Mercedes Sosa – Gente Humilde (1982)

Dentro do ciclo temático sobre a música popular e folclórica latino-americana, comemorativo de seu décimo aniversário, o TM tem a satisfação de oferecer hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais um álbum desta notável intérprete do gênero que foi a argentina Mercedes Sosa (1935-2009), a querida e sempre lembrada “La Negra”, cognominada “a voz da América Latina”. Desta vez, apresentamos “Gente humilde”, trabalho lançado em 1982 pela Philips/Polygram, hoje Universal Music, e produzido especialmente para o mercado brasileiro. Esse ano também marcou o retorno definitivo de Mercedes à sua Argentina natal, após alguns anos de exílio na Europa (ela fora acusada de subversão, dada sua proximidade com os movimentos comunistas e seu apoio a partidos de esquerda). Tanto é assim que este “Gente humilde” foi gravado, em sua maior parte, em Paris, onde então ela ainda morava. A faixa-título, vocês sabem, é um clássico da MPB, e ganhou versão em espanhol de Júlio César Isella, não por acaso o produtor deste álbum, e conterrâneo de Mercedes (ele também assina a faixa “Fuego em Anymana”). Há de se destacar ainda a participação especial do brasileiro Fagner (apenas um dos muitos artistas tupiniquins que tiveram o privilégio de gravar com a grande Mercedes), na faixa “Años”, do cubano Pablo Milanez (na verdade, faixa extraída do álbum “Traduzir-se”, que Fagner lançou em 1981 pela CBS).  E o Brasil ainda está presente com “Guitarra enlunarada”, versão em espanhol para outro clássico de nossa música popular, “Viola enluarada”, dos irmãos Marcos & Paulo Sérgio Valle. Mercedes ainda revive o clássico “El dia que me quieras”, de Carlos Gardel, e apresenta, de seu conterrâneo Enrique Cadícamo, “Los mareados”. Outro cubano, Sílvio Rodriguez, aqui comparece com “Sueño com serpientes”. Tudo isso e muito mais compõem este que é outro imperdível trabalho da incomparável Mercedes Sosa, mais uma joia que o TM apresenta em seu ciclo latino-americano. Não dá pra pedir mais, não é mesmo?

a quien doy

zamba del  laurel

gente humilde

el dia que me queiras

la flor azul

fuerza

guitarra enluarada

sueño con serpientes

cuando me acuerdo de mi pais

los mareados

fuego en anymana

años

*Texto de Samuel Machado Filho

Mercedes Sosa – Cantata Sudamericana (1980)

Prosseguindo o ciclo temático que o TM dedica à música popular e folclórica latino-americana, em comemoração a seu décimo aniversário, oferecemos hoje a nossos amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum dessa notável intérprete que foi a argentina Mercedes Sosa (1935-2009). Trata-se de “Cantata Sudamericana”, gravado na Philips portenha em 1972 e lançado no Brasil apenas em 1980. É uma verdadeira obra-prima, com todas as suas oito faixas assinadas pela dupla Ariel Ramirez-Félix Luna (também autores da “Misa criolla”), abrangendo ritmos, temas e motivos originários de várias regiões sul-americanas, ao mesmo tempo em que procura ressaltar valores étnicos e estéticos do continente . As músicas têm um ponto em comum e se relacionam, embora algumas já tenham sido gravadas anteriormente pela própria Mercedes, como “Canta tu canción” (esta, dedicada ao Brasil, com direito até a compassos de bossa nova) e “Antigos dueños de las flechas”. Destaque ainda para as duas últimas faixas, “Sudamericano em Nueva York” (com nítida influência do jazz) e “Alcen las banderas”, com muito de caribenho em sua concepção. Aqui, “La Negra” está em sua melhor forma, e há quem considere este “Cantata Sudamericana” seu melhor trabalho em disco. Com sua permanente atualidade, é um álbum que merece, com toda justiça, a postagem do nosso TM. Imperdível! E vem mais Mercedes Sosa por aí, aguardem…

es sudamerica mi voz
canta tu cancion
antiguos duenos de las flechas
pampas del sur
acercate cholito
oracion al sol
sudamericano en nueva york
alcen las banderas

* Texto de Samuel Machado Filho

Mercedes Sosa – Grandes Artistas (1972)

E eis que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, dentro de seu ciclo dedicado à música folclórica e popular latino-americana, uma compilação daquela que, sem dúvida, foi um dos maiores ícones do gênero, “a voz dos sem voz”, e uma das expoentes do movimento “Nueva canción”. Estamos falando de Haydée Mercedes Sosa, que recebeu de seus fãs o apelido de “La Negra”, por sua ascendência ameríndia, e não por causa dos longos cabelos negros, como se erroneamente acreditava). Mercedes veio ao mundo na cidade de San Miguel de Tucuman, no noroeste da Argentina, em 9 de julho de 1935 (nessa data, curiosamente, em 1816, e na mesma cidade, foi assinada a declaração de Independência da Argentina). Sempre foi patriota, e também árdua defensora do Pan-americanismo e da integração dos povos latino-americanos. Criada durante o governo de Juan Domingo Peron, Mercedes cresceu embalada pela ideologia peronista, recebendo, como quase todos de sua geração, uma influência muito grande da mitológica Evita. Sua ascendência era mestiça (mistura de europeus com americanos e índios): francesa e dos indígenas do grupo diaguita. Sua carreira artística iniciou-se em 1950, quando venceu, na plenitude de seus quinze anos, um concurso de canto promovido pela rádio de sua cidade natal, ganhando um contrato de dois meses com a emissora. Em 1962 é lançado seu primeiro álbum, “La voz de la zafra”, gravado no ano anterior. Em seguida, ficou conhecida entre os povos indígenas argentinos  ao fazer uma performance no Festival Folclórico Nacional. Sua preocupação sócio-política refletia-se no repertório que interpretava, tendo sido uma das maiores expoentes do movimento “Nueva canción”, movimento musical com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas, marcado por uma ideologia de rechaço ao imperialismo norte-americano, ao consumismo e às desigualdades sociais. Além do sucesso na Argentina, apresentou-se também em países da América e da Europa. A temática social e ligação com a esquerda também lhe renderam dissabores. Em 1979, em La Plata, durante a ditadura argentina, por exemplo, um show da artista foi invadido pelos militares, e tanto ela quanto o público presente foi parar na prisão! Banida no próprio país, Mercedes decidiu se exilar, primeiro em Paris, depois em Madri. Voltou à Argentina em 1982, vários meses antes do colapso da ditadura militar argentina, resultado da fracassada Guerra das Malvinas, e deu uma série de shows no Teatro Cólon, em Buenos Aires, onde convidou muitos colegas jovens para cantar com ela (um LP duplo com gravações dessas performances logo fez sucesso). E continuou a se apresentar nos anos seguintes, não só na Argentina, como também no exterior, cantando em lugares como o Lincoln Center, o Carnegie Hall e o Teatro  Mogador. Entre os artistas que gravaram com ela estão Fito Páez, Mílton Nascimento, Léon Gieco, Daniela Mercury, Beth Carvalho, Chico Buarque, Fagner, Sting, Andrea Bocelli e até mesmo a colombiana Shakira. Tem mais de 50 álbuns em sua discografia, e foi considerada a melhor intérprete das composições  do argentino Atahualpa Yupanqui e da chilena Violeta Parra. Ganhou quatro vezes o Grammy Latino de melhor álbum de música folclórica (em 2000, por “Misa Criolla”, em 2003 por “Acústico”, em 2006 por “Corazón libre” e já postumamente, em 2009, por “Cantora  1”). E continuaria em atividade até falecer, em 4 de outubro de 2009, aos 74 anos, de problemas renais. Hoje, o TM oferece a vocês uma coletânea com algumas das melhores gravações da notável e imortal Mercedes Sosa, lançada pela Philips argentina dentro de uma série denominada “Grandes artistas”, e reunindo gravações feitas entre 1966 e 1972 (talvez o disco seja de 1975). São treze faixas em que ela nos apresenta um repertório de primeira linha, de renomados compositores populares latinos, como Atahualpa Yupanqui (“Duerme mi negrito”, tema folclórico recolhido por ele), Armando Tejada Gomez (“Canción com todos”), H. Rufo Herrera (“Zamba del chaguanco’), Ariel Ramirez (que também a acompanha ao piano em “Alfonsina y el mar”), Figueredo Iramain (‘Cancion del derrume índio”) e Violeta Parra (“Gracias a la vida”, clássico que mereceu interpretação inesquecível de Mercedes). Tudo isso mostrando a força e o talento desta inesquecível intérprete, com todos os atributos que a fizeram, com justiça, uma gigante da música latino-americana contemporânea. E atenção: brevemente, estaremos postando mais álbuns de Mercedes Sosa. Aguardem!

al jardin de la republica
duerme negrito
chayita del vidalero
tristeza
alfonsina y el mar
zamba del chaguanco
cancion con todos
si se calla el cantor
cancion para un niño en la calle
la oncena
cancion del derrumbe indio
zamba para no morir
gracias a la vida

*Texto de Samuel Machado Filho

Quarteto Em Cy – Interpreta Gonzaguinha, Caetano, Ivan E Milton (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Nossas postagens tem sido tão espaçadas que eu até me esqueci de como fazê-las. Já perdi todo o pique da escrita, aliás essa, para felicidade de todos, passou a ser feita pelo amigo Samuca. Porém, ainda sou eu quem publica tudo e para não variar me falta sempre tempo. Hoje eu achei a brecha e nela me encaixo trazendo este disco do Quarteto em Cy, lançado no começo dos anos 80, pela Polygram e selo Philips. Como sempre, um excelente trabalho. Uma escolha acertada de repertório e com quatro grande nomes da MPB: Milton, Gonzaguinha, Ivan Lins e Caetano Veloso. São músicas bem conhecidas do público, mas sempre perfeitas na interpretação do maior quarteto vocal feminino, as baianinhas do Quarteto em Cy. Não bastasse, conta ainda com um time de músicos de primeiríssima. Não tem como não ouvir. É correr para o GTM 🙂

abandonado
ciranda menina
saindo de mim
começar de novo
gira girou
lua lua lua lua
canto do povo de um lugar
idolatrada
barco fantasma
recado
um dia
o último trem
ponta de areia
começaria tudo outra vez
antes que seja tarde

Luiz Eça & Cordas (1965)

Hoje, o TM põe em foco mais um nome importantíssimo de nossa música popular, atuando como pianista, compositor, músico e arranjador. Estamos falando de Luiz Mainzi da Cunha Eça, ou simplesmente Luiz Eça, como ficou para a posteridade. Ou ainda Luizinho, como era chamado carinhosamente pelos amigos. Embora nascido no Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1936, Luiz Eça era descendente do escritor português Eça de Queiroz, e foi tão importante para a música, tanto popular quanto erudita, quanto seu ilustre antepassado para a literatura. Seu primeiro contato com a música deu-se aos quatro anos de idade, quando ganhou de presente um pianinho de brinquedo.  A sua primeira professora foi a pianista russa Zina Stern, amiga de seus pais, que lhe ensinou durante quatro anos as técnicas de piano das escolas francesas e russas. Aos catorze anos, após um período de muita brincadeira e pouca música, voltou aos estudos sistemáticos, e apresentou seu primeiro recital, no Conservatório Brasileiro de Música, e também fez seu primeiro baile, no Clube Caiçaras, na Lagoa. Nessa época, início dos anos 1950, ocasião em que estudava no Colégio Mallet Soares, em Copacabana, passa a ter aulas de piano com aquela que ele próprio considerava sua grande mestra, Madame Petrus Verdier. Em 1951-52 atuou na lendária Rádio Nacional, junto com Garoto, o mago das cordas, com quem inclusive participou de algumas rodas de choro no sítio que ele possuía em Areal, RJ. Aos 17 anos, em 1953, passa a atuar como pianista na boate do Hotel Vogue, autêntico reduto da “high society” carioca, onde tinha grande trânsito com os estrangeiros que lá se hospedavam, por falar fluentemente inglês, francês e espanhol (com essa idade, Luiz só podia tocar na noite com permissão judicial).  Um ano mais tarde, ingressa no conjunto do acordeonista Sivuca, que seria seu amigo para o resto da vida e, depois, forma o Trio Penumbra, com Candinho ao violão e Jambeiro ao contrabaixo, que fazia apresentações na Rádio Mayrink Veiga.  Em 1955, como pianista do Trio Plaza, integrado ainda por Ed Lincoln no contrabaixo e Paulo Ney na guitarra, Luiz Eça faz sua estreia fonográfica, quando a etiqueta Rádio lança o LP “Uma noite no Plaza”. Depois desse álbum, Luiz Eça ganhou uma bolsa de estudos do então presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, para estudar em Viena, capital da Áustria, onde teve aulas, entre outros grandes professores, com o pianista e compositor Friederich Guida. De volta ao Brasil, em 1962, Luizinho forma um dos mais importantes conjuntos da bossa nova: o Tamba Trio, ao lado do contrabaixista Bebeto e do baterista Hélcio Milito, sendo os três também vocalistas. O Tamba Trio foi, inclusive, o primeiro a fazer “pocket-shows” no Bottle’s Bar, que ficava no lendário Beco das Garrafas, catedral da bossa nova no Rio de Janeiro, e ainda fez excursões pela América do Norte e pela Europa.  Luiz Eça acompanhou e fez arranjos para muitos dos mais importantes nomes da MPB a seu tempo, como Maysa, Nara Leão, Carlos Lyra, Sylvia Telles, Edu Lobo, Mílton Nascimento, Flora Purim, Joyce Moreno, João Bosco, Luiz Gonzaga  e Nana Caymmi, entre tantos outros. Foi ainda professor de jovens músicos e atuou como pianista na casa noturna Chiko’s Bar, onde também gravou um disco ao vivo com um de seus maiores amigos, o pianista de jazz norte-americano Bill Evans, em 1979. Luiz Eça faleceu em 25 de maio de 1992, em seu Rio de Janeiro natal, aos  56 anos, de infarto fulminante, deixando, como se vê, um extenso currículo de serviços prestados à música brasileira. Dele, o TM oferece, orgulhosamente, a seus amigos cultos, ocultos e associados, o álbum que é talvez sua maior obra-prima. Trata-se de “Luiz Eça & cordas”, lançado em  1965 pela Philips. Produzido pelo próprio Luizinho, que, claro, está também ao piano, este disco contém primorosos arranjos (dele próprio, naturalmente)  para composições suas e de outros grandes nomes da bossa nova, como Edu Lobo, Baden Powell, Robereto Menescal e Durval Ferreira. Obras como “A morte de um deus de sal”, “Chegança”, “Primavera” e “Tristeza de nós dois” ganham roupagem de gala, com grande orquestra de cordas e participação do contrabaixista Bebeto, seu companheiro de Tamba Trio, do violonista Neco e do baterista Ohanna.  A contracapa do disco reproduz, inclusive, um entusiasmado telegrama de parabéns do então diretor artístico da Philips, Armando Pittigliani. Tudo isso faz de “Luiz Eça & cordas” um trabalho de qualidade inquestionável, merecedor, por todos os títulos, de mais esta postagem do nosso TM.É só conferir…

morte de um deus de sal

imagem

canção da terra

tristeza de nós dois

velho pescador

canção do encontro

chegança

primavera

consolação

saudade

quase um deus

amando

*Texto de Samuel Machado Filho

Momento Quatro – Momento 4uatro (1968)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje a resenha ‘fonomusical’ é minha. Trago, enfim, para as nossas ‘fileiras’ um lp que há tempos eu venho querendo postar. Vamos no embalo do Momento Quatro, um quarteto vocal que surgiu nos anos 60, junto aos festivais. Ganhou forma a partir do III Festival da TV Record, em 1967, acompanhando Edu Lobo e Marília Medalha na apresentação da festejada e memorável ‘Ponteio’. O Momento Quatro era formado por Zé Rodrix, Ricardo Villas, Maurício Maestro e David Tygel, figuras que após a efêmera existência do ‘M4’, seguiriam se destacando em outro importantes projetos. Zé Rodrix iria para o Som Imaginário, formaria um trio com Sá e Guarabyra, depois seguia em carreira solo. Ricardo Villas (antes Ricardo Sá) chegou a ser preso por conta da ditadura, se exilou na França e formou dupla com a cantora Teca Calazans. Maurício Maestro e David Tygel também se destacaram formando com Claudio Nucci e Zé Renato o conjunto vocal Boca Livre.
O Momento Quatro gravou apenas este lp, que hoje é um disco raro, afinal (e que eu saiba) nunca chegou a ser relançado. Tendo total liberdade de criação, o álbum ‘Momento 4uatro’ foi produzido ao gosto do quarteto, que nos apresenta um repertório fino, tanto autoral quanto de outros grandes nomes como Gilberto Gil, Milton Nascimento, Marcos Valle, Edú Lobo e mais… basta ver nos créditos da contracapa. Orquestrações de Rogério Duprat e arranjos vocais de Maurício Maestro. Um trabalho muito bacana que merece o nosso toque musical. Confiram lá no GTM 😉

passa ontem
três pontas
festa
dos caminhos longoestranhos até chegar junto dela
no brilho da faca
classe dominante
ele falava nisso todo dia
de luzia, ana e maria
irmão de fé
veleiro
proton elétron e neutron
litoral

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Zimbo Trio – Strings and Brass Plays the Hits (1971)

Olá, amigos cultos e ocultos! Espero que tenham gostado de nossa mostra voltada aos festivais. Tivemos aqui um leque bem variado, com festivais de três décadas diferentes e sempre bem apresentados pelo nosso amigo culto Samuca.
Fugindo do tradicional, este ano não tivemos postagens natalinas. Acho que já esgotamos os discos ligados ao tema. Por essa e muito mais por outras, nosso Natal vai ser ao som do grande Zimbo Trio. Acho que este disco cai como uma luva, não apenas pelo seu conteúdo musical, mas também pela capa vermelha, que bem simboliza o Papai Noel.
Temos aqui mais uma belíssima pérola do Zimbo Trio, acompanhado de cordas e metais, numa sessão de ‘hits’ nacionais e internacionais. Um repertório misto e bem peneirado que agrada em cheio, antes ou depois da ceia.
Feliz Natal a todos os amigos cultos e ocultos!

madalena
bridge ove troubled water
falei e disse
agora
i’ll be there
apesar de você
na tonga da mironga do kaburetê
primavera (vai chuva)
close to you
carimbó
pulo pulo
fechado para balanço
para lennon e mccartney

V Festival Internacional Da Canção Popular-Rio (1970)

Prosseguindo o ciclo dos festivais de música, o TM apresenta hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, o álbum com as músicas que concorreram na fase internacional do quinto FIC (Festival Internacional da Canção), promovido pela TV Globo em 1970. Lançado pela Polydor/Philips, ele já havia sido apresentado aqui anteriormente, mas agora retorna com os links devidamente repostos. A faixa de abertura é exatamente a que venceu a fase internacional, representando a Argentina: “Pedro Nadie”, com Piero, que derrotou a concorrente brasileira, “BR-3”, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, defendida por Tony Tornado e aqui na voz de Gerson Combo, uma vez que Tony era então do elenco da Odeon. As demais concorrentes “gringas” não ficaram lá muito conhecidas, mas o disco mesmo assim vale como documento. E vale também pela música que ficou em sexto lugar na fase nacional, mas agradou tanto que foi reapresentada no dia do encerramento do FIC: “Eu também quero mocotó”, de Jorge Ben (atual Ben Jor), defendida por Erlon Chaves com sua Banda Veneno. Na gravação ele conta com o apoio do coro SAM (Sociedade Amigos do Mocotó), que tinha mais de 40 integrantes nas apresentações ao vivo. Entretanto, ao encerrar sua apresentação, na qual estava cercado de belas mulheres, Erlon provocou o maior escândalo ao beijar uma linda loira, olhar para as câmeras e dizer que, com aquele gesto, estava beijando todas as brasileiras! Algo inadmissível  para os valores morais então vigentes, além do quê era época de ditadura militar “braba”. O resultado: Erlon Chaves saiu do Maracanãzinho algemado, e ainda proibido por 30 dias de exercer qualquer atividade artístico-musical! Nesse período, Erlon sumiu de cena e, ao retomar seu trabalho, voltou a ser apenas maestro e arranjador, até falecer, em 1974, de infarto fulminante. Enfim, o TM nos oferece hoje a alegria do reencontro, ao trazer este álbum documentando a fase internacional do FIC de 1970. Afinal, todos merecem uma segunda chance… .

argentina – pedro nadie – pero
brasil – br-3 – gerson combo & orquestra som bateau
suécia – det ljuva livet – sylvie schneider
grécia – georges is sly – marinella
bélgica – who can tell me my name – music machine
inglaterra – out of the darkness – vincent deal
the best man – rocky shahan
brasil – eu também quero mocotó – s.a.m. & banda veneno de erlon chaves
frança – et pourtant c’est vrai – michelle olivier
canadá – put it off till september – les amis
mônaco – rire ou pleurer – michele torr
itália – tu non sei piu innamorato di me – diva paoli
espanha – elizabeth – nino bravo
holanda – just be you – rita heyes
*Texto de Samuel Machado Filho

III Festival Internacional Da Canção Popular Rio – As 10 Mais Internacionais (1968)

Augusto José Marzagão (Barretos, SP, 12/12/1929) foi um verdadeiro “bruxo” da comunicação, no bom sentido, é claro. Sua atribulada trajetória pessoal iniciou-se aos 22 anos, nas funções de colaborador do então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros. Depois disso, Marzagão passou vários anos na surdina, arquitetando um empreendimento fadado a marcar presença  numa difícil etapa da vida cultural brasileira: o FIC (Festival Internacional da Canção). E tudo começou em 1965, quando ele foi contatado pela Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, a fim de organizar uma agenda de promoções e realizar um projeto de divulgação do turismo. Entre as músicas nacionais concorrentes, o FIC premiava uma delas, que se classificaria para a segunda etapa, disputando o troféu Galo de Ouro com candidatos de outros países. O certame teve sete edições no ginásio Maracanãzinho, a primeira com promoção da TV Rio, em 1966, e as demais, entre 1967 e 1972, pela Globo. Marcaram época o bordão do apresentador Hílton Gomes, “Boa sorte, maestro!”, e o “Hino do FIC”, de autoria de Erlon Chaves. Os FICs mudaram e enriqueceram  não só a MPB, mas também a própria vida inteligente do país. Vários nomes de prestígio em nossa música popular foram revelados e/ou projetados nacionalmente pelas sete edições do FIC: Mílton Nascimento, Guarabyra, Beth Carvalho, Zé Rodrix, Egberto Gismonti, a dupla Antônio Adolfo-Tibério Gaspar, Taiguara, Paulinho Tapajós e muitos outros mais. Ter aberto essa clareira privilegiada ao talento, em situação particularmente adversa, constituiu, por si só, uma realização pessoal  de projeção suficiente para abrir uma página de nossa história cultural a Augusto Marzagão. Prosseguindo o ciclo dedicado aos festivais, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum referente à terceira edição do FIC, realizada em 1968. Subintitulado ‘As 14 mais internacionais”, é, evidentemente, dedicado à fase “gringa” do evento, e foi lançado pela Philips, gravadora que também editou os três LPs que reuniram todas as concorrentes da fase nacional. E foi justamente no FIC de 68 que o Brasil ganhou pela primeira vez o Galo de Ouro, com “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque, a faixa de abertura deste disco, interpretada pelas sempre afinadíssimas vozes do MPB-4 (originalmente foi defendida pela dupla Cynara e Cybele, ex-integrantes do Quarteto em Cy). Era uma espécie de “canção do exílio”, que transmitia bem o clima político da época (o co-autor, Chico Buarque, já estava exilado voluntariamente na Itália), mas o público a considerou alienante e a vaiou impiedosamente, pois preferia “Caminhando (Pra não dizer que não falei das flores)”, de Geraldo Vandré, que acabou vice-campeã e foi proibida pela censura do regime militar, sendo liberada apenas onze anos depois. As outras treze faixas, claro, apresentam músicas de vários países, que concorreram com “Sabiá” na fase internacional do certame. Entre elas uma curiosidade: a música representante da Romênia, “Le bruit des vagues”, defendida originalmente por seu co-autor, Romuald, e aqui na voz de um obscuro Ronaldo, fez bastante sucesso mais tarde numa versão em português de Flávia de Queiroz Lima, gravada por Altemar Dutra, com o nome de “Murmura o mar”. Outro destaque fica por conta da concorrente de Luxemburgo, “Jogo de futebol”, composta e interpretada por Antoine, e mais tarde regravada pelos Brazilian Bitles e pelos Fevers (note-se, na interpretação do autor, que ele canta algumas palavras em português!). E é justo também fazermos menção a Françoise Hardy, autora e intérprete da concorrente da sua França natal, “A quoi ça sert”, e ao grande Jimmy Cliff, que assina e interpreta a concorrente da sua Jamaica, “Waterfall”. Enfim, todo o disco é um documento interessante do que foi a fase internacional do FIC de 1968. Para baixar, ouvir e guardar!

brasil – sabiá
andorra – le bruit des vagues
jamaica – waterfail
estados unidos – mary
itália – non domandarti
suécia – no one can say
finlândia – ill find a place for me someday
japãp – sayonara, sayonara
canadá – this crazy world
frança – a quoi ça sert
luxemburgo – jogo de futebol
monaco – un doamance apres la fin du monde
noruega – i feel so strong
holanda – the blue bird flew away

*Texto de Samuel Machado Filho

Festival Dos Festivais (1966)

Boa tarde, caríssimos amigos cultos e ocultos! Aproveitando que eu andei digitalizando alguns discos de festivais, achei por bem compartilha-los com vocês. Já encaminhei um tanto para que o nosso resenhista de plantão, o Samuca, faça aqui as devidas e sequentes apresentações. Eu, mais uma vez, vou me limitar apenas na seleção e publicação das postagens. Eventualmente, vou dando uns pitacos.
Iniciando a semana dedicada aos festivais de música, que muito sucesso faziam desde os anos 60, eu abro com este lp, lançado pelo selo Philips em 1966. Trata-se de uma coletânea, um resumo de suas produções para alguns dos festivais de música da época. Escolhi este lp para abrirmos nossa semana temática também por conta de uma contracapa cheia de informações, que me garante uma postagem imediata. Nem preciso entrar em detalhes. Me poupem… hehehe…

saveiros – elis regina
gina – wayne fontana
a banda – nara leão
ensaio geral – gilberto gil
dia das rosas – claudette soares
amor, sempre amor – f. pereira
o cavaleiro – geraldo vandré
disparada – jair rodrigues
canção de não cantar – elis regina
fran den wind – ronaldo
chorar e cantar – claudette soares
jogo de roda – elis regina
canção do negro amor – silvio aleixo

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Antena Um – Sucessos FMPB (1981)

Surgida em 1975, por iniciativa do empresário Orlando Negrão, a Antena 1 FM de São Paulo foi uma das primeiras rádios comerciais a apostar numa programação segmentada e de qualidade. De início, a emissora estava mais voltada para o público jovem, com programação baseada em música pop e rock, além de MPB contemporânea. Com o passar dos anos, a Antena 1 foi mudando seu estilo, passando a atingir o segmento conhecido como adulto contemporâneo, e voltando-se para as classes A e B, executando flashbacks de música internacional. No final dos anos 1980, passou a transmitir via satélite, tornando-se a primeira rede de emissoras de rádio FM do Brasil. Atualmente, a Rede Antena 1 conta com 21 emissoras, sendo sete próprias e as demais afiliadas, e vem se firmado como uma opção de qualidade para o público mais exigente. Além, é claro, de poder ser ouvida aqui na web. É justamente dos primórdios da Rede Antena 1, quando a MPB também fazia parte de sua programação, a coletânea que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Trata-se de “Antena 1 – Sucessos FMPB”, lançada em 1981 pela Philips/Polygram, hoje Universal Music, gravadora que sempre teve entre seus contratados autênticas “feras” de nossa música popular. Embora não haja crédito ao responsável pela seleção de repertório, esta é de arrepiar. O disco já começa arrebentando, com “Meu bem, meu mal”, grande hit de Gal Costa na época. Depois tem um irresistível dueto de Ivan Lins com a então esposa  Lucinha, “Amor”, Zizi Possi com “Caminhos de sol” (mais conhecida por “Um minuto além”), o grupo Boca Livre (então já contratado da Polygram, após lançar os dois primeiros LPs de forma independente), com “Folia”, Renato Terra com “Raio de Sol”, o grupo Céu da Boca (do qual fez parte a cantora Verônica Sabino) com a expressiva “Clarissa”, extraída do primeiro álbum do conjunto, Robertinho de Recife e a esposa Emilinha interpretando “Feliz com você”…  Robertinho, por sinal, é parceiro de Capinam na faixa seguinte, “Seja o meu céu”, na interpretação da inesquecível Nara Leão. O “Tremendão” Erasmo Carlos vem com o megahit “Minha superstar”, faixa extraída do álbum “Mulher (Sexo frágil)”, por sinal o mais vendido de toda a sua carreira. Ângela Ro Ro interpreta “Vou lá no fundo”, Eduardo Dusek vem com “Injuriado”, o Boca Livre retorna acompanhando Elza Maria (cantora que, ao que parece, não foi muito longe na carreira) em “Pena de sabiá”, um certo Heraldo com “Primavera” e, para encerrar, o sempre competentíssimo Roupa Nova, com a expressiva releitura de “Lumiar”, de Ronaldo Bastos e Beto Guedes, grande hit deste último de 1977. Enfim, uma compilação que nos dá uma ideia do que a Antena 1 apresentava musicalmente em seus primeiros tempos, na parte nacional, além de nos oferecer um pouco do que a MPB produzia de mais expressivo no início da década de 1980, na interpretação de alguns de seus expoentes. Divirtam-se…

meu bem, meu mal – gal costa
amor – ivan lins
caminhos do sol – zizi possi
folia – boca livre
raio de sol – renato terra
clarissa – céu da boca
feliz com você – robertinho de recife
seja o meu céu – nara leão
minha super star – erasmo carlos
vou lá no fundo – angela roro
injuriado – eduardo dusek
pena de sabiá – elza maria
primavera – heraldo
lumiar – roupa nova
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*Texto de Samuel Machado Filho

Paul Mauriat – Brazilian Landscape (1974)

Apreciadores da “easy listening”, ou seja, da música instrumental e orquestrada, lembram-se, e com muitas saudades, de nomes como o norte-americano Ray Conniff, o francês Franck Pourcel, o canadense Percy Faith e o italiano Mantovani, notáveis regentes de grandes orquestras. E, evidentemente, também têm na lembrança um outro grande maestro francês, hoje lembrado pelo TM: Paul Mauriat. Ele veio ao mundo na cidade de Marselha, a 4 de março de 1925. Filho de uma família de músicos, teve seu pai como primeiro mestre. Iniciou seus estudos de piano aos quatro anos, e aos dez, entrou para o Conservatório de Paris, e de lá saiu aos catorze, decidido a seguir carreira de concertista. Porém, o encontro com o jazz mudou seus planos, influenciando decididamente o estilo que o consagrou a nível mundial. Mauriat cresceu em Paris, e organizou sua própria orquestra aos dezessete anos, apresentando-se com ela em cabarés e teatros da França e outros países europeus. Nos anos 1950, tornou-se o arranjador preferido de inúmeros cantores franceses, principalmente Charles Aznavour. Gravou o primeiro álbum com sua orquestra, “Paris by night”, em 1961, depois do qual vieram muitos e muitos outros. Seu maior sucesso talvez seja “L’amour est bleu (Love is blue)”, gravado em 1968, que embalou as festinhas de muita gente e é lembrado até hoje. “El bimbo” e “Penelope” também estão entre as gravações mais lembradas de Paul Mauriat e sua “grande orquestra”. Após vários anos de intensa atividade no disco e em apresentações públicas por todo o mundo, em 1998, Paul Mauriat decidiu retirar-se da vida artística, realizando um último show em Osaka, Japão. Mas sua orquestra continuou em atividade, assumida primeiramente por Gilles Gambus, que era seu pianista, e mais tarde por Jean-Jacques Justafre. Em fins de 2006, aos 81 anos de idade, Mauriat afasta-se definitivamente da vida artística e passa a residir em sua casa de verão, na cidade francesa de Perpignan, onde morreu no dia 3 de novembro daquele ano. O álbum de Paul Mauriat que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, é “Brazilian landscape”. Lançado em 1974 pela Philips/Phonogram, é o primeiro volume de uma série denominada  “Melodies and memories”, que teve no total dez títulos temáticos, cada um dedicado a um gênero musical, e todos montados a partir dos muitos LPs gravados pelo maestro francês até aquele ano. Mauriat muito apreciava a música popular brasileira, e não é à toa que este disco seja inteiramente dedicado a hits brazucas. Em catorze faixas, desfilam sucessos da MPB principalmente dos anos 1960/70, bem conhecidos até hoje, tipo “A banda”, “Jesus Cristo”, “Naquela mesa”, “Ponteio”, “Amada amante”, “Folhas secas”, “Viagem”, “Você abusou”, além da tradicionalíssima “Carinhoso”, do mestre Pixinguinha, uma dessas páginas musicais que não há quem não conheça. Merece também destaque a inclusão de “O sonho”, de Egberto Gismonti, surgida em um festival da canção e, mesmo não classificada, o projetou internacionalmente. Uma compilação que irá por certo fazer o deleite e o entretenimento dos amigos do TM, especialmente os que gostam de dançar “coladinho”, e pode ser considerada o embrião da série de álbuns “Exclusivamente Brasil”, que Mauriat gravaria nos anos seguintes. Show de bola!

carinhoso

ponteio

tristeza20

a banda

folhas secas

jesus cristo

presepada

naquela mesa

viagem

amada amante

casa no campo

você abusou

teimosa

o sonho

*Texto de Samuel Machado Filho

Panorama Da Música Popular Brasileira (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se tem uma coisa que eu não dispenso aqui no blog são as coletâneas. Acho elas ótimas, pois nos permite uma visão mais panorâmica de um determinado tema ou artista. Não é atoa que aqui a gente também acabe produzindo nossas próprias coletâneas exclusivas, sempre fazendo muito sucesso.
Hoje temos uma coletânea oferecida pela Organização Philips Brasileira. Um disco não comercial, promocional, lançado pela gravadora e selo Philips, em 1967, provavelmente como cortesia de fim de ano. A empresa e sua marca chegou ao Brasil em 1924, mas só depois da Segunda Guerra Mundial foi que as atividades industriais se iniciaram por aqui. A Philips produzia lâmpadas e aparelhos eletrônicos e ao longo do tempo foi se tornando uma gigantesca organização, atuando em campos diversos da produção industrial de eletroeletrônicos. A sua indústria fonográfica e selo surgem no final dos anos 50. E ela investe pesado na música, principalmente como gravadora. Tem entre seus contratados artistas dos mais importantes, tanto nacionais quanto internacionais. É inegável a contribuição da gravadora para com a música brasileira. São muitos os títulos lançados por ela e aqui, nesta coletânea, vamos encontrar um leque especial com alguns dos melhores momentos de sua produção até o ano de 1967. Certamente, tudo isso já passou por aqui, mas vale a pena ouvir de novo 😉

preciso aprender a ser só – os cariocas
disparada – jair rodrigues
apelo – silvio aleixo
a praça – ronnie von
upa, negrinho – elis regina
dia das rosas – claudette soares
no cordão da saideira – edu lobo
laranja madura – ataulfo alves
pedro pedreiro – nara leão
depois do carnaval – noite ilustrada
ensaio geral – gilberto gil
e nada  mais – os gatos
.

Jair Rodrigues – Estou Lhe Devendo Um Sorriso (1980)

O Toque Musical tem a grata satisfação de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do inesquecível e eterno Jair Rodrigues. Trata-se de “Estou lhe devendo um sorriso”, lançado em 1980 pela Philips/Polygram (hoje Universal Music).  Sob a batuta do sempre eficiente Armando Pittigliani na direção de produção, e com arranjos de Wilson Mauro, Luiz Roberto e Aécio Flávio, este é outro impecável trabalho fonográfico do “cachorrão”, num repertório essencialmente sambístico. A faixa-título e de abertura, de autoria de Serafim Adriano, teve mais tarde regravações por Ney Viana e Elza Soares. Compositores de peso e prestígio assinam as demais faixas do disco: a dupla Evaldo Gouveia-Jair Amorim (“Mestre-sala do amor”),  Noca da Portela (“Mais feliz quem sabe perdoar”, que tem Daniel Santos como parceiro), Wando (“Cantarola”, feita por ele junto com Leônidas Paulo e Nilo Amaro, aquele dos Cantores de Ébano), Ari do Cavaco (“Conversa fora”, parceria com Otacílio, que também assina “Falso baiano”, com Gê Martins), Zuzuca (“Moro no morro”), Talismã (“Madrigais – Meu sexto sentido”, parceria com Raimundo Prates) e a dupla João Nogueira-Edil Pacheco (“Salve a Bahia”). O Chico Xavier que compôs “Lenda do rei dos vaqueiros e do boi mandingueiro”, por certo, não é o líder espírita… Walmir Lima e Jandyr Aragão vêm com “Ponto central”, e, na faixa de encerramento, Jair mostra seu lado romântico ao regravar “Mané Fogueteiro”, samba-canção do grande João de Barro, o Braguinha, antigo sucesso de Augusto Calheiros, ao qual dá excelente interpretação, elogiada até mesmo pelo próprio autor. Enfim, um intérprete versátil, eclético, que tinha como principais características o bom humor e a alegria contagiantes, além de, claro, ser um cantor extraordinário. Para ouvir e lembrar com saudades deste notável  intérprete que foi Jair Rodrigues!

estou lhe devendo um sorriso

conversa fora

cantarola

mestre sala do amor

mais feliz quem sabe perdoar

ponto central

falso baiano

moro no morro

madrigais

salve a bahia

lenda do rei dos vaqueiros e do boi mandingueiro

mané fogueteiro

,

* Texto de Samuel Machado Filho

Jair Rodrigues – Com A Corda Toda (1972)

O Toque Musical tem a grata satisfação de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados  o décimo-primeiro álbum-solo do inesquecível Jair Rodrigues (Igarapava, SP, 6/2/1939-Cotia, SP, 8/5/2014). O eterno “cachorrão” dispensa quaisquer apresentações. É impossível esquecer sua grande energia, sua alegria contagiante, sucessos como “Deixa isso pra lá”, “Disparada”, “Vou de samba com você”, “Majestade o sabiá”, “Festa para um rei negro”, “Na beira do Mangue”, “O importante é ser fevereiro”, “Orgulho de um sambista, “O conde”, “Bloco da solidão”, “Louvação” (em dueto com a não menos inesquecível Elis Regina,  sua companheira no “Fino da bossa”, da antiga TV Record) e tantos mais. Seu extenso currículo inclui turnês vitoriosas pelos EUA, Europa e Japão. E, quando de sua morte repentina e inesperada, aos 75 anos, ainda estava com a agenda de shows lotada! Pois este álbum faz jus a seu título: quando foi lançado, em 1972, o grande Jair estava de fato com a corda toda. Além de possuir o padrão técnico apuradíssimo que então caracterizava as produções da gravadora Philips/Phonogram, hoje Universal Music, o disco tem um repertório excelente, essencialmente sambístico, a começar pela faixa-título, de autoria da dupla Beto Scala-São Beto. O álbum já começa com um sucesso inesquecível, “Se Deus quiser”, do próprio Jair em parceria com o não menos saudoso Wando, de quem o “cachorrão” já havia registrado, um ano antes, outro hit, “O importante é ser fevereiro” (parceria com Nilo Amaro), que projetou nacionalmente o compositor-cantor mineiro. Com “Se Deus quiser”, ele e Jair repetiram a dose… Outro sucesso de Jair neste disco é o samba “A dança do cafuné”, de autoria de Zuzuca (Adil de Paula), de nítida inspiração africana, e que também seria destaque no carnaval de 1973. Bidi, que então atuava no grupo Originais do Samba, demonstrando espantosa habilidade na cuíca, assina “Tenderepá”. A dupla Evaldo Gouveia-Jair Amorim, autênticos “hitmakers” dos anos 1960/70, aqui comparece com “O amor e a rosa”. O baiano (de Maragogipe) Edil Pacheco assina “Me achei de novo”. O belenense-paraense Gildo Moreno bate ponto neste álbum do grande Jair com “Eu também vou”. Outro hit desse disco é “Baby, sou brasileiro”, de autoria de Sinhozinho (Eliodório Pereira Oliveira, Barreiras, BA, 23/4/1932-Anápolis, GO, 6/3/1979), que por sinal era muito amigo de Jair, em parceria com  Reginaldo Santos. Trabalhos das duplas Bedéo-Neno (“Toca direito, Olegário”), Luiz Carlos-Lelé (“Aniversário”), Marco César-Nílton Moreira (“Sapateia”) e Ozir Pimenta-Antônio Valentim (“Sete de setembro”) completam este primoroso trabalho discográfico que o TM oferece hoje a vocês. Ouçam e constatem: o grande Jair Rodrigues estava, de fato, “Com a corda toda”!

se deus quiser

me achei de novo

com a corda toda

eu também vou

sapateia

dança do cafuné

baby sou brasileiro

o amor e a rosa

toca direito olegário

aniversário

tenderepá

sete de setembro

* Texto de Samuel Machado Filho 

Os Cariocas – De 400 Bossas (1965)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Estarei enganado ou não? Me parece que ontem foi aniversário dOs Cariocas. Vi alguma coisa assim no facebook, coincidentemente quando eu já planejava postar este disco deles, de 1965. Não vou nem tomar o trabalho de confirmar, pois o tempo é curto e não dá para ficar pesquisando. O importante, ou o mais importante é que nos lembramos deste discaço e ele não poderia ficar fora do nosso toque musical. Falar sobre esse disco é chover no molhado, até porque na própria contracapa já temos todo o resumo. De resto, só basta mesmo ouvir. Quer tudo muito bem ajeitadinho? Um arquivo novo em 320 kbps, capa, contracapa e selo? Vai lá no GTM. O tempo é limitado! 😉

preciso aprender a ser só
veja lá
sabe você
rio 1800
carro de boi
exaltação a mangueira
copacabana
valsa de uma cidade
a paz do homem só
gente
jogo do navio
tema pra oito
.

Cássia Eller (1990)

Olá amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês o primeiro disco da Cássia Eller, lançando em 1990, pela Polygram/Philips. disco de estréia que alcançou uma boa vendagem e despertou o público, principalmente pela música “Por enquanto”, de Renato Russo, que foi um dos seus grandes sucessos. Cássia Eller se firmou mais como intérprete do que como compositora. De sua autoria neste disco, apenas a faixa “Lullaby”, em parceria com Márcio Faraco. Aliás, em seus outros discos, mais uma ou duas músicas fazem parte da sua produção autoral. A moça era boa mesmo é na interpretação de outros autores. Este disco, em lp, se tornou uma raridade, sendo objeto de disputa entre colecionadores.

já deu pra sentir – tutu
rubens
barraco
que o deus venha
eleanor rigby
otário
o dedo de deus
lullaby
não sei o que eu quero da vida
.

Quinteto Violado – Berra Boi (1973)

Olá meus amigos cultos e ocultos! Até agora há pouco eu estava ouvindo este disco aqui… Tinha certo de que já o havia postado no Toque Musical. Recorri ao index do blog para me certificar e realmente, não consta em nossa lista. E eu que pensava já ter postado vários discos do Quinteto Violado… Vamos então reparar o erro. Segue assim o “Berra Boi”, lp lançado em 1973, uma super safra! 73 foi mesmo o ano onde nasceram os melhores discos de mpb. A Música Brasileira estava mesmo inspirada naquele ano. “Berra Boi” pode ser considerado como o quarto trabalho do grupo, que surgiu em 1970. Antes deste disco o grupo lançou o “Quinteto Violado de 70” (cuja a capa trazia um desenho modificado do artista Roger Dean) e os discos da série Marcus Pereira, Música Popular do Nordeste, em 72, no qual o Quinteto Violado vem acompanhado pela cantora Zélia Barbosa. Em 73 a consagração. O grupo lança este “Berra Boi”, trabalho de excelência, que chama a atenção pela qualidade instrumental, sendo um álbum, praticamente, todo autoral, mantendo viva a essência da música nordestina. Não me recordo se este lp  está entre os 300 daquele livro ingrato do Gavin, mas bem que merecia!

vaquejada
duda no frevo
ladainha
engenho novo
minha cirada
pipoquinha
beira de estrada
baião do quinji
abraço ao hermeto
forró do dominguinhos
de uma noite de festa
cavalo marinho
.

 

Viva A Gente (1969)

Olá, amigos cultos e ocultos! Aqui estamos nós de volta,.. E as nossas postagens de compactos ainda não encerrou. Vamos continuar trazendo os disquinhos de 7 polegadas, fiquem tranquilos!
Estive passeando, viajando pelo Sul e como sempre explorando pelas cidades onde passei, os sebos e lojas de discos que ainda resistem, espalhados por aí. Eu sempre tenho a esperança de encontrar alguma coisa rara e interessante. E geralmente eu encontro. Desta vez achei mais discos estrangeiros, que no caso, não serve para o nosso blog, mas ainda assim consegui alguns nacionais para compartilhar com vocês. Retomando as postagens, entre lps e compactos, vamos hoje trazendo um disco que eu fui descobri lá em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Por estranho que possa me parecer, nunca tinha visto ou ouvido este disco antes. De cara, pela capa e pelo selo já senti que tinha algo interessante aqui.Viva a Gente! O que seria isso? Pensei numa coletânea ou algo assim. Infelizmente, no momento da compra, não foi possível ouvir e nem pelo selo ou verso da capa eu consegui entender do que se tratava. Foi só agora, de volta, pude ouvir e pesquisar sobre ele. Descobri que se trata da ‘versão brasileira’ de um movimento jovem surgido nos anos 60, trazido por um grupo coral alemão chamado “Sing Out Deutschland”, que em 1966 se apresentou no Brasil. Este grupo trazia em sua música mensagens e sentimentos positivos, de motivação, buscando mobilizar a juventude da época para a construção de um mundo melhor. O lema era ‘honestidade, pureza, altruísmo e amor’. Uma ideia nova que surgia e encantava pelos seus objetivos. Era algo que, indiretamente, tinha um misto de movimento hippie (de paz e amor) com os movimentos jovens da igreja católica. O grupo Sing Out passou por diversas cidades da região sudeste e sul do país. Motivou muitos jovens a fazerem músicas com esse espírito positivista e deixou por aqui um embrião. Surgiu em Joinville, SC, um movimento/coral, o coletivo Viva a Gente, um grupo coral formado com mais de 50 integrantes. Este grupo, segundo contam, fez muito sucesso se apresentado por diversas cidades do sul, conseguindo inclusive gravar este disco, lançado em 1969 pelo selo Philips, com músicas, em sua maioria, versões do ‘Sing Out Deutschland’.
Existem na rede alguns sites e blogs que falam sobre o ‘Viva a Gente’, relatos de pessoas que participaram do movimento. Vale a pena conhecer. Quanto ao disco, com certeza, é uma peça rara, que eu só poderia ter encontrado mesmo no Sul. E olha que por lá ninguém sabia também do que se tratava! Creio que este disco nunca chegou a ser apresentado assim, para recordar e baixar… Só mesmo através de blogs como o Toque Musical, não é mesmo? 😉

viva a gente
américa latina
brasília
água para um país sedento
de que cor é a pele de deus?
sê jovem de coração
não estacione
olhe para o futuro confiante
escuta a voz
hoje, não amanhã
está errado
liberdade
.

Máximo de Sucessos (1971)

Meus prezados amigos cultos e ocultos. Segue aqui uma coletânea das mais interessantes. Uma seleção com alguns dos mais expressivos artistas que gravavam pela Philips no início dos anos 70. Disco mono, porém de capa dupla. Um luxo que as gravadoras, na época, podiam se dar, ou nos dar, melhor dizendo. Esta é sem dúvida uma coletânea rara que muito colecionador gostaria de por a mão. Foi o disco inicial, o primeiro de uma série que viria a ser lançada pela gravadora durante aquela década. Não tenho muita certeza, nem tive tempo de pesquisar, mas creio que chegaram a quase 20 volumes. Uma boa estratégia da gravadora para apresentar seus artistas e lançamentos. E começou bem 😉

rosa dos ventos – chico buarque de hollanda
madalena – ivan lins
mano caetano – jorge ben e maria bethania
a próxima atração – ivan lins
chuvas de verão – maysa
o sorriso de narinha – trio mocotó
bloco da solidão – jair rodrigues
london london – gal costa
oba la vem ela – jorge ben
a semana inteira – erasmo carlos
quem viu helô? – claudette soares
deixa estar – mpb-4