Impacto – Compacto (1978)

Taí o compacto da noite, seguindo bem na linha do grupo Santa Cruz, que foi postado ainda a pouco. O Impacto, se não estou enganado, também fazia o circúito de bailes. Lançaram este compacto pelo selo internacional Atco Records, com produção do violonista e compositor pernambucano Marcus Vinicius, aquele que trabalhou com o Marcus Pereira e em seu selo gravou dois discos, “Trem dos condenados” e “Dédalus”. Obviamente, vocês verão, o grupo Impacto não tem nada a ver com a musicalidade do seu produtor. Trata-se apenas de um trabalho comercial, onde por acaso ele atuou. O nome ‘Impacto’ também nos remete ao grupo potiguar Impacto 5, que também atuou na cena pop dos anos 70. Eu não sei não, mas suspeito que talvez algum dos integrandes do Impacto 5 esteja por trás deste grupo.
No disquinho encontramos uma versão para “Dreamin’”, sucesso internacional nas rádios no começo dos anos 70, aqui chamado de “Sonho” e do outro lado, “Conselho de amigo”, hit a la jingles, que também tocou bastante nas rádios. Eu lembro e vocês? 🙂

sonho (dreamin’)
conselho de amigo

Impacto 5 – Rio Potengui (1983)

Chegamos finalmente na sexta-feira. Aproveito para juntar o útil ao agradável (ou qualquer coisa parecida). Vamos mais uma vez com o grupo potiguar, Impacto Cinco. Na semana eu postei o álbum “Lágrimas Azuis” gravado por eles em 1975. Hoje, que é dia de gravações/artistas independentes, faremos de “Rio Potengui” a nossa estampa, afinal este disco não deixa de ser uma produção no estilo. Lançado pela Escola de Música da UFRN em parceria com o SESC/RN, este disco faz parte do Projeto Memória, que foi criado com a finalidade de preservar e tornar conhecido do grande público o que de melhor o Estado do Rio Grande do Norte produzia em termos de música até então. Pode parecer um pouco estranho dar a um cojunto de rock toda essa ‘pompa’ (com apenas dois discos de música ‘pop’ lançados), mas ao contrário do que parece, o Impacto Cinco também bebia na fonte do regional e era apoiado pela comunidade universitária. O grupo, após o lançamento do álbum de 1975, que teve uma inexpressível vendagem e quase nenhuma divulgação nacional, acabou voltando para casa. Retornou às origens e passou a fazer um som mais regional. Quem espera aqui encontrar o mesmo jeitão ‘pop rock’ pode se decepcionar. Aqui não tem a produção do Gileno e nem músicas do Raul Seixas. Pelo que parece não tem nem mais os mesmos músicos do início de carreira. A formação é outra. Daí, a música também é outra. Estão mais para Sá & Guarabyra do que para Som Imaginário, ou Pholhas, que tem mais a ver… Mas isso não quer dizer que eles deixaram de ser interessantes, muito pelo contrário. Se tornaram um grupo ainda mais afinado, maduro e coerente. Passaram a fazer uma música, ainda jovem, mas inserida no contexto da cultura regional. Bom, pelo menos é isso que reflete o lp “Rio Potengui”. Escutem e digam o que acham. Se houver alguém interessado em adquirir o disco, este também eu tenho para a venda. Quanto ao primeiro álbum, o de 1973, vai ficar para uma outra ocasião. Desafio aqui é moda de viola 😉

safra de fole e viola
par tristeza
no cio do rio
o luar e a canção
mariola
gente na praça
rio potengi
afeto farto
fruto tropical
longe daqui, aqui mesmo

Impacto Cinco – Lágrimas Azuis (1976)

Saindo de Pernambuco, vamos para o Rio Grande do Norte. É de lá que vem o Impacto Cinco, um dos pioneiros e maior representante do rock potiguar. O grupo surgiu nos anos 60, criado por Etelvino Caldas, um ex-seminarista que decidiu abandonar a Igreja depois de ouvir um disco dos Beatles. O Impacto Cinco era uma banda que tocava nas matines de domingo no ABC Esporte Clube de Natal. Se tornou logo um sucesso, sendo a banda de maior destaque entre a juventude universitária da época. O profissionalismo e qualidade musical da banda os levaram para São Paulo, através de Gileno Azevedo, o Leno da dupla Lilian & Leno. Gileno, também do Rio Grande do Norte, era na época produtor musical na CBS. Conhecia bem o trabalho dos caras e resolveu produzi-los. Lançou um primeiro álbum em 1973. Dois anos depois veio este lp, “Lágrimas Azuis”, um trabalho considerado por muitos bem a frente de seu tempo. Pessoalmente, não vejo muito isso, mas também não há como negar a qualidade, bem acima da média. Eles faziam um som competente, à nível das melhores bandas de rock brasileiras. Neste álbum de onze faixas, além de músicas próprias há também composições de Leno, Piska e Raul Seixas. O destaque vai para “Sábado”, música lançada anteriormente pelo Som Imaginário.
“Lágrimas Azuis” é hoje um disco dos mais raros, disputado a tapas e muito dinheiro por colecionadores. Eu por acaso tenho este lp repetido, se alguém se interessar, tá na mão por apenas 250 reais. Façam contato por e-mail 😉

mãos de seda, coração de ferro
(tudo vai mudar) amanhã
fuga
carmem, carmem
viver triste
lembranças
lágrimas azuis
sábado
um bom lugar
sentado no arco iris
muito tempo de som