Beth Goulart – Passional (1982)

Bom dia, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Temos aqui um disco que eu acredito, deve passado batido para muita gente. E por certo, não recebeu a devida atenção  no momento de divulgação. Aqui temos um lp gravado pela atriz, dramaturga e cantora Beth Goulart, filha dos também atores Nicette Bruno e Paulo Goulart. Nos anos 80 Beth esteve muito envolvida com a música, estreando em disco em 1981, primeiro com um compacto, “O balão e a vida” e no mesmo ano o lp “Sementes no ar”. No ano seguinte estaria lançando este, o “Passional” e novamente, em 85, gravaria o lp “Mantra Brasil”. Beth Goulart foi casada com o músico Nando Carneiro e foi justamente nesse período que ela gravou o disco que hoje apresentamos. Nando Carneiro, juntamente com outro músico, o Mário Adnet, foram os produtores, responsáveis pela concepção musical e arranjos. No disco, boa parte das músicas são de autoria de Nando. Lançado em 1982, pelo selo Philips, eu diria que esse trabalho me faz lembrar muito um outro disco, da década de 70, o “Corra o risco”, da cantora Olívia e o grupo Barca do Sol. Aqui encontramos inclusive a música “Cavalo marinho”, de Nando e Cacaso, gravada também por Olívia e a Barca do Sol. Temos a música “Severina”, parceria entre os irmãos Carneiro e com participação de Geraldo Azevedo. Iremos encontrar a música de Milton Nascimento, “Canção amiga”, cuja a letra é um poema de Carlos Drummod Andrade e também “Canción por la unidad Latino Américana”, do cubano Pablo Milanês adaptado por Chico Buarque de Hollanda. Tá aí, um disco bem bacana que merece uma nova audição. Confiram no GTM…

passional
polichinelo
severina
o gosto da memória
canção de amor
paixão
canción por la unidad latino americana
ai de mim
canção amiga
cavalo marinho
passional

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Tetê Espíndola – Piraretã (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos, boa tarde! Nosso encontro de hoje é com a Tetê Espíndola, uma das cantoras da minha geração que eu mais gosto. Aliás, cantora é pouco, ela é uma tremenda artista, compositora e multi-instrumentista, dona de uma voz única, uma verdadeira ‘mulher-pássaro’ que faz qualquer outro se calar para ouvi-la. Aqui temos dela o que podemos considerar como sendo o seu primeiro álbum solo. Ela já havia gravado anteriormente um disco com o grupo Lírio Selvagem, que eram antes membros do grupo Lua Azul, no qual Tetê também fazia parte. Mas foi em 80 que ela grava pela Philips este seu maravilhoso “Piraretã”. Um trabalho realmente muito lindo, quase todo acústico e cheio de um regionalismo que vai além do seu pantanal. Além de músicas próprias, em parcerias como os irmãos, ela também interpreta músicas de Arrigo e Paulo Barnabé (Tamarana); Gilberto Gil (Refazenda); Chico e Milton Nascimento (O Cio da Terra); Tião Carreiro (Matogrossense) e cabe até uma versão de Carlos Rennó (Melro) para o “Black Bird”, de Lennon e McCartney. Sem dúvida, um disco especial que anunciava o surgimento de uma grande cantora. “Piraretã” é lindo e mais que nunca merece o nosso toque musical. Confiram no GTM…

piraretã
cunhataiporã
refazenda
rosa em pedra dura
melro
tamarana
o cio da terra
vida cigana
beija-flor
viver junto
matogrossense
aratarda

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Claudette Soares – Feitinha Pro Sucesso Ou Quem Não É A Maior Tem Que Ser A Melhor (1969)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para não deixar a peteca cair, aqui vai um discão da Claudette Soares. Mais uma cantora que dispensa maiores apresentações e por aqui já diversas vezes apresentadas. Trazemos dela, desta vez, “Claudette…Fetinha pro sucesso ou Quem não é a maior tem que ser a melhor”. Vixiii.. que título grande, heim? Mas justifica, pode ter certeza. O título veio por conta de uma expressão da cantora, quando num programa, onde ela e Clara Nunes se apresentavam, o microfone estava um pouco alto e daí, brincando ela disse: “quem não é a maior tem que ser a melhor’. Neste lp Claudette arrasa diante de um repertório feitinho pro sucesso. Uma dúzia de boa música, em seu quinto lp de carreira. Confiram no GTM…

evocação
como é grande o meu amor por você
só faltava você
que nem giló
sinhazinha
feitinha pro poeta
juliana
carolina carol bela
psiu
dentes brancos do mundo
que maravilha
 


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Wilma Bentivegna – Preciso Aprender A Ser Só (1966)

E então, amiguinhos cultos e ocultos, temos aqui mais uma cantora, mais uma voz feminina para acalentar esses momentos tão medonhos. O bicho está lá fora e o melhor mesmo é ficar em casa curtindo as publicações aqui do Toque Musical.
Hoje temos Wilma Bentivegna, cantora paulista cujo período de maior atuação se deu nos anos 60. Já apresentamos dela, aqui, o primeiro lp lançado em 1961, “Canção do amor que lhe dou”. Agora temos “Preciso aprender a ser só”, disco de 66, onde ela nos apresenta um repertório não apenas de versões de sucessos internacionais, como era o seu habitual, mas também a música brasileira, entre essas, inclusive a que dá nome ao disco. Wilma gravou até os anos 70 e em sua maioria, compactos. Neste disco ela conta com os arranjos e regências do maestro Waldemiro Lemke. Confiram, no GTM…

oferenda
tudo de mim
o bilhete
ninguém chora por mim
e a vida continua
serenata da chuva
somos iguais
sentimental demais
eu que não vivo sem te ver
xangrilá
prelúdio da tua ausência
e eu te perdi
tristeza de voltar
o princípio e o fim
amor perdoa-me
o mundo
renúncia
preciso aprender a ser só
sim creio



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Os Cariocas – A Grande Bossa Dos Cariocas (1964)

Boa noite, amiguinhos cultos e ocultos! Para manter o nível e fazer valer este sábado de quarentena, vamos hoje com o quarteto vocal, Os Cariocas. Mais uma vez marcando presença em nosso Toque Musical e em um disco que eu pensava já ter postado por aqui. Vejam vocês, estava ainda inédito em nossa praça. Aliás, por falar em inédito, “A Grande Bossa dos Cariocas” é um disco clássico da Bossa Nova e trouxe, na época de seu lançamento, um repertório de músicas todas inéditas, que logo viriam a ser um grande sucesso. Trabalho maravilhoso, que de tanto ter sido divulgado (literalmente) a quatro cantos, dispensa maiores informações. Melhor correr para o GTM e conferir…

a minha namorada
samba de verão
inútil paisagem
nem o mar sabia
insônia por sônia
longe do rio
e vem o sol
tema para quatro
domingo azul
moça da praia
ei natureza
só tinha de ser com você




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Tamba Trio – Compacto (1965)

Boa noite, amiguinhos cultos e ocultos! Hoje eu fiquei mesmo sem tempo para preparar um disco aqui para nossa postagem. No final, achei melhor buscar ajuda na gaveta, nos ‘discos de gaveta’. E daí, escolhi este compacto do Tamba Trio, de 1965. Compactos, em geral são coisas raras, este então nem se fala. Compacto duplo trazendo músicas que não foram lançadas em lp, o que podemos então chamar de EP/compacto de carreira. Essas músicas só aparecem em algumas coletâneas do grupo. Disquinho, por certo, bem manjado no mundo dos blogs e agora está aqui para o deleite de nosso público. Confiram, pois aqui a gente tenta sempre fazer um serviço completo 😉

samba de verão
só tinha de ser com você
reza
samblues
 

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Zimbo Trio – Opus Pop Nº 2 (1973)

Olá, amigos cultos e ocultos! Mais uma triste perda na música popular brasileira. Desta vez foi o Rubens Barsotti, o maravilhoso baterista do maravilhoso Zimbo Trio. Infelizmente, essa geração de incríveis artistas vai aos poucos nos deixando. O Rubinho, já há tempos, estava afastado disso tudo, a idade pesou e ele praticamente já havia se aposentado. Mas não deixa de ser mais um que agora se vai, para tocar, quem sabe, no outro plano. Enfim, na atual situação em que ele já estava, melhor mesmo foi descansar. Mas continuará sempre presente em nossa história e nos inúmeros discos que gravou, em especial com seu grupo, o Zimbo Trio.
Bom, falar desse trio é chover no molhado, até porque, aqui no Toque Musical já postamos boa parte de sua discografia. Entre os que ainda não foram publicados tem esse, o Opus Pop N. 2, de 1973, que agora, em homenagem ao Rubens Barsotti fazemos questão de apresentar. Este, assim como o número 2, já foram bem divulgados em outros tantos blogs. Mas aqui chega como inédito para a alegria daqueles que ainda não o ouviram, ou baixaram… Lindo trabalho e bem diferenciado de outros tantos que o Zimbo gravou. Uma fusão do clássico com o popular, um ‘neo-barroco’ com sotaque de bossa e samba. Destaque também para o vocal de Clelia Simone, presente em todas as faixas. Disco imperdível para quem gosta de boa música. Não deixem de conferir no GTM.

sevilla
festa no sertão
wachet auf ruff uns die stimme
prelúdio
la danse d’anitra
playera
sicilienne
largo
narcisos



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Tamba Trio, Nara & Edu Lobo – 5 Na Bossa (1965)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Vasculhando meus arquivos de gaveta percebi que até hoje não havia postado este celebrado encontro de Nara Leão, Edu Lobo e o Tamba Trio (Luiz Eça, Bebeto e Ohana. Por certo foi que em outros tempos este disco esteve presente em diversos outros blogs. Desses, inclusive, eu aproveitei os aquivos da capa, pois estou sem programa para tratamento de imagens. Mas eis que aí estão os “5 na Bossa”, um disco gravado ao vivo, em 1965, no antigo Teatro Paramount, São Paulo. Sem dúvida, um disco clássico da música popular brasileira. Para mim, um dos melhores lps gravados ao vivo no Brasil. Perfeito em todos os sentidos. Talvez peque por não ser um álbum duplo. Mas as dez faixas deste disco sempre nos pede para repetir. Maravilhoso 🙂

carcará
reza
o trem atrasou
zambi
consolação
aleluia
cicatriz
estatuinha
minha história
o morro não tem vez
 


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Tamba Trio (1966)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Carnaval já está aí e nós aqui tentando entrar na folia. Logo mais teremos outras marchinhas e sambas carnavalescos, mas vamos também mantendo o grau, buscando mostrar que aqui temos a maior diversidade fonomusical. Para hoje temos o excelente Tamba Trio, grupo vocal e instrumental que nasceu  no início dos anos 60, no embalo da Bossa Nova. Formado inicialmente por Luiz Eça, Bebeto Castilho e Hélcio Milito, grupo esse que acompanhava as cantoras Maysa e depois Leny Andrade. Também tocando ao lado de Roberto Menscal e Luiz Carlos Vinhas. Teve ao longo de toda a sua trajetória outras formações, chegando inclusive a se tornar um quarteto. Entre umas e outras, o Tamba seguiu até o início dos anos 90, quando então seu principal elemento, Luiz Eça veio a falecer, em 1992. Neste lp, lançado em 1966 pelo selo Philips, temos o trio formado por Eça no piano, Bebeto no contrabaixo e flauta e Rubens Ohana na bateria, substituindo Hélcio Milito. O álbum nos traz um repertório com músicas de Baden, Vinícius, Francis Hime e também dos então ‘novatos’, os baianos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Edú Lobo, este último também é quem escreve o texto de apresentação da contracapa. Sem dúvida, um disco clássico da nossa música popular brasileira. Uma pérola que não se pode deixar de apreciar. Confiram no GTM…

canto de ossanha
minha
iemanjá
canção do nosso amor
quem me dera
sem mais adeus
procissão
imagem 
pra dizer adeus
tristeza – no carnaval
veleiro

 

IV Festival Internacional Da Canção Popular Rio (1969)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Estou trazendo para vocês um disco dos mais interessantes de festivais de música e que por curiosidade, muita gente não sabe o que está perdendo. Até mesmo no Mercado Livre, ou ainda, no Discogs, ninguém percebeu que precioso registro é essa edição. Penso que, talvez pelo fato de não trazer em sua capa ou contracapa a lista de músicos e músicas, acabou ficando meio de lado… Nem mesmo em blogs eu o cheguei a ver publicado. Este é um disco de IV Festival Internacional da Canção Popular Rio, de 1969, fase nacional, um álbum duplo com 18 das canções classificadas. Músicas até então inéditas, em gravação feita ao vivo, no Maracanãzinho. Temos aqui alguns ilustres nomes com Jorge Ben, Claudette Soares, MPB-4, Mutantes, Os Diagonais, Egberto Gismonti, Joyce e muitos outros. Quem é fã ou colecionador de alguns desses artistas tem aqui um momento inédito e imperdível. Discos de festivais são registros importantes que mereciam maior atenção por parte do público, este mais ainda por ser uma edição especial. Não deixem de conferir…

 

charles anjo 45 – jorge ben
juliana – claudette soares
anunciação – mpb-4
quem mandou – marcos sann
o tempo e o vento – malu
ando meio desligado – mutantes
beira vida – eduardo conde
beijo sideral – marcos samn
o mercador de serpentes – egberto gismonti
madrugada, carnaval e chuva – darcy da mangueira
minha marisa – os diagonais
bem te vi – dorinha tapajós
levança – milton santana
na roda do vento – ruy felipe
vesão geral – quarteto 004
canção por luciana – regininha
copacabana velha de guerra – joyce
longe do tempo – o bando

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Selma Reis (1990)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para fechar o ano e não dizerem que não falamos de flores, aqui as melhores, as cantoras… Trago para abrilhantar nosso blog a cantora e também atriz Selma Reis, uma artista que marcou pela presença e pela voz. Infelizmente ela se foi prematuramente, mas deixou para nós a sua arte. Participou de várias novelas da TV Globo. Uma atriz consagrada. Como cantora gravou nada menos que 11 discos da melhor qualidade, demonstrando ser também uma de nossas maiores cantoras de todos os tempos. Temos aqui seu lp de 1990, um belíssimo trabalho no qual, entre tantas pérolas, podemos destacar a faixa “O que é o amor”, de Danilo Caymmi e Dudu Falcão, música que fez sucesso, sendo parte da trilha de uma novela, Quem não conhece o trabalho dessa moça, eu recomendo e tenho certeza de que vai gostar. Confiram no GTM.

chão brasileiro
o quilombo
estrelas de outubro
emoções suburbanas
porto santo
meu veneno
oliudi fox
jaboti jatobá
ninguém vai levar você de mim
o que é o amor
bailarina do ar
 


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Luiza Maria – Eu Quero Ser Um Anjo (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como sabem, a cada dia eu tenho espaçado ainda mais os nossos encontros e postagens. Sempre reclamei do tempo que tenho para me dedicar ao blog, principalmente quanto ainda tínhamos postagens diárias. Ainda me falta tempo e por conta disso, tenho buscado a ajuda de amigos que muito tem colaborado para a nossa sobrevivência.
Hoje, aproveitando uns momentos de ócio, resolvi postar algumas coisas. Estava ouvindo até agora há pouco este disco da cantora Luiza Maria, um álbum realmente bacana, bem setentão e inesquecível. Creio que a primeira vez que pus a mão nesse disco, eu ainda estava na minha segunda década, por volta dos 17 anos. Na época, esse era mais um dos muitos discos bons que rolavam na vitrola lá de casa. Não sei que fim levou e por muito tempo eu nem mais me lembrava. Foi só a partir do ‘bum’ dos blogs musicais que ele voltou, cheio de críticas positivas e interesse, pois afinal tratava-se de um disco que teve uma edição pequena, que nunca voltou a cena, nunca foi relançado… Redescoberto, se tornou como muitos outros raridade, disputada a tapas e tiros por colecionadores. Hoje, mais que raro, virou objeto de ostentação de endinheirados, pretensos colecionadores, que chegam a pagar mil pratas num exemplar! Pena que o meu sumiu, pois se o ainda tivesse, teria passado no cobre. Acho absurdo essa jogada de preços de vinil, mas se tem gente para pagar, que seja… Como colecionador, eu jamais pagaria, Enfim, cada um faz com seu dinheiro o que quer.
Bom, mas falando do disco em si, dessa artista pouco conhecida, achei melhor continuar na preguiça e colar aqui o texto bacana do jornalista Fernando Rosa (Senhor F), publicando originalmente na extinta revista Bizz:
Mesmo que insista em não saber disso, o Brasil teve a sua Carole King, com direito até mesmo a beleza da cantora e compositora americana. A moça atende pelo nome de Luiza Maria e gravou um raro e clássico disco em 1975, pela Philips. Com ela, músicos como o ex-Traffic Jim Capaldi, os iniciantes Lulu Santos, Rick Ferreira e Antônio Adolfo e outros cobras. E um repertório moderno e carregado de um frescor pop, que incluia uma canção inédita da Raul Seixas. Com uma carreira tão promissora quanto meteórica, Luiza Maria registrou seu nome na história do rock nacional com o disco “Eu Queria Ser Um Anjo”, produzido pelo guitarrista Rick Ferreira, que tocou com Raul Seixas. Em dez músicas, a maior parte de sua autoria, ela mostra seus refinados atributos de compositora, desfilando canções, roques, blues e climas zeppelianos, produzindo um resultado sem similar na época. E com sua voz um pouca rouca – mas quente e afinada, e transitando entre o rock de Rita Lee e a MPB de Gal Costa, disputa o espaço entre as melhores cantoras de sua geração. Atualíssimo em todos os aspectos, o disco abre com o folk-rock “Na Casca do Ovo”, parceria com Rick Ferreira e Paulo Coelho, sinalizando o tom alegre e comovente da obra. “Você precisa entender que o seu charme já era/E se você fecha a porta/Eu entro pela janela/Te mostro o verso que eu fiz/Te ensino o rock de novo/E com um beijo bem dado/Eu quebro a casca do ovo …”, canta ela. “Maya”, só dela, com arranjos de Capaldi, traz a guitarra de Lulu Santos, com o Vímana, em um dos momentos mais inspirados de sua carreira. O blues “Tão Quente” destaca, além da jazzística interpretação vocal, o piano “feito em casa” de Antônio Adolfo. E o envolvente funk-latino “Miro Giro” paga tributo ao então – e sempre! – obrigatório Santana. “O Príncipe Valente” assinala a presença de Raul Seixas/Paulo Coelho (novamente) no disco, com acompanhamento de Rick, Dadi (A Cor do Som) e Gustavo (A Bolha). “Não Corra Atrás do Sol”, com um saltitante piano de Mu (também A Cor do Som) e fuzz-guitar de Rick tem a clássica pegada roqueira dos anos setenta. Mas, é em “Universo e Fantasia”, uma espécie de “Starway to Heaven” (Led Zeppelin) brazuca, que o clássico rock setentista deixa sua marca mais profunda. O disco é um desfile de cobras do rock e da música popular brasileira, como raras vezes se reuniu. Além dos já citados, acompanham Luiza Maria os músicos Arnaldo Brandão (baixo, d’A Bolha), Fernando Gama (baixo, do Veludo Elétrico e Vímana), Rui Motta (também Veludo Elétrico e, depois, Mutantes, na fase Serginho), Luiz Paulo (teclados, ex-Módulo 1000) e Chico Batera, entre outros. Na capa, a jovem e bela Luiza Maria com longos cabelos cacheados e vestindo uma clássica bata, formatando o tradicional visual hippie setentão. Após três décadas, “Eu Queria Ser Anjo” continua moderno, em nada devendo aos melhores discos gravados em sua época, e esperando que sua beleza desperte a sensibilidade (ainda resta uma esperança!) de algum homem- ou mulher, quem sabe – de gravadora. Enquanto isso, na falta de uma edição oficial caprichada, incluindo as letras e a ficha técnica, rolam CDrs Brasil a fora, suprindo a necessidade e a curiosidade dos ouvintes mais ligados.

na casca do ovo

maya

tão quente

o príncipe valente

no fundo do poço

não corra atrás do sol

anjo

miro giro

eu sou você

universo em fantasia

 

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The Fevers – Compacto (1965)

Boa tarde, amiguíssimos cultos e ocultos! Na onda do disco de 7 polegadas, eu hoje tenho para vocês este compacto do The Fevers, lançado pela Philips, em 1965. Ao que tudo indica, este foi o primeiro ou segundo compacto lançado por eles. Aqui temos a formação original com Almir Bezerra (vocal), Lécio do Nascimento (bateria), Pedro da Luz (guitarra), Liebert Ferreira (baixo). Cleudir Borges (teclados) e Miguel Plopschi (sax). Temos neste disquinho a música de estréia, “Vamos Dançar o Let Kiss”, versão de “Let Kiss Jenka” e “Quando O Sol Despertar”, de autoria de Pedrinho e Almir…
Confiram o disquinho completo no GTM 😉

vamos dançar o let kiss
quando o sol despertar
 
 
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Sérgio Endrigo – Exclusivamente Brasil (1979)

Sem sombra de dúvida, Sérgio Endrigo (Pula, Croácia, 15/6/1933-Roma, Itália, 7/9/2005) foi um dos maiores nomes da música popular italiana. Sucessos como “Io che amo solo te”, “Lontano dagli occhi” e “Canzone per te” (música com a qual venceu o Festival de San Remo de 1968, defendida por Roberto Carlos) são muito apreciados e lembrados até hoje. Endrigo também era um apaixonado por música brasileira, fruto do convívio e da amizade com artistas do porte de Chico Buarque e da dupla Toquinho e Vinícius de Moraes. Foi daí que surgiu a ideia de se gravar um álbum exclusivamente de música brasileira, e em português, posto que Endrigo dominava muito bem nosso idioma. E aqui está “Exclusivamente Brasil”, lançado em 1979 e que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. O repertório foi selecionado pelo próprio Sérgio Endrigo, e inclui duas músicas inéditas: “Samba para Endrigo” (Toquinho e Vinícius de Moraes) e “A rosa” (Chico Buarque), com a participação vocal de seus respectivos autores.  Outra faixa de destaque é “Samba em prelúdio”, um ótimo dueto de Endrigo com Fafá de Belém. No mais, uma produção muito bem cuidada, com arranjos competentes e digna de nossa postagem de hoje. Não deixem de conferir!

samba para endrigo
café da manhã
trocando em miúdos
a noite do meu bem
onde anda você
carinhoso
a rosa
samba em prelúdio
 ana luiza
morena do mar
joão e maria
morena flor




*Texto de Samuel Machado Filho

 

Jair Rodrigues – Menino Rei Da Alegria (1968)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical apresenta hoje mais um disco desse notável cantor que foi Jair Rodrigues, por sinal dos mais raros. É “Menino rei da alegria”, lançado em 1968. O repertório mantém a qualidade habitual de Jair nessa época, apresentando músicas de Nonato Buzar, Roberto Menescal, Sílvio César, Rildo Hora, Luiz Vieira, Monsueto, Carlos Imperial, da dupla Edu Lobo-Ruy Guerra e dos irmãos Valle. A surpresa, aqui, fica por conta da inclusão de “Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando)”, a então polêmica composição de Geraldo Vandré que tanto mal-estar causou nos militares que então governavam o Brasil, e acabou proibida pela censura, sendo liberada apenas onze anos depois, em 1979 (provavelmente este álbum de Jair também foi recolhido). Encerrando o álbum, um popurri de sambas antigos, no qual a música de encerramento é “Se é pecado sambar”, e não “É com esse que eu vou”, como erroneamente consta da contracapa. Enfim, mais um primoroso trabalho de Jair Rodrigues, para enriquecer os acervos de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de melhor.

pra todo mundo riar

felicidade

festa

repente

dia da vitoria

samba da rosa

regra trÊs

maré morta

escrete do samba

pra não dizer que não falei de flores

nascimento vida e morte de um samba

timidez

partido alto

pot pourri


*Texto de Samuel Machado Filho

Coral da Casa dos Poveiros – Viras & Bailaricos (1962)

Um pouco da mais autêntica música folclórica portuguesa. É o que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos nesta postagem. Trata-se do álbum “Viras & bailaricos”, na interpretação do coral da Casa dos Poveiros, do Rio de Janeiro. O disco saiu originalmente em 1962, pela Philips, e foi reeditado em 1978. O vira é uma das danças mais antigas de Portugal, e seu nome deriva do verbo virar, uma referência a um de seus movimentos mais característicos. As origens do vira, que alguns situam no ternário da valsa oitocentista e outros buscam mais atrás, no fandango, parecem ser de remota idade, como defendeu o musicólogo e compositor, Sampayo Ribeiro, que as coloca antes do século XVI. Tomaz Ribas considera o vira uma das mais antigas danças populares portuguesas, salientando que o teatrólogo Gil Vicente já fazia referência a ele na peça “Nau d’amores” , onde o dava como uma dança do Minho. São vários os tipos de viras conhecidos, entre eles o “vira antigo”, o “vira das sortes”, o “vira poveiro”, o “vira batido” e o “vira valseado”. Neste disco, estão reunidos os números mais populares do Rancho Folclórico da Casa dos Poveiros, tais como “O mar enrola na areia”, “Póvoa de Varzim”, “Dá cá um beijo” e “Corridinho”. É uma bela amostra do folclore musical português, que o TM põe agora ao nosso alcance.

o mar enrola a areia
vira ao desafio
pôvoa de varzim
dá cá um beijo
corridinho
vira da pôvoa do mar
pula puladinho
o mar e a areia
vira de proa
viva a pândega
bailai moças
sinos da nossa igreja


*Texto de Samuel Machado Filho 

Jair Rodrigues – Jair De Todos Os Sambas N.2 (1969)

Um dos mais importantes nomes de nossa música popular, Jair Rodrigues (Igarapava, SP, 6/2/1939-Cotia, SP, 8/5/2014) bate ponto novamente hoje aqui no Toque Musical. O álbum em questão é “Jair de todos os sambas número 2”, lançado pela Philips em 1969 (o primeiro é do mesmo ano). Sob a direção de produção de Manoel Barembein, com arranjos e regências de José Briamonte e texto de apresentação de Armando Pittigiliani, então diretor artístico da Philips, Jair apresenta sambas clássicos de todos os tempos, no formato de pot-pourri, numa seleção que inclui “Carinhoso”, “Da cor do pecado”, “A mesma rosa amarela”, “Não tenho lágrimas” e outras belezas da MPB. Falar das qualidades do intérprete e do repertório é totalmente desnecessário, pois Jair Rodrigues sempre foi um cantor muito prestigiado por aqueles que gostam de samba e de MPB. Enfim, é mais um álbum de qualidade que o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos, com a satisfação de sempre. O que dizer mais?

camisa listrada
estatuto da gafieira
piston na gafieira
arrasta sandália
morena boca de ouro
cai cai
da cor do pecado
carinhoso
por causa dessa cabocla
rosa maria
quem é que não chora
samba
viva meu samba
é com esse que eu vou
o teu cabelo não nega
linda morena
aurora
sei que é covardia
não me diga adeus
implorar
helena helena
abre a janela
era de madrugada
a mesma rosa amarela
rosa de ouro
o amor e a rosa
rosa morena
das rosas
o amor e a rosa
está chegando a hora
até amanhã
já vai
 



*Texto de Samuel Machado Filho 

Maria Bethania – As Canções Que Você Fez Pra Mim (1993)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Até agora há pouco estava eu ouvindo este disco da Maria Bethânia. Um álbum o qual eu nunca tinha parado para ouvir por inteiro e com atenção. Fiquei de queixo caído com a interpretação dela, cantando canções de Roberto e Erasmo Carlos. Aliás, num todo, o disco é excelente. São apenas 11 canções, mas que chegam na medida certa. Repertório perfeito e interpretações impecáveis. Merece o toque, merece a nossa atenção. Confiram no GTM.

as canções que você fez pra mim
olha
fera ferida
você não sabe
palavras
costumes
detalhes
eu preciso de você
seu corpo
você
emoções



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Caetano Veloso – Qualquer Coisa (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se é para começar agosto, que seja em bom tom, com boa música e mais que isso, homenageando um grande baiano, o genial Caetano Veloso, hoje, dia 7 de agosto, fazendo aniversário. Escolhi, para tanto, um de seus clássicos discos, o maravilhoso “Qualquer Coisa”, lp lançado no ano de 1975, mesmo anos em que foi lançado seu outro clássico, o “Jóia”. Segundo o próprio artista, “Qualquer Coisa” e “Jóia” seriam, inicialmente um único álbum, duplo. E a referência a isso está na contracapa onde podemos ler “A outra metade é Jóia”.
“Ia ser um álbum duplo, porque eu tinha muito material. Aí resolvi fazer dois discos, cada um com um título. O Jóia era a minha relação com o trabalho limpo, pequenas peças bem acabadas, com a liberdade de Araçá Azul. Não tem nem bateria no Jóia, um instrumento do qual eu não gostava. Cada faixa era uma jóia. Qualquer coisa era o vale tudo, bateria, confusão. O manifesto do Jóia e o manifesto do Qualquer Coisa, lidos juntos, tem um batimento engraçado. O Jóia foi o único que reouvi em CD. Soa tão bonito… Adoro o silêncio do CD. Gosto de Na Asa do Vento e em Minha Mulher é maravilhoso o relaxamento meu e de Gil ao violão, que não encontro em outra faixa de Jóia. Qualquer Coisa é que era relaxado. Gosto da faixa Qualquer Coisa, mas na gravação a canção ficou presa. O Roberto Carlos reclamou que eu não tinha dado pra ele Qualquer Coisa. Devia ter dado. Ia cantar tão lindo, tão profissional. É curioso. A letra mais abstrata do Brasil, cheia de referências, um título de filme de Rogério Sganzerla, todo mundo cantou. Qualquer Coisa vendeu muito mais que Jóia. Uma coisa assim de 60.000 contra 30.000.”

qualquer coisa
da maior importância
samba e amor
madrugada e amor
a tua presença morena
drume negrinha
jorge da capadócia
eleanor rigby
for no one
lady madonna
la flor de la canela
nicinha

 

O Vocal Brasileiro – Box (1982)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para fechar com chave de ouro o nosso mês de aniversário, eu hoje ofereço a vocês esse belíssimo box lançado pela Polygram no início dos anos 80. Como se pode ver pela capa, trata-se de uma seleção dedicada a música vocal brasileira. Para tanto, a gravadora nos preparou quatro lps, cada qual com um tema: A Brasilerice, A Arte…A Técnica, Os Cantos de Amor e A Graça e o Humor. Cada tema reúne uma seleção característica, de acordo com os artistas e músicas, todos do selo Philips. É, sem dúvida, um estojo fino trazendo somente o melhor dos grupos vocais brasileiros. Confiram já essa belezura 🙂

A Brasileirice:
tão doce que é sal – os cariocas
querelas do brasil quarteto em cy
toada (na direção do dia) – boca livre
palhaços e reis – mpb-4
a morte de um deus de sal – o quarteto
o barquinho/salve o verde – quarteto em cy
samba do avião – os cariocas
candeias – mpb-4
tem mais samba – quarteto em cy
bumba meu boi da boa hora – boca livre
no cordão da saideira – mpb-4
Os Cantos de Amor:
mistérios – boca livre
vivo sonhando – os cariocas
amor amor – quarteto em cy e mpb-4
maria das dores – mpb-4
preciso aprender a ser só – os cariocas
luciana – céu da boca
não posso me esquecer do adeus – quarteto em cy
oba-lá-lá – quarteto em cy
correnteza – boca livre
amor até o fim – os cariocas
vingança/nunca – quarteto em cy
esses moços/três apitos – mpb-4
pra que mentir/clarissa – céu da boca
só quis você – os cariocas
Arte… A técnica:
odeon – céu da boca
o amor em paz – os cariocas
lamento – mpb-4
abandonado – quarteto em cy
tema para quatro – os cariocas
noites cariocas
quarteto em cy e mpb-4
bicicleta – boca livre
fuga – quarteto em cy empb-4
corcovado/insensatez – o quarteto
desafinado/tema em fuga – os cariocas
canto triste – mpb-4
o samba da minha terra – os cariocas
melancolia – céu da boca
A Graça O Humor
samba do criolo doido – quarteto em cy
injuriado – céu da boca
devagar com a louça – os cariocas
foi-se o que era doce – mpb-4
love love love – quarteto em cy
uva de caminhão – céu da boca
tim tim por tim tim – os cariocas
neném – boca livre
de frente pro crime – mpb-4
o circo – quarteto em cy
telefone – os cariocas
nossa dança – boca livre
bola ou bulica – mpb-4

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Encontros (1975)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Celebrando os 11 anos do Toque Musical, hoje o presente é esse box lançado pela Philips em 1975 reunindo em três discos 33 registros de músicas onde seus artistas cantam em parceria. E como podemos ver pela capa, trata-se da fina flor da nossa então moderna música popular brasileira. Um box realmente imperdível.

que pena – caetano veloso e gal costa
das rosas – dorival caymmi e quarteto em cy
quem mandou – gilberto gil e jorge ben
these are the songs – elis regina e tim maia
esse teu olhar – sylvia telles e lúcio alves
samba pra vinicius  – chico buarque e toquinho
aguas de março – elis regina e tom jobim
samba em prelúcio – odette lara e vinicius de moraes
amiga – claudette soares e ivan lins
joana francesa – fagner e chico buarque
formosa – nara leão e maria bethania
ponteio – marilia medalha e edu lobo
você não entende nada – chico buarque e caetano veloso
de onde vens – nara leão e edu lobo
mano caetano – jorge ben e maria bethania
ladeira da preguiça – elis regina e gilberto gil
você – dick farney e norma benguell
oração da mãe menininha – gal costa e maria bethania
samba da volta – toquinho, vinicius e mpb-4
charles anjo 45 – caetano veloso e jorge ben
saudades da bahia – tom jobim e dorival caymmi
clara – claudette sores e gilberto gil
pot pourri – elis regina e jair rodrigues
pra dizer adeus – maria bethania e edu lobo
país tropical – gal costa, caetano veloso e gilberto gil
carta ao tom 74 – toquinho, vinicius e quarteto em cy
penas do tiê – nara leão e fagner
noite dos mascarados – chico buarque e elis regina
canção a medo – mpb-4 e quarteto em cy
a estrada e o violeiro – nara leão e sidney miller
sete meninas – dominguinhos e quinteto violado
cada macaco no seu galho – gilberto gil e caetano veloso
cantores do rádio – chico buarque, nara leão e maria bethania

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Os Cariocas – Compacto (1965)

Dentre os conjuntos vocais que deram aquele “banho de loja” em nossa música popular (Bando da Lua, Anjos do Inferno, Quatro Ases e um Coringa, Vocalistas Tropicais etc.), Os Cariocas ocupam um lugar de destaque. Formado em 1942 por irmãos paraenses que moravam na Tijuca, Severino de Araújo Silva Filho (que seria pai da atriz Lúcia Veríssimo) e Ismael de Araújo Silva Neto, o grupo era inicialmente um quinteto, completado pelos vizinhos Salvador, Tarquínio e Ary Mesquita, este último depois substituído pelo gaitista Waldir Viviani. Começaram a carreira em 1945, participando do programa de calouros “Papelcarbono”, apresentado no rádio por Renato Murce, e obtendo o terceiro lugar. Em uma segunda tentativa, finalmente conseguem a primeira posição, e, em 1946, são contratados pela lendária PRE-8, Rádio Nacional, a meca artística da época.  Já com Badeco e Quartera no lugar de Tarquínio e Salvador, Os Cariocas gravam seu primeiro disco em 1948, na Continental, apresentando o samba “Adeus, América” e, no verso, o samba-canção “Nova ilusão”, logo causando sensação por suas harmonias ousadas e pelo sincopado rítmico, precursor da bossa nova. Em 1956, falece Ismael Neto e Severino Filho assume a liderança dos Cariocas, contando, por seis anos, com a irmã da dupla básica, Hortênsia. Obviamente, participaram da bossa nova, tanto que, em 1962, fizeram parte do show “Encontro”, na boate carioca Au Bon Gourmet, ao lado de João Gilberto, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, o bateritaMílton Banana e o contrabaixista Otávio Bailly, apresentando as músicas mais simbólicas do movimento, tipo “Corcovado”, “Samba do avião”, “Chega de saudade” etc.  O currículo dos Cariocas ainda inclui apresentações nos EUA, Argentina, Porto Rico e México. E ainda atuaram diversas vezes no programa “O fino da bossa”, apresentado na TV Record de São Paulo pelos inesquecíveis Elis Regina e Jair Rodrigues. Em 1966, o grupo se separou, por divergências com o maestro Severino Filho, e cada integrante foi para seu lado. Vinte e um anos mais tarde, 1987, o pianista Alberto Chinelli convidou Severino Filho para ouvir o arranjo feito para o clássico “Da cor do pecado”, de Bororó. Severino, entusiasmado, fez o arranjo vocal e chamou os integrantes do conjunto para voltarem aos discos e shows. Em primeiro de março de 2016, morre Severino Filho, o que parece ter encerrado a longa e gloriosa trajetória dos Cariocas. Da longa e expressiva discografia do conjunto, o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos um raríssimo compacto simples lançado pela Philips em 1965, época em que Os Cariocas eram um quarteto. Ambas as faixas foram extraídas do LP “Os Cariocas de quatrocentas bossas”, desse mesmo ano. No lado A, um indiscutível clássico romântico dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, “Preciso aprender a ser só”, verdadeira joia que foi, merecidamente, um dos maiores sucessos musicais de 65, e tem inúmeras outras gravações, como as de Elis Regina, Sylvia Telles e do próprio Marcos Valle. E o lado B apresenta uma curiosidade: a toada “Carro de boi”, de Maurício Tapajós com letra de Antônio Carlos de Brito, aliás, Cacaso, futuro amigo/parceiro de “medalhões” da MPB, como Suely Costa, Djavan, Joyce Moreno, Olívia Byington,João Donato, Edu Lobo e outros mais. “Carro de boi” seria inclusive regravada, em 1976, por Mílton Nascimento, para seu álbum “Geraes”. Enfim, outro precioso e raro disquinho com fonogramas preciosos, dignos de figurarem nos acervos de tantos quantos apreciem a música popular brasileira no que ela tem de melhor e mais expressivo. É só baixar e conferir.

preciso aprender a ser só
carro de boi

*Texto de Samuel Machado Filho

Gaúcho E Seu Trio – Em Ritmo de Tango (1960)

Hoje, o Toque Musical oferece a seus amigos cultos e ocultos um álbum focalizando o tango, estilo musical surgido na região do Rio da Prata, na América do Sul, entre as cidades de Buenos Aires (capital da Argentina) e Montevidéu (capital do Uruguai).  A partir do início do século XX, o tango começou a ultrapassar fronteiras, levado por marinheiros franceses a seu país natal. Paris se apaixonou pelo tango, o que fez muitos artistas argentinos e uruguaios viajarem e até se radicarem na “cidade-luz”. Este “Em ritmo de tango”, que hoje oferecemos, foi lançado pela Philips em 1960, e a execução fica por conta do acordeonista Gaúcho, sobre o qual, infelizmente, pouco se sabe. Ele é (ou era) gaúcho mesmo, batizado com o nome de Auro Pedro Tomaz, e nascido na cidade de Santo Ângelo. Seu primeiro instrumento foi o banjo, então na moda, que tocava no conjunto orquestral de seu pai, o Jazz Elite, em 1942. Mais tarde, transferiu-se para a capital do estado, Porto Alegre, e ficou três anos na Rádio Gaúcha, atuando no conjunto de Paraná e na orquestra típica da emissora. Aperfeiçoando sua técnica no acordeom, do qual seria autêntico virtuose, logo que ingressou na Aeronáutica, foi nomeado sargento-músico, depois mudando-se para a capital pernambucana, Recife, onde tomou parte nos festejos de inauguração da Rádio Tamandaré, como chefe do conjunto dançante. De lá, foi para a Rádio Jornal do Commercio, criando uma orquestra de danças, e seu acordeom é inclusive ouvido nos primeiros discos de Jackson do Pandeiro, lançados pela Copacabana entre 1953 e 1955. Em 1955, Gaúcho desliga-se da Aeronáutica e muda-se para o Rio de Janeiro, ingressando na lendária PRE-8, Rádio Nacional, então “a estação das multidões”. Atuou ainda nos conjuntos do violonista Djalma de Andrade, o Bola Sete (com quem excursionou pelo Chile, Peru e Argentina), e do flautista e maestro Copinha. Participou ainda da terceira formação do Trio Surdina, com o violinista Al Quincas e violonista Nestor Campos, e teve orquestra própria, que tocava no Dancing Avenida. Neste “Em ritmo de tango”, produzido por um verdadeiro “cobra”, Luiz Bittencourt, Gaúcho sola seu acordeom à frente de um trio formado por Hugo (bateria), Malaguti (contrabaixo) e o conceituadíssimo Zé Menezes (guitarra). São dezesseis tangos de sucesso internacional, com arranjos do próprio Gaúcho, em oito faixas, duas para cada música. Entre eles, obras-primas como “Jalousie”, “Sueño azul”, “Senhora fortuna” e “Amado mio”, integrando um repertório de muito bom gosto e sensibilidade. Portanto, este é mais um trabalho de qualidade que merece a postagem de hoje de nosso TM.

violino tzigano

sueno azul

orquideas ao luar

inspiration

mon couer est un violon

tango boogie

the moon was yellow

jailouise


* Texto de Samuel Machado Filho

Você É O Artista (1962)

Olá, amigos cultos e ocultos! Depois que terminamos as postagens das trilhas de novelas, não achei mais um momento para selecionar coisas interessantes e fazermos valer o último mês do ano. Normalmente, nessa época, estaríamos aqui pipocando com novas e boas postagens, celebrando Natal e Ano Novo. Mas, qual nada… Os tempos são outros e muitos por aqui já abandonaram o barco, novas embarcações chegaram… Em outras palavras, o que oferece o Toque Musical, hoje perdeu o sentido. Não há mais a febre de buscar, de baixar, de conhecer… Os tempos são outros e o ‘ibope’ por aqui vai só descendo. Desestimulado, mantenho tudo isso apenas para não parar de vez, sigo agora sem obrigações, postando quando der…
E antes que 2017 acabe, aqui vai uma raridade bem ao estilo do Toque Musical. Um disco tão raro que até hoje nunca o vi anunciado/publicado em sites ou blogs com o nosso. Aliás, até bem pouco tempo eu nem sabia da existência deste lp. Mas afinal, o que tem ele de interessante, de especial? Muito bem, aqui temos um precursor do chamado disco de karaokê. Um lp lançado pela Companhia Brasileira de Discos, através do selo Philips, no início dos anos 60. Trata-se de um disco curioso, pois traz seis músicas da então moderna Bossa Nova interpretada por seis artista do cast da gravadora: Sônia Delfino, Carlos Lyra, Laís, Vera Lúcia, Lúcio Alves e Silvia Telles. Aqui esses artistas cantam e convidam o ouvinte para cantar também e para tanto, trazem sempre na sequência uma outra faixa apenas com a música no instrumental. Parece ser simples acompanhar cantando numa orquestra (isso para não falarmos na afinação), mas na verdade é difícil pra caramba. Karaokê bom é aquele que traz a coisa bem direta. As nuances aqui, nas músicas desse disco, são bem complexas e só mesmo um cantor de verdade (ou os próprios) saberão interpretá-las de maneira perfeita.
E no geral, o disco é bem legal. Recomendo ;)\

tome continha de você – sônia delfino
tome continha de você – para você cantar
chora tua tristeza – carlos lyra
chora tua tristeza – para você cantar
patinho feio – lais
patinho feio – para você cantar
leva-me contigo – vera lúcia
leva-me contigo – para você cantar
dindi – lúcio alves
dindi – para você cantar
samba de uma nota só – silvia telles
samba de uma nota só – para você cantar
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Assim Na Terra Como No Céu – Trilha Sonora Original Da Novela(1970)

Dando prosseguimento a seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de novelas, o TM orgulhosamente oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos, o álbum dedicado a mais um folhetim de sucesso da Rede Globo na era da TV em preto e branco: “Assim na terra como no céu”, escrita por Dias Gomes para a faixa das 22 horas (hoje extinta), e décima-terceira “novela das dez” produzida pela emissora. “Assim na terra” estreou em 20 de julho de 1970 e permaneceu em cartaz até 23 de março de 1971, perfazendo um total de 212 capítulos. No elenco, sob a direção de Walter Campos, verdadeiros astros e estrelas globais da época: Francisco Cuoco (padre Vítor Mariano), Dina Sfat (Heloísa, conhecida como Helô), Renata Sorrah (sim, ela mesma, a futura Nazaré Tedesco de “Senhora do destino”, aqui no papel de Nívea), Mário Lago (Oliveira Ramos), Jardel Filho (Renatão), Paulo José (Samuca, quase xará meu), Carlos Vereza (Ricardinho), Maria Cláudia (Suzy), Sandra Bréa (Babi), Carlos Vereza (Ricardinho), Arlete Salles (Jurema),  Henriqueta Brieba (tia Coió), Herval Rossano (Otto), Djenane Machado (Verinha), Ary Fontoura (Rodolfo Augusto), Ruth de Souza (Isabel), Suzana Moraes (Joana) etc. Na trama, que se passa na Ipanema (então) contemporânea, o padre Vítor Mariano, vindo do interior de São Paulo,  deixa a batina para se casar com a jovem Nívea, mas ela é misteriosamente assassinada (detalhe:  Renata Sorrah, intérprete de Nívea, retornaria depois em outra novela global, “A próxima atração”, no papel de Madalena). Vítor decide então voltar a usar a batina, porém, ao tentar resolver o mistério do assassinato de Nívea, conhece Helô, filha de um milionário, e se apaixona por ela, deixando novamente de ser padre. Tudo isso embalado por uma trilha sonora, como então de hábito, muito bem produzida, aqui sob a responsabilidade dos “cobras” Nélson Motta e Roberto Menescal , com o lançamento ficando por conta da Philips, gravadora que na época tinha grandes astros da MPB como contratados, alguns deles, por sinal, batendo ponto aqui. Os arranjos são do próprio Menescal, José Roberto, Waltel Branco, Antônio Adolfo e Pachequinho (este, na verdade, é o maestro Diogo Pacheco). Sem dúvida, a faixa de maior sucesso desse disco foi “Quarentão simpático”, dos irmãos Valle, interpretada pelo grupo vocal feminino Umas & Outras e tema do personagem Renatão. Elas também interpretam aqui o “Tema de Suzy”(parceria de Roberto Menescal com Paulinho Tapajós) e “Trem noturno” (tema de meu quase xará Samuca, de Paulo Machado e Márcio Borges, que creio eu ser o irmão do Lô Borges).  Maria Creuza, então em princípio de carreira, aqui nos oferece “Tomara”, uma das poucas composições do Poetinha Vinícius de Moraes na qual ele também assina a melodia, tema da personagem Joana. Temos ainda a presença luminosa de Claudette Soares em duas faixas: “Quem viu Helô?”, da dupla Antônio Adolfo-Tibério Gaspar, e “Amiga”, esta última em dueto com Ivan Lins, assinada pela dupla Roberto Menescal-Paulinho Tapajós, e tema do casal Vítor-Helô. Outro destaque fica por conta de Denise Emmer, filha de Dias Gomes, autor da novela, e Janete Clair, apresentando o “Tema verde”, dela própria em parceria com Guilherme. Enfim, mais uma grande produção músico-novelesca que o TM prazeirosamente nos oferece. E aguardem, ainda vai ter mais…

mon ami (abertura) – josé roberto

assim na terra como no céu – tim maia

quem viu helô – claudette soares

tema de suzi – umas e outras

tomara – maria creuza

amiga – claudette soares e ivan lins

sei lá – a tribo

quarentão simpático – umas e outras

tema da zorra – orquestra cbd

tema verde – denize emmer

que sonhos são os meus -milton santana

trem noturno – umas e outras

assim na terra com no céu – roberto menescal

*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Carlos Ramos – Música Popular Brasileira Contemporânea (1980)

Violonista, guitarrista, compositor e arranjador conceituado, Luiz Cláudio Ramos é posto em foco hoje pelo nosso TM. Com o nome completo de Luiz Cláudio Ramos dos Santos, ele veio ao mundo na cidade do Rio de Janeiro, a 25 de julho de 1949. Irmão do cantor Carlos José, Luiz Cláudio é autodidata e toca violão desde os catorze anos de idade, sendo também conhecido como “o matemático das escalas sonoras”. Entre 1969 e 1971, foi guitarrista do conjunto A Brazuca, liderado pelo tecladista Antônio Adolfo.  A carreira de arranjador, paralela a de compositor e instrumentista, começa na década de 1970, por sugestão de Roberto Menescal, com trabalhos para alguns artistas renomados de nossa música, tais como MPB-4, Fagner e Quarteto em Cy. É extensa, por sinal, a relação de artistas com quem Luiz Cláudio tocou, em gravações e shows, além dos já mencionados:  Elis Regina, Erasmo Carlos, Odair José, Raul Seixas, Rita Lee, Carlos Lyra, Nara Leão, o rolling-stone Mick Jagger (com quem gravou, em 1975, a canção “Scarlet”), Sérgio Ricardo, Miúcha, Johnny Alf, Tom Jobim, Eliana Pittman, Wilson Simonal, Edu Lobo, Francis Hime, Dori Caymmi, Caetano Veloso, Ed Motta, João Donato, Lisa Ono e o próprio irmão, Carlos José, entre outros. Em 1973, Luiz Cláudio iniciou parceria musical com Chico Buarque, participando da gravação da música “Bárbara”, que faz parte do texto da peça “Calabar, o elogio da traição”, de Chico e Ruy Guerra. Mais tarde, ele participou dos três álbuns seguintes de Chico, em 1975 (com Maria Bethânia, ao vivo), 1976 (“Meus caros amigos”) e 1978 (sem título). Desde os anos 1980, é músico fixo da banda de Chico e, em 1989, além de instrumentista, passou a ser o arranjador e produtor musical dos shows e das gravações do cantor e compositor. No cinema, Luiz Cláudio Ramos foi o responsável pela  trilha sonora do filme “O sonho de Rose”, dirigido por Tetê Moraes e lançado em 2000. Foi ainda diretor musical do documentário “Vinícius”, de Miguel Faria Júnior, rodado em 2005. Em 1980, Luiz Cláudio Ramos conseguiu a chance de gravar um álbum só seu. É justamente o que o TM oferece hoje a seus amigos, ocultos e associados, lançado pela Philips/Polygram, hoje Universal Music, dentro da série MPBC (Música Popular Brasileira Contemporânea). Produzido pelo próprio Luiz Cláudio, é um trabalho impecável e totalmente autoral, com músicas que fez sozinho ou em parceria com Franklin da Flauta (com quem gravaria, em 2011, o álbum “Dois amigos”) e Aldir Blanc. Franklin, é claro, participa deste álbum, ao lado de “cobras” como o baterista Wilson das Neves, por sinal recentemente falecido,  o tecladista Hélvuis Vilela, o contrabaixista Luizão, os percussionistas Chacal e Enéas, e os “backing vocals” de Cybele, Cyva (ex-integrantes do Quarteto em Cy), Ângela, Inês, Jane Duboc, Soninha, Malu e Dorinha Tapajós. Tudo com a qualidade e o padrão técnico de gravação que sempre caracterizavam as produções da Polygram.  Enfim, é mais um trabalho de primeira, que o TM oferece com o orgulho e a satisfação de sempre a todos que prestigiam o que é bom. É correr pro GTM e baixar, sem falta…

ladeira do tambá

carta fora

fazenda do ar

dois irmãos

patati patatá

ensinar a viver

santo amaro

só rindo

o fio do pensamento

samba de exaltação a morena

ave maria

*Texto de Samuel Machado Filho

Maria Bethânia – Box (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois de quase duas semanas postando discos de música latina, hoje damos uma pausa e também um ponto final para os nossos 10 anos de atividades. Para tanto, claro, precisava ser um ponto final que fizesse jus a uma década. Daí, escolhi este box da cantora Maria Bethânia, que é uma das maiores intérpretes da música popular brasileira e tem em sua bagagem uma infinidade de sucessos. E eu, percebendo aqui, vejo que ao longo de todo esse tempo de Toque Musical, poucas vezes publiquei discos dela. Assim, para a alegria de todos e também como um presente de aniversário (porque aqui quem dá o presente é o aniversariante), temos um box com seis lps, reunindo certamente o que de melhor ela fez durante sua fase no selo Philips. A seleção traz dezenas de músicas divididas por temas. Gravações ao vivo, temas de amor, interpretando compositoras, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gonzaguinha e também em duetos com outros artistas. Sem dúvida, um mostruário quase completo dessa grande artista. Um presente de 10 anos do Toque Musical, mas só para os amigos cultos e ocultos associados.
Se você está chegando agora e ainda não conhece o nosso espaço, sugiro que leia com atenção os textos laterais, caso tenha a intensão de participar do Grupo Toque Musical e usufruir do que postamos aqui. Uma nova fase irá começar. Sejam todos bem vindos!

minha história
trampolim
esse cara
bodas de prata
tatuagem
eu fui a europa
gás neon
luzes da ribalta
sonho impossível
foi assim
falando sério
o leãozinho
um índio
bom dia
balada do lado sem luz
alibi
negue
ronda
nenhum verão
eu tenho um pecado novo
amo tanto viver
cansei de ilusões
janelas abertas n. 2
a tua presença
as ayabas
gente
diamante verdadeiro
a voz de uma pessoa vitoriosa
mel
ela eu eu
talismã
vida real
olhe o tempo passando
demoníaca
cobras e lagartos
amor, amor
interior
coração ateu
um jeito estúpido de te amar
da cor brasileira
gota de sangue
o lado quente do ser
noite de um verão de sonho
pra dizer adeus
mano caetano
formosa
sinal fechado
atiraste uma pedra
esotérico
tudo de novo
sonho meu
cavalgada
o meu amor
alguém me avisou
baioque
festa
olhos nos olhos
explode coração
amando sobre os jornais
mergulho
terezinha
infinito desejo
de todas as maneiras
grito de alerta
cálice
começaria tudo outra vez
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Mercedes Sosa – Gente Humilde (1982)

Dentro do ciclo temático sobre a música popular e folclórica latino-americana, comemorativo de seu décimo aniversário, o TM tem a satisfação de oferecer hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais um álbum desta notável intérprete do gênero que foi a argentina Mercedes Sosa (1935-2009), a querida e sempre lembrada “La Negra”, cognominada “a voz da América Latina”. Desta vez, apresentamos “Gente humilde”, trabalho lançado em 1982 pela Philips/Polygram, hoje Universal Music, e produzido especialmente para o mercado brasileiro. Esse ano também marcou o retorno definitivo de Mercedes à sua Argentina natal, após alguns anos de exílio na Europa (ela fora acusada de subversão, dada sua proximidade com os movimentos comunistas e seu apoio a partidos de esquerda). Tanto é assim que este “Gente humilde” foi gravado, em sua maior parte, em Paris, onde então ela ainda morava. A faixa-título, vocês sabem, é um clássico da MPB, e ganhou versão em espanhol de Júlio César Isella, não por acaso o produtor deste álbum, e conterrâneo de Mercedes (ele também assina a faixa “Fuego em Anymana”). Há de se destacar ainda a participação especial do brasileiro Fagner (apenas um dos muitos artistas tupiniquins que tiveram o privilégio de gravar com a grande Mercedes), na faixa “Años”, do cubano Pablo Milanez (na verdade, faixa extraída do álbum “Traduzir-se”, que Fagner lançou em 1981 pela CBS).  E o Brasil ainda está presente com “Guitarra enlunarada”, versão em espanhol para outro clássico de nossa música popular, “Viola enluarada”, dos irmãos Marcos & Paulo Sérgio Valle. Mercedes ainda revive o clássico “El dia que me quieras”, de Carlos Gardel, e apresenta, de seu conterrâneo Enrique Cadícamo, “Los mareados”. Outro cubano, Sílvio Rodriguez, aqui comparece com “Sueño com serpientes”. Tudo isso e muito mais compõem este que é outro imperdível trabalho da incomparável Mercedes Sosa, mais uma joia que o TM apresenta em seu ciclo latino-americano. Não dá pra pedir mais, não é mesmo?

a quien doy

zamba del  laurel

gente humilde

el dia que me queiras

la flor azul

fuerza

guitarra enluarada

sueño con serpientes

cuando me acuerdo de mi pais

los mareados

fuego en anymana

años

*Texto de Samuel Machado Filho

Mercedes Sosa – Cantata Sudamericana (1980)

Prosseguindo o ciclo temático que o TM dedica à música popular e folclórica latino-americana, em comemoração a seu décimo aniversário, oferecemos hoje a nossos amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum dessa notável intérprete que foi a argentina Mercedes Sosa (1935-2009). Trata-se de “Cantata Sudamericana”, gravado na Philips portenha em 1972 e lançado no Brasil apenas em 1980. É uma verdadeira obra-prima, com todas as suas oito faixas assinadas pela dupla Ariel Ramirez-Félix Luna (também autores da “Misa criolla”), abrangendo ritmos, temas e motivos originários de várias regiões sul-americanas, ao mesmo tempo em que procura ressaltar valores étnicos e estéticos do continente . As músicas têm um ponto em comum e se relacionam, embora algumas já tenham sido gravadas anteriormente pela própria Mercedes, como “Canta tu canción” (esta, dedicada ao Brasil, com direito até a compassos de bossa nova) e “Antigos dueños de las flechas”. Destaque ainda para as duas últimas faixas, “Sudamericano em Nueva York” (com nítida influência do jazz) e “Alcen las banderas”, com muito de caribenho em sua concepção. Aqui, “La Negra” está em sua melhor forma, e há quem considere este “Cantata Sudamericana” seu melhor trabalho em disco. Com sua permanente atualidade, é um álbum que merece, com toda justiça, a postagem do nosso TM. Imperdível! E vem mais Mercedes Sosa por aí, aguardem…

es sudamerica mi voz
canta tu cancion
antiguos duenos de las flechas
pampas del sur
acercate cholito
oracion al sol
sudamericano en nueva york
alcen las banderas

* Texto de Samuel Machado Filho

Mercedes Sosa – Grandes Artistas (1972)

E eis que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, dentro de seu ciclo dedicado à música folclórica e popular latino-americana, uma compilação daquela que, sem dúvida, foi um dos maiores ícones do gênero, “a voz dos sem voz”, e uma das expoentes do movimento “Nueva canción”. Estamos falando de Haydée Mercedes Sosa, que recebeu de seus fãs o apelido de “La Negra”, por sua ascendência ameríndia, e não por causa dos longos cabelos negros, como se erroneamente acreditava). Mercedes veio ao mundo na cidade de San Miguel de Tucuman, no noroeste da Argentina, em 9 de julho de 1935 (nessa data, curiosamente, em 1816, e na mesma cidade, foi assinada a declaração de Independência da Argentina). Sempre foi patriota, e também árdua defensora do Pan-americanismo e da integração dos povos latino-americanos. Criada durante o governo de Juan Domingo Peron, Mercedes cresceu embalada pela ideologia peronista, recebendo, como quase todos de sua geração, uma influência muito grande da mitológica Evita. Sua ascendência era mestiça (mistura de europeus com americanos e índios): francesa e dos indígenas do grupo diaguita. Sua carreira artística iniciou-se em 1950, quando venceu, na plenitude de seus quinze anos, um concurso de canto promovido pela rádio de sua cidade natal, ganhando um contrato de dois meses com a emissora. Em 1962 é lançado seu primeiro álbum, “La voz de la zafra”, gravado no ano anterior. Em seguida, ficou conhecida entre os povos indígenas argentinos  ao fazer uma performance no Festival Folclórico Nacional. Sua preocupação sócio-política refletia-se no repertório que interpretava, tendo sido uma das maiores expoentes do movimento “Nueva canción”, movimento musical com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas, marcado por uma ideologia de rechaço ao imperialismo norte-americano, ao consumismo e às desigualdades sociais. Além do sucesso na Argentina, apresentou-se também em países da América e da Europa. A temática social e ligação com a esquerda também lhe renderam dissabores. Em 1979, em La Plata, durante a ditadura argentina, por exemplo, um show da artista foi invadido pelos militares, e tanto ela quanto o público presente foi parar na prisão! Banida no próprio país, Mercedes decidiu se exilar, primeiro em Paris, depois em Madri. Voltou à Argentina em 1982, vários meses antes do colapso da ditadura militar argentina, resultado da fracassada Guerra das Malvinas, e deu uma série de shows no Teatro Cólon, em Buenos Aires, onde convidou muitos colegas jovens para cantar com ela (um LP duplo com gravações dessas performances logo fez sucesso). E continuou a se apresentar nos anos seguintes, não só na Argentina, como também no exterior, cantando em lugares como o Lincoln Center, o Carnegie Hall e o Teatro  Mogador. Entre os artistas que gravaram com ela estão Fito Páez, Mílton Nascimento, Léon Gieco, Daniela Mercury, Beth Carvalho, Chico Buarque, Fagner, Sting, Andrea Bocelli e até mesmo a colombiana Shakira. Tem mais de 50 álbuns em sua discografia, e foi considerada a melhor intérprete das composições  do argentino Atahualpa Yupanqui e da chilena Violeta Parra. Ganhou quatro vezes o Grammy Latino de melhor álbum de música folclórica (em 2000, por “Misa Criolla”, em 2003 por “Acústico”, em 2006 por “Corazón libre” e já postumamente, em 2009, por “Cantora  1”). E continuaria em atividade até falecer, em 4 de outubro de 2009, aos 74 anos, de problemas renais. Hoje, o TM oferece a vocês uma coletânea com algumas das melhores gravações da notável e imortal Mercedes Sosa, lançada pela Philips argentina dentro de uma série denominada “Grandes artistas”, e reunindo gravações feitas entre 1966 e 1972 (talvez o disco seja de 1975). São treze faixas em que ela nos apresenta um repertório de primeira linha, de renomados compositores populares latinos, como Atahualpa Yupanqui (“Duerme mi negrito”, tema folclórico recolhido por ele), Armando Tejada Gomez (“Canción com todos”), H. Rufo Herrera (“Zamba del chaguanco’), Ariel Ramirez (que também a acompanha ao piano em “Alfonsina y el mar”), Figueredo Iramain (‘Cancion del derrume índio”) e Violeta Parra (“Gracias a la vida”, clássico que mereceu interpretação inesquecível de Mercedes). Tudo isso mostrando a força e o talento desta inesquecível intérprete, com todos os atributos que a fizeram, com justiça, uma gigante da música latino-americana contemporânea. E atenção: brevemente, estaremos postando mais álbuns de Mercedes Sosa. Aguardem!

al jardin de la republica
duerme negrito
chayita del vidalero
tristeza
alfonsina y el mar
zamba del chaguanco
cancion con todos
si se calla el cantor
cancion para un niño en la calle
la oncena
cancion del derrumbe indio
zamba para no morir
gracias a la vida

*Texto de Samuel Machado Filho