Nora Ney – Meu Cantar É Tempestade De Saudade (1987)

Olá, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez marcando presença em nosso Toque Musical, eu trago para vocês a cantora Nora Ney em seu último lp, gravado em 1987. Produzido por Milton Miranda e Moacyr Machado, com arranjos e regências de Eduardo Assad, o álbum nos traz um repertório variado e para mim, inconstante. Pessoalmente, não me agrada muito a seleção, embora tenhamos aqui um Noel Rosa, em “Último desejo”, um pot pourri de Lupicínio Rodrigues e outras cositas mas… Porém, acho que o que me incomoda é mesmo é a superficialidade musical dos anos 80. Ô décadazinha sem vergonha para a música! Sons sintetizados, sem originalidade… Uma coisa assim meio que pasteurizada e sem sabor. Me refiro, não especificamente a este disco, mas no geral. O uso excessivo de recursos eletrônicos, timbres e toques padronizados deram à música dos anos 80 um aspecto artificial e sem sabor. Há neste disco um pouco dessa contaminação. Mas, em se tratando de Nora Ney, a gente não pode deixar de conferir

por incrível que pareça
deixe a chave
calçadas
vôo sem destino
quero que volte
pot pourri lupicínio rodrigues:
esses moços / nunca / vingança
tempestade de saudade
tanta cidade
meu cantar
sem medo de amar
só saudade
último desejo
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Waleska – Um Novo Jeito De Amar (1988)

Hoje o Toque Musical tem a satisfação de trazer a seus amigos cultos, ocultos e associados, através de um álbum de 1988, uma autêntica rainha contemporânea da chamada”música de fossa”. Estamos falando de Waleska.
Batizada com o nome de Maria da Paz Gomes, a cantora nasceu em Afonso Cláudio, cidade do interior do Espírito Santo, no dia 29 de setembro de 1941, filha de uma numerosa família de  oito irmãos. Passou sua infância em várias cidades do interior capixaba, pois seu pai, Fiscal do Estado, era de tempos em tempos transferido para outra cidade. Sua influência musical veio justamente do pai, exímio bandolinista, que costumava tocar para a família após o jantar. Aos oito anos, quando morava em São José do Calçado, a pequena Maria da Paz era sempre convidada para cantar nas festinhas da sua escola, e o fazia também na igreja, na festa da coroação de Nossa Senhora, no mês de maio. Aos dez anos deidade, ela teve a infelicidade de perder a mãe,e a família se mudou para Vila Velha, onde continuou seus estudos. Participava sempre de programas de calouros em parques de diversões, e seu primeiro “troféu” foi… uma lata de goiabada! Também aparecia com frequência no programa “Clube do Guri”, apresentado na Rádio Espírito Santo (onde uma irmã mais velha,  Walkiria Brasil, igualmente cantava) por Bertino Borges. Profissionalmente, sua carreira se inicia em Belo Horizonte, no limiar da década de 1960, atuando na Rádio Inconfidência (“o gigante do ar”) e na TV Itacolomi, ao lado de futuros astros da MPB , como Clara Nunes e Mílton Nascimento. Transferindo-se imediatamente para o Rio de Janeiro, foi “crooner” da Boate Arpège, do tecladista Waldyr Calmon, que ficava em Copacabana, e cantou no Beco das Garrafas. Com o pseudônimo de Maria Waleska, estreou em disco no efêmero selo Vogue, em 1962, gravando um compacto simples com as músicas “És tu” e “Noite fria”. Dois anos mais tarde, lança pela CBS um compacto duplo, também como Maria Waleska. Em 1966, fundou, no bairro do Leme, a casa noturna PUB (Pontifícia Universidade dos Boêmios), recebendo de Vinícius de Moraes, que muito a admirava, o apelido de “rainha da fossa”, por seu jeito intimista de interpretar os sambas-canções de Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Antônio Maria e outros. Foi também amiga do jornalista Sérgio Bittencourt, filho de Jacob do Bandolim e outro fã incondicional seu, e da cantora Maysa, sua principal influência estilística. Waleska foi também proprietária das boates Fossa (frequentada por artistas , intelectuais e políticos como Carlos Lacerda e o ex-presidente  JK), e Fossanova.  Cantando  músicas “barra pesada” em estilo “cool” (a denominação “fossa” está inclusive nos títulos de vários de seus álbuns), Waleska nunca foi grande sucesso de execução no rádio, mas, ainda assim, sempre teve público cativo e fiel no circuito das boates e casas noturnas.  Tem mais de vinte discos gravados (com músicas de Ary Barroso, Tom Jobim e Cartola, entre outros “cobras”) , e é considerada uma das mais fiéis interpretes românticas da MPB. Seu respeitável currículo inclui turnês pelo exterior, apresentando-se  em Portugal,  nos EUA, na Itália e no Uruguai.  Entre seus shows de maior sucesso está “Mito, mulher, Maysa”, ao lado do ator Gracindo Júnior, sob a direção de Bibi Ferreira.Também é autora do livro “Foi a noite”, contando histórias da boemia carioca nos anos 1960/70. Este “Novo jeito de amar”, lançado em 1988 pela 3M (gravadora de existência efêmera, subsidiária da indústria de abrasivos homônima), mantém a linha de trabalho da notável Waleska. Produzido pelo experiente Mílton Miranda, com arranjos e regências de Hélvius Vilela  (que também atua aos teclados), tem músicas da dupla Evaldo Gouveia-Jair Amorim (“Ora eu,ora você”), Luiz Vieira (“Guarânia da lua nova”), Luiz Antônio (“Pergunte a você”), entre outros. Há ainda regravações da valsa “Fascinação” e de um antigo hit de Maysa, “Bronzes e cristais”, de Alcyr Pires Vermelho e Nazareno de Brito.  Ainda em plena atividade, Waleska continua a receber os aplausos merecidos, como expressiva intérprete romântica de nossa música popular.
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ora eu, ora você
jeito de amar
o homem que eu amo
meiga presença
canção da manhã feliz
fascinação
anseio
desejo maior
pergunte a você
conversa com a saudade
guarânia da lua nova
bronzes e cristais
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* Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Lyra – 25 Anos De Bossa Nova (1987)

Olás! Hoje iremos de Bossa Nova. Trago aqui para vocês mais um ‘álbum de gaveta’. Este foi para a reserva, esperando chegar uma nova oportunidade. Como, pelo visto, ninguém mais o postou, aqui vou eu fazendo o serviço. Bem porque, este foi o primeiro que me veio à mão, nessa pressa de quem não tem muito tempo.
Segue aqui este álbum acústico e ao vivo, gravado pelo Carlos Lyra em um show no Jazzmania, em 1987. Antecedendo às comemorações de 25 anos de Bossa Nova, o moço foi esperto, foi logo lançando show e disco dois anos antes.
Pessoalmente, adoro o trabalho do Carlos Lyra, porém este disco me soa fraco, apesar de haver nele quase todos os seus clássicos. O intimismo do show, que com certeza foi melhor que o disco, parece ter mais emoção no momento. Além do quê, celebrar 25 anos de Bossa Nova merecia mais que uma voz e um simples banquinho e o violão. Que me perdoem os outros artistas, mas banquinho e violão eu só aceito o João Gilberto, este sim, não precisa de acompanhamento. Contudo, todavia ou mesmo assim, não posso negar o talento do Carlinhos que é, sem dúvida, um dos grandes pilares da Bossa Nova.
O roteiro do show, que acaba sendo também o do disco, se divide numa tentativa cronológica, onde o artista repassa, as vezes quase num ‘pot pourri’, suas composições e parcerias famosas.
Apesar das minhas críticas, não deixa de ser um disco interessante. É Bossa Nova…

minha namorada
quando chegares
maria ninguém
lobo bobo
saudade fez um samba
canção que morre no ar
se é tarde me perdoa
feio não é bonito
você e eu 
coisa mais linda
samba do carioca
sabe você
pau de arara (comedor de gilete)
maria moita
primavera
influência do jazz
o négocio é amar
marcha da quarta feira de cinzas

PS.: VAI LÁ EM CASA OUVIR ESTE DISCO, EU FAÇO UMA CÓPIA PARA VOCÊ 😉