
 a banda
help yourself
my name is jack
strangers in the night
black forest
music to watch girls by
meet mr. guest
if i had a hammer
makin’whoopee
bye bye blackbird
halekin
warst du doch in dusseldorf geblieben
computer n. 3
down by the riverside
la paloma
clementine
la golondrina
cielito lindo
la cucaracha
love me more
canadian express

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Pierre Kolmann E Seu Conjunto – Para Dançar Vol. 2 (1957)

E o Toque Musical põe de novo na área o pianista Pierre Kolmann, aliás João Leal Brito, o Britinho. Dele, já havíamos oferecido o primeiro e o terceiro volume de “Para dançar”, “Dance com Musidisc” e a coletânea “Seleção de sucessos”, todos lançados pela já saudosa Musidisc, de Nilo Sérgio (que encerrou definitivamente suas atividades em 2013). Portanto, oferecemos hoje a nossos amigos cultos e ocultos o segundo volume de “Para dançar”, editado em 1957, completando, dessa forma, a série. A respeito do pianista, não há muita coisa a ser dita, pois já falamos muito sobre ele nas postagens anteriores. Segundo escreve na contracapa um certo Sebastião Fonseca, a Musidisc  “sentiu-se obrigada” a lançar este segundo volume, em virtude do sucesso do primeiro, consequência inevitável, convenhamos. Ainda de acordo com a contracapa, o álbum é “uma antologia sonora capaz de satisfazeraos mais diversos gostos”. Entre as doze faixas, estão duas composições então inéditas do próprio Britinho/Pierre Kolmann, o samba-canção “Maldição” e o fox “Você e mais ninguém”. No restante do programa, dois sambas carnavalescos de sucesso, “Jarro da saudade” e “Tumba lelê”, um samba-canção clássico, “Dó-ré-mi”, por sinal de autoria de Fernando César, com quem Britinho/Pierre Kolmann também compôs outros êxitos, três foxes norte-americanos,“Mylittleone”, que aliás ganhou letra em português com o título de “Meu benzinho”, popularizada por Agostinho dos Santos, e os sempre lembrados “Myprayer” e “Onlyyou”, eternos hits dos Platters, e ainda “You’resensational”, então êxito de Frank Sinatra no filme “Alta sociedade (High society)”, da MGM. Para completar, três clássicos do bolero, gênero sempre muito bem recebido pelo público brasileiro, “Angústia”, “Historia de un amor” e “Nunca, jamais”. Um álbum de primeira, com o sempre impecável padrão técnico e artístico da Musidisc, e por isso mesmo, merecedor da postagem de hoje do TM. E aí? Dá-me o prazer desta contradança?

jarro da saudade
angústia
maldição
my prayer
história de un amor
you’re sensacional
do ré mi
my little one
tumba le le29
você e mais ninguém
only you
nunca jamais

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Lee – Bossa Maximus (1966)

Um dos ítens mais atraentes e, ao mesmo tempo, mais enigmáticos, para os colecionadores de raridades discográficas. É o que o TM está oferecendo hoje a seus amigos ocultos e ocultos: o único álbum do cantor Carlos Lee, “Bossa maximus”, lançado em 1966 pela Musidisc de Nilo Sérgio. Como indica o título, é um disco no melhor estilo bossa nova, com doze faixascheias de balanço, por sinal bem suave, tais como “Meu Rio” e “Cantiguinha”. O álbum inclusive chamou a atenção dos executivos do selo britânico Whatmusic, que adquiriu da Musidisc os direitos de lançamento para o Reino Unido. Mas há uma questão que ninguém sabe responder, nem mesmo pesquisadores, colecionadores de discos e ex-funcionários da Musidisc: afinal de contas, quem afinal é (ou era) Carlos Lee , o cantor que assina o disco e, supostamente, aparece na capa, em uma foto num saveiro, na enseada da Urca? Segundo Nilo Sérgio Pinto, filho do fundador da Musidisc, Nilo Sérgio, e detentor do acervo da gravadora, mesmo anos depois da reedição de “Bossa Maximus” no exterior, ninguém foi capaz de dizer qual o paradeiro do cantor, ou mesmo dar alguma informação sobre ele. Seria, por sinal, o mesmo Carlos Lee que gravou dois compactos simples em 1968, um na CBS e outro na RCA Victor? Incógnita total, como se vê. Ainda assim, “Bossa Maximus” é mais um raríssimo produto de alta qualidade técnica e artística, como de praxe nos lançamentos da Musidisc, que o TM oferece com a grata satisfação de sempre. E vamos ver se alguém sabe por onde anda o Carlos Lee…

canto do boiadeiro
meu rio
zulu
amando estou
cantiguinha
capoeira de oxalá
mensagem
subúrbio triste
rei do quilombo
você me conquistou
quarta feira
disseram

*Texto de Samuel Machado Filho

As Três Marias Com Leal Brito E Orquestra – Baião Vol. 1 (1953)

Ritmo popular especialmente no Nordeste do Brasil, o baião ou baiano provém de uma das modalidades do lundu – estilo musical gerado pelo retumbar dos batuques africanos produzidos pelos escravos bantos de Angola, trazidos à força para o Brasil. Foi em outubro de 1946 que o Brasil inteiro tomou conhecimento desse ritmo nordestino, quando foi lançada, na interpretação dos Quatro Ases e um Coringa, a primeira música do gênero de que se tem notícia: exatamente intitulada “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Assumindo nova tonalidade, com a incorporação um tanto inconsciente das características do samba e da conga cubana, o baião disseminou-se por todo o país e até alcançou êxito internacional. Além de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, vários outros cantores obtiveram sucesso no gênero, tais como Marlene, Emilinha Borba, Ivon Cúri, Ademilde Fonseca e Dalva de Oliveira (que gravou em Londres o clássico “Kalu”, de Humberto Teixeira).  Carmélia Alves era a “rainha do baião”, Claudette Soares, “a princesinha”, e Luiz Vieira, o “príncipe”.  O sucesso do baião até popularizou o acordeom, um dos instrumentos musicais utilizados em sua execução. Merece também ser lembrado Waldyr Azevedo, mestre do cavaquinho, que em 1950 lançou o baião instrumental “Delicado”, êxito em todo o mundo.  Depois de um período de relativo esquecimento, no decorrer dos anos 1960, o interesse pelo baião renasceu a partir do advento da Tropicália, com Gil e Caetano à frente, e marcante influência nos trabalhos de músicos nordestinos desde então. Até mesmo Raul Seixas, o maior astro do rock brasileiro em toda a sua história, criou o que chamava de “baioque”, mistura de baião e rock. Em 1953, quando o baião ainda estava no auge da popularidade, a Musidisc de Nilo Sérgio decidiu lançar uma série de LPs (naquele tempo, de dez polegadas) dedicados ao ritmo nordestino, com o título de “Baião”. É justamente o primeiro desses álbuns (depois vieram mais três) que o TM oferecer hoje a seus amigos cultos e ocultos. A interpretação coube ao grupo feminino As Três Marias, na época formado por Hedinar Martins (irmã de Herivelto), Consuelo Sierra e Maria Tereza, com acompanhamento da orquestra de Leal Brito, isto é, Britinho. Em suas oito faixas (duas músicas em cada uma delas!), reúnem-se  alguns dos baiões de maior sucesso, tipo “Paraíba”, o já citado “Delicado”, “Esta noite serenou”, “Pé de manacá”, “Saia de bico”, “Baião de dois”, “Ê boi”, “Adeus, adeus, morena”, o pioneiro “Baião”, assinados pelos mais expressivos compositores do gênero, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Hervê Cordovil. Com direito até a uma composição do próprio Britinho, “Marilu”, e outras três músicas transformadas em baião, “Maringá” e o clássico carnavalesco “Taí”, ambas de Joubert de Carvalho, mais o motivo folclórico mineiro “Peixe vivo”, canção predileta do então futuro presidente da República, Juscelino Kubitschek. Tudo isso faz deste “Baião número 1” um verdadeiro documento histórico, merecedor, com todas as honras, da postagem de hoje do TM. Confiram…

paraiba – delicado

baião vai baião vem – maringá

esta noite serenou – chuva miudinha

pé de manacá – ta-hi

eh boi – adeus adeus morena

marilu – macapá

saia de bico – baião

peixe vivo – baião de dois

*Texto de Samuel Machado Filho

Pierre Kolmann – Seleção De Sucessos N. 1 (1962)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do enigmático pianista Pierre Kolmann, lançado em 1962 pela Musidisc de Nilo Sérgio. Cronologicamente, este é o quarto LP de Pierre aqui postado. Como vocês bem se recordam, Pierre Kolmann é um dos muitos pseudônimos  do compositor, pianista e “bandleader” João Adelino Leal Brito, que ficou conhecido como Britinho (Pelotas, RS, 5/5/1917-?, 1964 ou 65). Por mais de três décadas, ele desenvolveu grande e importante atuação em nossa música popular, tendo suas músicas gravadas por inúmeros artistas de prestígio a seu tempo. Como pianista e maestro, gravou inúmeros discos com sua orquestra, e acompanhou cantores diversos. Foi um instrumentista super-requisitado , daí ter adotado o esquema de pseudônimos, usado por outros músicos de sua época, pois assim poderia gravar discos em outras companhias, sem enfrentar problemas de ordem contratual. Curiosamente, os álbuns gravados por Britinho como Pierre Kolmann não estão relacionados  em sua discografia, pois não eram considerados de carreira. Este “Seleção de sucessos”, como já bem explica o título, é uma compilação de faixas que já haviam saído nos LPs anteriores de Pierre Kolmann/Britinho para a Musidisc. Trata-se de um apanhado exclusivamente de músicas brasileiras, de compositores consagrados. A maior parte das dez faixas é assinada pelo mestre baiano Dorival Caymmi: “Marina”, “Rosa morena”, “Acontece que eu sou baiano”, “Saudade da Bahia”, “Maracangalha” e “João Valentão”. Completando o disco, temos “Boneca cobiçada” (Biá e Bolinha), “Conceição” (maior sucesso de Cauby Peixoto, assinado por Dunga eJair Amorim) e duas composições de Fernando César sem parceria, “Vício” e “Dó-ré-mi”.  Enfim, sucessos inesquecíveis que compõem o repertório de mais este interessante álbum na linha “dançante”, daqueles que animavam qualquer festinha caseira, que o TM oferece com a satisfação de sempre. O curioso é que não há registro de lançamento do segundo volume de “Seleção de sucessos”… Mesmo assim, bom divertimento!
marina
rosa morena
boneca cobiçada
acontece que eu sou baiano
conceição
saudades da bahia
maracangalha
vício
joão valentão
do re mi

*Texto de Samuel Machado Filho

Picolino da Portela – Sambistas Unidos (1975)

Hoje, o TM põe em foco um dos mais expressivos nomes do samba carioca: Claudemiro José Rodrigues, ou, como ficaria para a posteridade, Picolino da Portela. Compositor, cantor e ritmista, ele veio ao mundo no Rio de Janeiro mesmo, a 18 de maio de 1930. Funcionário aposentado do Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis, compôs sua primeira música ainda adolescente, aos 16 anos, para o Bloco Unidos da Tamarineira, de Oswaldo Cruz, e apresentou-se em vários clubes e rodas de samba da então capital da República. Mais tarde, ingressou na Portela, ao lado de Candeia e Waldir 59, passando a integrar a ala de compositores da escola, que presidiu por dois anos. Entre os sambas-enredo que Picolino compôs para a Portela, destaca-se “Legados de D. João VI”, com o qual a escola foi campeã no carnaval de 1957. Em 1963, ao lado de Candeia, Casquinha, Casemiro, Arlindo, Jorge do Violão e Davi do Pandeiro, forma o grupo Mensageiros do Samba, que gravaria seu único LP, “A vez do morro”, três anos depois. Mais tarde, forma o grupo ABC da Portela, ao lado de Colombo e Noca, que participa de vários espetáculos de samba e alguns festivais. O trio obteve sucesso no carnaval de 1968 com o samba “Portela querida”, na voz de Elza Soares. Outros intérpretes que gravaram músicas de Picolino da Portela foram Elizeth Cardoso, Martinho da Vila, Noite Ilustrada, Luiz Ayrão e Eliana Pittman, de quem por sinal é parceiro no samba “Lenços brancos”. Como intérprete, Picolino da Portela deixou escassa discografia: apenas dois LPs (sem contar “A vez do morro”), três compactos simples e um duplo. E dela, o TM traz hoje, para seus amigos cultos, ocultos e associados, exatamente o seu segundo e último álbum-solo: “Sambistas unidos”, lançado em 1975 pela Musidisc, com o selo América. A produção, caprichada, ficou por conta do fundador e proprietário da gravadora, Nilo Sérgio, sob a direção musical de Moacyr Silva, com trabalhos de gravação e mixagem de Max Pierre, supervisionados pelo engenheiro de som Jorge Coutinho.  Um verdadeiro time de “cobras” do disco, que legou-nos este belo trabalho, em que Picolino da Portela  interpreta composições dele, com parceiros (destacando-se “Tô chegando, já cheguei”, já conhecida do público na voz de Eliana Pittman), e ainda de outros autores (como “Maré tá cheia”, do então ainda iniciante Neguinho da Beija-Flor). Um disco  que, como frisa na contracapa o jornalista Luiz Carlos de Assis, mostra o samba simples, puro e autêntico, sendo portanto digno da postagem de hoje do Toque Musical. E agora… ó abre alas, que a Portela quer passar!

deixa a portela passar
tô chegando, já cheguei
maré tá cheia
os teus problemas são meus
prefiro esperar
só restou uma canção
tora de madeira
sebastião
silêncio que o natal morreu
uma saudade que ficou a mais
o teu passado impede o futuro
língua da candinha

*Texto de Samuel Machado Filho

Jota Junior e Seu Conjunto – Nova Bossa Nova (1966)

De vez em quando, os pesquisadores da MPB se deparam com certas incógnitas. E este vem a ser o caso do álbum que o TM hoje oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados. Trata-se do único LP do pianista Jota Júnior e seu conjunto, denominado “Nova bossa nova”, lançado em 1966 pela Musidisc de Nilo Sérgio. Quase nada se sabe a respeito desse músico. Há rumores de que ele teria sido pianista de um outro grupo, denominado Bwana Trio, que gravou um álbum posterior a este aqui, em 1970. De qualquer forma, este “Nova bossa nova” é de um tempo em que esse importante movimento musical, que sempre deu ibope aqui no nosso TM, ainda respirava, mesmo em plena época de Jovem Guarda e festivais.  E no qual predomina o sambalanço bem ao estilo de Ed Lincoln, então também contratado da Musidisc, tipo de música então ideal para as festas e bailes desse tempo. Quase todo o repertório deste disco é formado por trabalhos até então inéditos, assinados por compositores diversos, que foram apresentados pela primeira vez em disco justamente aqui. E com direito a regravações dos clássicos internacionais “Melodie d’amour” e “Lavadeiras de Portugal”.  Deste trabalho, inclusive, a gravadora extraiu dois compactos simples, o primeiro com as faixas ”Vendedor de triguilim” e “Bate a palma”, e o segundo com “O trenzinho” e “O molejo dela”. Um disco, no todo, bastante desfrutável, com Jota Júnior e seu conjunto apoiados por um bom coral de vozes, repleto de “rasteirinhas” muito bem gingadas,  e a alta qualidade característica dos trabalhos fonográficos da Musidisc. Sendo, portanto, merecedor de mais esta postagem de nosso TM, para satisfação de todos os que apreciam o melhor de nossa música popular. É só conferir…

molejo dela

trenzinho

vendedor de trimguilim

melodie d’amour

bate a palma

bop no balanço

marraio

leva

balanceando

ilusão demais

menina tola

lavadeiras de portugal

*Texto de Samuel Machado Filho

Breno Sauer Quarteto – 4 Na Bossa (1966)

Hoje o TM põe em foco um dos mais criativos instrumentistas da época de ouro da bossa nova, que, apesar de ter feito grande sucesso no Brasil, hoje está totalmente esquecido : Breno Sauer.  Ele nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1930 (ou 1935, não há certeza). Tanto seu pai como seus três irmãos também eram músicos. Ele começou tocando acordeom em um grupo regional, acompanhando calouros no rádio, também composto de violão, flauta, cavaquinho e pandeiro. Influenciado pelo quinteto de Art Van Damme, montou um grupo com a mesma formação, ou seja, guitarra elétrica, baixo, vibrafone, acordeom e bateria. Mais tarde, o próprio Breno passou a ser o vibrafonista. Com essa formação, grava seu primeiro LP  em 1959, “Viva o samba”. Um ano depois, lança “Viva a música”, com repertório essencialmente de bailes, tocando até mesmo o tema erudito “Pour Elise”, de Beethoven.  Em 1961, Breno Sauer transfere-se para Curitiba e forma um grupo para se apresentar em boates. De lá, vai para o eixo Rio-são Paulo, onde então estavam as melhores oportunidades de trabalho e desenvolvimento profissional. Grava mais quatro álbuns no Brasil até 1966, e, no ano seguinte, parte para uma turnê no México, já com seu grupo convertido em quarteto. Breno morou lá por um bom tempo, inclusive gravando, em terras mexicanas, um excelente LP com Leny Andrade. Em 1974, transfere-se para Chicago, nos Estados Unidos, e forma um grupo com músicos de diferentes nacionalidades residentes na América (brasileiro, japonês, cubano e norte-americano).  A base era: trompete, sax, piano, baixo, bateria, percussão e voz (no caso, a da esposa de Breno Sauer, Neusa). A princípio, o grupo se chamava Made in Brazil, mas como já havia um conjunto de rock com esse nome, este foi mudado para Som Brasil. Em 1983, o conjunto gravou o álbum “Tudo joia”, muito bem recebido pela crítica. Não se sabe se o grupo ainda está na ativa. Pois hoje o TM oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados o quinto LP gravado por Breno Sauer no Brasil, quando seu grupo era um quarteto. Trata-se de “Quatro na bossa”, lançado em 1965 pela Musidisc de Nilo Sérgio, em que Breno está ao vibrafone, acompanhado pelo pianista Adão, o baixista Ernê e o baterista Portinho. Nele, um repertório que mescla standards da bossa nova (“Você”, “Sonho de Maria”, Sambossa”, “Estamos aí”, “O amor em paz”) e do blues (“My many shely”, “Blues for mother”) com direito até mesmo ao clássico “Terra seca”, do mestre Ary Barroso, em produção bem cuidada. Portanto, o TM oferece a vocês uma rara oportunidade de se conferir o talento e a musicalidade de Breno Sauer e, quem sabe, tirar seu nome do injusto esquecimento a que foi relegado.  É ouvir e conferir…

você

essa é nossa

blues for mother

estamos aí

olhou pra mim

sonho de maria

sambossa

amanhã

my many shely

baiãozinho

amor em paz

terra seca

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Orquestra Romanticos De Cuba – Quiereme Mucho (1959)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais um disco da fabulosa Orquestra Românticos de Cuba. E eu que pensava já ter postado aqui mais de uma dúzia de discos dessa orquestra, percebo agora que não chegaram a 4. Então, tenho aqui um bom motivo para postar este disco, “Quiereme Mucho”, terceiro disco dos Românticos de Cuba pela sofisticada Musidisc. Um álbum luxuoso que teve na época duas edições, uma mono hifi e outra em estéreo. Lançado originalmente em 1959, o disco dá sequência aos ritmos latinos, ao bolero principalmente, que está presente nos dois primeiros lps. Desta vez, porém, o repertório inclui autores nacionais como Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, Getúlio Macedo e Irani de Oliveira, Alcyr Pires Vermelho e Jair Amorim, Dalton Vogeler e Esdras Silva e Dolores Duran. Um disco, sem dúvida, perfeito para os amantes de orquestras. Repertório fino! Confiram

fascination – ecstasy
amapola – siete notas de amor
maria elena – india
esperame en el cielo – tu me acostumbraste
se alguém telefonar – castigo
siboney – desesperadamente
aquellos ojos verdes – noche de ronda
till… – love letters
balada triste – ontem e hoje
quiereme mucho – vereda tropical
.

 

O Gato De Botas / O Pequeno Polegar (1957)

Advogado, escritor e poeta, Charles Perrault (Paris, França, 12/1/1628-idem, 16/5/1703) estabeleceu bases para um novo gênero literário: o conto de fadas. Por isso, foi cognominado “o pai da literatura infantil”. Contemporâneo do fabulista Jean de La Fontaine, e membro da Academia Francesa de Letras, Perrault ouvia muitas histórias de sua mãe e nos salões parisienses, e já idoso, aos 62 anos, resolveu registrá-las para publicação em livro. Este, surgido em 1697, quando Perrault já beirava os 70 anos, recebeu o título de “Histórias ou contos do tempo passado com moralidades”, mas também era chamado de “Contos da velha” e “Contos da cegonha”,  ficando afinal conhecido como “Contos da mamãe gansa”. Êxito mundial, o livro foi praticamente o pioneiro do gênero conto de fadas, sendo Perrault o primeiro a dar acabamento literário ao mesmo.
Até hoje, muitas histórias do mestre Perrault  são editadas, traduzidas e distribuídas em meios de comunicação diversos, teatro, cinema (“live action” e animação), TV, etc.  Dois de seus mais famosos contos de fadas estão no álbum que o Toque Musical tem o prazer de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, lançado em 1957 pela Musidisc de Nilo Sérgio. São “O gato de botas” e “O Pequeno Polegar”. O primeiro é a história de um caçula de três irmãos que recebe de herança do pai um gato de estimação. Depois de ganhar um par de botas, o gato, bastante esperto, consegue convencer um poderosíssimo rei de que pertence a um fidalgo, o Marquês de Carabás, e assim consegue ao seu dono a mão da princesa em casamento.  Já “O Pequeno Polegar” foi possivelmente inspirado na história hebraica do pastor Davi, depois rei dos hebreus. Ele era o caçula dos sete filhos de um pobre lenhador, e era tão pequenino que o chamavam de Pequeno Polegar. Apesar do tamanho, nosso herói  era também muito esperto, como o gato de botas. Um dia, o lenhador  resolveu abandonar os filhos na floresta e estes, após longa caminhada, avistaram um castelo,  em busca de abrigo e alimento.  Só que lá residia um ogro malvado (possível  referência ao Rei Saul de Israel, para quem Davi trabalhou antes de ser monarca, aqui substituído por um gigante) , que, ao ver os pobres garotos, resolveu devorá-los. Percebendo as intenções malignas do ogro, o Pequeno Polegar, durante a noite, trocou seu chapéu e o dos irmãos pelas coroas das filhas do monstro, que as devorou pensando que fossem os rapazes. Eles tiveram de fugir do castelo, e Polegar, enquanto o ogro dormia, calçou suas botas encantadas (as famosas botas de sete léguas), ajudando os irmãos a voltarem para casa. Auxiliado pelas botas, Polegar trabalhou para um rei, conseguiu muito dinheiro  e pôde finalmente voltar para casa. Assim, ele e sua família nunca mais passaram fome.
Em linhas gerais, com uma ou outra mudança, são estas as histórias que nosso álbum de hoje conta, em primorosa adaptação de Haroldo Barbosa  (Rio de Janeiro,  21/3/1925-idem, 6/9/1979), radialista, compositor, jornalista e redator de programas de rádio e televisão. A narração ficou por conta de Luís Jatobá (Maceió, AL, 5/1/1915-Nova York, EUA, 9/12/1982), médico ortopedista, locutor e jornalista que influenciou toda uma geração de “speakers”, não apenas de rádio, mas também de cinema, televisão e vídeo, e certamente foi o mais famoso timbre vocal masculino brasileiro, sendo a voz de Íris Lettieri (responsável pela locução de horários de voos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro) seu correspondente feminino. Jatobá  trabalhou no rádio brasileiro por 45 anos, e sua voz privilegiada foi também ouvida durante anos em nossos cinemas, na apresentação, em “off”, de trailers de filmes. Um trabalho que se iniciou em 1940, quando Jatobá foi residir nos EUA, a convite da CBS, cadeia de rádio onde se tornou o brasileiro que dava as notícias da Segunda Guerra Mundial.  Voltando ao Brasil, Jatobá foi um dos pioneiros da TV Globo, apresentando, ao lado de Hilton Gomes e Nathalia Timberg, o “Jornal da Globo” (nada a ver com o atual), e comandou, ao lado de Léo Batista, a primeira edição do “Jornal Hoje”. Perseguido politicamente pelo governo da ditadura militar, Luiz Jatobá voltou aos EUA, onde retomou a gravação de trailers de cinema, e residiu até falecer. Foi casado com a atriz e pianista Margot Bittencourt (Margarida Jatobá), ex-esposa do compositor  Humberto Teixeira.  E abrilhanta com sua narração as histórias contadas no presente álbum Musidisc, certamente uma tentativa de competir com a Continental, que iniciou a gravação de histórias infantis em disco no ano de 1945, por iniciativa de mestre João “Braguinha” de Barro, através da série Discoteca Infantil, embrião do famoso selo Disquinho, aquele dos compactos de vinil coloridos. Não há informação, infelizmente, a respeito de quem foram os intérpretes dos personagens, certamente rádio-atores. De qualquer forma, é um trabalho que, por certo, vai fazer a gente voltar no tempo, recordando aquele tempo feliz de criança que não volta mais. Deliciem-se
* Texto de Samuel Machado Filho

Leo Peracchi E Orquestra – Valsas Brasileiras N. 1 (1955)

Boa noite amigos cultos e ocultos! Achei uma brecha… Tenho para hoje “Valsas brasileiras”, com Leo Peracchi e orquestra, em disco de 10 polegadas. Um pequeno mostruário da música deste que foi um dos grandes compositores brasileiros, Disco gravado pelo selo Musidisc, em 1955. Maravilhosa música, maravilhosa orquestração. 😉

tarde de lindoia
só pelo amor vale a vida
rosa desfolhada
primavera de beijos
branca
longe dos olhos
último beijo
aurora
.

 

Horacina Corrêa – Noel Rosa (1956)

Boas noites, prezados amigos cultos e ocultos! Dando sequencia aos lps de 10 polegadas e mais uma vez trazendo uma cantora de fama internacional. Temos aqui a gaúcha Horacina Corrêa, cantora que, segundo contam, surgiu meio que inspirada em Carmem Miranda. Iniciou sua carreira na década de 30. Foi ‘crooner’na orquestra do maestro Fon fon. Participou de diversos espetáculos musicais, sendo que muitos desses na Argentina, onde era talvez mais famosa que a Carmem Miranda. Seu sucesso internacional foi também na Europa, atuando na Itália por várias vezes. Sua discografia é pequena, sendo que gravou mais em 78 rpm. Em 1956 a Musidisc lançou este lp de 10 polegadas, reunindo gravações da cantora de músicas de Noel Rosa pelo selo, desde 54. Horacina gravou sambas de Noel acompanhada pela orquestra de Léo Peracchi, responsável pelos arranjos e regência. São 10 sambas clássicos do poeta da Vila. Um disco que vale a pena ouvir 😉

até amanhã
feitiço da vila
silencio de um minuto
pra que mentir
de babado
último desejo
feitio de oração
o orvalho vem caindo
.

Orquestra Nilo Sérgio – Canções Para Uma Noite De Chuva (1969)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Eu já comentei isso aqui várias vezes… Adoro a sonoridade dos anos 60. E isso se destaca muitas vezes de forma surpreendente. Não faz muito tempo, descobri este lp do Nilo Sérgio que eu até então não conhecia. Lançado em 1969, pela gravadora dele próprio, a Musidisc. Disco bacana! Um repertório onde ele mescla suas composições (por sinal belíssimas) com outras tantas do mesmo nível, sucessos nacionais e internacionais. Um disco mesmo muito bom para se ouvir numa noite de chuva. E tá precisando

let me live
copacabana concerto
carolina
oração para uma menina
wait until dark
modinha
winter love
my sin
meia volta
o parque
the fox
joana
.

Remo Usai E Sua Orquestra – 7 Homens Vivos Ou Mortos (1968)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês um disquinho de trilha de filme. Digo disquinho porque se trata de um compacto. Porém, é dos mais interessantes e por certo, merece o nosso toque. Temos aqui a trilha, ou melhor dizendo, o tema completo (parte 1 e 2) para o filme “7 Homens Vivos ou Mortos”. Um ‘thriller policial’ com participação de grandes nomes do cinema nacional nos anos 60, como se pode ver logo na capa. A trilha/tema e execução é do maestro Remo Usai, um nome estranho e certamente para uma maioria um ilustre desconhecido, mas foi um dos mais atuantes e bem preparado compositores brasileiros de trilhas para o cinema. No seu currículo há mais de cem filmes. Eis aí um personagem que merecia uma melhor apresentação, mas como aqui tudo é meio ‘a toque de caixa’, eu vou apenas repassar este link. Leiam o texto escrito pelo pesquisador Martin Eikmeier sobre Remo Usai. Eu, por outro lado, vou procurar outras trilhas que possivelmente tenham sido editadas em lps. Não me lembro de nenhuma, mesmo assim vale a caça. Taí um compositor que a gente precisa conhecer. Eu, adoro trilhas 🙂

7 homens vivos ou mortos (parte 1)
7 homens vivos ou mortos (parte 2)
.

Ary Barroso Internacional (1964)

Boa tarde, prezados amigos cultos e ocultos! Devido a uma viagem, estou sendo obrigado a recorrer aos meus ‘discos de gaveta’, aqueles que estão sempre prontos, seja no ‘hd” ou no pen drive. Sempre levo comigo, quando viajo, alguns arquivos para cobrir as emergências. Dessa forma, levo hoje para vocês uma coletânea prá lá de bacana. Estamos falando aqui de Ary Barroso, em um álbum lançado pela Musidisc possivelmente no ano de sua morte, 1964. Não há no lp qualquer informação da data, mas pelo texto na contracapa, tudo leva a crer que se trata de uma homenagem póstuma. A Musidisc reuniu alguns de seus maiores sucessos internacionais, extraídos de outros discos e artistas da gravadora. Alguns, inclusive, até já apresentados aqui no Toque Musical. De qualquer maneira, trata-se de uma coletânea da Musidisc, o que é sinônimo de qualidade. Mais ainda sendo o motivo principal a música de Ary Barroso. Confiram!

aquarela do brasil – ed lincoln e seu conjunto
aquarela do brasil – don pablo de havana
risque – orquestra românticos de cuba
morena boca de ouro – luiz bittencourt e orquestra
rio de janeiro – bob flemimg
bahia (na baixa do sapateiro) – don pablo de havana
bahia (na baixa do sapateiro) – henry nirenberg e sua orquestra
bahia (na baixa do sapateiro) – os violinos mágicos
é luxo só – orquestra pan american
foi ela – luiz bittencourt e orquestra
.