Osmar Milito – E Deixa O Relógio Andar (1971)

Cantor, compositor e pianista de renome, Osmar Milito já é um nome com quem os amigos cultos, ocultos e associados de nosso TM já se familiarizaram, pois já temos dois de seus álbuns postados, “Nem paletó nem gravata” (1973) e “Lígia” (1978), além de LPs mistos que contaram com sua participação. Irmão do também músico Hélcio Milito, percussionista e baterista que integrou o Tamba Trio, Osmar nasceu em São Paulo, no dia 27 de maio de 1941. Iniciou seus estudos de piano aos sete anos de idade. Foi aluno de Armando Lacerda, professor do Conservatório de Música de São Paulo, e, no Rio de Janeiro, de Wilma Graça e Glória Maria Fonseca. Considerado um dos maiores pianistas de jazz e bossa nova de todos os tempos, tendo alcançado renome internacional, começou sua carreira artística em 1964, acompanhando inúmeros “cobras” da MPB, tais como Sylvia Telles, Nara Leão, Leny Andrade, Maria Bethânia, Elis Regina, Pery Ribeiro, Gilberto Gil, o Poetinha Vinícius de Moraes,  e Jorge (então) Ben. Em seguida, foi convidado a se apresentar nos México e nos EUA, onde residiu por dois anos e atuou com Sérgio Mendes realizando shows em Las Vegas e em diversas universidades norte-americanas. No início dos anos 1970, Osmar Milito retornou ao Brasil, participando de apresentações de Chico Buarque, Ivan Lins, Nana Caymmi  e Marcos Valle, entre outros. Acompanhou ainda inúmeros artistas de renome internacional, tipo Liza Minelli, Sarah Vaughan, Tony Bennett, Sammy Davis, Pat Metheny, Shelly Mane, Randy Brecker e Spanky Wilson. Inaugurou e atuou como pianista em diversas casas noturnas de sucesso no Rio de Janeiro, inclusive o extinto Mistura Fina, montando grupos que contaram com a participação de Márcio Montarroyos, Pascoal Meirelles, Djavan, Mauro Senise e a já citada Leny Andrade, entre outros. Seu respeitável currículo inclui ainda trilhas sonoras para novelas da TV Globo (“O primeiro amor”, “O bofe”, “Uma rosa com amor”, “Carinhoso” etc.) e filmes do cinema brasileiro. A discografia individual de Osmar Milito abrange oito LPs e quatro CDs. E o TM apresenta justamente seu primeiríssimo álbum, “E deixa o relógio andar”, lançado em 1971 pela Som Livre, gravadora do Grupo Globo até hoje em atividade, da qual Osmar foi um dos pioneiros, contando ainda com a participação do Quarteto Forma. Produzido por outro músico de renome, Nonato Buzar (que assina a faixa-título, “E deixa o relógio andar”),  o disco apresenta um repertório formado por hits nacionais e internacionais da ocasião, como “Garra”, “To Rio for love”  e “Que bandeira” (dos irmãos Valle), “Tá falado” (de Ivan Lins), “Mudei de ideia” (da então festejada dupla Antônio Carlos e Jocafi), a irreverente “Rita Jeep” (de Jorge Ben Jor, então Jorge Ben), “What are you doing the rest of your life?”, “Cantaloupe island”, “Mercy, mercy, mercy”, e a autoral “João Belo”, que encerra o álbum. Merece destaque também, é claro, “Chovendo na roseira”, uma das mais belas páginas do repertório do mestre Tom Jobim. Tudo isso formando um conjunto admirável, e documentando o promissor início da carreira discográfica de Osmar Milito, para o deleite e a apreciação de todos aqueles que apreciam música de qualidade. Como, aliás, é raro a gente encontrar nos tempos atuais…

e deixa o relógio andar

a famous mith

que bandeira

canteloupe island

garra

chovendo na roseira

rita jeep

what are you doing for the rest of your life

to rio for love

mercy mercy mercy

mudei de ideia

tá falado

joão bello

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval 76 – Convocação Geral Vol. 2 (1975)

Na sequencia carnavalesca temos então o segundo volume do projeto Carnaval 76 – Convocação Geral. Aqui também encontramos muita coisa boa, com destaque para Sérgio Sampaio, com a música “Cantor de rádio”, que viria no ano seguinte a fazer parte do seu lp “Sinceramente”. Tem Maria Alcina com “Paixão malagueta”, sucesso de vários carnavais, Alceu Valença no frevo “Pitomba pitombeira”. Moraes Moreira também vem de frevo na música “Satisfação”. Na contracapa podemos ver ainda a presença de veteranos com Jorge Veiga e Angela Maria. Tom e Dito também dão o recado na marchinha “Me larga, me solta, me deixa”. E ainda, Os Tincoãs e o maluco Osvaldo Nunes. É bom também lembrar do grande Waltel Branco, responsável pelos arranjos. Em resumo, um disco muito bom, com artistas de diferentes gravadoras. Puro espírito de carnaval.

paixão malagueta – maria alcina
a choradeira – oswaldo nunes
fazendo tudo – trama
quebra quebra guabiraba – os tincoãs
pitomba pitombeira – alceu valença
a roupa do gonça – jorge veiga
prenda minha no carnaval – angela maria
me larga me solta me deixa – tom e dito
satisfação – moraes moreira
cantor de rádio – sérgio sampaio
carnaval bloco do amor – renata lu

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Carnaval 76 – Convocação Geral Vol. 1 (1975)

Boa tarde, amigos foliões, cultos e ocultos! Embora espaçadas as nossas postagens, eu não poderia deixar ficar em branco nossa festa maior, o Carnaval. Para não dizerem que eu não falei de flores, segue aqui alguns buquês. Vamos fazer aqui uma convocação geral e em duas chamadas 🙂
Trago hoje o volume 1 do Carnaval 76, Convocação Geral. Este lp já se tornou um clássico, pois traz em seu conteúdo uma série de marchinhas carnavalescas nas vozes de um variado leque de artistas. Ao contrário de tantas outras coletâneas dessa espécie, esta tem algo de original, pois apresenta gravações únicas, feitas exclusivamente para este projeto da gravadora Som Livre, que começou no ano anterior, quando então lançaram o Carnaval 75 – Convocação Geral, em álbum duplo (disco este já postado aqui). Muitos desses fonogramas são encontrados apenas nesses discos, o que os torna raros. Para o ano de 76 a gravadora decidiu desmembrar o álbum duplo em dois volumes. No primeiro, que postamos hoje temos 12 músicas, sendo quase todas sucessos memoráveis. Vale muito a pena ouvir esses discos, pois eles só costuma aparecer uma vez por ano 😉

a filha da chiquita bacana – caetano veloso
mangueira minha alegria – elza soares
prá lá de bagdá – fevers
carimbó no carnaval – jorge goulard
verde e branco – sonia santos
a tartaruga – blackout
kojak – nelson gonçalves
é nessa onda – conjunto nosso samba
quem for mulher que me siga – quarteto em cy
mexa-se – djalma dias
feliz de quem pode sambar – luiz ayrão
saudade poluída – cesar costa filho
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Minas 1717-1977 – Região Do Rio Das Mortes (1977)

Com o prazer e a satisfação de sempre, o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, parcela significativa da música sacra brasileira. E trata-se de um álbum da Som Livre, braço fonográfico do Grupo Globo, que sempre especializou-se em produtos de forte apelo comercial, como trilhas de novelas e compilações. Uma louvável “ousadia” que resultou de uma iniciativa cultural da TV Globo de Belo Horizonte, aliada ao extinto Banco Nacional (“o banco do guarda-chuva”). É na região do Rio das Mortes (MG) que a música sacra do Brasil tem seu ponto forte. Ali, mais do que em qualquer lugar de nosso território, a música desempenha o papel  para a qual foi composta, não sendo mera peça de concerto. As orquestras e bandas são tradições fortemente enraizadas no povo daquela região. O presente álbum foi gravado em igrejas de Tiradentes e São João Del Rei, sendo desta última cidade as orquestras Lira Sanjoanense e Ribeiro Bastos, ambas bicentenárias, que juntas mantém a tradição sacro-musical do município. Os visitantes e moradores de São João Del Rei se deparam com essas orquestras no seu cotidiano, nas missas de segunda a segunda, executando sempre peças do repertório sacro-colonial.  Neste trabalho, são apresentadas nove expressivas peças sacro-coloniais. Essas e outras orquestras, como a Ramalho e a Lira Ceciliana de Prados, ainda hoje mantêm viva a tradição sacro-musical da região do Rio das Mortes. A instalação de uma faculdade de música em São João Del Rei resultou em considerável melhora no padrão técnico das execuções desses grupos, mas ainda prevalecem, no dia-a-dia do município, aqueles que zelam pelo amor à arte e pela tradição, mantendo o caráter não profissional. A realidade técnica desses grupos mudou muito da época da gravação deste nosso álbum para os dias atuais, até mesmo para melhor. Mas, ainda assim, vale a pena ouvir o disco. Deliciem-se com as peças sacras nele incluídas, fechem os olhos e imaginem-se numa das igrejas barrocas da região do Rio das Mortes, cheias de riquezas, de ouro… e, principalmente, cultura!

applaudatur

maria mater gratiae

laudamus

assumpta est

exaltata est

primeira jaculatória de s. francisco de assis

segunda jaculatória de s. francisco de assis

missa de são benedito

domenica palmarum

*Texto de Samuel Machado Filho

Rede Globo Especial (1973)

Olá, amigos cultos e ocultos! Demorei, mas voltei… ou por outra, tô vivo e ativo. Não bastasse a sempre e contante falta de tempo, desta vez tive uma torção no ombro direito que acabou se espalhando por todo o braço. Fui obrigado a recorrer a fisioterapia, pois a situação foi agravando. Daí, fiquei impossibilitado de mexer no computador durante esses últimos dias. Ficar velho é uma merda! Tem sempre uma novidade… E por falar em novidade, também para compensar a ausência, eu hoje estou trazendo uma postagem joinha… Um presente que vale por quatro.
Relembrando os bons tempos da Rede Globo, quando ainda se amarrada cachorro com linguiça… Temos aqui um álbum especial, um brinde de fim de ano oferecido pela emissora aos seus associados. Juro que este eu também não conhecia. Mais um bom presente do meu amigo Fáres. Como podemos ver aqui, temos um álbum com quatro lps distintos, lançamentos recentes da Som Livre, ainda naquele início dos anos 70. Numa singular embalagem, a Rede Globo selecionou 4 discos da sua gravadora: a trilha nacional de sua novela “Os Ossos do Barão”, com músicas compostas por Marcos Valle e interpretada por diversos artistas; Luiz Bonfá em seu diferentaço ‘Jacarandá”, disco produzido e arranjado por Eumir Deodato; a trilha internacional da novela “O Bem Amado” e de quebra temos ainda Astor Piazzolla em seu clássico disco “Adios Nonino”, lançado em 72 no Brasil pela Som Livre. Sem dúvida, um leque bem agradável, que amostra bem a produção fonográfica do selo/gravadora. Não deixem de conferir…
Os Ossos Do Barão – TSO
qual é – djavan
meu velho pai – djalma dias
chega de enganar a nega – betinho
tenha juízo – márcio lott
e tem mais – eustáquio sena
os ossos do barão – marcos valle
tango – claudia regina
mundo em festa – bibi vogel
ebo exú – coral som livre
cafezinho – trama
canto da sereia – claudia regina
tu ca num chiagne – paulo fortes
Luiz Bonfá – Jacarandá
apache talk
jacarandá
gentle rain
you or not to be
strange message
don quixote
song thoughts
danse v
empety room
sun flower
O Bem Amado
also spreach zarathustra – eumir deodato
fleur de lune – françoise hardy
listen – paul bryan
masterpiece – the temptations
i’ve been  around – nathan jones group
poor devil – free sound orchestra
dancing in the moonlight – david jones
shine shine – david hill
harmony – ben thomas
take time to love me – john wagner coalition
dancing to your music – archie bell and the drells
i could never love – chrystian
give me your love – the sister love
daddy’s home – germaine jackson
Astor Piazzolla – Adios Nonino
adios nonino
atoño porteno
michelangelo 70
coral
fugata
soledad
final
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Carlinhos Vergueiro – Contra Corrente (1978)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, fora Temer! E vamos em frente que atrás tem gente. Vamos de Carlinhos Vergueiro em seu álbum de 1978, lançado pelo selo Som Livre. Como se pode ver pela capa e contracapa, trata-se de um trabalho da melhor qualidade. Eu o considero como um de seus melhores discos. Carlinhos vem muito bem assessorado por um time de músicos de primeira. Não vou nem listá-los para não cometer a injustiça de esquecer de algum. Mas vale lembrar que além dos instrumentistas temos também um outro time (este de futebol de salão) de arranjadores: Zé Menezes. Edson Alves, Marcos de Castro, Waltel Branco e Edson Frederico. As doze faixas são todas autorais, em parceria com J. Petrolino, sendo a faixa “As duas margens do rio” de autoria também do violonista e compositor Toquinho. Embora este seja mais um disco já bem manjado entre caçadores e colecionadores de música digitalizada, vale a pena postar. Vale a pena relembrar 😉

prendas do lar
contra corrente
orelhão de avenida
a fugitiva
panela de pressão
homem calado
trilha sonora
noturno paulistano
rendição
as duas margens do rio
toque outra vez
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Globo De Ouro Vol. 5 (1979)

O TM oferece hoje, prazeirosamente, aos seus amigos, ocultos e associados, mais um álbum da série “Globo de ouro”, baseada no programa de mesmo nome, exibido pela Rede Globo de Televisão entre 1972 e 1990, seguindo a linha do “hit parade”, ou seja, apresentando músicas que faziam sucesso em sua época. Desta vez, é oferecido o volume 5, lançado, como sempre, pela Som Livre, braço fonográfico da emissora, em 1979. E, como vocês irão perceber, esta seleção apresenta catorze hits da época que ainda estão na memória de muitos que a viveram, interpretados, em sua maioria, pelos artistas que os consagraram, em gravações originais cedidas pelas co-irmãs da Som Livre.  A seleção musical ficou a cargo de um verdadeiro craque das montagens, Toninho Paladino, e transmite bem a época do lançamento desta compilação. Só pra começar: a faixa de abertura é “Sou rebelde (Soy rebelde)”, com Lilian (ex-parceira de Leno em famosa dupla da Jovem Guarda). Com letra em português do futuro escritor best-seller Paulo Coelho, é considerado o maior sucesso-solo da cantora. Ídolo junto às camadas mais populares, Júlio César aqui comparece com seu maior hit, “Tu (Du)”, versão de Cleide Dalto para uma canção de origem alemã, lançada em 1977 e que foi conseguindo êxito aos poucos. O inesquecível “cachorrão”, Jair Rodrigues, vem com um ótimo samba, “Gotas de veneno”. Outro ídolo das camadas populares, este também já falecido (e de forma trágica, em acidente de automóvel), Carlos Alexandre (pseudônimo de Pedro Soares Bezerra), potiguar de Nova Cruz, vem com seu maior sucesso: “Feiticeira”, que ele até interpretava como cantor mascarado no programa do Chacrinha (então transmitido pela Bandeirantes).  O conjunto Superbacana aparece com a maliciosa “Tá com medo, tabaréu? (Melô da pipa)”, cujo sucesso até desaguaria no carnaval de 1980. Francis Hime vem com a ótima “Pivete”, parceria dele próprio com Chico Buarque, em faixa extraída do álbum “Se porém fosse portanto”, da própria Som Livre. A curiosidade fica por conta do argentino Danny Cabuche, interpretando “Para esquecer”, versão em português de um sucesso seu em terras portenhas, “Que hay que hacer para olvidar?”.  Outro argentino, Palito Ortega, assina “Por muitas razões eu te quero (Por muchas razones te quiero)”, em versão de Walter José, e então sucesso absoluto nas vozes de Jane e Herondy, aqueles do “Não se vá”. Ruy Maurity, conhecido por músicas como “Serafim e seus filhos” e “Nem ouro nem prata”,  aqui interpreta “Bananeira mangará”, regravação de um êxito da forrozeira Marinês em 1973. Outro inesquecível nome da MPB, Roberto Ribeiro, apresenta aqui um samba realmente antológico, “Todo menino é um rei” (“e eu também já fui rei”), sucesso merecido na época. Em seguida, temos o primeiro grande hit de Fábio Júnior, “Pai”, que ele apresentou pela primeira vez ainda em fins de 1978, num episódio do seriado “Ciranda, cirandinha”, também da Globo, e explodiu no início de 79, ao ser tema de abertura da novela “Pai herói”, de Janete Clair, estrelada por Tony Ramos, Paulo Autran e Glória Menezes, entre outros. Carlos Alberto de Oliveira, o Dicró, outro nome da MPB que deixou muitas saudades, interpreta aqui a maliciosíssima “Olha a rima”. Composta por Chico Buarque para sua peça teatral “Ópera do malandro”, a conhecidíssima “Folhetim” é interpretada aqui por Neuza Borges, expressiva atriz negra, catarinense de Florianópolis, e com inúmeros trabalhos de sucesso na TV e no cinema em seu currículo (no momento em que esta resenha foi elaborada, julho de 2016, ela estava no ar como a Mãe Quitéria da novela “Escrava mãe”, da TV Record). Para encerrar, a roqueira Bianca (pseudônimo de Cleide Domingos Franco), interpretando o hit que a consagrou, “Os tempos mudaram (O que me importa)”, composto por Cléo Galanth.  Enfim, esta quinta edição do “Globo de ouro” traz de volta um pouco do que foi sucesso em nossa música popular no final dos anos 1970, para recordação de muitos e conhecimento de quem só veio depois dessa época. Diversão garantida!

sou rebelde – lílian
tu – julio cesar
gotas de veneno – jair rodrigues
feiticeira – carlos alexandre
tá com medo tabaréu – conjunto super bacana
pivete – francis hime
pra esquecer – danny
por muitas razões eu te quero – jane e herondy
bananeira mangará – ruy maurity
todo menino é um rei – roberto ribeiro
pai – fábio jr
olha a rima – dicró
folhetim – neusa borges
os tempos mudaram – bianca

* Texto de Samuel Machado Filho

Celso Zambel – Espírito Da Noite (1979)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Nesta semana, se tudo der certo, pretendo por em dia alguns discos e toques prometidos e ainda não postados. A semana vai ser meio rock’n’roll, ou algo assim… E para começar, estou trazendo um disco aqui que certamente passou despercebido pelos blogs, fóruns e comunidades musicais do facebook. Um tremendo e obscuro lp lançado por um também obscuro artista chamado Celso Zambel. Um disco com uma super pegada, que curiosamente poucos conhecem. Nessa, eu também me incluo, pois até bem pouco tempo eu nunca tinha visto ou ouvido falar deste disco. Foi uma grata surpresa, que caiu nas minhas mãos por acaso, encontrei numa banca de promoções de um sebo, por apenas 15 reais! Sem sombra, mais uma jóia da árvore do rock tupiniquim que ficou na obscuridade.
Lançado em 1979 pelo selo Som Livre,”Espírito da Noite” é um lp do cantor e compositor Celso Zambel, um artista, o qual, pouco temos informações. Eu quase nada encontrei sobre ele além do fato de ter sido lá por volta de 1976, o intérprete  de “Those Shadows”, música que fez muito sucesso na época, pois tocava em horário nobre da TV Globo. Era aquele tempo em que muitos artistas brasileiros gravavam músicas em inglês, usando pseudônimos de estrangeiros. Nessa ocasião, Celso Zambel era Paul Jones. Seu compacto com essa música vendeu horrores.
Em “Espírito da Noite” há também outra obscura curiosidade, o parceiro de Zambel é o violonista André Geraissati, músico hoje consagrado no mundo do jazz e música instrumental brasileira. Nessa fase e neste disco André divide com Zambel a maior parte das músicas. Apenas os dois músicos tocam no disco, mas fazem a gente pensar que tem um banda. André arrasa nas cordas elétricas e acústicas, revelando um lado rock’n’roll que muitos não devem conhecer. Celso Zambel, por outro lado, me faz lembrar o Ritchie, no Vímana, cantando (em português) como um autêntico estilo ‘popsinger’. Eis aí um disco que muita gente ainda precisa conhecer. E vou logo avisando, é um lp raro, difícil de encontrar e muito bem contado no mercado japonês. Colecionadores de vinil, fiquem espertos! Corram logo no Mercado Livre e busque os seus enquanto ainda é realmente obscuro e barato. Não dou um ano para que este disco tenha chegado à cotação de 200 pratas. Vai vendo

espírito da noite
notícia pra você
dr. rock and soul
divino espírito santo
o mágico
parada dos livres
eu não sei, você sabe?
rei do lugar
abmas
mágica dos anos 60

Abilio Manoel – América Morena (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Finalmente eu consegui corrigir um erro aqui no TM que há tempos tem nos impedido a comunicação, através da seção de comentários. Agora, quem quiser, já pode voltar a tecer seus comentários nas postagens. Só não vale pedir novos links para velhas postagens, pois nem sempre eu vou poder ajudar, ok?
Temos para hoje o luso-brasileiro Abílio Manoel, um grande, porém subestimado compositor, que infelizmente nos deixou há alguns anos atrás. Eu já postei aqui seu lp de 1968 e também um compacto. Desta vez, vamos com este álbum de capa dupla, lançado em 1976 pelo selo Som Livre. “América Morena” foi seu quinto lp e como o próprio nome já sugere, as composições aqui falam de coisas da América Latina, São músicas, em sua maioria, composições próprias e/ou parcerias, além de temas tradicionais do folk latino americano. Um disco muito bom. Eu recomendo!

américa morena
menino de olinda
o fado e o cravo de abril
arca de noé
voz passiva
terra livre
o circo vem aí
amigo hermano
tchica
dança do sol
folclore latino americano – índios alegres
folclore latino americano – andina
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Compactos – Deny e Dino (1973) – Guris E Marcio Lott (1978) – Marcos Moran (1967) – Mauricio Duboc (1979)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais uma leva de compactos simples, esses verdadeiros tesouros de sete polegadas. Os singles aqui reunidos foram lançados entre 1968 e 1979. O mais antigo é o do cantor Marcos Moran, lançado pela Caravelle em 1968. No lado A, temos “A viagem”, composição de João Roberto Kelly, e, no verso, “Bai bai”, de Carlos Imperial e Jorge Roberto. Com onze compactos simples, um duplo, três LPs e um CD como cantor-solo, Moran também participou de álbuns coletivos, sobretudo de sambas-enredos das escolas cariocas para o carnaval. Tanto que um deles, “Sonho de um sonho”, da Unidos de Vila Isabel, lançado para a folia de 1980, é até hoje obrigatório nos shows do cantor. Formada por José Rodrigues da Silva e Décio Scarpelli, ambos paulistas de Santos, a dupla Deny e Dino explodiu no cenário musical brasileiro nos tempos da Jovem Guarda, lançando hits do porte de “Coruja”, “O ciúme”, “Eu só quero ver”, “Eu não me importo” e “Meu pranto a deslizar”. Gravaram mais de 30 compactos e dez LPs, ganhando vários discos de ouro e troféus como Chico Viola e Roquete Pinto. Suas músicas também foram bastante executadas em países da América Latina. Aqui, um single da Top Tape, lançado em 1973, apresentando no lado A “Cantem comigo”, uma composição deles próprios que teve boa aceitação na época. No verso, saiu “Você precisa se acostumar”, de Mickael (produtor desse disco) e Décio Eduardo. Com a morte do Dino original, Décio Scarpelli, em 1994, Deny passou a cantar com outro parceiro, Elliot de Souza Reis, que também assumiu o cognome Dino. Em seguida temos um curioso single da Som Livre, lançado em 1978. De um lado, o grupo Guris interpreta a célebre canção de fim de ano da Rede Globo de Televisão, “Um novo tempo”, composta em 1971 por Nélson Motta e pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, cuja gravação original foi feita naquele ano pelo elenco de artistas globais da época. No verso, o cantor Márcio Lott (Belo Horizonte, MG, 1940) interpreta um grande hit de Roberto Carlos nesse tempo, “Outra vez”, de Isolda. Esta gravação foi, inclusive, tema da novela global “Dancin’ days”, de Gilberto Braga, e só foi lançada depois do LP com a trilha sonora nacional da mesma.  Márcio participou de várias dessas trilhas, e, em 2003, fundou o grupo vocal Nós Quatro, ao lado de Célia Vaz, Fabyola Sendino e Ana Zinger, depois substituída por Clarisse Grova. Autor de várias composições de sucesso, muitas em parceria com Carlos Colla e quinze delas gravadas por Roberto Carlos, Maurício Duboc  também gravou como intérprete. Aqui, um single que lançou em 1979, pela EMI-Odeon. No lado A, uma regravação de “Pai”, de Fábio Júnior, então sucesso na voz do autor. A faixa apareceu depois no LP-coletânea “Meu velho (Pra você, meu pai)”. No lado B, de sua parceria com Carlos Colla, “Senta aí”, também no gênero romântico. Maurício também participou das trilhas das novelas “O todo poderoso”, da Bandeirantes (1980), e “Despedida de solteiro”, da Globo (1992), além do festival MPB-80 (em que apresentou “Tão minha, tão mulher”) e do álbum comemorativo dos 60 anos de carreira do compositor Sivan Castelo Neto (1984). Enfim, mais quatro raridades para a delícia de vocês que tanto prestigiam o TM. Aproveitem…

*Texto de Samuel Machado Filho

pai – maurício duboc
senta aí – maurício duboc
a viagem – marcos moran
bai bai – marcos moran
um novo tempo – guris
outra vez – marcio lott
cantem comigo – deny & dino
você precisa se acostumar – deny & dino
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Ruy Maurity – Safra 1974 (1973)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Aqui vamos nós com mais uma boa postagem para alegrar gregos e troianos. Hoje eu trago para vocês um dos melhores discos de Ruy Maurity, artista que dispensa maiores apresentações. Autor de grandes sucessos, muitas de suas músicas foram temas de novelas da Rede Globo, Num tempo em que a Globo primava pela qualidade musical de suas trilhas. Ruy Maurity era um dos artistas principais do ‘cast’ da Som Livre, braço fonográfico da emissora de tevê. Sem dúvida, o sucesso de Ruy Maurity muito se deve ao fato dele ser artista exclusivo da Som Livre/Globo e ter tido seus discos e sua música sempre muito bem divulgados. Mas há de se dizer também que em tudo ele é merecedor, sua obra não deixa dúvidas. Neste terceiro disco de sua carreira, o segundo pela Som Livre, vamos encontrá-lo em um de seus melhores momentos. Várias de suas músicas foram sucessos e chegaram a fazer parte de trilhas de novelas como “Fogo sob a terra” e  “Ëscalada”. Pessoalmente, este é o álbum do Ruy que eu mais gosto.

com licença moço
parábola do pássaro perdido
pele de couro
canteiro dos sonhos
saci fez trança
trecho alegre de uma canção alegre de chuva
a senha do lavrador
coração 1944
passarinhada
velha história
cajerê
hoje eu fiz você
.

Grupo Cantamor – Roberto Carlos Com Amor (1980)

Olá amigos cultos e ocultos, namorados e enamorados! Boa noite! Que todos os casais sejam felizes, numa noite de amor e de prazer. Viva o Dia dos Namorados! Eu ia deixar passar batido essa data, mas me lembrei deste disco, que cai como uma luva para o dia de hoje. Temos aqui o romantismo de Roberto Carlos, algumas daquelas muitas músicas do Rei que certamente foram trilhas de diversos namoros. Para ficar ainda mais agradável, esta seleção musical é interpretada por um quinteto vocal afinadíssimo. Formado por Sonia Burnier, Jane Duboc, Edgar, Jaime e Raymundo Bittencourt. Eles são o Grupo Cantamor, uma reunião exclusiva para este trabalho, que busca exatamente tocar os casais. Um disco ótimo para casais super apaixonados. É tocar e se tocar 😉

um jeito estupido de te amar
vou ficar nu para chama a sua atenção
café da manhã – outra vez
pra você – de tanto amor
eu disse adeus – se você pensa
seu corpo – tente esquecer
olha – como vai você
o portão – existe algo errado
debaixo dos caracóis – abandono
o show já terminou – proposta
.

 

Sirlan (1972)

Para completar, vou incluindo no toque de hoje mais um compacto pronto pra consumo. Um disquinho importante lançado pela Som Livre em 1972, apresentando o cantor e compositor mineiro Sirlan em seu disco de estreia, trazendo como atração principal a música “Viva Zapátria”, que naquele mesmo ano havia participado do VII Festival Internacional da Canção.

viva zapátria
super herói
.

Carlos Paraná – A Música De Carlos Paraná (1972)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Por mais que eu fale, repita, escreva e divulgue uma informação aqui no TM, ainda assim vai ter gente perguntando: cadê o link? As vezes, sinceramente, não dá vontade de responder. E tem nêgo que chega a ficar indignado porque não encontra o link, como seu eu tivesse a obrigação de mantê-los todos ativo. Parece até que estão pagando mensalidades para ser sócio do Toque Musical. Desculpem, mas a fila anda! Quem não chegou a tempo, não tem o direito de reclamar. Até porque, eu ainda ofereço uma segunda chance. Quem quer, sabe da valor!
Bom, aqui vai o disco do dia, “A Música de Carlos Paraná”, um álbum póstumo, produzindo por Marcus Pereira, pouco tempo após a morte do compositor Luiz Carlos Paraná. O que faz um artista como este merecer um disco póstumo, sendo que nunca tenha antes gravado nada? Pelo texto da contracapa, assinado  por Marcus Pereira e também outro de Paulo Vanzolini já dá para se ter uma ideia. Carlos Paraná é um daqueles caras que saem do nada, chega ao Rio de Janeiro e se transformam. Por sorte ou por destino seu caminho se cruza com o daqueles que fizeram e fazem as coisas, no campo da música, acontecerem. De entrada (ou de saída) ele já começa bem, dividindo um quarto de pensão com João Gilberto, logo que chega ao Rio, nos anos 50. Não sei se por influência, gosto ou necessidade, ele tendo lá seus dons musicais, passa a tocar na noite, como faziam seus companheiros. E certamente, convivendo neste ambiente, o cara, se esperto e talentoso, tem tudo para se dar bem. E ele se deu. Nos anos 60 mudou-se para Sampa onde foi trabalhar com direção artística numa das melhores casas noturnas da época. O contato crescente com os mais famosos e talentos artistas da época, levou-o em seguida a abrir o seu próprio negócio, a famosa e saudosa boate “O Jogral”, frequentada pela nata da MPB, local onde, obviamente, ele também se apresentava. Como disse o Paulo Vanzolini, “ele não teve tempo para fazer muito, mas sempre teve para fazer ótimo”.
Este álbum reuni alguma coisa que por ele foi gravado e dirigido (o álbum sonhado) com a participação de parceiros e dois de seus intérpretes, Emílio Escobar e Adalto Santos. Ficou um disco bem bonito, uma justa homenagem a um artista que preferiu muito mais ficar nos bastidores.

resignação – carlos paraná
vou morrer de amor – carlos paraná
maria, carnaval e cinzas – adauto santos
nem se quer uma rosa – emilio escobar
de amor ou paz – adauto santos
queira – emilio escobar
de um só amor – adauto santos
cafezal em flor – carlos paraná
se for pra medir saudade – emilio escobar
canoa vazia – adauto santos
marcha do amor sem esperança – emílio escobar
você merece um tango – emílio escobar
último canto – adauto santos
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Djalma Dias – Destaque (1973)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Nunca tive muito interesse no YouTube, que fosse além do de espectador, para ver vídeos e ouvir música. Foi justamente pensando no ouvir que de uns tempos pra cá eu passei a flertar com essa telinha digital. Ainda estou nos primeiros passos, mas acho que logo vou incrementar minha conta por lá com alguns vídeozinhos de música. Quem sabe até eu crie alguns clips mais elaborados. Acho que mais essa dobradinha pode dar pé 😉 Precisamos divulgar mais esse Toque Musical, afinal, de ocultos aqui já bastam vocês, não é mesmo?
Hoje eu estou trazendo o álbum “Destaque”, do cantor Djalma Dias. Eu já havia postado aqui, anteriormente, outros dois discos onde o cantor e sambista é também destaque. Aproveito até para replicar o que já havia escrito. Djalma foi cantor de boate, intérprete vitorioso em festivais e de trilhas de novelas da Rede Globo. Gravou diversos sucessos, entre os mais famosos temos “Capitão de Indústria”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle para a novela “Selva de Pedra”. Aliás, é bom dizer, Djalma gravou diversas músicas dos irmãos Valle. Isso muito se deve ao fato de que Marcos Valle tinha contrato com a Som Livre, era um dos principais compositores para os programas da Globo e Djalma Dias era também contratado, principalmente como cantor e atuando em coros de trilhas e especiais da emissora. Ele gravou vários discos, os quais ainda hoje são difíceis de ver (e ouvir) na blogosfera.
Em “Destaque”, vamos encontrar um repertório muito bom, amarrado por músicas de qualidade de compositores como Adoniran Barbosa, Antonio Adolfo, Djavan, Johnny Alf, Antonio Carlos & Jocafi, Marcos e Paulo Sergio Valle e outros mais… Este disco foi produzido por Estáquio Sena, com arranjos de Waltel Blanco.

saudades de lá
menino levado
dono de casa, boa noite
as moças
só lágrimas
num arredo pé
tocar na banda
o galo cantou
marina, marina
de ontem pra hoje
desgruda
minha serenata
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A Turma Do Pererê (1983)

Olá amigos cultos e ocultos, boa noite! Acabo de voltar da Feira de Vinil. Achei que este sábado não iria render muito por lá. Mas, ao contrário, o dia foi puxado, com muitas compras, muitas vendas e também muitas trocas. Um dia integralmente musical e divertido. Mas depois de carregar meia dúzia caixas de disco, posso dizer que estou esbodegado. Só quero mesmo saber de um banho, comer alguma coisa e dormir cedo.
Antes, porém, deixa eu postar aqui alguma coisa. Para não dizerem depois que não publiquei nada no fim de semana. Numa escolha do acaso, puxando do fundo do gavetão, veio na sorte o presente lp que agora eu apresento a vocês. Trata-se da trilha de um musical exibido na Semana da Criança, pela Rede Globo, em 1983. Um criação de Ziraldo, com direção de Guto Graça Mello. A história é inspirada na revista em quadrinho criada por Ziraldo nos anos 50. No programa da tv a história é contada em forma de um musical e as músicas são interpretadas por nomes como Fagner, Grupo Céu da Boca, Luiz Melodia, Sérgio Reis, Marlui Miranda, Wanderléa, Zezé Motta e outros, conforme se pode ler na capa do disco. Um trabalho muito interessante, quando a Rede Globo ainda produzia coisa que presta. Embora seja voltado para um público infantil, o resultado em disco agrada também aos adultos. Confiram

grande final – gal costa
canção dos caçadores – sergio reis
espantalho – fagner
estrela – ricardo graça mello
acorda saci – wanderléa
mata fundão – turma do pererê
tininim – zezé motta
canção do tuiuiú – marinella graça melo
turma do pererê – turma do pererê
agulha no palheiro – luiz melodia
canção do vento – céu da boca
não se vá tininim, não se vá – marlui miranda
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Joelho De Porco (1978)

Olá amigos cultos e ocultos! Já quase terminando a sexta feira, eu ainda encontro uma brecha para carimbar aqui mais um álbum raro. Estou trazendo aqui, mais uma vez o conjunto metido a punk, Joelho de Porco. Este grupo nasceu no início dos anos 70, apresentando uma proposta de rock bem original para a época e com boas pitadas de humor. Ao longo de sua existência oscilante, passou por diferentes formações o que lhe garantiu uma produção musical diversificada. O álbum que eu hoje apresento foi o segundo lp gravado por eles, ainda nos anos 70 e traz um repertório com releituras de duas músicas do primeiro disco. A formação aqui é outra, sendo que apenas Tico Terpins integrante da fase inicial. É dele praticamente todas as músicas. Pessoalmente, eu prefiro o primeiro disco, mas este também é ótimo e vale dar uma conferida 😉

o rapé
são paul by day
paulette mon amour
rio de janeira city
feijão com arroz
aeroporto de congonhas
golden acapulco
boeing 723897
mandrake
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Vários – Mário Lago – Nada Além (1991)

Bom dia, caríssimos amigos cultos e ocultos! Aproveitando que estou digitalizando alguns discos para um amigo, seperei este aqui para a postagem de hoje. Trata-se de um encontro com uma dezena de artistas homenageando o compositor, ator e radialista Mário Lago. Estão reunidas aqui algumas de suas mais marcantes composições e parcerias. O disco é bem interessante, pois nos traz uma boa variedade de artistas e interpretações exclusivas. Eu bem que podia ter deixado para fazer esta postagem na semana que vem, especialmente no dia 26, data de aniversário do artista. Se estivesse vivo estaria completando 102 anos! Mas eu como sou muito esquecido, iria acabar nem lembrando. Assim, me adianto nesta homenagem. Fica aqui a nossa lembrança.

quem chegou já tá
a onda
salve a preguiça, meu pai
atire a primeira pedra
ai, que saudade da amélia
aurora
nada além
ficarás
fracasso
faz de conta
faz como eu
dá-me tuas mãos
número um
caluda, tamborins
rua sem sol
fazer um céu
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Pete Dunaway (1974)

Olá amigos cultos e ocultos! Ontem, devido a total falta de tempo, não tivemos nenhuma postagem. Para compensar, hoje teremos duas (se tudo correr numa boa). Sempre misturando, variando, oscilando… lá vai o Toque Musical com suas publicações inusitadas.
Ainda nos anos 70, também pela Som Livre, tivemos edições para todo gosto. Na época, muitos artistas, sem encontrar direito um espaço para fazer MPB e vendo o quanto na indústria fonográfica era lucrativa a música internacional, partiram também nessa onda. Com curiosos nomes estrangeiros, nasciam figuras como Morris Albert, Mark Davis (Fábio Jr), Terry Winter e mais uma dezena de outros que viriam a emplacar verdadeiros sucessos nas rádios. A febre se espalhava e um dos responsáveis pela invasão era um italiano que morava em São Paulo, Cesare Benvenutti, produtor do selo Cash Box, da Continental. Outras gravadoras percebendo a grande jogada, resolveram também investir no lance. Criavam também seus artistas nacionais internaiconais. A Som Livre nos apresentou em 1974, Otávio Augusto, ou melhor dizendo, Pete Dunaway. Ele já nessa época era produtor, trabalhava na Som Livre. Foi o cara quem lançou o Guilherme Arantes. Produziu e também fez os arranjos de base para o artista. Em 1974 ele lançou este lp, com o qual conseguiu emplacar várias canções. Sei de pelo menos umas três que tocavam (e ainda tocam) insistentemente no nas rádios por aqui. Let’s go, my friends… sing the songs!

you’re the reason
marina
hey sam
don’t make me cry
talking to you
and it’s okay
heart to heart
just man
tears of life
supermarket
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Jards Macalé – Contrates (1977)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Entre tantas curiosidades, músicas para se ouvir com outros olhos e coisa e tal…, as vezes eu penso: pô, tenho que postar aqui também aquilo que sempre faz a minha cabeça. Ou melhor dizendo, preciso também postar aqui aquilo que eu realmente nunca deixo de ouvir. Assim, eventualmente, dou um toque nos meus prediletos 😉 Olha aí, que beleza…. “Contrastes”, de Jards Macalé. Tenho por este disco uma atenção especial, pois é um álbum que me acompanha desde o seu lançamento, em 1977. Me lembro exatamente do dia em que comprei este disco. Nesta época eu vivia num verdadeiro contraste musical. Amava os Beatles e os Rolling Stones (e ainda amo!), também o hard rock e já flertava com a nova onda, o punk rock dos Ramones e Sex Pistols. Porém, ao ouvir (como se a primeira vez) ao Jards Macalé, vi a salvação. Voltei a tomar gosto pela MPB. “Contrates” é um puta disco! Aliás, o Macalé é que é… um puta artista… todos os seus discos são ótimos e vale a pena ouvi-los, sem excessão. Um artista assim nunca deixa de ser cultuado, principalmente nos dias de hoje. Inclusive, seus discos, mesmo fora de catálogo estão, vez por outra, sempre sendo resgatados. “Contrates”, obviamente já teve seu relançamento na versão cd. Inclusive, a capa na nova edição é diferente. A foto da capa, o beijo, aparece aqui rasgada. Seria uma demonstração de desfeto e mágoa do artista? A moça da foto era então a sua esposa. Na época do relançamento do disco em cd, ela não permitiu que sua imagem fosse novamente exposta (os tempos são outros). Acho que, meio no desaforo, o artista deu o troco, recriando de maneira interessante a velha capa.
Bom, falar da música acho que é desnecessário. Este não precisa de defesa ou promoção. O melhor mesmo é ouvir 😉

contrates
sem essa
poema da rosa
black and blue
sim ou não
conto do pintor
negra melodia
choro do archanjo
cachorro babucho
garoto
passarinho no relógio (cuco maluco)
no meio do mato
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