Os Reis Do Brega (1990)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados uma compilação de música brega, gênero musical que teve seu auge nas décadas de 1970/80, e ainda hoje tem grande aceitação entre segmentos das camadas populares do Brasil. A princípio, como já sabemos, o termo “brega” era sinônimo de cafona, portanto pejorativo, mas hoje o sentido é outro, designando música popular de fácil assimilação. E é justamente uma amostra do rico e variado acervo desse gênero que o TM hoje nos oferece, através de um álbum que a Continental lançou em 1990. “Os reis do brega” nos traz, em doze faixas garimpadas nos próprios arquivos da gravadora, músicas que bem caracterizam o gênero, com letras simples, diretas, capazes de atingir em cheio a sensibilidade popular. Dos intérpretes aqui incluídos, três deles são de longe os mais conhecidos: Amado Batista, Bartô Galeno e Alípio Martins, este já falecido. O primeiro vem com “O lixeiro e a empregada”, música que fez parte do filme “Sol vermelho”, de 1982, estrelado pelo próprio Amado  (o Chaplin que é parceiro na música chama-se, na verdade, Odair de Souza Queiroz). Bartô Galeno vem com “Longe de você”, que encerra o disco. E Alípio Martins, responsável por hits como ‘Gozar a vida”, “Tira a calcinha” e “Ô Darcy”, abre este disco com “Lá vai ele”, que fez em parceria com uma certa Marcelle. Os demais intérpretes, mesmo com menor visibilidade, também são tão queridos pelas camadas populares quanto Amado, Alípio e Bartô. Edson Vieira comparece com duas faixas: “Te quebro a cara” e “Despeito” esta de autoria dele próprio em parceria com Sebastião Souza. Fernando Lelis comparece com a machista, porém divertida, “Lugar de mulher é lá em casa”, dele próprio em parceria com Jacinto José. Betto Dougglas vem com “Tudo foi assim”, faixa do álbum “O rei da lambada”, de 1988, e Ivan Peter aqui nos apresenta “Cheguei à conclusão”. Completando o programa, duas faixas com a banda Brega Puro, “Eu não socorro” e “Eu sou um sem vergonha”. Tudo isso, aliado às sensualíssimas mulheres de lingerie que ilustram a capa, expressa bem o clima desse disco oferecido hoje pelo TM, um divertido e interessante passeio pelo universo da música brega. Ouçam e deliciem-se…

lá vai ele – alipio martins

te quebro a cara – edson vieira

coisa obsena – alan edson

o lixeiro e a empregada – amado batista

amor verdadeiro – josé ribeiro

despeito – edson vieira

eu não socorro – brega puro

lugar de mulher é lá em casa – fernando lélis

tudo foi assim – betto dougllas

cheguei a confusão – ivan peter

eu sou sem vergonha – brega puro

longe de você – bartô galeno

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Tania Maria – Apresentamos (1966)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje nós trazemos para vocês um disco raro e muito especial. Por certo já foi postado em diversos outros blogs, porém é aqui que ele se perpetua. Apresentamos, Tânia Maria, cantora, compositora e pianista. Artista que ganhou prestígio na Europa e Estados Unidos, fazendo por lá uma sólida carreira internacional. Respeitadíssima no mundo do jazz, já tocou com os mais diversos e importantes músicos dos quatro continentes. Aqui temos ela fazendo sua estréia, neste lp lançado pela Continental, em 1966. Ao lado de outros grandes músicos da época, Neco na guitarra; Luiz Marinho no contrabaixo; Edson Machado na bateria e ainda Maurício Einhorn e sua gaita, em três faixas do disco, Tania Maria é um verdadeiro show de competência. Disco gravado ao vivo, um registro mais que histórico da competência desses excelentes músicos.
Ainda neste mês vamos postar aqui mais dois discos dessa artista. É só aguardar, pois as apresentações mais detalhadas vão ficar por conta do nosso super amigo resenhista, Samuel Machado Filho. Confiram este lp no GTM 😉

não tem tradução
com que roupa
três apitos
feitiço da vila
feitio de oração
viver morrer
a voz do povo
nêgo são
papão
ficou na saudade
de manhã
terra de ninguém
a paz
agora
paz de espírito
o verão vem aí

Anastácia – 30 Anos De Forró (1985)

Um dos maiores nomes da música regional nordestina é posto em foco hoje no TM. Estamos falando de Anastácia, na pia batismal Lucinete Ferreira. Ela é pernambucana do Recife, onde nasceu no dia 30 de maio de 1941. E foi muito cedo, aos sete anos de idade, que surgiu seu interesse pela música, acompanhando um cantador de cocos no bairro de Macaxeira, onde residia. Iniciou sua carreira artística em 1954, cantando na Rádio Jornal do Commércio, de seu Recife natal, cujo slogan era “Pernambuco falando para o mundo”. Seu repertório compunha-se, basicamente, de músicas que faziam sucesso no Sul do Brasil, inclusive hits da então rainha do rock nacional, Celly Campello. Em 1960, Anastácia transfere-se para São Paulo, e passa a interpretar gêneros nordestinos.  Fez shows pelo interior paulista, participando da “Caravana do peru que fala”, comandada por nada mais nada menos do que Sílvio Santos, apresentando-se em seguida ao lado da dupla Venâncio e Curumba. Um ano mais tarde, em setembro de 1961, é lançado seu primeiro disco, no selo Sertanejo da Chantecler, um 78 rpm com as músicas “Noivado longo” (rancheira) e “Chuliado’ (baião), aparecendo no selo como Lucinete. Mais tarde, por sugestão do cantor e compositor sertanejo Palmeira, então dirigente da Chantecler e, depois, da Continental, muda seu nome artístico para Anastácia. Em 1963, ela tem sua primeira composição gravada, “Conselho de amigo”, de parceria com Italúcia, na voz de Noite Ilustrada. Em 1965, lança seu primeiro LP, pela Continental, “Anastácia no forró”.  Seguem-se mais três álbuns nessa marca, que obtêm sucesso especialmente no Nordeste. Daí por diante, Anastácia não parou mais… Em meados dos anos 60, num programa que Luiz Gonzaga apresentava na extinta TV Continental, do Rio de Janeiro, ela conheceu Dominguinhos, com quem se casou, participou de uma caravana artística ao lado de Gonzagão e fez uma parceria musical que resultou em mais de 50 músicas, entre elas sucessos como “De amor eu morrerei”, “Eu só quero um xodó” (maior hit autoral da dupla, popularizado por Gilberto Gil e merecedor de inúmeras regravações), “O bom tocador” e “Contrato de separação”. É também autora, sem parceiro, de um dos maiores sucessos de Ângela Maria, “Amor que não presta não serve pra mim”, de 1973. Com mais de trinta álbuns gravados, Anastácia continua sendo um dos maiores nomes do forró. Teve também músicas gravadas por Nana Caymmi, Jane Duboc , Dóris Monteiro, José Augusto, Cláudia Barroso, e pelos internacionais Paul Mauriat, Timmy Thomas e Ornella Vanoni.  Da vasta bagagem fonográfica de Anastácia, o TM hoje oferece, a seus amigos cultos, ocultos e associados, “30 anos de forró”,  lançado em 1985 pela Continental. Evidentemente, a produção é caprichada, com arranjos a cargo da própria Anastácia, Osvaldinho do Acordeom e Gino Vicente, e convidados muito especiais: Gilberto Gil (que com ela revive “Eu só quero um xodó”, logo na faixa de abertura) e Belchior (que canta com ela o clássico ‘Vozes da seca”, de Gonzagão e Zé Dantas).  No restante do programa, composições da própria Anastácia em parceria com Dominguinhos (“Sanfoneiro de pé de serra”, “Que diabo tem você?”), Zé Carlos (“Fogueirão do amor”), Zé Lagoa (“Forró dos coroas”), Geraldo Nunes (“Amor na rede”), Hélio Alves (“A hora do frevo”), Ciríaco (“Sorte tirana”), Hélio Andrade (“O toque do Mané”) e, sem parceria, “O sucesso da Zefinha”. Tudo terminando com um animadíssimo pot-pourri de forró, incluindo uma música sua com Dominguinhos, “Tenho sede”. Em suma, um impecável trabalho de Anastácia, no qual ela demonstra todo seu talento como autora e intérprete, firmando-se, com justiça, como uma das mais expressivas estrelas da música regional nordestina. Puxa o fole, maestro!

eu só quero um xodó

fogueirão do amor

sanfoneiro de pé de serra

que diabo tem você

forró dos coroas

vozes da seca

o sucesso da zefinha

amor na rede

a hora do frevo

sorte tirana

o toque do mané

pot pourri

*Texto de Samuel Machado Filho

Radamés Gnatalli – Radamés E Sua Bossa Nova (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Passado o Carnaval, vamos voltar a Bossa Nova, que como sempre dá muito ibope. Hoje eu trago para vocês um raro e quase obscuro disquinho de 7 polegadas, o famoso ‘compacto’. Um disco de 45 rpm (que o torna ainda mais raro) de bossa nova, do grande maestro e precursor do mais famoso gênero musical brasileiro. Esta pequena preciosidade me foi enviada pelo amigo Hélio Mauro, a quem eu muito agradeço a generosidade. Antes de postá-lo, procurei dar uma melhorada no som e no GTM vocês irão encontrar este compacto duplo com suas faixas replicadas, possibilitando assim a escolha entre duas versões de cada faixa.
Neste joinha, vamos encontrar, abrindo o lado A, “Cheiro de saudade”, de Djalma Ferreira e Luiz Antonio; “Chora tua tristeza”, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini; “Samba de uma nota só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça e fechando, “Pior pra você”, samba de Evaldo Gouveia e Almeida Rego.
Como eu disse, este é um compacto bem obscuro, entre a produção fonográfica de Radamés. Procurei pelos quatro cantos da internet informações sobre ele e nada… Em nenhum dos mais importantes sites sobre o músico, sobre seus discos ou sobre a Bossa Nova… nenhuma referência, exceto as músicas que podem ser acessadas no Youtube. Faltou apenas perguntar para a minha fonte onde foi que ele conseguiu o compacto. Assim sendo, até mesmo a data de lançamento é uma dúvida. Considerando alguns diversos fatores, eu deduzi que o disco seja do início dos anos 60. Coloquei 1961 por ser uma data memorável (pelo menos para mim, foi quando eu nasci) e até que me provem o contrário. De resto, oque ainda nos falta são as informações artísticas, a ficha da gravação confirmando a presença do Chiquinho do Acordeon, Luciano Perrone… Confiram já no Grupo Toque Musical 😉

cheiro de saudade
chora tua tristeza
samba de uma nota só
pior pra você
.

I Festival Universitário de MPB (1979)

E prossegue a retrospectiva “festivalesca” do nosso Toque Musical. Desta vez, oferecemos hoje a nossos mui queridos amigos cultos, ocultos e associados o álbum que documenta o I Festival Universitário de MPB, promovido em 1979 pela TV Cultura de São Paulo, emissora estatal educativa que sempre se destacou pela qualidade de sua programação mas que, infelizmente, nos últimos tempos, vem sofrendo com sucessivos cortes de verbas por parte do governo do estado, e recentemente até enfrentou uma greve de funcionários. O certame constituiu-se na primeira experiência da Cultura em matéria de festivais competitivos. Realizado no Teatro Pixinguinha, hoje SESC Consolação, teve três eliminatórias, em 30 de abril, e nos dias 7 e 14 de maio, tendo a final acontecido no dia 21 desse mês. Como vocês poderão conferir na contracapa, o júri que escolheu as finalistas era pra ninguém botar defeito, com nomes ligados à MPB (Marcus Vinícius, Alaíde Costa, Tom Zé) e à crítica musical (Maurício Kubrusly, Chico de Assis, Adones de Oliveira, Renato de Moraes…). Enfim, gente especializada na matéria. O que, de certa maneira, contribuiu para o excelente resultado do certame a nível cultural e artístico. A faixa que abre este álbum da Continental é justamente a primeira colocada: “Diversões eletrônicas”, com o paranaense Arrigo Barnabé, mais tarde importante nome de vanguarda na MPB, já pintando e bordando (ele concorreu ainda com “Infortúnio”, também presente neste disco).  Muitos anos mais tarde, Arrigo passou também a ser radialista, apresentando o programa “Supertônica”, na Rádio Cultura paulistana. A vice-campeã, “Brigando na lua”, de e com Biafra, contou com o respeitável acompanhamento do grupo Premeditando o Breque, que também marcaria época no cenário musical paulistano, conhecido apenas por Premê.  Eliana Estevão defendeu a terceira colocada, “Meu grande amor suicida”, e ainda levou o prêmio de melhor intérprete profissional.  O quarto lugar foi de “Glória”, de e com Renato Lemos (que também apresentou “Coral dos gemedores”, outra faixa do presente LP), e o quinto foi para “Boneca de pano”, interpretada por José Carlos Ramos, laureado com o prêmio de melhor intérprete amador (ele ainda defenderia “Carruagens de cristal”, que encerra o disco). Tudo isso e muito mais dá a este álbum hoje oferecido pelo TM status de autêntico documento artístico e cultural, dando chance a então novos valores que então despontavam em nosso cenário musical. Se não, confiram. É só baixar e ouvir.

diversões eletrônicas – arrigo barnabé e grupo

brigando na lua – biafra

meu grande amor suicida – eliana estevão

glória – renato lemos

boneca de pano – josé carlos ramos

a turma do cometa – a banda dos aflitos

dia a dia – celso viáfora

a malhação – irene portela

amigo – julius m castilho

infortunio – arrigo barnabé e grupo

coral dos gemedores – renato lemos

carruagem de cristal – josé carlos ramos

*Texto de Samuel Machado Filho

Festival Da Feira Da Vila Madalena (1980)

Originalmente denominada Vila dos Farrapos, a Vila Madalena é um bairro nobre da cidade de São Paulo, situado no subdistrito de Pinheiros. Ficou bastante conhecida por ser um reduto boêmio da capital paulista, desde o início dos anos 1970, quando estudantes de pouco dinheiro passaram a ali residir, por causa da proximidade à Universidade de São Paulo (USP) e à Pontifícia Universidade Católica (PUC).  Na Vila Madalena, concentram-se inúmeros bares e casas noturnas, e lá também fica a Escola de Samba Pérola Negra. Há também ateliês, centros de exposições artísticas, lojas de vanguarda e escolas de música e teatro. O bairro até virou telenovela, exibida pela Globo no final dos anos 1990. A associação de moradores da Vila Madalena organiza feiras para mostrar os talentos artísticos do bairro, e um festival anual, conhecido como Feira da Vila, que atrai gente de toda São Paulo, com shows e barracas de artesanato. Sua primeira edição aconteceu em 1977, na Rua Girassol, e o evento já faz parte do calendário  oficial da capital paulista. Sendo assim, o Toque Musical prossegue seu ciclo dedicado aos festivais oferecendo a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum raro. O disco põe em foco a edição de 1980 do Festival da Feira da Vila Madalena, e foi lançado em 1980 pela Continental.  No repertório, estão doze das concorrentes do certame, inclusive a vencedora, “Tem Maria”, composta e interpretada por  Jorge Matheus. A vice-campeã foi “Improviso nordestino”, de e com Celso Machado, baseada em um arranjo do clássico “Juazeiro”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.  A terceira colocada, e que por certo ficou mais conhecida, foi “Nêgo Dito” (“Meu nome é Nêgo Dito João dos Santos Silva Beleleu”…), composta e interpretada por Itamar Assumpção (Tietê, SP, 13/9/1949-São Paulo, 12/6/2003), um dos ícones da música de vanguarda paulistana. Houve ainda menção honrosa para “Cool jazz”, de Cacá Mendes, com ele e Lúcia Nagib. Merece também destaque as participações de Celito Espíndola, irmão das cantoras Tetê e Alzira Espíndola, interpretando seu “Coração solitário”, e do futuro integrante da banda de rock Titãs, Paulo Miklos, com “Desenho”, feita por ele em parceria com Arnaldo Antunes, que seria a figura de proa do grupo em seus primeiros anos. Em suma, um álbum que documenta o que foi o Festival da Feira Livre da Vila Madalena de 1980, e com o qual o TM também homenageia esse bairro que vem se destacando como importante reduto sócio-cultural da capital paulista. É só conferir.

nêgo dito – itamar assumpção

improviso nordestino – celso machado

tem maria – jorge matheus

desenho – paulo miklos

coração solitário – celito espíndola

samba daqui – ricardo villas boas

o cheiro da beterraba – os camarões

cool jazz – cacá mendes e lucia nagib

recomeço – tuim

corujas da noite – rubens dultra e silvio piesco

gabriela – conjunto nosso som

menino doido – grupo arerê

 

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Reino Da Juventude (1964)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Agora quem passou a ser esporádico nos textos e resenhas fui eu. Nos últimos dois meses o trabalho ficou a cargo do grande Samuca, que como sempre nos oferece um texto rico e esclarecedor. Porém, como gerente-criador desse blog, eu continuo na ativa programando os discos que iremos postar e eventualmente dando os meus pitacos.
Para a próxima semana estamos programando uma série de discos voltados a Jovem Guarda. Alguns pré, alguns pós, mas todos relacionado a esse momento. Com certeza, alguns de nossos visitantes, amigos cultos e ocultos, irão gostar.
Começando nossa mostra, eu trago o lp “Reino da Juventude”. Lp lançado pela gravadora Continental em 1964. Trata-se de um disco produzido a partir de um famoso programa homônimo da TV Record apresentado por Antonio Aguillar, um dos pioneiros da chamada ‘música jovem’, no Brasil. Ele era jornalista, fotógrafo, disc-jockey e empresário, responsável pelo lançamento de vários artistas, entre os mais famosos estão Os Incríveis, The Jet Black’s, Marcos Roberto e Sérgio Reis. Aguillar também foi o responsável pela divulgação de Roberto Carlos em São Paulo. Foi em seu programa, nas tardes de sábado, que a juventude da época começou a conhecer os artistas que mais tarde estariam fazendo parte da Jovem Guarda. O disco”Reino da juventude” reúne alguns dos mais expressivos talentos do programa, todos artistas lançados por ele. Aqui temos 12 cantores e conjuntos, sendo que alguns deles continuam na ativa por duas décadas ou mais, Entre esses temos Sérgio Reis, Os Vips e Tony Bizarro (que na época era apenas Luiz Antonio). Quem gosta e acompanha as aventuras da Jovem Guarda, certamente irá lembrar de todos. Vale a pena conferir…

reino da juventude – the flyers
canção do amor perdido – marcos roberto
eu sei – marly
todo es amor – orlando alvarado
soninha – renê dantas
o mio signore – sergio reis
i got a woman – tulio e os hitch-hikers
solo duo righe – dick damello
estamos tristes – sidnéia
pobre milionário – tony dilson
tonight – the vips
primeira estrela – luiz antonio
.

Cão Fila (1980)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Como dizem por aqui, a gente tarda, mas não falha (muito). Entre passos e espaços segue o nosso toque musical. E como todos sabem, aqui é um lugar para quem escuta música com outros olhos. É bem nessa ‘vibe’ que hoje dou sequência a nossa mostra ‘pop-rock-ou-coisa-assim’. Desta vez saindo um pouco da produção independente. Vamos às curiosidades do mercado fonográfico no início da década de 80. Temos aqui a banda Cão Fila em seu único disco lançado pela gravadora Continental em 1980. Um álbum que impressiona pela capa, pela produção gráfica que contempla até encarte em papel cartão. À primeira vista o álbum nos passa a ideia de uma banda de hard rock, Algum daqueles discos obscuros do rock nacional que voltam a cena, ou coisa assim… Taí um trabalho que, ao meu ver, teria tudo para dar certo, não fosse o fator principal, a própria música. Explico… Temos aqui um álbum muito bem produzido nas mãos de Toni Bizarro e Pena Schmidt e com participações especiais de músicos como  Eduardo Assad e Lincoln Olivetti. A capa nos remete mesmo a ideia de ser uma banda de rock pesado. Mas é quando o disco rola que a gente percebe que a coisa não é bem assim. O Cão Fila fica um pouco a desejar no quesito agressividade, tanto instrumental quanto em sua mensagem. A banda tem mais uma pegada pop romântica, talvez até um pouco adocicada graças aos arranjos do Eduardo Assad. Formada por Demian, Tarcíso, Denis e Tigues, o Cão Fila não durou muito para contar história, Demian e Denis, irmão gêmeos, alguns anos mais tarde voltariam a cena como dupla ‘sertaneja’ interpretando versões do pop internacional. Parece que realmente encontraram o seu lugar.

pecado madrigal
idilio08
perdas e danos
adeus
cão fila
menina dos sonhos
coração vazio
noite em claro
a volta
non ducon ducoi
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Dom – Em Todos OS Tempos (1977)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Hoje o tempo está corrido, mas mesmo assim vamos por em dia a nossa sequência de postagens, afinal este é o mês de aniversário do Toque Musical. Para quem não sabe, não se tocou, estamos fazendo 9 anos de atividades! Não é mole não! (mas é doce e viciante como rapadura)
Tenho para hoje um disco que até bem pouco tempo eu não conhecia, exceto por uma ou duas músicas. Trata-se do disco solo de Eustáquio Souza de Faria, ou, mais conhecido como Dom, da dupla Dom & Ravel. Pelo pouco que sei, este foi seu único trabalho, sem o irmão Ravel. O lp foi lançado em 1977, numa fase em que a dupla já havia entrado em declínio. “Em todos os tempos” é um disco onde predomina o samba. Samba? Sim, o cara tinha o ‘dom’ do samba. Mas também tem uns carimbós e fecha com a melhor, a faixa ‘disco’, “Jangada’. Vale a pena conhecer. Em breve teremos a dupla Dom & Ravel aqui, apresentado pelo nosso resenhista Samuca, sempre minucioso, detalhando um pouco mais sobre a carreira dessa curiosa dupla. Aguarde…

desmoronou
tristeza e alegria
se meu santo um dia me ajudar
maria
o galo já cantou
carimbó do espinho
piu piu
carimbó de saia
areia do alto mar
jangada
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Nelson Ferraz – Lamento Negro (1956)

2727

Meus prezados amigos cultos e ocultos, boa tarde! Seguimos aqui com mais um lp de 10 polegadas. Desta vez com o cantor e também ator, Nelson Ferraz. Dono de uma voz poderosa, ele interpreta como poucos oito temas clássicos da música popular brasileira relacionados a raça negra. Temos aqui Ary Barroso, Heckel Tavares, Custódio Mesquita e Alcyr Pires Vermelho, Nelson Ferraz vem acompanhado pelo maestro Radamés Gnattali e sua orquestra, responsável também pelos belíssimos arranjos. Não deixem de conferir. Agora lá dentro do GTM, ok?
terra seca
funeral d’um rei nagô
leilão
banzo
algodão
navio negreiro
lamento negro
preto velho
.

Chiquinho E Seu Acordeão (1956)

Olá amiguíssimos cultos e o ocultos! Olha só como andam as nossas postagens nesta semana. Ainda vamos de dez polegadas, aproveitando a onda… E nessa levada eu trago agora uma beleza de disquinho, coisa fina e rara. Temos aqui o primeiro lp do gaúcho Romeo Seibel, ou mais conhecido como Chiquinho do Acordeon. Este disco foi lançado nos anos 50 e ao contrário de outros lps de 10 polegadas da época, não se trata de copilação de gravações em 78 rpm. Chiquinho do Acordeon vem acompanhado por um conjunto (regional). Trata-se de um disco de carreira. O que dá ao lp uma maior autenticidade. Curiosamente, não consta em discografias de muitos sites especializados. Daí, vale mesmo a pena ouvir este disco 🙂

sorriso de cristal
estrellita
canção da volta
il torrente
polquinha gaúcha
amargura
valsa de uma cidade
a noite traz você
.

O Trio Elétrico Dodô & Osmar – Pombo Correio (1977)

No embalo, segue aqui para os amigos cultos e ocultos outra joinha que pouco rola por aí. Estou falando do autêntico Trio Elétrico de Dodô & Osmar, em álbum lançado pela Continental em 1977.
Neste lp temos a presença de Moraes Moreira que interpreta algumas de suas composições em parcerias. Inclusive uma das mais famosas, “Pombo Correio”, sucesso inesquecível desde então em muitos carnavais. Taí, um disquinho vibrante que vale esse toque...

diabolô
pombo correio
eleonor rigby
massa da ribeira
fiuíu
segure a onda
zé baiano, o maestro louco
cochabamba
frevo da lira
até a praça da sé
frevo dobrado n. 3
colher de chá
a nova geração do trio
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Norte Forte (1977)

Boa noite a todos os amigos cultos e ocultos! Espero que todos tenha tido uma boa páscoa. Eu, de uns tempos para cá não tendo vontade de comemorar nada. Mas, enfim, vamos seguindo, uns dias chove, noutro dia bate sol. O que não pode faltar é a música, os discos e esse toque musical, que mesmo espaçado, continua firme em seus quase 9 anos de persistência.
Bom, mas voltando às coletâneas, aqui vai mais uma super bacana. Lp montado pela Continental, com seleção musical de Cesare Benvenuti, um lendário produtor, responsável por aquela onda de bandas e artistas que cantavam em inglês, no início dos anos 70. Aqui neste disco temos doze faixas e doze diferentes artistas, que como o próprio título sugere, são vindos no norte, mais exatamente relacionados a música nordestina. Acho que nem preciso repetir quem são os artistas dessa coletânea, está na capa, né? E o repertório também, escolhido a dedo. Confiram esta seleção, vale a pena...

a palo seco – belchior
beira mar – ednardo
sem nome – hareton salvanini
são saruê – marcus vinicius
o astro vagabundo – fagner
levanta poeira – banda de pífanos de caruarú
se o caso é chorar – tom zé
meu barco é você – joão só
meia vida – edson e aloisio
dono dos teus olhos – tetty
cantiga – orquestra armorial
você e tu – bendegó
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Virtuose (1977)

Boas noites, meus prezados amigos cultos e ocultos! Vai a saudação no plural para valer pelos dias faltosos. Desculpem, mas o tempo, a cada dia que passa vai ficando mais escasso.  Porém, sempre que possível vamos renovando as postagens.
Hoje eu estou trazendo uma curiosa coletânea. Mais um daqueles discos promocionais, feito por encomenda e certamente, com tiragem limitada. Trata-se de um box com dois lps, produzidos para a AEG-Telefunken do Brasil S.A., reunindo alguns de nossos melhores violonistas. Um encontro em disco inusitado e quase tão improvável quanto as coletâneas que fazemos por aqui. Digo isso pelo fato de que a Telefunken foi quem cuidou da pós produção de seu brinde. Criou uma coletânea com gravações de artistas do selo Continental e RCA Victor. Em outras palavras, colocaram na caixa um lp com selo RCA e outro da Continental. Temos no disco da Continental Dilermando Reis, Rago, Paulinho Nogueira e Poly. No disco da RCA temos os Índios Tabajaras, Baden Powell e Sebastião Tapajós. Ainda sobra espaço para o violonista inglês Julian Bream interpretando duas peças de Villa-Lobos. É, sem dúvida, uma coletâneas de excelentes fonogramas, gravações originais extraídas de outro discos. Traz também encartes e livreto contando a história do violão. Muito bacana. Vale uma conferida

fantasia – improviso op. 66, de chopin – índios tabajaras
valsa das flores – quebra nozes op. 71, de tchaikovisky – índios tabajaras
dança ritual do fogo, de manuel de falla – índios tabajaras
recuerdos de la alhambra – índios tabajaras
valsa n. 7 op.64 n. 2, de chopin – índios tabajaras
o vôo do besouro – índios tabajaras
valsa n. 6 op.64 n. 1, de chopin – índios tabajaras
prelúdio n. 2, de villa-lobos – julian bream
schottisch-choro, de villa-lobos – julian bream
allegro sinfônico – sebastião tapajós
carinhoso – dilermando reis
adda – poly
bachianinha n. 1 – paulinho nogueira
despertar da montanha – dilermando reis
violão no samba – luiz bonfá
xv de julho – poly
caxinguelê – dilermando reis
vê se te agrada – dilermando reis
zelão – paulinho nogueira
odeon – poly
uma valsa dois amores – dilermando reis
tenebroso – rago
da cor do pecado – paulinho nogueira
marcha dos marinheiros – dilermando reis
.

Blindagem (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Na semana que antecedeu ao Carnaval eu andei postando aqui alguns discos de rock, porém havia na lista muitos outros que eu gostaria de postar. Um dos que ficou de fora foi este lp da banda paranaense Blindagem, que eu já nem me lembrava mais. Redescobri o disco no saldão do Acervos LP, lojinha bacana dos amigos Célio e Márcio, aqui em BH. Como já estávamos encima da folia carnavalesca, preferi deixá-lo para agora.
Segue então a banda Blindagem em seu primeiro e mais célebre vôo. A banda foi formada no final dos anos 70 e viria a ser a grande expressão do rock paranaense. Em 1981 eles lançaram pela Continental este disco, com direito a compacto, apresentando as duas músicas de destaque do lp: “Oraçao de um suicida” e “Marinheiro”. O tal disquinho de 7 polegadas era mesmo eficiente, pois foi muito graças a ele que a música do Blindagem ganhou divulgação em rádios, do sul e sudeste do Brasil, dando a banda, logo de início, um certo destaque. O grupo já atuava em festivais e shows nos anos 70, mas passa a ganhar força com a entrada do cantor e compositor Ivo Rodrigues, que tinha como parceiro o poeta Paulo Leminski. Neste lp, boa parte das músicas são assinadas por Ivo Rodrigues e Paulo Leminski. Um trabalho interessante e bem produzido, mas que não se repetiria em outros lançamentos posteriores da banda. O Blindagem seguiu seu caminho apostando mais na cena local. Ao longo dos anos começou a investir em outros estilos, indo do rock ao samba, passando por baladas românticas e sertanejo. Evidentemente, isso acabou levando a banda a uma descaracterização da proposta inicial, gerando uma discografia irregular e talvez por conta disso acabou não alcançando um merecido reconhecimento. Ao que consta, o Blindagem continua na ativa, mas sem seu principal capitão, Ivo Rodrigues que faleceu em 2010. Confiram este que foi o melhor e talvez o único nos primórdios do rock setentista do Paraná.

oração de um suicida
sou legal eu sei
não posso ver
palavras
hoje
berço de deus
marinheiro
gaivota
quanto tempo mais
cheiro de mato
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Carnaval 68 (1968)

Está chegando mais um carnaval. É hora de esquecer as tristezas e as frustrações da vida e brincar, sambar, fazer tudo a que se tem direito. Mas sem cometer excessos, principalmente na bebida.  Entrando nesse clima, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum lançado pela Continental, com músicas para o carnaval de 1968. Com o advento dos LPs no Brasil, na década de 1950, as gravadoras passaram a lançar, anualmente, álbuns com os contratados de seu cast interpretando músicas feitas para a folia de Momo. Era um tempo em que os artistas se engajavam de corpo e alma na gravação e divulgação de tais músicas, pois, como se dizia, eram também “da fuzarca”.  Nunca é demais lembrar que o primeiro LP editado no Brasil, de 1951, foi o dez polegadas “Carnaval em long playing” (selo Capitol/Sinter).  À medida em que o LP foi se popularizando, e as vendas dos antigos discos de 78 rpm despencando, todas as gravadoras passaram a seguir o exemplo da Sinter, botando praticamente todos os seus contratados para gravar músicas destinadas à grande festa do povo.  E foi justamente o caso da Continental, com o álbum oferecido hoje a vocês pelo TM, com músicas destinadas à folia momesca de 1968. Nessa época, a música de carnaval já estava em acentuado declínio, agravado pela precária e escassa divulgação, e muito poucos tomavam conhecimento das novidades para a folia momesca. Nos salões, repetiam-se hits do passado, e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas, sobretudo do Rio de Janeiro, tomaram o poder. Foi nesse ano, por sinal, que aconteceu o primeiro desfile oficial de escolas de samba de São Paulo, na Avenida São João, com a Nenê de Vila Matilde sagrando-se campeã. Mas os compositores e intérpretes não se apertavam, mostravam que ainda permaneciam vivos na folia. Das dezesseis faixas deste álbum da Continental, pelo menos uma foi êxito espetacular no carnaval de 68: a marcha-rancho “Até quarta-feira”, de Paulo Sette e Umberto Silva, aqui em ritmo mais acelerado, de marchinha, na interpretação do sempre excelente Noite Ilustrada (foi também gravada por Marcos Moran, na Caravelle). Praticamente dominou aquela folia, sendo até hoje relembrada. Os oito intérpretes escalados para este disco, em sua maioria, eram cadeira cativa nos carnavais: Jorge Veiga (”Não tira a máscara”, “Amar não é pecado”), Francisco Egydio (“Vou deixar cair”, “Quem bate”), Risadinha (“Barqueiro de folga”, “Nem Pierrô nem Colombina”), Mário Augusto (“Garota do plá”, que aproveita um termo de gíria então usado para designar bate-papo ou conversa, “”A maior invenção”), a vedete Angelita Martinez, aqui interpretando “A bela Otero” e “Um instante maestro, pare”, esta última uma clara referência a Flávio Cavalcanti, polêmico apresentador de TV que chegava até a quebrar os discos musicais que considerava ruins, diante das câmeras. Francisco Petrônio, “o rei do baile da saudade”, mesmo não tendo lá muita tradição no setor carnavalesco, aqui comparece com “Palhaço” e “Drama de Pierrô”. Entre os compositores, há também nomes de destaque assinando algumas faixas: a dupla Dênis Brean-Oswaldo Guilherme, Newton Teixeira (autor de clássicos como “Malmequer” e “Deusa da minha rua”), o próprio Risadinha (como Francisco Neto), Elzo Augusto, Arnô Provenzano. São detalhes, que por si só, credenciam este álbum da Continental, apesar da crise que, já em 1968, atingia a canção carnavalesca. É a oportunidade de se redescobrir, inclusive, músicas que possivelmente não obtiveram sucesso, e que agora, graças a esta oportunidade proporcionada pelo TM, poderão ser ouvidas com a atenção da qual não desfrutaram quando lançadas. Divirtam-se!

palhaço – francisco petrônio
até quarta feira – noite ilustrada
não tire a máscara – jorge veiga
um instante maestro, pare – angelita martinez
vou deixar cair – francisco egydio
barqueiro de folga – risadinha
amor e falsidade – wilson roberto
garota do plá – mario augusto
vai trabalhar – noite ilustrada
drama de pierrot – francisco petrônio
amar não é pecado – jorge veiga
a bela otero – angelita martinez
quem bate – francisco egydio
nem pierrot, nem colombina – risadinha
vem quente – wilson roberto
a maior invenção – mário augusto

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* Texto de Samule Machado Filho

Vários – Rock Conexão Bahia (1988)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando sequência aos discos de rock (ou coisa assim), tenho para hoje mais uma coletânea interessante. Desta vez vamos para os roqueiros da Bahia. Aqui estão sete bandas baianas do cenário pop/rock de Salvador nos anos 80. O disco foi produzido e gravado por Filipe Cavalieri, que na época teve a preocupação de registrar a efervescência do rock em sua cidade. Um trabalho pioneiro, visto que até então nada havia sido produzido nesse sentido para a turma da guitarra (que não é a baiana). Filipe gravou em estúdio, no bairro da Liberdade, de forma independente uma leva bandas e músicos. Selecionou um leque de sete bandas e lançou o disco “Rock – Conexão Bahia”, que teve distribuição pela Continental, através de seu selo Gel.
É um disco bacana, mas assim como o BHCore II, que eu apresentei nessa leva, vale mais pelo contexto histórico do rock local. Confiram essa, meus reis
explodindo – moisés, ramses e os hebreus
cenas de uma tela – cravo negro
vida em carne viva – treblinka
vinho e flores – elite marginal
gravitação – quíron
lamento sem eco – utopia
a porta está aberta – 14. andar
piscina da maldade – 14. andar
podes crer – elite marginal
nosso tempo – utopia
ninfomaria – moisés, ramsés e os hebreus
brasil com f – cravo negro
marginal indefeso – quíron
queda de sodoma – treblinka
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Gilberto Monteiro – Pra Ti Guria (1987)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Aqui vai um lp que encontrei nas minhas andanças pelo Sul. Um trabalho que eu já tinha visto mas nunca me despertou interesse em ouvir. Desta vez, dentro do clima gaúcho e por um precinho camarada, acabei arrematando este disco também. Que grata surpresa foi a minha ao ouvir então o gaiteiro Gilberto Monteiro, umdos mais importantes músicos do Rio Grande. “Pra ti guria” é um disco tri legal. Um passeio pela música gaúcha tradicional, mas dentro de um viés autoral. Gilberto Monteiro assina todas as 10 faixas e conta com as participações de dois outros mestres da gaita/acordeon, os argentinos Raulito Barboza e Antonio Tarrago Ros. Ao que consta, este lp foi o seu primeiro disco, embora já fosse um nome já conhecido e respeitado no Sul. Foi relançado em formato cd no inicio dos anos 2000. Infelizmente a música regional fica mesmo limitada ao seu reduto e em se tratando do Sul, acho que a coisa fica ainda mais isolada…

preludio de um beija flor
os zóio da véia
balaço de contrabando
boa vista de sao domingos
recordando as bailantas
unistalda campeira
pra ti guria
entrevero de alpargata
cabestreando
alumiando as maçanetas
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Osny Silva – Capricho (1963)


Olá amigos cultos e ocultos! Sobrou aqui uma brecha no meu tempo. Lá vamos nós para mais uma postagem. Segue aqui um disco do cantor Osny Silva, ‘Capricho’, lp lançado originalmente em 1963. se não me engano, voltou a ser relançado em vinil nos anos 70 e mais tarde recebeu sua versão cd. Aqui o cantor vem acompanhado da Orquestra Continental, apresentando uma série com muito  bolero, tango, valsa e por aí a fora...

capricho cigano
só pra você
adeus mariquita linda
jura me
te quiero dejiste
beio nos olhos
torna sorriento
coimbra
jamais te esquecerei
besame mucho
marita romana
adeus

 

Carmem Costa (1980)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Temos para hoje um disco que há tempos eu venho querendo postar. Vamos hoje com a grande cantora e compositora Carmem Costa em disco lançado em 1980, pela Continental. Um trabalho bonito em todos os sentidos, começando pela nossa intérprete, que é sempre um espetáculo. Um repertório com apenas 10 músicas, mas muito bem escolhidas, fazendo um passeio entre o novo e o antigo, com arranjos modernos e um time de músicos de fazer inveja. Carmem vem acompanhada por figuras como Marcos Resende, Paulinho Braga, Jamil Jones, Octávio Burnier, Joel Nascimento, José Meirelles, Ed Maciel, Maurício Einhorm, Zé Carlos, Jorge Gomes Resende e Peninha. Por aí já dá para se ter uma ideia do que este disco nos oferece. Confiram o toque 😉

sob medida
morena
boneca de pano
vício
o mundo é um moinho
valsa do bordel
janete
marília de dirceu
eu é que não presto
dama do cabaret
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