Lyrio Panicalli – E O Sucesso (1969)

Maestro, arranjador e pianista, além de compositor, LyrioPanicalli volta a bater ponto hoje aqui no TM. Ele veio ao mundo na cidade de Queluz, interior de São Paulo, em 26 de junho de 1906. Filho de imigrantes italianos, aos 12 anos transferiu-se para São Paulo, ingressando no Liceu Coração de Jesus e depois no Conservatório Dramático e Musical da cidade. Em 1922, já no Rio de Janeiro, estudou no Instituto Nacional de Música, e foi maestro e pianista da Companhia Negra de Revista. É quando conhece Lamartine Babo, e compõe com ele o fox “Saias curtas”. Por razões familiares, teve de voltar à Queluz natal, onde desenvolveu intensa atividade musical, organizando bandas e coros. Regressando à capital paulista, começou a trabalhar na Rádio São Paulo, desta passando, em 1938, para a lendária Nacional do Rio de Janeiro, onde participou do programa “Canção antiga”, de Almirante. Nesse ano, organizou uma orquestra melódica com seu nome, e desde então escreveu temas para diversas novelas da PRE-8, como as valsas “Encantamento”, “Magia” e “Ternura”. Em 1939, faz seu primeiro trabalho para o cinema: a trilha sonora do filme “Aves sem ninhos”, de Raul Roulien. Depois, faz o roteiro musical de inúmeros outros filmes, tais como “Moleque Tião” (1943), “A dupla do barulho” (1953) e “Nem Sansão, nem Dalila” (1954), os três da lendária Atlântida. Panicalli também foi um dos fundadores, em 1950, da gravadora Sinter (hoje Universal Music), onde foi diretor artístico e gravou seu primeiro LP, “Orquestra Melódica de LyrioPanicalli”. Idealizou com Paulo Roberto, na Rádio Nacional, o famoso programa “Lyra de Xopotó”, sobre bandas do interior do Brasil, de que resultou uma série de LPs com o mesmo título, alguns deles já postados aqui no TM. Foi ainda maestro contratado da Rádio MEC, também do Rio, e enriqueceu, com seus arranjos e regências, as gravações de vários cantores brasileiros, tais como Francisco Alves, Dalva de Oliveira, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Cauby Peixoto, Tito Madi e Sérgio Murilo, às vezes usando o pseudônimo de Bob Rose. Com a popularização das telenovelas, nos anos 1960, escreveu trilhas sonoras para várias delas, trabalho esse resumido, em 1972, no disco “Panicalli e as novelas”. Faleceu em 29 de novembro de 1984, em Niterói, litoral fluminense, aos 78 anos de idade. Além dos discos da Lyra de Xopotó, o TM já postou outros trabalhos que tiveram o dedo do mestre LyrioPanicalli: “Cantigas de roda”, “Nova dimensão”, “Boleros” (regendo a Orquestra Violinos de Ouro) e “Panicalli italiano”. Agora trazemos, para desfrute de nossos amigos cultos e ocultos, um álbum que a Odeon, gravadora à qual o maestro esteve vinculado durante bastante tempo, lançou em 1969. Trata-se de “LyrioPanicalli e o sucesso”, gravado sob a direção de produção de Mílton Miranda. Aqui, ele investe na linha dançante, apresentando com sua orquestra doze sucessos nacionais e internacionais daquele ano, destacando-se “Eu disse adeus” (do repertório de Roberto Carlos), “Sugar sugar” (de um conjunto americano do “faz de conta”, The Archies), “F… commefemme’ (de Salvatore Adamo, tema da novela “Beto Rockfeller”, da extinta Tupi),  “I started a joke’ (dos Bee Gees, tema da mesma novela), “Cantiga por Luciana” (vencedora do FIC de 69, na voz de Evinha), “Aquarius” (da peça “Hair”), “Love isall” (também do FIC de 69, sucesso do britânico Malcolm Roberts) e “Evie” (que, na voz de Johnny Mathis, seria mais tarde prefixo do jornal “Hoje”, da Globo). Enfim, mais um álbum do mestre LyrioPanicalli que o TM oferece, verdadeiro e irresistível convite à dança. Que comece a festa…

i started  a joke
evie
stormy
cantiga para luciana
aquarius
daydream
eu disse
love is all
será será..
f… comme femme
goodbye
sugar sugar

*Texto de Samuel Machado Filho

Côro Infantil Do Clube Do Guri Com Orquestra Sob Direção De Lyrio Panicali – Cantigas De Roda (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Quando o Dia das Crianças cae no sábado, o domingo automaticamente passa a ser uma prorrogação. Afinal, todo domingo é dia da criança, quando os pais levam seus filhos para os parques, jardins, clubes… tudo em nome da diversão.
Assim sendo, aqui vai mais um disco relacionado ao universo infantil. Claro que estamos falando aqui do universo das crianças de 40, 50 ou 60 anos atrás, quando, por exemplo, dar com um pau num gato era coisa mais natural desse mundo. Tem gente, hoje em dia, que fica horroziado com essa letra. Mas os tempos eram outros e gato só servia mesmo para fazer tamborim.
Temos aqui um disco de cantigas de roda, lançado pelo selo Columbia, em 1961. Nele encontraremos doze temas clássicos interpretados pelo Côro Infantil do Clube do Guri, de Samuel Rosenberg, acompanhados de orquestra sob a orquestração e regência do maestro Lyrio Panicali. Taí, mais um disquinho para matar a saudade daquele tempo de criança. Aaah…

ciranda, cirandinha
carneirinho, carneirão
eu entrei na roda
de marré, marré, marré
passarás, não passarás
onde está a margarida
nesta rua tem um bosque
terezinha de jesus
atirei o pau no gato
passa, passa gavião
eu fui no tororó
o cravo brigou com a rosa
.

Angela Maria – Quando Os Maestros Se Encontram Com Angela Maria (1957)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Bom dia e boa Páscoa, é claro! O dia não está lá uma beleza, o céu está fechado e São Pedro logo vai mandar aquela ducha para melar de vez o domingo. Mas quem tem em casa um bom chocolate, pode ficar na boa, comendo ovos de Páscoa… naquele laricão… Melhor ainda quando se pode também ouvir uma boa música. Eu como sempre, bem acompanhado, posso me dar ao luxo de escolher a vontade 🙂 Escolher para mim, e para vocês também. Hoje eu vou ficar aqui ouvindo só Jards Macalé e Paulo Vanzolini. Pensei até em postar algum disco de um desses artistas, mas como ainda estou no embalo e promessa de trazer cantoras, vamos dar sequência…
Separei para hoje este raro álbum da cantora Angela Maria, um disco que podemos considerar histórico dentro do mundo fonográfico. Foi um dos primeiros discos de 12 polegas lançado pela gravadora Copacabana. Foi uma superprodução, um dos discos mais caros a ser realizados naquela época. Isso por conta da ousadia de seus produtores em fazer um disco onde foram escalados oito grandes maestros e suas orquestras para acompanharem Angela Maria. O disco se divide em oito faixas, trazendo um repertório fino, que agrada em cheio e para um público além de tietes da cantora. É interessante notar como cada música se torna especial, com características próprias, sob os arranjos e regências dos mestres Gabriel Migliori; Guaraná; Léo Peracchi; Gaya; Lyrio Panicalli; Renato de Oliveria; Severino Araújo e Sylvio Mazzucca. Não deixem de conferir. Comentários também são bem vindos 😉

dora – com severino araújo
aos pés da cruz – com lindolph gaya
adeus – com renato de oliveira
saia do caminho – com léo peracchi
carinhoso – com lyrio panicalli
promessa – com gabriel migliori
caminhemos – com gustavo de carvalho (guaraná)
canta brasil – com sylvio mazzucca

Orquestra De Lyrio Panicali – Nova Dimensão (1964)

Boa tarde cultos e ocultos! Como eu havia dito, estou terminando o ano às custas do acervo já digitalizado e daqueles chamados ‘de gaveta’. Tudo isso por conta do meu amplifcador que pifou. Até segunda ordem, vamos por lenha no estoque.
Eis um disco que eu sempre pensei em postar aqui no Toque Musical, mas diante a tantas outras fontes fornecendo o mesmo conteúdo, a coisa acabou perdendo a graça. ‘Coisa’ não, alto lá! “Nova Dimensão” é na verdade um senhor disco, talvez o que eu mais gosto entre os trabalhos de Panicali. Neste lp, lançado pela Odeon em 1964, ele realmente toma uma nova dimensão, orquestrando com categoria a música moderna, então em voga, a Bossa Nova. O resultado é primoroso, moderno também para orquestra. Lyrio Panicali nos apresenta doze temas de autêntica bossa, em arranjos de tirar o chapéu. E isso também se deve muito ao fato de ser um dos raros discos gravados em estéreo naquela primeira metade dos anos 60 aqui no Brasil. Quem ainda não topou com este lp em outros blogs, aproveita aqui a ocasião 😉

lágrima flor
caranval triste
consolação
vou andar por aí
deus brasileiro
desafinado
lobo bobo
nanã
balanço zona sul
labareda
batida diferente
garota de ipanema

Orquestra Violinos De Ouro – Boleros (1963)

Bom dia! Rapidinho, aqui vai a nossa postagem do dia. Estou trazendo este álbum orquestral, lançado no início da década de 60, um dos primeiros discos estereofônicos da Odeon. Para quem estava acostumado a ouvir discos monos e em vitrolinhas, ao ouvir este lp deve ter achado uma glória. E é interessante observar como a qualidade dos primeiros discos ‘stéreos’ eram bem mais caprichadas. Parece que os caras faziam os discos com mais carinho e preocupação. Esta gravação da ‘Orquestra Violinos de Ouro’ é fenomenal, mesmo vindo de um disco com quase 50 anos e já bem surrado. A gente consegue perceber com clareza toda a riqueza instrumental.
A ‘Orquestra Violinos de Ouro’ é o nome dado para este disco à orquestra de estúdio da Odeon sob a batuta do Maestro Lyrio Panicalli e com direção musical de José Ribamar. No disco encontraremos um repertório de sucessos internacionais ao ritmo orquestral de boleros. Uma pegada latina para temas do momento. Confiram…

quando – parlami d’amore mariu – legata a un – granello di sabbia
stormy weather – ruby
concerto nº2 para piano, em dó menor
my love for you
i can’t stop loving you
come sinfonia
be my love – in the still of the night
o pescador de pérolas
ti guardero nel cuore
allthe thing you are
days of wine and roses
begin the beguine

Lyrio Panicali – Italiano (1966)

Bom dia a todos! Nada como uma postagem matinal, principalmente quando se tem pela frente um dia ocupadíssimo. Como não sei se terei tempo mais tarde para a nossa dose musical diária, vou logo me adiantando para não ficar na falta.
Hoje trago um disco diferente com músicas italianas. Como todos sabem, o Toque Musical também envereda por temas internacionais quando estes têm alguma relação ou se fazem pertinentes ao nosso interesse musical. Temos aqui um raro disco do maestro ítalo-brasileiro Lyrio Panicali gravado por ele à pedido da Odeon. Nos anos 60 a música instrumental orquestrada (e estrangeira) fazia muito sucesso por aqui. Nomes como Pourcel, Conniff, Jarre, Mancini e outros, tinham seu lugar garantido no mundo fonográfico e um público fiel. Panicali, como um dos nossos mais requisitados maestros e arranjadores, não fez por menos e nem ficou para trás. Dirigiu, arranjou e orquestrou este belíssimo disco com temas italianos que ainda hoje nos soa com muito frescor. Os arranjos são belíssimos. Se faltou alguma coisa, foi mais músicas… Muito bom! Confiram esta raridade…

l’ultima telefonata
nessuno mimpuo giudicare
il mondo
cominciamo ad amarci
ho capito che ti amo
dio come ti amo
io te daró di piu
una casa in cima dal mondo
nessuno di voi
se piangi, se ridi
si fa sera
se non avessi piu te