Dimensão 5 (1979)

Boa noite, meus amigos cultos e ocultos! Hoje, domingo, tomei o dia para tentar por ordem em minha bagunça musical. De uns tempos pra cá eu tenho andado meio relapso com meus discos, meus arquivos e todo o meu acervo digital. As coisa vão se acumulando, quando a gente vê, dá um desanimo ter que arrumar tudo… Estou aqui com uma centena de discos que ganhei recentemente e já comecei a fazer confusão. Creio que o disco de hoje foi uma colaboração do amigo Fáres.
Temos aqui o conjunto Dimensão 5, um grupo formado nos anos 60. Figura como uma banda da cena Jovem Guarda, porém o seu sucesso se limitou a São Paulo, na região de Moema, onde eles surgiram. Pelo pouco que sei, o Dimensão 5 atuou muito em shows, em clubes. Eram considerados um dos melhores conjuntos de baile. Devem ter ganhado um bom dinheiro, pois conseguiram se instrumentar com os melhores equipamentos da época. Investiam pesado na produção de seus show. Tinha até um caminhão para transportar os equipamentos. Se mantiveram ativos até por quase três décadas e ainda hoje o espírito do grupo se mantém aceso numa página do facebook. Ao que parece, o Dimensão 5 só gravou este lp, de 1979. Antes porém gravaram um compacto, no final dos anos 60 ou inicio dos 70. Em 1973 eles gravam um compacto para a Top Tape, através do selo One Way (aquele que produzia artistas nacionais como se fossem estrangeiros) com o nome de Nathan Jones Goup. A música foi “I’ve been around”, sucesso que fez parte da trilha da novela O Bem Amado.
No presente lp, temos um conjunto bem resolvido. Músicos entrosados, composições e arranjos bem feitos. São doze faixas entre autorais (em sua maioria do baterista, Francis) e de outros autores, com destaque para um espécie de ‘pot pourri’ de músicas de Toquinho e Vinícius e também Chico Buarque.
Apesar de ter ouvido o disco apenas umas duas vezes, posso dizer que gostei do trabalho, é bem anos 70. Confiram

yesterday, today, tomorrow
porque?
alguma coisa nova
não tenho tudo que amo
tarde em itapoã – regra três – meu pai oxalá
cotidiano
devagar também é pressa
fora de hora
apesar de você
menina
sob a luz de um olhar
homenagem ao malandro
.

Orquestra de Daniele Patucchi – Brasil Meu Amor (1977)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ao que tudo indica, com as novas mudanças e leis para a internet, logo o Toque Musical terá que se adaptar… isso se não acabarem com a nossa festa.! Para continuar em atividade, para manter mais 7 anos, eu vejo que em breve terei que fazer novos ajustes e mudanças por aqui. Por essas e por outras é bom que os amigos não percam o contato. Pelo GTM é uma garantia de conexão. Caso o mundo exploda, pelo menos pelo grupo vocês saberão onde cada destroço foi parar.
Bom, seguindo nas variações musicais e para fechar o sábado, vamos com esta curiosa produção italiana, lançda por aqui em 1977. Trata-se de Daniele Patucchi, compositor, arranjador e maestro italiano, autor de inúmeras trilhas para filmes europeus. Pessoalmente, sou um fã do seu trabalho. Gosto muito de trilhas sonoras, principalmente as italianas das décadas de 60 e 70. Eis que porém, temos entre seus discos este lp, que é mesmo uma demonstração do amor do artista pelo Brasil, ou ainda, pela música brasileira. Em “Brasil, meu amor” ele recria com seus arranjos dez composições clássicas da MPB, músicas em sua maioria da dupla Toquinho & Vinícius e duas de Jorge Ben. Para nós que somos brasileiros, talvez essas músicas nos soem com estranheza, afinal é a ‘visão’ (ou audição) de um estrangeiro. Mesmo assim, eu ainda prefiro essas versões do que as de outros como Paul Mauriat, Ray Conniff e por aí a fora…. Daniele pelo menos adotou neste trabalho os ritmistas e um côro nacional, em gravações feitas aqui mesmo no Brasil. Isso ajudou ele a não sair muito dos trilhos, mantendo assim a integridade das composições. Diquinho bem interessante, vale a pena conferir

país tropical
a tonga da mironga do kabuletê
berimbau
dilê
regra-três
maria vai com as outras
se ela quisesse
carta ao tom 74
canto de ossanha
turbilhão
.

Gilson de Souza – Poeta De Rua (1979)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Neste mês o Toque Musical estará completando 4 anos de vida. Como já estamos na segunda quinzena é bom eu ir ajeitando a casa, anunciando a data e preparando para a festa. Afinal, o que falta agora é só convidar a todos. Vocês trazem os ‘comes e bebes’ que o presente quem dá sou eu, ao longo dos dias do próximo ano. Estamos conversado? 😉
Para começar a semana, vamos de samba. Vamos com o Gilson de Souza, lembram dele? Não? Poxa…que isso! Foi justamente com uma música, um samba chamado “Poxa” que Gilson decolou para o sucesso. Lançado em 1975, este samba valeu ao artista o troféu Impresa como revelação do ano e melhor música. A música se tornou bem popular, chegando a alcançar umas dezenas de interpretações e regravações. Dizem que até o Elton John já cantou essa música em um de seus shows (eu queria ver). Mas o sambista compositor não ficou só num sucesso, tem também aquela, “Orgulho de um sambista”, que foi cantada por Jair Rodrigues e outros artistas, que também gravaram a música. Pelo que eu li, Gilson continua na ativa, compondo, gravando e fazendo shows esporádicos. Trabalha como Conselheiro Fiscal da Sicam (Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais)
No álbum “Poeta de rua “, seu segundo disco lançado pelo selo Arlequim, em 1979, temos doze sambas, todos de sua autoria ou parceria. Um disco interessante, como músicas de um forte apelo popular. Embora eu não as conheça, imagino que algumas tenham tocado em rádios, principalmente paulistas, onde o artista é mais conhecido. Confiram o toque…

poeta de rua
povo amigo
onde você andou
força
pode parar
gisele
promessas desfeitas
euforia de um folião
samba de mestre
sonho dourado
gente falante
comparações

Geraldo Ribeiro – Interpreta Garoto (1984)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Segunda feira é sempre aquele diazinho cheio. Cheio de coisas para fazer. Cheio de preguiça para fazê-lo. Por sorte, ontem, eu já deixei alguma coisa preparada para a semana.
Para começar, que tal um bom disco de violão? Taí um trabalho que irá agradar aos amantes do ‘pinho’. Vamos com Geraldo Ribeiro, um dos maiores violonista brasileiros, desses que só mesmo os entendidos conhecem, interpretando outro gênio, o lendário Garoto. Geraldo não é um artista, ele é um instrumentista, um músico como poucos. Eu até pensei em escrever um pouco sobre ele, principalmente para aqueles que ainda não o conhecem, mas achei algo bem melhor e muito mais interessante. Por consequência da postagem, me lembrei de outro grande violonista brasileiro, da nova geração, Fábio Zanon. Ele tinha (ou tem) um programa na Rádio Cultura de São Paulo, onde apresentava o melhor do violão clássico. Para a nossa felicidade, ele abriu um blog e andou postando por lá todos os arquivos de áudio desses programas. Uma maravilha que até eu tenho também copiado para a minha ‘fonoteca digital’. Entre esses, tem um exclusivo, dedicado ao Geraldo Ribeiro, onde ele o entrevista e nos apresenta momentos raros e históricos do concertista.
No álbum dedicado à Anibal Augusto Sardinha, o Garoto, ele toca 14 temas exatamente como o autor os deixou gravado. Respeitando rigorosamente originais, que até então, sequer haviam sido editados. Temos entre essas faixas, duas que eu chamaria a atenção: a belíssima “Duas contas”, talvez a única música com letra feita por Garoto. Aqui, Geraldo apresenta apenas a versão instrumental. Outra música que destaco é, sem dúvida, a melancólica “Gente Humilde”, na sua forma original, sem a letra de Chico e Vinícius.
Então é isso aí… um toque 100% de violão, como há muito vem sendo pedido. Confiram…

gente humilde
lamento do morro
debussyana
nosso choro
voltarei
um rosto de mulher
jorge do fusa
duas contas
quinze de julho
improviso
choro triste n. 2
meditação
naqueles velhos tempos
sinal dos tempos

Bolão – Forró Do Bolão (1979)

Olá! Estamos entrando hoje no mês em que o Toque Musical completa dois anos de existência. Ainda vou preparar o bolo, a festa e covidar mais alguns amigos cultos e ocultos. Aliás, como presente de aniversário eu estou dando ao blog 15 dias de férias. Isto que dizer que na segunda quinzena deste mês nós não teremos postagens. Elas voltam justamente no dia 31 de julho, data do início de nossas atividades.

E por falar em bolo, eu hoje estou postando um disco do Bolão. Taí, um lp raro, diferente e para variar, sem muitas informações. Mas afinal, quem é este Bolão? Na música brasileira eu conheço pelo menos uns três. Pesquisando rapidamente cheguei a uns cinco. De todos, acho que o mais provável é mesmo o Isidoro Longano, clarinetista, saxofonista e também flautista. Um instrumentista de bola cheia, que já tocou com os mais diversos artistas brasileiros. Seu sopro está presente também em outros tantos discos e normalmente aparece apenas como “Bolão”. Isidoro foi também um dos pioneiros do rock’n’roll tupiniquim. Iniciou sua carreira nos anos 40, integrando várias orquestras de bailes. Nos anos 50 e 60 enveredou para lado do rock, gravando o lp Bolão e Seus Rockettes – Viva a Brotolândia, disco este já postado no Toque Musical em janeiro de 2008. Também atuou com pseudônimos de Bob Longano e Edward Long e fez parte do grupo The Crazy Cats. Em 1976 ele tocou com o Made In Brazil no disco “Jack, O Estripador”. Foi também professor de muitos músicos e atuou como instrumentista de estúdio, sendo pau para toda obra. Um músico desse quilate não podia ficar só no rock, pelo menos no que diz ao seu trabalho multifacetado. Embora sem qualquer outra informação, posso afirmar que este disco é mesmo do Isidoro Longano. Um álbum basicamente pautado no instrumental, onde a referencia rítmica é o forró. Há inclusive a participação especial de Dominguinhos. Sem sombras de dúvida, um disco nota 10! Se vocês ainda não o viram rodando em outras fontes, chega mais, porque aqui é 320! 😉


forró do zé pirrita
discotheque no forró
forró do zé lagoa
forró do seu vavá
lá vai forró
até a guela
tenho sede
carta a mãeinha
fortaleza e ceará
não vou lá
não ligo isso
o bom tocador


Clayber – Sob Medida (1983)

Considerado um dos 10 maiores gaitistas do mundo, Humberto Clayber de Souza tem um currículo extenso. Iniciou sua carreira ainda na adolescência. Foi integrante de diversos e famosos grupos como “Omar Izar e seus Harmonicistas” durante os anos 50 e “Trio Gevalth” da Argentina, com quem excursionou por toda a América do Sul. Se não bastasse, tem como seu segundo instrumento o contrabaixo. Como contrabaixista tocou no “Manfredo Fest Trio”. Ao lado de César Camargo Mariano e Airto Moreira montou um dos mais interessantes trio de Bossa Nova, o “Sambalanço Trio”. Nesta época foi também consagrado como um dos melhores contrabaixistas de bossa. O cara é realmente fera. Tocou no quinteto “Sambossa-5” gravando dois lp’s e reagrupou o “Jongo Trio”, com quem gravou também dois discos. Tudo isso ainda nos anos 60, quer dizer, ainda tem muita coisa de lá pra cá. Não vou entrar mais em detalhes, quem quiser saber sobre Clayber, visite o seu site.
O álbum que apresento é um trabalho surpreendente e muito bonito. Clayber interpreta somente composições de Chico Buarque e parceiros, dando a essas uma nova roupagem totalmente instrumental. Tocam com ele outros feras como Cido Bianchi, Claudio Bertrami e Heraldo do Monte. Taí um disquinho nota 10, confiram!

olhos nos olhos
amando sobre os jornais
o que será
gota d’agua
você vai me seguir
meu caro amigo
mulheres de atenas
sob medida
vai trabalhar vagabundo
bem querer
a noiva da cidade
passaredo