Grupo Rumo – Quero Passear (1988)

Boa noite, minha gente boa, amigos cultos e ocultos! Não sei se todos sabem, mas neste mês de julho o Toque Musical está completando 9 anos de atividades. Não é moleza não. Poucos foram aqueles que conseguiram chegar até aqui. Proeza maior foi manter-se fiel a uma proposta, enfrentar todo tipo de obstáculo e continuar aqui divulgando, resgatando e compartilhando os tesouros que só vê quem escuta com outros olhos 😉 Vamos falar mais desse aniversário durante o mês. Inclusive, teremos aqui boas surpresas, bons pacotes… Basta ficar ligado.
Para hoje eu tenho este delicioso disco do grupo paulista Rumo. Já postamos deles algumas coisas e acho que este disco é outro que vale a pena recordar. Este foi o quinto lp lançado por eles. Um disco voltado para o público infantil. Ganhou o Prêmio Sharp de 88 como o melhor disco infantil e melhor canção infantil, “A noite no castelo”. Muito bacaninha 🙂

canção do carro
quero passear
mané fala ó
vinheta pipoca e chiclete
robô bibelô
a incrível história do dr. augusto ruschi e os sapos venenosos
o monstro
garota solitária
a noite no castelo
vinheta ernestinho
marchinha do cavalo
vinheta mosquitinho
micróbio dançarino infeliz
eu é que não
a pulga e daninha
.

Cartola – Documento Inédito (1982)

Salve, amigos cultos e ocultos! E estamos em junho, época de São João, e eu ainda não fiz uma gracinha, trazendo discos de festas juninas. Confesso que ando mesmo muito displicente. Muita coisa importante anda acontecendo e o Toque Musical tem comido mosca, deixando passar em branco. Mas, os tempos são outros e a cada dia fica mais difícil ser diário e atualizado. Além do mais, acho que já postei aqui quase tudo relacionado ao tema. Contudo, vou nos próximos dias atualizar alguns links no GTM. Fiquem ligados…
Para hoje, tenho aqui um registro histórico e póstumo, ao grande sambista e compositor Cartola. Este disco pode ser considerado como seu quinto e último lp. Lançado pelo Estúdio Eldorado em 1982, quando então o artista já havia falecido. Trata-se na verdade de um registro feito pela Rádio Eldorado, de São Paulo, em depoimento colhido pouco antes de sua morte. Neste, Cartola fala de vários momentos de sua vida e, claro, também canta algumas de suas principais composições. Sem dúvida, imperdível… 🙂
que seja bem vindos
autonomia
acontece
senões
o inverno do meu tempo
que seja bem feliz
dê-me graças, senhora
quem me vê sorrindo
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Sanguinho Novo… Arnaldo Baptista Revisado (1989)

Olá amigos cultos e ocultos! O tempo realmente passa depressa e a gente nem percebe. Parece até que foi ontem o lançamento deste disco.  Ele ainda me soa como algo novo, um verdadeiro sanguinho novo. E olha que já se passaram 25 anos! Caracas! Este lp foi lançado em 1989 reunindo alguns dos mais expressivos nomes do hard, punk e pop rock nacional da época. Grupos e artistas de uma linha mais ‘cult’, ou melhor dizendo, alternativos do rock nacional. Bandas paulistas, cariocas e mineiras prestando um tributo a um dos mais importantes nomes do rock tupiniquim, o genial Arnaldo Baptista. Não sei bem o que motivou a produção desta coletânea, na época eu até pensei, será que o Mutante se foi de vez? Afinal, tributos em música a gente só costuma ver quando o artista morre. Felizmente aqui não foi bem assim. O que rolou mesmo foi uma demonstração de afinidades, um encontro de várias bandas ligadas numa pessoa só. Um sangue novo para um grande ícone do rock brasileiro, que andava meio esquecido (até para ele próprio). São doze bandas em releituras desconcertantes de algumas das muitas composições de Arnaldo ao longo de toda a sua carreira, seja com os Mutantes ou sozinho.

o sol – sexo explícito
dia 36 – 3 hombres
bomba h sobre são paulo – vzyadoq moe
a hora e a vez do cabelo nascer – sepultura
i fell in love one day – último número
superficie do planeta – paulo miklos
sanguinho novo – akira s e as garotas que erraram
jardim elétrico – ratos de porão
cê tá pensando que eu sou loki – fellini
sitting on the road side – atahualpa i us panquis
é fácil – skowa
te amo podes crer – maria angélica
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João Penca E Seus Os Miquinhos Amestrados – Cem Anos De Rock’n’roll (1991)

Boa noite, meus prezados roqueiros cultos e ocultos! É, hoje a introdução veio um pouco diferente, direcionada àqueles que carregam consigo o espírito do velho e bom rock’n’roll. Afinal, hoje é o Dia Mundial do Rock! Por certo, o rock em todas as suas vertentes, mas principalmente em seu estado e características originais. Nesse sentido foi que eu escolhi para comemorarmos o dia com este disco do trio João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, um autêntico representante do gênero da ‘velha escola’, o tradicional rock’n’roll. “Cem Anos de Rock’n’roll” foi um álbum lançado no início dos anos 90 e traz em sua produção todos os elementos retrô daqueles anos dourados, os primeiros passos do rock.
Vejam vocês como ainda hoje (e sempre) é dia de rock. Aliás, é bom que se diga, rock não é um estilo, é sim atitude!
Esta postagem de hoje tem por objetivo apenas registrar aqui esta data, afinal, embora eu já tenha postado vários discos de rock tupiniquim, nunca fiz referência ao Dia do Rock. Como eu hoje passei o dia todo ouvindo de Carl Perkins à Pearl Jam, de Cauby à Beach Combers, acho que para bem dosar, João Penca veio a calhar 😉

papa umana
ma beibe, beibe
o bom e o velho rock’n’roll
o monstro suga suga
mulheres
viver, sonhar
esse meu cabelo rock
o escorpião escarlate
j. holmes e a guitarra solitária
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Marília Pera E Grande Otelo – A Noiva Do Condutor – Opereta Inédita De Noel Rosa (1985)

A Eldorado, gravadora pertencente ao jornal “O Estado de S. Paulo”, deixou um acervo importantíssimo para quem estuda, pesquisa e aprecia a música popular brasileira. Foi fundada em janeiro de 1972, sendo a pioneira na utilização de equipamentos de gravação em 16 canais (até então apenas dois estúdios no Brasil tinham equipamentos para 8 canais), causando uma autêntica revolução em nosso mercado fonográfico. De início, era apenas estúdio de gravação, alugado por gravadoras para produção de discos de artistas do porte de Roberto Carlos, Rita Lee, Tim Maia e Hermeto Paschoal, só para citar alguns.
Em 1977, a Eldorado passa a lançar seus próprios trabalhos em disco, sendo o primeiro deles o álbum “Revendo com a flauta os bons tempos do chorinho”, do flautista Carlos Poyares. A partir daí, muitos artistas, das mais variadas tendências musicais, passariam pela gravadora, entre eles Daniela Mercury (que lançou seu primeiro álbum por esse selo), Nélson Sargento, Mônica Salmaso, Banda Mantiqueira, Raul Seixas, Zimbo Trio, o violonista Yamandú Costa, e até bandas de rock pesado, como Angra e Viper. Duramente atingida pela crise no mercado fonográfico, tanto no Brasil como no mundo, a Eldorado deixou de operar em fevereiro de 2004, voltando a funcionar em agosto do ano seguinte e encerrando definitivamente suas atividades em 2008.
Agora, o Toque Musical oferece a seus amigos, cultos e associados, um dos mais expressivos trabalhos da Eldorado: a gravação, na íntegra, de uma opereta inédita de Noel Rosa (1910-1937), “A noiva do condutor”. Foi composta em 1935, época em que a Rádio Clube do Brasil, onde Noel trabalhava, apresentava o programa “Como se as óperas célebres do mundo houvessem nascido aqui no Rio”. Noel fez três: “O barbeiro de Niterói” (paródia ao “Barbeiro de Sevilha”, de Rossini), “Ladrão de galinha”, apresentando paródias de músicas de sucesso na época, e finalmente esta “Noiva do condutor”, em parceria com o maestro Arnold Gluckmann, alemão radicado no Brasil.
 Este trabalho, gravado em novembro de 1985 e lançado em abril de 86, é fruto de um esforço arqueológico dos pesquisadores João Máximo e Carlos Didier, iniciado em 1983 com outro álbum da mesma Eldorado, “Noel Rosa inédito e desconhecido”, com o Conjunto Coisas Nossas. Foram escalados para a gravação desta opereta inédita do Poeta da Vila dois artistas versáteis: Marília Pêra, carioca da gema (n.1943), ainda hoje em franca atividade, e Grande Otelo (Sebastião Bernardes de Souza Prata, Uberlândia, MG, 1915-Paris, França, 1993). O bonde é a peça-chave do enredo, que começa no bairro carioca de Cascadura. Helena (Marília Pêra) ama Joaquim (interpretado por Carlos Didier), que se declara reservista, vacinado e advogado. Como de praxe nos anos 1930, o dr. Henrique (Grande Otelo), a princípio estrila, mas depois consente no namoro, assim encerrando o primeiro ato. Mas, no segundo ato, Helena descobre, horrorizada, que Joaquim é condutor de bonde, e rompe com o cara, não quer saber mais dele, que implora pelo reatamento, mas o dr. Henrique também se desentende com ele. Quem irá salvar o romance é o pai de Joaquim, um rico banqueiro chamado Jota Barbosa, aqui interpretado por Oscar Bolão, que também atua como baterista e pandeirista neste disco (como vocês veem, nessa época já havia conflito de gerações, e Joaquim tinha virado condutor de bonde para contrariá-lo).
É toda essa história que se desenrola neste trabalho, de inegável valor histórico, com arranjos a cargo do cavaquinista Henrique Cazes e do tecladista Aloísio Didier, que, claro, também participam como músicos. “Cansei de implorar” é uma paródia de ‘Cansei de pedir”, samba do próprio Noel lançado por Aracy de Almeida em 1935.  “Tipo zero”, samba de 1934, foi gravado vinte anos depois por Marília Batista e, para esta opereta, Noel retocou a segunda parte e lhe acrescentou uma nova estrofe. E tudo, claro, acaba num “Finaleto” em que os quatro personagens cantam: “Viva Deus e chova arroz!”, alusão ao costume de se jogar arroz nos noivos recém-casados à saída da igreja, após a cerimônia matrimonial, tradição esta originária da China, há mais de dois mil anos (o arroz é simbolo de fartura).
Choque de gerações, oposição rico-pobre, preconceito contra uma profissão sem status social, hipocrisia em suas manifestações menos dignas (note-se o rebuscamento poético da primeira faixa, “Tudo pelo teu amor”), tudo isso, enfim, está representado neste histórico trabalho que o Toque Musical tem a honra e o prazer de oferecer a vocês, com a chancela do inegável talento deste eterno mestre chamado Noel de Medeiros Rosa!
*Texto de Samuel Machado Filho
prelúdio
tudo pelo teu amor
cansei de implorar
boas tensães
para o bem de todos nós
joaquim condutor
perdoa esse pecador
tipo zero
tudo nos une
finaleto
.

Elton Medeiros (1980)

Amigos, segue aqui outro disco que foi levando na tempestade, o último publicado antes de fecharem a matriz. Este também não pode passar batido, sem pelo menos eu dizer que é um excelente álbum, lançado pelo selo Eldorado, o segundo trabalho solo deste grande sambista e compositor carioca. Aqui encontramos um sambista parceiro, onde ele nos apresenta doze sambas em dobradinha com outros compositores, alguns já bem conhecidos, mesmo antes do lançamento deste lp. Não vou me ater a essas informações, que os amigos poderão encontrar na contracapa, onde Moacyr Andrade descreve cada uma das faixas do disco (o tempo está mais curto). Só quero lembrar, para finalizar, que este disco, gravado há 31 anos atrás, que eu saiba, nunca foi lançado em cd. Aliás, vejo aqui agora que parece que sim, com outra capa. Mas se procurar para comprar, vai ser difícil achar. Uma prova cabal de que, se fossemos depender das gravadora$, ficaríamos esperando, sabe Deus até quando um novo relançamento. Uma prova cabal da importância dos blogs de música no mundo de hoje. Só não vê isso quem vê i$$o…
na mesa de um botequim
peito vazio
lágrimas de amor
contradição
retrato da vida
a ponte
sentimento perdido
unha de gato
vida
meu viver
dentro de mim
último verso

Madalena De Paula – Sophisticated Lady (1979)

Boa noite, amiguinhos cultos e ocultos! Finalmente achei um tempinho para a postagem do dia. Estou trazendo para vocês um disco muito interessante que eu descobri há pouco tempo. Foi através do meu amigo Carlos, em nosso último encontro lá em Tiradentes. Ele me emprestou uma série de discos, entre eles havia este, um lançamento de 1979 do selo Eldorado, “Sophisticated Lady “, com Madalena De Paula. Eis aí uma artista que até então eu não conhecia. Aliás, devo dizer, ainda agora, ela continua sendo uma incógnita. Pelo álbum não se consegue muito, pela rede menos ainda. Quem é Madalena De Paula? Pelo nome, talvez seja portuguesa. Canta em inglês, francês, alemão e português, tão bem que fica difícil saber qual a sua nacionalidade. Seu repertório é fino. Ao piano ela canta inspirada, incorpora a Billie Holiday em sua clássica “Sophisticated Lady”. Faz o mesmo com Marlene Dietrich em “Lili Maleen”. Sua interpretação em todas as demais canções que compõe o disco são carregadas por uma atmosfera de cabaret. Não sei porque, me faz lembrar um versão feminina do Tom Waits, ou algo parecido. Madalena vem ao piano, acompanhada por quatro bons músicos, numa produção e direção de estúdio de Carlos Vergueiro. Pessoalmente, achei o disco ótimo e acredito que vocês também o acharão. Confiram já… 😉

sophisticated lady manhattan
thank’s for the memory
street of dreams
just one of those things
honeysuckle rose
joana franceza
lili marleen
qui rest-t-il
noche de ronda
monasterio e santa chiara
rose
eu e o meu coração